Sei que muita gente está comemorando agora, mas eu estou triste. Daqui de casa, nos Jardins, em São Paulo, ouço alguns rojões estourando.

Na hora em que saiu a notícia da condenação de Lula a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz Sergio Moro, estava num almoço de amigos com Frei Chico, irmão mais velho do ex-presidente, que comemora 75 anos nesta quarta-feira.

Tentamos falar com ele, mas não conseguimos. Nem tínhamos o que dizer, na verdade, apenas mandamos um abraço.

Se pudesse, não escreveria nada agora, mas meu ofício de blogueiro me obriga a comentar o principal assunto do dia.

Somos amigos há mais de 40 anos e Lula é para mim como se fosse irmão, pouco mais velho.

Deve ser um motivo de alívio para a parte do Brasil que cultiva um desprezo profundo ao ex-operário, retirante nordestino, líder sindical, fundador do PT, que ocupou a Presidência da República por oito anos e saiu do Palácio do Planalto com mais de 80% de aprovação nas pesquisas.

Num dos seus últimos fins de semana no Palácio da Alvorada em Brasília, no final de 2010, perguntei-lhe se pretendia ser candidato novamente em 2014.

Lula achou graça, e desdenhou dessa possibilidade, argumentando mais ou menos assim:

"Você acha que eu sou louco? Primeiro, que está muito longe, eu não sei se poderia ganhar. Se ganhasse, quem me garante que poderia repetir o governo que fiz, e sair com este apoio popular? Deixa a Dilminha lá, é a vez dela".

A última vez que nos vimos foi no hospital e depois no velório de Marisa.

Apesar do longo convívio, nunca consegui entender a razão de tanto ódio dos que queriam vê-lo preso, impedido de ser novamente candidato.

A sentença agora anunciada oficialmente era a notícia mais aguardada do ano. Certamente, não deve ter causado surpresa para ninguém.

Vida que segue.

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