Em tempo (atualizado às 11h55):

Depois de publicar o texto abaixo, leio na manchete do portal da Folha: "Brasil tem os piores políticos do mundo, diz pesquisa do Fórum de Davos".

A matéria é do respeitável jornalista Clóvis Rossi, meu velho amigo, que escreve:

"Os políticos brasileiros são os menos confiáveis do mundo.

Não, não é uma opinião pessoal nem alguma mensagem postada nessa usina de maldades que são as redes sociais.

Trata-se da constatação do Fórum Econômico Mundial, aquele que reúne, todos os janeiros, a elite global em seu encontro anual em Davos.

Está no índice de Competividade Global divulgado nesta terça-feira.

No sub-item "Confiança do público nos políticos", o Brasil aparece na 137ª posição, o último lugar, já que são 137 os países que compõem o Ìndice".

Está explicado o que relato nesta coluna.

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Em tempo (atualizado às 17h25):

Recebi e reproduzo abaixo a seguinte nota que recebi da assessoria do senador Aécio Neves:

"O senador Aécio Neves entende a decisão proferida por três dos cinco ministros da 1ª Turma do STF como uma condenação sem que processo judicial tenha sido aberto. Portanto, sem que sequer ele tenha sido declarado réu e, o mais grave, sem que tenha tido acesso ao direito elementar de fazer a sua defesa.

As gravações consideradas como prova pelos três ministros foram feitas de forma planejada a forjar uma situação criminosa. Os novos fatos vindos à tona comprovam a manipulação feita pelos delatores e confirmam que um apartamento da família colocado à venda foi oferecido a Joesley Batista para que o senador custeasse gastos da defesa.

Usando dessa oportunidade, o delator ofereceu um empréstimo privado ao senador, sem envolver dinheiro público ou qualquer contrapartida, não incorrendo, assum, em propina ou outra ilicitaude.

O senador Aécio Neves aguarda serenamente que seus advogados tomem, dentro dos marcos legais, as providências necessárias abuscar reverter as medidas tomadas sem amparo na Constituição. E confia que terá restabelecido o mandato que lhe foi conferido por mais de 7 de milhões de mineiros".

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* Aécio Neves, do PSDB, é afastado do Senado e das baladas noturnas.

* Lula, do PT, é acusado de apresentar provas fajutas de sua inocência.

* Michel Temer, do PMDB, é denunciado por corrupção pela segunda vez.

* José Dirceu é condenado à prisão perpétua e Antonio Palocci negocia delação premiada.

Tudo isso aconteceu no mesmo dia, 26 de setembro de 2017, uma terça-feira para ninguém esquecer em Brasília.

O que há em comum nestes fatos, qual o fio condutor deste circo de horrores em que se transformou a política nacional?

É a completa falência do sistema político e dos nossos três maiores partidos, que governaram o país nos últimos trinta anos, e agora afundam juntos no mar de lama do "presidencialismo de coalizão" movido a propinas e distribuição de cargos.

"Por onde começar?", perguntei ao Heródoto Barbeiro na abertura do meu comentário no Jornal da Record News (assista ao vídeo após o final do texto).

O STF tinha acabado de anunciar a surpreendente decisão da Primeira Turma, que rejeitou o pedido de prisão preventiva de Aécio Neves, mas suspendeu seu mandato e o proibiu de sair de casa à noite.

Trata-se de uma decisão inédita, ainda mais em se tratando de um político tucano, presidente licenciado do PSDB e principal aliado do governo do presidente Michel Temer.

Na Câmara, a farra continuava animada, como se nada tivesse acontecido, com a barganha de votos por benesses do governo para evitar a abertura de processo contra o presidente de turno.

No Senado, aprovavam meio na surdina um fundo eleitoral com dinheiro público ao custo estimado de R$ 2 bilhões.

No PT, o principal partido de oposição, os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu tomavam caminhos opostos.

De um lado, Dirceu praticamente condenado à prisão perpétua e, de outro, Palocci acusando Lula e o partido para fazer delação premiada e escapar da cadeia.

"Somos um partido sob a liderança de pessoas ou seita guiada por uma pretensa divindade?", disparou o ex-ministro da Fazenda na carta de quatro páginas em que rompeu com o PT.

Cada vez mais enrolado em sua defesa nos processos e denúncias sem fim na Justiça, o ex-presidente Lula, líder nas pesquisas para 2018, apresentou recibos com datas de 31 em meses que só têm 30 dias no calendário.

Com seus principais líderes acuados e sem saber o que fazer ou propor ao país, PMDB, PT e PSDB só se uniram para garantir na "reforma política" a grana nas eleições, agora que está proibida a parceria-público privada do financiamento de campanhas e de assalto ao falido Tesouro Nacional.

Conseguiram quebrar ao mesmo tempo a política, a economia e a esperança, deixando no caminho mais de 13 milhões de desempregados neste grande país de 200 milhões de habitantes, absolutamente perplexos e atônitos, assustados e inertes.

Vida que segue.

Veja o vídeo:


http://r7.com/Omo1