Com os dois gols marcados na vitória contra o Linense que classificou o São Paulo para as semifinais, Gilberto assumiu a liderança isolada da artilharia do Paulistão.

Chegou a dez gols, mas continua na reserva do time de Rogério Ceni.

Tem coisas que só acontecem no São Paulo, um clube que ficou conhecido no mercado por comprar caro e vender barato seus jogadores para fazer a alegria dos concorrentes.

Já perdi as contas de quantos jogadores os brilhantes head hunters do Morumbi compraram do Botafogo carioca nos últimos anos. Todo ano vem mais um ou dois. Nenhum deu certo.

De uns tempos para cá, os cartolas tricolores, que há séculos não ganham um título, resolveram investir também em jogadores e técnicos estrangeiros importados de países vizinhos.

Só dois dos cucarachos deram certo: o peruano Cuevas e o argentino Calleri, que veio por empréstimo, e logo foi embora, largando o time na mão.

Para o seu lugar, trouxeram outro argentino, o ciscador Chavez, apresentado como grande craque.

Aconteceu o contrário com o pernambucano Gilberto, que começou no Santa Cruz e estava meio escondido jogando nos Estados Unidos.

Gilberto veio de graça no ano passado, sem muito oba-oba, ao contrário de Alan Kardec, que custou uma fortuna e nunca jogou nada no São Paulo antes de sumir. Alguém sabe que fim levou?

Sem ter muitas chances com o técnico Ricardo Gomes, outra grande descoberta da diretoria de Leco, Gilberto começou a se firmar como titular com Rogério Ceni, jogando com simplicidade e eficiência, sempre em busca do gol.

Como se o São Paulo tivesse dinheiro sobrando, no começo do ano resolveram abrir os cofres para trazer mais um argentino, pagando ao Atlético Mineiro a bagatela de R$ 20,5 milhões por 50% do passe de Lucas Pratto.

Escalando um time diferente e mudando o esquema tático antes e durante cada partida, o estreante Ceni passa o tempo todo gritando na beira do campo e dando longas explicações nas entrevistas.

Aos trancos e barrancos, marcando muitos gols e tomando outros tantos inacreditáveis, brigando com a bola e trocando passes laterais, até agora este novo São Paulo meio esquisito deu mais sustos do que alegrias à torcida.

É um time que não empolga nem passa confiança, mas o humilde Gilberto, quando deixam, continua fazendo seus golzinhos.

Lucas Pratto é um bom jogador, também faz seus gols de cabeça, mas é a tal história: precisa continuar no time para justificar o investimento da diretoria.

Na verdade, mais do que contratar jogadores, o que o São Paulo precisa é vender algumas nulidades do seu elenco, a começar pelo lateral Buffarini, outro argentino meia boca, que não marca, não cruza, não chuta e não acerta uma jogada, mas continua titular.

Bom mesmo seria trocar esta diretoria, depois de dar tantos prejuízos e vexames, nas eleições marcadas para os próximos dias no Morumbi.

Vida que segue.

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