Com a crescente desmoralização do Executivo e do Legislativo, o vazio de poder e de lideranças políticas foi rapidamente ocupado por dois espaçosos

 Nas mãos de Gilmar & Janot: quem manda aqui?

Os ministros Gilmar Mendes e Rodrigo Janot (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

representantes do Judiciário.

Tudo agora está nas mãos do presidente do TSE e ministro do STF, Gilmar Mendes, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Eles estão em todas, tudo depende deles, só se fala neles.

São eles que mandam prender e soltar, cassar ou não cassar mandatos, determinam o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode, quem vai ser condenado ou absolvido _ e sem a obrigação de cumprir prazos.

Como força auxiliar, o novo poder de fato do Judiciário conta com o amparo da mídia, tendo na retaguarda a força-tarefa do juiz Sergio Moro em Curitiba.

Não há prazos para a PGR enviar os inquéritos com as delações da Odebrecht para o STF.

E não há prazos para o ministro-relator, Edson Fachin, analisar os inquéritos, quebrar sigilos e divulgar a Lista de Janot 2.

Isto é só o começo porque também não há prazos para acabar a dança de roda entre o STF e a PGR, com o pedido de novas investigações para comprovar as acusações feitas pelos delatores contra dezenas, talvez centenas de políticos.

Basta lembrar que os 900 depoimentos feitos pelos 77 delatores no final do ano passado foram tomados pela PGR e depois enviados ao STF para serem homologados.

Neste meio tempo, morreu o ministro-relator original, Teori Zavascki, e a homologação foi feita pela presidente do STF, Carmem Lúcia, que devolveu tudo para a PGR, a recessão bateu recorde histórico e o número de desempregados já se aproxima de 13 milhões.

Agora, o país espera, desde antes do Carnaval, que Janot mande sua lista de volta para o STF, onde tudo vai recomeçar.

No Congresso e no Planalto, neste momento, só se discute reforma política com o objetivo de anistiar o Caixa 2 e encontrar novas formas de financiamento de campanhas, com a participação do presidente do TSE, Gilmar Mendes.

No último domingo, ele se reuniu com ministros e caciques do PMDB e PSDB na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e depois foi ao Palácio do Jaburu para se encontrar com o presidente Michel Temer.

No Tribunal Superior Eleitoral, enquanto o relator Herman Benjamim ouve delatores e prepara seu voto, ao que tudo indica a favor da cassação da chapa Dilma-Temer, prepara-se uma dança das cadeiras de ministros.

Se todas as manobras comandadas por Gilmar Mendes no TSE fracassarem, ele marcar o julgamento e o mandato de Temer for cassado, resta ainda para a defesa do presidente apelar ao Supremo Tribunal Federal.

E lá também estará o ministro Gilmar Mendes para pedir vistas do processo, sem prazo para devolvê-lo, como já aconteceu tantas outras vezes.

Assim se chegará ao final do mandato de Michel Temer em 2018 e todo o processo no TSE ficará sem efeito.

O poder de Gilmar & Janot pode ter vida longa. Ministros do STF, graças à PEC da Bengala, só se aposentam com 75 anos e Rodrigo Janot pode concorrer em setembro a um terceiro mandato à frente da Procuradoria Geral da República.

A grande vantagem dos dois é que eles não precisam disputar o voto dos eleitores nas urnas, como acontece nos poderes Executivo e Legislativo. Estão acima desses prolegômenos do processo democrático.

Mais do que nunca, está valendo a velha lição da oligarquia brasileira: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Quem não estiver satisfeito que reclame na Justiça.

Vida que segue.

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