Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana:

Balaio

Eleições 2010 (Quércia com Serra): 312

Um jornalista qualquer: 164

Trânsito: 158

Folha

Eleições: 49

Futebol: 42

Violência: 29

Veja (não publica números)

Reservas indígenas

Tradutor do Google

Estádios para a  Copa 2014

***

"Soltem J.! Esta menina só precisa de carinho", foi o título do post de ontem no Balaio sobre o drama da adolescente de 15 anos presa esta semana como sequestradora, depois que seu pai devolveu o bebê que ela havia levado de uma maternidade, quatro meses após sofrer um aborto.

Menos de 24 horas depois, abro o jornal de domingo e leio esta bela notícia: o plantão judiciário do Tribunal de Justiça mandou soltar J., a menina que estava detida na Fundação Casa, o novo nome da Febem.

Por decisão liminar do desembargador Pedro Menin, acolhendo pedido de habeas corpus da Defensoria Pública, J. poderá agora aguardar seu julgamento em liberdade.

Menin decidiu que "não havia requisitos para manter a jovem recolhida provisoriamente e que o pai da menina havia contribuído com a Justiça ao levá-la para depor na Vara da Infância e na delegacia", segundo a notícia publicada na Folha.

Faço minhas as palavras do desembargador que, ao contrário do promotor e do juiz que determinaram a prisão da menina, teve sensibilidade para julgar um caso que foge à rotina da fria aplicação das leis. Como escrevi aqui no sábado, em vez de cadeia J., precisa agora do amparo da família e de assistência médica para cuidar das sequelas do aborto.

Como podemos ver pelos comentários publicados, nem todos os leitores concordaram comigo, pois o assunto é mesmo polêmico, não consta dos manuais jurídicos. Chamou-me a atenção, no entanto, o alto nível das manifestações dos leitores, assim como aconteceu ao longo da semana, em que procurei falar de outros assuntos além da campanha eleitoral e do futebol, que sempre despertam mais emoções do que argumentos.

Para um repórter, é sempre bom poder contar uma história com final feliz. J., afinal, vai poder passar o Dia das Mães em sua casa, assim como o recém-nascido que ela havia levado da maternidade, vestindo-se de enfermeira, para fingir que era seu filho.

Bom domingo e boa semana a todos.

Em tempo: viajo amanhã cedo para fazer uma série de reportagens para a revista Brasileiros sobre o Novo Nordeste, que deve sair na edição de junho. Por isso, a atualização e a moderação de comentários no Balaio estarão prejudicados. Volto no dia 21 de maio.

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"Minha filha não é delinquente. É uma criança. Não pesou em nada ter devolvido a menina. O juiz nem me ouviu. Disse que era um sequestro e levou a minha filha".

O desabafo do aposentado Carlos Alberto Marques Monteiro, de 57 anos, pai de J., a menina de 15 anos que sequestrou um bebê  recém-nascido esta semana, depois de ter sofrido um aborto há quatro meses, resume a impotência e o inconformismo do cidadão comum diante da nossa Justiça.

Justiça? Foi o próprio pai, um homem de bem, quem avisou a polícia e devolveu a criança quando ela apareceu em casa dizendo que o bebê era dela. Agora, Carlos Alberto se sente responsável pela filha estar presa na Fundação Casa, o novo nome da famigerada Febem, sem poder lhe dar o carinho e a assistência médica de que ela tanto necessita.

J. estava grávida de cinco meses quando perdeu o bebê, mas, inconformada, continuou se vestindo como grávida e até deu um chá de bebê na semana passada, como conta a brilhante repórter Laura Capriglione em matéria publicada pela Folha.

Na terça-feira, ela apareceu vestida como auxiliar de enfermagem no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e levou a recém-nascida Isadora Fernanda do quarto da mãe, a ajudante de costureira Luana Aparecida Pereira, de 26 anos.

O sofrimento de Luana durou poucas horas, seu bebê logo lhe foi devolvido graças a Carlos Alberto,  mas o drama de J. pode durar o resto da vida.

Com febre alta, infecção e hemorragia uterina, em consequência do aborto, sem ter recebido qualquer atendimento médico, a menina de 15 anos foi jogada atrás dos muros da antiga Febem junto com outros menores infratores por ordem do juiz Caio Ferraz de Camargo Lopasso, da 4ª Vara Especial da Infância e da Juventude de São Paulo, atendendo a um pedido do promotor Oswaldo Monteiro da Silva Neto.

Como simples cidadão, pai e avô de meninas, velho repórter que não se especializou em leis e códigos, mas também não perdeu a capacidade de se colocar no lugar dos outros para imaginar o que está sentindo agora o pai de J., faço um apelo ao juiz e ao promotor para que revejam sua decisão. Pela lei, J. pode continuar presa por até 45 dias, até o julgamento definitivo do processo.

Soltem J.! Ela precisa apenas ficar ao lado da família para poder se tratar e recuperar deste trauma. Basta conhecer sua história para ver que ela não representa nenhum perigo à sociedade, ao contrário da procuradora Vera Lúcia Gomes, acusada de torturar uma criança de dois anos, no Rio de Janeiro, que continua solta.

Por ironia do destino e dos caminhos da nossa Justiça, na mesma página onde li a reportagem sobre J., o jornal informa que a procuradora foi presa e solta em seguida, na segunda-feira, em Búzios, porque ainda não havia ordem de prisão contra ela. E até hoje, agora com a prisão decretada, Vera Lúcia continua foragida.

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A breve viagem que fiz esta semana a Curitiba e Rio de Janeiro para cumprir compromissos profissionais pode servir de consolo para os paulistanos à beira de um ataque de nervos com seu trânsito cada vez pior à beira de um colapso.

Nas duas cidades, enfrentei congestionamentos em diferentes horários e ouvi dos motoristas de táxi: "Isso aqui está ficando igual a São Paulo, cada dia pior...".

No Rio, levei duas horas no trajeto Galeão-Flamengo-Botafogo-Copacabana, tempo suficiente para conhecer toda a vida do taxista Jorge, um senhor de 71 anos, que agora começa a trabalhar às três da madrugada para fugir do trânsito.

Em Curitiba, cidade onde morei e trabalhei nos anos 1996 e 1997, os carros e os prédios se multiplicaram geometricamente, mas as ruas continuam as mesmas.

O desafio de quem viaja pelo Brasil, no entanto, não está só nas ruas cada vez mais intransitáveis das grandes cidades. Também nos saguões e nos pátios dos aeroportos, o movimento crescente de passageiros deixa todo mundo nervoso, tanto em terra como no céu. Viraram rotina os congestionamentos no céu, aviões fazendo fila e dando voltas no ar à espera de uma brecha para pousar.

Com a retomada do crescimento econômico e o aumento da renda, cada vez mais gente pode comprar carros e passagens de avião, algo que seria para comemorar, claro, mas a impressão que fica é a de estarmos, ao mesmo tempo, chegando ao limite da nossa capacidade de nos locomovermos pelo país.

Por mais obras viárias que os prefeitos e os responsáveis pelo sistema aeroportuário planejem, e até façam, a conta nunca fecha. A demanda é sempre maior do que a oferta. Parece que o país ficou pequeno demais para os seus sonhos de grandeza, apertado entre os apelos do consumo e a realidade da nossa infraestrutura.

A vida em Curitiba era mais tranquila e agradável quando morei lá, e nem faz tanto tempo. O Rio continua lindo, mas cada vez mais sobra menos tempo para usufruir das suas belezas naturais e humanas. Desse jeito, o Brasil ainda vai acabar virando uma imensa São Paulo. Isso será bom?

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Publicado em 05/05/10 às 10h36

A morte no caminho de quem faz o bem

88 Comentários

Sem paciência para ver a ruindade do time do São Paulo, que não conseguia fazer um mísero golzinho mesmo jogando contra ninguém, ou seja, o Universitário, do Peru, pela Libertadores, achei melhor ficar aqui no laptop liberando comentários e fui dar uma navegada pelo noticiário dos portais.

No segundo tempo do jogo desta terça-feira à noite, pesquei uma noticinha perdida no Globo.com, que me interessou e mexeu mais comigo do que o joguinho de pernas de pau do Morumbi, sob o título: "Professora morre atropelada em Porto Alegre após ajudar deficiente visual a atravessar a rua".

PORTO ALEGRE _ Uma mulher morreu atropelada por um motoboy na tarde desta segunda-feira em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Maria Paula Amaral Leal ajudou um deficiente visual a atravessar a rua e, após, foi atingida pela motocicleta. A professora foi sepultada na tarde desta terça-feira no cemitério da Santa Casa.

Maria, de 43 anos, ajudava um deficiente visual a atravessar a Avenida Assis Brasil na faixa de segurança, nesta segunda-feira. Quando retornava ao outro lado da via, foi atingida pela motocicleta conduzida por Thomaz Aguiar Fará, de 23 anos. Ele foi atendido no Hospital Conceição e foi liberado.

A polícia aguarda resultado da perícia para definir indiciamento do motociclista. O diretor de trânsito da EPTC, Vanderlei Capellari, lembra que de janeiro até agora 12 pessoas morreram na capital vítimas de acidentes envolvendo motocicletas.

A pequena tragédia gaúcha, que certamente não sairá nas primeiras páginas dos jornais, me fez lembrar que ainda vivemos num país onde é perigoso até fazer o bem. Pode matar. Tenho dirigido pouco meu carro, mas nas raras vezes em que saio pela cidade noto o absoluto desrespeito dos motoristas pelos pedestres, mesmo quando eles caminham sobre a faixa de segurança.

Sempre que paro meu carro para deixar um pedestre atravessar a rua, fico com medo que outro motorista mais apressado corte por fora e o atropele. Em vez de ajudar, você pode provocar a morte de alguém sem querer.

Foi o que aconteceu com a professora Maria Paula. No caso, a vítima acabou sendo ela mesma. Não sei como é em Porto Alegre, mas aqui em São Paulo, a minha cidade, aumenta a cada dia o número de motociclistas no trânsito, cortando todas as faixas, sem respeitar quaisquer regras, xingando os motoristas e chutando a lataria dos carros, numa corrida ensandecida em que os acidentes se multiplicam.

Gostaria de saber mais sobre a vida desta professora, do deficiente visual e do motoboy envolvidos nesta tragédia para entender o que aconteceu, mas sei que a nossa imprensa hoje tem outras preocupações, às voltas com a campanha eleitoral, a Copa do Mundo, o atentado em Nova York, as chamadas notícias importantes.

Nem faz tanto tempo, os principais veículos de comunicação do país mantinham sucursais e correspondentes por todo  o país, que diariamente nos relatavam estes fatos da vida real. Escrevi muitas reportagens a partir destas pequenas notícias que chegavam à redação, vindas de bem longe dos gabinetes do poder. Isto acabou.

Por isso, me toquei tanto com a história da professora Maria Paula, uma cidadã comum, que não apenas passou pelo mundo, mas procurou ajudar a vida dos outros com o seu trabalho e, ao praticar seu gesto cidadão de gente do bem,  encontrou a morte no meio do caminho.

Em tempo: o jogo do São Paulo acabou no 0 a 0. Na disputa de penaltis, o goleiro Rogério Ceni, que perdeu um e defendeu dois, passou de vilão a herói em apenas três minutos, como já escreveu aqui no iG o amigo Milton Neves.  A vida tem destas coisas. Agora somos o primeiro time brasileiro classificado para as quartas de final da Libertadores _  o que, pelo jeito, só vai prolongar o sofrimento da torcida.

Em tempo 2: escrevi às pressas este texto porque viajo daqui a pouco para Curitiba, onde vou fazer uma palestra sobre "Liberdade de expressão e escolha". De lá ,vou para o Rio na quinta e só volto a São Paulo à noite. Por isso, vai ficar prejudicada a atualização do Balaio e a liberação de comentários. Nestas viagens, a gente não costuma ter tempo nem para ir ao banheiro...

Em tempo 3: ainda bem que dei a sorte de encontrar um exemplar do Zero Hora na banca do aeroporto para fazer justiça ao jornal gaúcho, que deu uma bela cobertura do caso da professora Maria Paula Amaral Leal. Destaque especial para a reportagem de Itamar Melo, que traçou o comovente perfil de uma mulher que dedicou sua vida à solidariedade. Meus cumprimentos ao repórter e ao jornal.

 

PORTO ALEGRE _

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Nos tempos do velho MDB, o único partido consentido de oposição no período da ditadura militar, depois rebatizado de PMDB, nos anos 80 do século passado, havia uma guerra entre Orestes Quércia e os seus demais líderes em São Paulo, a chamada "ala ética".

Com exceção de Ulysses Guimarães, que permaneceu fiel ao partido até o fim, foi por causa dos métodos pouco ortodoxos, digamos assim, de Quércia fazer política, que deixaram o partido Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, entre muitos outros, e fundaram o PSDB.

Pode-se afirmar, assim, que o partido dos tucanos nasceu em São Paulo por causa de Orestes Quércia _ e contra ele e o que representava. Vereador e prefeito de Campinas, no interior paulista, surpreendeu o país ao se eleger senador, derrotando o ex-governador Carvalho Pinto, que era considerado imbatível, na memorável vitória parlamentar do MDB em 1974.

Pois vem exatamente de Orestes Quércia a mais veemente defesa da candidatura de José Serra à presidência da República, em artigo publicado hoje na página 3 da Folha, com o título "Comparar Serra com Dilma é inevitável".

Nas voltas que a política dá, Quércia agora é um dissidente do PMDB nacional, que deve fechar nos próximos dias a aliança com o PT, indicando para vice de Dilma o deputado federal Michel Temer, presidente do partido.

Para que o PMDB paulista apoiasse Gilberto Kassab, do DEM, o candidato do então governador José Serra nas últimas eleições municipais, Orestes Quércia fechou um acordo pelo qual garantiria uma vaga na disputa para o Senado na chapa demo-tucana em 2010.

Acordo cumprido, agora ele faz a sua parte no confronto nacional entre PT e PSDB, depois de uma longa temporada dedicada apenas à política da província.

"É curioso como, na ânsia de ganhar a eleição e manter o padrão de vida conquistado, dirigentes e parlamentares do PT parecem se esquecer de que sua candidata se chama Dilma Rousseff", escreve Quércia, seguindo a palavra de ordem tucana de se evitar uma comparação entre os governos de FHC e Lula, como quer o atual presidente, jogando a disputa para uma comparação de biografias entre os candidatos.

Em termos de "manter o padrão de vida conquistado", certamente Quércia fala com conhecimento de causa, pois poucos como ele subiram na vida, dedicando-se à política, tão célere e abastadamente como ele.

Ao defender a experiência acumulada por Serra em diversos cargos e mandatos, ao contrário de Dilma, que disputa sua primeira eleição, Quércia se esquece que FHC e Lula também não foram eleitos para postos executivos antes de assumirem a Presidência da República.

"Mas querer que sua primeira experiência como mandatária popular seja a Presidência da República é um desacato ao Brasil", proclama, ao final do seu artigo, o empolgado novo aliado tucano.

Como assim? Desacato a quem, cara pálida?

Com apoios deste nível, a campanha de Serra pode logo, logo, ganhar mais problemas do que votos.

Em tempo: este Balaio foi indicado novamente para o premio Top Blog, na categoria política, que já ganhou no ano passado. Os leitores que quiserem participar encontram um selo do lado direito do blog para poder votar. Não se esqueçam de mim...

Em tempo 2: mais uma vitória da imprensa livre!, como diriam os jornalões.  Ao sair à rua na manhã desta terça-feira, não encontrei mais o buraco em frente ao meu prédio, tema do post de domingo anterior, 24/4, sobre a cidade abandonada. O buraco sobreviveu bravamente por quase 40 dias, apesar de ter ficado famoso numa foto publicada pela Vejinha. Agora só falta fechar todos os outros espalhados pela cidade.

Em tempo 3: só agora fui ver no ranking do Word Press que o post acima é o 500º publicado no Balaio, ou seja,  chegamos a 500 matérias jornalísticas em forma de comentários, notícias exclusivas, entrevistas e reportagens, desde setembro de 2008, que resultaram em 73.838 comentários dos leitores.  Nunca trabalhei tanto na minha vida, mas está valendo a pena. Vou acabar me viciando nisso por culpa de vocês... Valeu, balaieiros.

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O 18º título paulista conquistado pelo Santos neste domingo, com arte, garra e emoção, contra o valente Santo André do técnico Sergio Soares, não é apenas mais um troféu na galeria da Vila Belmiro. O time campeão passa para a história por ter trazido de volta aos nossos campos o melhor do futebol brasileiro _ a alegria de jogar bola, a beleza do drible, o toque de calcanhar, a irreverência, o improviso, a festa.

Um time que joga bonito e diverte a torcida pode ser campeão, sim, como nos provaram os meninos de Dorival Júnior, o técnico certo, na hora certa, no lugar certo para inaugurar uma nova era no clube e dar um alento a todas as outras torcidas.

Mesmo perdendo o último jogo por 3 a 2, para um adversário que se superou em campo, tendo três jogadores expulsos, o Santos do artilheiro Neymar viu se agigantar em campo a figura de Paulo Henrique Ganso, um jovem craque de apenas 20 anos, que mostrou a experiência e a grandeza de um Gerson ou um Didi no auge das suas carreiras.

Para mim, o momento decisivo da emocionante partida no Pacaembu foi quando, já quase no final, após a expulsão de Roberto Brum, Dorival Júnior resolveu substituir Ganso pelo zagueiro Bruno Aguiar para reforçar a defesa. O maestro do time, preocupado apenas em segurar a bola para não tomar mais gols do Santo André e morrer na praia, simplesmente se recusou a sair de campo.

O que poderia parecer um gesto de indisciplina para os burocratas que comandam a maioria dos nossos times, foi um ato de superação emblemático de um atleta que consegue aliar o talento ao caráter.

Poucos minutos depois, com a bola que o Santo André ainda chutou na trave, ficou provado mais uma vez que, para ser campeão, um time também tem que ter sorte, por melhor que seja sua campanha ao longo de todo o campeonato. Se aquela bola entra, derrubando o time que marcou cem gols este ano, teríamos que aguentar novamente os dungueiros do futebol de resultados a proclamar a superioridade dos times cheios de volantes que maltratam a bola.

Para quem teve a alegria de ver jogar o Santos de Pelé e Coutinho, quase meio século atrás, e dá mais valor à beleza da arte do que à força física, este time de Neymar e Paulo Henrique Ganso, que o Paulistão revelou ao mundo, renova nossas esperanças no futuro do futebol brasileiro, eternamente o melhor do mundo.

Se os dois não forem convocados por Dunga para a Copa do Mundo que começa daqui a 40 dias na África do Sul, o técnico teimoso terá cometido a maior injustiça contra o nosso futebol. É pior do que tirar bala da boca de criança _ as crianças, no caso, somos todos nós, que não vemos o futebol como uma guerra, mas como uma grande diversão.

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Os assuntos mais comentados pelos leitores na última semana:

Balaio

Eleições 2010: 666

Lula e o 1º Maio (exclusivo): 269

Cidade esburacada: 102

Folha

Eleições: 38

Violência: 33

Dilma: 32

Veja (não publica números)

O paciente terminal e a ética médica

Kátia Abreu

Condecoração de Marisa e companheiras

***

O leitor Ruy Garcia escreveu um comentário às 17:32, na última quinta-feira, dia 29, em que diz:

"Você publicou um texto em seu Balaio sobre o início da campanha eleitoral, constatando que José Serra largou na frente de Dilma Rousseff. Se você fosse um repórter qualquer, de um jornal ou revista qualquer, nada a objetar. Como você mesmo diz, não dá para brigar com os fatos, pelo menos aqueles que você constata. Acontece que na minha modestíssima opinião, você não é um repórter qualquer".  

Para chegar a esta conclusão, o leitor faz referências _ de resto, públicas e notórias _ à minha participação em campanhas eleitorais do presidente Lula e como funcionário do seu governo. Pois me permito discordar do Ruy Garcia e de tantos outros leitores que esta semana mandaram comentários ao Balaio, criticando o texto em que faço um balanço do primeiro mês da campanha presidencial de 2010.

Garcia usa duas vezes o verbo "constatar" _ e é exatamente isso o que qualquer repórter deve fazer. Para mim, trata-se de um elogio, não de uma crítica _ é este o meu ofício: ver, ler, ouvir, analisar e, ao final, contar aos seus leitores o que está acontecendo, goste ou não dos fatos como eles são. O bom uso ou o mau uso que outros farão do que escrevi, uma vez publicado, não é problema meu, nada posso fazer. É como jogar uma folha de papel pela janela.

Sempre gostei de ser um repórter qualquer ao exercer o meu ofício pois aprendi a separar as minhas preferências e amizades pessoais dos dados da realidade _ menos na hora de discutir salários, claro, porque tenho uma longa história profissional que merece ser bem remunerada.

Meu único compromisso é ser fiel ao leitor, que é quem, em última instância, garante meu ganha pão. Vivo até hoje do que escrevo e dependo da confiança que os leitores _ de qualquer partido, time ou religião _ têm em mim. Não tenho outra fonte de renda fora o meu ofício de jornalista, desde que comecei na profissão, com 16 anos, 45 anos atrás.

Não vai ser agora, depois de velho, que mudarei minha conduta. Além do mais, acho uma grande bobagem esse negócio de imaginar que um blog ou uma coluna de jornal vai dar ou tirar votos de alguém, ajudar a eleger seu candidato preferido. Seria muita petulância. Por isso, não faço aqui campanha contra ou a favor de ninguém _ e não vou permitir que este espaço seja usado com fins eleitorais.

Muito menos admitirei que alguém coloque em dúvida minha honestidade profissional, insinuando que fatores externos possam influir em qualquer coisa que escreva aqui no Balaio, como fez o blogueiro Eduardo Guimarães, em comentário enviado às 11:59 de sábado, 1º de Maio:

"Kotscho, hoje, declara-se independente, mas trabalha para uma empresa de comunicação identificada com o grupo de empresas de mídia aliadas do PSDB. Se isso tem algo a ver com sua matéria favorável a Serra só o tempo dirá".

O tempo, não. Digo já eu mesmo. Em primeiro lugar, fique sabendo o Sr. Guimarães que eu não estou declarando hoje que sou independente, coisa nenhuma, nem preciso disso. Sempre fui, basta ver o conjunto do meu trabalho. Jamais admiti qualquer interferência no que publico, e disso são testemunhas todos os profissionais com quem já trabalhei.

Como jornalista profissional, o que não é o seu caso, é claro que sempre trabalhei em empresas de comunicação e não de laticínios, e não me preocupo em saber com quem se identificam ou não seus acionistas, desde que isso não inferfira no meu trabalho.

Posso assegurar ao blogueiro Eduardo Guimarães e aos demais leitores que aqui no iG esta liberdade é respeitada desde o primeiro dia _ e, no dia em que não for mais, farei como fiz em todas as outras empresas onde já trabalhei: peço as contas. Sou o único responsável pelo que publico.

Ninguém é obrigado a concordar com o que escrevo _ o espaço de comentários aqui do Balaio é absolutamente democrático, aberto a críticas, sabem todos vocês _, mas não aceito que qualquer um questione os meus princípios e as minhas intenções.

Posso não gostar do que vejo, mas não adianta xingar a paisagem, culpar o juiz ou o adversário. Isto não muda o resultado. Ao contrário do que me escreveram vários leitores, não acho que estejamos numa guerra e que os adversários numa disputa eleitoral sejam nossos inimigos, que vale tudo para derrotá-los.

O inimigo do bom jornalismo é a mentira, a manipulação ou a omissão de fatos, como temos visto amiúde na atual campanha. O compromisso de um jornalista qualquer é com a realidade factual, qualquer que seja o seu lado.

Os números do Balaio no Google

Pela primeira vez, desde que este blog entrou no ar, em setembro de 2008, recebi os números de audiência do Balaio, graças à ajuda da minha amiga Clarissa Meyer, editora do site "Papo de Mãe", e dos meus colegas da informática do iG.

Nem sei se são bons ou ruins estes números, não entendo muito destas coisas, mas eu fiquei feliz com o resultado alcançado desde  12 de novembro de 2009, quando o Balaio foi cadastrado pelo iG num programa de aferição de audiência do Google.

Daquele dia, até 28 de abril deste ano, em menos de seis meses, portanto, o blog foi visitado por 443.843 leitores. Como muitos deles acessaram mais de uma vez, o Google contabilizou 754.262 acessos, originados de 127 países/territórios diferentes.

Que beleza! Pelo jeito, está dando certo minha determinação de fazer deste Balaio a cada dia um espaço jornalístico melhor _ sempre que se possível, com informações exclusivas e antecipando tendências _, e não um armazem de secos e molhados. Muito obrigado, meus caros leitores, pela audiência e pela paciência.

Errei

No comentário que escrevi sobre os bons resultados alcançados pelos dungueiros na Superquarta do futebol, fui injusto ao incluir no futebol de resultados o time do Atlético Mineiro, como me alertaram vários leitores e amigos que viram o belíssimo jogo contra o Santos, em que o Galo de Luxemburgo ganhou por 3 a 2. Falha minha. Peço desculpas.

 

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Atualização às 19h05 de sábado, 1º de maio

Como o Balaio informou com exclusividade na quinta-feira, o presidente Lula participou neste sábado, ao lado da candidata Dilma Rousseff, de quatro festas do Dia do Trabalhador: de manhã, com a Fôrça Sindical, no Campo de Bagatelle; à tarde, com a CTB, UGT e NCST, na avenida Marquês de São Vicente e, agora à noite, com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no Largo da Matriz de São Bernardo do Campo. Entre uma festa e outra, ainda encontrou tempo para fazer uma visita aos jogadores do Corinthians no Parque São Jorge. 

***

"Sábado vou estar em quatro festas no Dia do Trabalhador", disse-me o presidente Lula, em rápida conversa que tivemos logo após o seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão na noite desta quinta-feira.

Ainda mais animado do que de costume, após a última reunião do dia, com um grupo de senadores, na sede provisória do governo no CCBB, mais de nove da noite, Lula me perguntou se tinha lido a matéria da revista Time que o incluiu entre os 25 líderes mais influentes do mundo.

Sim, eu já tinha visto, respondi-lhe, como se fosse algo natural, que não chegou a ser uma surpresa para ninguém. Para ele, porém, notei que foi uma notícia muito gratificante, um reconhecimento da revista mais importante do mundo, bem no dia em que faria um balanço dos seus mais de sete anos de governo, já em tom de despedida.  

Não seria o velho Lula se, ao final, não fizesse uma brincadeira com ele mesmo sobre o tamanho do próprio ego, como nos tempos em que comemorava pequenas conquistas salariais, quando era apenas o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista. Lembrei-lhe que, ao chegar em casa, dona Marisa certamente o faria logo colocar de novo os pés no chão.

Mais do que os números que recitou sobre a melhoria do emprego e da renda no país, em seu último pronunciamento de 1º de Maio como presidente da República, foi a sua cara feliz e confiante de sujeito de bem com a vida, satisfeito com os rumos do país, que melhor resumiu o que pensa e sente Lula ao final de dois mandatos.

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Lamento muito, caros amigos amantes do futebol espetáculo, como eu. Mas a Superquarta, no Brasil e no mundo, acabou dando razão ao Dunga e seu futebol de resultados. Basta ver os resultados...

O fabuloso Barcelona de Messi foi eliminado pela muralha do Inter de Milão dos dungueiros Júlio Cesar, Maicon e Lúcio.

Nosso Santos, do maestro Dorival Júnior e seu futebol maravilha, caiu diante do Atlético Mineiro do Luxemburgo velho de guerra, o mesmo que deixou Neymar e Ganso fora do time da Vila Belmiro no ano passado.

Mesmo sem técnico e com um jogador a menos, o burocrático Flamengo em crise derrotou as centenárias estrelas do Corinthians de Mano Menezes.

Do meu São Paulo, que virou café com leite, eu nem gostaria de falar, mas é inegável que este time de Ricardo Gomes, que mais parece uma cansada repartição pública, acabou conseguindo um bom resultado, ao empatar sem gols, jogando fora de casa e com um a menos, contra o Universitário de Lima.

O insubstituível Richarlyson, aquele que sempre sai em defesa do técnico e ataca os colegas, completamente descontrolado desde o início do jogo, mais uma vez foi expulso, com direito a chilique e vexame na hora de sair de campo agarrado por Gomes. Até quando?

Pois é, meus amigos, ao final desta Superquarta, saíram ganhando o José Mourinho, da Inter, o Luxemburgo do Atlético, o interino do Flamengo, o Ricardo Gomes do São Paulo, técnicos que, como Dunga, estão mais preocupados em garantir seus empregos do que em oferecer um bom espetáculo. Perde o futebol, ganham os negócios.

E o que preferem os torcedores destes times? Deixo aqui a pergunta porque há controvérsias sobre este assunto. Tem muita gente que conheço que fica feliz quando seu time ganha com a ajuda do juiz, marcando um gol de mão no último minuto, depois de quebrar a perna do melhor jogador adversário...

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Publicado em 28/04/10 às 11h55

Campanha de Serra começa na frente

584 Comentários

Caros leitores,

aos que não gostaram do texto abaixo e me criticaram duramente nos comentários, repito o que já escrevi aqui várias vezes: como repórter, posso brigar com todo mundo, menos com os fatos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Um breve balanço sobre as andanças dos dois principais candidatos neste primeiro mês de campanha presidencial nas ruas mostra o tucano José Serra na frente da petista Dilma Rousseff, não apenas nas pesquisas, mas nas estratégias adotadas por seus partidos.

As marés, neste momento, são opostas. Enquanto a de Serra sobe, no embalo de entrevistas bem planejadas e breves viagens para gravar cenas de campanha, Dilma começou sua campanha solo em maré baixa, com tropeços verbais, agenda errática, problemas na coordenação inchada e o mau uso da estrutura de internet, que mais atrapalha do que ajuda.

Na versão 2010, o ex-governador paulista aparece mais sorridente e sereno, evitando bater de frente com a popularidade do presidente Lula, que continua em alta. Para agradar às platéias, faz qualquer coisa. Na contra-mão da sua pregação em defesa de um "Estado musculoso, mas enxuto", já prometeu a criação de dois novos ministérios, um para a segurança pública, outro para portadores de deficiência. Parece disposto a fazer concessões para assumir um perfil mais popular.

Do outro lado, Dilma ainda não conseguiu se livrar do figurino e da linguagem de tecnocrata, pouco à vontade no papel de candidata. Ninguém muda assim de um dia para outro, é claro, mas o seu comando de campanha também não ajuda a lhe facilitar a vida.

Até agora, a candidata do governo mais perdeu do que ganhou nas viagens e eventos dos quais tem participado. Ainda nesta terça-feira, ao participar de um encontro com mulheres de caminhoneiros em congresso de transportadores de carga, em Brasília, entrou em mais uma bola dividida.

O encontro foi promovido pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, uma dissidência da Associação Brasil Caminhoneiro, que, em represália, prometeu distribuir adesivos da "Fora Dilma" aos seus 800 mil associados.

Em toda a mídia, ainda repercute a obra de jerico da sua equipe de internet, que colocou uma foto de Norma Bengell entre outras duas da candidata, para mostrar sua participação nas lutas contra a ditadura, imaginando que ninguém fosse perceber. Depois, em vez de pedir desculpas pela mancada e sair de fininho, o responsável ainda acusou a imprensa de "interpretar a montagem equivocadamente".

Se é fato que a maior parte dos editores e colunistas da grande mídia não mostra muita simpatia pela sua candidatura, ao contrário do que acontece com José Serra, este deveria ser mais um motivo para Dilma não dar a cara a tapa, tomar mais cuidado em cada passo da campanha, planejar melhor a sua agenda.

Sem divisões internas nos partidos aliados a lhe tolher os passos, como aconteceu em 2002, agora Serra pode fazer uma campanha mais profissional, seguindo a orientação do seu marqueteiro Luiz Gonzalez, que ganhou autonomia e é quem comanda tudo, ao contrário do que acontece na campanha de Dilma. Paula Santamaria, a onipresente assessora do candidato, cuida da área de imprensa com muita competência.

João Santana, o marqueteiro do PT, teve seu papel reduzido a produtor dos programas de televisão no horário político que começa em agosto. O comando da comunicação foi entregue ao deputado estadual e jornalista Rui Falcão(PT-SP), que está montando uma superestrutura em Brasília e São Paulo, com dezenas de profissionais renomados já contratados nas diferentes áreas.

O comando político da campanha, por sua vez, está dividido entre o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, o ex-prefeito mineiro Fernando Pimentel, e os deputados federais paulistas Antonio Palocci e José Eduardo Cardoso, que nem sempre falam a mesma língua. A questão dos palanques estaduais, por exemplo, está cada vez mais confusa, com o presidente Lula tendo que intervir a toda hora, o que dificulta a montagem de uma agenda favorável para a candidata.

A campanha está só começando, todos sabemos, mas o que começa certo tem mais chances de dar certo no fim do que aquilo que começa errado, já nos ensinava o conselheiro Acácio.

Dilma agora sai de cena por dois dias para gravar imagens de um "roteiro sentimental" da sua vida, que Santana pretende utilizar nos programas de teelvisão. Quem sabe, o comando da campanha aproveita esta trégua sem agendas públicas da candidata para colocar ordem na casa. Ainda é tempo, mas o tempo não costuma perdoar a quem não o respeita.

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