foto 1 Brasil conquista o mundo e seleção perde o respeito

Resumo da ópera: o Brasil conquistou o mundo ao organizar a melhor Copa da Fifa de todos os tempos, segundo a opinião unânime da imprensa internacional, e a seleção brasileira pentacampeã mundial perdeu o respeito de quem ama o futebol.

A derrota por 3 a 0 para a Holanda neste sábado serviu apenas para mostrar que os 7 a 1 que a Alemanha meteu nos meninos de Felipão, quatro dias antes, não foi um acidente de percurso, um "apagão", como quis demonstrar com planilhas a indigente comissão técnica formada pela CBF sob o comando de um provecto senhor chamado José Maria Marin, de triste memória.

Escrevo antes da final entre Alemanha e Argentina, no Maracanã, e de ler o noticiário do dia porque, qualquer que seja o resultado, a Copa no Brasil para mim já terminou e agora não adianta chorar o leite derramado.

Foram, na verdade, duas Copas do Mundo, bem distintas para nós.

Dentro de campo, assistimos a jogos fantásticos, uma chuva de gols, defesas espetaculares, emoção do começo ao fim das disputas, uma festa permanente nos estádios lotados, um bilhão de pessoas no mundo todo assistindo a esta maravilhosa ópera do futebol. A grande decepção ficou por conta da seleção brasileira, tão endeusada por nossa imprensa antes do evento começar. Deu vergonha.

Fora de campo, não só tudo funcionou perfeitamente, do acesso aos estádios aos aeroportos, da segurança aos serviços públicos, bem ao contrário das previsões catastrofistas desta mesma imprensa, como fomos capazes de promover uma grande confratermização universal, que o mundo todo curtiu e aplaudiu durante um mês. Deu orgulho.

Com estes sentimentos contrastantes, somos obrigados a reconhecer: foi uma grande vitória da presidente Dilma Rousseff, que soube segurar o peão a unha e entregou o que o governo brasileiro prometeu, superando todas as expectativas.

E representou, mais uma vez,  a derrota da turma do contra liderada pela grande mídia familiar, incapaz de aceitar até agora que errou feio, antes e durante a copa, passando do terrorismo ao oba-oba, e terminando no chororô de forma melancólica, sem ter em nenhum momento apontado as causas da decadência estrutural do futebol brasileiro, entregue aos que com o esporte apenas querem faturar, faturar, faturar.

Uma rara exceção na nossa imprensa do pensamento único, que é preciso registrar: "O Brasil do eu acredito _ Na grande tragédia da seleção brasileira nesta Copa do Mundo não há inocentes, nem mesmo a torcida", de Eliane Brum, texto definitivo publicado na "Folha de S. Paulo", sexta-feira, dia 11 de julho.

Desta forma, tanto faz Felipão ficar ou se aposentar, se os que mandam continuam os mesmos, sobrevivem os mesmos interesses legais ou escusos, os campos de várzea acabaram e não há projetos nem privados nem públicos para a formação de novos jogadores, como a Alemanha vem fazendo há muitos anos com dedicação e competência.

Por isso, vou torcer daqui a pouco para a Alemanha, que hoje está jogando o melhor futebol do mundo, e também porque veio de lá a minha família materna, que merece este título por tudo o que fez, dentro e fora do campo, na inesquecível Copa no Brasil.

Tinha planejado uma feijoada para este domingo da grande final, mas já que não chegamos lá, vou reunir a família em torno de um belo almoço alemão. Gostaria de convidar todos vocês a esquecer a tristeza pelas acachapantes derrotas que sofremos nos últimos dias e comemorar a grande conquista do povo brasileiro que, com sua hospitalidade e alegria, conquistou o mundo.

A festa acabou, vida que segue.

 

 

 

 

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eleições Eleição é eleição e Copa é Copa, nada têm a ver

Mal acabou o jogo na terça-feira, com o placar mostrando inacreditáveis 7 a 1 para a Alemanha, alguns coleguinhas da imprensa se apressaram em mostrar serviço no afã de analisar como o desastre da seleção brasileira no Mineirazo vai repercutir na campanha eleitoral e derrubar a recandidatura da presidente Dilma Rousseff.

Foram, como de costume, mais realistas do que o rei. No dia seguinte, terça-feira, líderes tucanos trataram de acalmar a tropa amiga, avisando que não é bem assim. O ex-governador José Serra, por exemplo, agora candidato do PSDB ao Senado, alertou os aliados mais afobados a ter calma nesta hora.

"Eu não sei qual é a tradução política disso. Vamos ver nos próximos dias e semanas. Não vou fazer hipóteses, porque, fatalmente, serão confundidas com desejos", alertou, com muita propriedade, o veterano político de tantas campanhas eleitorais, repetindo o que escrevi no post pós-jogo, sob o título "Só com o tempo poderemos entender esta humilhação".

Na mesma linha, o sempre ponderado governador tucano Geraldo Alckmin, candidato favorito à reeleição, lembrou que uma coisa não tem nada a ver com outra: "Aliás, se você verificar, a última Copa que o Brasil ganhou foi em 2002, era o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB perdeu a eleição. Então, não tem essa relação. Mas todos estamos tristes, porque esperávamos um resultado melhor".

Ainda na véspera da partida fatídica, o ex-presidente FHC, ao criticar "algumas pessoas" que estavam misturando futebol com política, previu que o Brasil poderia ganhar a Copa e Dilma perder a eleição. Tinha toda razão, mas a recíproca, deve-se admitir agora, também é verdadeira.

O Brasil não vai mais ser hexa, a Copa de 2014 termina domingo, no Maracanã, disputada entre Alemanha e Argentina, e na próxima semana começa para valer a campanha eleitoral.

Claro que o bom ou o mau humor dos torcedores e o alto ou baixo astral dos eleitores tem influência na hora de decidir o voto, mas o futebol não é responsável por isso. Em qualquer país e qualquer época, com ou sem Copa, determinante na hora do voto é o estado da economia nacional, ou seja, o bolso dos eleitores.

Que a economia brasileira anda capengante este ano, o que prejudica quem está no governo e ajuda a oposição, todos nós sabemos, não é preciso ser um grande analista político. Não basta, porém, mostrar as dificuldades enfrentadas pelo governo e os erros cometidos. É preciso apresentar propostas novas e concretas sobre o que e como fazer para segurar a inflação e fazer o PIB voltar a crescer, sem subir os juros, simples assim.

Se o governo ficar só mostrando as maravilhas que fez e a oposição esculhambar com tudo, vamos ficar num Fla-Flu estéril, que em nada ajuda o país. Eleição é sempre uma renovação de esperanças e o eleitor quer é saber o que os candidatos têm a dizer sobre os caminhos para o futuro.

Temos menos de três meses até as eleições não só para discutir soluções para a economia, mas também uma reforma política ampla, geral e irrestrita, como foi a anistia, sem o que, nada mudará, qualquer que seja o candidato eleito. Com o atual sistema político-partidário-eleitoral, que está falido faz tempo, o Brasil é simplesmente ingovernável, assim como é inútil trocar o técnico da seleção sem promover uma reforma estrutural profunda na organização do futebol brasileiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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felipao Só com o tempo poderemos entender esta humilhação

Até hoje, 64 anos depois, ainda tem gente tentando explicar a tragédia da nossa derrota por 2 a 1 para o Uruguai, jogando em casa, no Maracanã, quando bastava um empate para o Brasil se sagrar campeão mundial pela primeira vez. Reportagens, livros e documentários sem fim foram produzidos desde 1950 e ainda não houve uma resposta capaz de matar o assunto.

O que aconteceu?, perguntamo-nos todos agora uns aos outros, ainda perplexos com o chocolate de 7 a 1 que, agora, pentacampeões mundiais, tomamos dos  antigos fregueses alemães, na tarde desta terça-feira, 8 de setembro de 2014, no Mineirão.

Uma catástrofe deste porte nunca será explicada por uma única razão. Como nos grandes acidentes ferroviários ou aéreos, sempre há um conjunto de fatores imponderáveis e imprevistos, que formam uma cadeia de falhas ou erros capazes de explicar o desastre final, depois de aberta a caixa preta, apontando causas e responsáveis.

É tamanha a perplexidade de todos nós que não sei nem por onde começar a escrever este texto, depois de ter visto todas as entrevistas e comentários na televisão até tarde da noite e lido desde cedo, na manhã desta Quarta-feira de Cinzas do nosso futebol, quilômetros de artigos de colegas publicados no papel e nos portais sobre o que aconteceu no Mineirão.

Desta vez, não há controvérsias. Com diferentes argumentos, todos falaram e escreveram mais ou menos as mesmas coisas para tentar explicar o inexplicável. A única conclusão a que cheguei, que não ajuda muito, eu sei, é de que só com o tempo, muito tempo _ dias, semanas, meses, talvez anos _ poderemos entender esta acachapante humilhação sofrida na Copa de 2014, pela segunda vez disputada no nosso país, em meio a uma grande festa popular.

Mas é preciso separar bem duas coisas: a primorosa organização do evento, que superou todas as expectativas e foi mundialmente reconhecida, e o indigente futebol mostrado pela seleção brasileira nos gramados por onde desfilou.

Aconteceu exatamente o contrário do que muita gente previa: ganhamos de goleada fora do campo, com tudo funcionando a contento, e perdemos de forma desonrosa o sonhado hexacampeonato, jogando muito mal dentro do campo, desde a estreia contra a Croácia, no Itaquerão, há quatro semanas.

Como todo mundo, também desconfiava do oba-oba criado em torno desta "Família Scolari", que estrelou muitos comerciais na televisão, não saiu mais das capas de jornais e revistas, fez marquetagem a granel, foi tratada com muitos mimos no castelo da CBF, na fria Teresópolis, mas pouco treinou, enquanto os alemães se esfalfavam todos os dias sob o sol do meio dia na concentração tropical que eles mesmos construíram do litoral baiano, sem folgas nem badalações.

O time de Felipão que entrou em campo para enfrentar a máquina alemã não treinou coletivamente nenhuma vez porque Felipão queria fazer mistério e enganar o técnico deles, Joachim Löw, como teve a coragem de dizer em entrevista após o jogo.

Os alemães não apresentaram um semideus como Neymar, mudavam o time de um jogo para outro, conforme o adversário, mas nos mostraram como se joga futebol para ganhar e não para brilhar e faturar. O resto foi consequência. Em favor de Felipão, há que se lembrar apenas que esta geração de jogadores, a mais pobre de talento dos últimos tempos, embora com salários milionários, não era esta maravilha. Nenhum grande craque em boa forma, capaz de definir partidas sozinho, ficou de fora da convocação.

Com este time e o esquema (tínhamos algum sistema?) tático montado por Felipão para "surpreender" os alemães, nem Neymar, nem mesmo Pelé seriam capazes de evitar a vergonha que passamos. Do jeito que estávamos jogando, sem meio de campo, na base do vamos que vamos e seja o que Deus quiser, uma hora isso teria que acontecer, estava escrito há tempos. Caímos na real com essa derrota acachapante e isso até pode ser bom no futuro. Só não precisava ser por 7 a 1...

Pior do que errar na escalação e no esquema, foi Felipão insistir no erro, não tendo humildade para mudar jogadores e a forma de jogar, logo aos 15 minutos de jogo, quando a Alemanha ganhava só por 1 a 0 e já estava dando um baile no Mineirão, com o Brasil não vendo a cor da bola, exatamente como aconteceu naquela final do Mundial de Clubes, em Tóquio, quando o Santos, com Neymar e tudo, só ficou assistindo o Barcelona jogar, e levou de 4 a 0 no primeiro tempo.

O Brasil já estava tomando de 5 a 0 e o perplexo Felipão ficava só olhando o desastre acontecer, sem tomar nenhuma providência, como aquele tristemente famoso comandante italiano, o tal do Schettino, lembram-se? Ao ver o navio afundar, em vez de tentar salvar o maior número possível de passageiros, ele tratou de cair fora e salvar a própria pele. Felipão não chegou a tanto, até porque não tinha como fugir do Mineirão no intervalo do jogo, mas também não fez nada ao menos para salvar a própria biografia.

De que adianta ele agora reconhecer que foi o único responsável, mas não se arrepende das escolhas que fez? Sem Neymar, o arrogante e vaidoso técnico, que estava com o prazo de validade vencido faz muito tempo, desde que levou o Palmeiras à segunda divisão, queria ser o novo herói do Brasil.

Resolveu dar uma de Santos Dumont, escalando três atacantes, com Bernard em lugar do ídolo fora de combate, em vez de reforçar o meio de campo, como era óbvio, até para leigos como eu. Se o Brasil ganhasse, ele sonhava ser louvado como gênio da raça. De3u tudo errado, mas ele continua achando que estava certo. Faltou-lhe, acima de tudo, humildade, para reconhecer o erro a tempo e corrigi-lo ao ver bovinamente a vaca indo para o brejo.

Vários colegas agora propõe começar tudo de novo, com uma completa reformulação do nosso futebol, importação de técnicos, etc e tal. De que jeito, se o futebol continua nas mãos de gente como José Maria Marin, o presidente da CBF, que também sumiu de cena quando o barco afundava, e agora vai passar o cargo para seu cupincha Marco Polo del Nero, eternizando a dinastia Ricardo Teixeira-João Havfelange? Tem alguma chance de dar certo?

Termino aqui repetindo o que falei no comentário do Jornal da Record News, ao lado de Heródoto Barbeiro e Alvaro José: assistimos ontem ao final de uma época de hegemonia do Brasil no futebol mundial e ao surgimento da supremacia de uma nova escola inspirada no Barcelona, que levou a Espanha ao título, em 2010, e agora no Bayern, de Munique, a base desta fantástica seleção alemã de 2014.

Não por acaso, dois times dirigidos pelo mesmo Gardiola, o técnico espanhol que criou um novo jeito de jogar bola, unindo arte, técnica, tática, velocidade, profissionalismo e romantismo, tudo ao mesmo tempo, para dar espetáculo e vencer, sem medo de perder, como os nossos "professores". Por falar nisso, semana que vem recomeça o Brasileirão... Vamos sentir muitas saudades desta fantástica Copa do Mundo de 2014, apesar do que aconteceu no já chamado Mineirazo.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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buraco ok Quem, afinal, toma conta das ruas de São Paulo?

Como acontece de 15 em 15 dias, fui acordado na manhã de sábado por uma sinfonia de britadeiras e buzinas na esquina ao lado do prédio onde moro, no Jardim Paulista. Começava mais uma "obra" da Sabesp, a empresa estadual que é, ou deveria ser, responsável pelo abastecimento de água em São Paulo.

Vi a cena de sempre: um caminhão plantado no meio da rua Ministro Rocha Azevedo, cercado de cones (não estava o Fred) e um monte de operários abrindo um enorme buraco no asfalto. Estão lá até agora, manhã de terça-feira, dia de jogo do Brasil contra a Alemanha. Para completar, o farol (sinaleira, sinal, semáforo, como queiram) estava quebrado, como também acontece de 15 em 15 dias. Hoje, certamente, vamos bater ali o recorde mundial de buzinação na cidade.

Os meus amigos taxistas, como sempre, xingam o prefeito Fernando Haddad, e não adianta explicar que aquele buraco não é dele, é do governo estadual. Para os munícipes que não conhecem a Constituição Federal, quando o trânsito não anda, a culpa é sempre da Prefeitura.

Não deixam de ter uma certa razão: são dezenas as concessionárias de serviços públicos e empreiteiras que esburacam diuturnamente as ruas da cidade, uma joga a culpa na outra, todos lavam as mãos e eu me faço a pergunta do título: quem, afinal toma conta das ruas de São Paulo?.

Tudo bem que o prefeito de uma cidade do tamanho de São Paulo não pode sair circulando por aí para ver quem é que está infernizando a vida dos seus moradores, mas será que ele não conta com uma equipe de fiscalização que possa tomar providências para ao menos amenizar os problemas causados pelas "obras" que não acabam nunca?

Em casos mais graves, não seria o caso do prefeito pegar o telefone e ligar para o governador Geraldo Alckmin, contando o que se passa e pedindo ajuda? Ou a Sabesp constitui um poder paralelo? Até hoje não sei quem era o dono do buraco em que tropecei e quebrei o braço, no começo do ano, na rua de casa.

Já que pagamos impostos municipais, estaduais e federais, os contribuintes não querem saber de quem é a culpa, mas que algum ente do poder público tome as providências necessárias para garantir o nosso sagrado direito de ir e vir.

Até outro dia, quem mandava nas ruas da cidade eram os filósofos de todos os protestos, do "Não vai ter Copa", dos sem-teto aos sem-vergonha sem causa, passando por grevistas selvagens e barnabés revoltosos, sempre com a participação especial dos "black blocs", claro.

A Copa das Copas já está terminando, com absoluto sucesso de público e crítica, mas eles continuam por aí, cada vez em menor número e mais bravos, depois das primeiras prisões, como fantasmas que teimam em sair de cena. Quem sabe, antes das Olimpíadas do Rio, eles descansem um pouco. Acho difícil, porém, que isto aconteça antes das eleições de outubro, já que este é o verdadeiro objetivo dos "protestos pacíficos" de geração espontânea, que começaram em junho do ano passado.

Em tempo: não deixem de ler o post "Brasil vence a Copa das Copas", escrito pelo engenheiro Luís Augusto Simon, na última segunda-feira, 7/7. Basta clicar Blog do Menon no Google.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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10363351 10152304548596638 3958394364931325248 n FHC e Aécio Neves passam recibo sobre a Copa

"Passou recibo" é aquela expressão popular que se usa quando alguém dá uma bela mancada, tenta consertar e a emenda acaba ficando pior do que o soneto. Foi o que aconteceu com o ex-presidente FHC, o grande estadista venerado pela elite brasileira, e seu candidato, o senador mineiro Aécio Neves.

Diante do sucesso da Copa no Brasil, mundialmente reconhecida como a melhor de todos os tempos, os dois cardeais tucanos, que passaram o ano todo abastecendo a mídia amiga com previsões catastrofistas e criticando as ações do governo Dilma na organização do evento, para desgastar a candidatura da presidente à reeleição, resolveram mudar o discurso a partir do final de semana. Está voando pena para todo lado.

Começou com Aécio, logo ele, num evento da colônia japonesa, em São Paulo, ao criticar o uso político da Copa do Mundo:

"Alguns acham que podem confundir Copa do Mundo com eleição. Não, o brasileiro está suficientemente maduro para perceber que são coisas diferentes. Falo isso porque vejo uma tentativa de uma certa apropriação desses eventos para o campo político".

Alguns quem, cara pálida? Qual foi a apropriação? Quem foi que confundiu as coisas? Em qual "apropriação" o candidato justifica suas novas preocupações ao ver que tudo deu certo na organização da Copa? Qual foi até agora a ação governamental implantada para faturar o inegável sucesso do evento?

Sim, o povo brasileiro sabe distinguir futebol de política. Por isso mesmo, pega mal passar este recibo diante da reversão das expectativas funéreas da oposição e da maioria dos órgãos de comunicação do país.

"Pode ser que algumas pessoas estejam usando politicamente a Copa, eu não acho que se deva fazer isso. A Copa é um evento nacional, de todos nós. Tem espaço para fazermos muito gol, comemorarmos e ela perder a eleição", emendou Fernando Henrique Cardoso, usando quase as mesmas palavras do candidato tucano.

Que gracinha!, como diria a Hebe Camargo. Por que não dizer logo quem são estas "algumas pessoas"? Quer dizer que, quando se trata de responsabilizar o governo pelo anunciado fracasso da Copa no Brasil, que até este momento não se consumou, ao contrário, tudo bem, mas quando se trata de correr para o abraço, a vitória é "de todos nós"?

Com bom humor, a presidente Dilma Rousseff só se manifestou sobre a Copa pelo Facebook, ao responder a um internauta que quer mais Copa: "Antes falavam que não ia ter Copa. Agora, muita gente boa quer mais Copa". Na foto que ilustra a mensagem, Dilma mostra o cotovelo.

Desta forma, com sinais invertidos, vai terminando a Copa de 2014 no Brasil e começando a campanha eleitoral. De Porangaba, no interior, onde assisti a um belo desfile de tropeiros no final de semana, a Santo André, no ABC paulista, onde participei nesta segunda-feira de um animado debate sobre a conjuntura nacional, no Sindicato dos Químicos, vi um país em festa, que está enfeitado de verde-amarelo por toda parte.

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sim Tira esse Fred, Felipão, pelo amor de Deus e de nós

Só costumo fazer meus comentários no dia seguinte aos jogos da Copa, como sabem os leitores, para não me deixar levar pela emoção do momento. Vou ter que abrir uma exceção nesta sexta-feira, depois da sofrida vitória contra a Colômbia, porque o Felipão já está abusando da nossa paciência.

Tudo bem que chegamos à semifinal contra a Alemanha, mesmo com a mais fraca seleção brasileira dos últimos tempos, mas não dá mais para torcer pelo Brasil com esta tua insistência em manter o cone Fred em campo. Mesmo que seja muito difícil encontrar um substituto para ele, já que o reserva Jô não inspira confiança em você nem em ninguém, tenho uma solução bem simples. No próximo jogo, entra com dez que vai ser melhor. Tira o Fred, Felipão, pelo amor de Deus e de nós todos.

Dá aflição ver este cara jogando, ou melhor, não jogando. Sem ele, pelo menos não vamos ter um poste na área, atrapalhando o fraco ataque brasileiro, que não tem nenhuma jogada ensaiada e vive dos lampejos do baleado Neymar, que estão cada vez mais raros, e dos piques solitários do esforçado Hulk.

Durante todo o segundo tempo, com o time recuado para segurar o resultado, dependemos apenas de David Luiz e Thiago Silva para garantir a nossa classificação, contra uma Colômbia que não foi a mesma dos outros jogos, mas mostrou-se mais parecida com uma seleção brasileira do que a nossa. Quando a gente depende dos gols de dois zagueiros, Felipão, dá para qualquer leigo notar que alguma coisa está errada e precisa ser mudada.

Na conquista do tri, em 1970, no México, também jogamos sem um centroavante de ofício, mas Zagallo montou um esquema alternativo, improvisando Tostão com a camisa nove, e assim vencemos todos os jogos, sem nenhum sofrimento. Agora, quando o jogo acaba, há apenas sentimento de alívio. Precisava ser assim, Felipão? Larga de ser teimoso e muda essa escalação, para que o nosso time volte a mostrar o futebol de uma seleção brasileira, algo que até agora você não conseguiu.

E que venha a Alemanha!

 

 

 

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 Deu zebra: Dilma derrota urubuzada na festa da Copa

Tudo foi planejado e feito para derrubar os índices de Dilma Rousseff nas pesquisas durante o anunciado fracasso do governo na organização da Copa no Brasil. Deu zebra: saiu tudo errado para os pregadores apocalípticos da urubuzada midiático-empresarial-partidária, como mostra a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, três semanas após o início da competição.

Não só a presidente candidata à reeleição subiu quatro pontos em relação à pesquisa anterior, voltando aos 38 % que tinha em abril, antes da onda de protestos e greves selvagens estimulados pela velha imprensa, como seus principais adversários, o tucano Aécio Neves (20%) e Eduardo Campos (9%), do PSB, continuaram empacados, crescendo apenas um ponto na comparação com os índices de junho.

Quando Dilma disse e repetiu que esta seria a "Copa das Copas", caíram matando na presidente e chegaram ao delírio quando ela foi vaiada e xingada na abertura do Mundial no Itaquerão. Pois agora que a Copa no Brasil está sendo celebrada unanimemente no mundo inteiro como a maior de todos os tempos, dentro e fora dos gramados, o que vão dizer?

"Copa melhora o humor do país, e Dilma cresce", diz a manchete do jornal que promoveu a pesquisa, a mesma Folha que, até a véspera do jogo inaugural contra a Croácia, foi o mais ácido crítico das ações do governo desde a escolha do nosso país para sediar o evento, em 2007. "A probabilidade de que a presidente tenha crescido, porém, é maior do que a de que nada tenha acontecido", conforma-se o instituto de pesquisas, ao apontar a variação dos números no limite das margens de erro.

Seus concorrentes do Instituto Millenium foram na mesma linha para justificar o cavalo de pau que a realidade dos fatos deu nas expectativas funéreas turbinadas pelo noticiário da turma do "quanto pior, melhor para nós". E quem foi que criou o clima de mau humor generalizado antes da bola rolar? Foi a imprensa estrangeira, como querem dizer agora?

Como o "Não vai ter Copa" não deu certo, vão inventar o que agora: o "Não vai ter Eleições" ou o "Não vai ter Olimpíadas"?

Sim, também acho que não se deve confundir futebol com política, mas de quem partiu a iniciativa de misturar as coisas e apontar o fracasso da Copa no Brasil como o fracasso do governo petista? Até agora, não vi nenhuma ação do governo, além dos desabafos da presidente contra a urubuzada, para faturar o sucesso, mas também não vi ninguém vir a público para pedir desculpas pelos prejuízos causados durante os últimos meses pelo bombardeio midiático à imagem do país.

O resultado está aí no Datafolha:  60% dos entrevistados disseram que estão orgulhosos com a organização da Copa no Brasil, 65% ficaram com vergonha dos protestos e 76% condenaram as ofensas feitas à presidente da República. Quer dizer, Dilma fez barba, bigode e cabelo nos adversários, como se costuma dizer na linguagem dos estádios.

A vergonha do Ronaldo Fenômeno, agora grande empresário e comentarista gaguejante da Globo, em poucos dias transformou-se no orgulho da grande maioria dos brasileiros, que também não confundem futebol com política, nem gol com voto, nem Dilma com Felipão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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felipao Vamos baixar a bola e levantar a cabeça, moçada

Que se passa com os meninos da nossa seleção e também com a torcida brasileira? Aonde foi parar aquela velha alegria, a confiança no melhor futebol do mundo, na grande festa do futebol? A 48 horas do jogo contra a Colômbia pelas quartas de final, a julgar pelas caras tristes dos jogadores e previsões pessimistas da crônica esportiva, parece que já perdemos e estamos fora da Copa, tal o clima de fim de feira que se criou a partir de sábado, quando o time de Felipão tomou um nó do Chile e só se classificou por milagre. Ninguém é obrigado a ganhar, mas também não estamos condenados a perder.

Tudo bem que nosso retrospecto não é bom, com apenas duas vitórias e dois empates sofridos, mas também não tem nenhum bicho-papão neste Mundial, e todos penaram para ficar entre os oito finalistas. Notei que tinha alguma coisa errada no momento em que vi os jogadores em  fila no corredor do vestiário do Mineirão, prontos para entrar em campo, no jogo das oitavas.

Com suas caras tensas e tristes, melancólicas mesmo, sem trocar uma palavra, sem dar um sorriso, davam a impressão de estar caminhando para o matadouro. Na hora do Hino Nacional, abraçaram-se com força e cantaram aos gritos, como se estivessem indo para a guerra. Com medo de perder, deixaram a torcida calada ao tomar o gol de empate do Chile e não conseguiam mais acertar nem a cobrança de um lateral.

Passados quatro dias, estavam com as mesmas expressões, sentados diante de Felipão no banco de reservas, durante o treinamento de terça feira, em Teresópolis. A grande novidade do dia foi a chegada de uma psicóloga como salvadora da pátria. De cara sempre enfezada, o técnico gesticulava muito, fazia mistério, mas até agora não vimos um treino coletivo para valer, capaz de ajustar o time e devolver a confiança aos jogadores. E, sem confiança, não dá nem para tomar um sorvete. Quem está precisando de um tratamento é ele, o chefão, pai de todos, à beira de um ataque de nervos.

Está na hora de todo mundo baixar a bola e levantar a cabeça. Como bem reparou meu colega Cosme Rímoli, aqui mesmo no R7, os veteranos campeões mundiais Felipão e Parreira botaram tanta pilha nos jogadores, garantindo à torcida a conquista do hexa, como se bastasse apenas cumprir a tabela, que eles foram desabando diante de tanta responsabilidade e esqueceram de jogar bola.

Meninos ricos e mimados, sempre cercados de assessores e seguranças, tornaram-se um bando de chorões na hora da onça beber água, com a nossa chique torcida calada nas arquibancadas, agora transformadas em camarotes de ópera. A grande festa da Copa continua nas ruas, calando os abutres que previam o caos, mas o povo anda meio amuado com a seleção. Ganhar ou perder é do jogo, não vai mudar as nossas vidas, nem a dos jogadores. Ninguém é obrigado a ser o herói do hexa, mas também não dá para entregar os pontos antes de entrar em campo.

Agora, não adianta lamentar que Felipão não tenha convocado este ou aquele jogador, até porque nenhum grande craque ficou de fora. Também não resolve constatar que ele cometeu um erro brutal ao não mesclar jovens talentos com profissionais mais experientes, como todo mundo faz em qualquer time ou empresa, confiando demais na sua intuição, depois da conquista da Copa das Confederações, no ano passado, praticamente com estes mesmos jogadores.

O que importa agora é ganhar da Colômbia e, embora eles sejam os favoritos na sexta-feira, pela análise fria dos números, com quatro vitórias em quatro jogos, mais gols marcados e menos sofridos, temos todas as condições de ganhar, com ou sem Neymar, que estava jogando sozinho, só tomando porrada, como já era de se esperar.

Basta parar desta frescura de complô da Fifa contra nós, deixar o nhém-nhém-nhém de lado e trabalhar duro para voltar a confiar no nosso taco, com as mudanças que já deveriam ter sido feitas no time. Nada está perdido, nada está ganho. Vamos à luta, moçada, jogando com alegria, com ousadia, com bola no chão, sem medo de perder.

Quem sabe assim, Felipão volta a dar um sorriso, sem ter que pedir ajuda a jornalistas amigos. Como repórter, do Estadão e da Folha, fiz a cobertura de dois Mundiais, na Alemanha, em 1974, e no México, em 1986, e não vi nada parecido com este palco montado na Granja Comary, que virou cenário de televisão, jogador chegando de helicóptero e andando de quadriciclo. Vamos voltar a fazer nosso arroz com feijão e pimenta, que o jogo é de taça e a gente só quer se divertir. Quem gosta de sofrer é corintiano...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ric Pesquisas mostram a pulverização dos partidos nos Estados

 

Com a Copa no Brasil pegando fogo e a Argentina jogando daqui a pouco em São Paulo, sei que pouca gente vai se interessar por este assunto. Mas, como já disse o Felipão, a vida continua fora dos gramados e é preciso ficar atento aos lances que vão definir as eleições de outubro. A partir desta terça feira, faltam apenas três meses e cinco dias para os torcedores que também são eleitores irem às urnas decidir o nosso futuro. A campanha eleitoral começa hoje, oficialmente.

Passada a régua nas convenções partidárias que definiram candidaturas e alianças nos 23 Estados e na disputa nacional, já dá para ter uma ideia da pulverização partidária que marca as eleições deste ano. Com mais de 30 partidos registrados no TSE _ duvido que algum leitor saiba o que querem dizer as siglas de todos eles _ um levantamento das pesquisas já publicadas sobre os principais candidatos nos dez maiores colégios eleitorais do país revela que nenhum dos grandes partidos está na liderança em mais do que dois Estados.

O PSDB está na frente em São Paulo, com Geraldo Alckmin, e em Goiás, com Marconi Perillo, dois candidatos à reeleição. Principal aliado do governo Dilma, o PMDB lidera no Ceará, com Eunício Oliveira, e no Pará, com Hélder Barbalho.

Fora isso, cada partido ponteia em apenas um Estado cada um: PT, em Minas (Fernando Pimentel); PSD, em Santa Catarina (Raimundo Colombo); PR, no Rio de Janeiro (Anthony Garotinho); DEM, na Bahia (Paulo Souto); PC do B, no Maranhão (Flávio Dino) e PTB, em Pernambuco (Armando Monteiro Neto). O PSB, do presidenciável Eduardo Campos, não tem por enquanto candidato competitivo em nenhum Estado, mostrando a fragilidade das alianças feitas pela chamada terceira via no plano federal, atraindo apenas partidos nanicos.

Claro que este quadro pode mudar quando começarem as campanhas para valer, em agosto, com o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Dificilmente, porém, pelo que vimos até agora, teremos grandes surpresas ou novidades. Em sua maioria, os líderes nas pesquisas carregam nomes ou sobrenomes de velhos carnavais já bastante conhecidos do eleitorado.

A registrar como fora da curva, apenas a indigente campanha do PT em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde, até o momento, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato bancado por Lula, ostenta um índice de partido nanico: apenas 3% no último Datafolha. A situação é tão grave, faltando pouco tempo para a eleição, que até o PP de Paulo Maluf abandonou o barco petista e aderiu a Paulo Skaf, do PMDB, segundo colocado nas pesquisas.

 

No fim, Serra conseguiu

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Já na prorrogação do tempo regulamentar, como tem acontecido muito na Copa, o ex-governador paulista José Serra, depois de provocar um salseiro na chapa sonhada por Geraldo Alckmin, levando à debandada do PSD de Gilberto Kassab para o PMDB, conseguiu o que queria.

Em reunião com os caciques tucanos que avançou pela madrugada, Serra foi lançado como candidato único ao Senado na aliança liderada pelo PSDB, tendo na suplência seu desafeto político José Aníbal, que também cobiçava a vaga.

Foi a sua segunda vitória seguida em dois dias: na segunda-feira, ele havia conseguido emplacar seu aliado Aloysio Nunes Ferreira, senador tucano de São Paulo, como vice na chapa presidencial de Aécio Neves.

Quem sabe agora o PSDB consiga, finalmente, a tão sonhada unidade partidária que faltou nas últimas campanhas. Personagem noturno, Serra pode repetir que não há nada como um dia após o outro, com uma noite no meio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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aecio serra fh Maior inimigo dos tucanos é um outro tucano

 

 

Em tempo (atualizado às 13h30):

Aécio Neves confirmou, após reunião da Executiva Nacional do PSDB, em Brasília, o nome do senador Aloysio Nunes Ferreira como candidato a vice na sua chapa.

***

Parece sina. A cada eleição presidencial, a história se repete: os tucanos não conseguem se entender para escolher o nome do vice e ficam discutindo a relação até o último segundo. Depois de promover um grande suspense na semana passada, anunciando uma possível surpresa que poderia ser "até uma mulher", Aécio Neves passou esta madrugada de domingo para segunda-feira acertando com o ex-presidente FHC e o governador Geraldo Alckmin quem deveria ser seu companheiro de chapa.

O nome ainda não havia sido anunciado até o meio-dia de hoje, quando comecei a escrever, mas tudo leva a crer que os três se fixaram mesmo numa chapa puro-sangue, com o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira de vice, o primeiro nome que havia sido cogitado quando se consolidou a candidatura de Aécio e começou a disputa pela vaga.

Mais uma vez, como aconteceu em campanhas passadas, no epicentro do imbróglio apareceu o ex-governador paulista José Serra, duas vezes derrotado como candidato presidencial do PSDB, após superar Aécio Neves nas disputas internas. Bem que Serra gostaria de ser de novo o presidenciável tucano, mas logo desistiu, ainda no ano passado, ao se convencer de que ficou em franca minoria no partido.

A partir daí, recomeçou a ciranda de sempre, com as especulações em torno do nome do ex-governador, alimentadas por seus seguidores, até o último momento permitido pelos prazos da Justiça Eleitoral. FHC e Alckmin ainda tentaram fazer dele o vice de Aécio, mas o senador mineiro, seu maior inimigo cordial, não podia nem ouvir falar nesta possibilidade. Tudo menos isso.

Aécio queria que Serra fosse candidato ao Senado na chapa de Alckmin, e ele até topou, mas surgiram muitas pedras no caminho _ e o eterno candidato a tudo não queria correr o risco de perder mais uma disputa majoritária. Queria ser o candidato único na aliança do PSDB paulista.

O ex-prefeito Gilberto Kassab, que cobiçava ser vice na chapa de Alckmin para levar seu PSD a se unir aos tucanos, embora apoie Dilma na eleição presidencial, perdeu a boquinha quando o governador fechou acordo com o PSB do presidenciável Eduardo Campos, que indicou o deputado federal Márcio França para o lugar. Restava a Kassab a vaga de candidato ao Senado na chapa PSDB-PSD, mas aí quem rodou a baiana foi Serra por não aceitar esta infidelidade do afilhado político que deixou em seu lugar, quando largou a Prefeitura para disputar o governo do Estado. E foi lhe comunicar isso pessoalmente ao interpela-lo no apartamento do ex-prefeito.

Mágoas passadas são o pano de fundo desta confusão toda no arraial tucano. Na eleição municipal de 2008, Serra apoiou Kassab para prefeito, embora o candidato tucano fosse Alckmin, que ficou de fora do segundo turno. Serra, por sua vez, não se conforma até hoje por não ter recebido o esperado apoio de Aécio em Minas, onde perdeu feio nas duas disputas presidenciais contra Lula e Dilma.

Agora, chegou a hora de Serra se vingar de todos de uma vez, cuidando apenas da sua campanha a deputado federal, a única possibilidade que lhe restou para continuar na política. Resumo da ópera: Gilberto Kassab largou os tucanos e levou seu partido para Paulo Skaf, o principal adversário de Alckmin, e ainda não se sabe quem será o candidato do PSDB de São Paulo ao Senado.

O leitor está achando este todo enredo muito confuso? Pois eu também, mas o PSDB é assim mesmo: o maior inimigo dos tucanos é sempre um outro tucano. Nem precisam de adversários.

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