Os assuntos mais comentados da semana

Como no domingo não teve Balaio novo, publico a seguir a relação dos três assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana neste blog, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país.

Balaio

45 anos de jornalismo: 169
"Everybody loves Brazil": 123
Obama para exportação: 104

Folha

Devolução do IR: 46
Olimpíada: 34
MST: 33

Veja

Ben-Hur Ferraz Neto: 35
Barbárie do MST : 34
J.R.Guzzo: 32

***

Estava tudo preparado para a grande festa de Rubinho Barrichello, que finalmente poderia ganhar no autódromo lotado de Interlagos, no último domingo, seu primeiro Grande Premio Brasil, 17 anos depois de tentar pela primeira vez.

Aos 37 anos, com a torcida toda a favor, rodeado pela família e pelos amigos, largando na pole-position, Rubinho era a grande estrela da corrida. Ainda tinha uma remota chance de disputar o título, mas ganhar o GP Brasil e garantir o vice-campeonato já estaria de bom tamanho para o piloto que jamais conquistou o título mundial em sua já longa carreira.

Mas ainda não foi desta vez. Um prosaico pneu furado o tirou mais uma vez da disputa e bastou um quinto lugar para levar o improvável inglês Jenson Button, seu parceiro na Brawn, à conquista do título de 2009.

Que acontece com Rubinho, o mais antigo piloto de Fórmula-1 em atividade? Nunca chegou a ser um ídolo da torcida num país que já teve Emerson, Pace, Piquet, Senna e agora joga suas esperanças no jovem Felipe Massa. De uns tempos para cá, até virou folclore, motivo de deboche em programas humorísticos.

Quem não gosta dele diz que é um ótimo motorista e cidadão exemplar. Não tem pontos na carteira, não força ultrapassagens, jamais transgride o limite de velocidade, é cuidadoso nas curvas. Fora das pistas, é bom pai, bom marido, bom filho, o genro que toda sogra gostaria de ter.

Juntou uma bela fortuna em suas duas décadas de piloto profissional, arriscando a vida (não muito) nos autódromos do mundo, tem até avião particular, mas no imaginário popular não passa de um perdedor inveterado, um bom menino que fez tudo direito e não deu certo na vida.

No começo do ano, estava desempregado, nenhuma escuderia o queria mais. Logo arrumou uma boquinha na Brawn e foi subindo na tabela. Ainda pode ser o vice este ano, mas não parece muito animado com isso, como comentou domingo, depois de mais uma corrida frustrada:

""O vice, como já dizia um grande amigo meu, que é o Nelson Piquet, é o primeiro dos perdedores. Então, não é um prazer enorme".

Rubinho Barrichello é personagem emblemático do grande dilema humano constantemente desafiado pela linha tênue que separa o sucesso do fracasso. Isso vale para pessoas, empresas, países. Não existe uma receita para dar certo. Quem a descobrir certamente vai ganhar muito dinheiro.

É comum encontrarmos colegas de escola que nunca foram bons estudantes, pareciam não ter vocação para nada e, um belo dia, os encontramos felizes e realizados na vida por algum motivo insondável. O contrário também é verdadeiro: os melhores alunos da classe que acabam fracassando em suas vidas pessoais e profissionais.

Aqui perto de onde moro, no Jardim Paulista, tem uma enorme pizzaria, a Margherita, que vive constantemente lotada, há anos com filas de espera quase todas as noites. A pizza não tem nada de especial, há outras bem melhores no bairro, que vivem meio vazias, o serviço é o habitual, não tem atrativos extras, e o preço é alto. Como explicar o sucesso dela ou o fracasso das casas que abrem e fecham na cidade?

Como não gosto de fazer e deixar perguntas sem respostas, só me ocorre arriscar um palpite: é ter ou não ter estrela na vida. Tem gente que tem e tem gente que não tem, simplesmente. Rubinho não tem estrela.

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Passei a quinta-feira participando do seminário "O Efeito Obama", organizado pela Graduate School of Political Management da The George Washington University, com patrocínio do Grupo Santander Brasil, que termina hoje, no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Entre outros, fizeram palestras e participaram dos debates Ben Self, criador da rede na internet para arrecadar fundos e atrair voluntários, e o estrategista Jason Ralston, responsável pela publicidade da campanha de Obama.

Os craques americanos não só falaram das suas vitoriosas experiências que ajudaram a levar o improvável Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, mas também se interessaram em saber o que vem sendo feito por seus colegas no Brasil na área do marketing político.

Durante o almoço, Rogério Schmitt, coordenador de pesquisas e estudos da CLP (Centro de Liderança Pública) fez um breve e sábio resumo de tudo o que ouviu. Nós já dispomos das mesmas ferramentas dos americanos em tecnologia, internet e infra-estrutura de campanha, somos muito criativos, temos tudo para fazer igual a eles. Só falta um detalhe: não temos um Obama concorrendo nas eleições de 2010.

Em outras palavras, não temos uma grande novidade para ser trabalhada, um produto original que cativou o eleitorado pela sua simpatia, entre outras virtudes e características de Obama.

Pelos nomes até aqui apresentados ao distinto público para concorrer em 2010, não há nenhum exemplo de grande simpatia, nem de originalidade na campanha presidencial brasileira. Ao contrário: as pessoas até brincam que as eleições do ano que vem podem virar um concurso de Miss Simpatia às avessas.

Sem desmerecer os méritos dos profissionais americanos e suas estratégias que ajudaram Obama a chegar lá, a verdade que é aqui falta o contraponto, um personagem que foi também muito importante para a vitória do primeiro presidente negro dos Estados Unidos: George Bush, o repúblicano que estava saindo, e foi um grande cabo eleitoral do candidato democrata.

Aqui, temos exatamente o contrário: o único nome novo no elenco é o da ministra Dilma Roussef, que nunca disputou uma eleição, mas é a candidata da continuidade do governo Lula, um presidente que chega ao final do mandato no auge da popularidade, o oposto de Bush. De outro lado, o candidato da oposição, José Serra, é um velho conhecido dos eleitores brasileiros de outros carnavais.

Num encontro promovido para exaltar a importância dos marqueteiros nas campanhas eleitorais, com a maciça presença de assessores de possíveis candidatos em 2010, a grande estrela do debate foi a crescente importância da internet, mas estranhamente ficou de fora um fator que costuma ser decisivo em campanhas eleitorais: a situação econômica do país no momento em que a população vai às urnas.

Discutiu-se muito também até onde Lula consegue transformar sua popularidade em votos para Dilma _ Jason Ralston, por exemplo, não acredita nisso _ mas só no final da mesa de que participei _ "A Comunicação e as Eleições no Brasil em 2010" _, ao lado dos marqueteiros políticos Antônio Lavareda, Luiz Gonzales e Marcelo Simões, levantei esta questão da economia.

Nos tempos de Bill Clinton, vocês devem se lembrar da frase "é a economia, estúpido", celebrizada exatamente para falar da importância do bolso e do estômago dos eleitores na hora de votar.

Com o quadro de candidatos da eleição presidencial de 2010 a meu ver ainda indefinido, tanto do lado do governo como da oposição, a menos de um ano da abertura das urnas eletrônicas, quaisquer que sejam os nomes nelas incluídos, mais do que ferramentas de marketing político ou maravilhosas estratégias, acho que a eleição será decidida quando o eleitor responder a uma pergunta bem simples: minha vida melhorou ou piorou nos últimos oito anos em relação ao período anterior?

Nós já tivemos um personagem com as características de Obama nas eleições de 2002, com repeteco em 2006. Mas, agora, pela primeira vez nas eleições presidenciais diretas pós-ditadura, o nome de Lula não estará nas urnas eletrônicas. Vinte anos e cinco eleições depois, porém, as discussões em seminários como este de que participei ontem ainda se dão em torno de Lula e qual será o seu papel em 2010.

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Viram que chique? Agora tem até título em inglês no Balaio... Pena que não é meu. É o título dado ao editorial da edição número 27 da revista mensal de reportagens que tem o sugestivo nome de "Brasileiros" (ver o site aqui no iG), escrito pelo meu velho colega e parceiro Hélio Campos Mello, que acumula as funções de fotógrafo, diretor de redação e publisher desta bela experiência editoral independente.

Acabei de pegar nas mãos a edição de outubro da revista, que já está nas bancas, com o Antonio Fagundes na capa _ de terno, colete e descalço _ e uma bela matéria com o grande artista gráfico brasileiro Elifas Andreato _ modéstia à parte, feita por mim mesmo.

Participo desta aventura desde o processo de criação da revista e, ao longo destes mais de dois anos nas bancas, sou testemunha da garra e da valentia do casal Campos Mello, que toca a empreitada _ ao lado de Hélio, está sempre a incansável Patrícia Rousseaux, sua mulher _ junto com uma pequena equipe de jornalistas e designers, formada em sua maioria por jovens.

Sem ser ligado a qualquer empresa de porte, sem mecenas nem sócio capitalista, o milagre da sobrevivência da "Brasileiros", lutando na selva do mercado publicitário e editorial dominado por poucos grandes grupos, é emblemático de uma boa parcela do povo do nosso país que parou de chorar as pitangas, ficou de pé e foi à luta.

Cada edição é como se fosse um parto difícil em que, ao final, acaba dando tudo certo, e a gente não sabe se ri ou se chora. A revista é bonita e bem feita, tem reportagens sobre um Brasil que raramente sai na mídia, conta a história dos anônimos e o lado desconhecido dos famosos. É uma revista que tem alma, tem vida, tem muitas histórias para contar.

Gostaria de participar mais destes partos, mas, embora juntos desde o começo, ele como publisher e eu como repórter, só nos vemos quando saímos para fazer uma reportagem ou no fechamento da revista. Raramente nos encontramos ou conversamos fora do trabalho, cada um com seus compromissos.

Por isso, achei fantástico quando vi o editorial "Everybody loves Brazil" que ele escreveu sem falar comigo. É o que dizem as principais publicações lá fora, mas escrito por um brasileiro me deixou ainda mais feliz.

Apesar da distância, continuamos pensando as mesmas coisas e defendendo os mesmos ideais que nos levaram a fazer a nossa própria revista. Na mesma semana, escrevi algo muito parecido num post publicado aqui no Balaio sobre as Olimpíadas, o bom momento vivido pelo Brasil e a urubuzada agourenta que não se conforma.

Até hoje tem gente me xingando por conta disso. Parece que virou ofensa pessoal falar bem do Brasil. Desconfio que agora quem vai apanhar é o Hélio, um cara que tem a mesma idade que eu (apenas um dia a menos), torce para o mesmo time e, como todo fotógrafo, diverte-se aporrinhando a vida dos repórteres.

O editorial de Hélio Campos Mello:

“Everybody loves Brazil”

Não é por acaso que esta revista se chama Brasileiros. Escolhemos esse nome, em fevereiro de 2007, porque defendíamos – e defendemos – o direito de olhar para o País com mais carinho. Defendemos o direito de torcer a favor dele, e não contra ele. Defendemos a dispensa da obrigação elitista de sermos “inteligentemente” irônicos, autodepreciativos e carregados de soberba ao criticar o País. Podem nos dispensar dessa obrigação. Trocamos tudo isso por torcer e, principalmente, por trabalhar para que o Brasil cresça sob todos os aspectos. Os econômicos, os sociais e os éticos.

Defendemos que o Brasil precisa gostar mais do Brasil. E isso, é óbvio, não significa ignorar o que há de errado nele. E a realidade do dia a dia nos mostra que muito há de errado. Muito há por fazer. Muito há por melhorar. Mas isso não significa que não se possa comemorar o que há de bom. O que foi feito e o que está em andamento. Nós não nos furtamos da crítica. É da nossa essência. É da nossa função. Mas fugimos da prática do linchamento oportunista, calhorda e metido a besta. Assim como fugimos da pieguice. Ou pelo menos do excesso dela.

Desde nossa primeira edição, em julho de 2007, defendemos o direito de demonstrar paixão e emoção no que fazemos e na maneira como olhamos para o Brasil. E, como já estava registrado no nosso número 1, isso passa bem longe de qualquer tipo de ufanismo.

Por tudo isso, trazer as Olimpíadas para o Rio nos encheu de emoção. A vitória conseguida na Dinamarca provocou alegria e entusiasmo. O discurso do presidente da República foi de encher os olhos. Tanto a redação quanto sua interpretação. Pura emoção. Os vídeos feitos por Fernando Meirelles e seus parceiros foram de absoluta e notória competência. Todo o trabalho foi de emocionar.

Agora, a hora, mais do que nunca, é de mãos à obra. Há muito que planejar, muito que trabalhar. A nossa imagem lá fora nunca foi tão positiva. Precisamos melhorá-la aqui dentro e, para isso, é preciso, de um lado, trabalho e, de outro, boa vontade. O Brasil precisa gostar mais do Brasil.

Entre as várias entrevistas que foram feitas nos momentos em que antecederam o anúncio da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, uma chamou a atenção. Um jornalista de língua inglesa, perguntado pela repórter brasileira sobre qual seria a cidade escolhida, respondeu de imediato: Rio de Janeiro. Por quê? "Well… everybody loves Brazil!"

Em tempo: para não pensarem que nós dois estamos ficando loucos por vermos as coisas de uma forma um pouco diferente da maioria dos nossos colegas da mídia, reproduzo abaixo trecho da coluna do professor Antonio Delfim Netto publicado na "Folha" desta quarta-feira. Sob o título "Virando a página", escreve este respeitado economista, que foi ministro no regime militar e pode ser chamado de tudo, menos de perigoso vermelho e petista xiita:

"Creio que podemos deixar para trás o diário da crise e voltar as atenções para uma nova agenda de desenvolvimento que se abre à nossa frente.

Há uma conjunção de fatores, internos e externos, oferecendo ao Brasil a oportunidade de recuperar o desenvolvimento e manter um ritmo de crescimento de 6% ou 7% do PIB ao ano nas próximas duas décadas.

Ao contrário da maioria dos países, estamos chegando ao final do ano sem queda do PIB e já entramos em 2010 crescendo a uma taxa anual de 4,5% (...).

Está bom assim ou, como costumam dizer, ainda é cedo para comemorar?

Para Barros e Silva

Como bem sabem os leitores mais assíduos deste Balaio, jamais respondo aos ataques que recebo neste festival de destruição de reputações em que se transformaram alguns espaços da blogosfera em guerra permanente uns contra os outros. Não é minha praia, não gosto disso. Cada um que escreva o que quiser e seja responsável por suas palavras.

Mas vou abrir uma exceção para contestar Fernando de Barros e Silva, um colega que respeito, foi meu editor, mas cometeu um pequeno engano ao me citar em sua coluna de terça-feira na "Folha", que só li hoje ao voltar de viagem.

"Palocci, Gushiken, Duda Mendonça, Silvinho Pereira, Frei Betto, Ricardo Kotscho _ todos os que aparecem ao redor de Lula de alguma forma fizeram água", escreve ele a certa altura, ao comentar o filme "Entreatos", documentário de João Moreira Salles que mostra personagens da campanha presidencial do segundo turno de 2002.

Como assim fizeram água? Cada um dos citados deixou o governo por motivos diferentes. No meu caso, pelo menos, posso garantir que aconteceu exatamente o contrário: minha vida pessoal, pessoal e profissional só melhorou muito de lá para cá. É verdade que a comunicação do governo também... Por isso, costumo dizer a meus velhos amigos que continuam lá: minha saída foi boa para os dois lados.

Foi exatamente por razões pessoais e familiares que deixei o cargo de secretário de Imprensa do governo Lula, no final de 2004, como sabem todos os jornalistas que conviveram comigo em Brasília, inclusive os da "Folha".

Nos últimos cinco anos, não só não tive motivos para fazer água como não posso me queixar da vida: como profissional autônomo, além do meu Balaio aqui no iG, onde tenho contrato até 2011, escrevo reportagens para a revista "Brasileiros" e faço palestras pelo Brasil inteiro para todo tipo de empresas e instituições.

Escrevi mais dois livros (lançados pelas editoras Companhia das Letras e Ediouro, muito respeitadas no mercado). Ganhei mais dois premios (fui um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados, em eleição direta, com o Troféu Especial da ONU de Direitos Humanos, em 2008, e recebi o TopBlog 2009, na categoria política).

Fiz também trabalhos jornalísticos para diversas grandes empresas (entre outras, O Globo, TV Globo, Bradesco, revista Globo Rural, DM9DDB, Itaú Cultural), além de ser conselheiro (não remunerado, como todos os outros) da Associação Brasileira de Imprensa.

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Tarde de terça-feira em São Sebastião, no belo litoral de norte de São Paulo. O feriadão acabou, mas a chuva continua sem dar trégua, o mar muito agitado, as ruas ficando desertas. Como ainda tenho algumas coisas para consertar na minha casa, vou ficando.

Nem os jornais de São Paulo encontrei na banca. Na manchete do jornal da cidade, o Imprensa Livre, um resumo da situação: "Mau tempo tumultua retorno dos turistas e assusta moradores do Litoral Norte".

Para quem gosta de notícia ruim, o jornal tem para todo gosto. As de maior impacto, para mim pelo menos, nunca serão manchete da mídia grande, mas por aqui causam bochicho. Dão conta de um pescador que morreu afogado e um grupo de jeepeiros de Jacareí que ficou atolado na Estrada dos Castelhanos, em Ilhabela.

Sou do tempo em que o mar não tinha segredos para os pescadores, que sabiam se ele estava bom para peixe ou perigoso para nadar, e jeepeiros costumavam ajudar a desatolar os carros dos outros.

Os tempos mudaram. Em Ubatuba, depois de alguns dias em alto mar, Josemar de Oliveira descarregou o pescado no mercado e foi com o irmão, que ficou na cabine comandando a embarcação, ancorar o barco na Baía de Itaguá, na noite de domingo.

No meio do trajeto, de apenas dez minutos, Josemar sumiu. Não chegou à outra margem. Seu corpo só seria encontrado por parentes na segunda-feira, nas areias da praia de Itaguá, no centro da cidade. Ninguém sabe o que aconteceu.

Segundo relatos de colegas e parentes ouvidos pelo jornal, "o pai e o irmão da vítima, ambos pescadores, estavam muito abalados com o acontecimento e ainda não conseguiram encontrar uma explicação para o afogamento de Josimar".

Na Ilhabela, um comboio formado por mais de vinte jeeps vindos de Jacareí, que atolaram no meio do caminho, praticamente destruiu a Estrada dos Castelhanos, também no domingo.

Depois de cinco horas de trabalho duro, já de madrugada, funcionários da Defesa Civil conseguiram resgatar 23 pessoas, entre mulheres e crianças. Os jeepeiros ficaram no meio da neblina tomando conta dos seus carros e só sairam de lá na manhã de segunda-feira, quando foram desencalhados pela Associação dos Jeepeiros de Ilhabela.

A notícia boa estava no caderno de esportes: "Palmeiras é goleado e perde chance de ampliar vantagem na liderança".

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Os assuntos mais comentados

Numa semana bastante agitada, em que passei mais tempo lendo e liberando comentários do que escrevendo textos novos, senti na pele a importância da internet para o debate político e a crescente radicalização de posições, de um lado e de outro.

Olimpíada, MST, imagem do Brasil no exterior, qualquer tema serve para extravazar um crescente sentimento de intolerância com quem pensa diferente. Fico pensando como será em 2010 quando começar para valer a campanha eleitoral.

Mesmo sendo xingado de chapa-branca e amigo do Lula, por uns, e de neoliberal e demotucano, por outros, não tenho o direito de me queixar da vida: é crescente o número de participantes no Balaio, e o número de comentários recebidos e publicados é a prova disso.

Apenas um post, o que trata da invasão do MST numa fazenda da Cutrale em Iaras, no interior paulista, recebeu quase o mesmo número de comentários (845), fora os muitos que fui obrigado a excluir, do que o total (912) de mensagens recebidas pelo conjunto de matérias publicadas pela Folha, o jornal de maior circulação do país, durante a última semana. Só os três assuntos mais comentados neste blog receberam mais de 1.600 comentários. Os números:

Balaio

MST: 845
Olimpíada e urubuzada: 436
Imagem do Brasil lá fora: 340

Folha

Olimpíada: 193
MST: 73
Enem: 42

Veja

Tensão em Honduras: 200
Olimpíada de 2016: 101
Yoani Sánchez: 30

***

O tempo corre. Ainda outro dia, ao me despedir de Brasília, após dois anos trabalhando no governo, o bom e velho amigo Jorge Bastos Moreno, chefão de O Globo em Brasília, montou uma bela festa em sua casa para comemorar meus 40 anos de carreira no jornalismo. Os jornalistas e políticos mais importantes de Brasília, Rio e São Paulo, estavam quase todos lá. Fiquei muito feliz.

Esta semana, em que completei 45 anos de vida de repórter, não teve festa nenhuma, e só fui me lembrar da data num almoço com outro amigo, o veterano jornalista Fausto Eduardo Camunha, meu primeiro chefe de reportagem na Gazeta de Santo Amaro, onde comecei, em outubro de 1964.

Num caso bastante raro na imprensa brasileira, este jornal semanal distribuído na zona sul de São Paulo continua sendo tocado pelo mesmo dono, o incansável Armando da Silva Prado Neto, de quem até hoje me orgulho de ser amigo.

Ao arrumar meu velho painel com credenciais de coberturas e crachás das empresas onde trabalhei, ou seja, quase todos os principais veículos da imprensa brasileira, impressos e eletrônicos, olhei para aquela cara de moleque da minha primeira carteira funcional da Gazeta de Santo Amaro, e me dei conta de quanto tempo passou.

Daqui para a frente, acho até melhor nem lembrar mais destas datas para não dar razão aos que para me ofender me chamam de velho jornalista. Sou mesmo, fazer o que?

Só fica velho quem está vivo, e assim pude testemunhar, neste breve período de 45 anos, saindo da ditadura para uma das maiores democracias do mundo, como o Brasil, queiram ou não os mais céticos, melhorou em todas as áreas, ficou de pé, devolveu a todos nós o orgulho de termos nascido aqui.

A propósito, alguns leitores lembraram esta semana de um velho provérbio árabe, aquele que fala "os cães ladram e a caravana passa", muito oportuno para o momento que estamos vivendo.

Para o bem ou para o mal, nunca meus textos repercutiram tanto como na última semana, mostrando que o mais importante não é a vida de repórter que já ficou para trás, mas a que virá.

Enquanto vocês continuarem me lendo, continuarei escrevendo. Vivo disso. E agradeço a todos vocês por poder ganhar a vida até hoje só fazendo o que gosto, sem pedir licença a ninguém.

Um forte abraço e bom domingo a todos.

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que surgiu no início dos anos 1980, em Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul, e transformou a sigla MST no símbolo da luta pela reforma agrária no país, acabou para mim esta semana, em Iaras, no interior de São Paulo.

Acompanhei este movimento desde o começo, fiz dezenas de reportagens com seus líderes e sobre suas conquistas em jornais, revistas e redes de televisão, corri riscos junto com eles nas desocupações violentas promovidas pelas forças policiais, mas venho notando nos últimos anos que o MST perdeu completamente o sentido, o rumo e a razão de ser.

As cenas de vandalismo, furto e destruição, pichações e lixo espalhado pelo chão, que marcaram esta semana a invasão da fazenda da Cutrale por 250 famílias, em Iaras, tornaram-se o símbolo do triste fim de linha a que seus líderes conduziram um movimento que em boa parte da sua história contou com o apoio de amplas parcelas da sociedade. Agora, acabou da forma mais melancólica possível.

Por mais que me doa escrever isso, lembrando das tantas famílias de sem terra que acreditaram neste sonho, acampadas nas beiras das estradas por este país afora, o que era justa luta pela sobrevivência virou banditismo puro e simples.

Não é de agora que isso acontece, mas o que vimos na fazenda da Cutrale após a reintegração de posse determinada pela Justiça, com a destruição de máquinas e equipamentos, além de parte das plantações de laranja, é coisa de vândalos, simplesmente _ nada a ver com quem busca um pedaço de terra para plantar.

Mais grave do que a violência praticada contra funcionários e os prejuízos econômicos causados á empresa, porém, foi o que os sem terra fizeram na casa de uma faxineira, como relata o repórter Maurício Simionato, na Folha desta quinta-feira:

"Levaram DVD, TV, rádio, roupas, calçados, inalador, ferro de passar roupa, o chuveiro e até lâmpadas e torneiras", declarou Silvana Fontes, 37, cozinheira e faxineira da sede da fazenda. Oito das nove casas de empregados foram arrombadas.

Para quem começou lutando contra latifundiários, invadir e furtar a casa de uma faxineira, levando até seus presentes de casamento ainda dentro das caixas, chega a ser uma afronta a justificativa dada por um dos líderes do movimento, Paulo Albuquerque, para a ação dos sem terra em Iaras: segundo o MST, a terrra ocupada pela Cutrale é propriedade da União.

E daí? Mesmo que fosse, o que a empresa desmente, caberia à Justiça decidir a quem pertence a terra e não a um grupo de fora da lei que passou com tratores por cima de milhares de pés de laranja (entre 7 e 10 mil, segundo a empresa, ou "só" 3 mil, de acordo com os líderes do MST).

Para Paulo Albuquerque, diretor estadual do MST, tudo não passaria de armação da Cutrale, que resolveu destruir seus próprios bens, numa tentativa "não só de criminalizar o movimento, mas também de punir lideranças. Daqui a pouco vão querer prender algum integrante do MST por causa dessa invasão".

Pois, se ficar provado pelas investigações da polícia quem foram os autores destas ações de vandalismo, tem mais é que prender mesmo. "É a palavra deles (Cutrale e policiais) contra a nossa. Nós temos condições de rebater todas estas falsas afirmações que estão fazendo contra nós", defendeu-se Albuquerque.

Por tudo que já vimos acontecer nos últimos meses, em invasões de prédios públicos e propriedades privadas produtivas durante ações do MST, não acho que a faxineira Silvana Fontes tenha mentido sobre o que aconteceu na fazenda. Como jornalista que acompanhou toda esta trajetória do MST nos últimos trinta anos, do sonho ao pesadelo, prefiro acreditar nela e no relato do repórter Maurício Simionato.

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Aos leitores que me criticaram no post anterior pelo meu exagerado otimismo em relação ao Brasil e ao nosso governo, recomendo a leitura da coluna "Toda Mídia", do jornalista Nelson de Sá, na Folha desta quarta-feira.

Já faz algum tempo que venho notando um brutal contraste entre os resumos que ele faz todos os dias do que é publicado sobre o Brasil lá fora nos principais jornais da imprensa mundial e o noticiário da mídia nativa.

Vamos pegar, por exemplo, alguns tópicos publicados na coluna do Nelson de Sá de hoje:

"ULTRA, ULTRA HOT"
Jim Cramer, folclórico âncora da CNBC, principal canal financeiro dos EUA, fez festa para o Brasil e o IPO do banco Santander. "O Brasil está ultra, ultra quente. O PIB deve crescer 5%, 6%. Os serviços financeiros vivem boom. os Jogos de 2016 eles acabam de vencer.

"WORLD S BEST"
No alto da Folha Online, a Petrobras entrou para as 40 melhores empresas do mundo, na lista da "Business Week" (...). A revista descreve a Petrobras como "a maior empresa do hemisfério Sul" e sublinha seu crescimento.

CONFIANÇA
Em extenso material sobre os emergentes, o "Financial Time" publicou que "Ásia e Brasil lideram a alta na confiança dos consumidores", segundo pesquisa Nielsen.

EUA, ÍNDIA VÊM AÍ
No 'Chicago Tribune", "empresas americanas focam consumidores no exterior", ressaltando o Brasil _ e a vitória do Rio sobre Chicago, na disputa dos Jogos.
No "Business Standard" e outros indianos, a montadora Bajaj Auto anunciou uma fábrica "num lugar chamado Manaus, no Brasil".

ROCKY?
Abrindo a seção internacional do "Los Angeles Times", o filme " "Lula, Son of Brazil", que sai no fim deste ano, sobre a juventude de Lula, comparada à "história de Rocky Balboa".

O BRASIL DEPOIS DE LULA
Em meio ao louvor global na mídia, nos dias seguintes à escolha do Rio para sediar os Jogos, o colunista de política externa do "FT", Gideon Rachman, escreveu que "o Brasil nunca esteve tão na moda", com Jogos, Copa, Brics, G20, pré-sal: "Em Lula, o Brasil finalmente tem um líder que é uma figura reconhecida globalmente".

Pois é amigos, isto tudo foi só hoje _ um breve resumo do que se fala do Brasil lá fora, onde a nossa imagem refletida no espelho da imprensa é mais bonita do que aqui dentro. Está bom assim ou querem mais?

Podem me xingar à vontade, mas acho que estou em boa companhia, quer dizer, do que há de melhor na imprensa mundial.

Costumo dizer que o humor das pessoas depende muito do jornal que elas lêem. Meu vizinho Maurício, por exemplo, que só lê um centenário jornal de São Paulo, está sempre de cara amarrada, desanimado da vida. Quando ele me pergunta "como vão as coisas?" e eu respondo "vão bem, melhorando", invariavelmente ele discorda:

"Melhorando como? Onde? Você não leu o Estadão de hoje? A inflação já, já vai estourar! Você não está vendo o absurdo dos gastos públicos?".

Outro vizinho que encontrei na minha caminhada matinal, o Guatelli, um engenheiro de quase 60 anos, que não tinha lido jornal algum, estava animadíssimo. Numa idade em que outros só pensam na aposentadoria, ele está cursando mestrado na FAU, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, fazendo planos, feliz da vida com as novas perspectivas que se abriram para ele.

Ao longe, ainda se ouvem alguns ganidos tristes, cada vez mais fracos, mas isso é da vida.

Para quem sofre de depressão, acha que o Brasil não tem jeito e a vida não vale a pena, recomendo a leitura diária da coluna "Toda Mídia":

www.todamidia.folha.blog.uol.com.br

Em tempo
O debate de terça-feira neste Balaio (ver post anterior) sobre o desencanto da urubuzada com as recentes vitórias do Brasil, em diferentes campos, rendeu mais de 370 comentários _ fora os mais de 300 publicados no Blog do Noblat, que reproduziu o meu post. Para um dia de semana tranquilo como o de ontem, está bom demais...

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O Lula vai quebrar a cara em Honduras! Vai correr sangue nas ruas de Tegucigalpa e ele será o culpado! O Lula vai tomar uma surra do Obama em Copenhague! Vai dar Chicago! Agora a popularidade do Lula vai despencar!

Pois é, amigos, foi uma atrás da outra. A urubuzada (nada a ver com a grande torcida do Flamengo, por favor!) jogou contra e perdeu todas, perdeu o rumo. Vocês já repararam? A oposição simplesmente sumiu de cena.

Em 2009, a turma do contra, representada por aqueles célebres 6% que reprovam o governo Lula, começou jogando tudo na crise econômica mundial, que quebraria o Brasil. O Brasil não só não quebrou como saiu da crise mais forte do que entrou.

Já nem me lembro de todas as crises do fim do mundo anunciadas durante o ano, mas tivemos depois a dengue, a crise do Senado, a gripe suína, a história da Lina, a CPI da Petrobrás, o diabo a quatro. E nada do Lula cair nas pesquisas.

A palavra crise não saía das manchetes, e nada. Quando a crise não era aqui, era em Honduras _ por culpa da política externa do governo brasileiro, claro. Agora que as coisas estão se acalmando por lá e tudo indica uma saída negociada com os golpistas devolvendo a Presidência a Manuel Zelaya, a urubuzada já está recolhendo os flaps.

Com a vitória do Rio para sediar a Olimpíada 2016 transmitida ao vivo de Copenhague, não teve jeito de esconder o importante papel do presidente Lula nesta conquista. Os 6% de inconformados e seus bravos representantes na imprensa e no parlamento devem ter entrado em profunda depressão. Por isso, sumiram _ pelo menos, por algum tempo.

Restam apenas alguns blogueiros histéricos e seus comentaristas amestrados blasfemando na janela, vendo as ruas em festa, os bares lotados em dia de semana, a indústria, a bolsa, o emprego e a renda crescendo novamente, a autoestima do brasileiro lá em cima, a vida seguindo alegre seu rumo.

Claro que sempre será possível fazer escândalo com qualquer coisa, como esta crise do Enem, uma história até agora muito mal contada, que vai atrasar a data dos vestibulares. E daí? Fora os candidatos e professores que irão perder alguns dias de férias, qual o drama para o restante dos brasileiros?

Em tempo

Depois de publicar o texto acima, fui dar uma olhada nas novidades do Observatório da Imprensa e encontrei um belíssimo texto assinado por Washington Araújo, sob o título "Indiferença em vez de otimismo", cuja leitura recomendo vivamente.

Araújo trata do mesmo tema do meu post, mostrando as muitas vitórias do Brasil nestes últimos tempos, mas com muito mais qualidade, profundidade e argumentos. Um trecho do seu texto resume bem o espírito da urubuzada que perdeu:

"Repassando as manchetes dos sete jornais principais brasileiros de sexta-feira (2/10), observamos com certo desalento que seis se ocupam do vazamento de provas do Enem e apenas um, o de menor circulação _ e carioca ainda por cima _, resolve dar um refresco e dá um voto de confiança ao evento de maior potencial midiático possível de ocorrer em nosso país".

Para ler:
www.observatoriodaimprensa.com.br

Grande Realinho

No meio de tanta notícia boa, a melhor de todas quem me deu foi a Amelinha, bela e brava mulher do Realinho, o grande repórter Elpídio Reali Júnior, que se recupera no Hospital Oswaldo Cruz de uma delicada cirurgia para transplante do fígado, e está cada dia melhor. Em breve, se Deus quiser, para alegria dos seus milhões de ouvintes e amigos, Realinho estará de volta aos microfones da rádio Jovem Pan, diretamente de Paris, às margens do rio Sena.

Poemas do Povo da Noite

Trinta anos após a primeira edição brasileira, a Fundação Editora Perseu Abramo, em coedição com a Publisher Brasil, está relançando o livro "Poemas do povo da noite", os versos da resistência de Pedro Tierra, nome artístico do meu velho amigo Hamilton Pereira da Silva, um ex-preso político que fez dos tempos de cadeia bela e pungente poesia.
Mais informações nos sites da editora
www.efpa.com.br
ou da Fundação Perseu Abramo
www.fpabramo.org.br

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Afunilou. Faltando 11 rodadas, do jeito que as coisas caminham na reta final do Brasileirão, tudo indica que um dos dois pode ser o primeiro tetracampeão consecutivo: o Muricy do Verdão ou o Tricolor montado pelo Muricy nos últimos quatro anos.

Sem tirar os méritos do Ricardo Gomes, que chegou desacreditado, pegou um time caindo pelas tabelas e hoje ostenta o melhor índice de aproveitamento, quase 70%, entre todos os técnicos do campeonato, o fato é que a disputa pelo título gira em torno do meu amigo Muricy Ramalho _ o marrento treinador demitido pelo São Paulo ainda no primeiro turno do Brasileirão 2009 e agora na bica para ser campeão pelo Palmeiras.

Basta ver como os dois times jogam parecido, preocupando-se mais em não levar gols do que em marcar, arrancando vitórias quase sempre no sufoco.

Não por acaso, Palmeiras e São Paulo contam com as defesas menos vazadas do campeonato _ 26 gols em 27 jogos _ e seus ataques marcaram menos do que outros cinco times (Atlético Mineiro, Goiás, Internacional, Grêmio e até o Barueri).

A cinco pontos do Palmeiras (44 gols marcados), mas ainda o que tem mais chances de tirar o título do Verdão de Muricy, o São Paulo fez apenas 37 gols, dez a menos do que o Barueri, 12º colocado. Mas, também, com Washington e Borges, os bons caneleiros que jogam sem bola porque não sabem o que fazer com ela, vocês queriam o que?

O Palmeiras, que já tinha Diego Souza e Cleiton Xavier, dois craques de bola, trouxe de volta Wagner Love e descobriu esquecido no México este Robert, que é bom jogador e artilheiro com estrela, de quem eu nunca havia ouvido falar.

E o São Paulo? Comprou alguns jogadores de baciada daquele Fluminense que já está praticamente rebaixado.

Aí está a grande diferença entre Palmeiras e São Paulo em 2009. Pelo andar da carruagem, é mais fácil Muricy se tornar o primeiro tetracampeão brasileiro consecutivo do que o São Paulo.

Lamento muito, caros amigos tricolores, mas são os fatos, não posso brigar com eles.

Mas é bom a porcada não cantar vitória antes da hora. Melhor do que ninguém, Muricy sabe que o São Paulo é um time de chegada, que não desiste nunca. Que o diga o Grêmio que, no ano passado, chegou a colocar 11 pontos na frente do São Paulo no começo do segundo turno e viu o Tricolor botar mais uma faixa de campeão no final.

Pelo que vi nas últimas rodadas, fora o meu São Paulo, só o Atlético Mineiro, que vem correndo por fora e jogando um belo futebol, ainda pode tirar o título inédito de Muricy e deixar o Palmeiras mais um ano na fila. Goiás e Internacional perderam o pique e o rumo.

No fim, vai dar mesmo Muricy contra Muricy. Façam suas apostas.

Em tempo
Alguns leitores argumentam, com razão, que, se Muricy pode reivindicar uma parte do bicho, caso o São Paulo conquiste o tetracampeonato, da mesma forma Luxemburgo pode pedir uma parte do premio pago a Muricy, caso o Palmeiras seja o vencedor. Afinal, os dois participaram das campanhas dos dois times que estão liderando o Brasileirão antes de serem demitidos.
Só não aceito que me critiquem por ter sido injusto com o Ricardo Gomes, que levou o São Paulo para o alto da tabela. Reconheço os méritos dele logo no segundo parágrafo do comentário.
Quando se trata de futebol, caros leitores, não vamos levar as coisas tão a ferro e fogo. Um pouco de humor faz bem. Futebol é pra gente se divertir.

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Assuntos mais comentados da semana

A crise em Honduras foi disparado o assunto mais comentado da semana em toda a mídia brasileira. Só aqui neste Balaio foram publicados quase 700 comentários sobre o impasse hondurenho, fora um monte que me vi obrigado a deletar por conter ofensas graves.
Para se ter uma idéia do que isso representa em repercussão, esse número corresponde praticamente ao total de mensagens recebidas pela Folha de S. Paulo (698) a respeito de todos os assuntos publicados pelo jornal durante a última semana.
Publico abaixo a relação dos temas que provocaram maior participação dos leitores no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país, como faço todos os domingos.

Balaio

Honduras: 682
Guerrilha do Araguaia: 227
O vento e os tucanos: 75

Folha

Honduras: 148
Olimpíada 2016: 81
Enem: 50

Veja

Honduras: 87
"The United State of Sobral": 47
Ana Beatriz B. Silva: 33

***

Bastaram aparecer as três letras mágicas do RIO na placa erguida pelo presidente do COI em Copenhague, na sexta-feira, como vencedor da disputa para sediar a Olimpíada de 2016, para mudar de uma hora para outra o astral do noticiário na imprensa brasileira. De uma hora para outra, a mídia voltou a sorrir.
Desta vez, ao contrário do que costuma acontecer quando se trata de algum fato positivo para o país, o registro se deu sem ressalvas _ nada dos mas, poréns e, no entantos, que costumam acompanhar as manchetes nestes raros momentos de felicidade em meio a uma crise e outra.
Claro que aqui e ali alguns veículos e colunistas lembraram o grande desafio para providenciar em sete anos toda a infra-estrutura e as instalações esportivas necessárias para o evento _ até o presidente Lula falou disso em seu discurso _ e os perigos do superfaturamento nas obras, mas o ufanismo desta vez superou largamente o mau humor do noticiário.
Não era para menos. Era só ver a quantidade de anúncios relativos ao tema que abarrotaram páginas e intervalos comerciais em todas as mídias no dia seguinte à conquista do Rio.
Os maiores anunciantes do país aproveitaram o gancho da Olimpíada para inundar todos os espaços com mensagens de otimismo e fé no Brasil, e não só porque sediará a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas destacando também o bom momento vivido pelo país na economia e em todas as outras áreas da vida nacional.
Falou-se muito no resgate da autoestima do carioca e do brasileiro, imagens da vitória em Copenhague foram repetidas à exaustão, até os mais críticos, que nunca conseguem enxergar nada de bom acontecendo no Brasil, acabaram se rendendo.
O clima contagiou âncoras e colunistas, repórteres e comentaristas esportivos, tudo virou uma grande festa. Em outras circunstâncias, eles podem até brigar com os fatos, mas ninguém é valente o bastante para jogar contra o departamento comercial das empresas.
Afinal, de todos os setores da nossa economia, o primeiro beneficiado a ganhar muito dinheiro com a vitória do Rio foi exatamente o da indústria da comunicação.
Bom domingo, boa semana a todos. E viva nós! Nós também podemos!

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