Dá até pena de ver a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), segunda secretária da Câmara, lendo a íntegra do segundo pacote de denúncias da PGR contra o presidente Michel Temer.

Diante dela sobre a mesa está um catatau de 242 páginas e um plenário semi-deserto.

Ninguém presta atenção na leitura, os poucos deputados presentes ficam conversando entre si e falando no celular.

Vai durar pelo menos seis horas esta agonia e não deve terminar nesta terça-feira a patética cena de teatro do absurdo _ alguém no palco falando para o vazio.

Este ritual costuma ser simbólico, coisa de poucos minutos, mas para atazanar a vida do presidente, que quer acabar logo com a reprise da novela, a oposição resolveu obstruir os trabalhos e exigiu a leitura na íntegra.

Contou para isso com o apoio dos líderes aliados que querem ganhar tempo para fazer as negociações do é dando que que se recebe.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, o governo já prepara novo pacote de bondades para agradar os deputados e evitar a abertura do processo no STF.

Sem ter ainda saldado as faturas de emendas e cargos acertados na votação da primeira denúncia, o Palácio do Planalto pretende dar descontos de até 90% no novo Refis (refinanciamento de dívidas com a União), a chamada Bolsa Sonegador.

A cada dia que passa a conta vai aumentando, ameaçando estourar o rombo fiscal já reajustado para R$ 159 bilhões.

Antes de iniciar a análise da denúncia, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), ainda precisa decidir se o processo será ou não fatiado e indicar o relator, o que vai dar mais confusão, e atrasar os trabalhos.

Isso ainda vai longe e pode não acabar até o final de outubro como queriam o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Assim segue a procissão. Ali, cada um, do governo ou da oposição, só cuida dos seus próprios interesses.

E o país que se dane.

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