Às vésperas da decisão da Câmara para autorizar ou não a abertura de um processo no STF contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, a população continua em obsequioso silêncio dedicada aos seus afazeres.

A guerra política que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, apenas um ano atrás, mudou de quartel: saiu das ruas barulhentas para as silenciosas redes sociais.

Ao contrário das ruas ocupadas por multidões de manifestantes a favor ou contra o governo, com transmissão ao vivo pela televisão, a disputa agora se trava no escurinho dos gabinetes de Brasília e dos donos do mercado.

Não se ouvem mais panelaços, não há mais trios elétricos, discursos inflamados contra a corrupção, bonecos de presidiários nem patos amarelos enfeitando os protestos.

Nestes tempos de pós-verdade e fake-news triunfantes, argumentos deram lugar a ofensas, e não há mais diálogo, apenas monólogos digitados com fúria e rancor.

Cada um vê e escreve o que quer, inventa a estatística com os números que bem entender para defender o seu lado e destruir o outro.

Para uns, o país começa a melhorar, a retomada da economia está logo ali adiante, basta ter um pouco de paciência.

Para outros, não há mais salvação possível, o país está destruído, sem perspectivas de melhorar tão cedo.

Coxinhas e mortadelas, em número cada vez menor, ainda ficam discutindo na blogosfera e nos botecos quem roubou mais ou menos, quando a corrupção começou, o que é caixa dois do bem ou do mal, quem deve ser preso e quem merece ser inocentado.

Há várias semanas, a discussão política se resume a saber se haverá ou não quórum na quarta-feira para decidir quem fica no Palácio do Planalto até o final de 2018.

Para a imensa maioria dos brasileiros, tanto faz, a julgar pelo seu desinteresse em acompanhar esta guerra política sem fim.

No que tudo isso vai dar, ninguém sabe.

Vida que segue.

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