Beto Richa é o modelo tucano em estado bruto

Manifestante ferido no Paraná

Aos que não se conformam até hoje com a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, o modelo adotado pelo governador tucano Beto Richa para enfrentar uma greve de professores no Paraná, na última quarta-feira, dá uma boa ideia do que poderia estar acontecendo no Brasil se Aécio Neves tivesse saído vencedor.

Os mais de 200 feridos ao final do ataque desfechado pela Polícia Militar de Richa são o retrato em estado bruto de uma forma de governar tornada padrão pelo PSDB, que já vimos também aqui em São Paulo, durante os protestos de junho de 2013, contra o aumento das passagens de ônibus.

As imagens de balas de borracha, sprays de pimenta e jatos d´água usados contra cerca de 15 mil manifestantes durante mais de duas horas, enquanto o governador permanecia em seu gabinete e alguns colaboradores comemoravam os ataques dos policiais, poderiam refrescar a memória dos que querem voltar ao tempo em que protestar contra o governo era correr risco de vida.

Até agora, os caciques tucanos e seus porta vozes acadêmicos e midiáticos, sempre tão falantes e inquisidores quando se trata de criticar o governo da presidente Dilma Rousseff, não se manifestaram para condenar a selvageria de Curitiba, que a grande imprensa chamou de confronto, mas na verdade terminou num massacre da PM contra os professores em greve. Cadê Aécio? Cadê FHC? Cadê Serra? Cadê os seus juristas de plantão? Cadê a indignação cívica?

Candidamente, no melhor estilo tucano, o governador Beto Richa alegou que a PM apenas reagiu aos ataques de black-blocs que tentavam invadir a Assembléia Legislativa. Para prender sete baderneiros _ bem menos do que os 17 policiais presos por se recusarem a atacar os professores _ colocaram em risco a segurança de milhares de pessoas e assim, democraticamente, conseguiram aprovar um projeto do governador que tira direitos dos trabalhadores, às vésperas deste triste 1º de Maio, o mais melancólico destes últimos anos.

Está ruim, mas poderia estar muito pior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

redesvale Civilidade é o novo desafio das redes sociais

Metade da população brasileira, segundo o IBGE, já tem acesso às redes sociais em suas diferentes plataformas _ e esta é uma notícia muito boa. Estamos cada vez mais conectados ao mundo digital que provocou a maior revolução nas comunicações humanas deste a criação da imprensa, mais de 500 anos atrás.

O grande desafio que se coloca agora é discutir de que forma utilizamos este fantástico instrumento de interação e democratização, em que todos nos tornamos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações e opiniões.

Qualquer meio de comunicação pode ser usado para o bem ou para o mal _ e, não, ser considerado um bem ou um mal em si mesmo.

Como se trata de fenômeno relativamente recente em nosso país, muita gente ainda não sabe exatamente para que serve a internet e de que forma pode ajudar ou não a nos tornarmos um país mais civilizado.

Civilidade: acho que esta é a palavra certa para definir o que devemos buscar agora nas redes sociais que se multiplicam sem parar, fora de qualquer regra ou controle. Há tempos não ouvia falar nesta palavra, que revi num texto do repórter Vinícius Mendes, publicado na revista "Brasileiros" de abril, sobre o engenheiro Michel Friedhofer, criador da página Um Convite à Civilidade no Facebook.

Friedhofer trata da civilidade não especificamente na internet, mas de uma forma geral das relações com os outros no nosso comportamento cotidiano. "Indignado com atitudes incorretas incorporadas ao dia a dia, o engenheiro Michel Fiedhofer convida as pessoas a praticarem civilidade. Para ele, pequenos desvios de comportamento são elementos vitais para a corrupção em larga escala", escreveu Mendes na abertura da matéria, que vale a pena ler.

Achei ótima a ideia. Está na hora de resgatarmos antigos valores no relacionamento humano que nada têm a ver com novas tecnologias. O lado negativo da rápida expansão das redes sociais é que elas servem também para mostrar o baixo nível cultural e educacional dos seus usuários. E neste ponto o quadro revelado pela internet é bastante preocupante.

Basta dar uma navegada nos comentários publicados por internautas em toda parte, dos grandes portais jornalísticos aos blogs pessoais. Sem qualquer moderação ou cuidado por parte de seus responsáveis, boa parte dessas mensagens lembra mais as portas de banheiros em locais públicos, onde se despejam ofensas e baixarias oferecendo o que o ser humano pode produzir de pior, da intolerância ao racismo, da ignorância à total falta de civilidade.

Nestes dez anos de trabalho na internet, não tenho do que me queixar pessoalmente, pois melhorou muito o nível dos comentários enviados ao Balaio, que leio um por um antes de publica-los. Cada vez menos sou obrigado a utilizar a tecla "delete", única forma de evitar que o ambiente fique contaminado, afastando leitores mais interessados em refletir sobre os temas propostos pelo blog e menos em agredir os que pensam de forma diferente. Sou muito grato por isso aos que me acompanham diariamente.

Aqui e em outros espaços, às vezes tenho a impressão de que muitos nem se dão ao trabalho de ler os textos antes de enviarem suas opiniões definitivas sobre qualquer assunto. Dão uma rápida olhada nos títulos e já começam a digitar qualquer coisa, mais rápido do que conseguem pensar, escrevendo sempre as mesmas coisas, a favor ou contra os mesmos alvos, sem muita preocupação com a gramática, a lógica e o bom senso.

São os prazeres e as dores desse crescimento da internet que, se de um lado, oferecem um formidável e rápido acesso a tudo o que a humanidade já produziu de melhor em todas as áreas, de outro, liberam os piores instintos dos que ainda têm dificuldades para conviver com o pensamento alheio e a democracia, ainda mais num clima de alta beligerância como o que vivemos atualmente no Brasil.

Como dotar as redes sociais de mais civilidade é um bom tema para refletirmos neste feriadão. Vai fazer bem para todos nós, cidadãos internautas.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 O drama de ficar sem trabalho por trás dos números

São poucas as coisas que efetivamente sabemos sobre os efeitos que produz um ajuste fiscal. A primeira é que eles sempre afetam o nível do PIB e distribuem os custos de forma desigual entre os trabalhadores, os empresários do setor real e os intermediários financeiros (Antonio Delfim Netto, na Folha).

 

Ainda bem que nunca passei por isso, graças a Deus. Nos meus 51 anos de carreira como jornalista, nunca fui demitido nem fiquei um dia sem trabalho. Sou um caso cada vez mais raro, eu sei.

Os números negativos divulgados pelo IBGE nesta terça-feira sobre aumento de desemprego e queda na renda dos trabalhadores no primeiro trimestre escondem dramas pessoais e familiares dolorosos que vão muito além das dificuldades financeiras momentâneas. Este é o lado mais desumano e injusto dos efeitos causados pela crise econômica.

Ficar sem trabalho mexe com a autoestima, altera a rotina das famílias, leva-as a refazer ou cancelar planos, a adaptar-se rapidamente a uma nova e cruel realidade que não tem prazo para acabar.

É uma bola de neve que começa nas casas e vai atingindo o comércio da vizinhança, os prestadores de serviços, os fornecedores das indústrias, as lotéricas, o vendedor de milho cozido, até chegar à próxima projeção do PIB.

Não tem outro jeito: quem fica sem salário no fim do mês precisa rapidamente decidir quais despesas podem ser cortadas e buscar outras fontes alternativas de renda, pois este é o único caminho possível nesta hora.

Enfrentar os custos desiguais de um ajuste fiscal, como ensina o professor Delfim, torna-se um desafio para 1,5 milhão de brasileiros sem trabalho, que poderiam lotar 20 Maracanãs, um número que vem crescendo de um mês para outro este ano.

Cabe ao governo federal, claro, utilizar todos os instrumentos para cortar as próprias despesas, melhorar as receitas e redirecionar os investimentos, contemplando setores capazes de gerar empregos a curto prazo e em larga escala.

Por exemplo: destinar mais financiamentos do BNDES a pequenas e médias empresas, e não só para grandes grupos econômicos. No macro e no micro, é preciso mudar prioridades _ nos governos, nas empresas e nas famílias, ter a coragem de abrir mão de alguns confortos e certezas, mudar os hábitos dos tempos de fartura.

Embora ainda não tenha acontecido comigo, a experiência de muitos amigos e parentes que já passaram por isso nos mostra que ficar sem trabalho e renda de um dia para outro passa por dois momentos distintos.

O primeiro, após o choque, mobiliza a solidariedade da família e dos amigos para ajudar quem ficou nesta situação, mas isso sempre tem um limite para quem vive só do seu trabalho e não tem outras rendas, como é o caso da maioria dos brasileiros assalariados.

Caso esta situação se prolongue _ e nada indica no atual cenário da economia brasileira melhora a curto prazo _ a questão deixa de ser só financeira e abala a autoconfiança do cidadão desempregado, que pode se achar culpado pelas dificuldades que enfrenta e fica com vergonha de pedir ajuda.

Este é o momento mais difícil. O desempregado precisa estar aberto a mudar de cargo ou função, aceitar ganhar menos e trabalhar mais, o que nunca é fácil para ninguém. A melhor forma de entender o que está acontecendo por trás dos números da economia é se colocar no lugar do outro, mas só a compaixão não resolve.

***

A fome tem nome

Em maio de 1984, no final do governo de José Sarney, quando vivíamos dificuldades análogas às atuais, os editores da Folha me pediram para fazer uma reportagem sobre desemprego que não se limitasse a teses e estatísticas mas mostrasse o dia-a-dia de uma família em que o marido e a mulher estavam desempregados. Reproduzo abaixo um trecho da matéria publicada no meu livro A Prática da Reportagem (Editora Ática, 1985):

 

A família Lima mora na favela Cinco de Julho, em São Mateus, a meia hora de carro do centro de São Paulo. É aqui, nesta casa de dois cômodos, escura mesmo de dia, sem água há meses por falta de pagamento, sem gás para o fogão por falta de dinheiro, que terminam todas as histórias de recessão, desindexação, carta de intenções com o FMI, reaquecimento da economia, balanço de pagamentos, recorde de exportações, inflação, nível de emprego, e tudo o mais que a família Lima pode não entender direito, mas sofre na carne.

Há quatro meses, a família Lima passa fome, literalmente. A mulher, Ana Maria Rocha de Lima, 34 anos, está desempregada desde outubro do ano passado. Em dezembro, chegaria a vez do seu marido, José Luis Souza Lima, 38 anos, paulista de Cravinhos, laminador de fibras de vidro.

"Se trabalhando já estava difícil, imagina agora", diz Ana Maria.

Como é ter fome, o que você sente quando quer comer e não tem nada em casa?, pergunto à filha deles. Envergonhada como o pai, Claudilene, de 8 anos, fala baixinho:

"Eu fico quieta. Quando dá fome, eu sinto tontura...".

A mãe ouve e começa a chorar, o pai vira o rosto e fica olhando para o vazio. "Pior é a Claudinéia... Quando chega uma certa hora e ela vê que ninguém vai para o fogão, não vê panela, senta ali naquela cadeira e chora, e chora. Tem vez que vou pedir ajuda pros vizinhos. Sempre tem aquele que tem um pouco mais e reparte. Um dia ou outro já dá pra fazer isso, mas todo dia não dá, porque eu sei que todo mundo tá com a vida dura também".

Qual seria o grande sonho dessa família, o que eles fariam com o dinheiro, se amanhã, por uma bondade do destino e dos tutores da Nação, José Luis e Ana Maria arrumassem um emprego? A pequena Claudilene responde antes dos pais:

"A gente comprava bastante comida, né mãe?..."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 Dilma nada tem de bom para anunciar neste 1º de Maio

Dilma em seu discurso após a vitória no segundo turno, em 2014...

Passaram-se apenas seis meses, lembram-se?, desde que Dilma Rousseff foi reeleita presidente da República, em 26 de outubro de 2015.

De lá para cá, mudou tudo, e o país virou de cabeça para baixo. Maioria virou minoria, base aliada agora é oposição, o PMDB de Michel Temer assumiu o comando político e, Joaquim Levy, o da economia, fazendo tudo ao contrário do que a presidente prometeu na campanha. A popularidade da presidente caiu em parafuso.

dilma22 Dilma nada tem de bom para anunciar neste 1º de Maio

...e Dilma em 2015

Dilma, que já foi chamada de rainha por seu marqueteiro João Santana, chega ao final de abril completamente perdida em seu labirinto, sem mais ter para onde correr, depois de abdicar dos poderes imperiais do primeiro mandato e implantar a contragosto uma monarquia parlamentarista com figuras como Eduardo Cunha e Renan Calheiros se digladiando para ver quem manda mais.

A tal ponto chegamos que a presidente Dilma não está em condições nem de ir para a TV fazer o tradicional pronunciamento de 1º de Maio. Resolveu se manifestar apenas pela internet, mas com isso pode estar só transferindo os panelaços das varandas e das ruas para as redes sociais, que já estão se mobilizando.

Além de motivos para temer novos protestos se botar a cara na televisão, o fato concreto é que Dilma não teria neste momento nada de novo e de bom para dizer aos trabalhadores. O que é bom não é novo e o que é novo neste governo Dilma-2 não é bom.

Muito ao contrário, como revelam novos números divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. O desemprego subiu para 6,2% da população economicamente ativa, a quarta alta seguida, maior índice dos últimos quatro anos anos. De março de 2014 a março deste ano, 280 mil pessoas perderam o emprego. No mesmo  período, a renda dos trabalhadores sofreu uma queda de 3%, a maior em 12 anos.

Na direção oposta, sinalizando para onde sopram os ventos, o banco Santander anunciou que seu lucro cresceu 32% no primeiro trimestre, chegando a R$ 684 milhões. E o tal do ajuste fiscal do Levy, o único projeto do novo governo até agora, ainda nem foi aprovado.

Até a própria crise entrou em crise, deixando o governo de lado, com vários conflitos paralelos deflagrados ao mesmo tempo no Congresso Nacional, entre Renan e Cunha, Senado e Câmara, PSDB da Câmara e PSDB do Senado.

As oposições, que jogaram tudo no impeachment, a reboque das manifestações de rua do "Fora Dilma", agora também não sabem para onde vão e não têm o que dizer no palanque de 1º de Maio montado pelo aliado Paulinho da Força, que será julgado hoje no STF.

A confusão é tão grande que agora é o PMDB quem quer diminuir o número de ministérios, depois de ficar se escalpelando internamente para ver quem ficava com o Turismo, e Renan virou defensor dos trabalhadores contra a terceirização de Cunha a serviço dos empresários. O PT e Lula sumiram.

Não tem perigo de melhorar. E Dilma a tudo assiste, impassível, como se o mundo estivesse sob controle, sem dar o menor sinal de para onde pretende levar seu governo, além do ajuste fiscal, que continua emperrado, enquanto todos os partidos perdem força para as bancadas suprapartidárias lideradas pelo presidente da Câmara, formadas apenas em torno de grandes interesses econômicos conhecidos e outros menos republicanos.

De reunião em reunião, a presidente vai ocupando sua agenda, esperando o tempo passar para ver se esquecem dela, mas é difícil. Depois de dez horas de reunião com seus ministros, no sábado, para discutir concessões e investimentos em infraestrutura, e mais duas, na segunda-feira, com o ex-presidente Lula, nenhuma notícia boa vazou para tornar menos sombrio o cenário deste governo que está completando apenas quatro meses de vida e tem mais quase quatro anos pela frente.

Pobre Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

marin CBF devia proibir TVs de mostrar futebol europeu

Foi uma semana de muito futebol na televisão, esta que passou. Como meu time, o São Paulo, já foi eliminado do Paulistinha, pude acompanhar neste domingo vários jogos sem ficar nervoso nem me irritar, só pelo prazer de ver o esporte mais popular do mundo.

Depois de assistir a algumas partidas da Liga dos Campeões da Europa durante a semana e os melhores momentos das finais dos campeonatos estaduais brasileiros, confesso que me deu vontade de chorar. É covardia. Parece até que o futebol daqui e o de lá são esportes diferentes. Lá, se joga sempre para a frente, em busca do gol; aqui, para os lados ou para trás.

Como já dizia o velho Parreira, gol no futebol brasileiro é detalhe _ um detalhe cada vez mais raro. Pelos resultados, dá para se ter uma ideia da pobreza das finais nos principais Estados. Em São Paulo, o Palmeiras ganhou do Santos por 1 a 0, mesmo placar da vitória do Vasco contra o Botafogo, no Rio. Em Minas, com Atlético e Caldense, e no Rio Grande do Sul, com o Gre-Nal de sempre, os jogos terminaram 0 a 0.

Mais do que resultados, estes números poderiam ser as notas do futebol mostrado pelas oito equipes. Nenhum jogador, nenhum técnico, nenhum time conseguiu se destacar. A mediocridade foi socializada.

E o que mais poderíamos esperar de um futebol que continua sendo comandado pelos Marins e Marco Polos da vida, legítimos herdeiros de Ricardo Teixeira, cartolas bons de negócios, particulares principalmente, mas que ficaram na poeira do campo esportivo?

O que nós vimos nos gramados nativos neste domingo é o retrato da decadência dos seus dirigentes, não muito diferentes dos personagens da cena política de Brasília. Mesmo assim, e apesar da lambança da seleção de Felipão na Copa do ano passado, temos cada vez mais crianças apaixonadas por seus times, que vibram nas vitórias e choram nas derrotas.

Será que ao tratarem do futebol apenas como um comércio _ muito mal administrado, por sinal _ nossos cartolas em nenhum momento são capazes de pensar no sofrimento que provocam nos nossos pequenos torcedores?

Já que não tem outro jeito, e para evitar comparações que só nos humilham e não deixam esperanças, bem que a CBF poderia pensar em proibir as emissoras de televisão de transmitirem jogos dos times europeus.

Aquele trágico 7 a 1 do jogo contra a Alemanha no Mineirão foi apenas o início do fim dos bons tempos em que Pelé e Garrincha, que nunca jogaram na Europa, faziam a alegria do nosso povo. Agora, temos que nos contentar em admirar o futebol dos outros.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

foto 3 Até aonde vai poder paralelo de Cunha e Gilmar?

Cada vez que acompanho pela televisão entrevistas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do ministro Gilmar Mendes, do STF, custo a acreditar no que vejo e ouço. As palavras simplesmente não combinam com a expressão dos rostos, como se eles próprios não acreditassem no que falam e pensem que do outro lado da tela só existam idiotas.

O poder paralelo que os dois criaram e ampliam a cada dia _ diante do vazio político deixado pelo governo e pela oposição, pelo parlamento e pelos partidos _ é tamanho que Cunha e Gilmar não se vexam de partir para o deboche. Só pode ser. Fica até difícil identificar quem é um e quem é outro que está falando, de tal forma eles estão afinados numa parceria a serviço do conservadorismo mais retrógrado e arbitrário reinante no país, com o apoio entusiasmado dos conglomerados da grande mídia reunidos no Instituto Millenium.

A dupla está solidamente unida em torno da defesa do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, pela terceirização e precarização do mercado de trabalho, a favor da "PEC da Bengala", que prorroga a aposentadoria dos ministros do STF para 75 anos, e tudo o mais que possa impedir o avanço e promover o retrocesso institucional, político e social do país.

Mandam, simplesmente, no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, as duas instituições que hoje decidem o destino dos brasileiros. Com o poder que acumulam, podem amanhã resolver revogar a Lei Áurea e aprovar a implantação da pena de morte.

Ao sentar em cima do processo que proíbe o financiamento privado de campanhas, depois de pedir vistas há mais de um ano, Gilmar Mendes faz questão de deixar claro que é ele quem determina a pauta do STF e o ritmo das votações, sem ser contestado pelos demais ministros, e que só vai devolvê-lo quando quiser. Quer dar tempo para que Eduardo Cunha aprove antes a reforma política da lavra dele que pretende impor ao país.

Basta ver o que Gilmar disse durante palestra feita em São Paulo na sexta-feira: "A ação voltará ao plenário, estamos examinando todos os aspectos. É uma matéria bastante complexa, talvez estejamos dando uma resposta muito simples. Nós temos que saber antes o que o Congresso está discutindo, qual é o modelo eleitoral, para saber qual é o modelo de financiamento adequado".

Cinismo e hipocrisia à parte, o fato é que o STF já tinha decidido esta questão por ampla maioria (6 a 1), proibindo o financiamento empresarial, quando Gilmar Mendes pediu vistas e assim impediu que o processo chegasse ao final da votação.

Não é difícil entender tanto empenho da dupla em manter a situação atual, que está na raiz de todos os escândalos de corrupção de todos os governos nesta relação promíscua entre o poder público e as grandes empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato. Pois é exatamente daí que vem o poder do ministro e do deputado, sempre a serviço dos grandes grupos econômicos contra o interesse dos trabalhadores.

"O projeto que a Câmara mandou ao Senado mostra, na prática, um Congresso terceirizado aos interesses dos financiadores de campanha", disse muito bem, resumindo a opera, o deputado Rubens Jr. (PC do B - MA), ao criticar o projeto de lei que permite as terceirizações também nas atividades-fim das empresas, aprovado esta semana na Câmara, como queriam as entidades empresariais defendidas por Cunha.

O Senado Federal acaba sendo o único obstáculo para impedir que o poder paralelo de Cunha e Gilmar se transforme em poder absoluto. Por isso, não contente em controlar a Câmara com mãos de ferro, a bordo da bancada suprapartidária que ajudou a eleger em outubro, agora Cunha quer mandar também no Congresso Nacional, o que provocou a imediata reação de Renan Calheiros, presidente do Senado, dando início a uma guerra verbal entre os dois caciques peemedebistas.

Renan, que não descarta segurar o texto da terceirização no Senado até o final do seu mandato na presidência, em janeiro de 2017, deixou claro: "Do jeito que foi aprovada na Câmara, a proposta representa uma "pedalada" contra os direitos dos trabalhadores. Vamos fazer uma discussão criteriosa no Senado. O que não vamos permitir é que se aprove nada contra as conquistas dos trabalhadores a toque de caixa. Essa matéria tramitou durante 12 anos na Câmara dos Deputados. No Senado, vai ter uma tramitação normal"

Cunha, retrucando, com uma ameaça: "Pau que dá em Chico também dá em Francisco. Engaveta lá, engaveta aqui. A convalidação dos benefícios na Câmara vai andar no mesmo ritmo que a terceirização no Senado. O que vamos fazer é sentar em cima das coisas deles também".

Após ser alvo de novos protestos, que já se tornaram comuns nas últimas semanas, Eduardo Cunha disse nesta sexta-feira, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que não tem "medo de cara feia". De fato, quem tem de ficar com medo de Cunha e Gilmar somos nós e a jovem democracia brasileira.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

São Paulo 1024x670 Acredite: um dia de boas notícias e esperança

Pode até parecer estranho, quase inacreditável o título desta coluna. Em meio a mais uma enxurrada de más notícias, que podem ser encontradas em todos os jornais e portais, e não vou repetir aqui, eu encontrei duas que me deixaram feliz e renovaram minhas esperanças. Nada como um dia após o outro, com uma noite no meio, claro.

Para começar, depois de levar dois chocolates do velho adversário só este ano, na noite de quarta-feira o São Paulo quebrou uma invencibilidade de 25 jogos do Corinthians e se classificou para a próxima fase da Libertadores. Estava difícil aguentar o corintiano Heródoto Barbeiro...

Já tinha até desistido de torcer pelo meu time,  que dava raiva de ver jogar, sem alma e sem talento, apenas cumprindo tabela. Só resolvi ver o jogo por solidariedade à minha neta Bebel, de oito anos, uma são-paulina fanática que nunca perde a fé e vai dormir com o uniforme do time nos dias de vitória. Pois é, de repente, ganhamos, quando poucos acreditavam que era possível ganhar do imbatível Corinthians de Tite. Ainda bem que as coisas mudam de um dia para outro.

Se assim é no futebol, pode ser também em outras áreas mais importantes num momento em que a desesperança toma conta dos brasileiros. Por uma feliz coincidência, na manhã desta quinta-feira, em que pude finalmente saborear o noticiário esportivo, tinha uma reunião marcada do conselho do "Todos Pela Educação", um movimento criado há quase 10 anos, em outro momento de crise.

Como um dos seus fundadores,  fiquei feliz em mais uma vez encontrar gente disposta a ajudar seu país, sem esperar nada em troca, nesta rara e rica experiência de um trabalho conjunto organizado entre representantes das grandes empresas do país e do poder público, em todos os níveis, com o objetivo nada modesto de garantir educação de qualidade a todos os brasileiros até 2022, ano do bicentenário da Independência.

Faltam apenas sete anos, e temos ainda um longo caminho a ser percorrido para atingir as metas definidas por este movimento formado de voluntários do qual fazem parte empresários, educadores, profissionais liberais e gestores públicos.

Para sabermos o que está sendo feito e o muito que ainda falta, foi criado o Observatório do PNE, programa do governo federal lançado no ano passado, uma iniciativa de 21 organizações ligadas à Educação, sob a coordenação do "Todos Pela Educação", que tem como objetivo monitorar os indicadores referentes às 20 metas do Plano Nacional de Educação e respectivas estratégias. Para obter as informações basta acessar:

www.opne.org.br

A plataforma oferece também análises sobre a situação das metas, desafios e políticas públicas educacionais relevantes, assim como diversos materiais de referência. A intenção é atrair gestores públicos, educadores e pesquisadores e, especialmente, ser um instrumento à disposição da sociedade para que todos possam acompanhar e cobrar o cumprimento do plano.

Para vocês terem ideia de como é possível unir os contrários em torno de uma boa causa, um dos grandes colaboradores deste movimento é justamente o corintiano Heródoto Barbeiro, que hoje não foi à reunião porque certamente estava ainda se recuperando da implacável derrota.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

implicante 300x185 Site anti PT revela modus operandi dos probos tucanosAs informações que vão aos poucos pingando sobre o site "Implicante", contratado por uma mesada de R$ 70 mil paga pelo governo do Estado de São Paulo para atacar o PT nas redes sociais, revelam como funciona o modus-operandi dos probos e intocáveis tucanos paulistas na área da comunicação.

Trata-se de uma verdadeira parceria público-privada-conjugal em que os caciques tucanos agem com a mão do gato na sua cruzada anti-PT. Quem banca a farra, que já dura desde maio de 2013,  no final das contas, somos nós, os contribuintes. Não sai barato: pelo valor da mesada, dá R$ 1.680.000,oo em dois anos.

O esquema foi montado  quando a jornalista Cristina Ikonomidis, ex-secretária adjunta de Comunicação Institucional do ex-governador José Serra, trabalhava na Secretaria de Cultura do governador Geraldo Alckmin.

Na função de chefe de comunicação da Cultura, Cristina estava lá quando a empresa Appendix Comunicação, criada pelo advogado e blogueiro Fernando Gouveia, que usa o pseudônimo "Gravataí Merengue", e é responsável pelo site "Implicante", foi contratado pela Propeg, uma das três grandes agências que cuidam da publicidade oficial do governo Alckmin.

Perdoem-me os leitores, mas a história toda é meio confusa mesmo. Vamos por partes:

* Na semana passada, a Folha deu a primeira matéria sobre o "Implicante", que tem meio milhão de seguidores no Facebook e se especializou em difundir na rede notícias, artigos, memes, vídeos e montagens contra o PT e seus dirigentes, com vigorosa atuação na última campanha presidencial, aquela em que os tucanos tanto reclamaram da baixaria dos adversários. Na versão oficial, a Appendix foi contratada pela Propeg para fazer "revisão, desenvolvimento e atualização das estruturas digitais".

* Nesta quarta-feira, o jornal faz novas revelações: Cristina Ikonomidis, que deixou o governo em setembro de 2013, agora é sócia de Fernando Gouveia na empresa. E mais: pelo menos uma das ordens de serviço que liberaram pagamentos à Appendix foi assinada pelo jornalista Juliano Nóbrega, então secretário adjunto de Comunicação de Alckmin, o mesmo cargo que Cristina ocupara no governo Serra. Detalhe: Juliano é marido de Cristina, que agora é dona de 40% das ações da empresa de Gouveia.

* Nóbrega não soube dizer quem indicou o site do "Gravataí Merengue" para prestar serviços de comunicação ao governo do PSDB e diz que os pagamentos à Appendix faziam parte da sua função. Já o governo do Estado de São Paulo limita-se a terceirizar a responsabilidade, alegando que quem contratou a Appendix foi a Propeg, embora relatórios oficiais, a que a Folha teve acesso, revelem que o blogueiro presta contas diretamente à Subsecretaria de Comunicação, que autoriza os pagamentos à empresa.

Entenderam? É provável que esta "empresa de comunicação" de Gouveia e Ikonomidis não tenha sido a única contratada com as mesmas finalidades pouco republicanas pelas agências que servem ao governo de São Paulo.

Sob o título "Alckmin dá mesada a Dória", o blog do jornalista Paulo Henrique Amorim reproduz hoje contrato da mesma Sub-secretaria de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, sob a rubrica "gastos com publicidade", destinando R$ 595.175,00 à "Doria Editora Ltda.", no período de março a setembro de 2014, o ano eleitoral.

Nada acontece por acaso. Fernando Gouveia, o Gravataí Merengue", a sua sócia Cristina Ikonomudis, casada com Juliano Nóbrega, e o promoter empresarial tucano João Doria Junior, profissionais da mais alta confiança de José Serra e Geraldo Alckmin, não têm mesmo do que reclamar da vida. Só revelam um modo tucano de operar a comunicação antipetista com o dinheiro do contribuinte.

E vamos que vamos. Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

tancredoneves 1024x1024 Lembranças de Tancredo Neves, 30 anos depois

O problema de ser testemunha da história e ficar velho na profissão é que tudo faz muito tempo. Por isso, neste 21 de abril em que registramos os 30 anos da morte de Tancredo Neves, mais uma vez recorro ao meu livro de memórias Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter (Companhia das Letras, 2006), em que o presidente eleito que não chegou a tomar posse é um dos personagens mais citados.

É impossível alguém contar a história deste último meio século do nosso país sem falar do grande articulador político que foi o mineiro Tancredo Neves e do papel fundamental que teve na transição da ditadura para a democracia nos anos 1980.

Tive a oportunidade de acompanhar toda a campanha das "Diretas Já", viajando o país inteiro como repórter da Folha, e depois seguir Tancredo em suas andanças pelo país na disputa que travou com Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, na última eleição indireta para presidente da República.

Dois momentos foram marcantes para mim nesta cobertura e os relembro abaixo, transcrevendo trechos do livro. O primeiro foi já no final da sua campanha, em 1984, em Belém do Pará, quando o encontrei sozinho assistindo à televisão no saguão do hotel, já tarde da noite, depois de participar de uma cansativa procissão da tradicional festa religiosa do Círio de Nazaré. A sua resistência física ao longo destas viagens pelo Brasil me deixava cada dia mais impressionado. Perguntei-lhe:

_ Dr. Tancredo, eu, que sou um pouco mais jovem, estou no bagaço. Como é que o senhor aguenta este pique?

Sem tirar o olho da televisão, ele deu a receita:

_ Eu sou movido a vitamina "P", meu filho.

Era "P" de política e poder, explicou-me o velho político mineiro.

A vitamina deve ter acabado antes da hora. Eleito no Colégio Eleitoral em janeiro de 1985, a posse de Tancredo estava marcada para o dia 15 de março, mas na véspera ele seria internado às pressas no Hospital de Base de Brasília.

Após longa agonia no Instituto do Coração em São Paulo, foi sepultado em São João del Rey, onde nasceu. Eu estava lá. A matéria, que o jornal abriu na primeira página, sob o título "Tancredo enterrado à noite, após o adeus da sua cidade",  começava assim:

 

O toque de silêncio. Uma salva de 21 tiros de canhão. Apenas 200 pessoas no cemitério. A cidade recolhida, calada. Foi o ato final destes quarenta dias que abalaram o Brasil. Tancredo de Almeida Neves, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de regime militar, que morreu antes de tomar posse, foi enterrado às 22h54 de ontem, na sepultura número 84 do pequeno cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em São João del Rey, Minas Gerais.

O sepultamento estava inicialmente marcado para as 17 horas, mas foi adiado por determinação de dona Risoleta Neves para que todos os são-joanenses, que desde cedo formavam longas filas diante da igreja de São Francisco de Assis, pudessem ver o corpo do presidente. O esquife foi levado por irmãos da Ordem Terceira até a entrada do cemitério e entregue à família. Na frente, trazendo o caixão até a sepultura, vinham o presidente José Sarney e o filho Tancredo Augusto, enquanto a banda do Regimento Tiradentes tocava a marcha fúnebre de Chopin.

Os sinos da igreja de São Francisco de Assis, onde o corpo estava sendo velado desde as 11h30, dobraram mais forte.

 

Os poucos meses que separaram a grande festa cívica das "Diretas Já", da eleição, agonia e morte de Tancredo me fizeram pensar na época como o nosso grande país pode ter um destino ao mesmo tempo belo e trágico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

fhc FHC: uma voz de bom senso no golpe sem quartel

"Como pode um partido pedir impeachment antes de ter um fato concreto? Não pode".

Quem fez essa pergunta, e a respondeu em seguida, não foi nenhum dirigente do PT nem algum jurista renomado. Foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na palestra que fez neste domingo, no Fórum de Comandatuba, na Bahia, em que o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi o principal assunto discutido entre os participantes do encontro, que reuniu empresários e políticos.

Voz isolada de bom senso neste golpe sem quartel que está em andamento, agora com o apoio do PSDB e de seu presidente, Aécio Neves, FHC foi enfático na defesa da legalidade:

"Impeachment não pode ser tese. Ou houve razão objetiva ou não houve razão objetiva. Quem diz se é objetiva ou não é a Justiça, a polícia, o tribunal de contas. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido. Você não pode fazê-lo fora das regras da democracia. Qualquer outra coisa é precipitação".

Podemos ou não concordar com o ex-presidente, mas é fato incontestável que ele tem tido a coragem de se manifestar quase diariamente, mesmo quando em desacordo com seus seguidores, enquanto outros lideres políticos nacionais se omitem no debate institucional neste momento grave vivido pela nossa jovem democracia.

Em artigo publicado na mesma edição da Folha que reproduziu as falas de FHC nesta segunda-feira, Aécio Neves foi na direção oposta:

"Nos últimos tempos a ideia de impeachment ganhou forte impulso na sociedade (...) Nesse debate, em pontos extremos, de um lado está o PT tachando de golpistas os que cobram providências. De outro, estão aqueles que veem no impeachment um valor absoluto. Defendem a tese a priori e buscam no dia a dia argumentos para sustenta-la".

De fato, no extremo representado pelos aliados de Aécio no PSDB e nos partidos nanicos que o apoiam, a reboque dos "movimentos de rua", a cada semana os Cunha Lima, Sampaio, Agripino Maia, Bolsonaro, Caiado, Roberto Freire e outros democratas da mesma estirpe encontram motivos diferentes e cada vez mais graves para derrubar a presidente e, se possível, acabar também com o seu partido.

Isso não é nem novidade. Em 2006, durante a campanha de Lula pela reeleição, no auge do processo do mensalão petista, Jorge Bornhausen, então presidente do PFL, que depois virou DEM e agora está ameaçado de extinção, já havia pregado:

"Vamos acabar com essa raça. Vamos nos livrar dessa raça por, pelo menos, 30 anos".

Lula foi reeleito, elegeu Dilma, que se reelegeu recentemente, e quem acabou foi a carreira política de Bornhausen, que desapareceu do mapa antes do seu partido buscar a fusão com o PTB para não morrer.

No último debate do segundo turno da eleição presidencial de outubro, Aécio já havia incorporado o espírito de outros caçadores de marajás do passado e do presente, ao proclamar:

"Para acabar com a corrupção, é preciso tirar o PT do poder".

Mais de 54 milhões de eleitores não concordaram com o presidenciável tucano e deram a vitória a Dilma, mas o neto de Tancredo Neves, não se conforma até hoje.

Ao contrário do avô, que permaneceu fiel até o fim ao lado de Getúlio Vargas, vítima de um golpe militar que o levou ao suicídio no Palácio do Catete, para defender o presidente democraticamente eleito, Aécio agora não se peja de ficar ao lado dos abutres da democracia. Nesta cruzada das trevas, não terá a companhia de Fernando Henrique Cardoso.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes