seca Vamos racionar água agora para evitar colapso

Estão brincando com água, que é pior do que brincar com fogo. Fogo tem jeito de se apagar, mas a água, quando acaba, vai fazer o quê? Importar dos países vizinhos, rezar para chover, comprar de caminhão-tanque de outra cidade?

A cada dia são mais assustadoras as imagens das represas secando _ o Sistema Cantareira bateu nesta quarta-feira novo recorde negativo, chegando a 12,5% da sua capacidade _ , mas todo mundo finge que não vê o que está acontecendo, a começar pelo governador Geraldo Alckmin, que agora admite o racionamento, mas não já: "Nós não descartamos o rodízio (o novo nome do racionamento em tucanês). Vamos avaliar diariamente. No momento, não há necessidade", garantiu, com a maior calma do mundo.

O fato é que, se medidas urgentes não forem tomadas, daqui a pouco não vai sobrar água nem para fazer racionamento ou rodízio, como queiram. Não vai mais ter para ninguém. É melhor enfrentar a realidade e cada consumidor se sacrificar um pouco agora, ficando sem água por algumas horas do dia ou mesmo certos dias da semana, do que chegarmos ao ponto de ter que usar as reservas do "volume morto" do Cantareira, que já está preocupando os técnicos em biologia e toxicidade ouvidos pelo "Estadão".

"Quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes, recomendando maiores cuidados com seus múltiplos usos. Muitos dos poluentes que contaminam os rios apresentam potencialidade de alterar o material genético dos organismos expostos, até mesmo do homem e, consequentemente, desencadear problemas de saúde", alertam pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Metodista de Piracicaba em relatório entregue ao Ministério Públicio Estadual, que abriu inquérito para investigar a crise hídrica do sistema responsável pelo abastecimento de 14,3 milhões de habitantes em São Paulo.

Com a mesma fleugma do governador, a estatal Sabesp admitiu pela primeira vez que o problema é sério no seu Relatório Anual de Sustentabilidade de 2013, publicado no final do mês passado e do qual tomamos conhecimento só ontem. Diz o documento: Se as chuvas não retornarem índices adequados e, consequentemente nos níveis dos reservatórios não forem restabelecidos, poderemos ser obrigados a tomar medidas como o rodízio da água".

O problema é que estamos entrando no período de estiagem e as previsões do tempo são muito animadoras para as próximas semanas. Com o trauma ainda vivo do racionamento de energia promovido pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 2002, quando a sua avaliação caiu para nos níveis mais baixos, o governador tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, vai adiar ao máximo a adoção de medidas mais severas, que já tardam.

Por enquanto, com toda a fortuna que gasta em publicidade no país inteiro, a Sabesp limitou-se a oferecer um desconto na conta de água para quem consumir menos, mas já vimos que só isso não resolve.  Não temos a cultura de economizar nada e continuamos vendo cidadãos (?) lavando carros e calçadas como se a água nunca fosse acabar.

Nestas horas, me lembro da temporada em que morei na Alemanha, nos anos 70, onde todos respeitavam religiosamente os racionamentos de água, que eram frequentes nos períodos de estiagem. As multas são pesadíssimas, mas raramente eram aplicadas porque os próprios vizinhos se encarregavam de cobrar os infratores. Aqui achamos que tudo deve ficar por conta do governo, mas moradores da Grande São Paulo já sofrem na pele as consequências do descaso com que o problema da água vem sendo tratado. Do centro da cidade ao Cupecê, na zona sul, casas e escolas já estão ficando com as torneiras secas sem aviso prévio.

É o que dá quando se subordina providências técnicas urgentes a interesses eleitorais permanentes.

 

 

 

 

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lula É hora de uma nova Carta para acalmar a freguesia

Em meados de 2002, corria a campanha presidencial num cenário que lembra muito o que vivemos hoje. O país era bombardeado diariamente com más notícias sobre os índices econômicos. A Bolsa caia, a inflação subia e o dólar disparava. A culpa era atribuída pela imprensa e pelos "mercados" (leia-se especuladores) não ao governo FHC, já em seus estertores, mas ao candidato Lula, que liderava as pesquisas e corria o sério risco de ganhar a eleição. Criou-se até um "lulômetro" para medir os prejuízos na economia diante da provável vitória do petista.

Mais ou menos como acontece agora, vivia-se um clima de quase pânico, com os colunistas e analistas econômicos (ainda não havia os blogueiros) martelando todos os dias que a situação estava fugindo do controle e só tendia a piorar.

No comando da campanha de Lula, da qual eu fazia parte, cuidando da área de imprensa, a cada dia ficava mais evidente que era preciso fazer alguma coisa para evitar uma possível sangria de votos nos índices de pesquisas. E tinha que ser algo de grande repercussão, que tivesse efeito imediato nos mercados daqui e de fora.

Foi assim que surgiu, em maio daquele ano, a ideia da "Carta aos Brasileiros" lançada por Lula, escrita e reescrita a várias mãos, seguindo a orientação do depois ministro da Fazenda Antônio Palocci, principal interlocutor da campanha com o empresariado. Era um compromisso do candidato garantindo que, se eleito, manteria os contratos e as linhas centrais da política de estabilidade econômica. A urubuzada financeiro-midiática se acalmou, a imprensa foi procurar outros alvos para atingir o PT, e Lula manteve a dianteira até o final, quase ganhando já no primeiro turno a disputa contra o candidato do governo, José Serra.

A diferença é que agora o PT está no governo. Os adversários e suas armas são os mesmos de sempre. Por isso acho que está na hora da presidente Dilma Rousseff sair da defensiva e lançar uma nova "Carta", uma espécie de "Compromisso com o Futuro", anunciando agora quais são seus planos para a economia a partir de 2015, caso seja reeleita. Eleição, afinal, é sempre uma renovação de esperanças, não dá para viver eternamente só do que já foi feito.

Quem deu a pista foi o próprio Lula. Em entrevista coletiva concedida a oito blogueiros na terça-feira, para a qual não fui convidado, o ex-presidente disse com todas as letras o que pensa sobre as dificuldades enfrentadas pela economia brasileira: "Poderíamos estar melhor e a Dilma vai ter que dizer isso na campanha: como é que a gente vai melhorar a economia brasileira". Ao reafirmar pela enésima vez que não é candidato e vai fazer a campanha de Dilma, Lula aproveitou para criticar os meios de comunicação que tentam jogar um contra o Outro: "Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país".

Quanto antes a presidente sinalizar para todos o que pretende fazer em caso de reeleição, melhor para ela e para o país, que não pode continuar vivendo até outubro neste clima de instabilidade e indefinições, tendo uma Copa do Mundo no meio. Seria uma boa oportunidade também para que os dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos, apresentassem os compromissos deles. Não dá mais para falar só de CPI e ficar nesta troca de acusações entre os partidos. É preciso olhar para a frente.

 

 

 

 

 

 

 

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dinheiro Sensacional: veja a história de um cara honesto

Na minha incansável busca por boas notícias e histórias edificantes, encontrei uma ótima, a demonstrar que nem tudo está perdido. Em países nórdicos mais civilizados, certamente nem seria notícia, mas por aqui mereceria estar na primeira página de todos os jornais. O relato do repórter Ygor Salles está na página C8 da "Folha" desta terça-feira.

Aconteceu na última quarta-feira, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Ao sair do trabalho, o vigilante Marco Antônio da Silva, 32 anos, viu quando o envelope caiu de uma moto que passava na rua. Dentro do envelope, estavam R$ 600,oo e os boletos de contas a pagar. Marco Antônio nem teve dúvidas: pegou tudo e foi a um banco para pagar os boletos e guardou o troco para devolver à sua dona.

Pelo seu Facebook na internet, Marco pediu ajuda para encontrar quem tinha deixado cair o envelope. "Se alguém conhece esta moça, Karine Peyrot, quero entregar para a dona com troco", escreveu ele. "Fui lá entregar o troco e ela não acreditava no que tinha acontecido". De fato, não se trata de um gesto muito comum nestes nossos tempos. Por isso, ela respondeu, também pelo Facebook, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, para agradecer a atitude do vigilante:

"GENTEEEEEE!! O RAPAZ ACHOU O BOLETO E PAGOU A FATURA!!!!!!!! ISSO É VERDADE! Existem pessoas assim, SIM! Obrigada Marco Antônio, é de pessoas assim que precisamos, não tenho palavras... OBRIGADA! O universo vai te abençoar sempre!".

O que falta no Brasil, caro leitor, para que casos como este deixem de ser uma sensacional notícia? Você se lembra de algum caso parecido?

 

 

 

 

 

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FUP201304244191 Todos criticamos serviços públicos: e os privados?

Cena de domingo: um carro quebrado, na pista da esquerda na altura do quilômetro 30 da Castelo Branco, chegando a São Paulo, e um caminhão guincho particular estacionado no acostamento do lado oposto. Por cima das pistas os dois motoristas gritam e não se entendem. Nenhum sinal da presença de algum agente público ou da concessionária responsável pela rodovia, uma das mais movimentadas do país. Cada um que se vire.

Resultado: um congestionamento que se estende por mais de 15 quilômetros, que a gente leva mais de uma hora para atravessar. Ninguém reclama. A estrada é uma campeã de pedágios por quilometro rodado e todos estão funcionando perfeitamente, o dinheiro só pingando no caixa. Tirar aquele carro da pista que é bom, nada: desde que instalaram os radares, outra boa fonte de arrecadação, a Polícia Rodoviária sumiu das estradas e, pelo jeito, seus postos não foram ocupados pela empresa privada que venceu  a concessão da rodovia para ajudar os motoristas nas emergências.

Todos nós criticamos muito o mau funcionamento dos serviços públicos em geral, e temos montanhas de motivos para isso, como demonstram todas as pesquisas, mas este é um caso emblemático de parceria público-privada que não funciona, nem de um lado, nem de outro. E, no entanto, nos habituamos a só falar mal só do que é público, esquecendo os péssimos serviços prestados por muitas empresas privadas ou privatizadas nas mais diferentes áreas.

A quem devemos nos queixar? Ao Procon ou ao governador? Um bom exemplo são os planos de saúde, que tardam uma eternidade para pagar os gastos com médicos e nem não dão satisfação sobre os valores ridículos. Fiquei quase dois meses esperando que a Medial (parece que agora foi incorporada por outra seguradora), da qual sou cliente e pagador fiel faz muitos anos, fizesse o favor de me reembolsar pelo menos uma parte, de acordo com suas modestas tabelas, daquilo que gastei na cirurgia no braço que durou mais de seis horas.

Do total de R$ 36.000,00 que desembolsei, conforme comprovantes enviados à seguradora, recebi o reembolso de R$ 1.575,00, ou seja, 4,3% da despesa médica.

Tenho certeza de que não sou uma exceção. Cada leitor do Balaio deve ter um monte de histórias como essas para contar. Fiquem à vontade, usem a área de comentários: já que não tem outro jeito, só nos resta o direito de espernear.

Seja o serviço público ou privado, somos maltratados do mesmo jeito. As próximas pesquisas poderiam incluir também perguntas sobre o desmazelo dos serviços das empresas privadas, que são boas para cobrar, mas nem tão eficientes para pagar que o nos é de direito.

 

 

 

 

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Deixando a modestia um pouco de lado, os novos números divulgados na tarde deste sabado pelo Datafolha sobre a corrida presidencial confirmam as previsões feitas esta semana aqui mesmo e no Jornal da Record News: Dilma caiu (de 44 para 38%), mas seus adversários não subiram e, se as eleições fossem hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Os seis pontos perdidos por Dilma são atribuidos pelo instituto ao "pessimismo econômico", resultado de uma blitzkrieg, esta guerra de  extermínio desfechada pela oposição e a mídia aliada nas últimas semanas, colocando o país e a Petrobras à beira de um colapso econômico e administrativo, a tal da crise do fim do mundo anunciada pelos seus principais adversários.

Eles conseguiram atingir um dos seus objetivos, que era o de abalar o franco favoritismo de Dilma, até agora dando um passeio nas pesquisas, mas não foram capazes de transferir os votos perdidos por ela para os oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. Com ampla exposição dos dois na mídia nos últimos dias, o senador mineiro continua com os mesmos 16% da pesquisa anterior e o ex-governador de Pernambuco subiu apenas um  ponto, indo de 9 para 10%.

A própria pesquisa acabou induzindo este resultado, ao colocar no questionário várias questões relacionadas a fatos negativos na área econômica antes de perguntar em quem o eleitor pretende votar. Como escrevi aqui, voce pode fazer campanha detonando o adversário ou conquistando votos com suas propostas para fazer um país melhor _ desta segunda parte, os candidatos da oposição até agora não foram capazes.

Mais do que a perda destes seis pontos, que já era esperada, há outros motivos para os estrategistas do Palácio do Planalto acenderem o farol amarelo: para 65% dos eleitores, a inflação vai subir e 63% estão frustrados com a presidente, achando que ela fez menos do que esperavam (um ano atrás eram 34%).

O resultado mais curioso da pesquisa, mostrando que 72% dos entrevistados querem mudanças no governo, revela que o mais indicado para fazê-las é o principal cabo eleitoral de Dilma, o ex-presidente Lula, com 32% (se fosse candidato, ele teria 52% das intenções de voto). Em segundo lugar, com 17%, vem Marina Silva, que também não é candidata e deve ser vice de Eduardo Campos. A própria Dilma é a preferida de 16% para fazer estas mudanças e seus adversários não conseguem conquistar os descontentes: Aécio tem 13% e Eduardo vem com 7%.

Bem abaixo dos índices de José Serra, quando faltavam, como agora, seis meses para as eleições, em 2010, Aécio mantem a liderança tucana nos mesmos nichos do eleitorado: os mais ricos e os que têm nível de ensino superior.

Como o Ibope já  havia mostrado na semana passada, o Datafolha dá claros sinais de que a presidente Dilma saiu da sua zona de conforto e não pode só continuar jogando na defesa. Por mais fracos que sejam os adversários, Dilma está perdendo terreno para ela mesma, sem que o seu governo reaja, tanto no plano político como no econômico.

O cenário eleitoral agora é absolutamente imprevisível e não aposto um tostão do meu bolso em quem vai ganhar. Qual é a aposta do caro leitor do Balaio?

Em tempo/correção: ao contrário da informação publicada acima sobre a ordem das perguntas do questionário Datafolha, o instituto esclarece que em primeiro lugar pesquisou a intenção de voto do entrevistado e só depois apresentou uma lista de temas do noticiário.

 

 

 

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ok É sexta feira, e o fim do mundo ainda não chegou

Chegamos a sexta-feira, e até onde minha vista alcança o tão anunciado fim do mundo mais uma vez não chegou. Aqui em casa, pelo menos, ainda não temos racionamento de água nem de luz, a Petrobras vai deixando as manchetes e, pelo jeito, dificilmente teremos a CPI da Petrobras que a oposição tanto queria para poder dar início à campanha eleitoral. Vai ter que procurar outro discurso.

A turma do "apocalipse já" agora joga suas fichas na pesquisa Datafolha que deverá ser divulgada amanhã, após uma semana inteira de especulações anunciando a queda da presidente Dilma, que mexeram com a Bolsa, como já se tornou rotina. A presidente viajou menos e deixou o palco livre para seus dois principais concorrentes, enquanto o recém nomeado ministro Ricardo Berzoini assumia a articulação política do governo, fazendo o papel de bombeiro para acalmar os aliados. Parece que começou bem, ao admitir que o PT precisa "fazer concessões" para manter a mesma base de apoio de 2010.

Aécio deu entrevistas coletivas todos os dias sem anunciar nada de novo, lutou como um leão pela criação da CPI da Petrobras, até já ameaçou ir à ao Supremo Tribunal Federal, e foi bastante aplaudido pelos empresários reunidos por João Dória Júnior, o promoter predileto do grande capital. E ainda apresentou o banqueiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central de FHC, como o principal mentor econômico de um possível governo tucano vintage.

Eduardo aproveitou seus últimos dias como governador de Pernambuco para inaugurar obras, algumas inacabadas e, no próximo dia 14, oficializa sua união com a vice Marina Silva, cada vez mais anti-PT, na esperança de finalmente dar uma chacoalhada na sua campanha.

Candidatos e eleitores, principalmente jornalistas e marqueteiros, ficam agora na expectativa do que vai dizer o Datafolha. A pesquisa foi a campo na quarta-feira, com um balaio de perguntas sobre problemas enfrentados pelo governo, antes de entrar no assunto propriamente dito, para saber em quem o entrevistado pretende votar. Nas eleições passadas, o mesmo Datafolha criticou este método adotado por outros institutos, alegando que isto pode influenciar a cabeça do eleitor. Agora, já começamos a analisar pesquisas antes mesmo da divulgação dos resultados...

Seja como for, vamos todos ter assunto para os próximos dias, já que a campanha eleitoral no Brasil cada vez mais se resume a pesquisas e estratégias dos marqueteiros, e o tradicional Fla-Flu de acusações entre candidatos e partidos. Enquanto isso, o povo vai tocando sua vida e se preparando para tomar uma cervejinha ao final do expediente, que ninguém é de ferro. Afinal, hoje é sexta-feira. Divirtam-se.

Bom final de semana a todos os sobreviventes.

 

 

 

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gilmar mendes kotscho Ministro Gilmar Mendes: devolve logo este processo

 

O modelo legal vigente alimenta a promiscuidade entre agentes econômicos e a política, contribuindo para a captura dos representantes do povo por interesses econômicos dos financiadores, disseminando com isso a corrupção em detrimento dos valores republicanos (Ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Superior Tribunal Eleitoral).

 

A gente não pode nem comemorar uma notícia boa, que já vem outra ruim junto.

Em votação histórica, e por goleada (6 a 1), o Supremo Tribunal Federal aprovou nesta quarta-feira (2) uma das medidas mais importantes para o saneamento da política brasileira, ao proibir a doação de recursos de empresas para campanhas eleitorais, principal causa da corrupção endêmica que assola as nossas instituições.

Graças, porém, ao pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, sempre ele, o País vai ter que esperar o meritíssimo devolver o processo para que o resultado possa ser proclamado e entrar em vigor já para as eleições deste ano.

O grande problema é que, como não há prazo para Mendes fazer esta gentileza com a democracia brasileira, vamos ficar na dependência da boa vontade dele para cortar pela raiz a influência do poder econômico no processo eleitoral (em 2010, como lembra a Folha, 98% das receitas das campanhas de Dilma e Serra vieram de empresas).

Quando o placar já estava 4 a 1 pela proibição destas "doações desinteressadas" dos grandes grupos econômicos, o ministro alegou que como o tema era complexo precisava de mais tempo para estudar o processo e tomar sua decisão, que já é conhecida, a favor da participação das empresas nas campanhas. Mesmo assim, os  ministros Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (ver matéria de Carolina Martins, do R7 em Brasília) e Ricardo Lewandowski adiantaram seus votos e garantiram a maioria pela proibição de doações empresariais nas campanhas.

Pergunta-se: 1) se não há mais como reverter este resultado, qual é o sentido de pedido de vistas de Gilmar Mendes, já que seu voto só vale um voto? 2) Por que os demais ministros tiveram tempo suficiente para estudar o processo e dar seus votos sobre este "tema complexo" e só um deles precisa de mais prazo para tomar sua decisão? Em situações semelhantes, ministros do STF chamam de "chicanas jurídicas" recursos de advogados que só servem para atrasar os processos e a promulgação dos seus resultados.

Por isso, solicita-se encarecidamente ao ministro Mendes devolver este processo o mais rápido possível, já que o presidente do TSE assegurou ontem que, caso isto aconteça, as novas regras de financiamento estarão valendo nas eleições marcadas para daqui a seis meses.

Qual a opinião do caro leitor do Balaio sobre o financiamento de campanhas eleitorais, a decisão do STF e a atitude do ministro Gilmar Mendes?

 

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foto 1 CPI da Petrobras faz o governo jogar na defesa

Faltam apenas seis meses e cinco dias para as eleições presidenciais. Com o Marco Civil da Internet aprovado na Câmara (ainda falta o Senado) e concluída a reforma ministerial, a tendência do governo Dilma daqui para frente é fechar a defesa e tocar a bola de lado, sem arriscar grandes jogadas. O clima no Palácio do Planalto é de "no news, good news", ou seja, se não acontecer mais nada de relevante até as eleições, já está de bom tamanho.

Após a titubeada da articulação política, que permitiu à oposição colher o número de assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI da Petrobras no Senado, com a valiosa colaboração de parlamentares de cinco partidos da base aliada, na mesma semana em que o Ibope mostrava uma queda de sete pontos na aprovação do governo, Dilma vive o momento mais difícil e mais tenso desde a posse, sem ter muito o que fazer para virar a maré negativa.

Para uma presidente que dá muito valor às pesquisas, e tem hoje no marqueteiro João Santana seu principal conselheiro, foi um baque. Assim como Dilma contava com seus bons índices nas pesquisas para conter os rebelados da base, que não querem largar o osso, e abafar o fogo amigo do "volta Lula", agora acontece exatamente o contrário.

Se as próximas pesquisas mostrarem tendência de queda nas suas intenções de voto, aumenta o risco de uma debandada dos partidos aliados, que cobrarão mais caro o seu apoio e, em consequência, petistas descontentes poderão pressionar o ex-presidente a entrar no jogo para salvar a lavoura.

Por isso, o grande desafio dos articuladores políticos Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini, que acabou de entrar lugar de Ideli Salvatti para atender antigo pedido de Lula e do PT,  é não deixar que a CPI da Petrobras vire um palanque permanente da oposição, que agora ganhou um discurso e uma bandeira para desgastar o governo.

Eleição, como sabemos, ganha-se com boas propostas e trabalho realizado, mas também com a demolição da imagem do adversário, e é só isso que move agora Aécio Neves e Eduardo Campos, cada vez mais unidos numa frente anti-PT, bem no momento em que começam a ser montados os debates e sabatinas pelos veículos de comunicação. Até agora, os assessores de Dilma mostraram pouco interesse em participar destas iniciativas, deixando a presidente na situação de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".

Se não for aos debates e deixarem sua cadeira vazia, é prejuízo na certa, como aconteceu com Lula no final do primeiro turno de 2006. Se for, será uma luta desigual, com todos, além de Aécio e Eduardo, contra a presidente, que está numa cruel encruzilhada.

Por mais que se garimpe, está difícil encontrar alguma notícia boa para o governo, uma agenda positiva. Assim, é melhor mesmo ficar na retranca e esperar que o tempo passe logo, sem grandes novidades.

 

 

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jango ok Imprensa escondeu pesquisa Ibope com apoio a Jango

O caro leitor sabia que, ao contrário do que nos foi vendido ao longo de todos estes anos, João Goulart, o Jango, presidente deposto por um golpe militar, civil e midiático, em 1964, tinha amplo apoio popular e seria reeleito, segundo pesquisas do Ibope feitas nos dias que antecederam a sua derrubada, e que nunca haviam sido divulgadas pela imprensa? Pois é, nem eu.

Em São Paulo, que era um dos principais redutos de oposição ao seu governo, segundo uma das pesquisas Jango tinha 69% de aprovação, com rejeição de apenas 16%. Em outra, na qual o Ibope entrevistou eleitores de oito capitais, entre os dias 9 e 26 de março de 1964, quase a metade (49,8%) respondeu que votaria em Jango caso ele pudesse se candidatar à reeleição. Ninguém ficou sabendo disso na época.

A pergunta que fica: a divulgação destas pesquisas pela imprensa poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos, já que para derrubar Jango um dos principais argumentos utilizados pelos golpistas foi a fragilidade do presidente e do seu governo diante do "perigo comunista" que ameaçava o país? Acontece que todos os principais veículos da mídia brasileira, com exceção da "Última Hora", estavam não só apoiando os militares como engajados no movimento que levou à sua deposição.

Só agora ficamos sabendo também que, segundo o Ibope, havia amplo apoio popular às reformas (59% dos entrevistados) propostas por Jango no famoso Comício da Central do Brasil, duas semanas antes do golpe, em que ele defendia a reforma agrária, com a desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias, e a encampação das refinarias estrangeiras, outro argumento utilizado para justificar o golpe. Não por acaso, certamente, a Petrobras está novamente no centro do debate político neste ano de eleições presidenciais.

No momento em que mais uma vez discutimos o papel da imprensa e das pesquisas na política nacional, após o mesmo Ibope, no prazo de apenas uma semana, divulgar dois levantamentos sobre a presidente Dilma Rousseff, com resultados bastante discrepantes, valeria a pena investigar a origem e o destino dos levantamentos inéditos que estão sendo catalogados no Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, em Campinas.

Já se sabe, por exemplo, que a pesquisa feita em três cidades paulistas, entre os dias 20 e 30 de março de 1964, ouviu 950 eleitores e foi encomendada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, uma das entidades envolvidas na derrubada de Jango.

O Ibope entregou estas pesquisas aos arquivos da Unicamp em 2003 e só agora, quando o golpe completa meio século, os seus resultados foram revelados. Marcia Cavallari, diretora do Ibope Opinião, disse a Paulo Reda, da "Folha", que "os critérios aplicados nestes levantamentos da década de 60 são semelhantes à metodologia das pesquisas recentes do instituto e são perfeitamente confiáveis". Falta Cavallari explicar porque estes mesmos critérios levaram a resultados tão diferentes nas recentes pesquisas do Ibope sobre Dilma e por quais razões os levantamentos de 1964 permaneceram secretos por tanto tempo.

Não basta agora a mídia publicar caudalosos cadernos especiais sobre o golpe de 1964, com pencas de entrevistas e artigos tentando explicar o que aconteceu, se nada for feito no Congresso Nacional para evitar que aquela tragédia se repita e os meios de comunicação, incluindo os institutos de pesquisa, não tenham regras claras definidas na legislação para evitar que os eleitores sejam manipulados e a nossa jovem democracia novamente ameaçada.

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Manchete do nosso portal R7 na manhã desta quinta-feira:

"Desemprego atinge menor índice de fevereiro desde 2002"

Manchete da Folha:

"Oposição consegue apoio para criar CPI da Petrobras"

Quem lê as duas manchetes acima pode me perguntar o que uma tem a ver com outra. É simples: no mesmo dia em que o desemprego atinge seus índices mais baixos, a oposição consegue aprovar a CPI da Petrobras, com a ajuda de senadores da base aliada, única forma encontrada para desconstruir a imagem positiva do governo Dilma.

A aliança de Aécio Neves com Eduardo Campos para criar a CPI da maior estatal brasileira em pleno ano eleitoral já trouxe seus primeiros resultados. Após uma semana de bombardeio da mídia denunciando a estranhíssima compra da refinaria de Pasadena, entre outros malfeitos na administração da Petrobras, procurando envolver a presidente Dilma nos negócios mal explicados, já provocaram seus primeiros efeitos na pesquisa Ibope feita para a CNI e divulgada agora há pouco.

politicos Eduardo e Aécio se unem na CPI e Dilma cai no Ibope

A aprovação do governo caiu sete pontos (de 43% para 36%), a aprovação à maneira de Dilma governar foi de 56% para 51% e o índice de confiança na presidente perdeu quatro pontos (de 52% para 48%).

dilma ok1 Eduardo e Aécio se unem na CPI e Dilma cai no Ibope

E isso pode ser só o começo, pois a CPI do Senado ainda não foi instalada e talvez nem seja, pois sempre existe a possibilidade de retirada das assinaturas até que a proposta tenha sido lida em plenário pelo presidente Renan Calheiros, que parece não ter muita pressa.

Até o final da semana, Eduardo Campos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal mentor de Aécio, eram contrários à criação da CPI, mas mudaram de ideia ao ver neste instrumento a melhor maneira de acuar o governo Dilma e abalar seus índices positivos em todas as pesquisas até aqui.

O apoio do PSB de Campos acabou sendo decisivo para a coleta de 28 assinaturas, uma a mais do que o mínimo necessário para a instalação de uma CPI no Senado. Como Aécio havia tomado a iniciativa de investigar a Petrobras no Congresso Nacional, Campos corria o risco de ficar a reboque na disputa para ver qual dos dois é mais oposição ao governo na luta por uma vaga no segundo turno.

Confesso que não é nada fácil escrever uma coluna política neste ambiente de fortes emoções em que o quadro se altera a cada dia. Após comemorar a vitória na aprovação do Marco Civil da Internet, a articulação política do governo simplesmente desapareceu e a oposição acabou conseguindo a adesão de oito senadores da base aliada que, novamente, se mostrou mais furada do que um queijo suíço.

Mal conseguiu controlar os rebeldes de Eduardo Cunha na Câmara, o governo agora vai ter que recompor sua base no Senado, em que cinco partidos (PMDB, PSC, PSD, PDT e PP) ajudaram a oposição a conseguir o número mínimo de assinaturas. Tirar alguma delas agora não será tarefa fácil e não sairá barato, como sabemos.

Vou parando por aqui, antes que surja algum outro fato novo, porque está na hora de ir para a fisioterapia, a tortura diária que enfrento há dois meses, enquanto os embates e atropelos de Brasília não me dão um dia de folga.

Diante disso, abstenho-me de fazer qualquer previsão sobre o que pode acontecer nas próximas 24 horas. Se nem o governo, a esta altura, sabe o que ainda vem por aí, como é que eu vou saber?

 

 

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