Eita semana boa aqui no Balaio! Até que enfim, falamos pouco de política e muito da vida real, desta grande aventura humana que nos renova o ânimo e a esperança a cada dia.

Depois do belíssimo depoimento que me foi enviado pelo Gilberto Carvalho sobre a sua batalha para a adoção de duas novas filhas, recebo de outro velho amigo, Luiz Augusto Michelazzo, o popular Mic, repórter das antigas, um saboroso texto sobre as suas andanças pela França no Ano do Brasil.

Lá de Altinópolis, no interior paulista, onde vive hoje, depois de ter passado a vida trabalhando em grandes redações, ele nos manda um relato que eu gostaria de ter escrito, bem diferente daqueles textos burocráticos dos suplementos de turismo.

Além do prazer de ler um texto bem escrito, Mic nos dá uma aula de geografia, história, literatura, guerras e conquistas do Velho Mundo. É um daqueles repórteres em extinção que ainda gostam de beber e comer, e depois contam tudo pra gente nos mínimos detalhes.

Faz sete anos que não vou à Europa a passeio. O Mic fez o favor de me levar  para lá novamente sem ter que gastar nada e, por isso, quero neste sábado dividir com os leitores o prazer que senti ao ler uma reportagem escrita com alma e bom humor como ele tão bem sabe fazer.

O texto é meio longo, como costuma acontecer com os velhos repórteres, mas vale a pena ir até o final, viajando nas venturas e desventuras do casal Mic e Anita pela França e arredores. Divirtam-se.

 PARIS AINDA É UMA FESTA
 
 
 

                                                                       Altinópolis, julho de 2009

 

Aí, gente fina, tô de volta.

 

Pois é, Paris ainda é uma festa. Mas acho que não avisaram o pitbull uniformizado do Aeroporto Charles De Gaulle, que 2009 é o Ano do Brasil na França, que parece tão bonitinho na TV.

 

Com passaportes e as passagens de volta nas mãos – meus e da Anita – , mais os seguros-saúde e a reserva no Hotel Moufettard, louco para mostrar serviço e nos deportar, o policial ladrava atrás da cabine de vidro:

– T’a l’argent??? T’a l’argent???, t’a l’argent???”. (cê tem dinhêro, tem dinhêro???)

– Tenho...um pouco. Cartão de crédito também.

 

Humilhado, toca a procurar os euros entocados no esconderijo da bolsa, com ele rosnando atrás do vidro, inibindo meu francês que já não é grande coisa quando tudo vai bem. Atrás de nós, uns 30 passageiros do mesmo avião da TAM já haviam sido barrados no baile e seriam deportados. Os jornais depois confirmariam.

 

 Mostrei os euros e quando ele latiu pelos cartões de crédito, chega um intérprete oficial da polícia, mulato, gordinho, carioca e simpático.

 

– Por favor, diga ao cara aí que todo o exigido para entrar na Europa já está na mão dele. Ah, pergunta também se, a bordo dos meus 62 anos, paletó e gravata, cabelo branco, quatro livros -- que ninguém leu, mas que deram um trabalho do cão -- e dois netos, se já não estou um pouco velho para lavar pratos e desentupir privada na em Paris?

 

O cara perguntou rindo pro pitbull, ipsis litteris. Aí acho que caiu a ficha. Meio desconcertado o policial ignorou os cartões de crédito. Resmungou qualquer coisa como:

 

– Alors, grrrr, bien, bein, grrr, au-au, bien venue à la France. Lê prochain!!! Lê prochain!!! Merde...

 

– Porra, que recepção! – protestou a Anita, primeira vez na França – irada, claro. E eu arrasado. Mas filosofei que já havia passado por coisa pior nos Estados Unidos – meia hora de interrogatório – e que não seria um babaca desses, incapaz de diferenciar abobrinha envaselinada do supositório que o médico lhe receitou, que abalaria meu amor pela França.

 

E tampouco minha gratidão ideológica a esse povo gentil e valente, que acolheu os perseguidos pela ditadura brasileira e que, a poder de ferro, fogo e guilhotina varreu a escória aristocrática da face da Europa. Da face da Terra. Acabou com a patifaria do “sou nobre pela graça de Deus, vai passado a grana”.

 

Mas pensei com amargura nos deportados. Aí, não sei porque cargas d’água, me veio à mente o narigão enorme do marido da Carla Bruni, no poder que esses  fenômenos midiáticos detêm e nas palavras de François Mitterand, então com câncer, já perto da morte:

 

– Sou o último político da França. Depois de mim virão só contadores, tecnocratas... (e comediantes, emendo eu, com um olho na França, outro na Itália).

 

À noite, quentinho na cama do hotel, a Tigra dormindo, custei esquecer os rostos dos deportados e seus sonhos jogados no lixo. Pensar que de meados do Século 19 até 1920 a Europa – Itália, Alemanha, Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Suíça, Hungria, Polônia – expulsou 41 milhões dos seus filhos mais pobres, que emigraram principalmente para Estados Unidos, Brasil, Argentina, Uruguai. Está na enciclopédia, verbete “imigração”.

 

A festa continua

Mas, maridos de cantoras e pittbulls à parte, vive la France! Afinal, como dizem os corintianos, depois que passa a cabeça, o resto é só alegria. E ai de quem falar mal dos franceses, que francês é grosso, é isso e aquilo. Eles são meio esporrentos, é verdade, mas principalmente entre eles. Saem dos carros para discutir. Mas, fomos tratados com cortesia e até carinhosamente.

 

Quer ver? Experimente pedir informação às doces velhinhas parisienses. Seus olhinhos brilham protetores e em seguida elas nos adotam. Se as perninhas cansadas permitirem, nos levam até onde perguntamos. Nos seis dias que perambulamos por Paris e nos outros 10 em que rodamos 2.500 km num Renault Clio alugado, pelo interior da França – além de Suíça e Itália –, fomos tratados com liberdade, igualdade e fraternidade.

 

E Paris continua uma festa, mesmo. Em que pese a multidão de turistas e a praga dos automóveis, que empesteia o mundo, do Nepal a Altinópolis...

 

O gosto dos outros (e nosso)

 

A Rue Moufettard, onde ficamos, perto da Sorbonne, Pantheon, Jardim Botânico, é uma graça. Estreitíssima – foi estrada romana–, tem pouquíssimo trânsito e um restaurante colado ao outro, gente moça, mulher bonita para todo lado.

 

E dá-lhe comida boa! Não sei se as coisas estão caras por lá ou nossa moeda que é fraca. Mas os parisienses estão assustados com a crise – desemprego em massa – e, parece, baixaram um pouco os preços. Mas para nós tudo é caro. Dez merréis deles são 30 paus nossos.

 

Ainda assim vale a pena jantar num bistrô gostoso, saborear saladas maravilhosas – ou suas cremosas sopas, pois que o tempo estava bem frio – e depois deliciar olhos, bocas e almas com confit de canard (pato conservado na banha de porco, assado com pimenta e mel, mostarda e zimbro), boeuf à la bourguignone, codorna ao vinho, cassoulet de fruit da mer (frutos do mar cozidos no creme de leite e nadando num fundido de queijo), tarteflette (gratinado de bacon, batatas, cebolas, que, fritos, são cobertos de queijo reblochon, crocante por cima e derretido por dentro).

 

De entupir as artérias, rezando e pedindo mais! E por aí vai, com vitelas, quiches, carneiros e frangos,  tartes, coelhos e peixes, terrines. Impossível listar, que a cozinha dos caras é vasta e para apreciar tem de cair de joelhos, abrir a boca e esquecer o bolso.

 

E que dizer dos doces, tortas, cremes? E o creme brûlé? Creme de leite, gemas, açúcar, favas de baunilha, gelados, com crosta de açúcar mascavo queimada a maçarico? E os pães, baguetes, brioches, carolinas, sorvetes, crepes e madeleines? Sai de baixo! E tudo regado a vinho nacional. U-lá-lá!

 

Gauche na vida

 

Andamos Paris a pé, deixando o táxi para a volta. Fui mapear in loco lugares e marcas do avanço do homem na sua luta pela razão e contra todo tipo de sagrado. Pisei com meus pezinhos cansados a praça da Concórdia, onde Luiz XVI literalmente perdeu a cabeça.

 

E depois sua mulher, a rainha austríaca Marie Antoinette, seguida dos barões lampiões, dos condes juões, dos duques hurros, além de condessas, baronetes, criados puxa-sacos, militares, simpatizantes. E foi lá, também que rolaram as cabeças de Danton, Desmoulins, Robespierre, que Marat já havia sido esfaqueado na banheira. Eu ali, gritando no meio da choldra e, zaaaaap!!!, vendo a lâmina do Dr. Guillotin trabalhar.

 

Fui ao túmulo de Marat, no Pantheon, onde estão Rousseau, Voltaire, Mirabeu e figurões mais modernos como Victor Hugo, Zola, Dreyfus, Jouret, Louis Braille, Marie Courie, e heróis da resistência anti-nazista como Jean Moulin (que uniu os grupos da Resistência e morreu na tortura) e André Malraux.

 

Estivemos nas ruínas da Bastilha e no cemitério de Père Lachaise, passeando pelas tumbas de Jim Morrison e Oscar Wilde – onde mulheres deixam suas boquinhas de batom carimbadas na pedra.

 

Respeitosamente, contemplamos o muro – ainda furado de balaços – onde os communards de 1871 foram fuzilados. Havia flores ao pé do muro e duas bandeirinhas vermelhas da Association des Amis de la Commune de Paris 1871, com a inscrição “Vive la Commune!”

– Viva!

 

Nesse pedaço dedicado à esquerda no Père Lachaise, há dezenas de memoriais às vítimas do nazismo – fuziladas em toda França com as bênçãos e ajuda dos traidores de Vichy – ou deportados para os campos de concentração da Alemanha, Áustria, Polônia. Comovente o túmulo dos irmãos Guy e Serge Mouquet.

 

Guy, preso como refém pelos alemães, foi fuzilado em 1941 aos 17 anos, com 50 outros reféns, em represália ao assassinato do tenente-coronel Karl Hotz, comandante em Nantes. Três anos depois foi a vez de Serge, em 19 de abril de 1944, aos 12 anos e meio de idade. Os retratinhos das duas crianças – o mais novo de gravata – tornam ainda mais trágica a bestialidade das suas mortes precoces.

 

Cerca de 600 mil pessoas foram deportadas da França para campos de trabalho forçado na Alemanha. Mais de 60 mil morreram e 50 mil desapareceram. Dos que resistiram à ocupação nazista, 15 mil foram fuzilados, enforcados ou decapitados pelos alemães e o governo francês de Vichy.

 

Com a derrota nazista, vários colaboracionistas foram condenados à morte e fuzilados. O marechal Petain, traidor chefe, foi condenado à morte em 1945, mas teve sua pena comutada em prisão perpétua na Ilha de Yeu, onde morreu em 1951, aos 95 anos. Em 1942 François Darlan, chefe de governo de Vichy, foi assassinado em Argel, com dois tiros, pelo partisan Fernand Bonnier de La Chapelle, de 20 anos – também fuzilado em seguida. Pierre Laval, sucessor de Darlan, foi fuzilado em 1945 pelo governo francês, De Gaulle à testa.

 

César, queijo e heresia

 

Nos seis dias em Paris zanzamos também pelos manjadíssimos pontos turísticos que a Tigra não conhecia, compramos perfumes para os filhos e, cansados de multidões urbanísticas, alugamos um Renault Clio com moderníssimo motor diesel (quase 23 km por litro!!!, andando a 80 km/h, banguela nas descidas) e rodamos mais 10 dias pelo interior.

 

A primeira parada foi em Langres, próxima às nascentes dos rios Sena e Marne, cidade murada, da época dos romanos. César andou por ali – falou das suas flores campestres no livro De bello Galico, ou A guerra na Gália – e elogiou o vinho da região.

 

Pudera, por acaso é a região de Champagne de onde sai o único espumante que pode ostentar a marca. Há um queijo mole, o Langres, feito ali, divino. Aliás, cada região francesa tem seu queijo. De leite de vaca, cabra, ovelha, chegam a mais de mil os tipos de queijo na França (nóis aqui temo o “minero”, o de “quaio” e tá muito bão...).

 

A cidadezinha é linda. Totalmente remurada na Idade Média, está para a França como San Gimignano está para a Itália. Foi ali que nasceu o enciclopedista e iluminista Denis Diderot – cuja obra A Religiosa contava as bandalheiras da Igreja – que foi várias vezes em cana pelos seus artigos, romances, peças de teatro e filosofia. Ali está também uma das catedrais góticas mais lindas que já vi.

 

Também cometemos em Langres a heresia de pedir o prato de queijos antes da entrada – para comer com pão e muito vinho nacional (para depois sair cambaleando pela noite fria, beatificados). Francês come queijo – salgado, claro – como sobremesa.

– Ora faça-me o favor! – reprovou a Tigra.

Cometemos essa heresia em toda França, apesar de uns raros olhares tortos e outros de aprovação.

 

Suspiros com chocolate

Sempre em homenagem a três das maiores invenções do gênero humano – pão, queijo e vinho, ou vinho, pão e queijo – e, como na Europa tudo é perto, resolvemos comer queijo suíço na Suíça.

Mais propriamente em Gruyères, onde os caras fabricam um tal de Gruyère, ora veja! Passamos a noite em Les Verrières, já Suíça, onde, num novissimo hotel de beira de estrada, pilotado por um casalzinho de portugueses, comemos um legítimo bacalhau do Porto, nadando no azeite de oliva e nevado de alho frito. Para regar, muito vinho francês.

Nas ruas e encostas, tudo cheio de gelo e neve, frio de matar, apesar da primavera. Outra vez, um amparando o outro, saímos a cambalear noturnamente pela aldeazinha dorminhoca, os pés fuic-fuic, esmagando o gelo no chão, que dormir com pança cheia daquele jeito não ia dar. 

 

Gruyères, além do queijo de mesmo nome e chocolate com passaporte suíço, tem um castelo lindo, cravado em paisagem de cartão postal. Na cidadela do castelo compramos suspiros assados num forno feito em 1890, ainda na ativa.

 

Sempre fugindo de multidão e cidade grande (todas iguais), passamos a noite num hotelzinho em Montbovon, à beira da estrada e da ferrovia. Sábado, véspera da Páscoa, tive uma briga tremenda com a Tigra na hora de traçar o mais legítimo dos  fundues já garfados na nossa bem levada vida.

 

Quase dá divórcio: ela queria tinto e eu do branco. Conselheiro matrimonial inato, o garção – que é ainda barman, camareiro, cozinheiro, porteiro, motorista, filho do dono e psicólogo – sugeriu meia garrafa de cada.

– É muito, mas vá lá, o que sobrar joga fora.

 

No ritual do enfia-o-pão-no-garfinho-mergulha-no-queijo-e-comme, bebemos as duas e depois mais meia. O casamento estava salvo.

 

Furando a pedra

 

Deixamos Montbovon e aceleramos para Montblanc, cortando a montanha pelos túneis de Grand St. Bernard a St. Pierre – ligando a Suíça à Itália – com 5.850 metros (18,70 euros, quase 60 paus).

 

Aberto do lado, ele substituiu a antiga estrada do Passo de São Bernardo (funciona de junho a setembro), ao pé da qual o santo construiu um mosteiro e hospital em 1050, treinando os tais cães São Bernardo com a barriquinha de conhaque na coleira, que socorrem soterrados na neve.

 

Outro túnel foi o Mont Blanc, entre Chamonix, na França e Courmayeur, na Itália, com seus 11,6 km de extensão. Foi lá que em 99 explodiu um caminhão, provocando 53 horas de incêndio, 39 mortos, 36 veículos queimados.

 

Reformado, hoje tem toda segurança – distância mínima de 150 metros entre os carros, túnel de fuga, porta corta fogo etc, etc. Custa  33,20 euros, só de ida, quase 100 paus. Perto dali está o túnel ferroviário de Simplon, construído no começo do Século XX, com seus 19.803 metros.

 

Já na Itália, tocamos para Aosta, para matar a saudade da boa terra, ouvir um pouco a língua dos avós e traçar presunto cru, tagliatelli ao funghi, capeletti com molho de queijo e vinho nacional, claro.

 

Henriques e Catarina

 

Voltamos para a França para dormir em Saint-Genix-sur-Guiers, outra joiazinha medieval, linda e cheia de história. Joana D’Arc combateu por ali. A próxima parada foi Vienne, onde há ruínas do templo que Augusto construiu para Lívia, sua mulher, certamente com o dinheiro dos gauleses.

 

Bem em frente ao templo, um simpático café ao sol, pilotado por duas belas irmãs portuguesas, esperava por nós, com bate-papo, cortesias e beijinhos de adeus. O próximo e exausto pernoite foi em Thiers, cidade famosa pela sua cutelaria – produz espadas e facas desde a idade média.

 

Na manhã do dia seguinte, estávamos em Chenonceaux para ver um dos mais bonitos castelos da França. Lá viveu a italiana Catarina de Médicis – a mulher de Henrique II e que ensinou os franceses a comer, com seus cozinheiros italianos. Foi rainha da França, mãe de três reis e ficou na história como mentora  do massacre de protestantes na Noite de São Bartolomeu, 1572.

 

A Rainha Margô também enfeitou a paisagem ali em Chenonceaux; Margarida de Valois, filha de Catarina, casou-se com Henrique Rei de Navarra, que depois foi Henrique IV da França. Restaurado, o castelo expõe mobiliário completo – deviam ser todos baixinhos, já que portas, quartos e camas são minúsculos.

 

Até as panelas nas cozinhas que os caras usaram estão à mostra. Ficamos num hotel perto do Castelo, lindo, com cozinha estrelada pelo Guia Michelin. O tourraine, vinho regional é divinamente aveludado, casando bem com nosso herético prato de queijos, pernil de cordeiro e filé mal passado com pimenta verde.

 

E dá-lhe andanças noturno-cambaleantes numa noite deliciosamente fria, para ajeitar a comilança no pandulho e preparar o sono. Tinha lareira no quarto!

Ali, no Vale do rio Loire, estão centenas de castelos que os Henriques, Luízes, Felipes e outros endinheirados construíram às margens do rio– à custa do suor da tigrada, claro.

 

A região é belíssima. No caminho, dormimos em Saumur – igualmente ponteada de castelos de contos de fadas – uma das cidades mais bonitas e vivas em que estivemos. Seu famoso vinho branco frisante é feito como ensinou Don Perignon, do mesmo modo que o frade o fazia em Champagne. Mas como não pode usar o nome, custa metade da grana.

 

Saumur tem uma escola de equitação centenária, onde abriga um museu de carros blindados – que não fomos ver. Mas vimos moradias trogloditas cavadas na rocha a partir de cavernas, algumas das quais, hoje com água luz e telefone, ainda são usadas como lojas e depósitos de vinho.

 

Ronaldo e bruxas

 

Nessas alturas do campeonato já estávamos tomando a direção de Paris. No caminho visitamos o castelo de Chinon, onde em 1429 ( Brasil ainda dormia coberto) Joana D’Arc reconheceu o delfim – disfarçado de criado – que seria o futuro rei da França. Carlos VII montou para ela um exército para lutar contra os ingleses (Guerra dos Sem Anus, como diria aquela dançarina baiana).

 

Carlos, mais tarde, por razões de estado e medo de concorrência, ajudaria a assar a pobre Joaninha na fogueira da Igreja Católica, torrada por bruxaria (ouvia vozes). Pouco mais tarde, por razões sacro-estatais, a Igreja reabilitaria a bruxa. Santificada, já que morreu de fogo, passaria a santa protetora dos bêbados ribeirãopretanos, – como afirmavam os paus d’água da minha juventude...

 

Às margens do Rio Vienne, Chinon é lindamente velha. Suas ruas antigas parecem cenário de filme da Idade Média.

O último castelo do nosso caminho foi o de Chambord, que ficou mal afamado pelo casamento do Ronaldinho com a intelectual Cicarelli. Duração total do evento: 15 minutos, mas de vida conjugal, não o casamento, que demorou dois dias, segundo Caras.

 

Super empetecado de torres e parangolés, a orgia arquitetônica de Chambord lembrou-me o delírio de poder dos Papas expresso na Basílica de San Pietro, em Roma. Cada Papa querendo ser mais best que o anterior, inventou um treco para construir, um santo a esculpir, um troço para entulhar dentro da basílica, com resultado estético grotesco.

 

A imensidão de Chambord – 1.800 pedreiros trabalharam nele – impressiona e faz calcular quanto roubo e gordura foram arrancados do couro alheio para erguer aquelas pedras e manter a casa de campo de Franciscos, Henriques, Felipes, Luízes, dentre outras gentes ditas bonitas.

 

Enquanto isso a tigrada roia o osso e digeria a raiva, silenciosamente. Eu ali olhando Chambord, pensando nos gols do Ronaldinho, nos 700 anos de gestação da Revolução Francesa, no ódio cevado pela elite sacana e no Zaaaapppp! (barulho da lâmina do Dr. Guillotin no pescoço dos malacos).

 Desole majestê, mas zaaapppp pra vosmicê! Allonsanfans de la patrieiêêê, lê jour de gloire est’arrivê... Dá sempre nisso.

 

Dali para o aeroporto Charles De Gaulle foi um tirinho, descontado um engarrafamento monstro no anel viário de Paris. Ambulâncias, carros de bombeiros, policiais varavam uivando.

– Fecha os olhos, vai ter gente moída no asfalto.

Que nada!  Um só carro quebrado, como na 23 de Maio, e os privilégios perfurantes dos que têm sirenes. Como aqui.

 

Tirando a revista minuciosa e rigorosíssima para entrar no avião – tive de tirar cinta, sapato, passar no Raio-X, detetor de metais, só faltou detetor de mentiras – policial algum encheu mais o saco. Acho que não estavam preocupados que deixássemos a França do Ano do Brasil na França.

 

Mas, veja você, essa chatice eu aprovo numa boa. Porque, se tem pente fino em aeroporto, é sinal que psicopata algum vai explodir aquela merda no ar, comigo dentro.

 

A volta teria sido até boa, não fosse o vinho da TAM, que me deixou cego de dor de cabeça. Da Argentina, que também tem bons vinhos, escolheram o pior.

Mas depois que a cabeça passa, é só alegria. Então, vive la France. E viva você, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!

Beijos do

Mic e Anita                                                                

 

 

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"As crianças chegaram! Já estão em casa", contou-me no começo desta semana o amigo Gilberto Carvalho, feliz da vida porque finalmente tinha conseguido concretizar o grande sonho dele e de sua mulher, a Flor: adotar uma criança.

Uma não, foram logo duas, de 6 e 4 anos. Depois de dois anos de batalha nas Varas da Família, enfrentando toda espécie de burocracias e dificuldades, o casal estava comemorando naquela noite a chegada das crianças.

Chefe do Gabinete Pessoal do presidente Lula desde o primeiro dia de governo, o baixinho Gil, que quase foi padre e já era pai de três filhos adultos do seu primeiro casamento, é uma dessas figuras raras que sempre encontram tempo para ajudar os outros, mesmo sendo o primeiro funcionário a chegar e o último a sair do Palácio do Planalto todos os dias.

Minha mulher e eu acompanhamos a luta deles para adotar uma criança desde o começo, porque era sempre este o assunto quando encontrávamos o casal Gil e Flor, nossos velhos amigos. Por isso, também ficamos muito contentes com o final feliz desta história, que pode servir de estímulo e inspiração a outros casais para fazer o mesmo.

Para contar a história toda como foi, nada melhor do que o próprio Gilberto Carvalho, que gentilmente me enviou o comovente relato publicado abaixo:

"Então, Ricardo, vamos lá:

Como você sabe, tenho três filhos do primeiro casamento _ a mais velha, Myriam, tem 29 anos, o Samuel, 26, e o Gabriel, 22. Sempre digo que os filhos foram o que deu mais certo na minha vida, uma relação muito intensa, que tem sido fonte de alegria e energia para minha vida.

Mesmo com a separação, a relação seguiu muito forte. Quando encontrei a Flor, disse a ela que minha paternidade estava realizada, que havia feito inclusive vasectomia... Ela, de sua parte, que não tinha tido filhos, disse que não estava nos seus planos a maternidade.

Com a estabilização de nossa relação, e depois de um trabalho terapêutico, a Flor falou da possibilidade da adoção. No início, falei brincando que eu me preparava mais para ser avô e não pai...

Mas logo concordei que era um direito dela experimentar a maternidade e pensei que Deus tem sido tão misericordioso conosco e comigo em particular que jamais poderia me negar a um gesto de tentar fazer feliz um "serzinho" humano...

Assim, em abril de 2007 demos início ao processo na Vara da Infância e da Juventude de Brasília. No perfil desejado, colocamos que gostaríamos de adotar preferencialmente uma menina de 0 a 3 anos.
Depois do processo de entrevista, participação em palestras, visitas à nossa casa, recebemos em outubro daquele ano a sentença do juiz, que nos habilitava para a adoção e nos inscrevia no cadastro de pretendentes qualificados. A partir daí, a longa espera...

Durante este processo, várias oportunidades se ofereceram para a gente "furar a fila". Mas tínhamos compreensão de que não poderíamos ir por esse caminho. Nas poucas vezes que decidimos examinar estas possibilidades sempre vimos que era complicado e que o melhor era aguardar.

Muita gente telefonava, informava que em tal lugar era mais fácil; que em tal cidade havia um casalzinho de irmãos disponíveis para adoção; em outra cidade, outra criança. Mas nunca as coisas se concretizavam efetivamente, até porque não aceitávamos ir por caminhos paralelos. E tudo isso provocava sempre um desgaste emocional pesado.

Ocorre que o processo de adoção é muito burocratizado no nosso país. Felizmente, o Presidente Lula sanciona na próxima segunda-feira, dia 3, a nova lei da adoção que simplifica muito esse processo.
Há um agravante: como as Varas da Infância têm em geral poucos funcionários, elas não conseguem montar uma "rede de captação" de crianças disponíveis. Então, em cada hospital ou clínica se cria uma rede informal, que entrega diretamente as crianças a pessoas interessadas, que, em seguida, legalizam a adoção. Por esta razão, a fila do cadastro anda muito devagar.

Além disso, o processo de retirada do pátrio poder dos pais biológicos é muito lento. E aí ocorre um fato perverso: a criança permanece, à espera do fim deste processo, durante muito tempo nos abrigos e orfanatos. Quanto mais ela cresce, mais diminui a chance de vir a ser adotada, uma vez que a imensa maioria dos casais que querem adotar desejam crianças pequenas, como era o nosso caso.

Foi conhecendo essa realidade e ajudando no processo de discussão da nova lei, que resolvemos ampliar o perfil de idade da criança que esperávamos e também a aceitar, se fosse o caso, uma dupla de irmãos.

Subjetivamente, a gente foi nesse tempo todo se preparando _ uma preparação espiritual, rezando e pedindo desde então pelo nosso futuro filho. Compusemos uma oração que rezamos muitas noites juntos e, ao mesmo tempo, preparando um quarto da casa com berço, decoração infantil, etc. O berço tivemos que doar agora porque as meninas que recebemos não cabem mais neste berço...

Mas, como a vida sempre reserva surpresas, minha filha que estava em Madri conheceu uma menina, a Fernanda, cujo irmão era juiz da infância em Santa Catarina, o Dr. Alexandre Rosa, uma ótima figura.
Falando com ele, conheci o Dr. Francisco de Oliveira, também de Santa Catarina, que é o responsável nacional pela área de adoção na AMB (Associação dos Magistrados do Brasil). Eles me puseram a par de todas as dificuldades que enfrentavam para a aprovação da nova lei e eu me interessei por ajudar.

Conseguimos agora esta vitória da aprovação da nova Lei de Adoção. Nas nossas conversas, um belo dia o Dr. Francisco nos fala de duas irmãs, de 4 e 6 anos, em Santa Catarina, cujo processo de liberação para adoção estava adiantado e nos pergunta se tínhamos interesse.
A primeira hipótese que ele havia nos apresentado era de uma família de cinco irmãos. Aí era demais para as nossas possibilidades... A gente manifestou interesse pelas irmãs e ele nos descreveu o histórico familiar.

Como em quase todos os casos, a história é muito triste: pai preso por tráfico, mãe que se prostituira. No dia 21 de julho, finalmente, ele nos avisa que as meninas estavam disponíveis. Largamos tudo e, já no dia 24, viajamos a Santa Catarina para conhecer as meninas.

O primeiro contato, ainda no abrigo, foi muito impactante. Elas nos encantaram à primeira vista... Mas ainda não podíamos dizer nada a elas. Tivemos uma reunião com a juíza, uma mulher extraordinária, corajosa, que toda semana almoça em um dos abrigos da comarca, mobiliza a comunidade e consegue dar um padrão admirável a esses abrigos.

Ela nos contou histórias incríveis e, ao mesmo tempo, histórias tristíssimas. Mas nos confortou e deu grande segurança para a gente ir em frente. Visitamos de novo as meninas no sábado. Elas já haviam desconfiado de tudo e começaram, mesmo no meio das outras crianças do abrigo, a nos chamar de pai e mãe...

É como você estender uma corda a alguém que está se afogando, Kotscho... Elas se agarram com toda força... Aliás, o que corta o coração é conversar com as outras crianças, que te pedem para que você as leve também, ou arranje uma família para elas... Dá vontade de carregar todas...

Na segunda-feira, às dez da manhã, fizemos a audiência formal e jamais vamos nos esquecer do momento em que, no final da audiência, nos trouxeram as duas, cada uma com uma mochilinha nas costas. Vieram direto para o nosso colo... A mais nova chorando, assustada com os cabelos ouriçados de uma das assessoras da juiza, achava que ela era uma bruxa....
De lá para cá, foi uma movimentação doida, carro, avião, a chegada em casa. O pessoal do gabinete havia preparado a nossa casa com cartazes de boas vindas e dois sacos de brinquedos e quinquilharias para as duas.

A excitação total pelo novo, a alegria indizível de duas meninas que te abraçam, te chamam de pai e mãe, bagunçam completamente a casa e "feito posseiras", tomam conta de seu coração...
Elas estão ótimas, muito carinhosas, com as birras próprias de criança, exercitando os limites, testando a gente... Sabemos que temos pela frente um grande e difícil caminho de reconstrução desses coraçõezinhos machucados.

Mas já posso dizer que elas estão nos fazendo um bem danado, talvez maior do que o bem que possamos lhes fazer....

É isso.

Kotscho, como te falei, é importante preservar a identidade das duas e a cidade de origem delas. O resto, fique à vontade.

Um forte abraço e obrigado por essa oportunidade,

Gil"

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Caros leitores,

este post foi atualizado às 17:40 para publicar ao final do texto uma bela crônica enviada ao Balaio pelo leitor Simei de Almeida, do Acre, que muitos de vocês já conhecem. Vejam lá, sob o título "Mundo bão, sô!".

Ufa! Ainda bem que julho está acabando. Juntou tudo neste mês de férias: muito frio com muita chuva, gripe suína, pessoas andando com máscaras cirúrgicas na 25 de Março, protestos dos passageiros de ônibus fretados, ruas alagadas, muita confusão, congestionamentos no trânsito...

Nesta época do ano, sempre gostei de ficar na cidade. Hitualmente  esvaziada de carros e gente, São Paulo ficava mais serena e habitável, o céu claro, o clima seco.

A grande metrópole nos convidava a fazer passeios por lugares aonde a gente não costuma andar, as filas desapareciam e dava até para ir sem tumulto ao cinema e ao teatro.

Mas, desta vez, foi melhor ficar em casa. Foi um mês para se esquecer. Não chovia tanto em julho desde 1943, quando eu nem tinha nascido... A cidade virou um inferno. 

Quando todo mundo voltar das férias com seus carros, deve ficar tudo pior ainda, sem que o problema dos ônibus fretados tenha sido resolvido, no vai e vem da Prefeitura demo-tucana, que primeiro decide, para depois ver como fica.

Vamos ter ainda mais carros circulando pela cidade em lugar dos ônibus proibidos, que atrapalhavam mesmo o trânsito em alguns pontos, mas ao menos eram uma alternativa ao transporte coletivo público, que todos sabemos caótico e insuficiente.

De uma hora para outra, sem planejamento e sem oferecer alternativas aos milhares de passageiros dos fretados, a Prefeitura resolveu simplesmente proibir estes ônibus de circular e estacionar.

Os congestionamentos e transtornos que eles causavam nas grandes avenidas foram apenas transferidos para ruas residenciais, os moradores reclamaram e a Prefeitura teve que voltar atrás.

Depois de mexer com a vida de muita gente, sem pensar nas consequências, agora acho que nem o prefeito Gilberto Kassab sabe o que vai acontecer na segunda-feira, quando São Paulo voltar à sua rotina, depois das férias de julho.

A única certeza é que na próxima sexta-feira, dia 7, entra em vigor a Lei Serra, que promete o banimento do fumo na cidade e a caça aos fumantes. Quem ficar nervoso no trânsito paulistano não vai mais nem poder parar no boteco e acender um cigarrinho. Qual será a próxima proibição? 

Para complicar ainda mais o cenário de agosto, a epidemia de gripe suína fez com que a maioria das escolas adiasse a volta às aulas por duas semanas, causando mais transtornos para milhões de famílias.

E a previsão do tempo para os próximos dias não é nada boa: continua instável, com temperaturas baixas e o céu nublado escurecendo às vezes no meio do dia, sujeito a chuvas e trovoadas.

Como trabalho em casa, não ando de ônibus fretado, nem tenho filhos em idade escolar, não há nada de pessoal neste desabafo. Uma das tarefas do repórter, com ou sem diploma, é justamente se colocar no lugar dos outros para registrar e contar o que seus leitores estão sentindo.

É bom, mas não é nada fácil ser paulistano. Se alguém tiver boas notícias das férias em outros lugares do país, pode mandar que eu agradeço _ até para melhorar o astral do Balaio cinzento como o tempo desta quinta-feira de fim de julho.

***

MUNDO BÃO, SÔ!

Neste mundo novo da internet, em que todo mundo é, ao mesmo tempo, emissor e receptor de informações, leitor e autor, autor e leitor, não importa a ordem, acontecem coisas fantásticas.

Mal coloquei no ar o post acima sobre a minha cidade, recebo uma belíssima crônica do nosso fiel leitor Simei de Almeida, lá do interior do Acre, em que ele fala das as diferentes vidas entre as grandes e as pequenas cidades.   

Simei é um cidadão brasileiro de 54 anos, ex-paulista de Ribeirão Preto e ex-metalúrgico, que mora há 25 anos foi para o Acre, onde exerce a atividade de micro empresário e micro pecuarista, além do ofício de escritor amador pelo prazer de escrever.

 

Conta ele: "Troquei a vida de progresso dos centros chamados civilizados, de ônibus lotados, de batida de relógios de ponto, por esta vida humilde aqui da Amazônia.

 

Aqui consegui, honestamente, certa independência econômica, formo no ano que vem um filho em Direito pela UFAC e tenho uma filha de 11 anos com deficiência física causada por uma lesão cerebral.

 

Aqui tenho plena convicção de que posso dar à menina melhor qualidade de vida. Ela está cursando a 5ª séria em escola normal. Não tenho curso superior, apenas o nível técnico.

 

Nem sempre sou a pessoa que demonstro ser nos debates calorosos de política e politicagens. Gosto de coisas muitas amenas. Acho que assim a gente vive melhor.

 

No Acre, conheci e vivi a política velha dos coronéis da política e estou vivendo a nova política de progresso deste estado, implantada pelo PT, por seu mentor aqui do Acre, o ex-governador Jorge Viana. Sou PTzinho e Lula do pé rachado e como defeito sou corithiano...".

 

Para entrar no blog de Simei:

http://www.somosdaselva.blogspot.com

 

 

 

Abaixo, reproduzo a crônica "Mundo bão, sô!", de Simei de Almeida:

 

Existem dois mundos: o mundo de quem gosta de agitação, corre-corre, buzinações, gás carbônico, diferente do  mundo dos “oi sô”.

 

Nada sou contra quem gosta de ficar em cima de um viaduto vendo a sintonia dos carros se movimentando, frenagem por igual, uma fila vai e outra vem.

 

Chega ser contagiante ver a habilidade dos condutores dos veículos e motociclistas fazerem suas obrigações na condução de suas respectivas máquinas, às vezes até inconscientes do que estão fazendo, conduzindo seus carros por vias super movimentadas pela praticidade do dia-a-dia. Já fazem a condução pelo seu subconsciente pelo hábito de quem faz aquilo todos os dias.

 

Grandes metrópoles, progresso, grandes executivos, oferta de consumo e vítimas do consumo.

 

Alberto vai trabalhar, sai de casa as 04:00 horas da manhã para pegar o ônibus e depois o metrô. É possível que chegue ao trabalho lá pelas 07:00h. Antes de sair ele vai à cama de sua  Aninha, sua filhinha, e lhe dá cheiro, ela ainda dormindo.

 

Alberto, devido seu computador ainda ser um Pentium ele trocou por um Dual Core, mais uma promoção de uma TV de LCD de 32 polegadas nas Casas Bahia, tem que fazer umas horas extras para ajudar no pagamento das prestações do Dual Core e da TV LCD.

 

Depois da hora extra, mais metrô, mais ônibus. Alberto chega em casa lá pelas 22:00h. Sua filhinha já está dormindo. Nesse corre-corre, talvez Alberto a verá acordada para lhe dar um abraço e um cheiro somente no final de semana.

 

E assim é a mesma coisa para João, Dna. Marta, Dna. Francielli e tantos Antónios.

 

Pô, mais tem uma coisa boa nisso tudo! Num domingão Alberto pode ficar em frente da TV LCD de 32” para assistir estes programas de palco que rolam nas telinhas.

 

Uma pessoa que vem de fora, não adianta pedir informação pro Alberto no meio da rua. Ele tem muita pressa para chegar no trabalho ou fazer uns afazeres fora dele. Se pedir informação, talvez a receberá. Mas começa a ouví-la numa esquina e acaba de ouví-la na outra esquina, não dá para dar informação parado!

 

Vou à casa do Alberto e pergunto:

_ Você sabe onde mora o Sr. Custódio?

– Sei não, seu moço, vai aí no vizinho e pergunta! 

Vou na casa do vizinho e pergunto:

_ Você sabe onde mora o Custódio?

– Custódio do quê?

– Custódio de Mato Arruda!

– Sou eu mesmo moço....O Alberto não conhece o vizinho.

 

Nas cidadezinhas, lá nos Rincão do Brasil, a coisa é bem diferente.

 

Sai-se na rua para resolver determinado assunto que você faria em trinta minutos, e você acaba gastando três horas para resolvê-lo. Não há contentamento em apenas dizer: boa tarde “Seu Jão”, como tem passado? Não, o problema é perguntar como tem passado. Porque o Seu Jão vai lhe dizer como está passando, ali vai um tempão. Mais na frente, oi Dona Crotilde, mais na frente, Dona Esmeralda......quanto tempo.....como está Seu Firmino? Vai ali mais um bom tempo.

 

Sair pela rua principal da cidade é outro problema. De taberna em taberna, o proprietário lhe chama....Vem tomá um cafezinho moço! De comércio em comércio, você daqui apouco está esturricado de tomar cafezinho. Cafezinho você não nega, é falta de educação.

 

Vizinho você não só o conhece, você sabe literalmente da vida dele. Se o seu vizinho do outra lado da cidade der “uma puladinha de cerca” você saberá, com certeza saberá. Soltar gases é outro problema, tem que ser o mais discreto possível, se não a cidade ouve.

 

Político em cidade pequena tem que ser muito “cara-de-pau” ou ser muito transparente, pois o contato com o famigerado eleitor é comum nas ruas. O cabra não tem por onde escapar ou ficar no anonimato, o corpo a corpo é diário, e não é só em épocas de eleição.

 

Que bom, que bom, você na área rural poder pisar literalmente na bosta da vaca, sentir o cheiro da terra molhada, ouvir o gorjear dos pássaros e ouvir os gritos dos vaqueiros, ver carros fazerem malabarismo em estradas de barro. Dá diversidade, se vê algo contagiante. Bicho de pé também é bom. Bicho de pé não é chato, Bicho de pé dá no pé. “Chato dá noutro canto”, esse é chato pra dedéu.

 

Cidade pequena tem lá seus problemas, vizinho chato é um caso sério. Sei de uma história de um cabra que processou seu vizinho porque o galo dele cantava muito cedo e o acordava. Como ninguém processa galo, processou o dono do galo.

 

Ainda bem que existem grandes metrópoles, lá tudo se produz. O que seria se não tivesse quem não gostasse de buzinações, ônibus e metrô lotados, congestionamento, fábrica contratando para turno diurno e noturno.  Se não existissem os Albertos, o que seria dos Jãos? O que seria de nóis, se não existissem vocês!

 

 

 

 

 

 

 

 

   

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Atualizado às 16:30

Aos leitores,

peço que leiam a íntegra do comentário enviado sobre o texto abaixo por meu colega Carlos Alberto Sardenberg, às 16:03, em que ele se queixa, basicamente, de eu não ter feito menção, ao falar da estabilidade, "à manutenção de uma política econômica de 15 anos, desde 1993". Está feito o registro.

"Todos nós temos a tendência de prestar atenção e registrar só o que nos interessa", escreveu ele na abertura do comentário.

Na resposta que lhe encaminhei, concordei plenamente com esta afirmação. Nós, jornalistas, somos assim, feliz ou infelizmente. Os leitores, a julgar pelos comentários, também. 

Ricardo Kotscho 

Se alguém ainda duvida que a recessão já acabou e o Brasil só tem boas notícias na economia, como está na manchete da Folha desta terça-feira, deveria ter assistido à palestra de Carlos Alberto Sardenberg, meu velho colega do Estadão nos anos 70.

Atual comentarista da CBN e da TV Globo, ele falou agora de manhã, no Digital Day, que o iG promoveu no Hotel Unique, em São Paulo. Quem o ouviu saiu de lá mais feliz e animado, com certeza. Quem apostou na crise do fim do mundo, no começo do ano, perdeu.

Ao final de quase uma hora de palestra, em que citou os números do crescimento neste século, em seguida os da grande crise financeira mundial e os da recuperação econômica no nosso país e no mundo, prevendo a volta do crescimento em 2010, Sardenberg concluiu: "O Brasil não quebra mais. Todos os fundamentos da nossa economia são sólidos".

Para quem, como eu, está habituado aos ácidos comentários dele sobre os rumos do país nas emissoras em que trabalha, o multimídia Sardenberg surpreendeu favoravelmente a platéia formada por publicitários e profissionais da mídia digital.

É verdade que o jornalista não falou de crise política, não citou nenhuma vez o presidente ou o governo Lula, passou ao largo do Senado, de Sarney e das CPIs, limitando-se a falar da situação econômica.  

Até brinquei com ele ao final da palestra, comentando que nem a ministra e provável candidata presidencial Dilma Roussef faria uma palestra mais otimista sobre o atual momento da economia brasileira _ com juros em queda, aumento de renda e emprego, indústria automobilística batendo recordes históricos, reservas de 200 bilhões de dólares em caixa, inflação controlada, balança comercial favorável, etc.

"Em 2002, o Brasil estava insolvente, não teria condições de enfrentar uma crise como esta sem quebrar", disse Sardenberg.

Em seu power-point, ele exibiu um gráfico atrás do outro, para provar como todos os indicadores econômicos do país melhoraram nestes últimos sete anos, na onda do crescimento mundial pré-crise, acelerado pela globalização e pelas novas tecnologias de informação.

Estivesse lá de espião algum marqueteiro do governo federal, certamente pediria os gráficos de Sardenberg emprestados para utilizar na campanha de 2010.  

Na comparação que fez entre o Brasil de 2002 e o de 2009, mostrando como o Brasil passou de devedor a credor, de insolvente a superavitário, mesmo sem citar seu nome, meu amigo acabou fazendo a mais contundente defesa do governo Lula que já vi. Agora, disse ele, para melhorar o clima, só falta fazer a reforma tributária e desonerar de impostos as empresas e os assalariados.  

Em resumo, segundo o cenário desenhado por Carlos Alberto Sardenberg: é hora de voltar a acreditar, sem medo de investir, e botar fé no taco neste segundo semestre, como previu outro amigo, o publicitário Sergio Valente, presidente da DM9DDB em seu artigo "3-3-6" publicado aqui mesmo no Balaio, no final do ano passado.

A marolinha passou. E o Brasil foi mesmo o último país a entrar e o primeiro a sair da crise.

   

 

 

 

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Atualizado às 16:10

Aos caros leitores,

que acompanham, aqui no Balaio, a luta pela vida do nosso vice-presidente José Alencar, uma boa notícia: recebi informações agora de que ele já está no quarto do hospital Sírio-Libanês, e passa muito bem.

Outro dia li no "Direto na Fonte", a  coluna da minha amiga Sonia Racy no Estadão, que o deputado Jaime Gama, presidente da Assembléia Nacional de Portugal, perguntou ao líder tucano José Anibal por que o governador José Serra, favorito nas pesquisas presidenciais, ainda não está em campanha. Vamos tentar entender.

Desde o ano passado, Hélio Campos Mello, o diretor da revista Brasileiros, onde também trabalho, e eu estamos tentando fazer entrevistas exclusivas com os dois governadores presidenciáveis do PSDB, José Serra e Aécio Neves. Até agora, as respectivas assessorias, com toda gentileza, apenas nos enrolaram.

E não é nada pessoal, tenho certeza. Sei que há sobre suas mesas dezenas de pedidos da mesma natureza enviados pelos mais importantes veículos e jornalistas do país, que igualmente continuam esperando suas exclusivas. Ainda não vi nenhuma publicada, assumindo a candidatura.  

Um está esperando que o outro faça isso primeiro. Como os dois não vão querer dar esta entrevista juntos, o jeito é esperar. Aliados e, ao mesmo tempo, gentis adversários na disputa pela sucessão de Lula, os dois ainda estão na moita, acertando suas alianças e acordos intramuros, antes de botar a cara de candidato na rua. 

A coluna Radar On-Line, de Lauro Jardim, da Veja, dá hoje uma pista sobre o comportamento esquivo de Serra, faltando um ano para o início oficial da campanha de 2010. Sob o título "É melhor deixar 2010 para 2010...", ele escreve:

"De um especialista em eleições e em José Serra:

_ O Serra quer empurrar a discussão sobre 2010 para 2010 porque acha que neste momento este debate viraria um "Serra versus Lula". E isso não é bom para ele. Só quer a discussão quando a campanha de Dilma estiver nas ruas. Aí será Serra contra Dilma".

O problema é que a campanha de Dilma já está nas ruas faz meses e ela vem crescendo nas pesquisas. Nenhuma pessoa razoavelmente informada ignora, a esta altura do campeonato, de que ela é a candidata de Lula à sua sucessão, apoiada pelo PT e por larga parcela dos partidos que formam a base do governo.

Pensa, age e fala como candidata. Enquanto isto, os dois presidenciáveis tucanos travam uma batalha surda para consolidar suas candidaturas. Primeiro, no seu próprio partido; depois, com o aliado DEM (e o PMDB de Orestes Quércia, no caso de Serra) e, finalmente, na sociedade.

Serra não pode sair por aí como candidato, como quer o comando do PSDB, enquanto Aécio também for candidato, e não acontecer, se é que vai acontecer, a prévia exigida pelo governador mineiro.

Na verdade, os dois vão esperar os resultados das pesquisas até o final do ano para ver o que decidem. Serra, para saber se a diferença que o separa de Dilma estará dentro da margem de segurança que lhe assegure a vitória; Aécio, para saber se seus números melhoram a ponto de tornar sua candidatura viável no partido.

O jogo dos tucanos, especialmente em São Paulo, não é fácil. Se Serra optar por se candidatar à reeleição de governador, como se tem comentado em diferentes rodas nas últimas semanas, o que farão com Geraldo Alckmin, que já está em campanha para voltar ao Palácio dos Bandeirantes?

Se sobrar para Alckmin a candidatura ao Senado, o que oferecer ao sempre aliado DEM e a Quércia, com quem o PSDB já costurou uma aliança preferencial no ano passado? Afinal, são apenas duas vagas.

Serra e Aécio sabem que uma chapa puro-sangue de tucanos, o sonho de FHC, é inviável. Da mesma forma, sabem que um não pode ser candidato sem o apoio ostensivo do outro, pois São Paulo e Minas são os grandes colégios eleitorais do país.  

Por isso, ninguém quer piscar primeiro. Qualquer descuido pode ser fatal. Enquanto isso, os dois deixam para os parlamentares demo-tucanos e seus aliados na imprensa a tarefa de desgastar o governo com a CPI da Petrobrás e a interminável novela Sarney.  

 

 

 

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Os dois estão chegando aos 80 anos, e a idade é a única coisa em comum entre o vice-presidente da República, José Alencar, e José Sarney, ex-presidente da República e presidente do Senado pela terceira vez.

Numa idade em que tudo o que tinham a fazer na vida já foi feito, e não tem volta, os dois Zés vivem neste momento uma situação absolutamente antagônica.

A luta de Zé Alencar contra o câncer e pela vida, saindo da sua 15 ª cirurgia, transformou-o numa unanimidade nacional a favor _ o único político brasileiro hoje em dia de quem todo mundo só fala bem e torce por ele.

A luta de Zé Sarney pela sobrevivência política para ficar na presidência do Senado, depois de uma enxurrada de denúncias contra ele,  transformou-o também  numa unanimidade nacional  _ contra ele. Não há mais quem o defenda, a não ser o presidente Lula.

Esta semana, a publicação das gravações dos diálogos entre Zé Sarney e seu filho Fernando, acertando um emprego hereditário no Senado para o namorado da neta, foi mais ou menos como o Fiat Elba para outro Fernando, o Collor _ um pecado menor diante do conjunto da obra, mas que levou à cassação do primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar.

Como diz o vulgo, foi a prova que faltava, o batom na cueca. Não pela nomeação em si, mas pelo fato de ter feito a ligação entre o presidente do Senado com o ex-diretor geral Agaciel Maia, aquele dos atos secretos. Serney havia negado ao plenário conhecimento dos atos e malfeitos de Agaciel.

A aliança com o empresário Zé Alencar, nas eleições de 2002, foi o maior acerto político da vida de Lula. O apoio a Sarney, em 2009, na eleição para a presidência do Senado, foi o seu maior erro.

Zé Alencar tornou-se um político incontestável. Se tivesse dez anos a menos e boa saúde, seria o sucessor natural de Lula na presidência.  Zé Sarney, no final da carreira política, tornou-se um político indefensável, sem futuro, ameaçado de jogar pela janela o seu importante papel na redemocratização do país.

As imagens de Zé Alencar entrando e saindo altivo do hospital, forte e sorridente, vendendo esperança, e a de Zé Sarney aflito, entrando e saindo do Senado cercado de seguranças, resumem a história e o destino de cada um.

Ninguém precisava dizer mais nada. Basta olhar as expressôes de um e de outro. Qualquer que seja o desfecho da história dos dois, Zé Alencar, que ficou rico como empresário de sucesso antes de entrar para a política, é um vencedor. Zé Sarney, que não fez outra coisa na vida e ficou rico na política, por abusar do poder, escolheu o papel de perdedor.

Entre os dois Zés, o coração mole de Lula, que nunca abandona os aliados, balança.  O Brasil de Lula está hoje mais para Zé Alencar do que para Zé Sarney. Em 2010, os eleitores vão dizer qual Brasil preferem.

Os mais comentados

Os três assuntos mais comentados esta semana no Balaio, na Folha e na Veja:

Balaio

Sarney _ 526

Chegada à Lua: 350

Futebol: 105

Folha

Sarney: 232

Lula: 98

Danuza Leão: 47

Veja

Animais de estimação: 134

Lula, Collor e Renan: 46

Xinran Xue: 12 

 

 

 

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Atualizado às 12:25:

fui dar uma olhada nos comentários que já chegaram sobre o post abaixo e destaco o de Bento Bravo, um executivo aposentado que entrou este ano para a Faculdade de Letras da USP. Ele faz uma brilhante análise, melhor do que eu, sobre o que está em jogo além do noticiário da imprensa:

"Difícil dizer como vai acabar esta história de Sarney, mas é óbvio que, tão logo encerrada, outra se inicia em seguida, pois o alvo, claramente, é gerar fatos negativos contra o governo Lula (como se ele fosse o responsável, mas é o que a imprensa "isenta" deixa nas entrelinhas), vendo a eleição de 2010. (...)

Enfim, embora condenável, ainda vejo nesta cruzada contra Sarney mais motivação política do que ética".

Perfeito, Bento. 

 

ITÚ _ Antes de mais nada, peço desculpas aos leitores pela demora na liberação dos comentários. Estou a apenas 100 quilômetros de São Paulo, mas não consegui conectar o laptop ontem à noite. Será que é por causa da chuva que não para de cair? Ou o sistema não estava preparado para o crescimento da internet?

Vamos ao trabalho. Por onde ando, e ando bastante, as pessoas me perguntam: como vai acabar esta história do Serney? Muita gente ainda pensa que os jornalistas têm respostas para tudo. No meu caso, quanto mais o tempo passa, mais dúvidas eu tenho, mais perpelexo fico com as notícias que leio no jornal. Sim, eu ainda sou do tempo em que se buscava informações no papel.

Hoje, por exemplo. "Desemprego tem a menor taxa do ano", informa-me a manchete da Folha. Logo abaixo, fico sabendo que "Bolsas sobem, e dólar recua para menos de R$ 1,90.

Quer dizer, voltamos a ter boas notícias na economia, mas minha alegria dura pouco porque na dobra da página volta aquele assunto de sempre: "Lula minimiza acusações contra Sarney".

Acho que os dois estão abusando no direito de errar. Faz 37 dias, escrevi aqui mesmo uma carta aberta ao presidente José Sarney, com quem sempre tive uma relação cordial, para propor, a bem dele próprio, que toda a Mesa do Senado renunciasse aos seus cargos e se fizessem novas eleições para salvar o que resta da imagem da instituição e da sua biografia.

Não tive resposta. De lá para cá, a situação de Sarney e do Senado só se agravou. As manifestações do presidente Lula a seu favor não só não tiraram presidente do Senado da UTI política em que se encontra como provocaram pesadas e crescentes críticas contra o presidente da República na mídia e em largos setores da sociedade, que não entende os mistérios e as razões do jogo de alianças.

Boas notícias na economia, mais más notícias na política _ já está virando rotina. A cada dia, novas denúncias sobre a farra da família Sarney com o patrimônio público, a cada enxadada mais um minhocal de mutretas, e novas defesas de Lula para salvar o presidente do Senado. Até quando?

Pelos comentários que leio aqui no Balaio, e também em outros sítios, os leitores estão cada vez mais associando o nome do atual presidente ao do ex-presidente da República, e batendo duramente nos dois. "Fora Lula e Sarney", escreveu às 10:03 de hoje o leitor que se identifica como Tonho da Lua _ por que as pessoas não podem dar seus nomes verdadeiros? _, descendo o sarrafo em Lula e Sarney.

Para manter o nível e a civilidade dos debates no blog, sou obrigado a excluir os comentários mais ofensivos, mas eles estão chegando em número cada vez maior, talvez a indicar um sentimento de revolta que vem se generalizando contra os políticos de todas as latitudes.

Deixei este Tonho da Lua até para mostrar o sentimento que vem tomando conta de muitos brasileiros diante de mais esta crise política que se arrasta, sem que ninguém consiga enxergar como esta história vai acabar. Sarney não larga o Senado e Lula não larga Sarney. Até onde os dois vão aguentar?

Se alguém tiver respostas para as perguntas desta matéria, por favor mande para o Balaio.

Bom fim de semana a todos.   

 

 

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Tem coisas que a gente escreve meio sem pensar, meio na brincadeira, e depois vem cobrança. Quem escreve todo dia na internet corre este risco, principalmente quando se trata da grande paixão nacional, o futebol.

Quando o São Paulo mandou o Muricy embora, fiquei tão revoltado com a burrada da diretoria que prometi para a minha neta palmeirense: se ele for para o Palmeiras, vou torcer para o teu time. E contei isto aqui no Balaio.

Fui xingado de traidor pelos são-paulinos e confesso que até senti um certo alívio quando a negociação do técnico meu amigo com o Palmeiras não deu certo da primeira vez.

Mas, agora que ele foi contratado, os leitores não perdoaram e já começaram a me cobrar: e aí, agora vai virar palmeirense?

Se os leitores não esquecem, imaginem a neta... Promessa que se faz para criança tem que ser cumprida, vocês sabem, elas não esquecem...

Uma coisa é fazer promessa em mesa de bar, outra bem diferente é escrever no blog. Internet, assim como a neta, tem memória, fica tudo no arquivo.

Mas como é que eu vou mudar de time depois de velho? Nesta minha idade não se muda mais nem de mulher, barbeiro, boteco, médico, amigos, quanto mais de time.

Está escrito logo na abertura da minha biografia, como vocês podem conferir aí ao lado direito do nosso blog: paulista, paulistano, são paulino... Já teve leitor perguntando se vou mudar minha apresentação.

Não dá pra mudar a biografia da gente, que é o nosso único patrimônio de verdade e para sempre.

Mas também não vou pedir para que esqueçam o que escrevi e falei para a minha neta.

Então, meus amigos, só me resta fazer o seguinte: vou torcer para o Muricy ser campeão este ano _ ou melhor, o único tetracampeão brasileiro_ e para o meu São Paulo não cair para a segunda divisão. Desse jeito, a neta vai ficar contente e eu não vou passar vergonha.

Já que o São Paulo não tem mais chance nenhuma neste Brasileirão e vai ter que lutar até o fim apenas para não dar vexame e ser rebaixado, como o Corinthians e o Palmeiras já foram, assim agrado minha neta, cumpro o que escrevi aqui e me vingo dos que demitiram o técnico tricampeão em vez de contratar bons jogadores.

Escrevi aqui outro dia que o São Paulo tinha cinco problemas e esqueci do principal: a soberba diretoria tricolor, que agora só pensa em obras no Morumbi para a Copa do Mundo, só contrata ex-jogador em atividade e trouxe um técnico que fala bem francês, mas não é do ramo.

  

 

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Brasília _ Com um dia de atraso, informo em primeira mão: a mais surpreendente notícia da Folha de S. Paulo desta terça-feira não estava na capa nem nas manchetes internas.

Saiu na última página do Caderno de Esportes. E não se tratava de uma reportagem, mas de um anúncio do portal UOL, da mesma empresa que edita a Folha.

O título é instigante:

"Você acha que a população do nordeste está menos online do que a do sudeste? Você está enganado".

Em um anúncio de meia página do UOL, bravo concorrente do nosso iG , encontramos informações que poderiam ir para a manchete do jornal.

Com tanta notícia repetida que circula todo dia, o dia todo por todas as mídias, geralmente falando de desgraças e safadezas, o anúncio trazia uma novidade, quer dizer, algo que eu não sabia:

"A internet é hoje mídia nacional: a penetração nas principais praças do nordeste é similar à do sudeste e sul".

Você sabia disso? Eu só fiquei sabendo à noite, ao ler o jornal no final de um dia de viagem a Brasília, no bar do hotel Meliá, ouvindo uma belíssima cantora, Larissa Vitorino, de quem também nunca tinha ouvido falar.

Me lembrou a Nara Leão do início da carreira, meiga e bela como sua voz, um banquinho e uma guitarra elétrica.

Mas voltando ao anúncio do UOL. Lá está uma prova provada de que o Brasil não é mais o mesmo, no bom sentido:

"A penetração da Internet na cidade de São Paulo é de 39%. Já em Salvador atinge 41% e no Distrito Federal ultrapassa 50%. Anuncie na Internet: mídia nacional".

Salvador mais internética do que São Paulo? Quem poderia imaginar uma coisa dessas, cinco ou dez anos atrás?

A melhor explicação quem me deu para este Brasil ainda desconhecido para nós paulistas foi meu velho amigo Toninho Drumond, o homem da Globo em Brasília.

"A marca deste governo que vai ficar é a distribuição de renda".

O engraçado é que ele me disse isso num longo e agradável papo que tivemos pela manhã, antes de eu encontrar este anúncio do UOL.

O gráfico que ilustra a peça publicitária mostra o aumento de penetração da internet fora do eixo Rio-São Paulo. Deixa claro também que temos hoje não só distribuição de renda entre as classes sociais, mas de riqueza entre as diferentes regiões do país.

A assinatura do anúncio é emblemática exatamente por ele ter sido publicado no jornal de papel de maior circulação do país:

"Anuncie na Internet _ www.amidiaquemaiscresce.com.br".

Deixando de lado o governo, sem entrar no FlaXFlu de quem é contra ou a favor do Lula, há um fato inegável: o Brasil de 2009 é outro país e o crescimento da internet é apenas um dos sinais desta mudança para melhor que muitos colegas da velha mídia ainda insistem em ignorar.

Somos hoje mais de 60 milhões de brasileiros ligados à grande rede, metade deles recém-chegados ao mercado consumidor.

Para saber como mudou a vida do país, seguindo os conselhos do mestre repórter Gay Talease, é preciso levantar a bunda da cadeira e sair por aí, desligar-se dos celulares e da própria internet, abrir os olhos e os ouvidos para depois poder contar as novidades.

O Brasil sempre me surpreende quando saio do meu mundinho de São Paulo e não levo laptop. Tem notícia nova no pedaço em todo lugar, todo dia. É só procurar, conversar com as pessoas, olhar em volta, sem teses pré-concebidas, sem preconceitos nem pensamentos únicos, sem pauta fechada, nem verdades absolutas.

Vale a pena tentar ver o Brasil de um outro jeito.  

 

 

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Caros leitores,

tenho uma viagem de trabalho logo cedo para Brasília e só devo voltar no final da noite. Por esse motivo, só volto a atualizar o Balaio na quarta-feira.

Estou impressionado com a quantidade de comentários enviados pelos leitores do Balaio duvidando que o homem tenha mesmo pisado na Lua, faz hoje exatos 40 anos, tema do meu post de domingo.

O leitor Fortunato, das 10:32 de hoje, enviou até o link de um site que tenta provar por "a" mais "b" que tudo não passa de uma farsa:

http://www.afraudedoseculo.com.br

"Você acredita que o homem foi à Lua?", indaga André Basílio, o autor do site, que se apresenta como formado em processamento de dados e administração de empresas, e consultor de informática.

No longo artigo "A Fraude do Homem na Lua", com dezenas de fotos, vídeos e links, ele enumera 24 indícios para provar a sua tese. Escreve Basílio:

"Comecei e terminei este texto com a mesma pergunta acima. Após ter acesso aos diversos indícios de fraude que abordamos aqui, será muito difícil que uma pessoa continue acreditando na versão oficial que relata a viagem do homem à Lua".

Até agora, imaginava que apenas algumas pessoas dos grotões mais profundos, sem acesso aos modernos meios de comunicação, ainda pudessem duvidar daquelas inesquecíveis cenas ao vivo na TV em branco e preto mostrando Neil Armstrong pisando pela primeira vez o solo lunar.

Para minha surpresa, muitos amigos aqui do Balaio também acham que tudo não passsou de uma fraude do império americano em tempos de Guerra Fria. Alguns exemplos:

"Eu tenho 26 anos, não vivi essa época, mas pelo que já li sobre o assunto sempre fiquei com um questionamento que até hoje me leva a duvidar deste feito" (Ricardo, das 9:02 de hoje).

"Você me surpreendeu duplamente. A segunda novidade foi essa de você acreditar que o homem foi à Lua... Você acredita até hoje? Aquilo foi mais uma montagem dos americanos, cara... Eles são mestres em filmes de ficção do tipo. Não viu "Guerra no Espaço", não? Ficção, brother..." (Simas, das 22:12 de domingo).

"Apesar de ser uma farsa, o evento sobre a chegada do homem à Lua foi muito importante porque manteve o estímulo à aventura espacial e promoveu a evolução tecnológica do século, muitas experiências foram desenvolvidas para o uso da humanidade" (Benedito Lemes, das 20:18 de domingo).

E você, meu caro leitor? O que pensa disso? Também tem dúvidas ainda?

Do jeito que vão as coisas, daqui a pouco brasileiro não acredita em mais nada... Só em Papai Noel... 

Tricolor ganha uma

Aos leitores que me cobram para falar da vitória do São Paulo conta o Santos no domingo, por 2 a 1, depois de um longo e tenebroso inverno, tenho a dizer apenas que, como todo torcedor, quando o time perde sem lutar, eu fico bravo e, quando ganha, de qualquer jeito, fico muito feliz.

Não dá para ficar comentando todo jogo do meu time porque fica chato e acho que ainda é cedo para pensar que agora as coisas vão mudar. Afinal, o Santos também está caindo pelas tabelas. Vamos esperar o jogo de quarta contra o Internacional, lá em Porto Alegre. Se o Washington fizer mais dois gols, vou começar a acreditar...

Internet não é porta de banheiro

Aos leitores que reclamaram de censura porque fui obrigado a deletar alguns comentários neste final de semana quero dizer que para mim não tem nada pior do que ser obrigado a fazer isso para manter um mínimo de civilidade no Balaio _ em respeito à lei, aos demais participantes e a mim mesmo.

Quem quiser utilizar a internet para ofender os outros e fazer acusações levianas, geralmente de forma anônima, que crie seu próprio blog ou procure outras freguesias.

Não se trata de censura, repito mais uma vez. Internet não é porta de banheiro. É um espaço público e eu sou o responsável por tudo o que é publicado aqui.

Boa semana a todos.   

 

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