kotscho Dilma abre frente e deixa os outros comendo poeira

Quilômetros de distância separam cada vez mais a presidente Dilma Rousseff dos seus prováveis concorrentes, que continuam comendo poeira na estrada da sucessão, como mostram as novas pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas nesta sexta-feira.

No Datafolha, Dilma abriu 42 pontos de vantagem (58% a 16%) sobre sua principal competidora, a ex-senadora Marina Silva (sem partido, em busca da formação da Rede para poder ser candidata).

Dilma subiu quatro pontos em relação à pesquisa de dezembro e Marina caiu dois, assim como o terceiro colocado, o senador tucano Aécio Neves, que desceu de 12% para 10%.

Apesar de toda sua exposição na mídia nestes três meses que separam uma pesquisa da outra, o governador pernambucano Eduardo Campos continua com um dígito: subiu de 4% para 6%.

No Ibope, a vantagem de Dilma é ainda maior. Somando os eleitores que votarão nela com certeza mais os que podem votar na presidente, seu potencial de votos atinge 76%, contra 20% que não votariam nela de jeito nenhum, um saldo positivo de 56%, praticamente o mesmo índice apontado pelo Datafolha.

Marina fica zerada no saldo de votos, com potencial de 40%, os mesmos 40% que não votariam nela de jeito nenhum.

Aécio e Campos ficam com saldo negativo no Ibope. O tucano tem 36% de rejeição e um potencial 25%, somando os que votariam nele com certeza e os que poderiam votar, saldo negativo de 11%.

São números bem próximos aos de Eduardo Campos: 25% de potencial de votos e 35% de rejeição, saldo negativo de 10%.

Quer dizer que está tudo decidido e a reeleição de Dilma são favas contadas? Calma lá: no nosso Brasil velho de guerra, em um ano e meio, tempo que falta para irmos às urnas, tudo pode mudar, dependendo dos humores da economia, das alianças e da propaganda na televisão.

Basta pegarmos o que aconteceu na última eleição presidencial. Em 2010, a esta altura da campanha, o tucano José Sera tinha 41% no Datafolha, e Dilma vinha em segundo lugar, com 11%. No final, como sabemos, Dilma deu uma lavada em Serra no segundo turno.

Nas atuais condições de tempo e temperatura, porém, os candidatos de oposição vão ter que penar e produzir algum milagre para reverter o cenário amplamente favorável à atual presidente.

Em tempo:

Ainda que, por algum acaso do destino, Dilma desista de ser candidata à reeleição, seus adversários não devem se animar.

A mesma pesquisa Datafolha mostra que, colocando o ex-presidente Lula no lugar de Dilma, a vantagem do PT seria ainda maior.

Em dois outros cenários pesquisados pelo Datafolha, Lula teria de 58% a 60% dos votos.

Curioso é que nenhum dos veículos da grande mídia tenha destacado este detalhe. O jornal "O Globo" escondeu o resultado das pesquisas numa discreta nota na página 9, sem chamada na capa, e muito menos sem fazer qualquer referência à intenção de votos em Lula.

Por mais que a realidade mostre o contrário, ainda tem gente pensando que, agindo desta forma, a imprensa consegue mudar o resultado de uma eleição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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felipão700 Alô, Felipão, Pelé está certo. Falta time base

De nada adiantou trocar Mano Menezes por Felipão pois tudo continua na mesma. A cada jogo, uma escalação diferente, e até hoje não temos um time para chamar de seleção brasileira, como ficou mais uma vez provado no empate de 2 a 2 com a Itália, em Genebra.

Em vez de sair por aí distribuindo caneladas, o veterano técnico deveria pensar um pouco no conselho que Pelé lhe deu esta semana: pega o time do Corinthians e monta um time-base com os poucos grandes craques que jogam em outros clubes.

Felipão, como sabemos, não é muito de pensar nem de aceitar conselhos, tanto que, na canelada que deu em resposta ao maior ídolo do futebol brasileiro em todos os tempos, cheio de soberba, insinuou que Pelé teria interesses subalternos: "Ele deve ter algum amigo no Corinthians...".

A situação em que se encontra a seleção brasileira hoje, sob o alto descomando de José Maria Marin, lembra muito a Copa do Mundo de 1966.

O técnico Vicente Feola, que tinha levado o Brasil à sua primeira conquista no Mundial da Suécia, em 1958, já então no ocaso da carreira, como Felipão agora, convocou 44 jogadores, quatro times inteiros, e chegou à Inglaterra sem ter um time entrosado e definido.

Quatro anos depois, em 1970, João Saldanha fez exatamente o contrário ao convocar a seleção brasileira para a Copa do México: chamou apenas 22 jogadores e escalou logo os 11 titulares,  "as feras do Saldanha". Entrou Zagalo em seu lugar, não mudou quase nada e fomos tricampeões do Mundo.

Agora, Felipão, que conquistou o penta para o Brasil, repete Feola e continua fazendo testes a menos de três meses da Copa das Confederações, montando a cada partida um catadão de jogadores diferentes que atuam no exterior. Em seis pontos disputados, ganhou um.

E ele parece estar satisfeito com os resultados do seu trabalho, embora seja difícil de entender a avaliação que fez após o empate contra a Itália: " Vi muito mais evolução em relação ao primeiro jogo do que motivo para preocupação. É a implantação de uma forma de jogar, que no primeiro jogo não sabíamos qual era".

E, pelo jeito, continuamos não sabendo. Se Felipão não está preocupado, nós devemos começar a ficar, pois às vésperas da Copa das Confederações temos apenas mais três amistosos. Caso ele apareça com mais algum Diego Costa da vida _ quem é? _ para estrear com a camisa da seleção, estamos perdidos. Não vamos ter um time nunca.

Bem que Felipão poderia aproveitar para testar a sugestão de Pelé nos amistosos contra Chile e Bolívia, os últimos antes da estreia na Copa das Confederações.

Como só poderá convocar quem joga no Brasil, que tal botar em campo quase todo o time do Corinthians campeão mundial ( o ideal seria chamar também o técnico Tite), mais Neymar e algum outro craque que esteja se destacando no Brasil?

A esta altura, depois de Mano Menezes convocar 102 jogadores, e Felipão estar indo pelo mesmo caminho, não custa nada arriscar. De repente, o Pelé tem razão e quem sabe dá certo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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politicos Ninho tucano está cada vez mais alvoroçado

As últimas notícias que chegam do cada vez mais alvoroçado ninho tucano dão conta de um encontro secreto de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e possível candidato presidencial do PSB, com o ex-governador paulista José Serra, desafeto histórico do senador mineiro Aécio Neves no PSDB.

Não se trata da única novidade que deve deixar Aécio mais preocupado ainda com o PSDB paulista. O governador Geraldo Alckmin, que também teve dois encontros reservados com Campos, mais preocupado com a própria reeleição, decidiu abrir novos espaços para o aliado PSB, por sua vez em busca de um palanque forte em São Paulo.

Alckmin e Serra estão se movimentando para devolver a Aécio o que ele fez quando os dois se candidataram à Presidência da República e ficaram sem o apoio do então governador mineiro. O nome mais popular que se dá a isso é vingança.

Já se fala até numa improvável chapa Eduardo Campos- José Serra. É difícil imaginar Serra, duas vezes candidato derrotado a presidente da República, em 2002 e 2010, ser vice de alguém, mas é fato que ele não esconde mais seu desntentamento com os rumos do PSDB e no partido se fala abertamente na sua saída.

Para onde? O ex-governador paulista anda de conversas com o presidente do PPS, Roberto Freire, que ele fez deputado federal por São Paulo, depois de abrigá-lo em dois conselhos municipais quando foi prefeito da capital.

Desaparecido do noticiário, Freire ressurgiu nas últimas semanas como grande articulador político nacional ao se aproximar de Eduardo Campos e sinalizar apoio à sua candidatura. Os dois são pernambucanos e críticos da hegemonia PT-PMDB.

Aécio também esteve reunido com Alckmin e Serra, esta semana em São Paulo, mas a divisão dos tucanos teima em ficar do mesmo tamanho. O virtual candidato do PSDB até ofereceu cargos no comando do partido, que ele deve presidir a partir de maio, mas Serra continua fazendo beiço e só pensa em se vingar do senador mineiro.

É neste clima de animosidade explícita que os tucanos vêem Eduardo Campos avançar cada vez mais em seus redutos no empresariado e nos partidos de oposição, enquanto a presidente Dilma Rousseff, já lançada por Lula à reeleição, bate recordes de popularidade, em especial no Nordeste.

Repete-se, desta forma, a cristianização das candidaturas do PSDB nas últimas três eleições presidenciais. A única certeza que resta para Aécio em São Paulo é o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou o nome dele ainda no ano passado, depois de ser mantido à distância das campanhas tucanas.

Pelo que conheço dele, se Aécio Neves perceber que a sina tucana pode se repetir nas eleições de 2014, ele vai agradecer a lembrança do seu nome, mas dirá que prefere se candidatar novamente a governador de Minas Gerais, um vôo mais seguro.

E aí fica a dúvida: caso isso aconteça mesmo, quem o substituirá nas eleições presidenciais? Alckmin ou Serra de novo?

 

 

 

 

 

 

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 Quanto mais apanha, mais Dilma cresce na pesquisa

A presidente Dilma Rousseff é um fenômeno de popularidade: quanto mais apanha da mídia e da oposição, mais ela cresce nas pesquisas.

Esta é uma velha tese do caro leitor Everaldo Alencar, um dos mais assíduos e bem humorados comentaristas aqui do Balaio. Faz tempo que ele vem dizendo isso, e pedindo para baterem mais.

Mesmo com a inflação em alta e o crescimento em ponto morto, na nova pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira, Dilma e seu governo bateram novos recordes. A aprovação do seu governo bateu em 63% de ótimo ou bom, enquanto a popularidade da presidente chegava a 79%, um índice que nem Lula nem FHC alcançaram no primeiro mandato.

Mais do que isso: os maiores índices foram registrados no Nordeste, exatamente o reduto do governador pernambucano Eduardo Campos, o novo queridinho da mídia grande em busca de um candidato para chamar de seu e bancar em 2014. Lá, o índice de ótimo e bom do governo Dilma passou de 68% para 72%.

Todos os números desta pesquisa são altamente favoráveis a Dilma, no momento em que a imprensa mais bate nela, dia sim noutro também, o que apenas serve para provar que a opinião pública pouco tem a ver com a opinião publicada dos seus blogueiros e colunistas.

Entre as notícias mais citadas pelos eleitores pesquisados, estão duas positivas (redução das tarifas de luz e do preço da cesta básica), enquanto o aumento da gasolina, notícia negativa para o governo, foi lembrada por apenas 3%.

Aos números:

* A confiança na presidente Dilma subiu de 73% para 75%.

* Os brasileiros otimistas em relação ao futuro do governo passaram de 62% para 65% (apenas 8%, os de sempre, estão pessimistas).

* As áreas mais positivas do governo foram combate à fome e à pobreza (64%) e meio ambiente e combate ao desemprego (57%).

* Na outra ponta, a área mais negativa do governo (para 67% dos entrevistados) continua sendo a saúde, mas caiu o número de insatisfeitos (na pesquisa anterior, eram 74%).

* Para 38% dos entrevistados, o noticiário está mais positivo para o governo do que na pesquisa anterior (24%) e outros 27% consideraram o noticiário predominantemente negativo.

A pesquisa CNI/Ibope foi a campo entre os dias 8 e 11 deste mês e ouviu 2002 eleitores em 143 municípios.

Se agradou ao Palácio do Planalto, esta pesquisa certamente deve estar preocupando os estrategistas dos partidos de oposição. Já ficou provado que só bater no governo não funciona.

 

 

 

 

 

 

 

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jornais ingleses  Governo e partidos regulam a mídia. Na Inglaterra

Foto: Getty Images

Por aqui, não se pode nem tocar no assunto que os bate-paus da liberdade de imprensa deles (só para os barões da mídia) já saem logo correndo e gritando "fogo na floresta!", "censura!", "controle social!".

Pois, vejam só, lá na nossa velha Inglaterra a coisa funciona um pouco diferente.

Depois de quatro meses de debates, e de passar o último fim de semana acertando os últimos detalhes com os líderes dos três principais partidos do país, o primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou nesta segunda-feira a criação de um novo orgão para a regulação da mídia, que prevê multas de até R$ 3 milhões para quem pisar na bola e não se retratar dos seus abusos.

Acabou a terra de ninguém dos Murdoch da vida, que por aqui sobrevive firme e forte, enquanto dormem no Congresso e no governo projetos destinados a criar marcos regulatórios do setor de comunicações.

O novo sistema adotado pela Inglaterra prevê a instalação de um orgão regulador independente, código de normas bastante rígido, serviço de arbitragem livre, direito de resposta e pedido de desculpas. A adesão dos veículos é voluntária, mas quem repetir algo como o uso de grampos ilegais, a exemplo do que aconteceu no escândalo do tablóide "News of the World", do magnata  Rudolf Murdoch, que levou a denúncias contra outros veículos, será mais severamente punido.

"É certo que vamos colocar em prática um novo sistema de regulação de imprensa para garantir que esses atos terríveis nunca possam acontecer novamente. Devemos fazer isso rapidamente", afirmou o primeiro-ministro Cameron.

Quem mais bufou contra a regulamentação? O tabloíde "Sun", que citou até Churchill em defesa da liberdade de imprensa absoluta, "guardiã dos homens livres", "inimiga mais perigosa da tirania", na mesma linha das manifestações do Instituto Millenium e da SIP (Sociedade Interamenricana de imprensa), para quem a regulamentação da mídia é coisa de ditaduras atrasadas.

E de quem é o "Sun"? Do mesmo Rudolf Murdoch, que se viu obrigado a fechar o "News of the World" e acabou sendo o principal responsável pela criação do novo sistema, em substituição ao PCC (Press Complaints Comission), o antigo orgão autorregulador que não sobreviveu ao mais poderoso barão da imprensa mundial.

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NeyFranco DJALMA VASSÃO Gazeta Press Ney Franco está pedindo para ser mandado embora

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Deve ser bem alta a multa prevista no contrato do técnico Ney Franco com o São Paulo em caso de demissão. Só isso pode explicar o esforço que ele está fazendo para ser mandado embora.

Criticado abertamente por dirigentes e jogadores, o técnico fez que não ouviu os pedidos da torcida para colocar Ganso em campo, desde o primeiro tempo.

Só para contrariar, e mostrar que quem manda no clube é ele, o valente Ney Franco viu o São Paulo penar para vencer o Oeste, de Itápolis, por 3 a 2, na tarde deste domingo chuvoso no Morumbi.

Com o time perdido em campo e dominado pelo Oeste no segundo tempo, ele fez três substituições _ e deixou Ganso no banco até final.

Para voltar à sua melhor forma, Ganso precisa jogar, mas Ney Franco está se lixando para o investimento de R$ 23 milhões que o São Paulo fez ao comprar o craque do Santos.

Sabe-se lá quais os motivos que o técnico tem para boicotar um dos melhores jogadores do futebol brasileiro, ídolo da torcida.

Como o presidente Juvenal Juvêncio sempre demora para perceber as coisas e tomar decisões, geralmente quando o time já perdeu o campeonato ou foi eliminado da disputa, Ney Franco está fazendo o possível para ser demitido.

Juvêncio deve estar só esperando a eliminação do São Paulo na fase de grupos da Libertadores, o que seria um vexame para seu milionário elenco, para tomar uma providência. Na queda de braço entre o eterno presidente e o técnico teimoso, a torcida que se dane.

O São Paulo bem que poderia aproveitar que o Flamengo demitiu Dorival Júnior, técnico da maior competência, que já trabalhou com Ganso, e consertar logo o erro que foi a contratação de Ney Franco.

Acorda, Juvenal!

Veja também: 

Crise no São Paulo e outros jogos dos estaduais movimentam o domingo de futebol

Leia mais sobre a vida de repórter de Ricardo Kotscho no R7 Livros

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foto 1 Com 30 partidos e 39 ministérios, país é ingovernável

Presidente Dilma Rousseff cumprimenta Wellington Moreira Franco durante sua posse no cargo de Ministro-Chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

O frustrante anúncio de mudanças em sua equipe feito no começo da noite de sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, primeira fatia de uma minirreforma esperada desde o começo do ano, prova apenas que tem razão o empresário Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão: com 30 partidos e 39 ministérios o país fica ingovernável.

"Diria o seguinte: tudo tem seu limite. Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente sai um saneamento. Nós, provavelmente, estamos no limite desse período", disse Gerdau em entrevista publicada pela "Folha" no mesmo dia das mudanças ministeriais.

Que diferença vai fazer para a vida nacional se Moreira Franco (PMDB-RJ) sai da Secretaria de Assuntos Estratégicos para a de Aviação Civil; se Antonio Andrade (PMDB-MG) substituirá Mendes Ribeiro (PMDB-RS) na Agricultura, e Manoel Dias (PDT de Carlos Lupi) entrará no lugar de Brizola Neto (PDT-RJ) no Ministério do Trabalho?

A imensa maioria dos brasileiros não sabe quem são os que saíram, nem os que entraram, nem os que ficaram no time de Dilma. Sabemos apenas que as mudanças serviram para assegurar a fidelidade dos líderes dos dois partidos aliados contemplados nesta dança da troca de cadeiras.

Parece até a seleção brasileira: depois dos 102 jogadores convocados por Mano Menezes e mais alguns novos chamados por Felipão, ninguém sabe dizer qual é o time que estreará na Copa das Confederações daqui a menos de três meses.

Num almoço de trabalho com a direção de uma das maiores agências de comunicação do país, na sexta-feira, lancei o desafio aos anfitriões: me digam o nome de um ministro, só um, que se destaque neste governo, que tenha deixado a sua marca. Ficou um olhando para a cara do outro e fez-se um silêncio constrangedor.

É verdade que o estilo centralizador da presidente Dilma faz com que seus ministros não tenham brilho próprio, evitem tomar iniciativas mais ousadas e, assim, acabem mais com o perfil de assessores do que de gestores.

Desta forma, tanto faz quais sejam seus nomes, seus perfis, seus conhecimentos, seus currículos _ o importante é saber quantos segundos de televisão o partido de cada um deles trará para a campanha da sucessão.

Para abrigar tantos apetites e interesses novos e antigos que disputam nacos de poder no governo, Dilma até resolveu criar mais um partido, o 39º, destinado à Micro e Pequena Empresa, para contemplar o recém-nascido PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, que acabou ficando de fora da mini-minirreforma de ontem.

O partido já tinha até indicado o nome para ocupar a vaga, o do vice-governador paulista Guilherme Afif. Na última hora, porém, Kassab roeu a corda e abriu mão de participar do governo agora, para não se envolver neste esquema de "troca-troca", como se o PSD fosse altamente ideológico e programático (ver post anterior).

Bom fim de semana.

 

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kotscho  Kassab dá nó em Dilma à espera de Campos

Demorou tanto a presidente Dilma Rousseff para anunciar as mudanças em seu ministério, esperadas desde o final do ano passado, que o PSD desistiu de aderir ao governo agora, à espera de uma definição do governador pernambucano, Eduardo Campos, do PSB.

O ex-prefeito paulistano  Gilberto Kassab, fundador e presidente do PSD, comunicou sua decisão à presidente em jantar na noite de quarta-feira, no Palácio da Alvorada, pegando todo mundo de surpresa, já que ao seu partido estavam reservadas uma ou duas vagas ministeriais.

Com o cacife de 52 deputados federais e o correspondente tempo de televisão na propaganda eleitoral, a moeda de troca mais valiosa em qualquer campanha, Dilma esperava que o PSD pudesse compensar a perda quase certa do PSB na base aliada.

Campos, que a cada dia mais fala e age como candidato, procurando atrair partidos de todas as latitudes descontentes com o governo para a sua candidatura, só deve anunciar sua decisão de concorrer em setembro.

Até lá, quaisquer que sejam as mudanças que Dilma fará no ministério para segurar os partidos da atual base governista, a tendência é que outros sigam o exemplo do PSD e fiquem olhando para o céu, para ver de que lado batem os ventos e, principalmente, o que dirão as próximas pesquisas.

É o caso do PTB, do PDT, do PR e do PP, partidos que estão internamente divididos e podem tanto apoiar a reeleição de Dilma como embarcar na canoa de Eduardo Campos, já que a candidatura do tucano Aécio Neves parece cada vez menos competitiva.

O grande problema da presidente Dilma neste cenário de indefinições é ficar cada vez mais dependente da aliança com o PMDB, um partido que não chega a ser dos mais confiáveis.

O desgaste vivido por ministros que estão na frigideira para ceder lugar a outros aliados  indóceis à espera de uma boquinha, certamente vai provocar novos problemas, deixando mais insatisfeitos do que contentes com a minirreforma ministerial.

Em política, tudo tem um momento certo para ser feito, e o tempo perdido por Dilma na interminável negociação de cargos acabou sendo ocupado pelo governador de Pernambuco, que esta semana pontificou em Brasília, quando Kassab também estava lá.

Dono de um partido que se define como "nem de direita, nem de esquerda, nem de centro", o ex-prefeito de São Paulo, que já havia se aproximado do PSB de Campos ainda antes da criação do seu partido, em 2011, percebeu o clima e deu um nó em Dilma.

O principal projeto de Gilberto Kassab é ser candidato a governador de São Paulo e, certamente, mesmo que aderisse ao governo Dilma agora, não conseguiria o apoio do PT para enfrentar o tucano Geraldo Alckmin, atual governador.

Como Campos precisa de um palanque forte em São Paulo, uma aliança do PSD com o PSB pode juntar a fome com a vontade de comer.

Magnânimo, Kassab deixou uma porta aberta ao admitir que o vice-governador paulista Guilherme Afif, cotado para assumir o novo ministério da Micro e Pequena Empresa, poderá aceitar o cargo, mas na "cota pessoal" da presidente, que é o que deve acontecer.

O jogo da sucessão só está começando a ser jogado. E não é para amadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

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892772 10151304070336638 1731708120 o 1024x682 Papa Francisco I me faz lembrar de João Paulo I

As primeiras imagens do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, ao ser anunciado como papa Francisco I, na tarde desta quarta-feira, me fizeram lembrar do momento em que o mundo ficou conhecendo o cardeal vêneto Albino Luciani, o papa João Paulo I, que ficou apenas 33 dias no trono de São Pedro, em 1978.

Eu estava lá na praça de São Pedro e, como todos os outros jornalistas, vaticanistas e outros "istas" fui pego de surpresa. Ficamos um olhando para a cara do outro, querendo descobrir: quem é esse?

Assim como aconteceu com Bergoglio, o nome de Luciani não constava das listas de apostas de Londres nem dos favoritos apontados pela imprensa.

Simpático, humilde, de fala fácil, cara boa, mais de pároco de aldeia do que de teólogo da Curia Romana, Francisco I em nada lembrava seu antecessor, Bento 16, assim como aconteceu com João Paulo I, eleito para o lugar de Paulo 6º.

Primeiro papa jesuíta, primeiro papa latino-americano, primeiro papa de nome Francisco, cardeal Bergoglio até parecia um pouco acanhado ao olhar para a multidão reunida à sua frente, bem no estilo de Luciani, que ficou conhecido como o "papa sorriso".

Em poucos minutos, porém, cativou as pessoas que acompanhavam as suas primeiras palavras no mundo todo, ao pedir que o povo orasse por ele, antes de dar a sua primeira benção.

Uma curiosidade: o novo papa foi anunciado às 20h13 minutos de Roma, no dia 13/3/2013, exatamente 30 dias após a renúncia de Bento 16.

Neste período, falou-se muito de ética, moral e política da igreja, entre uma e outra denúncia de corrupção,  pedofilia e disputa de poder na Cúria, e muito pouco de espiritualidade.

Pode ser que isso agora mude, a julgar pelas primeiras impressões deixadas por Francisco I, que prometeu se dedicar à evangelização, algo vital para uma igreja que a cada dia perde fiéis e credibilidade.

Aos 76 anos, o novo pontífice herda uma igreja em crise profunda, com um pacote de desafios pela frente, a começar pelo relatório das investigações solicitadas por Bento 16 a três cardeais da sua confiança sobre malfeitos diversos praticados por religiosos, que ficou trancado num cofre dos aposentos do papa.

A este tema explosivo, somam-se velhas questões da igreja como o celibato, a ordenação de mulheres, o aborto em casos extremos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o planejamento familiar e o uso de anticoncepcionais, tabus que Bento 16 evitou sequer discutir nos seus oito anos de papado.

Não será fácil a vida de Francisco I, assim como não foi a do breve papado de de João Paulo I. Esperamos todos, católicos ou não, que o destino reserve ao papa argentino mais tempo para enfrentar tantos desafios e devolva a esperança a quem vinha perdendo a fé.

 

 

 

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abr Com a palavra, Leonardo Boff: E Cristo chorou

Nestes momentos de fumaça negra no Vaticano, em que ninguém sabe o que está acontecendo lá dentro da Capela Sistina, mas todo mundo dá palpite e especula cá fora sobre quem vai ser o novo papa, e que rumos a Igreja Católica tomará, é melhor passar a palavra a quem entende do assunto.

Caiu-me do céu esta manhã, quando já não sabia mais o que escrever, um belíssimo texto do escritor e teólogo Leonardo Boff, com o título "E Cristo chorou sobre os palácios do Vaticano", que transcrevo abaixo.

O sábio amigo frei Leonardo, um dos fundadores e líderes da Teologia da Libertação, que foi aluno do cardeal Joseph Ratzinger na Alemanha no final dos anos 1960 e, em 1984, seria por ele punido num processo movido pela Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, resume neste artigo o sentimento de perplexidade dos católicos diante dos escândalos revelados em Roma após a renúncia de Bento 16.

Ainda bem que 11 meses após a punição, que o condenou, quase duas décadas atrás, a um "silêncio obsequioso", tirou-lhe a cátedra de teologia e o proibiu de escrever, Leonardo foi liberado pelo Vaticano, e assim pudemos continuar lendo os seus livros e artigos, como o que escreveu nesta quarta-feira, recomendando aos cardeais reunidos no conclave que leiam os sinais dos tempos para fazer as reformas capazes de resgatar a credibilidade da Igreja.

Com a palavra, Leonardo Boff:

E Cristo chorou sobre os palácios do Vaticano

13/03/2013

 

Andando pelas comunidades eclesiais de base constituídas  de ribeirinhos da Amazônia, nos limites com o Acre, lá onde viceja uma Igreja pobre e libertadora, ouvi de um líder comunitário, bom conhecedor da leitura popular da Bíblia, a seguinte visão que ele pretende ter sido verdadeira.

         Estava um dia a caminho do centro comunitário, quando se viu transportado, não sabe se em sonho ou em espírito, aos jardins do Vaticano. Viu de repente um Papa, encurvado pela idade, todo de branco, cercado pelos seus principais cardeais conselheiros. Faziam o costumeiro passeio após o almoço, andando pelos jardins floridos do Vaticano.         

         De repente, o Papa vislumbrou, a uns poucos metros de distância, a figura do Mestre. Este sempre aparece disfarçado seja como jardineiro para Maria Madalena seja como andarilho para os jovens de Emaús. Mas o sucessor de Pedro, afastando-se do grupo de cardeais, com fino tato,  identificou logo o Ressuscitado. Ajoelhou-se e quis proferir a profissão de fé que fez Pedro ser pedra, pois sobre esta fé  se constrói sempre a Igreja :”Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”.

         Nisso foi atalhado por Jesus. Olhando o palácio do Vaticano ao longe e o perfil dos prédios da Santa Sé, disse Jesus com voz entristecida: ”Não te bendigo, sucessor de Pedro,  o pescador, porque tudo isso não foi inspirado por meu Pai que está nos céus mas pela carne e pelo sangue. Digo-te  que não foi sobre estas pedras que edifiquei minha Igreja, porque temia que então as portas do inferno poderiam prevalecer contra ela”.

         O Papa ficou perplexo e olhou o rosto do Senhor. Viu que caiam-lhe furtivamente duas lágrimas dos olhos. Lembrou-se de Pedro que o havia traído duas vezes e que, arrependido, chorara amargamente. Quis proferir algumas palavras, mas estas lhe morreram na garganta. Começou também ele,  o Papa, a chorar. Nisso o Senhor desapareceu.

         Os Cardeais ouviram as palavras do Mestre e se apressaram para amparar o Papa. Este logo lhes disse com grande severidade: ”Irmãos, o Senhor me abriu os olhos. Por isso, as coisas não podem ficar como estão. Temos que mudar e mudar em muitas coisas. Ajudem-me a realizar a vontade do Senhor”.

         O Cardeal camerlengo, o mais ancião de todos, afirmou: ”Santidade, iremos, sim, fazer alguma coisa conforme a vontade do Mestre  e segundo a tradição dos Apóstolos. Amanhã reuniremos todo o colégio cardinalício presente em Roma e, invocando o Espírito Santo, decidiremos como vamos proceder, consoante as palavras do Senhor”.

         Todos se afastaram pesarosos, vindo-lhes à memória aquelas cenas do Novo Testamento que se referem a Jesus chorando sobre a cidade santa, que matava seus profetas e apedrejava os enviados de Deus e que se negava a reunir seus filhos e filhas como a galinha que recolhe os pintainhos debaixo de suas asas.

         Um e outro entretanto, comentavam: ”irmãos, sejamos realistas e prudentes, pois nos toca viver neste mundo. Precisamos de edifícios para a Cúria e o Banco do Vaticano para recolher os óbulos dos fiéis e cobrir os nossos gastos. Podemos negar essas necessidades? Mas vejamos o que o Espírito nos inspirar”.

         No dia seguinte, quando os cardeais se dirigiam à sala do consistório, graves e cabisbaixos, o secretário do Papa veio correndo e lhes comunicou quase aos gritos: ”O Papa morreu, o Papa morreu”.

         Nove dias após, celebraram-se os funerais com toda a pompa e circunstância como manda a tradição.  Vindos de todas as partes do mundo, os cardeais desfilavam com suas vestes vermelhas e luzidias, quais príncipes de tempos antigos. Depois sepultaram o Papa.

 E ninguém mais se lembrou das palavras que o Mestre havia dito e que eles escutaram. E tudo continuou como antes nos palácios do Vaticano.

         Post Scriptum: o Espírito Santo fala pelos sinais dos tempos. Um desses sinais são os escândalos ocorridos  que exigem reformas para resgatar a credibilidade da Igreja. Será que os cardeais no Conclave saberão ler esse sinal e dizer como no primeiro Concílio em Jerusalém:”Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo tomar tais e tais decisões”? Caso contrário, o Mestre continuará chorando sobre as pedras do Vaticano.

 Leonardo Boff, teólogo e escritor

 

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