Eduardo Campos Foto Hélio Campos Mello1 Eduardo decidiu ser candidato ainda em 2012

Foto: Hélio Campos Mello

Perdeu a política brasileira, já tão pobre. A morte de  Eduardo Henrique Accioly Campos, aos 49 anos, é uma tragédia não apenas para a família, os amigos e os seus eleitores, mas também para o país. Meu sempre cordial amigo Eduardo era a melhor expressão das nossas novas lideranças políticas, tão raras neste Brasil do século 21. Descobri isso quando fiz com ele duas longas entrevistas, em 2010 e 2012, as primeiras de repercussão nacional, quando ainda era um líder regional.

"Um político do futuro" foi o título da capa da revista Brasileiros, em outubro de 2010, com uma bela foto de Leo Caldas. Nesta primeira entrevista, conversei com ele durante horas, em seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas, dias antes da eleição geral de 2010, em que já despontava como o novo campeão de votos. Combinamos que a entrevista só seria publicada se as urnas confirmassem as pesquisas.

Não deu outra: "Campeão de votos entre os candidatos a governador (82,84% dos votos válidos em Pernambuco), Eduardo Campos reafirma a mais simbólica de todas as mensagens emitidas pelas urnas de 3 de outubro: a política brasileira está mudando de geração. E está mudando para valer", escrevi na abertura da matéria.

Voltaria ao Recife em 2012, em meio à cobertura da campanha municipal daquele ano, para um almoço com seu eterno assessor de imprensa, o Evaldo Costa, uma das heranças que recebeu do avô, Miguel Arraes, que também morreu num dia 13 de agosto.

Mal pisamos no saguão do aeroporto dos Guararapes, o fotógrafo Hélio Campos Mello e eu, a brava equipe da Brasileiros, tocou meu celular. "O governador está convidando vocês para almoçar com ele", avisou a gentil secretária Rosa, que nos explicou como chegar ao Centro de Convenções, onde Eduardo Campos estava despachando, enquanto o Palácio do Campo das Princesas passava por uma reforma. O almoço só terminaria às cinco da tarde.

Saí dali com a certeza de que o então governador de Pernambuco seria candidato a presidente da República já em 2014. "Lula X Eduardo Campos _ a guerra dos padrinhos no Recife", foi o título da matéria, que mostrava o início e as causas do afastamento de ambos, em 2012, nesta mesma época do ano.

Meu objetivo era apenas fazer uma reportagem sobre a disputa eleitoral entre PT e PSB, mas a conversa tomou um rumo diferente, com um verdadeiro desabafo de Eduardo, que nem esperava pelas perguntas para falar da mágoa que estava sentindo do velho amigo e aliado. O governador sabia que eu também era um velho amigo de Lula, pois trabalhamos juntos _ ele, como ministro da Ciência e Tecnologia, e eu, como Secretário de Imprensa, nos dois primeiros anos do governo do PT. Talvez por isso mesmo tenha sido tão franco e direto, como se poderá ver em alguns trechos da matéria que reproduzo abaixo:

O clima esquentou de vez no começo de agosto, quando o presidente nacional do PT, Rui Falcão, deputado estadual em São Paulo, deu uma entrevista ao Jornal do Commercio, de Pernambuco, em que fala do caráter nacional da disputa: "É uma questão de honra para nós ganhar a eleição no Recife". Se ainda não era, passou a ser uma questão de honra também para Eduardo Campos, que não consegue falar com seu amigo Lula desde o começo de julho, quando tiveram um rápido encontro em São Paulo, depois de definidas as duas candidaturas. De olho em 2014, o que ambos os partidos negam, o fato é que a disputa eleitoral no Recife acabou jogando em campos opostos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o herdeiro político de Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco, fiel aliado do PT desde a primeira eleição presidencial, em 1989.  

(...) De bom humor e animado como sempre, o governador pernambucano mostrou apetite para repetir o prato e falar de política durante o longo almoço com cardápio trivial: peixe ao molho de maracujá, bife a rolê, arroz enfeitado e panqueca de ricota com espinafre. Para acompanhar, sucos de frutas da terra e refrigerantes. Só depois do cafezinho, conforme o combinado, peguei caderno e caneta e fui direto ao assunto desta reportagem: como ele está analisando o cenário da disputa de 2012, principalmente nas capitais onde se enfrentam PT e PSB, tendo como pano de fundo a sucessão presidencial em 2014. "A eleição é apenas municipal, sempre foi assim, mas eu sei que todo mundo quer fazer agora alguma ligação que remeta a 2014".

Como bom nordestino, Eduardo não se recusou a fazer esta ligação, contando com detalhes como se chegou à ruptura, por telefone, quando ele ligou para o ex-presidente:

"Estou falando do gabinete onde o doutor Arraes recebeu os milicos, não sou homem de ser enquadrado por ninguém. Posso ser convencido, mas enquadrado, não". Foi neste ponto , depois de vários desencontros, que se deu a ruptura entre os dois velhos amigos, um magoado com o outro. E começaram os ataques mútuos de líderes dos dois partidos pela imprensa, que só pioraram as coisas, a ponto de Eduardo não conseguir mais falar com o ex-presidente. "As informações chegam filtradas a Lula, que fica isolado lá no instituto dele, falando com assessores e dirigentes do PT, como Rui Falcão, e só quer saber da eleição em São Paulo. Eu esperei até o último dia para conseguir um entendimento com o PT daqui, ficamos de conversar, mas tive que escolher um candidato no meu partido porque já estávamos correndo o risco de perder a eleição para a direita, com a cidade sangrando e o PT brigando. Acharam que eu estava blefando".

Agora que todos sabemos que Eduardo não era de blefar, vamos lembrar outro episódio.

Atendendo ao conselho de Dilma, o governador ligou para Lula, mas lhe disseram que o ex-presidente estava num sítio descansando e só poderia entrar em contato depois do dia 20 de julho. "Estamos no dia 24 de agosto e até hoje ele não ligou..."

Até hoje, por mais que seja provocado por jornalistas, Eduardo jamais falou mal de Lula, embora tenha feito muitos ataques ao governo de Dilma Rousseff durante a campanha presidencial. Como os dois não se falavam pessoalmente, o diálogo era feito por intermediários, o que só gerava mais futricas. Um deles relatou a Eduardo uma frase que teria ouvido de Lula:

"Eu queria fazer o Eduardo presidente pela minha mão, na hora certa, mas agora ele resolveu chegar lá sozinho".

Não chegou nem nunca chegará, mas nós todos ainda vamos sentir muita falta de políticos como Eduardo Campos, um cara que era capaz de falar e fazer o que seu coração mandava, sem querer levar vantagem em tudo.

***

Estava terminando de escrever este texto, com muita dificuldade, porque não consigo falar da morte de ninguém, depois da morte de meu pai, quando me ligou o Roberto Kalil, nosso médico e amigo comum, que me fez lembrar do que aconteceu com Ulysses Guimarães, outro político fora de série que morreu num acidente aéreo e desapareceu no mar de Angra dos Reis, não muito longe de Santos, onde caiu o jatinho que levava Eduardo Campos do Rio para o Guarujá. Chovia muito na região naquela hora, pouco antes das 10 da manhã.

Durante a Campanha das Diretas, em 1984, quase morri num avião ao lado de Ulysses _ e por culpa da teimosia do velho. Voávamos de Macapá, no Amapá, para Belém do Pará, atravessando um temporal amazônico. "Avião comigo não cai, jornalista, larga mão de besteira seu c...", desafiava-me ele, ao ver o medroso repórter rezando sem parar.

O piloto havia avisado logo cedo que não havia nenhuma condição de levantarmos voo, mas Ulysses tanto insistiu que partimos por volta das 11 da manhã. Logo depois da decolagem, com o avião jogando para cima, para baixo e para os lados, o "Senhor Diretas" começou a passar muito mal.

Com a experiência de um veterano piloto de muitos temporais, trocou de roupa no avião mesmo, se recompôs, e desceu em Belém todo pimpão, dando entrevistas, como se nada tivesse acontecido. Daquela vez sobrevivemos, mas havia outro temporal no caminho de Ulysses, e ele teimou em mandar o piloto do helicóptero levantar voo de Angra dos Reis para ir a São Paulo, quando não podia. Ainda bem que daquela vez eu não estava junto... O resto tudo agora é história.

***

Quem quiser saber mais sobre a vida, o pensamento e o estilo de Eduardo Campos pode acessar o arquivo: www.revistabrasileiros.com.br

Vida que segue, agora sem o Eduardo Campos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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FUP20120525073 Buraco G Sabesp busca petróleo em buraco no Jardim Paulista?

Manhã de segunda-feira. Assunto não falta. Só desgraça, claro, no Brasil e no mundo. Por isso, pensei em escrever sobre futebol, mas também não me animei, depois de ler a perfeita análise de Juca Kfouri sobre a rodada de domingo do Brasileirão, sob o título "Diga basta, torcedor!".

Disse tudo: "Daí, uma reflexão diante da miséria que assola nosso futebol: imagine o que acontecerá se o torcedor, pacificamente, qual Gandhi, deixar de ver os jogos? Resistência pacífica mesmo! Estádios ainda mais vazios que o habitual, audiência em queda, patrocinadores que gastam milhões para expor suas marcas em desespero, o que acontecerá? Imagine".

Pois posso imaginar, caro Juca, mas aí o que nos restará para fazer de mais emocionante nas velhas tardes de domingo?

Poderia escrever sobre o racionamento oficial de água, que atinge 2,1 milhões de paulistas, fora os não contabilizados. Ou sobre o ebola, que se alastra pela África, a nova trégua de 72 horas entre Hamas e Israel, enquanto palestinos continuam morrendo, entre eles um menino de 14 anos (não há registro de vítimas israelenses), o tiroteio na CPI da Petrobras, a grana correndo na campanha eleitoral, e por aí afora.

Também renderia uma boa matéria a ciclovia da avenida Sumaré, que foi pintada de vermelho, uma nova obra de Fernando Haddad, já chamado "Prefeito Suvinil", por espalhar faixas exclusivas pela cidade, tirando o espaço dos carros para dar lugar a bicicletas e ônibus, algo considerado politicamente correto. Desta vez, porém, o prefeito arrumou encrenca não só com os donos de carros (não é meu caso), mas com os pedestres, pois a ciclovia foi implantada no mesmo espaço antes reservado ao pessoal das caminhadas matinais.

Quando os assuntos são muitos, às vezes a gente se esquece do que está mais próximo da nossa janela, a exemplo da interminável novela urbana que venho acompanhando diariamente do meu privilegiado posto de observação.

Começou na mesma semana da Copa no Brasil. Com o som inconfundível das britadeiras, a Sabesp abriu pela enésima vez um buraco na alameda Ministro Rocha Azevedo, esquina com a alameda Lorena, no coração do Jardim Paulista, bairro nobre da cidade. Duas pistas foram fechadas com cones (não, o Fred não estava lá) e fitas. Logo, máquinas e caminhões de uma empreiteira terceirizada pela Sabesp se perfilaram para dar mãos à obra, provocando grandes congestionamentos e uma sinfonia de buzinas _ e, assim, do jeito que começou, continua tudo lá até hoje, dois meses depois, portanto, sem prazo para um final feliz.

Se alguém estiver interessado em entender os motivos da crise de desabastecimento de água em São Paulo, basta passar apenas algumas horas naquele lugar para conhecer o padrão Sabesp de qualidade, eficiência e respeito ao consumidor.

Dois ou três operários por dia se revezam no buraco, que anda a cada semana, em direção à avenida Paulista, enquanto outros ficam olhando ou esperam sua vez nos caminhões, todos sem mostrar muita pressa. Nunca vi ali um engenheiro da empreiteira ou da Sabesp, algum fiscal da prefeitura, nada que pudesse sugerir a preocupação do poder público com o andamento da obra.

Muito menos alguma boa alma da Sabesp, que tem uma fornida equipe de comunicação e não poupa dinheiro com investimentos em propagada, preocupou-se em informar aos moradores o que, afinal, a companhia está fazendo ali, quanto tempo vai durar a "obra", qual o seu custo, nada.

Claro que cabe à empresa, controlada pelo governo do Estado, e com 49% das ações na Bolsa, teoricamente responsável pelo saneamento básico de 27,7 milhões de pessoas, cuidar da manutenção da sua rede subterrânea de água e esgoto, mas não custaria nada dar uma satisfação ao distinto público, assim como tomar providências para amenizar os transtornos e apressar a conclusão dos serviços. Os moradores da região e os leitores deste Balaio já ficariam satisfeitos se recebessem algumas informações sobre o destino do buraco.

Motoristas de táxi de um ponto próximo já especulam se a Sabesp não teria aderido aos programas do "pré-sal" e resolvido investir na prospecção de petróleo em pleno Jardim Paulista. Dia desses, quem sabe, jorra ali o chamado ouro negro e os acionistas privados poderão comemorar a subida das suas ações.

"Como a Sabesp não teve dinheiro para investir na manutenção e tem para distribuir lucros na bolsa de Nova York?", quer saber o vereador Laércio Benko, do PHS, que entrevistei semana passada na Record News, durante a série de sabatinas da emissora com os candidatos ao governo do Estado. Interessado em receber uma resposta, como nós também, Benko apresentou requerimento, que já foi aprovado, pedindo a instauração de uma CPI na Câmara Municipal para investigar a companhia.

Vamos esperar sentados, que de pé cansa. Com a palavra, a Sabesp.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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9cfdeojot7 1cow7d56yn file Contra tudo e contra todos, Dilma resiste

Foi uma atrás da outra: vai faltar energia, a Copa vai ser um vexame, a base aliada vai debandar, a CPI da Petrobras vai ser um escândalo, a inflação vai estourar, a economia está indo para o brejo, Dilma vai despencar. Só notícias negativas anteciparam cada nova pesquisa, mas os números teimam em não confirmar as previsões catastróficas dos "analistas independentes" e especialistas em geral.

Desde o começo do ano, é sempre a mesma história e, no entanto, qualquer que seja a desgraça, Dilma continua lá firme no mesmo lugar, enquanto seus concorrentes ficam praticamente empacados nas pesquisas. É um fenômeno de resiliência eleitoral que eu mesmo não consigo entender e muito menos explicar.

Afinal, Dilma Rousseff luta contra tudo e contra todos ao mesmo tempo, com a maior parte do empresariado, do Congresso e da mídia, e até uma parte do PT, fazendo o possível para criar obstáculos e impedir que a presidente se reeleja, pouco podendo contar com a ajuda dos candidatos do partido aos governos estaduais.

A nova pesquisa presidencial do Ibope, divulgada na noite de quinta-feira, confirmou o que falei ao Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News. Nem o aeroporto público-privado de Cláudio, construído nas terras da família quando Aécio Neves era governador de Minas, nem a denúncia sobre a "farsa da CPI da Petrobras", ressuscitada para atacar Dilma Rousseff, alterariam dramaticamente os números desta semana.

Em relação a julho, como acontece desde abril, tudo ficou dentro das margens de erro: Dilma permaneceu com os mesmos 38%, Aécio foi de 22% para 23% e Eduardo Campos passou de 8% para 9%. O índice de Dilma é igual à soma de todos os seus adversários, o que ainda permite prever uma decisão no primeiro turno (faltaria apenas um voto), até porque a presidente tem um latifúndio de tempo na propaganda eleitoral. .

Denúncias, por mais bombásticas que sejam, não afetam o humor dos eleitores como em outros tempos quando a mídia hegemônica construía e destruía candidaturas conforme seus interesses. O destino de Dilma continua dependendo dos rumos da economia, que, a continuar como está, ainda pode levar a eleição ao segundo turno. Neste caso, a disputa seria bastante acirrada entre o PT e o candidato anti-PT —  ao que tudo indica, o tucano Aécio Neves. A dupla Eduardo-Marina até agora não emplacou.

A aprovação do governo Dilma subiu três pontos de uma pesquisa para outra, de 44% para 47%, renovando as chances de Dilma garantir a reeleição num turno só. A desaprovação caiu um ponto, de 505 para 49%. E, a não ser que aconteça alguma catástrofe ou um grave fato novo na economia, tudo deverá continuar mais ou menos como está até o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, no dia 19 de agosto.

Convido os caros leitores do Balaio a me ajudarem a entender este fenômeno da resistência de Dilma Rousseff num clima hostil a ela: como explicar?

De vez em quando, a gente acerta. Vida que segue.

 

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poluição Está difícil até de respirar neste deserto paulista

Em São Paulo, o que está ruim sempre pode ficar pior, tornando a vida mais insuportável na maior cidade do país. Agora, se já estava faltando água em muitas casas, bairros e cidades do Estado, ficou difícil até de respirar neste clima de deserto que prevê para esta quinta-feira o dia mais seco do ano.

Não é exagero o que estou dizendo: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que a umidade relativa do ar pode cair aos 10%. Para se ter uma ideia do que isso representa, níveis de umidade abaixo de 12% levam ao estado de emergência, segundo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A poluição em São Paulo nos últimos dias pode ser vista a olho nu, dá para se pegar com a mão, nem é preciso fazer muitas medições. Basta abrir a janela e respirar fundo para começar a tossir, sentir a garganta seca e os olhos ardendo. "Com isso, dentro de casa, as pessoas devem manter a janela fechada e cuidar da hidratação", recomenda o pneumologista Pedro Genta, do Hospital Beneficência Portuguesa, em entrevista ao repórter Fabrício Lobel, da "Folha". E quem precisa sair à rua para trabalhar?  Está difícil. Crianças e idosos, como eu, sofrem mais.

O médico explica que o clima seco torna mais frequentes as crises de doenças respiratórias, como asma, enfisemas e bronquite. Aí chegamos a outro gargalo: se, em tempos normais, os postos de saúde e hospitais já não dão conta de atender a população, no momento em que São Paulo se equipara ao Atacama, no Chile, considerado como o deserto mais seco do mundo, que ontem marcou 12% de umidade relativa do ar, quem é que vai cuidar das vítimas da poluição?

A capacidade dos reservatórios do Sistema Cantareira já está abaixo dos 15%, com volume morto e tudo. Estamos há tempos tomando lama tratada e nada indica que a situação possa melhorar tão cedo. Em compensação, a Sabesp, empresa controlada pelo governo do Estado, que deveria ser responsável por garantir o abastecimento de água, distribuiu no ano passado quase R$ 2 bilhões em dividendos aos seus acionistas, e investiu pesado em propaganda, como se pudéssemos escolher o fornecedor de água para as nossas torneiras.

Como não tenho ações da Sabesp, só me resta sonhar em um dia poder morar nalguma praia do nordeste e ficar lá tomando água de coco, ouvindo de longe as notícias assustadoras do Sul Maravilha, o paraíso que antigamente fazia o povo da região querer vir para cá. Está tudo virando de cabeça para o ar, e a gente só assistindo... Pois é, vai ficando nais difícil até de respirar neste deserto de homens e ideias chamado São Paulo, pobre São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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petrobras A farsa da CPI: por que oposição foge das perguntas?

Um detalhe que me intriga nesta denúncia sobre a "farsa da CPI" feita pela revista "Veja", segundo a qual perguntas e respostas teriam sido combinadas entre parlamentares governistas e funcionários da Petrobras interrogados na Comissão Mista, e logo transformada no novo escândalo da campanha eleitoral: por que, então, deputados e senadores da oposição, que tanto batalharam para investigar a maior empresa do país, não levantaram as questões que julgam necessárias?

Se a base aliada promoveu um jogo de cartas marcadas, como sempre acontece em qualquer CPI do mundo onde o governo tem maioria no Congresso, admitindo-se que sejam verdadeiras todas as revelações feitas pela revista oposicionista, bastaria que os parlamentares liderados pelo PSDB e DEM comparecessem às sessões para provar que os diretores da Petrobras estavam mentindo, apresentando provas de que eles sabiam estar causando grandes prejuízos à empresa no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, e apontando os responsáveis.

Ninguém poderia imaginar que eles também aliviassem a barra dos depoentes e, assim, o país ficaria sabendo o que realmente aconteceu. Por que eles fugiram das perguntas e deixaram o palco livre para os governistas montarem a "farsa da CPI"? Agora, não adianta alegar que os governistas estavam em ampla maioria nas comissões criadas na Câmara e no Senado. Isto eles já sabiam bem antes da instalação da CPI mista. E ninguém poderia impedir que fizessem suas perguntas.

Em primeiro lugar, respondo, porque uns e outros estavam mais preocupados com a Copa no Brasil; depois, criaram um "recesso branco" para cuidar das suas campanhas, do qual ainda não voltaram, e provavelmente não o farão antes das eleições, não dando quórum para que a Comissão Mista pudesse se reunir. O fato é que estes parlamentares e candidatos da oposição, que agora aparecem injuriados sapateando na mídia, ameaçando ir à Justiça, demonstraram este tempo todo foi muita vagabundagem e pouco interesse em se preparar para os interrogatórios, como muito bem constata Jânio de Freitas, em sua coluna na "Folha" desta terça-feira, sob o título "O banal faz escândalo".

"Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio [um dos coordenadores da campanha do presidenciável tucano Aécio Neves, acrescento]".

E conclui Jânio de Freitas, um dos meus mestres no jornalismo: "Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral".

Tudo, na verdade, está virando "pasto eleitoral", ou alguém acredita que a verdadeira preocupação do PSDB e do DEM é zelar pela boa administração da Petrobras, que esteve sob o comando deles por oito anos?

 

 

 

 

 

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foto 1 Mal começa a campanha e já vão para o tapetão

Não tem jeito. Mal começou oficialmente a campanha eleitoral, ainda sem qualquer debate político sobre planos de governo, e os partidos dos dois principais candidatos a presidente da República, Dilma Rousseff, do PT, e o tucano Aécio Neves, já anunciaram que vão à Justiça denunciar um ao outro. O roteiro é o mesmo de sempre: a imprensa faz uma denúncia e, imediatamente, PT e PSDB correm para o tapetão na tentativa de abalar ou inviabilizar o adversário.

A campanha presidencial, desta forma, vai rolando com denúncias e pesquisas eleitorais (o próximo Ibope deve sair já na quinta-feira), distante dos eleitores que, até agora, não mostraram o menor interesse pela disputa que decide os destinos do país para os próximos quatro anos.

Após participar nesta segunda-feira da abertura do 13º Congresso Brasileiro do Agronegócio, Aécio Neves qualificou de "extremamente grave" denúncia feita pela revista "Veja" sobre o que chamou de "farsa na CPI da Petrobras". O candidato defendeu uma investigação "a fundo" e anunciou que ainda na tarde de hoje o PSDB anunciará que "medidas judiciais pretende tomar".

Já no final de semana, o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, candidato a vice, havia antecipado que o partido estava estudando o encaminhamento de representações ao Ministério Público e ao Senado, solicitando a apuração dos fatos, por envolver servidores do Congresso Nacional e funcionários do Palácio do Planalto. O PSDB também quer saber se a presidente Dilma Rousseff "tinha conhecimento do esquema".

"Acho que o PSDB faz as representações que quiser fazer em Brasília. É uma questão que deve ser respondida pelo Congresso", retrucou a presidente Dilma Rousseff, ao ser indagada sobre a denúncia por jornalistas, durante visita a uma unidade de saúde na periferia de Guarulhos, em São Paulo.

A guerra eleitoral na Justiça começou na semana passada depois que a "Folha" denunciou a construção de um aeroporto com dinheiro do governo de Minas em terras da sua família durante o segundo mandato de Aécio Neves como governador. O PT e o comando da campanha de Dilma decidiram levar o caso à Justiça e pedir investigações sobre a obra ao Ministério Público Federal.

O contra-ataque veio rápido com a reportagem da revista publicada no último fim de semana, que mostra um jogo de cartas marcadas na CPI da Petrobras, depois de Aécio passar vários dias se explicando sobre a construção do aeroporto, até admitir que o utilizou algumas vezes, embora ainda não tenha sido homologado pela ANAC.

E é neste fogo cruzado de denúncias e pedidos de investigações que petistas e tucanos, em lugar de apresentar propostas para melhorar o país, querem provar que os adversários foram piores para o Brasil. Também é uma forma de ambos ocuparem o espaço com noticiário negativo sobre o principal oponente, deixando fora do jogo Eduardo Campos, do PSB,  o candidato da terceira via que ficou empacado nas pesquisas. Quem sabe este cenário muda, ou não, quando começar a propaganda eleitoral no rádio e TV daqui a duas semanas. Pelo que se viu até aqui dos dois lados que ocupam o poder central há duas décadas, o nosso futuro não é nada animador.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 A tendência do jornalismo é o nicho de mercado

O jornalista Glenn Greenwald

"Não há jornalistas sem opinião. A questão é se você as expõe ou finge que não as tem e engana seus leitores".

Também acho. O autor da frase é o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que se tornou uma celebridade no nosso meio, ao revelar os documentos secretos vazados pelo ex-agente da NSA Edward Snowden.

Em debate sobre os rumos do jornalismo no penúltimo dia da Flip, em Paraty, o autor de "Sem lugar para se esconder" tocou num ponto em que há tempos venho pensando: a tendência cada vez maior da criação de nichos de mercado de opinião na imprensa, de que é exemplo o Fla-Flu a que assistimos nesta campanha eleitoral. Melhor até seria falar em reserva de mercado.

O problema, para mim, é quando o jornalista deixa de lado a informação e ocupa seus espaços no papel ou na tela com panfletos político-partidários, sem nenhum compromisso com os fatos e a verdade, para defender um ou outro candidato, um ou outro governo, um ou outro país em guerra, um ou outro time de futebol. São os que torturam os números de pesquisas, distorcem declarações entre aspas, recusam-se a admitir erros.

Você já sabe o que vai ler quando vê o nome do autor, não importam o assunto, a época, o lugar. Num jornalismo como o brasileiro, em que os veículos da nova ou velha mídia são cada vez mais indiferenciados, seguidores de um pensamento único no noticiário e nos editoriais, a concorrência feroz agora se dá entre colunistas e/ou blogueiros que disputam estes nichos de mercado.

Quanto mais radicais e agressivos, trocando argumentos por ofensas, numa campanha permanente a favor das suas "causas", mais eles ganham audiência e leitores, e criam verdadeiras seitas de seguidores fiéis. Com isso, os grandes jornais têm hoje, em suas versões impressas ou on-line, mais colunas do que a Grécia Antiga e sobra pouco espaço para as reportagens, que em outros tempos faziam a diferença entre um veículo e outro.

Sempre defendi, e pratiquei isso, que jornalista deve ter lado, ou seja, deixar claro o que pensa, mas não precisa ser, necessariamente, o lado do preconceito, da mentira, da arrogância, da grosseria, da manipulação, como temos visto por toda parte.

O resultado disso é que os leitores ficam sem saber o que, afinal, está acontecendo no Brasil e no mundo. Vira e mexe a imprensa é surpreendida pelos fatos porque vive brigando com eles, até mesmo em manchetes de jornal. Se os fatos contrariam minhas teses, danem-se os fatos, devem pensar estes escribas panfletários que podem estar fazendo qualquer coisa, menos jornalismo.

Fechados em seus aquários com ar condicionado e sem contato com a realidade, conversando sempre com as mesmas fontes, que pensam como eles, têm horror a sujar os sapatos e a conversar com anônimos. São "jornalistas" que não tomam sol nem chuva, escravos de suas verdades absolutas, não admitem contestação. Quem não pensa como eles é idiota, vendido, terrorista, canalha, biltre.

Rara exceção neste cenário de quem já tem uma velha opinião formada sobre tudo e sobre todos, o veterano Clóvis Rossi, que já fez reportagens quase pelo mundo todo e participou da mesa da Flip em que estava Glenn Greenwald, lembrou uma singela lição: ir para a rua ainda é a melhor forma de se exercer o jornalismo: "É a graça da profissão. O que me atrai mais nela é a possibilidade de ser testemunha ocular da história".

Pois os jornalistas dos nichos ou da reserva de mercado já não se conformam em ser testemunhas, querem eles ser os protagonistas da história. E quem são eles? É preciso nominá-los? São tantos que não lhes darei esta colher de chá _ até porque, não precisam, posto que têm o apoio irrestrito de seus patrões, de quem se tornaram alegres porta-vozes. Multimídias, já ocupam quase todos os espaços e horários nos veículos da comunicação hegemônica, e não param de se multiplicar. Haja nichos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atualizado às 9h10 de 9.7

Caros leitores,

Participo, no próximo sábado, dia 9, do projeto "Entrevista Aberta", junto com o publicitário Eco Moliterno, eleito profissional de criação do ano, no Caboré 2013.

O debate começa às 11 horas e vai até as 13h30. O projeto é uma iniciativa do site "Jornalirismo" (www.jornalirismo.com.br), de Guilherme Azevedo, e tem o patrocínio da WMcCANN. A entrada é franca.

Endereço: Rua Groenlândia, 808, Jardim América, quase esquina com a avenida Nove de Julho.

***

buenos Que fizeram de ti, minha Argentina querida?

A primeira vez que saí do Brasil foi no final dos anos 60 do século passado, quando já trabalhava no "Estadão" e desembarquei na Argentina, para fazer a cobertura de um torneio de futebol do qual participavam o Santos de Pelé e o Boca Juniors.

Minha estreia na noite em Buenos Aires nunca mais esqueci na vida _ aquela sensação boa de estar sozinho em outro país, que fala outra língua e tem hábitos diferentes dos nossos, sem conhecer ninguém. Fui caminhando a esmo em busca de um restaurante, descobrindo um mundo novo a cada esquina, cruzando com um desfile de gente elegante e altiva nas calçadas largas e avenidas imponentes, bares, restaurantes, cinemas, teatros, bancas de jornal, floriculturas, tudo lotado, limpo e muito iluminado, fervendo madrugada adentro.

Pensei que tinha desembarcado em alguma capital da Europa dos meus antepassados, que só conhecia de fotos e filmes. Nada que fizesse lembrar o Terceiro Mundo de mendigos jogados nas calçadas, menores abandonados nas ruas pedindo esmolas, velhos mal agasalhados nos dias frios, pessoas andando com medo nas ruas inseguras e escuras. Me senti como criança entrando pela primeira vez na Disneylândia querendo descobrir tudo ao mesmo tempo. Era um outro mundo para mim.

Nunca tinha sido um bom aluno e pouco sabia da história da Argentina _ só que era um dos países mais ricos do mundo ao final da Segunda Guerra. Voltaria lá muitas outras vezes a trabalho, cada vez que estourava mais uma crise política ou econômica, ou a passeio. Por muito tempo, Buenos Aires foi meu destino predileto.

Gostava de tudo lá: das churrascarias e das cantinas, dos vinhos, dos cafés antigos, das casas de tango, dos luminosos coloridos piscando nos imensos teatros e cinemas, gostava até dos argentinos... Era uma festa permanente, vez ou outra interrompida por quedas de presidentes, greves, quebra-quebras, falências, concordatas, ditaduras militares, tanques nas ruas, assassinatos de presos políticos e até uma guerra contra a Inglaterra, por conta das ilhas Malvinas, das quais nunca havia ouvido falar.

Tantas fizeram, que o antigo encanto foi-se perdendo. Cada vez que ia de novo a Buenos Aires, dava para ver a decadência a olho nu, nem era preciso ler as manchetes dos jornais. Cabisbaixos e já não tão bem vestidos, os argentinos pareciam cansados de tantas crises, vendo a pobreza crescer por toda parte, onde antes havia fartura, casas e prédios agora mal cuidados, parques com ar de abandono, nada que lembrasse a Argentina que conheci quando Pelé deslumbrava o mundo e calava o estádio de La Bombonera, no coração do bairro boêmio da Boca.

Que fizeram de ti, minha Argentina querida?, perguntei-me algumas vezes esta semana ao acompanhar com tristeza o noticiário sobre mais uma crise econômica, o país falido não podendo pagar suas dívidas com os tais "fundos abutres", que poderiam inspirar mais um tango choroso.

Deixo para meus colegas mais estudados e informados, como meu velho amigo Clóvis Rossi, parceiro de tantas reportagens que fizemos juntos quando ele era correspondente em Buenos Aires, encontrar as respostas para explicar este destino trágico dos argentinos. Às vezes, penso que países são como pessoas, que se conformam em seguir um destino e, com tudo para dar certo na vida, acabam dando errado.

 

 

 

 

 

 

 

 

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esse ese Um em cada três eleitores está sem candidato

Em Minas Gerais, o índice dos eleitores que pretendem votar em branco ou nulo é de 13% e o dos que ainda não escolheram candidato chega a 31%, um total de 44%. Este número é próximo da soma das intenções de voto nos dois principais candidatos, que estão tecnicamente empatados, segundo o Ibope: Fernando Pimentel, do PT, com 25%, e Pimenta da Veiga, do PSDB, que tem 21%.

O desinteresse e o desencanto dos brasileiros nesta campanha de 2014, que ainda não deu sinais de vida nas ruas do país, a apenas dois meses e cinco dias da abertura das urnas, ficam evidentes também em São Paulo e no Rio de Janeiro, mostrando um quadro preocupante nos três maiores colégios eleitorais do país, onde vive 42% da população apta a votar em outubro.

A nova pesquisa do Ibope sobre eleições estaduais, divulgada na noite de quarta-feira, mostra que, em São Paulo, o total de entrevistados que declararam votar em branco, nulo ou não sabem é de 29% e, no Rio de Janeiro, este índice atinge 33%. Ou seja, um eleitor em cada três ainda está sem candidato.

A situação parece definida em São Paulo, onde o candidato tucano Geraldo Alckmin está praticamente reeleito no primeiro turno. Alckmin aparece com 50% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos somados alcançam apenas 21%. A surpresa negativa desta campanha é o petista Alexandre Padilha, que continua empacado em 5%, tecnicamente empatado com cinco nanicos (a margem de erro é de três pontos percentuais).

Já no Rio, como em Minas, a disputa está embolada. Anthony Garotinho, do PR, continua na frente no eleitorado fluminense, com 21%,  tecnicamente empatado com  Marcelo Crivellla, do PRB (16%), e o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB (15%). Com a máquina do governo nas mãos, o apoio de mais de 20 partidos e um latifúndio de tempo na propaganda da televisão, dificilmente Pezão deixará de ir para o segundo turno contra um dos seus dois principais adversários. Lindberg Farias, do PT, aparece atrás, com 11%.

Os números do Ibope para os candidatos a governador nestes três Estados, antes do início do horário eleitoral, dia 19 de agosto, não são nada bons para a campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Pimentel, Lindberg e Padilha estão bem abaixo do patamar de 30% que os candidatos do PT costumam registrar historicamente nesta altura da campanha.

Também são preocupantes os índices desta pesquisa para o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que perde feio em Pernambuco, seu principal reduto eleitoral. O principal candidato da oposição Armando Monteiro Filho, do PTB, apoiado pelo PT, está com 43%, contra apenas 11% de Paulo Câmara, o nome lançado por Campos para governador.

Mais do que os números do Ibope, porém, o que mais me chamou a atenção esta semana foi o levantamento divulgado pelo TSE sobre os novos eleitores. Em relação à eleição de 2010, caiu 31% o número de jovens entre 16 e 18 anos que vão votar pela primeira vez para presidente. Depois de tanta luta para que tivéssemos de volta as eleições diretas para a presidência da República, é triste descobrir que a juventude está se interessando cada vez menos pela política e não se anima nem mesmo a tirar o título eleitoral, que não custa nada.

 

 

 

 

 

 

 

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tecnicos Felipão e este milionário futebol dos professores

No capengante futebol brasileiro, dentro e fora de campo, com clubes sempre endividados, alguns quase falidos, pedindo socorro ao governo, e estádios semidesertos, a CBF e os "professores" da bola nadam em dinheiro. Ninguém deveria se surpreender com os R$ 4,1 milhões pagos pelo generoso José Maria Marin a Felipão por ter sido mandado embora da seleção, depois do vexame na Copa do Mundo (ver mais no blog do colega Cosme Rímoli).

Felipão e o coordenador Carlos Alberto Parreira ganhavam, cada um pouco, mais de R$ 900 mil por mês. Pode parecer muito para quem vive de salário, mas estes valores estratosféricos não constituem exceção nos nossos clubes, onde os "professores" não ganham muito menos do que isso, e nenhum dos "treinadores de ponta", sempre os mesmos, há muitos anos, ganha abaixo de R$ 500 mil.

Na maioria dos casos, eles ganham mais do que as estrelas do time. Pato, o jogador mais bem pago do país, que marcou apenas três gols em 16 jogos pelo São Paulo, ganha R$ 800 mil por mês (metade do salário ainda pago pelo Corinthians, que o emprestou ao time do Morumbi).

Eles se revezam no comando dos maiores clubes do país e são os principais responsáveis pelo futebolzinho mostrado no Brasileirão, com a honrosa exceção do Cruzeiro, de Marcelo Oliveira, que não faz parte da dança dos famosos e nunca foi cogitado para treinar a seleção.

Em seu comentário de terça-feira na CBN, antes da revelação de que Felipão ganhou esta fortuna na loteria esportiva da CBF, e depois do velho "professor" gaúcho acertar a volta ao Grêmio, o amigo Juca Kfouri chamou a atenção para um fato, ao mesmo tempo pitoresco e triste: há 19 anos, Felipão já era técnico do Grêmio; Luxemburgo, que acaba de retornar à Gávea, treinava o Flamengo; Abel Braga dirigia o Internacional, onde está de novo, e Muricy Ramalho era a novidade no São Paulo.

Precisa dizer mais alguma coisa sobre as razões da mesmice modorrenta mostrada em campo neste Brasileirão, que dá sono quando o Cruzeiro não joga? Parece que o discreto Marcelo Oliveira foi o único técnico brasileiro que assistiu à Copa no Brasil e entendeu alguma coisa. É por isso, que os maiores clubes do mundo levam nossos melhores jogadores embora e ninguém se interessa em contratar os milionários "professores", que vivem num mundinho à parte.

Nem técnicos são, na verdade, quanto mais professores, mas apenas folclóricos treineiros, que ficam se esgoelando à beira do gramado, xingando o juiz e os erros dos jogadores que não seguem seus "ensinamentos". Fazem apenas cena para a torcida, como se seus gritos  fossem ouvidos e fizessem alguma diferença em campo.

Ninguém, por exemplo, é mais são-paulino, do que o Muricy. Por isso, a torcida tricolor, inclusive eu, sempre pedem a sua volta quando o time vai mal, o que não tem sido raro. E neste seu novo retorno ao Morumbi o time continua mal, apesar do elenco de grandes craques, o maior do futebol brasileiro, que tem à disposição. Pergunto: tanto ele como os demais "professores" aqui citados fizeram quantos cursos de especialização e estágios nos grandes centros de treinamento do exterior nos últimos anos? Que novas táticas e técnicas desenvolveram?

É sempre mais do mesmo, e assim a gente entende melhor porque a Alemanha na Copa meteu 7 a 1 na nossa seleção e só não fez mais porque ficou com pena dos rapazes assustados e perdidos em campo com aquela camisa amarela, que antigamente metia medo nos adversários.

 

 

 

 

 

 

 

 

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