Publicado em 15/10/10 às 10h13

Terceira onda favorece Serra

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Com a divulgação esta semana dos resultados das pesquisas dos quatro principais institutos do país _ Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus _ ficou evidente que uma terceira onda se formou nesta reta final do segundo turno da campanha presidencial. Os números variam de uma pesquisa para outra, mas há um ponto em comum: a curva de Dilma desce, a de Serra sobe, e a "boca do jacaré" está lentamente se fechando.

Quando a campanha começou oficialmente, formou-se a primeira grande onda vermelha de Dilma, que atropelou em poucas semanas a liderança que Serra vinha mantendo desde o ano passado. A distância entre os dois principais concorrentes foi-se alargando com o começo da propaganda na TV, de tal forma que, abrindo mais de vinte pontos de vantagem, quase todo mundo deu como certa a vitória de Dilma no primeiro turno, até mesmo seus adversários.

Na última semana do primeiro turno, porém, todos foram surpreendidos pela segunda onda, a verde, na verdade um tsunami de nome Marina Silva, que passou a campanha toda mantendo-se firme em torno dos 10 pontos e, no final, disparou para 20, levando a eleição para o segundo turno.

De uma hora para outra, o ar desanimado de Serra e dos tucanos foi substituído por um largo sorriso, a campanha errante tomou prumo, o programa de televisão ganhou vida, aliados que vinham se estranhando passaram a falar a mesma língua. Em apenas duas semanas, os papéis se inverteram, tudo mudou.

Dilma, que venceu o primeiro turno, aparecia em público com ar derrotado e, Serra, que perdeu, posando de vitorioso. O horário político na TV passou a refletir este clima das campanhas, com o programa dos tucanos muito mais ágil, alto astral, mostrando cenas das viagens de Serra pelo país, dosando promessas com ataques. Na verdade, os ataques da oposição foram terceirizados na boca de uma atriz desconhecida, no anonimato da internet, nos panfletos e nos púlpitos das igrejas.

De outro lado, o exército de Dilma parecia despreparado para o segundo turno, como se tivesse jogado todas as suas fichas na certeza de vencer no primeiro. Desmotivados, os aliados da candidata do governo começaram a bater cabeça, como já tinha acontecido lá no início desta campanha eleitoral. Dilma ficou muito presa em Brasília, Lula se recolheu por alguns dias e a candidata se viu obrigada a dar a cara para bater, como vimos no primeiro debate do segundo turno.

Agora é tudo ou nada,  jogo rápido, não dá para ficar pensando muito em mirabolantes táticas e estratégias. Faltam apenas 16 dias para voltarmos às urnas, o que é uma eternidade em se tratando de segundo turno de uma eleição presidencial. Nada está decidido, mas é muito difícil que ainda haja tempo para aparecer uma nova onda. Resta saber qual a fôrça e até onde vai esta terceira.

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Publicado em 14/10/10 às 10h14

Não assine carta nenhuma, Dilma!

201 Comentários

Que petulância, que falta de noção, que desrespeito! Quem pensam que são estas "lideranças de igrejas evangélicas" para exigir da candidata Dilma Roussef que assine uma "carta à nação" em troca do apóio eleitoral dos seus fiéis?

Os autoproclamados enviados de Deus querem que ela se comprometa, caso seja eleita, a vetar a união homossexual e a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, na mesma linha da onda que já vêm fazendo em torno da descriminização do aborto.

Trata-se, antes de tudo, de um desrespeito ao Congresso Nacional, que é quem deve discutir e deliberar sobre estes temas. Custo a acreditar no que leio publicado no jornal, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Já pensaram se cada seita ou tribo, torcida de futebol ou escola de samba, sindicato patronal ou de empregados, clube da terceira idade ou associação de creches, qualquer instituição ou entidade se julgar agora no direito de exigir dos candidatos uma "carta à nação" em defesa dos seus interesses?

Os setores mais conservadores da igreja católica ainda não chegaram a tanto, mas seus bispos e padres estão agindo exatamente como os pastores dos dízimos, transformando seus altares em palanques e distribuindo panfletos inspirados na TFP (Tradição, Família e Propriedade), o decadente braço religoso da extrema-direta brasileira, que já colocou a cabecinha de fora.

Claro que a oposição está gostando da brincadeira. Seus líderes mais afoitos estão achando que descobriram de repente um tesouro de votos, beijando terços por onde passam, tomando bençãos e mastigando hóstias, como se estivéssemos numa campanha para a sucessão de Bento 16 e não para eleger o presidente do Brasil.

Daqui a pouco, só está faltando mesmo convocar mais uma "Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade", como os mesmos entes religiosos e os mesmos orgãos de imprensa fizeram em 1964, e levaram o Brasil para o fundo do buraco de vinte anos de ditadura militar.  

Já deve ter gente se preparando para recolher o "ouro para o bem do Brasil", que fez a fortuna de alguns malacos naquela época. Levaram até a aliança de ouro da minha avó, coitada, que tinha medo da "invasão comunista".

Como sabem os leitores do Balaio, ao contrário de muitos dos meus colegas blogueiros e colunistas, não sou de dar conselhos a candidatos que devem entender de política e de eleições um pouco mais do que eu.  Como qualquer cidadão brasileiro, no entanto, preocupado com o que anda acontecendo neste inacreditável segundo turno, apenas peço encarecidamente a Dilma Rousseff que não assine carta nenhuma.

Não vale a pena querer ganhar eleição a qualquer preço. A conta a ser paga, depois, é alta demais.

E tempo: imperdível a charge ""Novos cristãos" publicada pelo Angeli na página A2 da Folha desta  quinta-feira. Sem palavras, resume tudo o que está acontecendo na campanha eleitoral. Vale a pena dar uma olhada.

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Em meio à poluição cada vez mais sufocante desta deprimente campanha eleitoral brasileira, movida a preconceitos e baixarias, nada como respirar por alguns dias o ar puro do mar em São Sebastião, brincar com os netos e assistir às comoventes cenas do resgate dos mineiros chilenos _ uma belíssima vitória da solidariedade humana, da união e da fôrça de um povo.

Ao voltar a São Paulo, no final da tarde desta quarta-feira, viajei no tempo, e minhas lembranças se voltaram para outra vitória das luzes sobre as trevas, mais uma grande conquista humana: a chegada do primeiro homem à Lua, em 1969, que acompanhei em Caraguatatuba, cidade vizinha a São Sebastião, na casa dos pais da minha então namorada, hoje avó dos meus netos.  

Até a Fênix 2, a cápsula do resgate, me fez lembrar vagamente, claro, da nave espacial da Nasa. A areia do deserto de Atacama pareceu, por um momento, o inóspito solo lunar. A única grande diferença é que, 41 anos atrás, o homem se lançou no espaço para conquistar outro planeta e, agora, os 33 trabalhadores chilenos renasceram das profundezas da mina de San José, de volta à Terra.  

Fazia um bom tempo já, em meio a tantas desgraças naturais e humanas, nós não tínhamos um motivo universal para comemorar uma bela vitória como esta conquista chilena, capaz de alegrar o mundo inteiro ao mesmo tempo, ao vivo e em cores, pelo menos por algumas horas.

No momento em que escrevo, segundo o relato da competente e incansável repórter Luísa Pécora, aqui no iG, vinte mineiros já haviam sido resgatados e era possível que todos estivessem de volta à superfície até o final do dia.

A cada resgate, era aquela comovente festa das famílias e dos técnicos se abraçando no acampamento Esperança, espalhando felicidade pelos milhões de lares deste planetinha que acompanharam pela televisão esta inédita saga humana.

Ao comemorar a chegada do primeiro resgatado de volta ao solo de Atacama, o agora famoso Florence Ávalos, o presidente chileno Sebástian Piñera falou do "compromisso de um povo inteiro" e lançou um desafio: "Quando o Chile se une, somos capazes de grandes coisas. Quero convidar a todos os chilenos que tenham este compromisso não apenas nas adversidades".

Piñera pegou pela proa um terromoto seguido de tsunami logo no dia da sua posse, em fevereiro; em agosto, o país foi abalado pelo drama dos mineiros que passariam 69 dias confinados a 700 metros de profundidade, após o desabamento na mina de San José e, agora, quer transformar em permanente um sentimento que só costuma aparecer nas tragédias.

É o caso de nos perguntarmos: por que as pessoas só costumam se unir na desgraça, e não são capazes de gestos de solidariedade no convívio cotidiano, que tornariam a vida de todos muito melhor, sem a necessidade de heroísmos, sem precisar de uma Fênix 2? Por que fazer de cada disputa uma guerra para ser vencida a qualquer preço, transformar cada adversário num inimigo de morte, acirrar em vez de respeitar as nossas diferenças? Para quê?

Com a palavra, os leitores.

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Publicado em 11/10/10 às 12h23

Dilma no ataque, Serra na defesa

1078 Comentários

Alguma coisa estava fora de ordem e de lugar no debate de domingo à noite na TV Bandeirantes. Pela lógica destes confrontos decisivos, quando sobram apenas dois candidatos no segundo turno, quem está na frente fica na retranca e joga pelo empate, de preferência sem gols; quem está atrás, vai para o ataque, na base do perdido por um, perdido por mil, pois tem que arriscar tudo para virar o resultado.

Pois Dilma e Serra fizeram exatamente o contrário, inverteram os papéis. Desde a primeira pergunta que lhe cabia fazer, a candidata petista, que ganhou o primeiro turno e lidera o segundo, foi para a ofensiva, acusando diretamente o opositor pelas calúnias que vem sofrendo na campanha. A partir daí, Serra colocou-se na defensiva, apenas reagindo em rápidos contra-ataques, sempre com muito cuidado.

Foi como se Dilma, a caminho do debate, tivesse comunicado aos seus marqueteiros, conselheiros e protetores: "Sai da frente! Pode deixar, que eu resolvo, agora é comigo!" E foi para cima de Serra, sem largar o osso em nenhum momento do debate.

Preparado para mais um encontro na base do "paz e amor", sem ataques nem confrontos como os anteriores, e confiando no clima ameno anunciado fartamente pelos jornais, a principio Serra parecia não acreditar no que estava vendo e ouvindo de Dilma, mas procurou não fugir do seu script de se apresentar como um tranquilo estadista com muitos feitos a apresentar em sua longa carreira.

Para quem a acusava de estar se escondendo atrás de Lula, sem mostrar quem é e o que pensa, engessada por uma campanha baseada em "cálculos científicos" e pesquisas qualitativas, Dilma até que se saiu muito bem no novo papel de candidata ousada, independente e afirmativa, sem medo de correr riscos. Se isto vai lhe acrescentar ou tirar votos, é outra história, que só as próximas pesquisas poderão esclarecer _ ou não, sabe-se lá ...

De seu lado, José Serra viu-se obrigado a defender o governo Fernando Henrique Cardoso e a discutir uma pauta levantada pela adversária sobre a questão das privatizações, a defesa da Petrobrás e as ameaças dos tucanos ao pré-sal.

Baseado em pesquisas que mostraram o desgaste da adversária diante da enxurrada de denúncias publicadas pela imprensa nas últimas semanas do primeiro turno, sempre que podia Serra colocava de novo na roda as lambanças da Casa Civil de Erenice e e o caso da quebra de sigilos fiscais.

Claro que a guerra religiosa sobre o aborto não poderia ficar de fora do debate, mas é difícil saber quem ganhou ou perdeu domingo com esta extemporânea e exdrúxula discussão que polarizou a campanha.

Com certeza, os únicos grandes vencedores desta viagem de volta ao passado são estes aiatolás fundamentalistas que juntam o que há de pior nas igrejas evangélicas e na católica. Eles devem estar se achando, mais do que Marina Silva, os fiéis da balança que vão decidir a eleição no Brasil do século 21.

O primeiro debate do segundo turno foi o melhor e mais animado na atual campanha, mas a meu ver não vai  alterar muita coisa no cenário. Agora, com apenas oito pontos separando Dilma de Serra no segundo turno, segundo o Datafolha, o jogo continua aberto. O que será que esta semana nos reserva de fato novo? De onde partirá a próxima bala de prata? Cuidado, nunca se sabe...

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Ao final da primeira semana da campanha do segundo turno das eleições presidenciais, se alguém chegasse ao Brasil hoje, sem saber o que está em jogo, poderia imaginar que o país voltou à Idade Média e vive uma sangrenta guerra religiosa. De um lado, a irmã Dilma; de outro, o Beato Serra _ e a unir os dois, um festival de hipocrisia.

Esta inacreditável maluquice começou ainda no final da primeira rodada, quando a internet foi inundada por mensagens apócrifas acusando a candidata Dilma Rousseff de defender o aborto.

Nunca se vai saber até que ponto isto foi decisivo para levar as eleições ao segundo turno, mas o fato é que a velha mídia e os estrategistas do candidato José Serra gostaram da idéia e transformaram a questão do aborto no tema central da campanha. Deus, o próprio, virou o principal cabo eleitoral. Quem promete rezar mais ave-marias?

Acuada pelos repórteres que lhe perguntavam sobre aborto toda vez que aparecia diante das câmeras em algum lugar público, a Irmã Dilma entrou no jogo e passou a falar das suas profundas convicções religiosas, como se agora fosse candidata a madre superiora. Só falta aparecer com um véu na cabeça. Satisfeito com os resultados, pleno de santidade, o Beato Serra, por sua vez, passou a fazer campanha, não apenas para ser eleito, mas canonizado.

Os programas de TV dos dois candidatos aderiram logo à onda. A guerra religiosa não deixou mais lugar para o debate de projetos para o país nos próximos quatro anos. A política cedeu espaço à religião. Templos e igrejas tomaram o lugar dos palanques; as bençãos de bispos e pastores passaram a ser mais cobiçadas do que o apoio de líderes populares; sermões substituiram os discursos e os eleitores passaram a ser tratados como um rebanho de fiéis.  

É como se o país estivesse enfrentando uma epidemia de abortos, doença contagiosa que, de uma hora para outra, passou a ameaçar todas as mulheres grávidas.  Saíram de cena todos os escândalos, não se fala mais em pedofilia na Igreja Católica, nem no destino dado aos milionários dízimos evangélicos que não pagam impostos.

O aborto se transformou na grande questão nacional. De onde surgiu esta sandice? Aonde se quer chegar com esta insanidade?

Confesso a vocês que não sei explicar o que está acontecendo, gostaria apenas de entender. Estou ficando meio assustado com tudo isso. O Brasil merecia uma campanha presidencial mais decente, menos indigente.

Em tempo:

Depois de publicar o texto acima, na noite de sábado, recebi algumas informações que podem responder a algumas perguntas para nos ajudar a entender melhor a origem desta guerra nada santa. Já na reta final da campanha do primeiro turno, sem muito alarde, o pastor Silas Malafaia, da mesma igreja evangélica de Marina Silva, abandonou a candidata verde e ofereceu seu apoio a José Serra.

A súbita mudança político-religiosa de Malafaia, coincide com o início da ofensiva nos esgotos da internet acusando a candidata Dilma Rousseff de defender o aborto. O pastor justificou seu rompimento com Marina por ela defender um plebiscito sobre a questão do aborto e outros temas polêmicos que dividem a sociedade. 

Ainda não se conhecem os argumentos _ baseados na fé religiosa, naturalmente _  utilizados pela campanha de José Serra para ganhar o apoio de Malafaia.

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Para quem viu a primeira, que já fez um estrondoso sucesso, esta nova versão de Tropa de Elite, que estréia hoje em todo o país, é bem diferente e muito melhor, imperdível.

Fui convidado para a pré-estréia de quinta-feira à noite em São Paulo e fiquei impressionado, não só com a quantidade de gente que lotou as cinco salas do Shopping Vila Olímpia, com pessoas em pé e sentadas no chão, como com o comportamento do público.

Durante toda a projeção, o impacto do filme foi tão forte que as pessoas mal conseguiam respirar ou piscar o olho, para só quebrar o silêncio ao final, em longos aplausos. "Que porrada!", foi o comentário que o diretor José Padilha mais ouviu na saída de uma das salas.

Com seu indefectível boné e um sorriso matreiro, Padilha balançava a cabeça, como quem diz:  "Não tenho culpa... Tudo isso aí existe, já saiu em notícia de jornal". Ao lado dele, o roteirista Bráulio Mantovani, só fazia confirmar as palavras do diretor. Com a habitual modéstia, deu a entender que o seu trabalho teria se limitado a montar um quebra-cabeças com recortes de jornal, em que as editorias de política e polícia se confundem, para contar uma história com começo, meio e fim.

De fato, tudo surge tão real na tela, os atores são todos tão convicentes nos seus papéis, que nem parece filme de ficção.

Ao contrário do primeiro Tropa de Elite, um thriller policial centrado na eterna luta entre mocinhos e bandidos, que às vezes alternavam os papéis, este segundo é, acima de tudo, apesar de ter até mais tiros e sangue, um filme político, que desnuda o sistema de poder no Rio de Janeiro _ de resto, não muito diferente daquele que vigora em outras regiões do país. 

A polícia fica no meio do jogo de interesses do Executivo e do Legislativo, alternando achaques e ataques aos traficantes, bem a propósito do momento que vivemos, baseado na luta por votos a qualquer preço, corrompendo e matando para conquistar e manter mandatos. Não sobra ninguém. Ou melhor, o filme só não mostra as mazelas do Judiciário, a terceira ponta dos podres poderes que acirram a violência e estimulam a impunidade.  

No jogo de perde e ganha, o capitão Nascimento, de Wagner Moura, mais uma vez no papel de herói, vai ficando cada vez mais isolado no mundo, nos planos pessoal, profissional e político, mas não entrega os pontos, e sempre busca fôrças para continuar enfrentando o poderoso "sistema" formado por políticos, policiais e jornalistas corruptos, aliados a traficantes e milicianos assassinos, que subjugam o povo mais pobre dos morros para garantir seu poder e mordomias.  

Sei que devo me sentir meio suspeito para falar bem do Tropa 2, já que sou sogro do Bráulio Mantovani, roteirista e co-produtor do filme, e amigo do diretor José Padilha, desde que voltei com ele ao local das filmagens de "Garapa", o seu filme sobre a fome produzido no interior do Ceará, para fazer uma longa reportagem publicada pela revista Brasileiros. Com o produtor Marcos Prado, eles formam um trio de respeito que orgulha o cinema nacional.

Por isso, não tenho nenhum receio em dizer para vocês, sem medo de errar, que Tropa de Elite 2 é um grande momento de afirmação e maturidade do cinema brasileiro. Mostra como se pode fazer muito sucesso de bilheteria com uma obra de alta qualidade técnica e artística, levantando problemas sérios e fazendo a platéia pensar um pouco sobre a sua própria vida e o nosso país ao final da primeira década do século 21.

Não percam, vale a pena! Desta vez, até onde sei, só dá para ver o filme nos cinemas. Ainda não apareceram cópias piratas. Menos mal. Assim sempre resta uma esperança de dias melhores e mais civilizados...

Em tempo 1:  

Não posso deixar de registrar aqui mais um caso grave de desrespeito à liberdade de expressão praticado por quem deveria defendê-la, e o faz com estardalhaço para atacar o governo, sem qualquer razão concreta, mas não cumpre a sua parte  em casa.

Sim, refiro-me à demissão da colunista Maria Rita Kehl pelo Estadão, o mesmo jornalão que se faz de vítima de censura. Por ter defendido o Bolsa-Família em sua coluna no último sábado, e criticado a "desqualificação" do voto dos pobres que recebem o benefício, a respeitada psicanalista foi sumariamente "descontinuada".

"Fui demitida por um delito de opinião", denunciou Maria Rita, em entrevista ao meu amigo Bob Fernandes, do Terra Magazine. Também em entrevista ao Bob, o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, negou que tenha havido censura e demissão. Vejam só que meiguice, quanta hipocrisia:

"Não é demissão... Colunistas se revezam, cumprem ciclos. O jornal tem 92 colunistas, e esse ano saíram três e entraram três ou quatro. O que estava havendo aí era a simples gestão de uma coluna específica".

Ah, bom! O diretor só esqueceu de dizer que os 92 colunistas do jornal _ 92 colunistas! _ só continuam escrevendo lá porque obedecem religiosamente o pensamento único do jornal, com a honrosa exceção de Luiz Fernando Veríssimo, que é hors-concours. Ou seja, só repetem com outras palavras o que está escrito nas sagradas escrituras _ quer dizer, nos editoriais da família Mesquita.

A Maria Rita Kehl, minha solidariedade.

Em tempo 2:

No meu último post antes das eleições, escrevi que, pelas pesquisas divulgadas por todos os institutos até aquele momento, Dilma Rousseff só não tinha a vitória assegurada no primeiro turno no Datafolha. No primeiro post após as eleições, registrei que o Datafolha foi o que mais se aproximou dos números finais do primeiro turno.

Abaixo, reproduzo e-mail  que recebi, por intermédio da minha mulher, enviado por Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha:

"Por favor, agradeça ao Ricardo por reconhecer publicamente em seu blog que o Datafolha foi o que mais se aproximou dos resultados da disputa presidencial.

Foi o ÚNICO, entre tantos que duvidavam das tendências que vínhamos divulgando, que teve a grandeza desse reconhecimento. Desejo melhoras para ele e felicidades para vocês.

Mauro Paulino"

Tem nada que agradecer, Paulino. Era o mínimo que eu tinha a fazer. Boa sorte e sucesso no teu trabalho.

Em tempo 3:

Para quem ficar na cidade neste feriadão, tem um belo programa no domingo. Na verdade, são dois eventos importantes no mesmo local: o encerramento da mostra de Elifas Andreato, com cerca de 100 trabalhos deste grande artista gráfico, expostos no Museu da Resistência, na Estação Pinacoteca; e, às 14h30, a pré-estréia do filme "Perdão Mister Fiel", de Jorge Oliveira, sobre a morte do operário Manoel Fiel Filho nos cárceres da ditadura, em 1976. 

Ao final do filme, Andreato e Oliveira, junto com o já antológico jornalista Audálio Dantas, sobem ao palco para um debate sobre aquele período trágico da vida brasileira que eles retrataram em seus trabalhos.

E é tudo com entrada franca, ninguém paga nada. A Estação Pinacoteca fica no Largo General Osório, 66, no Bairro da Luz, centro de São Paulo.

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Publicado em 06/10/10 às 12h23

Os superpoderes dos marqueteiros

373 Comentários

Na campanha presidencial mais chata de tantas que acompanhei desde 1989, marcada pela falta de interesse e participação popular na maior parte do tempo e dos lugares (escrevi isso aqui mesmo logo no começo da disputa), com debates insuportáveis na televisão e o horário político gratuito transformado num grande circo de horrores, o que mais me chamou a atenção foram os poderes concentrados nas mãos dos marqueteiros dos dois candidatos finalistas.

Mais do que qualquer líder político, coordenador de campanha ou presidente de partido, quem deu as cartas no primeiro turno foram João Santana, pela campanha de Dilma, e Luiz Gonzales, do lado de Serra. Os dois têm muita coisa em comum: começaram no jornalismo, passaram pela publicidade até descobrir o marketing político e não gostam de ouvir ninguém, além dos candidatos e das pesquisas qualitativas. É como se o marketing político fosse uma ciência exata. Eles têm certezas tão grandes quanto ciúmes do seu trabalho.

Dizem que João Santana abre uma exceção para ouvir palpites do presidente Lula nos dias em que está de bom humor. Responsáveis pelos programas de rádio de TV, na verdade Gonzalez e Santana controlam tudo nas campanhas, dos discursos aos temas dos debates e até do que os candidatos devem vestir e falar nas entrevistas. São os estrategistas de tudo, não apenas da área de comunicação.

Agora que os dois lados começam a discutir novos caminhos para o segundo turno, claro que aumentou o assédio sobre os marqueteiros, com todo mundo querendo dar palpites e apresentar propostas milagrosas que levem seu candidato à vitória.

Até duas semanas antes do primeiro turno da eleição, quem mais penou foi Gonzalez, apontado pelos caciques do PSDB, DEM e PPS como o principal culpado pelo derretimento da campanha de Serra, que começou na casa dos 40 pontos e, depois que começaram os programas na TV, chegou ao final na faixa dos 20, antes do tsunami Marina nos últimos dias, que salvou seu pescoço e levou a eleição para o segundo turno.

Com João Santana acontece o contrário. Apontado até a semana passada como o grande mago que levaria a estreante Dilma à vitória já no primeiro turno, a bordo de belas imagens e apenas uma idéia na cabeça _ a obra e a popularidade do presidente Lula _ Santana teve que adiar suas férias e agora corre o risco de ir do céu para o inferno, se não der uma completa reformulada no programa de TV, na candidata e em toda a sua estratégia de campanha.

Dos dois lados, os políticos estão assanhados para recuperar as rédeas das campanhas, no que estão em seu absoluto direito, já que se trata, por definição, de uma disputa política e não apenas de propaganda eleitoral.

Tudo que escrevi acima se refere, naturalmente, ao que é público e notório. Não estou aí fazendo nenhuma grande revelação, apenas uma constatação. Este é o mundo que aparece todos os dias na velha e na nova mídia, está na boca dos candidatos e dos jornalsitas, é visível a olho nu.

Para explicar o que aconteceu na semana decisiva do primeiro turno, só isto, no entanto, não basta. É preciso ver o que se passou em áreas onde o sol não bate, nas catacumbas da internet que alimenta os púlpitos mais atrasados e descobrir quem foi o marqueteiro oculto que criou e botou na boca de Dilma a fatídica frase "Nem Cristo me tira esta vitória no primeiro turno".

Bastou juntar este vitupério com as mensagens que já circulavam sofregamente pela rede sobre o "perigo de votar na candidata terrorista que apóia o aborto e o casamento gay" e, de uma hora para outra, estava feito o estrago que, até então, não haviam logrado todas as denúncias e todos os escândalos midiáticos que atravessaram a campanha. Só uma curiosidade: por onde andava nestas horas o grande guru Marcelo Branco, responsável pela área de internet da campanha petista? Organizando a festa da vitória?

Nem Branco nem Santana se deram conta de que o jogo tinha virado e uma bala de prata subterrânea fora disparada no coração da candidatura de Dilma.

Quando se contar a história desta eleição presidencial no futuro, não se poderá deixar de falar no papel relevante que tiveram Santana e Gonzalez, mas seria uma injustiça não dar o devido crédito ao marqueteiro oculto.

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Publicado em 04/10/10 às 11h07

O que passa pela cabeça do eleitor?

504 Comentários

Atualizado às 19h25 de 5.10

Final de tarde de terça-feira. Já estou em casa novamente, depois de passar uma breve temporada no hospital, mas ainda não consegui atualizar o Balaio porque passei o tempo todo atendendo ao telefone, lendo e respondendo e-mails e liberando comentários.

Espero que amanhã o blog volte à vida normal. Agradeço a todos pela compreensão que tiveram comigo nos últimos dias e às manifestações de carinho e amizade dos leitores. Vida que segue.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Caros leitores,

Manhã de segunda-feira. Ainda internado no hospital, depois de quatro dias só tomando antibióticos e analgésicos na veia, por conta de um dolorido processo infeccioso que se alastrou pelo rosto e me derrubou literalmente, hoje estou me sentindo melhor. Tem coisas que só acontecem comigo, não têm explicação.

Volto a escrever só para dizer que continuo vivo. Não tenho nenhuma novidade para contar, a não ser que devo ter alta amanhã. 

Entre o dia em que fui internado e hoje, tivemos os últimos lances da campanha eleitoral, o país foi às urnas no domingo e já conhecemos os resultados. Mais uma vez, os eleitores resolveram surpreender os institutos de pesquisa e seus diretores, analistas em geral, comentaristas políticos nacionais e estrangeiros, e todos os sábios e profetas de plantão. 

Todos, com algumas raríssimas exceções, quebramos a cara, incluindo o amigo que vos fala,claro. Justiça seja feita, quem mais se aproximou dos números finais acabou sendo o Datafolha.

Duas semanas antes das eleições, a vitória de Dilma Rousseff logo no primeiro turno era dado como favas contadas até por seus adversários e comentaristas aliados, que já começavam a fazer projeções sobre o futuro partidário e a buscar os culpados pela derrota.

Como se dizia no interior de antigamente, contaram com o ovo da galinha antes da hora e, por isso, o resultado que leva a um segundo turno entre Dilma e José Serra foi uma vitória com gosto amargo para a candidata do governo.

Como já tinha acontecido com Lula nas eleições de 2002 e 2006, quando as pesquisas indicavam sua vitória no primeiro turno, e faltou muito pouco para que isso acontecesse, também desta vez a sua candidata à sucessão chegou perto. Faltaram apenas três pontos.

Sem que nada de muito importante tivesse acontecido nos dias anteriores, quando os candidatos, a imprensa e o presidente Lula pareciam ter dado uma trégua na guerra eleitoral, o resultado final foi bem diferente de quase todas as previsões, até da pesquisa boca de urna do Ibope.

O eleitor soberano resolveu dar um susto em que pensava que já ganhou, tirou de Dilma e despejou mais votos em Serra e em Marina do que se imaginava, e agora começa tudo de novo. Menos mal: no dia 31, no segundo turno, eu espero já poder votar.

O que aconteceu? Sei que esperam dos jornalistas mais respostas do que perguntas, e vocês já devem der ouvido e lido milhares de análises sobre os resultados eleitorais, suas causas e possíveis consequências. Como os leitores já devem ter percebido que não sou muito bom numa coisa nem noutra, vamos inverter os papéis.

Hoje, peço a vocês que me ajudem e digam o que aconteceu domingo. E o que pode acontecer agora neste segundo turno. O que passa pela cabeça do eleitor? Como e em que momento se define o voto? O que mais influi nesta hora?Confesso que estou sem palpite e já está na hora de fazer mais um exame.

Aproveito para agradecer a dedicação e a amizade dos médicos David Uip e Roberto Kalil e suas equipes, e a todo o pessoal do Hospital Sírio-Libanês, que mais uma vez cuidaram da minha (falta de) saúde.  

Com mil perdões pelo mau  jeito da escrita,

Ricardo Kotscho

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Caros amigos,

não esqueci de vocês, mas é que tive um problema de saúde na volta do Recife (nada muito grave) e passei esta quinta-feira no pronto-socorro esperando a internação no hospital Sirio-Libanês. No Brasil, até os hospitais andam lotados, não são só os aviões e os aeroportos...

Enquanto espero a primeira refeição do dia, escrevo rapidamente só para dar uma satisfação aos leitores do Balaio e falar de uma constatação que fiz ao ler o noticiário: apesar de todo o barulho dos últimos dias, do tal "sobe e desce das pesquisas", tudo indica que a eleição será mesmo decidida já no domingo.

Pena que não vou poder votar (eu voto em Porangaba e não deverei ter alta até domingo). É a primeira eleição que perco na vida. Votem por mim.

Abraços,

Ricardo Kotscho

*** 

Três dos quatro principais institutos de pesquisa do país _ Ibope, Vox Populi e Sensus _ apontam a vitória de Dilma Rousseff já no primeiro turno das eleições, com mais votos do que a soma dos seus adversários, fora da margem de erro, segundo as mais recentes pesquisas divulgadas.

A exceção, mais uma vez, ficou por conta do Datafolha, que registrou uma diferença bem menor a favor de Dilma. Explica o jornal do mesmo nome: "Os rivais de Dilma somam 48% dos votos válidos; ela precisa de 50% mais um para vencer já neste domingo. Como a margem de erro é de dois pontos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno".

Com segurança, de fato, ninguém pode afirmar nada, antes da abertura das urnas, mas vamos aos últimos números:

Vox Populi: Dilma 55 X 45% da soma dos adversários. Diferença de 10 pontos nos votos válidos.

Ibope: Dilma 55 X 44% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Sensus: Dilma 54 X 43% da soma dos adversários. Diferença de 11 pontos nos votos válidos.

Datafolha: Dilma 52 X 48% da soma dos adversários. Diferença de apenas 2 pontos.

O que explica esta discrepância que chama a atenção? A explicação mais frequente é a diferença na metodologia aplicada pelos institutos. O Datafolha é o único que ouve os eleitores na rua, em pontos de movimento; os outros três fazem entrevistas domiciliares.

Como o Datafolha adota a mesma metodologia desde a sua fundação, e nas eleições anteriores não houve tanta diferença nas projeções, alguma coisa estranha acontece este ano. O Datafolha foi o último a admitir a passagem de Dilma para a liderança e a possibilidade de ganhar no primeiro turno. Seus números sempre foram mais favoráveis aos candidatos da oposição.

O colega Merval Pereira, de O Globo, sugeriu hoje, em sua coluna que "essas diferenças entre os institutos de pesquisa vão ter de ser estudadas quando acabarem as eleições". Também acho. Resta saber quem fará este estudo e onde será publicado.

Como escrevo antes dos últimos programas eleitorais na TV e do debate da Globo, em que todos jogarão sua última cartada, corro o risco de quebrar a cara, claro, mas desconfio que não há mais tempo para grandes novidades no front eleitoral. Pode ser que todos estejamos errados e só a Folha tenha os números certos.   No domingo, vamos saber.

Em tempo: no último dia do seu rally aéreo pelo país, a bordo do jatinho do JN, quero dar os parabéns ao repórter Ernesto Paglia pelo belo trabalho jornalístico que levou ao ar e por nos mostrar um Brasil real que, na rotina do dia a dia das redações, ficou sem espaço na mídia. Não se deve confundir o trabalho sério do repórter com a política editorial da empresa onde trabalha.

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Atualizado às 9h55 do dia 28.9, terça-feira

Caros leitores,

embarco daqui a pouco para o Recife, onde vou fazer uma reportagem para a edição de outubro da revista Brasileiros sobre o governador Eduardo Campos, que deve ser reeleito com votação recorde. Volto na noite de quarta-feira. Até lá, a liberação de comentários e atualização do blog estarão prejudicados. Grato pela compreensão.

Ricardo Kotscho

Em tempo: Datafolha publicado nesta terça-feira mostra mudanças no cenário eleitoral. Dilma cai três pontos (de 49 para 46) e Marina sobe um (de 13 para 14). Serra fica estacionado em 28. Aumentam as chances de um segundo turno. Em duas semanas, a diferença entre Dilma e a soma dos votos dos demais candidatos caiu de 14 pontos para apenas dois.

No mais recente tracking do Vox Populi, os números são um pouco diferentes: Dilma (com 49) e Serra (com 24) permaneceram no mesmo lugar, enquanto Marina pela primeira vez alcançou os 13 pontos.

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Animada com a subida nas pesquisas nesta reta final da campanha, a candidata verde Marina Silva foi à luta no debate de domingo à noite à noite na TV Record para tirar do tucano José Serra a segunda vaga de um possível segundo turno, cada vez mais improvável, a apenas seis dias da eleição.

Do outro lado do ringue, Serra parecia desanimado, sem vontade de entrar na briga, como se estivesse torcendo para a eleição acabar logo no primeiro turno. Jogou a toalha. Até seu vice, aquele Indio da Costa, se achou no direito de criticar a atuação do candidato, como nos mostrou o noticiário do iG.

Dilma Rousseff acabou sendo atacada por sua ex-colega de governo Marina Silva, que levantou as denúncias de corrupção na Casa Civil, e pelo franco-atirador Plínio Arruda Sampaio, outro ex-petista, que está achando muita graça em poder participar dos debates presidenciais e fazendo o possível para divertir a platéia. Marina sabe que não basta Serra cair; ela precisa tirar votos também de Dilma.

Mais uma vez, porém, a candidata do PT saiu ilesa do debate, sem marcar nenhum belo gol, mas também sem levar, jogando apenas pelo empate, que lhe interessava a esta altura do campeonato.

Faltam agora apenas dois programas de televisão e o debate final de quinta-feira na TV Globo. O que mais poderá acontecer para alterar o cenário na última semana de campanha?

Como escrevi aqui na sexta-feira, os ânimos parecem ter se acalmado nos últimos dias. O presidente Lula até começou a fazer elogios e falar da importância dos bravos rapazes da imprensa, que por sua vez parecem ter esgotado seus paióis de munição. Não escrevo aqui nada muito diferente de meus colegas jornalistas _ repito: jornalistas, não panfleteiros. Apenas conto com a sorte de publicar meus comentários, dizendo quase as mesmas coisas, geralmente um ou dois dias antes. Tenho boas fontes.

Ninguém fala mais no tal "Manifesto em Defesa da Democracia", o minúsculo ato contra o governo produzido na semana passada por algumas almas ressentidas, ex-qualquer-coisa, que fizeram meu bom amigo D. Paulo entrar de gaiato na história. Também baixaram as armas os combatentes do "golpismo midiático". Não há novas manifestações previstas de um lado nem de outro. Melhor assim.

Diante deste quadro serenado, a única novidade _ novidade??? _ foi o centenário jornal O Estado de S. Paulo ter comunicado ao mundo, em editorial publicado no domingo, que agora apoia oficialmente o candidato José Serra. Foi, sem dúvida, um ato de coragem e despojamento, quem sabe anunciado um pouco tardiamente, pois não chegou a espantar ninguém. Talvez tenha sido esta a tão falada "bala de prata" guardada no tambor.

Vida que segue.

 

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