dilma ok PMDB esticou a corda demais, avalia governo

Como o Carnaval baiano, o impasse entre o governo, o PT e o PMDB não tem dia para acabar. Na pajelança de quarta-feira no Palácio da Alvorada, que reuniu Dilma e Lula com o comando da campanha da reeleição, a avaliação geral é que "o PMDB esticou a corda demais" nos embates sobre a reforma ministerial e as alianças nas eleições estaduais, tendo ainda como pano de fundo a insatisfação do baixo clero pela demora na liberação das verbas das emendas parlamentares.

"Por acaso o PMDB ficou mais forte de um ano para cá para querer outro ministério?", indagou um dos participantes da reunião para justificar a posição da presidente Dilma de não aumentar o número de ministérios do PMDB, apenas alojando o senador Vital do Rego no lugar de Gastão Vieira no Ministério do Turismo.

A posição do governo é não ceder às chantagens do líder do PMDB na Cãmara, Eduardo Cunha, que entrou em confronto aberto com Rui Falcão, presidente do PT. Dilma vai fazer o que tem que fazer com o PMDB e não há divergências entre Dilma e o ex-presidente Lula sobre este assunto, que será tratado com o vice presidente Michel Temer.

Diante desta quadro, pergunta-se: o que o PMDB pode fazer tendo cinco ministérios no governo e mantendo Temer como vice na chapa da reeleição? Para os petistas, o PMDB tem que decidir se quer ser governo ou ir para a oposição, como ameaça Eduardo Cunha, um 0bscuro deputado do PMDB carioca com interesses pessoais variados, que conta com o apoio dissimulado de Henrique Alves, o peemedebista que preside a Câmara.

Para Eduardo Campos o PMDB não pode correr, porque Marina Silva não deixaria, em nome da "nova política", e Aécio Neves não parece ser uma alternativa atraente, a julgar pelos seus índices de intenção de votos que há meses não saem do lugar. Como o PMDB não leva muito jeito para ser oposição, o mais provável é que continue tudo como está, com os dois partidos administrando as divergências no varejo, enquanto as anunciadas mudanças no ministério ficam em banho-maria.

 

 

 

 

 

 

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O menino Neymar saiu de campo na quarta-feira levando todas as glórias com os três gols que marcou no passeio de 5 a 0 contra a África do Sul. Muito justo. Só esqueceram de um personagem, que não é dos meus prediletos, pelo seu jeito bronco e autoritário de ser, mas se tornou o principal responsável por voltarmos a acreditar no nosso taco e termos orgulho da seleção brasileira que vai disputar a Copa em casa daqui a 100 dias.

A camisa é a mesma, os jogadores são praticamente os mesmos e, no entanto, é um outro Brasil que estamos vendo em campo, apenas um ano depois de Felipão assumir o comando. Nem é o caso de dizer que o velho treineiro deu uma outra cara à seleção. Nos dois anos em que posou de técnico, Mano Menezes convocou mais de cem jogadores sem conseguir montar um time de respeito. Era uma seleção brasileira mambembe, sem cara nenhuma, que não impunha o menor respeito aos adversários.

futebol ok De Mano a Felipão, um outro Brasil está em campo

Foi um grande erro entregar a seleção a um técnico sem personalidade nem currículo (dois títulos da segunda divisão e um da Copa do Brasil), produzido nos laboratórios de mídia training, que falava difícil para não dizer nada, e não conseguia se impor nem diante dos jogadores, mandando a campo um time diferente a cada jogo.

Agora, não. Até eu, que não sou um especialista do ramo, mas gosto de dar meus palpites sobre futebol, já sei escalar de cor o time e como ele vai jogar, encurralando o adversário em seu campo e partindo para contra-ataques mortais em alta velocidade, como vimos ontem na África do Sul.

Com sua psicologia de analista de Bagé, sabemos que Felipão é teimoso como uma mula para manter sua "família" unida e vai insistir até o fim com Júlio Cesar e Fred, os dois pontos fracos da seleção, mas agora pelo menos temos um time e basta trocar um ou outro para entrarmos como favoritos na Copa, sem termos que temer nenhum adversário. Se for para ganhar o hexa, nem importa que de vez em quando ele dê algum coice em jornalista mais abusado.

Ou tem alguém aí com saudades do bom mocismo de Mano Menezes?

 

 

 

 

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champa Pois agora, sim, podemos dizer: Feliz Ano Novo!

Manhã de Quarta-feira de Cinzas, o país ainda meio de ressaca, agora finalmente 2014 pode começar. Falo, naturalmente, do Brasil dos gabinetes oficiais, pois para a maioria de nós brasileiros, os simples mortais contribuintes, já entramos no terceiro mês de batente.

O que podemos esperar deste ano de Copa do Mundo e eleições gerais, que começou com secas e enchentes, e promete muitos raios e trovoadas mundo afora? Do jeito que as coisas andam, do Brasil à Ucrânia, passando pela Síria e pela Venezuela, sem esquecer do sempre conflagrado Oriente Médio, qualquer previsão que se queira fazer pode ser uma irresponsabilidade.

Por aqui, é possível que a presidente Dilma anuncie os novos ministros ainda esta semana, depois de uma reunião com o ex-presidente Lula marcada para hoje, em Brasília. Quaisquer que sejam os nomes ungidos, não vai fazer muita diferença no nível dos reservatórios, na tábua de marés nem nas nossas vidas.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal vai passar uma semana de calmaria, com a viagem do beligerante presidente Joaquim Barbosa à África, para fazer um "intercâmbio jurídico", e o Congresso Nacional retomando os trabalhos (força de expressão), se as excelências voltarem dos folguedos momescos, deparando-se com a empolgante refrega entre o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e o presidente do PT, Rui Falcão, mais uma vez ameaçando romper a pouco sagrada aliança.

Assim começa oficialmente o novo ano. E o caro leitor do Balaio, o que espera dele? Quais são os sonhos que os leitores esperam realizar em 2014? Espero que vocês me mandem bons motivos para manter vivas as esperanças em um país e um mundo menos conflituosos. Quem tiver alguma notícia boa mande pra mim que eu publico.

Vou parando por aqui porque o braço quebrado já está doendo, mas isso logo passa. Feliz Ano Novo!

 

 

 

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aecio campos Aécio e Eduardo: dois em um empacam na mesmice

Levado às últimas consequências, o tal pacto de não agressão firmado entre Aécio Neves e Eduardo Campos, ainda no ano passado, pode ser uma das razões para explicar porque, pesquisa após pesquisa, os dois continuam empacados no mesmo lugar, enquanto a presidente Dilma, candidata à reeleição, segue liderando a corrida só voando no piloto automático.

Os discursos com críticas à política econômica e à imensa base aliada do governo são absolutamente iguais, sem que nenhum dos dois consiga dizer uma palavra sobre o que pretende efetivamente fazer para melhorar a vida dos brasileiros caso seja eleito.

A única diferença visível a olho nu entre os dois candidatos é que Eduardo Campos, ao lado de Marina Silva, prega o surgimento de uma "nova política", sem explicar do que se trata e como pretende governar, enquanto Aécio se dedica no momento a celebrar os 20 anos do Plano Real, sempre levando Fernando Henrique Cardoso a tiracolo como seu maior cabo eleitoral.

Pelo jeito, até agora, não ganharam nenhum voto com isso. Aécio, com 17%, ainda está longe dos índices de José Serra na mesma época das duas campanhas que disputou e perdeu, e Eduardo, que encarnaria a terceira via, fora da polarização PT-PSDB, não passa dos 12%, sempre ficando abaixo de Marina, segundo o último Datafolha.

A campanha dos candidatos "dois em um" acaba confundindo os eleitores que não querem mais quatro anos de PT, porque ficam sem saber o que os levaria a votar num ou noutro, já que divergências entre eles não há.

É verdade que Aécio é mais conhecido, está na oposição há mais tempo e tem uma estrutura partidária maior, e Eduardo está estreando neste papel, depois de romper com o governo Dilma no ano passado. Mas o fato é que só um dos dois poderá passar ao segundo turno, caso haja uma nova rodada, mantidas as atuais tendências das pesquisas.

E, em algum momento, um dos dois terá que dizer que discorda do outro em qualquer coisa e apresentar alguma proposta diferente para o país, já que até agora parecem defender uma candidatura única até nos adjetivos e exemplos usados para desconstruir o governo Dilma.

Os dois garantem que vão manter os principais programas sociais dos governos Lula-Dilma, mas prometem fazer algumas mudanças, sem explicitar quais e como. Por enquanto, ambos são candidatos de oposição genéricos, sem uma marca definida, faltando apenas sete meses para as eleições.

 

 

 

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O caro leitor sabia que, ao contrário do que nos foi vendido ao longo de todos estes anos, João Goulart, o Jango, presidente deposto por um golpe militar, civil e midiático, em 1964, tinha amplo apoio popular e seria reeleito, segundo pesquisas do Ibope feitas nos dias que antecederam a sua derrubada, e que nunca haviam sido divulgadas pela imprensa? Pois é, nem eu.

Em São Paulo, que era um dos principais redutos de oposição ao seu governo, segundo uma das pesquisas Jango tinha 69% de aprovação, com rejeição de apenas 16%. Em outra, na qual o Ibope entrevistou eleitores de oito capitais, entre os dias 9 e 26 de março de 1964, quase a metade (49,8%) respondeu que votaria em Jango caso ele pudesse se candidatar à reeleição. Ninguém ficou sabendo disso na época.

A pergunta que fica: a divulgação destas pesquisas pela imprensa poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos, já que para derrubar Jango um dos principais argumentos utilizados pelos golpistas foi a fragilidade do presidente e do seu governo diante do "perigo comunista" que ameaçava o país? Acontece que todos os principais veículos da mídia brasileira, com exceção da "Última Hora",  estavam não só apoiando os militares como engajados no movimento que levou à sua deposição.

Só agora ficamos sabendo também que, segundo o Ibope, havia amplo apoio popular às reformas (59% dos entrevistados) propostas por Jango no famoso Comício da Central do Brasil, duas semanas antes do golpe, em que ele defendia a reforma agrária, com a desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias, e a encampação das refinarias estrangeiras, outro argumento utilizado para justificar o golpe. Não por acaso, certamente, a Petrobras está novamente no centro do debate político neste ano de eleições presidenciais.

No momento em que mais uma vez discutimos o papel da imprensa e das pesquisas na política nacional, após o mesmo Ibope, no prazo de apenas uma semana, divulgar dois levantamentos sobre a presidente Dilma Rousseff, com resultados bastante discrepantes, valeria a pena investigar a origem e o destino dos levantamentos inéditos que estão sendo catalogados no Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, em Campinas.

Já se sabe, por exemplo, que a pesquisa feita em três cidades paulistas, entre os dias 20 e 30 de março de 1964, ouviu 950 eleitores e foi encomendada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, uma das entidades envolvidas na derrubada de Jango.

O Ibope entregou estas pesquisas aos arquivos da Unicamp em 2003 e só agora, quando o golpe completa meio século, os seus resultados foram revelados. Marcia Cavallari, diretora do Ibope Opinião, disse a Paulo Reda, da "Folha", que "os critérios aplicados nestes levantamentos da década de 60 são semelhantes à metodologia das pesquisas recentes do instituto e são perfeitamente confiáveis". Falta Cavallari explicar porque estes mesmos critérios levaram a resultados tão diferentes nas recentes pesquisas do Ibope sobre Dilma e por quais razões os levantamentos de 1964 permaneceram secretos por tanto tempo.

Não basta agora a mídia publicar caudalosos cadernos especiais sobre o golpe de 1964, com pencas de entrevistas e artigos tentando explicar o que aconteceu, se nada for feito no Congresso Nacional para evitar que aquela tragédia se repita e os meios de comunicação, incluindo os institutos de pesquisa, não tenham regras claras definidas na legislação para evitar que os eleitores sejam manipulados e a nossa jovem democracia novamente ameaçada.

 

 

 

 

 

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FOTO 1 Após Carnaval, enfim, Dilma completa reforma ministerial

Pode tirar o cavalinho da chuva quem esperava grandes novidades na reforma ministerial do governo Dilma esperada desde o ano passado. Após os dias de folia, que prometem muita chuva, a presidente vai finalmente completar sua minirreforma para o último ano de mandato e anunciar o time que vai entrar em campo na campanha eleitoral.

Na falta generalizada de bons quadros nos partidos, inclusive no PT,  problema do qual ela já reclamava antes mesmo de tomar posse, e da recusa de grandes empresários em ir para o governo, Dilma vai ter que se contentar mesmo em trocar seis por meia dúzia, mantendo a mesma proporção de vagas para os aliados. Dá para entender: não deve ser fácil mesmo encontrar 39 grandes talentos de reputação ilibada no nosso pobre cenário político.

O melhor exemplo da escassez de nomes e de novidades é o ministério da Reforma Agrária, do qual sai Pepe Vargas, do PT, para a entrada de Miguel Rossetto, também petista, que já ocupou o mesmo cargo no governo de Lula.

A reforma demorou porque o PMDB queria aumentar seu número de ministérios, mas o maior aliado do governo vai ter que se contentar mesmo com a ida do senador Vital do Rego, que queria a Integração Nacional, para o Ministério do Turismo, substituindo o também peemedebista Gastão Vieira.

Fora isso, teremos o seguinte:

* A Integração Nacional vai ficar mesmo com o Pros dos irmãos Cid e Ciro Gomes, que tem 20 deputados e nenhum ministério, e é bem provável que seja mantido o interino Francisco Teixeira, que é do grupo dos irmãos cearenses.

* Antônio Andrade sai da Agricultura para se candidatar a deputado, assim como Aguinaldo Ribeiro, das Cidades, mas seus substitutos serão indicados pelos mesmos partidos dos atuais titulares, ou seja, o PMDB e o PP, respectivamente.

Pode todo mundo pular tranquilamente seu Carnaval porque não haverá surpresas. Uma alta fonte do governo me garantiu neste sábado que não estão previstas mudanças na área econômica, a mais criticada do governo.

Bom Carnaval a todos e seja o que Deus quiser.

 

 

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foto 1 Mídia e Barbosa são derrotados no fim do mensalão

Com o resultado de 6 a 5 a favor dos réus no final do julgamento dos embargos infringentes, que derrubou a condenação por crime de formação de quadrilha e deixou os ex-dirigentes petistas José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares fora do regime fechado de prisão, os "black blogs" da grande mídia e o presidente do STF, Joaquim Barbosa, além dos quatro ministros que o seguiram nos votos vencidos, acabaram sendo os grandes derrotados no último capítulo da novela do processo do mensalão.

O chororô começou na véspera, quando Barbosa acusou de "ato político" o voto de Luís Roberto Barroso a favor dos réus, encerrando em seguida abruptamente a sessão quando o placar era de 4 a 1, já prevendo a derrota. Como assim? Quer dizer que só quem vota de acordo com o presidente do STF pratica um "ato jurídico", como se político e midiático não tivesse sido todo o julgamento?

O presidente do STF e seus fiéis aliados jornalistas chapas pretas ficaram tão inconformados que acabaram passando recibo por não poderem escrever o final feliz que imaginavam, ou seja, com os réus atrás das grades por um longo tempo. Para Barbosa, "foi uma tarde triste". Triste para quem, se a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou contra a tese do relator do processo, que se mostrou desde o primeiro dia do julgamento, ao vivo e em cores, muito mais promotor do que juiz, fazendo parceria com o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o mesmo que engavetou o mensalão tucano?

No voto decisivo, o ministro Teori Zavascki justificou sua posição: "É difícil sustentar que o objetivo comum, que a essência do interesse dos acusados tenha sido a prática daqueles crimes. Voto pelo acolhimento dos embargos infringentes".

Inconsolável, o ministro Gilmar Mendes fez um veemente discurso no qual reiterou que "houve quadrilha" e afirmou que "o projeto era reduzir a Suprema Corte a uma Corte bolivariana", repetindo os mesmos argumentos usados nos últimos dias por blogueiros e colunistas que se empenharam até o fim em pedir a punição máxima aos petistas para dar uma ajudazinha à oposição neste ano eleitoral.

Se, em 2012, exigiam respeito à decisão do STF de condenar os réus do mensalão a altas penas, deveriam fazer o mesmo agora em que eles foram absolvidos em um dos crimes de que foram acusados. O problema é que não havendo quadrilha, não poderão mais chamar o ex-ministro José Dirceu de "chefe da quadrilha", como se habituaram a escrever.

Para fazer Justiça, apesar de toda tristeza e sem mais delongas, antes de pedir a anunciada aposentadoria precoce, Joaquim Barbosa deveria agora dar a Dirceu o mesmo direito de trabalhar fora do presídio que foi concedido aos outros réus, ainda que correndo o risco de ser criticado pela mesma imprensa que o endeusou.

Sem entrar no mérito do julgamento, já que não sou juiz nem li as trocentas mil páginas do processo, espero que, daqui para a frente, alguns ministros do STF se acalmem, e meus coleguinhas da imprensa voltem a exercer com mais civilidade, se possível sem tomar partido, a sua nobre missão de informar a sociedade sobre o que está acontecendo. Juiz é juiz, promotor é promotor e jornalista é jornalista. Simples assim. Ficaria tudo bem mais fácil, e com um clima de menos beligerância no ar. Não custa tentar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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6nb5ejpu51 1fqvpupg5w file Virou zona: tudo agora é motivo para protestar e fechar ruas

Abro o computador na manhã desta quarta-feira e já dou de cara com uma manchete sobre o primeiro protesto do dia em que cerca de 150 manifestantes fecharam com barricadas a avenida Francisco Bicalho, no Rio, no sentido da Rodoviária para a avenida Brasil e a ponte Rio-Niterói, bem na hora do "rush". Agora é todo dia, toda hora, em diferentes capitais brasileiras: tudo é motivo para protestar e fechar ruas e avenidas, infernizando a vida de quem precisa ir e vir do trabalho ou da escola. Virou zona.

O protesto carioca seria de moradores de um edifício invadido na região, segundo informa o portal de O Globo. O trânsito no centro da cidade virou um caos. Ontem, em São Paulo, foi a vez de uma manifestação de um grupo de professores fechar a avenida Paulista no meio da tarde quando eu tentava chegar à TV Record. Gastei o dobro de tempo e o táxi custou o dobro do que pago normalmente.

Na véspera, desfilaram pela avenida policiais federais. Em média, desde junho do ano passado, a avenida Paulista, região que concentra o maior numero de hospitais em São Paulo, é tomada por manifestantes e policiais três vezes por semana. Será que não tem nenhum outro lugar na cidade para eles se manifestarem?

No fracassado "grande protesto" contra a Copa no Brasil, no fim de semana anterior, como bem registrou aqui meu colega Nirlando Beirão, tinha mais polícia do que manifestantes e menos gente do que em jogo da Portuguesa. E já marcaram outro para o próximo dia 13. Até quando estes protestantes profissionais de todas as latitudes, com ou sem máscaras, vão ser os donos do espaço público?

E o que eles ganham com isso, além de infernizar a vida de quem não tem condições de atender às suas reivindicações salariais? É o protesto pelo protesto, assim como agora virou moda matar por matar, linchar, bater até quebrar, urinar em locais públicos, queimar ônibus, espalhar arrastões por toda parte.

Não bastassem os black blocs já fichados pela polícia e liberados no dia seguinte, ainda temos que conviver com a radicalização cada vez maior dos jornalistas "black blogs" na internet e de maluquinhas na televisão que querem ver o circo pegar fogo.

Gostaria de falar de coisas boas nesta minha volta ao Balaio, mas está difícil...

 

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Sou do tempo em que o futebol, nosso time ganhando ou perdendo, era sempre uma festa. Só senti medo no estádio uma vez, quando fui com meu falecido pai ver a final entre o São Paulo e o Corinthians na decisão do campeonato paulista de 1957. O time dos "pó de arroz", como chamavam o meu São Paulo, ganhou de 3 a 1, sem choro nem vela, mas a imagem que me ficou foi a da briga generalizada entre as torcidas naquela que ficou conhecida como a "tarde das garrafadas". A partir daí proibiram entrar com garrafas nos estádios.

No meio da confusão, perdi-me do meu pai e só fui reencontrá-lo depois do jogo, bastante machucado. No dia da inauguração do Morumbi, em 1960, ele tinha morrido pouco tempo antes, e eu fui lá representá-lo. O futebol, quer dizer o nosso time, era a grande ligação que eu tinha com o velho, nossa maior cumplicidade.

Estou me lembrando deste tempo antigo agora, ao ler a história de um jovem torcedor do Santos, Marcio Barreto de Toledo, pai de um menino de seis meses, que saiu de casa no domingo para ver o jogo contra o São Paulo, e não voltou mais: foi barbaramente assassinado por torcedores do "pó de arroz" num ponto de ônibus, só porque estava com a camisa do seu time.

torcedor Quando o futebol se torna um risco de morte

O que aconteceu com a gente nesse meio tempo? Tem razão o Jânio de Freitas quando constata na sua coluna de hoje na Folha, sob o título "Brasil embrutecido":

"Estamos no Brasil em um agravamento de brutalidade que não cabe mais nos largos limites do classificável como violencia urbana. E não basta dizer que nada é feito contra tal processo. O que se passa, de fato, é que nem sequer o notamos".

O pior é isso: a nossa indiferença diante dos dramas humanos que se repetem, até no futebol e no carnaval, como vimos no caso do celerado que avançou com seu carro nos foliões dos blocos que tomaram a Vila Madalena neste final de semana.  Com a política voando no piloto automático, sem sair do lugar e sem nos dar esperanças de mudanças, deveríamos nos preocupar mais com estas pequenas grandes tragédias do cotidiano em que vidas estão em jogo.

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dilma e lula Eraldo Peres 10022011 AP Três bons motivos para Lula não ser candidato

Como eu ia dizendo quando fui atropelado por um buraco no meio da rua, que me estraçalhou o braço direito e me deixou quase um mês fora de combate, não há a menor chance de Lula voltar a ser candidato a presidente, a não ser que Dilma desista da reeleição.

O ex-presidente tem pelo menos três bons motivos para matar no nascedouro esta história de "volta Lula", que vira e mexe ressurge no noticiário:

* Seria reconhecer o fracasso do governo da presidente Dilma e, por tabela, dele mesmo e do  PT, já que foi Lula quem a lançou e bancou em 2010. Além disso, não há no momento nenhum motivo para se jogar nesta aventura. O balaio de novas pesquisas divulgadas neste final de semana mostram, em resumo, que Dilma seria reeleita no primeiro turno, apesar de todas as dificuldades que o governo enfrenta e da intensa campanha de mídia para impedir a sua reeleição.

* Caso seja candidato, e caso seja eleito, o que ninguém pode lhe assegurar, mesmo sendo ainda o político mais popular do país, quem garante que teria as mesmas condições internas e externas para,  ao final de um hipotético terceiro mandato, deixar o Palácio do Planalto com a consagradora aprovação de mais de 80% dos brasileiros? Para que arriscar seu lugar já garantido na História?

* Por fim, mas não menos importante, há a questão da sua lealdade com Dilma _ e vice-versa _ que nenhuma intriga foi capaz de abalar até agora. E, além de tudo, pegaria muito mal Lula desmentir agora o que vem repetindo nos últimos três anos: que a presidente é a sua candidata em 2014.

Não falei com Lula nem com Dilma, nem tenho fontes sobrenaturais, mas pelo que conheço dos dois, depois de tantos anos de convivência, posso assegurar que este cenário não muda por mais que tentem jogar um contra o outro. Lula é Dilma.

E vou parando por aqui nesta minha volta ao batente porque meu braço já está doendo nesta primeira tentativa de retomar os trabalhos interrompidos pelo destino. Já estava sentindo falta de todos os fiéis leitores deste Balaio. Muito obrigado pela força que vocês me deram, pelas muitas mensagens de carinho e por não se esquecerem de mim.

Fiquei com medo de não conseguir voltar a escrever, mas Deus e os médicos foram muito bons comigo. Vida que segue.

 

 

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