Oposição volta às ruas contra Temer na quarta

Manifestação na Avenida Paulista na semana passada (Foto: Futura Press/Folhapress)

Sai semana, entra semana, e continua todo mundo à espera da Lista do Janot 2, mas a vida continua fora de Brasília, embora não sobre espaço no noticiário da grande imprensa.

Descobri por acaso que, para esta quarta-feira, estão previstas manifestações inaugurais da temporada de protestos 2017.

Na última quinta-feira, 21 categorias de trabalhadores reunidas no Sindicato dos Metroviários de São Paulo aderiram ao Dia Nacional de Paralisações convocado pelas centrais sindicais contra a reforma da Previdência do governo Temer.

Motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, bancários, funcionários dos Correios, da saúde, metalúrgicos e servidores públicos devem paralisar os serviços total ou parcialmente, segundo a Rede Brasil Atual.

A paralisação dos ônibus deverá ser parcial, entre zero hora e oito da manhã de quarta, enquanto professores devem parar o dia todo também em outras cidades do país, de acordo com a convocação feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Será o primeiro teste para medir a força dos movimentos de oposição ao governo de Michel Temer, cujos protestos vêm se esvaziando desde o impeachment de Dilma Rousseff no ano passado.

No dia 26 de março, um domingo, voltarão às ruas os movimentos pró-impeachment liderados por Vem Pra Rua e Brasil Livre, que pretendem fazer manifestações em todo o país contra a corrupção e a favor da Lava Jato.

Quem vai mobilizar mais gente nas ruas? Durante o carnaval, em várias cidades do país, já haviam sido registrados protestos espontâneos de "Fora Temer".

Nas redes sociais, o governo está perdendo a batalha, como mostra levantamento feito com exclusividade para o jornal espanhol El País pela empresa de inteligência digital Veto.

Durante todo o mês de fevereiro, 89% das manifestações relacionadas a Temer no Facebook e Twitter foram negativas para o presidente, "independentemente do perfil político do usuário".

Em maio de 2016, quando assumiu como presidente interino, a imagem de Temer era positiva para 30% dos usuários, segundo a mesma empresa. Este número caiu agora para 11%.

A agenda política em Brasília para esta semana não está mais nas mãos dos presidentes da Câmara e do Senado. Depende da divulgação ou não da lista do procurador-geral Rodrigo Janot.

Em tempo (atualizado às 17h10): 

A assessoria de imprensa da CUT Nacional informou no final da tarde desta segunda-feira que, além de paralisações nos locais de trabalho, as centrais sindicais e movimentos sociais farão atos públicos em diversas cidades contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Em São Paulo, a manifestação está marcada para a avenida Paulista, a partir das 16 horas, com a presença do ex-presidente Lula, do presidente nacional da CUT e diversas lideranças dos movimentos sindical e social.

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