Atualizado às 12:30 de 27/12

Os assuntos mais comentados pelos leitores na semana

Na última semana de 2009, estes foram os três assuntos mais comentados pelos leitores do Balaio, da Folha e da Veja, as duas publicações impressas de maior circulação do país:

Balaio

Eleições 2010: 287

As leis e o destino de S.G.: 93

O ano que passou e o próximo: 52 

Folha

Eleições 2010: 60 

Caso Sean: 50

Pedágios: 49

Veja (*)

Livros sagrados

Carta ao Leitor

Confecom

(*) Esta semana, excepcionalmente, a revista não divulgou o número de comentários recebidos.

***

Atualizado às 14:55 de 25/12

Caros leitores balaieiros,

pelo jeito, sobrevivemos ao ano da crise do fim do mundo. Este é último post que escrevo em 2009. Volto no dia 4 de janeiro ou em edição extraordinária, se algum fato novo assim o exigir. Aproveito para dar uma merecida folga aos leitores e aos meus colegas do iG, a quem agradeço por me aguentarem durante todo este ano que se anunciava terrível, mas acabou bem.

Foi um ano duro, difícil para muita gente no mundo todo, que perdeu trabalho e renda, milhões de pessoas atingidas por tragédias climáticas, com a economia mundial se recuperando no segundo semestre.

E nada melhor do que terminar o ano com uma notícia boa: no momento em que escrevo, o menino S.G., de nove anos, está seguindo para o aeroporto do Galeão, junto com seu verdadeiro pai, o americano David Goldman, a quem foi devolvido pela família brasileira, por ordem da Justiça, na manhã desta quinta-feira, véspera de Natal (o noticiário completo está no Último Segundo aqui no iG).

Não sou destes blogueiros megalomaníacos que comemoram notícias boas como se fossem uma vitória pessoal, mas não posso deixar de ficar feliz com o desfecho desta novela que já durava cinco anos e foi tema de várias matérias  no Balaio ao longo de 2009. 

Outra boa notícia que está na capa do portal é o novo salário mínimo que chega a R$ 510 a partir do dia 1º de janeiro, o maior da história em dólares. Isto é bom não só para quem ganha o mínimo e para os aposentados que terão um reajuste maior do que a inflação, mas para o conjunto da sociedade brasileira porque faz a roda da economia girar com maior vigor.

Depois de um início difícil para todos, 2009 termina com a economia brasileira retomando os indicadores de antes da crise, embora o crescimento do PIB este ano deva ficar em torno de zero. Mas todas as previsões para 2010 já indicam que voltaremos a crescer a 5% ao ano.

Aqui em casa não podemos nos queixar. Chegamos todos ao final do ano com saúde e trabalho, que é o que mais importa. Mudei de casa, completei 45 anos de jornalismo e, pela primeira vez na vida, tive um reajuste salarial ao contrário bem no meio da crise. Em dezembro, o Balaio conquistou seu primeiro patrocínio, um institucional da Vale, o que deixou tudo elas por elas.

Espero apenas frequentar menos médicos e hospitais no próximo ano, ter mais tempo para curtir os netos e os amigos. Do ponto de vista profissional, 2009 não poderia ter sido melhor. No mesmo mês em que completava seu primeiro ano no ar, o Balaio conquistou o Prêmio Top Blog 2009, na categoria política (primeiro lugar no júri acadêmico e terceiro lugar no voto popular).

Melhor ainda do que o prêmio, foi a iniciativa tomada por um grupo de leitores que criaram o Boteco do Balaio, uma filial deste blog no Google, onde o papo é absolutamente livre, quando me vi obrigado a fazer a moderação de comentários no início do ano, após uma invasão de cachorros loucos.

Em setembro, comemoramos, por iniciativa deles, o primeiro aniversário do blog num encontro nacional de leitores num bar aqui em São Paulo, algo inédito neste mundo da internet, onde um não conhece a cara do outro, embora se encontrem e conversem quase todo dia.

Para quem gosta de fortes emoções, 2010 promete. É ano de eleições gerais no Brasil e de Copa do Mundo na África do Sul. Teremos a primeira eleição presidencial sem Lula na urna eletrônica desde a redemocratização do país e a primeira Copa disputada no continente africano.

Um Feliz Natal e um Feliz Brasil 2010 para todos nós. Até janeiro.

Em tempo:

depois de publicar o texto acima, fui alertado pelo amigo leitor Marco Antonio Zanfra que faltou um registro importante entre as boas notícias: nesta mesma quinta-feira, o presidente Lula recebeu o título de "Personalidade do Ano", concedido pela primeira vez pelo jornal francês"Le Monde", uma das mais respeitadas publicações da imprensa mundial. O mesmo prêmio já havia sido concedido a Lula pelo jornal espanhol "El País".

Ao entrar no último ano dos seus dois mandatos, o presidente brasileiro continua com mais prestígio na imprensa lá fora do que aqui dentro.

Os grandes jornais brasileiros registraram o fato de uma forma, digamos, bastante discreta. Ao final da sua resenha sobre o artigo de Jean-Pierre Langellier, que escreveu o perfil de Lula para o"Le Monde", Gilles Lapouge, o eterno correspondente do Estadão em Paris, fugiu à má vontade geral, e comentou:

"Quando terminamos de ler o artigo de Langellier, voltamos à primeira página. E olhamos longamente a foto do presidente brasileiro.

E nos dizemos que a Providência ou o destino dos povos, tão cega, tão mal inspirada ou tão frívola no geral, desta vez acertou em cheio. Uma figura simpática como essa, realmente vale a pena".

Detalhe: Gilles Lapouge é francês.

PS: na conversa que tivemos hoje, sexta-feira, dia de Natal, na hora do almoço, o presidente Lula nem comentou o assunto.

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Atualizado às 13:55

Em tempo:

"A guerra acabou", anunciou agora há pouco Sergio Tostes, o advogado da família brasileira de S.G. (ver reportagem de Rodrigo de Almeida no Último Segundo do iG). Não haverá mais recursos. "Agora é cuidar para fazer a transição da entrega da melhor maneira possível", disse Tostes. A novela do menino S.G. , que o Balaio acompanhou durante todo este ano, parece assim ter chegado a um final feliz.

***

Somos todos iguais perante a lei, diz a nossa Constituição. Mas qual lei? A Lei de Gilmar ou a Lei de Mello?  No intervalo de apenas cinco dias, os ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, tomaram duas decisões diametralmente opostas sobre o destino do menino S.G., de 9 anos, cuja guarda é disputada há cinco anos pelo pai biológico, o americano David Goldman, e a família brasileira da  mãe, Bruna Bianchi, que morreu no ano passado.

Mello concedeu liminar à família brasileira no dia 17, revogando decisão do Tribunal Regional Federal, que na véspera havia determinado a devolução do menino ao pai biológico no prazo de 48 horas. Na noite desta terça-feira, atendendo a dois mandados de segurança com pedido de liminar contra a decisão de Mello, impetrados por David Goldman e pela Advocacia Geral da União,  Gilmar Mendes determinou a imediata entrega do menino ao pai.

"Não há como se negar a ilicitude da conduta de manutenção da criança no Estado brasileiro", escreveu Gilmar Mendes em sua decisão. Como é que é? Um ministro do STF acusa "ilicitude de conduta" na decisão de outro ministro do mesmo tribunal, baseado nas mesmas leis, da mesma Constituição?

Os mais antigos já costumavam dizer que "cada juiz, uma sentença", mas parece que desta vez estão exagerando. Esta novela já dura cinco anos, desde que a mãe de S.G. veio com o menino para o Brasil de férias e nunca mais voltou para a casa de Goldman, onde a família morava, nos Estados Unidos.

Neste meio tempo, Bruna Bianchi pediu divórcio, casou-se de novo com um brasileiro da família Lins e Silva e morreu durante o parto do segundo filho, uma menina, em 2008. A família brasileira alega que o menino criou laços no país com parentes e amigos, e recusa-se a devolvê-lo. Silvana Bianchi, a avó materna, chegou a escrever estes dias até uma carta aberta ao presidente Lula, alegando que, na falta da mãe, a educação do menino cabe a ela. Quem disse? Onde isto está escrita esta lei?

Quanto mais se arrasta este vai-e-vem da Justiça brasileira,  mais se prolonga o drama das duas famílias e, principalmente, deste menino de 9 anos, centro de uma disputa que já envolve os governos dos dois países.

Até o momento em que escrevo este texto, na manhã de quarta-feira, parece que hoje finalmente David Goldman e seu filho deverão voltar para os Estados Unidos e lá passar o Natal, depois de cinco anos separados. Se não aparecer, é claro, mais uma liminar no meio do caminho, que deixe o dito pelo não dito. Sergio Tostes, o advogado da família brasileira, já anunciou que vai tomar "as medidas legais cabíveis". O problema é justamente descobrir o que é legal ou ilegal na barafunda da Justiça brasileira em que a lei vale ou não de acordo com o freguês.

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Na contra-mão do aquecimento global, a temperatura do noticiário cai à medida em que o verão avança. Todo ano, no momento em que as excelências dos três poderes saem de férias, os repórteres de Brasília e os editores de manchetes entram em crise de abstinência.

É um sintoma emblemático da concentração da cobertura de Brasil em Brasília, quer dizer, à prioridade que se dá ao noticiário do poder em detrimento das notícias do Brasil real.

A grande maioria dos brasileiros continua na batalha do dia a dia, fatos novos são produzidos a cada momento nas grandes cidades e nas distantes bibocas, mas quando o Congresso Nacional entra em recesso é como se nada mais de importante estivesse acontecendo.

Durante todo o ano, a eterna disputa entre governo e oposição alimenta um noticiário que muito pouco tem a ver com a vida dos simples mortais consumidores de notícias. Nos dois anos em que trabalhei no Palácio do Planalto, vi como jornalistas e excelências de Brasília vivem um do outro, ainda que numa situação de amável conflito a maior parte do tempo.

Desta forma, explica-se porque, no momento em que os personagens do poder saem de cena para a regulamentar trégua de festas de fim de ano, é como se a roda da notícia tivesse parado de girar, deixando o campo livre para abobrinhas em geral, retrospectivas e previsões, enquetes de melhores e piores do ano, essas coisas de sempre.

Os leitores poderão me perguntar por que então, em vez de apenas constatar esta realidade, eu não levanto a bunda da cadeira e saio a campo em busca das notícias do Brasil real que não são publicadas. Até pensei em fazer isso, mas esta não é a função de um blogueiro. Além disso, seria muita pretensão minha achar que um repórter só é capaz de mudar uma realidade que hoje é permanente na imprensa brasileira e apenas fica mais evidente nesta época do ano.

Mas posso dizer a vocês que, durante as mais de quatro décadas em que sujei os sapatos para escrever cerca de três mil reportagens, percorrendo o país de ponta a ponta várias vezes, em menos de 10% dos casos os personagens eram ligados ao poder.

Hoje, acontece exatamente o contrário: a cobertura da vida real deu lugar à disputa das notícias nos gabinetes e salões, os carros de reportagem foram substituídos por telefones e pela internet, e os engraxates vizinhos das redações estão ficando sem serviço.

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Os assuntos mais comentados pelos leitores na última semana

Balaio

O prefeito e as enchetes: 182

Mau humor dos paulistanos: 156

O caso do menino S.G.: 113

Folha

Governo Lula: 44

Liberdade de imprensa: 37

Corrupção: 34

Veja

Aquecimento global: 46

Corrupção: 15

Dependência de álcool: 13

***

Ao contrário do meu amigo Carlos Augusto Montenegro, o homem do Ibope, que já no ano passado cravou a vitória de José Serra em 2010, eu não arrisco um centavo do meu bolso numa aposta sobre quem vai ganhar a eleição presidencial.

A tão aguardada safra de pesquisas de final de ano trouxe números que variam de um instituto para outro, mas, para mim, continua mostrando um quadro ainda bastante indefinido, até mesmo em relação às candidaturas que chegarão às urnas em outubro do ano que vem.

O Datafolha deste domingo consolida uma disputa já esperada entre a oposição tucana representada por José Serra e a candidata do governo, Dilma Roussef, com Ciro Gomes correndo por fora e Marina Silva fazendo o papel de out sider que foi de Helóisa Helena em 2006. 

A pesquisa apresenta dois fatos novos. A diferença entre Serra (37 pontos agora, um a mais do que na pesquisa anterior) e Dilma (23 pontos agora, contra 17 em agosto), caiu de 21 para 14 pontos. E, pela primeira vez, o Datafolha fez a projeção de um segundo turno entre os dois, revelando clara vantagem de Serra: 49 a 34.

Desta forma, os dois candidatos encontram números para comemorar, já que Ciro Gomes manteve-se à distância no mesmo patamar ( foi de 14 para 13) e Marina Silva, que subiu de 3 para 8, ainda não chegou aos níveis de Heloísa Helena, do Psol, que desta vez ficará de fora.

Com mais de 11 mil entrvistados em todo o país, o Datafolha mostrou também que Lula bateu novo recorde de popularidade desde a sua posse em 2003, batendo nos 72 pontos, a um ano do final do seu governo, fato inédito no histórico das pesquisas nacionais. Apesar de todo o noticiário negativo das últimas semanas, ele cresceu cinco pontos de agosto a dezembro, mantendo-se em 6% os que desaprovam o presidente.

Com Serra agora correndo sozinho no campo da oposição, após a desistência de Aécio Neves esta semana, tudo indica que até o início oficial da campanha, no meio do ano, não deverão acontecer grandes mudanças nas pesquisas, restando especular até onde o presidente Lula conseguirá transformar em votos para Dilma a sua fantástica popularidade.

Outras dúvidas permanecem, mantendo um quadro de indefinição.

Ciro será mesmo candidato? Se não for, para quem irão seus votos? Como ficará Aécio Neves nesta história?

Marina tem folego para ir até o final, ou poderá compor a chapa com Serra, caso Aécio cumpra sua palavra de não ser o vice?

Quem o DEM poderia indicar depois do tsunami do mensalão de Brasília? E quem será o vice de Dilma? A aliança do PT com o PMDB resiste até começar a campanha na TV, a grande esperança da candidata do governo?

Quem quiser que faça suas apostas.

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Atualizado às 18:00

Em tempo:

o Supremo Tribunal Federal concedeu agora há pouco liminar que impede a saída do menino S.G. do Brasil (ver notícia completa no Último Segundo).

A decisão do ministro Marco Aurélio Mello foi anunciada poucas horas depois da chegada ao Rio de Janeiro do pai de S.G., o norte-americano David Goldman.

Sem muita convicção, como se já imaginasse qual seria a posição do STF, Goldman disse apenas: "Espero que eu finalmente consiga levá-lo para casa, para que a família dele, que o espera há cinco anos".

Se depender do vai-não-vai da Justiça brasileira, a família Goldman vai continuar esperando.

***

De recurso em recurso, de liminar em liminar, de julgamento em julgamento, já lá se passaram cinco anos da disputa judicial entre a família brasileira Lins e Silva e a americana Goldman pela guarda do menino S.G., de 9 anos.

Nesta quarta-feira, os desembargadores da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região escreveram mais um capítulo desta novela, ao decidirem, por 3 votos a 0, que o menino deve ser devolvido em 48 horas ao pai biológico, o norte-americano David Goldman, que chega hoje ao Brasil para aguardar a entrega do filho no consulado dos Estados Unidos. Pai e filho não se vêem faz seis meses.

Nem Goldman tem certeza de que este seja o último capítulo, pois, em junho, ele também ganhou na Justiça, em primeira instância, mas a sentença foi suspensa por três liminares. Segundo seu advogado, Ricardo Zamariola, Goldman recebeu a notícia "com cautela".

Não é para menos. Desta vez, a família da mãe de S.G., Bruna Bianchi, que morreu no ano passado ao dar à luz uma filha com o segundo marido, o brasileiro  João Paulo Lins e Silva, já havia entrado com pedido no Supremo Tribunal Federal para evitar a saída de S.G., antes mesmo que o TRF anunciasse a sua decisão.

Silvana Bianchi, a avó materna, pede que a criança seja ouvida pela Justiça sobre a sua vontade de ficar ou não no Brasil. O novo recurso está agora nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, o mesmo que já concedera uma liminar em junho para suspender a sentença de primeira instância, atendendo a um pedido do PP (Partido Progressista). Não ficou muito claro até hoje o que um partido político tem a ver com a disputa pela guarda do menino.

Os leitores mais antigos do Balaio devem se lembrar das muitas idas e vindas da Justiça brasileira no caso S.G., tema de várias matérias aqui publicadas durante o ano.

O drama de David Goldman, o pai biológico que vivia com Bruna Bianchi desde 1999 nos Estados Unidos, começou quando ela veio para o Brasil de férias com S.G., em 2004, e depois simplesmente comunicou a ele que não voltaria mais para o país, pois decidira ficar por aqui.

Desde então, Goldman tenta reaver a guarda do filho, o que ficou mais difícil depois que Bruna conseguiu o divórcio e se casou com João Paulo Lins e Silva, de tradicional família de advogados cariocas. À medida em que os anos passam e o vai-não-vai da Justiça brasileira se arrasta, é óbvio que mais o menino vai se acostumar com as famílias da mãe e do padrasto, criando laços com os amigos da escola, etc.

Por isso, a insistência das famílias brasileiras para que o menino seja ouvido pela Justiça sobre os seus próprios desejos, como se um menino de 9 anos tivesse capacidade para escolher entre o pai biológico e o padrasto, passando por cima da Convenção de Haia, assinada pelos dois países, que legisla sobre o sequestro internacional de crianças.

No início de dezembro, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA chegou a estudar possíveis sanções ao Brasil pelo descumprimento da Convenção de Haia.

O caso S.G. já chegou a ser discutido até pelos presidentes dos dois países e, ontem à noite, Hillary Clinton, a secretária de Estado americana,  agradeceu a cooperação do governo brasileiro, embora esta seja uma questão restrita ao Judiciário na qual o Executivo não tem como intervir.

Os brasileiros já podem até ter se acostumado com a morosidade da nossa Justiça, os seus meandros e filigranas, as mil possibilidades de recursos, onde todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais do que os outros, dependendo da sua capacidade de contratar bons advogados e da influência dos envolvidos.

Mas, para um estrangeiro como David Goldman, que está separado do filho há longos cinco anos, fica difícil entender estas características muito peculiares, digamos assim, da Justiça brasileira. Quem sabe, agora, se não surgir mais nenhuma nova liminar, ele possa finalmente passar o Natal em casa com seu filho.

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Vocês devem se lembrar das cenas toda vez que chovia forte na cidade: gravadores e microfones enfiados em suas bocas, elas eram seguidas pelas câmaras por onde andavam para ver os estragos provocados pelas enchentes.

Os repórteres queriam saber: "E agora, prefeita? O que a Prefeitura vai fazer? Como a situação chegou a este ponto? Que providências foram tomadas para evitar estes problemas?"

No tempo das prefeitas Luiza Erundina e Marta Suplicy, os repórteres eram implacáveis, marcavam corpo a corpo, cobravam o poder público, como é sua função.

Lembrei-me destas cenas antigas quando li hoje no jornal que "Prefeitura estuda usar bombas para drenar a água", uma semana depois da enchente que deixou alagados vários bairros da zona leste, às margens do rio Tietê.

Pois levou exatamente uma semana para o prefeito Gilberto Kassab ir à região do Pantanal, onde as ruas de seis bairros continuam tomadas pelas águas do rio misturadas ao esgoto: Chácara Três Meninas, Vila das Flores, Jardim São Martinho, Vila Aimoré, Vila Itaim e Jardim Romano.

Até então, a cobertura se limitou a ouvir as vítimas e técnicos e especialistas em enchentes ensinando que, como se trata de uma área de várzea, iria demorar mesmo para as águas voltarem ao leito do rio. O prefeito Kassab e o governador Serra foram poupados de dar maiores  explicações.  

Nesta terça-feira, bem abrigado na sede da subprefeitura de São Miguel Paulista, "durante os 40 minutos em que esteve na região, Kassab conversou com moradores, ouviu reclamações, falou do projeto do parque que será construído na região e da transferência das famílias", segundo informa a Folha.

O prefeito ficou sabendo que entre 3.500 e 7.500 famílias precisam ser retiradas das áreas de risco, mas o cadastramento só começa na próxima semana e a transferência, prevista para 2012, foi antecipada para o ano que vem. Os moradores se queixaram que precisam esperar até quatro horas na fila do posto de saúde no Jardim Romano, carregando seus filhos com doenças provocadas pelas inundações.

Ao final da reunião, Kassab informou que a Prefeitura está estudando a colocação de bombas para drenar a água da enchente. "Muito possivelmente", explicou,  a água será bombeada para caminhões-pipa. Se esta era a solução possível, porque o trabalho de drenagem não começou a ser feito já na semana passada?

Diante das cenas de sofrimento dos moradores do Jardim Pantanal e dos bairros atingidos pela enchente na zona leste, caminhando com água pelo joelho para salvar os móveis das suas casas e levar os filhos ao médico, os problemas enfrentados pelos meus vizinhos do Jardim Paulista ficam tão pequenos, ridículos, insignificantes, que não temos nem o direito de ficar de mau humor (tema do post anterior deste Balaio) nestes dias que antecedem o Natal.

Para piorar o quadro, que ninguém espere não ver mais as mesmas cenas em 2010. Antes que o dia acabasse, a Câmara Municipal, controlada pelo prefeito, cortou as verbas previstas no orçamento para obras antienchente, incluindo os investimentos em áreas de risco e canalização de corregos.

As áreas de risco perderam R$ 1 milhão e R$ 70 milhões foram cortados da canalização de córregos. Mas a verba de publicidade foi mantida: R$ 126 milhões.

Se você não aguenta mais ver as imagens das enchentes paulistanas nos telejornais,  é melhor assistir deixar a TV ligada só nos intervalos comerciais mostrando uma São Paulo que é só beleza.

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Atualizado às 15:08

Natal lembra fraternidade, confraternização, troca de presentes e de abraços. Mas, a nove dias da grande festa cristã, não é nada disso que se sente andando pelas ruas de São Paulo. No corre-corre das compras, uma verdadeira gincana com buracos nas calçadas e no asfalto, muita sujeira nas sarjetas, aquelas sequelas todas das chuvas da semana passada, vive-se um clima de salve-se quem puder. 

No Jardim Paulista, onde moro, a gente sabe que o Natal está chegando quando as lojas ficam enfeitadas, o trânsito começa a parar a qualquer hora do dia e aumenta o número de pedintes, famílias inteiras que acorrem das periferias para as áreas mais nobres da cidade em busca de alguma ajuda.

Este ano, porém, não está valendo aquela antiga tradição de todo mundo ficar com o coração mais mole, mais aberto ao sofrimento dos outros. Cansados de pedir e só receber de volta caras feias e nãos, os forasteiros da esmola xingam quem lhes nega ajuda, e saem blasfemando, puxando os filhos pelos braços em busca de outras calçadas. 

O que estará acontecendo? Não sei a quantas andam as vendas das lojas neste Natal, mas acabei de ler no iG que o movimento do comércio cresceu pelo sexto mês seguido. Os indicadores econômicos mostram que já voltamos aos patamares de emprego e renda de antes da grande crise financeira mundial.

Se o problema não é dinheiro _ sempre ele... _ o que explica então este mau humor do paulistano, que se recusa até a dar bom dia e boa tarde, a falar por favor e obrigado, estas gentilezas de antigamente que parecem ter sido levadas nas últimas enchentes?

Como sinto claustrofobia nos shoppings lotados, esperei a chuva parar para fazer minhas compras nesta segunda-feira, aqui nas lojas de rua do bairro.  Parece que todos, vendedores e consumidores, estão com pressa, sem muita paciência para ouvir o outro,  cada um apenas cumprindo sua tarefa, sem sequer desejar um Feliz Natal ao final das compras.

É um anti-clima de Natal. O maior desejo de todos com quem tenho me encontrado, de motoristas de táxi a amigos do bar no final de tarde, é que as festas passem logo, que cheguem as férias e possam, enfim, sair da cidade para qualquer outro lugar.

Será que isso está acontecendo também nas outras cidades brasileiras ou esta é uma síndrome pré-Natal típica dos paulistanos? Gostaria que os leitores do Balaio espalhados pelo Brasil afora me ajudassem a esclarecer estas dúvidas. Afinal, mudou o Natal ou mudamos nós?

Em tempo:

são três da tarde de terça-feira, e me dei conta de que esqueci de falar no texto acima de uma outra característica de São Paulo nesta época do ano: o barulho infernal das buzinas.

Todo mundo parece querer resolver seus problemas tacando a mão na buzina e xingando os outros motoristas. Morei dois anos na Alemanha, na década de 1970, e não me lembro deste barulho de gente buzinando no trânsito.

Se não podemos evitar o barulho das obras que nunca terminam, dos motores dos carros e dos helicópteros, pelo menos poderíamos fazer um esforço para buzinar menos. Até porque, como está cientificamente provado, não resolve nada...

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Os assuntos mais comentados da semana

Balaio

Palestra de FHC: 155

Sindrome de D.A.D.I.A: 132

Todos Pela Educação: 118

Folha

Mensalão do DEM: 95

Lula: 65

Corrupção: 53

Veja

Corrupção no Distrito Federal: 105

Pais no papel de mães: 20

Jean-Pierre Lebrun: 8

***

Ao fazer o levantamento semanal dos três assuntos mais comentados na última semana neste Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país, como faço todos os domingos, tive uma boa surpresa.

Numa semana em que o noticiário foi dominado mais uma vez por escândalos de corrupção, caos e mortes nas enchentes e um PIB abaixo do esperado, aqui no Balaio entrou no ranking o tema Educação, a exemplo do que eu já registrara várias vezes nas mais comentadas da Folha.

Este talvez seja um dos resultados mais importantes alcançados até agora pelo Todos Pela Educação, um movimento criado em 2005, que reúne sociedade civil, poderes públicos e educadores em torno de um projeto de longo prazo, para assegurar ensino público de qualidade a todas as crianças e jovens entre 4 e 17 anos até 2022, ano do segundo centenário da Independência.

A Educação está cada vez mais na pauta da imprensa brasileira, não só para denunciar suas mazelas históricas, mas também para revelar os avanços alcançados nos diferentes níveis de ensino, que possam servir de exemplo e extímulo a todos os profissionais da área.

Há hoje um consenso de que a Educação deve estar no centro das preocupações do país _ não só dos governos e dos responsáveis diretos pelas escolas públicas, mas das empresas,  das diferentes instituições da sociedade civil e, principalmente, das famílias brasileiras.

Sem o envolvimento de todos, dificilmente serão alcançadas as cinco metas estabelecidas para 2022 apresentadas no texto do Balaio na quarta-feira. Vários leitores enviaram comentários reivindicando melhores salários e condições de trabalho para os professores, o que é muito justo e necessário.

Investimentos públicos e privados são fundamentais para preparar as novas gerações diante do desafio cada vez maior  trazido pelo desenvolvimento econômico do país, mas só dinheiro não basta. É no campo do conhecimento  que se decidirá o futuro das nações e, para sairmos vencedores neste jogo, é importante a participação, o empenho e o envolvimento de cada um de nós.

Ao abrir espaço para tratar dos rumos da educação, a imprensa estará cumprindo seu papel nesta história, com o engajamento de um número cada vez maior de veículos na cobertura permanente do tema. Falta muito ainda, como vimos no relatório anual apresentado pelos coordenadores do Todos Pela Educação, mas estamos avançando, embora não ainda na velocidade desejada.

Por isso, proponho que 2010, quando os brasileiros mais uma vez irão às urnas para  as eleições gerais, seja o ano da Educação _ mais do que uma prioridade, o ponto central de qualquer plataforma ou programa de governo dos candidatos.

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Veja abaixo as manchetes de dois grandes portais de notícias na hora do almoço desta sexta-feira.

O Globo Online:

"Brasil ainda vive apagão digital: 104,7 milhões de pessoas não usam a internet".

Folha Online:

"Acesso á internet aumenta 75,3% entre 2005 e 2008"

Qual das duas manchetes o leitor prefere? Cada um vê os números como quer. É aquela velha história do copo com água pela metade: está meio cheio ou meio vazio? Como nenhum dos dois portais morre de amores pelo atual governo brasileiro, a escolha é absolutamente livre.

Para fazer suas manchetes, as edições online de dois dos três  principais veículos impressos da mídia brasileira utilizaram a mesma fonte: os números da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Aos números: entre 2005 e 2008, segundo o IBGE, o percentual de brasileiros de dez anos ou mais que acessaram a internet por meio de computador ao menos uma vez aumentou 75,3%, chegando a 56 milhões de usuários, o que é um contingente muito maior do que o universo de leitores de todos os jornais e revistas do país.

"Esse maior acesso à internet e ao celular (53,8% da população) mostra uma maior democratização da informação no país. Melhorias na distribuição de renda contribuiram para aumentar o poder de compra das pessoas, fazendo com que a população tivesse mais acesso a esses bens", disse ao Globo Online o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Azevedo.

O fato concreto é que o processo de inclusão social, que tirou 20 milhões de brasileiros da faixa de pobreza e levou 30 milhões à classe média, nos últimos sete anos, mudou a cara  e a forma de pensar do nosso país.

Três dias  antes da divulgação dos dados do IBGE,  o leitor Antonio Amorim, em comentário enviado ao Balaio, às 13:34 da última terça-feira, escreveu:

"Acredito que esteja ocorrendo um fenômeno pouco percebido até então. Além da enorme inclusão social, a inclusão digital está vindo a reboque e com ela a democratização dos meios de informação". 

Este é apenas o início, a meu ver, da maior revolução na comunicação humana nos últimos 500 anos, desde a invenção da imprensa por aquele alemão sonhador, o Gutemberg.  

Segundo a mesma pesquisa, os jovens constituem a maioria absoluta dos usuários da internet no Brasil. A faixa entre os 15 e os 17 anos foi a que mais cresceu no período: 62,9%. Alguma dúvida sobre o futuro?

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Para quem ainda não sabe do que se trata, explico: o Todos Pela Educação é um movimento que junta sociedade civil,  empresários da iniciativa privada e os três níveis de governo para oferecer um ensino público de qualidade a todos os brasileiros entre 4 e 17 anos até 2022, quando comemoramos o segundo centenário da nossa Independência.

Fui um dos fundadores deste movimento, em 2005, uma das melhores coisas que fiz na vida. Por isso, sinto-me feliz cada vez que participo de uma reunião como a desta quarta-feira, no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, quando foram apresentados os resultados de mais um ano de trabalho.

Numa sala lotada por gestores públicos, educadores, pesquisadores e técnicos, Mozart Neves Ramos, ex-secretário da Educação e ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, presidente executivo do movimento, fez a leitura do relatório de 2009, em que adverte:

“A Educação brasileira, apesar dos esforços de todos, está avançando numa velocidade aquém do desejável. Neste ritmo, a tendência é de que não alcançaremos, em 2022, as metas estabelecidas. Temos que estar alertas, ampliar os investimentos e o nosso empenho para assegurar a nossas crianças e jovens o exercício do direito a uma Educação de qualidade”.

As metas para 2022 são cinco:

  • Toda criança de 4 a 17 anos na escola
  • Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos
  • Todo aluno com aprendizado adequado à sua série
  • Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos
  • Investimento em educação ampliado e bem gerido

De toda forma, ele concorda que 2009 terminou melhor do que começou, embora o país não tenha alcançado o patamar estabelecido este ano (91,9%) para o atendimento escolar de toda criança e jovem de 4 a 17 anos. Mas chegamos perto: 91,4% das crianças nesta faixa etária estão na escola.

A grande vitória conquistada este ano pela sociedade brasileira, com a ajuda do movimento, foi a promulgação da Emenda Constitucional 59/09, que torna o ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos e destina mais recursos ao orçamento do Ministério da Educação nos próximos dois anos, ampliando o acesso à Educação Infantil, numa ponta, e ao Ensino Médio, na outra.

No próximo ano, teremos eleições gerais para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. É importante colocar a Educação no centro das preocupações de todos, pois é neste campo, mais do que em qualquer outro, que se decidirá o futuro do nosso país.

Como propõe o nome do movimento, esta é uma tarefa não só dos governos e dos poderes públicos, mas realmente de todos nós, de toda a sociedade brasileira. Só assim as cinco metas serão alcançadas até 7 de setembro de 2022, quando poderemos comemorar de verdade a nova Independência do Brasil, com a educação pública de qualidade assegurada para todos.

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