"Acredito que o Aécio acabará sendo o vice de Serra, mas só em junho, na convenção do PSDB, e vai vender caro a sua decisão de aceitar o cargo", previu Carlos Augusto Montenegro, o presidente do Ibope, em breve entrevista ao Balaio no final da manhã desta quinta-feira.

A nova pesquisa do Ibope sobre eleição presidencial, que está em campo e será fechada amanhã, só vai ser divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) no início da próxima semana, mas Montenegro antecipou alguns cenários possíveis.

Para ele, o quadro de candidatos ainda não está definido, "mas tudo indica que esta eleição caminha para um segundo turno no primeiro, ou seja, um Fla-Flu entre Serra e Dilma". Como ele acredita que dificilmente Ciro Gomes será candidato e Marina Silva tem pouco tempo de televisão, um fator determinante na definição do cenário pode ser a indicação do vice dos dois principais candidatos.

"Vice bom, normalmente, é aquele que não tira voto. No caso do Serra, porém, poderá ser fundamental na campanha, mas só se for o Aécio, pela importância dele e de Minas na política nacional. Se for qualquer outro, não fará diferença, como não faz para a Dilma".

Ao comentar a última pesquisa Datafolha, que deu Serra com 32% e, Dilma, com 28%, Montenegro me pergunta:

_ Você acha que tudo isso é transferência de votos do Lula para ela?

Como não sei, ele mesmo responde: "Claro que não. É muita gente que vai votar nela porque não gosta do Serra, do Fernando Henrique, do PSDB. Assim como muita gente vai votar no Serra porque não gosta da Dilma, do Lula e do PT".

Pelo jeito, comento eu, a eleição de 2010 poderá ser decidida não pelos votos a favor de um candidato, mas pelos votos contrários de quem não gosta dele. Melhor é esperar que o Ibope termine de ouvir a opinião dos 2 mil eleitores que estão sendo pesquisados para saber como pensa o eleitorado a seis meses e meio da eleição que vai escolher o nosso próximo presidente.

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Publicado em 11/03/10 às 11h19

Cuba no centro do tiroteio político

144 Comentários

Acho que nem na época da Revolução Cubana, faz mais de meio século, a pequena ilha do Caribe mereceu tanto espaço na imprensa brasileira. De uma hora para outra, Cuba foi colocada no centro do tiroteio político na abertura da campanha presidencial, a pouco mais de seis meses das eleições. Parece até que o destino de Cuba está sendo jogado no Brasil e que o futuro do Brasil depende do destino de Cuba.

Desde que o presidente Lula teve a má idéia de visitar Havana pela quarta vez em seu governo, e ainda por cima dar o azar de chegar bem no dia da morte do preso político Orlando Zapata, após uma longa greve de fome na cadeia, Cuba não saiu mais do noticiário e dos editoriais.

Cobra-se do presidente brasileiro a condenação do regime cubano e a defesa dos direitos humanos dos dissidentes como se ele fosse o secretário-geral da ONU ou o Papa. Por mais que Lula argumente com a não ingerência nos assuntos de outros países, o fato é que o episódio em si e, mais ainda, as suas infelizes e polêmicas declarações nas semanas seguintes, serviram de munição para seus adversários políticos e causaram danos aqui dentro e lá fora à sua própria imagem.

No momento em que a economia brasileira voltava a voar em céu de brigadeiro e a candidata do governo subia nas pesquisas, enquanto a oposição perdia o rumo, Lula dedicou-se nos últimos dias a defender o indefensável, sem que houvesse necessidade de se colocar no meio desta discussão sobre o grande drama cubano, que nada tem a ver com a vida e os destinos dos eleitores brasileiros. 

"Nós agora agora só não podemos errar", ouvi de mais de um membro do governo nos dois dias que passei em Brasília na semana passada. Pois a maneira como este assunto dos dissidentes cubanos está sendo tratado pelo presidente e pelo governo em nada contribui para trazer o debate político de volta aos temas que realmente interessam neste momento de definição do cenário eleitoral.

Claro que dissidentes políticos não podem ser comparados a presos comuns e que a greve de fome, que Lula já fez e agora condena nos outros, pode ser um último recurso de quem quer denunciar as condições carcerárias ou as arbitrariedades de uma ditadura.

Não consigo entender esta disposição de dar a cara a tapa de graça e comprar uma briga em que não se tem nada a ganhar. Mesmo que tudo isso não tenha nenhum efeito na campanha eleitoral, o que só saberemos nas próximas pesquisas, o simples fato de a situação em Cuba ganhar mais espaço no noticiário e nos debates do que a política econômica  e o futuro dos projetos sociais no novo governo a ser eleito em outubro já é uma anomalia.

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Publicado em 09/03/10 às 14h11

Mario Prata e Jesus batendo um bolão

74 Comentários

SOROCABA(SP) _ Sumido dos jornais e das revistas faz cinco anos, ele não consegue mais ficar sem escrever suas crônicas. "Não é só pelo dinheiro, que sempre ajuda, mas eu gosto disso", desabafa meu velho amigo Mario Alberto Campos de Morais Prata, o popular Pratinha, ex-bancário, jornalista, ator, autor de novelas, dramaturgo, roteirista e escritor.

Encontrei com ele por acaso nesta segunda-feira no Spa Médico São Pedro, em Sorocaba, no interior de São Paulo, o que não deixa de ser engraçado porque ele sempre foi muito magro e deve vir aqui só para tirar um sarro dos gordos como eu, que precisamos perder peso. Anos atrás, ele até já escreveu um livro de crônicas sobre a vida num spa _ "Diário de Um Magro" _ e costuma voltar pelo menos uma vez por ano para descansar, embora more há nove anos de frente para o mar em Florianópolis, e rever os amigos.

Aos 64 anos, Pratinha sempre tem boas histórias para contar e, quando não tem, inventa mais uma, só para divertir os amigos. Mineiro de Uberaba, faz isso desde os 14 anos, quando começou a escrever uma coluna social num jornal de Lins, no interior paulista, onde a família foi morar. 

Quem gosta de ler o que ele escreve, com seu texto sempre bem humorado, agora tem que ir às livrarias. Depois de lançar a coletânea "100 Melhores Crônicas" (na verdade, são 129...), em 2008, ele passou a se dedicar à literatura policial.

No ano passado, saiu "Sete de Paus" e, em abril agora, vai para as livrarias "Os Viúvos", ambos tendo como personagem central o pitoresco detetive Fioravante. Está levando tão a sério o novo ofício que conta já ter lido 450 livros policiais nos últimos cinco anos.

Para comemorar o meio século de carreira que completa este ano, Pratinha está escrevendo "Vida e Obra de Franco Abbiati (1960-2010)", o pseudônimo que ele inventou na coluna social. Não se trata de uma autobiografia convencional, mas de crônicas, seu gênero predileto, contando o processo de criação nas diferentes áreas em que ganhou a vida sempre escrevendo.

Entre elas, está a história da "entrevista exclusiva" que fez para a Última Hora com Julinho da Adelaide, o personagem que Chico Buarque inventou para escapar da censura nos tempos da censura militar.

A última vez que nos encontramos aqui no Spa São Pedro foi em 2005, quando ele estava começando a escrever na novela "Bang-Bang", para a TV Globo, trabalho que foi obrigado a abandonar no meio por sentir dores no ombro que o impediam de trabalhar. Naquele tempo, escrevia crônicas semanais para o Estadão e a revista Época. Pediu uma licença nos veículos e tinha planos de voltar depois da novela, mas está esperando até hoje.

Agora, como não tem nada para fazer nem lugar para publicar, Mario Prata escreveu esta manhã uma crônica exclusiva para os leitores do Balaio, que tenho a honra e o prazer de reproduzir abaixo, falando da invasão dos Atletas de Jesus nos campos de futebol.

JESUS ESTÁ BATENDO UM BOLÃO!!!

 Mario Prata

 Tem acompanhado jogos de futebol no Brasil? Se tem, há de concordar comigo: Jesus é o artilheiro isoladíssimo de todos os campeonatos regionais.

Observe as entrevistas dos craques depois dos jogos. São sinceros:

- Foi Ele! Tenho que agradecer.

Se você nunca entendeu aquele minuto de silêncio antes do juiz apitar o começo da peleja, saiba agora: é a concentração para cada um receber em seu atlético corpo o artilheiro Jesus. Mesmo Jesus já beirando os 34 anos, vale a pena e o investimento.

E não pense que é apenas no seu time que Jesus está fazendo gols. Não! O Kaká, por exemplo, nunca fez um gol na sua carreira. Desde as categorias de base no São Paulo (São Paulo foi apóstolo de Jesus, lembra?), quem tem feito os seus gols é Ele, e não ele.

E na seleção? Podemos começar com o Jorginho, reserva do Dunga. Ele já é pastor ou bispo lá da Igreja dele. E metade da seleção também vem orando, digo, jogando com Ele.

E tem algumas coisas bem interessantes com os jogadores que Jesus usa para marcar gols cá na Terra. Quando o atleta fala em nome d’Ele, usa o gerúndio, prova inequívoca que Jesus não é bom de português e nem Deus é realmente brasileiro.

Mas quando o artilheiro-corpo erra o gol quase feito, não foi Jesus quem falhou? Onde estava Jesus quando o sujeito entrou com os dois pés na cara do adversário? E quando expulsam Jesus de campo? Como fica? E quando Ele xinga o adversários com todos aqueles nomes fofos? É Jesus também? Não posso acreditar.

Mas a minha maior preocupação é que existem cada vez mais Jesus nos times. Então, daqui a poucos anos, todos os jogadores estarão jogando com a ajuda d’Ele. Como do outro lado vamos ter outros onze jesuses, o jogo vai acabar empatado, né? Assim como o campeonato nacional. Não vai ter a menor graça.

Se eu fosse juiz de futebol, eu expulsava o Jesus de campo, de cara. Dava o minuto de silêncio e mandava o Jesus mais cedo para o chuveiro. E como ele, o Kaká ou quem quer que estivesse incorporando o artilheiro.

E a gente poderia assistir ao jogo na santa paz de Deus!

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Publicado em 07/03/10 às 17h01

Internet popular a R$1,50 por hora

68 Comentários

Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

Datafolha/Eleições: 726

Comício dos tucanos em Goiânia: 166

A Anatel e a Tv paga: 43

Folha

Eleições: 93

Educação: 36

Terremoto no Chile: 33

Veja (deixou de publicar número de comentários)

Lula e a ditadura cubana

Bolão de loteria é "madrasta"

Lobista José Dirceu

***

"A internet não está funcionando", informou-me placidamente a recepcionista do hotel em Goiânia na sexta-feira, sem dar nenhum sinal de que estivesse preocupada com isso. "Tem uma lan house aqui do lado...". Tem, mas estava fechada. Informaram-me que do outro lado da rua tinha outra.

Como não tinha levado meu laptop, para descansar um pouco da tela do computador, acabei descobrindo um outro mundo que os jornalistas que ficam só no eixo São Paulo-Rio-Brasília não costumam frequentar. Em qualquer lugar do Brasil, você encontra hoje estas lojas que oferecem internet para quem ainda não está ligado à grande rede em casa, na escola, ou no trabalho.

Afinal, são apenas 60 milhões os privilegiados que já têm acesso às modernas mídias eletrônicas. Mas a internet popular das lan house já está ao alcance de todo mundo. 

Por módicos R$ 1,50, que foi o que paguei na "Ataque Lan House", dá para navegar por uma hora. Pelo preço de um cafezinho ou uma lata de cerveja, é tempo suficiente para ler e escrever e-mail, tirar alguma dúvida para um trabalho de escola, ler as últimas notícias do dia, liberar os comentários do blog e, se for do gosto do fregues, até entrar em algum joguinho só para se divertir.

Se o internauta de aluguel fizer isso cinco dias por semana, vai investir R$ 30,00 por mes, o mesmo que gastaria para ir a um jogo de futebol, incluindo ingresso, transporte e lanche.

Não fiquei bisbilhotando para ver o que os outros estavam fazendo no computador. Pelos barulhos que saiam das máquinas, no entanto, deu para perceber que a maioria, formada por adolescentes, estava entretida com algum jogo eletrônico. Seja como for, é melhor do que ficar fazendo bobagem na rua. Dizem até que ajuda a desenvolver o raciocínio.

No sábado, voltei lá, mas as 14 máquinas estavam ocupadas e a fila de espera era grande. Prometi a mim mesmo nunca mais viajar sem o laptop, quando fui salvo por um parente, que estava no mesmo hotel, para a festa dos 60 anos do meu único irmão, o jornalista Ronaldo Kotscho, e da nossa amiga Adelaide.

A gente só costuma dar valor para as coisas quando elas nos faltam. No domingo pela manhã, a internet do hotel continuava fora do ar e a recepcionista não tinha a menor idéia de quando a conexão seria restabelecida. Mal sabe ela que, hoje em dia, ficar sem internet é o mesmo que faltar água ou luz em casa. Virou artigo de primeira necessidade.

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GOIANIA _ Vim à bela e arborizada capital de Goiás a passeio, como informei aos leitores na sexta-feira, e só pretendia atualizar o Balaio no domingo. Nem trouxe meu laptop. Mas um grande acontecimento, que agitou Goiânia durante todo o dia de ontem, me faz interromper a breve folga.  

Ao ler os jornais da cidade hoje de manhã, achei que os leitores tinham o direito de saber que aqui se promoveu o maior comício da atual campanha eleitoral.

"O aniversário de 47 anos do senador Marconi Perillo transformou-se em ato pró-candidatura ao governo. Estima-se que 40 mil pessoas passaram pelo Atlanta Music Hall ao longo do dia, dentre eles, 142 prefeitos. A organização disponibilizou 220 ônibus para o transporte de convidados", informa o Diário da Manhã em sua primeira página.

A farta cobertura do evento espalha-se por três páginas internas. Sob a manchete "40 mil pedem a volta de Marconi", o jornal relata detalhes desta super-produção tucana. Os organizadores serviram 3,5 toneladas de carne, uma tonelada de arroz, 150 quilos de farofa, 30 mil latas de cerveja e seis mil litros de refrigerante.

Para alegrar a rapaziada, mais de 20 duplas sertanejas subiram ao palco, e o  show de arromba teve encerramento com Zezé Di Camargo e Luciano.

Em pequena nota lateral, o jornal esclarece: "Marconi lembrou aos presentes que a festa foi apenas comemorativa. Decisão sobre candidatura apenas em abril. Os organizadores também lembraram que não tiveram gastos com nada".

Claro, tudo deve ter caído do céu, como diria o ex-ministro Magri. O noticiário, porém, desmente a versão de que "a festa foi apenas comemorativa". A começar por Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano em São Paulo, anunciado como principal autoridade presente ao evento, todos os oradores só falaram da volta de Perillo ao governo de Goiás nas próximas eleições.

"Vim trazer o meu abraço e de José Serra a Marconi, que foi um grande governador e trabalhou pelos pobres. Goiás tem pressa. Goiás quer sua eleição no primeiro turno. Volta, Marconi", proclamou Geraldo Alckmin. Anunciado pelos jornais na véspera como a grande atração da festa, o governador José Serra não apareceu.

Com o título "Sucessão dá o tom dos discursos na festa de aniversário de Marconi", outro jornal da cidade, O Popular, foi direto ao assunto do grande comício. "O senador Marconi Perillo (PSDB) tentou afastar o caráter político da sua festa de aniversário de 47 anos, mas o fato é que o evento transformou-se em ato de apoio à candidatura ao governo do Estado".

Nada seria mais mais natural do que, em ano de eleição, uma festinha de aniversário de candidato se transforme num grande acontecimento político _ não fosse pelo fato de que Marconi Perillo pertence ao PSDB, o partido que, junto com seu aliado DEM, já entrou com várias representações na Justiça denunciando o presidente Lula e a candidata Dilma Roussef por campanha eleitoral antecipada.

Tema constante de editoriais, colunas e blogs cada vez mais indignados, esta jaboticaba da nossa legislação eleitoral, em que os candidatos naturais não podem se dizer candidatos, e muito menos reunir pessoas para falar o que pensam, antes de determinadas datas pré-estabelecidas, a monumental comemoração do aniversário de Perillo em Goiânia é apenas mais um episódio da grande hipocrisia que reina na política brasileira.

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Caros leitores,
viajo daqui a pouco para Goiania. Nem vou levar o notebook porque já estou com os olhos ardendo de tanto ficar na tela do computador. Assim os leitores também terão um descanso. Até domingo.
Abraços,
Ricardo Kotscho
 
***
Acabo de receber uma mensagem da colega Thelma Torrecilha com uma notícia boa que julgo do interesse de todos os leitores que têm TV por assinatura. Blogueiros devem ser solidários quando se trata de informação de interesse público e, por isso, reproduzo abaixo o texto que ela me enviou sobre providências tomadas pela Anatel em função de uma queixa apresentada à agência reguladora.
Thelma é um bom exemplo de cidadã que luta até o fim pelos seus direitos de consumidora _ e nos mostra que, às vezes, podemos até ganhar a briga.
A seguir, a mensagem que ela me mandou e o texto publicado em seu blog (ver endereço no final do post):
"Caro Kotscho, escrevo para pedir a sua ajuda na divulgação de um assunto importante. Sou jornalista, tenho um blog sobre desenvolvimento infantil e não tenho leitores suficientes para a importância da pauta. Acabo de vencer uma queda de braço com a NET pela abertura do sinal da TV Brasil, conforme manda a legislação. Vou publicar um post sobre isso no meu blog, mas não terá repercussão nenhuma se ficar parado lá.
Por favor, veja o que você acha. Você teria interesse em seguir com o assunto no Balaio depois que eu publicar no meu humilde Educar e Cuidar?" 
 

A Anatel resolveu o meu problema, e os outros assinantes da Net como ficam?

Notificada pela Anatel, alegando impossibilidade de abrir o sinal da TV Brasil com o equipamento analógico, a operadora de TV por assinatura Net trocou o meu pacote por um digital, sem aumento na mensalidade. O registro da nossa reclamação no site da Anatel foi no sábado. O aparelho digital foi instalado em casa no fim da tarde de ontem. A TV Brasil é um direito de todos, skavurska!

Iniciamos uma queda de braço com a Net, no ano passado, pela abertura do canal da TV Brasil. Provavelmente, acostumados a atender clientes interessados em Telecine, HBO, PPV do BBB, e tantos outros, os atendentes do serviço telefônico estranhavam a insistência.

Começaram mandando tirar o aparelho da tomada para ligar em seguida e ver se o canal 4 (em São Paulo) estava sintonizado. Por fim, disseram que os pacotes analógicos não incluíam a TV Brasil e deixaram bem claro que não havia disposição nenhuma da operadora em oferecer o acesso sem aumento de preço.

Na semana passada, navegando pelo site da TV Brasil para conferir os horários do programa Papo de Mãe, encontrei o aviso: “A lei que criou a EBC tornou obrigatória a oferta de sua programação por todas as operadoras de TV por assinatura.”

No sábado, o meu marido, que é o assinante, ligou novamente para a Net solicitando a abertura do sinal da TV Brasil, com base na exigência legal. O atendente reafirmou que não seria possível com o aparelho analógico. Com o número do protocolo da ligação, registrou a queixa na Anatel. Na terça-feira, recebeu um telefonema da Net para marcar a troca do equipamento. Além do sistema digital, a bondosa operadora nos ofereceu a “degustação” de todos os canais da Net, por três meses, sem cobrança adicional.

Quase não assisto à TV, pouco uso os canais que já tenho. Mas faço questão de ter acesso ao canal de TV que é público. Gosto e vou ver o programa Papo de Mãe, na TV da minha sala. Fiquei impressionada com a rapidez para chegar à solução que tentava há meses. Bastou o registro da queixa pela internet, em pleno final de semana, para resolver tudo em três dias!

A pergunta é: a Anatel lava as mãos depois de resolver o problema de quem reclamou ou tem entre as suas competências, a obrigação de exigir a abertura do sinal da TV Brasil para todos os assinantes, conforme prevê a legislação? A Lei nº 11.652/2008, em seu artigo 29, assim dispõe:

Art. 29.  As prestadoras de serviços de televisão por assinatura deverão tornar disponíveis, em sua área de prestação, em todos os planos de serviço, canais de programação de distribuição obrigatória para utilização pela EBC, pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal, pelo Supremo Tribunal Federal e pela emissora oficial do Poder Executivo.”

 
Thelma Torrecilha
Educar e Cuidar - blog dedicado ao desenvolvimento infantil
www.educarecuidar.com
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Publicado em 03/03/10 às 16h46

Governo coloca no ar o Portal Brasil

37 Comentários

Atualizado às 9h20 de 4.2, quinta-feira

Ver no final do post relato enviado pela amiga Rosângela Rossi, que estava no Chile na hora do terremoto, e voltou esta semana ao Brasil.

***

Acabei ficando mais tempo em Brasília do que planejara, mas valeu a pena. A convite do presidente Lula, fiquei para ver o lançamento do Portal Brasil, um mega projeto do governo federal, que consumiu três anos de trabalho da Secom e da TV1, a empresa dos meus velhos e bons amigos Sergio Motta Mello e Selma Santa Cruz contratada para colocar este serviço público eletrônico no ar.  

Serviço público, no caso, não é força de expressão. Além de notícias sobre o governo e o país, vídeos, infográficos, reportagens e mini-sítios, o portal oferece aos 66 milhões de internautas brasileiros todas as informações de mais de 500 serviços públicos _ de como tirar carteira de motorista até dicas para procurar um novo emprego. Para ter acesso, basta clicar no alto da home à esquerda.

Sei que sou suspeito para falar sobre este novo produto da web, por minhas antigas relações com todos os responsáveis pelo projeto _, entre outros, os ministros Franklin Martins e Paulo Bernardo, e o secretário executivo da Secom, Ottoni Fernandes _, mas fiquei impressionado com a qualidade e a quantidade de conteúdo produzido para o Portal Brasil, que ainda está em construção e, obviamente, jamais ficará pronto.

Por enquanto, apenas 30% do planejado foi colocado no ar, mas já dá para se ter uma bela idéia do alcance do portal, que tem acesso específico para os usuários de acordo com seus interesses.  Empreendedores, estudantes, imprensa e trabalhadores são os primeiros setores da sociedade contemplados com sites customizados.

Ao explicar como o sistema funciona, a coordenadora Silvia Sardinha, funcionária da CEF com 30 anos de carreira, chamada a "mãe do portal", emocionou-se e emocionou a platéia no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo enquanto o Palácio do Planalto está em obras.

Depois de mostrar a reportagem sobre uma escola modelo na periferia de Teresina, considerada a melhor do país, e colocar professores e alunos no link para conversarem ao vivo com o presidente Lula, não sobrou quase nada para ele falar.  Foi um dos mais breves discursos do seu tempo de governo.

Em português, inglês e espanhol, há informações sobre o Brasil em todas as áreas, não só do período do atual governo, mas desde o tempo do Império, de galerias de arte à prestação de contas dos orgãos públicos. Foram investidos no projeto R$ 11 milhões e chegaram a trabalhar na sua criação 130 profissionais. A partir de hoje, serão 70 para fazer as atualizações e produzir novos conteúdos.

É um mundo de informações que fica difícil retratar no espaço de um blog. Por isso, acho melhor parar de escrever e convidar os caros leitores a conhecerem pessoalmente o Portal Brasil ( www. brasil.gov.br)  e a enviarem comentários ao Balaio, contando o que acharam, com críticas e sugestões.

Amiga do Balaio faz

relato do drama chileno

Costumo sempre dizer que o ofício de blogueiro é um trabalho solitário, bem diferente daquela algazarra a que estava habituado nas redações cheias de gente, em que todo mundo conversava com os colegas o tempo todo. Sei que hoje não é mais assim, as redações são silenciosas como um templo.

E acabo me relacionando com muito mais gente aqui, graças à interação que a internet permite e incentiva, do que se estivesse trabalhando num jornal. Lendo os comentários, estou em contato com os leitores o dia inteiro.

Mais do que isso: no Balaio, os leitores não são apenas consumidores passivos de informação, mas também  autores de alguns dos melhroes textos aqui publicados, relatando suas experiências pessoais ou de pessoas próximas. É o caso da mensagem que recebi da amiga Rosângela Rossi, que estava no Chile na hora do terremoto e voltou esta semana ao Brasil.

Reproduzo abaixo seu relato:

Dia 24 de fevereiro teve início, em Santiago, no Chile, o Congresso  Ibero-Americano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil, organizado pela Fundação SM, onde eu trabalho. Entre os convidados brasileiros estavam notórios escritores, ilustradores,educadores e editores. A programação do evento foi intensa e rica; momentos de festa, confraternização e grande intercâmbio de idéias e atividades, que foram interrompidos com o terremoto do dia 26 de fevereiro.

Eram aproximadamente 03h30 quando tudo começou. Estávamos todos dormindo no Hotel Plaza San Francisco quando fomos surpreendidos pelo forte abalo. Muitos, assim como eu, não entenderam muito bem o que acontecia. A princípio foi muito barulho, vento e, de repente, tudo começou a se mexer – garrafas voando do frigobar, TV despencando do suporte, gavetas se abrindo, quadros caindo e a cama em um vai-e-vem frenético. Foram quase 3 minutos de intenso tremor, seguidos de pânico e muito medo.

Ficamos concentrados na frente do hotel por algumas horas, torcendo para que novo abalo não ocorresse. Por volta das 6h fomos autorizados a ficar no lobby e somente bem mais tarde, depois de muitos outros tremores de “baixa” escala (em dois dias foram mais de 100!), pudemos voltar aos nossos quartos para nos trocar, pois muitos estavam de pijamas; outros, enrolados em lençóis.

Os serviços de telefone e internet foram prejudicados e, por algum tempo, tivemos somente a televisão, por meio da qual sabíamos da extensão dos estragos e das recomendações do governo à população. O nosso hotel, aparentemente, pouco sofreu, mas, com o passar do tempo , azulejos começaram a cair e apareceram infiltrações em vários lugares. c.

Passamos um sábado de grande ansiedade e preocupação. Poucos dormiram. Os que o fizeram optaram pelo lobby do hotel ou,  em grupos de 3 ou 4, em quartos de andares mais baixos. No domingo, alguns se arriscaram a dar uma volta pelas vizinhanças do hotel. Apesar de Santiago não ter sido tão fortemente abalada como algumas cidades do interior, havia vários prédios cujas fachadas estavam danificadas; muitos edifícios com vidros quebrados e muitos outros com estrutura prejudicada, isolados pela defesa civil. O aeroporto estava fechado e não tínhamos previsão de volta.

Começamos, então, a contatar autoridades brasileiras e a fazer planos para sairmos do Chile. Um grupo de argentinos alugou uma van e seguiu até Cordoba onde pegaria o primeiro voo para Buenos Aires. Até então, essa era a única opção de saída, porém nada segura, já que as estradas estavam, em sua grande maioria, danificadas _ e ainda havia o risco de assaltos.

Depois de várias frustradas tentativas e já conformados com a ideia que somente no dia 10/03 poderíamos partir, conseguimos, enfim, ajuda para chegar ao Brasil, no dia 02/03. Estávamos todos felizes em saber que, em breve, estaríamos na segurança e no aconchego de nossos lares.

Mas estávamos também preocupados com os colegas que ainda não tinham como regressar aos seus países e também com o povo chileno que, malgrado toda tragédia, ainda tinha forças para ajudar aos seus e a  todos os estrangeiros. Uma funcionária do hotel, que, desde o momento do terremoto, até o final daquele dia, corria para dar água com açúcar, chinelos e palavras de conforto aos hóspedes, ao ser perguntada se não tinha medo que tudo se repetisse e que algo pior acontecesse respondeu:

“Tenho muito medo, mas preciso me manter forte para não deixar que vocês desanimem”.

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Atualizado às 20:00 de 2.3

Caros leitores,

aos que notaram a minha ausência na atualização do blog, informo que estou em Brasília a trabalho e só volto na quarta-feira de manhã a São Paulo. Na medida do possível, vou liberando os comentários.

Grato pela compreensão.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Atualizado às 10h15 de domingo, 28.2

***

Os três assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

Drama e azar na Mega-Sena: 270

30 anos de PT: 189

Ciro e Tasso: 105

Folha

Crise no DF: 57

 Eleições: 40

Dilma: 33

Veja (não publica mais os números de comentários recebidos)

Dilma Roussef

Estilo Suri Cruise das crianças

Semiliberdade para assassino

***

Num post de dias atrás sobre o cenário eleitoral, escrevi que partidos e candidatos aguardavam ansiosamente pelas pesquisas de março para definir seus caminhos. Por mais que a gente não goste ou não queira, pesquisas ainda são fundamentais na vida política brasileira em anos eleitorais. São elas que podem ajudar ou não a confirmar candidaturas, definir apoios, alianças, estratégias e recursos para as campanhas.

Março ainda não chegou, mas em sua edição deste domingo, último dia de fevereiro, o Datafolha mostra uma importante inversão nos números das pesquisas anteriores. Caiu para apenas 4 pontos a diferença entre José Serra, do PSDB, e Dilma Roussef, do PT.  Como a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos, a pesquisa indica, no limite, um empate técnico, pela primeira vez, na corrida presidencial.

Em relação à pesquisa anterior, de dezembro, Serra caiu 5 pontos _ de 37 para 32 _ e Dilma subiu 5 pontos _ de 23 para 28. O mesmo ocorreu na projeção para o segundo turno: a diferença diminuiu 11 pontos _ de 15, na pesquisa anterior, para somente 4 agora. Serra caiu de 49, em dezembro, para 45, no final de fevereiro; Dilma subiu neste período de 34 para 41. 

No segundo pelotão, os índices permaneceram praticamente inalterados: Ciro Gomes, do PSB, foi de 13 para 12, e Marina Silva, do PV, manteve os mesmos 8 pontos da pesquisa anterior.

E agora, senhoras e senhores? Com os números na mão, todos poderão fazer seus jogos. Em primeiro lugar, é preciso ver o que aconteceu nos últimos dois meses para o Datafolha revelar uma diferença tão grande entre uma pesquisa e outra, com um candidato caindo e outro subindo na mesma proporção.

De um lado, falou-se muito nas últimas semanas no "inferno astral" de Serra, que faz aniversário no próximo dia 19, dia de São José, ironicamente o padroeiro das chuvas no nordeste, as mesmas chuvas que causaram enchentes, prejuízos  e mortes em São Paulo, o Estado governado pelo possível candidato tucano. Além disso, o DEM, seu principal aliado, partido do prefeito paulistano Gilberto Kassab, entrou em profunda crise após os escândalos envolvendo o governador de Brasília, José Roberto Arruda, que continua preso.

De outro, Dilma Roussef ganhou todos os holofotes da mídia e as capas de jornais e revistas na semana passada ao ser aclamada como candidata do governo no Congresso do PT, que comemorou os 30 anos do partido. Enquanto ela já está na estrada, José Serra ainda reluta em anunciar oficialmente sua candidatura, aumentando a angústia de tucanos e aliados.

Nem os mais próximos colaboradores do governador, com quem conversei na semana passada, sabem ainda qual decisão, afinal, ele irá tomar. "Ele não fala sobre isso com ninguém", disse-me um secretário estadual muito próximo a Serra, no final da tarde de sexta-feira, mostrando-se preocupado com a indefinição.

Na visão dele, Serra será candidato a presidente porque, simplesmente, não tem outra escolha. "Seria muito ruim para a biografia dele, um fim de carreira melancólico, a esta altura, se desistisse da candidatura presidencial para disputar a reeleição em São Paulo. Por isso, eu acho que ele será candidato a presidente de qualquer jeito".

Resta saber como o governador irá reagir aos novos números, ele que vinha liderando as pesquisas presidenciais, com folga, desde o início do ano passado. O jogo está só começando.

***

O texto acima foi escrito no sábado à noite com base nas primeiras informações sobre o Datafolha divulgadas pelo iG. Na edição de hoje da Folha, há outros números e dados importantes para entender o novo cenário, que reproduzo abaixo:

* Sem Ciro na disputa, Serra vai a 38, Dilma a 31 e Marina a 10.

* Sem Serra, Dilma ganharia de Aécio, o provável substituto tucano: 30 a 13 (Ciro ficaria em segundo, com 21).  

* Serra é o mais rejeitado, com 25; em Dilma, não votariam 23% dos eleitores.

* Serra é conhecido por 96% dos eleitores; Dilma, por 86%

* Votariam no candidato apoiado por Lula 42% dos eleitores; talvez, 26%; não votariam, 22%

* Na pesquisa espontânea, 10% citaram o nome de Lula, que não é candidato, o mesmo índice de Dilma; Serra foi citado por 7% e "candidato de Lula" por 4%. Na soma, Dilma ficaria com 24% na espontânea.  

* A avaliação positiva do presidente Lula, em seu último ano de governo, passou de 72%, em dezembro, para 73%, em fevereiro, o maior já registrado pelo Datafolha na série histórica. O índice negativo ficou em apenas 5% e, o regular, em 20%.

***

No post sobre o drama da moça que não registrou o bilhete premiado da Mega-Sena e o azar dos apostadores, o mais lido da semana, fiz uma brincadeira sobre meu hábito de jogar toda semana no bolão, que não foi entendida por alguns leitores: "Nunca me ligaram da loteria, pois do contrário, não estaria mais aqui escrevendo...".

Chegaram a dizer que iriam torcer para eu jamais acertar na loteria e assim continuar fazendo este Balaio. Aproveito para esclarecer que continuo escrevendo não só porque preciso ganhar um salário no final do mes, depois de 45 anos de trabalho, mas também porque gosto, é a única coisa que aprendi a fazer na vida. 

Nos poucos dias em que não escrevo, sinto falta deste encontro com vocês. Podem ficar tranquilos. Não precisam torcer contra... Um premiozinho sempre é bem vindo... E prometo pagar uma cervejada pra esta turma boa do Balaio.

Bom domingo pra todos.

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Toda semana compro um pedaço de dez reais do bolão da Mega-Sena na loteria aqui perto de onde moro. Deixo nome e telefone. A japonesa que me atende até já sabe o que quero, nem preciso falar. É uma relação de confiança. Jamais me passou pela cabeça que a loja pudesse não registrar o jogo na Caixa Economica Federal.

Além do bolão, faço mais cinco jogos numa aposta individual, pego os bilhetes e entrego para a minha mulher. E esqueço o assunto. Nunca me ligaram da loteria, pois, do contrário, não estaria mais aqui escrevendo...  

No dia seguinte ao sorteio, invariavelmente, a Mara. depois de conferir os números do sorteio, vem me avisar logo cedo: "Não deu nada". E ela já sabe o que vou responder: "Vamos ter que continuar trabalhando...". Toda semana é assim, tudo sempre igual, como nos versos do Chico.

Deve ser esta a mesma rotina de milhões de brasileiros que trabalham para pagar suas contas no fim do mes e sabem que a loteria é a única esperança de poder ter uma vida tranquila em que não precisem mais se preocupar com o tal do dinheiro.

Não costumo sonhar e fazer planos para o dia em que ganhar a sorte grande. Jogo por jogar, mais por hábito do que por ganância. Nem gostaria de ganhar sozinho um premio fabuloso como o deste sábado, que deve passar dos 70 milhões de reais. Dinheiro demais dá problema, como já vimos em tantos outros casos de novos milionários.

Pior do que não ganhar, eu sei, é ganhar e não receber, como aconteceu esta semana com os 40 apostadores da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, que acertaram o bolão de sábado passado, mas vão ter que continuar trabalhando porque o jogo não foi registrado pela lotérica. O prêmio estava acumulado em 53 milhões de reais e já dava um bom dinheiro para cada um levar uma vida mais tranquila, mas o destino não quis assim.

Logo entraram em cena os apostadores inconformados, delegados, advogados e todo mundo deve ter pensado, claro, numa maracutaia dos donos da lotérica: eles pegavam o dinheiro do bolão e simplesmente não faziam o jogo, embolsando a grana. No Brasil, infelizmente, é assim: todo mundo é culpado até prova em contrário.

Pois as cenas que vi na televisão na noite desta quinta-feira me deram a certeza de que o dono da lotérica, José Paulo Abend, tinha razão ao falar que foi uma "falha humana". As imagens do circuito interno da lotérica mostram o momento em que a moça encarregada de fazer o jogo volta à "cena do crime" no sábado à noite, abre a gaveta sob a máquina, desespera-se, põe a mão na cabeça e cai no choro.

Quando ficou sabendo que mais uma vez ninguém tinha acertado as seis dezenas e o premio acumulara de novo, ela estranhou porque aqueles números estavam no comprovante do bolão, que seu pai também tinha comprado. Quer dizer, a bela jovem Diane Samar da Silva, 21 anos, azarou a vida da sua própria família, além dos outros 40, que foram dormir ricos e acordaram pobres ou remediados do mesmo jeito de sempre.

Agora não adianta advogado colocar a roupa mais bonita para ir à televisão dizendo que vai processar a lotérica, a Caixa Economica Federal, o diabo a quatro. Aconteceu. Por tudo que vi e li, não houve má-fé, estelionato, nada disso. Foi mesmo uma falha humana a que todos estamos sujeitos e posso imaginar o drama que a moça Diane está vivendo neste momento sozinha em sua casa, sem poder andar nas ruas da bonita cidade de Novo Hamburgo. São coisas que acontecem, fazer o que? Jogar mais uma vez...

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Caros leitores,

acabei de ver agora a primeira edição de um novo blog que é uma beleza para quem gosta de ler. Foi criado pelo meu amigo Fernando Portela, titular do primeiro time dos repórteres brasileiros. Como hoje estou sem assunto e sem ânimo para escrever, recomendo a leitura de "A sorte é para quem tem", que abre o blog. Confiram e me digam se não tenho razão:

http://fernandoportela.wordpress.com

Abraços,

Ricardo Kotscho

***   

Ao dar uma olhada no noticiário político sobre a campanha presidencial, sem grandes novidades nesta quarta-feira, as informações sobre dois importantes personagens, Ciro Gomes e Tasso Jereissati, chamaram-me a atenção e levaram-me a viajar no tempo até um episódio de que fui testemunha muitos anos atrás.

No final de 1993, durante um almoço na Cantina do Mário, no bairro do Ipiranga, perto do Instituto Cidadania, onde Lula começava a montar sua segunda campanha presidencial para o ano seguinte, foi praticamente selada uma aliança histórica entre o PT e o PSDB.

Com as bençãos de Ciro Gomes, velho amigo e aliado de Tasso, e na presença também do jornalista Egídio Serpa, meu bom amigo e assessor dos dois políticos do Ceará, uma chapa foi montada antes que fosse servido o café: era Lula para presidente e Tasso para vice. Claro que era só uma idéia, que precisaria ser discutida pelos partidos, mas os três sairam do almoço convencidos de que aquele era o melhor caminho para o Brasil.

Àquela altura, o PSDB ainda não tinha candidato. O caminho parecia livre para esta articulação. Nem se falava no nome de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, que estava em dúvida se seria candidato à reeleição ao Senado ou disputava uma cadeira de deputado federal. 

Poucos meses depois, surgia no cenário o projeto do Plano Real, que acabaria com a inflação de um dia para outro, e transformaria o ministro da Fazenda não só no candidato do PSDB, como em candidato imbatível, como logo se veria.

Lembrei-me deste almoço, que poderia ter mudado completamente o quadro político-partidário do país, ao ler no noticiário que Ciro Gomes pode tanto ser candidato a presidente da República como a governador de São Paulo, e que o nome de Tasso Jereissati já está sendo cogitado pelo PSDB como vice de José Serra, caso ninguém consiga convencer Aécio Neves a aceitar este papel.

Com a debacle do DEM, o aliado preferencial dos tucanos desde sempre, o PSDB pode ser obrigado a montar uma chapa puro-sangue, o que seria inédito nas eleições presidenciais do país. Entre os nomes cogitados, surgiu o de Tasso, que não tem sua reeleição assegurada para o Senado pelo Ceará.

Ciro, por sua vez, que construiu sua carreira sempre ao lado de Tasso, está numa encruzilhada em que pode querer tudo, mas corre o risco de ficar sem nada, já que não pensa em se candidatar novamente a deputado federal.

Nas voltas que a vida dá, PT e PSDB são hoje as duas forças hegemônicas e antagônicas que disputam o poder no Brasil a cada eleição.  Entre o almoço na Cantina do Mário e o surgimento do Plano Real, o destino traçou o caminho de Lula, Tasso, FHC e Ciro, do PT e do PSDB, e da história política do país nas últimas duas décadas.

Qual a surpresa que nos guardaria esta eleição de 2010, a menos de oito meses de irmos às urnas, ainda sem a definição do quadro de candidatos?

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