Publicado em 22/11/10 às 09h32

Quem ainda segue o que diz Bento 16?

631 Comentários

Atualizado às 7h29 de 23.11

Pessoal,

viajo novamente daqui a pouco para Ribeirão Preto e outras cidades para fazer uma reportagem, que deverá sair na capa de dezembro da revista Brasileiros, com um balanço dos oito anos do governo Lula. Volto amanhã, quarta-feira.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Com todo respeito aos fiéis seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana, entre os quais me incluo, mas não dá para ficar calado diante das últimas manifestações do papa  Bento 16 sobre o que podemos ou não fazer nas nossas vidas. No meio do bestialógico publicado ou levado ao ar neste final de semana sobre as declarações dadas num livro-entrevista, como se alguém ainda estivesse interessado em ouvir o que pensa e diz este papa, salva-se a carta do leitor Renato Khair, publicada na Folha desta segunda-feira:

"Se o papa Bento 16 e a Igreja Católica são a favor ou contra o uso da camisinha (ou do aborto ou da união entre pessoas do mesmo sexo) é absolutamente irrelevante e não deveria fazer a menor diferença".

É o mesmo que penso a respeito deste assunto, como se a palavra do papa continuasse sendo lei a ser obedecida cegamente por todos os católicos. Seus novos "mandamentos" sobre o uso da camisinha são de tal forma fora de tempo e de lugar, de propósito e de sentido, que o sumo pontífice mereceria uma advertência dos editorialistas do Estadão, como já aconteceu em outros tempos, quando a Igreja Católica defendia os perseguidos pelo regime militar.

Qual o efeito prático de tanto barulho em torno da manifestação papal sobre o uso de camisinhas? Vai mudar alguma coisa? Já posso imaginar os sindicatos de prostitutas em todo o mundo convocando assembléias extraordinárias. Gigolôs em polvorosa. Farmácias e camelôs providenciando reforço nos estoques de preservativos e indústrias comprando novos equipamentos para aumentar a produção.

Depois da sua extemporânea e infeliz intromissão na recente eleição presidencial brasileira, em que ressuscitou a questão do aborto, já estaria na hora de alguém mais próximo ao papa recomendar-lhe um bom repouso, antes de voltar a se manifestar sobre o uso de preservativos por prostitutas, o que obrigou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a sair dos seus cuidados e vir a público no final de semana para "explicar" o que Bento 16 queria mesmo dizer.

"No raciocínio do papa, está claro que não se trata de uma mudança revolucionária", mas de uma "visão compreensiva", para levar uma humanidade "culturalmente muito pobre rumo a um exercício mais humano da sexualidade", disse Lombardi, em nota distribuída pelo Vaticano. Ah, bom...

Sempre me pergunto o que padres, bispos e papas entendem deste assunto, já que estão condenados ao celibato eterno, a ponto de dar lições de moral a nós pecadores, ainda mais depois das reiteradas denúncias da prática de pedofilia envolvendo religiosos que agora vêm a público. Não seria mais razoável cuidar primeiro do seu próprio quintal?

No livro-entrevista publicado pelo jornalista alemão Peter Seewald, o papa disse que não ficou "totalmente surpreso" com os escândalos dos padres pedófilos, mas que a repercussão do caso provocou-lhe "um choque enorme".

Menos mal que Bento 16, nesta mesma entrevista, tenha questionado a infabilidade papal _ "já que um pontífice também erra" _ como ele mesmo tem feito questão de provar desde que assumiu o trono de Pedro.

"Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cheio de glória, mas alguém que dá testemunho do Cristo crucificado", afirmou ainda o papa alemão. Aos 83 anos, ele admite que "as forças vão diminuindo", o que sugere aplicar a ele o mesmo "silêncio obsequioso" que recomendou ao frade franciscano Leonardo Boff, meu bom e velho amigo, antes de expulsá-lo da igreja.

Diante da contínua perda de fiéis para outras denominações religiosas, seria de bom senso recomendar ao chefe da Igreja Católica, que disse não pensar em renúncia, para ocupar seu tempo mais com o seu público interno para saber o que acontece nas sacristias e menos em dar lições de moral ao rebanho.

Como bem diz o leitor Renato Khair:

"É realmente espantoso que, em pleno século 21, milhões de pessoas ainda abram mão da sua liberdade de escolha, de sua racionalidade, de suas convicções íntimas e aceitem que alguma suposta autoridade (papa, igreja, presidente, general) lhes diga o que é certo ou errado e como devem viver as suas próprias vidas".

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Publicado em 21/11/10 às 09h18

O papel de Lula no governo de Dilma

167 Comentários

Num ponto, pelo menos, as personalidades de Lula e Dilma são muito semelhantes: os dois são teimosos, não gostam muito de ouvir palpites e conselhos, e apreciam exercer a autoridade, às vezes de forma brusca, deixando claro quem manda.

Por isso mesmo, não dou crédito a esta história de que o governo Dilma será apenas um terceiro mandato de Lula com outro nome. Quem diz isso não conhece a Dilma nem o Lula.

Claro que o futuro ex-presidente estará sempre à disposição da presidente eleita para colaborar, ajudar na articulação política e nos momentos de crise, mas só quando for chamado por ela, por iniciativa dela, jamais dando uma de oferecido. Não é do feitio dele.

Os dois têm grande respeito e admiração um pelo outro _ Lula pela gestora Dilma e Dilma pelo líder político Lula. O atual presidente não atropelaria a autoridade de quem foi eleita por indicação dele mesmo para exercer o poder central em seu lugar. Até seus piores inimigos concordam que Lula pode ser chamado de tudo, menos de burro.

Dilma tem plena consciência de que deve o mandato a Lula e será fiel aos princípios do atual governo, que deverá manter, em especial na política econômica. Ninguém, nem eles, pode ter absoluta certeza sobre o futuro, mas não acredito num possível rompimento entre criador e criatura, como muitos já especulam, e outros nem disfarçam a torcida para que aconteça.

Até porque, um continua dependendo muito do outro: Dilma depende do apoio de Lula para governar em paz com seus aliados e Lula precisa que o governo Dilma dê certo para preservar sua credibilidade, a própria imagem e a do seu governo.

Por isso mesmo, e mais duas razões bem simples, Lula não deverá voltar a se candidatar em 2014:

* Se o governo Dilma for um sucesso, ela certamente será a candidata natural do PT à reeleição.

* Se tudo der errado, a imagem de Lula também será abalada porque, afinal, ele foi o mentor e o fiador da eleição de Dilma.

Mesmo na remota hipótese de vir a ser candidato e de ser eleito, Lula sabe que correria o sério risco de perder, num eventual terceiro mandato, o prestígio que conquistou nos dois primeiros, chegando a mais de 80% de aprovação popular _ o que é inédito e não deverá se repetir tão cedo. Seu lugar na história já está garantido. Para que arriscar?

Pelo menos nos primeiros tempos do governo Dilma, depois de um breve descanso, Lula deverá se dedicar mais a fazer política lá fora do que aqui dentro do país. O instituto que pretende criar tem como principal foco levar a experiência das políticas públicas e dos projetos sociais do seu governo para países pobres da América Latina e da África.

Além disso, Lula terá que correr o mundo em 2011 para receber dezenas de títulos de "doutor honoris causa" que lhe foram outorgados ao longo destes últimos oito anos. Por razões que desconheço, ele deixou para receber todos só depois de deixar o governo. O metalúrgico vai virar "doutor Lula"...

Em tempo: (atualizado às 21h55 de domingo)

São Paulo entrega o ouro e cai de quatro

Tudo bem, até entendo que a torcida tricolor tenha ido ao estádio para torcer pelo Fluminense de Muricy e sacanear o Corinthians.

Tudo bem, até entendo que o time não tinha motivo nem vontade para lutar por uma vitória, já que faz tempo só virou café com leite no Brasileirão, quer dizer, não desempenha nem sai de cima.

Só não precisava cair de quatro, com dois jogadores expulsos, um deles aquele rapaz conflituoso de sempre. Até o lorde Rogério Ceni perdeu a paciência.

Se o ano todo foi fraco, o final está sendo um vexame. Em compensação, Muricy Ramalho, que foi mandado embora do Morumbi para dar lugar a Ricardo Gomes,  depois de se sagrar tricampeão brasileiro, está outra vez na disputa direta pelo título do Brasileirão, pelo sexto ano seguido  (primeiro com o Inter, depois três vezes com o São Paulo, no ano passado, com o Palmeiras e, agora, com o Fluminense.

O cara é ruim... Boa é a diretoria vitalícia do tricolor paulista...

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Não é que ela goste de fazer mistério e brincar de esconde-esconde com os repórteres que farejam os nomes dos ministros do novo governo. Para quem, como Dilma Rousseff, não tem experiência anterior nestas negociações do poder central, na hora da divisão do bolo da vitória são mesmo grandes os dilemas para montar o quebra-cabeças do seu ministério, com tantos partidos aliados e tantos apetites por cargos.

De fato, o desafio não é pequeno, não vai ser fácil. Por mais que quisesse, a presidente eleita não pode manter muitos dos atuais ministros nos cargos porque precisa dar uma cara própria ao seu governo e, ao mesmo tempo, abrir novas vagas. Nos partidos todos, não há bons quadros sobrando, como sabemos. Acontece que os partidos que estavam e continuarão no governo querem manter os postos que já têm e, se possível, mais alguns. A conta simplesmente não fecha.

Mais do que ninguém, na solidão da Granja do Torto, a presidente eleita sabe que o destino do seu governo dependerá em grande parte das escolhas que fizer agora, nas poucas semanas que faltam para a posse _  tanto em relação à qualidade profissional e à fidelidade política dos indicados para o seu ministério, como na correlação de forças do balaio de gatos dos aliados, tendo que lidar com a voracidade do PMDB, a ciumeira do PT  e a volubilidade dos partidos satélites.

Nas conversas que tive nesta quinta-feira durante as poucas horas que passei em Brasília, deu para perceber que ainda está tudo em aberto e ninguém tem certeza de nada, a não ser que Guido Mantega continuará na Fazenda, uma pedra cantada desde antes do primeiro turno em caso de vitória de Dilma.

Nem os mais próximos da ex-ministra arriscam palpites, não só por absoluta falta de informação, mas também porque ainda está tudo em aberto e pode mudar de uma hora para outra, assim como aconteceu na montagem do primeiro governo de Lula, quando o PMDB acabou ficando de fora poucos dias antes da posse, depois que parecia tudo acertado com a base aliada.

A crise vivida pelo governo Lula em 2005 comprovou que ninguém governa este país sem o PMDB, mas a aliança feita agora mostra mais uma vez que é muito difícil governar com o PMDB. A simples tentativa de formar um "blocão" fisiológico para mostrar força e assustar a presidente e o PT, que não durou mais de 24 horas, serviu para mostrar do que o partido-ônibus de Michel Temer é capaz.

A cada eleição, o enredo da novela da formação de um novo gabinete é sempre o mesmo. A palavra "crise" surge logo nos primeiros dias no noticiário quando a inevitável luta por espaços entre os vencedores e a ausência de definição dos nomes dos ministros estimulam especulações, cotoveladas, chutes e plantações de toda ordem.

Será que tem que ser mesmo sempre assim? Por que é tão importante para os partidos conquistar o maior número possível de ministérios? Para poder implantar suas políticas públicas e programas de governo? Ou será apenas, sejamos sinceros, para poder dispor de mais cargos e verbas, que é o que realmente interessa?

Para acabar com esta disputa insana que compromete qualquer governo antes mesmo de começar, só tem um jeito: uma ampla reforma político-partidária que reduza drasticamente o número de cargos de confiança no Governo Federal e de partidos no Congresso Nacional.

Em países mais desenvolvidos e civilizados, estes cargos não passam da casa de alguns poucos milhares;  aqui, são muitas dezenas, centenas de milhares, uma verdadeira festa do caqui. O mesmo acontece com os partidos, que entre nós vicejam como as novas igrejas e os botequins da moda.

Qual é a chance disto um dia acontecer? A meu ver, nenhuma. Pela simples e boa razão de que só quem pode fazer a reforma política são os políticos, ora pois. E eles jamais abrirão mão dos seus privilégios, não irão cortar na carne, jogar contra o próprio patrimônio. Uma vez eleitos, os eleitores que se danem. Todo mundo só quer se arrumar ou se garantir.

É por isso que os aviões para Brasília voam sempre lotados de lobistas e candidatos a uma "posição" no novo governo. Pois é nestes dias que antecedem o Natal que se jogam as pedras no grande tabuleiro do poder. Juro que eu não gostaria de estar no lugar da presidente eleita. E você, caro leitor, o que  faria no lugar dela?

Em tempo 1:

reparei agora nas estatísticas do Balaio que acabamos de passar dos 100 mil comentários publicados no blog (para ser mais exato, 100.036). Como "só" escrevi 621 textos neste período, vocês trabalharam bem mais do que eu... Esta é a melhor parte da internet: a participação dos leitores. Meu muito obrigado a todos os leitores/comentaristas.

Em tempo 2:

vocês podem encontrar no site www.sul21.com.br a entrevista que concedi ao repórter Felipe Prestes durante a Feira do Livro de Porto Alegre da qual participei no último final de semana.

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Publicado em 16/11/10 às 15h31

De volta à escola, uma boa surpresa

57 Comentários

A convite do professor de História Gonçalo de Andrés Fernandez e dos alunos da 7ª e da 8ª séries estive na manhã chuvosa desta terça-feira batendo um papo com a turma que faz o jornalzinho da Escola Municipal Maria Antonieta D´Alkimin Basto, na Vila Olímpia.

Em tempos de predominância do audiovisual e das novas mídias eletrônicas é uma boa surpresa para este velho repórter voltar a uma escola e encontrar adolescentes que ainda se dedicam a escrever para um jornal impresso, que batizaram de "At!tude" _ assim mesmo, com ponto de exclamação no meio. Embora de periodicidade irregular, o boletim já está em seu quarto ano e não falta gente para preparar o próximo número.

São apenas oito páginas bem ilustradas em formato de papel ofício, mas dá para ter uma boa idéia das atividades dos alunos e do que eles pensam da vida. Na nossa conversa, que durou o tempo certo de um jogo de futebol e só parou quando tocou a campainha anunciando o almoço, deu para perceber pelas perguntas que existe muita curiosidade da moçada em saber como é a profissão de jornalista e como funciona (ou não) a nossa imprensa.

"Qual o papel de um jornal?", perguntam os alunos na primeira página do boletim da escola, e eles mesmos respondem: "Entre muitas outras coisas, defender ideias que podem ajudar a transformar o mundo".

Podemos até não conseguir, procurei mostrar a eles. Mas, apesar de tudo, este sonho ainda move boa parte dos que escolheram a nossa profissão, sempre tão criticada, e ainda capaz de despertar muito fascínio nos jovens.

"Sabemos que nosso desafio é grande _ afinal, nunca se imprimiu tanto. E nunca se aproveitou tão pouco. Devoram-se toneladas de papel impresso em todas as línguas, mas a porcentagem de coisas de qualidade é quase nada, na maioria publicações fajutas", escreveram eles no editorial da edição de setembro, mostrando que sabem onde estão pisando, mas nem por isso desanimam: "Não devemos nos esquecer, contudo, que um aluno que se dedica à elaboração de uma matéria jornalística pode escrever melhor e se tornar melhor leitor."

Tudo é assunto: a visita a uma aldeia índígena, em Parelheiros, na zona sul da cidade; o filme "As melhores coisas do mundo", que eles assistiram em sessão especial no Espaço Unibanco, aproveitando para entrevistar a diretora, Laís Bodanzky; a palestra sobre sexualidade dada pela psicóloga Viviane Hercowitz, da Fundação Tide Setubal; a história de uma aluna de 65 anos que voltou às aulas no curso noturno do Alkimin e a do casal que se conheceu ali naqueles mesmos bancos escolares onde hoje estuda seu filho, o Dia dos Pais...

Já em casa, ao dar uma passada d´olhos no jornalzinho que me deram para levar, encontrei o pequeno poema "Meu pai", escrito pela menina J., da 7ª série, que transcrevo abaixo:

Para mim meu pai é como algo

Sem importância, ele é simplesmente

Uma folha seca que eu aturo

Duas vezes ao ano.

Eu me sinto alguém vazia

Quando estou com ele, algo sem vida.

Então, para mim, ele não é um parente,

Ele é somente uma pessoa.

Para conhecer a realidade desta menina, da cidade e do país em que vivemos, é preciso conversar mais com estes jovens e seus dedicados professores, saber o que eles pensam e sentem, em vez de ficar só repetindo que o nosso ensino é ruim. Claro que pode sempre melhorar, mas fiquei muito bem impressionado com a paisagem humana que encontrei nesta escola pública.  

Ao me convidar para este encontro com seus alunos, o professor Gonçalo me explicou que a maioria não mora perto da escola. Seus pais trabalham por ali e deixam as crianças antes de entrar no serviço. Alguns alunos moram no Grajaú, em Taboão da Serra, bairros bem distantes, e acordam muito cedo para ir à escola, que tem mais de 800 alunos. As aulas começam às sete da manhã. Pelo que vi, vale o sacrifício. Eu, pelo menos, ganhei o dia.

Em tempo:

Recebi agora uma boa notícia: o blog do programa "Papo de Mãe" (TV Brasil, aos domingos, 19 horas) foi classificado entre os três finalistas na categoria Comunicação do prêmio Top Blog 2010. O vencedor será conhecido no dia 18 de dezembro. A equipe do blog me pediu para agradecer aos leitores do Balaio que votaram no "Papo de Mãe".

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Eleição para presidente é bom por causa disso: só acontece de quatro em quatro anos, tem dia e hora para acabar. Em pouco tempo, fica-se sabendo quem ganhou e quem perdeu. No dia seguinte, a vida segue seu rumo. Os vencedores escolhem o time que vai governar e os perdedores reorganizam suas tropas para a próxima eleição. Por isso, como vocês sabem, nem pretendia voltar ao assunto.

Nas democracias costuma ser assim, mas não é bem o que está acontecendo no Brasil nestas duas semanas que se passaram desde que fomos às urnas. Em alguns "bolsões sinceros mas radicais", como se dizia nos tempos dos militares, quando não se podia votar para presidente, nota-se um rancoroso inconformismo com o resultado, especialmente na imprensa e nas redes sociais.

Manifestações diárias deste sentimento podemos encontrar em mensagens e artigos carregados de ira, preconceitos e intolerância que circulam em colunas, editoriais, blogs, celulares, facebooks, twitters e que tais, nas velhas e nas novas mídias impressas e eletrônicas, por toda parte _ hoje como ontem, os mais estridentes redutos do que sobrou da oposição radical. Não são tantos como pensam, mas fazem muito barulho.

Um exemplo patético do que pensa este tipo de eleitor derrotado é o inacreditável artigo publicado domingo na Folha de S. Paulo pelo poeta Ferreira Gullar, sob o título "Ah, se não fosse a realidade!". De fato, se não fosse a realidade das urnas, ele talvez estivesse hoje mais feliz, menos amargo, escrevendo novos versinhos, mas o voto digitado não tem volta e os resultados oficiais já foram proclamados pelo TSE.

A começar pelo trecho destacado no texto _ "Ninguém imagina que Lula deixe dona Marisa em São  Bernardo para instalar-se na alcova de Dilma" _ Gullar destila sua bílis num panfleto carregado de ódio e desrespeito, que não deve fazer bem a quem o escreve, muito menos a quem o lê num final de tarde de domingo como aconteceu comigo.

Viúvo do comunismo de resultados de Roberto Freire, o octogenário poeta ganhou destaque na reta final da campanha eleitoral como uma espécie de líder dos intelectuais de oposição, encabeçando manifestos e abaixo-assinados "em defesa da democracia e da vida", como se ambas estivessem ameaçadas.

Fez o que pode e o que não pode, como se pudesse, para impedir a vitória de Dilma Rousseff, candidata de um governo que ele abomina desde que tomou posse, em 2003. Por isso, ele até hoje simplesmente não aceita a derrota.

"De fato, como acreditar que uma mulher que nunca se candidatara a nada, destituída de carisma e até mesmo de simpatia, fosse capaz de derrotar um candidato como José Serra, dono de uma folha de serviços invejável, tanto como parlamentar quanto como ministro de Estado, prefeito e governador?

Não obstante, aconteceu (...)"

Gullar faz parte do elenco fixo de intelectuais e "ólogos" em geral sempre requisitados pela imprensa para escrever artigos ou dar entrevistas contra o governo Lula, a presidente eleita e o PT. Até hoje, tem gente que não admite e não se conforma com as vitórias de Lula em 2002 e 2006, e muito menos com a de Dilma este ano.

Premiado porta-letras de um setor da sociedade que o venera nos saraus dos salões elegantes, o poeta é figurinha carimbada, mas agora é hora de renovar o plantel, pois ninguém vai conseguir ler sempre os mesmos lamentos e insultos por muito tempo.

Na semana passada, a mesma Folha recolheu do anonimato dois articulistas do melhor estilo "neocon", que atribuem aos feios, sujos e malvados as razões de todas as nossas desgraças, e os abrigou em sua terceira página.

Primeiro, foi um rapaz chamado Leandro Narloch. Em seu breve currículo, ele informa já ter trabalhado na Veja e que é autor do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil". Sob o título "Sim, eu tenho preconceito", ele escreveu um texto em defesa da elite branca de Cláudio Lembo e da moça que culpou os nordestinos pela derrota e sugeriu o afogamento deles como solução. É mais um autor "neocon" em busca de um nicho de mercado dominado por "oldcons".

Pouco importa que, mesmo sem os votos do Norte-Nordeste, Dilma tivesse vencido as eleições do mesmo jeito, com mais de 1,3 milhão de votos de vantagem. A tese dos neocons é que os pobres, doentes e iletrados das "regiões mais atrasadas" ganharam dos sábios, saudáveis e abonados do Sul-Sudeste maravilha, o que para eles é inconcebível.

A segunda a entrar em cena foi a professora doutora Janaina Conceição Paschoal, apresentada ao público como professora associada (de quem?) de Direito Penal na gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Na mesma linha, ela publicou o artigo "Em defesa da estudante Mayara" e colocou a culpa pela explosão do "racismo regional" em Lula.

Enquanto a oposição procura juntar os cacos e entender o que aconteceu, sem a participação do seu líder derrotado, que sumiu do mapa e fez apenas uma fugaz e infeliz aparição no Sul da França, o noticiário pós-eleitoral se concentra nas muitas crises entre os partidos aliados na disputa por cargos no novo governo e no superdimensionamento de problemas administrativos enfrentados pela administração federal.

Pelo jeito, boa parcela do eleitorado mais conservador continua sem lideranças na representação político-partidária e no movimento social, embora tenha mostrado sua força na recente eleição, o que leva bispos, poetas, pastores e setores da imprensa a exercer este papel cada vez com maior furor.

Como dizia um velho jornalista dos meus tempos de Estadão, o mestre Frederico Branco, ainda nos anos 60 do século passado: eles não aprendem, não esquecem e não perdoam.

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PORTO ALEGRE _ São mais de 24 mil metros quadrados de estandes com livros no Centro Histórico, uma área que vai da Praça da Alfândega ao Cais do Porto. É aqui que acontece desde 29 de outubro e vai até segunda-feira, 15, a 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento do gênero promovido a céu aberto nas Américas, que reúne um público calculado em 1,5 milhão de pessoas em 18 dias de intensa programação.

Em meio a esta alegre muvuca literária, é sempre bom poder reencontrar velhos amigos, o que já justifica a viagem e compensa qualquer cansaço. São tantas as festas em torno do livro atualmente programadas durante o ano inteiro em todo o país, que se criou uma verdadeira confraria de "feirantes" literários.

Entre eles, estão os incansáveis Zuenir Ventura e Luiz Fernando Veríssimo, que mais parecem uma bem afinada dupla sertaneja apresentando seus repentes pelos palcos do Brasil afora. Apresentam sempre mais ou menos o mesmo repertório, que faz a platéia ao mesmo tempo rir e pensar, e descobrir que a leitura pode ser um prazer, não uma obrigação.

Enquanto eles assinavam autógrafos no seu novo sucesso _"Conversa sobre o tempo", o resumo de um papo de cinco dias entre os dois discutindo os mais diferentes temas, mediado pelo jornalista Artur Dapieve" _ descobri no meio da multidão o velho amigo Olívio Dutra, ex-prefeito e ex-governador, o gaúcho mais indicado para me indicar onde se come o melhor churrasco da cidade.

"Continua ótimo!", respondeu-me com entusiasmo, quando lhe perguntei do "Galpão Crioulo", onde há muito tempo não ia. Olívio gostou tanto da idéia que resolveu se incorporar à minha turma e, assim, ao lado da sua mulher, Judith, que aniversariava, passei uma das noites mais agradáveis dos últimos tempos, com direito a músicas e danças nativas.

Mais uma vez, tive a certeza de que o melhor da vida é ter bons amigos em todo lugar aonde a gente vá. O resto é literatura... Por falar nisso, tenho que encerrar este rápido papo aqui no blog e voltar para a feira. Daqui a pouco participo no Memorial do Rio Grande (Sala Jacarandá) de um debate junto com os autores do livro "Lugar de repórter ainda é na rua _ O Jornalismo de Ricardo Kotscho", mediado por outro velho amigo, o Carlos Wagner, premiadíssimo repórter do jornal Zero Hora.

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Caros leitores,

perdão pelo mau jeito, mas escrevi correndo o texto abaixo porque viajo daqui a pouco para Porto Alegre, onde vou participar, na Feira do Livro, do lançamento de "Lugar de repórter ainda é na rua _ O Jornalismo de Ricardo Kotscho", biografia escrita por Mauro Junior e José Roberto de Ponte. Por este motivo, a atualização do Balaio e a moderação de comentários ficarão prejudicados até domingo.

***

Em tempo (atualizado às 13h45): alertado pelos leitores, já em Porto Alegre, fiz algumas correções no texto abaixo. É o que dá escrever com pressa...

***

Demorou, mas aconteceu. Às vésperas de completar 80 anos, quando Silvio Santos menos esperava, o "rapa" pegou o bilionário que começou a vida como camelô. Desta vez, porém, não eram os temíveis fiscais municipais que levam as  bugigangas dos marreteiros e tudo que encontram pela frente. Eram os homens do Banco Central.

Em lugar da banquinha, o alvo da fiscalização agora era o dono do Banco PanAmericano, que deixou um rombo de 2,5 bilhões de reais, comandante de uma rede de televisão e de um império com mais de 40 empresas. Para quem transformou em ouro tudo por onde passou, o destino foi cruel. De uma hora para outra, Silvio pode perder a fortuna que camelou para ganhar a vida inteira, dando risada e oferecendo dinheiro fácil aos outros.

A seu favor, só o fato de ter empenhado todo seu patrimônio para cobrir o prejuízo, algo pouco comum num país onde as empresas podem falir mas os donos continuam ricos. Silvio sempre se orgulhou de ser respeitado no mercado por cumprir seus compromissos e carregava com ele na pasta suas declarações de imposto de renda para provar que era o maior pagador do país como pessoa física.  

Mais do que a ruína financeira no ocaso da vida, as lambanças na administração do banco e na fiscalização federal responsável sobre o que acontecia lá dentro, o que me impressiona mais nesta história é o drama familiar daí decorrente. O pivô do caso é um primo irmão de sua mulher, Rafael Palladino, que era tratado como um filho, ex-presidente do PanAmericano, colocando agora em risco a herança das seis filhas do casal Senor Abravanel. Não há mais clima para a festa do aniversário de 80 anos.

Talvez nem mesmo o enredo inverossímel das lacrimosas novelas mexicanas que a rede de TV do megaempresário gosta de exibir fosse capaz de juntar tantos ingredientes dramáticos e personagens improváveis na mesma história.

Como será que vai acabar esta novela?

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Publicado em 11/11/10 às 17h20

O cheque acabou. E ninguém avisou

113 Comentários

As grandes instituições financeiras do país, que ganharam tanto dinheiro nos últimos anos, e o comércio elegante da cidade, que também faturou como nunca, e suas respectivas agências de publicidade, poderiam fazer a gentileza de produzir alguns reclames para comunicar ao distinto público:

"Não perca mais seu tempo. Não utilize mais o talão de cheque. Jogue fora os talões que sobraram. Só saia de casa com cartão ou dinheiro. O tempo do cheque acabou e só você não percebeu". 

O problema é que os bancos continuam mandando os talões de cheque que solicitamos e não avisaram seus clientes que ninguém aceita mais cheque. Como há tempos não ia às compras no meu bairro, fui surpreendido hoje com a novidade.

Na região da rua Augusta, as coitadas das balconistas que nos atendem têm até pena de quem ameaça pagar suas compras com esta superada forma de pagamento.  "Me desculpe, senhor, mas não podemos mais aceitar isso". Você fica parecendo aquele cara suspeito, não confiável, um tipo estranho mesmo neste moderno mundo das compras.

Uma das moças que me atendeu, bem jovem, me explicou que era nova no serviço e nem sabia "como funciona esse negócio de cheque". Outra chamou o gerente, que me olhou com pesar: "Não tenho nem como registrar o pagamento com cheque no nosso sistema".

Com aquela cara de iogurte que está com o prazo de validade vencido, voltei para casa e, resignado aos novos tempos, peguei o cartão do banco para poder concretizar a compra do novo tênis que eu tanto cobiçava, mas não achava o meu número. Quando achei, não aceitavam mais cheque. Acho que eu e o talão do banco ficamos fora de moda.

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Publicado em 10/11/10 às 09h56

Com muita sorte, desapego e amor

96 Comentários

 Tem gente que passa a vida toda sonhando com o grande prêmio da loteria e planejando como gastar a bolada, mas este dia nunca chega. Para outros, demora tanto a chegar que, quando o dinheiro lhes cai nas mãos, já não sabem o que fazer com ele.

Foi o que aconteceu com um casal de idosos no Canadá, que ganhou mais de US$ 11 milhões (cerca de 18 milhões) na loteria e resolveu doar tudo. A notícia veiculada pela BBC Brasil não é nova. Foi publicada numa nota de 12 linhas do Último Segundo na sexta-feira passada. 

Achei a história tão boa que a imprimi e mandei para alguns parentes e amigos, mas a esqueci sobre a minha mesa, sendo atropelada por outros assuntos considerados mais importantes, o que é uma bobagem minha. Dependendo de quem a lê, qualquer notícia pode ou não ser interessante. E estas pequenas histórias da vida real sempre me fascinaram.

Allen Large, de 75 anos, e Violet Large, de 78, resolveram se livrar do dinheiro para evitar "uma grande dor de cabeça". A explicação de Allen é fantástica porque resume em poucas palavras uma belíssima demonstração de amor e de desapego:

"Você não sente saudade daquilo que nunca teve. O dinheiro que ganhamos não é nada. Temos um ao outro".

A notícia, originalmente publicada no jornal local "Halifax Chronicle-Herald", informa que o casal Large vive em Lower Truro, na província de Nova Scotia, e foi surpreendido sem planos sobre o que fazer com o dinheiro.

Os dois tiveram dúvidas: pegaram a grana e saíram em viagem pela província parando em hospitais, igrejas e associações de caridade para distribuir o prêmio que ganharam.

Aos que se surpreendiam com o gesto do casal, Violet, que se submetia a um tratamento contra o câncer, e estava sem cabelos, dava uma lição de vida:

"Doar o dinheiro nos fez sentir melhor. E há tanta coisa boa a ser feita com ele".

Quantos de nós seríamos capazes de fazer o mesmo que Allen e Violet?

***

 Recebi de amigos indignados com as últimas demonstrações de preconceito e do que chamei de "racismo regional" o pedido para publicar a nota abaixo sobre um evento marcado para amanhã, quinta-feira, dia 11. 

 Ato de Desagravo aos Nordestinos

 Evento será realizado após a Sessão Ordinária da Câmara nesta quinta-feira, dia 11, e contará com a participação de autoridades ligadas aos Direitos Humanos e Cidadania e representantes da sociedade civil 

Acontece nesta quinta-feira (11/11), às 17 horas, no Plenário 1º de Maio, na Câmara Municipal de São Paulo, o Ato de Desagravo aos Nordestinos. O evento será realizado após a Sessão Ordinária da Casa Legislativa.

 Promovido pelo vereador Francisco Chagas (PT), o ato tem por objetivo manifestar repúdio às ofensas disseminadas na internet, e à introdução e prática na sociedade paulista e brasileira de qualquer forma de discriminação das pessoas motivadas por preconceitos, seja de raça, cor, etnia, sexo, origem regional, religião, nacionalidade, entre outras.

  São aguardadas para o Ato, além dos vereadores, outras autoridades e instituições ligadas aos Direitos Humanos e Cidadania, representantes das comunidades nordestina, negra e indígena, bem como entidades da sociedade civil, e representantes de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais.

  Na semana passada o vereador Chagas protocolou no Ministério Público Federal, em São Paulo, uma representação para apuração de possível prática de Crime de Racismo cometida por usuários de redes sociais da Internet, como Twitter, Facebook, Orkut e outras.

 Esses usuários distribuíram ofensas de cunho racista pelas redes sociais logo após ter sido anunciada a vitória de Dilma Roussef, na noite do dia 31 de outubro. As ofensas são contra os habitantes e pessoas com origem nos Estados localizados no Nordeste e Norte do País, bem como contra membros das comunidades indígena e negra.

  Francisco Chagas é autor da Lei Municipal que criou o Dia do Nordestino na cidade de São Paulo. A data faz parte do Calendário Oficial de Eventos do Município, e tem como objetivo prestar uma justa homenagem e reconhecimento aos mais de 4 milhões de cidadãos de origem nordestina ou seus descendentes que moram na capital paulista.

***

Do amigo Audálio Dantas, alagoano dos bons, recebi outra mensagem, que transcrevo abaixo, sobre a saga eletrônica um velho colega nosso, Madruga Duarte, que bateu de frente com uma parede na internet, ao tentar resolver um problema com o serviço de atendimento ao cliente da empresa aérea Azul.

Parece um diálogo kafkiano, que é muito comum hoje em dia. Não se consegue mais falar com pessoas, mas com "sistemas" criados para facilitar as nossas vidas, mas que não resolvem nada. Nota-se também no diálogo eletrônico como a nossa amada língua portuguesa anda sendo maltratada.

Abaixo, o e-mail do Audálio com a troca de correspondências entre Madruga Duarte e a Azul:  

"Ricardinho, eis aí uma historinha que talvez sirva pra você preencher um bom  espaço do Balaio. O Madruga Duarte é um velho colega nosso que continua na área de comunicação, fazendo consultoria no Paraná. Pela história dele, vemos que não está tudo azul na Azul.   Abraços,   Audálio  

  
From: Madruga Duarte Sent: Tuesday, November 09, 2010 9:48 AM To: MADRUGA TERRA Subject: ENC: PROBLEMA

Pessoal – veja que coisa estranha ocorre numa companhia aérea como a AZUL. 

Madruga 

À AZUL: 

Peço que encaminhem este e mail a essa famosa Área de Atendimento Específico. 

Continuo perplexo com a “atuação” da Azul. Se até o Banco do Brasil divulga dos nomes de seus diretores, que diabo é isso de “ por razões de segurança” você esconderem esses nomes? E que segurança terei eu, como passageiro de uma companhia aérea que esconde os nomes de seus dirigentes? 

Pretendo divulgar esses pontos, que considero absolutamente negativos dessa nova empresa, de todas as maneiras possíveis. 

Porém, espero que tenham a dignidade de responder aos meus questionamentos. 

Bolivar Madruga Duarte, 

jornalista 

De: Azul Linhas Aéreas Brasileiras [mailto:faleconosco@voeazul.com.br]
Enviada em: terça-feira, 9 de novembro de 2010 06:53
Para: Madruga Duarte
Assunto: RES: PROBLEMA 

Bom dia, 

Madruga. 

Agradecemos seu contato. Esclarecemos que, por medida de segurança, não divulgamos nome ou dados de contato de nenhum dos funcionários da companhia. 

Lembramos que a solicitação a qual nos fez deve ser direcionada ao atendimento do Tudo Azul pois, existe um atendimento específico para o programa ao qual as outras áreas não tem acesso. Ligue para 4003 1141 e poderá ter esclarecidas suas dúvidas referente ao programa. 

Ressaltamos que, caso queira encaminhar sua reclamação/sugestão, deve responder a esse mesmo email e direcionaremos a área responsável. 

Atenciosamente, 

Karen Santana  

Atendimento ao Cliente 

Erro! O nome de arquivo não foi especificado. Azul Linhas Aéreas Brasileiras 

Tel:  4003-1118 

Acesse: www.voeazul.com.br 


De: Madruga Duarte [madrugaduarte@uol.com.br]
Enviado: segunda-feira, 1 de novembro de 2010 5:52
Para: Azul Linhas Aéreas Brasileiras
Assunto: RES: PROBLEMA 

Se vocês me consideram um CLIENTE forneçam a seguinte informação: 

E- mail de um dirigente da Azul, pois desejo – e creio ter esse direito – escrever a ele. 

Aguardo 

Madruga Duarte, jornalista. 

De: Azul Linhas Aéreas Brasileiras [mailto:faleconosco@voeazul.com.br]
Enviada em: domingo, 31 de outubro de 2010 07:43
Para: Madruga Duarte
Assunto: RES: PROBLEMA 

Bom dia, 

Madruga. 

Agradecemos seu contato. Em atenção a seu email, orientamos que entre em contato diretamente com o atendimento específico ao usuário Tudo Azul pelo telefone 0xxDDD de sua cidade 4003 1141 pois, devido a restrições no atendimento via email e chat, não fazemos determinadas operações. 

Lembramos que os canais acima mencionados são para esclarecimentos e orientações referente a dúvidas sobre procedimentos realizados e suporte ao site. Solicitações específicas, como a do Tudo Azul, devem ser direcionadas direto para o departamento pertinente. 

Certos de sua compreensão, aguardamos seu contato via telefone. 

Atenciosamente, 

Karen Santana 

Atendimento ao Cliente 

De: Madruga Duarte [madrugaduarte@uol.com.br]
Enviado: sexta-feira, 29 de outubro de 2010 8:11
Para: Azul Linhas Aéreas Brasileiras
Assunto: ENC: PROBLEMA 

Segundo envio 

De: Madruga Duarte [mailto:madrugaduarte@uol.com.br]
Enviada em: sábado, 23 de outubro de 2010 08:48
Para: 'Azul Linhas Aéreas Brasileiras'
Assunto: RES: PROBLEMA 

Continuo inconformado com sua informação. 

Gostaria de comunicar-me com um nível mais elevado da Cia. 

Pode fazer  o favor de fornecer nome/cargo e e mail? 

Bolivar Madruga Duarte, jornalista 

De: Azul Linhas Aéreas Brasileiras [mailto:faleconosco@voeazul.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 20 de outubro de 2010 13:27
Para: Madruga Duarte
Assunto: RES: PROBLEMA 

Boa tarde, Madruga 

Esclarecemos que a orientação de contato com Tudo Azul é devido o acesso ao sistema de gerenciamento de senhas, usuários e creditos, cujo canal Chat e fale conosco não tem acesso. 

Aguardamos seu contato conosco. 

Atenciosamente, 

Andrea Fernando  

Atendimento ao Cliente 

De: Madruga Duarte [madrugaduarte@uol.com.br]
Enviado: segunda-feira, 18 de outubro de 2010 8:28
Para: Azul Linhas Aéreas Brasileiras
Assunto: RES: PROBLEMA 

Prezada Priscila 

Eu pensei que essa informação de que “não é comigo” era algo superado pelas empresas modernas – como parece ser a Azul. 

Por que tenho de buscar outro canal se já estou dialogando com esse? 

Afinal, parece que você representa a Azul, não uma pequena parte dela. 

Madruga Duarte 

De: Azul Linhas Aéreas Brasileiras [mailto:faleconosco@voeazul.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 13 de outubro de 2010 10:20
Para: Madruga Duarte
Assunto: RES: PROBLEMA 

Bom dia, 

Bolivar, 

Pedimos desculpas pelos erros encontrados na criação da nova senha. 

Solicitamos que entre em contato com a nossa Central de Atendimento ao Cliente Tudo Azul através do telefone 4003-1141, para verificar se sua senha está bloqueada ou expirada, pois por este canal não temos este acesso. 

Teremos prazer em atendê-lo. 

Tenha um dia AZUL! 

Atenciosamente, 

Priscila Bellis  

Atendimento ao Cliente 

Azul Linhas Aéreas Brasileiras

 

De: Madruga Duarte [madrugaduarte@uol.com.br]
Enviado: sábado, 9 de outubro de 2010 17:24
Para: Azul Linhas Aéreas Brasileiras
Assunto: PROBLEMA 

Srs. da Azul 

Recebi um e-mail em que dava o nome de usuário e a senha e mandava no primeiro acesso eu trocar a senha. Assim fiz e depois de oito tentativas o site nunca aceitou as várias proposições de senhas enviadas. Sempre alegou que não estava conforme as regras, isto é, 4 digitos e quatro letras. 

O que devo fazer, Senhores? 

Bolivar Madruga Duarte 

E mail  madrugaduarte@uol.com.br 

Consultório de Idéias 

Madruga Duarte 

Edifício Diário do Paraná – Rua Lourenço Pinto 189 – apto 1102 

Esquina com André de Barros - CEP 80.010-160 

Centro, Curitiba, PR. 

Fone (41) 3524-6099  Fax: (41) 3082-6099 

e-mail: madrugaduarte@uol.com.br ou bmd@terra.com.br 

SITE - http://videolog.uol.com.br/eugenia 

O que existe, 

pode ser melhorado 


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Publicado em 09/11/10 às 10h51

Por que a mídia teme o debate?

63 Comentários

"A proposta é recebida com receio pelo setor, que teme o cerceamento do conteúdo jornalístico", escreveram na Folha as repórteres Elvira Lobato e Andreza Matais, sobre o seminário promovido pelo governo federal, que começa nesta terça-feira, em Brasília, com o objetivo de discutir uma nova regulamentação para os meios de comunicação eletrônica. Os outros jornais também mostraram o mesmo receio.

Afinal, o que tanto temem os barões da mídia? É sempre a mesma coisa: basta qualquer setor da sociedade civil ou representantes dos três poderes colocarem em discussão a regulamentação dos meios de comunicação social no país para que as entidades representativas do setor reajam em bando, assustadas, como se um exército de censores estivesse de prontidão para acabar com a liberdade de imprensa no país.

Do que se trata? Com base na legislação de outros países, que enviaram representantes ao seminário, o atual governo está preparando um anteprojeto de lei para estabelecer novas regras do jogo numa área revolucionada nos últimos anos pelos novos meios eletrônicos.  O resultado deste trabalho será entregue à presidente eleita Dilma Rousseff, que decidirá se enviará ou não um projeto de lei ao Congresso Nacional, a quem cabe a última palavra.

Em qualquer democracia do mundo, é assim que as coisas funcionam. Aqui, não. Nossa mídia não admite que nenhuma instância da sociedade, dos parlamentos ou dos governos eleitos se atreva a se meter em sua seara. É como se a mídia constituisse um mundo à parte, uma instituição autônoma, acima do bem e do mal, inimputável como as crianças e os índios.

Desde o começo do primeiro governo do presidente Lula, já se gastaram milhares de quilômetros de matérias em jornais e revistas e horas sem fim de comentários em emissoras de rádio e televisão para falar das ameaças à liberdade de expressão no Brasil. O nome do fantasma é "controle social da mídia", um negócio que ninguém sabe direito o que é nem como faz para funcionar, mas é muito perigoso.

Pergunto: qual foi até agora a iniciativa concreta do governo Lula para cercear qualquer profissional ou orgão de imprensa? Sim, eu sei, falarão do episódio da "expulsão" do correspondente Larry Rother, um grave erro do governo que não se consumou, e da "censura" ao Estadão, que já dura não sei quantos séculos, impedido de falar dos rolos de um filho do ex-presidente José Sarney, por determinação da Justiça.

Só por ignorância ou má fé casos assim podem ser citados por entidades como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), venerando clube que congrega o que há de mais reacionário e ultrapassado no continente, como exemplo de que no Brasil não vigora a mais absoluta liberdade de imprensa e de expressão.

Não adianta o ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, responsável pelo seminário e pelo anteprojeto, repetir mil vezes que o objetivo da discussão é defender, e não ameaçar, a radiodifusão, que sofre a pesada concorrência das empresas de telecomunicação. "Se prevalecer só o mercado, a radiodifusão será atropelada da jamanta das teles".

Os números publicados pela Folha dão razão a Martins. "Enquanto as teles faturaram R$ 144  bilhões em 2009, o faturamento somado das rádios e TVs foi de R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões", informa o jornal. O ministro também descarta qualquer "controle social" sobre a mídia. "A imprensa já é observada, criticada e fiscalizada pela internet, que, aliás, faz isso de forma selvagem, mas faz".

A maior prova de que as empresas e suas entidades representativas não querem regulamentação alguma e só aceitam prestar contas a Deus, se acharem necessário, foi o fracasso da tentativa de criar uma comissão, no último encontro da Associação Nacional de Jornais (ANJ), para começar a discutir a autorregulamentação do setor.

Na área de publicidade, a iniciativa foi tomada há mais de 30 anos com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que envolve agências, veículos e anunciantes, e funciona muito bem. Mas as Organizações Globo foram contrárias à criação da comissão e, portanto, não se falou mais no assunto.

É esta, por sinal, a principal recomendação do estudo "Indicadores da Qualidade de Informação Jornalística", que será lançado hoje pela Unesco, com base em 275 questionários respondidos por profissionais de todo o país. "Cabe às empresas do setor definir os padrões de qualidade", resumiu Guilherme Canela,  o coodenador do estudo, que propõe a autorregulação.

Só falta agora os tementes da SIP, da Abert, da ANJ (da líder oposicionista Judith Brito), da Aner, os de sempre, enfim, acusarem a Unesco, um orgão da ONU, de se meter onde não foi chamada e ameaçar a liberdade de imprensa no Brasil.   

Razão tem meu amigo Luciano Martins Costa, que escreveu ontem no "Observatório da Imprensa" a melhor definição sobre a crise existencial vivida pela nossa velha imprensa:

"O que acontece é que as empresas tradicionais de mídia vivem no regime monárquico e lutam para impedir a proclamação da República".

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