SÃO SEBASTIÃO _ Ao contrário do nosso sábio Ruy Castro, pouco entendo de cinema e tenho péssima memória para lembrar dos filmes e atores que vi nas telas, mas gosto muito de falar de histórias de vida.

Por isso me deu vontade de escrever hoje sobre o ator e diretor Clint Eastwood (não me lembro dos filmes dele a que já assisti). "Você precisa ler esta entrevista", foi logo me dizendo minha mulher assim que cheguei à casa do Toque Toque Pequeno para encontrar a família.

Sobre a mesa estava a edição da "Istoé" desta semana. O título da entrevista que ele deu a Elaine Guerini, em Los Angeles, já diz tudo: "O trabalho me mantém jovem".

A repórter conta que, na semana anterior, Clint aceitou ser capa da revista do jornal francês "Le Monde" com a condição de não ter suas rugas apagadas pelo photoshop. De fato, o grande ator está com cara de velho, mas a entrevista mostra um moço cheio de energia com vontade de fazer muito mais coisas na vida.

Uma declaração dele, em particular, me chamou a atenção: "Esperava ter me aposentado 30 anos atrás. Como não aconteceu, será preciso mais do que uma dor nas costas para me fazer parar".

Com a mesma idade, já aposentado depois de 35 anos de serviço, pensei a mesma coisa no verão da virada do milênio aqui neste mesmo lugar.

Já meio cansado de fazer as mesmas coisas a vida toda, viajando pelo país e pelo mundo como repórter, e após uma boa temporada trabalhando como diretor de jornalismo na televisão, pensei em largar tudo para escrever um livro.

A ideia, que cheguei a conversar com alguns amigos editores, era exatamente contar a história de uma guinada radical na vida, mostrando a nova rotina do sujeito que decide ir morar na praia, longe do mundo das notícias.

Já tinha até o título _ "Diário de um Vagabundo" _ e comecei a fazer algumas anotações durante as férias. Enchi um caderno com as lembranças de velhos pescadores, brigas de cachorros, baleias encalhadas, barcos virados, corridas de canoa. A familia e os amigos foram voltando para a cidade grande e eu fui ficando. Claro que não aguentei muito tempo.

Encontrar todos os dias as mesmas poucas pessoas, em meio ao tédio da antiga vila de pescadores fora da temporada, conversando sobre o tempo e as marés, certamente não me renderia um livro muito emocionante. Quem iria querer ler este diário?

Convencido de que cada nós tem um destino e não há como fugir muito dele, em dois meses estava de volta a uma redação trabalhando como repórter, ofício que exerço até hoje.

De vez em quando também me dá dor nas costas de tanto escrever, além de outros achaques da saúde comuns a quem nunca cuidou muito do próprio corpo.

Não é o caso de Clint Eastwood. A colega Guerini conta que ele "levanta pesos todos os dias de manhã, antes de encarar um dia de filmagem. Mas é o trabalho, mais do que tudo, que para ele o mantém com espírito jovial e ainda em atividade".

Agora mesmo ele está lançando um novo filme como diretor. Com lançamento programado no Brasil para o próximo dia 27,  "J. Edgar" é uma cinebiografia sobre a trajetória pessoal e profissional de J. Edgar Hoover, que foi por 48 anos chefe do FBI. Clint quer mostrar o que leva uma pessoa a não largar o osso do poder, qualquer que seja o preço.

Uma das passagens da entrevista mostra a bela lição de vida deste jovem de 81 anos, dono do seu tempo. "Tenho com o cinema a mesma relação que tenho com o golfe. Adoro jogar golfe, mas não quero ter a obrigação de praticá-lo todos os dias. Claro que aprecio o fato de ainda ter o que fazer, o trabalho me mantém jovem".

Um bom exemplo para ele é o cineasta português Manoel de Oliveira, que, aos 103 anos, continua no batente, como o nosso grande Oscar Niemeyer. Será que Clint também chega lá?

"É cedo para dizer. Conheci Manoel no Festival de Cannes, anos atrás, quase perguntei: qual o uísque que o senhor toma? Manoel ainda tem muita vitalidade, como quem está determinado a chegar aos 110. Às vezes, até fico desconfiado. Ou ele é mesmo incrível ou andou mentindo. Talvez Manoel esteja com 60 anos e diga ter passado dos 100 só para ouvir as pessoas dizerem que ele ainda está bem para a idade...".

Quando nos dizem que estamos bem para a idade, é porque estamos ficando velhos. Para mim, a idade varia conforme o dia. Tem dias que me sinto com 30; em outros, com mais de 100. Não importa. O que importa mesmo é que a gente tenha o que fazer, goste do que faz e procuro fazer bem feito.

Por isto estou aqui a escrever neste belo sábado de sol enquanto os netos brincam na piscina. Tem vida melhor?

Identifiquei-me de cara com ele.

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A antecipação da troca no Ministério da Educação para liberar logo Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura paulistana, e a intensa agenda de viagens da presidente Dilma Rousseff para os próximos dias, indicam que a minrreforma ministerial só deverá ser completada em fevereiro, limitando-se a algumas mudanças pontuais, sem grandes novidades.

Antes, Dilma deverá ir a Salvador, Porto Alegre (Fórum Social Mundial), Cuba (dois dias) e em seguida ao Haiti, voltando ao país no começo de fevereiro.

A decisão de apenas efetuar a troca de não mais do que meia dúzia de ministros, sem mexer no condomínio partidário que dá sustentação ao seu governo, confirma o que a própria presidente disse no final do ano passado em café da manhã com os jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto.

Para ela, esta história de reforma ministerial sempre foi mais um assunto da imprensa do que do governo. Dilma parece satisfeita com os resultados do seu primeiro ano na Presidência da República _ e os números de todas as pesquisas lhe dão boas razões para isso _, embora se queixe da lentidão dos investimentos em infraestrutura na execução das ações do PAC.

Nas reuniões setoriais que terá a partir desta quinta-feira, começando pela área social, antes da reunião ministerial marcada para a próxima semana, Dilma já avisou que não quer relatórios sobre o que já foi feito, mas quais os planos de cada um para 2012, mesmo sabendo que este será um ano de restrições orçamentárias.

A escolha de um técnico para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o físico Marco Antônio Raupp, que vai para o lugar de Aloísio Mercadante, deslocado para a Educação, sinaliza que a presidente pretende dar um caráter mais gerencial do que político ao perfil do governo daqui para a frente.

As outras mudanças previstas atingem ministérios de menor importância. O PP deverá continuar com Cidades, o PDT com o Trabalho e o PT com as secretarias de Mulheres e Igualdade Racial, que também terão novos ministros indicados por estes partidos. Da cota do PMDB, para não criar marola em ano eleitoral, ninguém entra e ninguém sai.

É este o cenário visto do Planalto ao final da terceira semana do novo ano, não muito diferente daquele que passou: sem pressa, seguindo seu próprio ritmo, conversando com pouca gente e falando apenas o mínimo necessário, Dilma imprime um estilo próprio em que a gestão administrativa ocupa um espaço mais importante do que a articulação política.

Até agora, que se saiba, Dilma conversou sobre as mudanças no ministério apenas com o ex-presidente Lula, em encontro de três horas esta semana, e com o vice Michel Temer. Tudo indica que não haverá surpresas. A troca de Haddad por Mercadante já era prevista desde dezembro e foi comunicada por uma nota oficial da Secretaria de Imprensa.

Nada poderia haver de menos emocionante para jornalistas sempre ávidos por um furo de reportagem. Vida que segue do jeito que Dilma gosta, sem atropelos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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edredom barco montagem1 A tragédia do navio e o fake show do <i>BBB</i>

Vejam se não têm algo em comum as deprimentes imagens do navio emborcado na Itália e do edredom do BBB, os dois assuntos que dominam todas as conversas nos últimos dias. Até o tom esverdeado do vídeo mostrando os movimentos do "edredom do estupro" sugere que o casal está no fundo do mar.

Ninguém mais fala de outra coisa, nem do caso da imensa barriga da mulher de Taubaté apresentada pela imprensa como futura mãe de quadrigêmeos e que, segundo seu médico, não está grávida. O mundo está ficando muito louco para o meu gosto, difícil mesmo de entender.

Por mais que você tente evitar, não tem jeito. É impossível ficar indiferente ao caso do suposto estupro ao vivo no "reality show" chamado Big Brother Brasil, na verdade um "fake show", e às revelações sobre as causas e o triste papel do comandante do pior acidente da navegação mundial nos últimos muitos anos.

Boninho g 20110209 A tragédia do navio e o fake show do <i>BBB</i>

Boninho

Na Itália, já foram contados 11 mortos e ainda há 24 desaparecidos; no Brasil, não morreu ninguém, a não ser a reputação de algumas pessoas que fazem qualquer coisa por grana, fama ou audiência, se possível tudo junto.

Quando vai ver, você já está no meio de uma discussão sem fim sobre as misérias e os limites da natureza humana.

A absoluta falta de senso de ridículo e de amor próprio move desde sempre estes infelizes alegres que expõem seus corpos e sua pobreza mental ao vivo na televisão. Até aí, faz parte do jogo, quem entra na chuva é para se molhar.

Só não consigo entender o que pode levar o comandante do navio Costa Concordia, de 13 andares, com quase cinco mil pessoas a bordo, um dos maiores do mundo, a desviar da rota nas águas calmas do mar Mediterrâneo só para fazer umas gracinhas em volta da ilha de Giglio, onde nasceu o chefe dos garçons e mora um ex-comandante da companhia.

Pior: depois da lambança, o comandante foi um dos primeiros a pular para um barco salva-vidas e chegar em terra firme.

schettino A tragédia do navio e o fake show do <i>BBB</i>

Francesco Schettino

Jamais alguém vai ouvir num programa do BBB, por mais "fake show" que seja, em qualquer novela ou filme de terror, um diálogo mais dramático do que o travado entre o comandante Francesco Schettino e o comandante da Capitania dos Portos de Livorno, Gregorio de Falco, quando o navio começou a afundar.

_  Aqui é o De Falco, falando de Livorno. Estou falando com o comandante?

_ Sim, boa noite comandante De Falco.

_ Schettino? Escute, Schettino! Há pessoas a bordo. Agora, vá com seu barco até a proa, do lado estibordo. Há uma escada de emergência. Você sobe a bordo e me diz quantas pessoas estão lá.

_ Comandante, deixe-me falar uma coisa...

_ Fale mais alto! Coloque a mão na frente do microfone e fale mais alto, está claro?

_ Neste momento o navio está se inclinando...

_ Eu entendo, escute, há pessoas descendo pela escada da proa. Você sobe esta escada, sobe no navio e me diz quantas pessoas ainda estão a bordo. E do que elas precisam. Está claro? (...) Escute, Schettino, você se salvou, mas vou fazer com que você tenha problemas, vou fazer com que você pague por isso! Volte ao navio, caralho!

_ Comandante, por favor...

_ Não tem por favor!

A lambança estava feita e não tinha volta. Na Globo, as cenas do edredom na TV aberta foram editadas, depois apagadas na TV paga, mas a esta altura as imagens já estavam circulando nos Youtubes e redes sociais da vida. No dia seguinte, as crianças puderam ver tudo nos celulares dos amigos.

Quando a polícia ameaçou entrar no caso, resolveram expulsar o fogoso rapaz da casa e chamaram os advogados da Globo. Depois de orientada, a moça supostamente embrigada e supostamente violentada sem perceber, deu diferentes versões e, enquanto autoridades e setores da sociedade mostravam indignação com o acontecido, a audiência do programa quase dobrava no momento em que o poeta popular Pedro "É o amor..." Bial dava as explicações oficiais da emissora sobre o episódio.

pedro bial A tragédia do navio e o fake show do <i>BBB</i>

Pedro Bial/Reprodução

As figuras patéticas de Bial e de Boninho, o diretor do programa, ao tentar defender a casa do Projac dos ataques inimigos, lembraram as primeiras declarações do comandante Schettino ao falar com o comandante da Capitania dos Portos.

Após ser beneficiado com a prisão domiciliar pela juíza Valeria Montesarchio, na tarde de terça-feira, fiquei pensando o que será que o comandante Schettino contou ao chegar em casa olhando para a mulher e os filhos. Acusado de homicídio múltiplo culposo (sem intenção), naufrágio e abandono de navio, o comandante pode pegar até 15 anos de prisão.

E o que vai acontecer com os responsáveis pelo "fake show" que se chocou contra as rochas do que ainda nos resta de dignidade humana?

Com tanto ócio, brothers & sisters permanentemente no cio, bebida farta e edredons para todos, estava na cara que um dia isto iria acontecer. A onipotência, a irresponsabilidade e a covardia acabam nisso. É triste.

 

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Gilberto Kassab pode não ser um grande prefeito _ sua administração é aprovada por apenas 20% da população, segundo o último Datafolha _ mas que é um craque na sortida política partidária brasileira, isso ninguém pode negar.

Na largada da campanha eleitoral de 2012 que vai eleger seu sucessor, ao cortejar os dois maiores partidos, o PT e o PSDB, para fazer uma aliança com o seu recém-criado PSD, o prefeito paulistano conseguiu deixar sua administração fora dos primeiros embates entre os principais candidatos.

Estão todos só discutindo políticas de combate ao crack, assunto que já se transformou no tema central da campanha, apoiando ou criticando as ações do governo estadual deflagradas há duas semanas.

Dono do terceiro maior partido do país e fiel da balança na disputa paulistana, Kassab deu um golpe de mestre ao oferecer a Lula um vice do PSD para compor a chapa com Fernando Haddad.

kassab lula hg Crack já é tema central da campanha
Deixou o PT numa sinuca de bico, já que o partido está há mais de sete anos na oposição à administração Serra-Kassab com sua bancada de vereadores fazendo duras críticas ao atual prefeito. Em caso de aceitar a aliança, vai falar o que na campanha, que se enganou?

De outro lado, depois de propor a Geraldo Alckmin uma chapa tendo na cabeça o vice-governador Guilherme Afif, do PSD, com um vice tucano, Kassab colocou o PSDB na defensiva.

No poder em São Paulo desde 1995, quando Mário Covas foi eleito governador (com Alckmin de vice), o PSDB corre o risco de ficar isolado na eleição paulistana.

Isto ficou claro no segundo debate promovido nesta segunda-feira, em Santo Amaro, entre os quatro pré-candidatos tucanos. Deixaram o prefeito Kassab e sua administração de lado para se concentrar nos ataques a Fernando Haddad e à ex-prefeita Marta Suplicy, acusando o PT de disseminar o crack na capital.

A guerra político-eleitoral em torno da Cracolândia começou no último domingo. Em entrevistas publicadas pela Folha, o candidato do PT qualificou a operação policial na Cracolândia de "desastrada" e "desarticulada", enquanto os quatro pré-candidatos do PSDB defendiam a ação do governo paulista.

"O crack foi consolidado no governo do PT e foi crescendo e crescendo", disparou Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura, um dos quatro pré-candidatos logo ao chegar a Santo Amaro.

Na mesma linha, o deputado Ricardo Tripoli, outro pré-candidato, responsabilizou o PT pela entrada da droga no Brasil:

"Eles estão há nove anos no governo e não fizeram nada para que os entorpecentes não entrassem pela Bolívia. Agoravêm aqui dar palpite na política de São Paulo".

Os dois são os que têm menos chances nas prévias tucanas marcadas para março. Completam a lista José Anibal, secretário estadual de Energia, que tem o controle da máquina partidária, e Bruno Covas, secretário de Meio Ambiente, que foi lançado como o preferido de Alckmin.

kassab alckmin ae Crack já é tema central da campanha

Anibal deixou claro que o PSDB pretende utilizar na campanha uma frase infeliz do candidato petista Fernando Haddad, durante a ocupação policial da Cidade Universitária, em novembro passado, quando ele afirmou não se poder tratar a USP como se fosse a Cracolândia e a cracolândia como se fosse a USP: "Haddad fala abobrinha sobre muitos assuntos".

Por trás do fogo cruzado entre tucanos e petistas, está o controle dos programas de combate ao crack, envolvendo as três esferas de governo. O Ministério da Saúde lançou em dezembro um plano nacional com a presença da presidente Dilma Rousseff, mas não foi avisado da Operação Cracolândia iniciada pelo governo estadual no começo de janeiro, assim como o prefeito Kassab também só foi informado quando a tropa da PM já estava nas ruas.

Limpeza urbana, esportes públicos, caos no trânsito, medidas de prevenção contra enchentes, saúde, educação e outros temas permanentes nas campanhas eleitorais em São Paulo foram até agora esquecidos pelos candidatos, como se a Cracolândia fosse o único problema grave enfrentado pelos paulistanos.

Com uma questão que é nacional no centro da discussão, e que deveria envolver as áreas de saúde, assistência social e segurança pública dos três níveis de governo trabalhando juntos, mas foi transformada numa disputa política provincial, Kassab a tudo assiste de camarote, esperando a melhor hora para definir a opção eleitoral do seu PSD.

Sem trocadilho: é ou não é um craque?

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Publicado em 16/01/12 às 13h24

Eles viajam pelo mundo e nós pagamos

16 Comentários

maninha raul Eles viajam pelo mundo e nós pagamos

Quantos casais os caros leitores do Balaio conhecem que podem viajar 114,2 mil quilômetros (três voltas e meia ao redor da Terra) pelo mundo todo sem gastar um tostão do próprio bolso?

Fora os que têm amigos muito ricos e magnânimos, com recursos próprios para convidar a família e a turma toda numa viagem de boca livre total, este milagre, certamente, só acontece com suas excelências do Congresso Nacional, os por nós eleitos senadores e deputados.

Entre eles, o campeão é o casal Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, e Marinha Raupp, ambos de Rondônia, donos do recorde de milhagem citado na abertura desta matéria.

Das seis viagens internacionais que os Raupp fizeram nos últimos sete anos, cinco foram pagas por nós, os pródigos contribuintes.

"Qual é o problema?", perguntou o doutor Valdir Raupp à repórter Andrea Jubé Vianna, autora da reportagem publicada nesta segunda-feira, na página A6 do "Estadão".

Como se ninguém tivesse nada a ver com isso, o senador foi romântico ao explicar o motivo das coincidências que colocam o casal nas mesmas "missões oficiais" do Congresso Nacional: "É uma forma de ficarmos mais tempo juntos. Se ela é deputada e pode participar, qual é o problema?".

O problema é que nós, simples mortais contribuintes e eleitores, quando quisermos fazer viagens internacionais com as nossas mulheres precisamos enfiar a mão no bolso para comprar passagens, pagar hotéis, passeios, restaurantes, etc.

Para ir à Coréia do Sul, por exemplo, o senador Raupp recebeu 11 diárias pagas pelo Senado, no valor total de R$ 11.348, e e sua esposa deputada mais 5 diárias por conta da Câmara, cada uma no módico valor de US$ 350.

Estas despesas não incluem os bilhetes aéreos gentilmente oferecidos ao casal. Como as excelências não costumam viajar em classes econômicas nem comer em restaurantes de comida a quilo dá para imaginar o custo total desta "missão oficial" conjugal.

Assim eles foram também para a Alemanha, África do Sul , China, Japão e Taiwan. Para ninguém pensar que eles foram só passear, a deputada Marinha apresentou um relatório à Câmara com os resultados da missão:

"Melhorar as relações de amizade, cooperação de intercâmbio dos deputados e a expansão do intercâmbio econômico entre Brasil e Coreia". É muito intercâmbio para justificar as despesas.

Para a viagem à China, Marinha encontrou outra explicação:

"As lições aprendidas na China deverão subsidiar a escolha do melhor modelo de trem de alta velocidade para o Brasil".

Ah, bom. Ninguém sabe ainda se e quando teremos um trem-bala, mas subsídios oferecidos pelo Congresso Nacional certamente não faltarão. Outros quatro deputados, além do senador Raupp, integraram a "missão oficial".

Como diz meu colega Paulo Henrique Amorim, viva o Brasil!

 

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dilma A travessia de Dilma da tortura à vitória

Acabei de ler agora um dos melhores livros lançados no Brasil nestes últimos anos: A vida quer é coragem _ A trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil, escrito pelo jornalista Ricardo Batista Amaral e publicado pela Editora Sextante.

Recebi um exemplar em dezembro e automaticamente eu o coloquei na pilha de livros de amigos que deixo para ler nas férias. O problema é que tenho muitos amigos que escrevem muito e os dias de folga são poucos.

Confesso que não me animei muito a ler o livro de Amaral porque imaginava se tratar de uma história que já conhecia, sem muitas novidades. Fui convencido a lê-lo pelo próprio autor num almoço que tivemos no começo desta semana.

A insistência de Amaral tinha um motivo: foi por indicação minha que ele se tornou assessor de imprensa da então candidata Dilma Rousseff, primeiro na Casa Civil e depois na campanha presidencial. Por isso ele queria saber minha opinião sobre o livro.

Não pude aceitar o convite feito no começo de 2010 por Dilma, com quem havia trabalhado nos dois primeiros anos do governo Lula, para cuidar da área de imprensa na campanha que então começava. Ao terminar de ler o livro, acho que acertei ao indicar o velho amigo, um dos mais competentes e respeitados jornalistas de Brasília já faz muito anos.

Por ter vivido a companha por dentro do início ao fim, pensei que Amaral, mineiro como Dilma, se limitaria a contar bastidores da disputa eleitoral e contar como Dilma chegou lá.

Pois o livro é muito mais do que isto. Ao resgatar, desde a infância, a história da menina de alta classe média de Belo Horizonte, mostrando como era a vida na cidade e no país no começo da segunda metade do século passado, e as circunstâncias políticas que a levaram à clandestinidade e à prisão ao se engajar em organizações de esquerda que lutavam contra a ditadura militar, Amaral escreveu o romance davida real de uma época.

Como está no título, a travessia de Dilma, da tortura nos porões do DOI-CODI à vitória nas eleições presidenciais de 2010, é acima de tudo uma história de coragem e de superação das dificuldades, em que a nossa presidente se torna o personagem-símbolo de toda uma geração de brasileiros à qual pertenço.

O melhor resumo desta história de quatro décadas, da ditadura à democracia, é uma foto em preto e branco de Dilma, aos 21 anos, tirada em novembro de 1970, durante um interrogatório na Auditoria Militar, no Rio, após ter sido torturada durante 22 dias seguidos.

De cabelos curtos, corpo ereto na cadeira do réu, olhar altivo, não vê a vergonha dos seus interrogadores que escondem o rosto com as mãos. Está na contra-capa do livro, mas deveria ter saído na capa.

Com tantos ingredientes dramáticos, Ricardo Amaral escapou da tentação de tratar sua personagem como heroína, retratando-a apenas como uma cidadã brasileira que teve um destino incomum, sem cair na pieguice ou na louvação, alternando as conquistas, os sofrimentos, os acertos e os erros na vida dela até chegar ao Palácio do Planalto.

A perda do pai aos 15 anos, os amores e desamores na época da clandestinidade, a vida na prisão com outras mulheres torturadas que a reencontrariam na festa da posse no dia 1º de janeiro do ano passado, a luta contra o câncer no ínicio da campanha eleitoral, a "guerra santa" deflagrada por seu adversário no final do primeiro turno da campanha e que quase lhe custou a vitória, o triste papel da grande imprensa partidária, a sólida aliança política e afetiva com Lula, o primeiro presidente operário que elegeu na sua sucessão a primeira mulher _ está tudo lá neste brilhante livro-reportagem de quem testemunhou boa parte da recente história política do país.

Acima de tudo, trata-se de um livro muito bem escrito, coisa rara no jornalismo atual, com uma narativa que amarra o leitor da primeira à última linha, mesmo aqueles que já conhecem parte da história. Posso dizer que o livro me ajudou a conhecer melhor a presidente Dilma e o valor que ela dá à lealdade, mesmo correndo risco de vida _ e por isso a admiro ainda mais.

Este é um livro (são 304 páginas que valem os R$ 39,90 cobrados) que eu gostaria de ter escrito. Não o deixem de ler. É uma história muito bonita que foi muito bem contada. Valeu, xará.

Reproduzo abaixo o parágrafo final do livro para vocês terem uma ideia do que escrevi acima:

Fácil, para ela, nunca foi. Dilma teve de superar todos os desafios que a vida colocou diante dela ao longo do caminho: a condição feminina numa sociedade machista, a militância na clandestinidade, a tortura, a cadeia, a luta tantas vezes áspera pela democracia, o desafio de participar do primeiro governo dirigido por um trabalhador no Brasil, a superação do câncer e uma campanha eleitoral duríssima, em que a candidata estreante enfrentou um dos mais experientes políticos do país. A chave para entender esta trajetória talvez esteja na citação do escritor João Guimarães Rosa, que Dilma escolheu para seu discurso de posse, em 1º de janeiro. No romance "Grande Sertão: Veredas", ela foi buscar o seguinte trecho:

"O correr da vida embaralha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí  afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

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STJ Eliana Calmon TL Abr1 Salve Eliana Calmon, a Justiça agradece

A melhor notícia de 2012 até agora é a mesma de 2011: apareceu alguém com coragem para abrir a caixa-preta da Justiça brasileira e acabar com a impunidade dos meritíssimos que se julgam acima da lei.

Colocada na parede pelo corporativismo das associações de magistrados e por alguns membros do Supremo Tribunal Federal, no final do ano passado, a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, não esperou muito tempo para voltar à luta e dar a sua resposta.

Antes da segunda semana do ano chegar ao final, ela encaminhou relatório ao Supremo Tribunal Federal, em resposta às informações solicitadas em dezembro pelo ministro Ricardo Lewandowski ao suspender as investigações da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça.

Calmon anexou ao relatório os resultados do rastreamento feito pelo Coaf, orgão de inteligência do Ministério da Fazenda, que descobriu R$ 856 milhões em "operações financeiras atípicas" (R$ 274 milhões em dinheiro vivo) feitas por 3.426 juízes e servidores no período entre 2000 e 2010.

Está explicado o motivo da revolta de alguns setores do Judiciário, especialmente em São Paulo, por onde começou a fiscalização, contra a corregedora Eliana Calmon, que no ano passado denunciou a existência de "bandidos de toga" e foi acusada por uma quebra generalizada de sigilos fiscal e bancário, o que ela nega veementemente em seu relatório de 46 páginas e nove anexos.

Só nesta quinta-feira, no mesmo dia em que a Corregedoria Nacional de Justiça divulgou que 45% dos magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo não entregaram suas declarações de renda e de bens de 2009 e 2010, o novo presidente do TJ-SP, Ivan Sartori, deu um prazo de 30 dias para que todos cumpram a lei.

O levantamento do Coaf começou a ser feito em 2010, quando a baiana Eliana Calmon Alves, 67 anos, assumiu a corregedoria nacional do CNJ (seu mandato vai até setembro deste ano). Foram pesquisados os nomes de 216 mil servidores.

No relatorio entregue ao STF, a corregedora deixa claro que "atipicidade" não significa crime ou irregularidade, mas a necessidade de dar sequência às investigações sobre as movimentações financeiras destes magistrados.

"Não há nada de incomum ou extravagante na fiscalização (...) Alguns tribunais, em especial os estaduais, não observavam o cumprimento de preceitos fundamentais, diversamente dos demais tribunais (federais e trabalhistas)", justificou a ministra.

Agora, quando os onze membros do STF voltarem das férias, em fevereiro, e forem julgar a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, após a última sessão da Corte em 2011, praticamente suspendendo as atividades da corregedoria, eles terão novas informações para o julgamento definitivo sobre as atribuições do Conselho Nacional de Justiça.

A depender desta decisão, a absoluta maioria dos magistrados brasileiros certamente agradecerá à competente e destemida ministra Eliana Calmon, símbolo da brava gente brasileira, pelo resgate da imagem do Judiciário, abalada ultimamente pela denúncia de malfeitos diversos, defesa de privilégios e irregularidades na concessão de benefícios.

Salve Eliana Calmon, a Justiça brasileira agradece a sua coragem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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callcenter 450x338 Não me liguem mais, não me escrevam mais

Não tem mais hora nem dia, não tem limites. Por telefone ou por e-mail, operadoras de telefonia, bancos, corretores de imóveis e lojas te bombardeiam o tempo todo, oferecendo novos serviços, descontos fantásticos, cabelos para os carecas, novidades eletrônicas, viagens paradisíacas e até bilhetes premiados.

Por isso, em defesa da minha sanidade mental e do meu direito de trabalhar em paz na própria casa, no meu computador pessoal, estou lançando um apelo público resumido no título deste post: pelo amor de Deus, não me liguem mais, não me escrevam mais, tenham piedade de mim.

De uns tempos para cá, os ataques eletrônicos se multiplicaram em progressão geométrica, invadiram as nossas horas de sono e os finais de semana, entopem as caixas postais de todo mundo, não respeitam mais nada nem ninguém.

Empresas de telemarketing, call center e vendas de mailing (esta praga que acabou com a nossa privacidade) brotam como cogumelos por toda parte e seus exércitos já contam com mais de 600 mil soldados para te atazanar a vida e não dar um minuto de sossego.

As tropas dos bancos e operadoras atacam mais pelos telefones fixos ou celulares; corretores de imóveis descobriram a internet e se acham no direito de nos tratar com a maior intimidade para informar sobre os últimos lançamentos em qualquer canto do país.

Além de tudo, trata-se de uma concorrência desleal com seus próprios colegas de imobiliária e com os empresários do setor formalmente instalados, que pagam aluguel, taxas, impostos, funcionários. A custo quase zero, estes espertos disparam milhares de mensagens a esmo e ficam se balançando na rede esperando um retorno.

O que posso fazer para provar a todos eles que não ganhei na loteria, não quero comprar mais nada, estou contente com o que tenho e com os serviços que contratei?

Os call centers, que em sua origem deveriam funcionar como centrais de atendimento ao consumidor, transformaram-se em centrais de vendas. Depois que comprou, dane-se o consumidor. O importante é vender, cumprir cotas, atingir metas.

Acreditem: o primeiro telefonema que recebi logo cedinho  no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, não foi de nenhum amigo ou parente. Foi de uma moça da operadora TIM querendo me oferecer alguma coisa especial, como se estivesse me fazendo um favor.

Eu não acreditei no que estava ouvindo. Perguntei a ela: você sabe que dia é hoje? Enquanto ela pensava para responder, desejei-lhe um feliz Natal, desliguei o telefone e voltei a dormir. Quem foi o gênio do marketing que colocou essa moça para trabalhar no dia de Natal?

Tenho um celular da TIM faz quase dez anos, nunca troquei de aparelho nem de operadora, nunca me queixei de nada, estou feliz assim. Por que diabos eles precisam me ligar quase todo santo dia para oferecer mais não sei o quê? Por favor, tirem meu nome deste mailing.

O problema é que, para você fazer uma reclamação, demora uma eternidade e há  horários limitados de funcionamento. Já para infernizar a tua vida, eles não pedem licença e são ligeiros para vender seu peixe sem perguntar antes se você pode atender ou se está interessado naquilo.

Tem jeito isso?

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alckmin maluf montagem Eleição paulistana vira uma zona federal

O tucano Geraldo Alckmin, herdeiro de Mário Covas, andando de braços dados e trocando elogios com Paulo Maluf, que lança a candidatura do governador a presidente da República (em 2018)?

O ex-malufista Gilberto Kassab, agora aliado de José Serra, propõe ao ex-presidente Lula uma aliança do seu PSD (ex-DEM) com o PT nas eleições em São Paulo?

Os eleitores paulistanos terão certa dificuldade para entender o cenário que está sendo montado neste momento pelos principais partidos para a disputa de outubro.

Os primeiros movimentos em busca de alianças exóticas entre antigos inimigos políticos mostram que a sucessão municipal em São Paulo está virando uma autêntica zona federal em que ninguém é de ninguém.

Por trás de tudo, está a guerra entre alckmistas e serristas, que vem desde eleição anterior vencida por Gilberto Kassab, então no DEM, em 2006, com o apoio do governador José Serra, deixando órfão Geraldo Alckmin, que não foi nem para o segundo turno.

Agora, para se vingar, a turma de Alckmin, de volta ao posto de governador, procura alianças com meio mundo, até com Paulo Maluf e o PDT, tradicional parceiro do PT, para isolar o PDS e a ala serrista do tucanato liderada por Alberto Goldman e Aloisio Nunes Ferreira.

Por isso, o lance feito por Kassab de oferecer a Lula um vice do PDS para compor a chapa do petista Fernando Haddad foi apenas uma forma de pressionar os tucanos, sem a menor chance de dar certo. O sonho inicial de Kassab era lançar o seu aliado Guilherme Afif para prefeito com um vice tucano, proposta rejeitada pelo PSDB, que resolveu fazer prévias em março.

Mesmo que Lula gostasse da ideia, para ampliar o apoio ao seu candidato, a proposta seria rejeitada pelo PT paulistano, que passou oito anos atacando a administração Serra-Kassab e se prepara para fazer uma campanha dura de oposição ao prefeito.

Correndo por fora dos grandes partidos, estão no momento os candidatos Celso Russomano (PRB), Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha (PPS), que aparecem nos três primeiros lugares na última pesquisa Datafolha, e o peemedebista Gabriel Chalita, cria de Alckmin, ainda correndo na turma do fundão junto com Haddad.

Desde que voltamos a ter eleições diretas para eleger os prefeitos das capitais no longo processo de redemocratização do país nos anos 80, nunca vi um quadro tão confuso e indefinido numa campanha em São Paulo, faltando apenas dez meses para irmos às urnas.

E o caro leitor do Balaio o que está achando deste samba do voto doido?

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"Vovô, o mundo vai acabar mesmo?", perguntou-me bastante preocupada a neta mais velha, de oito anos, enquanto a gente fazia compras num mercadinho na praia de Paúba, em São Sebastião.

Sempre interessada em tudo o que acontece à sua volta, ela estava prestando atenção na televisão junto ao caixa e ouviu alguma coisa a respeito.

Foi um custo convencê-la de que isto é bobagem, o mundo não vai acabar coisa nenhuma, pode ficar tranquila. Desconfiada, volta e meia ela vinha de novo com o assunto, querendo saber porque estavam falando aquilo na televisão.

Nem deve ter dormido direito naquela noite. Laura já lê jornal e revista, adora livros, navega na internet e quer saber o por quê de tudo. As crianças de hoje, ao contrário do que muita gente pensa, são muito sabidas e curiosas.

Tentei lhe explicar que isso é coisa de um tal de calendário maia que anuncia para dezembro deste ano o fim do mundo. Não é a primeira vez. Já tivemos muitos fins de mundo anunciados e não cumpridos. Pelo menos até o momento em que escrevo este texto, nosso planetinha ainda não acabou.

Naqueles dias da semana passada, tinha acabado de ler todas as retrospectivas e perspectivas publicadas pelos nossos urubólogos e futurólogos de plantão _ e, de fato, fiquei com a sensação de que estávamos mesmo caminhando para o final dos tempos. Em resumo, o mundo foi uma desgraça só em 2011, e pode piorar mais um pouco em 2012.

A ser verdade tudo o que meus colegas previram de problemas, crises e impasses em 2012, no Brasil e no mundo, pode ser mesmo que os maias tenham alguma razão.

Para completar, alguns portais publicaram as previsões apocalípticas do resistente Fidel Castro, que voltou a escrever um artigo depois de andar sumido nos últimos meses. Aos 85 anos, ele adverte que não temos muito futuro por causa das mudanças climáticas e da ameaça de conflitos nucelares. Para o articulista Fidel, o mundo corre perigo.

As primeiras notícias do ano também não ajudaram a acalmar a minha neta. O de sempre: tragédia das águas, mortos e desabrigados, malfeitos em geral na Justiça, ministro balançando e se explicando, o PSDB esperando uma definição de José Serra, cracolândia em pé de guerra e até um prédio implodido com 800 quilos de dinamite que permaneceu em pé.

De fato, o começo do ano não foi dos mais animadores, mas tenho esperanças de que ainda vamos comer peru neste Natal e, quem sabe, nos próximos. Para dormir tranquila, Laurinha só deve evitar aqueles noticiários que não fazem bem para a saúde das crianças.

Sejam todos bem-vindos a 2012. E seja o que Deus quiser... Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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