Publicado em 05/07/15 às 11h31

Em defesa da internet e da democracia

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computador Em defesa da internet e da democracia

Caros amigos do Balaio,

faz tempo que não temos uma conversa, digamos mais pessoal, sobre os rumos do nosso blog, que completa sete anos em setembro.

Neste trabalho diário de comentar o que está acontecendo no nosso país e no mundo, tanto eu como vocês já passamos por diferentes fases, vivemos muitos altos e baixos, aos trancos, barrancos e solavancos. De vez em quando, é bom dar uma freada de arrumação no burrico para ajeitar as melancias.

Aproveito este domingo cinzento de inverno em São Paulo, no dia mais frio do ano, para fazer um breve balanço, não só do que vejo por aqui, mas também em outros sítios da internet.

Estou cada vez mais assustado com o nível dos debates _ se é que se pode chamar de debates a troca feroz e insana de ofensas e acusações _ neste interminável Fla-Flu, que se acirrou durante a última campanha eleitoral e está chegando a níveis perigosos de intolerância e radicalização.

De tão repetitiva, esta guerra nas redes sociais está se tornando, além de tudo, muito chata, jogando fora o grande instrumento de democratização de informações e opiniões proporcionado pela internet.

Por isso, tenho procurado variar os assuntos nas últimas semanas, saindo um pouco da marcha batida da crise rumo ao brejo, na esperança de acalmar os ânimos e refletir sobre outros fatos da vida real, fora do dia a dia da disputa política. A vida, afinal, não pode ser só isso.

Com tristeza, noto que quase ninguém quer saber de parar um pouco para pensar no que estamos fazendo com nosso país. Estamos todos virando um bando de donos da verdade, que não admitem nem ouvir o que os outros pensam?

Pouco importa o que escrevo aqui _ e tenho a impressão de que muitos só leem o título _, pois cada um se sente no direito de usar a nossa democrática área de comentários para tratar do que bem entende na defesa das suas verdades absolutas.

Depois de tanto tempo de convívio, muitos ainda não se deram conta de que este não é um blog político destinado a jogar mais gasolina na fogueira ou a tentar apagar incêndios. Este é um blog jornalístico, que procura tratar de fatos relevantes ou não, discutir ideias e rumos. Não quero convencer nem converter ninguém a nada.

Nunca fui escravo da audiência nem escrevo para agradar leitores, muito menos a angariar seguidores, mas me dedico com afinco a ser honesto com eles, a procurar as versões mais próximas da realidade factual para que cada um possa formar sua própria opinião. E quando erro, como aconteceu recentemente na questão do aumento dos servidores do Judiciário, vocês são testemunhas disso, procuro me corrigir com a maior brevidade possível.

A vida inteira fui acima de tudo apenas um repórter e assim pretendo terminar minha carreira. Confesso que às vezes me dá um certo desânimo ao constatar que vou ficando cada vez mais isolado nesta minha profissão de fé no ofício de jornalista, sem adjetivos, que antes de tudo deve servir ao público.

Tanto nas velhas como nas novas mídias prolifera cada vez mais o discurso panfletário, à direita e à esquerda, sem compromisso com a sociedade para quem trabalhamos, que tem o sagrado direito de ser bem informada, com liberdade de expressão para todos e respeitando os princípios democráticos. Neste cenário sombrio, que já beira o fascismo, todos correm o risco de perder totalmente o que lhes resta de credibilidade. Cada vez mais gente não acredita no que lê.

Pois é exatamente isto que estamos colocando em risco ao misturar no mesmo balaio jornalismo e propaganda, interesses comerciais e políticos, de indivíduos ou de empresas. Lamento ter que deletar cada vez mais comentários preconceituosos, ofensivos e grosseiros, mas nem penso em fechar a área de comentários, como muitos dos meus colegas blogueiros já fizeram, por não suportarem mais este ambiente contaminado que faz mal à alma e ao estômago.

Afinal, a interação entre autores e receptores de informações, numa permanente troca de experiências de vida e diferentes visões do mundo, é a grande conquista desta verdadeira revolução promovida pelas redes sociais nas comunicações humanas.

Em defesa da internet e da democracia, precisamos ser mais cuidadosos com o que escrevemos para preservar este maravilhoso espaço de liberdades públicas duramente conquistado. Aqui ninguém vai ganhar no grito. Comentários bem humorados serão sempre bem vindos, mas favor não confundir com deboches e brincadeiras cretinas. Não estamos interessados em saber o que um pensa do outro. Para mim, são todos iguais, não importam suas posições políticas.

Sem respeito à opinião alheia, perdemos todos, perde o país.

Vida que segue.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Acabei de assistir agora à belíssima festa da vitória do Chile, pela primeira vez campeão da Copa América, em pleno Estádio Nacional, aquele mesmo de tão tristes lembranças. Foi emocionante de ver, uma comemoração como faz muito tempo não acontecia no mundo do futebol.

No meio da torcida, ninguém parecia mais feliz do que a presidente Michelle Bachelet, com a camisa vermelha da sua seleção, sem seguranças por perto, balançando sem parar a bandeira chilena. Do torturador general Pinochet à democrata Bachelet, que grande diferença, que fantástica virada deu o Chile!

No palco armado à beira do gramado para a entrega de medalhas e troféus, os jogadores chilenos estavam cercados por suas famílias, carregando filhos no colo, enquanto a torcida, que superlotou o estádio, não parava de cantar e agitar bandeiras.

Para completar a alegria deste povo, a dramática vitória foi conquistada contra a Argentina, um inimigo histórico dentro e fora de campo. Depois dos 120 minutos sem gols na decisão disputada pau a pau, com muita garra, técnica e aplicação tática, o título veio nos pênaltis, fazendo justiça ao time do técnico Jorge Sampaoli, o argentino que deu outra cara ao futebol chileno nesta sua primeira grande conquista.

Viva o Chile, grande campeão da América!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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kotscho Um dia bem feliz com as crianças e os veteranos

Pode parecer até estranho alguém escrever um texto com este título hoje em dia. Já vou explicar. Sem nenhuma vontade de comentar todas estas notícias enguiçadas sobre Lava-Jato, Grécia, PMDB, ajuste fiscal, votações na Câmara, ciclovias, crises e desgraças em geral, peço licença aos caros leitores para falar de duas coisas boas que aconteceram comigo na quinta feira (por isso, não tive tempo de atualizar este Balaio).

De manhã, fui dar uma palestra sobre a ditadura militar. Seria apenas mais uma das muitas que já fiz na vida, não fosse a plateia absolutamente inédita para mim: 180 crianças na faixa de 11 a 12 anos, alunos da sexta série do ensino fundamental do Colégio Santa Cruz.

O que e como contar para eles o acontecido nesta página trágica da nossa história? Pois acreditem: durante duas horas, esta moçada permaneceu em silêncio, prestando muita atenção, anotando tudo e fazendo perguntas absolutamente procedentes num nível melhor do que o de muitas faculdades por onde tenho passado.

Ao lado do publicitário Antonio Prado Júnior, o Paeco, grande craque das pesquisas, fui ficando cada vez mais surpreso com o que via e ouvia naquele teatro do colégio, mas nada aconteceu por milagre ou acaso.  Antes do encontro, os alunos haviam assistido ao filme O ano em que meus pais saíram de férias, do Cao Hamburger, que se passa em 1970, ouvido seus pais e avôs, e lido textos indicados por seus dedicados professores, Joana, Manoela e Caco, os responsáveis pelo Projeto Memória.

Por isso, já sabiam muito mais sobre o assunto do que eu poderia imaginar, e a conversa fluiu, renovando minhas esperanças num futuro melhor para o nosso país. Ninguém pode desanimar quando vê o esforço que estas crianças fizeram para aproveitar bem o último dia de aula antes das férias de julho.

Paeco, que sofreu na pele as violências praticadas por militares e civis nos centros de tortura e nos presídios contra dissidentes do regime militar (não foi o meu caso), fez um relato pungente sobre o que acontece quando a gente perde os direitos e a liberdade.

Na plateia, assistindo a tudo, orgulhoso, estava o padre José de Almeida Prado, que foi meu professor de Português numa das primeiras turmas do Santa Cruz, no final da década de 50 do século passado, e continua firme no batente, animando a moçada, já perto dos 90 anos.  Minhas filhas também estudaram lá e hoje estão no colégio três netos _ a mais velha, Laurinha, de 12 anos, é dessa turma. Foi ali que me formei cidadão e aprendi o que sei da vida.

À tarde, mais emoções. Fui escalado pelos colegas da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) para fazer o discurso em homenagem aos 50 anos de jornalismo de Clóvis Rossi, meu velho amigo, um grande mestre da profissão, com quem trabalhei em muitas redações ao longo das nossas já longevas carreiras.

No auditório lotado da Universidade Anhembi Morumbi, estavam dezenas dos mais importantes e respeitados profissionais do nosso ofício, mais lembrando um reencontro de veteranos de guerra. Fiquei olhando para eles e pensando: como podemos, com jornalistas tão bons, produzir atualmente uma imprensa tão mesquinha, que às vezes me dá até vergonha?

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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camara A farra continua: Câmara contrata 660 cabos eleitorais

Como se a gente estivesse nadando em dinheiro, os vereadores de São Paulo aprovaram esta semana a contratação de mais  660 (isso mesmo, seiscentos e sessenta) assessores. Cada gabinete das 55 excelências municipais já conta com 18 funcionários e, agora, terá direito a um total de 30, ao custo mensal de R$ 130 mil por vereador.

Heródoto Barbeiro ficou preocupado no Jornal da Record News de terça-feira porque, se todos forem trabalhar no mesmo dia,  o prédio correrá o risco de desabar, mas não tem perigo. Na proposta aprovada a toque de caixa, a um ano das eleições municipais, fica claro que os novos funcionários poderão trabalhar fora da sede do Legislativo nos escritórios políticos montados pelos vereadores em seus redutos eleitorais.

Ou seja: vão trabalhar mesmo como cabos eleitorais por nossa conta, sem ter que bater ponto, com direito a registro em carteira, salário, vale-refeição, vale-transporte e todos os outros benefícios que já recebem os atuais funcionários do Legislativo.

E o presidente da Câmara Municipal, Antonio Donato, do PT, ainda quer nos convencer que a farra da contratação, agora oficial, dos cabos eleitorais não vai aumentar as despesas porque a verba de gabinete continuará a mesma. A mágica consiste em pagar salários menores aos novos contratados (os atuais recebem em torno de R$ 2 mil por mês, com R$ 21 mil reservados para o chefe de gabinete).

Devem achar que todo mundo é besta para acreditar nesta lorota. Se estes cabos eleitorais fossem mesmo trabalhar na Câmara, nem haveria espaço para todos. O tamanho médio dos gabinetes é de 100 metros quadrados e, neste caso, os corredores ficariam apinhados como o dos hospitais públicos.

Por falar nisso, no mesmo dia em que a Câmara praticava mais este deboche com a população, ficamos sabendo que três dos maiores hospitais de atendimento gratuito na capital _ Santa Marcelina, Hospital São Paulo e Santa Casa _ passam por sérios problemas financeiros e ameaçam cortar os atendimentos por falta de recursos. A dívida do Hospital São Paulo, por exemplo,  atinge R$ 90 milhões. Já a da Santa Casa é de cerca de R$ 800 milhões. O Santa Marcelina, que atende gratuitamente a 300 mil pacientes por ano só no pronto socorro, tem um rombo mensal de R$ 3 milhões.

Enquanto isso, os nobres vereadores só se preocupam com a reeleição e preparam seus exércitos de cabos eleitorais para conquistar nosso voto. O projeto ainda pode ser vetado pelo prefeito Fernando Haddad, mas ele dificilmente fará isso porque esta foi uma iniciativa da sua própria base aliada e seus índices de aprovação também já estão próximos do volume morto. A meu ver, nem deveria ser candidato à reeleição para não passar vexame. Apenas sete vereadores, todos da oposição liderada pelos tucanos, votaram contra o aumento do número de assessores. O PT votou em bloco a favor.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Obama confia mais no Brasil do que brasileiros

Na entrevista coletiva que Dilma Rousseff e Barack Obama concediam após o encontro dos dois na Casa Branca, na manhã desta terça-feira, uma repórter brasileira perguntou ao presidente americano se ele considerava o Brasil uma potência regional parceira dos EUA.

Diante da sabujice da pergunta, Obama deu uma lição a ela e aos brasileiros que estão deixando de acreditar no nosso país:

"O Brasil não é uma potência regional, é uma potência mundial".

Em seu discurso, o presidente americano já havia ressaltado a importância do encontro. "Nós somos parceiros em desafios globais, da promoção comercial à transparência governamental e ao combate ao tráfico de pessoas. À presidente Rousseff agradeço a sua parceria, a sua amizade e o progresso que estamos alcançando juntos. Acredito que esta visita marca o capítulo mais ambicioso na história dos nossos países".

Até que enfim alguém, fora do círculo palaciano de Brasília, falou da importância do Brasil com otimismo. Antes de Obama, por aqui, só ouvi alguém falar com tanto entusiasmo do nosso país no domingo passado, quando a corajosa atriz Marieta Severo foi ao programa do Faustão para espantar a urubuzada do pensamento único.

Depois da polêmica que provocou ao contestar um discurso do apresentador falando sobre a crise e a desesperança, Marieta explicou suas razões a Monica Bergamo, na Folha: "Foi uma resposta à maneira como ele falou, de que é um momento de desesperança, que a única coisa organizada no Brasil é o crime. Eu não concordo. Estamos num momento muito difícil, sim, com problemas na política, no governo, na economia. Não sou cega nem otimista tola. Mas já vivemos muitas crises e vamos sair de mais uma".

Grande Obama, grande Marieta, agradeço a vocês por me permitirem, depois de muito tempo, escrever um texto de bom astral, furando as nuvens negras que cobrem nosso país. Só por isso já valeu a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos.

Vida que segue.

Em tempo: a pergunta a que me refiro na abertura desta matéria foi feita pela correspondente Sandra Coutinho, da Globo News, e dirigida à presidente Dilma Rousseff. O presidente Barack Obama, porém, antecipou-se, e deu a resposta aqui reproduzida. O vexame foi ainda maior do que eu imaginava. Senti a chamada vergonha alheia.

 

 

 

 

 

 

 

 

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parlamentares Parlamentarismo? Mas com estes parlamentares?

Sempre que o país entra numa crise, surgem logo as duas soluções mágicas: reforma política e parlamentarismo. Um arremedo de reforma política já está em curso, sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e suas bancadas amestradas, que, sem ouvir a sociedade, até agora praticamente só aprovaram medidas de interesse dos próprios parlamentares.

Agora, o mesmo Cunha vem com a proposta de colocar logo em votação a volta do parlamentarismo, uma experiência que já não deu certo no Brasil, durante o governo de João Goulart,  e foi rejeitada por ampla maioria, em 1993, num plebiscito que manteve o presidencialismo.

"A grande evolução que se deve ter é que temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido. Um debate para valer e votar", defendeu o todo-poderoso presidente da Câmara, em entrevista à Folha, nesta segunda-feira.

Sem entrar no mérito da questão, a primeira pergunta que me vem à cabeça é esta que está no título do post: mas com estes parlamentares? Se a situação já está ruim para todo mundo, pode-se imaginar o que aconteceria se o poder fosse transferido para este Congresso Nacional que temos hoje, o pior, em todos os sentidos, e o mais retrógado da nossa história recente.

Para evitar que se fale em "golpe branco", Cunha ressalvou que qualquer mudança de regime só valeria a partir das próximas eleições, mas anunciou que já está em campo para buscar apoios: "O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra, Aécio Neves, Tasso Jereissati" _ por coincidência, claro, todos senadores da oposição. E garantiu: "Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência".

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tem que mudar tudo agora na CBF ou não vamos ter seleção brasileira na próxima Copa do Mundo. As eliminatórias começam em outubro.

Ainda pior do que o indigente futebol mostrado pelo Brasil na Copa América, mais uma vez eliminado pelo Paraguai, foi a inacreditável entrevista dada por Dunga após o jogo, mostrando que, com este técnico, não corremos o menor risco das coisas melhorarem.

"Acho que foi uma boa Copa América, foi uma ótima lição", teve a coragem de dizer, sem ficar envergonhado. Depois de atribuir o vexame a uma misteriosa virose que teria atacado 15 dos nossos jogadores, o técnico preferiu falar do futuro. "Vamos fazer reflexões, arregaçar as mangas junto com minha equipe de trabalho e trabalhar muito para encontrar soluções".

Deus nos livre de depender das reflexões desta equipe de trabalho montada por José Maria Marin e seu escudeiro Marco Polo Del Nero, um já preso e outro ameaçado de ir para as grades, os herdeiros de Ricardo Teixeira que levaram o nosso futebol para o fundo do buraco.

Precisamos nos livrar de todos eles o mais rápido possível. E Dunga ainda teve a desfaçatez de citar seu chefe Gilmar Rinaldi, o empresário coordenador de seleções da CBF, ao pregar humildade para a seleção retomar a vida das vitórias.  "Como diz o Gilmar, agora é que vamos ver se somos bons ou não".

Como assim? Alguém ainda pode ter dúvidas? Não, não precisamos ver mais nada. Desde a vergonha que passamos na Copa do Brasil, já sabemos que com esta gente não tem salvação. É hora de recomeçar do zero, fazer uma intervenção na CBF e colocar gente séria para cuidar da maior paixão esportiva do nosso povo. Ninguém aguenta mais ver e ouvir vocês justificando-se, com a maior cara de pau, após cada nova derrota.

Com esta gente no comando, não tem jeito. Esta virose que atacou a seleção são vocês, que deveriam pedir o boné e cair fora o mais rápido possível.

Acabou a nossa paciência com tantos desmandos, maracutaias e incompetência. Fora Dunga, Marco Polo Del Nero e Cia.!

 

 

 

 

 

 

 

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Com seu ar imponente de comandante em chefe do quarteto de senadores brasileiros da base aliada, Roberto Requião protagonizou nesta quinta-feira um grande constrangimento em Caracas, ao final do encontro com Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. Foi um novo vexame.

Para mostrar os resultados positivos da viagem, Requião informou aos jornalistas que o governo venezuelano tinha decidido soltar presos políticos, a começar por dois estudantes, quando foi interrompido por Cabello, a seu lado, que o corrigiu na lata: "Não é bem assim, esta decisão ainda está sendo estudada..."

Na semana passada, liderada por Aécio Neves, uma comitiva de oito senadores oposicionistas também esteve em missão oficial na Venezuela, mas nem conseguiu sair das imediações do aeroporto ao enfrentar protestos e bloqueios organizados por governistas contra a visita.

Como se não tivessem sérios problemas a enfrentar aqui mesmo, senadores pró e contra os governos de Dilma Rousseff e Nicolas Maduro resolveram transportar para Caracas a guerra política que há meses assola nosso país. O que nós ganhamos com isso? E o que as missões oficiais de Aécio e Requião vão mudar na grave crise política e econômica vivida pela Venezuela? Quanto custaram e quem vai pagar as despesas destas excursões que não levam a nada, além de garantir um espaço na mídia?

O pior é que o senador paranaense Roberto Requião já anunciou, sem combinar com ninguém, que o Brasil vai mandar outra missão, desta vez integrada por parlamentares do governo e da oposição, como observadores do processo eleitoral venezuelano. As eleições parlamentares naquele país foram marcadas esta semana para o dia 6 de dezembro.

"Vamos unir esforços e vir à Venezuela com uma missão de apoio aos setores de ambos os lados que querem um país de paz", anunciou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), fiel escudeiro de Requião nas visitas feitas a parentes de políticos da oposição e a aliados do governo, antes do encontro com Cabello.

Em que mundo estranho vivem estes senadores? Por que não dedicam seus esforços a construir "um país de paz" aqui mesmo?

 

 

 

 

 

 

 

 

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Primeiras notícias do dia:

* arrecadação do governo cai 4%, o pior resultado em cinco anos;

* índice de desemprego sobe para 6,7%, o maior registrado no mesmo período.

Enquanto isso, na Câmara, deputados voltam de surpresa ao plenário para votar um projeto que não estava na pauta e aprovam mais benefícios para todos os aposentados e pensionistas, que podem aumentar em R$ 9 bilhões, já este ano, as despesas com a Previdência.

pt PT e PSDB de papéis trocados nas aposentadorias

Como comentei no Jornal da Record News de terça-feira, está em marcha um movimento na Câmara para fazer exatamente o contrário do que o governo pretendia com o pacote fiscal para reequilibrar as contas públicas: a cada votação, fazem o possível para aumentar os gastos, sem permitir aumentos na arrecadação. O buraco aumenta e as contas simplesmente não fecham. Aonde querem chegar?

Nada tenho, é claro, contra um aumento justo dos aposentados, já que sou um deles. O problema é que se o sistema quebrar não vai sobrar nada para ninguém, mas na Câmara não parecem preocupados com isso. Em sua coluna na Folha desta quinta-feira, Vinicius Torres Freire definiu bem o que se passa neste momento de esquizofrenia partidária: "Não há liderança responsável no Congresso, ao contrário. Há maltas incontroláveis de depredadores".

Acrescento: não há mais referências políticas confiáveis nem no governo nem na oposição. Basta ver o que aconteceu na votação da proposta estendendo os benefícios a todos os aposentados na medida provisória que prorroga a política de valorização do mínimo, aprovada por 206 a 179 votos.

De um lado, contrário à proposta que beneficia trabalhadores e aumenta as despesas do governo, ficou o PT, com os votos de 49 dos seus 51 deputados. No extremo oposto, o PSDB  votou unido a favor da medida, assumindo agora o papel de defensor dos aposentados, depois de ter criado o fator previdenciário no governo FHC.

 PT e PSDB de papéis trocados nas aposentadorias

Ou seja, os dois grandes adversários na política nacional inverteram os papéis:  tucanos defendendo os interesses dos trabalhadores, sem dar bola para o equilíbrio fiscal; petistas obrigados a votar contra, em defesa da política econômica neoliberal adotada pelo governo, que até outro dia era a grande bandeira do seu adversário.

Nada mais surpreende neste cenário no qual os partidos cedem lugar a bancadas temáticas de interesses e, acima de tudo, na defesa dos pleitos individuais dos parlamentares no toma-lá-dá-cá institucionalizado neste interminável processo de repartição de cargos e emendas parlamentares comandado pelo vice Michel Temer e o ministro Aloisio Mercadante, com cada um remando para lados diferentes.

Foi o que aconteceu na votação da emenda das aposentadorias, usada pelos descontentes como pretexto para mostrar ao governo sua insatisfação com a demora na distribuição das prebendas prometidas pelo Palácio do Planalto. O sucessivo adiamento da votação do texto básico do projeto sobre a mudança tributária também é resultado desta insatisfação dos nossos insaciáveis parlamentares.

E assim ficamos sem saber se a crise política é consequência da crise econômica ou vice-versa, já que uma vai alimentando a outra. O fato é que a cada dia fica mais difícil enxergar uma luz no fim do túnel. Agora não adianta procurar culpados. Precisamos encontrar saídas.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pule a fogueira Iaiá,

Pule a fogueira Ioiô,

Cuidado para não se queimar.

 

As festas estão bonitas nos arraiais nordestinos onde os folguedos juninos rivalizam com o carnaval. Para abrilhanta-las ainda mais, podem contar com as ilustres presenças dos deputados federais da região que foram oficialmente dispensados de bater o ponto esta semana, sem perda de salários, já que ninguém é de ferro.

Como se ganhar sem trabalhar fosse a coisa mais normal do mundo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, liberou as excelências nordestinas, e a maioria dos demais aproveitou a deixa para esvaziar o plenário esta semana, dando uma trégua na fúria legiferante dos últimos meses.

Em mais um pitoresco episódio, que passou batido na imprensa, Cunha suspendeu a sessão da última quinta-feira, que iria votar mais um capítulo do pacote fiscal, a pretexto de se solidarizar com os senadores oposicionistas impedidos de entrar na Venezuela e, ato contínuo, comunicou sua decisão.

Ninguém vai ser descontado no contracheque e assim as excelências podem pular a fogueira despreocupadas que a Câmara garante. Não é bonito isso?

Vida que segue.

 

 

 

 

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