Bancada da bala ganha no grito e na pancadaria

Protesto de policiais civis em frente ao Congresso Nacional nesta terça (18) (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Do lado de fora, cerca de 500 vândalos uniformizados ligados a sindicatos do setor de segurança pública, incluindo a Polícia Federal, armaram um protesto contra a reforma da Previdência e tentaram entrar na marra no Congresso Nacional, mas foram impedidos por um batalhão da Polícia Legislativa, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e de pimenta para impedir a invasão.

Se não fossem atendidos em suas reivindicações, ameaçavam fazer greve e devolver armas e coletes. Em outras palavras, deixar a população sem segurança pública.

Do lado de dentro, poucas horas depois, o relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA), era pressionado por cerca de 35 representantes da chamada bancada da bala para diminuir a idade mínima de aposentadoria especial dos policiais de 60 para 55 anos. E cedeu, rapidamente, sem muita discussão.

É desse jeito que se operam as mudanças no texto enviado pelo governo à Câmara, que agora só deverá ser votado no começo de maio, já bastante desfigurado: no grito e na pancadaria. Ganha quem tiver mais bala na agulha.

Para os simples mortais, quer dizer, a grande maioria dos trabalhadores assalariados que ganham entre um e dois salários mínimos, a idade mínima continua sendo de 65 anos para homens e 62 para mulheres.

A propaganda da reforma lançada pelo governo na televisão fala em regras iguais para todos, o que acabaria com as aposentadorias especiais de várias corporações de servidores públicos e até de políticos, acreditem se quiser.

Até que a votação final aconteça, sabe-se lá quando, pelo que vimos até agora, com regras e cálculos mudando a cada dia, deve prevalecer exatamente o contrario, ou seja, a manutenção de privilégios, como aconteceu nas outras tentativas frustradas de reforma da Previdência, nos governos de FHC e Lula.

As regras para os militares ainda nem foram enviadas ao Congresso, mas os policiais federais, civis e rodoviários já pedem equiparação com as Forças Armadas.

Por enquanto, as únicas vítimas do confronto de terça-feira foram os vidros da portaria e móveis depredados.

No momento do quebra-quebra, em que os policiais rebelados quebravam e botavam fogo no que encontravam pela frente, o plenário da Câmara estava quase vazio, enquanto cadeiras eram disputadas no café dos deputados por excelências que queriam assistir pela TV ao jogo entre Real Madri e Bayern de Munique na Liga dos Campeões da Europa.

Foi só uma amostra do que nos espera daqui para a frente. A República Corporativa do Brasil continua firme e forte. E o resto que se dane.

Vida que segue.

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