Após três meses de hibernação, as reformas voltaram à agenda do Congresso, mas nas contas do principal articulador político do governo, Eliseu Padilha, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, faltam votos para serem aprovadas ainda este ano.

Se já era difícil passar a reforma da Previdência antes do tsunami da JBS, em maio, agora a situação se complicou ainda mais, com o governo numa sinuca de bico, e ninguém sabe hoje com quantos parlamentares conta a base aliada.

Pressionado pelo Centrão, que votou em massa a favor de Michel Temer pelo arquivamento da denúncia contra o presidente, o governo começa a punir os infiéis com a demissão de servidores por eles indicados.

É neste clima, com o PSDB rachado ainda discutindo se fica ou sai do governo, que o Congresso retoma os trabalhos nesta terça-feira tendo como prioridade a discussão da reforma da Previdência.

A ala tucana que defende o desembarque quer apresentar um texto alternativo à reforma defendida pelo governo, que já foi bastante desidratada.

Agora, para acalmar o mercado, o governo já ficaria satisfeito se conseguir aprovar pelo menos a nova idade mínima de 65 anos para homens e 60 para mulheres, sem mexer nas aposentadorias especiais do funcionalismo público civil e militar, a principal causa do rombo previdenciário.

Em encontro com Temer no domingo, Maia prometeu votar o que sobrou do texto original da emenda até setembro, mas ele mesmo tem sérias dúvidas de que possa ser aprovada.

São necessários 308 votos, 42 a mais do que o governo obteve na semana passada na Câmara para evitar a abertura de um processo contra o presidente no STF.

Todas as contas agora terão que ser refeitas e começa mais uma longa negociação, com o agravante de que os recursos previstos para emendas parlamentares já foram esgotados na votação da denúncia.

Nestes últimos três meses em que a Câmara viveu praticamente apenas em função de salvar o mandato do presidente, só foi aprovada pelo Senado a reforma trabalhista.

Assim mesmo, ainda está pendente da medida provisória que o governo discute com parlamentares e centrais sindicais para ver como fica a principal mudança, o fim do imposto sindical, que pode ser recriado com outro nome.

O texto da reforma tributária, outro objetivo da equipe econômica, ainda nem foi enviado ao Congresso.

A única reforma que tem prazo para ser votada é a política.

Para que as mudanças possam valer na eleição de 2018, o texto tem que ser aprovado até o dia 30 de setembro.

Por enquanto, a única certeza é que a maioria quer aprovar o financiamento público das campanhas, com a criação de um fundo eleitoral orçado em R$ 4 bilhões.

Enquanto isso, o deficit previdenciário aumenta a cada mês e o governo já estuda novas alíquotas de imposto de renda para evitar o estouro do rombo fiscal de R$ 139 bilhões.

Neste frenético estica e puxa, as contas, simplesmente, não fecham.

E já está todo mundo jogando suas fichas de olho em 2018.

Como chegaremos lá?

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