Manchete do nosso portal R7 na manhã desta quinta-feira:

"Desemprego atinge menor índice de fevereiro desde 2002"

Manchete da Folha:

"Oposição consegue apoio para criar CPI da Petrobras"

Quem lê as duas manchetes acima pode me perguntar o que uma tem a ver com outra. É simples: no mesmo dia em que o desemprego atinge seus índices mais baixos, a oposição consegue aprovar a CPI da Petrobras, com a ajuda de senadores da base aliada, única forma encontrada para desconstruir a imagem positiva do governo Dilma.

A aliança de Aécio Neves com Eduardo Campos para criar a CPI da maior estatal brasileira em pleno ano eleitoral já trouxe seus primeiros resultados. Após uma semana de bombardeio da mídia denunciando a estranhíssima compra da refinaria de Pasadena, entre outros malfeitos na administração da Petrobras, procurando envolver a presidente Dilma nos negócios mal explicados, já provocaram seus primeiros efeitos na pesquisa Ibope feita para a CNI e divulgada agora há pouco.

politicos Eduardo e Aécio se unem na CPI e Dilma cai no Ibope

A aprovação do governo caiu sete pontos (de 43% para 36%), a aprovação à maneira de Dilma governar foi de 56% para 51% e o índice de confiança na presidente perdeu quatro pontos (de 52% para 48%).

dilma ok1 Eduardo e Aécio se unem na CPI e Dilma cai no Ibope

E isso pode ser só o começo, pois a CPI do Senado ainda não foi instalada e talvez nem seja, pois sempre existe a possibilidade de retirada das assinaturas até que a proposta tenha sido lida em plenário pelo presidente Renan Calheiros, que parece não ter muita pressa.

Até o final da semana, Eduardo Campos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal mentor de Aécio, eram contrários à criação da CPI, mas mudaram de ideia ao ver neste instrumento a melhor maneira de acuar o governo Dilma e abalar seus índices positivos em todas as pesquisas até aqui.

O apoio do PSB de Campos acabou sendo decisivo para a coleta de 28 assinaturas, uma a mais do que o mínimo necessário para a instalação de uma CPI no Senado. Como Aécio havia tomado a iniciativa de investigar a Petrobras no Congresso Nacional, Campos corria o risco de ficar a reboque na disputa para ver qual dos dois é mais oposição ao governo na luta por uma vaga no segundo turno.

Confesso que não é nada fácil escrever uma coluna política neste ambiente de fortes emoções em que o quadro se altera a cada dia. Após comemorar a vitória na aprovação do Marco Civil da Internet, a articulação política do governo simplesmente desapareceu e a oposição acabou conseguindo a adesão de oito senadores da base aliada que, novamente, se mostrou mais furada do que um queijo suíço.

Mal conseguiu controlar os rebeldes de Eduardo Cunha na Câmara, o governo agora vai ter que recompor sua base no Senado, em que cinco partidos (PMDB, PSC, PSD, PDT e PP) ajudaram a oposição a conseguir o número mínimo de assinaturas. Tirar alguma delas agora não será tarefa fácil e não sairá barato, como sabemos.

Vou parando por aqui, antes que surja algum outro fato novo, porque está na hora de ir para a fisioterapia, a tortura diária que enfrento há dois meses, enquanto os embates e atropelos de Brasília não me dão um dia de folga.

Diante disso, abstenho-me de fazer qualquer previsão sobre o que pode acontecer nas próximas 24 horas. Se nem o governo, a esta altura, sabe o que ainda vem por aí, como é que eu vou saber?

 

 

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img20140325212777722706 Governo reage, ganha e oposição se agarra à CPI

Nada como um dia após o outro, com uma noite no meio, é claro. E a noite desta terça-feira foi do governo, que reagiu na hora certa e ganhou por aclamação com o voto simbólico das lideranças de quase todos os partidos: após mais de dois anos de duras negociações, foi aprovado o Marco Civil da Internet, o único projeto de real importância previsto para ser votado este ano no Congresso Nacional.

No mesmo dia, o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de risco Standard & Poors teve o efeito contrário ao que esperavam os especuladores e a turma do quanto pior melhor abrigada nas colunas apocalípticas da imprensa. No final do dia, para espanto dos "especialistas", a Bolsa subiu e o dólar caiu.

Assim, dissiparam-se as nuvens escuras que sobrevoavam o governo no inicio da semana. O céu só não clareou de todo  porque ainda paira no ar a criação da uma CPI da Petrobras, agora a única tábua de salvação para as combalidas campanhas dos candidatos de oposição.

O tucano Aécio Neves e agora também Eduardo Campos, do PSB, que não estava muito interessado nisso, mas ficou com medo de ser passado para trás pelo concorrente como mais aguerrido candidato de oposição, convocaram suas tropas de choque com a missão de recolher as assinaturas necessárias para a criação da CPI, o que ainda estavam longe de conseguir até ontem à noite.

Era comovente o esforço de figuras patéticas como o tucano Álvaro Dias e o democrata José Agripino, com a ajuda do deputado Rubens Bueno, o estafeta do PPS, que só faz isso, implorando o apoio de seus colegas.

Sem propostas capazes de entusiasmar o eleitorado, Aécio e Eduardo ganharam o discurso da CPI, mas se não conseguirem instalar a comissão, o que no momento parece improvável, vão ter que começar tudo de novo para encontrar um mote de campanha que não seja só atacar o governo Dilma.

A política é como a vida da gente: tem dia em que tudo dá certo, tem dia em que tudo dá errado. A vida não é linear, e os ventos a favor ou contra podem mudar a qualquer momento, independentemente da nossa vontade. Ontem, por exemplo, eu sentia muita dor no braço que quebrei há dois meses. Sem tomar remédio e sem que nada de diferente tivesse acontecido, amanheci disposto, as dores sumiram.

Ainda temos muito chão pela frente, mas depois que a base aliada se acalmou e, no fim, até Eduardo Cunha apoiou o projeto do governo para a criação do Marco Civil da Internet, contrariando os interesses de poderosos lobbies dos provedores, teles e empresas de comunicação, o governo volta a ter a iniciativa do jogo e a oposição partidária e midiática vai continuar esperando algum "fato novo" para mudar o rumo das pesquisas, se a CPI não vingar.

Mais uma vez, a "crise do fim do mundo" foi adiada. E, ao contrário do que escreveram alguns comentaristas mais afoitos sobre minha coluna de ontem, eu continuo exatamente no mesmo lugar, fiel aos meus princípios e à verdade factual dos acontecimentos, que teimam em mudar de um dia para outro. Não fosse assim, não precisaria estar aqui atualizando o Balaio todo dia, com ou sem dor no braço.

 

 

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nuvens ok Oposição ganha um discurso e Dilma pode perder bandeira

Resumo da crise da Petrobras, após uma semana de denúncias: a oposição, finalmente, ganhou uma bandeira eleitoral, e a presidente Dilma Rousseff, a "mãe do PAC" em 2010, pode perder sua principal bandeira na luta pela reeleição, a da competência administrativa, apresentada que foi como a grande gerente por seus marqueteiros.

De uma semana para outra, inverteram-se os papéis, com a oposição no ataque e o governo na defensiva, cercado de crises por todos os lados, sob cerrado cerco da mídia, que estava só esperando um gancho para destruir a principal imagem da presidente.

Para completar o quadro adverso enfrentado pelo governo e dar mais munição às oposições partidárias e midiáticas, a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poors) rebaixou a nota de avaliação do Brasil, em razão da deterioração das contas públicas, da crise no setor energético e dos baixos índices de crescimento _ exatamente os temas prediletos que os adversários de Dilma vêm martelando em seus discursos para desgastar a atual administração, até aqui sem grandes efeitos.

Quando retornarem nesta terça-feira a Brasília, os nossos nobres parlamentares, que só costumam trabalhar três dias por semana, decidirão pela abertura ou não de uma CPI da Petrobras, que poderá marcar a disputa eleitoral daqui para a frente.

Comendo poeira nas pesquisas, em que Dilma tem o dobro da intenção de votos dos seus principais concorrentes, Aécio Neves e Eduardo Campos contarão com a prestimosa ajuda do deputado Eduardo Cunha, líder da bancada do PMDB e do "blocão" criado para se opor ao governo, na tentativa de conseguir as assinaturas necessárias, já que seus partidos sozinhos não têm número nem para aprovar votos de congratulações.

A CPI da Petrobras, na verdade, já começou, com a imprensa no papel de promotor e juiz, fazendo uma verdadeira devassa na maior empresa estatal brasileira, a cada dia noticiando novos malfeitos em diferentes refinarias e revelando novos personagens suspeitos, para a alegria de colunistas e blogueiros que não querem saber de outro assunto.

O fato é que, com ou sem CPI, Dilma já contabiliza prejuízos em sua imagem  de administradora austera e competente, pois era ela a chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras na época em que foram fechados contratos que causaram enormes prejuízos à empresa, como a compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, que valia US$ 40 milhões e na qual a empresa já torrou mais de US$ 1 bilhão.

A urubuzada está só à espera de novas revelações e agora negocia a ida à Câmara de Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da empresa demitido na semana passada, depois que a presidente Dilma o responsabilizou por um relatório falho e omisso que levou o conselho a aprovar a compra da usina de Pasadena, em 2006.

Aos leitores que me criticam por dizer uma coisa num dia e outra na semana seguinte, lembro que sou um escravo dos fatos. "A política é como nuvem", já dizia Magalhães Pinto, ex-governador de Minas e um dos líderes civis do golpe militar de 1964: "Você olha para o céu e as nuvens estão de um jeito. Olha de novo, e já mudou tudo".

Por mais que eu não queira, nuvens plúmbeas pairam neste momento sobre o governo Dilma, a seis meses das eleições, numa corrida presidencial que parecia mais um passeio e agora se mostra imprevisível. Os ventos mudaram de uma hora para outra. Nestas horas, como eu mesmo já dizia nas campanhas presidenciais de Lula, não adianta culpar os adversários pelas nossas dificuldades.

Dilma pode ter perdido o timing para fazer as mudanças que eram clamadas por seus aliados na área econômica e na articulação política do governo. Agora, só lhe resta correr atrás do prejuízo, enquanto é tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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kotscho1 Marchas das trevas são um fracasso em todo o país

Nem queria interromper meu sagrado domingo com os netos no sítio para falar desta bobagem, mas depois de ler o noticiário e ver as imagens das tais "Marchas da Família" programadas para este sábado em várias capitais, quase 50 anos depois do golpe militar _ e civil _ que derrubou o presidente João Goulart e implantou uma ditadura assassina, não poderia ficar calado diante deste retumbante fracasso que levou seus parcos manifestantes ao ridículo, expondo os fantasmas que sobreviveram às trevas. Entre as viúvas da ditadura, foram notadas as ausências de alguns blogueiros e comentaristas de televisão.

É revoltante ver, em meio ao mais longo período de amplas liberdades democráticas da nossa história, um bando de malucos celerados carregando santos e terços para pedir a queda do governo e a volta da ditadura. Um grito de guerra entoado por vozes cansadas pregava "Fora PT, não queremos eleições, queremos intervenção", expressando o que uma certa elite financeira e midiática até deseja, mas não tem coragem de dizer, exatamente como fez em 1964 com Jango.

Querem fazer de Dilma um novo Jango, mas se esquecem que o Brasil de hoje é outro Brasil, e o povo não vai abrir mão das conquistas destes anos de democracia plena, que resgataram 40 milhões de cidadãos da miséria e promoveram a maior inclusão social da história recente, devolvendo a cada um de nós o orgulho de ter nascido nesta terra.

Não por acaso, certamente, o cerco a Dilma promovido pela oposição partidária e midiática, tendo como pretexto velhas denúncias contra a administração da Petrobras, aumentou exatamente na mesma semana em que uma nova pesquisa Ibope indica a reeleição da presidente no primeiro turno. Sem esperanças nas urnas, querem retomar o poder por outros meios. Aa baixaria das "Marchas da Família" _ da familia de quem? _ serviu apenas para demonstrar, mais uma vez, a distância entre o país real e aquele que uma minoria imagina ser de sua propriedade.

Entre tantas outras, como a de uma marchadeira em Brasília, de quepi na cabeça, discursando para ela mesma com um guarda chuva na mão, uma cena resume bem o que foi este dia triste na nossa história. Em São Paulo, sete manifestante _ exatamente sete _ que promoveram um protesto junto ao Obelisco do Ibirapuera, marcharam até o Comando da 2ª Região Militar para pedir a volta da ditadura.

Podem tirar seus cavalinhos da chuva. Se tem alguem neste país que não quer nem ouvir falar em novo golpe militar são exatamente os militares, profissionais formados na democracia e dedicados unicamente às suas funções constitucionais.

Num país de 200 milhões de habitantes, o que são 500 marchadeiros em São Paulo, outros tantos no Rio, 50 em Fortaleza, 30 em Manaus, 25 no Recife, em sua maioria homens mais velhos e senhoras histéricas cantando o Hino Nacional? Em todos os lugares, havia mais policiais e jornalistas do que manifestantes  acenando com o perigo do comunismo, algo em que nem Putin acredita mais, e Roberto Freire já abandonou há muito tempo, em troca de algumas boquinhas, num patético retrato em branco e preto de um tempo que já morreu e esqueceu de dizer adeus.

Ditadura nunca mais!

 

 

 

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Acabou o verão, entramos no outono, faltam pouco mais de seis meses para as eleições presidenciais, e nada mudou no primeiro Ibope do ano divulgado na noite desta quinta-feira. Dilma continua com os mesmos 43% de novembro do ano passado, Aécio passou de 14 para 15% e Eduardo Campos continua empacado com 7% das intenções de voto. Em qualquer cenário, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Algumas anotações sobre os números da pesquisa:

* Somando os que declararam votar nulo ou em branco (22%) com os que não sabem quem escolher ou não quiseram responder (10%) constatamos que um em cada três eleitores ainda não tem candidato, um número bastante alto a esta altura do campeonato em que apenas três nomes disputam para valer a sucessão presidencial.

* A liderança folgada de Dilma deve num primeiro momento acalmar os ânimos dos rebelados da base aliada e arrefecer os movimentos da turma do "volta Lula".

dilma coletiva ny 20110921 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* A aliança de Eduardo Campos com Marina Silva, saudada como o grande fato político de 2014, que ainda não resultou em casamento, não foi um bom negócio para nenhum dos dois até agora. Marina caiu mais 4 pontos de novembro para cá (foi de 16 para 12%) e Eduardo não consegue agregar os votos perdidos por sua parceira, ficando no mesmo lugar.

 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* Aécio Neves continua ainda bem abaixo do patamar alcançado por José Serra nesta mesma época da eleição presidencial de 2010. Com Marina no lugar de Eduardo, Dilma e Aécio caem apenas um ponto.

 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* Pela primeira vez, o Ibope incluiu cinco nanicos no levantamento, mas eles não alteram quase nada o cenário: com eles, Dilma teve 40% das intenções de voto, Aécio ficou com 14% e Eduardo com 6%. Dificilmente a entrada de qualquer outro candidato vai mudar este quadro, a não ser que Joaquim Barbosa, o presidente do STF, mude de ideia e se lance agora, o que é cada vez menos provável.

* Caso haja um segundo turno, qualquer que seja o adversário, pelos números atuais a reeleição de Dilma será um passeio: 47 a 20 contra Aécio, 45 a 21 contra Marina, 47 a 16 contra Eduardo.

* Só bater em Dilma e no governo, com a sempre prestimosa ajuda da mídia grande, em lugar de os candidatos de oposição apresentarem um programa de governo ou pelo menos algumas propostas para o país, até agora não comoveu o eleitorado a ponto de mudar seu voto.

* Parece que a campanha eleitoral deste ano será bastante curta, já que até agora o assunto só tem motivado políticos e jornalistas, limitando-se a disputa a uma troca de ofensas entre comentaristas nas redes sociais.

* Ao que tudo indica, só um fato novo grave e absolutamente imprevisível pode levar a mudanças radicais nas próximas pesquisas, que devem ficar no piloto automático enquanto se mantiverem os atuais índices positivos de emprego e renda como os divulgados esta semana.

 

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Até aqui, a figura da presidente Dilma Rousseff conseguiu se manter preservada do bombardeio de denúncias disparadas praticamente desde o primeiro dia do seu governo contra ministros, ministérios e empresas estatais. Nada atingia diretamente a presidente, mas apenas seus auxiliares, que foram sendo afastados um a um, enquanto a presidente se portava como uma rainha cercada de malfeitores por todos os lados.

Agora, com as novas revelações sobre a estranhíssima compra superfaturada feita pela Petrobras de uma usina em Pasadena, nos Estados Unidos, Dilma viu seu nome diretamente envolvido no caso, já que era na época do negócio, em 2006, presidente do Conselho de Administração da empresa e aprovou a compra.

Em resumo, a Petrobras pagou à Astra Oil US$ 360 milhões por metade da refinaria de Pasadena, que havia sido comprada pela empresa belga no ano anterior por apenas US$ 42,5 milhões. Para completar, a Petrobras perdeu uma ação na Justiça e teve que pagar mais US$ 820,5 milhões pela outra metade, totalizando U$ 1,19 bilhão. Ou seja, a Petrobras pagou por uma refinaria desativada 20 vezes mais do que valia no mercado pouco tempo antes. Dilma votou a favor da compra.

Era tudo o que a oposição e a mídia amiga esperavam para bombardear a presidente, que caminhava até o final do ano passado para uma tranquila reeleição. A reação de Dilma, divulgando uma nota escrita de próprio punho para responder à revelação feita pelo Estadão, também não ajudou em nada a diminuir os prejuízos.

Em vez de discutir antes com a Petrobras o teor da nota, a presidente se reuniu apenas com alguns ministros próximos para criticar o parecer "técnica e juridicamente falho, com informações incompletas" em que baseou sua decisão e argumentou que, se todas as cláusulas fossem conhecidas, não seriam aprovadas pelo conselho. Pior: na mesma nota, afirmou que a Petrobras já tinha aberto, em 2008, um procedimento de apuração de prejuízos e responsabilidades, fato negado pela estatal, que informou ao Congresso Nacional, em setembro do ano passado, que o negócio não foi objeto de apreciação por órgão de controle interno.

Em política, como se sabe, ainda mais em ano eleitoral, toda vez que um candidato é obrigado a dar explicações sobre algum fato controverso já entra mal no jogo. O caso colocou o governo na defensiva e daqui para frente vai ter que ficar toda hora tentando justificar o injustificável. Mesmo atribuindo a responsabilidade a terceiros, a presidente não tem como negar que tenha sido relapsa ao analisar um negócio de tamanho vulto, que acabou dando um prejuízo bilionário à Petrobras.

E acabou dando munição à oposição, que não perdeu tempo. "Agora é uma questão com a sociedade brasileira. E acho, digo isso como presidente do maior partido de oposição no Brasil, que a presidente da República deve uma explicação direta à sociedade brasileira. O que a fez tomar esta decisão? O desconhecimento do tema ou foi induzida por um relatório que tinha outras intenções?", cobrou o presidenciável Aécio Neves da tribuna do Senado.

Quem poderia dar estas respostas é o autor do relatório, o então diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, atual diretor financeiro da BR Distribuidora, que viajou rapidinho para a Europa na mesma quarta-feira em que a bomba estourava em Brasília. Caberia ainda outra pergunta: como é que, depois da lambança do parecer "técnica e juridicamente falho", segundo Dilma, Cerveró não só não foi demitido como ganhou um cargo de diretor em outra estatal?

Só agora, oito anos após a compra da refinaria de Pasadena, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal e o Ministério Público poderão esclarecer o que aconteceu e quem são os responsáveis por esta inacreditável transação. Dilma e a Petrobras não quiseram fazer ontem comentários oficiais sobre o caso, que certamente permanecerá no noticiário por um bom tempo, alimentando os discursos da oposição e rendendo manchetes contra a Petrobras e o governo.

Para quem estava em busca de um fato novo na campanha presidencial, não poderia surgir nada melhor, ainda mais na semana em que o Ibope está em campo para divulgar uma nova pesquisa eleitoral.

 

 

 

 

 

 

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foto 1 Eduardo já busca apoio de Richa no segundo turno

Em meio à longe entrevista que o governador do Paraná, o tucano Beto Richa, concedeu nesta terça-feira a o Heródoto Barbeiro e a mim no Jornal da Record News, ele acabou fazendo uma revelação a mostrar como estão adiantadas as articulações dos diferentes partidos para os palanques das próximas eleições.

O PSB de Eduardo Campos já faz parte da base do governo de Richa e vai apoiá-lo na campanha à reeleição. Para evitar constrangimentos ao amigo, comprometido com Aécio Neves, o candidato do seu partido, o governador de Pernambuco não pediu em troca que Richa suba no seu palanque para apoiá-lo no Paraná, mas mostrou como já está pensando lá na frente, num possível segundo turno.

"Como você deve ganhar no primeiro turno, não vai ter problema nenhum subir no meu palanque no segundo. Eu tenho certeza que estarei lá". Mais do que um previsível acordo entre políticos do PSDB e do PSB, o que a conversa revela é o otimismo de Eduardo Campos em disputar o segundo turno com Dilma, apesar do seu terceiro lugar nas pesquisas neste momento. E, principalmente, seu rompimento definitivo com o PT de Lula, fechando aliança com os tucanos desde já. A candidata do PT no Paraná é a senadora Gleisi Hoffmann, até outro dia chefe da Casa Civil de Dilma.

Richa ficou impressionado com a confiança de Eduardo em sua candidatura presidencial e passou mais tempo criticando o atual governo do que apresentando possíveis propostas do PSDB para alavancar a campanha de Aécio Neves, ainda o segundo colocado nas pesquisas. E reconheceu que as duas candidaturas são muito parecidas, até pelas origens e trajetórias de Aécio e Eduardo.

Fora isso, a entrevista não trouxe grandes novidades porque repetiu o mantra de todos os discursos de candidatos de oposição que entrevistamos até agora: Richa defende um "choque de gestão" e atacou a área de energia do governo Dilma, segundo ele "um verdadeiro desastre".

 

 

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12 10 2011 11 40 12 linha de montagem da yamaha Novos empregos dobram em fevereiro: é a crise da Dilma

"Brasil dobra criação de empregos formais em fevereiro".

Não sou eu quem está dizendo, mas a Folha. Só que se engana quem imagina que esta é a manchete do jornal. Nem saiu na primeira página. A notícia mais importante para os trabalhadores brasileiros saiu num pé de página do caderno Mercado.

É assim que costuma agir a nossa isenta imprensa, ao contrário da máxima de Rubens Ricupero: o que é bom a gente esconde; a notícia ruim é superdimensionada e ganha todos os destaques, como se pode ler na manchete de capa do caderno: "Rombo do setor elétrico pode subir R$10 bi". Na mesma página, outra previsão catastrófica: "Luz levará inflação ao topo da meta, fiz FGV". Poder, tudo pode. O problema é que raramente estas previsões se confirmam, e depois ninguém fala mais nisso.

No mesmo dia, no mesmo país, na direção oposta, o site de política Brasil 247 mostra os primeiros números da economia em 2014, todos eles positivos: "Com prévia de crescimento de 2,26% em janeiro, aumento de 3,1% na atividade industrial, criação 111% maior de empregos no primeiro mês do ano sobre mesmo período de 2013 e manutenção de investimentos, economia real deixa pregadores da catástrofe falando sozinhos".

O aumento de 3,1% na indústria foi medido pelos economistas do Banco Itau, lideres implacáveis da bancada financeira de oposição ao governo, que também verificou um aumento de 2,1% no comércio varejista.

O que vão dizer agora os analistas, colunistas, comentaristas e blogueiros que vinham anunciando a "crise" final do governo Dilma? Depois, eles ficam surpresos com as pesquisas que apontam folgada liderança de Dilma na corrida presidencial, não entendendo como os fatos e os eleitores se recusam a obedecer às suas apocalípticas previsões sobre a chegada do fim do mundo.

No próximo final de semana, deve ser divulgada nova pesquisa Ibope e aí veremos de novo aquele chorrilho de explicações dos "especialistas" tentando entender o "fenômeno" da presidente, que é diariamente massacrada na mídia e continua com altos índices de aprovação para o seu governo. Os sábios só se esquecem de uma coisa: o que importa para a maioria dos trabalhadores/eleitores é justamente o nível de emprego e de renda, que continuam mostrando números positivos.

Arranca-rabos no Congresso Nacional entre o governo, o PMDB e o PT, palanques estaduais, fofocas sobre as "regalias" de ex-dirigentes do PT presos na Papuda, problemas nos estádios da Copa do Mundo, críticas sobre a modesta minirreforma ministerial _ tudo isso passa longe da cabeça do eleitor na hora de decidir o seu voto. Vai ver no ponto de ônibus se alguém sabe quem é Eduardo Cunha.

Se está satisfeito com a vida que leva, com o emprego e a renda que conquistou, vota pela continuidade; caso contrário, vota na oposição, desde que alguém lhe apresente um bom motivo para isso e lhe garanta uma vida melhor com propostas concretas e não só discursos. Até agora, não apareceu este personagem, e já andam falando até em colocar FHC como vice de Aécio Neves para salvar a candidatura tucana, enquanto Eduardo Campos e Marina Silva ainda discutem a relação antes de oficializar o casamento várias vezes adiado.

Entre a vida real e a vida retratada pela mídia há um abismo cada vez maior.

 

 

 

 

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kotscho Time de Muricy é fraco mesmo, não teve marmelada

O mesmo São Paulo que derrotou o Corinthians por 3 a 2, no domingo anterior, com alguns poucos desfalques perdeu por 1 a 0 para o Ituano, no Morumbi, desclassificando seu velho rival do Paulistinha.

Por conta disso, muita gente logo começou a falar que o time de Muricy entregou o jogo, que foi marmelada, que o São Paulo ficou com medo de enfrentar o Corinthians na fase final. Tudo bobagem.

Foi apenas uma derrota a mais. Das 14 partidas disputadas até aqui, o São Paulo ganhou apenas a metade, e poucas vezes convenceu seus torcedores de que tem time para disputar o título.

Só vi o segundo tempo do jogo deste domingo e bastaram apenas alguns minutos para perceber que aquele ataque do São Paulo não iria marcar um gol nunca para empatar o jogo que estava 1 a 0 para o Ituano. Não porque não quisesse, para prejudicar o Corinthians, mas simplesmente porque faltou um mínimo de organização em campo, a começar pelo meio de campo, totalmente dominado pelo time de Itu, que ganhou porque jogou melhor, só isso.

Luís Fabiano voltou a ficar nervoso a cada marcação do juiz, Ganso agora também deu para ficar reclamando o tempo todo, em vez de correr atrás da bola, e acabou expulso, enquanto Osvaldo ainda tentava alguma jogada de linha de fundo, mas acabava saindo com bola e tudo.

Muricy insiste em colocar Rodrigo Caio no meio de campo, que não é a dele, e está demorando demais para dar uma chance à molecada dos times de base. Aí não adianta ficar à beira do campo fazendo cara de galo velho (como diz o Zé Simão) a cada jogada que não dá certo porque até agora não conseguiu montar um time competitivo.

Mas nada disso dá direito a Mano Menezes e outros manés do Corinthians de colocar em dúvida a dignidade dos profissionais do São Paulo, como fizeram, depois de conseguir não marcar nenhum gol no Penapolense (que clássico!). Mano foi fundo na sua filosofia de boteco sofisticado: "Os deuses do futebol estão lá em cima e sabem bem conduzir o comportamento de cada um quando a bola rolar lá na frente. Vamos esperar o que os deuses vão fazer".

Se Mano ficar esperando pelos deuses do futebol, e dependendo de outros times para se classificar, vai acabar antes perdendo o emprego. Seu time não está jogando nada e Luxemburgo já avisou que, se precisarem dele,  está à disposição. Entre os grandes neste Paulistinha, pior do que o meu São Paulo, só o antigo time de Tite que, em pouco tempo, Mano conseguiu desmontar.

Técnico não ganha jogo, é verdade, mas pode perder.

 

 

 

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TOQUE TOQUE PEQUENO _ Manhã de domingo de sol nesta pequena praia de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Só se ouve o barulho do mar, dos passarinhos e de cachorros latindo. Parece que o mundo parou, todos ainda estão dormindo. O jornal ainda não chegou. Abro o computador e encontro as mesmas notícias de ontem, de anteontem, da semana que passou.

Sem nada para fazer, nem ninguém para conversar, sento na varanda e fico só olhando o jardim, os passarinhos indóceis voando de uma árvore para outra, cantando, como se estivessem dizendo bom dia.

Só não é um dia como outro qualquer porque hoje é meu aniversário, mas ninguem precisa mandar presentes nem mensagens. Nesta idade, pensando bem, melhor é nem lembrar da data. Tenho cada vez menos tempo pela frente do que para trás. Nunca fiquei e me senti tão velho.

Neste mesmo dia, um velho amigo, ainda mais velho do que eu, também faz aniversário. Só que hoje não vai dar pra gente comemorar juntos, como fazemos todos os anos, porque ele está preso em regime fechado, bem longe daqui, na Papuda.

Conheci o Zé Dirceu tão falado em 1968. Os dois estávamos começando na carreira: o Zé na política e eu no jornalismo. Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, ele foi preso junto com outros mil naquele fatídico congresso clandestino da UNE de 1968, em Ibiúna.

dirceu 450 O tempo correu e o Zé Dirceu continua mais velho

Cada um no seu quadrado, participamos juntos de todas as lutas pela redemocratização do país e depois das campanhas e do início do primeiro governo de Lula. Nem sempre concordando, muitas vezes brigando por pontos de vista diferentes, mas sempre respeitando um o papel do outro, choramos e rimos juntos numa relação fraterna feita de lealdade e sonhos mútuos que atravessou quase cinco décadas.

O tempo correu e o Zé virou um senhor de 68 anos, dois a mais do que eu, embora pareça muitos mais, ou seja, é quase de uma outra geração... Nunca vou alcançá-lo... No silêncio desta manhã de domingo, separados por mais de mil quilômetros e os muros da Papuda, mando daqui um forte abraço, embora o braço quebrado ainda doa quando escrevo. Espero que logo a justiça se faça e o meu braço e a liberdade dele estejam recuperados.

Nada como o tempo pra curar as feridas e ter certeza de que a força de uma amizade é maior do que tudo, maior do que a dor que a gente às vezes sente. A vida é dura, como ele sempre dizia quando a gente estava no governo, mas vale a pena. Até breve, companheiro.

 

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