dilma na record 450x338 julia Dois anos de governo: Dilma em seu labirinto

Perto de completar a primeira metade de seu governo, analistas começam a se perguntar: qual a marca destes primeiros dois anos do mandato de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente da República?

Levada ao Palácio do Planalto com o discurso da continuidade, na esteira da alta popularidade com que o ex-presidente Lula chegou ao final do seu governo, Dilma herdou boa parte da equipe ministerial e dos principais projetos lançados na administração anterior, da qual ela própria foi uma figura chave.

Mais do que os números da economia, que podem servir para qualquer balanço positivo ou negativo, Dilma marca sua presença no governo pela imagem de governante austera, implacável com os malfeitos e os desmazelos dos seus auxiliares, zelosa na tarefa de cuidar dos interesses do país.

Pelo que se lê nos jornais, não deve ser fácil trabalhar com Dilma, que a todo momento aparece irritada, cobrando providências urgentes, dando descomposturas em ministros, inconformada com apagões e outros buracos na infra-estrutura.

Se a promessa da continuidade foi decisiva para levá-la ao poder, agora coloca Dilma em seu labirinto: se os ministros e seus projetos de governo não estão funcionando como ela gostaria, por que não trocá-los e montar o governo do seu jeito, à sua imagem e semelhança daqui para a frente?

Fosse Dilma executiva de uma empresa privada, certamente já teria feito isso, mas no poder público o buraco é mais embaixo, com o inquilino do Palácio do Planalto, seja quem for, eternamente enredado pelos desafios da governabilidade.

Dona de ampla maioria tanto na Câmara como no Senado, teoricamente com o apoio da quase  totalidade dos 30 partidos nacionais, com a exceção de dois ou três, mesmo assim Dilma não consegue impor a sua marca porque precisa contemplar os interesses difusos do balaio de gatos que  forma sua base de sustentação parlamentar.

às voltas com disputas dentro de cada partido e entre os aliados por mais fatias de cargos e verbas, fica difícil para a presidente montar o seu time e dizer como deve jogar. Como sair deste labirinto?

É por isso que o ano deve começar com uma mini-reforma ministerial, nada muito dramático nem entusiasmante, apenas para acomodar esta base aliada sempre faminta que saiu das urnas nas eleições municipais.

Por enquanto, de certo mesmo só a entrada no ministério do PSD de Gilberto Kassab, o seu novo aliado. No mais, deve remanejar alguns postos menos importantes, o que no fim vai deixar mais do mesmo numa Esplanada dos Ministérios em que nenhum nome ou área se destaca até agora.

O governo Dilma até agora se limita a Dilma, com seu estilo centralizador em que praticamente só ela fala, e tem falado muito pouco.

Desde o primeiro dia, a prioridade absoluta de Dilma é o combate à miséria, com a criação do programa "Brasil Carinhoso", que se junta ao "Minha Casa, Minha Vida" e ao "Bolsa Família". .

Os programas sociais, no entanto, já eram a marca do governo Lula. O grande desafio de Dilma agora é acelerar as obras do PAC, exatamente o Plano de Aceleração do Crescimento, que a levou à vitória em 2010, mas que anda empacando em várias regiões do país, como acontece com a Transnordestina e a Transposição do São Francisco.

Enfrentando mais mais problemas na base do governo do que na oposição, que está desmilinguindo a cada eleição, e com o PT enfrentando uma situação difícil após o julgamento do mensalão e a Operação Porto Seguro, Dilma precisa aproveitar o próximo ano para fixar a marca do seu governo e não só o da presidente.

Por isso, a batalha pela redução das tarifas de serviços públicos e privados e a conclusão de grandes obras de infra-estrutura tornam-se tão importantes para o embate da sucessão presidencial, que já está nas ruas.

Já que 2013 é um ano sem eleições, a presidente Dilma poderia tomar a iniciativa de promover o debate sobre as tão esperadas reformas política e tributária para desonerar a produção e conter a sangria de recursos públicos que dão origem a tantas crises, criando um clima desfavorável aos investimentos tão necessários ao país.

 

Com um "pibinho" em torno de 1%, só o controle da inflação e dos juros não bastam a médio prazo para manter os níveis de emprego e renda, que garantem a popularidade da presidente. É preciso criar instrumentos mais permanentes para promover o crescimento sustentável da economia num momento em que as notícias que chegam de fora são preocupantes.

Se dois anos já se passaram sem grandes conquistas, temos outro tanto de tempo pela frente para viabilizá-las. Para isso, é preciso dar uma virada no jogo agora. Coragem, Dilma!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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paula fernandes Uma bela tarde com a bela Paula Fernandes

Podem ficar com inveja. Como ninguém é de ferro e repórter também é gente, aceitei correndo a convocação que me foi feita pela revista "Brasileiros", onde também trabalho, para participar de uma entrevista com Paula Fernandes, a bela mineirinha que mais vende discos no Brasil.

Ainda ontem tinha acabado de fazer um pedido aos leitores para que contassem alguma história boa aqui no blog, que anda meio baixo astral ultimamente, na esteira do noticiário catastrófico dominante na grande imprensa.

Passar algumas horas na companhia desta moça na tarde de quarta-feira, no estúdio do grande fotógrafo Márcio Scavone, na Vila Mariana, me fez um bem danado.

Ao encontrá-la se preparando para dar início à sessão de fotos que duraria três horas, lembrei da primeira vez que a vi num palco, no Ginásio do Ibirapuera, em 2010, durante o show beneficente "Emoções Sertanejas", apresentado por Roberto Carlos, em comemoração aos seus 50 anos de carreira.

Assim como eu, muita gente nunca a tinha visto antes, e ficou encantada quando viu aquela figura brejeira de cintura fina e longos cabelos cacheados, cruzando as belas pernas e ajeitando o violão no colo para cantar ao lado do sanfoneiro Dominguinhos.

"Quem é essa?", perguntaram-se as pessoas ao meu lado, mais impressionadas ainda quando Paula soltou sua voz firme e ao mesmo tempo meiga.

Criada na roça em Sete Lagoas, Minas Gerais, Paula já estava na estrada há tempos _ começou a cantar com 8 anos e gravou seu primeiro disco com 10 _ e tinha rodado o país se apresentando em rádios, rodeios e circos, havia gravado muitos discos, mas seu rosto bonito ainda era uma novidade para grande parte da plateia que lotou o ginásio.

Quem mais se empolgou com ela foi o próprio Roberto Carlos que naquela noite mesmo a convidou para participar do seu show de final de ano na Globo. A partir daí, a sua vida deu uma cambalhota e ela virou uma estrela.

Dois anos depois, Paula Fernandes apresenta em média 20 shows por mes no comando de uma trupe de 40 funcionários que rodam o país levando uma carreta com duas toneladas de equipamentos, um grande circo que é montado e desmontado todos os dias. Neste período. ela já vendeu mais de 3 milhões de discos.

A história completa da caminhada de Paula Fernandes de Souza, 28 anos, o maior fenômeno musical brasileiro dos últimos anos, será contada pela equipe de "Brasileiros" (Fernanda Cirenza, Alex Solnik, Nirlando Beirão e eu, com fotos de Márcio Scavone) na edição de janeiro.

Com corpo e pose de modelo, 1,65 de altura e 51 quilos, Paula é ligeira ao fazer as trocas de roupas. Profissional ao extremo, pede sugestões ao fotógrafo, ouve os assistentes, tem toda paciência do mundo para o resultado ficar bom. Sem toques de estrela, consegue ser mais bonita pessoalmente do que na televisão.

"Essa cinturinha fina não é fotoshop", brinca Scavone, quando Paula vai conferir as fotos no monitor. Tem umas dez pessoas trabalhando na operação, mas tudo flui naturalmente, como se tivesse sido longamente ensaiado.

Cinco da tarde, hora marcada para a entrevista, gravadores ligados, Paula começa a contar sua vida de altos e baixos até chegar ao topo, com uma simplicidade comovente. Parece estar falando de outra pessoa, sem criticar ninguém, sem se queixar de nada, nem da dificuldade para encontrar o namorado, o dentista Henrique do Valle, que mora em Brasília.

Paula ainda mora com a mãe, dona Dulce, e um irmão, Nilmar, que cuidam da sua empresa, numa chácara nos arredores de Belo Horizonte. Quando lhe pergunto no final o que quer ser na vida quando crescer, ela ri gostoso, e responde na lata. "Quero ser igual a minha mãe".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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120122 As crises do fim do mundo que não chegaram

Pois é, estamos chegando perto do fatídico 21 de dezembro de 2012, quando o solstício anual de inverno conclui mais um ciclo do antigo Calendário Maia, dia anunciado para o fim do mundo.

Tem até gente ganhando dinheiro com isso, vendendo proteção para os mais assustados, o que levou a Nasa a desmentir oficialmente a trágica efeméride em seu site oficial do USA.gov e garantir que vamos sobreviver a mais este anúncio fúnebre.

Mesmo assim, apesar do desmentido, por aqui no Brasil, continuamos emendando uma crise do fim do mundo na outra. Saímos direto do julgamento do mensalão para a Operação Porto Seguro, sem que tenha acabado ainda a CPI do Cachoeira.

Apesar disso, as marés como os aviões continuam descendo e subindo, as fábricas e as escolas em plena atividade, o campo batendo recordes de produção e as ruas de congestionamentos, mas para quem acompanha o noticiário nas multimídias novas e velhas parece que o nosso fim está chegando logo ali na próxima esquina.

Conheço cada vez mais gente que procura distância das más notícias, cancelando assinaturas ou esquecendo de abrir os exemplares deixados na soleira da porta, muitas vezes de graça.

Desgraça, bandalheira, violência, corrupção, safadeza, acidentes, enchentes, incendios, conflitos, traições, lambanças, já não se consegue distinguir ficção e não ficção no que nos é oferecido nas páginas e nas telas.

Para não perder o ânimo, muitas pessoas preferem se desligar do mundo e cuidar das suas vidas, já que não lhes é oferecido nada que as ajude a viver melhor.

Não é possível que, no Brasil e no mundo, não aconteça nada de bom de um dia para outro, além do anúncio da gravidez do jovem casal real ou da vitória do nosso time de futebol.

Bem que tenho procurado notícias boas para tratar aqui no Balaio, mas, diante da minha dificuldade, faço um apelo aos leitores.

Se alguém souber de algum lugar bacana, alguém produzindo coisas novas, vencendo dificuldades ou uma história capaz de quebrar este baixo astral das crises e desgraças cotidianas, por favor, escreva para nós.

Pretendo aproveitar no blog os melhores comentários enviados. Enquanto o mundo não acaba, vamos aproveitar para tentar fazê-lo um pouco melhor, mais divertido de se viver.

Só fazer cara feia e ficar xingando a paisagem vista da janela não resolve nada.

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Pessoal, hoje (4) participei mais uma vez do bate-papo no R7 para responder às perguntas e conversar com vocês, internautas.

Quem quiser acompanhar a íntegra do chat é só clicar aqui.

Um abraço!

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eduardo campos e lula Lula merece respeito, diz Eduardo Campos

Eduardo Campos e Lula na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert

Na mais veemente defesa feita até agora do ex-presidente Lula, que vem sendo atacado por setores da oposição e da mídia após a Operação Porto Seguro, na esteira das investigações sobre tráfico de influência de altos funcionários nomeados no governo anterior, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, pediu tratamento de respeito igual ao que é dado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC na história, de líderes que têm imperfeições, que cometeram erros, todos os dois, mas que legaram ao Brasil, cada um a seu tempo, algo que é importante para a vida brasileira até hoje, a democracia. Nós podemos ter divergências com o presidente Lula, mas ele merece o respeito do Brasil".

Campos deu estas declarações na segunda-feira, após o seminário "Novos Ventos na Política Brasileira", promovido pelo jornal "Valor Econômico, do qual também participaram o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, e Eduardo Paes, do PMDB, reeleito no Rio de Janeiro.

Apontado pela imprensa, após as eleições municipais deste ano, como um dos possíveis presidenciáveis em 2014, Campos foi o primeiro entre os principais líderes da base aliada do governo a romper o silêncio, após o julgamento do mensalão e da Operação Porto Seguro, para falar do importante papel desempenhado por Lula na história recente do país:

"Ele, como um líder popular, viveu momentos difíceis na história, na ocasião em que faltava democracia no país. Depois, chegou à Presidência da República e teve o equilíbrio de garantir um rumo seguro para a economia brasileira, ganhou prestígio, inclusive no exterior. Além disso, legou independência à Polícia Federal, como se vê até hoje, nomeou oito ministros para o Supremo Tribunal Federal, que decidiram com isenção sobre um episódio que, no passado, jamais seria objeto de julgamento no Supremo. E estamos vendo um Ministério Público que não engaveta mais e que denuncia. Este é o legado que eu vejo do governo Lula".

O governador pernambucano pediu a punição dos culpados que usaram cargos públicos para fazer tráfico de influência: "É preciso que se apure tudo e os responsáveis sejam punidos com o rigor da lei. O Brasil tem mudado, não se aceita mais que uma carga tributária de quase 36% possa ser administratada por práticas patrimonialistas".

Ao contrário do PSDB, que não participou do seminário, e no mesmo dia ameaçou pedir uma CPI enquanto lançava a candidatura de um reticente Aécio Neves para a sucessão presidencial, Eduardo Campos deixou bem claro que não aposta no quanto pior melhor para viabilizar a sua candidatura.

"O que nós queremos é exatamente o contrário, é que o Brasil vá bem. Nós queremos ganhar o ano de 2013 e ajudar a presidente Dilma".

Para alcançar este objetivo, Campos defende mudanças no rumo estratégico do país. "O que é preciso fazer? É o momento de abrirmos o diálogo nacional, sereno, objetivo, colaborativo para ganharmos o ano de 2013".

Negando que seja, mas falando em tom de candidato, o governador deu a sua receita: "Precisamos alavancar o investimento, mas não é só isso. Precisamos melhorar a educação, investir em ciência e tecnologia, melhorar a infraestrutura. Tem uma pauta que não está tão clara como nos últimos anos".

 

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fhceaecio1 FHC lança Aécio e mostra PSDB sem rumo

Foto: JB Neto/10.06.2011/AE

Principal e cada vez mais única voz da oposição que se manifesta e é ouvida, Fernando Henrique Cardoso se antecipou ao PSDB e lançou a candidatura de Aécio Neves para a eleição presidencial de 2014, mas admitiu que o partido ainda não sabe que rumo tomar para definir um discurso de campanha.

Em entrevista a Fernando Rodrigues publicada nesta segunda-feira na Folha, o ex-presidente evitou ataques a Lula, ao PT e ao governo Dilma, que têm sido a única bandeira da oposição nos últimos tempos, e sugeriu ao PSDB promover, primeiro, "o que na esquerda costuma-se dizer  ‘fazer a autocrítica’".

FHC criticou, por exemplo, o discurso conservador em temas morais e religiosos empregado pelo PSDB nas eleições de 2010 e 2012, sem citar o nome do candidato José Serra: "Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista. Quando não se mantém, não tem o meu apoio. Eu não vou nessa direção".

Este certamente foi o principal motivo para o ex-presidente optar desde já por Aécio, a quem desafiou a "assumir mais publicamente posições".

A dificuldade do ex-presidente em definir estas posições fica clara no papel que reserva tanto a Aécio como a Serra daqui para frente.

Embora admitindo que Serra "pode, de repente, ser candidato", recomenda ao ex-governador paulista, duas vezes derrotado pelo PT em eleições presidenciais, que dedique seu tempo a preencher "um papel grande político e social, escrevendo, pregando, fazendo conferência".

Pregando, no caso, deve ter sido uma ironia involuntária. Não é muito diferente, porém, da receita que dá a Aécio: "Falar, fazer conferência, viajar".

"Nossos políticos precisam voltar a tomar partido em bola dividida", pede FHC, mas ele mesmo deu mais conselhos do que fez críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff pelo baixo crescimento da economia previsto para este ano.

"O PIB cresceu pouco por mil razões. O erro, que eu acho que houve, é que o governo se colou ao PIB. Não precisava. Não acho que se deva colar na presidente Dilma a queda do PIB. Ela é que pode se colar nisso. Aí fica mal para ela".

Aos 81 anos, de bem com a vida, uma década depois de ter deixado a Presidência da República, nota-se que FHC voltou a falar novamente mais como sociólogo que analisa a cena política brasileira do que como líder partidário do principal partido de oposição.

Por enquanto, a única coisa já decidida no PSDB para o próximo ano é a contratação de um bom marqueteiro, já que o partido atribui suas maiores dificuldades a falhas na comunicação. Quem sabe, assim, os tucanos consigam descobrir uma nova bandeira capaz de cativar os eleitores. Antes, porém, é preciso definir o que dizer.

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Publicado em 30/11/12 às 11h01

A hora da verdade para Lula e o PT

176 Comentários

pt A hora da verdade para Lula e o PT

Atualizado às 16h de 30.11

Caros leitores,

pelos comentários enviados até agora, dá para perceber como o tema do texto abaixo provocou opiniões polêmicas, com muitos discordando de mim, o que só mostra duas coisas: a riqueza da democracia e do debate na internet, em que não há espaço para a unanimidade, ao contrário do que ocore com o pensamento único da grande imprensa.

Só esqueci de responder uma coisa ao leitor Fernando Aleador, que me levou a escrever este post: imparcialidade não existe no jornalismo.

Todos os jornalistas e donos de meios de comunicação têm lado. Só escrevo o que penso e sinto, sem pedir licença nem querer agradar ou desagradar a ninguém.

Nem precisava dizer isso para quem acompanha meu trabalho há quase 50 anos, mas para os que estão chegando agora é bom repetir: meu lado é o do Lula, do PT e o da maioria do povo brasileiro, que venceu 500 anos de opressão e hoje vive num país melhor e mais justo.

Ricardo Kotscho

***

"Por que o bloguista inexplicavelmente não conta nada sobre Rosemary e o possível envolvimento do ex-presidente Lula em algumas operações ilícitas? Aonde está a sua imparcialidade de jornalista?", pergunta o leitor Fernando Aleador, em comentário enviado às 04h57 desta sexta-feira.

Tem toda razão o leitor.

Demorei para escrever e dar esta resposta porque, para mim, estes últimos foram os dias mais difíceis da minha já longa carreira, posto que os fatos envolvem não só velhos amigos meus, como é do conhecimento público, mas um projeto político ao qual dediquei boa parte da minha vida.

Simplesmente, não sabia mais o que dizer. Ao mesmo tempo, não podia brigar com os fatos nem aderir à guerra de extermínio de reputações e de desmonte da imagem do ex-presidente Lula e do PT que está em curso nos últimos meses.

A propósito, escrevi no começo de novembro um texto que se mostrou premonitório sob o título "O alvo agora é Lula na guerra sem fim", quando o STF consumou a condenação dos ex-dirigentes do PT José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

De uma hora para outra, a começar pelo julgamento do mensalão, até chegar às revelações da Operação Porto Seguro, o que era um projeto vitorioso de resgate da cidadania reconhecido em todo o mundo levou um tiro na testa e foi jogado na sarjeta das iniquidades.

"O que me intriga é saber por que agora, por que assim e por que tamanha insistência. É claro que o esforço para acabar com a corrupção é legítimo e louvável, mas não terminaram recentemente de sangrar o PT até a entrada do necrotério? Quem estaria sedento por mais?", pergunta-se a colunista Barbara Gancia, na edição de hoje da Folha, e são exatamente estas as respostas que venho procurando para entender o que está acontecendo.

Talvez elas estejam na página A13 do mesmo jornal, em que se lê: "FHC acusa Lula de confundir interesses públicos e privados". Em discurso num evento promovido pelo PSDB no Jóquei Clube de São Paulo, na quinta-feira, o ex-presidente pontificou, mesmo correndo o risco de falar de corda em casa de enforcado:

"Uma coisa é o governo, a coisa pública, outra coisa é a família. A confusão entre seu interesse de família ou seu interesse pessoal com o interesse público leva à corrupção e é o cupim da democracia".

Sem ter o que propor ao eleitorado, após sofrer três derrotas consecutivas nas eleições presidenciais, e perder até mesmo em São Paulo na última disputa municipal, o PSDB e seus alíados na mídia e em outras instituições nacionais agora partem para o vale-tudo na tentativa desesperada de eliminar por outros meios o adversário que não conseguem vencer nas urnas.

Nada disso, porém, exime o ex-presidente Lula e o PT de virem a público para dar explicações à sociedade porque não dá mais para fazer de conta que nada está acontecendo e tudo se resume a uma luta política, que é só dar tempo ao tempo.

A bonita história do partido, que foi fundamental na redemocratização do país, e a dos milhões de militantes que ajudaram a levar o PT ao poder merecem que seus líderes venham a público, não só para responder a FHC e às denúncias sobre a Operação Porto Seguro publicadas diariamente na imprensa, mas para reconhecer os erros cometidos e devolver a esperança a quem acreditou em seu projeto político original, baseado na ética e na igualdade de oportunidades para todos.

Chegou a hora da verdade para Lula e o PT.

É preciso ter a grandeza de vir a público para tratar francamente tanto do caso do mensalão como do esquema de corrupção denunciado pela Operação Porto Seguro, a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo, pois não podemos eternamente apenas culpar os adversários pelos males que nos afligem. Isso não resolve.

Mais do que tudo, é urgente apontar novos caminhos para o futuro, algo que a oposição não consegue, até porque não há alternativas ao PT no horizonte partidário, para uma juventude que começa a desacreditar da política e precisa de referências, como eu e minha geração tivemos, na época da luta contra a ditadura.

Conquistamos a democracia e agora precisamos todos zelar por ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado em 29/11/12 às 15h25

Quer comprar uma rua? Fale com Kassab

14 Comentários

kassab transbordamento hg 20110301 Quer comprar uma rua? Fale com Kassab

Faltando pouco mais de um mês para passar o cargo ao prefeito eleito Fernando Haddad, Gilberto Kassab anda fazendo algumas coisas estranhas que estão revoltando os moradores atingidos e chamando a atenção do Ministério Público de São Paulo.

Ao apagar das luzes da atual administração, o prefeito em final de mandato colocou à venda uma rua no Itaim-Bibi e está remanejando os moradores de áreas próximas a 14 empreendimentos imobiliários em fase de lançamento no polo comercial da avenida Chucri Zaidan, no Campo Belo.

A remoção dos favelados está sendo investigada pela Promotoria de Habitação e Urbanismo de São Paulo, segundo Janaina Garcia, do UOL, para saber se as famílias estão tendo assistência e sendo levadas para habitações sociais próximas de onde moravam.

"Pela lei que a criou, a operação urbana precisa prover estas habitações às famílias removidas dentro da sua área de abrangência. O que verificamos é que o poder público está tentando tirar familías que moram em favelas de todo o entorno da Chucri Zaidan para jogá-las em outro extremo desse perímetro, no Jabaquara", disse o promotor José Carlos Freitas.

Em setembro, o promotor pediu à Prefeitura informações sobre a assistência dada aos favelados no processo de transferência e concluiu que "o programa político hoje é de expulsão dessas famílias. Transferir essas pessoas para longe dali é mais gasto público com infraestrutura e mais bolsões de pobreza que tradicionalmente se formam".

O caso da venda da rua Oswaldo Imperatrice, no Itaim-Bibi, foi denunciado pelos repórteres Diego Zanchetta e Valéria França, na edição do "Estadão" desta quinta-feira.

A rua de 589 metros quadrados, travessa da Leopoldo Couto de Magalhães, será colocada à venda por R$ 5,83 milhões, bem abaixo do valor de mercado, segundo a Sociedade Amigos do Itaim-Bibi, que ameaça entrar na Justiça contra a Prefeitura.

"É uma negociação malfeita, que prejudica os cofres públicos", disse Marcelo Motta, o presidente da entidade". Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio o metro quadrado na região vale pelo menos o dobro do valor pedido pela Prefeitura, que é de R$ 9.900.

O vereador Ricardo Trípoli, líder do atual prefeito na Câmara Municipal e futuro secretário do Verde e Meio Ambiente da administração Fernando Haddad, informou que Kassab pretende vender mais 20 áreas públicas até o final do ano.

É o caso de se perguntar as razões que levam o prefeito Gilberto Kassab, que está no cargo desde 2006, a fazer estas vendas de patrimônio público justamente agora em seus últimos dias de administração.

Não seria mais razoável esperar a posse do novo prefeito para ele decidir se estas medidas atendem aos interesses da cidade ou apenas de grupos econômicos?

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado em 28/11/12 às 16h59

E Marin escolheu o pior

18 Comentários

No dia em que o técnico Mano Menezes caiu, sexta-feira passada, escrevi aqui no post "Pois é, agora só falta cair o Marin":

"Temos muitos melhores do que Mano Menezes: Tite, Muricy, Abel, Luxemburgo e até o Felipão velho de guerra, que está desempregado".

Agora não está mais: foi exatamente Felipão, entre os cinco o que está passando pelo pior momento, como informou o R7 nesta manhã de quarta-feira, o escolhido por José Maria Marin para o lugar de Mano.

Marin optou pela solução mais fácil, já que o técnico campeão do mundo na Copa do Japão/Coreia, em 2002, estava sem contrato depois de levar o Palmeiras para a segunda divisão.

Na verdade, Felipão não ganhou mais nada importante depois do penta com a seleção, faz dez anos. De lá para cá, só voltou a ser campeão do Uzbequistão pelo Bunyodkor, seu último time antes de voltar para o Palmeiras, onde ganhou a Copa do Brasil este ano.

felipao E Marin escolheu o pior

Ao contrário do novo técnico da seleção, que está em fim de carreira e cada vez mais ranzinza, minha preferência seria por Tite, que levou o Corinthians a disputar o título mundial no Japão, ou Abel Braga, campeão brasileiro pelo Fluminense.

Já diziam os comentaristas mais antigos que futebol é fase e eles são os melhores do momento no futebol brasileiro, a sete meses do início da Copa das Confederações. Biografia não decide jogo e não paga as contas.

O problema é que Tite e Abelão acabaram de renovar contratos com seus clubes por salários entre 600 e 700 mil reais, e a CBF não costuma abrir seus cofres, pelo menos para pagar os técnicos.

Assim, Felipão saiu mais barato, com a vantagem de já ter o título de campeão do mundo, o que serve de defesa para os cartolas em caso de fracasso na Copa do Brasil.

Se Marin não escolheu o melhor técnico, acertou em cheio na indicação de Carlos Alberto Parreira, outro campeão mundial, em 1994, para coordenador da seleção.

parra450x338 E Marin escolheu o pior

O cordato Parreira pode fazer um bom contraponto à relação muitas vezes beligerante de Felipão, tanto com os seus jogadores como com a imprensa.

Andrés Sanchez fez muito barulho na saída, no seu estilo deixa que eu chuto, mas não vai fazer falta. Nesta função, o Parreira fica melhor. Andrés pode agora começar a preparar sua candidatura para o lugar de Marin.

Tomara que tudo dê certo. Podemos ser campeões com Felipão e Parreira em 2014? Claro que podemos, se a CBF de Marin e sua turma não atrapalharem e deixarem Neymar & e cia. em paz para voltarmos a jogar o melhor futebol do mundo.

Em tempo: me atrasei para publicar este texto depois de todo mundo porque estava no médico fazendo exames de rotina. Passei de ano.

 

 

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A iniciativa de chamar os presidentes das agências reguladoras para dar explicações ao Senado sobre as investigações da Operação Porto Seguro foi do líder do PT, Walter Pinheiro, o que é um bom sinal.

Está mesmo passando da hora de abrirmos a caixa-preta destas agências criadas para fiscalizar as empresas privadas concessionárias de serviços públicos e cujas atividades pareciam uma terra de ninguém, antes da chegada da Polícia Federal.

Acabaram caindo na vala comum dos cargos distribuídos em nome da governabilidade aos partidos da base aliada e seus dirigentes ganharam vida própria sem dar satisfações a ninguém.

O caso mais emblemático é o de Paulo Rodrigues Vieira, diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), que teve seu nome rejeitado duas vezes pelo Senado em razão do seu prontuário e acabou sendo indicado assim mesmo numa terceira votação patrocinada pelo governo com a ajuda do presidente José Sarney.

logo ana É hora de abrir a caixa preta das agências reguladoras

Preso pelos policiais da Operação Porto Seguro sob suspeita de tráfico de influência e apontado como o "chefe da quadrilha" de servidores públicos que criavam dificuldades para vender facilidades, Vieira era ligado a Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, nomeada pelo ex-presidente Lula, exonerada nesta segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff.

Agora, a ANA criou uma comissão especial para investigar as atividades de Paulo Vieira, que não se limitavam à agência. O ex-diretor também agia no Ministério da Educação para alterar dados financeiros de faculdade pertencente à sua família, segundo nova denúncia publicada hoje pela Folha.

Aberta a porteira, caiu também Rubens Carlos Vieira, diretor da Anac (Secretaria de Aviação Civil), irmão de Paulo Vieira, e foram afastados de seus cargos altos funcionários da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Logo Anac É hora de abrir a caixa preta das agências reguladoras

ANA, Anac e Antaq, essas siglas todas que surgiram após o processo de privatização, acabaram se tornando novos cabides de empregos e, como vemos agora, fontes de corrupção.

Como já aconteceu no ano passado, a presidente Dilma pode fazer do limão uma limonada e promover uma faxina para valer nessas agências que infernizam nossas vidas no ar, na terra e nas águas.

ANTAQ                                                  IFT É hora de abrir a caixa preta das agências reguladoras

Para isso, Dilma terá que conter o apetite dos aliados ávidos por "boquinhas" no serviço público e basear suas nomeações para as agências apenas em critérios técnicos e competência profissional, depois de analisar os currículos e também os prontuários dos indicados.

Chegando ao final da primeira metade do seu governo, Dilma reforça assim a marca de executiva disposta a mudar certos usos e costumes da nossa velha política, que acabam virando casos de polícia.

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