1604803 10152525256786638 7418396291520710597 n Campanha termina como começou com Dilma favorita

Do mesmo jeito que começou, e depois de muitas reviravoltas, a campanha presidencial terminou nesta quinta-feira (2) com as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha mostrando ampla vantagem de Dilma Rousseff, tanto no primeiro como no segundo turno, se houver.

Após 87 horas de propaganda eleitoral na televisão, a disputa se limita neste momento ao segundo lugar, brigado pau a pau entre Marina e Aécio, para ver quem será o desafiante da presidente candidata à reeleição.

A análise completa das pesquisas dos dois institutos para a eleição presidencial e a situação nos principais Estados estão aqui, no Jornal da Record News.

Vamos então direto  ao debate da Globo, que ao final de duas horas de bate-boca não apresentou nada que possa alterar os números mais recentes das pesquisas em que Aécio aparece subindo e Marina caindo, semana a semana, desde o início de setembro, quando ela chegou a abrir 20 pontos de vantagem sobre o tucano (agora são apenas três no Datafolha).

Como se ninguém fosse perceber, o bem produzido espetáculo comandado por William Bonner para impedir a reeleição de Dilma, no último debate do último dia de campanha, manteve o roteiro das campanhas anteriores: candidatos levantando a bola entre eles e todos batendo no PT.

Desta vez, os nanicos laranjas, que só serviriam para fazer figuração, dominaram a cena e nem disfarçavam seu papel neste "reality show" político. Os coadjuvantes perderam a modéstia e viraram protagonistas, com destaque para o pastor Everaldo, que roubou o posto ocupado por Levy Fidelix no debate da Record.

Apesar de seu discurso homofóbico, Everaldo, todo sorriso, chamou Aécio de "meu querido", ao convocá-lo para responder no púlpito, antes mesmo que o moderador sorteasse o tema da pergunta que deveria fazer, como se já estivesse tudo combinado.

A exemplo do que  aconteceu nas intervenções de outros nanicos, o pastor não se preocupou em perguntar nada, mas apenas em atacar Dilma e ajeitar a bola para o candidato do PSDB bater no gol. Com ares de grande estadista de inícios do século passado, o candidato do PSC, que se apresenta como porta-voz da família brasileira, comportava-se como se estivesse mesmo disputando a eleição para valer.

Este último debate serviu apenas para explicar os motivos do favoritismo de Dilma, menos por seus próprios méritos e mais pela mediocridade dos adversários, apesar de todos os problemas enfrentados pelo seu governo, que não é nenhuma Brastemp.

Muito à vontade no ambiente global, como se estivesse num programa de auditório, Aécio se sentiu até no direito de pedir aplausos à plateia quando fez um elogio ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Cada um ali procurava desempenhar seu papel determinado pelos roteiristas.

O verde Eduardo Jorge, fazia o de clown simpático, sem maiores compromissos com o resultado das eleições, mais preocupado em marcar posições comportamentais para arrancar risos da plateia e promover memes nas redes sociais.

A radical Luciana Genro, do PSOL, jogava seus cabelos revoltos para todos os lados tentando chocar a burguesia com seu sorriso de Barbie da maturidade.

O inacreditável Levy Fidelix, com seus cabelos e bigodes exageradamente pintados, anunciava o apocalipse se não fosse ele o eleito para o lugar de Dilma.

O prestativo pastor Everaldo, a serviço da direita mais primitiva, procurava apenas ajudar Aécio a levar Aécio ao segundo turno, se possível tirando dele a presidente Dilma.

A indignada ambientalista Marina Silva, com um demagógico discurso populista no melhor estilo do "Tea Party" americano, fazia-se de vítima dos poderosos, no papel de "mulher, negra e pobre", como se queixou em entrevista à CNN.

Deixando um pouco de lado o gênero folgazão de garoto de praia, Aécio jogou seus últimos trunfos tentando incorporar um Carlos Lacerda básico, mas não convenceu muito no novo papel de defensor da moral e dos bons costumes públicos.

A Dilma, atacada por todos os lados, só restou ser cada vez mais Dilma, a gerentona brava e implacável, que não leva desaforo para casa, cheia de números e rasa de ideias novas para despertar as esperanças do eleitorado.

Não aguento mais ouvir a voz esganiçada de nenhuma delas nem ver a canastrice de nenhum deles. Ainda bem que acabou.

O que está em disputa, na verdade, não é o varejo dos tiros trocados nos debates sobre a governança e as lambanças na Petrobras, mas a quem caberá tomar conta, pelos próximos quatro anos, do tesouro do pré-sal, que tanta cobiça desperta tanto aqui dentro como lá fora.

Diante deste quadro, que projeta uma guerra feroz no segundo turno, se eu tivesse que pedir para algum deles tomar conta dos meus netos, não teria nenhuma dúvida. Chamaria a Dilma. Só não pode perder a paciência e bater nas crianças.

Para não variar, a mais brilhante análise desta reta final de campanha foi feita pelo José Simão:

"E a Dilma pode ser reeleita, mas pela margem de erro pode ser presidente da Argentina ou da Venezuela".

Vamos agora, com muita calma, aguardar a abertura das urnas no domingo e saber qual foi a decisão de sua excelência, o eleitor.

Bom final de semana e bons votos para todos.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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lula1 Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

"O teeeeempo passa....", como dizia o lendário narrador esportivo Fiori Gigliotti, que era daquele tempo.

Pois é, amigos, está fazendo exatamente 25 anos que fomos às urnas eleger pelo voto direto nosso presidente da República, pela primeira vez desde a ditadura, que durou mais de duas décadas. Foi também a primeira vez que a minha geração pode exercer este direito. Antes disso, a última vez em que isso tinha acontecido foi em 1960, o ano em que meu pai morreu, e elegemos Jânio Quadros, que renunciou oito meses após a posse. O vice João Goulart assumiu o lugar dele e foi derrubado por um golpe cívico-midiático militar, em 1964.

Faz tanto tempo que já tinha até me esquecido desta efeméride. Quem me lembrou foi o colega Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, ao me entrevistar sobre o que aconteceu no inesquecível ano de 1989. Dá para passar vários dias contando histórias vividas naquela campanha, que colocaria frente a frente meu amigo Lula e Fernando Collor, o "caçador de marajás", no segundo turno, disputado palmo a palmo até o final. Collor teve 35 milhões dos votos e Lula ficou com 31 milhões.

Como os leitores não terão tempo nem saco para ler um texto muito longo sobre episódio tão antigo, desisti de fazer uma pesquisa nos meus próprios livros para relembrar aqui apenas fragmentos da minha memória afetiva.

Subi neste trem no final de 1988, ao voltar de uma viagem a trabalho, quando era repórter do finado "Jornal do Brasil", e resolvi fazer uma visita ao Lula, então deputado constituinte, que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice, no Hospital Sírio-Libanês.

Sem maiores delongas, como é do seu estilo sertanejo, depois de falar rapidamente da cirurgia, foi direto ao assunto:

"Te prepara, Ricardinho (chamavam-me assim quando era jovem). Te prepara porque no ano que vem eu vou ser candidato a presidente da República e você vai ser meu assessor de imprensa".

Tomei um susto e, a princípio, desdenhei do convite, ou melhor, da intimada.

"Não vai dar, Lula. Eu nunca fui assessor de imprensa, não gosto disso, sou repórter especial do JB, ganho bem, estou satisfeito no jornal, não sou nem filiado ao PT...", ainda tentei resistir.

"Não enche o saco, pô. Eu também nunca fui candidato a presidente da República".

De fato, não só ele não tinha sido candidato, como sequer havia votado para presidente, já que temos mais ou menos a mesma idade.

Incentivado por colegas, advertido por outros sobre os riscos para a minha carreira, e com todo o apoio da família, antes do final do ano já estava trabalhando com Lula na campanha, ganhando umas dez vezes menos do que no jornal, mas estava feliz. A direção do JB, graças ao Ricardo Setti, tinha me concedido uma licença não remunerada.

E lá fomos nós rodar o Brasil de ponta a ponta, de cabo a rabo, várias vezes. Quase seis anos após o movimento das Diretas Já, o Brasil parecia palco de uma grande festa democrática, agora com final feliz. Em sua matéria no site da RBA, Nuzzi registra que eram 22 candidatos (hoje temos 11) para 70 milhões de brasileiros aptos a votar, metade do atual eleitorado. Não existia celular, nem internet, nada disso, não tínhamos jatinho nem grana, e até alugar uma casa para instalar o comitê foi uma novela.  Era tudo feito no gogó, na unha e no papel.

Montagem politicos Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

Para vocês terem uma ideia do clima na época, no mesmo ano de 1989 em que cairia o Muro de Berlim, por aqui vivíamos ainda os tempos da Guerra Fria. "Conservadores assombravam a população com fantasmas como o comunismo (...) A eleição de 1989, para o conservadorismo, ainda acenava com a ameaça esquerdista "Brizula", junção dos nomes de (Leonel) Brizola e Lula", escreveu Vitor Nuzzi.

Fui falar com um empresário amigo meu, dono de vários imóveis, para ver se ele emprestava ou alugava alguma casa para instalarmos o comitê, mas ele negou na hora, alegando que, se o Lula ganhasse a eleição, tomariam a propriedade dele. "Era tudo muito difícil. O que nos animava era a militância. Era tudo muito improvisado. Muitos comícios... Estou cansado até hoje... E também era uma grande festa, que, para mim, pareceu uma continuação da Campanha das Diretas. A gente sabia que estava participando de um momento histórico", lembrei ao repórter.

Por absoluta falta de aptidão para o novo ofício, brigava muito com o Lula quase todo dia. Logo em minha estreia na função de assessor, interrompi uma gravação de TV porque não tinha gostado de uma palavra usada pelo candidato e pedi para começar tudo de novo. Em Rio Branco, no Acre, durante um Encontro dos Povos da Floresta, onde conheci Marina Silva, interrompi um discurso de Lula para informa-lo do assassinato de um seringueiro. "Nunca mais me faça isso na vida. Você estragou meu discurso, esqueci o que estava falando...".

A grande diferença que sinto em relação à campanha presidencial de agora, é que, em 1989, para onde a gente fosse, o povo estava nas ruas, fazendo comício no meio do mato ou nas beiras dos rios na Amazônia. Caminhadas, carreatas, comícios-relâmpago ou monumentais showmícios (mais tarde proibidos), muitas bandeiras, buzinas, faixas, adesivos por toda parte, pessoas cantando os jingles de campanha, camisetas dos candidatos, ninguém ficava indiferente, e a gente não parava nem para dormir nem para comer.

Esse último item era o principal motivo das minhas divergências com o candidato. Alegava para Lula que ficar muito tempo sem comer deixa a gente com mau hálito e o Tancredo Neves, de tanto querer ser presidente, descuidou da saúde, e morreu na véspera da posse.

Tinha dia que acordava num lugar que não lembrava qual era e nem o que tinha ido fazer lá. Passei praticamente o ano todo fora de casa. A equipe de imprensa na primeira fase era formada por mim mesmo, depois dobrou, quando chegou o incansável Sergio Canova para me ajudar. O esquema funcionava assim: eu acompanhava o candidato em todas as viagens e ditava pelo orelhão, de onde estivesse, um relato das atividades do dia para o Canova, em São Paulo, que distribuía o material por telex para as principais redações.

Apoiado pela grande mídia, na falta de opção melhor, Collor espalhava o terror pelo país, ameaçando com um "derramamento de sangue", caso Lula ganhasse a eleição. Cada vez que eu conseguia passar um fim de semana no meu sítio, em Porangaba, voltava mais assustado: os vizinhos estavam com medo de perder suas terras, que seriam divididas com os mais pobres, assim como suas galinhas, cavalos e bicicletas, e o que mais tivessem. A boataria era terrível. Nos centros urbanos, a conversa era que Lula tomaria e dividiria casas e apartamentos "com a baianada", e até quem tinha "carro próprio" corria riscos.

Foi uma tremenda baixaria até o final. "O Lula nunca deixou responder no mesmo nível. Ele nunca aceitou o vale-tudo", recordei na conversa com Nuzzi. Para enfrentar a superestrutura de marketing e a frota de jatinhos do adversário, contávamos com um pequeno exército brancaleone, indo todo fim de noite a jantares para "angariar fundos". "Era um grande mutirão. Tinha muitos voluntários da grande imprensa que nos ajudavam na produção dos programas. E todo mundo dava palpite. Era mais amador, mais coletivo".

Esta, com certeza, deve ter sido a última campanha romântica da política brasileira, sem cabos eleitorais remunerados, marqueteiros de grife, caminhões de dinheiro, frotas de jatinhos e helicópteros. Foi praticamente uma continuidade da Campanha das Diretas, com os mesmos líderes políticos nos nossos palanques. No segundo turno, só faltou o velho doutor Ulysses, um erro político, que mais tarde Lula admitiria.

Hoje, Collor, impichado em 1992, é um fiel parceiro do PT na base aliada do governo e está praticamente reeleito senador por Alagoas. Lula, duas vezes presidente, é o principal cabo reeleitoral de Dilma Rousseff, com chances de ganhar já no primeiro turno

Por falar nisso, nem comentei as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas na noite desta terça-feira, que mostram Dilma abrindo a vantagem, tanto no primeiro como no segundo turnos, mas não tem cabimento, nestes meus tempos de multimídia, repetir aqui por escrito o que comentei ontem com o Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News, até porque, não mudou nada de lá para cá.

O vídeo está aqui:

Perdão, leitores, acabei escrevendo demais e, olhem, não passei nem do aperitivo. Para quem se interessar, mais histórias sobre esta campanha presidencial pioneira após a redemocratização podem ser encontradas no meu livro de memórias: Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter (Companhia das Letras, 2006). 

Apesar de tudo, como vocês podem constatar neste livro, o Brasil de hoje é outro país _ muito melhor, em todas as áreas, quaisquer que sejam os índices sociais e econômicos consultados. Só permanecem os mesmos o apodrecido sistema político-partidário-eleitoral e os métodos dos donos da mídia familiar e seus porta-vozes.

Dos presidentes civis que tivemos de lá para cá, cada um escreveu seu capítulo nesta história da jovem democracia brasileira, que é de todos nós: Sarney consolidou o regime democrático, Collor abriu os mercados, Itamar e FHC garantiram a estabilidade econômica com o controle da inflação, Lula e Dilma promoveram a inclusão social e deram início a um processo de distribuição de renda. No domingo, já iremos para a nossa sétima eleição direta no pós-64.

Falta muito ainda para vivermos num país civilizado, justo e decente, como nos mostra a atual campanha eleitoral, mas valeu a pena ter vivido estes últimos 25 anos de plena democracia, esta que todos nós estamos ajudando a construir.

Vida que segue.

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Vou dar um tempo na cobertura da campanha eleitoral porque as novas pesquisas (Ibope e Datafolha) só deverão ser divulgadas na noite desta terça-feira. Seria como fazer comentário sobre um jogo de futebol antes da gente saber o resultado. Melhor é esperar um pouco e aproveitar para falar de coisa boa, que também tem no nosso País.

E pode até ser visto na nossa televisão, entre tantas desgraças e violências, denúncias e baixarias. Zapeando tarde da noite, fui surpreendido pelas belas imagens do "Zapping", programa apresentado por Vera Viel, que é exibido às segundas, depois do Jornal da Record News, onde eu trabalho.

Já tinha começado a passar a reportagem de Renata Alves sobre o Brasil bonito que ela descobriu em Capela, interior de Alagoas, a 60 quilômetros de Maceió, mas estava tão saborosa que, apesar do sono, resolvi ver até o fim. Valeu a pena.

caldo Um Brasil bonito também pode ser visto na TV

Conta a história do famoso caldinho de feijão e galinha preparado e servido há 40 anos por seu Newton e sua mulher, dona Dalva. Caldinhos a gente encontra por toda parte no meu querido nordeste brasileiro, mas este é especial, a começar pelo incomum horário de funcionamento do boteco: abre pontualmente às 9 da manhã e, ao meio dia, chova ou faça sol, os donos colocam todo mundo para fora. O expediente acaba exatamente na hora em que a concorrência começa a servir o almoço.

O lugar vive lotado de gente que vem de cidades vizinhas e até da capital alagoana, uma agradável viagem de apenas 50 minutos. A equipe de reportagem da Record caminha pelas ruas desta cidade de 17 mil habitantes, limpinha e arrumada, até chegar ao personagem principal, que se diverte com o trabalho, e não conta de jeito nenhum o segredo dos seus caldinhos de galinha e de feijão, que eles servem misturados ou separados. Para acompanhar, farinha, pimenta e uma cervejinha _ e está feita a festa da freguesia.

caldo3 Um Brasil bonito também pode ser visto na TV
O que mais me chamou a atenção nesta reportagem, além do inusitado do tema, foi o ar de felicidade de todas as pessoas que aparecem na tela. Com suas roupas simples porém decentes, calçando tênis, sandálias ou chinelos de dedo, parecem saídos de algum vilarejo dinamarquês com o PIB umas 50 vezes maior.

Claro que isso não se deve só aos poderes do caldinho do seu Newton, mas acho que este clima retrata melhor do que qualquer análise de sociólogos e cientistas políticos o cenário encontrado no nosso país, a cinco dias das eleições presidenciais, com todas as pesquisas apontando o favoritismo da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Para ninguém dizer que não falei de política, recomendo ver a reportagem completa no link abaixo, exibida originalmente no quadro "Achamos no Brasil" do "Domingo Espetacular", na TV Record, que explica bem o que quero dizer:

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levy ok Nelson tinha razão: idiotas estão perdendo a modéstia

"Existem situações em que até os idiotas perdem a modéstia".

A imortal frase acima, claro, não é minha, mas do grande Nelson Rodrigues, que morreu em 1980, e não sabe o que perdeu de lá para cá.

Vira e mexe meu amigo Nelson Jobim cita esta frase do seu xará ao comentar os assuntos da semana nos nossos encontros aos sábados aqui no boteco da esquina de casa.

Nunca, porém, esta perfeita definição de Nelson Rodrigues pôde ser tão bem aplicada como na participação do candidato Levy Fidelix no debate entre presidenciáveis promovido pela TV Record na noite deste domingo.

Antigamente, nos tempos de Nelson Rodrigues, estes tipos eram mais discretos, andavam pelos cantos, raramente se manifestavam e jamais se candidatariam a presidente da República.

A participação deste e de outros nanicos folclóricos na atual campanha presidencial serve apenas para demonstrar a falência do sistema político-partidário-eleitoral no nosso país. É triste e preocupante.

Quem já escreveu tudo a respeito deste deprimente episódio foi meu colega Marco Antonio Araújo, em seu blog "O Provocador" (ver link), publicado nesta segunda-feira, aqui mesmo no R7. Está lá tudo o que eu gostaria de escrever sobre o assunto.

Não vou nem repetir o que o homofóbico presidenciável disse no debate. Quem tiver estômago, pode ver a barbaridade neste link:

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Untitled 110 As boas ideias do Nizan para o papel do jornal

"Surpresa!", diz o título do texto de Nizan Guanaes, mentor e dono do ABC, o maior grupo publicitário do país, convidado nesta segunda-feira para ocupar o espaço de "Ombudsman por um dia", série publicada pela Folha para comemorar os 25 anos da criação do cargo de ouvidor dos leitores.

Como é uma raridade hoje em dia ser surpreendido pelo jornal, qualquer um, no sagrado ritual do café da manhã, parei de dar uma olhada por alto nas páginas e fui direto ler o que ele escreveu.

"Fica muito claro que os seres humanos do século 21 não querem só conversar sobre economia e política", destaca o "olho" da matéria, resumindo o que eu e muitos consumidores de informação pensamos sobre o papel dos jornais de papel neste mundo cibernético em que vivemos.

Diante da avassaladora concorrência dos meios eletrônicos, ficou cada vez mais difícil sermos surpreendidos por alguma novidade pelas publicações impressas, no dia seguinte ou no final de semana, depois de passarmos o tempo todo plugados em celulares e tablets e quetais, essa parafernália que não para de procriar, muitas vezes acompanhando ao mesmo tempo e ao vivo a cobertura dos principais acontecimentos pelos canais de notícias 24 horas na televisão.

Já faz tempo, ao participar de debates, palestras e seminários nas universidades, quando me pedem para definir os rumos da velha ou da nova mídia, respondo sempre que a natureza do nosso ofício não mudou nestes 50 anos em que ganho a vida como repórter: é contar uma novidade, uma história inédita, ou seja, surpreender o leitor, telespectador ou internauta, qualquer que seja a plataforma.

Por isso, fiquei tão satisfeito ao terminar de ler o artigo do Nizan, que traduziu com clareza e simplicidade exatamente o que penso como emissor e receptor de informações. Em resumo, este criador de reclames lança um apelo para que a imprensa faça o óbvio pela sua própria sobrevivência: saia dos gabinetes do poder e volte a tratar da vida real.

Um bom exemplo: "A vida, às vezes, parece que não é importante para o jornal. Não adianta falar de moda procurando escândalo financeiro na Versace. A mulher quer saber que sapato vai usar na próxima estação".

Espero, de coração, que os capos e editores da nossa velha imprensa de papel leiam com atenção este texto do criativo baiano (baiano criativo parece até redundância...) e parem de reclamar da vida. Assim como o cinema não acabou com o teatro, a televisão não acabou com o cinema e nenhum deles acabou com o livro, a internet não vai acabar com o jornal. Tem espaço para todo mundo, ninguém vai matar ninguém. O importante é ter uma boa história para contar e não alimentar vocação para o suicídio.

Valeu, Nizan.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma das histórias mais tristes e patéticas da história da imprensa brasileira está sendo protagonizada neste momento pela revista semanal "Veja", carro-chefe da  Editora Abril, que já foi uma das maiores publicações semanais do mundo.

Criada e comandada nos primeiros dos seus 47 anos de vida, pelo grande jornalista Mino Carta, hoje ela agoniza nas mãos de dois herdeiros de Victor Civita, que não são do ramo, e de um banqueiro incompetente, que vão acabar quebrando a "Veja" e a Editora Abril inteira do alto de sua onipotência, que é do tamanho de sua incompetência.

Para se ter uma ideia da política editorial que levou a esta derrocada, vou contar uma história que ouvi de Eduardo Campos, em 2012, quando ele foi convidado por Roberto Civita, então dono da Abril, para conhecer a editora.

Os dois nunca tinham se visto. Ao entrar no monumental gabinete de Civita no prédio idem da Marginal Pinheiros, Eduardo ficou perplexo com o que ouviu dele. "Você está vendo estas capas aqui? Esta é a única oposição de verdade que ainda existe ao PT no Brasil. O resto é bobagem. Só nós podemos acabar com esta gente e vamos até o fim".

É bem provável que a Abril acabe antes de se realizar a profecia de Roberto Civita. O certo é que a editora, que já foi a maior e mais importante do país, conseguiu produzir uma "Veja" muito pior e mais irresponsável depois da morte dele, o que parecia impossível.

A edição 2.393 da revista, que foi às bancas neste sábado, é uma prova do que estou dizendo. Sem coragem de dedicar a capa inteira à "bala de prata" que vinham preparando para acabar com a candidatura de Dilma Rousseff, a uma semana das eleições presidenciais, os herdeiros Civita, que não têm nome nem história próprios, e o banqueiro Barbosa, deram no alto apenas uma chamada: " EXCLUSIVO - O NÚCLEO ATÔMICO DA DELAÇÃO _ Paulo Roberto Costa diz à Polícia Federal que em 2010 a campanha de Dilma Rousseff pediu dinheiro ao esquema de corrupção da Petrobras". Parece coisa de boletim de grêmio estudantil.

O pedido teria sido feito pelo ex-ministro Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha da então candidata Dilma Rousseff, ao ex-diretor da Petrobras, para negociar uma ajuda de R$ 2 milhões junto a um doleiro que intermediaria negócios de empreiteiras fornecedoras da empresa.

A reportagem não informa se há provas deste pedido e se a verba foi ou não entregue à campanha de Dilma, mas isso não tem a menor importância para a revista, como se o ex-todo poderoso ministro de Lula e de Dilma precisasse de intermediários para pedir contribuições de grandes empresas. Faz tempo que o negócio da "Veja" não é informar, mas apenas jogar suspeitas contra os líderes e os governos do PT, os grandes inimigos da família.

E se os leitores quiserem saber a causa desta bronca, posso contar, porque fui testemunha: no início do primeiro governo Lula, o presidente resolveu redistribuir verbas de publicidade, antes apenas reservadas a meia dúzia de famílias da grande mídia, e a compra de livros didáticos comprados pelo governo federal para destinar a esc0las públicas.

Ambas as medidas abalaram os cofres da Editora Abril, de tal forma que Roberto Civita saiu dos seus cuidados de grande homem da imprensa para pedir uma audiência ao presidente Lula. Por razões que desconheço,  o presidente se recusava a recebe-lo.

Depois do dono da Abril percorrer os mais altos escalões do poder, em busca de ajuda, certa vez, quando era Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República, encontrei Roberto Civita e outros donos da mídia na ante-sala do gabinete de Lula, no terceiro andar do Palácio do Planalto."

"Agora vem até você me encher o saco por causa deste cara?", reagiu o presidente, quando lhe transmiti o pedido de Civita para um encontro, que acabou acontecendo, num jantar privado dos dois no Palácio da Alvorada, mesmo contra a vontade de Lula.

No dia seguinte, na reunião das nove, o presidente queria me matar, junto com os outros ministros que tinham lhe feito o mesmo pedido para conversar com Civita. "Pô, o cara ficou o tempo todo me falando que o Brasil estava melhorando. Quando perguntei pra ele porque a "Veja" sempre dizia exatamente o contrário, esculhambando com tudo, ele me falou: `Não sei, presidente, vou ver com os meninos da redação o que está acontecendo´. É muita cara de pau. Nunca mais me peçam pra falar com este cara".

A partir deste momento, como Roberto Civita contou a Eduardo Campos, a Abril passou a liderar a oposição midiática reunida no Instituto Millenium, que ele ajudou a criar junto com outros donos da imprensa familiar que controla os meios de comunicação do país.

Resolvi escrever este texto, no meio da minha folga de final de semana, sem consultar ninguém, nem a minha mulher, depois de ler um texto absolutamente asqueroso publicado na página 38 da revista que recebi neste final de semana, sob o título "Em busca do templo perdido". Insatisfeitos com o trabalho dos seus pistoleiros de aluguel, os herdeiros e o banqueiro da "Veja" resolveram entregar a encomenda a um pseudônimo nominado "Agamenon Mendes Pedreira".

Como os caros leitores sabem, trabalho faz mais de três anos aqui no portal R7 e no canal de notícias Record News, empresas do grupo Record. Nunca me pediram para escrever nem me proibiram de escrever nada. Tenho aqui plena autonomia editorial, garantida em contrato, e respeitada pelos acionistas da empresa.

Escrevi hoje apenas porque acho que os leitores, internautas e telespectadores, que formam o eleitorado brasileiro, têm o direito de saber neste momento com quem estão lidando quando acessam nossos meios de comunicação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Por que Dilma pode levar já no primeiro turno?

Dez entre dez comentaristas, analistas e especialistas garantem que a economia brasileira vai mal, de mal a pior. Falta muito pouco para o apocalipse, garantem eles, a uma semana das eleições presidenciais.

Os sábios nativos gostam de citar uma frase atribuída a James Carville, célebre marqueteiro político, conselheiro de Bill Clinton nas eleições americanas de 1992, em que ele derrotou George Bush. "É a economia, estúpido!".

Pois se a economia brasileira não é nenhuma Brastemp, longe disso, como explicar então que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, continue aumentando sua vantagem nas pesquisas, abrindo a "boca do jacaré" na reta final, a ponto de poder liquidar a fatura já no primeiro turno?

Logo após a divulgação da nova pesquisa Datafolha, na noite de sexta-feira, em que Dilma abriu uma vantagem de 13 pontos (40 a 27) no primeiro turno, chegando a 45% dos votos válidos, Heródoto Barbeiro me perguntou no Jornal da Record News a que eu atribuía a derrocada da candidatura de Marina Silva.

As análises que já havia visto e ouvido eram unânimes em apontar a agressividade da campanha negativa do PT como responsável pela queda de Marina. Pode até ter influído, mas certamente não foi a razão principal para explicar o que aconteceu nas últimas pesquisas, que voltaram a registrar números muito próximos aos de abril, quando foi dada a largada para a corrida presidencial. Tivemos muito dinheiro, tempo, pesquisas e palpites jogados fora durante todo este tempo, para voltarmos ao ponto de partida.

Só foi ao ler a chamada do Blog do Moreno (meu chapa Jorge Bastos Moreno) na home do portal de "O Globo", com a matéria de Clarice Spitz, que encontrei a explicação mais próxima da realidade. "Brasil: desemprego é o menor em 12 anos", diz o título da nota.

O professor Delfim Netto, manda-chuva da economia brasileira nos tempos da ditadura, que misturava sabedoria acadêmica com bom humor popular, costumava dizer que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. É com este sentimento que a maioria dos eleitores vai às urnas: minha vida melhorou ou piorou? Se melhorou, vota no governo, na continuidade; se piorou, dá a vitória à oposição. Simples assim.

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, divulgada esta semana, a taxa de desocupação ficou em 5%, a menor para um mês de agosto nos últimos 12 anos. É preciso dizer mais alguma coisa? Trata-se de um quadro próximo ao do pleno emprego.

Emprego e renda sempre foram os paus da barraca dos governos do PT desde que o partido chegou ao poder em 2003, por piores que fossem os dados macroeconômicos e as crises políticas, que a maioria da população nem entende, porque ninguém vive de PIB nem de CPI, mas de salário no fim do mês, quer dizer, dinheiro no bolso.

Quem ainda vota por ideologia? Só os muito ricos, os radicais de um lado ou de outro, os antigos intelectuais chamados orgânicos, ou seja, uma pequena parcela do eleitorado. Foi isso que os candidatos da oposição ainda não conseguiram entender. Só bater no governo não resolve. Parafraseando Carville, é possível resumir a ópera em quatro palavras: "É o emprego, estúpido!"

Mais uma vez, ao que tudo indica, sem querer saber de balas de prata, delações premiadas, notícias catastróficas, denuncias cabeludas, formadores de opinião e quetais, os eleitores votarão por interesse: os seus próprios interesses.

Bom final de semana a todos e vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Aécio se contenta com o papel de ombudsman

O tucano Aécio Neves sairá desta campanha presidencial levando para casa uma importante lição: se denúncia elegesse alguém, a mídia estaria no poder, nem precisaria de intermediários.

Sem um discurso claro, sem bandeiras nem propostas, o ex-governador mineiro se contentou em ser, ao longo de toda a campanha eleitoral, apenas um ombudsman, um crítico ácido do governo de Dilma Rousseff.

A apenas 10 dias da eleição, Aécio está saindo dela do jeito que entrou, sem empolgar ninguém, limitado à ponte aérea Rio-Minas, com raras incursões em outras regiões do país. Em 1982, na primeira eleição direta para governadores após o golpe cívico-militar, meus colegas se queixavam da cobertura aborrecida da campanha de Franco Montoro, que acabou eleito: "Ele fala todo dia a mesma coisa. Não dá lead..."

"Lead" é a forma como os jornalistas chamam a abertura da matéria, que vai despertar nos eleitores, ou não, o interesse em ler o resto. Nesta campanha, Aécio repete Montoro e raramente consegue ocupar as manchetes, apesar do caudaloso conjunto de releases eletrônicos que seus assessores mandam todos os dias para os jornalistas, sob a curiosa rubrica "Aécio Minas 2014".

Em nenhum momento, o tucano se colocou como candidato realmente competitivo, nem antes nem depois da tragédia com Eduardo Campos, com quem disputava uma vaga no segundo turno, e que acabou sendo um divisor de águas na campanha, alçando à disputa direta com Dilma a ex-senadora Marina Silva, do PSB.

A impressão que se tem é que Aécio acorda cedo para ter mais tempo de ler todos os jornais e ali buscar inspiração para seus discursos e entrevistas do dia. Em lugar de agenda própria, parece seguir uma pauta pré-determinada pelo noticiário da mídia aliada.

Para atacar a presidente, vale qualquer assunto, da subida ou da queda do dólar e das bolsas, das últimas denúncias contra o governo federal ao pronunciamento da presidente na ONU. Se não houver novidade, é só voltar ao tema Petrobras, um inesgotável paiol de munição para os candidatos oposicionistas de qualquer calibre.

O jogo está jogado e agora falta pouco tempo para a abertura das urnas. diretora-executiva do Ibope Inteligência, a analista Márcia Cavallari já deu o quadro por consolidado no primeiro turno, com Dilma e Marina indo para o segundo, em disputa que promete ser acirrada. Para ela, teremos um segundo turno bastante apertado. "O cenário está totalmente aberto para a vitória de qualquer uma das duas".

O nome de Aécio nem entrou em consideração, mas ela deixou uma porta aberta, ao admitir que "qualquer novo episódio na campanha presidencial pode ter um efeito rápido nas intenções de voto". É nisso que Aécio joga suas últimas fichas., enquanto não saem as revistas de final de semana.

De fato, as únicas esperanças do tucano para virar o jogo concentram-se agora em possíveis novos vazamentos de delações premiadas do doleiro e do ex-diretor da Petrobras presos no Paraná _ e só lhe resta rezar para que aconteçam logo.

É muito pouco, convenhamos, para quem se dispôs a disputar o mais alto cargo da República pelo maior partido da oposição.

Para piorar a situação, o tucano vai mal das pernas também em Minas, embora tenha terminado seu segundo mandato de governador com altos índices de aprovação, e de onde esperava sair com uma grande vantagem para compensar sua votação nanica em outras regiões, especialmente no Nordeste.

Tanto na eleição presidencial como na estadual, Aécio corre agora o risco de sofrer uma surra histórica em sua própria terra. Sem projeto político federal, embora seja o presidente do PSDB, é para Minas que precisará voltar para juntar os cacos, embora prefira morar no Rio. Resta-lhe reocupar sua cadeira no Senado e voltar para a coluna da página 2 da Folha, onde escrevia antes de sair candidato. É muito pouco para quem sonhou tão alto por tanto tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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congresso 700 Reforma política já é apoiada por 7,7 milhões

 

Em tempo, às 14h55:

chegando da fisioterapia, fiquei sabendo que meu nome consta da lista dos 100 mais admirados jornalistas do país, entre os 55 mil profissionais em atividade,  segundo pesquisa inédita produzida por Maxpress e Jornalistas&Cia., ouvindo executivos de Comunicação Corporativa de todo o Brasil.

Fiquei num honroso 11º lugar, colocado entre dois mestres do jornalismo: José Hamilton Ribeiro e Jânio de Freitas.

Para quem está fora do mainstream das grandes redações desde 2002, quando saí da Folha para trabalhar na campanha do Lula, chega até a ser uma agradável surpresa. Não esperava tanto.

Heródoto Barbeiro e Fátima Turci, meus colegas da Record News, também estão na lista.

Meus parabéns a Ricardo Boechat e Miriam Leitão, que chegaram em primeiro lugar num empate técnico.

Para ver a lista completa:

http://emkt.jornalistasecia.com.br

É a segunda premiação que recebo esta semana. Desse jeito, vou acabar ficando mascarado...

Só tenho que, mais uma vez, agradecer a todos vocês.

Ricardo Kotscho

***

Recebi na manhã desta quinta-feira do meu amigo Thomas Ferreira Jensen, valoroso combatente dos movimentos sociais, uma excelente notícia, que você não vai encontrar nos jornalões: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político já conseguiu o apoio de exatos 7.754.436 de eleitores.

Apesar de ignorada pelos grandes meios de comunicação, a iniciativa organizada por 477 entidades dos movimentos sociais e sindicais, ultrapassou as expectativas  de participação popular nas urnas fixas espalhadas por todo o país e por meio da internet. O documento final com as assinaturas será entregue para a Presidência da República, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal nos próximos dias 14 e 15 de outubro, após um ato unificado em Brasília promovido pelas organizações que compuseram o plebiscito.

Ao fazer um balanço da campanha na sede do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na tarde de quarta-feira, o presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, mostrou a importância destes números num cenário em que a parcela conservadora da sociedade brasileira vende como negativa a ideia da participação de movimentos sociais e partidos na definição das regras do sistema político vigente no país.

"O plebiscito popular teve o caráter educativo de mostrar que há pessoas querendo modificações na política. Esse é o momento para as organizações que ainda não participam se engajem nesta luta", explicou o dirigente.

O presidente da CUT lembrou que, ao contrário do que acontece em outros países democráticos, uma consulta popular oficial tem que ser submetida ao Congresso. "Por isso, a única forma de fazer a proposta andar é pressionar por dentro e fora do Congresso e, principalmente, nas ruas, como forma de ganhar a consciência popular".

A iniciativa é encabeçada pelos deputados federais Renato Simões (PT-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP), e foi apoiada pelas candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva. Os temas do plebiscito incluem questões relacionadas ao sistema político, como o financiamento público de campanhas, a sub-representação de mulheres, indígenas e negros no parlamento e a importância do fortalecimento das consultas populares que permitam à população participar das decisões políticas de forma efetiva.

Eu acrescentaria o fim da reeleição para todos os mandatos executivos ou legislativos, em todos os níveis, a inclusão da cláusula de barreira (número mínimo de votos nos Estados e no conjunto do país) para evitar a proliferação dos partidos de aluguel, o fim das coligações nas eleições legislativas para permitir que os governantes tenham maioria nos parlamentos e não sejam obrigados a barganhar apoios por cargos e verbas.

E o caro leitor do Balaio? Que temas propõe para serem incluídos no plebiscito da reforma política? Já procurou se informar se os candidatos que você apoia para o parlamento se comprometem a lutar por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

O maior problema, meus caros, é que a reforma política depende dos políticos _ e, se eles não forem pressionados e cobrados, jamais o farão, pela simples e boa razão de que, para eles, do jeito que está, se melhorar, estraga.

 

 

 

 

 

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Post Kotscho 24 09 Pesquisas mostram Dilma abrindo a boca do jacaré

As curvas de todas as últimas pesquisas, desde a semana passada, incluindo o Ibope e o Vox Populi divulgados nesta terça-feira, mostram uma tendência clara: a "boca do jacaré" está se abrindo cada vez mais a favor da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, que vai aumentando a sua vantagem sobre Marina Silva

"Boca do jacaré" é uma figura de imagem utilizada pelos analistas e profissionais de pesquisa para definir o momento em que uma candidatura se descola da outra, uma curva apontando para cima e outra para baixo, saindo do empate técnico.

Na pesquisa Vox Populi, que foi para o ar no Jornal da Record, a diferença de Dilma para Marina é a maior: chegou a 18 pontos (40 a 22%), o que abre a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, pois Aécio Neves está com 17%. Por esta pesquisa, a presidente já teria um ponto a mais do que a soma dos outros dois.

A grande surpresa do levantamento ficou por conta das simulações para o segundo turno, em que Dilma, pela primeira vez, também aparece com uma larga vantagem: 46% das intenções de voto contra 39% da candidata do PSB.

Os índices do Ibope, levados ao ar pela TV Globo,  confirmam essa tendência, mas com diferenças menores. Em relação à pesquisa da semana anterior, Dilma subiu de 36 para 38%, abrindo 9 pontos, enquanto Marina caia de 30 para 29%, e Aécio se mantinha firme no lugar com os mesmos 19%. No segundo turno, em que Marina já chegou a abrir 10 pontos de vantagem nas diversas simulações, as duas aparecem agora numericamente empatadas, pela primeira vez: 41 a 41.

À medida que vai arrefecendo a onda provocada por Marina Silva na campanha eleitoral, que cheguei a chamar de furacão, após a tragédia aérea de Eduardo Campos, o fenômeno me faz lembrar da trajetória do candidato Celso Russomanno, do pequeno PRB, na campanha municipal de São Paulo, em 2012.

Assim como Marina, ele surgiu como uma "terceira via" contra a polarização entre PT e PSDB, também sem ter uma aliança forte, nem ser apoiado por lideranças políticas importantes. Comunicador e defensor do consumidor, aparecia como uma espécie de "nova política" municipal.  Em certo momento, antes do horário eleitoral, Russomanno disparou nas pesquisas, à frente do tucano José Serra e do petista Fernando Haddad, e alguns analistas chegaram a prever a possibilidade de uma vitória dele já no primeiro turno.

Assim como o foguete subiu, porém, em pouco tempo voltou a terra, ficando fora do segundo turno, vencido por Haddad. O que derrubou a zebra eleitoral foi a divulgação das suas propostas de governo, assim como está acontecendo com Marina agora, entre elas, a de implantar tarifas de ônibus cujo valor variava conforme a distância percorrida. Ou seja, o povo pobre da periferia distante pagaria mais do que os moradores da região central _ uma ideia de jerico sugerida por algum assessor lunático (não confundir com "sonhático"), como ele próprio reconheceu numa conversa que tivemos depois da eleição.

Claro que cada eleição é uma história diferente, e nada tem a ver uma com a outra, mas são muitas as coincidências entre as duas campanhas. O que há de bem diferente é que, na eleição presidencial, o PSDB, pela primeira vez nos últimos 20 anos, pode ficar de fora do segundo turno, se é que vai haver. Parece que Aécio não tem jeito mesmo, apesar de todo o empenho do empresariado paulista, da mídia amiga e de Fernando Henrique Cardoso, como apontei no post anterior.

Vamos agora ver o que nos reserva a nova pesquisa Datafolha, que deve ser divulgada nesta quinta-feira e poderá confirmar, ou não, esta fome do jacaré na reta final da campanha.

Valeu, Brasileiros

Por um imperdoável lapso deste que vos escreve, provocado pela emoção e o desejo de falar pouco, já que não gosto de discurso, me esqueci de agradecer ao amigo e editor Hélio Campos Mello, e a toda sua equipe da brava revista Brasileiros, a generosa ajuda que me permitiu ganhar, mais uma vez, o Prêmio Comunique-se, na categoria mídia impressa, que recebi na noite desta terça-feira.

Se fosse agradecer a todo mundo _ família, colegas, leitores, telespectadores e internautas _ que me permitiram chegar àquele palco do HSBC rodeado pelos melhores jornalistas do país, no ano em que completei 50 anos de profissão, passaria o resto da noite falando e, certamente, me esqueceria de alguém. Tinha que dedicar esse prêmio à equipe da Brasileiros, que neste ano comemorou oito anos nas bancas. Faço-o aqui, com a alma lavada e a felicidade do dever cumprido. 

Valeu, obrigado a todos.

Vida que segue.

 

 

 

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