lula É este o momento mais difícil da travessia de Lula

Lula durante evento em seu instituto (Foto: Reprodução/Instituto Lula)

Na longa travessia da roça sertaneja de Caetés, então distrito de Garanhuns, no interior de Pernambuco, de onde saiu com sete anos a bordo de um pau-de-arara, até o Palácio do Planalto, uma saga que o levou a ser um dos líderes políticos mais admirados do mundo, parece ser este o momento mais difícil da vida do ex-presidente Lula. Ao longo das últimas quatro décadas, como jornalista e seu amigo, acompanhei de perto esta trajetória única na nossa história.

Aos 69 anos, depois de vencer um câncer e dar a volta por cima nos mil obstáculos que encontrou pela frente, pela primeira vez Lula reclamou de cansaço em público. Nem precisava falar, bastava ver sua expressão angustiada nesta segunda-feira, durante o seminário "Novos Desafios da Democracia", promovido em São Paulo pelo instituto que leva seu nome.

Não é para menos. Nas últimas semanas, fechou-se o cerco político-jurídico-midiático para tirá-lo de combate a qualquer preço e impedir que volte a disputar eleições. Para quem acompanha este Balaio, não deve surpreender o que está acontecendo.

"O alvo agora é Lula na guerra sem fim", escrevi aqui no dia 2 de novembro de 2012, lembrando na abertura da matéria um episódio da campanha em que ele seria reeleito presidente:

Pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2006, o sujeito viu a manchete do jornal na banca e não se conformou. "Esse aí, só matando!", disse ao dono da banca, apontando o resultado da última pesquisa Datafolha que apontava a reeleição de Lula.

Passados seis anos desta cena nos Jardins, tradicional reduto tucano na capital paulista, o ódio de uma parcela da sociedade _ cada vez menor, é verdade _ contra Lula e tudo o que ele representa só fez aumentar.

Nem se trata mais de questão ideológica ou de simples preconceito de classe. Ao perder o poder em 2002, e não conseguir mais resgata-lo nas sucessivas eleições seguintes, os antigos donos da opinião pública e dos destinos do país parecem já não acreditar mais na redenção pelas urnas.

(...) Ato contínuo, os derrotados de domingo passado (eleições municipais de 2012) mudaram o alvo diretamente para Lula, o inimigo principal a ser abatido, como queriam aquele personagem da banca de jornal e o antigo líder dos demo-tucanos (Jorge Bornhausen que, em 2005, prometeu "acabar com esta raça").

De lá para cá, como vimos na última campanha presidencial, este ódio só fez aumentar em vez de diminuir, ao contrário do que eu previa então. O antipetismo se alastrou como uma febre e o índice dos eleitores que declaravam simpatia pelo PT, que era de 29%, em 2013, caiu agora para 11%, segundo o Datafolha, apenas dois pontos a mais do que o PSDB.

Desencantado com o partido que criou há 35 anos e o governo que elegeu quando deixou a presidência, com 80% de aprovação popular, Lula já não esconde as causas do seu sofrimento e, melhor do que ninguém, sabe que estamos nos estertores de um ciclo político. "O PT está velho", constatou. O pior, para o país, é que o eleitorado não encontra opções: na mesma pesquisa, 67% dos entrevistados declararam não ter preferência por nenhum partido.

"Nós só não podemos errar na política", costumava repetir Lula aos seus ministros e assessores quando assumiu o poder central em 2003. Pois foram exatamente as escolhas erradas na política que levaram Lula e o PT à dramática situação em que se encontram hoje, sem saber que rumo tomar. Lula acertou e errou muito, e sabe que já não resolve nada colocar a culpa na imprensa, nos adversários e nas elites, mas não tem a menor ideia de por onde começar a "revolução interna" no partido proposta por ele durante o discurso em que constatou: "Temos que definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto".

Pois é, caro Lula, parafraseando o velho Chico, o tempo passou na janela e só o PT não viu.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ricardo Feijoada com a família na roça: tem coisa melhor?

Fazia mais de ano que não conseguia reunir toda minha pequena família no sítio para fazer uma feijoada no fogão a lenha. Os variados compromissos de filhas e netos nos finais de semana acabam afastando a gente das melhores coisas da vida.

Cheguei um dia antes para cuidar de todos os pertences, separadamente, até chegar a hora de juntar tudo no velho panelão, com a lenha já crepitando no fogo. Entre começar o preparo e servir, levei bem quase doze horas, mas valeu a pena.

Por isso, resolvi passar para vocês minha receita da melhor feijoada de Porangaba e arredores, incluindo a capital, modéstia à parte. Começa, é claro, pela compra de bons ingredientes, sem esquecer do mais importante, aquelas porcarias boas: rabo, pé e orelha.

O feijão, o arroz e a farinha, tudo tem que ser de primeira. A couve, muito verde e fresquinha, a gente pega na horta. Limão e laranja sempre tem no pomar. Não pode faltar uma boa cachaça, que é de lei, de preferência daquela sem rótulo, que algum vizinho trouxe direto do alambique. E uma pimenta de respeito, não muito ardida, só para acertar a dose certa de emoção.

Aí é só dar início aos trabalhos, sem pressa, respeitando a ordem de entrada em cena.

* Lavar bem, cortar em pedaços e aferventar as porcarias para tirar o excesso de gordura e de sal.

* Catar o feijão preto um a um, bem espalhado sobre uma toalha branca (nesta hora, sempre me lembro da cena de Fernanda Montenegro fazendo isso no filme Eles Não Usam Black-Tie). Lavar e deixar de molho em água filtrada durante a noite.

* Separar e cortar os defumados e embutidos, que vão entrar na panela por último. Guardar na geladeira para evitar cachorros e mosquitos.

* No dia da festança, acordar cedo e botar o feijão para cozinhar no fogão a gás (para economizar lenha) sem nenhum tempero. Deixar ferver até os grãos começarem a amolecer.

* Juntar as porcarias e continuar cozinhando tudo junto por mais meia hora.

* Botar fogo na lenha, começando pelas lascas mais finas, e ir colocando aos poucos as maiores.

* Preparar o refogado numa frigideira com cebola, alho, toucinho picado e uma concha grande de feijão bem amassado no garfo.

* Já no fogão à lenha, despejar aos poucos as outras carnes junto com o refogado e mexer bem forte por alguns minutos com uma colher de pau. Acrescentar três folhas de louro.

* Numa cumbuca de barro, fazer o molho da feijoada com um bocado do caldo que já está engrossando, cebola, salsa, cebolinha, tomate e pimenta dedo-de-moça, bem picados.

* Chamar a mulher para cuidar do arroz, da couve e da farofa.

* Preparar as caipirinhas com limão galego ou cravo (misturar os dois fica ótimo).

Está lançada a sorte. Agora, é só ficar ao lado do fogão controlando a lenha, mexendo e experimentando o caldo de vez em quando. Não costumo colocar sal porque as carnes já dão o tempero certo. Convocar filhas e netos pra montar a mesa no galpão. Cervejas e refrigerantes, por óbvio, não podem faltar na geladeira.

Bom apetite.

 

 

 

 

 

 

 

 

*

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Chuva de meteoritos na esquina da Ipiranga com São João? Maremoto invadindo o sertão? Bombas de nêutrons caindo sobre Brasília? O Brasil eliminado na primeira fase da Copa América pela Venezuela?

O que falta? Desacorçoados, como dizem os nordestinos, os brasileiros fechamos o outono e não temos a menor ideia do que pode acontecer no inverno que começa neste domingo num clima de fim de feira.

Chegamos ao final de mais uma semana tenebrosa neste inacreditável ano de 2015, que tão cedo não vamos conseguir apagar de nossas vidas. Vejam a situação:

* Os presidentes das duas maiores empreiteiras do país, Odebrecht e Andrade Gutierrez, amanheceram mais um dia nos cárceres da Operação Lava Jato em Curitiba, no Paraná.

* O Tribunal de Contas da União, em atitude inédita, coloca sub-judice o governo federal ao dar prazo de 30 dias para a presidente Dilma Rousseff explicar 13 manobras fiscais nas contas de 2014 em que foram apontados indícios de irregularidades que podem levar a um processo por crime de responsabilidade.

* O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho informa que, em maio, foram fechadas 115.599 vagas formais de trabalho.

* "Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto", diz o ex-presidente Lula em encontro com religiosos promovido pelo seu instituto.

* A nova pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana mostra que o governo da presidente Dilma é aprovado por apenas um em cada dez brasileiros e seu índice de rejeição atingiu o patamar de 65%.

* O projeto de ajuste fiscal patina e continua sendo esquartejado no Congresso, enquanto a Câmara vai aprovando celeremente uma reforma política que só beneficia os políticos.

* Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Costa, investigados pelo Supremo Tribunal Federal por denúncias da Operação Lava Jato, unem-se para atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e aprovar medidas para tornar o país ingovernável.

* Inflação, juros e tarifas não param de subir, enquanto continuam caindo o PIB, o emprego e a renda.

* Rios transbordam e inundam cidades inteiras no Norte; a pior seca dos últimos anos assola o Nordeste.

* Líderes da oposição vão defender a democracia na Venezuela em avião da FAB e não conseguem sair do aeroporto.

* Empresários desanimados desistem de pedir crédito ao BNDES, que registra uma queda de 20% nos empréstimos este ano.

* E o Flamengo continua na zona de rebaixamento.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 As seis horas do vexame de Aécio e Cia. em Caracas

Aécio e a comitiva (Foto: Reprodução/Twitter)

Que vexame! E o que se poderia esperar de uma excursão promovida por oito senadores brasileiros a Caracas para apoiar a oposição venezuelana que quer porque quer derrubar o presidente eleito Nicolás Maduro? O que a excursão promovida por Aécio e Cia. nas asas de um avião da FAB foi fazer lá?

Eles foram procurar confusão para aparecer na foto _ e conseguiram (ver ao final deste texto o vídeo com meu comentário sobre o assunto no Jornal da Record News de quinta-feira).

O plano deles era fazer uma visita de solidariedade a oposicionistas presos, devidamente acompanhados por repórteres nativos, mas nossos senadores não conseguiram nem sair das imediações do aeroporto durante as seis horas que passaram na cidade.

Cercados por manifestantes pró-governo, pegaram um congestionamento e ficaram presos no micro-ônibus que os levaria ao presídio de Ramo Verde, a 50 quilômetros do aeroporto. Só lhes restou dar meia volta e retornar ao Legacy, o jato executivo da FAB colocado à sua disposição. Por falar nisso: quanto custou e quem vai pagar as despesas do voo fracassado?

Desta forma, a "missão política e diplomática" comandada por Aécio Neves, presidente do PSDB derrotado por Dilma Rousseff nas eleições de outubro, limitou-se a conversar com as esposas de líderes da oposição venezuelana, as mesmas que estiveram recentemente no Brasil e que os recepcionaram no aeroporto Simon Bolívar.

Acompanhado de notórios "democratas" como Ronaldo Caiado e Agripino Maia, entre outros, ao senador mineiro só restou protestar e cobrar providências do Itamaraty, pois criar constrangimentos para o governo brasileiro era seu principal objetivo. "Fomos sitiados e impedidos de cumprir o objetivo da nossa missão. Isto é um claro incidente diplomático da mais alta gravidade". Em nota, o Itamaraty lamentou "os incidentes que afetaram a visita à Venezuela da Comissão Externa do Senado. São inaceitáveis atos hostis contra parlamentares brasileiros".

O governo venezuelano só se manifestou por meio de mensagem do vice-presidente Jorge Arreaza enviada para o celular de Lilian Tintori, mulher do oposicionista Leopoldo López, que estava no micro-ônibus ao lado de Aécio: "Se os senadores estão aqui é porque não têm muito trabalho por lá no Brasil. Assim, umas horas a mais ou a menos dá no mesmo".

Os dois países enfrentam uma profunda crise política e econômica, mas o Brasil não é a Venezuela, embora a oposição e a mídia de cá e de lá, seguidamente derrotadas nas urnas,  sejam iguaizinhas, e tenham os mesmos propósitos.

Em vez de procurar sarna para se coçar, jogando fora tempo e dinheiro, a aguerrida tropa de Aécio e Cia. poderia aproveitar este episódio para repensar qual é o seu papel na democracia brasileira entre uma eleição e outra. Cada país deve ser soberano para decidir seu próprio destino.

Na contramão da guerra política travada em nosso país, a comissão de senadores não poderia ter escolhido momento mais inoportuno para fazer esta viagem. E deu no que deu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 Neymar vai de herói a réu e futebol sumiu

Neymar estava irreconhecível em campo nesta noite de quarta-feira, na derrota do Brasil para a Colômbia, no estádio Monumental, em Santiago. Deve ter sido o pior jogo da sua vida, desde que despontou como craque no futebol de salão com apenas 10 anos de idade.

Nervoso ao extremo, errava passes e chutes, não achava uma posição em campo, corria perdido para todos os lados, irritava-se a todo momento com os adversários e o juiz, e acabou sendo expulso ao se envolver numa briga quando o jogo já havia acabado. O que aconteceu?

O motivo deste desastre estava fora do gramado: poucas horas antes, o nome dele apareceu como réu no processo movido pelo Juizado Central de Madri que investiga negócios suspeitos na sua transferência do Santos para o Barcelona, em 2013.

Para um garoto de 23 anos, que acaba de conquistar a tríplice coroa na Espanha, capitão e único craque da seleção brasileira, com salário em torno de R$ 3 milhões por mês, não pode existir nada pior do que a ameaça de perder a liberdade.

Na disputa judicial entre a empresa DIS, que investiu em seus direitos econômicos quando ainda despontava como gênio da bola, o Barcelona e o Santos, o nome de Neymar da Silva Santos Júnior aparece na lista dos réus junto com outros oito agentes envolvidos na negociação, entre eles seu pai e empresário, também chamado Neymar.

No processo, eles são acusados dos crimes de corrupção privada e estelionato de contrato simulado, com penas que variam de quatro meses a quatro anos de detenção, podendo chegar ao dobro quando somadas.

De único herói do futebol brasileiro em atividade a réu num processo que pode dar cadeia, é fácil imaginar o que se passou pela cabeça dele antes do jogo. Nem deveria ter entrado em campo, se o técnico e os dirigentes da CBF tivessem um mínimo de sensibilidade e responsabilidade.

Como se não fosse com ele, Dunga ainda teve a coragem de afirmar depois da derrota e do fiasco do seu melhor jogador: "Todos nós somos seres humanos. Não temos como desvincular as coisas da nossa vida pessoal da nossa vida profissional". Perfeito. Também acho. Mas por que ninguém pensou nisso antes?

Agora, sem Neymar por pelo menos dois jogos (ele já tinha recebido o segundo cartão amarelo), uma seleção brasileira em frangalhos vai entrar em campo no domingo tendo a obrigação de ganhar da Venezuela, que já tinha derrotado a mesma Colômbia, para seguir viva na Copa América.

Claro que Neymar tem todos os recursos financeiros necessários para contratar os melhores advogados do mundo e pagar a parte que lhe cabe nos 25 milhões de euros reivindicados pela DIS, e assim evitar as grades, mas o estrago para a sua cabeça e a sua imagem já está feito.

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

cunha Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin

Eduardo Cunha

Os fatos se atropelam: pode parecer absurdo, mas a corrida pela sucessão presidencial já começou, menos de seis meses após o início do novo governo. Surfando no comando da onda conservadora que assola o país, sai na frente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já se lançou ostensivamente em campanha, ao propor o rompimento do PMDB com o PT e se aliar ao PSDB na CPI da Petrobras.

No mesmo final de semana em que Cunha se utilizou mais uma vez do Twitter para ganhar as manchetes, subindo o tom das suas críticas ao governo e partido aliados, as convenções estaduais do PSDB em Minas Gerais e São Paulo se apressavam em lançar as candidaturas presidenciais de Aécio Neves e Geraldo Alckmin, respectivamente, mas ninguém deu muita bola aos tucanos.

 Ofensiva de Eduardo Cunha atropela Aécio e Alckmin

Aécio e Alckmin

O dono da bola agora é o fominha Eduardo Cunha, que deu mais um passo em sua cruzada rumo ao poder central ao receber nesta segunda-feira, em São Paulo, o epicentro da ação reacionária, 30 representantes de 10 grupos organizados para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não por acaso, o porta-voz dos grupos foi o advogado Danilo Amaral, típico playboy paulistano, integrante do movimento Acorda Brasil, de quem até outro dia ninguém havia ouvido falar, é aquele cidadão que no mês passado afrontou o ex-ministro Alexandre Padilha num restaurante da cidade.

"Todos temos simpatia pelas ações do Cunha, e pela saída da presidente _ ou por impeachment ou por renúncia", disse Amaral à imprensa que lhe ofereceu câmeras e microfones após o encontro. Os neogolpistas cobraram Cunha sobre o andamento do pedido de impeachment da presidente, que lhe foi entregue dias atrás pelo Movimento Brasil Livre, ao final da marcha fracassada de alguns gatos pingados de São Paulo até Brasília.

Ações sincronizadas agora se voltam para o Tribunal de Contas da União. Sai de cena o jurista Miguel Reale Junior, que não entregou os pareceres com o mesmo objetivo encomendados pelo PSDB, e entra o presidente do TCU, Augusto Nardes, que já marcou para esta quarta-feira o julgamento das contas do governo federal de 2014, com as chamadas "pedaladas fiscais", aguardado pelas oposições para fundamentar um novo pedido. Eles não desistem. A Folha já se antecipou e informa que, com base no que o tribunal decidir, "caso os parlamentares não aprovem o balanço, qualquer cidadão poderá pedir à Câmara abertura de um processo de impeachment".

Em outro flanco, Cunha, Aécio e Alckmin apostam alto nas investigações promovidas pela frente formada por Justiça Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, com o alegre apoio da mídia hegemônica, para investigar Lula e tirar o ex-presidente da disputa de 2018, que é o que eles mais temem. Na retaguarda, fica o ministro Gilmar Mendes, aliado de Cunha e líder da oposição no STF.

Pelos últimos movimentos dos correligionários dos três, temos a impressão de que não querem esperar até lá. Na sofreguidão para garantir a dianteira na corrida presidencial, parece até que temos novas eleições marcadas para a semana que vem.

Aos que acham que estou vendo chifres em cabeça de cavalo, lembro apenas que, quando Fernando Collor, de quem Eduardo Cunha foi cria, lançou sua candidatura a presidente da República, em 1989, também ninguém o levava a sério nem acreditava ser possível a sua chegada ao Palácio do Planalto.

Autonomeado dono do PMDB e de todas as suas instâncias partidárias, em nome de quem tem lançado seus ataques ao PT e ao governo, controlador de ampla bancada suprapartidária que manda na Câmara, praticamente sem adversários políticos à vista, nem no governo nem na oposição, o principal objetivo de Cunha no momento é tirar da frente o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o investiga na Operação Lava Jato e é o único que pode obstar suas pretensões.

Aécio Neves e Geraldo Alckmin, que já começaram a trocar finas farpas, podem ficar para depois, mas desde já o todo poderoso presidente da Câmara atropela meio mundo na ânsia de garantir todos os espaços possíveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

5CONGRESSO3 Saiba qual foi o resultado do Congresso do PT

Meu comentário na véspera da abertura dos trabalhos terminava assim:

"Para o PT, o melhor que pode acontecer em Salvador é não acontecer nada".

E foi exatamente o que se viu nos três dias do 5º Congresso Nacional do PT, em Salvador, na Bahia. Terminou tudo em zero a zero.

Com a direção partidária e o governo petista igualmente enfraquecidos,  não havia clima para grandes mudanças, muito menos confrontos.

Para animar os debates, foram discutidas propostas de recriação da CPMF e rompimento da aliança com o PMDB, mas nada disso entrou no domumento final chamado "Carta de Salvador".

As críticas ao ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy e à política de alianças, que agitaram o clima antes do encontro, ficaram restritas aos grupos mais radicais. Nem a proibição do financimento empresarial de campanhas, uma decisão que a executiva do partido já havia adotado, foi incluida nas resoluções do 5º Congresso.

No ano em que completou 35 anos de fundação e 12 no poder central, o PT sai de Salvador com os mesmos problemas e sem uma definição sobre os rumos a seguir a partir das eleições municipais do próximo ano.

A presidente Dilma centrou sua fala de 50 minutos em explicar as atuais dificuldades na área economica, que garantiu serem passageiras, e elencou pontos de uma agenda positiva como o programa de concessões e o plano safra.

Lula, por sua vez, surpreendeu ao ler um discurso, em vez de falar de improviso, como costuma fazer, repetindo críticas à imprensa e aos que querem criminalizar o partido, pregando uma volta às origens.

Passada a régua, pouco sobrou para reanimar a militância. Parece que todos concordaram num ponto: ainda virão tempos difíceis pela frente e é melhor não fazer marola.

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ThinkstockPhotos 176197633 Xingar é fácil, mas que tal cada um fazer sua parte?

"E você vai????", perguntaram-me, espantados, alguns companheiros de papo de fim de tarde no bar da esquina, quando lhes disse que precisava sair porque tinha reunião de condomínio no meu prédio.

Algo que deveria ser um compromisso corriqueiro de qualquer cidadão interessado em participar da vida do seu prédio, para não falar do bairro, da cidade e do país, como em qualquer lugar civilizado, está virando uma raridade no Brasil.

Mais fácil é bater panelas na varanda, passear de camiseta da seleção na avenida Paulista ou xingar o governo nas redes sociais. Já nem falo de participar de reuniões nos sindicatos, nas associações de bairro, nas igrejas, nas escolas dos filhos ou nas dezenas de entidades dedicadas ao trabalho voluntário, às discussões sobre orçamento participativo ou debates promovidos em faculdades para aproximar os alunos do mercado profissional.

Anos atrás, participei de um movimento de voluntários chamado "Faça Parte", embrião de outro muito maior, que ganhou caráter nacional, o "Todos pela Educação", que reúne governos, empresas e representantes da sociedade civil.

Pois fazer parte, para mim, é princípio básico do exercício da cidadania, que comporta direitos, deveres e compromissos. Na vida real, não é bem assim. Só um terço dos condôminos do meu prédio estavam presentes quando foi feita a segunda chamada. Pelo estatuto, exige-se maioria de metade mais um para aprovar medidas como reformas ou a compra de equipamentos, cujas despesas devem ser rateadas por todos. E ainda queriam acabar com a obrigatoriedade do voto na reforma política.

Como de costume, a maioria tinha coisas mais importantes ou divertidas, certamente, para fazer no mesmo horário. Também acho que participar de reunião de condomínio não chega a ser um dos compromissos mais emocionantes das nossas rotinas, assim como não invejo a função de síndico. Mas se ninguém quiser cuidar do prédio onde moramos, quando houver algum problema, faltar água ou luz, e o barulho do apartamento do vizinho se tornar insuportável, vamos reclamar para quem?

De tanto delegar responsabilidades a terceiros ou aos governos, perdemos o direito de exigir dos outros o cumprimento de obrigações comuns ao bem estar da sociedade. Depois, não adianta xingar o síndico ou o prefeito. Sou de um tempo antigo em que todos nós éramos responsáveis pela vida em comum. Pelo menos, fui criado assim. Era melhor e mais simples viver em comunidades onde todos diziam bom dia, boa tarde, por favor, obrigado, com licença, me desculpe.

Doutores e porteiros, madames e faxineiras, jardineiros e presidentes deveríamos ser todos parceiros na grande aventura humana desta nossa passagem por este mundo. Ninguém é mais importante, nem menos responsável. Se ódio, intolerância e ofensas resolvessem, já teríamos chegado ao paraíso.

Vida que segue.

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

11130134 845427332210310 6729113760758096309 n 1 5º Congresso decide o futuro do PT, Lula e Dilma

No ano em que comemorou 35 anos de fundação, uma história que acompanhei de perto desde o início, o 5º Congresso Nacional do PT não poderia acontecer em pior hora para o partido e seus principais líderes. Anunciado como palco do lançamento da candidatura presidencial de Lula para 2018, o encontro, que foi há tempos marcado para Salvador, na Bahia, de 11 a 13 de junho, vai colocar frente a frente as divergências do partido e do governo diante do ajuste fiscal e dos rumos tomados pelo segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Dividido e contestado como nunca antes em sua história, o PT tem dificuldades tanto para tratar do espólio dos casos do mensalão e do petrolão, que abalaram profundamente a militância do partido, como em encontrar um discurso comum com propostas para o futuro do país.

O maior sinal dos problemas que antecederam a abertura do congresso está no vai não vai da participação da presidente da República. Confirmada na semana passada, a ida de Dilma a Salvador foi cancelada na terça, por conta de uma viagem da presidente à Bélgica e, horas depois, reconfirmada, após pressão da cúpula do partido.

Dilma antecipou seu retorno de Bruxelas, onde está participando da cúpula entre a União Europeia e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), para poder estar presente ao lado do ex-presidente Lula na abertura do congresso, marcada para as 20 horas desta quinta-feira.

As decisões a serem tomadas pelos 800 delegados petistas em Salvador poderão definir o futuro político de Lula e do governo Dilma. Cuidados foram tomados pelos dois para evitar um confronto de posições. Dilma pediu na segunda-feira que o ministro da Fazenda Joaquim Levy não fosse tratado como "judas" pelas tendências que combatem o ajuste fiscal e Lula se empenhou para amenizar o tom do texto do documento a ser apresentado pela ala majoritária, a "Partido que Muda o Brasil", que propõe a volta da CPMF e a taxação de grandes fortunas _ nada de novo, portanto.

Será a oportunidade também para se aferir os efeitos junto à base das denúncias feitas nas últimas semanas contra Lula sobre as suas relações com as empreiteiras Odebrecht e Camargo Correa. O atropelo da viagem presidencial à Bélgica impedirá que Lula e Dilma possam conversar e acertar os ponteiros antes do início do congresso, já que a presidente deverá chegar a Salvador em cima da hora marcada para a abertura, se não houver atrasos no voo.

Para o PT, o melhor que pode acontecer em Salvador é não acontecer nada.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

962709 09062015 planalto dsc 3602 1 Virada de Dilma dependerá de investidores

O governo de Dilma Rousseff fez a sua parte para a retomada do crescimento, ao anunciar na manhã desta quarta-feira, no Palácio do Planalto, o programa de concessões nos setores de infraestrutura ( ferrovias, rodovias, portos e aeroportos), que projeta injetar quase R$ 200 bilhões na segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL).

Falta saber a reação da iniciativa privada. Para tornar realidade a "virada gradual e realista de página" prevista pela presidente, agora tudo vai depender do interesse de investidores nacionais e estrangeiros. A presidente e os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, destacaram a importância do setor privado no financiamento e nas concessões: "O diálogo com empresários e governadores é decisivo para a carteira de investimento".

Levy garantiu que não faltarão recursos do BNDES para o PIL e prevê um impacto positivo direto de 0,25% no PIB, mas este número pode dobrar com o que ele chamou de "impacto indireto". Esta nova etapa do programa de concessões servirá como um teste para a reconquista da confiança dos investidores num momento em que as maiores empresas de construção do país passam por grandes dificuldades financeiras em consequência da Operação Lava Jato.

Tomara que dê certo, e que o ano de 2015 finalmente possa começar, após um primeiro semestre de turbulências na política e na economia. É de notícias positivas como esta que o país estava precisando.

Outro dado positivo do pacote de concessões é que a maior parcela dos investimentos foi reservada para as ferrovias, com R$ 86 bilhões, enquanto as rodovias terão R$ 64 bilhões, o que demonstra uma necessária e esperada inversão de prioridades. Animados com a agenda positiva, Dilma e seus ministros mostraram confiança no interesse dos investidores. "São projetos de demanda forme", assegurou Joaquim Levy. Para a presidente, "os efeitos do programa serão múltiplos em toda cadeia produtiva e em todas as áreas da economia".

A sorte está lançada. Quem se arrisca?

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes