TOQUE TOQUE PEQUENO _ Manhã de domingo de sol nesta pequena praia de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Só se ouve o barulho do mar, dos passarinhos e de cachorros latindo. Parece que o mundo parou, todos ainda estão dormindo. O jornal ainda não chegou. Abro o computador e encontro as mesmas notícias de ontem, de anteontem, da semana que passou.

Sem nada para fazer, nem ninguém para conversar, sento na varanda e fico só olhando o jardim, os passarinhos indóceis voando de uma árvore para outra, cantando, como se estivessem dizendo bom dia.

Só não é um dia como outro qualquer porque hoje é meu aniversário, mas ninguem precisa mandar presentes nem mensagens. Nesta idade, pensando bem, melhor é nem lembrar da data. Tenho cada vez menos tempo pela frente do que para trás. Nunca fiquei e me senti tão velho.

Neste mesmo dia, um velho amigo, ainda mais velho do que eu, também faz aniversário. Só que hoje não vai dar pra gente comemorar juntos, como fazemos todos os anos, porque ele está preso em regime fechado, bem longe daqui, na Papuda.

Conheci o Zé Dirceu tão falado em 1968. Os dois estávamos começando na carreira: o Zé na política e eu no jornalismo. Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, ele foi preso junto com outros mil naquele fatídico congresso clandestino da UNE de 1968, em Ibiúna.

dirceu 450 O tempo correu e o Zé Dirceu continua mais velho

Cada um no seu quadrado, participamos juntos de todas as lutas pela redemocratização do país e depois das campanhas e do início do primeiro governo de Lula. Nem sempre concordando, muitas vezes brigando por pontos de vista diferentes, mas sempre respeitando um o papel do outro, choramos e rimos juntos numa relação fraterna feita de lealdade e sonhos mútuos que atravessou quase cinco décadas.

O tempo correu e o Zé virou um senhor de 68 anos, dois a mais do que eu, embora pareça muitos mais, ou seja, é quase de uma outra geração... Nunca vou alcançá-lo... No silêncio desta manhã de domingo, separados por mais de mil quilômetros e os muros da Papuda, mando daqui um forte abraço, embora o braço quebrado ainda doa quando escrevo. Espero que logo a justiça se faça e o meu braço e a liberdade dele estejam recuperados.

Nada como o tempo pra curar as feridas e ter certeza de que a força de uma amizade é maior do que tudo, maior do que a dor que a gente às vezes sente. A vida é dura, como ele sempre dizia quando a gente estava no governo, mas vale a pena. Até breve, companheiro.

 

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fhc Gols contra do governo reanimam oposição tucana

Como era de se esperar, ao perceber que esticou demais a corda, o governo Dilma resolveu ceder às chantagens do PMDB e abriu seu balaio de bondades: entregou ao partido dois ministérios (Agricultura e Turismo), mandou seus ministros reabrirem o diálogo com os rebelados e prometeu liberar finalmente as verbas das emendas parlamentares, mas pode ter sido tarde demais para recuperar o controle da situação, depois de marcar muitos gols contra nas últimas semanas, que acabaram reanimando a oposição. Isso só vamos saber quando forem divulgadas as próximas pesquisas.

Ao comprar uma briga que não precisava, levando a reforma ministerial em banho-maria até secar a água, os articuladores do governo pareciam até o zagueiro artilheiro Antônio Carlos, que marcou dois gols contra o São Paulo no jogo de domingo contra o Corinthians. Para completar, Dilma ainda foi fazer a graça de dizer que o PMDB só lhe dá alegrias, no momento mais tenso das relações com seu principal aliado, que se juntou a outros partidos para encurralar o governo.

Resultado: depois de Eduardo Campos chutar o balde na semana passada ao dizer que o país não aguentava mais quatro anos de Dilma, até os tucanos, que andavam quietinhos em seu ninho, resolveram mostrar os bicos, na esperança de faturar o descontentamento do PMDB e de outros partidos aliados, que impuseram duras derrotas ao governo nos últimos dias, com a criação de uma comissão para investigar a Petrobras e a convocação de dez ministros para prestar contas ao Congresso Nacional.

Na quarta-feira, em meio ao tiroteio do fogo amigo, o candidato Aécio Neves deu a sua mais contundente entrevista contra o governo Dilma, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma palestra no mesmo tom e até José Serra ressuscitou com um artigo ácido como se estivesse ainda em campanha: "Poucas vezes a condução governamental atrapalhou tanto os rumos da economia brasileira como nos dias atuais".

"Um governo autoritário, que não quer aliados, quer vassalos. Um governo que não quer partidos para compartilhar um projeto de Brasil, quer aliados para vencer as eleições", mandou ver o presidenciável Aécio Neves, jogando uma isca para os dissidentes do PMDB.

Aécio não deixa de ter razão quando afirma que "isso tudo é consequência da arrogância com que o PT vem conduzindo o governo até aqui, e agora colhe estes frutos". Como se tivessem combinado, FHC, que se tornou o principal cabo eleitoral de Aécio, disse num debate sobre os 20 anos do Plano Real que o governo "impõe uma agenda da ditadura(...) à revelia da sociedade e do Congresso".

O ex-presidente pregou uma "radicalização da democracia" e atacou duramente o presidencialismo de coalizão: "Não temos coalizão. O que temos é cooptação. Não estão brigando por um projeto, mas por espaço. O resultado é o esvaziamento da agenda pública". E qual seria o projeto ou a agenda do PSDB? Isto nem Aécio, nem FHC nem Serra conseguiram definir até agora em suas arengas contra o governo.

O mais estranho é que até o momento em que escrevo, na manhã desta quinta-feira, não apareceu ainda nenhum líder do governo ou do PT para rebater as críticas tucanas e defender a presidente Dilma, que parece cada vez mais isolada no enfrentamento de uma situação que lhe é bastante desfavorável no momento, recebendo críticas de todos os lados, até de tradicionais apoiadores dos governos petistas.

É recomendável que a presidente Dilma viaje menos e se dedique mais a arrumar a casa governista, que anda meio de pernas para o ar. E é natural que a combalida oposição se aproveite disso, até para cada um demarcar o seu espaço na luta por uma vaga no segundo turno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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agencia Foto desnuda a classe política que nós elegemos

Nada resume melhor o atual momento político no país do que a foto acima, registrando para a posteridade um momento sublime do Congresso Nacional, na noite de terça-feira. Seria algo absolutamente normal numa democracia, se os parlamentares flagrados num momento de euforia juvenil, após derrotar o governo numa votação, fossem da oposição. Só que a maioria deles pertence à base aliada do governo Dilma.

Na dança do bumba meu boi em que se transformou o plenário da Câmara, ninguém é mais de ninguém, e entramos naquele clima de salve-se quem puder, em que os derrotados, no final do espetáculo, acabam sendo sempre os mesmos, ou seja, nós eleitores, que escolhemos esta gente alegre para nos representar.

A coitada da bancada da oposição, com seus 90 deputados, não consegue aprovar sozinha nem voto de condolências. A acachapante derrota sofrida pelo governo por 267 votos ( 158 deles de deputados governistas) a 28, ao ver aprovada a proposta de criação de uma comissão externa para investigar irregularidades na Petrobras, foi comandada pelo PMDB, o maior partido aliado, que garantiu 58 votos dos seus 75 deputados que estavam no plenário, sob o comando de Eduardo Cunha, o líder da rebelião armada contra a presidente Dilma, que estava no Chile. Outros "aliados" que fizeram a festa da oposição foram PTB, PSC, PR e PSD.

Reparem bem na foto: mesmo que seus partidos, a começar pelo PMDB, apoiem oficialmente a reeleição da candidata do PT, alguém pode imaginar só uma destas excelências de braços erguidos e punhos cerrados, comemorando aos gritos a derrota do governo, vá mesmo fazer campanha para Dilma em seus Estados?

Por mais que não se acredite num rompimento formal do PMDB de Michel Temer, outro derrotado da noite, com o PT de Dilma, sempre é bom lembrar o que aconteceu nas eleições presidenciais de 2002.

Na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, o PMDB decidiu oficialmente apoiar o tucano José Serra, candidato do governo, e até indicou a vice, deputada Rita Camata, do Espírito Santo. Ao longo da campanha, no entanto, vários diretórios estaduais do PMDB resolveram apoiar Lula, que acabou conquistando sua primeira vitória após três tentativas frustradas.

Pode ser que agora a presidente Dilma e seus principais auxiliares caiam na real e percebam que o problema não está só em Eduardo Cunha, um parlamentar de muitos negócios e interesses, que catalisou o descontentamento de amplos setores da antiga base aliada por não suportarem mais a onipotência do Palácio do Planalto baseada nas pesquisas favoráveis. Reunida durante três horas antes da votação, a bancada do PMDB na Câmara deu total apoio ao seu líder e fez novos ataques ao PT e ao governo.

Ficou mais uma vez evidente a falta de articulação politica do governo, cujas principais lideranças mantêm um obsequioso silêncio, deixando a presidente Dilma solta no espaço e desinformada a ponto de afirmar em Santiago que "o PMDB só me dá alegrias".

A goleada sofrida na terça-feira pode ter sido apenas a primeira derrota imposta ao governo, um aviso de que o jogo será pesado daqui para a frente. Cunha e sua turma podem ter gostado da brincadeira e já preparam novas cascas de bananas, como a convocação de ministros e da presidente da Petrobras. O pior de tudo é que não há o menor clima para votar o marco civil da internet, principal projeto do governo em discussão no Congresso, que os rebelados querem derrubar a qualquer preço, atendendo aos interesses de grandes empresas do setor.

Nestas horas, nunca é demais lembrar a célebre frase de Ulysses Guimarães, um líder político como não há mais, que ao ouvir de um colega que aquele era o pior Congresso que o país já tivera, advertiu: "Espere para o ver o próximo...".

Não nos esqueçamos que dia 5 de outubro temos eleições gerais, e não só para presidente da República. É a hora em que os eleitores podem dar a volta por cima e mandar muitos nobres parlamentares de volta para casa.

 

 

 

 

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dilma ok ok Governo X PMDB X PT: quem é que ainda aguenta isso?

Vamos falar bem a verdade: ninguém aguenta mais este interminável arranca-rabo entre o governo Dilma e os dois maiores partidos da base aliada em torno da troca de ministros e da formação dos palanques estaduais. Desde o final do ano passado, não há outro assunto em Brasília a não ser este varejão da política que consome todo o tempo do governo e dos partidos em reuniões que não decidem nada e só servem para marcar novas reuniões.

E tudo isso apenas por causa dos seis minutos que o PMDB tem na propaganda eleitoral ou alguém imagina que as divergências se devem à discussão de um projeto para o país visando os próximos quatro anos, caso a atual aliança seja reeleita? Ou alguém vai votar em Dilma porque ela tem o apoio do PMDB e Michel Temer como vice?

É tudo um grande teatro da política do absurdo que até agora só serviu para trazer ao palco principal uma figura menor do pior fisiologismo, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB carioca, que faz ameaças e fala como se fosse líder da oposição, mas não larga os ossos que tem no governo _ ao contrário, quer mais.

Como o PMDB não é um só partido, mas vários _ o do Sarney, o do Renan, o da bancada do Senado, o da bancada da Câmara e o dos "independentes" que só jogam contra _ a presidente da República é obrigada a falar com um por um separadamente, consumindo com a administração de picuinhas partidárias a agenda que deveria ser dedicada aos graves problemas que o país enfrenta em diferentes áreas.

Ainda não consegui descobrir onde Dilma quer chegar com a embromação desta reforma ministerial que se arrasta há meses, só dando munição para os candidatos da oposição e aos setores do empresariado cada vez mais contrariados com a presidente.

O melhor sintoma de que as coisas não vão bem, e falta um norte para o governo neste momento, é que de uns tempos para cá ninguém mais quer falar nem em off, ninguém atende às ligações no Palácio do Planalto, nem dá retorno. Cada um que escreva o que quiser porque o governo, tão cheio de certezas, não tem explicações a dar sobre o que está acontecendo.

Não dá para entender este comportamento defensivo do governo, enquanto as pesquisas lhe são amplamente favoráveis e a oposição continua se arrastando, mais preocupada em atacar Dilma do que em se apresentar ao eleitorado com propostas para o país.

Já estamos no terceiro mês de 2014, e até agora o Congresso não discutiu nem aprovou nenhum projeto importante para o país, não há sinal de qualquer mudança na condução da política econômica, que não vai bem das pernas, o norte do país se afoga nas águas e o sul corre risco sério de ter racionamento de água e de luz por causa da seca, a violência corre solta e novas greves ameaçam serviços públicos básicos.

Está na hora de virar o disco e cuidar do que realmente importa, pois ninguém suporta mais esta distância entre as reuniões sem fim de Brasília para administrar o presidencialismo de coalizão, que está com o prazo de validade vencido, e os grandes desafios do país real.

Afinal, faz alguma diferença para o caro leitor/eleitor saber quantos ministérios tem o PMDB ou o PT, e em quantos Estados os dois partidos estarão aliados nas eleições estaduais?

 

 

 

 

 

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92ccduyvda 5jqte8jfp6 file Eduardo Campos chuta o balde ao atacar Dilma

"O Brasil não quer mais Dilma".

"Dilma já está de aviso prévio".

O autor dos disparos acima é o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que nos últimos dias resolveu mudar de tática e resolveu chutar o balde ao atacar diretamente a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Há meses empacado nas pesquisas, o candidato da chamada "terceira via", que vinha fazendo uma dobradinha de oposição light com Aécio Neves, do PSDB, resolveu deixar de lado seu jeitão de nordestino cordato, sempre disposto a aparar arestas políticas com uma boa conversa. No último fim de semana, viajando pelo interior de Pernambuco, Eduardo mostrou a nova face da sua campanha.

Em Nazaré da Mata, o governador pernambucano foi direto ao assunto: "Não dá mais para ter quatro anos de Dilma que o Brasil não aguenta. O Brasil não aguenta e o povo brasileiro sabe disso. É no Brasil inteiro". Para ele, a adversária que lidera as pesquisas "acha que sabe de tudo, mas não sabe é de nada".

Eduardo Campos subiu ainda mais o tom ao falar  na manhã desta segunda-feira para um auditório lotado na Associação Comercial de São Paulo, tradicional reduto conservador. "O arranjo políitco de Brasília já deu o que tinha que dar (...). Eu poderia esperar até 2018, mas acho que nosso país não aguenta esperar".

Bastante aplaudido, o candidato repetiu críticas que os empresários vêm fazendo ao governo: "Para os agentes econômicos fica a impressão de que falta um olhar de longo prazo. Para onde estamos indo, o que vamos fazer?, perguntou, sem dar nem esperar respostas.

Até aqui vendido pelos marqueteiros como candidato da "nova política", uma opção à velha disputa entre PT e PSDB, Eduardo Campos foi apresentado aos empresários paulistas por ninguém menos do que Jorge Bornhausen, o mais vistoso símbolo do que há de mais reacionário na política brasileira, ex-expoente da Arena, do PDS e do PFL, um cacique que foi ministro de Fernando Collor e tinha muita força no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Hoje sem mandato, Bornhausen é agora o mais forte aliado de Eduardo Campos, depois de Marina Silva, que deve ser a sua vice da chapa do PSB. Se Marina já rodou o xale ao saber que Ronaldo Caiado estava na aliança, dá para imaginar como deve ter gostado da chegada do companheiro Bornhausen e da adesão de Roberto Freire, Heráclito Fortes, Inocêncio de Oliveira, etc. Nova política? Assim, o que vai sobrar para Aécio Neves?

O novo estilo belicoso do presidenciável socialista, que rompeu recentemente com o governo do PT, certamente tem muito a ver com a forma Jorge Bornhausen de fazer política. Pelo jeito, a guerra eleitoral já começou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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margarida ok Aos 91, Margarida Genevois continua firme na batalha

Muitas mulheres dedicam toda sua vida à família, a cuidar dos filhos e do marido, para preservar a harmonia na casa. Devemos muito a elas. Outras, mais recentemente, ocupam a maior parte do seu tempo com a sua profissão, o trabalho fora de casa, e vão conquistando altas posições em todos os setores da sociedade, até a presidência da República, como acontece no Brasil. São admiráveis.

Pouquíssimas, porém, são as que, além de cuidar da família e da carreira, abrem mão de tudo para ajudar o próximo, a batalhar todo dia com as próprias mãos por um mundo melhor, mais justo e solidário, mesmo sem partido, cargo público nem mandato, apenas pela vontade de servir à humanidade.

Dois dias após o Dia Internacional da Mulher, que todos celebramos neste sábado, na próxima segunda-feira, dia 10, uma destas mulheres vai completar 91 anos _ e continua firme e forte na sua batalha em defesa dos Direitos Humanos, ela que é uma das pioneiras nesta luta em todo o mundo.

É impossível não lembrar neste dia de uma figura emblemática do universo feminino, a minha amiga Margarida Bulhões Pedreira Genevois, com sua voz sempre mansa a afagar os aflitos e suas atitudes da maior firmeza para enfrentar as injustiças e denunciar as arbitrariedades, praticadas não só contra as mulheres, mas em defesa de qualquer ser humano que necessite de ajuda.

Três vezes presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, onde tive a oportunidade de ser colega dela, nos piores momentos da ditadura militar brasileira, que foi implantada há meio século, Margarida foi durante 25 anos o braço direito e também o esquerdo de D. Paulo Evaristo Arns, um dos maiores  símbolos da resistência durante este período triste da nossa história.

Nunca teve medo de cara feia quando se tratava de encarar autoridades responsáveis pelas ameaças à vida humana e nunca foi de mandar recados ou emissários. Ia pessoalmente aos lugares dos conflitos, mesmo correndo risco de vida, como aconteceu quando fomos à região do Araguaia conflagrada pelos conflitos de terra nos anos 70 do século passado.

E até hoje a doce e rija Margarida continua viajando sozinha pelo Brasil e pelo mundo, onde quer que precisem dela. Guerreira solitária, acabou formando legiões de seguidores das suas ideias e dos seus ideais para tornar este mundo menos violento e mais fraterno.

Se hoje temos muitas Margaridas espalhadas por este mundão afora, devemos a ela o exemplo de nunca desanimar diante das dificuldades, nem que seja apenas para oferecer um sorriso e repetir, como D. Paulo, a palavra mágica que move e muda o mundo: coragem!

Viva Margarida neste dia da mulher e em todos os outros!

 

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dilma ok PMDB esticou a corda demais, avalia governo

Como o Carnaval baiano, o impasse entre o governo, o PT e o PMDB não tem dia para acabar. Na pajelança de quarta-feira no Palácio da Alvorada, que reuniu Dilma e Lula com o comando da campanha da reeleição, a avaliação geral é que "o PMDB esticou a corda demais" nos embates sobre a reforma ministerial e as alianças nas eleições estaduais, tendo ainda como pano de fundo a insatisfação do baixo clero pela demora na liberação das verbas das emendas parlamentares.

"Por acaso o PMDB ficou mais forte de um ano para cá para querer outro ministério?", indagou um dos participantes da reunião para justificar a posição da presidente Dilma de não aumentar o número de ministérios do PMDB, apenas alojando o senador Vital do Rego no lugar de Gastão Vieira no Ministério do Turismo.

A posição do governo é não ceder às chantagens do líder do PMDB na Cãmara, Eduardo Cunha, que entrou em confronto aberto com Rui Falcão, presidente do PT. Dilma vai fazer o que tem que fazer com o PMDB e não há divergências entre Dilma e o ex-presidente Lula sobre este assunto, que será tratado com o vice presidente Michel Temer.

Diante desta quadro, pergunta-se: o que o PMDB pode fazer tendo cinco ministérios no governo e mantendo Temer como vice na chapa da reeleição? Para os petistas, o PMDB tem que decidir se quer ser governo ou ir para a oposição, como ameaça Eduardo Cunha, um 0bscuro deputado do PMDB carioca com interesses pessoais variados, que conta com o apoio dissimulado de Henrique Alves, o peemedebista que preside a Câmara.

Para Eduardo Campos o PMDB não pode correr, porque Marina Silva não deixaria, em nome da "nova política", e Aécio Neves não parece ser uma alternativa atraente, a julgar pelos seus índices de intenção de votos que há meses não saem do lugar. Como o PMDB não leva muito jeito para ser oposição, o mais provável é que continue tudo como está, com os dois partidos administrando as divergências no varejo, enquanto as anunciadas mudanças no ministério ficam em banho-maria.

 

 

 

 

 

 

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O menino Neymar saiu de campo na quarta-feira levando todas as glórias com os três gols que marcou no passeio de 5 a 0 contra a África do Sul. Muito justo. Só esqueceram de um personagem, que não é dos meus prediletos, pelo seu jeito bronco e autoritário de ser, mas se tornou o principal responsável por voltarmos a acreditar no nosso taco e termos orgulho da seleção brasileira que vai disputar a Copa em casa daqui a 100 dias.

A camisa é a mesma, os jogadores são praticamente os mesmos e, no entanto, é um outro Brasil que estamos vendo em campo, apenas um ano depois de Felipão assumir o comando. Nem é o caso de dizer que o velho treineiro deu uma outra cara à seleção. Nos dois anos em que posou de técnico, Mano Menezes convocou mais de cem jogadores sem conseguir montar um time de respeito. Era uma seleção brasileira mambembe, sem cara nenhuma, que não impunha o menor respeito aos adversários.

futebol ok De Mano a Felipão, um outro Brasil está em campo

Foi um grande erro entregar a seleção a um técnico sem personalidade nem currículo (dois títulos da segunda divisão e um da Copa do Brasil), produzido nos laboratórios de mídia training, que falava difícil para não dizer nada, e não conseguia se impor nem diante dos jogadores, mandando a campo um time diferente a cada jogo.

Agora, não. Até eu, que não sou um especialista do ramo, mas gosto de dar meus palpites sobre futebol, já sei escalar de cor o time e como ele vai jogar, encurralando o adversário em seu campo e partindo para contra-ataques mortais em alta velocidade, como vimos ontem na África do Sul.

Com sua psicologia de analista de Bagé, sabemos que Felipão é teimoso como uma mula para manter sua "família" unida e vai insistir até o fim com Júlio Cesar e Fred, os dois pontos fracos da seleção, mas agora pelo menos temos um time e basta trocar um ou outro para entrarmos como favoritos na Copa, sem termos que temer nenhum adversário. Se for para ganhar o hexa, nem importa que de vez em quando ele dê algum coice em jornalista mais abusado.

Ou tem alguém aí com saudades do bom mocismo de Mano Menezes?

 

 

 

 

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champa Pois agora, sim, podemos dizer: Feliz Ano Novo!

Manhã de Quarta-feira de Cinzas, o país ainda meio de ressaca, agora finalmente 2014 pode começar. Falo, naturalmente, do Brasil dos gabinetes oficiais, pois para a maioria de nós brasileiros, os simples mortais contribuintes, já entramos no terceiro mês de batente.

O que podemos esperar deste ano de Copa do Mundo e eleições gerais, que começou com secas e enchentes, e promete muitos raios e trovoadas mundo afora? Do jeito que as coisas andam, do Brasil à Ucrânia, passando pela Síria e pela Venezuela, sem esquecer do sempre conflagrado Oriente Médio, qualquer previsão que se queira fazer pode ser uma irresponsabilidade.

Por aqui, é possível que a presidente Dilma anuncie os novos ministros ainda esta semana, depois de uma reunião com o ex-presidente Lula marcada para hoje, em Brasília. Quaisquer que sejam os nomes ungidos, não vai fazer muita diferença no nível dos reservatórios, na tábua de marés nem nas nossas vidas.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal vai passar uma semana de calmaria, com a viagem do beligerante presidente Joaquim Barbosa à África, para fazer um "intercâmbio jurídico", e o Congresso Nacional retomando os trabalhos (força de expressão), se as excelências voltarem dos folguedos momescos, deparando-se com a empolgante refrega entre o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e o presidente do PT, Rui Falcão, mais uma vez ameaçando romper a pouco sagrada aliança.

Assim começa oficialmente o novo ano. E o caro leitor do Balaio, o que espera dele? Quais são os sonhos que os leitores esperam realizar em 2014? Espero que vocês me mandem bons motivos para manter vivas as esperanças em um país e um mundo menos conflituosos. Quem tiver alguma notícia boa mande pra mim que eu publico.

Vou parando por aqui porque o braço quebrado já está doendo, mas isso logo passa. Feliz Ano Novo!

 

 

 

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aecio campos Aécio e Eduardo: dois em um empacam na mesmice

Levado às últimas consequências, o tal pacto de não agressão firmado entre Aécio Neves e Eduardo Campos, ainda no ano passado, pode ser uma das razões para explicar porque, pesquisa após pesquisa, os dois continuam empacados no mesmo lugar, enquanto a presidente Dilma, candidata à reeleição, segue liderando a corrida só voando no piloto automático.

Os discursos com críticas à política econômica e à imensa base aliada do governo são absolutamente iguais, sem que nenhum dos dois consiga dizer uma palavra sobre o que pretende efetivamente fazer para melhorar a vida dos brasileiros caso seja eleito.

A única diferença visível a olho nu entre os dois candidatos é que Eduardo Campos, ao lado de Marina Silva, prega o surgimento de uma "nova política", sem explicar do que se trata e como pretende governar, enquanto Aécio se dedica no momento a celebrar os 20 anos do Plano Real, sempre levando Fernando Henrique Cardoso a tiracolo como seu maior cabo eleitoral.

Pelo jeito, até agora, não ganharam nenhum voto com isso. Aécio, com 17%, ainda está longe dos índices de José Serra na mesma época das duas campanhas que disputou e perdeu, e Eduardo, que encarnaria a terceira via, fora da polarização PT-PSDB, não passa dos 12%, sempre ficando abaixo de Marina, segundo o último Datafolha.

A campanha dos candidatos "dois em um" acaba confundindo os eleitores que não querem mais quatro anos de PT, porque ficam sem saber o que os levaria a votar num ou noutro, já que divergências entre eles não há.

É verdade que Aécio é mais conhecido, está na oposição há mais tempo e tem uma estrutura partidária maior, e Eduardo está estreando neste papel, depois de romper com o governo Dilma no ano passado. Mas o fato é que só um dos dois poderá passar ao segundo turno, caso haja uma nova rodada, mantidas as atuais tendências das pesquisas.

E, em algum momento, um dos dois terá que dizer que discorda do outro em qualquer coisa e apresentar alguma proposta diferente para o país, já que até agora parecem defender uma candidatura única até nos adjetivos e exemplos usados para desconstruir o governo Dilma.

Os dois garantem que vão manter os principais programas sociais dos governos Lula-Dilma, mas prometem fazer algumas mudanças, sem explicitar quais e como. Por enquanto, ambos são candidatos de oposição genéricos, sem uma marca definida, faltando apenas sete meses para as eleições.

 

 

 

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