morolulavale Fecha se cerco a Lula: triplex é só fio da meada

Lula responde ao interrogatório de Sérgio Moro (Foto: Reprodução)

À medida em que vão sendo divulgados novos capítulos do depoimento de quase cinco horas ao juiz Sergio Moro, na semana passada, em Curitiba, vai ficando mais claro que a questão da propriedade de um triplex no Guarujá é só o fio da meada do cerco que a Lava Jato vai fechando em torno do ex-presidente Lula (ver reportagem completa aqui no R7).

Só na parte final do interrogatório, Moro foi ao ponto que realmente interessa aos investigadores: saber qual foi a participação do ex-presidente em atos de obstrução da Justiça, suposta destruição de provas e intimidação de autoridades e testemunhas nos cinco processos em que Lula é réu por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Embora Lula tenha se negado a responder a algumas perguntas, por orientação dos advogados, os procuradores da Lava Jato entendem que já existem elementos de prova para a abertura de um novo inquérito.

Moro lembrou encontros de Lula com outros três réus já denunciados na Lava Jato, um deles delator (Sergio Machado), e outros dois em fase de negociação de acordo (Léo Pinheiro e Renato Duque), depois do início das investigações em 2014.

O desafio dos acusadores agora é que os delatores apresentem provas. Delações sem provas não têm valor jurídico.

Três investigadores da força-tarefa ouvidos pelo Estadão, sob a condição de anonimato, disseram que "o ato de buscar informações sobre provas de crimes confirma a acusação de que Lula não era alheio ao esquema de corrupção na Petrobras".

Diante disso, procuradores afirmam que, apesar de Lula ter negado as tentativas de obstrução da Lava Jato, a confirmação dessas reuniões justifica o pedido de abertura de um novo inquérito para apurar indícios de obstrução à Lava Jato.

Se no caso do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, os advogados de Lula têm até aqui insistido na falta de provas documentais, este novo inquérito, em que várias testemunhas apontam na mesma direção sobre a participação do ex-presidente no esquema de corrupção investigado da Petrobras, tende a tornar a sua situação jurídica bem mais complicada.

A possível abertura de um novo inquérito pela Lava Jato foi contestada por um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins:

"Uma nova linha de ataque foi aberta contra Lula na Lava Jato. Consiste na utilização de pessoas que há muito buscam sair da prisão ou obter benefícios desde que incluam o nome do ex-presidente em seus depoimentos ou o envolvam em situação de obstrução à Justiça. Estas são as condições para destravar acordos de delação, conforme denúncias feitas por órgãos de imprensa".

No dia do depoimento em Curitiba, ainda não haviam sido divulgados os vídeos das delações dos marqueteiros João Santana e Monica Moura, em que eles também acusam o ex-presidente de saber das negociações de caixa dois do PT com a Odebrecht nas campanhas eleitorais desde 2006.

E, para os próximos dias, é aguardado o fechamento do acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci, apontado pelos marqueteiros e outros delatores como principal operador do esquema do petrolão.

Como escrevi aqui na semana passada, o aguardado embate entre o ex-presidente Lula e o juiz-promotor Moro foi apenas o primeiro capítulo de uma longa batalha judicial, que pode ser decisiva para os rumos políticos do país.

Vida que segue.

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