temer Cunha quer pôr fogo no circo e Temer pede união

Foto: Agência Brasil

"Está claro e nítido que o governo não tem base hoje", comemorou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao final desta quarta-feira quente em Brasília, que viveu mais um dia de boi-bumbá, com a bruxa correndo solta.

Na volta do recesso, depois de ser denunciado por um delator da Lava Jato de receber propina de 5 milhões de dólares, Cunha assumiu de vez o comando da oposição ao governo. A pauta-bomba por ele anunciada revelou-se claramente logo nos primeiros dias de agosto: tornar o país ingovernável e acelerar o processo de impeachment.

Agora há pouco, já na madrugada de quinta, a Câmara impôs mais uma severa derrota ao governo, na contramão da sua luta pelo ajuste fiscal, ao aprovar, por 445 votos a favor e 16 contra, a PEC que vincula o salário dos membros da Advocacia Geral da União (AGU) e demais carreiras jurídicas públicas aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Os reajustes variam de 34% a 59% e o salário inicial destas categorias passa para R$ 26 mil.

Apenas três parlamentares petistas votaram contra a matéria e 59 ajudaram a derrotar a posição do governo, entre eles o próprio líder da bancada, Sibá Machado. Pouco antes, os líderes do PDT e do PTB haviam anunciado o rompimento com a base aliada do governo.

Enquanto o piromaníaco Eduardo Cunha, completamente fora de qualquer controle, jogava mais gasolina na crise que arde em Brasília, e a oposição oficial sumia de cena, o vice-presidente da República e coordenador político do governo, Michel Temer, tentava reagir à aprovação de novas medidas com impacto fiscal na Câmara, pregando a união de todos, depois de passar o dia inteiro reunido com líderes dos partidos governistas e ministros.

Ao admitir pela primeira vez a gravidade das crises política e econômica, Temer defendeu que "alguém tenha a capacidade de reunificar a todos". Quem?

As posições opostas assumidas por Temer e Cunha mostram o tamanho da divisão do PMDB, que era o principal partido da base aliada, quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o segundo mandato faz apenas sete meses, com a maioria de 364 das 513 cadeiras, a bordo de 21 siglas. Na última votação, aumentando ainda mais as despesas que o governo queria cortar, sobravam apenas 16 fiéis.

Em outro front, o presidente do Senado, Renan Calheiros, também do PMDB, reuniu-se num jantar com os principais líderes do PSDB para discutir as consequências de um possível impeachment presidencial. Representantes dos dois partidos criticaram duramente a ofensiva de Cunha para apressar o processo com a tal pauta-bomba e sua bancada particular formada pelo baixo clero suprapartidário para sangrar as finanças públicas e a governabilidade.

Tudo isso aconteceu antes da divulgação da nova pesquisa Datafolha. Os números mostram a maior rejeição (71%) e a menor aprovação (9%) de um governo, desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1990.  A avaliação do governo Dilma piorou em todas as regiões do país e faixas de idade.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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nizan Nizan encara tubarão da crise e receita mais trabalho

"Você tem que ler isso!", determinou minha mulher logo cedo, passando-me o jornal com a coluna do Nizan Guanaes, e eu obedeci, como de costume.

Era mais um libelo da série de combate à crise que o valente publicitário baiano vem publicando, já faz várias semanas, sobre o que é possível fazer para encarar as dificuldades, em vez de ficar se lamuriando pelos cantos.

A receita é bem simples: trabalhar mais.

A imagem utilizada é a do surfista que enfrentou o tubarão na unha e sobreviveu.

Por coincidência, na véspera, meu diretor na Record News, o popular Mineiro, tinha conversado comigo e com o Nirlando Beirão sugerindo que precisamos levantar o astral, procurar comentar também boas notícias, falar de outras coisas, além da crise econômica e da Lava Jato.

Tem toda razão o Mineiro, também procuro fazer isso todo dia, mas não é fácil, como bem sabem os leitores mais antigos aqui do Balaio. Pois quando faço isso, muitos comentaristas reclamam: "O país tá pegando fogo e você fica aí escrevendo estas abobrinhas, falando de feijoada e futebol..."

As más notícias, como o tubarão, ameaçam nos engolir cada vez que abrimos o jornal ou o computador.

Se a gente não tem nenhuma boa novidade para contar, capaz de alegrar o coração e a alma dos leitores, melhor é recomendar a leitura do texto do velho Nizan, meu amigo desde os tempos em que tínhamos bastante cabelo.

Melhor ainda: já que cada vez menos gente tem o hábito de ler jornal, em lugar de só dar esta dica, vou transcrever na íntegra o artigo dele:

Pra cima do tubarão

Acordo todo dia antes das sete da manhã. Gosto de trabalhar. Sempre gostei. Trabalho muito. Se numa crise o líder segue trabalhando igual, não corta os próprios custos, não foca produtividade e processo, quem vai acreditar que tem uma crise?

Mas não adianta desesperar. O desesperado morre afogado. Se aquele surfista do tubarão tivesse ficado desesperado, tinha morrido. Ele foi lá e bateu no tubarão. Nós temos de enfrentar o tubarão.

O dinheiro sumiu dos lugares onde tradicionalmente estava ou diminuiu. No caso do meu setor, a crise é menor no middle market, e há muitas novas empresas surgindo pelo Brasil.

Eu nunca viajei tanto. Tem uma aeromoça da TAM que acha que sou artista porque me vê sempre sentado no assento 11D, que tem mais espaço para a perna. Mas viajo mais é na Azul, porque só a Azul voa para alguns lugares que tenho ido.

Sabe aqueles lugares do Brasil que o Brasil tradicionalmente esnobava? Ah, meu amigo, vá procurar a crise onde tem Sicredi. Vá a Luiz Eduardo Magalhães, na fronteira da Bahia. Dá uma olhada no grupo Ale na "Maiores e Melhores". Já ouviu falar no grupo Iron House, de Pernambuco? Da água de coco Obrigado, na Bahia?

Eu não sou Poliana. A crise é brava, é dura, mas temos de ser mais duros e inteligentes do que ela.

Uma das ferramentas que ajudam muito a gerir tudo isso, pois há muito a fazer e só 24 horas no dia, é o WhatsApp. Como nosso grupo tem mais de 3.000 pessoas e várias empresas, não dá para ficar o tempo todo em reunião. Por isso, em cada empresa, faço um grupo no WhatsApp e vou acompanhando tudo online e em tempo real. É incrível como funciona. O WhatsApp é a melhor sala de guerra da crise.

É fundamental também ter visão setorial. Não dá para cuidar só do seu próprio negócio. É preciso cuidar do seu setor. Mais do que nunca, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

E a propaganda pode ajudar muito numa crise. O Brasil tem um dos melhores parques publicitários do mundo. Em São Paulo, no Rio, em todas as regiões, a publicidade brasileira produz uma das melhores propagandas do planeta. As empresas brasileiras vão precisar da ajuda dessa criatividade para vender mais com menos verba.

Por isso, onde eu vou, eu falo das nossas empresas e falo também de empresas que me inspiram, como a Almap, do Marcello Serpa, o Banco de Eventos, de José Victor Oliva, a TV1, de Sergio Motta Melo, a GAD, de Porto Alegre, a Ampla, do Recife. Enfim, agências de gente guerreira e competente que fará a diferença e ajudará a sair deste momento difícil.

Tenho também focado muito a gestão dos nossos talentos. Nessas horas, precisamos de Silvio Santos e Faustão em nossas organizações. Temos de ser verdadeiros animadores. Espalho mensagens anticrise até nos banheiros. Celebro cada miniconquista. Porque senão a gente fica todo dia celebrando a crise.

Para fazer tudo isso, é preciso trabalhar ainda mais. Mas a hora do almoço é sagrada. Eu vou fazer ginástica, almoço no escritório e volto renovado para a luta.

Trabalhar é gostoso. Sobretudo quando se ama o que faz. Eu amo muito o que faço. E só gosto de trabalhar com quem gosta de trabalhar e ama o que faz. Na minha churrascaria não aceito vegetarianos.

Esta coluna está sendo finalizada às 7h09 da manhã. Bom dia, crise. Vamos à luta. Vamos pra cima do tubarão.

***

Concluo este post às 10h30 desta terça-feira e hoje vou trabalhar mais animado.

Modéstia à parte, há tempos não publico um texto tão bom aqui no Balaio...

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

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dirceu Prisão de Dirceu, greves, invasões: agosto começou

Ex-ministro José Dirceu preso pela Operação Lava Jato em Brasília, acusado de ser o mentor e organizador do sistema de corrupção na Petrobras. Greves de ônibus no Recife e em Porto Alegre. Invasões do Movimento dos Sem Terra em prédios do Ministério da Fazenda em Brasília e no Recife.

No primeiro dia útil de agosto, antes da hora do almoço, já tivemos uma ideia do que nos espera. E o Congresso Nacional ainda nem tinha voltado a funcionar.

No Palácio do Planalto, a coordenação política fez a sua habitual reunião das segundas-feiras com a Presidente Dilma Rousseff para discutir as pautas-bomba anunciadas por Eduardo Cunha na Câmara e o julgamento das contas do governo no TCU, previsto para os próximos dias, mas a vida real se antecipou para tornar as nuvens da crise ainda mais carregadas em dia de sol.

O dólar subindo e o dólar caindo, enquanto Dirceu era levado para a sede da Polícia Federal, com o noticiário interrompido a todo momento por novas revelações da Operação Lava Jato e ondas de protestos, que iam dos motoristas de táxi de Brasília contra o aplicativo Uber, aos funcionários públicos do Rio Grande do Sul, que tiveram seus pagamentos parcelados pelo governo estadual por falta de dinheiro.

José Dirceu estava cumprindo prisão domiciliar quando a PF chegou logo cedo para lhe dar nova ordem de prisão assinada pelo juiz Sergio Moro. "Dirceu foi o responsável pela instituição do esquema de pagamento de propina enquanto ainda era ministro da Casa Civil, dando início ao esquema de corrupção na estatal", disse o procurador da República Carlos Fernando Lima, em entrevista coletiva convocada para explicar a ação da força-tarefa.

Segundo os investigadores, a PF identificou pagamentos para Dirceu através de sua empresa de consultoria e por pagamento de despesas pessoais do ex-ministro, como reforma de imóveis. "Nós entendemos que o DNA, como diz o ministro Gilmar Mendes, é o mesmo do mensalão e da Lava Jato. No caso do José Dirceu, nós temos provas de enriquecimento pessoal, não mais do dinheiro somente para o partido", acrescentou Lima após a coletiva.

No começo da tarde, a Polícia Federal ainda aguardava autorização para levar o ex-ministro a Curitiba, para onde foram encaminhados os demais presos da "Operação Pixuleco", como foi batizada a 17ª fase da Lava Jato.

Perguntado pelos repórteres sobre o ex-presidente Lula, Carlos Fernando Lima disse que "neste momento não existe nenhum indicativo de necessidade de prisão de quem quer que seja que não esteja preso", mas acrescentou que "nenhuma pessoa num regime republicano está isenta de ser investigada".

Os últimos acontecimentos aumentam a expectativa em torno do programa de televisão do PT, na quinta-feira, e dos protestos contra o governo marcados em todo o país para o próximo dia 16.  A crise política está saindo dos gabinetes para as ruas com desdobramentos imprevisíveis.

 

 

 

 

 

 

 

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receita1 Por que quem ganha mais paga menos imposto de renda?

O Brasil não é um país pobre, como sabemos, mas é um país profundamente injusto. Os números das declarações de imposto de renda das pessoas físicas entre 2008 e 2014, divulgados pela Receita Federal, mostram porque somos uma das sociedades mais desiguais do mundo: apenas 71 mil contribuintes ficam com 14% da renda total e 22,7% de toda a riqueza produzida no país. Trata-se de uma elite de 0,3% dos declarantes ou 0,05% da população economicamente ativa.

Com o título "Jabuticabas tributárias e a desigualdade no Brasil", o jornal Valor Econômico revelou neste final de semana dados impressionantes das distorções do nosso sistema tributário, em artigo assinado por Sergio Gobetti (agradeço ao amigo Thomas Ferreira Jensen por me ter enviado a matéria). Fica mais fácil entender porque quem ganha mais paga, proporcionalmente, menos imposto de renda.

Aos números:

* Os mais ricos são contemplados com elevadíssima proporção de rendimentos isentos de imposto de renda. Apenas 34,2% da renda são tributados e o restante é totalmente isento de impostos. Para os simples mortais, a imensa maioria, que ganha abaixo de cinco salários mínimos, esta isenção é de apenas 8,3%.

* Sobre a renda total, o andar da cobertura paga 2,6% de imposto, enquanto quem ganha de 20 a 40 salários mínimos, a classe média alta, contribui com 10,2%.

* A isenção de lucros e dividendos pagos a sócios e acionistas de empresas constitui o que Sergio Gobetti chama de jabuticaba tributária. "Dos 71.440 super ricos  que mencionamos, 51.419 receberam dividendos em 2013 e declararam uma renda média de R$ 4,5 milhões, pagando um imposto de apenas 1,8% sobre toda sua renda. A justificativa para esta isenção é evitar que o lucro, já tributado ao nível da empresa, seja novamente taxado quando se converte em renda pessoal, com a distribuição de dividendos".

É por isso que os donos do poder político e econômico não podem nem ouvir falar em reforma tributária. Tão importante quanto a reforma política, que também ficou para as calendas, a tributária poderia taxar as grandes fortunas, cobrar mais imposto de quem ganha mais, a começar pelos lucros dos bancos, que continuam batendo recordes a cada trimestre. E é exatamente pelo mesmo motivo que o ajuste fiscal penaliza mais os trabalhadores do que o topo da pirâmide.

Na França, a tributação total do lucro, integrando pessoa jurídica e pessoa física, chega a 64%; na Alemanha, a 48%; nos Estados Unidos, a 57%. "Em resumo, o Brasil possui uma carga tributária equivalente à média dos países da OCDE, por volta dos 35% do PIB, mas tributa muito pouco a renda, principalmente dos mais ricos, e sobretaxa a produção e o consumo", conclui a matéria do Valor.

E vamos que vamos. Para onde?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mais graves do que os estragos na porta da garagem causados pela bomba caseira lançada contra o Instituto Lula na noite de quinta-feira, foram as reações de alguns vândalos midiáticos nas redes sociais.

Assim que a notícia foi divulgada no dia seguinte, os blogueiros black blocs, empenhados em convocar a população para os protestos do dia 16 de agosto, desandaram a disparar novos ataques virtuais contra o ex-presidente Lula.

Não vou aqui reproduzir as barbaridades que eles escreveram para não dar cartaz a bandidos homiziados na internet. Quem estiver interessado pode procurar os de sempre, assim como a polícia especializada em crimes cibernéticos, se quiser investigar quem está por trás da bomba caseira lançada contra o IL.

"O atentado contra o Instituto Lula é filho da impunidade das manifestações de ódio", escreveu o colega Paulo Nogueira, do "Diário do Centro do Mundo". E explica: "A impunidade leva a novos degraus. Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois começa a jogar bombas. O Brasil tem que adotar uma política de tolerância zero contra o ódio".

É o que devemos fazer antes que as bombas virtuais ou reais comecem a matar gente e assassinar reputações.

Ao afirmar que o ataque ao Instituto Lula foi estimulado pelo "massacre midiático" contra o ex-presidente, o líder petista Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, constata que "os fascistas se sentem legitimados". Tarso prestou solidariedade a Lula, "como teríamos com Fernando Henrique Cardoso, se o seu Instituto fosse atacado. Isso é unidade democrática contra o ovo da serpente".

Espera-se agora que os principais líderes da oposição também se manifestem contra o atentado, que não deixou vítimas, mas que, se nada for feito,  amanhã poderá se repetir contra outros alvos nesta batalha insana que só faz se tornar mais perigosa a cada dia, desde a campanha eleitoral do ano passado.

"A intolerância é o caminho mais curto para destruir a democracia", alertou a presidente Dilma Rousseff, na manhã deste sábado, em suas contas nas redes sociais.

Pois é exatamente o que está em jogo neste momento: a nossa jovem democracia, vilipendiada pelos que não aceitam o resultado das urnas e querem voltar ao poder na marra, disseminando o medo e o ódio.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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 Corremos o risco da perda de confiança no país

Comércio com portas fechadas (Foto: Alessandro Costa / Ag. O Dia)

Os números da nova pesquisa Ibope com o Índice de Confiança Social, antecipados pelo colega José Roberto de Toledo em sua coluna no Estadão, mostram que houve uma preocupante perda de credibilidade em todos os níveis de poder, com exceção do Judiciário.

A desconfiança é generalizada e crescente, mostra a pesquisa de 2015, que foi a campo entre os dias 16 e 22 de julho, em 142 municípios de todo o país.  Da Presidência da República e do Congresso Nacional até chegar aos prefeitos e partidos, todos perderam pontos na escala, que vai de 0 a 100. Vejam os índices:

* A instituição Presidência da República caiu para 22 pontos, metade do que tinha no ano passado.

* É o mesmo índice do Congresso Nacional, que perdeu 13 dos 35 pontos registrados em 2014. "Uma votação de impeachment da presidente será o roto decidindo o destino do esfarrapado", conclui Toledo.

* A população também acredita menos nos prefeitos. Os poderes executivos locais perderam 9 dos 42 pontos, o que aponta para dificuldades aos que tentarem disputar a reeleição no próximo ano.

* Partidos políticos são a instituição pior avaliada: em um ano, a confiança nas 30 e tantas siglas que temos atualmente caiu 13 pontos, batendo no índice de 17. Ou seja, 83 em cada 100 não confiam em nenhum deles.

* Em compensação, o Judiciário, com o protagonismo da Operação Lava Jato, é a única instituição que mantem o índice: teve 46 pontos, em 2013, subiu para 48, no ano passado, e voltou agora aos 46.

Marcia Cavallari, a CEO do Ibope Inteligência, constata que "houve uma diminuição da confiança nas instituições políticas como um todo", em consequência dos escândalos envolvendo políticos de todas as latitudes.

É este o resultado da política do toma-lá-dá-cá, do dá ou desce, do é dando que se recebe, que continua imperando em nosso país. Tivemos nesta quinta-feira, no mesmo dia da reunião da presidente Dilma Rousseff com 26 governadores, mais um exemplo de como funciona este sistema político falido, que está na raiz de todas as crises: em agosto, o governo federal vai lotear 200 cargos para partidos aliados e, até o final do ano, entregará R$ 4,9 bilhões em emendas parlamentares.

O risco que corremos agora é a perda da confiança dos brasileiros não apenas nos atuais ocupantes dos cargos públicos e dos mandatos parlamentares, mas nas próprias instituições. Sinto que estamos perdendo, na verdade, a confiança no nosso país, como mostram os comércios fechando suas portas e a queda dos investimentos e dos empregos na indústria. Por toda parte, multiplicam-se as faixas de "Passa-se o ponto" e placas de "Aluga-se".

Enquanto isso, partidos e políticos, do governo e da oposição, dedicam-se à disputa do poder pelo poder a qualquer preço.

 

 

 

 

 

 

 

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governadores Estados querem grana e Dilma apoio político

Dilma e governadores em encontro de 2011 (Foto: Julia Chequer/R7)

Escrevo antes de começar a aguardada reunião da presidente Dilma Rousseff com todos os governadores, marcada para as 16 horas desta quinta-feira, no Palácio do Planalto.

A grana acabou e a arrecadação de todos está caindo. Em resumo, este é o ponto em comum entre o governo federal e os estaduais neste momento.

O que podemos esperar deste encontro, além da foto oficial com todos juntos e sorridentes, que certamente tem um peso político próprio?

Os governadores vão pedir mais recursos a Dilma, o que a presidente não tem como atender, por conta do ajuste fiscal. Dilma vai pedir apoio político a eles para barrar as "pautas bomba" na Câmara prometidas por Eduardo Cunha, como o aumento de 70% para os servidores do Judiciário, parcelado nos próximos quatro anos, que custaria R$ 25 bilhões aos já combalidos cofres federais.

Fala-se em "pacto federativo" e "agenda positiva", mas é difícil descobrir como isso será possível, já que os governadores não têm controle sobre suas bancadas para impedir a aprovação de projetos que aumentem os gastos públicos, com impacto também nos Estados, muito menos a instalação de novas CPIs.

Entre os acordos possíveis, está a criação de fundos de compensação para a reforma do ICMS, que prevê a unificação das alíquotas em 4%, para evitar a guerra fiscal. Outra demanda dos governadores é a sanção do projeto de lei que permite a Estados e municípios o uso como receita de parcela dos depósitos judiciais.

Limitar as discussões a questões financeiras, fiscais e administrativas, passando ao largo das polêmicas políticas, como a votação das contas do governo pelo TCU em agosto, é uma forma de evitar atritos com os governadores de oposição, mas não contribuirá em grande coisa para o estancamento da crise.

Em política, as ações simbólicas por vezes valem mais do que os resultados. Desta forma, o simples fato de conseguir promover esta reunião com todos os chefes dos executivos estaduais, contrariando os líderes da oposição, num momento delicado do seu governo, pode servir para a presidente Dilma retomar o folego e a iniciativa da pauta política, dominada no primeiro semestre pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Afinal, agosto vem aí, e é preciso reforçar a defesa para enfrentar os obuses colocados no horizonte. Todo cuidado é pouco nesta hora.

 

 

 

 

 

 

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piaui Após 127 anos, Lei Áurea ainda é desrespeitada

Foi às horas três da tarde do dia 13 de maio de 1888, um domingo, no Rio de Janeiro, que a princesa Isabel, bisneta de D. João VI, assinou a Lei Imperial nº 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Pelo menos, foi isso que aprendemos nos livros de História do Brasil.

Até hoje, no entanto, 127 anos depois, voltamos a ser lembrados que esta lei ainda não é cumprida. Fiquei chocado ao ver as imagens da Rede Record, reproduzidas aqui no R7, mostrando as condições de vida dos trabalhadores tratados como porcos no município de Luis Correa, no norte do Piauí. Não é força de expressão. Os alojamentos foram instalados em chiqueiros onde os empregados dividiam os espaços com os animais nas fazendas dedicadas à extração de carnaúba para a produção de cera.

"Situação degradante análoga à escravidão", registraram os agentes do Ministério Público do Trabalho durante a fiscalização feita em 12 propriedades rurais. Segundo o procurador do MPT, José Wellington Soares, "é uma situação que desfigura totalmente a dignidade do ser humano, transforma o ser humano em animal também".

Obrigados a comer no chão, junto a fezes de animais, trabalhando sem equipamentos de proteção, sem carteira assinada e sem as mínimas condições de segurança, higiene e saúde, 130 escravos do século 21, entre eles três adolescentes calçando chinelos, foram encontrados nestas condições pelos fiscais durante os trabalhos do Projeto Palha Acolhedora, entre os dias 20 e 24 deste mês.  A água era armazenada em tonéis utilizados para embalar agrotóxicos e a comida servida em latas.

No Piauí, cerca de 12 mil trabalhadores, a maioria vindos do Ceará, são empregados na extração da palha de carnaúba e recebem diárias que variam entre R$ 30 e R$ 60. Boa parte da cera produzida no Estado é destinada à exportação e utilizada nas indústrias de cosméticos e de computação.

Diante desta triste realidade, que permanece camuflada em largas regiões do nosso território, até a Lei Áurea corre o risco de ser revogada na fúria legiferante do Congresso Nacional, que ameaça direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados no último século. Na prática, é uma lei até hoje ignorada por velhos coronéis donos de terra e gente, sempre bem representados nos parlamentos.

O Brasil foi um dos últimos países do mundo a libertar os escravos, mas a escravidão ainda não foi extinta.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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aecio Aécio reaparece em cena pronto para a guerra

Mais para Carlos Sampaio, o Bolsonaro do PSDB, do que para seu avô Tancredo, o conciliador, Aécio Neves reapareceu em cena na segunda-feira com a corda toda, dando apoio às manifestações de rua contra o governo marcadas para o próximo dia 16.

"Aqueles que estiverem indignados ou até mesmo arrependidos mas, principalmente, cansados, devem se movimentar, ir às ruas", disse Aécio, ao anunciar que o PSDB vai usar suas inserções no rádio e na TV, a partir da próxima semana, para convocar a população a participar dos protestos que pedirão o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com receio de perder o protagonismo da oposição para Eduardo Cunha, depois de passar alguns dias sumido, o presidente do PSDB voltou à cena antes do final do recesso julino, pronto para deflagrar a grande ofensiva contra o governo prevista para agosto, o mês do cachorro louco, de tão tristes lembranças na vida política brasileira. "Se simplesmente desconsiderarmos que as manifestações existem, acho que estamos fugindo da realidade. A cobrança dos nossos eleitores é enorme", justificou.

Aécio só não decidiu ainda se, desta vez, vai sair às ruas para participar dos protestos. "Meu cuidado maior é que, a partir do momento em que eu disser que vou, isso dá uma impressão de que é um movimento do partido. Não é. Se eu decidir ir, vou como cidadão".

Ou seja, o PSDB vai apoiar, mas deixar a organização por conta de grupos como Revoltados On Line, Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. É como aquele sujeito que fica batendo palmas para ver louco dançar. Se tudo der certo, os tucanos faturam; se não, a responsabilidade não foi deles.

O grande perigo para Aécio e os tucanos em geral, sem paciência para esperar 2018, é esticar demais a corda e entregar o poder de bandeja para o PMDB, que tem o vice-presidente, caso os protestos ganhem grandes dimensões e Eduardo Cunha cumpra suas ameaças de infernizar a vida do governo com a ajuda dos tribunais e da mídia hegemônica.

Com a palavra de ordem "Não vamos pagar a conta do PT", os protestos dos movimentos de oposição vão centrar suas críticas na política econômica do governo, mas o presidente do PSDB não apresentou até agora nenhuma proposta alternativa para melhorar a vida dos brasileiros neste momento de crise.

Desde a quarta derrota seguida nas eleições presidenciais, o PSDB limita-se a tentar um terceiro turno com ataques ao governo. Aécio quer que a presidente Dilma admita ter mentido durante a campanha eleitoral, ao negar a necessidade de se fazer um ajuste fiscal e, por isso, vive "uma grave crise de confiança".

O governo e o PT, por sua vez, em seu programa de rádio e TV, marcado para o dia 6 de agosto, vão reconhecer as dificuldades pelas quais os brasileiros estão passando neste momento, mas Dilma e Lula dirão que antes, no governo tucano, era pior. No caso dos petistas, o perigo é provocarem um novo panelaço, que possa servir de estímulo às manifestações de rua previstas para apenas dez dias depois.

Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Estamos numa situação em que essa mesma ameaça vale tanto para o governo como para a oposição. Ninguém a esta altura sabe ao certo qual direção tomar. E a população, perplexa, perdeu as referências, já parece não acreditar em mais ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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flechas Até onde o PIB pode cair e a inflação subir?

Toda segunda-feira é a mesma coisa. Abro o computador e está lá: a pesquisa Focus, do Banco Central, informa que a aumentou a previsão de inflação e se acelerou a queda do PIB em 2015.

É a 15ª semana seguida que isso acontece. Nem dá mais manchete, virou rotina.

Desta vez, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 9,23% (era de 9% um mês atrás). Ao mesmo tempo, a previsão do PIB caiu de menos 1,70% para 1,76% negativo.

Até onde, até quando vamos assistir a esta dança macabra das curvas da economia?

Com a palavra, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que ainda na semana passada garantiu que o pior já passou. O pior é que não há no horizonte nenhum sinal de que isso possa mudar tão cedo.

Eu não me arrisco a fazer previsões para responder ao título deste texto. Se tivesse competência para isso, já estaria rico, pois é o que todos querem saber neste momento.

 

 

 

 

 

 

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