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	<title>Ricardo Kotscho</title>
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		<title>A dura nova rotina da vida no inferno paulistano</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jun 2013 14:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Dia sim, noutro também, já faz mais de duas semanas que as passeatas de protesto fecham as principais vias e viram a maior cidade do país de pernas para o…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_8591" class="wp-caption aligncenter" style="width: 549px"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/sp.jpg"><img class=" wp-image-8591" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/sp.jpg" alt="sp A dura nova rotina da vida no inferno paulistano" width="539" height="407" title="A dura nova rotina da vida no inferno paulistano" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestantes em frente à Prefeitura de São Paulo durante protesto contra o aumento das passagens em São Paulo. Foto: GABRIELA BILÓ/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO</p></div></p>
<p>Dia sim, noutro também, já faz mais de duas semanas que as passeatas de protesto fecham as principais vias e viram a maior cidade do país de pernas para o ar. O paulistano está tendo que se adaptar a esta nova rotina, uma verdadeira gincana no desafio diário de ir para o trabalho e voltar para casa.</p>
<p>A partir das três ou quatro da tarde, lojas e escritórios dispensam seus funcionários e os congestionamentos agora começam mais cedo. Bares e restaurantes do centro expandido viram a freguesia minguar porque todo mundo tem medo de sair às ruas à noite sem saber se conseguirá voltar para casa.</p>
<p>Sem entrar no mérito, motivações ou objetivos das manifestações lideradas pelo Movimento Passe Livre, que conta com o apoio da maioria da população segundo as pesquisas, o fato é que a vida de quem mora em São Paulo, que já não era fácil, transformou-se num inferno nos últimos dias, com prejuízos incalculáveis de toda ordem para trabalhadores, estudantes e empresas.</p>
<p>Até quando isso?, perguntou-me logo cedo a Edite, nobre e tranquila senhora baiana, que há séculos trabalha com a gente, sem nunca reclamar da vida, mas agora também até ela já está perdendo a paciência.</p>
<p>Este é o outro lado da história que a imprensa e seus cientistas políticos de plantão ainda não abordaram, nem ninguém se deu ao trabalho de calcular os prejuízos causados à população, que não são só financeiros, mas humanos. Se fizerem as contas, podem descobrir que as perdas para a cidade já são maiores do que os ganhos para as empresas de ônibus com o aumento das tarifas.</p>
<p>E que nesta quarta-feira, os transtornos para os cidadãos comuns, que não estão envolvidos nas passeatas, começou mais cedo. Por volta das sete da manhã, cerca de 300 manifestantes queimaram pneus e pedaços de madeira no quilômetro 23 da Anchieta, fechando um trecho no sentido capital da rodovia que liga a região industrial do ABC a São Paulo. Só saíram de lá uma hora depois, em direção à Prefeitura de São Bernardo do Campo, fazendo com que milhares de trabalhadores chegassem atrasados ao serviço.</p>
<p><div id="attachment_8592" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/ruas.jpg"><img class=" wp-image-8592 " src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/ruas.jpg" alt="ruas A dura nova rotina da vida no inferno paulistano" width="580" height="345" title="A dura nova rotina da vida no inferno paulistano" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestantes lotaram a esquina das avenidas São Luiz e Ipiranga, na região central da cidade de SP. Foto: Debora Suconic/Especial para o R7</p></div></p>
<p>O mesmo aconteceu, também logo cedo, na região do M´Boi Mirim, na zona sul, e na avenida Francisco Morato, na zona oeste, mostrando que a agenda dos protestos mudou de horário e se descentralizou, avançando pela Grande São Paulo.</p>
<p>Agora, mesmo que o prefeito Fernando Haddad, depois de refletir mais um pouco e refazer contas em seu gabinete, que quase foi invadido na noite de terça-feira, decida voltar atrás e cortar o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, o que vai acontecer? Vai todo mundo recolher seus cartazes, faixas e bandeiras, voltar placidamente para casa e devolver as ruas para quem nelas precisa circular? Motivos e pretextos certamente não faltarão para novas manifestações contra tudo e contra todos.</p>
<p>Não sou de acreditar em conspirações, mas tem algo de muito estranho acontecendo quando um grupo de celerados passa horas depredando a sede da Prefeitura, bota fogo no carro de reportagens externas da Record, com os funcionários dentro, e depois sai saqueando e destruindo lojas, tudo sem ser molestado _ e fica tudo por isso mesmo, até o próximo protesto.</p>
<p>Como diz a dona Edite, até quando?</p>
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<p><strong>Em tempo: não deixem de ler hoje o blog "Escrevinhador", do meu colega Rodrigo Vianna, que estava lá no Viaduto do Chá na hora do vandalismo em frente à Prefeitura de São Paulo, viu tudo e faz um relato completo e assustador. </strong></p>
<p><strong>Para acessar:</strong></p>
<p><strong></strong>htpp://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/foda-se-o-brasil-gritava-o-rapaz-em-sp.html</p>
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		<title>&#8220;E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 16:06:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Ao ver pela televisão as imagens da multidão vindo como uma onda gigante pela avenida Rio Branco, na noite desta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, foi impossível…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_8579" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/Millico-Voscifera.jpg"><img class=" wp-image-8579  " src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/Millico-Voscifera-675x1024.jpg" alt="Millico Voscifera 675x1024 E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" width="448" height="679" title="E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" /></a><p class="wp-caption-text">Charge: Paulo Caruso</p></div></p>
<p>Ao ver pela televisão as imagens da multidão vindo como uma onda gigante pela avenida Rio Branco, na noite desta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, foi impossível não me lembrar da mesma cena vivida quase 30 anos atrás, no dia 10 de abril de 1984, na reta final da Campanha das Diretas Já, o grande marco na redemocratização do país.</p>
<p>Naquela época, como repórter da Folha de S. Paulo, eu tinha acompanhado os comícios pelo Brasil inteiro, e estava no palanque na Candelária quando um mar de gente inundou a avenida Presidente Vargas, para além da praça da República, e a avenida Rio Branco até a Cinelândia, engolfando os líderes políticos que estavam lá em cima.</p>
<p>Ao se ver cercado por aquele mundo de gente, o então governador mineiro Tancredo Neves deu um passo à frente, deu uma olhada para baixo e, visivelmente assustado, virou-se para fazer uma pergunta ao líder do grande movimento, o deputado federal Ulysses Guimarães.</p>
<p>"E agora, Ulysses? Como nós vamos fazer para administrar este povo todo?"</p>
<p><div id="attachment_8573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 585px"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/16_58_12_255_file.jpeg"><img class=" wp-image-8573 " src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/16_58_12_255_file.jpeg" alt=" E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" width="575" height="429" title="E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" /></a><p class="wp-caption-text">Passeata pelas Diretas Já / Foto: Alfredo Rizutti/26/04/1984/Estadão Conteúdo</p></div></p>
<p>A grande diferença entre estes dois momentos é que, em 1984, a manifestação era contra os militares da ditadura que já durava 20 anos e pela volta das eleições diretas para presidente da República, enquanto agora é contra os políticos civis de todos os partidos que assumiram o poder depois deles.</p>
<p>Em todos os palácios nacionais, neste momento, os nossos governantes devem estar se fazendo a mesma pergunta que doutor Tancredo fez ao doutor Ulysses. Desta vez, é verdade, não há uma bandeira única como a das Diretas que foi capaz de unir o país no maior movimento cívico da nossa história _ cada manifestante, agora, carrega cartazes e grita palavras de ordem diversas _ nem um inimigo comum, o regime militar, como naquela época.</p>
<p>Pelo que se lê nas faixas e se ouve nas manifestações que reuniram ontem cerca de 250 mil brasileiros em 12 capitais, os protestos que começaram em São Paulo contra o aumento das tarifas de ônibus, e se espalharam por todo o país, após a violenta repressão policial da semana passada, são contra tudo e contra todos, como escrevi ontem aqui no Balaio.</p>
<p><div id="attachment_8575" class="wp-caption aligncenter" style="width: 573px"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/calice.jpg"><img class=" wp-image-8575 " src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/calice.jpg" alt="calice E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" width="563" height="402" title="E agora, Ulysses? Como fazer para administrar este povo todo?" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestação na cidade de São Paulo (17/06/2013) / Foto: Cris Faga/AE</p></div></p>
<p>Nas motivações e nos objetivos, um movimento não tem, é claro, absolutamente nada a ver com o outro, a não ser o de mostrar que a insatisfação de amplos setores da sociedade com os rumos do país e os donos do poder em todos os níveis atingiu um ponto de ebulição.</p>
<p>Assim como as Diretas, este também é um movimento suprapartidário _ na  verdade, contra os partidos. Parece mais ser uma resposta para a forma como os atuais partidos os representam, ou melhor, os deixam de representar, distantes dos anseios de uma sociedade civil cada vez mais organizada nas redes sociais.</p>
<p>As diferenças são enormes. Em 1984, não havia internet nem celulares, e a grande mídia boicotou a Campanha das Diretas, defendendo o governo militar até onde pode, com exceção do jornal onde eu trabalhava. Foi a população, em comícios cada vez maiores que ocupavam as ruas e praças do país, que praticamente obrigou a grande imprensa a mostrar o que estava acontecendo fora dos gabinetes oficiais.</p>
<p>Agora, as manifestações programadas pela grande rede virtual contam desde o início com ampla cobertura dos principais meios de comunicação da nova e da velha mídias, que transmitem ininterruptamente as manifestações ao vivo. Só não conseguiram até agora, como eu, mesmo com a ajuda de cientistas políticos e analistas variados, explicar o que está acontecendo e onde este movimento do "saco cheio" quer e pretende chegar.</p>
<p>Estão todos atônitos, governantes e governados, analistas e analisados, assustados com o vulto que as manifestações tomaram, sem a menor ideia de onde tudo isso vai chegar.</p>
<p>A única certeza é que teremos nova manifestação nesta terça-feira em São Paulo, na praça da Sé, e também em outras capitais.</p>
<p>Se já havia muita gente revoltada porque o transporte coletivo é de péssima qualidade e o transito está parando por toda parte, com o aumento do número de carros, agora ficou ainda mais difícil cruzar o caminho entre a casa e o trabalho ou a escola. Com isso, aumenta o número de gente insatisfeita com a vida que leva e irritada com a falta de soluções. Já não basta voltar atrás no aumento das passagens do transporte coletivo.</p>
<p>E o caro leitor como está vendo tudo isso, como convive com as manifestações, o que está acontecendo na sua cidade? Tem dias em que é melhor o repórter perguntar do que tentar responder, lançando mais alguma nova tese entre as milhares que já apareceram no meio da confusão.</p>
<p><strong>Em tempo: não me lembro o que Ulysses respondeu a Tancredo. Os dois já não estão entre nós para tirar esta dúvida. E fazem muita falta.</strong></p>
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		<title>Em apenas 15 dias, virada nas vidas de Dilma e Felipão</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jun 2013 14:22:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Como é a vida... Apenas 15 dias atrás, a presidente Dilma  Rousseff surfava no alto das pesquisas de aprovação popular e Felipão e sua seleção só recebiam…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como é a vida... Apenas 15 dias atrás, a presidente Dilma  Rousseff surfava no alto das pesquisas de aprovação popular e Felipão e sua seleção só recebiam críticas e vaias por onde passavam.</p>
<p>Virou tudo neste breve intervalo: bastaram duas convincentes vitórias da seleção (contra França e Japão), para Felipão ser aplaudido e elogiado, com seus jogadores recuperando o apoio da torcida, enquanto Dilma caía nas pesquisas, recolhia notícias ruins na economia e terminava a semana vaiada na abertura da Copa das Confederações, em Brasília.</p>
<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/kotscho.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8563" title="Foto: Montagem/R7" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/kotscho.jpg" alt="kotscho Em apenas 15 dias, virada nas vidas de Dilma e Felipão" width="506" height="318" /></a></p>
<p>O que aconteceu? Embora o tema do meu encontro com os leitores na 13ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no domingo, de onde acabei de chegar, fosse jornalismo e literatura,  este assunto dominou as conversas e debates, com todos procurando respostas para tão violenta guinada nas vidas dos dois personagens que dominaram o noticiário nos últimos dias.</p>
<p>Todos queriam saber o que teria provocado a mudança no humor da população, revelada não apenas nas pesquisas, mas nas manifestações de insatisfação popular que pipocaram por todo o País na semana passada, pulando das redes sociais para as ruas, e atingindo níveis de violência como há muito não se via no nosso País.</p>
<p>Na opinião quase geral, a questão do aumento das tarifas de ônibus foi apenas o pretexto imediato que mobilizou os internautas a extravasar sua insatisfação com os rumos do País, um sentimento difuso, uma espécie de "de saco cheio genérico contra tudo e contra todos", que fica evidente nos comentários cada vez mais agressivos que circulam na grande rede. Os protestos deixaram de ser virtuais para se tornarem reais, sem que um fato grave e determinante fosse registrado neste período.</p>
<p>A economia já vem rateando há algum tempo e as denúncias de corrupção em diferentes latitudes não chegam a constituir uma novidade, mas de uma hora para outra, assim como Felipão conseguiu acertar seu time, parece que a presidente Dilma perdeu o controle do jogo, o que ela contesta, veementemente, em cada pronunciamento. De fato, nada aconteceu que justifique este clima de véspera de fim de mundo que se instalou no País nos últimos dias, com cada qual correndo para um lado e ninguém se entendendo.</p>
<p>Parece que hoje, finalmente, os dois lados vão conversar em São Paulo para evitar a repetição das cenas de vandalismo e de violência policial, mas nunca se sabe o que pode acontecer quando 200 mil pessoas manifestam pela internet sua vontade de participar do ato desta segunda-feira marcado para o Largo da Batata, em Pinheiros.</p>
<p>À primeira vista, trata-se de uma questão municipal e estadual, mas como as manifestações se repetem e se multiplicam por todo o País, pelas mais diferentes razões, chegando hoje a interditar uma importante rodovia em Minas Gerais, em protesto contra a má qualidade do transporte público, claro que isto se reflete também no governo federal, encarregado primeiro de zelar pela manutenção de um clima de ordem e paz no País.</p>
<p>Não dá mais para ninguém, nem qualquer instituição, fingir que não é com ele, como estão fazendo o Congresso Nacional, os principais partidos políticos do País, as centrais sindicais, os lideres religiosos e até os da UNE, que simplesmente sumiram de cena desde que os revoltosos botaram a cara nas ruas. Entre os manifestantes e os policiais, não se viu mediação para evitar a violência.</p>
<p>É exatamente esta falta de interlocução e de representatividade por parte das instituições que pode estar na raiz do problema, quando as pessoas já não sabem para onde canalizar suas demandas e buscar soluções para os males que as afligem.</p>
<p>Ah, até ia me esquecendo de falar da Feira do Livro de Ribeirão, que terminou domingo, e foi de novo uma beleza, com mais de 100 autores e milhares de jovens participando das atividades culturais ao longo de 10 dias. Coisas boas também acontecem no nosso País, mas encontram muitas dificuldades para cavar espaços entre as coisas ruins que rendem manchetes.</p>
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		<title>Ação da PM foi de vingança contra a população</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 14:46:55 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quem melhor resumiu os acontecimentos da noite de quinta-feira (13), que mais uma vez transformaram o centro de São Paulo numa praça de guerra, foi o prefeito…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem melhor resumiu os acontecimentos da noite de quinta-feira (13), que mais uma vez transformaram o centro de São Paulo numa praça de guerra, foi o prefeito Fernando Haddad:</p>
<p>"Na terça, eu penso que a imagem da violência que ficou foi a da violência dos manifestantes. Infelizmente, hoje, não resta dúvida que a imagem que ficou foi a da violência policial".</p>
<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/cavalaria.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8547" title="Foto: Daia Oliver/R7" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/cavalaria.jpg" alt="cavalaria Ação da PM foi de vingança contra a população" width="500" height="331" /></a></p>
<p>É exatamente o que eu penso que aconteceu, depois de acompanhar por horas ao vivo na televisão esta última manifestação contra o aumento de 20 centavos (de R$ 3 para R$ 3,20) nas passagens dos ônibus da cidade: a PM já chegou chegando, com todo aparato bélico a que tem direito, batendo e atirando para todo lado, disposta a se vingar dos atos de vandalismo e agressões a alguns policiais praticados durante a manifestação da última terça-feira.</p>
<p>O grande problema é que a violência policial não se limitou a conter o protesto dos estudantes, mas atingiu indiscriminadamente a população paulistana que passava elas ruas a caminho de casa ou do trabalho ou tomando sua cervejinha num bar. Na fúria policial deliberadamente desencadeada para mostrar quem manda na cidade, sobrou para todo mundo.</p>
<p>Quando a Tropa de Choque armada até os dentes se perfilou no começo da rua da Consolação, por volta das 7 da noite,  para impedir que os manifestantes seguissem em direção à avenida Paulista, foi a senha para que o caos se instalasse na cidade, atingindo quem estava em carros e ônibus, e espalhando a baderna pelas ruas vizinhas. Estava na cara de ódio dos policiais que eles tinham carta branca para retomar o controle de segurança da cidade a qualquer preço.</p>
<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/choque.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8549" title="Foto: Rocha Lobo/Futura Press/Estadão Conteúdo" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/choque.jpg" alt="choque Ação da PM foi de vingança contra a população" width="500" height="329" /></a></p>
<p>Se no primeiro texto do Balaio sobre os confrontos perguntei quem estava por trás de todos aqueles atos de vandalismo dos que protestavam contra o aumento dos ônibus, agora cabe perguntar quem deu a ordem para que a Polícia Militar agisse com tamanha violência contra qualquer pessoa não fardada que encontrasse pela frente.</p>
<p>O governador Geraldo Alckmin, que tinha acabado de voltar de Paris e passou o dia na Baixada Santista, limitou-se a postar mensagens nas redes sociais repetindo que a PM "não vai tolerar depredação, violência e obstrução das vias públicas" (e ainda encontrou tempo para cumprimentar a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade).</p>
<p>Nada disso, porém, havia ainda acontecido quando a Tropa de Choque entrou em ação, com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha. O secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, que não foi visto na manifestação, comentou placidamente que  a polícia agiu para "garantir a ordem", quando todos vimos que foi a própria polícia que deu início à desordem que avançou noite adentro.</p>
<p>A primeira função da polícia é garantir a segurança dos cidadãos; a segunda, proteger o patrimônio público e privado e, a terceira, combater crimes como atos de vandalismo, utilizando a força necessária. Desta vez, a PM fez o contrário disso: provocou a insegurança geral e deixou no caminho um rastro de violência com 105 feridos, entre eles, dezenas de jornalistas, sete deles da Folha. Como sabiam que estavam agindo fora da lei, não queriam que ninguém registrasse o que eles estavam fazendo, e repórteres e profissionais de imagem acabaram sendo os principais alvos.</p>
<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/jornalistas_ok.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8550" title="" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/jornalistas_ok.jpg" alt="jornalistas ok Ação da PM foi de vingança contra a população" width="500" height="300" /></a></p>
<p>Depois do estrago, o secretário Grella prometeu "apurar o ocorrido. Isso é  inadmissível. Se ficar comprovado, vai haver responsabilização". Nem é preciso abrir rigorosos inquéritos que nunca dão em nada: basta pegar as imagens não confiscadas produzidas pelos próprios profissionais agredidos e tudo o que foi para o ar nas emissoras de televisão na noite de quinta-feira.</p>
<p>A próxima manifestação já está marcada para segunda-feira, às 17h, em frente à estação Faria Lima do Metrô. Há tempo mais do que suficiente para que as autoridades de segurança do Estado, desta vez, planejem seu trabalho com mais inteligência e menos armas e truculência, para evitar novas vítimas e prejuízos para a cidade, tirando de circulação os policiais que participaram deste grande ato de vingança contra a população indefesa.</p>
<p>Se o Movimento Passe Livre, que organiza as manifestações, já admitiu na terça-feira que perdeu o controle sobre os revoltosos, o mesmo não pode acontecer ao governo em relação aos seus policiais. Ou vai acontecer, como o Elio Gaspari escreveu hoje, mais "um conflito dos canibais com os antropófagos".</p>
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		<title>A solidão é o maior problema do governo Dilma</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jun 2013 17:04:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Pelo que posso notar daqui de longe e conversando com amigos que trabalham no Palácio do Planalto, o maior problema do governo Dilma, fora todos os outros,…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/dilma-g.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8541" title="Foto: Reprodução" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/dilma-g.jpg" alt="dilma g A solidão é o maior problema do governo Dilma" width="450" height="312" /></a></p>
<p>Pelo que posso notar daqui de longe e conversando com amigos que trabalham no Palácio do Planalto, o maior problema do governo Dilma, fora todos os outros, é a solidão. Desde que tomou posse, faz dois anos e meio, a presidente segue rigorosamente o ritual do cargo, cumpre a agenda sem se sujeitar a imprevistos ou a arriscadas iniciativas, cercada por pouca gente, subordinados que a tratam como a chefe poderosa, com uma reverência que vai além das normas hierárquicas.</p>
<p>De outro lado, a presidente convive desde o início com uma imensa base aliada que se alimenta da desconfiança mútua e lhe causa mais problemas do que a própria oposição. Ao manter uma solene distância dos setores da sociedade civil que habita o Brasil real, com quem Dilma poderia abrir seu coração, além do ex-presidente Lula e de raros ministros, como o velho amigo Fernando Pimentel e o novo amigo Aloizio Mercadante, os poucos que se arriscam a falar em nome do governo e até a divergir dela?</p>
<p>O desabafo da presidente ao final de um evento na quarta-feira, no Palácio do Planalto, no lançamento do programa Minha Casa Melhor, é sintomático de alguém que não se conforma com as críticas, que atribui a pessimistas comparados ao "Velho do Restelo", personagem de "Os Lusíadas", de Luís Camões: se tudo vai tão bem no Brasil, na sua própria avaliação, com a inflação e as contas públicas sob controle, porque essa gente só fala de coisas negativas sobre a condução da economia?</p>
<p>Pois não se trata de ser otimista ou pessimista, mas ver os fatos como os fatos são e não brigar com eles. Da minha parte, sempre procuro ser otimista tentando descobrir notícias boas para comentar aqui e não estragar o humor dos leitores, mas no mesmo dia em que a presidente criticou a "leviandade política" dos críticos, o dólar voltou a subir e a Bolsa a cair, dois indicadores econômicos a sugerir que as coisas não vão tão bem como ela gostaria.</p>
<p>Atribuir as dificuldades pelas quais está passando a condução da economia apenas à crise externa, à má vontade da grande imprensa, que é real mas não é de agora, e à propaganda  negativa da oposição baseada na alta da inflação, não resolve o problema. De uns tempos para cá, os ventos mudaram e sente-se no ar um clima difuso de mal estar e falta de confiança nos rumos do país, que atinge principalmente os investidores, personagens vitais para a retomada do crescimento.</p>
<p>Certamente não é por outro motivo que os principais candidatos da oposição, o senador tucano Aécio Neves e o governador Eduardo Campos, do PSB, velho aliado do governo petista, priorizam contatos com os maiores agentes econômicos e financeiros em suas pré-campanhas.</p>
<p>Dilma continua dando prioridade absoluta às classes mais pobres, onde se encontra a grande maioria do eleitorado, mas não se deve esquecer que, se os grandes empresários e as classes médias tradicionais não têm muitos votos (nas últimas eleições em São Paulo, elegeram apenas um vereador, Andrea Matarazzo, que, aliás, vai ser o chefe da campanha de Aécio Neves no Estado) são eles que podem dar ou não as condições econômicas para se manter os atuais níveis de renda e de emprego, principais trunfos do governo na campanha pela reeleição.</p>
<p>Sabe-se que é deles e dos setores financeiros inconformados com o corte nos juros e nas tarifas de energia, entre outras, que partem as maiores pressões pela substituição de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, mas outro fato real é que Dilma o mantém no posto não só por birra ou pela simpatia que tem pelo ministro, mas também porque não é fácil a esta altura encontrar um substituto.</p>
<p>Vamos ser francos: quem temos no mercado para oferecer a Dilma que possa exercer o papel de Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central, pau da barraca da política econômica dos governos Lula, ainda outro dia lembrado pelo ex-presidente? Na verdade, quem acumula esta função hoje é a própria presidente Dilma, obrigada pelas circunstâncias e também pelo seu estilo centralizador, a ser ela própria a formuladora tanto da política econômica como da articulação política no Congresso, exatamente pela solidão que vive no governo.</p>
<p>Dilma precisa urgentemente sair do círculo de ferro em que está e se encontrar mais com representantes de diferentes setores da sociedade, viajando pelo país não só para inaugurar e anunciar obras e, sem a solenidade que paira nos encontros palacianos, ouvi-los sobre a realidade em que vivem e discutir propostas para o futuro para resgatar a credibilidade nos rumos e objetivos do seu governo.</p>
<p>Enquanto tudo ia muito bem e as pesquisas de popularidade e intenção de votos da presidente batiam recordes sobre recordes, o marqueteiro João Santana foi ocupando o vazio deixado pelos ministros da articulação política e ganhando cada vez mais os ouvidos da presidente nas principais decisões do governo. Foram importantes os pacotes de bondades anunciados para as classes C. D e E, bem explorados em comerciais e redes nacionais de televisão, mas a fórmula parece já não ser suficiente, como mostraram as pesquisas mais recentes do Datafolha e do Ibope, com seus índices em queda.</p>
<p>Para discutir o que fazer, após o evento no salão nobre do Palácio do Planalto na quarta-feira, Dilma chamou a seu gabinete os mesmos ministros de sempre e, claro, o onipresente marqueteiro João Santana para discutir se deve fazer mais um pronunciamento em rede de televisão sobre o programa que acabara de anunciar. Como informa Vera Magalhães, no Painel da "Folha" desta quinta-feira, Dilma foi aconselhada nesta reunião a cancelar uma viagem que faria hoje ao Rio e ir para o Paraná "tomar uma injeção de Lula" num encontro do PT.</p>
<p>Seria bom, por exemplo, que ela aproveitasse esta viagem para encontrar também outras pessoas e deixa-las à vontade para falar como estão vendo o Brasil neste momento e o que poderia ser corrigido nos rumos do governo. Se me permitem a ousadia, gostaria de dar um conselho á minha amiga Dilma: conversar mais, com mais gente, ouvir mais e se aborrecer menos com as críticas.</p>
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		<title>São Paulo ou Istambul? Quem está por trás da baderna?</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2013 15:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Na noite desta terça-feira, ao pousar em Cumbica voltando de uma breve viagem à bela, pacata e bem cuidada João Pessoa, na Paraíba, fiquei na dúvida: terei…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/trianon.jpg"><img class="size-full wp-image-8532 aligncenter" title="Foto: Nivaldo Lima/Futura Press/Estadão Conteúdo" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/06/trianon.jpg" alt="trianon São Paulo ou Istambul? Quem está por trás da baderna?" width="450" height="303" /></a></p>
<p>Na noite desta terça-feira, ao pousar em Cumbica voltando de uma breve viagem à bela, pacata e bem cuidada João Pessoa, na Paraíba, fiquei na dúvida: terei descido em São Paulo ou em Istambul, na Turquia? As notícias que ouço no rádio do táxi e mais tarde vejo nas imagens da TV serão da praça Taksim ou da avenida Paulista?</p>
<p>De um lado, pedras, paus e coquetéis molotov; de outro, balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta: no meio, muito fogo, ônibus incendiados, vitrines quebradas, a população amedrontada correndo de um lado para outro em busca de abrigo.</p>
<p>A terceira e mais longa manifestação contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo, que começou às cinco da tarde, e só terminaria cinco horas depois, deixou um rastro de destruição e horror, e uma pergunta que ninguém soube me responder: de onde vem tanta violência, quem está por trás destes atos de vandalismo em que um tal de "Movimento Passe Livre" vai destruindo o que encontra pela frente, sem que a polícia tenha forças para restabelecer a ordem numa região em que se concentram hospitais, prédios residenciais e o centro financeiro do país?</p>
<p>"O fato de o movimento não ter um líder que assuma responsabilidade dificulta a negociação", reclama o comandante da operação da PM, tenente-coronel Marcelo Pignatari. De fato, até agora, por trás de manifestantes com os rostos cobertos e alguns fantasiados de anarquistas só aparece o nome de Nina Capello, 22 anos, estudante de Direito, uma das organizadoras do "Movimento Passe Livre", criado em 2005.</p>
<p>Mas ela também não sabe explicar a crescente violência nas manifestações e admite: "Não temos controle. A manifestação se transformou numa revolta popular". Nina limitou-se a culpar a "repressão violenta da polícia", mas o que ela queria? Que os policiais apanhassem calados sem reagir, pedindo que os baderneiros se comportassem como pessoas civilizadas? Além do mais, ela também não soube dizer de onde partiu esta "revolta popular" contra o aumento da tarifa. Sejam os 5 mil manifestantes declarados pelos organizadores ou a metade, segundo a PM, é pouca gente diante dos milhões de paulistanos que andam de ônibus todo dia na cidade.</p>
<p>O que dá para ver pelas imagens é que o figurino e a estampa dos revoltosos não combina muito com quem anda de ônibus e menos ainda com quem não pode pagar um aumento de 20 centavos na passagem. O movimento de Nina Capello quer, na verdade, transporte de graça, mas alguém _ou seja, nós contribuintes _ tem que pagar a despesa se a Prefeitura aumentar  os subsídios pra os ônibus.</p>
<p>Em levantamento feito pela "Folha", estariam participando das manifestações grupos de jovens do PSOL, PT e PSTU, além de ativistas anarquistas conhecidos por "Kaos" e "Black Bloc", com o objetivo de "provocar danos materiais contra a opressão", seja lá  o que isso quer dizer e qual a sua motivação.</p>
<p>A próxima manifestação já está marcada para quinta-feira sem que se tenha notícia de alguma negociação dos revoltosos com as autoridades municipais. Estou achando melhor voltar logo para João Pessoa, onde se pode andar sem medo pelas ruas sempre limpas e bem policiadas, e os jovens já não precisam ir embora em busca de trabalho ou estudo, enquanto os muitos que saíram de lá anos atrás estão voltando. Existe um outro Brasil sem sair do Brasil.</p>
<p>Vida que segue.</p>
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		<title>Onda de violência contra mulheres vira epidemia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 May 2013 15:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Caros leitores, por uma especial deferência do Heródoto Barbeiro, que saiu de férias do "Jornal da Record News", também estarei de folga até o próximo dia 13…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/metro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8523" title="Foto: Reprodução" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/metro.jpg" alt="metro Onda de violência contra mulheres vira epidemia" width="460" height="415" /></a></p>
<p><strong>Caros leitores,</strong></p>
<p><strong>por uma especial deferência do Heródoto Barbeiro, que saiu de férias do "Jornal da Record News", também estarei de folga até o próximo dia 13 de junho na televisão. Vou aproveitar para viajar com a família e dar uma descansada do blog porque os últimos tempos não têm sido fáceis. Família e saúde também são importantes. Meu destino é João Pessoa, na Paraíba, bela cidade com muito sol e um povo dos mais amáveis, onde já fui várias vezes para trabalhar, mas nunca para passear.  Só voltarei ao blog antes disso se algum fato importante me obrigar. Até a volta.</strong></p>
<p><strong>Abraços,</strong></p>
<p><strong>Ricardo Kotscho</strong></p>
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<p>Os últimos números divulgados em São Paulo e em todo o país mostram que os casos de violência contra mulheres estão se transformando em verdadeira epidemia, sem que as autoridades de segurança encontrem formas de enfrentar a emergência do problema a não ser discutir prováveis causas e medidas paliativas como a distribuição de cartilhas e o mapeamento de criminosos.</p>
<p>Embora na semana passada o governador paulista Geraldo Alckmin tenha anunciado no "Jornal da Record News" uma diminuição dos índices de violência, ficamos sabendo nesta terça-feira que 37 mulheres foram estupradas por dia _ por dia, repito! _ em São Paulo no primeiro quadrimestre de 2013 _ um aumento de 20,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estupro foi o crime que mais aumentou nos últimos anos em São Paulo.</p>
<p>Para se ter uma ideia da brutalidade que isso significa, é como se um ônibus lotado de mulheres fossem estupradas a cada dia no maior e mais rico Estado do País. No Rio de Janeiro, o número de estupros cresceu ainda mais: 24% no ano passado, chegando a 1.972 casos na cidade.</p>
<p>Entre 2001 e 2010, segundo levantamento do Instituto Avante Brasil, publicado hoje no site "Carta Maior", 40 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. De acordo com estudo do Banco Mundial citado pela publicação, mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que câncer, acidentes de trabalho, guerra e malária.</p>
<p>Apenas na cidade de são Paulo foram registrados 1.113 casos de estupro este ano. E o que fazemos para enfrentar esta escalada da violência contra as mulheres? O Conselho Estadual da Condição Feminina, ligado à Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, anuncia que será feito um levantamento no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública nas próximas semanas "para identificar um perfil destes estupradores", segundo o jornal "Folha de S. Paulo".</p>
<p>Além disso, será distribuída uma cartilha para orientar mulheres sobre como agir para evitar estupradores. Posso imaginar mulheres voltando para casa da escola ou do trabalho por ruas escuras, desertas e desp0liciadas pedindo licença ao estuprador para consultar o que a cartilha recomenda.</p>
<p>O problema é muito mais grave do que sugere a reação das autoridades, que atribuem o aumento dos índices a uma mudança na lei que passou a considerar estupros crimes que antes eram registrados como atentados violentos ao pudor, mas o mais grave é que 90% das mulheres violentadas não buscam auxílio médico imediato para evitar a gravidez indesejada.</p>
<p>"O dado sinaliza que o trauma faz com que a primeira reação das mulheres ainda seja a reclusão. Só depois, quando percebem a gravidez, é que elas passam a tomar atitudes e enfrentam o problema", diz a psicóloga e mestre em Saúde Pública Daniela Pedroso.</p>
<p>Em 61% dos casos estudados por Daniela Pedroso, o autor era desconhecido da vítima, mas a delegada Celi Paulino Carlota, da 1ª Delegacia da Mulher, constata exatamente o contrário: "Em 90% dos casos que temos aqui o autor conhecia a vítima. Era pai, padrasto, avô ou até amigo em algum site da internet".</p>
<p>A crescente violência contra a mulher no Brasil chamou a atenção da imprensa mundial, como se pode ver em reportagem publicada hoje pelo "New York Times" e reproduzida aqui no <strong>R7 (<a href="http://noticias.r7.com/cidades/estupros-no-brasil-geram-debate-sobre-divisao-de-classe-e-genero-28052013">leia aqui</a>), </strong>depois que estupradores violentaram uma estudante norte-americana de 21 anos na mesma van em que haviam cometido o mesmo crime contra uma menina brasileira de 14 anos, uma semana antes.</p>
<p>O governador carioca Sergio Cabral não se mostra muito preocupado com o problema, segundo o relato do NYT, ao afirmar que o Rio "está vivendo um momento vigoroso com grandes eventos e investimentos". Parece que no Brasil cidadãos e seus governantes vivem em mundos e realidades diferentes.</p>
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		<title>Nome do novo ministro do STF ganha apoio unanime</title>
		<link>http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2013/05/24/nome-do-novo-ministro-do-stf-ganha-apoio-unanime/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2013 15:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A indicação do constitucionalista Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal, na vaga do ministro Ayres Brito, provocou um fato raro na vida brasileira: o apoio…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/16_06_58_98_file.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8511" title="Foto: Estadão Conteúdo" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/16_06_58_98_file.jpeg" alt=" Nome do novo ministro do STF ganha apoio unanime" width="460" height="305" /></a></p>
<p>A indicação do constitucionalista Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal, na vaga do ministro Ayres Brito, provocou um fato raro na vida brasileira: o apoio unânime da sociedade, tanto no mundo jurídico como no político. De tudo que li e ouvi até agora, não encontrei uma única crítica ou restrição à sua vida profissional e pessoal, e a única pergunta que poderíamos fazer é esta: por que não foi nomeado antes?</p>
<p>Demorou seis meses, mas a presidente Dilma Rousseff fez o certo para não se arrepender depois: desta vez, venceu a meritocracia, sem as interferências políticas indevidas que marcaram algumas das últimas nomeações para o STF. Foi uma escolha pessoal de Dilma.</p>
<p>Barroso não teve que fazer campanha para chegar ao posto mais alto da magistratura. Bastou o seu currículo como advogado constitucionalista, professor universitário e procurador  do Estado do Rio de Janeiro, com pensamentos solidamente liberais e progressistas,  intransigente defensor dos direitos humanos.</p>
<p>No STF, o constitucionalista já defendeu teses polêmicas como a união estável de homoafetivos, pesquisas com células tronco e a permanência no Brasil do italiano Cesare Battisti. Os ministros do STF também foram unanimes nos elogios ao seu novo colega. Quem melhor resumiu o pensamento geral foi o ex-presidente do STF e ministro aposentado Sepúlveda Pertence:</p>
<p>"A presidente Dilma optou por um nome que há anos grande parte da opinião jurídica brasileira já havia reconhecido, como homem e como jurista, um dos mais qualificados para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal".</p>
<p>Ainda não há data marcada para a sabatina de Barroso no Senado, que deverá ter aprovação rápida, mas ele já sabe qual será sua primeira tarefa depois de assumir. Entre os 7.841 processos que o aguardam, está o do mensalão do PSDB em Minas, criado por Marcos Valério, que envolve o tucano Eduardo Azeredo e o senador Clésio Andrade, do PMDB. O caso é de 1998 e o processo também estava sob a relatoria de Joaquim Barbosa, sem previsão para ser julgado.</p>
<p>Como o presidente do STF só deverá dar no começo do segundo semestre sua decisão sobre os embargos declaratórios dos réus do mensalão petista, Luís Barroso poderá participar do julgamento dos recursos apresentados pelos advogados de defesa.</p>
<p>Em entrevista dada no ano passado à revista Poder, Barroso fez críticas ao julgamento do mensalão.</p>
<p>"O Supremo, que sempre teve uma posição bem liberal e em defesa do acusado, principalmente do princípio de presunção da inocência, revela uma guinada um pouco mais dura e punitiva, superando, inclusive, alguns precedentes, como no entendimento de que não é mais necessário um documento assinado pelo acusado ou um ato oficial para que o crime de corrupção seja configurado. Minha avaliação é que houve um certo endurecimento do STF, talvez como reflexo de uma interação com a sociedade".</p>
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<p><strong>Em tempo:</strong></p>
<p><strong>Um bom programa para este sábado, dia 25, é o Autor na Praça, com os jornalistas e escritores Mylton Severiano e Palmério Dória, que vão falar dos seus mais recentes livros.</strong></p>
<p><strong>É a partir das 15 horas no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. </strong></p>
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		</item>
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		<title>Dilma cansada de guerra recua e prioriza inflação</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2013 14:13:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Após a batalha naval da MP dos Portos, que deixou a base conflagrada e a articulação política do governo em frangalhos, parece que a presidente Dilma Rousseff…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/dilma1.jpg"><img class="size-full wp-image-8504 aligncenter" title="" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/dilma1.jpg" alt="dilma1 Dilma cansada de guerra recua e prioriza inflação " width="315" height="210" /></a></p>
<p>Após a batalha naval da MP dos Portos, que deixou a base conflagrada e a articulação política do governo em frangalhos, parece que a presidente Dilma Rousseff resolveu mudar radicalmente de estratégia neste ano pré-eleitoral.</p>
<p>Presidente pode muito, mas não pode tudo, deve ter concluído a presidente depois das noites insones provocadas por líderes da sua própria base aliada, comandados pelo indomável Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, que já havia mostrado disposição, em artigo publicado na "Folha", para enfrentar o governo novamente também na questão da MP da Mineração.</p>
<p>Claro que não foi só por isso, mas a sequência de confrontos no Congresso em que a presidente compra muitas brigas com muita gente ao mesmo tempo mostrou que não valia continuar dando murro em ponta de faca. Assim, Dilma achou melhor desistir de enviar ao congresso o novo código de mineração. Se e quando retomar a proposta, deverá faze-lo em forma de projeto de lei e não mais por medida provisória, que dá um prazo de apenas 120 dias para a discussão na Câmara e no Senado.</p>
<p>Da mesma forma, o governo também já havia desistido de discutir agora a proposta para aliviar a dívida dos Estados e municípios (em seu relatório, Cunha havia reduzido algumas dívidas em até 45%), e também de levar adiante agora a questão das mudanças nas alíquotas do ICMs para evitar a guerra fiscal.</p>
<p>Se o presidente do Senado, Renan Calheiros, cumprir a palavra de não votar textos de MPs vindos da Câmara sem recebe-los com sete dias de antecedência, outras quatro deverão caducar proximamente, e parece que o governo não tem o menor interesse no momento em apressar a sua discussão.</p>
<p>Às vésperas de embarcar na noite desta quinta-feira para uma viagem à Etiópia, junto com os ministros Aloisio Mercadante e Fernando Pimentel, seus fieis conselheiros políticos, a presidente Dilma dava a impressão de estar cansada desta guerra no Congresso e mais interessada em cuidar do combate à inflação, a principal bandeira escolhida por Aécio Neves, o provável candidato presidencial tucano.</p>
<p>O mais importante agora é saber quem vai ficar no lugar de Nelson Barbosa, o segundo homem do Ministério da Fazenda, que pediu demissão, depois de bater de frente com Guido Mantega por ter alçado vôo próprio na interlocução com a presidente Dilma.</p>
<p>Saber quem vai para o lugar de Barbosa e quais serão as próximas medidas a serem tomadas pelo governo no combate à inflação são certamente prioridades mais importantes para o governo neste momento do que enviar qualquer projeto polêmico ao Congresso, onde o clima não continua bom.</p>
<p>O maior sinal disso é a desistência na última hora da presidente Dilma de participar de um jantar com os caciques do PMDB no Palácio do Jaburu, onde o vice  Michel Temer reuniu os rebelados de várias latitudes do seu partido. Até o final do ano, pelo jeito, não teremos mais nenhuma votação polêmica no Congresso como foi a MP dos Portos e, certamente, isto também não acontecerá durante a campanha eleitoral do próximo ano.</p>
<p>Passando a régua, pode-se concluir que, em matéria de reformas e mudanças, especialmente na política tributária, a presidente Dilma dá por finda sua tarefa neste primeiro mandato _ até para não comprometer a montagem das suas alianças na disputa pela reeleição.</p>
<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/dois_anos.jpg"><img class="wp-image-8505 aligncenter" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/dois_anos.jpg" alt="dois anos Dilma cansada de guerra recua e prioriza inflação " width="448" height="657" title="Dilma cansada de guerra recua e prioriza inflação " /></a></p>
<p><strong>Em tempo: convido todos os amigos e leitores para assistir, a partir das 9 da noite desta quinta-feira, 23 de maio, à edição especial do "Jornal da Record News", com Heródoto Barbeiro, na TV e ao vivo aqui no nosso portal R7, em que vamos comemorar dois anos no ar, cumprindo o que prometemos: um telejornal independente, com plena autonomia editorial e de opinião, que convida à reflexão e abre espaço para o debate de todo tipo de pensamento. </strong></p>
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		<title>Joaquim ataca, mas não fala de mordomias do STF</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 15:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rkotscho</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/joaqueim_barbosa.jpeg"><img class="size-full wp-image-8495 aligncenter" title="" src="http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/files/2013/05/joaqueim_barbosa.jpeg" alt=" Joaquim ataca, mas não fala de mordomias do STF" width="460" height="305" /></a></p>
<p>Na mesma segunda-feira em que o Estadão rompia a cortina de silêncio que protege o Judiciário de críticas, ao revelar as mordomias aéreas dos meritíssimos ministros, em reportagem de Eduardo Bresciani e Mariângela Gallucci, Joaquim Barbosa, o presidente do Supremo Tribunal Federal, atacou o Congresso Nacional pela "ineficiência, inteiramente dominado pelo Executivo" e os partidos políticos em geral, que qualificou de "mentirinha".</p>
<p>A surpreendente reportagem do "Estadão" conta que o STF gastou, entre 2009 e 2012, R$ 608 mil só com passagens internacionais de primeira classe para esposas de ministros e outros R$ 295,5 mil em viagens dos magistrados em períodos de recesso. Além disso, o jornal denunciou que Joaquim Barbosa viajou 19 vezes por conta do STF em períodos nos quais estava de licença médica, tendo como destinos Rio, São Paulo, Fortaleza e Salvador.</p>
<p>Em sua longa palestra no Instituto de Educação Superior de Brasília, onde é professor, Joaquim Barbosa, que se apresentou como uma espécie de tutor dos outros poderes, não tocou neste assunto das viagens patrocinadas pelo STF, que consumiram um total de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos nos últimos três anos.</p>
<p>Não que o falante Barbosa tenha contado alguma grande novidade que todos os cidadãos já não saibam sobre o funcionamento do parlamento e dos partidos políticos ou tenha ofendido membros de outros poderes, mas estranhamente preferiu o silêncio quando foi perguntado, após a palestra, sobre viagens pagas pelo tribunal e licenças médicas.</p>
<p>Ao ouvir a pergunta, o presidente do STF, como tem acontecido em outras ocasiões recentes, quando é questionado, mostrou-se bastante irritado:</p>
<p>"Eu não quero falar sobre este assunto. Eu não li a matéria. Essa matéria é do seu conhecimento, não é do meu".</p>
<p>Pois deveria falar, já que se trata de uso de dinheiro público em proveito privado, embora o STF autorize este tipo de benefício, como informa a reportagem:</p>
<p>"O pagamento de passagens aéreas a dependentes  de ministros é permitido, em viagens internacionais, por uma resolução de 2010, baseada em julgamento de um processo administrativo do ano anterior. O ato diz que as passagens devem ser de primeira classe e que este tipo de despesa deve ser arcado pela Corte quando a presença do parente for "indispensável" para o evento do qual o ministro participará".</p>
<p>Alguém sabia disso? Qual o critério de "indispensável"? No meu caso, por exemplo, mesmo a trabalho sempre gosto de viajar acompanhado da minha mulher, mas quem tem que pagar a passagem dela somos nós.</p>
<p>Na crítica aos partidos de "mentirinha" que tornam "o Congresso um poder dominado pelo Executivo", o ministro Barbosa esqueceu de dizer que o Judiciário tem grande parte de responsabilidade nesta deformação institucional, como bem lembrou, em artigo publicado na "Folha", o cientista político Humberto Dantas, professor do Insper, depois de listar vários casos em que o STF facilitou a proliferação de legendas.</p>
<p>"Diante de tais aspectos, não parece ser apenas o Executivo a furtar o Legislativo de seu papel. Não há no país poder mais criativo em matéria eleitoral que o Judiciário. Assim, que o professor Barbosa seja capaz de observar que o órgão que preside contribui para reforçar a `mentirinha´ chamada `partido político´.</p>
<p>Antes do dia acabar, a assessoria do presidente do STF distribuiu nota para dizer que Barbosa falou na condição de "acadêmico e professor" e não teve "a intenção de criticar ou emitir juízo de valor a respeito do Legislativo". Melhor assim, pois o presidente da Câmara, Henrique Alves, já tinha divulgado outra nota em que qualificou a manifestação do presidente do STF de "desrespeitosa".</p>
<p>O que mais me chama a atenção neste episódio é que nós estamos habituados a ver e ouvir todos os dias duras críticas sobre mordomias contra membros do Executivo e do Legislativo, em todos os níveis, mas que me lembre é a primeira vez que um veículo da grande imprensa trata desta questão no Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Se os viajantes fossem membros de outro poder, certamente a reportagem repercutiria nos demais veículos, ganharia ares de escândalo e logo alguém pediria a instalação de uma CPI.</p>
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