ABr300413001521 Gilmar Mendes assume o comando da nova oposição

Já que as pesquisas e as urnas não têm sido generosas com as velhas siglas para apear o PT do poder, começa-se a armar uma "nova oposição" extrapartidária.

É verdade que o esquema pouco tem de novo, já que há tempos vem atuando de forma organizada este aparato jurídico-midiático-financeiro armado pelos antigos donos  do poder, mas agora já nem se procura disfarçar mais o que antes se tramava no aconchego dos gabinetes fechados e nas colunas dos seus porta-vozes. Nova é apenas a ousadia dos seus mentores e o surrealismo da situação.

E  quem surge como comandante em chefe deste movimento que agora faz questão de mostrar a sua cara e a sua força? É um ministro do Supremo Tribunal Federal, o ex-advogado-geral  da União Gilmar Mendes, nomeado para o cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se notabilizou por dar dois "habeas-corpus" a Daniel Dantas e a permitir a  fuga do médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por ter estuprado 58 mulheres..

Depois de passar alguns meses longe dos holofotes e das manchetes, ofuscado pelo protagonismo do relator Joaquim Barbosa e do procurador-geral Roberto Gurgel no julgamento do mensalão, eis que Mendes volta solenemente à ribalta como o novo manda-chuva da República, mesmo sem ter conquistado nenhum voto.

Nenhuma imagem dos últimos dias agitados em Brasília envolvendo membros dos três poderes foi mais emblemática do que aquela em que Gilmar Mendes aparece sorrindo à cabeceira da mesa para receber o aplauso de dez senadores em apoio à sua liminar de suspender no Congresso a tramitação do projeto que restringe a criação de novos partidos. Entre eles, estavam os senadores Rodrigo Rollemberg, de Brasília, o autor do pedido de liminar que organizou a visita, e Antonio Carlos Valadares, de Sergipe, ambos do PSB,  partido de Eduardo Campos, que teoricamente ainda faz parte da base aliada do governo.

A palavra de ordem que une a todos é uma só: permitir a criação do maior número possível de partidos para evitar que a eleição seja decidida já no primeiro turno, como apontam as pesquisas.

Na véspera, o novo líder honorário da oposição, que chefiava no governo do PSDB a bancada pró-FHC no STF,  já havia recebido em sua casa os presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan Calheiros, que foram discutir com ele iniciativas do Congresso Nacional sobre a limitação de poderes do Ministério Público e do Judiciário, que desagradaram a alguns membros do STF,  além da questão dos novos partidos.

Uma das poucas vozes destoantes na grande imprensa, Janio de Freitas, colunista da "Folha", registra que, após o beija-mão, Henrique Alves "expôs a atitude contrária à Constituição, ao Estado de Direito e à democracia do grupo de senadores que foi aplaudir, em pessoa, a interferência com que Gilmar Mendes, em nome do Supremo Tribunal Federal, sustou a tramitação do projeto a meio do caminho".

Enquanto a liminar de Mendes não tem prazo para ser julgada pelo plenário do STF, estão em formação no país, que já tem 30 siglas, outros 27 partidos, além da Rede, de Marina Silva, e do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (PDT-SP), o líder surfista político- sindical, que está sempre em busca de uma boa onda.

O colega Ilimar Franco revela em sua coluna de "O Globo" que "há partidos para todos os gostos" e cita alguns deles: PSPB (Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada), dois PMBs, um para as Mulheres do Brasil e outro para os Militares do Brasil e o singelo PN, "cuja sigla quer dizer, simplesmente, Partido Novo". Só está faltando um agora para velhos, barrigudos e carecas...

Nesta verdadeira festa do caqui em que se transformou o sistema partidário brasileiro,  o senador Aécio Neves, principal líder da oposição oficial, aproveitou o 1º de Maio para subir no palanque do aliado Paulinho da Força, que também ainda faz parte da base aliada, para atacar o governo da presidente Dilma Rousseff. Em clima de campanha, Aécio finalmente encontrou um discurso: "Não podemos permitir que o fantasma da inflação volte a rondar a mesa do trabalhador".

Contra a inflação, Paulinho da Força chegou a propor a volta do gatilho salarial a cada três meses, um instrumento letal para a economia usado nos tempos da hiperinflação do governo Sarney, mas nem Aécio quis embarcar nessa canoa furada "Várias propostas vão surgir, inclusive essa da Força, que não é a minha".

Qual é a dele, Aécio não disse, mas o ministro Gilberto Carvalho,  da Secretaria Geral, que representou a presidente Dilma Rousseff no evento, respondeu a Aécio e Paulinho. "Não é verdade que a inflação vai subir. Ela teve, sim, um pico nos últimos meses. Agora, começou a cair. A presidente Dilma zela como uma leoa em defesa dos trabalhadores para que a inflação não coma os nossos salários".

À noite, em pronunciamento no rádio e na televisão, a presidente Dilma exaltou as conquistas trabalhistas  dos governos do PT, lembrando os 19,3 milhões de empregos formais que foram criados nos últimos dez anos. Sobre o combate  à inflação, Dilma garantiu: "Esta é uma luta constante, imutável, permanente. Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica, que tem por base o crescimento sustentado e a estabilidade.

Gilmar Mendes não se manifestou sobre o 1º de Maio.

 

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Publicado em 30/04/13 às 10h21

Um 1º Maio sem motivo para festejos

32 Comentários

kotsco Um 1º Maio sem motivo para festejos

Nada como um feriado no meio da semana para acalmar os ânimos de suas excelências em Brasília e dar uma trégua ao país que, de crise em crise entre os três poderes, vive um momento de baixo astral sem que nada de muito grave tenha realmente acontecido.

"O clima não está para festa", resume um importante assessor palaciano diante da agenda negativa das últimas semanas. Desta forma, o 1º de Maio, que costumava ser uma celebração entre centrais sindicais e autoridades para comemorar as conquistas dos trabalhadores, acontecerá sem a participação da presidente Dilma Rousseff e sem o anúncio de atendimento de algumas das 12 benfeitorias reivindicadas ao Palácio do Planalto ao fim da marcha promovida em Brasília no mês passado.

Dilma voltará a se apresentar em cadeia nacional de rádio e televisão, pela terceira vez este ano, mas não terá grandes novidades para anunciar. Ainda na tarde de segunda-feira ela se reuniu mais uma vez com o ministro Guido Mantega para acertar a pauta do pronunciamento , mas os principais temas se resumem à geração de empregos e aumento da renda dos trabalhadores, as grandes conquistas dos trabalhadores nestes dez anos de governos do PT.

Dilma pode falar também de subsídios para a compra de eletrodomésticos no programa Minha Casa Minha Vida e a possível redução de tarifas do serviço público de transportes com a redução de impostos para o setor, além de falar na regulamentação dos direitos trabalhistas dos empregados domésticos, medida já anunciada semanas atrás.

As notícias levadas por Mantega à presidente em sua rotineira reunião de começo de semana não eram animadoras: no primeiro trimestre deste ano, a poupança do governo caiu 41%, indicando que a desoneração fiscal não foi acompanhada por novos investimentos. Com o fraco crescimento e a queda dos impostos a receita teve uma queda de 0,5% e as despesas subiram 11,5%.

Se não chegam notícias boas da área econômica, da mesma forma acumulam-se as pendências políticas nos embates entre Executivo, Legislativo e Judiciário, sem que o governo federal consiga mostrar protagonismo na articulação política capaz de serenar as relações entre os três poderes e retomar a iniciativa da agenda para este ano pré-eleitoral.

Ao contrário, enquanto a presidente Dilma era vaiada por produtores rurais em evento no Mato Grosso do Sul, em razão da demarcação de terras indígenas pela Funai, que agravaram a crise fundiária, quem assumia o comando das articulações eram os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara Federal, Henrique Alves, que foram à casa do ministro Gilmar Mendes para tratar das pendências entre Supremo e Congresso.

Outro detalhe mostrando que alguma coisa está fora de ordem e de lugar é que os dois representantes do Congresso Nacional foram à casa de Gilmar Mendes, como se o ministro do STF fosse o condestável da República, em lugar de se promover o encontro em gabinetes da Câmara ou do Senado.

Como tudo aconteceu a portas fechadas, só se ficou sabendo que os três terão nova reunião na próxima semana e que Gilmar Mendes mandará logo para o plenário a decisão sobre a criação de novos partidos, um projeto do Congresso que ele suspendeu com liminar na semana passada.

Em resumo, temos apenas três problemas sérios no momento: a articulação política travada, a economia emperrada e o ativismo do judiciário ocupando os espaços vazios. Enquanto isso, os pré-candidatos às eleições de 2014 continuam em campanha, sem que se veja no horizonte qualquer solução à vista para mudar este cenário.

Apesar de tudo, bom feriado a todos. A semana, como dizem meus amigos cariocas, praticamente acabou.

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De vez em quando, é bom a gente ser convidado para participar de um debate sobre temas que fogem ao cardápio habitual do noticiário do dia a dia para podermos refletir sobre o nosso trabalho e o dos outros na construção de um país mais democrático e mais justo, ainda mais num momento em que vivemos profunda crise na relação entre os poderes em Brasília, que se agrava a cada dia, exatamente pela falta de diálogo e do respeito ao papel de cada um..

Na tarde de quinta-feira, tive a oportunidade de ser um dos expositores do Seminário "O Crime e  a Notícia", no auditório do Tribunal de Justiça de São Paulo, promovido pelas entidades Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Participei da mesa "Direito de Defesa, Imprensa e Democracia", ao lado dos jornalistas Cristine Prestes, do "Valor", e de Thiago Herdy, de "O Globo", que foi o mediador, do advogado Arnaldo Malheiros Filho, do professor e desembargador José Renato Nalini e de Roberto Troncon Filho, delegado-geral da Polícia Federal em São Paulo.

Cerca de 400 pessoas, entre jornalistas, operadores do Direito, estudantes de Jornalismo e de Direito participaram dos debates que duraram todo o dia.

Para quem não pode participar do evento, e como entendo que se trata de um assunto de interesse geral, transcrevo abaixo a minha palestra:

UM PAÍS SELETIVO

Boa  tarde,

Antes mais nada, muito grato pelo convite para participar deste debate com tão ilustres participantes sobre um tema que interessa a toda a sociedade _ e não só aos operadores do Direito ou aos profissionais de Imprensa.

Tentarei ser breve para tratar das cinco questões colocadas na apresentação do seminário, mas antes poderia resumir tudo numa pequena adaptação do nome dado ao seminário: “O Crime e a Notícia”.

Na verdade, no mundo todo, podemos dizer hoje que “o crime é a notícia”, de tal forma o noticiário policial ganha cada vez mais espaço e relevância nas diferentes plataformas de mídia.

Vamos às questões.

 

Por que em certas situações há respeito a certas garantias da pessoa acusada, como proteção do nome e da imagem, por exemplo, e em outras não?

Aqui o comportamento do judiciário e da imprensa se equivalem. O respeito a certas garantias da pessoa acusada _ e mesmo das vítimas _ depende basicamente da sua condição social e da sua capacidade de dispor de uma defesa competente.

Por uma questão cultural, costumamos ser implacáveis com os mais humildes e subservientes com os donos de qualquer poder, nem que seja apenas o de andar de terno.

Acho que foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quem disse uma vez que o Brasil não é um país pobre, mas um país injusto. E somos um país injusto porque não só a Justiça, mas o conjunto das instituições, incluindo a imprensa, são seletivas.

É por isso que em muitos casos Ministério Público, Judiciário, Polícia e Imprensa se unem para investigar, denunciar e julgar celeremente alguns suspeitos e, em outros, agem com extrema vagareza ou omissão, simplesmente.

Somos seletivos não só ao escolher o alvo das nossas investigações jornalísticas, mas também no destaque dado a cada caso e no julgamento prévio que fazemos dos suspeitos.

Até a maneira de nos referirmos a acusados ou a vítimas varia de acordo com seu nome e origem. Por isso, alguns podem ser algemados pela polícia e interrogados por jornalistas antes de chegarem à delegacia; outros, não.

 

É possível fazer uma cobertura mais equilibrada garantindo a atenção do público, principalmente considerando o perfil dos leitores/espectadores na atualidade?

Sempre é possível fazer uma cobertura mais equilibrada sem perder audiência, mas aqui também noto muita hipocrisia do público. Se você perguntar em qualquer pesquisa o que as pessoas preferem ver na televisão, por exemplo, vão responder que são temas ligados à cultura, à educação, à música, às artes, a histórias edificantes. Mas as televisões que privilegiam estes assuntos dão traço de audiência. Por que? Porque na hora em que pega o controle remoto, o sujeito prefere ver o Ratinho e outros bichos, os programas policiais de  fim de tarde, os Big Brothers da vida, as celebridades e as aberrações em geral. E estes programas dão audiência em qualquer plataforma. E audiência dá dinheiro. É este o jogo. O público também é bastante seletivo: seleciona geralmente o que há de pior.

 

Qual é o impacto das novas mídias para o controle de qualidade do jornalismo e o respeito aos direitos individuais das pessoas retratadas?

As novas mídias provocaram a maior revolução nas comunicações sociais desde que aquele velho alemão, o Gutemberg, inventou a imprensa, faz mais de 500 anos. Democratizaram informações e opiniões, ajudaram a controlar a qualidade e as aberrações do jornalismo tradicional, denunciando suas manipulações. Mas, ao mesmo tempo, desrespeitam direitos individuais, de empresas, de instituições e de governos, numa guerra de extermínio de reputações, que só agora vem despertar a atenção das autoridades judiciárias para colocar um pouco de ordem na zona. Também aqui o impacto é seletivo: tanto pode ser para o bem, como pode alimentar os piores instintos de intolerância com o pensamento contrário.

 

Comente o funcionamento dos mecanismos de autorregulação e controle de qualidade e a função do Ombudsman nos meios brasileiros em que há essa figura.

 

Só conheço um único mecanismo de autorrregulação no Brasil que realmente funciona _ e já faz mais de 30 anos. É o Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, uma entidade  civil criada por representantes de veículos, agências e anunciantes, que recebe, julga e pune abusos cometidos por eles próprios. É bom para todo mundo: protege a sociedade e, ao mesmo tempo, as empresas e os profissionais sérios do mercado que não fazem qualquer coisa só por dinheiro. A função do ombudsman também é uma iniciativa meritória, um espaço de defesa para o leitor, mas só conheço a experiência da "Folha". Por que os outros veículos não aderem a esta prática?

Por que não se dá mais publicidade aos parâmetros éticos estabelecidos dentro das redações?

O problema não é dar mais publicidade aos parâmetros éticos estabelecidos pelas redações. Até que se faz muita publicidade destes manuais e códigos de ética, mas que na verdade funcionam muito mais como marketing do veículo do que outra coisa. Se estes parâmetros fossem colocados em prática e respeitados no dia a dia do trabalho nas redações, nossa imprensa teria mais credibilidade, mais qualidade, mais isenção e certamente prestaria melhores serviços ao seu público.

 

Quais seriam as consequências para a democracia de se introduzir limites à liberdade de imprensa?

 

Não falaria em “introduzir limites à liberdade de imprensa”, que logo virão acusações de censura, controle social da mídia, e essas coisas todas. Prefiro falar em regulação dos meios de comunicação social, já que a nossa atual legislação tem mais de meio século, e é anterior portanto a todas as novas mídias que conhecemos hoje. Há que se estabelecer, após amplo debate na sociedade e no Congresso, um marco regulatório para o setor, assim como temos em todas as outras áreas da economia. A sociedade tem que ter instrumentos para se defender da mídia, assim como a mídia precisa dispor de meios para se defender dos abusos que vêm sendo cometidos por setores do Judiciário. Temos que ter uma regra do jogo que envolva todos os setores interessados _ e um bom ponto de partida é o próprio Conar, a instituição de que falei mais acima. A comunicação social não pode continuar sendo uma terra de ninguém, sem regras claras para todos, em que ainda prevalece a lei do mais forte. Sei que não estou contando nenhuma novidade, mas a comunicação social é um bem fundamental para a democratização da nossa sociedade e não pode ser um instrumento apenas a serviço dos interesses de seus acionistas.

 

 

 

Muito obrigado.

 

 

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praca 1 Supremo X Congresso: em Brasília, o clima esquenta

Ao terminar meu comentário de terça-feira no Jornal da Record News, com o Heródoto Barbeiro, fiz a  previsão óbvia sobre a novela da criação dos novos partidos: "O projeto das restrições aprovado por 240 votos a 30 na Câmara vai agora ao Senado. E, pelo jeito, o caso vai parar, mais uma vez, no Supremo Tribunal Federal".

Não deu outra. No dia seguinte, o ministro Gilmar Mendes, do STF, concedeu liminar ao pedido do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e suspendeu a tramitação do projeto que restringe a criação de novos partidos no país, uma iniciativa do governo e dos partidos da base aliada, antes que ele chegasse ao Senado.

Pois na mesma quarta-feira a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta de emenda constitucional apresentado pelo deputado petista Nazareno Fonteles, do Piauí, que submete algumas decisões do Supremo Tribunal Federal à aprovação pelo Congresso. Além disso,  aumenta de 6 para 9 o número mínimo de ministros do STF para declarar a inconstitucionalidade de normas.

Assim, de represália em represália, o STF e o Congresso Nacional vão assumindo a ribalta da cena política, um processo que já vem sendo chamado de "judicialização da política" e de "politização do judiciário" em Brasília, onde o clima esquentou de vez esta semana.

Para justificar a concessão da liminar, o ministro Gilmar Mendes usou os mesmos argumentos da oposição, mostrando claramente de que lado está: "O projeto foi analisado com extrema velocidade e representa aparente tentativa casuística de alterar as regras para criação de partidos em prejuízo de minorias políticas e da própria democracia".

Minorias políticas a que ele se refere são os grupos de oposição ao governo Dilma estimulados por um aparato midiático-jurídico-financeiro interessados em criar o maior número de partidos para levar as eleições de 2014 pelo menos para o segundo turno, já que todas as pesquisas até aqui mostram franco favoritismo da presidente diante dos concorrentes que já se lançaram em campanha.

Outro embate se dá entre o Ministério Público e  o Congresso, que aprovou ontem no Senado projeto para ampliar os poderes dos delegados de polícia na condução dos inquéritos. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), quer votar até junho outro projeto que limita os poderes de investigação do Ministério Público, iniciativa que também enfrenta resistência de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Como pano de fundo de todo este enfrentamento entre os três poderes, e entre o governo e a oposição, está a montagem dos cenários para a sucessão presidencial de 2014, que coincide com a fase final do julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão, no momento em que os advogados de defesa apresentam seus recursos, e o STF ainda aguarda a indicação pela presidente Dilma do ministro que substituirá o aposentado Carlos Ayres Brito.

Para não variar, os próximos dias em Brasília prometem fortes emoções.

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dilma na record 450x338 julia Sem candidatos, velho poder parte para cima de Dilma

Desistiram de Serra, não conseguem confiar em Aécio, ainda não descobriram qual é a de Eduardo Campos e não botam fé na sustentabilidade de Marina Silva. Sem candidatos viáveis para enfrentar Dilma Rousseff, o antigo aparato midiático-jurídico-financeiro resolveu jogar todas as suas fichas para desidratar a popularidade e combater o governo da presidente em várias frentes, após a divulgação das últimas pesquisas que apontam seu amplo favoritismo para ganhar as eleições de 2014 já no primeiro turno.

Acabou a trégua que a grande imprensa concedeu a Dilma, na esperança de desgastar a sua imagem, a do seu partido e a do seu principal cabo eleitoral, o ex-presidente Lula. no episódio do mensalão. Também não deu certo a estratégia de jogar criador contra criatura, preservando a imagem de Dilma enquanto miravam todos os seus ataques em Lula e no PT.

Nas últimas semanas, enquanto criticam a antecipação da campanha eleitoral, colocando a culpa no governo, amplos setores da mídia parecem ter adotado uma pauta única em capas de revistas, editoriais e manchetes de jornais, que consiste em mostrar a inflação fora de controle e o colapso da infraestrutura e  dos serviços públicos, diante da inércia do governo.

A um ano e meio da eleição, as críticas já resvalam também para aspectos pessoais da personalidade da presidente, até das suas dificuldades para se expressar com clareza, que teria provocado a polemica em torno do aumento dos juros.

O estado d´alma dos dois principais jornais paulistas se revela nas manchetes políticas desta segunda-feira, que mostram uma estranha coincidência.

"Setor financeiro resiste a Dilma, mas aponta fragilidades de Aécio e Campos", constata o "Estadão", que ouviu "10  influentes integrantes do mercado sobre os principais personagens políticos do País", sob a condição do anonimato.

"Corrida com barreiras" é a manchete da "Folha", que conclui: "A um ano e meio da disputa, pré-candidatos à Presidência da República tentam neutralizar fragilidades e já atuam como se estivessem a poucos meses da eleição".

A explicação está nos números que acompanham o infográfico com os problemas e as vantagens dos candidatos: no último Datafolha, Dilma tem 58% de intenções de voto; em segundo lugar, vem Marina Silva, com 16%, mas ainda sem partido, seguida por Aécio Neves, com 10%, e Eduardo Campos, com 6%. E Dilma, além da sua oceânica aliança, conta com o dobro de tempo de televisão dos seus três adversários somados.

Nem é preciso perder muito tempo lendo o noticiário sobre a corrida eleitoral, que é mais ou menos o mesmo em todas as publicações _ e assim será, pelo menos até que os antigos donos do poder encontrem um candidato confiável para chamar de seu. Até lá, Dilma vai continuar apanhando, já que não há outro jeito de mudar os resultados das pesquisas, embora esta estratégia também não esteja dando muito certo.

 

 

 

 

 

 

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obama afp Tragédia mostra força e união dos americanos

Nenhum país está livre de atentados terroristas e de malucos que saem às ruas para matar por matar, atirando contra estudantes, o papa João Paulo 2º ou o John Lennon. O que varia é a forma que as nações encontram para reagir àqueles que atentam contra a vida ou a liberdade dos seus cidadãos. O desfecho da tragédia de Boston na noite desta sexta-feira (19), que o mundo todo assistiu ao vivo pela televisão, serviu para mostrar a força e a união de um povo quando se vê ameaçado em sua integridade.

Podem falar o que quiserem dos Estados Unidos e das mazelas do império americano, mas foi comovente ver toda uma nação empenhada em encontrar os autores dos ataques a bomba na Maratona de Boston e em mandar um recado ao mundo: aqui, na nossa democracia, isso não pode acontecer, e não podemos deixar que este crime fique impune.

Do presidente Barack Obama, que desde o primeiro momento na segunda-feira assumiu o comando das operações e foi a Boston dar apoio às vítimas, aos 9.000 policiais mobilizados que colocaram suas vidas em risco e a todos os anônimos que procuraram colaborar com os órgãos de segurança, nenhum americano ficou indiferente.

Desde a identificação dos dois suspeitos e à caçada que se seguiu até a morte de um dos irmãos Tsarnaev e à prisão do outro, quatro dias se passaram com o país em suspense, sem que nenhuma das garantias  individuais fosse arranhada e inocentes colocados em perigo.

A população comemorou nas ruas a vitória contra a violência, o triunfo da civilização sobre a barbárie e, ao final, o presidente Barack Obama resumiu o que mais preocupa os americanos sobre os atentados: O que leva a estes crimes e como evitá-los daqui para a frente?

Com serenidade e firmeza, Obama disse que "as famílias daqueles que morreram e os feridos merecem respostas". O próprio presidente se perguntou: "Evidentemente, permanecem muitas questões sem resposta, entre elas, porque dois jovens estudantes no seio das nossas cidades e de nosso país recorreram a tal violência? Como planejaram e executaram estes atentados? E se receberam a ajuda de alguém?".

A única certeza para o presidente é uma só: "Eles fracassaram porque os americanos se negaram a ser aterrorizados".

E aproveitou para fazer um apelo aos americanos para que não vejam em cada estrangeiro um inimigo, como costuma ocorrer nestes momentos de revolta sempre que imigrantes se encontram envolvidos em atos de violência como aconteceu com os irmãos de origem tchetchena em Boston.

No momento mais importante da fala em que saudou o trabalho da polícia, Obama insistiu num ponto: "É importante que sigamos acolhendo as pessoas de todo o mundo. O espírito americano inclui manter-se fiel à diversidade que nos faz fortes. Temos de manter este espírito".

O que os Estados Unidos não podem mais adiar é o interminável debate sobre a fabricação, o controle e o uso de armamentos, que ainda divide republicanos e democratas, e alimenta as cíclicas ondas de violência que assolam a grande nação americana, além de municiar as guerras mundo afora.

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 Partidos novos e velhos viram balaio de gatos

Enquanto, em Brasília, o rolo compressor da base aliada do governo federal aprova na Câmara projeto para dificultar a criação de novos partidos, em São Paulo, o PSDB velho de guerra promove novas cenas explícitas de disputa fraticida entre serristas e alckmistas, desta vez pela direção do diretório municipal.

Quando tudo parecia acertado para que um fiel escudeiro de José Serra, o vereador Andrea Matarazzo, fosse eleito presidente do diretório municipal como uma espécie de premio de consolação para o ex-governador, que se sente escanteado e ameaça deixar o partido, três secretários do governador Geraldo Alckmin se juntaram para derrotá-lo e elegeram em seu lugar o ex-deputado Milton Flávio, que é de Botucatu.

O clima esquentou, e até a PM e a Guarda Civil tiveram que ser chamadas, segundo a coluna de Sonia Racy, no "Estadão" desta quinta-feira. Milton Flávio é funcionário de José Anibal, secretário estadual de Energia, antigo desafeto de Serra, e foi eleito com o apoio dos secretários Bruno Covas, de Meio Ambiente, e Júlio Semeghini, do Planejamento.

O acordo para a eleição de Matarazzo havia sido costurado entre o governador e o ex-governador com a benção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas na hora da votação virou tudo. Sob os gritos de "traidor" e "judas", o vereador teve que deixar rapidamente o local da eleição e ainda tentou falar com Alckmin, mas o governador não atendeu ao telefone.

O pano de fundo da disputa paroquial é a longínqua eleição municipal de 2016, em que todos já se apresentam como pré-candidatos.  Se ainda faltava algum bom motivo para Serra abandonar o ninho tucano, e se bandear para o MD (Mobilização Democrática), que seu aliado Roberto Freire criou para abrigá-lo, ao fundir o PPS com o PMN, a toque de caixa, antes da votação na Câmara na noite de quarta-feira, que restringiu a criação de novos partidos, agora não falta mais.

Em comum acordo com Serra, o deputado federal Roberto Freire criou o MD para apoiar a candidatura presidencial do governador pernambucano Eduardo Campos, do PSB. Depois da nova rasteira que tomou dos tucanos, agora nada impede que José Serra se lance candidato a governador pelo MD justamente contra Alckmin, que tenta nova reeleição e, por tabela, ofereça um palanque forte para Eduardo Campos em São Paulo. O PT, que ainda não escolheu seu candidato a governador, assiste a tudo de camarote.

É só o que falta para agitar ainda mais o balaio de gatos em que se transformou a estrutura partidária no país, com novos e velhos partidos se dividindo, fundindo ou multiplicando, de casuísmo em casuísmo, a cada nova temporada eleitoral.

Estão em jogo os 3 mil segundos diários de propaganda eleitoral na TV e o rateio dos R$ 293 milhões do Fundo Partidário. Quem mais se habilita?

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urna divulgação tre mg Vai começar a farra dos novos partidos

Nós já temos 30 partidos políticos oficialmente legalizados no Tribunal Superior Eleitoral, 24 deles com representação no Congresso Nacional, e mais oito estão na fila esperando registro.

Como ainda tem gente achando pouco, vai recomeçar a farra da salada de novas siglas em busca de grana do Fundo Partidário e de tempo de televisão, a principal moeda em circulação no mercado de votos. O  prazo para o troca-troca de partidos termina em outubro, a um ano das eleições.

O primeiro deles, a ser lançado já nesta quarta-feira, ganhou o nome de Mobilização Democrática, com a fusão do PPS (Partido Popular Socialista, ex-Partido Comunista Brasileiro)), de propriedade de Roberto Freire, com o PMN (Partido da Mobilização Nacional), criado em 1990 e presidido pelo ex-deputado Oscar Noronha Filho. Os dois juntos contam com 14 deputados federais e já anunciaram qual é o seu objetivo: apoiar a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos à Presidência da República.

Muita gente chegou a pensar que por trás da nova sigla estivesse o ex-governador paulista José Serra, que se sente sem espaço no PSDB, após a opção dos tucanos pelo senador mineiro Aécio Neves, mas desta vez, após tantas derrotas, o eterno candidato já se conformou que não deverá disputar cargos majoritários.

Serra já se dará por satisfeito se conseguir detonar a candidatura de Aécio Neves, seu velho desafeto, que acusa de ter feito corpo mole em Minas nas duas candidaturas presidenciais do ex-governador paulista. Para isso, Serra poderá contribuir com a campanha de Campos, levado pelo seu fiel escudeiro Roberto Freire, a quem deu umas boquinhas municipais quando era prefeito e depois ajudou a eleger deputado federal por São Paulo, onde o parlamentar pernambucano nunca morou.

Como de costume, Serra ainda está consultando seus seguidores, cada vez em menor número, para saber o que vai fazer da vida. De qualquer forma, Freire e Serra são dois políticos cpm prazo de validade vencido que já tiveram expressão nacional e hoje caminham para o ostracismo, o que não chega ser muito animador para o cada vez mais candidato Eduardo Campos, que se apresenta como a novidade nas eleições de 2014.

PPS e PMN resolveram antecipar para esta semana a formalização da fusão dos dois partidos diante do movimento iniciado pelo PT e pelo PMDB na Câmara dos Deputados para restringir com normas mais rigorosas a criação de novos partidos.

Quem também não gostou destas manobras foram a ex-ministra Marina Silva, que luta para criar seu próprio partido (Rede Sustentabilidade) e o deputado federal Paulinho da Força, que está rompido com a direção do PDT, e quer criar uma nova sigla chamada Solidariedade.

Uma coisa é certa: com ou sem a criação destes novos partidos, nada vai mudar no cenário político brasileiro, já que praticamente desapareceram as diferenças programáticas e ideológicas entre as várias siglas criadas após o fim do bipartidarismo da época do regime militar.

Basta dizer que Gilberto Kassab, criador do PSD, que tem na sua gênese a Arena (partido oficial de apoio aos governos militares) deu para sua nova legenda exatamente a mesma "definição" ideológica da Rede de Marina Silva fornecida pela fundadora e ex-senadora do PT, partido que surgiu na resistência à ditadura: "Nós não somos nem de governo nem de oposição, nem de direita, nem de esquerda, nem de centro".

Uma curiosidade: o 30º e até agora último partido a ser registrado pelo TSE, que atende pela sigla de PEN (Partido Ecológico Nacional) teoricamente corre no mesmo nicho de mercado da Rede de Marina Silva e do PV (Partido Verde), sigla pela qual a ex-ministra concorreu à presidência da República nas últimas eleições, todos eles dedicados à defesa do meio ambiente e da sustentabilidade. Como o pobre eleitor fará para escolher um deles se todos oferecem a mesma mercadoria?

Pior ainda: se são todos a favor da educação, da saúde, da honestidade, da energia elétrica e da água encanada, como faremos para escolher a nossa sigla na urna eletrônica? Corremos algum risco das coisas melhorarem nas nossas próximas eleições?

Se o caro leitor tiver alguma boa ideia, mande pra nós, por favor. Porque, se dependermos da reforma política feita pelos políticos, estamos lascados.

 

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000 ARP3493355 Chavez deixa uma Venezuela dividida ao meio

A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas (...)

Apostar em boas pautas _ não muitas, mas relevantes _ é outra saída. É melhor cobrir magnificamente alguns temas do que atirar em todas as direções. O leitor pede reportagem. Quando jornalistas, entrincheirados e hipnotizados pelas telas dos computadores não saem à luta, as redações se convertem em centros de informação pasteurizada. O lugar do repórter é na rua, garimpando a informação, prestando serviço ao leitor e  contando boas histórias. Elas existem. Estão em cada esquina das nossas cidades. É só procurar.

***

A epígrafe acima foi tirada do brilhante artigo "O rapto do jornalismo", do professor Carlos Alberto Di Franco, publicado nesta segunda-feira no "Estadão". Di Franco é doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, na Espanha, e quem nos conhece sabe que não somos flores do mesmo jardim do pensamento político e jornalístico.

Seu artigo foi escrito antes da divulgação dos resultados da eleição presidencial de domingo  na Venezuela, mas se presta perfeitamente a explicar porque a nossa grande imprensa nativa foi mais uma vez surpreendida e derrotada, procurando tardiamente explicações para o que aconteceu no país vizinho, com a magra vitória do chavista Nicolás Maduro por menos de 1,6% dos votos de diferença sobre o oposicionista Henrique Capriles, o azarão de uma disputa que era dada como barbada.

Como constata Carlos Alberto Di Franco, faltou reportagem. Aconteceu na Venezuela, mas poderia ter sido em qualquer outro país, mesmo aqui no Brasil, onde os editoriais se confundem com o noticiário feito pelo telefone ou pela internet, em que o jornalismo declaratório cheio de segundas e terceiras intenções para agradar à vontade dos donos, em lugar da boa e velha apuração feita nas ruas, ouvindo e sentindo a alma popular, levam a estas "surpresas" quando os resultados são divulgados.

Se os repórteres sujassem mais os sapatos e não saíssem do conforto das redações só em épocas de eleições, golpes e tragédias, e acompanhassem o cotidiano dos fatos que constroem a história, lá onde o povo vive e eles acontecem, descobririam que a Venezuela não se dividiu ao meio de um dia para outro quando a população foi chamada a votar, mas já estava rachada ao meio com Hugo Chavez ainda vivo em sua longa agonia.

Como outros líderes do gênero, aqueles homens providenciais que de tempos em tempos surgem como os salvadores da pátria, com Chávez também não havia meio termo faz tempo: era tudo na base do ame-o ou deixe-o durante os 14 anos em que exerceu o poder de forma quase absoluta, embora nas últimas eleições seus votos já viessem diminuindo.

Estes homens não costumam deixar herdeiros carismáticos à sua imagem e semelhança, mas apenas sucessores políticos sem brilho próprio, cevados na burocracia_ daí as dificuldades encontradas por Maduro para derrotar um adversário igualmente fraco, já que tanto governo como oposição não souberam formar novos quadros à sombra do todo-poderoso Chávez, como qualquer repórter com mais tempo para viver a realidade venezuelana poderia constatar.

É o que acontece com os repórteres nativos e os correspondentes estrangeiros que querem fazer a cobertura de um país como o Brasil a partir dos gabinetes de São Paulo, Rio e Brasília, ouvindo os mesmos políticos, acadêmicos e especialistas de sempre, e assim vivem sendo surpreendidos com resultados eleitorais, secas, apagões, incêndios, movimentos sociais, novas classes médias, enchentes e todas as conquistas ou tragédias humanas que, de vez em quando, os fazem levantar as bundas das cadeiras giratórias e botar os pés na rua.

Se fosse um deles, o grande José Hamilton Ribeiro, nosso repórter maior, não se arriscaria a ver a Guerra do Vietnã por dentro, e ainda teria as duas pernas intactas para correr de um telefone a outro sem sair da redação, só dando ordens. E a gente não estaria falando dele aqui hoje ao celebrar a importância vital da reportagem para a sobrevivência do jornalismo que corre o risco de ser raptado pela ausência de coragem, compromisso e ousadia, não pela internet.

 

000 Was7454379 Chavez deixa uma Venezuela dividida ao meio

 

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141219731 Enfim, Balaio agora entra na era da modernidade

O leitor pode até nem perceber, mas neste domingo, 14 de abril de 2013, o nosso Balaio está entrando, definitivamente,  na era da modernidade.

Depois de quase dez anos de bons serviços prestados por uma gambiarra eletrônica que montei junto com um técnico amigo, mais ou menos como fazem com os carros velhos em Cuba, juntando peças de diferentes veículos, tomei a importante decisão de comprar um computador novinho em folha de penúltima geração (nunca se pode dizer que é da última porque, enquanto a gente escreve, já apareceu uma nova...).

Trata-se de um computador Sony Vaio Tap 20 SVJ202, modelo 2012, com Windows 8, fabricado na China, é claro, adquirido com meus próprios recursos, em suaves três prestações sem juros. Não é chique? Funciona ao mesmo tempo como desktop, tablet ou laptop, pode ser comandado com o deslizar dos dedos, usando o mouse ou clicando no teclado. Claro que para a maioria de vocês nada disso é novidade, mas para mim tudo é uma descoberta fantástica que gostaria de partilhar com os amigos.

O bicho é tão moderno, e vem acompanhado de tantos manuais de instruções, que fui obrigado a contratar um instalador e orientador para poder fazer o bicho funcionar. Com toda certeza vou morrer antes de descobrir para que servem tantos ícones, aplicativos e programas, mas o fato é que nele posso redigir meus textos igualzinho fazia na minha primeira máquina de escrever na escola de datilografia do Largo de Pinheiros, no início dos anos 1960.

O campeão em rapidez de palavras escritas por minuto era meu velho e bom amigo Clóvis Rossi, com quem eu brincava dizendo que ele era o único jornalista capaz de escrever mais depressa do que pensava. Pois é o que sinto agora: as letras começam a correr na tela enquanto ainda penso no que quero dizer. É um tal de vai e volta até acertar o ritmo entre a velha forma de pensar e a nova maneira de escrever. Logo vai chegar o dia em que os computadores começarão a escrever sozinhos, bastando lhes dar o tema e algumas coordenadas de estilo.

Só espero que, quando isso acontecer, os redatores e mancheteiros do futuro tenham um pouco mais de bom humor e otimismo ao contar suas histórias, fazendo do ato de ler em qualquer plataforma algo mais prazeroso e menos medíocre do que é hoje, capaz de surpreender os leitores com algo realmente original, bem escrito e bem pensado, sem ter que recorrer a velhas bibliotecas digitalizadas.

Agora só falta trocar meu pré-histórico celular Nokia, o primeiro e único que comprei na vida, também já com alguns séculos de uso por variadas partes do mundo, até em Fernando de Noronha, sem nunca ter me deixado na mão. Já ganhei um novo de presente da minha mulher, mas custo a me desfazer do antigo, como aquele sujeito que se recusa a trocar o primeiro relógio que ganhou do pai que já morreu.

Do jeito em que as coisas vai indo, tudo cada vez mais rápido, não demora o dia em que os computadores passarão a dar ordens aos jornalistas e reclamar da sua lentidão para pensar.

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