aecio1 Oposição derrotada parte para o vale tudo contra Dilma

É como se Aécio Neves dissesse para Dilma Rousseff, ao final desta opera bufa em que encarna Carlos Lacerda à beira de um ataque de nervos: "Tudo bem, eu perdi a eleição, não vou ser mais presidente, mas você também não vai governar. Nós não deixaremos".

Vai ficando mais claro a cada dia que o objetivo real da oposição é um só: criar o clima e as condições necessárias para que a presidente reeleita Dilma Rousseff não assuma o segundo mandato e, se isso acontecer, impedi-la de governar o país pelos próximos quatro anos.

A guerra deflagrada contra a votação do projeto de lei para autorizar mudanças na meta fiscal de 2014, que terminou nesta madrugada de quinta-feira, com mais uma vitória do governo, foi apenas o pretexto imediato utilizado pelas oposições mobilizadas no Congresso Nacional, no Judiciário e na mídia para uma ofensiva golpista sem precedentes.

* No Congresso Nacional _ O vale tudo começou na noite de terça-feira, quando uma tropa de choque oposicionista invadiu as galerias e tentou impedir a votação no grito e na marra. Eram apenas uns 30 bate-paus ensandecidos, gritando as mesmas palavras de ordem utilizadas nas recentes manifestações da avenida Paulista, em São Paulo, enquanto parlamentares do PSDB e do DEM, entre outros menos votados, ocupavam a tribuna com ataques irados contra Dilma e o PT, mas foi o suficiente para que, diante da baderna promovida pelos arruaceiros, o presidente do Senado, Renan Calheiros, suspendesse a sessão.

"Esta é a casa do povo e o PT tem que aprender a conviver com o povo novamente nas galerias", defendeu Aécio, que há muito tempo não usava a palavra povo duas vezes na mesma frase. Eles voltaram mais enfurecidos na manhã de ontem, dispostos a impedir a entrada de deputados e senadores, agora acoitados por tipos como Ronaldo Caiado, revivendo seus tempos de líder da famigerada UDR, e Paulinho da Força, sempre o mesmo, entre outros baluartes da democracia, que dão sustentação à "nova oposição" liderada por Aécio Neves. Nem o ex-presidente da República José Sarney escapou do cerco, que o deixou bastante assustado, quando os manifestantes chutaram e tentaram virar o seu carro.

À tarde, os representantes do povo pró-Aécio, convocados pela rede social por entidades como "Movimento Brasil Livre e Democracia", "Revoltados Online" e "O Brasil despertou", que passaram o dia gritando "Fora PT", "PT roubou" e "Vá para Cuba", receberiam o reforço do indescritível cantor Lobão, que apareceu em Brasília para liderar um "movimento popular" contra a votação, e chegou a ir ao STF para pedir a liberação do acesso às galerias.

Em conversas reservadas com sua tropa, segundo a Folha de S. Paulo, o ex-governador mineiro já deu as instruções, para não deixar dúvidas: a ordem é "cumprir o objetivo de deixar o governo Dilma no chão". Caso o projeto de lei sobre flexibilização da meta fiscal não fosse aprovado, a estratégia tucana era denunciar Dilma por "crime de responsabilidade", para embasar um pedido de impeachment. Derrotados novamente, agora os aliados de Aécio jogam todas suas fichas nas denúncias dos delatores na Operação Lava-Jato, uma ação casada com vazamentos seletivos, para levar o "mar de lama" até o gabinete presidencial.

"Se comprovadas essas denúncias, estamos diante de um governo ilegítimo", disparou Aécio Neves, nosso Carlos Lacerda redivivo, agora em nova versão radical chique, em que chegou a perder o fôlego ao final de mais um discurso incendiário para impedir a votação da lei, depois de ter afirmado em entrevista que perdeu a eleição para uma "organização criminosa".

É em meio a este clima beligerante que a Câmara Federal se prepara para eleger o ínclito Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como seu novo presidente, em fevereiro. E é com a boa vontade dele que a oposição conta caso consiga formalizar o sonhado pedido de impeachment, para abreviar sua volta ao poder. É o presidente da Câmara, afinal, quem decide se o pedido será ou não acolhido para seguir adiante nas comissões e no plenário. Assim se fecharia o cerco programado.

* No Judiciário _ Enquanto juízes e delegados da Operação Lava-Jato, em Curitiba, vão soltando a cada dia novas denúncias de pagamentos de propinas por executivos de empreiteiras a emissários do PT e partidos aliados, em Brasília arma-se o ataque final para colocar na mira diretamente a presidente Dilma Rousseff e, se possível, também seu antecessor Lula, virtual candidato a voltar em 2018. Segundo o jornal O Globo, o ministro Gilmar Mendes, sempre ele, do STF, já está preparando uma "devassa" nas contas da campanha da reeleição.

A estratégia ganhou força com o depoimento do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto em que ele afirmou ter feito pagamentos de propina em troca de contratos na Petrobras, na forma de "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores", que teriam começado em 2010, quando Lula era o presidente e Dilma candidata à sua sucessão.

O alvo imediato é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT nas campanhas de 2010 e 1014, citado nas delações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Com base nos vazamentos destas delações premiadas, lideres da oposição revezam-se nas tribunas da Câmara e do Senado, quase sem contestação dos aliados do governo, para denunciar que está "sob suspeita" o comando do país.

* Na mídia _ Para amarrar as pontas e fechar a roda, não poderia faltar o decisivo apoio da mídia tucano-familiar, que rasgou a fantasia, e há semanas dedica a maior parte dos seus noticiários à Operação Lava-Jato, como se nada mais estivesse acontecendo no país, colocado à beira do abismo.

Já não se sabe se é a mídia que pauta as oposições no Congresso e no Judiciário ou vice-versa, pois virou tudo uma coisa só, muito bem orquestrada, por sinal. As manchetes e os destaques dos veículos impressos ou eletrônicos parecem ser produzidos pela mesma pessoa, a partir de um comando central que atende pelo pomposo nome de Instituto Millenium.

Após uma brevíssima trégua, com a indicação de Joaquim Levy para comandar a economia no segundo mandato, parece que resolveram abrir todas as comportas para inundar o país com o "mar de lama", uma criação original de Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas, agora ressuscitada por Aécio Neves, que parece ter trocado definitivamente o PSD conciliador do seu avô Tancredo Neves pela velha UDN golpista das vivandeiras de porta de quartel.

Neste cenário de vale tudo, de nada adianta a presidente Dilma tentar acalmar as feras fazendo seguidas concessões à direita derrotada nas urnas. Ela e Lula são e serão tratados como inimigos a serem abatidos, sem dó nem piedade. Após 12 anos de PT no poder central, a turbulência brava está só começando. Senhores passageiros, fechem as mesinhas à sua frente, amarrem os cintos e desliguem seus aparelhos eletrônicos.

Vida que segue. E seja o que Deus quiser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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cunha Bancada de Cunha é o retrato da falência dos partidos

Eduardo Cunha

Para que servem, afinal, os partidos políticos, que nos custam tão caro (verbas do fundo partidário, tempo de televisão, etc.) e não param de se multiplicar?

Se alguém ainda tinha alguma dúvida da inutilidade dos partidos políticos brasileiros, e de que jogamos dinheiro fora para sustenta-los, um evento solene marcado para as 18 horas desta quinta-feira, no Congresso Nacional, em Brasília, é emblemático da falência desta miríade de siglas, que hoje não querem dizer absolutamente nada.

Trata-se do lançamento oficial da candidatura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual líder do partido, à presidência da Câmara Federal. Embora o PMDB seja o principal aliado do PT e tenha o vice-presidente da República, Michel Temer, reeleito na chapa de Dilma Rousseff, Cunha notabilizou-se na atual legislatura como o mais combativo e agressivo adversário do governo federal.

Contra a vontade de Dilma e de Temer, este controvertido deputado carioca, que está indo para seu quarto mandato e começou na vida pública como integrante da tropa de choque de Fernando Collor, levado pelas mãos de PC Farias, nos anos 1990, lançou sua campanha já faz tempo, quebrando um acordo de revezamento na presidência celebrado pelos dois partidos em 2010. Agora, era a vez do PT, que tem a maior bancada, indicar o candidato, mas Cunha não liga muito para estas coisas de acordos e programas partidários.

Afinal, ele tem a sua própria bancada, suprapartidária e independente. Dinheiro nunca foi problema para ele, desde que Collor o nomeou para a presidência da Telerj, a antiga empresa de telecomunicações do Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha não esconde os métodos empregados para montar sua bancada particular, que reúne mais de 50 parlamentares fiéis, de diferentes partidos, um número que não para de crescer nestes dias de campanha pela presidência. "Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na minha campanha", disse candidamente aos repórteres David Friedlander e Catia Seabra, da Folha de S. Paulo, após a campanha eleitoral de 2014. "Na maioria das vezes, são as empresas que me procuram. Até porque, tenho a mesma visão delas".

E não são empresas pequenas: Bradesco, BTG Pactual, Safra, Santander, Vale, Ambev e Coca-Cola estão na lista dos doadores que deram ao peemedebista um total declarado de R$ 6,8 milhões. Se sobrou dinheiro, como ele afirma, não é difícil imaginar como Cunha fez para ajudar nas campanhas de sua base suprapartidária, além de dar conselhos, é claro.

Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas.

Sem estas doações desinteressadas, como Eduardo Cunha poderia montar sua bancada particular e surgir como franco favorito para assumir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, desafiando os caciques do seu próprio partido? O deputado Gastão Vieira, do Maranhão, que já foi seu rival e recebeu a módica ajuda de R$ 300 mil para fazer campanha, só tem elogios a fazer à generosidade de Cunha: "Ele ajudou todo mundo", admitiu aos repórteres da Folha. Um dos doadores, executivo de grande empresa, revelou que Cunha lhe pediu ajuda para um grupo de 20 a 30 candidatos a deputado, em sua maioria do Nordeste, de Minas Gerais e do Rio.

Claro que esta turma toda de eleitores cativos de Cunha não pode nem ouvir falar em reforma política. Se está bom demais assim, para que mudar as regras do jogo?

Vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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aecio É preciso alguém avisar Aécio que a eleição acabou

Manhã de segunda-feira, 1º de Dezembro.

Já se passaram 35 dias desde que o Tribunal Superior Eleitoral anunciou o resultado do segundo turno, na noite de 26 de outubro, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas tem muita gente até hoje, na oposição e na mídia tucana que, simplesmente, não aceita a quarta derrota consecutiva.

Algum amigo precisa urgentemente avisar o candidato derrotado Aécio Neves e seu mentor Fernando Henrique Cardoso que a eleição já acabou, os palanques foram desmontados e a vida continua. Quem ganhou, ganhou; quem perdeu, perdeu. Agora, para tentar voltar ao poder novamente, é preciso esperar a próxima eleição presidencial, daqui a quatro anos. É assim que acontece nas democracias.

Até lá, cabe à oposição fazer oposição, dentro das regras do jogo, apresentando críticas e alternativas ao programa de governo do partido vencedor, que ainda nem foi anunciado em detalhes pelos ministros já indicados. A posse de Dilma e de sua nova equipe no segundo governo só se dará no dia 1º de janeiro de 2015.

O que importa, daqui para a frente, é saber o que será melhor para o nosso país, independentemente do que cada candidato falou ou deixou de falar durante a campanha eleitoral, uma página virada na nossa história. Não há mais candidatos, mas apenas uma presidente da República reeleita pela vontade da maioria do povo brasileiro, de forma tão inconteste como foi o bicampeonato do Cruzeiro no Brasileirão, conquistado dentro de campo.

Ao afirmar, em entrevista a Roberto D´Ávila, exibida na noite de sábado pela Globonews, que perdeu a eleição para uma "organização criminosa", Aécio Neves em nada contribui para desmontar as orquestrações golpistas dos que fazem protest0s nas ruas defendendo o impeachment de Dilma e a volta dos militares ao poder. Ao contrário, não contribui nem mesmo para o seu futuro político como novo líder da oposição, ao se inspirar no triste papel desempenhado por Henrique Capriles na Venezuela. Não foi esse o Aécio que conheci nas lutas pela redemocratização do país.

Vejam o que ele disse ao meu amigo Roberto D´Ávila:

"Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas patrocinadas por esse grupo político que está aí".

Ainda em clima de disputa eleitoral, o tucano fez duras críticas à campanha da sua adversária: "Essa campanha passará para a História. A sordidez, as calúnias, as ofensas, o aparelhamento da máquina pública, a chantagem para com os mais pobres, dizendo que nós terminaríamos com todos os programas sociais (...) Essa sordidez para se manter no poder é uma marca perversa que essa eleição deixará".

Esta postura radicalizada de Aécio, na linha dos discursos do cantor Lobão, só se justifica se ele estiver preocupado em garantir desde já sua liderança no PSDB para as eleições de 2018. Mais do que ninguém, ele sabe que, até lá, seus principais concorrentes não estão no PT, mas dentro do seu próprio partido, em que o governador paulista Geraldo Alckmin já se perfila para a sucessão de Dilma, e nunca se pode esquecer da sombra de José Serra, agora de volta à ribalta do Senado.

A resposta aos ataques fora de época de Aécio não demorou. O secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo, qualificou a declaração de irresponsável e anunciou que vai pedir ao departamento jurídico do partido uma análise da entrevista para estudar alguma ação contra o tucano na Justiça.

"É desagradável. Aécio mostra que não sabe perder. Não é um problema político, ele está abalado psicologicamente. A derrota em Minas abalou Aécio porque, ao perder no seu estado, perdeu também a corrida dentro do próprio PSDB. Está em desvantagem na sociedade e no seu partido. E aí faz uma acusação irresponsável deste tipo".

É melhor todo mundo agora esfriar um pouco a cabeça. Papai Noel já está chegando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Corria este sabadão pachorrento, sem maiores novidades, quando fui dar uma passeada por blogs e portais. Parei ao encontrar algo inacreditável publicado no blog do Paulo Henrique Amorim, que reproduziu um texto de Fernando Brito, por muitos anos assessor de imprensa de Leonel Brizola, e que hoje edita o "Tijolaço".

Brito é um jornalista da escola antiga, daqueles que não perdem o faro de repórter. Ficamos amigos na campanha presidencial de 1989, quando ele cruzou o país com Brizola, enquanto eu exercia o mesmo papel na campanha de Lula. Denuncia Brito:

"Quem está na iminência de ser indicada ministra de um governo sistemática e doentiamente combatido por Gilmar Mendes, com ações jurídicas e outras nem tanto, só pode fazer isso se não tem ideia de quem governa e de quem elegeu este governo".

O comentário indignado se refere a um artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo, sob o título "Conflitos intermináveis", em que a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), aquela mesma da UDR e da CNA, trata da demarcação de uma terra indígena reivindicada pelos guirarocá no Mato Grosso do Sul. Vejam se não é espantoso o que ela escreveu, após as polêmicas decisões de Gilmar Mendes, sempre a favor do PSDB e de notórios malfeitores em geral, e contra o PT e os movimentos populares:

"As baterias ideológicas voltaram-se, então, contra o ministro Gilmar Mendes, pelo fato de sua família supostamente ocupar terras indígenas em Mato Grosso do Sul e, evidentemente, contra os "fazendeiros", como se esses fossem os algozes dos indígenas.

Cabe enfatizar que o ministro Gilmar Mendes é um dos mais sérios juristas deste país, cuja obra ultrapassa nossas fronteiras. No Tribunal, sempre pautou sua posição pela estrita aplicação da lei, não sucumbindo a pressões como essas que hoje o acometem. Os que contra ele vociferam são os que não possuem o mínimo respeito pelo Estado Democrático de Direito".

Claro que Kátia Abreu tem o direito de escrever o que ela quiser e defender quem ela bem entender.

Se assim pensa, no entanto, a senadora ruralista não deveria aceitar o convite para ser ministra da Agricultura de um governo eleito e comandado por uma presidente do PT, partido que historicamente defende os índios, os sem-terra, os quilombolas e os pequenos produtores rurais ameaçados pelos latifúndiários, justamente as parcelas da população por ela sempre combatidas desde os tempos da UDR de Ronaldo Caiado.

Se ainda faltava um bom motivo para a presidente Dilma Rousseff desistir de convidar Kátia Abreu para o seu novo ministério, agora não falta mais.

Fernando Brito termina assim seu texto, dirigindo-se a Kátia Abreu:

"Ninguém lhe pediu que esbofeteasse o mais figadal inimigo do governo no Judiciário, Gilmar Mendes. Seria desnecessário pedir-lhe que não esbofeteasse o governo com escancarados elogios a ele".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ok2 Dilma fez o que devia e deixa oposições sem discurso

O que eles queriam, afinal?

Que Dilma deixasse tudo como está e nomeasse um companheiro revolucionário ou um burocrata anódino para comandar a economia no seu segundo governo?

As primeiras críticas feitas pelas oposições ao seu governo, à direita e à esquerda, antes mesmo do anúncio oficial, mostram que a presidente Dilma Rousseff estava certíssima ao montar sua nova equipe econômica com Joaquim Levy, na Fazenda, Nelson Barbosa, no Planejamento, e mantendo Alexandre Tombini no Banco Central.

Já que é impossível agradar a todos ao mesmo tempo, ainda mais num momento tão convulsionado da vida nacional, a presidente fez o que devia: acima de rótulos ou de siglas, nomeou três profissionais de competência reconhecida, com o objetivo central de restabelecer um clima de confiança, tanto entre investidores, aqui dentro e lá fora, como na sociedade dividida pela campanha eleitoral.

A primeira entrevista coletiva do novo trio econômico, que ainda não tem data para tomar posse, me passou uma sensação de tranquilidade, de saber o que estão falando e o que pretendem fazer para que o país volte a crescer sem atropelos, sem soluções mágicas, sem pacotes, sem sustos.

Quem pode ser contra o que disse Joaquim Levy, o chefe da nova equipe, que trabalhou na gestão econômica de Fernando Henrique Cardoso e foi Secretário do Tesouro no primeiro governo Lula, destacando-se tanto nas funções públicas como na iniciativa privada? Veja suas primeiras declarações:

"Temos a convicção de que a redução das incertezas em relação às ações do setor público sempre é ingrediente importante para a tomada de risco pelas empresas, trabalhadores e famílias brasileiras, especialmente as decisões de aumento de investimento (...) Essa confiança é a mola para cada um de nós nos aprimorarmos e o país crescer".

"A gente vai ver no dia a dia como a autonomia no cargo ocorre. Mas evidentemente quando uma equipe é escolhida é porque há confiança. Não tenho indicação nenhuma em contrário. O equilíbrio da economia é feito para garantir o avanço na área social que nós alcançamos".

"O Ministério da Fazenda reafirma o compromisso com a transparência de suas ações e manifesta o fortalecimento da comunicação de seus objetivos e prioridades e a comunicação de dados tempestivos, abrangentes e detalhados que possam ser avaliados por toda a sociedade, incluindo os agentes econômicos".

"Nossa prioridade tem que ser o aumento da taxa de poupança. Aumentando sua poupança, especificamente o primário, o governo contribuirá para que os outros agentes de mercado e as famílias sigam o mesmo".

É importante registrar que, antes de conceder esta entrevista, Joaquim Levy e seus dois colegas de equipe almoçaram com a presidente Dilma Rousseff e com ela acertaram os ponteiros. Quem já joga num confronto entre os novos ministros e deles com a presidente da República, como os "analistas independentes" do apocalipse, que sempre aparecem nestas horas para dar fundamento "científico" aos colunistas do pensamento único do Instituto Millenium, podem ir tirando o cavalinho da chuva.

Quem define política de governo e dá as ordens é quem senta na cadeira de presidente no terceiro andar do Palácio do Planalto, não os eventuais ocupantes de ministérios, aliás, por ela escolhidos. Se Dilma nomeou estes três é porque confia neles e não tem esta besteira de que daqui a dois anos, feito o ajuste fiscal com um "saco de maldades", vai trocar a equipe e voltar a ser tudo como era antes. Isso é papo de quem continua jogando no quanto pior melhor e não aceita o resultado das urnas, achando que nada neste governo pode dar certo, para ver se fatura algum na especulação financeira.

O fato é que Dilma deixou sem discurso esta turma do contra e setores do PT e da base aliada inconformados com a ousadia da presidente em dar um cavalo de pau na economia para colocar o navio novamente no rumo certo. Por falar nisso, o economista Joaquim Levy também é engenheiro naval e sua primeira missão, certamente, será consertar os rombos no casco.

Mais do que das palavras e intenções, gostei da cara boa dos três, gente comum capaz de sorrir mesmo em horas graves, falando coisas que a gente entende, sem querer mascarar as dificuldades, mas também sem nos tirar o ânimo para enfrenta-las. Por isso, fiquei mais otimista ao olhar para 2015, na contramão dos profetas do fim do mundo.

Kátia Abreu, não

Se Dilma Rousseff provou que estava certa na indicação de Levy, Barbosa e Trombini, o mesmo não se pode dizer da anunciada nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Tem coisa que pode e tem coisa que não pode. Kátia Abreu não pode, pelo conjunto da obra pregressa. Seria o mesmo, por exemplo, que nomear Paulo Maluf para o Ministério das Cidades ou lhe entregar as chaves do Banco do Brasil.

Parceira de Ronaldo Caiado e seus coronéis na famigerada União Democrática Ruralista (UDR) dos tempos da ditadura militar, que de democrática nada tinha, Kátia Abreu sempre esteve lutando do lado exatamente oposto aos que, no PT e fora dele, defendem como razão de viver a reforma agrária, a proteção do meio ambiente, a agricultura familiar, a demarcação das terras indígenas e dos quilombolas.

A política também é feita de símbolos _ e Kátia Abreu, hoje presidente da Confederação Nacional da Agricultura, simboliza o que há de mais reacionário, intolerante e autoritário neste importante setor da vida nacional. Não é possível que Dilma não encontre outro representante do agronegócio para ocupar este ministério. Alguém com o perfil de Roberto Rodrigues, por exemplo, um líder realmente democrático e capaz em seu ofício, que fez campanha para José Serra, em 2002, foi ministro da Agricultura de Lula, a partir de 2003, e agora apoiou Aécio Neves. Não tem problema. Como dizia o velho amigo José Alencar, vice de Lula, um sábio sem diploma, o importante não é a cor do gato, mas que ele seja capaz de caçar o rato.

Governo tem que procurar escolher os mais competentes e mais representativos em cada área, sem se preocupar com críticas de adversários nem muxoxos de aliados. Pode até descobrir depois que errou, mas não pode já começar errando. Ainda está em tempo de Dilma pensar melhor neste assunto.

Vida que segue.

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essa ok Governo novo não entra e governo velho não sai

Tempos esquizofrênicos, estes que estamos vivendo, na transição entre o primeiro e o segundo mandatos de Dilma Rousseff. São duas realidades paralelas e opostas. Ao mesmo tempo em que Dilma anuncia, finalmente, nesta quinta-feira, sua nova equipe econômica, antecipada pelo Jornal da Record News na semana passada, com a missão prioritária de cortar gastos para acertar as contas públicas, do outro lado da praça dos Três Poderes arma-se um novo "trem da alegria" para aumentar os salários das excelências em geral, o que vai causar um aumento de pelo menos R$ 1 bilhão nas despesas, apenas com o Judiciário e o Ministério Público.

Enquanto o novo governo não entra e o governo velho não sai, nossos representantes no Congresso Nacional, com o apoio de todos os partidos, estão cuidando de garantir o deles, quaisquer que sejam as medidas amargas que venham a ser anunciadas no pacote do arrocho, que será inevitável.

O pretexto para a farra da festa do caqui que está sendo armada é o aumento dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, que passarão de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil por mês, um módico reajuste de 22%, já aprovado ontem na Comissão de Finanças da Câmara.

Como este é o teto para o funcionalismo público em geral e serve de base para os demais poderes, as excelências já estão negociando também os aumentos do Executivo e do Legislativo, a começar pela presidente Dilma Rousseff, os ministros de Estado e os 594 deputados federais e senadores. A posse dos novos ministros e a definição da política econômica ainda vão ter que esperar um pouco, mas os parlamentares querem aprovar tudo o mais rápido possível para poderem entrar em 2015 já com seus contracheques mais gordos.

Entre as propostas em discussão, a mais provável de ser aprovada é a que equipara os salários da turma toda aos dos ministros do STF, o que representaria um aumento de 34% em relação ao último reajuste, concedido em 2012, que foi de 15%. Quem mais teve aumentos tão generosos nos últimos dois anos?

Com o popular efeito cascata que acompanha estes aumentos do andar de cima das excelências, pode-se imaginar quanto isto vai nos custar quando entrarem na conta os reajustes proporcionais que serão dados nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas, tanto para os nobres parlamentares como para seus fiéis assessores.

De que adianta colocar um "Joaquim Mãos de Tesoura" no Ministério da Fazenda, se as torneiras do Tesouro Nacional continuarem jorrando para agradar aliados e garantir a dita governabilidade, que nos custa um preço cada vez maior a cada votação no Congresso Nacional, como estamos vendo ainda agora na discussão do projeto da manobra fiscal para o governo poder descumprir a meta do índice prometido para pagar os juros da dívida pública? Por mais ortodoxo e austero que possa ser, Joaquim Levy não é mágico.

Não resolve nada trocar os nomes dos ministros se as práticas continuarem as mesmas que nos levaram ao descontrole das contas públicas. Por mais ginástica que faça para agradar a gregos e troianos na montagem da nova equipe, acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo, Dilma vai ter que definir desde já as regras do jogo, respondendo a uma questão bem simples: o que pode e o que não pode ser feito para que o governo não gaste mais do que arrecada? A base aliada e os apoiadores do governo na sociedade vão concordar?

Caso contrário, este novo ministério, tal como vem sendo anunciado, entregando-se o agronegócio para uma líder da UDR e a reforma agrária para um representante do MST, será foco de uma crise política permanente, alimentando assim a urubuzada da mídia, que ficou feliz da vida como pinto no lixo com a indicação de Joaquim Levy para a Fazenda, mas está só na espreita para voltar a atacar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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okok1 2014: o ano que não começou. E já está acabando

Vamos deixar para resolver tudo depois do Carnaval.

Só dá pra gente tratar desse assunto quando acabar a Copa do Mundo, se é que vai ter... Antes disso, é impossível decidir qualquer coisa.

Tem que esperar passar as eleições. Sei lá como as coisas vão ficar...

Só vou decidir o que fazer depois que a Dilma anunciar a nova equipe econômica.

Quem e quantas vezes não ouviu frases assim durante este 2014, o ano que está acabando antes mesmo de ter começado, ao tentar acertar um emprego, fechar um negócio, fazer uma viagem, terminar ou começar um namoro? Carnaval, Copa, Eleições, de evento em evento, o tempo foi passando, e nada acontecendo, o país parando, tudo sendo adiado (ver meu comentário no Jornal da Record News desta quarta-feira).

Resultado: chegamos ao final do ano com um crescimento próximo de 0% no PIB. Ou seja, é como se 2014, de tantas e tão fortes emoções, tivesse passado em branco, simplesmente não houvesse existido. Passaremos direto de 2013 para 2015, pulando um ano nas nossas vidas, que certamente não ficará nas nossas melhores lembranças.

O agora imortal Zuenir Ventura, meu bom e velho amigo de muitas jornadas, escreveu o já clássico 1968: o ano que não terminou. Poderia muito bem agora retomar o tema e escrever o contrário sobre "2014, o ano que não começou". Se ele não se interessar, podem ser também o Heródoto Barbeiro, o Lira Neto, o Laurentino Gomes ou qualquer outro destes jornalistas-escritores que se tornaram historiadores de sucesso. Fica a sugestão.

Falam muito da inanição do Congresso Nacional, mas na verdade o país inteiro, com exceção dos juízes, delegados e mídia aliada da Operação Lava Jato, está num recesso obsequioso desde agosto, quando foi dada a largada da campanha eleitoral.

Anunciado o resultado das eleições, esperava-se que a reeleita presidente Dilma Rousseff anunciasse logo, diante da delicada situação política e econômica vivida pelo país, as linhas centrais e os primeiros nomes do seu "novo governo, novas ideias" prometido durante toda a campanha. Afinal, ela sabia ao longo de todo este tempo que corria o risco de sair vencedora na disputa, apesar de todas as dificuldades enfrentadas.

As novidades e as definições que o país tanto esperava, no entanto, foram sendo adiadas. Primeiro, para após a folga presidencial pós-eleitoral, o que é muito justo, já que a presidente não é de ferro (até eu fiquei uns dias sem trabalhar...). Nada. Ficou para logo depois da viagem à Austrália em que a presidente participaria de importante reunião do G20. Até agora, nada.

Hoje, quarta-feira, 26 de novembro, completamos exatamente um mês do segundo turno da eleição que deu a vitória a Dilma, deixando um país dividido, em que só se fala em terceiro turno e juízo final, e alguns celerados já começaram a pregar o impeachment da presidente e um novo golpe militar. E o país continua parado, e Dilma em silêncio.

O novo prazo anunciado pelos jornais para acabar o mistério é amanhã ou, quem sabe, sexta-feira, ou sabe lá Deus quando. O fato é que nem o país nem a presidente podem esperar pela nova posse no dia 1º de janeiro. Dilma sabe disso, mas deve estar numa encruzilhada danada tentando conciliar no seu novo ministério a direita e a esquerda, os interesses do PT e os da base aliada, e ainda por cima acalmar o mercado e os movimentos sociais, cada vez mais indóceis, enquanto tenta fechar as contas da economia, que insistem em lhe trazer más notícias.

Não gostaria de estar na pele dela. Sei de todas as dificuldades enfrentadas pela presidente, mas o país tem pressa em encontrar um novo rumo, e ela sabia de todos estes desafios quando resolveu se candidatar à reeleição.

Agora, minha cara Dilma, não tem outro jeito: é pau na máquina e bola pra frente que atrás vem gente. E seja o que Deus quiser.

Vamos que vamos.

 

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tag reuters O dia em que fui a Roma e não falei com Francisco

ROMA _ Quarta-feira, 12 de novembro de 2014. Agora, no final da tarde, parou de chover e os turistas voltam a ocupar a Piazza Navona. É hora de tomar um cappuccino no Café Bernini e fazer minhas anotações de viagem.

Este é o dia da semana em que o papa Francisco, religiosamente às 10 da manhã, sempre aparece ao vivo na Praça São Pedro para a audiência pública. É a chance de poder ver de perto esta figura que, com sua simplicidade e simpatia, logo reconquistou os fiéis que andavam arredios com a igreja carrancuda de Bento 16.

Cheguei uma hora mais cedo para garantir um bom lugar. Será que ele vai me ver no meio desta gente toda? Já tem umas 10 mil pessoas amontoadas diante da Basílica de São Pedro, e não param de chegar mais peregrinos, vindos de todas as partes do mundo, circulando entre as mil colunas que circundam a praça.

O clima é de festa, apesar do céu plúmbeo e do chove-não-chove deste meio de outono em Roma. O vento frio bate cada vez mais forte e me faz buscar abrigo, enquanto o papa não vem. Sentado ao pé de uma coluna, vou me lembrando das várias semanas que passei aqui em 1978, quando era correspondente do Jornal do Brasil em Bonn, capital da então chamada Alemanha Ocidental (isto foi antes da queda do Muro, que reunificaria o país).

Naquele ano, acreditem, morreram dois papas. Primeiro, foi o Paulo 6º. Estava passando pela Itália, na volta para casa, depois de alguns dias de folga, em que aproveitei para levar a família a conhecer Portugal. Fomos de carro, mas folga é modo de dizer: assim que chegamos a Lisboa, estourou uma crise federal no governo português, que levaria à queda do gabinete do socialista Mario Soares poucos dias depois, e fui obrigado a voltar ao batente.

Com a ajuda do meu velho amigo Flávio Tavares, correspondente do concorrente Estadão, entrei de cabeça na cobertura e só reencontrava a mulher e as filhas tarde da noite no hotel. Finda a cobertura, pegamos a estrada e um dia resolvemos pernoitar em Turim. Ao acordar, encontrei a cidade deserta e silenciosa, e não era feriado nem fim de semana. Nas bancas de jornal, as manchetes davam o motivo: "O Papa morreu!".

Deixei a família em casa e voltei de avião a Roma para me encontrar com Araújo Neto, o eterno correspondente do Jornal do Brasil na Itália, um comunista que se especializou na política vaticana. Entre os funerais de Paulo 6º e o conclave que elegeu João Paulo 1º, foram semanas sem descanso, indo todos os dias à praça de São Pedro, onde agora já começa a movimentação para a entrada triunfal do papa Francisco.

Pouco mais de um mês depois da posse de João Paulo 1º, estava novamente em Bonn, com a família e as malas prontas para voltarmos ao Brasil, como acertei com o JB, por não suportar mais a saudade e o banzo longe do meu país e dos meus amigos da padaria da esquina.

De madrugada, toca o telefone: "Volta pra Roma que o papa morreu!". "De novo???", perguntei espantado, sem entender o que estava acontecendo. Sim, morreu outro papa, o pacato cardeal Luciani, nascido em Canale d´Agordo, vilarejo próximo a Veneza, que não tinha suportado o peso de ocupar o trono de São Pedro, como previra seu irmão Francesco numa longa entrevista que fiz com ele. Após uma dura discussão com os cardeais que mandavam lá, João Paulo 1º recolhera-se mais cedo aos seus aposentos, e não acordou no dia seguinte.

Com minha família abrigada no modesto Albergo Cèsare, perto da Fontana de Trevi, enquanto não saía da chaminé do Vaticano a fumaça branca anunciando a eleição de João Paulo 2º, o papa polonês, que ficaria por mais de duas décadas no trono, Araújo e eu tínhamos que mandar matérias todos os dias para o jornal, mas a vida não era tão dura assim. Na "Stampa Estera", a sala reservada aos jornalistas estrangeiros, tinha até garçon servindo vinho e cerveja. Quem nos abastecia de informações secretas e exclusivas era um cardeal brasileiro, meu velho amigo Paulo Evaristo Arns, que neste domingo agora comemora 69 anos de sacerdócio.

Quando finalmente vi Francisco nos quatro telões espalhados pela praça, na hora me lembrei de João Paulo 1º _ o mesmo jeitão de pároco do interior, acenando alegremente com ambas as mãos, bem ao contrário do seu antecessor, que mais parecia comandar um império, não uma igreja. Não fossem o manto e o solidéu brancos, o homem que ziguezagueava no papamóvel, desfilando entre o público, seria apenas mais um no meio daquela pequena multidão de fiéis, em boa parte crianças e idosos, agitando bandeirinhas das suas escolas e dos seus países. O cenário estava mais para uma alegre Disneylândia da fé do que para uma exibição de poder religioso.

Entre os peregrinos, destacavam-se três noivas vestidas a caráter, uma delas de botas e de xale, para enfrentar o frio. Músicas populares de vários países, com direito a Roberto Carlos e Cielito Lindo, animavam a plateia.

Como nos programas de auditório, auxiliares do papa vão anunciando em diferentes línguas a presença de comitivas de todos os continentes. Seis delas eram do Brasil. Tem de tudo: pessoas elegantes de chapéu e bem encasacadas, ao lado de jovens de bermuda e camiseta, todos caprichando nos selfies.

Lá vem ele, olha lá, cutucou-me a mulher, mas não teve jeito, a distância era grande. Assim passei o dia em que fui a Roma e não falei com Francisco, nem consegui tirar uma foto com ele. Fica para outra vez.

Vida que segue.

 

 

 

 

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okok Novo governo Dilma: afinal, quem ganhou e quem perdeu?

Na imagem, Joaquim Levy (ex-secretário do Tesouro Nacional) e a Senadora Kátia Abreu (Foto: Agência Brasil/Estadão Conteúdo)

Deve ter alguma coisa errada quando quem perdeu a eleição está feliz, aplaudindo, e quem ganhou ficou triste, vaiando. É o que está acontecendo agora com este anticlímax da montagem do novo governo Dilma, que para muitos apoiadores dela já nasceu velho.

Os de sempre já estão falando até em "estelionato eleitoral" porque a vencedora Dilma estaria montando o ministério no figurino do derrotado Aécio, e fazendo tudo ao contrário do que prometeu durante a campanha. Até a celestial Marina Silva reapareceu para descer a lenha em Dilma, enquanto o tucano sumia de cena.

A própria presidente reeleita ainda não confirmou nada. Faz mistério e só deve anunciar os nomes da equipe econômica na quinta-feira. Deve ter lá as suas explicações, claro, mas como até agora não as deu, no momento o ambiente político está mais para vaca estranhar bezerro e poste fazer xixi em cachorro. Quanto mais demorar, pior para ela.

A simples menção aos nomes do ortodoxo Joaquim Levy, do Bradesco, para a Fazenda, e da radical Kátia Abreu, da UDR e da CNA, para a Agricultura, já está provocando uma tremenda chiadeira na base aliada e, especialmente, nos movimentos sociais que foram mobilizados pelo PT na campanha eleitoral.

Só não entendo os motivos para tanta surpresa. A situação econômica do país exige mesmo mudanças estruturais, iniciativas ousadas, capazes de causar impacto. Se vão dar certo ou não, se vão ou não melhorar a governabilidade, é outro problema.

Em 2003, ao assumir pela primeira vez a presidência, Lula não nomeou Henrique Meirelles, do Banco de Boston, deputado federal então recém eleito pelo PSDB de Goiás, para o Banco Central? Não trouxe para o governo do PT os ministros Roberto Rodrigues e Luiz Furlan, que tinham acabado de fazer campanha para o tucano José Serra, e não colocou na Fazenda o médico sanitarista Antonio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto?

Vida que segue.

 

 

 

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oka Alô, CBF: é só entregar a seleção a Marcelo Oliveira

Está na cara de todo mundo, mas só a CBF não vê: depois do vexame da Copa do Mundo, o futebol brasileiro ganhou de presente uma base pronta para montar imediatamente uma nova seleção, com técnico e tudo.

Ou será que ninguém viu o que o Cruzeiro e seu treinador Marcelo Oliveira fizeram nestes últimos dois anos em que assumiram o domínio absoluto do nosso futebol, montando um time que hoje pode tranquilamente enfrentar o Bayern Munique, o Barcelona ou o Real Madri, jogando de igual para igual, sem medo de passar vergonha?

Será que ninguém ainda avisou aos dois presidentes da CBF, José Maria Marin e seu parceiro Marco Polo Del Nero, que Espanha e Alemanha, os dois últimos campeões mundiais, montaram suas seleções vitoriosas com base no Barcelona, em 2010, e no Bayern, em 2014?

okok1 Alô, CBF: é só entregar a seleção a Marcelo Oliveira

Não seria muito mais fácil, rápido e barato, do que mandar Dunga se humilhar em longa peregrinação pelos principais centros futebolísticos do mundo para aprender como se montam equipes vitoriosas, como se o Brasil fosse um mero aprendiz e não pentacampeão mundial do esporte mais popular da terra? Marcelo Oliveira já sabe como fazer, não precisa perguntar para ninguém.

Para quê? Para ficar promovendo testes intermináveis, com um catado de jogadores espalhados por aí, que mudam a cada jogo, a exemplo do que já fez Mano Menezes, que comandou a seleção brasileira antes de Felipão e chegou a convocar mais de 100 jogadores, sem conseguir montar um time?

A grande diferença é que Marcelo Oliveira Santos Uzai, 59 anos, mineiro de Pedro Leopoldo, é um técnico vencedor faz tempo, e o único time que Dunga, um treinador virgem de títulos, dirigiu na vida, depois da seleção brasileira, foi o Internacional de Porto Alegre, onde fracassou.

Em março de 2012, quando ainda era técnico do Coritiba, o sempre discreto Marcelo Oliveira já tinha sido considerado o melhor técnico do Brasil e o 14º do mundo pelo Institute of Football Coaching Statistics, que Marin e Del Nero nem devem conhecer. No ano seguinte, quando conquistou o primeiro título do Brasileirão pelo Cruzeiro, Marcelo foi eleito pela própria CBF o melhor técnico do campeonato.

A conquista do bicampeonato pelo Cruzeiro comandado por Marcelo Oliveira, neste último domingo, com duas rodadas de antecedência, ao derrotar o Goiás por 2 a 1, no mesmo Mineirão onde a seleção de Marin e Felipão sucumbiu, não aconteceu por acaso. O sucesso dele vem de longe, como dizia o velho Brizola, desde os tempos em que Marcelo Oliveira era atacante do Atlético Mineiro, jogando sob o comando do grande mestre Telê Santana, para mim o melhor técnico da história do futebol brasileiro. Teve com quem aprender.

Artilheiro, buscando sempre o gol, como os times dirigidos por ele, o jogador Marcelo Oliveira chegou à seleção e, depois de rodar por outros times, voltou a Minas para ser hexacampeão mineiro pelo Atlético, mesmo clube onde começou, nas equipes de base, sua carreira de treinador vitorioso.

De Minas, o técnico foi para o Paraná, onde levou o modesto time do Coritiba à final da Copa do Brasil e à disputa da Copa Sul-Americana, depois de se sagrar bicampeão estadual. Chegou a completar mais de 100 jogos pelo time, antes de despertar o interesse de Gilvan de Pinho Tavares, presidente do Cruzeiro, que ficou encantado com o futebol bonito e eficiente do Coritiba, e o levou de volta para Minas, no final de 2012.

Foi ali que o glorioso Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes começou a se tornar novamente, de longe e de forma incontestável, o melhor time do futebol brasileiro. Ao contrário de Gilvan, porém, a CBF preferiu chamar, primeiro, Felipão, já com o prazo de validade vencido, para o lugar de Mano Menezes e, depois da Copa, reinventou o inacreditável Dunga como técnico da seleção brasileira, com a missão de viajar pelo mundo em busca de jogadores e de uma fórmula mágica para esquecermos os 7 a 1 que levamos da Alemanha.

Por que será? É simples explicar: em Dunga e no supervisor Gilmar Rinaldi, eles podem mandar, e colocar a seleção a serviço dos seus interesses e das suas vaidades, enquanto técnicos como Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho, por exemplo, donos de caráter e personalidade fortes, jamais admitiriam interferência em seu trabalho. Exatamente por isso, Muricy já foi campeão brasileiro três vezes consecutivas pelo São Paulo, o segundo colocado na atual disputa, e Marcelo acaba de conquistar o bicampeonato com o Cruzeiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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