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Publicado em 16/04/11 às 22h33

PSDB terceiriza críticas na TV

1 Comentário

FHC e Aécio elogiam a presidente Dilma e defendem uma oposição firme, ma non troppo, enquanto Serra bate pesado no twitter.

Os principais líderes divergem sobre a melhor estratégia para combater o PT, mas nenhum deles deu as caras até agora nos comerciais de televisão que o PSDB colocou no ar esta semana.

Com dez inserções de 30 segundos cada por dia, as peças criadas pelo publicitário Stalimir Vieira começaram a ser exibidas em todas as emissoras de TV do país na quinta-feira. Neles o principal partido de oposição dispensou os políticos e vem utilizando atores anônimos para terceirizar críticas ao governo.

O primeiro personagem foi um jovem com sotaque nordestino, roupas simples, típico representante do "povão" que antes não viajava de avião, citado esta semana por FHC no manifesto "O papel da oposição". Empurrando o carrinho de bagagem em algum aeroporto, o rapaz manda bala:

"Olha os aeroportos! Ninguém faz nada! Estão esperando o que? As obras atrasarem bastante para ficarem muito mais caras? E a gente? Nós vamos pagar por tudo isso e ainda por cima passar vergonha?"

Os dois comerciais terminam com a mesma advertência: "É preciso abrir o olho. Tem muita coisa errada por aí". No segundo, a personagem dona de casa reclama dos preços que estão subindo no supermercado, acenando com o fantasma da volta da inflação.

"O governo disse outro dia que não vai mais controlar a inflação. Por que não quer ou por que não sabe? O que esta turma andou aprontando?". As indagações são feitas pela moça sem citar as fontes, com ar de desafio, lembrando que o PSDB acabou com a inflação em 1994.

A assinatura dos comerciais é meio estranha: "A gente não cobra cargos. A gente cobra competência". Cobrar competência, tudo bem, todos nós cobramos. Mas cobrar cargos me parece um direito dos partidos aliados que estão no governo, e não da oposição, por suposto.

Vocês viram estes comerciais na TV? Qual foi a impressão dos leitores do Balaio?

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Publicado em 16/04/11 às 10h19

Carne para o MST em evento oficial

64 Comentários

Criado há 15 anos pelo MST para lembrar os 19 sem-terra mortos na chacina policial de Eldorado dos Carajás, no Pará, o protesto do "Abril Vermelho", que promove a ocupação de fazendas e prédios públicos por todo o país, transformou-se num evento oficial na Bahia.

Pelo terceiro ano consecutivo, as despesas do "acampamento" de 3 mil sem-terra na Secretaria da Agricultura e Reforma Agrária, em Salvador, são bancadas pelo governo estadual.

Segundo relato do repórter Matheus Magenta, na Folha deste sábado, em 2009 o governo pagou mais de R$ 160 mil em aluguel de ônibus para levar um grupo de sem-terra de volta aos seus acampamentos no interior baiano.

No ano passado, o "acampamento" oficial também recebeu um tanque de água para refrescar os manifestantes, além de banheiros químicos.

Nesta edição de 2011 do protesto "Abril Vermelho", a mordomia está mais caprichada: desde segunda-feira, os sem-terra estão recebendo do governo baiano 600 quilos de carne por dia, a um custo de R$ 6 mil, fora as verduras.

A infraestrutura fornecida pela Secretaria da Agricultura inclui 32 banheiros químicos, dois chuveiros e um imenso toldo branco, que ninguém é de ferro para aguentar aquele calor baiano.

Por isso, os manifestantes não estão com pressa. A pauta oficial do protesto é conseguir uma audiência com o governador Jaques Wagner e o Secretário da Agricultura, Eduardo Salles. Todos lá sabem que ambos acompanharam a presidente Dilma Rousseff na viagem à China e só deverão retomar o expediente na segunda-feira.

A reivindicações dos sem-terra são as de sempre: a melhoria dos que já existem e a criação de novos assentamentos.

Sou do tempo, lá no Rio Grande do Sul, no início dos anos 1980 do século passado, ainda na ditadura militar, quando fiz as primeiras reportagens sobre o movimento, em que a sigla MST surgiu no cenário para defender os deserdados do latifúndio e a legião de desempregados urbanos em busca de terra para a sobrevivência. Enfrentava a polícia e tinha forte apoio popular.

Nestas três décadas, o caráter e os objetivos do movimento mudaram completamente. Com o crescimento da economia nos últimos anos e o consequente esvaziamento da freguesia, abrigada em empregos no agronegócio e nas cidades, o MST transformou-se num movimento meramente político, ao mesmo tempo cada vez mais radicalizado e dependente de benesses oficiais.

O "acampamento" oficial patrocinado pelo governo em Salvador, com a imagem das bandas de carne secando placidamente ao sol num varal improvisado, é emblemático destes novos tempos do MST, um sinal do ocaso do movimento.

Que lembranças o caro leitor do Balaio guarda dos assentamentos e acampamentos do velho MST em sua cidade e qual a sua visão do movimento hoje?

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Caros leitores,

reparei agora no registro do Word Press que o Balaio atingiu nesta sexta-feira a marca de 700 matérias publicadas desde que entrou no ar em setembro de 2008.

No mesmo período, foram publicados mais de 111 mil comentários.

A todos vocês só posso dizer muito obrigado pela participação.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Na volta do almoço no Rodeio, ao parar para tomar um café na Tabacaria Ranieri, aqui ao lado de onde moro, encontrei meu velho amigo Guilherme Afif, 67 anos, vice-governador de São Paulo e principal mentor do novo PSD, o Partido Social Democrático criado por Getúlio Vargas, consagrado por Juscelino Kubitschek e relançado esta semana pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Aproveitei para dirigir a ele três perguntas que todo mundo certamente gostaria de lhe fazer. De bom humor, fumando um charutinho, ele respondeu de bate-pronto.

Balaio _ O que leva o vice-governador de são Paulo, ex-candidato a presidente da República, ex-deputado federal e empresário bem sucedido, a se aventurar na criação de um novo partido, a esta altura da vida e do campeonato?

Afif _ Sempre é tempo de recomeçar. Estou recomeçando no ponto em que paramos em 1989, na campanha presidencial, quando as nossas bandeiras foram empunhadas pelo presidente eleito, Fernando Collor, que as jogou no lixo. E o momento agora é para recomeçar com o mesmo ideário. A nossa principal bandeira será a da igualdade de oportunidades, que é a verdadeira inclusão social. Grande parte dos que estão vindo conosco fizeram parte daquela campanha de 1989, como o vice-governador da Bahia, Otto Alencar.

Balaio _ Os jornais contestaram a definição dada pelo prefeito Gilberto Kassab de que o PSD é um partido de classe média. Com números do patrimônio dos fundadores, entre os quais o seu se destaca, mostraram que o PSD na verdade é um partido de ricos. Isto ajuda ou atrapalha na conquista do eleitor?

Afif _ Este negócio de partido de ricos não quer dizer nada... É como dizia o Joãozinho Trinta: "Povo gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual". Graças a Deus, tenho um patrimônio que é fruto de muito trabalho. Quero dar oportunidade a outras pessoas de repetir uma história como a minha. Na hora em que o cidadão tem oportunidades, a escolha é dele. Para ser um empreendedor, tem que gostar do risco. Quanto maior o risco, maior a chance de vencer. De risco eu entendo: meu ramo sempre foi trabalhar com seguros...

Balaio _ Esta semana, o ex-presidentre FHC lançou um manifesto _ "O papel da oposição" _ em que aconselha aoposição a esquecer o povão dominado pelo PT e trabalhar para conquistar a nova classe média. O que o senhor acha desta análise? O DEM, assim como o seu PSD, também se define como defensor da classe média. A concorrência não ficou muito grande nesta área?

Afif _ Acho que pinçaram uma palavra do artigo do Fernando Henrique e fizeram a manchete. Ele fez um tratado sociológico, e a classe média não esta afeita a esta sociologia toda. Só quer melhorar de vida. O discurso que hoje atinge estas pessoas, à medida em que sobem de classe social, é a consciência do pagador de impostos. Parafraseando os filósofos: "Pago, logo exijo". Elas passam a exigir seu direito a saúde e educação de qualidade, justiça e polícia que funcionem, sabendo que nada é de graça. É o cidadão contribuinte de impostos que paga por isso.

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Pensei que era só mais uma brincadeira da diretoria do São Paulo lançando outro foguete às vésperas das eleições presidenciais marcadas para a próxima semana. Antes, já tinham falado em trazer de volta Kaká e Lugano.

Mas, parece que, desta vez, é sério mesmo: o clube do Morumbi admite incluir Casemiro, a jovem revelação de 19 anos, nas negociações para contratar Diego Fórlan, de 31, do Atlético de Madri, que foi eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo.

Faz sentido trocar o futuro de Casemiro, um volante excepcional revelado no CT de Cotia, pelo passado de goleador do atacante uruguaio, que, no momento, por problemas disciplinares, está no banco de reservas do time espanhol?

Em se tratando de São Paulo, pelo seu histórico na contratação de veteranos e dificuldade para promover os jovens das equipes de base, é bem possível que isto venha a acontecer. Ainda bem que não pensaram em incluir no negócio o craque Lucas, de 18 anos, uma das grandes esperanças do futebol brasileiro.

De tanto brigar com seu homólogo Andres Sanchez, que transformou o velho Corinthians num grande projeto de marketing, parece que o presidente Juvenal Juvêncio, candidato à re-reeleição, gostou da brincadeira.

Impossível não é: a multa pela liberação do passe de Diego Forlán está estipulada em R$ 82,5 milhões, enquanto a de Casemiro é de R$ 68 milhões. O grande problema é o salário: o atacante uruguaio ganha R$ 850 mil por mês, no mínimo umas dez vezes mais do que o volante tricolor.

Tem também um lado sentimental na história: Diego é filho de Pablo Fórlan, lateral direito que foi ídolo da torcida do São Paulo nos anos 70, sempre lembrado pela garra e amor à camisa que mostrava em campo. O pai acha o negócio possível e está torcendo por isso. No São Paulo, o jogador ficaria mais perto da família, que mora em Montevidéu.

Por mim, também torço para que Diego Fórlan venha para jogar no meu time, mas sem abrir mão de Casemiro. Em vez de um sub-20, por que a diretoria não inclui na negociação os sub-40 do Juvêncio _ Rivaldo, Rodrigo Souto e Cléber Santana, por exemplo? Assim, o São Paulo resolveria vários problemas numa tacada só...

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Publicado em 14/04/11 às 12h50

Lula X FHC: os ex de volta ao ringue

321 Comentários

Sabia que não iria demorar. Foi só o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quase 80, escrever daqui que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 65, respondeu de lá _ lá de Londres, no caso, onde se encontra no momento.

Na falta de protagonistas mais novos, os dois voltam ao centro da cena política brasileira, ou melhor, do ringue em que se transformou a interminável disputa pelo poder entre petistas e tucanos.

Com Dilma em visita oficial à China e José Serra dedicado ao twitter, foi Lula quem respondeu ao artigo "O papel da oposição" publicado na revista "Interesse Nacional", em que FHC aconselha seu partido a desistir de disputar votos com o PT no campo do adversário, que teria aparelhado e cooptado os movimentos sociais e as centrais sindicais.

"Não sei como é que alguém estuda tanto e depois quer esquecer do povão", respondeu Lula a FHC, que recomendou ao PSDB dar prioridade à classe média, deixando de lado "as massas carentes e pouco informadas" (tema do post anterior).

Lula chegou a comparar Fernando Henrique a outro ex-presidente, o general João Batista Figueiredo, que disse preferir "cheiro de cavalo ao de povo".

Agora, disse Lula, segundo relato do Ultimo Segundo no iG, "tem ex-presidente que fala que é preciso esquecer o povão. Eu não entendo, não sei o que ele quis dizer".

Como começou e até onde vai este confronto entre os homens que comandaram o país nos últimos 16 anos?

Conheci e fiquei amigo dos dois quando voltei da Alemanha, no final dos anos 1970, em São Bernardo do Campo, onde Lula comandava as greves dos metalúrgicos, com o apoio de personalidades da sociedade civil na resistência ao regime militar _ entre elas, o jovem professor Fernando Henrique Cardoso.

Em 1978, durante a campanha eleitoral, vi Lula entregando panfletos de FHC, ao lado do então candidato a senador numa sublegenda do antigo MDB, em portas de fábricas e discursando em comícios. Na época, eles chegaram a conversar sobre a criação de um novo partido, que viria a ser o PT de Lula. Fernando Henrique preferiu ficar onde estava.

Os dois se reencontrariam nas lutas pela Anistia e por Eleições Diretas, no ocaso da ditadura militar, e tinham perdido eleições antes de disputar a presidência entre si, em 1994 e 1998, ambas disputas vencidas por FHC no primeiro turno.

Sempre que ia tomar café para uma conversa em "off" com o presidente Fernando Henrique, levado pela amiga Ana Tavares, sua secretária de Imprensa, ele me falava com carinho sobre Lula e perguntava sobre os nossos amigos comuns no PT.

Até o início do primeiro governo Lula, em 2003, após as cenas emocionantes da transmissão de cargo _ em que o novo presidente disse ao antecessor "você deixa aqui um amigo", na hora da despedida _, os dois eram adversários cordiais.

Pude testemunhar isso antes do início de uma recepção oferecida no Itamaraty, meses após a posse, em que Lula e FHC conversaram longamente no gabinete do ministro Celso Amorim.

Não me recordo em que momento e por qual motivo os dois se afastaram de vez e passaram a brigar pela imprensa, cada vez subindo mais o tom. Acho que sou um dos poucos jornalistas brasileiros que pode ligar no mesmo dia para os dois ex-presidentes e ser bem atendido por ambos. Da próxima vez, vou tentar esclarecer esta dúvida.

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Despertada do sono profundo em que se encontrava, a oposição reagiu de forma confusa às palavras de ordem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que acha melhor esquecer o "povão" para investir na classe média, como se isso fosse uma grande novidade para os seus aliados.

Desde que nasceu de uma costela do antigo MDB dominado por Orestes Quércia, o PSDB sempre foi um partido das classes médias, distanciado do movimento social, dos sindicatos e dos setores mais populares. A única diferença é que agora FHC propõe o uso da internet e de uma seleta equipe de blogueiros para conquistar o eleitorado.

No manifesto "O papel da oposição", que escreveu para a revista ""Interesse Nacional", a ser publicada esta semana, FHC incomodou alguns líderes oposicionistas ao constatar que "enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os movimentos sociais ou o povão, isto é, sobre as massas carentes, e pouco informadas, falarão sozinhos".

Os tucanos, pelo jeito, continuam achando que Lula e Dilma só se elegeram graças aos pobres ignaros que não lêem jornal e recebem alguma ajuda do governo. Esquecem-se que FHC ganhou duas eleições presidenciais graças ao Plano Real, que beneficiou a maioria da população, brasileiros de todas as classes sociais.

Por mais que o sociólogo FHC possa ter razão na sua análise, esta afirmação incomodou até os seus mais fiéis seguidores na elite paulistana. "Ele pode até pensar isso, mas jamais escrever", comentou comigo um grande empresário, antigo eleitor tucano, que não se conformava com o que chamou de "tremenda bola fora".

Com todo cuidado, líderes tucanos procuraram explicar o que FHC quis dizer, como o ex-governador de São Paulo José Serra. "O problema do PSDB e da oposição é de rumo, de clareza, de coerência. Como um todo, não se sabe o que o partido defende, nem de que lado está".

Pelo jeito, está surgindo a oposição da oposição. O sempre bem humorado jornalista Carlos Brickmann comentou logo que o problema da oposição não é encontrar um rumo. "Primeiro, é preciso encontrar a oposição", sugeriu ele.

O deputado Roberto Freire(PPS-SP), até outro dia abrigado numa boquinha em conselhos municipais paulistanos, antes de o prefeito Gilberto Kassab resolver criar um novo partido, sentiu-se à vontade para corrigir o ex-presidente: "Não vejo na política quem abanone qualquer segmento da sociedade. Há 17 anos, ele foi o candidato que recebeu os votos dos setores pobres".

O eterno presidente do PPS só não se deu conta que os pobres de 17 anos atrás talvez possam agora ser encontrados justamente na nova classe média que FHC quer cortejar. Do ponto de vista numérico, o ex-presidente não deixa de ter sua razão: no governo Lula, afinal, a classe C passou as classes D e E, tornando o Brasil, pela primeira vez, um país predominantemente de classe média.

Para o presidente do PSDB e grande estrategista político Sergio Guerra, o ex-presidente foi mal interpretado, pois apenas "constatou que é mais fácil para a oposição se comunicar com a classe média do que com os beneficiários do Bolsa Família".

h, bom. Agora está tudo esclarecido. O problema, mais uma vez, seria só de comunicação. Basta, portanto, encontrar um novo marqueteiro, ou melhor um mágico.

A tarefa do mágico não será simples: tanto os aliados DEM e PPS, como a dissidência kassabista do novo PSD, também se proclamam partidos de classe média.

Deixar o "povão", como diz FHC, todinho para o PT e seus aliados não parece ser muito recomendável para quem sonha em reconquistar o poder. "Isso é algo terrível, é uma espécie de renúncia à chegada à Presidência", resmungou o senador Demóstenes Torres, do DEM.

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Publicado em 12/04/11 às 11h51

Conte quem foi teu bom professor

177 Comentários

Todos tivemos um professor que marcou nossas vidas e foi fundamental para sermos quem somos no mundo. Quem deu sorte na escola teve mais de um, como foi o meu caso, mas sempre tem aquele que a gente não esquece.

No meu caso, foi o padre José de Almeida Prado, na primeira série do ginasial no Colégio Santa Cruz, que não só me ensinou a falar português direito (até os seis anos eu só falava alemão), mas também a gostar de ler e escrever na nossa língua.

Quando nossa turma completou 40 anos de formatura, ele estava na festa e lembrou como eu lhe dava trabalho: "Você até que aprendeu direitinho a escrever, mas escrevia demais...". Até hoje, tenho este defeito, e padre José continua firme e forte no Santa Cruz, orientando almas e mentes.

Trago estas lembranças a vocês porque acabei de chegar da reunião do "Todos Pela Educação", movimento da sociedade civil do qual sou um dos fundadores, em que foi lançada a nova camnpanha de mobilização para a valorização dos professores.

Produzida pelo Grupo ABC, com a participação das equipes de Nizan Guanaes e Sergio Valente, a campanha "Um bom professor, um bom começo" será veiculada em todas as mídias, tendo como idéia mãe as boas lembranças que temos daqueles que nos ensinaram nos tempos de escola.

O objetivo principal do movimento "Todos Pela Educação" é garantir uma educação de qualidade para todos os brasileiros até 2022, ano do segundo centenário da nossa Independência. Para isso, ninguém é mais importante do que o professor, mas a tarefa de mobilizar os recursos possíveis pela melhoria do ensino é de todos nós.

É como diz a letra do jingle da campanha:

A base de toda conquista é o professor.
A fonte da sabedoria, um bom professor.
Em cada descoberta, cada invenção.
Todo bom começo tem um bom professor.

No trilho de uma ferrovia, um bom professor.
No bisturi da cirurgia, um bom professor.
No tijolo da olaria, no arranque do motor.
Tudo que se cria tem um bom professor.

No sonho que se realiza, um bom professor.
Cada nova ideia tem um professor.
O que se aprende e o que se ensina, um professor.
Uma lição de vida, uma lição de amor.

Na nota de uma partitura.
No projeto de arquitetura.
Em toda teoria.
Em tudo que se inicia.
Todo bom começo tem um bom professor.
Tem um bom professor.

Parece até coisa de Chico Buarque... Que, por sinal, também foi aluno do padre José de Almeida Prado e também escreve direitinho.

Se cada um fizer sua parte, é possível. Podemos começar pelo exemplo que dei acima: contando quem foram nossos bons professores para que eles possam servir de exemplo e estímulo aos que estão ralando nas escolas hoje plantando, com todas as dificuldaedes, as sementes de um Brasil melhor.

Faça a sua parte e conte aqui mesmo quem foi teu bom professor. Quem sabe, ele lê a tua mensagem e procura te encontrar. Dizem que recordar é viver. Pois ensinar é trabalhar por um país melhor para todos nós.

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Publicado em 11/04/11 às 14h12

Trabalho escravo: do bóia-fria ao PAC

Tags: 96 Comentários

Trabalho em condições análogas à escravidão, trabalho semi-escravo, condições degradantes de trabalho. Há muitas formas modernas de qualificar o que os antigos chamavam simplesmente de escravidão.

É quando a pessoa trabalha praticamente só em troca de comida e abrigo, é desrespeitada nos seus mínimos direitos, é tratada como bicho (muitas vêzes, pior) e se torna cativa de quem a contrata.

De repente, termos e situações que pareciam enterrados com a princesa Isabel no final do século 19 ressurgem no noticiário para descrever como ainda vivem milhares de trabalhadores brasileiros em pleno começo do século 21.

O primeiro grito foi dado lá das profundas da selva amazônica, em Rondonia, quando se rebeleram os trabalhadores das obras da usina hidrelétrica de Jirau, que botaram fogo no canteiro e entraram em greve.

Depois, a revolta dos operários espalhou-se pelo complexo portuário e industrial de Suape, em Pernambuco, e outras obras do PAC, em várias regiões do país, sempre pelo mesmo motivo: relações de trabalho com práticas escravagistas em consequência da terceirização e até da quarteirização da mão de obra.

Faz poucos dias, o governo federal viu-se obrigado a convocar uma reunião com as grandes construtoras e as centrais sindicais para impor regras mais civilizadas na proteção dos trabalhadores que vivem em canteiros de obras do PAC.

Mal refeitos do susto e da indignação causada pela revelação do que acontece em paragens mais distantes do país, descobrimos que a mesma situação é vivida por trabalhadores na nossa cara, aqui ao lado de São Paulo, na região de Campinas, em obras do programa Minha Casa, Minha Vida.

"Vitrine do PAC expõe trabalho degradante _ Operários do Minha Casa, Minha Vida vivem em locais superlotados e sujos", denuncia a manchete da Folha desta segunda-feira, em reportagem de Silvio Navarro.

Ao terminar de ler o texto, viajei no tempo pela mesma estrada rumo ao interior paulista que percorri muitas vezes nos anos 70 e 80 do século passado para fazer a cobertura de rebeliões e greves dos então chamados bóias-frias.

Eram trabalhadores recrutados em sua maioria no Nordeste, como agora, para trabalhar temporariamente nas colheitas de cana de açucar, café e laranja. Nada mudou: as condições em que vivem os trabalhadores do PAC descritas na reportagem são exatamente as mesmas que encontrei 40 anos atrás nas fazendas paulistas.

"(...) trabalhadores vivem em locais superlotados, sem ventilação e com problemas de higiene e saneamento (...) podem ser vistos colchões com beliches construídos com madeira da própria obra ao lado de botijões de gás e rede elétrica".

Por trás da tragédia humana, encontram-se também os mesmos personagens daquela época: os "gatos", fornecedores de mão de obra, intermediários de gente, que cobram caro pelo seu "produto" e pagam uma merreca para os trabalhadores.

A partir de denúncias do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil da região, o Ministério Público registrou casos de retenção da carteira. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Manuel Edionaldo, que chegou do Piauí e está há 21 dias sem a carteira porque o "gato" que o contratou simplesmente desapareceu.

Estamos falando de uma prática que não é nova nem localizada, e resiste há mais de dois séculos: só no ano passado, segundo relata o jornal, foram registradas 16.630 denúncias de irregularidades em relação à segurança e à saúde do trabalhador.

O Ministério do Trabalho sempre alega que faltam fiscais (são 2.994 para cuidar de todas as obras em andamento no país, e não só as do PAC), mas o problema poderia ser resolvido de uma forma bem simples, sem gastar nada: proibir de uma vez por todas a ação de "gatos", estes gigolôs de trabalhadores, e colocar na cadeia tanto os intermediários como quem os utiliza para contratar mão de obra.

A Odebrechet, uma das empresas denunciadas em Campinas, soltou nota à imprensa para informar que vai cuidar da melhoria dos alojamentos e pagamento dos salários dos trabalhadores "até que os responsáveis pela empresa subcontratada pudessem assumir diretamente seus deveres".

Muito justo, muito bonito. Mas, como assim? Quer dizer que só agora, depois das denúncias do sindicato, uma das maiores empreiteiras do país, com obras no mundo todo, assume sua responsabilidade perante os trabalhadores?

Será que ninguém da empresa se deu ao trabalho ou ao menos teve antes a curiosidade de saber o que estava acontecendo no seu canteiro de obras, a 93 quilômetros de São Paulo?

Afinal, o patrimônio de qualquer construtora é constituído basicamente de equipamentos e funcionários, e é preciso zelar por ambos, não importa quantas subcontratações sejam feitas ao longo das obras.

O mais triste para mim nesta história é que tais fatos ainda se repitam em 2011, no nono ano de governos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores, que foi criado, como o nome indica, exatamente para lutar em defesa de quem ganha a vida com a força dos braços e o suor do rosto.

Se o caro leitor souber de casos semelhantes em obras na sua cidade, peço a gentileza de nos informar para que possam ser tomadas providências. Estes crimes contra os trabalhadores brasileiros não podem continuar impunes.

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Publicado em 10/04/11 às 11h09

Peça "Menecma" é bem divertida

21 Comentários

Ao contrário do que o estranho nome sugere, o espetáculo "Menecma", em cartaz no Teatro do Sesi, na avenida Paulista, não é mais uma "peça cabeça", dessas que exigem um alto QI da platéia e costumam ser muito chatas.

É meio maluco, mas bem divertido o primeiro texto para teatro de Bráulio Mantovani, o consagrado roteirista de "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2".

Ao misturar num bem temperado cozido jogos de metalinguagem com o making off da própria peça, que começou a escrever em 1992, Mantovani coloca o cinema no palco e vice-versa para o protagonista, jovem diretor do filme, contar a história de um grande ator recentemente falecido, seu pai.

Sem limites entre ficção e realidade, o ritmo da ação é tão acelerado que quando as luzes são acesas e as cortinas fechadas, com poucos minutos de espetáculo, a diretora Laís Bodanzky teve que subir ao palco para explicar que houve um problema técnico no projetor e pedir um pouco de paciência.

Muitos espectadores, como eu, pela cara que fizeram, ficaram sem saber se o incidente fazia ou não parte do espetáculo, algo que deve ter deixado Mantovani feliz, como se pode perceber nos seus objetivos declarados com a peça:

"Sinto um prazer perverso ao observar a perplexidade nos rostos e nas vozes das pessoas quando digo que minha peça se chama `Menecma´. Acredito que sua reação ao espetáculo, distinto público, vai ser muito parecida àquela que o título provoca. Estou contando com isso".

Pois a provocação do autor parece ter dado certo, já que a platéia entrou na brincadeira do faz-de-conta dos nomes quase iguais dos personagens-sosias.

Apesar dos problemas técnicos do sabado à noite, também se divertiram bastante os jovens e competentes atores Gustavo Machado, Paula Cohen e Roney Facchini, o que é um bom sinal. Do cenário à música, tudo é muito bem cuidado neste espetáculo dirigido por Laís Bodanzky, ela também uma cineasta de ofício que começa a dar suas cacetadas no teatro.

Antes que alguem "denuncie" o parentesco, já vou logo dizendo que Bráulio Mantovani é meu genro, mas nem por isso sou obrigado a falar mal da peça dele.

"Menecma" vai ficar em cartaz até o dia 26 de junho no Teatro do Sesi (avenida Paulista, 1313) - Metrô Trianon-Masp.

Quinta a domingo, às 20 horas. Entrada franca nas quintas e sextas-feiras. Aos sábados e domingos, o ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Divirtam-se.

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Em tempo, às 10h45 de 9.4:

O grande repórter e excepcional ser humano Elpídio Reali Júnior, meu velho amigo, morreu às 8 horas da manhã deste sábado, em sua casa, em São Paulo. Por quase 40 anos ele foi correspondente da Jovem Pan e do Estadão em Paris.

A sua longa e bela trajetória pelo jornalismo está resumida no texto "Reali Jr., o repórter que virou doutor", publicada no Balaio em 19 de março de 2009 (pesquisar no arquivo), dia em que ele recebeu o título de "Doutor Honoris Causa" das Faculdades Metropolitanas Unidos.

Ao final do post, encontra-se a íntegra do discurso de Reali Jr. ao agradecer a honraria.

***

Ao meio dia, na Catedral da Sé, será celebrada missa em homenagem a outro amigo, o ex-vice-presidente José Alencar, falecido na semana passada.

***

Atualizado às 10h30 de 9.4

Caros leitores,

terminei agora de ler e liberar os comentários sobre o post abaixo que trata deste tema tão delicado e doloroso da chacina de Realengo. Quero agradecer a todos pelo alto nível das mensagens enviadas, com raras exceções. Notei uma condenação generalizada do sensacionalismo da imprensa na cobertura destes episódios _ um bom sinal de que o público quer um jornalismo com mais qualidade e compromisso social .

Ricardo Kotscho

***
Os repórteres ainda estavam apurando as primeiras informações sobre a tragédia da escola em Realengo, zona oeste do Rio, quando apareceram os primeiros ólogos e ólogas para "explicar" o que aconteceu.

Ao longo de várias horas, ficaram diante de câmeras e microfones declamando as "razões" _ do islamismo ao "bullying", do computador às drogas _ que poderiam ter levado o celerado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, a matar 12 crianças antes de se matar numa escola onde havia estudado, e ensinando que deveria ser feito pelos poderes públicos para evitar que esta barbaridade se repita.

Pode ser um incêndio ou uma enchente, uma queda de avião ou um acidente num parque de diversões, lá vêm os engenheiros de obras feitas oferecendo soluções que já deveriam ter sido adotadas há muito tempo. Se dependesse deles, todos nós só morreríamos de velhice.

Por mais sábias e estudadas que estas pessoas possam ser, que explicação pode se dar a tamanha monstruosidade? O que isto ajuda as pessoas abaladas com as imagens de crianças assassinadas, mães e pais em busca de seus filhos, policiais e médicos perplexos sofrendo também e tentando diminuir o sofrimento dos outros?

Chegaram a falar até na instalação de detectores de metais na entrada das escolas, como se isso fosse possível, e a educação pública brasileira tivesse recursos sobrando para investir em sofisticados sistemas de segurança, que não existem nem nos países ricos porque inviáveis.

Pode alguém imaginar policiais armados ao lado de aparelhos de raio-X revistando quem entra nas escolas? Quem pode prever quando, como e onde um doido drogado vai sair atirando, a tempo de evitar uma tragédia como a de quinta-feira, a primeira destas proporções registrada numa escola brasileira?

Toda esta histeria em busca de explicações para aquilo que não tem explicação serve apenas para aumentar o medo das crianças de sair à rua e ir à escola.

Em meio à cacofonia de horrores, desesperos e pânico generalizado diante do inexplicável, louve-se a lucidez de duas pessoas: do educador Mário Sergio Cortela, em São Paulo, e da secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin.

No telejornal "Hoje", da TV Globo, Cortela orientou os pais a garantir aos filhos que poderiam ir para a escola tranquilamente porque a possibilidade de um caso destes se repetir tão cedo e tão perto era quase nenhuma.

Na mesma linha, Costin resumiu o que eu penso a respeito: "Não há proteção contra um psicótico em qualquer lugar público".

Também sou a favor de qualquer campanha de desarmamento sempre, não só após as tragédias _ por mim, seria proibida a fabricação de armas _ e concordo que o nível de violência nas nossas escolas, vitimando cada vez mais professores e alunos, está atingindo níveis alarmantes.

Sim, estamos todos de acordo, mas o que fazer? Certamente, não é colocando mais policiais nas ruas e nas escolas que vamos minorar o problema.

Se não podemos ajudar, se não temos nenhuma informação nova a acrescentar, melhor é não contribuir para aumentar o sentimento de insegurança e de perplexidade. Toda vez que acontece um fato que foge à minha compreensão resisto a escrever qualquer coisa, mas também não consigo ficar calado.

Nestas horas, pensando bem, melhor é se recolher a um canto, reconhecer a nossa insignificância e chorar as crianças que morreram. É nada, eu sei, mas é tudo o que podemos fazer sem cair no ridículo ou na pieguice.

Que Deus as tenha. Vida que segue.

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