Atualização às 15:00 de sábado, 9/5

Aos leitores:

escrevo apenas para informar que continuo vivo, mas sem condições de escrever.

Estou no hospital tomando soro e um monte de remédios porque o tal do rotavirus me deixou desidratado, prejudicando o funcionamento dos rins.

Com tubos e fios amarrados nas mãos, fica difícil escrever, ainda mais quando não se tem nada na cabeça...

Agradeço os conselhos e sugestões de todos os leitores e recomendo o texto do Samuel sobre como se trata gripe em Porangaba, publicado aqui ontem, na área de comentários.

Bom fim de semana e até qualquer hora.

Abraços,

Ricardo Kotscho

Estou derrubado desde domingo por uma gripe, que não sei de qual bicho é, um tal de rotavirus. Só sei que provoca um terrível estrago intestinal. Nem estava com ânimo para escrever nada hoje, mas não consegui passar batido por uma notícia publicada nos jornais como se fosse a coisa mais normal do mundo.

"Menino de 12 anos é detido pela 11ª vez ao furtar carro", diz o título da Folha, que registra a ocorrência. Como pode? Em que sociedade vivemos, onde um fato desses passa a ser algo corriqueiro, sem que nada aconteça para cuidar deste menino e, ao mesmo tempo, de quem pode ser vítima dele?

Neste interminável prende e solta, o perigo está solto nas ruas. Um dia ele poderá provocar um acidente com o carro furtado ou alguma vítima reagir, colocando sua própria vida em perigo.

"Precisamos contê-lo. Ele vai continuar assim até alguém matá-lo", constata, candidamente, o promotor Talis Cézar de Oliveira, da Vara da Infância e da Juventude, para quem a única saída é a internação.

E por que nenhuma autoridade, incluindo o próprio promotor, tomou até agora esta providência? Estão esperando o que?

Já se passaram 18 meses desde que ele foi detido pela primeira vez por dirigir sem habilitação no Jardim Miriam, até ser flagrado novamente na noite de segunda-feira, ao tentar furtar um carro em Diadema.  

Como tem mais de 12 anos, deveria ser encaminhado para a Fundação Casa, a antiga Febem, que recolhe os jovens infratores. Mais uma vez, porém, ele foi devolvido na mesma noite à mãe pelo delegado de plantão no 1º DP de Diadema, "porque o fórum já estava fechado".

"De acordo com vizinhos, ele sempre aparece com carros na rua e os pais não conseguem ter autoridade sobre ele", informa o jornal.

Se assim é, será que nenhuma autoridade do Estado, teoricamente responsável por menores infratores e pela segurança pública, poderia tomar alguma providência antes que ele seja detido pela 12ª vez? Ou até que aconteça alguma desgraça envolvendo este menino?

Tudo bem que é muito difícil acabar com o PCC, o crime organizado e a bandalha generalizada, mas não dá para admitir que não se encontre uma solução, com todos os instrumentos de que o Estado dispõe, para atender um menino de 12 anos que precisa de assistência, assim como a sua família.

Vamos continuar fazendo de conta que estas são histórias banais do cotidiano da grande cidade?

Se não estivesse me sentindo tão mal hoje, teria vontade de dar uma de repórter, e ir atrás deste menino para tentar descobrir o que se passa pela sua cabeça, o que o leva a arriscar sua vida e a dos outros pelo prazer de dirigir um carro furtado.

Caso algum colega se habilite, como leitor temporariamente acamado eu ficaria muito grato.  

 

  

 

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 Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida (Carta da Terra).  

 

Para quem acha que este nosso louco mundo ainda tem salvação, começa amanhã e termina na quinta-feira, no Palácio das Convenções do Anhembi, o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade.

 

Durante dois dias,  o evento discutirá ações, medidas e alternativas sustentáveis no Brasil e no mundo. Há mais de 3 mil inscritos para participar dos debates que serão transmitidos online para 50 universidades via internet no Brasil, América Latina e Europa.

 

A discussão será permeada pelos conceitos descritos na Carta da Terra – documento criado em 2000 e que tem como premissas a preservação ambiental, o fim de todos os tipos de preconceitos, a união e a harmonia dos povos; além, é claro, da sustentabilidade como uma necessidade iminente ao desenvolvimento e preservação da espécie humana.  

 

Para discutir o tema, o Fórum terá como palestrantes nomes consagrados da política, empresários e personalidades - inclusive ganhadores do Prêmio Nobel – entre eles: Edmund Phelps - Prêmio Nobel da Economia 2006; David Trimble - Prêmio Nobel da Paz de 1998; Mohan Munasinghe - Prêmio Nobel da Paz 2007; o líder indígena André Baniwa, a pacifista Monja Coen, o representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, o filósofo Mario Sergio Cortella, o intelectual colombiano Bernardo Toro, a educadora Terezinha Azerêdo Rios, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, a Senadora Marina Silva, além de outros nomes nacionais e internacionais.

 

A participação é gratuita e os interessados deverão se inscrever no site www.comunicacaoesustentabilidade.com.  As vagas são limitadas. Como o foco do Fórum é comunicar a população sobre a importância da sustentabilidade com o apoio de empresários, políticos, autoridades e formadores de opinião, uma das maiores preocupações dos organizadores está nos estudantes.

O II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade será composto por mesas temáticas, cada uma com seu mediador e cerca de quatro convidados que debaterão os temas propostos e seus desdobramentos. Veja a programação completa:

 

 



06  6 de ma

6 de maio

 

 

Abertura: 09H00 -09H30
Apresentador: Wellington Nogueira
Atitude Brasil
Carta da Terra - Monja Coen

09

Mesa 1: 09h30 - 13h30 _Respeitar e Cuidar da Comunidade da Vida
Bernardo Toro - Fundação AVINA
Danah Zohar - Física e Filósofa
Ferréz - Escritor
Danilo Miranda - Diretor Regional do SESC
Flávio Oliveira – Ger. de Projetos Sociais da TV Globo
Tarcísio Godoy - Presidente da BrasilPrev
Mediadora: Mona Dorf - TV Ideal

13

14  

Almoço - 13h30 - 14h30

15h00 - Flávio Comim – Campanha Brasil Ponto a Ponto PNUD

 

 

15h00 - 19h00 _Mesa 2: Justiça Social e Econômica
Edmund Phelps - Prêmio Nobel da Economia 2006
Luiz Gonzaga Belluzzo - Carta Capital
Representante da Petrobrás

 Claudio Frischtak – Consultor Sênior da Vale

Florestan Fernandes Jr – TV Brasil
Mediador: Merval Pereira - TV Globo

19h00 - 19h

19h00 - 19h20 Mônica Dias Pinto - Canal Futura

 



07 de maio

7 de maio

09h00 - 10h

9h00 - 10h00 Apresentação Pesquisa Dossiê Jovem MTV

10h00 - 14h

10h00 - 14h00 Mesa 3: Democracia, Não Violência e Paz
David Trimble - Prêmio Nobel da Paz de 1998
Fernando Haddad - Ministro da Educação
Mario Sergio Cortella - Educação PUC-SP

Terezinha Azerêdo Rios - Filósofa
Vincent Defourny - UNESCOMediador: Ricardo Kotscho - Rev. Brasileiros/IG

 
 
 
 
 

 

14h00 - 15

14h00 - 15h00 Almoço

15h00 - 19

15h00 - 19h00 Mesa 4: Integridade Ecológica
Mohan Munasinghe - Prêmio Nobel da Paz 2007
Marina Silva - Senadora da República
André Baniwa – Vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira
Washington Novaes - Jornalista
Olinta Cardoso - Ex-Diretora da Vale
Mediador: André Trigueiro - Globo News

19h00 - 19h

19h00 - 19h30 Encerramento + Premiação Concurso de Fotografia

19h30 - 20h

19h30 - 20h00 Intervalo para relacionamento

20h00 - 23h0020h0

20h00 - 23h00 Show de homenagem à Carta da Terra

 



Programaçã



 

integração e



* Toda program

 

 

 

Sobre os participantes

 

Bernardo Toro – Intelectual colombiano, conhecido por ser inovador em análises e reflexões sobre a educação na América Latina. Enfatiza o papel da comunicação e da mídia para o desenvolvimento da democracia. Estudou filosofia, física, matemática e fez pós-graduação em investigação e tecnologia educativa. Atualmente é assessor da presidência da Fundação AVINA.

 

Danah Zohar Nasceu nos Estados Unidos. Formada em física e filosofia pelo Massachusetts Institute of Technology, tendo concluído três anos de estudo de pós-graduação em filosofia e religião na Harvard University, onde foi aluna de Erik Erikson. Atualmente reside na Inglaterra e é professora do Programa de Liderança Estratégica na Universidade de Oxford.

 

FerrézUm dos mais respeitados autores da nova geração de escritores. Autor de livros consagrados como “Capão Pecado”, “Manual Prático do Ódio” e “Fortaleza da Desilusão”. Nascido e criado no bairro de Capão Redondo, freqüentemente dá palestras nas periferias brasileiras.  Ligado ao movimento hip hop, fundou a marca 1DASUL - marca própria de roupa produzida no bairro.

 

Danilo Miranda – Sociólogo e Filósofo. Diretor Regional do SESC, no Estado de São Paulo. Atua na organização desde 1984. Contribuiu com diversas iniciativas de desenvolvimento do esporte, artes, cultura, e educação. Ganhou o prêmio Trip transformadores, na categoria Liberdade, Diversidade e Desprendimento, entre outros prêmios. 

 

Flávio Oliveira –Jornalista formado pela PUC-Rio, com MBA pelo Ibmec Business School (2001-2002) e pela Fundação Dom Cabral (2007-2009). Desde 2004 atua como gerente de projetos sociais da Rede Globo e é responsável por projetos como o Merchandising Social, Amigos da Escola e Publicidade Social.

 

Tarcisio Godoy Diretor Presidente da Brasilprev Seguros e Previdência S.A., membro do Conselho de Administração do Banco do Brasil desde 2003. Atuou como Coordenador Geral da Dívida Publica e Secretário do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade de Brasília, possui pós-graduação em Geotecnia e é mestrando em Economia.

 

Flavio Comim – Economista Sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro. Ele é Professor Associado da Universidade de Cambridge, Inglaterra, e Professor Licenciado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

 

Edmund Phelps –Prêmio Nobel da Economia de 2006, por criar a teoria das bases microeconômicas do desemprego e da inflação. Professor de política econômica da Universidade de Columbia, Nova York, e diretor do Centro de Capitalismo e sociedade da mesma universidade.

 

Luiz Gonzaga Belluzzo – Um dos economistas brasileiros mais respeitados da atualidade, é professor titular de economia da Unicamp. Sócio da revista Carta Capital, foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda (governo Sarney) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (governo Quércia). É fundador da Facamp (Faculdades de Campinas).

 

Claudio Frischtak –Presidente da Inter.B - Consultoria Internacional de Negócios. Foi “principal economist” da área de indústria e energia do Banco Mundial e professor adjunto na Universidade de Georgetown, tendo feito sua pós-graduação na Universidade de Campinas e em Stanford University. Atua como conselheiro em várias organizações e é consultor sênior da diretoria executiva da Vale. 

 

Florestan Fernandes Jr Foi repórter especial da TV Globo, TV Manchete e TV Cultura. Apresentador e comentarista do Jornal da Manchete e do Jornal da Gazeta. Foi também apresentador do jornal da TV Cultura e do programa Opinião Nacional. Escreveu com o Alberto Dines e Nelma Salomão a coleção “Histórias do Poder”. Atualmente é o gerente executivo de jornalismo da TV Brasil e apresentador do telejornal Repórter Brasil.

 

Mônica Dias Pinto Pedagoga, com mestrado pela PUC/RJ na área de educação. Atual Gerente de Desenvolvimento Institucional do Canal Futura, onde desenvolve projetos sociais de comunicação e educação com empresas privadas e de economia mista, fundações e institutos empresarias e governos.

 

Lord David Trimble –Prêmio Nobel da Paz 1998, por sua atuação como negociador do acordo de paz – Acordo de Belfast - na Irlanda, entre os unionistas protestantes e os católicos. Foi Primeiro Ministro da Irlanda do Norte e presidente do partido protestante do Ulster

 

Fernando Haddad Atual Ministro da Educação. Mestre em Economia e Doutor em Filosofia pela USP, tem vasta experiência em gestão pública. Atuou como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e foi assessor especial do Ministro Tarso Genro quando Ministro da Educação.

 

Mario Sergio Cortella –Filósofo, Mestre e Doutor em Educação pela PUC-SP, onde é professor pelo departamento de Teologia e Ciências da Religião e da pós-graduação em Educação. Foi Secretário da Educação de São Paulo e trabalhou por muitos anos com Paulo Freire.

 

Vincent Defourny – Representante da UNESCO no Brasil. Foi especialista de avaliação da UNESCO, de 1997 a 2002, tendo prestado serviços em países como França, Brasil e outros países da América Latina. Doutor em Comunicação pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, e licenciado em Comunicação Social pela mesma universidade.

 

Terezinha Azerêdo Rios – Formada em Filosofia, doutora em Educação, professora/pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Nove de Julho - UNINOVE. Assessora e consultora em projetos de educação continuada de profissionais de diversas áreas do conhecimento.

 

Mohan Munasinghe –Prêmio Nobel da Paz de 2007. Intelectual do Sri Lanka, reconhecido internacionalmente como um especialista em energia, desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas. Vice-Presidente do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change).

 

 

Marina Silva –Atual senadora da República, foi Ministra do Meio Ambiente e, desde o primeiro mandato do governo Lula, realizou diversas iniciativas de preservação das florestas brasileiras.

 

André Fernando Baniwa –Vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira. Nasceu na comunidade indígena Tucumã Rupitá (Komalhipani), Alto Rio Içana. Ingressou no movimento indígena via OIBI (Organização Indígena da Bacia do Içana) e, desde 2005, é membro da diretoria da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. Atual Vice-Prefeito de São Gabriel da Cachoeira- AM.

 

Washington Novaes – Jornalista, supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa "Xingu" e, mais recentemente, "Primeiro Mundo é Aqui", que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.

 

Olinta Cardoso –Ex-diretora de Comunicação Institucional da Vale , Olinta Cardoso é graduada em Comunicação Social, com pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial e especialização em Gestão de Pessoas. Atualmente faz parte do Conselho Empresarial da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), do Conselho Consultivo do Instituto Holcim, do Conselho Deliberativo do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE).

 

Mediadores 

 

André Trigueiro - Jornalista brasileiro especializado em Jornalismo Ambiental. É repórter e âncora da Globonews. Também dá aulas na PUC-Rio.

 

Merval Pereira - Comentarista da Globonews e da CBN e colunista do jornal O Globo, onde entrou em 1968 como repórter estagiário, tendo sido, entre outras funções, editor nacional, editor-chefe, diretor da sucursal de Brasília, diretor de redação e diretor executivo do Infoglobo. Foi Diretor de Jornalismo de Midia impressa e rádio das Organizações Globo. Recebeu Prêmio Esso em 1979.

 

Mona Dorf – Com 25 anos de experiência em televisão, a jornalista paulistana passou da reportagem à apresentação de importantes telejornais. Passou pela TV Globo, TV Manchete e TV Cultura. Hoje faz parte do time da TV Ideal, canal da editora Abril com programação voltada ao mundo corporativo.

 

Ricardo Kotscho
É repórter do iG e da revista “Brasileiros”. Jornalista desde 1964, já trabalhou em quase todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV) e foi Secretário de Imprensa da Presidência da República no governo Lula. Ganhou os prêmios Esso, Cláudio Abramo e Herzog.

 Sobre o Concurso de Fotografia

 O II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade lançou o concurso Fotografia: Comunicar para não esquecer. O objetivo foi escolher as melhores imagens captadas no centro-oeste brasileiro e que estavam alinhadas com o tema do evento.

 

Os dez candidatos que foram selecionados terão suas fotos divulgadas durante uma exposição institucional, que acontecerá nos dias da realização do Fórum. Além disso, as fotos serão publicadas no livro Fotografia: Comunicar para não esquecer, que será lançado em Julho de 2009. Os três primeiros colocados receberão, ainda, uma premiação em dinheiro.

 

Para ter acesso, segue o link:

www.comunicacaoesustentabilidade.com/concursofotografia

 

Sobre o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

 

O II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade é um evento itinerante pelo eixo Brasília - São Paulo - Rio de Janeiro – Belo Horizonte, que tem como objetivo promover o entendimento e a discussão entre setores público, privado e sociedade civil sobre o papel educativo da comunicação para a compreensão do conceito da sustentabilidade. A 1ª edição, que aconteceu em Brasília (DF), contou com nomes como o economista Rajendra Pachauri (ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2007), Muhammad Yunus (fundador do Grameen Bank - o Banco dos Pobres - e Prêmio Nobel da Paz em 2006), Oded Grajew (idealizador do Movimento Nossa São Paulo, Fundação Abrinq e do Fórum Social Mundial), entre outros. A 2ª edição do evento focará na educação, na diversidade humana, no meio ambiente e nos fatos históricos das crises econômicas vividas no século XX e XXI.

 

Sobre a Atitude Brasil

 

Fundada em 2004, a Atitude Brasil é uma empresa de comunicação especializada em desenvolver políticas de patrocínio visando à integração da comunicação, criando programas e projetos para empresas, e promovendo diálogos necessários para o entendimento da cultura de novos negócios. Entre os projetos desenvolvidos, destaque para o Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, o Festival Internacional de Fotografia de Paraty (Paraty Em Foco), a publicação das biografias de Elis Regina (Furacão Elis) e de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, o Festival Internacional de Música de Ilhabela, o documentário “Boas Práticas de Desenvolvimento Sustentável”, a Plataforma “Mulheres Mães de Rua” - que visa implementar o negócio social no Brasil com o suporte do Prof. Muhammad Yunus -, os livros “Lei Rouanet – o livro” e “Fotografia - comunicar para não esquecer”.

  Patrocinadores

 O II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade conta com o patrocínio de: Vale, Petrobras, Banco do Brasil, Banco de Brasília (BRB), BrasilPrev.

 

Serviço

II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade

Dias 6 e 7 de maio

Palácio das Convenções do Anhembi – São Paulo/SP

Entrada gratuita (mediante inscrição pelo site, vagas limitadas)

www.comunicacaoesustentabilidade.com

Em tempo:

O repórter Diogo Mesquita, da Revista Brasileiros, está fazendo a cobertura do Fórum em tempo real no twitter:

www.twitter.com/rev_brasileiros

O projeto de Cristovam

Alguns leitores me pediram no final de semana orientação para obter o Projeto de Lei do senador Cristovam Buarque sobre os filhos de políticos na escola pública. Rudolfo Lago, assessor do senador, explica que o processo é um pouco complicado mas funciona assim:

Na própria página do Senado (www.senado.gov.br), entre em "Atividade Legislativa". Ali há "Pesquisa Rápida de Matérias". Clique em PLS _ Projeto de Lei iniciado no Senado. Embaixo, tem um quadro escrito "Tipo". Selecione também PLS _ Projeto de Lei iniciado pelo Senado. Abaixo, coloque o número do projeto, que é 480, e o ano, que é 2007.

Em tempo

o Lago acaba de me passar um jeito mais fácil de acessar o projeto. É só entrar no blog do senador e clicar no assunto:

www.cristovam.org.br/blog

 

 

 

 

 

 

 

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Em apenas cinco meses, deu-se o milagre: o Corinthians pulou direto do título da Segundona do futebol brasileiro, no final do ano passado, para ganhar agora, pela 26ª vez, o Paulistão _ e, ainda por cima invicto, coisa que não acontecia no estadual desde 1972.

E Ronaldo, depois de mais uma grave contusão, em que apareceu gordo numa foto que ficou célebre, de barrigão pra fora do calção, copo de cerveja e cigarro na mão, e se meteu depois num monte de rolos, acabou não só dando a volta por cima, como seus gols foram decisivos para a conquista do Corinthians.

Chamado de ex-jogador em atividade, num palpite infeliz de um diretor do meu São Paulo, ele foi à forra em campo e ajudou a eliminar o tricolor antes de faturar o Santos nas finais.

Com Ronaldo vestindo a camisa 9 do Corinthians, ainda tamanho GG, deu-se o casamento improvável, que deu certo, por um destes caprichos do destino, e o Corinthians voltou a empolgar a sua grande e fiel torcida, que chorou o rebaixamento em 2007. 

O que liga as duas pontas desta história de amor?

Para mim, foi Mano Menezes, o jovem e discreto técnico gaúcho que só se preocupa em colecionar títulos, de qualquer categoria. Com ele, Ronaldo voltou a ser o Fenômeno, com o time inteiro colaborando, jogando com garra e, principalmente solidariedade.

Corinthians e Ronaldo: quem ajudou quem?

Para responder à pergunta do título, peço a ajuda dos leitores (não precisam ser universitários...).

Meu palpite é que um ajudou o outro, sob as bençãos de Mano Menezes, e os dois juntos ferraram com nosotros são-paulinos, palmeirenses, santistas _ todo mundo que não é corinthiano, enfim. Ou seja, a outra metade da cidade, que não está comemorando o título neste momento. 

Salve o Corinthians, o velho campeão dos campeões!

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Depois de várias semanas de revolta e indignação diante dos desmandos do Congresso, houve uma guinada nos comentários dos leitores do Balaio esta semana.

Em três diferentes assuntos, que foram os mais comentados, o que mais notei na manifestação dos leitores foi a solidariedade.

Foi assim nos comentários, que somaram mais de 400, enviados sobre três posts que tiveram como personagem central a ministra Dilma Roussef (sua doença, o caso Dilma-Folha e a análise do Ibope sobre o que muda _ ou não muda _ no cenário da sucessão).

Da mesma forma, o artigo do senador Cristovam Buarque propondo que os políticos eleitos sejam obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas, para melhorar o nível do ensino, levou os leitores do Balaio a abrir um amplo debate sobre o assunto, envolvendo também os que podem pagar escolas particulares.

A denúncia do leitor Everaldo Alencar sobre as dificuldades que uma faxineira encontrou para se inscrever no novo programa da casa própria do governo, levou outro leitor, que preferiu ficar no anonimato, a doar um terreno de sua propriedade em Aparecida de Goiânia ou poder ser construídas casas para quatro famílias.

O Caso Maria Júlia, como a história da faxineira ficou conhecida aqui no Balaio, motivou outros leitores a oferecer ajuda ou, ao menos, sugestões para enfrentar o problema. 

Se depender das orações e da solidariedade demonstrados com a ministra Dilma pela absoluta maioria dos leitores, ela poderá se sentir, se não curada, pelo menos confortada.

A proposta de Cristovam e a doação de um terreno certamente não resolverão os seculares problemas do ensino público e da casa própria no país.

Mas é sempre melhor cada um procurar fazer alguma coisa, nem que seja apenas participar das discussões sobre estes assuntos, do que ficar naquele baixo astral de só ficar jogando pedras na Geni, por mais que Geni mereça.

Claro que também teve gente que não se preocupou nem um pouco com o câncer linfático da ministra, e lhe fez as mesmas críticas de sempre, apenas preocupada com a disputa eleitoral do próximo ano, assim como, para alguns leitores, esse negócio de casa própria e ensino público são problemas que nunca terão solução com "estes políticos".

Houve quem visse em tudo apenas demagogia, mas a absoluta maioria dos leitores me deu a sensação de que, apesar de tudo, o brasileiro ainda não perdeu o nobre sentimento da solidariedade.

Números da semana

Segue abaixo a relação dos três assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja, conforme levantamento que faço todos os domingos.  

Balaio

Dilma Roussef: 434

Escola pública (proposta de Cristovam Buarque): 127

Casa própria (Caso Maria Júlia): 90

Folha

Congresso: 105

Dilma Roussef: 50

Gripe suína: 43

Veja

Congresso desmoralizado: 168

Discussão no STF: 76

Maranhão: 23   

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Atualizado às 13h40 do dia 1º/5

Só agora, começo da tarde de sábado, encontrei uma lan house no Café Maringá, em Bocaina de Minas, para liberar os comentários. Onde estou hospedado, em Visconde de Mauá, no meio do mato, não pega nem celular. Por isso, a demora.

Mas valeu a pena ler os mais de 100 comentários que chegaram para o post com o artigo do senador Cristovam Buarque publicado aí abaixo _ no mais rico e qualificado debate desde que o Balaio entrou no ar em setembro do ano passado.

Depoimentos de professores, de pais de alunos e ex-estudantes de escola pública fornecem material para uma alentada discussão sobre os rumos do ensino no país. A maioria apóia a idéia de Cristovam, mas é cética quanto à sua aprovação pelos atuais parlamentares.

Pela primeira vez, não tive que excluir nenhum comentário, o que me deixa muito feliz e prova que a internet pode ser um belo fórum para o debate de idéias que não têm espaço na grande mídia. 

Um dos leitores do Rio de Janeiro, Renan Doyle (aqui quase todos mandam seus comentários com seus nomes verdadeiros e completos), das 11H50 de hoje, resumiu no final do seu comentário o sentimento geral:

"Povo culto é povo questionador, e isto nenhum político quer, pois não se elegeriam e a mamata acabaria". 

Aos leitores:

viajo hoje, sexta-feira, para ir a um casamento em Visconde de Mauá, no Rio, e só volto no domingo. Não sei se lá será possível conectar a internet.

Por isso, não sei quando conseguirei fazer a moderação de comentários. Pretendo descansar um pouco, depois de passar várias semanas, incluindo fins de semana, direto no computador, que fica ligado das 9 da manhã às 11 da noite, e também precisa de uma folga.

Bom feriadão a todos. Deixo com vocês um instigante artigo do Cristovam Buarque que vale a pena ler.

Todo ano, tão certo como acontece no Carnaval, na Páscoa e no Natal, as manchetes sobre os resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) se repetem:

Folha: "Enem expõe desigualdade entre públicas e privadas _ Entre as 20 instituições mais bem colocadas no exame, 15 são particulares".

O Globo: "Enem mostra a falência das escolas públicas nos Estados".

Como mudar este quadro?

O senador-professor Cristovam Buarque, aquele eterno sonhador que sonha de olhos abertos, tem uma proposta: obrigar suas excelências, os políticos eleitos pelo povo, a matricular seus filhos em colégios públicos.

Ah, mas eles não vão querer, dirá o leitor mais cético ou realista, como queiram, com toda razão. Mas, que a idéia é muito boa, não tem dúvida. Se este projeto por milagre fosse aprovado, eles certamente se preocupariam mais em oferecer nas escolas públicas um ensino de qualidade para seus filhos.

Educação pública passaria a ser, de uma hora para outra, prioridade nacional.

Como não custa nada sonhar com um futuro melhor para o país, o Balaio publica abaixo com exclusividade este artigo escrito pelo meu amigo Cristovam Buarque. 

O leitor vai encontrar nele bons argumentos para defender sua proposta de colocar os filhos dos eleitos nas escolas públicas onde estudam os filhos dos seus eleitores. Quem sabe, desta forma, um dia possam mudar as manchetes de todo ano sobre o Enem.

O que os amigos do Balaio pensam deste projeto? Tem alguma chance de ser aprovado? Se os leitores/eleitores se manifestarem, talvez suas excelências possam se tocar para, pelo menos, colocar em discussão a escola pública. Nunca é demais sonhar _ e fazer alguma coisa para mudar a realidade.

Artigo para Blog do Kotscho

 

Cristovam Buarque

 

 

Meu pai e minha mãe não eram católicos praticantes, mas meu irmão e eu estudamos em colégios religiosos: maristas.

Além da proximidade da escola em relação a nossa casa, a principal justificativa é de que as vagas nas poucas escolas públicas já estavam preenchidas com os filhos das pessoas influentes, especialmente os deputados, senadores, vereadores, seus apadrinhados, ricos e bem conectados.  

Ainda mais: as escolas religiosas eram baratas, os professores, missionários sem família nem salário. Não pagavam aluguel, nem impostos; os equipamentos eram apenas quadro negro e um simples laboratório de química e física.

Hoje, quando se propõe que os eleitos deveriam colocar seus filhos na escola pública, onde estudam os eleitores, a idéia é considerada demagógica.

Em 40 ou 50 anos, desde que a população pobre migrou à cidade e colocou seus filhos na escola pública, a parcela rica, inclusive os parlamentares, migraram para a escola privada.

A partir daí, a escola pública foi abandonada, entregue aos municípios.

Em pouco tempo, consolidou-se a ideia de que a apartação era legítima: ricos que podem pagar têm o direito de estudar em escolas particulares de qualidade; pobres, que não podem pagar, ficam em escolas ruins, precárias, sem equipamento, com professores mal pagos e desestimulados.

Quando se considera demagógica a ideia de fazer com que filhos de pobres e ricos, de eleitores e de eleitos, estudem na mesma escola, é porque se considera essa apartação legítima. Isso lembra o discurso de quem era contra a Abolição da escravatura, há 300 anos.

Quando, depois de 300 anos, surgiu a idéia da Abolição, ela foi vista como demagógica, impossível, injustificável.

Os argumentos então eram muitos. Primeiro, como considerar negros com direitos iguais aos brancos? Como fazer funcionar a economia sem escravos? Como tirar dos senhores o direito à propriedade que eles tinham comprado?

Pouco a pouco, a idéia virou realidade, ficou aceita e possível. Terminou acontecendo. Os proprietários foram desapropriados; os negros tiveram, é certo que apenas na lei, os mesmos direitos; e a economia não parou, ao contrário, adquiriu uma nova dinâmica.

O mesmo vai acontecer com a idéia da escola igual para filhos de eleitores e de eleitos. Terminará aceita, e trará um inegável impacto positivo na educação pública e, a partir daí, na democracia social ainda incompleta no Brasil.

Além disto, é uma maneira de comemorar os 120 anos da República: não é uma República plena aquela que tem uma escola para os eleitos diferente da escola dos seus eleitores.

 

 

                                     Brasília-DF, 29 de abril de 2009

 

 

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Aos leitores:

esta matéria foi originalmente publicada em "off". Agora, às 14h40, foi atualizada em "on".

Os pesquisadores do Ibope só irão a campo daqui a uns dez dias para saber o que muda no quadro da sucessão presidencial após a revelação da doença da ministra Dilma Roussef, provável candidata do governo.

"Não muda nada", assegurou-me ontem à noite Carlos Augusto Montenegro, o homem do Ibope, um dos mais antigos e respeitados analistas de pesquisas políticas do país. Em meia hora de conversa, ele me deu o seguinte cenário, mesmo antes de ter em mãos os números desta nova pesquisa.

* Dilma deve, num primeiro momento, manter os mesmos índices anteriores. A transferência de votos do presidente Lula para ela chegará mais adiante a um patamar de 15%. A partir daí, será difícil conquistar cada ponto a mais.

* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha, e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci, Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para crescer a partir daí.

* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o candidato do governo e o candidato da oposição. Sem candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não teriam espaço para suas candidaturas.

* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB, que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e tem chances de vencer já no primeiro turno. As prévias do PSDB cobradas por Aécio Neves devem mesmo ficar para fevereiro, quando as pesquisas já devem apontar uma clara definição no quadro sucessário.

* A análise é a mesma feita antes das eleições municipais de 2008: assim como em 2002 era "a vez de Lula", em 2010 será "a vez do Serra", segundo Montenegro, e nada indica uma mudança brusca no cenário.

* Para ele, a "Era do PT" acabou no episódio do mensalão, que engoliu suas principais lideranças, embora o presidente Lula tenha mantido e até ampliado seu prestígio de lá para cá. Por isso, acredita que em 2010 não haverá nenhum nome do partido capaz de impedir a vitória de José Serra. Confrontado com os números das pesquisas em fevereiro de 2010, Aécio poderia escolher entre ser seu vice ou se candidatar ao Senado por Minas.

* Qualquer que seja o resultado da eleição e o efeito da crise econômica mundial no país, ele acredita que Lula deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente, festejado pela população. "Ele já entrou para a História como um dos nossos três maiores presidentes da República, ao lado de Getúlio e Juscelino. Ninguém tem uma história igual à dele e a vida da maioria da população melhorou no governo do Lula, o país mudou".

É bom deixar bem claro, antes que os leitores comecem a me chamar de tucano, que o cenário desenhado acima pelo homem do Ibope não reflete desejos ou torcidas, nem da parte dele nem da minha, mas apenas uma análise realista do processo sucessário.

Ao contrário, como se trata de uma disputa com final bastante previsível, meu interlocutor acredita que terá poucas encomendas de pesquisas no próximo ano _ o que seria ruim para seu próprio negócio.

Enfim, eles se tocaram

Não é nada, não é nada, não chega a ser nenhuma maravilha de moralização, mas dois fatos ocorridos ontem mostram que finalmente eles se tocaram que aquela farra com o dinheiro público não poderia continuar.

Na mesma segunda-feira, sob o comando de Michel Temer, a Câmara limitou o uso das cotas de passagens aéreas e Luciana Cardoso pediu demissão do seu cargo no Senado.

Mas ninguém pediu desculpas pelo que aconteceu antes, muito menos se falou em punições ou em devolver o dinheiro aos cofres públicos. Ao contrário, ambos procuraram justificar seus atos como a coisa mais normal do mundo.

Para anistiar o passado das maracutaias a granel, o presidente da Câmara teve a coragem de dizer:

"Em primeiro lugar, nunca houve farra. Existia um sistema normativo anterior e agora vamos minimizar o noticiário".

Então tá bom, não se fala mais no assunto...

Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que desde 2003 trabalhava sem sair de sua casa como secretária parlamentar do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), explicou que pediu demissão para "evitar constrangimentos" ao seu chefe. "Não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos nem sobre minha conduta", escreveu ela na carta entregue ao senador.

Há controvérsias... Para explicar porque nunca aparecia no gabinete do seu chefe no Senado, Luciana afirmou em entrevista à Folha que "o Senado era uma bagunça" e sua função era "cuidar das coisas pessoais do senador", o que poderia fazer em casa.

O problema é que o Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas da União para investigar se ela era funcionária-fantasma e o processo pede a devolução do dinheiro que recebeu durante estes cinco anos. Não era pouco: R$ 7.600 por mês, fora os benefícios.

Depois de tanto barulho, alguma coisa se move. Resta saber em que direção.

 

 

 

 

   

 

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Frase do leitor Francisco, em comentário enviado às 13:37 de terça-feira sobre o post publicado abaixo:

"Para a sobrevida dos jornais, o problema não é a internet, é a credibilidade".

Qual o futuro da "velha" imprensa?, indaga meu bom colega Caio Blinder, correspondente do iG, em sua coluna de hoje, direto de Nova York.

Muitos jornalistas e leitores se fazem hoje esta pergunta. Pegando como gancho o filme "State of Play", que aqui será "Intrigas de Estado", segundo Blinder, "uma sessão-nostalgia para jornalistas para lá da meia idade, como eu", ele escreve:

"A sessão-nostalgia do filme tem o ápice justamente quando rolam os créditos e vemos o processo de impressão e distribuição do papel-jornal. A cena é de doer, pois não dá para visualizar um happy-end para os jornais impressos. Aqui nos EUA é uma sucessão de más notícias, com jornais fechando, ameaçando fechar ou em regime de concordata. Como disse acidamente o comediante Stephen Colbert:

"Onde será impresso o obituário da indústria de jornais?"

Quem está ameaçando o futuro dos jornais? O primeiro suspeito é sempre a internet, o jornalismo online que é oferecido de graça o tempo todo e já chega às telas de 60 milhões de brasileiros.

Será mesmo só a internet a culpada pela debacle inexorável da imprensa de papel em nosso país? Há controvérsias...

Ao comentar este emblemático Caso Folha-Dilma, em que o jornal de maior circulação do Brasil se afunda cada vez mais ao tentar justificar uma inacreditável "reportagem" publicada no dia 5 de abril, o leitor Antonio Lúcio Rodrigues de Assiz escreve hoje no site Comunique-se:

"São essas práticas que ameaçam o futuro do jornalismo. Não são as novas tecnologias(...)"

Na própria Folha, uma solitária carta de leitor trata hoje do tema que o jornal gostaria certamente de esquecer. Escreve para o jornal Valmir de Costa, de Curitiba, Paraná:

"Em relação à reportagem `Autenticidade de ficha de Dilma não é provada´(Brasil, 25/4), a certa altura o texto diz que `o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome `Arquivo de SP, quando era originalmente de e-mail enviado à repórter por uma fonte´.

Errado. O erro não é técnico, é ético. O texto tinha visivelmente a intenção de manchar a imagem de Dilma, qualificando-a como terrorista. Isso é erro técnico? Onde?". 

Desde o começo, todo o enredo desta história em que a Folha se enreda, é um clássico do antijornalismo que daria um outro filme, talvez mais emocionante do que o "State Of Play" do Caio Blinder. Se não, vejamos:

* Como o próprio nome indica, a sede da Folha fica em São Paulo, onde vive o principal personagem da matéria, jornalista Antonio Roberto Espinosa, ex-comandante da Vanguarda Popular Revolucionária. Mas a entrevista com ele foi feita por telefone, num total de três horas, pela repórter Fernanda Odilla, da Sucursal de Brasília. Não sairia mais barato escalar um repórter da sede para entrevistá-lo? Ou mesmo pagar uma passagem para Odilla conversar com ele pessoalmente sobre assunto tão delicado? Pelo menos, o jornal não erraria na grafia do nome dele e na sua qualificação profissional.

* Baseada na entrevista com Espinosa, cujos termos depois ele desmentiu em carta ao jornal, que só publicou dela um breve resumo muitos dias depois, a Folha deu a manchete de capa: "Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim".

* Dilma, que também foi ouvida por telefone (não sei por que a Folha adora um telefone...), e teve uma entrevista de página inteira publicada na mesma edição, também mandou uma carta ao ombudsman, contestando o jornal:

"Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha por título de capa `Grupo de Dilma planejou sequestrou de Delfim´. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de `factóide´, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu".

* O grande "furo de reportagem" estampado na primeira página, sobre um sequestro que não houve, foi a reprodução de um documento com o carimbo "capturado", suposta ficha policial de Dilma que a repórter teria obtido no Dops paulista, em que ela é acusada dos mais variados crimes, para o jornal poder provar, como queria, sua condição de perigosa "terrorista", "assaltante" e "assassina".

* Dilma denunciou também na carta a falsidade deste documento e o jornal pediu um tempo para provar, mobilizando sua equipe de "reportagem", a autenticidade da dita cuja. Com sua habitual agilidade para apurar seus erros, a Folha publicaria 20 dias depois, no último sábado, sem chamada de capa, uma estranhíssima matéria sob o título "Autenticidade da ficha de Dilma não é provada". 

* Mais estranho ainda é que, desta vez, a matéria tem por procedência a Sucursal do Rio, e não a de Brasília, menos ainda a da sede, que, com sua competente equipe de repórter especiais, deveria estar mais do que interessada em esclarecer o caso.

* Sem conseguir provar a autenticidade da tal ficha policial, o jornal admite ter cometido dois erros. Só dois? Sim, a Folha reconhece que o documento não foi capturado nos arquivos do Dops, mas chegou à redação por e-mail, de fonte não revelada. Diz o jornal: "O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada _ bem como não pode ser descartada".

* Como assim? Em carta enviada ao ombudsman (e até hoje não publicada pelo jornal), no mesmo dia da publicação da segunda matéria, desmentindo a primeira, embora de forma bastante constrangida e enviezada, Antonio Roberto Espinosa vai direto ao ponto:

"A ficha citada, na verdade, foi produzida recentemente por quadros que, na época da ditadura, eram subalternos, faziam o trabalho sujo dos porões. Hoje já estão aposentados, mas se sentem como os heróis do regime de terror e preparam armadilhas com o objetivo de desestabilizar uma virtual candidatura presidencial da atual ministra Dilma. Eu e alguns amigos fizemos uma pesquisa amadora na internet e descobrimos que o primeiro a divulgar a ficha falsa, e seu provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o Ternuma, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o A verdade sufocada _ As histórias que a esquerda não quer contar, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões".

* Estas acusações contra Dilma pela internet, a que se refere Espinosa, circulam em forma de spam desde o ano passado, junto com aquela falsa ficha policial da primeira página da Folha e serve de base para os milhões de comentários anônimos com ofensas, agressões e acusações à ministra que infestam blogs e sites. Mas a culpa pelos erros da Folha não pode ser atribuída à internet: ninguém com um mínimo de responsabilidade publica este lixo sem checar a sua origem.

* No final da sua carta, Espinosa repete um desafio ao jornal, que bem poderia aceitá-lo para que os leitores possam tirar suas próprias conclusões:

"Da mesma forma que a repórter Fernanda Odilla, em resposta à minha carta, em 8/4/2009, agora a Sucursal do Rio também garante que a Folha dispõe das gravações de minhas entrevistas. Essas entrevistas por acaso são secretas? Constituem um segredo jornalístico, inexpugnável e à prova dos leitores? Por que a Folha insiste em dizer que tem, mas não publica as entrevistas? Eu já estou cansado de desafiar o jornal a fazê-lo. Na sua coluna de 12/4/2009, V.Sa. (o ombudsman) também informou ter sugerido à Redação que as publicasse, ainda que na Folhaonline, e reiterou sua sugestão. Além dos arquivos secretos da ditadura, temos agora também as entrevistas secretas da Folha de S. Paulo, que são uma arma da redação contra suas fontes, os leitores e a verdade?"  

   

  

 

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Faz tanto tempo, e tanta coisa aconteceu de lá para cá, que nem me lembrei de escrever no domingo sobre os 25 anos da derrota da Emenda Dante de Oliveira _ o nome de um então jovem deputado do Mato Grosso, que já morreu, como tantos outros líderes daquela memorável campanha das Diretas Já. 

Naquela madrugada trágica de 26 de abril de 1984, faltaram apenas 22 votos para que o Brasil voltasse a ter eleições diretas para presidente da República. Ninguém gosta de lembrar das derrotas, mas neste caso não dá para esquecer: foi lançada ali a semente da democracia em que hoje vivemos.

Ainda bem que guardei tudo escrito. Se fosse depender da minha fraca memória, estaria perdido. Ao me lembrar do fato só hoje, bastou ir até a estante e pegar meu livro "Explode Um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas" (Editora Brasiliense, 1984).

Lançado apenas alguns dias após aquela triste madrugada, pelo editor Caio Graco Prado, meu velho e bom amigo também já falecido, no saguão da Folha, com a presença dos líderes do movimento _ entre eles, o velho Ulysses Guimarães, o maior de todos da épica jornada _ o único exemplar que achei tem uma dedicatória para Carolina, minha filha caçula, hoje roteirista de cinema.

Daria um filme aquilo que aconteceu 25 anos atrás no plenário do Congresso Nacional, hoje tão vilipendiado justamente por aqueles que elegemos para nos representar na jovem democracia duramente conquistada.

Por isso, é bom lembrar o que aconteceu um quarto de século atrás para que todos possam dar mais valor ao regime de plenas liberdades públicas em que hoje vivemos _ e lutem para preservá-lo.

À página 123 do livro, lê-se o texto originalmente publicado na edição do dia 27 de abril de 1984 da Folha de S. Paulo, o jornal para o qual trabalhava na época e fiz a cobertura de toda a campanha:

Galerias explodem

e não deixam a luta terminar

Alguns deputados choravam, outros se prostravam em silêncio. Ao ser anunciado o resultado da votação da Emenda Dante de Oliveira, pouco depois das duas horas da manhã de ontem, a grande festa que todo o povo brasileiro esperava corria o risco de se transformar num imenso velório.

Mais uma vez, porém, este povo reagiu. Em vez de ficarem lamentando os 22 votos que faltaram para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, os homens e as mulheres que lotavam as galerias bradaram seu grito de guerra: "um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil". 

As mesmas galerias que se comportaram como se estivessem no parlamento britânico, durante as 17 horas de discussão e votação da Emenda, agora explodiam sua revolta. De repente, os políticos pareciam estar novamente nas fantásticas mobilizações que nos últimos cinco meses sacudiram o gigante adormecido.

"O povo, unido, jamais será vencido". "O povo quer votar, diretas já".  "A luta continua" _ esta gente não aceitava a derrota que uma covarde minoria de parlamentares lhe acabara de impor. Os refrões da grande cruzada democrática voltavam a ecoar no Congresso Nacional e ganhavam um novo grito de guerra: "O povo não esquece, acabou o PDS".

[ PDS era a sigla herdeira da Arena, o partido criado pelos militares, então liderado por José Sarney, mais tarde presidente da República e hoje presidente do Senado. Parlamentares que integravam o PDS naquela época estão hoje espalhados por vários partidos, em sua maioria no DEM ].

Sem banda, nem regente, lá vinham eles de novo, cantando o Hino Nacional. Lá embaixo, no plenário, os parlamentares também se deram as mãos, braços erguidos, e se refazia a corrente, todos cantando juntos. As tropas do general Newton Cruz, o "Nini" [ então comandante militar do Planalto, que colocou o Exército nas ruas de Brasília], haviam conseguido o que queriam: a rejeição da emenda das diretas que todos queriam.

Mas ainda não era o bastante. Vários parlamentares, tendo à frente os deputados Airton Soares (PT-SP) e João Hermann Neto (PMDB-SP) tiveram de participar de intermináveis negociações com os homens do general "Nini" para permitir que cerca de mil pessoas, sem sua maioria jovens, pudessem ir embora sem maiores riscos, já que tropas continuavam acantonadas na Esplanada dos Ministérios.

Afinal, foi feito um acordo e, junto com os parlamentares, eles começaram a subir pela contramão da Esplanada. Dali a pouco, veio uma contra-ordem do general e eles tiveram de mudar de rumo. Mais adiante, o cortejo foi novamente barrado. Quer dizer, a certa altura, não podiam mais ir em  frente, nem para trás, nem para os lados.

Aí as tropas do general "Nini", já que estavam ali mesmo, resolveram jogar algumas bombas de gás lacrimogêneo e atiçar seus cães em cima dos inimigos vencidos.

Uma hora depois, os dois esbaforridos parlamentares conseguiram chegar ao restaurante Piantela, o mais badalado de Brasília, onde outros notáveis da sociedade civil refaziam-se das agruras da longa  jornada. O alarido era o mesmo de outros dias e, se algum forasteiro menos atento baixasse ali naquele momento, teria a impressão de que a emenda das diretas havia sido aprovada.

Só uma mulher, a atriz Christiane Torloni, musa das diretas, dava bandeira de que havia chorado _ e não foi pouco. "Eu aguentei até chegar perto do Ulysses. Aí não aguentei mais, dei um abraço no velho e chorei que nem criança". Não só ela: Gílson de Barros, um deputado do PMDB de Mato Grosso, dois metros de altura por quase isso de largura, conhecido como o "Hulk" da Câmara", desabou num choro sentido. Nem se pode dizer que fosse choro de tristreza. Era choro de quem tem vergonha na cara, algo que jamais poderia acontecer com os parlamentares do PDS que fugiram da votação.

Se o Brasil chorava de vergonha, na mais sombria madrugada de que consigo me lembrar, um homem se regozijava: claro, ele, o general Newton Cruz, que , às três e meia da madrugada mandou a tropa se perfilar diante do Ministério do Exército, onde funciona seu QG do Comando Militar do Planalto. Depois de cumprimentar os rapazes pelo belo trabalho, ordenou seis "hip-hip-hurra!" para festejar a vitória.

Outros foram mais discretos. Calim Eid e Heitor de Aquino, os marechais malufistas na guerra antidiretas, limitaram-se a acender charutos e a gozar em generosas baforadas a humilhação do povo brasileiro. Pleno de satisfação, o malufista Edson Lobão, vice-líder do PDS [ hoje ministro de Minas e Energia do governo Lula], foi mais discreto ainda: assim que o sistema de som do Congresso anunciou o resultado, ele, que fugira do plenário na hora da votação, deixou seu gabinete e escafedeu-se lampeiro pelos subterrâneos do parlamento, a caminho da glória.

Para que a humilhação fosse compelta, os "Nini" e seus braços políticos não tinham limites. Na mesma noite em que o Congresso se preparava para decidir sobre os destinos do povo brasileiro, a PM de Brasília, subordinada ao general Newton Cruz para executar as medidas de emergência, invadia uma escola na cidade-satélite de Taguatinga, o Centro Educacional Ave Branca.

Alguns alunos haviam vaiado duas viaturas da PM, gritando refrões pelas diretas. Foi o que bastou para que 60 homens da tropa de choque avançassem sobre professores e estudantes, empunhando cassetetes de madeira, chutando e batendo. Outra vitória das tropas de emergência: vários feridos, dois estudantes presos, mulheres grávidas desmaiadas.

O inimigo, quer dizer, o povo, não desistia. Ainda se ouviam buzinas tocando quando o dia amanheceu em Brasília, como a anunciar que uma derrota não significa silêncio. Mesmo sem a rendição incondicional dos inimigos, o general de divisão Newton Araújo de Oliveira e Cruz, comandante do CMP e executor das medidas de emergência, mandava anunciar ao povo brasileiro, por meio de uma resolução (nº 02/ME/84) e um comunicado (nº 05/ME/84), que, como os objetivos foram atingidos, os inimigos poderiam relaxar um pouco.

A resolução suspendia a censura nas telecomunicações _ instaurada para impedir que todo o país soubesse, ao vivo, quais eram seus traidores _ e o comunicado informava que foram liberados os 35 presos, suspenso o controle dos acessos à Universidade de Brasília e retirados os bloqueios nas entradas da cidade.

O inimigo Dante de Oliveira, aquele que deu nome à emenda vitoriosa e rejeitada, no entanto, não se rendia. "A rejeição da Emenda e o fim da sessão do Congresso só fizeram mostrar a desmoralização total do governo e do seu partido", repetia ele, ontem à tarde, no Congresso, mais disposto do que nunca a prosseguir na luta.

Perto dele, a deputada e atriz Beth Mendes (PT-S), que, de manhã, chorava ao ler o editorial da primeira página da Folha _ "Cai a Emenda, não nós" _ procurava animar quem encontrasse pela frente. "Ontem, foi fogo segurar aquela barra. Mas, hoje, já está tudo bem de novo. Nós não perdemos, nós ganhamos, você vai ver". 

De fato, nem as nuvens escuras e a chuva do fim de tarde em Brasília, depois destes dias de sol, foram capazes de apagar a chama. Num apartamento da W-3, ainda resistia, apesar de tudo, uma faixa em que se podia ler, simplesmente: BRASIL. 

Em tempo:

Leitores deste Balaio me surpreendem, positivamente, a cada dia.

Neste domingo, às 19:48, foi a vez do leitor Gilberto José Muniz (aqui eles dão nome e sobrenome), 60 anos, que enviou um comovente relato sobre o que é possível fazer para sairmos deste baixo astral, tema do blog no fim de semana.

Muniz conta como criou por conta própria uma biblioteca comunitária em Campo Grande, no Rio de Janeiro, que começou com 200 livros tirados da sua estante e hoje, com a ajuda de muita gente, já conta com mais de 60 mil obras.

Vale a pena ler o depoimento dele na área de comentários do post "Caso Maria Júlia: o que podemos fazer?".  

Em tempo 2:

Mal acabei de escrever (não confudam com escrever mal, por favor...) o post acima, fui liberar os comentários e encontrei um texto primoroso do estudante Alvaro Castro (11:03), da Universidade FUMEC, de Belo Horizonte.

"Tive que fazer um trabalho de faculdade para combater este texto", escreveu-me ele, referindo-se a um post do Balaio de dias atrás _ "Por que tanta gente quer ser jornalista?"

O jovem contesta ponto por ponto meu texto, com bons argumentos e um texto de tirar o chapéu, tanto na forma como no conteúdo.

E não é que ele tem razão em muitas coisas que escreveu? Por isso, recomendo a quem se interessar pelo assunto que leia o comentário de Álvaro Castro.

Estes leitores do Balaio estão ficando cada dia melhores... 

Em tempo 3:

Por falar em bons leitores, estou devendo há dias uma satisfação a um dos mais antigos deste Balaio, o Simei de Almeida, do Acre, que ultimamente anda meio sumido.

Ele se queixou que, ao falar pelos lugares por onde o Balaio passou nestes sete meses no ar, esqueci de mencionar no Acre. Fiz apenas de memória referência a algumas regiões do Brasil de onde enviei textos para o blog, mas não me lembro de ter passado pelo Acre neste período. O Brasil é muito grande...

Em todo caso, aproveito para reiterar ao Simei e a todos os amigos de lá que considero Rio Branco uma das cidades mais bonitas e bem cuidadas do país, como já escrevi várias vezes em diferentes sítios e publicações. 

 

     

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O Corinthians acabou me prestando um grande favor ao eliminar o São Paulo do Paulistão no domingo passado. Com meu time desclassificado, pude tranquilamente ir com a família ver a apresentação dos Trovadores Mirins, no auditório da Livraria da Vila, no Shopping Cidade Jardim, que eu ainda não conhecia.

Enquanto meus amigos corintianos colocavam a mão na taça, ao meter 3 a 1 no Santos em plena Vila Belmiro, assisti ao belíssimo e comovente espetáculo deste grupo de crianças e adolescentes de 4 a 16 anos dirigido por Lucila Novaes, competente cantora e regente.

Formado há três anos pelos Trovadores Urbanos, seresteiros que já estão faz muito tempo na estrada,  os Mirins vestidos a caráter, em roupas de época como seus inspiradores, cantaram durante uma hora, só com Lucila ao piano, algumas das mais belas canções da música popular brasileira.

De Braguinha a Roberto Carlos, de Edu Lobo a Milton Nascimento, deu para esquecer da vida durante uma hora, com uma platéia encantada, que lotou o auditório e entrou no ritmo batendo palmas.

Gente de pé e sentada no chão foi premiada com cantigas de roda e clássicos da nossa música, enquanto do lado de fora alguns pais iam conferir no celular a quantas andava o primeiro jogo da decisão do Paulistão.

Fico muito agradecido ao casal Vanira e Audálio Dantas, nossos velhos amigos, que nos mandaram o convite e, ao final, estavam felizes como mãe de miss ao receber os cumprimentos pela apresentação da sua filha caçula, a querida Mariana, uma das estrelas do grupo dos Trovadores Mirins.

O São Paulo ficou de fora da grande festa das finais, mas eu ganhei esta tarde de domingo, ao descobrir que tem tem muita coisa para se curtir nesta cidade fora do futebol e longe da política.

Para quem quiser entrar com contato com os seresteiros dos Trovadores Urbanos adultos ou Mirins:

www.trovadoresurbanos.com.br

Em tempo

Por falar em boa arte, que pintura o segundo gol do Ronaldo! Com um leve toque de mestre, deixou o zagueiro do Santos na saudade, procurando a bola e, com a precisão de um campeão de bilhar, bateu por cobertura no ângulo esquerdo de Fábio Costa, que ficou apenas olhando.

Só consegui ver a metade final do segundo tempo, mas com Felipe pegando tudo no gol e Ronaldo voltando a ser Fenômeno, ninguém tira este título do Corinthians.

Coisas da vida: acabou de ser campeão da Segunda Divisão do Brasileirão e já está a um passo de ser novamente campeão paulista da Primeira Divisão...

  

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Diante da farra de deputados e senadores com o dinheiro público e a dificuldade encontrada pelos mais pobres para se inscrever nos programas de financiamento da casa própria (o Caso Maria Júlia, ver mais abaixo), muitos leitores do Balaio perguntaram-se nos últimos dias o que cada um pode fazer para mudar esta situação.

Este é o fato novo de uma semana dominada pelo baixo astral, com a baixaria protagonizada por dois ministros do STF e tudo, em meio à enxurrada de comentários indignados com o que acontece em nosso país.

Não dá para ficarmos o resto da vida, os leitores e eu, apenas constatando e criticando os desmandos dos parlamentares. É preciso encontrar uma saída, e não é fechando o Congresso Nacional, como muitos pregam, que iremos aprimorar a democracia brasileira e muito menos melhorar a vida de quem não tem onde morar.

Em seguida ao levantamento dos assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja, que publico todos os domingos, falo da proposta do jovem leitor Giuliano de Matos, que propõe uma campanha de ação positiva para quebrar este clima de fim de feira das instituições, que só gera desalento e desesperança.

Os números:

Balaio

Congresso: 357

Gesto de nobreza: 77

Ciclos da vida: 73

Folha

Abusos no Congresso: 319

Bate-boca no STF: 104

Governo Lula: 38

Veja

Michel Temer: 66

Farra aérea dos políticos: 38

MST: 25

A crescente necessidade dos leitores da velha mídia de papel e da nova mídia eletrônica de participarem das discussões, e não apenas consumirem passivamente o prato feito das informações divulgadas, já está provocando mudanças nos veículos.

Neste domingo, por exemplo, diante do grande número de mensagens recebidas, a Folha já abriu mais meia página no primeiro caderno para publicar cartas de leitores, em sua maioria tratando da "Revolta contra o Congresso".

Nenhuma delas, curiosamente, trata do desmentido publicado na edição de sábado sobre as acusações feitas semanas atrás pela Folha contra a ministra Dilma Roussef, baseadas em documento falso que circulava pela internet e numa entrevista contestada pelo principal personagem da "denúncia". Mas já é um avanço.

No Balaio, onde os leitores só não têm seus comentários publicados quando contêm ofensas, acusações e denúncias sem provas, o analista de sistemas Giuliano de Matos, que trabalha com informática e e está preparando seu TCC na Pós-Graduação em Gestão Pública, escreveu:

"Realmente, não podemos só ficar reclamando. Pensando no assunto, e no pouco que posso fazer (sei que esse pouco, multiplicado por muitas pessoas, pode virar um muito), tentei bolar uma idéia para fazer algo que, mesmo que pareça pouco, mostre um pequeno resultado a curto prazo".

Giuliano propõe: "Ao invés de só reclamar, vamos conclamar os balaieiros, ainda que poucos, a tomar uma ação, mesmo que pequena, e descrever esta ação aqui no Balaio. Coloquemos um prazo: 31 de maio. Neste dia, contaríamos o que cada um conseguiu fazer".

Para quem quiser participar, Giuliano sugere que os leitores enviem ao blog suas iniciativas para gerar alguma ação positiva: "Plantar uma árvore, doar remédios em um hospital, doar sangue, ajudar alguém que precise".

Outro leitor, F.B., que prefere ficar anônimo, já tinha feito isso durante a semana, o que motivou Giuliano a pensar na sua campanha da ação positiva.

Ao ler o relato do leitor Everaldo Alencar, de Aparecida de Goiânia, mostrando as dificuldades da faxineira Maria Júlia, viúva de um pedreiro, em se inscrever no programa "Minha Casa, Minha vida", recentemente lançado pelo governo federal, no mesmo dia ele tomou a decisão de doar um terreno de sua propriedade, de 360 metros quadrados, onde poderão ser construídas quatro moradias populares.

Enviei o texto sobre Maria Júlia para o presidente Lula e a ministra Dilma Roussef e no dia seguinte o chefe de gabinete da PR, Gilberto Carvalho, me informou que o governo federal já está tomando providências para sanar o problema denunciado por Alencar.

Só assim, se cada cidadão, o conjunto da sociedade civil, os nossos representantes nos parlamentos e os governos cumprirem a sua parte, em lugar de ficarmos só uns xingando e colocando culpas nos outros, poderemos sair deste marasmo cada vez mais sufocante de vermos a cada semana sempre o mesmo filme de horror.

Uma coisa não elimina a outra: devemos continuar denunciando e cobrando, sim, mas se cada um fizer alguma coisa como propõe o Giuliano, ao menos vamos ter alguma esperança novamente.

É como ele diz: "Tudo isso que a gente vê acaba desanimando mesmo, até o mais otimista dos brasileiros! Mas vamos em frente, amanhã vai ser melhor do que hoje!".

Está lançada a campanha. Participem!

Em tempo:

Brilhante a capa da revista Veja desta semana. Resume o que penso. Sob uma caixa de descarga com uma urna eletrônica grudada nela e uma cordinha pendendo ao lado, o texto:

"Puxe para se livrar deles. A falta de honestidade, pudor, decoro, compostura e espírito público desmoraliza o Congresso. Só o voto pode banir os maus políticos sem ameaçar a democracia".

Eu acrescentaria: o voto e a participação de todos nós na vida política do país _ não apenas no dia das eleições, mas permanentemente.

E a internet é hoje o mais democrático instrumento que temos para tornar isto possível, sem precisar de passagem de avião (epa!opa!) para irmos a Brasília dizer o que pensamos sobre o que eles estão fazendo.

Repito o apelo feito ao final do meu texto acima: participem!

Em tempo 2:

Esta semana muitos leitores mais antigos do Balaio contaram que estavam enviando pela primeira vez seus comentários. Isto é muito bom.

Lembrei-me disso ao ler agora há pouco o comentário do leitor Robson de Oliveira (11h59) em que ele trata exatamente desta necessidade de participar das discussões:

"Eu sei, Ricardo, que muitos leitores e leitoras vêm aqui, mas não se manifestam. Não apresentam seus argumentos. Talvez por medo ou vergonha (...)

Por isso, meus amigos leitores, que ainda não se manifestam, venham participar com a gente aqui. Escreva alguma coisa... não precisa ter vergonha".

                

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