Alckmin e Doria antecipam prévias tucanas em NY

O prefeito João Doria, em Nova York (Foto: Brazil Photo Press/Folhapress)

A entrega do premio de "Homem do Ano" concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos ao prefeito João Doria, na noite desta terça-feira, em Nova York, levou para lá a fina flor do empresariado brasileiro e do alto tucanato.

É o palco ideal montado para este empresário de eventos e apresentador de televisão brilhar num ambiente em que ele nada de braçada e se cacifar na disputa presidencial.

Antes de se eleger prefeito da maior cidade do país, em primeiro turno, no ano passado, Doria notabilizou-se por promover encontros entre políticos e empresários.

Na véspera da grande festa, empolgado com os apoios que recebia por onde passava nos salões novaiorquinos, o prefeito saiu dos seus cuidados habituais de negar a candidatura para não melindrar seu padrinho, o governador Geraldo Alckmin, outro presidenciável tucano que está em Nova York.

Durante café da manhã com empresários promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no entanto,  o protagonista do evento mandou ver, como se estivesse num palanque, e foi aplaudido de pé:

"Será candidato do PSDB aquele que tiver melhor posição perante a opinião pública. Aquele que representa o interesse popular. Para ser competitivo, para vencer as eleições, vencer o PT, vencer o Lula".

Ou seja, ele mesmo, que segundo o último Datafolha bate o padrinho por 9 a 6% na primeira pesquisa em que seu nome apareceu na lista e é o tucano que mais cresce em todos os levantamentos.

Quem é que bate no PT e em Lula, dia sim e no outro também, empunhando a bandeira do gestor empresarial contra a "velha política" dos envolvidos na Lava Jato?.

O mais entusiasmado era o economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, que apontou Doria, "com sua força interior", como uma "estrela crescente da política brasileira", segundo o relato dos repórteres da Folha.

Para não ficar atrás, o governador Geraldo Alckmin disse em palestra a investidores que tem "vontade, agenda, programa, aliança e conhecimento" para ser novamente candidato a presidente pelo PSDB no próximo ano.

Doria percebeu o clima de prévias antecipadas e, antes do dia terminar, repetiu o mantra: "Quero fazer registro da lealdade que tenho ao governador Geraldo Alckmin".

Tudo bem, mas em Nova York o prefeito deixou claro que quem vai decidir a candidatura tucana serão as pesquisas.

Enquanto isso, em São Paulo, avançam as negociações para uma aliança entre o PMDB (com o empresário Paulo Skaf para governador) e o PSDB (João Doria para presidente).

Embalado por comerciais da Fiesp em que ele aparece como astro, Skaf lançou sua candidatura ao governo do Estado no último fim de semana e tem o maior interesse em surfar na onda Doria.

É preciso ver, no entanto, o que o prefeito ganha com isso, pois o eterno presidente da Fiesp, citado na Lava Jato, já foi derrotado nas duas últimas campanhas para governador.

A vantagem de João Doria é que o PMDB não tem nome para lançar candidatura própria a presidente, como não teve em todas as últimas eleições presidenciais, e só lhe resta fazer uma aliança com o PSDB, qualquer que seja o candidato tucano.

Em Nova York, o prefeito saiu na frente do governador.

E vida que segue.

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