kotscho1 O que podemos esperar de bom no ano que vem?

O otimista é um tolo.

O pessimista, um chato.

Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

(Ariano Suassuna)

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A pergunta do título pode até soar como galhofa diante da enxurrada de previsões apocalípticas de economistas e cientistas políticos para o próximo ano.

Para que o pior não aconteça, e possamos esperar algo de novo e de bom no ano que vem, a primeira coisa a fazer é parar de falar que a situação ainda vai piorar muito antes de começar a melhorar.

Até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou nesse clima de pessimismo galopante. Na quarta-feira, antes de uma audiência com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ele  lascou esta: de tão duro que foi o ano, 2016 vai construir um muro para não deixar 2017 chegar.

Se todo mundo pensar e falar assim, aí é que não tem jeito mesmo: a profecia acaba se auto-realizando.

Na contra-mão deste sentimento negativo, o amigo Raul Martins Bastos me mandou alguns versos do jovem poeta espanhol Alfredo Cuervo Barreiro:

É proibido chorar sem aprender

Levantar-se um dia sem saber o que fazer

Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas

Não lutar pelo que se quer

Abandonar tudo por medo

Não transformar sonhos em realidade. 

Sei que não é fácil encontrar no horizonte respostas para a questão que levantei na abertura deste texto, mas não custa nada tentar.

É como jogar na loteria sem pagar a aposta, só para poder sonhar e não pensar em coisas negativas.

Da minha parte, espero no ano que vem poder ir mais ao meu sítio para brincar com os netos do que ao Sírio para cuidar dos achaques da saúde.

Espero poder  ir mais ao bar para ver os amigos e jogar conversa fora do que frequentar a farmácia para comprar remédios.

Espero ter mais ânimo, como recomenda o poeta, para transformar sonhos em realidade.

São sonhos singelos como descobrir onde se esconderam as pessoas que falavam de novos projetos, riam de si mesmas, brincavam umas com as outras, eram felizes só pelo prazer da companhia.

Sim, eu sei que estas coisas não dependem só de nós, mas dos que mandam no mundo à nossa volta, e que não andam se comportando muito bem.

Também sei que é impossível ser feliz sozinho, mas se a gente não ajudar um pouco não seremos e não faremos os outros mais felizes.

Bom seria também se as pessoas sorrissem mais, falassem mais baixo, respeitassem os horários de silêncio e fizessem menos barulho. Som alto e cara feia não ajudam.

Estou falando de coisas simples que não exigem dinheiro nem medidas provisórias. Estas, por exemplo, dependem só de nós.

Claro que, se baixar uma luz repentina nos nossos homens públicos, esta agonia sem fim pode ser abreviada e seria mais fácil sonhar com dias melhores.

O que podemos esperar de bom, por exemplo, é antecipar a convocação de eleições gerais. Digo gerais mesmo, de cabo a rabo, para começar tudo de novo, sem a participação dos atuais manda-chuvas.

Já vimos que não adianta só trocar o presidente. Com este Congresso, o pior que já tivemos, o país tornou-se ingovernável. Todo o sistema político-jurídico-midiático-corporativo faliu.

Precisamos inaugurar um novo ciclo, fazer de uma vez  todas as reformas que são urgentes. Não dá mais para administrar uma crise deste tamanho no varejo dos acordões e mini-pacotes.

Quem teria a grandeza de levantar esta bandeira, perguntarão vocês?

Não será, certamente, uma só pessoa, um salvador da pátria. Também já vimos que isso não dá certo.

Esta é uma tarefa para todos nós, como aconteceu em 1984. Em meio à desesperança geral, nos estertores da ditadura militar, o Brasil inteiro foi às ruas e praças do nosso país para lutar pelo retorno da democracia.

Custou, demorou, mas retomamos o direito de decidir nosso destino.

No começo, ninguém acreditou que era possível. Foi um jovem deputado do Mato Grosso, chamado Dante de Oliveira, quem apresentou a Emenda das Diretas, que acabou ganhando seu nome. Achavam que ele era maluco.

Sim, caros leitores, sei que o tempo não volta, e hoje as circunstâncias são outras, mas quem sabe não aparece em 2017 um outro maluco sonhador? Milagres acontecem. A gente só precisa ajudar um pouco.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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