100 Para onde vamos, Dilma: fundo do poço ou poço sem fundo?

Sábado, 28 de fevereiro de 2015.

Um clima de fim de feira varre o país de ponta a ponta apenas dois meses após a posse da presidente Dilma Rousseff para o seu segundo mandato. Feirantes e fregueses estão igualmente insatisfeitos e cabisbaixos, alternando sentimentos de revolta e desesperança.

Esta é a realidade. Não adianta desligar a televisão e deixar de ler jornais nem ficar blasfemando pelas redes sociais. Estamos todos no mesmo barco e temos que continuar remando para pagar nossas contas e botar comida na mesa.

Nunca antes na história da humanidade um governo se desmanchou tão rápido antes mesmo de ter começado. Para onde vamos, Dilma? Cada vez mais gente acha que já chegamos ao fundo do poço, mas tenho minhas dúvidas se este poço tem fundo.

"O que já está ruim sempre pode piorar", escrevi aqui mesmo no dia 5 de fevereiro, uma quinta-feira, às 10 horas da manhã, na abertura do texto "Governo Dilma-2 caminha para a autodestruição".

"Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus palácios, sem mostrar qualquer reação. O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição".

Pelas bobagens que tem falado nas suas raras aparições públicas, completamente sem noção do que se passa no país, melhor faria a presidente se continuasse em silêncio, já que não tem mais nada para dizer.

Três semanas somente se passaram e os fatos, infelizmente, confirmaram minhas piores previsões. Profetas de boteco ou sabichões acadêmicos, qualquer um poderia prever que a tendência era tudo só piorar ainda mais.

Basta ver algumas manchetes deste último dia de fevereiro para constatar o descalabro econômico em que nos metemos. Cada uma delas já seria preocupante, mas o conjunto da obra chega a ser assustador:

"Dilma sobe tributo em 150% e empresas preveem demissões".

"País elimina 82 mil empregos em janeiro, pior resultado desde 2009".

"Conta da Eletropaulo sobe 40% em março".

"Bloqueio de caminheiros deixa animais sem ração _ Na região sul, aves são sacrificadas em granjas, porcos ficam sem alimento e preço do leite deve subir".

"Indicadores do ano apontam todos para a recessão".

"Estudo da indústria calcula impacto de racionamento no PIB _ Queda de 10% no abastecimento de gás, energia e água levaria a perda de R$ 28,8 bi".

As imagens mostram estradas que continuam bloqueadas por caminheiros, depois de mais de uma semana de protestos, agentes da Força Nacional armados até os dentes avançando sobre os manifestantes, produtores despejando nas ruas toneladas de latões de leite que ficaram sem transporte. O que ainda falta?

Enquanto isso, parece que as principais lideranças políticas do país ainda não se deram conta da gravidade do momento que vivemos, com a ameaça de uma ruptura institucional.

De um lado, o ex-presidente Lula, convoca o "exército do Stédile" e é atacado pelo Clube Militar por "incitar o confronto"; de outro, os principais caciques tucanos, FHC à frente, fazem gracinhas e se divertem no Facebook. Estão todos brincando com fogo sentados sobre um barril de pólvora. É difícil saber o que é pior: o governo ou a oposição. Não temos para onde correr.

A esta altura, só os mais celerados oposicionistas defendem o impeachment de Dilma e pregam abertamente o golpe paraguaio, ainda defendido por alguns dos seus aliados na mídia, que teria um final imprevisível.

O governo Dilma-2 está cavando a sua própria cova desde que resolveu esnobar o PMDB, e não adianta Lula ficar pensando em 2018 porque, do jeito que vamos, o país não aguenta até 2018.

Nem Dilma, em seus piores pesadelos, poderia imaginar este cenário de terra arrasada _ ou não teria se candidatado à reeleição, da qual já deve estar profundamente arrependida.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Governo Dilma vai agora mirar no andar de cima

Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?

Esta foi a questão levantada por este Balaio no título do post publicado na última terça-feira, dia 24. Demorou um pouco, mas a resposta do governo chegou.

"O pacote fiscal preparado pelo governo para tampar o rombo das contas públicas conterá medidas que atingirão os contribuintes mais ricos, provavelmente com aumento de impostos", respondeu o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, aos senadores do PT, que lhe fizeram a mesma pergunta, em reunião com a bancada do partido, nesta quinta-feira, em Brasília.

O encontro de Barbosa com os senadores petistas foi marcado exatamente para pedir a eles apoio à aprovação do pacote fiscal do governo, que prevê o corte de R$ 18 bilhões em benefícios trabalhistas e sociais.

Segundo relato da senadora Gleisi Hoffmann à Folha, o ministro anunciou que a criação de tributos sobre grandes fortunas está em estudo:

"Nós colocamos que essas medidas eram importantes, que achávamos que deviam ser feitas algumas adequações nos ajustes já anunciados, mas que seria muito importante que tivéssemos também medidas que atingissem quem tem renda maior na sociedade, seja na área de impostos ou outras medidas. E ele nos disse o seguinte: estamos estudando e vai haver medidas que vão atingir o andar de cima".

Abaixo, o vídeo do meu comentário sobre o assunto _ "andar de cima" é uma expressão criada pelo jornalista Elio Gaspari para se referir ao topo da pirâmide social _ no Jornal da Record News, apresentado por Heródoto Barbeiro, três dias atrás:

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dsds E quem vai pedir o impeachment de Carlos Aidar?

Arquibancadas do Morumbi semi-desertas, com apenas 16 mil torcedores onde cabem 64 mil, e a gloriosa camisa do clube sem patrocínio. Quem poderia imaginar estas cenas em pleno jogo do São Paulo na Libertadores?

Faz menos de um ano, em abril de 2014, que o nobre cartola Carlos Miguel Aidar tomou posse solene como presidente daquele que já foi considerado por muitos anos o clube mais bem administrado do país.

É verdade que choveu muito na quarta-feira e o transito estava ruim por toda parte, mas isto nunca impediu a brava torcida são-paulina de lotar o estádio nos grandes jogos.

O problema foi outro: entre várias trapalhadas muito mal explicadas, Aidar resolveu trocar a empresa responsável pela venda de ingressos na internet por uma outra de sua confiança, assim como cismou de rifar patrocinadores e não arrumou nenhum outro até agora.

O novo sistema simplesmente não funcionou direito desde a sua estreia no jogo contra o Audax, no último sábado, e entrou em colapso na partida contra o Danúbio, do Uruguai, que o São Paulo venceu por 4 a 0, apesar de Aidar. Foi por isso que os torcedores só compraram um de cada quatro ingressos colocados à venda.

1spfc1 E quem vai pedir o impeachment de Carlos Aidar?

Formou-se uma longa fila no guichê onde os torcedores que conseguiram comprar ingresso pela internet deveriam retirar as entradas, enquanto não tinha ninguém nas bilheterias que vendiam ingressos no estádio antes do jogo. Detalhe: o ingresso mais barato custava R$ 120, e depois não querem que o time seja chamado de "pó-de-arroz".

Tomar um baile do Corinthians na semana passada, deixar os são-paulinos sem ingresso, criar um clima pesado entre a diretoria e o técnico Muricy Ramalho, que é adorado pela torcida, gastar uma fortuna em contratações que não dão certo, tudo isso é só consequência dos "modernos métodos de gestão" que Aidar prometeu em sua campanha. A primeira coisa que fez foi romper com seu antecessor, Juvenal Juvêncio, que lançou e bancou a candidatura dele, e colocar a namorada para cuidar de patrocínios.

Já que a palavra está na moda, também tenho o direito de perguntar: por que os grã-finos que promovem os protestos do "Fora Dilma" na avenida Paulista não aproveitam seu tempo livre para pedir o impeachment de Carlos Miguel Aidar, o presidente que está detonando o São Paulo de tantas glórias e tradições?

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okok3 País derretendo e a farra dos deputados continua

De volta aos trabalhos na terça-feira, depois de quase duas semanas curtindo o "Carnaval das Excelências", mais longo que o da Bahia, a farra dos deputados federais continua, sob o comando de Eduardo Cunha, o todo-poderoso presidente da Câmara.

Com o país derretendo, sem conseguir fechar suas contas e tapar os novos buracos que a cada dia se abrem no casco do navio, Cunha começou a cumprir suas "promessas de campanha" e anunciou solenemente o aumento das mordomias dos seus colegas, como se fossem poucas as que já tinham.

Em lugar de discutir o pacote fiscal do governo para reduzir os gastos públicos, a Câmara vai gastar mais R$ 150, 3 milhões para reajustar os benefícios dos 513 deputados federais, que já nos custam quase R$ 2 milhões cada um por ano (para ser mais exato, R$ 1.919.579,48, segundo o portal "Congresso em Foco").

Agora, entre outras benesses, os cofres públicos também voltarão a pagar passagens aéreas para os cônjuges dos deputados e deputadas, uma prática que tinha sido abolida em 2009. Verbas de gabinete para 25 assessores, auxílio moradia e o "cotão parlamentar" para o pagamento de outras despesas, tudo vai ser reajustado a partir do dia 1º de abril _ e esta não é uma piada pronta.

"Eduardo entrega o que promete" foi um dos lemas da campanha do deputado do PMDB à presidência da Câmara, que ele ganhou de lavada. O problema é que Cunha vai cumprindo suas promessas com o meu, o seu, o nosso dinheiro, embora garanta que isso não vai aumentar o total das despesas porque pretende cortar "outras verbas de custeio". Só não explicou quais, nem quando, nem como. Sejam quais forem, se não eram necessárias, por que não as cortou antes?

Como se vivessem em outro país, no fantástico mundo das mordomias sem fim, os nobres parlamentares não poderiam ter escolhido momento melhor? Tinha que ser justamente agora em que está tudo virando de pernas para o ar, a população cada vez mais revoltada com os partidos e os políticos em geral? O que será que devem ter sentido as multidões de paulistanos que ficaram presas nas estações sem trem, depois do temporal de quarta-feira, ao chegar em casa e assistir aos jornais da noite na TV?

Há quanto tempo vocês não ouviam falar a palavra "cônjuge"? Só elas ou eles, os cônjuges dos parlamentares, é que devem ter ficado felizes com as notícias do dia.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

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Para sair deste baixo astral em que o país e o Balaio entraram nestes últimos dias, que nem eu aguento mais, quero partilhar com vocês uma bela história de vida, com final feliz, que acabei de ler. Pena que aconteceu nos Estados Unidos, e não aqui.

Reproduzo abaixo, na integra, a matéria "Após quase fracassar, festa de garoto autista nos EUA tem até bombeiros", publicada nesta terça-feira, na página A12 da Folha, um belo texto com o crédito "Das agências de notícias". Ao final, tenho certeza que o caro leitor também ficará comovido e com mais esperanças no ser humano, como eu fiquei.

***

glenn buratti 2 Bombeiros fazem a festa do menino autista

A festa de aniversário de seis anos do pequeno Glenn Buratti se encaminhava para um total fracasso em sua casa na cidade de Saint Cloud, no condado de Osceola, na Flórida (EUA).

Nenhum dos colegas de classse do garoto autista que foram convidados apareceu para comemorar com ele.

Sua mãe, Ashlee, havia chamado 16 amigos para a confraternização.

Ao ver que ninguém aparecia para a festa, Glenn ficou arrasado, disse sua mãe.

"Desde a hora em que ele acordou naquele dia, queria saber quantos minutos faltavam até que seus amigos viessem", afirmou Ashlee ao jornal local "Osceola News-Gazette".

Ela diz que os olhos do filho se encheram de lágrimas quando ele percebeu que não haveria ninguém na festa.

No site do jornal, Ashlee expressou a frustração do garoto na página "Osceola Rants, Raves and Reviews List", voltada aos moradores da região e que tem mais de 10 mil membros.

"Sei que isso pode ser algo bobo para reclamar, mas meu coração está partido por causa do meu filho", escreveu.

Quando outros membros do grupo viram a publicação, começaram a enviar mensagens perguntando se podiam levar seus próprios filhos para a festa de Glenn.

O texto chegou ao departamento de polícia de Osceola, que pediu o endereço da família e disse que um helicóptero iria sobrevoar a casa.

Em cerca de uma hora, o helicóptero passou voando baixo sobre a casa de Glenn, para que ele pudesse acenar para o piloto.

O menino, que ama policiais e bombeiros, ficou impressionado quando esses profissionais começaram a chegar para a sua festa, em seus carros e caminhões.

Embora seja um garoto tímido, sua mãe disse que Glenn brincou com os novos amigos como se os conhecesse há muito tempo.

No total, 15 crianças e 25 adultos apareceram na casa do garoto para dar presentes, comemorar e comer o bolo.

John Buratti, pai de Glenn, se comoveu com o gesto da sua comunidade. "Ele se divertiu muito".

***

Os 16 amigos de Glenn convidados pela mãe dele e que não apareceram no aniversário não sabem o festão que perderam, por puro preconceito.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

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 Guido Mantega é alvo da espiral da intolerância

Caros leitores,

informo aos trolleiros profissionais do IP 190.98.131, que utilizam diferentes codinomes e dezenas finais: seus comentários são automaticamente deletados.  

Não adianta insistir. Recomendo que aproveitem melhor seu tempo fazendo um curso intensivo de Língua Portuguesa e criação de texto.

Ricardo Kotscho

***

_O senhor é o ex-ministro da Dilma?

_ Sim, sou eu.

Foi o que bastou para tivesse início, na lanchonete do Hospital Israelita Albert Einstein, junto à recepção, o ataque ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, um dos mais sórdidos episódios de intolerância política da nossa história recente.

Meu velho amigo Guido, de família judaica, estava acompanhando sua mulher, Eliane Berger Mantega, que vem fazendo naquele hospital de excelência longo e sofrido tratamento contra um câncer. Assim que foi identificado, como se fosse um judeu na Alemanha de Adolf Hitler ou um comunista no Brasil dos generais, começaram as agressões, com gritos histéricos.

_ Vai pro SUS!

_ Safado!

_ Vai pra Cuba!

_ Filho da puta!

O fato aconteceu na tarde do último dia 19, mas só se tornou público nesta terça-feira, com a divulgação de um vídeo no Facebook mostrando o constrangimento do ex-ministro, que foi obrigado a se retirar do Einstein. O responsável pela postagem, segundo o site "Redação Pragmatismo", ainda conclamou os internautas a perseguirem petistas e simpatizantes do partido nas ruas.

Assista ao vídeo citado:

Não foi certamente a primeira vez que um ministro do PT se tornou alvo da espiral de intolerância que assola o País desde o segundo turno da campanha presidencial. O próprio Guido já havia sido hostilizado por frequentadores do bar "Astor", na Vila Madalena, no dia 20 de dezembro, quando ainda estava no governo.  Poucas semanas atrás, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, foi obrigado a se retirar de um restaurante no bairro dos Jardins para evitar um confronto maior, após ser ofendido por finórios representantes da elite paulistana.

Está se tornando algo normal, sem despertar nenhum interesse da chamada grande mídia familiar, como se fizesse parte da paisagem, atacar adversários políticos para impedir sua presença no mesmo ambiente frequentado pelos tucanos derrotados em outubro.

Nesses redutos, é perigoso até alguém declarar publicamente que votou no PT. No dia da votação do segundo turno, poucas semanas antes da sua morte, o ex-ministro Márcio Thomas Bastos foi interpelado por um ex-cliente no Clube Pinheiros:

_ Que bonito, hein, doutor Márcio? O senhor apoiando o PT, votando na Dilma! Não tem vergonha?

Com sua habitual fleugma, o ex-ministro deu um chega pra lá no cidadão:

_ Não, eu não tive vergonha de ser teu advogado e te defender naquele processo...

Até o momento em que comecei a escrever, a única reação que encontrei contra essa barbaridade inimaginável num país democrático e civilizado partiu da jornalista Barbara Gancia, que enviou uma dura carta ao presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, nos seguintes termos:

"Caro senhor doutor presidente:

1) Já foram identificados os indivíduos que hostilizaram o ex-ministro Mantega e sua mulher, que foi ao hospital na terça-feira para ser submetida a um tratamento contra o câncer?

2) Que providências os senhores estão tomando, foi registrado Boletim de Ocorrência?

3) A direção do hospital está ciente de que, caso este comportamento brutal for tolerado e nenhuma medida tiver sido tomada contra quem a praticou, isto irá significar que a Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein compactua com a irresponsabilidade, a escalada da violência e o desrespeito à ordem pública?

4) O senhor entende, Dr. Cláudio, que o Einstein não pode consentir, porque isso significa que ele se colocará ao lado dos inconsequentes que querem ver o circo pegar fogo sem medir as consequências para as instituições?"

Quando a estúpida agressão a Guido e à sua mulher se tornou pública, a direção do hospital se limitou a divulgar uma burocrática nota oficial em que declara que "recebe igualmente a todos, pacientes ou não, rechaça qualquer atitude de intolerância e lamenta o ocorrido em seu ambiente". A nota não indica nenhuma providência que o hospital pretenda adotar, mas seus assessores informaram não ter identificado nenhum médico ou enfermeiro do hospital envolvido no episódio.

É intolerável conviver por mais tempo com esses atos de intolerância. Está na hora de darmos um basta.

A vida não pode seguir assim.

 

 

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okok2 Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?

Que é necessário e urgente fazer um ajuste fiscal para colocar as contas do governo em ordem, estamos todos de acordo. Não tem mesmo outro jeito. Ninguém pode eternamente gastar mais do que arrecada, nem a padaria da esquina, muito menos um país.

Por isso, reuniões e mais reuniões se sucedem freneticamente em Brasília para garantir a aprovação no Congresso Nacional do pacote fiscal embrulhado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, encomendado pelo governo Dilma-2. O objetivo é economizar R$ 18 bilhões no orçamento. E quem vai pagar esta conta?

Tem três maneiras de se fazer isso: cortar despesas, aumentar a arrecadação ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O governo brasileiro optou pela primeira alternativa. Vai tirar dinheiro dos benefícios sociais: abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais.

Nos Estados Unidos, o governo Obama, que não pode ser chamado de bolivariano, fez exatamente o contrário: aumentou a taxação dos lucros dos bancos e das grandes fortunas para aliviar encargos da classe média que vive do seu trabalho.

Aqui nem se chegou a pensar nisso. É um assunto tabu tanto nos partidos do governo como nos da oposição, que não apresentaram até agora nenhuma alternativa para a proposta de Levy, que assume o papel de Robin Hood ao avesso para combater a inflação e fazer o país voltar a crescer.

Só para se ter uma ideia dos valores envolvidos neste pacote: o valor total que o país vai economizar é R$ 2 bilhões menor do que o lucro de um único banco, o Itaú, que no ano passado embolsou R$ 20 bilhões, boa parte graças aos juros que o próprio governo lhe paga.

Nos últimos cinco anos, o Brasil gastou mais de R$ 1 trilhão (sim, escrevi certo, é trilhão mesmo) em pagamento de juros da dívida interna. O Itaú, como sabemos, é o principal concorrente do Bradesco, o banco onde foi recrutado o ministro Levy.

Por que o governo, por exemplo, ainda não foi atrás dos R$ 19,4 bilhões que 6,6 mil brasileiros depositaram em contas secretas no HSBC da Suíça, outro assunto blindado na mídia?

Vários outros países mais abonados do que o nosso já fizeram isso e recuperaram boa parte do dinheiro de origem suspeita que não costuma pagar impostos. Não sabemos ainda nem quem são os donos destas contas.

E, por falar em sonegação fiscal, outro tema proibido, será que o ministro Levy já conversou com os procuradores da Fazenda Nacional sobre o dinheiro que o país deixa de arrecadar por falta de fiscalização e da punição dos crimes nesta área?

Estudo produzido pelo sindicato da categoria, conforme denúncia feita na noite desta segunda-feira no Jornal da Record News (ver link), prevê que, em 2015, o cartel dos sonegadores deixará de pagar à União mais de R$ 500 bilhões, ou seja, mais de 25 vezes o valor que o governo pretende economizar cortando benefícios sociais.

Diante destes números, enquanto o governo negocia com o PMDB apoio ao pacote fiscal em troca de cargos no segundo escalão, fica fácil responder à pergunta feita no título desta coluna.

Por que o pacote não tira de bancos e das grandes fortunas?

Muito simples: são exatamente estes os doadores que, em grande parte, financiam as campanhas eleitorais de todos os partidos, desde sempre.

Isso explica também porque o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, defende com tanto ardor o financiamento privado de campanhas, e o ministro Gilmar Mendes não devolve o processo em que ampla maioria do Supremo Tribunal Federal (6 a 1) já decidiu contra este poderoso criatório de corrupção em todas as latitudes da vida nacional.

O resto é pura hipocrisia.

Vida que segue.

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okokoko Protestos, greves, estradas paradas: perigos à vista

Começou. Em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e dos impostos sobre o transporte, caminhoneiros do Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul bloquearam 38 trechos de estradas neste fim de semana.

Como era de se esperar, o descontentamento com o governo Dilma 2, que se meteu em crises políticas, econômicas e sociais de toda ordem, desde a posse, há apenas 53 dias, transbordou dos gabinetes para as ruas, fábricas e estradas.

O movimento dos caminhoneiros começou nos principais redutos do agronegócio, em Estados onde a oposição derrotou Dilma na recente eleição presidencial, mas seus líderes prometem levá-lo para todo o País ao longo desta semana, elevando ainda mais a temperatura dos embates previstos no Congresso Nacional (ver post anterior).

"O setor de transporte de carga está passando por uma crise histórica, sem que os caminhoneiros consigam ter retorno", disse à Folha um dos organizadores do protesto, o gaúcho Tobias Brambilla, diretor da Associação dos Caminhoneiros de Rodeio Bonito.

A nova jornada de trabalho implantada pelo governo, em setembro do ano passado, estabelecendo um limite diário de oito horas, com no máximo duas horas extras, é outra razão da revolta da categoria. Nas contas de Odi Antonio Zani, líder do movimento em Palmeira das Missões (RS), a nova lei provocou uma queda de 30% no faturamento mensal.  "Eu tinha três caminhões rodando as estradas e faturava R$ 120 mil mensais no total. Tive de vender um caminhão e meu faturamento caiu para R$ 68 mil", queixou-se o caminheiro.

Ao que tudo indica, mais uma vez o governo foi surpreendido pelos fatos e até agora não se tem notícia de qualquer tipo de interlocução com os caminhoneiros rebelados, que prometeram manter os bloqueios nesta segunda-feira.

O movimento que fecha estradas nos principais corredores de escoamento da produção agrícola soma-se a outros protestos e greves que vêm pipocando pelo País desde janeiro _ e as medidas de arrocho anunciadas pelo pacote fiscal ainda nem foram implantadas. Na semana passada, trabalhadores das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que estão paralisadas, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra a falta de pagamento de salários.

Enquanto a classe política se alvoroça à espera da divulgação da "Lista de Janot", anunciada para esta semana, com os nomes dos parlamentares envolvidos na operação Lava-Jato, os trabalhadores estão preocupados com seus empregos, ameaçados pela paralisação de obras da Petrobras, por falta de pagamento às empreiteiras e, dessas, aos seus fornecedores.

Até onde a vista alcança, não há nenhum sinal de reação do governo, com medidas concretas, para enfrentar a enxurrada de problemas nos mais diferentes campos da vida nacional. Aos leitores que me acusam de ser muito pessimista e crítico da presidente Dilma, quero informar que não escrevo porque gosto sobre este cenário altamente preocupante, mas porque assim é, infelizmente, e eu não posso brigar com os fatos.

Quem mudou de lado foi o governo, não eu, que continuo exatamente no mesmo lugar. Estou só alertando para os perigos à vista. É explosiva esta combinação de crescimento negativo, empregos ameaçados, queda nos investimentos, falência da base de apoio no Congresso e na sociedade organizada, ministério medíocre, falta de articulação política, multiplicação de protestos, tudo sem perspectivas de mudança. Já vi este filme muitas vezes, em outros tempos e países, e o final não é feliz, lamento lembrar.

Vida que segue.

 

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 Acabou a fantasia; agora, preparem se para a guerra

(foto: Alice Vergueiro/Futura Press/Estadão Conteúdo)

 

Não vai ter refresco nem para curar a ressaca do Carnaval. Em plena Sexta-feira de Cinzas, Dilma e Aécio reapareceram em público, ao mesmo tempo, em Brasília, para dar uma amostra do clima de guerra que nos aguarda neste ano de 2015.

Dilma, mais magra e falante, atacou primeiro:

"Se, em 1996 ou 1997 (primeiro governo FHC), tivessem investigado e tivessem, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante 20 anos atuando em esquema de corrupção".

FHC reagiu, logo em seguida, divulgando uma nota em que acusa a presidente de agir com a tática do batedor de carteira "que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando `pega ladrão´".

Aécio, já sem barba, veio atrás, fazendo coro:

"Depois de um silêncio que durou dois meses, certamente para se distanciar das medidas econômicas tomadas por seu governo, a presidente reaparece parecendo zombar da inteligência dos brasileiros."

Ninguém saiu em defesa de Dilma, cada vez mais isolada e perdida nas suas decisões. Lula se mantém em obsequioso silêncio. No mesmo dia, lideres da oposição já falaram em convocar Dilma e Lula para depor na CPI da Petrobras, que está para ser instalada.

Enquanto isto, o Congresso Nacional respira fundo e se mantem em suspense, aguardando a divulgação da "Lista do Janot", quando, finalmente, o procurador-geral da República deverá apresentar os nomes dos políticos envolvidos na Operação Lava-Jato.

No front econômico, o "aliado" PMDB, agora sob o comando de Eduardo Cunha, deve se juntar à oposição e até a setores do PT para derrubar o pacote do ajuste fiscal encomendado por Dilma ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é combatido por todas as centrais sindicais.

No front jurídico, o Ministério Público Federal abriu ações cobrando R$ 4,5 bilhões de seis empreiteiras denunciadas na Operação Lava-Jato, colocando em risco os mais de 500 mil empregos do setor de construção pesada, que já entrou em crise profunda, com os atrasos nos pagamentos e os cortes nos investimentos da Petrobras anunciados para este ano.

Nas redes sociais, o clima está conflagrado, mais ainda do que na campanha eleitoral, com a convocação do protesto nacional do "Fora Dilma", marcado para o próximo dia 15 de março.

A principal sequela deixada pela disputa presidencial foi o ressurgimento de uma direita organizada e radical, gerada no bojo do antipetismo militante, que se alastrou pelo país durante a campanha numa grande aliança partidária, midiática, judicial e financeira.

Sinal destes novos tempos: em pleno começo de Quaresma, Ronaldo Caiado, um dos principais líderes desta aliança, fundador da UDR e senador pelo DEM de Goiás, já lançou seu nome para disputar as eleições presidenciais de 2018. Aécio que se cuide, pois a concorrência na oposição pode aumentar.

Mesmo aqueles que não se animaram a pedir votos para os candidatos de oposição em 2014, limitando-se a atacar o PT, agora não se contentam em pedir as cabeças de Dilma e Lula, mas procuram também criminalizar seus eleitores, responsabilizando-os pela crise ampla, geral e irrestrita, que está só começando.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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865ED1F6 467A 4F01 BCA8 2537737E4391 megafone1 Governo e o PT perdem batalha da comunicação

Quando as coisas vão mal no governo, em qualquer governo, a culpa é da comunicação. Por uma razão muito simples: é muito mais fácil atribuir as dificuldades a uma atividade meio, importante, mas acessória, do que reconhecer a falta de rumo, de propostas e de soluções viáveis no comando do governo.

Por mais brilhante que seja o publicitário, nem o Washington nem o Nizan são capazes de vender um mau produto. Podem até bater recordes de vendas no lançamento, enganando a freguesia com belas campanhas, mas depois elas não se sustentam pelo simples e bom motivo de que o consumidor não é trouxa.

Assim também acontece nas campanhas políticas: um marqueteiro genial pode até te levar à vitória, mas depois não é capaz de garantir o sucesso do governo, se o eleito não tiver café no bule nem for capaz de melhorar a vida do eleitor e faz tudo ao contrário do que prometeu.

Na primeira metade do primeiro governo Lula, quando eu cuidava da área de imprensa, Miro Teixeira, jornalista e Ministro das Comunicações, criou um bordão sempre que o presidente reclamava de alguma notícia negativa: "A culpa é do Kotscho".

Naquele tempo, como agora, não era segredo para ninguém que a grande mídia familiar, com ou sem motivos, buscava pelo em ovo para atacar o governo petista. Só que havia uma grande diferença: a internet ainda era uma novidade, as redes sociais engatinhavam. Não havia contraponto nem espaço para o contraditório, o governo simplesmente não tinha como se defender e dar a sua versão dos fatos.

De lá para cá, a cada eleição presidencial, as redes sociais tiveram um papel cada vez maior nas campanhas para contrabalançar os canhões da oposição midiática dos grandes conglomerados. Pode ser uma das razões para explicar as três vitórias seguintes que seriam conquistadas pelo PT contra a vontade da turma do Instituto Millenium e seus "formadores de opinião", cada vez menos relevantes.

Foi assim em 2014, quando a reeleição de Dilma esteve várias vezes ameaçada, e só os programas de televisão do horário eleitoral já não bastavam para enfrentar as ofensivas dos adversários. Nas redes sociais, havia um equilíbrio entre militantes tucanos e petistas, uma guerra internética muitas vezes suja, mas que permitiu a Dilma chegar ao final da campanha em condições de ganhar no segundo turno, como acabou acontecendo.

A partir do momento em que o TSE anunciou o resultado oficial, porém, a brigada dilmista/petista foi recuando, sumindo de cena, como a própria presidente, deixando o campo livre para a oposição, que se mobilizou mais ainda para atacá-la por todos os meios, sintonizando pela primeira vez o discurso das redes sociais com o dos blogueiros e colunistas mais ferozes da velha mídia.

O principal sintoma desta mudança é a grande campanha que vem sendo feita pelo impeachment da presidente, enquanto os que ainda a apoiam mostram-se tímidos na reação. O objetivo imediato é convocar a população para os protestos do "Fora Dilma" que estão sendo programados em todo o País para o próximo dia 15 de março.

Nem é preciso ir muito longe: é só dar uma olhada nos comentários dos leitores aqui mesmo no Balaio publicados nas últimas semanas. Cada vez mais agressivos e muitas vezes ofensivos, parecem seguir um comando centralizado, enquanto os que defendem Dilma, Lula, o PT e o governo se tornam claramente minoritários. Até alguns dos mais fiéis petistas estão tirando o time de campo. Por alto, em cada 10 comentários dá para calcular uma goleada de 8 a 2 a favor da oposição.

Nas áreas de comentários dos portais ligados a grandes empresas a proporção por vezes chega a ser até maior, quase uma unanimidade contra o governo Dilma, que está perdendo a batalha da comunicação em todos os campos, apesar da recente convocação feita pela presidente aos seus ministros.

O maior problema do governo é que o silêncio de Dilma e dos seus auxiliares deixa sem argumentos os que se dispõem a defendê-lo. Entre os 39 ministros, ainda não encontrei nenhum capaz de ocupar o vazio deixado pela presidente, que continua recolhida aos seus pensamentos, só vendo a banda passar. Seria bom que todos fizessem um mídia training intensivo antes que seja tarde. Do jeito que vai, nem João Santana fará milagres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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