Atualizado às 20:53

Caros balaieiros,   

ganhamos!

Um dia depois do nosso encontro para comemorar um ano de Balaio, ganhamos agora à noite, em São Paulo, o Prêmio TOP BLOG 2009, na categoria Política, de acordo com a votação do Júri Acadêmico. No brevíssimo discurso de agradecimento, dediquei o prêmio aos leitores. Vocês merecem! Obrigado!

Abração,

Ricardo Kotscho

***  

Pela hora em que este texto está sendo publicado, vocês podem imaginar como foi animado o encontro dos balaieiros no primeiro aniversário deste blog, que começou na sexta e acabou no sábado. Poucas vezes na minha vida profissional, que já vai completar 45 anos no próximo mês, me senti tão feliz e realizado com o trabalho.

Conhecer os leitores que habitualmente escrevem comentários no Balaio, muitos vindos de longe para a nossa confraternização no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, foi uma experiência nova e agradável para quem passou quase toda a carreira em grandes redações. O leitor, para mim, sempre foi um ser invisível.

Não era uma multidão, mas umas 50 pessoas passaram por lá,  o suficiente para lotar um pequeno galpão do Espetinho & Cia., onde estava passando o último capítulo da novela das oito, que ninguém assistiu. Entre elas, estavam muitos estudantes e também alguns jornalistas de diferentes gerações pelos quais tenho a maior admiração, como o grande Audálio Dantas (sempre com sua Vanira, também jornalista), Ricardo Carvalho, Elias Novelino, Mariza Marega e Mauro Júnior, que veio do Rio.

A noite começou numa casa de chope e espetinhos no reduto boemio de Lilian Gonçalves na rua Canuto Do Val e terminou já de madrugada no bar que leva o nome do pai dela, Nelson Gonçalves. Boa música, boa conversa, com bons amigos, o que mais um blogueiro pode querer da vida?

Sob o comando da incansável Aliz, a leitora que organizou tudo e passou a noite tirando fotografias e pegando os contatos de todo mundo, o pessoal se divertiu contando suas histórias, lembrando os debates aqui travados e como vieram parar aqui. Foi ela querm tornou realidade a idéia de reunir os balaieiros, lançada meses atrás pelo Enio, que parecia o mais feliz de todos em sua possante cadeira de rodas motorizada.

A mais animada era a turma liderada pelo Everaldo, o Vevé, que veio de Goiania de carro, mais de 12 horas de estrada. O que não faltou foi cachaça, das mais diversas procedências. Cada um fazia questão que os outros provassem da sua e o pessoal tinha dificuldades em escolher a melhor, se me entendem...

O leitor Rodrigo Mallmann, de Porto alegre, não pôde vir, mas mandou sua representante, uma garrafa de Marisqueira, aguardante composta com canela e erva-doce, produzida na cidade gaúcha de Dom Pedro de Alcântara. Foi-nos mandada com um bilhete dele colado na garrafa, que eu não deixei abrir e vou guardar de lembrança na minha coleção.

"A lida campeira não permitiu minha ida para os pagos de São Paulo acompanhar esse entrevero de gente de tudo que é querência. Então mando como singela lembrança uma canha gaudéria de primeira estirpe, a mais entornada por este pago. Daquelas de se tomar purinha e depois sair corcoviando feito pingo chucro".

Este é o Brasil velho de guerra que agora tem voz e vez na internet e se reúne sem pedir licença a ninguém. "Este teu blog é diferente porque tem alma", me disse Vevé na despedida, resumindo o espírito da coisa. Na internet, o leitor existe, tem cara, vida própria e opinião, não é um ser abstrato e passivo que apenas lê o que a gente escreve como era no tempo da imprensa de papel. Ninguém mais é dono da verdade _ e isso é muito bom.

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lula e palo2 276x300 Exclusivo: Palocci fala ao Balaio sobre um ano de criseÀs vésperas das comemorações do primeiro aniversário da crise do fim do mundo, quem eu encontro por acaso no elevador para falar sobre o assunto?

Sim, ele mesmo, meu amigo Antonio Palocci, o primeiro ministro da Fazenda do governo Lula, agora deputado federal (PT-SP), relator de um dos quatro projetos do pré-sal, inocentado na semana passada no último processo que corria contra ele no Supremo Tribunal Federal.

De volta à ribalta da cena política, ele tem sobre a mesa no seu escritório em São Paulo 43 pedidos de entrevista e outro tanto de especulações sobre o que pretende fazer na vida daqui para frente.

Na muda faz meses, Palocci não atendeu a nenhum dos pedidos, nem pretende falar com a imprensa até o final do ano. Isto só deve acontecer depois do Natal, quando ele deverá definir seus rumos políticos.

Mas eu não iria perder esta chance de conversar com o principal consultor econômico do presidente Lula até hoje. A conversa, que começou no elevador do prédio em que fica a loja onde encomendei duas camisas, continuou no escritório de duas salas que o ex-ministro mantém em São Paulo, onde mora sua família. Peguei um papel e uma caneta e comecei a trabalhar.

Recém-promovido a avô, Antonio Palocci mantém o bom humor de quando trabalhamos juntos no governo e ele segurava o alto astral mesmo nos momentos mais difíceis. Foi divertido falar com ele na tarde desta sexta-feira em que o Balaio também comemora seu primeiro aniversário.

Balaio _ Um ano atrás, quando estourou a crise financeira mundial, com a quebra do Lehman Brothers, nos Estados Unidos, o que você achou das declarações do presidente Lula sobre a marolinha?

Palocci _ Confesso que achei a aposta dele arriscada porque naquele momento era completamente impossível imaginar o cenário que teríamos com a quebra do banco. O tempo mostrou que ele tinha uma razoável dose de razão. Neste momento, o Brasil já está voltando a mostrar os mesmos números anteriores à crise na economia, embora tenha havido muitas perdas, como no mundo todo.

Balaio _ Em que você acha que o presidente se baseou para fazer suas previsões otimistas, dizendo que o Brasil seria o último país a entrar e o primeiro a sair da crise?

Palocci _ Pela primeira vez, o Brasil entrou numa crise internacional reduzindo juros e tributos, mantendo suas reservas. Antes, sempre acontecia exatamente o contrário. Definitivamente, do ponto de vista macroeconômico, o país apresenta um equilíbrio bastante forte. O Lula falou o que falou porque tinha consciência desta situação. O Brasil hoje tem um mercado interno mais forte do que há uma década pela melhora do emprego e pelos programas de renda.

Balaio _ Qual foi o momento mais difícil enfrentado pelo Brasil neste ano de crise?

Palocci _ Foi na passagem de 2008 para 2009, quando a economia brasileira foi duramente atingida por uma queda brusca no comércio exterior e nos investimentos privados. Dada a sustentabilidade da macroeconomia brasileira, no entanto, o Brasil se recuperou mais cedo da crise, assim como a China. Os bancos brasileiros, tanto os públicos como os privados, se portaram muito bem neste momento. Nos privados, a restrição de crédito foi muito maior, mas os bancos públicos cumpriram bem seu papel de irrigar o crédito.

Balaio _ Mudando de assunto: qual tua principal preocupação neste momento e o que você pretende fazer na vida quando emergir deste silêncio obsequioso, já que teu nome está sendo cogitado para tudo, menos para Rei Momo e Papa?

Palocci _ Pretendo me dedicar até o final do ano ao meu trabalho como relator do projeto do Fundo Social do pré-sal, um dos quatro que o presidente enviou ao Congresso Nacional. Só depois do Natal irei discutir com meus companheiros de partido os possíveis caminhos para 2010. Por enquanto, não vou falar mais nada. Já falei demais...

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Caros leitores,

pois é, quem diria, hoje, 11 de setembro, sexta-feira, o Balaio está completando um ano no ar. E eu continuo em trânsito. Por isso, não fiz ainda a atualização do blog e só agora, numa simpática lan house do aeroporto, vou cuidar da liberação de comentários.

Estou em Brasília desde ontem para participar de uma reunião do Comitê Interinstitucional de Supervisão das Atividades do Grupo de Trabalho do Araguaia, no Ministério da Defesa. Trata-se de um serviço público não remunerado, já vou logo esclarecendo. 

Embarco daqui a pouco de volta para São Paulo, onde, logo mais à noite, teremos o encontro dos amigos do Balaio organizado pelos próprios leitores.

Planejei preparar um texto especial para comemorar a data, mas ainda não arrumei tempo. Tentarei fazer isto mais tarde.

Forte abraço em cada um e muito obrigado a todos pela participação de vocês aqui neste Balaio.

Até a noite.

Ricardo Kotscho

***

É muito estranha e dolorosa a sensação de acordar um dia sem um grande amigo. Fui dormir na terça-feira já sabendo que ele estava mal e não tinha volta. E fui despertado hoje com a notícia de que ele se foi. Ainda não me acostumei com a idéia.

Convivi com o Saul Galvão tantos anos que imaginava nossa amizade para sempre. Começamos juntos no Estadão em meados do século passado, trabalhando como repórteres de geral, o nome dado aos profissionais, em geral muito jovens, que eram pau para toda obra numa redação.

Fora torcer para o mesmo time, éramos diferentes em tudo, desde a origem familiar _ ele, um legítimo quatrocentão e, eu, um filho de imigrantes _  até a maneira de encarar a profissão e a vida. Saul sempre foi meio angustiado, um eterno insatisfeito com o destino, mas até nisso era engraçado. Pluto era seu apelido.

Um pouco mais velho do que eu, demorou para se casar pela primeira vez e nunca teve filhos. Demorou também para se encontrar na carreira, até descobrir seu nicho de mercado em que se tornou um craque: escrever sobre comes e bebes, suas grandes paixões.

Desde o final dos anos 70, primeiro no Jornal da Tarde e depois no Estadão, virou uma referência no mercado de vinhos, bares e restaurantes. Autor de vários livros sobre o assunto, era capaz de conversar com os vinhos e falar do temperamento deles como se fossem gente. Juntou o útil ao agradável, a fome com a vontade de comer.

Dois domingos atrás, nos vimos pela última vez no almoço na casa de nosso amigo comum e contemporâneo de Estadão, Raul Bastos _ mais que um amigo, seu irmão de toda vida. Debilitado pela quimioterapia a que era submetido para tratar de um câncer no pulmão, já tinha dificuldades para andar e falar.

Ao lado de outros velhos amigos, Reali Júnior, Quartim de Moraes e Ludembergue Góes, além da sua irmã Sila Maria e das nossas mulheres, assistimos juntos à derrota do São Paulo contra o Atlético Paranaense, depois de traçar um belo cozido português e tomar alguns vinhos por ele aprovados.

Fico com esta lembrança dele, já meio conformado por não poder brigar mais comigo, discordar das bobagens que falava para provocá-lo. Pela primeira vez, não discutimos política, que sempre nos colocou em campos opostos, nem ele me aporrinhou para parar de fumar, mau hábito que largara faz 25 anos.

Saul só teve um único emprego, no Grupo Estado, e eu rodei por muitas redações, mas nunca deixamos de pertencer à mesma turma, que se reunia religiosamente havia mais de 40 anos, pelo menos uma vez por mes e sempre dias antes do Natal.

Ele era o nosso Papai Noel na hora de distribuir os presentes do amigo secreto. Fazia-o cumprindo sempre o mesmo ritual, repetindo as mesmas brincadeiras, mangando dos amigos. Este ano, o nosso Natal não vai mais ser o mesmo. Vai em paz, velho amigo Pluto.

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O dia virou noite ao meio dia. No começo da manhã, o tempo virou e, em poucos minutos, mais uma vez, São Paulo virou um caos.

Um caos, aliás, anunciado: com as ruas da cidade tomadas pelo lixo, depois que a Prefeitura cortou 20% do orçamento com a limpeza urbana, qualquer chuva mais forte entope os bueiros, os rios Tietê e Pinheiros transbordam e a maior cidade do país pára, literalmente. Desde 2004, isto não acontecia. 

Bilhões foram gastos pelos vários governos nos últimos anos para limpar os principais rios da cidade, mas repetiram-se neste começo de setembro as mesmas cenas de quando eu cobri minhas primeiras enchentes em São Paulo, como repórter do antigo Estadão, faz mais de quarenta anos.

É como enxugar gelo: não adianta limpar e rebaixar a calha dos rios enquanto os esgotos e o lixo da cidade continuarem desaguando no Tietê e no Pinheiros, um problema que só se agrava quando chove.

Alegando queda na receita municipal, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, cortou em agosto R$ 22 milhões da verba destinada à limpeza pública e as empresas do setor já demitiram 1.500 funcionários.

Em consequência, também caiu Andréa Matarazzo, que já foi chamado de primeiro-ministro municipal. Responsável por manter a cidade limpa, ele pediu o boné na semana passada.

Resultado: ao meio dia, havia mais de 50 pontos de alagamento e 130 quilômetros de vias congestionadas. Até o telefone dos bombeiros saiu do ar por quase uma hora _ dá para imaginar o que aconteceu com os outros... Ficamos sem poder nos comunicar nem locomover. 

Foi outro dia de cão - cão molhado, diga-se _ em São Paulo. No momento em que escrevo, pouco depois do almoço, a chuva parou um pouco, mas promete voltar no final da tarde. Salve-se quem puder.

Em tempo: enquanto escrevia este texto, bem abrigado aqui em casa depois que virei um trabalhador doméstico, fiquei sabendo que o nosso Balaio foi indicado finalista, tanto pelo juri popular como pelo academico, em outro premio: o Top Blog, na categoria política.

São três finalistas e o vencedor será anunciado no próximo sábado. Antes, em agosto, o Balaio já havia sido indicado, em eleição direta, um dos dez finalistas na categoria blog do Premio Comunique-se.

Para quem só vai completar um ano de vida nesta sexta-feira, está bom demais. Devo isso aos leitores deste blog. Meu muito obrigado a todos. 

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O São Paulo estava perdendo por 1 a 0 e tomando um passeio do Cruzeiro, domingo, no Mineirão. Não conseguia armar um ataque, não dava um chute a gol. No maior sufoco, se não fosse Rogério Ceni, poderia ter levado uma goleada.

Só aos 15 minutos do segundo tempo ( por que os técnicos só fazem a primeira substituição sempre aos 15 minutos do segunto tempo?), Ricardo Gomes resolveu mexer no time.

Colocou Marlos no lugar de Hugo, que não estava jogando nada. Na primeira bola que pegou, Marlos acertou um chute de fora da área e empatou o jogo.

Mas Washington continuava em campo. O Boneco de Olinda do Morumbi, que passa mais tempo no chão do que em pé, continuava judiando da bola, não acertava uma.

Faltando 10 minutos para o jogo acabar, Ricardo Gomes colocou, finalmente, Borges no lugar de Washinton. No minuto seguinte, também na sua primeira jogada, Borges fez 2 a 1.

Ricardo Gomes é um gênio? Afinal, os dois que entraram em campo decidiram um jogo que estava perdido para o São Paulo. Ou não terá errado na escalação do time? "Foi uma bela coincidência", comentou ele, modestamente, sobre o sucesso das suas substituições.

Desde o começo do jogo, fiquei perturbando o genro palmeirense, que estava discretamente torcendo para o Cruzeiro."Tem que botar o Marlos e o Borges!", ficava buzinando no ouvido dele. Nunca entendi porque jogador que está mal não pode ser trocado no primeiro tempo ou no intervalo.

Sem Hernanes, o único craque capaz de criar jogadas e quebrar o esquema burocrático do São Paulo, estava na cara que era a vez de Marlos, um garoto ousado que veio do Coritiba e mofa no banco de reservas.

Borges pode não ser uma maravilha, mas perto de Washington parece um Pelé. No próximo jogo, não seria melhor começar com os dois de uma vez, já que Hernanes, recuperando-se de uma cirurgia no joelho, continuará de fora, e Washington, digamos assim, não está na sua melhor fase? 

Vai entender estes "professores", como são chamados os técnicos de futebol...  

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Assuntos mais comentados

Antes de tratar do tema deste domingo, publico abaixo a relação dos três assuntos mais comentados da última semana no Balaio, na Folha e na Veja:

Balaio

O caso do pai preso no Ceará: 337

Agruras de um cliente da Net: 124 (*)

O impossível controle da web: 105

Folha

Palocci: 55

Violência: 36

Artigo de Francisco Daudt: 34

Veja

Marina Silva: 61

MST: 28

Antonio Palocci: 17

(*) Os problemas relatados nesta matéria, publicada neste blog no domingo passado, foram resolvidos pela Net no dia seguinte, 31/8. Agradeço a pronta resposta da empresa e a presteza em resolver a instalação dos serviços solicitados. 

***

O caso do italiano preso no Ceará, acusado de beijar na boca a filha de oito anos numa praia de Fortaleza, dividiu o leitorado do Balaio na última semana.

Entre os 337 leitores que enviaram seus comentários até as 10 horas deste domingo, a maior parte concordou com o texto publicado e fez críticas tanto ao casal de Brasília, que delatou o turista italiano, como à atuação da polícia cearense, que o prendeu.

Mas outro contingente grande se colocou do lado dos delatores e da polícia, achando que o italiano deveria ser preso mesmo e mofar na cadeia porque agrediu nossos bons usos e costumes, praticando "atos libidinosos" com a filha. Acusado de estupro, ele pode ser condenado a 15 anos de cadeia. 

Sobraram também críticas ao blogueiro, é claro, por levantar o assunto e dar sua opinião sem ter assistido aos fatos, apenas baseado no noticiário da imprensa. Argumentam estes leitores que eu deveria pelo menos esperar as investigações da polícia para só então falar do caso.

Como nenhum de nós, nem os leitores nem o blogueiro, estava na praia do Futuro naquele dia para saber o que na verdade aconteceu, o caso serviu para que cada um se manifestasse segundo os seus valores morais.

Os comentários dos leitores dão uma boa amostra sobre o que os brasileiros pensam da relação entre pais e filhos, do que pode e do que não pode, do papel da polícia e do Judiciário nestes casos. Vale a pena ler a área de comentários deste post publicado na sexta-feira.

Só para dar uma idéia, reproduzo trechos de alguns comentários:

Mauro Rodrigues Júnior, das 18:39:

"Pois é... Estamos regredindo para a Idade Média. Logo, logo teremos fofoqueiros fazendo denúncia falsa de vizinho só por vingança e a polícia aceitar sem questionamentos".

José Ribeiro Jr., das 15:52:

"Experimentem beijar seus filhos e filhas pelo menos nas despedidas e nos reencontros. Não façam como eu, que fui dar o primeiro beijo no meu pai no caixão".

Olavo Antunes, das 14:00:

"Italiano tarado, tem de ficar preso mesmo! Imagine ainda em público! Parabéns ao casal de Brasília e à eficiente polícia cearense".

Percival Santos, das 12:06:

"Eu particularmente condeno o beijo na boca nessas condições, seja selinho ou outro. Como também condeno e proibo o banho entre pais e filhos mesmo sendo do mesmo sexo".

A única conclusão a que cheguei é que não dá pra tirar conclusão nenhuma. Não dá para dizer que o brasileiro é assim ou assado, moralista ou liberal, conservador ou anarquista _ a controvérsia é generalizada.

Há preocupantes sinais de intolerância nos comentários, muitos não aceitando os que pensam diferente, como se fosse possível regular o comportamento humano, em relações tão delicadas como as que envolvem pais e filhos, chamando a polícia cada vez que algo não nos agrada.

Como a polícia até agora não apresentou qualquer prova contra o turista, que continua preso desde terça-feira, nem surgiram fatos novos nas investigações, além da acusação inicial do casal de Brasília, prefiro ficar com a versão da mãe da menina, que estava junto com ela e fez uma veemente defesa do marido, com quem está casada há 11 anos.   

"Se houvesse malícia, eu ficaria ao lado da minha filha. Não pensaria ficar duas vezes em ficar do lado dela", disse a mulher do preso à Agência Brasil.

"Em nossa casa, não há nada que possa indicar abuso. É uma menina serena, alegre. Ela é muito apegada ao pai e ele também com ela. Ela é filha única. Acho que destruíram a nossa família".

Se a mãe da menina tiver razão, e o pai for inocente, quem vai pagar por isso? Quem cuidará dos traumas que esta família, em especial a filha de oito anos, carregará pelo resto da vida?

***

Em tempo: na próxima sexta-feira, dia 11, quando este Balaio completa um ano no ar, vai ter um encontro de leitores, por iniciativa deles próprios, no bar Espetinho, Cerveja & Cia. (rua Canuto do Val, 41, Santa Cecília, no centro de São Paulo), a partir das 20h30.

  

 

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Maradona já foi grande, assim como a Argentina _ e vice-versa.

Sem pique, sem alma, com sua seleção perdida em campo, nesta noite de sábado, em Rosário, a expressão sofrida de Maradona era a própria imagem de uma Argentina que, em algum momento, perdeu o rumo, e não foi só no futebol. Um virou o focinho do outro.

Digo isso com tristeza, não com soberba, pelo simples e bom motivo de que sempre fui um admirador do futebol argentino e, mais ainda, deste nosso belo, rico e sofrido país vizinho.

Não tivesse por acaso nascido aqui, quando meus pais vieram da Europa no pós-guerra, gostaria de viver em Buenos Aires. Foi a primeira cidade que conheci fora do Brasil. Me apaixonei por ela logo na minha primeira noite portenha, no final dos anos 60.

Era menino ainda, repórter do Estadão. Fui para lá fazer a cobertura de um Torneio de Verão, acompanhando o  grande Santos de Pelé, e nunca vou esquecer dos jogos na La Bombonera, o mágico estádio do Boca Juniors. Mas não me lembro quem ganhou o torneio.

Só me lembro das noites que nunca acabam, com famílias caminhando sem pressa nem medo pelas ruas. Os cafés europeus, a carne assada do Palácio de Las Papas Fritas. Teatros e cinemas abertos de madrugada, os becos escuros do tango, os grandes parques, a Corrientes e a Costanera. Os maços vermelhos de cigarro Jockey Clube, os generosos vinhos nativos, os sanduíches magros de pão de miga. Os meus colegas jornalistas na cabine de imprensa sempre altivos e elegantes, as fornidas bancas de jornal e de flores, a fartura das quitandas...

Ao ver esta noite a Argentina em campo, tomando um vareio do Brasil de Dunga, que marcou no primeiro tempo os dois gols mais fáceis destas Eliminatórias _ Luisão pulando sozinho para marcar o primeiro de cabeça e Luis Fabiano só empurrando a bola para fazer o segundo com o gol vazio _ fiquei pensando que países são como as pessoas.

Tem hora que começa a dar tudo errado, o cara não consegue mais se achar em campo. Tem hora que tudo começa a dar certo, como está acontecendo com Dunga e o Brasil, já classificados para a próxima Copa do Mundo, ainda faltando três rodadas para o final das Eliminatórias. Deve ser coisa do destino, não tem muita explicação. 

A Argentina ainda faria um belíssimo gol, recobrando as esperanças, com um chutaço de Dátolo do meio da rua, aos 20 minutos do segundo tempo. Mas, logo em seguida, Luís Fabiano faria o terceiro do Brasil, para desespero de Maradona e de um estádio lotado de argentinos angustiados que não acreditavam no que estavam vendo.  

Pobre Argentina, pobre Maradona, agora correndo o risco de ficar de fora da próxima Copa do Mundo. Só falta isso para a tragédia ficar completa.    

 

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Caros leitores,

viajo daqui a pouco para Santos, onde participarei da Tarrafa Literária, a partir das 16 horas, no Teatro Guarany.

Vou ser moderador do debate "Os livros dentro dos livros", com o casal de escritores Ruy Castro e Heloísa Seixas.

Por esse motivo, só voltarei a fazer moderação de comentários à noite, quando chegar a São Sebastião para passar o fim de semana com a família.

Bom feriadão pra todos.

***

 

Batemos muito nos políticos brasileiros de todas as latitudes, todos os dias, em todos os espaços da velha e da nova mídia, como se eles não fossem nossos representantes nas diferentes esferas de poder, livremente escolhidos por cada um de nós.

Por mil razões, este virou o esporte nacional predileto. É como se eles fossem extra-terrestres, e tivessem surgido do nada, apenas para nos infernizar a vida.

Não, meus caros amigos do Balaio, não tirei meu dia hoje nesta sexta-feira chuvosa em São Paulo para defender os políticos. Mas acho que está na hora de falarmos um pouco também das nossas próprias responsabilidades como cidadãos e do conjunto da sociedade na crise de caráter vivida pelo país.

O que me chamou a atenção desta vez foi o inacreditável episódio registrado em Fortaleza, na quinta-feira, quando um turista italiano, de 40 anos, casado com uma brasileira, foi preso por beijar na boca a própria filha de oito anos num local público.

Este caso resume tudo o que nós temos de pior: falta de cultura, hipocrisia, autoritarismo, delações levianas, mania de se meter na vida dos outros sem ser chamado.

Num país que é tristemente conhecido como um dos campeões mundiais de violência infantil, o italiano foi denunciado à polícia por um casal de Brasília, certamente habituado a só ver cenas bonitas e edificantes, porque não gostaram de ver os carinhos que ele fazia na filha na piscina de um bar na praia.

Se, ao contrário, ele estivesse batendo na menina, certamente ninguém repararia nem se pensaria em chamar a polícia.

Seria visto como coisa normal: a cada dia, são registrados 92 casos no Brasil de violência infantil, segundo a Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente do governo federal. No ano passado, foram 32.588 casos.

Ao contrário do que costuma acontecer, desta vez a polícia foi rápida e eficiente.  Agentes do 2º Distrito Policial de Fortaleza atenderam prontamente ao chamado do casal de Brasília e foram até a praia do Futuro para prender em flagrante o indigitado italiano, perigoso meliante que até o final do dia permanecia preso numa cela isolada.

Indiciado por "estupro de vulnerável", pode pegar até 15 anos de cadeia, segundo as leis brasileiras. Por ter beijado a filha na boca!    

O casal de Brasília e os policiais de Fortaleza não tinham obrigação de saber que os italianos têm essa mania de beijar todo mundo, parentes e amigos, sem se importar se é ou não do mesmo sexo, tanto faz para eles.

Mas poderiam, antes de denunciar e prender o pai da menina, conversar com a mãe dela, uma brasileira. Para a mãe, segundo o noticiário da "Folha", o "selinho" foi apenas uma demonstração de carinho, algo comum na sua família, que mora na Itália e planejava passar duas semanas no Brasil.

Não, definitivamente não são apenas os políticos brasileiros e suas lambanças que nos fazem passar vergonha lá fora.

Cada leitor do Balaio certamente terá outras histórias para contar de fatos que nos envergonham, praticados por cidadãos comuns que passam o tempo todo xingando os políticos.

Outro dia, quando eu estava atravessando a rua com a família toda, incluindo a sogra e um carrinho de bebê, um motorista invadiu a faixa de pedestres e, quando gritei com ele, parou o carro para me desafiar:

"Está pensando o que, imbecil? Pensa que está em Londres?".   

 

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Poucas vezes, que me lembre, os parlamentares brasileiros discutiram medidas tão ridículas, absurdas e impraticáveis como estas previstas na nova lei eleitoral. Eles conseguem se superar a cada dia _ a cada dia são piores. Parecem viver em outro mundo.

As restrições que querem impor à internet durante os períodos eleitorais, enquadrando blogs e sites como se fossem concessões públicas, a exemplo do rádio e da TV, é coisa de quem não entende nada do assunto _ não sabe que é impossível.

Será que alguém já avisou às excelências que qualquer um hoje pode montar seu site ou blog e manifestar suas opiniões sem pedir licença para ninguém, e abrigar o dito cujo em qualquer provedor daqui ou do exterior? Quem é capaz de controlar isso?

Claro que cada um tem que ser penalmente responsável por aquilo que escreve e pelos comentários de terceiros que publica. Mas impor regras a priori, como assim? Quer dizer que se eu escrever algo sobre determinado candidato serei obrigado a escrever sobre todos os outros, todos os dias, qualquer que seja o assunto?

Crimes contra a honra, na maioria das vezes sem direito de resposta e sem processo, são cometidos diariamente em todas as mídias, velhas ou novas. Alguns blogs fazem um verdadeiro passeio pelo Código Penal, perpetrando crimes variados com ofensas graves, que não poupam sequer o presidente da República.

A partir do momento em que o STF acabou este ano com qualquer regulamentação do setor, com os aplausos da grande mídia, a comunicação social no Brasil virou uma terra de ninguém, um vale-tudo sem leis. Como é que agora a legislação eleitoral vai querer garantir os direitos, não apenas dos candidatos, mas de toda a sociedade de se defender dos abusos?    

Só este modesto Balaio, que ainda vai completar um ano no ar, já recebeu links de outros 50 mil blogs espalhados pelo Brasil. Se eu escrever alguma coisa aqui que contraria a lei, quem vai monitorar e punir os outros que colocaram este texto em seus blogs?

Sabem todos, menos alguns parlamentares brasileiros, que a web cresce em progressão geométrica no mundo inteiro _ já somos 60 milhões ligados à grande rede aqui no Brasil _ e uma das principais razões para isso é que todo mundo virou receptor e emissor de informações e opiniões. Acabou a reserva de mercado dos "formadores de opinião".

Entende-se desta forma a repulsa generalizada da sociedade, e não apenas dos internautas e blogueiros, à camisa de força que a Câmara e o Senado estão querendo vestir na web. Na mesma quarta-feira em que os relatores do projeto da nova lei eleitoral no Senado, Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), defenderam as restrições anteriormente já aprovadas na Câmara, outros senadores os alertaram para a bobagem que o Congresso Nacional estava ameaçando fazer.

O monstrengo agora deve ir para o plenário do Senado. Os nobres parlamentares poderiam aproveitar para discutir a proposta do senador Aloízio Mercandante (PT-SP) para se regulamentar urgentemente o direito de resposta _ e não apenas durante os períodos eleitorais.

Muita calma nesta hora, pessoal. Não é preciso ficar bravo e dar uma de herói, nem perder a paciência. Do jeito que está, esta lei nunca vai entrar em vigor _ e, se entrar, não tem como ser cumprida.  

 

 

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Caros leitores,

a partir de hoje, serão sumariamente eliminados todos os comentários enviados que não estejam relacionados com o tema do Balaio _ com exceção apenas daqueles que possam trazer informações úteis de interesse geral. 

 

Nas últimas semanas, instalou-se no blog um interminável debate ideológico entre defensores da ditadura militar e aqueles que contra ela lutaram, uma discussão absolutamente fora de época, sem sentido, que nada acrescenta aos demais leitores.

Por não querer censurar a opinião de quem pensa diferente, cometi um erro ao deixar este debate ganhar espaço no Balaio, incomodando outros leitores e a mim. Comentários repetitivos, que não tratem dos assuntos do dia, serão deletados, quaisquer que sejam as posições ideológicas dos seus autores.  

 

Grato pela compreensão,

 

Ricardo Kotscho

 

***

 

E vamos ao que interessa. Recebi na manhã desta quarta-feira um telefonema da premiada jornalista Marilú Cabanãs, repórter da Rádio Cultura de São Paulo, uma dessas raras figuras da nossa imprensa que não se preocupa apenas em fazer matérias para justificar o salário, mas também procura ajudar a resolver os problemas enfrentados por seus entrevistados. 

 

Marilú anda muito preocupada com o que andam sofrendo moradores de regiões remotas da Mata Atlântica, em São Paulo. Somos todos defensores do pouco que sobra desta floresta e defendemos sua preservação, mas não podemos esquecer que, além da fauna e da flora, ali vive gente. 

 

Gostaria muito de ir lá ver o que está acontecendo e fazer uma reportagem, como me sugeriu a colega, mas ainda às voltas com a arrumação do apartamento para onde me mudei no último final de semana, tentando colocar um pouco de ordem na bagunça, isso é impossível.

 

Por isso, pedi a ela que me mandasse um breve relato para publicá-lo no Balaio, na esperança de que os chamados poderes públicos tomem providências para conciliar a sobrevivência da mata com a dos brasileiros que nela vivem. Esta sempre foi, para mim, uma das razões de ser do jornalista. 

 

Ganhadora várias vezes dos premios Vladimir Herzog, APCA, Ayrton Senna e Líbero Badaró, por suas reportagens de cunho social, denunciando o que tem de errado e louvando o que bem merece, como diz a canção, Marilú Cabanãs escreveu para o Balaio o texto que transcrevo abaixo:  

 

  

“Vozes da Mata Atlântica”

 

A falta de cascalho na estrada de terra que dá acesso à Ribeirão Grande, no Parque Estadual da Serra do Mar, município de Pedro de Toledo, no Vale do Ribeira, impõe sacrifícios à comunidade local.

Por causa de buracos e lama na via de acesso, nenhum veículo consegue chegar ao bairro, nem ambulância. Com isso, pessoas doentes e mortas são carregadas nas costas pelos moradores.

 

Sebastião Ferreira de Souza, 66 anos, afirma que já socorreu diversas pessoas dessa forma: o filho que quebrou a perna, a nora que estava grávida, muitas vezes debaixo de chuva, pisando na lama, lampião nas costas, durante uma hora e meia.  Mas o que mais chocou Sebastião foi ter que carregar uma mulher grávida que morreu na vizinhança.

 

As crianças precisam caminhar à pé durante duas horas para chegar à escola e no trajeto correm perigo. Thiago Silva Santiago, 14 anos, já foi picado por cobra. Por causa da chuva e do cansaço, ele chegou a ter mais de 16 faltas num mês. Algumas vezes, a professora não permitia que permanecesse em sala de aula porque estava com a roupa suja de lama e ele tinha que voltar para a casa.

 

Por causa do excesso de faltas, os pais correm o risco de perder a guarda dos filhos pelo Conselho Tutelar. Luzia dos Reis Silva se defende e diz que já chegou a bater na filha de 6 anos para que ela fosse à escola. A menina alegava que estava muito cansada devido à caminhada diária de três horas para assistir às aulas.  

 

A Fundação Florestal, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, informa, através da assessoria de imprensa, que não pode fazer o cascalhamento da estrada pois o Ministério Público Estadual decidiu, em 2003, que não é possível qualquer intervenção na área porque a ocupação é irregular.

 

 

 


 

 

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