Como no Brasil não temos o salutar hábito das prévias, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, um fato político está ficando evidente nesta temporada pré-eleitoral: cada vez mais, não são apenas as vontades e os conchavos dos caciques, muito menos os programas partidários, mas as pesquisas que definem o quadro de candidatos e alianças para 2010.
Até o começo do ano, antes da safra mais recente de pesquisas, o quadro parecia definido com apenas dois candidatos disputando para valer a presidência. De um lado, Dilma Roussef, do PT, como candidata do governo Lula; de outro, José Serra, do PSDB, pela oposição.
Desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito pela primeira vez, tem sido assim. Passando pela sua reeleição e, depois, as duas vitórias de Lula, a disputa praticamente se limitou aos candidatos do PSDB e do PT. Aos outros, cabia apenas fazer figuração.
Agora, parece que as coisas estão mudando, tantas são as variáveis produzidas pelas últimas pesquisas. A começar pela entrada em cena de um fato novo, a candidatura de Marina Silva pelo PV, o quadro está em constante mutação.
Pouco mais de um ano de antes de sairmos de casa para eleger o sucessor de Lula, ainda não sabemos quais os nomes que estarão na urna eletrônica, nem do lado do governo, nem da oposição, muito menos podemos prever quem estará no segundo turno.
Mas vai ser muito difícil, a julgar pela indefinição das candidaturas de um lado e de outro, o quadro ficar limitado a apenas duas candidaturas viáveis. O sonho de Lula de transformar a eleição num plebiscito sobre o seu governo, em comparação com o anterior, a esta altura parece cada vez mais distante da realidade.
Com a acentuada queda dos favoritos José Serra e Dilma Roussef no Ibope divulgado esta semana, e o crescimento consistente de Ciro Gomes, do PSB, até o papel do PMDB, o grande fiel da balança, ficou embaralhado nesta história.
Orestes Quércia, Jarbas Vasconcelos e Ibsen Pinheiro à frente, o PMDB serrista peitou esta semana Michel Temer, presidente licenciado da sigla e nome mais cotado para ser o vice de Dilma. Temer agora quer uma rápida definição da chapa governista, mas o PSDB e seus aliados no PMDB não querem definição nenhuma por enquanto. A ordem por lá é tocar a bola e deixar o tempo passar.
Pouco importa que o PSDB tenha nascido exatamente da dissidência criada pelo chamado "grupo ético" do antigo PMDB, que não aceitava mais o comando do partido nas mãos de Quércia em São Paulo. Da mesma forma, o PT já esqueceu tudo o que falava sobre o ex-presidente Sarney e sua turma. O que importa e está em jogo é o latifúndio de tempo que o PMDB tem na televisão, além dos seus palanques estaduais.
Pelo andar da carruagem, como não lançará candidato próprio, para poder se compor depois com quem ganhar, o PMDB permanecerá dividido e a maioria ficará com quem estiver melhor nas pesquisas no próximo ano.
Do lado tucano, há um consenso de que Serra, ainda com boa folga na liderança, só levará sua candidatura até o fim se tiver certeza da vitória na corrida presidencial. Caso contrário, vai preferir uma tranquila reeleição em São Paulo.
Do lado do governo, Lula e o PT estão fechados com Dilma, mas o que farão se Ciro Gomes, que também é da base aliada, continuar crescendo nas pesquisas e abrir uma boa vantagem sobre a candidata do governo?
Um ano antes das eleições americanas do ano passado, quem apostava um tostão em Obama contra Hillary na convenção democrata? E quem apostaria outro tostão de que, ao final das prévias, sairia uma chapa Obama-Hillary?
Como aqui não temos prévias, volto ao início do comentário: precisamos esperar as próximas pesquisas para saber que rumos os principais partidos e candidatos vão tomar. Os líderes políticos podem ser teimosos, mas não costumam rasgar votos.
Assim como alguns líderes do PSDB, a começar pelo ex-presidente FHC, ainda sonham com uma chapa puro sangue Serra-Aécio, os números poderão levar os governistas a montar uma chapa Dilma-Ciro ou Ciro-Dilma, caso o PMDB não apóie oficialmente nenhuma das candidaturas.
Só para encerrar: diante da importância que as pesquisas vêm ganhando nas eleições 2010, urge que o TSE providencie um controle rígido sobre metodologias aplicadas pelos institutos, que já começam a ser contestadas, para assegurar a lisura dos resultados apresentados.

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As notícias que chegam do Comitê Olímpico Internacional, que vai definir a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 no dia 2 de outubro, não poderiam ser mais favoráveis para o Rio.
Ao deixar a festa de lançamento da nova programação da TV Brasil, na noite desta quarta-feira, no MAM carioca, o governador Sergio Cabral estava animadíssimo com as chances de ganhar esta disputa.
"Olha, posso estar muito enganado, mas a cada dia tenho mais certeza de que o Rio vai ser a sede da Olimpíada, essa é nossa", comentou ele comigo, para logo em seguida cair na real:
"E se a gente ganhar mesmo?", perguntou-se, e fez uma cara de preocupada felicidade. Ainda faltam sete anos até lá, mas o desafio é imenso para deixar a Cidade Maravilhosa em condições de receber as delegações de todo o mundo. Só as maravilhas da natureza, como sabemos, não bastam.
O jovem Cabral bota a maior fé no seu principal cabo eleitoral, o presidente Lula. No mesmo dia, ele tinha lido notícia no New York Times que lhe dá razão. O grande jornal norte-americano afirma que Lula tem a tarefa mais fácil do mundo: promover a candidatura do Rio para sede das Olimpíadas de 2016.
É difícil dizer qual dos dois está mais empolgado, se o governador ou o presidente. Na entrevista coletiva que deu segunda-feira em Nova York, antes de falar na assembléia Geral da ONU, Lula não deixou por menos:
"Nós vamos oferecer as mais belas praias do mundo. Em vez de os atletas terminarem suas competições e correrem para a hidromassagem, eles podem fazer treinamento nas praias, tão bonitas que vão estar preparadas para quebrar recorde sobre recorde. Meu otimismo com o Rio é tão grande que não dá para medir."
Lula e Cabral vão estar juntos em Copenhague no dia 2, onde irão defender a candidatura do Rio contra Tóquio, Chicago e Madri. Na mesma hora, entre uma e duas da tarde, horário de Brasília, em que a decisão será anunciada na Dinamarca, a TV Globo e o SportTV, em parceria com a prefeitura, farão um grande evento na Praia de Copacabana para torcer pelo Rio, como informa hoje a coluna de Ancelmo Gois, em O Globo.
Já a partir das 10 da manhã, vai ter show de Lulu Santos, do Grupo Revelação e da bateria do Salgueiro. Ganhar a sede dos Jogos Olímpicos para o Rio é tão importante para o governador Cabral que ele já nem fala mais na disputa pelos royalties do pré-sal para não desagradar seu amigo Lula.
O otimismo de Cabral acabou contagiando as quase 500 pessoas que foram à festa da TV Brasil _ entre elas, o ministro Franklin Martins, que passou um bom tempo da noite conversando com o governador.
De lá do MAM, na praia do Flamengo, fui para a velha Lapa, o que é de lei para paulista que vai ao balneário. No caminho, pude reparar como o Rio já está mais bem cuidado, menos sujo e largado, depois que Cesar Maia foi embora, e os jovens Sergio Cabral e Eduardo Paes começaram a dar uma nova cara à cidade. O Rio merece.

Em tempo: em razão desta viagem ao Rio, peço desculpas aos leitores pela demora na liberação de comentários e na atualização do blog, mas o motivo foi justo. Entre os novos programas da TV Brasil, estréia agora no final da tarde, às 17h30, o "Papo de Mãe", comandado por Mariana Kotscho e Roberta Manreza, uma produção independente em que as duas jornalistas trabalham faz quase dois anos. Não percam.

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Corajoso, lúcido e sereno, meu velho colega Carlos Eduardo Lins da Silva, o ombudsman da Folha, tocou em várias feridas do veículo onde trabalha e apontou caminhos para a imprensa em geral durante a sabatina a que foi submetido no auditório do jornal nesta segunda-feira.
O ponto central da sua fala, a meu ver, foi quando defendeu com veemência a criação de mecanismos de autorregulação pelas próprias empresas de comunicação.
"Ou os jornais se autorregulam para melhorar ou eles vão ser regulados por alguém, e vai ser muito pior para todos".
Faz muitos anos que defendo esta mesma tese em seminários e debates sobre os rumos da nossa imprensa. Este ano, com o enterro da Lei de Imprensa, que já foi tarde, e o fim da regulamentação da profissão de jornalista, ficou um vazio legal, deixando o setor sem qualquer marco regulatório ou regras do jogo que por todos possam e devam ser respeitadas.
A sociedade hoje não tem mais como se defender da sua imprensa, pois sequer o direito de resposta dos cidadãos é respeitado no tempo e no espaço necessários.
Lins da Silva foi direto ao ponto ao tocar na questão:
"Os jornais, a imprensa, os jornalistas são arrogantes, prepotentes, não gostam de ouvir críticas em nenhuma hipótese e não querem ser melhorados (...). Por que o ombudsman, que é uma forma modesta de autorregulação, não se dissemina no país e no mundo? Porque os jornais e a imprensa não gostam de ser regulados nem por si próprios. A autorregulação é uma premência para a liberdade de imprensa".
Já temos no Brasil o belo exemplo do Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária), que está completando 30 anos de atividades em defesa da ética na propaganda, com a participação de anunciantes, agências e representantes da sociedade civil.
Foi o exemplo que usei ao defender a criação do Conselho Federal de Jornalismo, quando ainda trabalhava no governo. A pedido das próprias entidades representativas dos jornalistas, foi elaborado pelo Ministério do Trabalho e enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei que nada mais era do que a autorregulação do exercício da atividade jornalística.
Na época, em 2004, o governo foi acusado de querer controlar a imprensa, e o projeto sofreu um massacre brutal em toda a mídia, sendo logo retirado da pauta. Se o projeto era ruim, poderia ter sido modificado e melhorado no Congresso, ou mesmo sumariamente rejeitado, mas não se admitiu sequer a discussão da proposta, como sempre acontece quando se trata de regulamentar o trabalho de jornais e jornalistas.
"O diploma eu sempre achei que é uma falsa questão", disse Lins da Silva na sabatina, com o que concordo. "Não há necessidade de uma formação de quatro anos em escola superior para alguém ser jornalista, é totalmente irrelevante".
Tudo bem, meu caro Carlos Eduardo, estamos de acordo também neste ponto, até porque eu não tenho diploma e você se tornou um professor-doutor em jornalismo...
Mas você há de reconhecer, como disse na sabatina, que precisamos de mecanismos de autorregulação _ e isso deveria valer tanto para as empresas como para nós, jornalistas.
É preciso criar instrumentos para fiscalizar o acesso e o exercício da profissão, assim como faz a OAB com os advogados. Neste caso, não basta ter diploma, é preciso ser aprovado no exame da Ordem. Diploma à parte, por que não se pode fazer o mesmo na nossa profissão?
Você mesmo diz que "80% dos erros que saem do jornal podem ser atribuídos a três fatores: pressa, preguiça e ignorância. E acho que isso não tem muito como mudar, a não ser com um controle firme do comando da Redação".
A julgar pelos recentes episódios ocorridos na Folha _ o falso "dossiê Dilma" e a previsão do jornal de que 4,4 milhões de brasileiros deveriam estar hoje infectados pela gripe suína _, que você mesmo lembrou na sabatina, só este controle não basta.
É preciso que haja uma instância superior, como a Comissão de Ética do Conar, que seja capaz de punir os abusos e obrigar as empresas a corrigir seus erros, como acontece na propaganda.
É louvável a posição da Folha de manter o cargo do ombudsman por tantos anos e publicar em suas próprias páginas as duras críticas que Lins da Silva lhe fez em sua sabatina.
Mas não consigo me esquecer de um episódio muito engraçado toda vez que se fala em ombudsman. Ainda trabalhava no jornal, em meados dos anos 80, quando surgiu a idéia de se criar pela primeira vez este cargo no Brasil.
Um dos primeiros profissionais convidados para ser o ombudsman da Folha foi Augusto Nunes, hoje também blogueiro, então recém-saído da Editora Abril. Depois que a direção do jornal lhe explicou detalhadamente quais seriam suas tarefas, ele deu uma de desentendido e fez uma singela pergunta:
"Mas se é para apontar os erros do jornal não seria melhor fazer isso antes e não depois da publicação?".

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Sei muito bem que, ao ler este título, o torcedor ou dirigente do São Paulo vai logo dizer que não tem nada de milagre _ é muito trabalho, profissionalismo, estrutura, centro de treinamento, salários em dia, essas coisas todas que já sabemos.
Umas dez rodadas atrás, no entanto, o São Paulo estava a um ponto da zona de rebaixamento. O grande ídolo Rogério arrebentou o tornozelo num treino e passou vários meses no estaleiro; único craque do time, Hernanes, estourou o joelho; a diretoria mandou o Muricy tricampeão embora e, ainda por cima, contratou um zé mané, o Ricardo Gomes, técnico sem história de vencedor recolhido na França, que tinha tudo pra dar errado. Eu mesmo escrevi tudo isso aqui.
Com tudo contra, o São Paulo não só saiu do risco do rebaixamento como foi subindo na tabela até entrar no G-4 e, neste domingo, pela primeira vez no Brasileirão 2009, chegou ao primeiro lugar empatado com o Palmeiras, que só mantem a liderança porque tem maior saldo de gols.
Ao empatar com o Santo André, em Ribeirão Preto, depois do Inter perder do Vitória, sábado, em Salvador, o São Paulo chegou ao topo com os mesmos 44 pontos do Palmeiras de Muricy. O Palmeiras, que tem um jogo a menos, ficou fora desta rodada e só volta jogar na próxima quarta-feira contra o Cruzeiro, no Mineirão.
Até lá, um time sem técnico ganhador, sem grandes estrelas, sem empolgar nem a sua própria torcida, jogando só para o gasto, vai ficando na co-liderança do campeonato.
E agora? Quem vai tirar o São Paulo de lá? Como no ano passado, este time que não joga bonito, vai correndo por fora, comendo pelas beiradas e, de repente, torna-se um dos grandes favoritos a conquistar mais um título, o quarto seguido.
Quem explica este milagre? Como sou apenas um velho torcedor do São Paulo, que ameaçou outro dia passar a torcer pelo Palmeiras do Muricy para agradar a neta palmeirense, não sei a resposta.
Durante todo o primeiro tempo do jogo contra o Santo André, o São Paulo foi dominado, com o velho Marcelinho tomando conta do meio de campo. Achamos um gol logo no começo do jogo, com um chute de fora da área do lateral Jean, mas daí para a frente ficamos só cozinhando o galo.
E o São Paulo acabou castigado pela falta de ousadia, pelo futebolzinho burocrático. Quase no final do jogo, o Santo André, este pequeno grande algoz do São Paulo nos últimos anos, chegou ao empate.
Desse jeito, o meu São Paulo pode até ser campeão de novo, tetracampeão consecutivo ou heptacampeão, mas ainda não voltou a jogar um futebol capaz de honrar a camisa tricolor.
Se tiver que responder à minha pergunta do título, só tenho uma explicação: o milagre é justamente esta camisa de três cores. Camisa pode não ganhar jogo, mas ajuda a lembrar a história de um time vencedor.

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Os mais comentados
Como faço desde o primeiro domingo deste blog, segue a relação dos três assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país. É um bom indicador para sabermos quais os temas que despertam maior interesse nos leitores.

Balaio
Caso Fiel Filho: 201
Internet livre: 136
Sarney e Mercadante: 133

Folha
Governo Lula: 71
Senado: 55
Governo Kassab: 29

Veja
Especial Amazônia: 25
Trapaça de Nelsinho Piquet: 23
Criminalidade na Bahia/O mundo pós-crise: 15

Qualquer um hoje pode criar seu blog ou escolher entre milhares de opções aqueles que são os seus preferidos. Ninguém é obrigado a ler o que não gosta, assuntos que não lhe interessam ou tratam de personagens que condena.
A internet é livre e os internautas têm plena liberdade de escolha.
Lembro estas coisas tão singelas a propósito dos leitores que entraram aqui nos últimos dias para me agredir e ofender porque falei das minhas conversas com três importantes personagens da cena política brasileira, amigos com quem mantenho relações cordiais há muitos anos.
Por acaso, cruzei na semana passada com Antonio Palocci, em São Paulo, José Sarney e Aloízio Mercadante, em Brasília, e achei que poderia interessar aos leitores saber o que eles andam fazendo e pensando da vida.
Apenas contei o que ouvi, sem fazer nenhum julgamento de mérito do trabalho deles _ até porque, sou repórter e, não, juiz.
Foi o que bastou para que dezenas de leitores que não gostam destes três políticos e condenam seus atos na vida pública invadissem o Balaio para xingá-los e, por tabela, o meu trabalho.
É um direito que lhes assiste, claro, mas gostaria de lembrar outra obviedade: o blog é como uma janela de onde olho a rua, a cidade e o mundo, e depois conto o que estou vendo ou ouvindo. Simples assim.
Todo mundo pode gostar ou não do que vi e ouvi, mas não sou culpado se a paisagem não agrada a alguns leitores. Apenas ficar xingando a janela não resolve nada, não muda a paisagem.
Posso eventualmente também escrever se a paisagem me agrada ou não, sou livre para dar minha opinião sobre o que ouço e vejo, assim como os leitores, mas o mais importante para mim sempre foi contar o que está acontecendo, independentemente do que eu acho disso ou daquilo.
Desta forma, agindo sem preconceitos nem querendo ser dono de verdades absolutas como muitos dos meus colegas, sei que posso ganhar ou perder leitores, o Balaio pode receber mais ou menos comentários, não tem problema.
Parafrasenado meu velho amigo Carlito Maia, um sábio que partiu deste mundo muito cedo e já faz tempo, podem não gostar de tudo o que escrevo, mas ninguém pode me obrigar a escrever aquilo que não quero.
Em todos os lugares onde já trabalhei, e também aqui no iG , a minha liberdade para escrever sempre foi respeitada (com exceção, obviamente, dos tempos da censura militar).
Não abro mão dos meus princípios desde o meu primeiro dia na carreira de jornalista, que vai completar 45 anos no próximo mês.
Já demiti várias empresas da minha vida por não concordar com os rumos que tomavam e nunca fui por nenhuma delas demitido. Tenho muito orgulho disso.
Bom domingo a todos.
Vida que segue.

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A maioria dos leitores, claro, comemorou o fim da ameaça de restrições e a liberação geral da internet nos períodos eleitorais, tema do meu post de quinta-feira (ver aí abaixo: "Vitória! Reação da blogosfera faz Congresso recuar e liberar a internet"). No texto, atribuí a vitória à reação da blogosfera, que, desta vez, foi ouvida pelos parlamentares _ ou melhor, lida em suas caixas de mensagens.
Mas teve gente que achou pouco. "Não ganhamos nada! Proibir o anonimato? Faça-me o favor!", protestou Raphael Tsavkko Garcia, às 17: 48 de ontem.
Calma lá, meu caro leitor internauta. Sou absolutamente a favor desta regra que exige identificação correta de quem frequenta a rede. Cada um tem que ser responsável pelo que escreve, como acontece em qualquer outro meio de comunicação. Já defendi esta posição aqui mesmo no Balaio, quando o blog foi invadido por uma malta de cachorros loucos anônimos, e fui muito criticado por isto.
Fico com o que escreveu Salete Cesconeto de Arruda, às 14:30 de hoje: "Minha mãe me disse que opinar escondido atrás de um biombo é um prazer mixo. Principalmente porque uma opinião ética não coloca em risco a vida de pessoas que vivem numa democracia. Não estamos em tempo de ditadura! Não faz sentido o anonimato para isso".
Por coincidência, no post anterior, em que escrevi sobre a reabertura do caso Fiel Filho, conto como foi a decisão de assinar com meu nome a matéria do Estadão na qual denunciei o assassinato do operário. Se fiz isso no tempo em que revelar o que se passava nos porões da ditadura era correr risco de vida, não posso aceitar que agora, quando vivemos num clima de plenas liberdades públicas, alguém defenda a covardia do anonimato para ofender, injuriar e caluniar os outros.
Qual é o problema de se identificar honestamente, sem usar codinomes, nicks, pseudônimos e outros disfarces? Tem medo do que ou de quem esta gente? Da polícia, do patrão, do governo ou da Justiça? Se é da Justiça, tem mais é que temer mesmo porque, apesar da liberdade de expressão agora assegurada na internet, o Código Penal continua em vigor e destruir reputações é crime.
Nenhum jornal publica cartas anônimas. O leitor tem que dar não só seu nome, como RG, CPF, endereço, etc. para que as cartas sejam publicadas. Por que haveria de ser diferente na internet?
É preciso deixar bem claro que há limites para tudo na vida. A internet é como nossa casa virtual, é preciso respeitar o dono. Ninguém pode entrar na casa dos outros chutando a porta e xingando o dono. Depois, quando o comentário destes valentes anônimos não é publicado, eles saem gritando em letras maiúsculas como se todo mundo fosse surdo: "CENSURA!CENSURA!CENSURA".
Nada de censura: é só uma questão de civilidade e respeito aos demais leitores. Uma das minhas funções neste blog é zelar pelo nível do debate, garantir a todos um espaço decente para as discussões. A maioria dos leitores já entendeu isso, tanto que a cada semana cai o número de comentários que sou obrigado a deletar. Dos mais de 40 mil comentários que este blog já recebeu e eu li, 99,9% foram publicados.
Para mim, é muito bem-vinda esta regra que veta o anonimato na web. Se isto se tornar mesmo realidade, poderei ser dispensado do cansativo trabalho de moderação de comentários. Quando cada um for responsável pelo que escreve, ninguém mais vai sair por aí chutando o balde e ofendendo os outros como se a internet fosse uma porta de banheiro.

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Caros leitores,
por problemas técnicos decorrentes da mudança no sistema operacional do Word Press, estou tendo dificuldades para atualizar o Balaio e liberar os comentários esta semana. Também a conexão TIM, que uso no meu laptop, está instável, só funciona de vez em quando. Em resumo: está difícil trabalhar. Prometeram-me tomar providências ainda hoje.
Em tempo: o técnico do iG acabou de chegar aqui em casa e já está resolvendo os problemas.

Na surdina, como de costume, primeiro na Câmara e, depois, no Senado, algumas excelências tentaram cercear a liberdade de expressão na internet nos períodos de campanhas eleitorais.
Durante as discussões sobre a reforma eleitoral, deputados incluíram no texto restrições variadas que praticamente inviabilizavam o trabalho de cobertura jornalística na web.
Quando o monstrengo chegou ao Senado, os relatores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE) acharam tudo muito bom e bonito, e mantiveram os absurdos criados na Câmara como se ninguém fosse perceber.
Mas foi tão forte a reação em toda a blogosfera, que outros senadores, a começar por Aloízio Mercadante (PT-SP), perceberam a bobagem que estava sendo feita e obrigaram Azeredo e Maciel a recuar, retirando do texto as restrições.
De volta à Câmara, já limado das ameaças à cobertura eleitoral pela internet, o novo texto, que garante "livre manifestação de pensamento" para portais, blogs e sites foi aprovado nesta quarta-feira.
Agora só falta a sanção do presidente Lula, mas a vitória dos internautas já pode ser comemorada.
Lula já havia manifestado esta semana sua posição sobre o assunto, defendendo liberdade plena para a internet, posto que é absolutamente impossível controlá-la, como escrevi aqui mesmo outro dia.
O presidente tem prazo até o próximo dia 2 de outubro para que estas regras a favor da livre manifestação de pensamento estejam valendo nas eleições de 2010.
Foi a primeira grande vitória política da internet _ conquistada exatamente via internet. Deputados e senadores descobriram, em suas caixas de mensagens, que o Brasil mudou, que o cidadão eleitor já tem instrumentos para se defender e não aceita mais o prato feito dos parlamentares preparado em defesa apenas dos seus próprios interesses.
Queiram ou não, os parlamentares terão que se habituar a conviver com o fantástico mundo novo da blogosfera, que acabou com esta história de meia dúzia de políticos e os chamados "formadores de opinião" determinarem o que todos nós devemos pensar e fazer. A democratização de informações e opiniões pela grande rede já começou _ e não tem volta.
A eleição de 2010 será o primeiro grande teste destes novos tempos de liberdades plenas em que todos podem ser, ao mesmo tempo, emissores e receptores de informações, e emitir suas próprias opiniões, no grande debate público que determinará os rumos políticos do país.

Boa notícia
Procuro aqui, como vocês sabem, sempre que possível dar boas notícias aos leitores. Hoje tenho uma. Descobri um blog novo da melhor qualidade para quem gosta de se informar sobre os rumos da mídia diante de toda esta revolução nas comunicações humanas provocada pela internet, certamente a maior desde a descoberta da imprensa por Gutemberg, faz mais de 500 anos.
Está no ar o blog do Eduardo Tessler, um competente jornalista gaúcho que conheci como correspondente de O Globo na Europa, nos anos 1970, quando eu também trabalhava lá. Depois de ocupar importantes cargos no jornal Zero Hora, o amigo Tessler, virou um estudioso do assunto e especializou-se em reformas na imprensa de papel. Vale a pena conhecer o blog dele:
www.midiamundo.com

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Mataram o operário por engano, simularam um suicídio e tentaram esconder o corpo. É desta tragédia humana que vou tratar aqui hoje com conhecimento de causa.

Trinta e três anos atrás, no dia 22 de janeiro de 1976, na página 16 do primeiro caderno do Estadão, fui eu que denunciei este crime praticado nos porões do DOI-CODI  por agentes da ditadura militar.

Na tarde desta segunda-feira, segundo relato do repórter Marcelo Oliveira, no portal Terra, a Justiça decidiu reabrir o caso para punir os responsáveis pelo crime: “A 5ª Turma do Tribunal Federal em São Paulo decidiu, por unanimidade, determinar a reabertura da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal para que sete servidores públicos estaduais que participaram da prisão ilícita, torturas, morte e da ocultação das reais causas da morte do operário Manoel Fiel Filho sejam declarados civilmente responsáveis pelo caso.

O assassinato ocorreu no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1976.

A ação do MPF pede a declaração judicial de responsável pessoal dos réus pela perpetração desta seqüência de violações dos direitos humanos e a condenação à reparação dos gastos da União com indenizações de parentes da vítima, estimados em R$ 438 mil, além da perda das funções e cargos públicos e a cassação de benefícios de aposentadoria dos acusados”.

Até onde sei, esta é uma iniciativa inédita do MPF para punir  torturadores.

O país só ficaria sabendo da morte de Manoel Fiel Filho pelo jornal, cinco dias depois do assassinato. Para aqueles que ainda não tinham nascido, eram muito jovens na época ou já se esqueceram do crime, é bom relembrar como era o trabalho dos jornalistas naquela época e o tratamento que se dava aos presos políticos.

Trato da cobertura que fiz do caso Fiel Filho em dois dos livros que publiquei e vou recorrer a eles para contar a história como foi desde o começo.

Nas páginas 35-37 do meu livro “A Prática da Reportagem”, lançado pela Editora Ática, em 1985, conto como fui escalado para fazer esta reportagem, o trabalho de apuração, que contou com a ajuda da sorte, e as conseqüências da publicação da matéria:

Numa segunda-feira de manhã, Clóvis Rossi, chefe de reportagem do Estadão, me passou um relatório sobre a morte de um operário no DOI-CODI, mais ou menos nas mesmas circunstâncias do que acontecera com o jornalista Vladimir Herzog:

“Dá uma olhada nisso, vê o que você consegue levantar”. No relatório, só o nome do operário e seu endereço. As chances de conseguir alguma coisa, naquele tempo, eram mínimas. Mas a obrigação do repórter é tentar _ sempre.

Na casa dele não havia ninguém. Os vizinhos não sabiam de nada. E, se alguém sabia, tinha medo de falar. Com um deles, consegui pelo menos uma indicação: Manoel Fiel Filho, o operário, tinha parentes que moravam num outro bairro, “perto de uma padaria”.

Quando já estava quase desistindo de encontrar esta casa dos parentes, vi passar perto da padaria um Bispo. Bispo, nessas horas, sempre costuma saber o que está acontecendo em sua diocese.

Não deu outra: o Bispo tinha acabado de sair da casa onde se encontrava Teresinha, a viúva do operário. Depois, foi só complementar o que ela me contou, ouvindo colegas de serviço na fábrica, patrões, o coveiro, a zeladora do velório e os dirigentes do sindicato dos Metalúrgicos, ao qual ele pertencia.

No dia seguinte, até eu levei um susto quando vi a matéria publicada no alto da página. Explica-se: fazia apenas três meses que Vlado tinha morrido _ e todos nós, jornalistas ainda vivíamos com medo.

Minha mulher estava grávida da segunda filha, e disse que eu era maluco: a matéria saiu assinada. Mas, enquanto os colegas ainda comentavam a matéria na redação, poucos dias depois chegava a notícia de que o comandante do II Exército, general Ednardo D´Ávila Mello _ responsável último pelo que acontecia no DOI-CODI _ tinha sido afastado do cargo pelo presidente Ernesto Geisel.

Alguns trechos da matéria que publiquei no Estadão:

Como todos os dias dos últimos dezenove anos, desde que entrou na Metal Arte, Manoel Fiel Filho chegou à fábrica da Mooca antes das sete da manhã, na última sexta-feira.

O chefe do pessoal lembra que Manoel não mostrou nenhuma preocupação quando os dois homens lhe disseram que ele precisava ir ao DOPS “para fazer um reconhecimento”.

Duas horas depois, Manoel e os dois homens chegavam à sua casa, na rua Coronel Rodrigues, 155, em Sapopemba.

Ao se retirarem, Teresinha, desesperada, desrespeitou as ordens dos policiais e se aproximou do marido:

_ O que vão fazer contigo?

No dia seguinte,  sábado, um táxi parou em frente à casa 155 da rua Coronel Rodrigues. Um homem desceu, jogou no quintal um saco de lixo e um envelope, e berrou:

_ O “Seu” Manoel tentou o suicídio.

Teresinha ainda tentou perguntar alguma coisa, mas rapidamente o homem entrou no carro e desapareceu. A viúva só teve tempo de gritar:

_ Eu sabia que iam matar ele. Eu sabia que vocês iam matar ele.

No saco azul de 20 litros,  com o emblema da Lixeira Ideal, estavam  a calça e a camisa de brim, o cinto e um par de sapatos. No envelope, com o timbre do Exército, os documentos de Manoel.

Na página 57 do meu livro de memórias “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter”, editado pela Companhia das Letras, em 2006, conto o que aconteceu quando voltei á redação.

“Rossi, consegui a história completa. Mataram o operário do mesmo jeito que fizeram com o Vlado e tentaram esconder a morte dele”.

Começava aí a parte mais dramática da história, pelo menos para mim. A direção do jornal só aceitava publicar a denúncia se eu assinasse a matéria e assumisse toda a responsabilidade por ela. Minha mulher, grávida, andava cada vez mais assustada com a prisão de jornalistas e o desaparecimento súbito de colegas da faculdade.

Apesar de todo o meu medo, eu não tinha alternativa. A matéria foi publicada na, sob o título “Manoel, da fábrica da Mooca à morte”. Nos dias seguintes, caía Ednardo d´Ávila Mello, o comandante do então II Exército. Geisel (general Ernesto Geisel, presidente da República na época dos fatos) cumpriu o que prometera: se houvesse um novo caso Herzog nos porões da repressão, demitiria o comandante.

Fiel Filho, cuja única atividade “subversiva” era distribuir o jornal Voz Operária, do então clandestinoPartido Comunista Brasileiro, decerto foi morto por engano _ um “acidente de trabalho”, como se dizia cinicamente naqueles anos mais tarde chamados “de chumbo”.

Hoje em dia é muito fácil para qualquer cidadão, jornalista famoso ou leitor anônimo, detonar o presidente da República, as Forças Armadas, o Congresso Nacional e o Judiciário, mas eu gostaria de saber onde estavam estes valentes de salão nos tempos em que contar _ assinando a matéria com o próprio nome _ o que o regime queria esconder era correr risco de vida.

Fotos do Encontrão

Ainda bem que a vida é feita também de coisas boas. No Boteco do Balaio, filial deste blog criado pelos leitores no Google, estão as fotos do encontro que eles promoveram na última sexta-feira, em São Paulo, para comemorar o primeiro aniversário do Balaio do Kotscho:

http://www.boteco-do-balaio.blogspot.com/

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Como tinha um tempo livre no meio da tarde de quinta-feira em Brasília, onde fui participar de uma reunião de trabalho da Comissão do Araguaia, aproveitei para dar uma passada no Senado e saber como andavam as coisas por lá.
Logo na entrada, encontrei com a velha e bela amiga Ana Maria Leopoldo e Silva, minha ex-colega de redação, agora assessora de imprensa de José Sarney. Logo em seguida, chegou o presidente do Senado, que me pegou pelo braço e fomos conversando até o elevador.
Parecia mais leve e tranquilo, sem aqueles olhos fundos e a voz trêmula dos infindáveis meses de crise. Falamos de Luiz Vieira, o grande compositor e cantor pernambucano de Caruarú, por quem ambos temos muita admiração. A conversa entrou pelo elevador e, quando já íamos nos despedir, perguntei como ele tinha conseguido sobreviver às denúncias e aos duros ataques diários que sofreu nos últimos meses na imprensa e no plenário do Senado.
Abriu um sorriso como quem diz que vida de político é assim mesmo e me confidenciou que o pior de tudo foi que desta vez quase toda sua família foi envolvida no embate político.
"Foi por causa deles que resolvi resistir e ir até o fim. Agora já está tudo melhor, o pior passou".
Sarney seguiu para seu gabinete e na direção oposta caminhava o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), outro personagem que vinha apanhando como cachorro magro nas últimas semanass _ por razões exatamente opostas.
Mercadante defendeu o afastamento de Sarney, ameaçou renunciar à liderança do PT no Senado, depois voltou atrás, e agora também parece ter superado os momentos difíceis.
Os dois bigodes não se encontraram. Foi apenas uma coincidência cruzar com os protagonistas da guerra parlamentar na minha breve visita ao Senado, onde não ia havia muito tempo. Incrível como em apenas duas semanas o clima havia mudado, o ar parecia mais leve naqueles longos corredores sem janelas.
Falante e empolgado como de costume, Mercadante me levou para seu gabinete junto com Ricardo Amaral, um dos mais bem informados e respeitados jornalistas de Brasília.
Nenhuma palavra sobre Sarney e a crise. Meu velho amigo Aloízio, parceiro nas viagens das campanhas de Lula, virou o disco depois daquela conversa que teve com o presidente em que foi convencido a desistir da renúncia irrevogável.
Agora só fala das suas novas bandeiras: defesa intransigente da liberdade de expressão na internet, antes durante e depois das campanhas eleitorais, e dos projetos do pré-sal enviados pelo governo ao Congresso.
Mercadante falou tanto das possibilidade que se abrem para o Brasil com o pré-sal e dos interesses nacionais e estrangeiros que estão em jogo, citando dados e números, mostrando livros e relatórios, que achei melhor ele mesmo escrever um texto para o Balaio. Não gosto de escrever sobre assuntos polêmicos que não domino _ e este é um deles. Assim que ele me mandar, publico.
Posso estar enganado, mas saí do Senado com a impressão de que ali a vida está voltando ao normal. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

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Mais comentados da semana
Antes de tratar do tema deste domingo, publico abaixo o ranking dos três assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja:

Balaio
Dia de cão molhado em São Paulo: 159
Caso do pai preso em Fortaleza: 133
Exclusivo/ Antonio Palocci: 128

Folha
Caças da FAB: 54
Governo Lula: 43
Pré-sal: 40

Veja
José Alencar: 47
Alcoolismo: 32
Petróleo: 27

O fim da novela

Na mesma sexta-feira em que o Brasil assistiu ao último capítulo de “Caminho das Índias”, terminava outra novela, desta vez um drama da vida real: foi solto em Fortaleza o turista italiano preso por beijar a filha de 8 anos numa barraca da Praia do Futuro.

Conformado com a arbitrariedade de que foi vítima, antes de embarcar de volta para Roma, ele não falou em processar o Estado brasileiro e a polícia do Ceará, que o prendeu, nem o casal de Brasília, que o denunciou porque ficou incomodado ao vê-lo fazendo carinho na menina:

“Estou cansado, mas bem, estou voltando para casa, agradecendo a Deus. Isso vai passar.

Será que passa? O que terá passado na cabeça desta menina ao ver o pai sendo preso e trancado numa cela por vários dias? Que traumas esta família carregará pelo resto da vida?

“Eu espero que tudo seja resolvido e nós pretendemos voltar sim ao Brasil, por que não?”, perguntou a mãe da menina, uma brasileira que está casada com o italiano faz 11 anos e o defendeu bravamente durante todo este tempo de agonia.

Nem pretendia voltar a este assunto, que nos envergonha perante o mundo, mas tenho que contar o final da história que o leitor do Balaio acompanhou nas últimas duas semanas.

O número de mensagens enviadas sobre este assunto prova que os leitores, ao contrário do que muita gente pensa, não querem saber só de política e futebol.

O total de comentários sobre o caso do italiano preso de passou 560 nos dois textos publicados e se dividiu meio a meio: metade defendendo o pai e metade o condenando. Assim somos nós, os brasileiros.

Um ano

Como vocês podem ver no post anterior publicado no sábado, foi bonito o encontro dos balaieiros para comemorar o primeiro aniversário deste blog.

No mesmo sábado, o Balaio ganhou seu primeiro prêmio: o TOP 1, edição 2009, concedido pelo portal TopBlog, na categoria política, de acordo com a votação do Júri Acadêmico.

Foram dias de fortes emoções estes para quem é veterano de guerra na profissão, mas recém-chegado a este fantástico mundo novo da blogosfera, defendendo ao final do primeiro ano no ar os mesmos princípios declarados do dia da estréia.

Só uma coisa mudou em relação ao que escrevi um ano atrás: desde o começo de 2009, a realidade me mostrou que era necessário fazer a moderação de comentários, ao contrário do que eu planejara.

Fora isso, é bola pra frente e vida que segue. Para os leitores mais antigos relembrarem e para conhecimento dos mais novos, que a cada dia continuam chegando, reproduzo abaixo o texto publicado no primeiro dia:

MEUS CAROS LEITORES,
MINHAS CARAS LEITORAS

Pensaram que eu estava brincando?
Pois, como vocês podem ver, finalmente está entrando no ar nesta quinta-feira, 11 de setembro de 2008, o meu blog aqui no iG, o tal do “Balaio do Kotscho”, com desenho do Paulo Caruso na capa e tudo.

Espero que vocês usem este espaço aberto para tratar de qualquer assunto da vida _ e não só para ler as histórias deste velho repórter, que há 44 anos vive rodando pelo Brasil e pelo mundo em busca de novidades para contar.

Sei que tem blog demais no planeta e daqui a pouco vai ter mais gente escrevendo do que lendo, até porque ninguém consegue ler tanta notícia, como já cantava o grande Caetano no século passado.

Mas, já que os editores do iG me deram esta oportunidade, vamos aproveitar para nos divertir um pouco.

Quero dividir a responsabilidade pelo “BK”, vamos chamá-lo assim, com os leitores. Aqui todo mundo vai ser emissor e receptor de informações.

Não farei, portanto, qualquer espécie de moderação no blog, como já não fazia nos comentários das minhas colunas no Último Segundo.

Além de ser humanamente impossível acompanhar os comentários full-time com a vida que levo, faço assim porque sempre fui um radical defensor da liberdade de expressão para todos _ e não só para mim.

Por isso, peço que todos se identifiquem com nome e endereço verdadeiros para permitir a troca de idéias e experiências, como fazem os grupos de ex-colegas de colégio.

Outra coisa que não pretendo fazer é polemizar com os leitores ou colegas de ofício.

Detesto esse negócio de fazer do blog uma guerra a favor ou contra quem quer que seja, dividindo o mundo entre os amigos que concordam comigo e os inimigos que discordam.

Repórter, simplesmente, não pode brigar com os fatos e não é do meu feitio ficar batendo palmas pra ver louco dançar. Sou apenas um contador das histórias que vi e ouvi. Quem quiser que conte outra.

De vez em quando, posso entrar no espaço de comentários apenas para esclarecer dúvidas ou corrigir informações erradas apontadas pelos leitores nos meus posts.

Boa sorte pra todos nós _ e seja o que Deus quiser!

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