Politicos Eles não desistem: vem aí a Operação Anistia

Quanto mais demora a divulgação e a quebra de sigilo da Lista de Janot 2, que agora ameaça a todos, mais avançam nas catacumbas de Brasília as negociações da "Operação Anistia".

As manobras para anistiar o Caixa 2 foram aceleradas após a decisão do STF de tornar réu o senador Valdir Raupp, ao considerar que pode ser crime a "doação oficial registrada na Justiça", se a origem for dinheiro de propina.

No comando da contra-ofensiva dos partidos para melar a Lava Jato, estão os próprios presidentes do Senado, Eunício Oliveira, e o da Câmara, Rodrigo Maia.

Após duas tentativas fracassadas no ano passado, eles estudam a melhor maneira de mudar a lei para evitar a cadeia que passou a ameaçar as principais lideranças políticas do país.

Estudam uma nova forma de financiamento eleitoral, proposta defendida pelo ministro Gilmar Mendes ou, suprema ironia, incluir a anistia ao Caixa dois no pacote das medidas anticorrupção que deverá voltar em breve ao Senado.

"Pelo que ouvi, vão botar a anistia do Caixa 2 na votação das dez medidas anticorrupção. Com o pavor que tomou conta da Casa, depois de passar na Câmara, passa fácil no Senado", declarou ao Globo o senador Randolfe Rodrigues, da Rede.

O deputado Vicente Cândido, do PT, relator da comissão da reforma política na comissão especial da Câmara, revelou abertamente o que está em jogo neste momento:

"Como fica a política a partir daqui? O Legislativo é o poder que pode anistiar, cassar, então vai ter que tomar medidas para recolocar as coisas no lugar".

Ou seja, contra a "Operação Lava Jato" do Judiciário, vem aí a "Operação Anistia" do Legislativo.

Foi exatamente o que aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas, que serviu de modelo para o juiz Sergio Moro: quando a faca das investigações bateu no pescoço dos políticos em geral, simplesmente mudaram as leis.

Não só a operação italiana não acabou com a corrupção como, no final, levou ao poder Silvio Berlusconi, o Donald Trump da Europa no final do século passado.

A tese que sustenta o movimento pela anistia é aquela de separar o joio (a grana suja dos outros) do trigo (a nossa, limpinha) lançada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na tentativa de livrar a cara dos aliados governistas ameaçados na Lista de Janot 2.

"Era a senha para que políticos de todos os matizes passassem a defender publicamente a tese de que Caixa 2 não é crime e que não se pode criminalizar o Caixa 1", constata matéria da Folha desta sexta-feira.

Como cada caso teria que ser investigado, analisado e julgado separadamente, para identificar a origem e o destino do dinheiro, tudo está sendo tentado para que estes processos nunca cheguem ao fim.

Está dando certo: até hoje, nenhum político denunciado pela Lava Jato, três anos após o início da operação, foi levado a julgamento no STF.

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