foto 1 Três fins do mundo em apenas três meses

De vez em quando, ultimamente, fico até com receio de perder meu tempo escrevendo. O mundo já poderá ter acabado quando este texto chegar aos caros leitores. Quem vai ler?

Sem falar na sempre iminente guerra nuclear das Coreias, o fim do mundo está onipresente no noticiário nacional, como se houvessem estabelecido uma programação prévia para não deixar o brasileiro respirar sossegado dois dias seguidos.

Mal se termina de falar de uma crise e já aparece outra nas manchetes, sem que tenha dado tempo da anterior terminar.

O ano mal começou, e já tivemos de volta as notícias alarmistas sobre os iminentes riscos de apagão de energia em razão da falta de chuvas nos reservatórios, ao mesmo tempo em que as enchentes em outros pontos do país provocavam novas tragédias. Imagens de reservatórios com pouca água e morros despencando eram acompanhadas de análises dos "especialistas" de sempre para quem o país, com este governo, não tem nenhum futuro, seja por falta ou excesso de chuvas.

Nós brasileiros nem tivemos tempo de comemorar o recorde da safra de grãos, e já começaram as séries de reportagens sobre o colapso na infraestrutura, com estradas intransitáveis e congestionamentos nos portos.

E assim fomos seguindo o ano de 2013, de agonia em agonia, até que sobreveio a grande crise do preço do tomate, a maior de todas, porque esta pode explodir ao mesmo tempo a inflação e os juros, levando o País à ruína completa. Em apenas três meses, ficamos novamente à beira do abismo.

Esses problemas todos existem, é claro, e alguns são bastante sérios, como já mostramos aqui no Balaio, tornando mais difícil a recuperação da economia. O clima de catastrofismo, porém, vai além da realidade dos fatos e tem como pano de fundo a sucessão presidencial de 2014, ativada pela antecipação da campanha e pela ausência de candidatos competitivos para enfrentar a candidata do governo.

Inconformados com os altos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff, que nas atuais pesquisas lhe garantem a reeleição já no primeiro turno, setores da sociedade que se sentiram prejudicados com a queda de juros e tarifas, especuladores e rentistas, e todos os donos da grande mídia, aquela gente que não se conforma com medidas que visam a beneficiar a população de baixa renda, resolveram investir em outros campos, já que o cenário eleitoral não lhes dá muitas esperanças de voltarem ao poder tão cedo.

Alguma coisa está fora de ordem e de lugar quando assistimos à 'judicialização' da política e à politização do judiciário, e os grandes protagonistas da cena brasileira se tornam o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que agora têm uma opinião formada sobre tudo e dão seus pitacos definitivos sobre qualquer assunto, mesmo quando não são chamados. Eles se consideram os últimos catões da República, os únicos e os últimos honestos num país em que ninguém mais presta, só eles. Estão sempre de cara amarrada, não se permitem um sorriso. São as próprias expressões do fim do mundo.

Gurgel já decidiu que a nova distribuição dos royalties do petróleo só deverá valer a partir de 2016;  Barbosa comenta a indicação do polêmico deputado pastor Marco Feliciano para uma comissão da Câmara, como se tivesse alguma coisa a ver  com isso,  e ambos se dedicam com afinco para colocar logo na cadeia os condenados da Ação Penal 470, recusando sumariamente qualquer recurso dos advogados de defesa.

Citado pelo ex-ministro José Dirceu numa história no mínimo muito malcontada, no episódio da sua indicação para o STF, o ministro Luiz Fux manda um assessor  responder que não vai polemizar com réus condenados. Na mesma semana, o procurador-geral Gurgel determina ao Ministério Público e à Polícia Federal investigações sobre o ex-presidente Lula, a partir de declarações feitas por Marcos Valério, após o réu ser condenado a mais de 40 anos de prisão. Princípios e valores variam conforme os interesses de ocasião. E tudo parece muito natural para a nossa imprensa.

No mesmo momento em que Barbosa denuncia o "conluio" entre advogados e magistrados, o escritório de Sergio Bermudes, um dos mais caros do país, anuncia o patrocínio de uma festa de arromba para mais de 300 pessoas em seu apartamento de 800 metros quadrados, no Rio de Janeiro, para comemorar o aniversário de 60 anos do mesmo ministro Luiz Fux, cuja filha Marianna, candidata a uma vaga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, trabalha com o anfitrião. A pedido da mãe do homenageado, diante da repercussão negativa do badalado regabofe, a festa foi cancelada, segundo os jornais deste sábado. Menos mal.

Mas não faltarão, certamente, outras festas do gênero, por mais que isso irrite ou agrade Barbosa, recentemente homenageado no Copacabana Palace pelos mesmos donos da mídia que publicam artigos de Marianna Fux e louvam seu pai, para congregar os comensais dos dois lados do balcão da Casa Grande, que podem perder as eleições e a vergonha, mas nunca perdem a pose nem o poder. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Este é o mundo deles, com ou sem perucas, e o resto que se dane, como costumam dizer, desde os tempos dos bailes da Ilha Fiscal.

Em tempo: já são mais de 17 horas do dia 15 de abril de 2013 e, como podemos notar olhando pela janela, nem o Brasil nem o mundo acabaram.

Qual será a próxima crise do fim do mundo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

tombini ae hg Juros vão subir; só resta saber quando e quanto

O tomate, que chegou a custar R$ 15,00 o quilo, derrotou o controle da inflação, que já ultrapassou o topo da meta do governo, chegando a 6,59% ao ano, algo que não acontecia desde 2011.

Os preços dos alimentos que jogaram a inflação para cima já começaram a cair, mas não o suficiente para evitar a provável alta dos juros na reunião do Copom marcada para a próxima semana.

O IPCA caiu de 0,60% em fevereiro para 0, 47% em março, m,uito pouco para evitar que o Banco Central, disposto a afirmar a sua autoridade, aumente os juros que estão em 7,25% ao ano.

Bem que o governo gostaria de esperar até maio para ver como se comporta a inflação, mas todos os indicadores do mercado estão apontando para uma alta de 0,25% já na reunião de abril.

A perspectiva é que a taxa Selic tenha quatro aumentos de 0,25% até o final do ano como forma de recuperar a credibilidade do BC, após as declarações da presidente Dilma Rousseff feitas na África do Sul, ao dizer que medidas de combate à inflação não podem prejudicar o crescimento da economia.

Fazer a economia crescer sem deixar a inflação subir é o grande desafio da presidente Dilma neste ano pré-eleitoral e, por isso, a política de juros volta ao centro da discussão sobre os rumos economicos do país.

"A bola agora está com o Banco Central", é o que se ouve no Ministério da Fazenda, depois que a presidente Dilma deu ordens para que só o BC fale sobre juros.

E o que mais o governo poderia fazer para enfrentar a resistência da inflação além das medidas já tomadas e de programar uma alta escalonada dos juros? Duas áreas que estão em estudos são as de transportes e planos de saúde, que deverão ser desoneradas e ficar mais baratas para ajudar no combate à inflação.

Que os juros vão subir proximamente já ninguém tem dúvidas no mercado. Resta saber quando e quanto. Façam as suas apostas.

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

51 300x227 Após acusar Fux, Zé Dirceu vai esperar reação

Depois de acusar de "assédio moral" o ministro Luiz Fux por ter pedido a sua ajuda na nomeação para o Supremo Tribunal Federal, em troca da promessa de absolvição no julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu resolveu esperar as reações às suas declarações antes de se manifestar novamente sobre o julgamento, que entra esta semana em sua fase final.

A decisão foi tomada após avaliação da entrevista feita com seus advogados. Na próxima semana, José Dirceu retomará pelo Norte e Nordeste suas viagens pelo país para apresentar os argumentos dos recursos que deverão ser apresentados ao STF nos próximos dias.

"Eu acho que ele já deveria ter se declarado impedido de participar deste julgamento", disse Direceu na entrevista aos repórteres Fernando Rodrigues e Monica Bergamo, na "Folha" desta quarta-feira.

Em entrevista que concedeu ao mesmo jornal em dezembro do ano passado, Fux reconheceu que se eoncontrou com José Dirceu quando estava em campanha por uma vaga no STF, mas negou que tenha prometido absolvê-lo. O ministro havia dito também que não se lembrava de José Dirceu ser um dos réus do mensalão, argumento que o ex-ministro chamou de "tragicômico".

"Confesso que naquele momento não me lembrei que José Dirceu era réu", disse Fux na época. Mais tarde, segundo ele, ao ler o processo, Fux teria ficado "estarrecido".

Na conversa entre os dois, Dirceu conta que afirmou ao ministro: "Eu não quero que o sr. me absolva. Eu quero que o ser vote nos autos. Não é porque não tem prova, não. Eu fiz contraprova porque sou inocente".

Embora diga que está preparado para ser preso, o ex-ministro garantiu que vai continuar se defendendo na Justiça e promete recorrer até à Comissão Internacional de Direitos Humanos. "Não é que fui condenado sem provas. Não houve crime, sou inocente, me considero um condenado político. Foi um julgamento de exceção, político".

Luiz Fux mandou um assessor dar o seguinte recado sobre a entrevista de José Dirceu: "Um ministro do Supremo não polemiza com réu". O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que "estas declarações desgastam o Supremo. É tudo muito lamentável". E o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) já anunciou que vai pedir o impeachment do ministro Luiz Fux. O caso do mensalão ainda parece longe de acabar.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

danielamercurymalu Gesto corajoso de Daniela Mercury quebra um tabu

Caros leitores,

depois de quase dez anos de bons serviços prestados, meu equipamento de internet pifou definitivamente.

Por este motivo, o Balaio não vem sendo atualizado e não consigo liberar os comentários.

A boa notícia é que comprei tudo novo hoje, um equipamento de última geração (em três vezes sem juros), e até quinta-feira o blog deverá voltar a funcionar normalmente. 

Grato pela paciência e pela compreensão.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Quem está saindo com quem, quem comeu quem, quem se casou ou se separou de quem, quem anda traindo quem, quem está apaixonado por quem?

Quem ainda se interessa por isso?

Muita, muita gente, a contar pelo número de revistas e colunas eletrônicas dedicadas ao que chamam de "mundo das celebridades", que vivem de fuxicos, fofocas e futricas sobre personagens chamados de famosos.

É como se um batalhão de espiões e "paparazzis" passasse o tempo todo olhando pelos buracos das fechaduras da intimidade dos artistas para descobrir algo que eles estão querendo esconder.

Trata-se de uma fobia universal que movimenta muito dinheiro e alimenta as conversas em salões de beleza, escritórios, feiras-livres, tablóides ingleses, botecos nativos e até em casamentos de bacanas.

"Você viu???", perguntam-se uns aos outros para mostrar seu conhecimento sobre as últimas revelações "exclusivas" divulgadas pelos fofoqueiros de plantão.

Pois é exatamente neste clima de celebração da futilidade em torno da vida alheia, que está a grandeza do gesto da cantora Daniela Mercury, 48 anos, cinco filhos, que esta semana anunciou seu casamento com a jornalista Malu Verçosa, de 36, editora-chefe do telejornal "Bahia Meio Dia".

Daniela não esperou que a fofoca se alastrasse, tirando o pão da boca de quem vive disso, e tomou ela mesma a iniciativa de, em vez de desmentir, publicar nas redes sociais a história do seu novo amor, com direito a fotos do álbum de casamento.Virou o assunto da semana.

Desta forma, ao quebrar um velho tabu, a grande dama da música baiana, que já vendeu mais de 11 milhões de discos em todo o mundo, saiu do submundo da futricagem para ganhar as manchetes da chamada imprensa séria e dos principais telejornais.

Quando o último carnaval começou, as duas estavam casadas: Daniela, com o publicitário italiano Marco Scabia, seu terceiro marido, e Malu, com a jornalista Fabiana Catro, que por sete anos cuidava da carreira da cantora.

Flagradas aos beijos em meio à folia, Daniela e Malu descobriram que estavam apaixonadas, e não viam motivos para esconder em público o que sentiam uma pela outra, no mesmo momento em que esquentava no país o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Logo cedo, na manhã de quarta-feira, Daniela postou pelo Instagram uma bela declaração de amor a Malu, acompanhada de fotos em quer as duas aparecem juntas com cara de apaixonadas.

"Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar", escreveu Daniela, sem esconder as palavras dos sentimentos.

E explicou assim seu gesto de coragem: "Comuniquei meu casamento com Malu para tratar com a mesma naturalidade que tratei de outras relaçoes. É uma postura afirmativa da minha liberdade e uma forma de mostrar minha visão de mundo".

Naturalidade e liberdade são as palavras-chave da decisão tomada pela cantora para tornar pública a sua relação _ e este será um dia direito de todos.

Mais do que mil manifestos, protestos e abaixo-assinados, são atitudes como a de Daniela Mercury que vão tornando o mundo mais civilizado e contemporâneo da época em que vivemos, acima de dogmas, pecados, proibições, e todo o arsenal de intolerância que ainda mantém boa parte das pessoas nas trevas da idade média.

Chamada de "Madonna Brasileira" pela CNN Internacional, Daniela ficou estes dias longe do barulho e do espanto que provocou em muita gente. Está fazendo shows em Portugal e só deve voltar ao Brasil na próxima semana.

Que as grandes e belas mulheres brasileiras Daniela Mercury e Malu Verçosa sejam muito, muito felizes!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ric Direita no governo de Alckmin já incomoda tucanos

Causou alguma estranheza, e logo foi esquecida, a nomeação do advogado Ricardo Salles, em março, como novo secretário particular do governador Geraldo Alckmin.

Fundador de um movimento que tem o sugestivo nome de "Endireita Brasil", Salles é um dos expoentes dos "neocons" brasileiros, que vêm se multiplicando e  já criaram várias entidades _ entre elas, o Instituto Millenium, reduto dos grandes órgãos de imprensa contrariados com a presença do PT há 12 anos no poder central.

A presença de Ricardo Salles no governo estadual só seria descoberta esta semana quando acompanhou Alckmin justamente na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS, em São Paulo, o que pareceu uma provocação, já que estavam presentes integrantes da Comissão da Verdade e vítimas da repressão.

Salles, que já foi candidato a deputado pelo PFL e pelo DEM, duas vezes derrotado,  é radicalmente contrário a esta comissão, criada pelo governo de Dilma Rousseff para apurar os crimes da ditadura militar. E já chegou a afirmar num evento no Clube Militar, no ano passado: "Não vamos ver generais e coronéis, acima de 80 anos, presos por causa dos crimes de 64. Se é que esses crimes ocorreram...".

Tucanos que combateram o regime militar ficaram constrangidos com a presença do secretário particular no evento, para quem "felizmente, já tivemos uma ditadura de direita no Brasil".

"Discordo quando se tenta negar a existência de violações aos direitos humanos", declarou o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, segundo reportagem de Julia Duailibi e Bruno Lupion, publicada nesta quinta-feira no "Estadão".

Para Alberto Goldman, ex-comunista nos tempos da clandestinidade e ex-governador de São Paulo, "no mínimo, ele (Ricardo Salles) desconhece a história brasileira".

O primeiro a protestar contra a presença de Salles, que é responsável pela agenda do governador paulista, foi o escritor Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado Rubens Paiva, assassinado sob tortura pelo governo militar em 1971.

Marcelo exigiu uma retratação pública de Geraldo Alckmin pelas declarações feitas por Ricardo Salles, que é  o responsável por sua agenda, mas o governo paulista já informou que não vai comentar as declarações do funcionário.

"Sou testemunha viva. Eu e minhas irmãs. Vimos nossa casa no Rio de Janeiro ser invadida por policiais militares com metralhadoras em 20 de janeiro de 1971. Vimos meu pai, minha mãe e irmã Eliana serem levados. Meu pai entrou no quartel do Exército e não saiu vivo de lá", escreveu Marcelo Paiva em seu blog no "Estadão".

O advogado Belisário dos Santos Júnior, que foi da Comissão de Justiça e Paz, nos tempos de D. Paulo Arns, e secretário da Justiça, no governo Mário Covas, vê nas manifestações de Ricardo Salles o objetivo de negar os crimes da ditadura, enquanto o da Comissão da Verdade é justamente apurar estes fatos.

"Respeito a opinião dele, mas sei aonde isso leva e tenho medo de aonde isso leva. As pessoas que negavam a tortura passam a admiti-la e a justificá-la. Mas a tortura é injustificável".

Já em plena campanha para mais uma reeleição ao governo do Estado, Alckmin começa a enfrentar problemas dentro do seu próprio partido por conta de uma nomeação bastante polemica, digamos, que até hoje não justificou, mas pode dar uma pista do seu real pensamento político.

Pegou mal, governador.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 Deputados reagem a Feliciano e a crise continua

A crise provocada pela eleição do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que também é pastor evangélico, para presidir a Comissão de Direitos Humanos na Câmara, parece longe de acabar.

Nesta terça-feira, até o líder do PSC na Câmara, André Moura (SE), criticou as últimas declarações polêmicas de Feliciano feitas durante um culto, no interior de Minas Gerais, na sexta-feira, quando disse que antes dele a comissão era comandada por "Satanás".

"Entendo que são declarações infelizes da parte dele. Acho que agora cabe ao deputado um pedido de desculpas oficial e, logicamente, que a Mesa Diretora faça uma análise das consequências da declaração", cobrou Moura.

A deputada Iriny Lopes (PT-ES) já protocolou hoje mesmo um pedido de quebra de decoro parlamentar ao presidente da Câmara, Henrique Alves, solicitando que o caso fosse encaminhado à Comisão de Ética para a abertura de um processo contra Feliciano.

Estava prevista para esta tarde uma reunião de Marco Feliciano com Alves e os  líderes dos partidos, que pediriam a sua renúncia, mas por solicitação do presidente da Câmara o encontro foi adiado para a próxima terça-feira.

Em entrevista a Fernando Rodrigues, da "Folha", Feliciano disse que ainda não sabe se irá a esta reunião porque teme ser achincalhado".

"Ir ali para ser oprimido e achincalhado por um grupo de pessoas (...) acho muito perigoso". O deputado pastor comparou-se nesta entrevista ao próprio Henrique Alves, "que chegou à presidência debaixo de muita pressão", e ao papa Francisco, dizendo que os dois são perseguidos e que o Brasil vive uma "ditadura gay".

Desta forma, o presidente da Comissão de Direitos Humanos não recua em suas posições, que o levaram a ser acusado de homofóbico e racista, e mostra que pretende continuar no ataque.  Apesar de já sofrer críticas dentro do seu próprio partido, Feliciano não dá nenhum sinal de que pretenda renunciar ao cargo e voltar ao anonimato do baixo clero.

Ao contrário, parece estar gostando dos seus quinze minutos de fama, que já duram várias semanas, e o transformaram em celebridade, como comentei aqui no Balaio no último sábado (Feliciano vira astro e não vai querer largar o osso).

Indiferente ao clima de animosidade que se criou à sua volta, o deputado já está preparando sua viagem à Bolívia para cuidar do caso dos torcedores corintianos presos em Oruro, acusados da morte de um jovem.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

presidentes  1954 1964: suicídio, renúncia e golpe em uma década

Manchete do jornal Folha de S. Paulo do dia 1º de abril de 1963, reproduzida na edição de hoje na seção Há 50 anos:

"Goulart: luta contra a miséria sem uso de violência e opressão".

Exatamente um ano depois, o golpe militar, batizado de Revolução de 31 de Março pelos vencedores, que completa 49 anos nesta segunda-feira, derrubaria o governo de João Goulart.

Efemérides como esta são sempre um bom motivo para a gente refletir, lembrando as lições do passado para que não se repitam no presente e no futuro.

Chamou-me a atenção a atualidade da manchete da Folha de meio século atrás, pois, afinal, o nosso País ainda "luta contra a miséria sem uso de violência e opressão", principal bandeira do atual governo da República.

Os que hoje são contra o Bolsa Família e outros programas sociais de combate à miséria e à pobreza são os mesmos que, em 1954, levaram Getúlio Vargas ao suicídio e, dez anos depois, derrubaram seu herdeiro político, João Goulart.

Entre uma tragédia e outra, em apenas uma década (1954-1964), tivemos ainda a renúncia de Jânio Quadros, em 1960, e os cinco anos de ouro do governo Juscelino Kubitschek (1955-1965), que são lembrados até hoje como um dos melhores períodos da nossa história recente.

Nos dias de suicídio, renúncia e golpe, lembro-me de um detalhe em comum: suspenderam as aulas e mandaram todo mundo para casa.

Faz muito tempo que isso não acontece no Brasil, o que é um bom sinal, sem dúvida. Outra indicação de melhora é que hoje todo mundo chama o golpe de golpe, mas por um bom tempo a imprensa, que ajudou a instalar a ditadura no País, ainda chamava o dito cujo de "Revolução de 31 de Março", devidamente comemorada a cada ano.

Mudaram não só o nome, mas também a data da efeméride porque não pegaria bem a coincidência com o Dia da Mentira.

Só agora, quase 50 anos depois, por iniciativa do governo central, comandado por Dilma Rousseff, uma das vítimas do arbítrio institucionalizado, temos funcionando uma Comissão da Verdade, para, finalmente, apurar o que aconteceu naqueles idos tenebrosos dos generais-presidentes, especialmente após o AI-5, de 13 de dezembro de 1968, o golpe dentro do golpe, que jogou o País na profundeza das trevas.

Demorou, mas sempre é tempo para contar a verdadeira história de uma geração que arriscou a própria vida para reconquistar a democracia e construir um País mais justo, governado para a grande maioria do seu povo — não mais nas mãos dos antigos donos do poder, que recorriam aos militares para impor as suas vontades e defender os seus privilégios.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 Feliciano vira astro e não vai querer largar o osso

Entre uma confusão e outra na sala da Comissão de Direitos Humanos, o até outro dia obscuro pastor Marco Feliciano, dono da Igreja Catedral do Aviamento Assembléia de Deus, deputado federal em primeiro mandato do Partido Social Cristão (PSC), está vivendo seus momentos de glória.

Depois de passar a semana dando entrevistas em programas populares de televisão, Feliciano é forte candidato a ser um dos Judas mais malhados neste Sábado de Aleluia, mas ele não se importa com isso.

A fama repentina que ganhou, atravessando sempre sorridente e altivo os corredores poloneses armados na Câmara desde a sua posse na presidência da comissão, deram-lhe seguidas manchetes na mídia, e era tudo o que ele queria.

Com suas posições radicais na linha da ultra direita comandada pelo ex-militar Jair Bolsonaro (PP-RJ), seu grande defensor, e de ter feito declarações de racismo e homofobia, na mesma proporção em que provocou a ira dos defensores dos direitos humanos e das minorias, o pastor Marco Feliciano certamente não perdeu nenhum adepto da sua igreja, fundada recentemente em Orlândia, já com várias filiais no interior de São Paulo, e se instalando em outros Estados _ e ainda corre o risco de multiplicar seus votos nas próximas eleições, ganhando novos fiéis que concordam com a sua pregação, agora amplificada.

Só se fala nele no Congresso Nacional, a ponto de obscurecer a atuação dos novos presidentes da Câmara, Henrique Alves, e do Senado, Renan  Calheiros, recentemente eleitos, que se sentem impotentes diante do fato consumado.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

O grande sonho da vida de um velho amigo meu era sair do aluguel e morar em casa própria. Já depois de ter passado dos 60, e trabalhando em três empregos, conseguiu comprar o apartamento no prédio que ele e sua mulher cobiçavam há tempos, no lugar em que pretendiam passar o resto de seus dias.

O apartamento estava detonado, mas o casal se dedicou de corpo e alma para reformá-lo do jeito que os dois queriam, escolhendo os materiais e caprichando em cada detalhe. Seis meses depois, mudaram-se para o lar doce lar.

Não demorou muito tempo, começou também uma "reforma da fachada" planejada há tempos pelo condomínio. "Vai valorizar muito o imóvel", garantiram-lhe os integrantes da "comissão de obras" montada especialmente para este fim.

Faz quase três anos, e a obra ainda não terminou. "O estádio do Corinthians vai ficar pronto antes", ironizam os vizinhos dele, como se as vítimas não fossem elas próprias, entregues indefesas ao barulho, à poeria e a toda sujeira da interminável obra.

Como não acreditei no que ele me contava sobre a sua odisséia a cada vez que o encontrava, convidou-me a passar um dia em seu apartamento. Além da reforma da fachada, havia também uma obra no andar de cima.

Saí de lá quase surdo, com um zumbido no ouvido, sem parar de tossir. Espalhado pelo prédio, havia todo um arsenal de  britadeiras, maquitas, furadeiras, marretas, serras elétricas de todo tipo, um cenário de pós-guerra no Oriente Médio.

Só então entendi porque o amigo andava tão deprimido, cansado, reclamando que não suportava mais aquilo. Era, de fato, desumano, principalmente para alguém como ele, que agora passava a maior parte do tempo trabalhando em casa.

Não conseguia mais dormir direito, mal se alimentava e estava cada vez mais difícil escrever os textos  do seu ofício, que antes fluíam com a maior facilidade. Já tinha passado por vários médicos, psiquiatras e

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Foi uma "Super Segunda" da sucessão presidencial, com o duelo sertanejo entre a presidente Dilma Rousseff e o governador Eduardo Campos, em Serra Talhada, Pernambuco, e a pajelança dos tucanos para dar apoio ao senador Aécio Neves, em São Paulo.

aecio Após pajelança e duelo sertanejo, trégua na campanha

No primeiro encontro entre Dilma e Campos depois que o socialista se lançou numa pré-campanha exploratória, os dois aparecem nas fotos ora sorridentes, como velhos amigos, ora de cara amarrada, assim como foram seus discursos, recheados de elogios mútuos e estocadas pouco sutis.

dilma Após pajelança e duelo sertanejo, trégua na campanha

No duelo verbal, em que ambos se trataram como "parceiros", Dilma disse que "ninguém governa sozinho" e cobrou: "Precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho", ou seja, com o seu projeto político e a reeleição em 2014.

O governador, que discursou antes da presidente, já tinha lembrado: "Nosso conjunto político não tem faltado ao Brasil nem tem faltado apoio político ao governo de Sua Excelência". Campos só não disse que governo é uma coisa, eleição é outra, e reivindicou o direto de debater os problemas nacionais em que tem criticado os rumos econômicos do governo Dilma.

Em São Paulo, depois de muitas negociações do mineiro com os tucanos paulistas no final de semana, o governador Geraldo Alckmin e as principais lideranças do PSDB deram seu apoio a Aécio Neves, tanto para assumir o comando do partido como a candidatura presidencial, mas o grande cacique José Serra não apareceu.

Estava em Princeton, nos Estados Unidos, "para prestigiar um evento em memória do economista Albert Hirschman", segundo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso justificou em seu discurso.

Na véspera, interlocutores do enigma Serra fizeram circular a informação de que o ex-governador aceitaria ser candidato a vice-presidente, mas não disseram de quem.

Agora, ao que tudo indica, vamos ter uma trégua na Semana Santa, e a campanha deve entrar em banho-maria por algum tempo. Nem os possíveis candidatos nem nós vamos aguentar mais um ano e meio neste ritmo, faltando 18 meses para as eleições presidenciais.

Digo possíveis candidatos porque, ao contrário da maioria dos analistas, não acho já definidas as candidaturas dos quatro nomes apresentados nas pesquisas _ Dilma, Campos, Aécio e Marina Silva, que ainda nem partido tem _ nem a eleição já decidida a favor da atual presidente. De certeza, por enquanto, só a candidatura de Dilma à reeleição.

Com Dilma na África do Sul para participar da reunião anual dos Brics, a semana não prevê novidades na área do governo, e o pessoal do Palácio do Planalto agradece, depois de semanas seguidas de viagens, eventos para anunciar novos pacotes e mudanças ministeriais.

Na segunda-feira, por exemplo, Dilma acordou em Brasília, foi a Pernambuco para tratar da seca, de lá voou direto para cuidar das enchentes no Rio de Janeiro, onde pegou o avião para Johannesburgo.

A segunda parte da reforma ministerial, que deve contemplar o PR e o PTB, fica para depois da Páscoa. E segue a vida.

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A