Mito que virou Mico leva Tricolor ao maior vexame

Rogerio Ceni durante derrota do São Paulo nesta quinta (11), no estádio do Morumbi (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

Nas redes sociais, bastaram apenas quatro meses como técnico para o Mito, como era chamado Rogério Ceni pela torcida do São Paulo, virar o maior Mico da história do clube (veja os memes pedindo a cabeça do treinador aqui no R7) .

Pior do que o bisonho futebol exibido em campo ao ser eliminado pelo Íbis argentino, que nunca havia jogado fora do seu país, em pleno Morumbi, na primeira fase da Copa Sul-Americana, foi a entrevista concedida pelo técnico após o vexame de quinta-feira, que só ele não viu.

"Não acho que tenha sido um vexame", foi logo dizendo aos incrédulos repórteres, com a habitual arrogância de quem nega a realidade e se acha o dono do mundo.

De mãos nos bolsos do finíssimo terno escuro, o antigo ídolo tinha saído do campo de cabeça baixa, sem falar com ninguém, mas não perdeu a pose na entrevista.

"A culpa pelos resultados é sempre minha, que escolho os jogadores e aceitei trabalhar com esse grupo", admitiu, tentando aparentar uma falsa humildade.

Também, iria botar a culpa em quem pelo desastre coletivo? No pobre juiz, que era fraco mas não influiu no resultado? Na diretoria, que o contratou e banca? Nos jogadores, que ele mesmo escalou?

Em vez de simplesmente pedir desculpas à torcida, tentou mostrar mais uma vez que está no caminho certo, apesar da terceira eliminação seguida do São Paulo este ano, recitando números tirados da sua prancheta high-tech.

"O que importa é o nosso desempenho no dia a dia. E nossos números de 57% de aproveitamento são melhores do que os dos últimos técnicos que passaram por aqui. Hoje não posso considerar entre os nossos melhores jogos, mas não foi o pior na minha avaliação".

Que beleza!, como diria o Milton Leite... Com um técnico principiante tão bom em estatísticas e avaliações, a torcida pode se preparar: o São Paulo é sério candidato a cair para a Segundona no Brasileirão.

Seria mais uma conquista inédita desta diretoria tão medíocre e onipotente quanto seu técnico. Nasceram um para o outro.

Basta ver o que disse o novo diretor de futebol, Vinicius Pinotti, que saiu em defesa de Rogério Ceni:

"O resultado não é o que a gente esperava, é decepcionante [não diga...], mas o apoio é total ao trabalho, a gente acredita em continuidade".

E garantiu: "Ele não veio para passar quatro meses e sair. Isso é bobagem. Ele é inquestionável!"

Será que esses cartolas chiques ainda não descobriram as redes sociais para saber o que os torcedores, que pagam o ingresso, pensam disso?

Sem nunca ter treinado um time na vida, depois de passar um ano fazendo estágios e tirando fotos em grandes clubes da Europa, de onde trouxe seus dois auxiliares técnicos, um inglês e um francês, o Mito que virou Mico continua escalando Lucão, Bruno e Neilton, e acha que pode dar certo.

Melhor faria Rogério Ceni se pedisse para fazer um estágio com Fabio Carille, o modesto técnico do Corinthians, que também está começando, já conquistou o Campeonato Paulista, depois de eliminar o São Paulo,  classificou o clube para a próxima fase da Copa Sul-Americana e está invicto há 13 jogos.

Vida que segue.

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