Abre Novo ciclo: o que une Trump, Doria e Justus

Os três já foram ou são apresentadores de programas de televisão.

São empresários do ramo de comunicação e eventos, entre outros negócios.

Ficaram muito ricos e querem mais. Querem o poder político, sem intermediários.

Nunca tinham sido candidatos antes e se apresentam como gestores apolíticos.

Um é prefeito de São Paulo, outro quer ser presidente do Brasil e o terceiro assume no dia 20 a presidência dos Estados Unidos.

Serão apenas coincidências ou a expressão de um novo ciclo político em que os candidatos são seus próprios marqueteiros?

Foi-se o tempo dos Dudas e Santanas contratados a peso de ouro para embalar candidaturas?

Trata-se de um fenômeno passageiro ou pode significar o ocaso das velhas democracias representativas baseadas em partidos políticos e programas de governo?

A campanha do inacreditável showman político Donald Trump, contestada até no seu próprio partido, pode ser resumida numa única frase para qualquer problema dos eleitores:

"Vote em mim que eu resolvo, eu sou a solução".

Em seu primeiro dia como prefeito de São Paulo, João Doria vestiu-se de gari e empunhou uma vassoura para criar a "cidade linda".

Ainda não se sabe o que Trump fará logo depois da posse, mas já dá para imaginar pelos tiros para todo lado que ele tem disparado no twitter.

Sabemos que a política é feita de palavras, ações, gestos, mas principalmente de símbolos. E agora também em 140 caracteres...

Nos tempos em que não havia redes sociais nem marketing político, no começo da primeira década da segunda metade do século passado, outro prefeito atípico de São Paulo, Jânio Quadros, já tinha recorrido ao símbolo da vassoura.

Também Jânio não dava bola para partidos e chegou a presidente da República, mas durou pouco no cargo.

Ninguém lembra qual era seu partido, nem quem fez sua propaganda _ o marqueteiro era ele mesmo, um precursor da política-espetáculo.

No embalo das bem sucedidas campanhas de Trump e Doria, surgiu, no final do ano passado, a possível candidatura presidencial de Roberto Justus, também empresário e sem vida política anterior.

Chairman do grupo Newcomm e apresentador da Rede Record, Justus tem 61 anos, quatro filhos e é paulistano como Doria. Não é filiado a nenhum partido.

"Roberto Justus admite possibilidade de disputar presidência do País", informou a Coluna do Estadão em novembro, com as primeiras declarações do empresário sobre o assunto que já começava a pipocar na imprensa:

"Eu nunca pensei nessa coisa de política na minha vida, mas ultimamente eu tenho pensado sobre isso. Quem sabe, não sei, porque é uma mudança de vida. É você dedicar a sua vida ao país".

No começo de dezembro, a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, confirmou: "Roberto Justus está levando a sério a intenção de ser candidato a presidente da República em 2018. Em princípio, pelo PMDB".

É bom lembrar que, no início de suas campanhas, também ninguém levava muito a sério as candidaturas de Donald Trump e João Doria, talvez nem eles próprios, guardando-se as devidas proporções e circunstâncias.

Para se ter uma ideia de como hoje em dia tudo é possível e as novidades se espalham rapidamente pelas redes, ao clicar "Roberto Justus presidente" no Google encontrei 390.000 citações sobre o assunto.

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