protesto taxistas centro G Ódio contra o PT em São Paulo é assustador

"Eu tenho tanto ódio contra o PT que, se tiver uma eleição entre o PT e o PCC, em São Paulo, eu voto no PCC".

A frase acima é transcrição literal do que ouvi de um motorista de táxi, na tarde de quarta-feira, ao final de um trajeto em que ele passou o tempo todo falando mal do prefeito petista Fernando Haddad, e dá bem uma ideia do sentimento de boa parte dos eleitores paulistanos nestes poucos dias que faltam de campanha na região em que o partido registra os mais altos índices de rejeição.

O desabafo do taxista nos ajuda também a entender melhor o que está acontecendo nas pesquisas com Alexandre Padilha, o ex-ministro da Saúde que é o candidato do PT lançado por Lula para disputar o governo do Estado de São Paulo.

Fato inédito na história do PT paulista, berço do partido, desde o início da campanha eleitoral Padilha não consegue passar dos 5% em todas as pesquisas, em empate técnico com candidatos nanicos.

Mesmo após o início da propaganda eleitoral na televisão, das sabatinas e dos debates, o candidato petista continua empacado, sem sair do lugar. Como nos acidentes aéreos, o motivo nunca é um só para explicar o desastre eleitoral do candidato.

Padilha é a maior vítima deste verdadeiro ódio contra o PT, Lula e Dilma que grassa e se espalha por São Paulo, onde ficam as sedes de dois dos três maiores jornais do país (Folha e Estadão), que há anos se comportam como os principais adversários políticos do partido, ao mesmo tempo em que se empenham para preservar e manter os tucanos no Palácio dos Bandeirantes, por eles dominado há duas décadas. E é também onde a seita daquela revista semanal tem seus seguidores mais fieis.

Este sentimento, de cada vez maior intolerância, é diuturnamente alimentado por jornalistas da velha e da nova mídia, no impresso ou nos meios eletrônicos, que se dedicam sem tréguas a uma feroz campanha contra tudo que envolva o PT, seus líderes, governos e aos movimentos sociais ligados ao partido.

O leitor poderá me perguntar que, se é assim, como é que o PT já elegeu três vezes prefeitos da capital, com Erundina, Marta e, agora, Haddad. Uma explicação possível é que o eleitorado do interior do Estado, que garante as seguidas vitórias dos tucanos, é muito mais conservador do que o da capital.

Por isso, o PT jamais conseguiu eleger o governador de São Paulo, embora tenha mantido nas últimas eleições um índice histórico em torno dos 30% de votos, seis vezes mais do que agora. A enorme rejeição ao prefeito Fernando Haddad explica o resto.

A situação do PT é tão difícil nesta eleição em São Paulo que, se houver segundo turno, o adversário do favorito governador Geraldo Alckmin desta vez será o empresário Paulo Skaf, do PMDB, que se recusa a subir no palanque de Dilma, embora o seu partido tenha o cargo de vice no governo e na chapa, com Michel Temer. Da mesma forma, o governador Alckmin também não faz a menor questão de aparecer em eventos de campanha ao lado do candidato tucano Aécio Neves, ainda mais agora que Marina Silva disparou nas pesquisas.

Não por acaso, o vice da chapa de Geraldo Alckmin é Márcio França, do mesmo PSB de Marina, numa aliança que ainda foi feita por Eduardo Campos. Por sua vez, Marina continua se recusando a subir no palanque de Alckmin.

Dá para entender por que esta miscelânea de siglas e palanques estaduais têm um peso muito menor do que os nomes e os símbolos nesta campanha eleitoral?

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

65erhcwd0j 639hnh26fa file Um triste debate sem vencedores; só perdemos nós

"Quem ganhou?, costumam me perguntar sempre no dia seguinte ao destes debates entre candidatos transmitidos ao vivo por redes de televisão, como se fosse fácil dar a resposta. Depois de perder mais de duas horas da minha vida, preencher 16 páginas de anotações e de lutar bravamente contra o sono, acordei nesta quarta-feira sem nenhuma vontade de escrever sobre o assunto. Me deu um sentimento misto de tristeza, fastio e vergonha alheia diante do que vi e ouvi.

Espero que nenhum estrangeiro tenha assistido a este primeiro debate entre os presidenciáveis promovido, como de hábito, pela Rede Bandeirantes, que só serviu para mostrar como o nosso país está pobre de lideranças políticas, falido de novas ideias e vazio de propostas para nos dar alguma esperança de que algo possa mudar para melhor nas eleições de 5 de outubro, qualquer que seja o resultado.

Para responder com honestidade à pergunta que abre este texto, sou obrigado a dizer que, infelizmente, não houve vencedores, apenas derrotados: nós, os eleitores. Um debate com sete candidatos e quatro jornalistas, empregando as mesmas regras rígidas e burocráticas do século passado, é um verdadeiro massacre para quem dele participa e para quem o assiste.

Trata-se de uma tragicomédia mambembe, que se arrasta sempre no mesmo diapasão, com ataques mútuos entre os candidatos, velhos jargões de outras campanhas, números para cá e para lá, textos de marqueteiros repetidos dos programas eleitorais, nada de novo que possa mudar o rumo da campanha eleitoral.

Vou deixar de lado meu calhamaço de anotações sobre os muitos embates entre os que querem presidir o nosso país, que nada acrescentaram ao que todos já pensávamos deles antes do programa começar. Ninguém surpreendeu ninguém, ganhou ou perdeu votos. A cobertura completa pode ser encontrada aqui mesmo no R7, não preciso repetir. Para não aborrecer o leitor, limito-me a transcrever algumas conclusões a que cheguei nos intervalos do debate.

Dos sete personagens perfilados ao lado de Ricardo Boechat no palco, na verdade apenas três estão de fato disputando a eleição, desde o início da campanha: Dilma, Marina e Aécio (este cada vez com menos chances de ir ao segundo turno, como se pode ver no post anterior). Os outros só fazem figuração. Todos os nanicos juntos registraram apenas 3% no último Ibope, quer dizer, estão fora do jogo, mas fazem de conta que a candidatura deles é para valer. "Eu eleito presidente da República...", repetiu um deles à exaustão ao iniciar suas intervenções. E a gente finge que acredita.

Parece um disco quebrado. Qualquer que seja a questão, os três que buscam uma vaga no segundo turno dão um jeito de puxar o assunto para seus bordões: Dilma declama todas as realizações dos governos petistas e atribui todos os problemas da economia à crise internacional; Marina prega a reinvenção da política com um governo de união nacional, sem explicar como pretende fazer isso, e Aécio não consegue sair do discurso sobre todas as desgraças nacionais causadas pelo atual governo, sem deixar de falar das belezas promovidas por ele nas suas administrações em Minas Gerais. Ficamos nisso.

O resultado dessa chatice também foi medido pelo Ibope, que acabara de divulgar a nova pesquisa presidencial e registrou a audiência do debate: com 5% de média, a Bandeirantes ficou em quarto lugar. A cada ano, o interesse pelo programa _ e pela política _ diminui.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

okoko FHC confirma que falou com Gilmar sobre Arruda

Com Ibope novo e debate entre presidenciáveis na terça-feira gorda da política, um fato gravíssimo foi escondido pela grande mídia e só ganhou destaque na manchete do site político Brasil 247: em nota oficial do Instituto Fernando Henrique Cardoso, enviada à Folha, o ex-presidente confirma que ligou para seu amigo ministro Gilmar Mendes, nomeado por ele para o Supremo Tribunal Federal, para falar sobre o julgamento do recurso apresentado ao TSE pelo "ficha suja" José Roberto Arruda, candidato a governador de Brasília, que havia sido impugnado pela Justiça.

Leiam primeiro o que diz a nota, que está na edição impressa da Folha desta quarta-feira, no meio da matéria "TSE barra candidatura de Arruda para o governo do Distrito Federal", publicada na página A10:

"O ex-governador Arruda falou comigo a respeito do seu recurso no TSE. Queria que o julgamento ocorresse a tempo de, se favorável, concorrer ao governo de Brasília. Como sempre, sou muito cuidadoso nessas matérias. Apenas indaguei o (sic) ministro Gilmar se havia chance disso ocorrer. Fui informado de que haveria um julgamento anterior que pré-julgaria o caso. Nada mais pedi a ninguém nem nada mais me foi dito".

Nem precisava. Gilmar Mendes é o mesmo ministro que, em 2012, se disse "escandalizado" ao ser procurado pelo ex-presidente Lula para uma conversa sobre os prazos do julgamento do processo do mensalão, e denunciou o "assédio" à imprensa.

Desta vez, porém, Gilmar achou tudo normal. Primeiro, disse à Folha que não se lembrava do telefonema já confirmado por FHC. Depois, procurou minimizar o teor da conversa: "Posso ter falado sobre o tema, todos perguntam. Eu tenho dito a mesma coisa. A jurisprudência do TSE dizia que o que valia era o dia do registro da candidatura. Hoje, com a nova composição, não sei qual será o resultado".

No final da noite, saiu o resultado, e o placar do TSE foi implacável: 6 a 1 contra o recurso de José Roberto Arruda, que assim continua inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa.

Adivinhem de quem foi o único voto a favor de Arruda? Acertaram: Gilmar Mendes, sempre ele.

Num longo voto contra o do relator Henrique Neves, que recomendou a rejeição do recurso e foi acompanhado pelos demais ministros, Mendes atacou a classe política "rastaquera" de Brasília e chegou a pedir a intervenção no Distrito Federal: "O Distrito Federal não tem sequer dignidade para ter autonomia política (...) Já deveria ter passado por processo de intervenção", por conta dos sucessivos escândalos de corrupção, segundo o ministro.

Apesar de ter sido filmado recebendo propina no chamado "mensalão do DEM", que até hoje não foi julgado, Arruda continua em campanha e, segundo o último Ibope, lidera as pesquisas com 37%. Seu caso é um retrato perfeito e acabado da falência do sistema político-partidário-eleitoral do país, com a generosa contribuição do Judiciário.

Como sabemos, Fernando Henrique Cardoso não é advogado nem parte interessada no processo. Cabe perguntar, então: por qual motivo o ex-presidente intercedeu por esta figura emblemática da política brasileira junto a um ministro do Supremo Tribunal Federal?

Num país civilizado, com independência de poderes, isto seria inimaginável. No Brasil, não sai nem na capa do jornal. É coisa nossa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

10409334 10152432366476638 2392755752074460190 n Furacão Marina atropela Aécio e já ameaça Dilma

 

Caros leitores,

aos que estão chegando aqui pela primeira vez, reitero que este blog não publica comentários escritos só em caixa alta (letras maiúsculas). Não adianta insistir nem enviar o mesmo texto várias vezes.

Grato pela compreensão,

Ricardo Kotscho

***

Apenas 13 dias após a trágica morte de Eduardo Campos, o cenário da campanha presidencial de 2014 virou de ponta cabeça. O furacão Marina Silva já chegou a 29% na nova pesquisa Ibope divulgada agora há pouco, no final da tarde desta terça-feira, 10 pontos à frente do tucano Aécio Neves, e já encostando em Dilma Roussef, que ficou com 34% das intenções de voto no primeiro turno.

Num mais do que provável segundo turno, Marina derrotaria Dilma por 45% a 36%, uma diferença de nove pontos, bem fora da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos.

Como fogo morro acima e água morro abaixo é muito difícil de mudar de rumo, Marina Silva passa a ser, na minha avaliação, a nova favorita da eleição presidencial, por uma razão muito simples: além da larga diferença que abriu sobre a atual presidente neste primeiro levantamento do Ibope após a morte de Eduardo Campos, a ex-senadora poderá contar, no segundo turno, com a ampla maioria dos votos tucanos.

A se confirmarem os números do Ibope nas próximas pesquisas, teremos duas mulheres disputando, pela primeira vez, o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. A entrada de Marina na disputa agora deixou Aécio Neves, que vinha mantendo a segunda posição, bem à frente de Eduardo Campos, praticamente fora do turno decisivo.

Em relação à pesquisa anterior do Ibope, Aécio e Dilma cairam quatro pontos cada um, ao contrário dos números do Datafolha da semana passada, em que Marina apareceu com 21% (Eduardo tinha apenas 8%), enquanto seus principais adversários pemaneciam com os mesmos índices de julho.

É importante lembrar que, no último Datafolha, quando seu nome aparecia ainda como provável candidata a presidente, em abril, antes de Marina entrar como vice na chapa de Eduardo Campos, ela já alcançava 27% das intenções de voto, apenas dois pontos a menos do que agora.

Duas semanas após a comoção provocada pela morte e os funerais de Eduardo Campos, Marina continua ocupando todos os espaços como protagonista do noticiário na mídia grande, com o gentil apoio do chamado mercado, apesar da arca de Noé que está se formando à sua volta, sob o comando da coordenadora do programa de governo e sua principal conselheira, a banqueira Neca Setúbal, uma das herdeiras do banco Itaú.

Claro que esta é apenas a fotografia do momento em que escrevo. Já ficou mais do que provado nesta campanha eleitoral que os ventos podem mudar a qualquer momento. Nosso país não está acostumado com furacões e tsunamis, mas a reviravolta provocada por Marina Silva mostra que o Sobrenatural de Almeida, grande personagem de Nelson Rodrigues, está mais vivo do que nunca, solto por aí. Só espero que não caia mais nenhum avião.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ermirio Doutor Antônio era, acima de tudo, um trabalhador

Doutor Antônio: assim o chamavam, com respeito e reverência. Conhecido como o maior empresário do país durante décadas, de Antônio Ermírio de Moraes pode-se dizer que era, acima e antes de tudo, um homem trabalhador, que se orgulhava de não tirar férias.

A última vez em que conversamos mais longamente foi antes de uma entrevista dele no programa "Roda Viva", na TV Cultura, já faz algum tempo. Tinha ido direto do seu trabalho no hospital da Beneficência Portuguesa para os estúdios, e estava com fome, como eu também. Traçamos o lanche oferecido pela emissora, enquanto ele falava dos seus mil projetos, das coisas que andava fazendo _ falamos da vida, enfim, que o empolgava tanto.

"Mas eu já respondi isso ao Kotscho...", interrompeu várias vezes os demais entrevistadores.  Não gostava de repetir as mesmas coisas. "Sim, doutor Antônio", tentou explicar o apresentador do programa. "Só que agora estamos ao vivo e os nossos telespectadores também querem saber o que o senhor falou...".

Num país em que todo rico é chamado de doutor, doutor Antônio era doutor mesmo, em várias áreas, do alumínio das suas fábricas às mais novas tecnologias médicas. Formado em engenharia metalúrgica pela Colorado School of Mines, nos Estados Unidos, era também autor de vários livros e peças de teatro, um homem apaixonado pelo Brasil e por suas imensas potencialidades.

Só não gostava de preguiça, malandragem, puxa-saquismo, estas coisas tão nossas, que o irritavam. Por isso, só quebrou a cara quando resolveu entrar na política, nos anos 80 do século passado. Candidato a governador de São Paulo, em 1986, não demorou a descobrir que o que os seus correligionários, como se dizia na época, queriam mesmo dele era sua grana. Perdeu, acreditem, para um profissional do ramo chamado Orestes Quércia.

Ao se dar conta de que nossa política não era para amadores, preferiu se dedicar a ofícios mais úteis, como o de comandar a Beneficência, um dos mais antigos, modernos e melhores hospitais do país, ao qual oferecia boa parte do tempo que roubava da mulher e dos seus nove filhos.

Mais do que qualquer fábrica que criou em diferentes setores, o que fazia seus olhos brilharem era contar histórias de pacientes de todas as classes sociais salvos ou curados pela equipe do hospital que comandava. Ali todo mundo era atendido, mesmo sem documento nenhum.

Numa época em que ninguém ainda falava em "responsabilidade social", o grande empresário empenhou não só recursos, mas, principalmente, seu tempo, para ajudar os mais necessitados. Dava-se bem com intelectuais e artistas, e também gostava de conversar com seus colaboradores mais humildes, saber da vida deles.

Com seus ternos sempre amarrotados, gravata fora do lugar e cabelos revoltos, dava trabalho ao pessoal do camarim quando ia dar entrevistas na televisão. Respondia na lata, sem pensar muito, como se estivesse numa roda de amigos, sem se preocupar com a repercussão das suas palavras.

Foram estas as últimas lembranças que me ficaram desta figura singular, um sujeito de princípios e valores muito rígidos, como é raro encontrar hoje em dia. Claro que não era nenhum santo em sua atividade empresarial, era um trator. Quando tinha um objetivo em mente, atropelava mesmo quem lhe cruzasse o caminho, fossem concorrentes ou vizinhos das suas fábricas poluidoras, muito antes que surgisse a palavra sustentabilidade.

Pena que não pudemos conversar mais depois que ele ficou doente. Aos 86 anos, ao fazer um balanço na hora de partir, ele pode dizer que não apenas passou pela vida, mas a viveu  em sua plenitude, com tudo a que tinha direito, deixando mais do que obras, um exemplo.

Vai em em paz, doutor Antonio. E aproveita para descansar um pouco.

Prêmio Comunique-se:

estou lá, de novo

Saiu hoje a lista dos finalistas do Prêmio Comunique-se 2014. Para minha surpresa, meu nome aparece em duas categorias: Blog (portal R7) e Mídia Impressa (revista Brasileiros). Se fosse em uma só já estava bom, ainda mais neste ano em que completei meio século de jornalismo.Desde 2004, quando saí do governo federal e voltei a trabalhar como repórter, quase todo ano estou lá entre os três finalistas. Já ganhei e já perdi algumas vezes. O importante é estar na festa, uma espécie de "Oscar do Jornalismo", quando são anunciados os vencedores das 24 categorias de profissionais de comunicação.

Para votar é preciso ser jornalista cadastrado no site Comunique-se. Como dizem os candidatos na TV: "Venho aqui pedir o seu apoio".

E termino como eles falam: "Conto com o seu voto!".

Sou muito grato a todos os leitores e colegas do R7 e da Brasileiros.

Aproveito para informar que o nosso Balaio está sem patrocinador. Se alguma das empresas patrocinadoras do prêmio _ ou qualquer outra _ se interessar, pode entrar em contato comigo mesmo: rikotscho@uol.com.br

A lista completa dos finalistas e as regras de votação estão aqui: www.comunique-se.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

filminho1 A estranha fauna que se une em torno de Marina

Defensora radical do meio ambiente e das espécies em extinção, a presidenciável Marina Silva, abrigada temporariamente no PSB, está conseguindo reunir em torno da sua candidatura uma fauna das mais variadas do cenário político e econômico nacional.

Na primeira semana de campanha, desfilaram em seu comitê eleitoral, e até falaram em nome da candidata, banqueiros e socialistas, históricos bichos grilo e simpatizantes dos black bloc, aqueles rebeldes sem causa das "manifestações de junho", descontentes em geral, de ex-tucanos a ex-petistas, passando por venerandos dissidentes do PMDB _ um saco de gatos, enfim.

Em nome da sustentabilidade de um possível governo, a candidata já lançou no ar que pode se unir tanto a Serra como a Suplicy. O vice escolhido é Beto Albuquerque, do PSB, líder do agronegócio e dos transgênicos, agora parceiro dos "sonháticos" da Rede marinista e dos banqueiros Neca Setúbal e André Lara Rezende, responsáveis pela área econômica do projeto eco-socialista.

No comando da campanha, estão lado a lado a ex-petista Luiza Erundina e o ex-tucano Walter Feldman. Na tesouraria, ficou o socialista Márcio França, deputado federal e ex-prefeito de São Vicente, que é candidato a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin. Na base aliada da "nova política", podemos encontrar as famílias políticas dos Bornhausen, de Santa Catarina, e a de Inocêncio Oliveira, em Pernambuco, figuras históricas do PFL-DEM.

Só não deu para saber ainda qual é mesmo o projeto de governo desta arca de Noé, que embala as fantasias de colunistas e editorialistas, enquanto se tenta descobrir quem era, afinal, o dono do jato em que Eduardo Campos morreu na tragédia aérea de Santos.

É neste cenário buliçoso, com a grande mídia hegemônica já anunciando a economia em processo de recessão e o aumento dos índices de desemprego, que serão publicadas nos próximos dias novas pesquisas Datafolha e Ibope, os dois institutos que, de fato, comandam os rumos desta campanha eleitoral. Para quem gosta de jogar no quanto pior, melhor, e se dedica a especular na Bolsa, a próxima semana promete mais emoções.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

tb Se depender da TV, esta eleição acaba empatada

Costumava-se falar antigamente que, se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado. O mesmo se pode dizer agora da primeira semana da propaganda eleitoral obrigatória: se depender só do que vimos na televisão até agora, todos os candidatos têm a mesma chance de ganhar e de perder, e vai acabar tudo tudo em zero a zero.

São 110 minutos de horário político por dia, fora as inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação _ um verdadeiro massacre de mau gosto, mesmice, teatro mambembe, total ausência de propostas viáveis para o país, com o desfile de candidatos maquiados, uma chatice sem fim. Estamos assistindo a um "circo de horrores", a perfeita definição do meu colega Zé Simão, o mais sério comentarista político do país.

As campanhas são ricas, não faltam recursos,  os mais modernos equipamentos e marqueteiros de grife, mas os programas, de uma forma geral, são pobres, indigentes mesmo. Fico pensando como conseguem gastar tanto dinheiro para apresentar produtos tão ruins. Colocar Dilma fazendo macarrão na cozinha, cuidando do jardim e do cachorro, para "humanizar a imagem", é algo tão amador que chega a ser um desrespeito com a presidente e os eleitores.

Pois é, nem o PT escapa da mediocridade, justamente o partido que em outras épocas chamava a atenção pela criatividade dos seus programas, produzidos muitas vezes por equipes de voluntários e equipamentos emprestados. Os primeiros programas de Dilma, com suas imagens aéreas apoteóticas mostrando grandes obras em construção e um texto ufanista, me fizeram lembrar das "reportagens" de Amaral Neto exibidas pela TV Globo no auge da ditadura militar. Só faltou usar o slogan do "Brasil Grande".

Sem emoção e sem humor, sem mostrar e dar voz aos anônimos que fazem a grandeza do país, características dos antigos programas petistas, o latifúndio de 12 minutos em cada bloco que a aliança liderada pelo PT mostra na televisão não tem alma nem rumo, é uma repetição de cenas e discursos de Dilma e Lula, que já não comovem ninguém. O programa repetiu até imagens da campanha de 2010, o que é inconcebível num programa de televisão destinado a surpreender o telespectador, apresentar algo novo e projetar o futuro, renovar as esperanças do eleitor.

Se o objetivo era mostrar o que mudou para melhor na vida dos brasileiros nestes quase 12 anos de PT no governo federal, por que não fazer um programa jornalístico, mandando repórteres aos quatro cantos do país para mostrar e ouvir os principais beneficiados por estas mudanças? Sairia bem mais barato e teria muito mais efeito do que a presidente ou um locutor falar bem do seu próprio governo.

Com um terço do tempo de Dilma, o programa do tucano Aécio Neves atinge melhor seus objetivos: apresentar o candidato do PSDB como principal crítico do governo petista, mostrar um governante bem sucedido em Minas, com a imagem de pacato pai de família, o genro em quem a mãe da moça pode confiar. Se isso passa por verdadeiro ou não, é outro problema.

Dona de apenas dois minutos em cada bloco, a única novidade apresentada pelos marqueteiros de Marina Silva em sua estreia na quinta-feira foi tirar o xale da candidata. O resto é tudo igual à campanha de 2010, em que ela, com menos tempo ainda, conseguiu quase 20 milhões de votos e forçou um segundo turno na eleição presidencial. Fora o discurso da sustentabilidade, o nome do partido próprio que Marina ainda não conseguiu criar, e que a maioria das pessoas não sabe o que quer dizer, o que mais a líder conservacionista tem a oferecer ao país para melhorar a vida dos brasileiros?

Como de costume, pontificam entre os nanicos as "línguas de aluguel", nas eternas participações especiais do democrata-cristão Eymael e do aerotrem Fidelix, cada vez mais furiosos ao bater no governo Dilma, no que são acompanhados pelos "revolucionários" PCO, PCB, PSTU e PSOL, a extrema esquerda que faz apenas papel de figurante.

A mesma pergunta dirigida a Marina poderia ser feita a todos os outros candidatos que invadiram nossas televisões abertas e jogaram grande parte dos telespectadores/eleitores nos braços dos canais pagos. Resultado: em relação à campanha de 2010, o horário político já provocou a queda de 32% na audiência das nossas principais emissoras, enquanto os canais pagos, que não exibem a propaganda eleitoral, batem recordes, chegando à soma de 18,4 pontos na quarta-feira.

Nem vou falar dos inacreditáveis blocos destinados a candidatos a deputados e senadores porque tenho vergonha. O padrão Tiririca se espalhou pelo vídeo, com a campanha ganhando ares de deboche, a começar pelos nomes de fantasia dos candidatos, mas vou deixar isso aos cuidados do nosso caro Macaco Simão, que está cada vez mais imperdível.

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

foto 11 Antes de começar, campanha de Marina entra em crise

Não deu outra. Bem que avisei, desde o primeiro dia, que isso não daria certo.  Antes mesmo de começar a campanha, no dia em que foi ungida candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva abriu a primeira grande crise na estranha aliança ambientalista-socialista, ao bater de frente com o pessebista histórico Carlos Siqueira, que era uma espécie de José Dirceu de Eduardo Campos, coordenador-geral da campanha presidencial do ex-governador pernambucano, que morreu num acidente aéreo na semana passada. Como escrevi aqui outro dia, o mundo de Marina se divide entre quem manda e quem obedece. Quem manda é ela. Siqueira não obedeceu e já caiu fora.

"Não tenho magoa nenhuma dela, apenas acho que quando se está numa instituição como hospedeira, como ela é, tem que respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, porque, no PSB, mandamos nós", desabafou o ex-chefe da campanha de Eduardo nesta quinta-feira, ao deixar a reunião do PSB com partidos coligados, em Brasília, para oficializar a nova chapa presidencial.

O que todo mundo já sabia, mas era escondido pela grande imprensa familiar, que queria garantir um segundo turno na eleição presidencial, Siqueira botou para fora a guerra surda da aliança de Eduardo com Marina: "Acho que ela não representa o legado de Campos. Eu não vou fazer campanha pra ela porque eles eram muito diferentes, politicamente, ideologicamente, em todos os sentidos."

Para o lugar de Siqueira, Marina autocraticamente nomeou Walter Feldman, seu fiel aliado, fundador do PSDB e secretário de vários governos tucanos. O último cargo público que ocupou, antes de trocar o PSDB pelo PSB, quando ajudava Marina a criar a Rede Sustentabilidade, que não deu certo, foi o de "Secretário Especial de Articulação de Grandes Eventos" da Prefeitura de São Paulo. Alguém pode imaginar o que seria isso?

Tratava-se de uma bela mordomia em Londres, que durou seis meses e foi custeada pelos nossos impostos, em que Feldman foi encarregado de acompanhar as Olimpíadas na Inglaterra para dar sugestões à Prefeitura de São Paulo, na época comandada por Gilberto Kassab, sucessor e aliado do tucano José Serra. Como as próximas Olimpíadas serão sediadas no Rio, e não em São Paulo, ninguém entendeu até agora qual era o objetivo da sinecura de Feldman em Londres. É desse tipo de gente que Marina está cercada, incluindo herdeiras de bancos, economistas tucanos e altos empresários de cosméticos.

Em seu relatório final sobre seu trabalho em Londres entregue à prefeitura de São Paulo, Feldman concluiu com o seguinte ensinamento, no melhor estilo Marina Silva: "As atividades que envolvem um grande contingente populacional devem ter toda a área de prevenção e análise de riscos, planejamento, agregação e uma retaguarda especializada, com experiência internacional, para monitorar, dar suporte e formar uma rede de ação, a qual, desenvolvida em São Paulo, deverá atuar como fio condutor para o Brasil". Maravilha!

Entenderam? Pois é isso que nos espera nas propostas a serem apresentadas por Marina Silva na campanha presidencial, a julgar pelas ininteligíveis propostas que a candidata e seus fiéis seguidores apresentaram até agora. Salve-se quem puder,  ou quem tiver juízo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

marina Beto é o vice de Marina: que diferença faz?

Daqui a pouco, na tarde desta quarta-feira, o PSB vai oficializar a sua nova chapa presidencial, com Marina Silva e Beto Albuquerque. Sem outra alternativa viável para apresentar como candidato a presidente em lugar do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, morto em acidente aéreo há uma semana, o partido só tinha mesmo que adotar a solução natural para a cabeça de chapa, uma vez que Marina era sua vice.

Também não houve muitas discussões para se chegar ao nome do deputado gaúcho Beto Albuquerque, líder do partido na Câmara, um vice de consenso encontrado pelo PSB, que agrada tanto a Marina como à família Campos. Chegou-se a cogitar para o cargo a indicação da viúva Renata, mãe dos cinco filhos de Eduardo, mas a ideia logo foi abandonada por razões familiares e políticas.

Com um filho de seis meses que requer seus cuidados, Renata, considerada por Roberto Amaral, presidente do PSB, "a candidata dos sonhos", não teria condições de se dedicar à campanha, enquanto Marina precisava de alguém que lhe abrisse as portas entre os poderosos empresários do agronegócio, exatamente o setor onde Albuquerque atua e recolhe os recursos para as suas campanhas. Os ruralistas, como se sabe, torcem o nariz diante do nome da ex-ministra de Meio Ambiente do governo Lula, uma adversária histórica dos donos das terras.

Pensando bem, que diferença faz o nome do vice na campanha? Quantos brasileiros sabem dizer hoje quem é o vice de Dilma, ou o companheiro de chapa do tucano Aécio Neves? Se em lugar de Beto, tivessem indicado Juca, Joãozinho ou Genésio, quantos votos a mais ou a menos eles trariam para Marina? Se fosse Renata a escolhida, aí sim, poderia influenciar o eleitorado, com o ingrediente emocional da tragédia aérea que comoveu o país, e era isso que os adversários mais temiam.

"Ninguém vota em vice", costumava dizer José Alencar, vice de Lula nos dois mandatos _ ele próprio, ironicamente, uma exceção à regra. O ex-metalúrgico reunia bons motivos ao batalhar muito para ter o grande empresário mineiro numa chapa unindo capital e trabalho, uma forma de espantar os temores dos donos do dinheiro. Deu certo.

Na historia brasileira do último meio século, porém, candidatos a vice não foram decisivos em campanhas, mas tiveram papel de destaque após as eleições, ao assumirem, por diferentes motivos, o cargo dos titulares. Basta lembrar, por exemplo, de João Goulart, que ocupou a cadeira no Palácio do Planalto quando Jânio pirou e se mandou de Brasília; de José Sarney, que ficou no lugar de Tancredo Neves, o presidente que nunca foi, abatido por um câncer na véspera da posse, e de Itamar Franco, o substituto do impichado Fernando Collor.

A própria Marina Silva foi escolhida como vice por ser considerada uma grande carreadora de votos para Eduardo Campos, mas não foi isso que se viu. Ao morrer, Eduardo tinha apenas 8% das intenções de voto. Dias depois, na primeira pesquisa pós-tragédia, Marina já aparecia com 21%.

Ex-secretário estadual nos governos gaúchos dos petistas Olívio Dutra e Tarso Genro, que deixou em 2012, para se dedicar à campanha de Eduardo, Beto Albuquerque tem 51 anos. No governo Lula, lutou pela aprovação da medida provisória dos transgênicos, que Marina combatia.

Socialista histórico, nunca teve outro partido fora do PSB. No próximo final de semana, ele já estará ao lado de Marina numa caminhada no Recife, o primeiro ato de campanha da nova chapa. Para o PSB, a partir de hoje, começa tudo de novo, a um mês e meio das eleições presidenciais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

lll Dilma e Marina, tão iguais e tão diferentes

Quem um dia poderia imaginar, até poucos anos atrás, que teríamos neste momento, a 45 dias das eleições, duas mulheres disputando quem vai ser a próxima presidente da República do Brasil?

Por uma dessas boas sortes do destino, tive a oportunidade de trabalhar com ambas durante os dois primeiros anos do governo Lula, em que elas foram ministras de Estado e eu secretário de Imprensa da Presidência. Aprendi a admirá-las pela força com que defendem suas convicções, muitas vezes opostas, e posso dizer que ficamos bons amigos.

As vidas da economista mineira Dilma Vana Rousseff, 66, e da ambientalista acreana Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, 56, tão iguais e tão diferentes, dariam um belo e emocionante filme.

Não gosto de fazer comparações entre pessoas, e muito menos julgá-las, nem é este o objetivo deste texto. Quero apenas contar um pouco do que sei sobre a trajetória e a personalidade destas duas figuras absolutamente incomuns, que construíram seus próprios caminhos com muita luta, determinação e sofrimento, cada uma do seu jeito.

Conheci Marina primeiro, nas campanhas presidenciais do Lula, lá pelo final dos anos 80 do século passado, e logo ela me chamou a atenção nos vários encontros dos "povos da floresta", em Rio Branco, no Acre, por sua figura frágil, ar místico, voz fina, mas sempre firme, cabelos presos e figurinos étnicos, muito carismática.

Conversei com Dilma pela primeira vez no período de transição do governo FHC para o de Lula, no final de 2002, quando trabalhamos juntos no prédio do Centro Cultural do Banco do Brasil. Não era de dar intimidade a ninguém, sempre muito séria e objetiva em suas roupas de executiva, cabelos armados, só falava de trabalho, carregando planilhas e seu inseparável laptop.

Figuras humanas bem diferentes, como se pode notar, mas também com muitas coisas em comum. Elas não gostam de ser contrariadas, sempre carregam verdades definitivas, parecem estar cumprindo uma missão terrena ou divina. O mundo delas se divide entre quem manda e quem obedece. Não tem conversa. Por isso mesmo, não custaram a se estranhar logo nos primeiros meses de governo.

As divergências entre elas eram muitas, mas podem ser resumidas num ponto- chave: Dilma era o que se pode chamar de desenvolvimentista, ao lutar por grandes obras e projetos no Ministério de Minas e Energia, batendo de frente com o conservacionismo de Marina, que sempre se dedicou a defender com unhas e dentes o meio ambiente, desde os tempos de líder seringueira ao lado de Chico Mendes.

Em razão disso, não foram poucas as vezes em que Marina foi se queixar a Lula e pedir demissão do cargo. Acabou ficando até meados de 2008. Saiu do governo e, ao mesmo tempo, do PT, para se candidatar a presidente da República pelo PV, em 2010, quando enfrentou Dilma pela primeira vez, e acabou provocando um segundo turno na eleição, ao obter 19% dos votos, tornando-se a grande surpresa daquela campanha.

Dilma tinha assumido a chefia da Casa Civil, o cargo mais importante do governo depois do presidente, em 2005, no auge da crise do mensalão, em que foi chamada para ocupar o lugar de José Dirceu. Poucos meses depois, Lula me confidenciou que tinha encontrado nela a candidata ideal para disputar a sucessão dele. No papel de gerente geral do governo, foi convocada por Lula para comandar o PAC no segundo mandato, principal bandeira da sua primeira campanha eleitoral disputada na vida. E assim se tornou a primeira mulher eleita presidente da República, um projeto que nunca fez parte da sua vida.

Ao contrário, Marina não pensa em outra coisa desde que deixou o PT. Sem espaço no PV após a campanha de 2010, resolveu criar seu próprio partido, chamado de Rede Sustentabilidade, para concorrer novamente em 2014, mas não conseguiu o registro a tempo de disputar as eleições. Com seu grupo de seguidores, conhecidos por "marinistas" e "sonháticos", resolveu se abrigar provisoriamente no PSB de Eduardo Campos, que já estava em campanha presidencial e a recebeu de braços abertos para ser sua vice. Do outro lado, não se conhecem "dilmistas".

Como aconteceu nos seis anos em que conviveram na Esplanada dos Ministérios, disputando posições e projetos diferentes no governo Lula, montadas em suas certezas, que não abrem muito espaço para o diálogo e o contraditório, agora Marina e Dilma estão frente a frente outra vez. A última pesquisa Datafolha mostra que ambas podem ir para o segundo turno, hoje numa situação de empate técnico, com leve vantagem de Marina, prometendo luta renhida até o final.

Quem ficou numa situação bastante difícil foi o tucano Aécio Neves, único homem ainda na disputa entre os candidatos competitivos. Ensanduichado entre duas mulheres, vai ter que bater nelas para cavar um lugar no segundo turno, ou ficará fora dele, e isso não pega bem num país machista como o nosso, onde ainda está em vigor a Lei Maria da Penha. Como esse filme vai acabar, eu não sei, mas certamente viveremos fortes emoções nos próximos 45 dias. Preparem seus corações!

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com