dilmaaecio1 Ibope e Datafolha: alguém está errando feio no 2º turno

Ainda nem sabemos se vamos ter segundo turno nas eleições. Até aqui, Dilma vem mantendo um empate técnico com a soma de todos os demais candidatos no primeiro turno, qualquer que seja a pesquisa. Quando se trata das projeções para o segundo turno, porém, as diferenças são estranhas, fora das margens de erro, tanto do Datafolha como do Ibope.

No novo levantamento publicado pelo Ibope, na noite de terça-feira (22), o primeiro após a Copa, mostrando mais uma vez que não houve interferência do futebol da seleção na campanha eleitoral, o instituto aponta vitória folgada de Dilma contra Aécio, caso tenhamos um segundo turno: 41% a 33%, uma vantagem de oito pontos. Para o primeiro turno, os números estão bem próximos, como mostra a matéria do R7.

Já no Datafolha, divulgado no fim da semana passada, a diferença ficou em 4 pontos (44% a 40%), o que permitiu ao jornal do mesmo grupo publicar manchete sobre um empate técnico no segundo turno, no limite da margem de erro.

Como as duas pesquisas foram divulgadas com o intervalo de apenas quatro dias, e nada de importante aconteceu neste período, alguém está errando feio nas projeções para o segundo turno. É muita diferença para o mesmo momento da mesma eleição.

Seria interessante para a lisura da campanha e a saúde da democracia brasileira que os responsáveis pelas pesquisas dos dois institutos viessem a público para explicar as possíveis razões de números tão divergentes.

Os leitores sabem que não faço parte da turma do Fla-Flu que sempre levanta suspeitas quando os números não são favoráveis ao seu candidato. A princípio, confio em todas as pesquisas dos dois institutos, até porque, não disponho de outras para confrontar, mas estas últimas deixaram dúvidas que só os próprios especialistas podem esclarecer. Com a palavra, Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, e Mauro Paulino, da Folha.

Os valentes comentaristas do Balaio também podem me ajudar a entender este estranhamento provocado pelos últimos números divulgados.

 

 

 

 

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okokok Marin, Del Nero, Gilmar e Dunga: pode dar certo?

O impagável José Maria Marin, provecto herdeiro da dinastia Havelange-Teixeira na CBF, resolveu que era hora de passar o bastão e chamou, antes da Copa, seu inseparável parceiro Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e advogado criminalista, para ser eleito em seu lugar.

Como Del Nero só assume o posto no próximo ano _ nunca vi uma transição tão longa, por que será? _ , os dois agora governam juntos o nosso futebol, feito aquelas velhas duplas sertanejas dos tempos da brilhantina. Consumado o desastre da seleção brasileira na Copa de 2014, antes que alguém os chamasse à responsabilidade, demitiram toda a comissão técnica e deram início a uma nova era de "completa reformulação" desta entidade privada, tratada como se fosse propriedade particular deles.

Primeiro surpreenderam todo mundo ao chamar para ser o coordenador técnico das novas seleções brasileiras um empresário de jogadores de futebol que operou como "agente Fifa" nos últimos 14 anos. O sorridente ex-goleiro Gilmar Rinaldi não viu nenhuma incompatibilidade nas funções e deu mãos à obra. De comum acordo, Marin, Del Nero e Gilmar chamaram de volta o velho amigo Dunga, que ficou três anos desempregado, depois de ser demitido da seleção brasileira em 2010, e fracassar no Internacional em 2013, único clube que treinou na vida.

No começo, achei que era só brincadeira para disfarçar, mas com esta turma do barulho tudo é possível, e o grande estrategista Dunga está de volta ao comando da seleção já nesta terça-feira. Não há nenhum perigo de dar certo. É a mesma coisa que sair Marin e entrar Del Nero. O que pode mudar?

Se era para chamar um bedel de cara feia capaz de acabar com a farra na Granja Comary, transformada por Felipão em cidade cenográfica de uma emissora de televisão, com direito a fotos na revista "Caras", os dois presidentes poderiam reforçar a segurança e pensar em algum profissional nacional ou estrangeiro mais qualificado para montar uma equipe de futebol competitiva com o nome de seleção brasileira.

No dia da final entre Alemanha e Argentina, quando ainda se discutia se Felipão deveria ficar ou não, ao fazer um balanço da Copa escrevi aqui mesmo que tanto fazia, já que o buraco estava mais em cima.

Como é que estes cartolas faceiros se eternizam no poder? Tudo começa na estrutura dos clubes brasileiros, a maioria deles falidos, onde as eleições são indiretas e ninguém presta contas a ninguém. São eles que elegem os presidentes das federações. Estes, por sua vez, escolhem um deles para presidente da CBF. Os sócios e os torcedores dos clubes, que bancam a festa, não são ouvidos em nenhuma destas instâncias.

Surge agora nova esperança com uma bela iniciativa do grande Santos de Pelé: a ideia é eleger a próxima diretoria do clube pela internet, com o voto direto de todos os sócios, como acontece em qualquer entidade ou associação privada. Este pode ser um belo começo para uma verdadeira revolução no nosso futebol. Fora disso, é mais do mesmo, eternamente.

E que pensam os caros leitores do Balaio? Pode dar certo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma ok Dilma sozinha na estrada; Aécio vira vidraça

A apenas 76 dias da abertura das urnas e 24 do início do horário eleitoral na televisão, Dilma Rousseff continua liderando as pesquisas, mas a presidente me parece cada vez mais sozinha na estrada, com a campanha à reeleição mostrando rachaduras no governo, no partido e na base aliada.

Mais do que os números preocupantes do último Datafolha, que mostraram crescimento nos índices de rejeição da candidata e desaprovação ao seu governo, já apontando para um segundo turno contra Aécio Neves, é o quadro econômico desfavorável a principal razão das defecções nos Estados e dos atritos entre dilmistas e lulistas no comando da campanha.

A semana começa com a projeção do PIB para este ano caindo pela primeira vez abaixo de 1% (0,97%), mantendo a curva descendente registrada nos últimos meses. A este crescimento abaixo das previsões do governo, soma-se a renitente taxa de inflação, que no momento aponta para 6,44% no ano. Estes constituem os principais adversários de Dilma nas eleições de 2014, já que Aécio Neves e Eduardo Campos, na mesma pesquisa, não saem do lugar.

Por mais que Lula e Dilma jurem fidelidade eterna, o fato é que os assessores de um e de outro entraram em rota de colisão ao definir os rumos da campanha. De um lado, Franklin Martins e Gilberto Carvalho, mais próximos a Lula, defendem uma estratégia ofensiva contra a oposição e a mídia aliada; de outro, os colaboradores mais próximos de Dilma, tendo à frente o marqueteiro João Santana, preferem tocar o barco sem fazer marola até começar a propaganda na TV, em que a presidente tem o dobro do tempo de seus principais concorrentes juntos.

A solidão de Dilma fica mais patente quando se nota que raros são os que saem em defesa das políticas do governo, mesmo entre seus ministros. Boa parte das lideranças empresarias e sindicais que apoiaram a presidente em 2010 agora estão na moita ou pularam para o outro lado, como acontece com muitos aliados do PMDB, um partido ainda de caciques regionais que procuram, em primeiro lugar, salvar a própria pele.

Até aqui, o candidato tucano nadou de braçada no embalo da mídia amiga, ao centrar sua campanha em denúncias de corrupção no governo e críticas à política econômica de Dilma, sem apresentar propostas viáveis para os problemas que o país enfrenta.

Algo, porém, fugiu do controle no último final de semana, e pode alterar o cenário até aqui favorável desenhado pelas pesquisas. Não por acaso, a "Folha", único dos grandes grupos de mídia que não faz parte do Instituto Millenium, rompeu a rede de proteção montada para Aécio Neves, ao dar em manchete uma grave denúncia contra o candidato do PSDB, algo até então inédito na nossa isenta imprensa.

Segundo o jornal, já no fim do seu segundo mandato, Aécio gastou R$ 14 milhões do governo mineiro para construir um aeroporto em terras da sua família, no município de Cláudio. Em longa nota divulgada por sua assessoria, o candidato contesta a reportagem: "Todas as atitudes do governo de Minas Gerais referentes ao aeroporto de Cláudio se deram dentro da mais absoluta transparência e lisura". Aécio só não explicou por que as chaves do aeroporto ficam com seu tio-avô Múcio Guimarães Tolentino, dono da área desapropriada pelo governo.

O caso da desapropriação está na Justiça e o Ministério Público de Minas Gerais anunciou que vai abrir inquérito civil para investigar a construção do aeroporto. Em política, sabe-se, já entra perdendo quem precisa se defender em histórias no mínimo controversas como a desta obra público-privada.

Resta saber como vai reagir o candidato tucano, agora que passou de estilingue a vidraça, ele que se habituou conviver com uma mídia familiar sempre dócil, parceira dos seus projetos políticos.

Muita água ainda vai correr por baixo da ponte nesta campanha eleitoral. A imprensa prestaria um bom serviço ao país se agisse sempre assim, mostrando os prós e contras de todos os candidatos, com a mesma régua. Não custa nada sonhar, mas a julgar pela parca repercussão do assunto nos outros veículos, ainda estamos longe disso.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilmaaecio Desenha se um 2º turno entre Dilma e Aécio

Ao responder à pergunta que fiz no título da coluna "Pesquisas avaliam Eleição X Copa: quem ganhará?", sobre a possível influência da Copa no Brasil na campanha presidencial, escrevi aqui, na terça-feira, dia 15: "Na minha modesta avaliação, pelo que ouço por aí, apesar de toda a torcida em contrário, nenhum candidato ganhou ou perdeu muito com a Copa no Brasil e tudo deve continuar mais ou menos como estava antes da bola rolar no Mundial. Se as pesquisas apontarem um empate em 0 a 0, a vantagem será de Dilma, que está na liderança com larga vantagem sobre os dois principais concorrentes".

Ao analisar a nova pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do instituto, dão o título "Governo e oposição saem da Copa numa situação de zero a zero", na página A8 da "Folha", e concluem: "Praticamente estáveis, os candidatos veem novamente a taxa de indecisos crescer. O saldo do evento na corrida presidencial pode ser considerado um empate sem gols entre governo e oposição". Beleza.

Não sou especialista em pesquisas (este é o ofício da minha mulher, a Mara, uma das fundadoras do Datafolha), mas de vez em quando acerto nas previsões usando apenas a intuição de repórter. Fico feliz, é claro, por ter escrito dois dias antes o mesmo comentário que os dois analistas publicam nesta sexta-feira.

Se o cenário para o primeiro turno praticamente não se alterou com a Copa, com leves oscilações dos três candidatos dentro da margem de erro (Dilma foi de 38 para 36%, Aécio manteve-se em 20% e Eduardo caiu de 9 para 8%), a grande novidade ficou para a projeção do segundo turno da campanha presidencial, que a esta altura parece ser inevitável.

Pela primeira vez, Dilma (44%) e Aécio (40%), aparecem em empate técnico, com a petista em queda e o tucano subindo, o que promete fortes emoções na disputa presidencial nestes dois meses e meio que faltam para a eleição.

A avaliação positiva da presidente também caiu, de 35 para 32% de ótimo e bom, enquanto subiu a negativa, de 26 para 29% de ruim e péssimo, a pior desde a posse de Dilma. A rejeição à presidente, o índice dos que não votariam nela de jeito nenhum, chegou a 35% (Aécio tem 17% e Eduardo apenas 12%).

Todos estes números devem acender holofotes amarelos na campanha de Dilma pela reeleição, ainda mais que índices negativos na economia não param de pipocar todos os dias. A geração de novos empregos foi a pior para um mês de junho nos últimos 16 anos e a prévia do PIB registra uma retração de 0,18%.

Após 12 anos de poder, o PT enfrenta seu maior desafio eleitoral, com os ventos soprando a favor dos candidatos de oposição, ao contrário do que aconteceu nas últimas três disputas presidenciais.

Com 16 pontos à frente de Aécio e 28 de vantagem sobre Eduardo, três vezes o tempo do tucano na televisão e cinco vezes mais do que o candidato do PSB (a propaganda no rádio e na TV só começa a 19 de agosto), Dilma larga na frente nesta fase decisiva da companha, mas não me arrisco a fazer previsões sobre as próximas pesquisas, ainda mais que 27% do eleitorado ainda não tem candidato.

 

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kotscho Nova seleção: Marin coloca raposa para cuidar da granja

Começa muito mal a anunciada "reformulação" do futebol brasileiro. Não poderia ter sido pior a escolha do novo coordenador geral da seleção brasileira anunciada nesta quinta-feira pela CBF. A impagável dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero indicou para o cargo o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, atualmente empresário de jogadores de futebol.

Quer dizer, chega de intermediários: colocaram logo uma raposa para tomar conta do galinheiro, ou seja, da cidade cenográfica da Granja Comary, onde o Brasil deveria ter se preparado para a Copa do Mundo, sob o comando de Felipão e Parreira, que já foram demitidos.

Campeão brasileiro como jogador do São Paulo, Flamengo e Internacional, e segundo reserva da seleção brasileira na Copa de 1994, na única experiência anterior em função semelhante àquela que agora vai ocupar o novo dono da bola foi superintendente de futebol do Flamengo, em 1999, o que não recomenda muito seu currículo, pois o clube carioca vive em crise e acaba de assumir a lanterninha do Brasileirão.

Logo depois, Gilmar Rinaldi virou agente de jogadores de futebol, uma daquelas figuras que ficam borboleteando em torno dos clubes e da CBF, sempre em busca de um bom negócio. Já na época de jogador era conhecido por seu bom relacionamento com dirigentes e jornalistas. Como empresário, cuidou, por exemplo, do polêmico atacante Adriano, que teve um triste final de carreira. No momento, gerenciava as carreiras dos corintianos Danilo e Fábio Santos, além de Fábio Simplício, que joga no exterior, mas agora garante que vai se dedicar só à seleção brasileira.

"Minha atividade como agente Fifa, que exerci por 14 anos, agora está extinta oficialmente, não existe mais", foi logo anunciando, antes de ser perguntado, com a facilidade de quem troca de camisa. Por suas primeiras palavras pode-se ter uma ideia do que nos espera: "Agradeço muito ao presidente Marin, ao Marco Polo. Me sinto em casa. Sei dos ajustes que precisamos fazer e espero fazer o melhor para corresponder à expectativa".

Com um discurso que mistura papo de boleiro com político provinciano, é este o homem que encontraram para formar e comandar a nova comissão técnica da seleção brasileira. E Rinaldi já tomou sua primeira decisão: não quer saber de treinador estrangeiro.

Pobre futebol brasileiro, agora relegado a sobreviver das glórias do passado, enquanto os cartolas herdeiros da dinastia João Havelange-Ricardo Teixeira se eternizam no poder.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto 11 Urgência contra Conselhos Populares não tem prazo

É incrível a capacidade que o governo federal tem para jogar cascas de banana no próprio caminho. Já na reta final do seu mandato, o governo de Dilma Rousseff baixou um decreto criando Conselhos Populares, que deverão ser ouvidos em órgãos da administração pública federal, retirando atribuições destinadas ao Congresso Nacional e emperrando o funcionamento dos ministérios.

Como era de se esperar, a iniciativa sofreu forte oposição parlamentar e, na noite desta terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, às vésperas de entrar no chamado "recesso branco", que vai esvaziar, na prática, os trabalhos legislativos até a eleição de outubro, o requerimento de urgência para o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que suspende os efeitos do decreto federal sobre a Política Nacional de Participação Social.

Apesar da obstrução comandada por PT e PCdoB, o pedido de urgência apoiado por dez partidos passou por 294 votos a favor e 54 contra, com três abstenções sem explicitar como  mas, para ser votado em plenário, o decreto legislativo necessita do quórum mínimo de 257 deputados, algo que só por milagre vai acontecer antes das eleições de 5 de outubro.

Em vez de enviar um projeto de lei para ser discutido e votado no Congresso Nacional, Dilma optou por baixar um decreto para instituir a participação de "integrantes da sociedade civil" em todos os órgãos da administração federal, sem explicitar como esses representantes serão escolhidos e como funcionaria essa nova instância de poder, destinada a "consolidar a participação social como método de governo".

É mais uma jabuticabeira plantada no imenso pomar das excentricidades nativas, que simplesmente não tem a menor chance de vingar, pelo simples e bom motivo de que é inviável, assim como aquela velha ameaça de controle social da mídia. Será que os criativos sábios do Palácio do Planalto imaginaram o que aconteceria, caso o decreto não seja derrubado pelo Congresso Nacional, se cada ministério tivesse que consultar a sociedade civil antes de tomar qualquer medida, por exemplo, de combate a enchentes ou a incêndios? Vamos ficar discutindo medidas de prevenção de incêndios em casa que está pegando fogo?

Não bastassem os problemas que o governo Dilma já está enfrentando na economia, no período decisivo da campanha presidencial, agora sua equipe resolveu produzir um desnecessário desgaste político, que conseguiu promover uma rara união entre parlamentares situacionistas e da oposição contra o decreto dos chamados Conselhos Populares. Por que o governo não aproveita que o Congresso Nacional vai entrar mais uma vez em recesso por conta das eleições, para, discretamente, suspender esse decreto e fazer de conta que ele nunca existiu? Não podemos transformar a administração federal em assembleia permanente, por mais democráticas que fossem as intenções.

Fica minha sugestão.

 

 

 

 

 

 

 

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09 46 25 10 file Pesquisas avaliam Eleição X Copa: quem ganhará?

Três institutos estão com pesquisas em campo neste momento para medir os efeitos da Copa no Brasil na campanha presidencial: Ibope, Datafolha e o mineiro Sensus. É grande a ansiedade nas redações do Instituto Millenium, que apostaram tudo no fracasso do evento, e agora esperam que a decepção causada pela seleção brasileira abale a recandidatura da presidente Dilma Rousseff. Em lugar do anunciado caos, tivemos a maior festa do futebol mundial em todos os tempos.

"Vai sobrar para ela?", pergunta discretamente a "Veja" desta semana, com Dilma na capa, e já vai logo dando a resposta, em 17 páginas que não deixam dúvidas: sim, apesar do retumbante sucesso do governo federal na organização do evento, a presidente vai pagar a conta pelo "azedume geral", após as biabada de 7 a 1 que tomamos da Alemanha.

À beira da histeria e sem medo de cair no ridículo, alguns colunistas e editores renomados chegaram a apostar na vitória da Argentina para que Dilma passasse a "suprema vergonha" de entregar a taça a Messi, capitão do nosso "maior inimigo". A Copa do Mundo ficou com a Alemanha e eles perderam mais uma.

Os números divulgados nesta terça-feira pelo Datafolha com a avaliação dos turistas estrangeiros sobre a Copa no Brasil foram mais um balde de água fria para a urubuzada, que esperneia, mas não desiste: 92% gostaram do conforto e da segurança nos estádios, 83% elogiaram a organização, 82% sentiram-se seguros e 69% responderam que gostariam de morar no nosso país.

Chega a ser comovente a ginástica feita nos últimos dias por certos coleguinhas para inverter o resultado do jogo depois que a Copa acabou, jogando no colo de Dilma o fracasso dentro de campo e atribuindo o sucesso fora dele a outras instâncias, como se o governo não tivesse nada com isso. Em lugar de publicar um imenso "ERRAMOS" coletivo e pedir desculpas ao distinto público, brigam com os fatos e nos mandam esquecer tudo o que escreveram ou falaram antes. São uns pândegos.

Sem piscar o olho, com aquela vozinha fina inconfundível, o senador José Agripino Maia, presidente do moribundo DEM e coordenador geral da campanha do presidenciável Aécio Neves, teve a coragem de dizer, em resposta à prestação de contas feita pelo governo, que quem garantiu tudo, das obras de infraestrutura aos estádios, foi a iniciativa privada.

Queimado este cartucho, só resta à oposição midiático-partidária-empresarial jogar no quanto pior, melhor, na área econômica, mas isto poderá não pegar muito bem com o eleitorado, que seria o maior prejudicado.

Na minha modesta avaliação, pelo que ouço por aí, apesar de toda torcida em contrário, nenhum candidato ganhou ou perdeu muito com a Copa no Brasil e tudo deve continuar mais ou menos como estava era antes da bola rolar no Mundial. Se as pesquisas apontarem um empate em 0 a 0, a vantagem seria de Dilma, que lidera as pesquisas, com larga vantagem sobre os dois principais concorrentes. Qualquer outro resultado para mim seria zebra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ok Fortes emoções agora só na corrida eleitoral

A) Aperfeiçoar os programas ProUni, Ciência sem Fronteiras, Mais Médicos e Minha Casa, Minha Vida. (........)

B) Solidez econômica, amplitude das políticas sociais e competividade produtiva. (........)

C) Políticas de desenvolvimento sustentável e independência formal do Banco Central. (........)

Estas são algumas das principais propostas dos programas de governo apresentados pelos três candidatos competitivos na corrida presidencial, que estão dando a largada nesta primeira segunda-feira do pós-Copa. Escreva ao lado de cada uma o nome do candidato que você pensa ser o autor da proposta e depois veja se você acertou.

A alternativa "A" pertence a Aécio Neves, embora pareça mais ser de Dilma. A "B" é de Dilma Rousseff e a "C" foi apresentada por Eduardo Campos, mas poderia também ser de qualquer dos outros dois. Afinal, ninguém é contra a energia elétrica e a água encanada, mesmo sabendo que ambas podem faltar, se os reservatórios continuarem secando, mas nenhum deles apresentou solução para este problema vital que vem afligindo os brasileiros nos últimos meses.

A lista dos temas para o debate eleitoral foi apresentada na matéria "Presidenciáveis não dizem como vão bancar propostas _ Planos de governo têm `reciclagem´de medidas bem-sucedidas e pouca inovação", de Fernando Canzian, publicada hoje na "Folha".

Não fique aborrecido se você errou todas as alternativas. Eu também teria dificuldades em acertar, já que as propostas dos programas de governo de Dilma, Aécio e Eduardo repetem as mesmas platitudes de campanhas passadas, sem apresentar qualquer novidade capaz de diferenciar um do outro.

É isso que nos espera após os 32 dias de Copa no Brasil em que vivemos fortes emoções e sentimentos contraditórios, alternando alegrias e tristezas, do sonho do hexa ao vexame dos 7 a 1, no campeonato eleitoral que agora começa para valer e vai decidir os destinos do país nos próximos quatro anos.

De volta à vida real, o cenário não é nada animador. Os problemas continuam do mesmo tamanho de antes da Copa, como se a imagem tivesse sido congelada na tela. Pela amostra das soluções oferecidas pelos candidatos, só teremos fortes emoções se eles continuarem atacando uns aos outros em lugar de discutir o que fazer com os reservatórios, a inflação, os juros, o PIBinho, a reforma política, garantindo emprego e renda. Dilma acena com o perigo de um "retrocesso", apontando para o adversário tucano, enquanto Aécio se limita a mostrar os malfeitos do governo, esconjurando "mais quatro anos de PT". Que beleeeza!", como diz o narrador Milton Leite. E daí?

Sem explicitar como pretendem colocar em prática seus programas de governo, qualquer proposta não passa de coisa de marqueteiros para iludir a freguesia. Tem razão o jornalista Fernando Canzian ao questionar de onde virão os recursos para bancar tantas maravilhas como as que aparecem em todas as campanhas e depois são esquecidas.

De onde virá a grana para os investimentos em "produção e consumo de massa" prometidos no programa da presidente Dilma? Se é tão simples, por que isso já não está acontecendo? O que fará Aécio Neves, e com que recursos, para "aperfeiçoar" os principais programas sociais do atual governo? Eduardo quer terminar seu eventual governo, possibilidade cada vez mais remota, com o centro da meta da inflação fixado em 3%, mas não conta qual é o segredo para cometer este milagre. E vai por aí.

Como diz o caipira, falar é fácil. Preparem-se: vamos ter quase três meses de muita falação pela frente, mas pelo menos já nos livramos das "entrevistas esclarecedoras" do Felipão, o falastrão, que consegue enxergar o que ninguém viu, o nosso futebol. Bola pra frente, que o jogo é de taça, e está em campo o futuro da nossa democracia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto 1 Brasil conquista o mundo e seleção perde o respeito

Resumo da ópera: o Brasil conquistou o mundo ao organizar a melhor Copa da Fifa de todos os tempos, segundo a opinião unânime da imprensa internacional, e a seleção brasileira pentacampeã mundial perdeu o respeito de quem ama o futebol.

A derrota por 3 a 0 para a Holanda neste sábado serviu apenas para mostrar que os 7 a 1 que a Alemanha meteu nos meninos de Felipão, quatro dias antes, não foi um acidente de percurso, um "apagão", como quis demonstrar com planilhas a indigente comissão técnica formada pela CBF sob o comando de um provecto senhor chamado José Maria Marin, de triste memória.

Escrevo antes da final entre Alemanha e Argentina, no Maracanã, e de ler o noticiário do dia porque, qualquer que seja o resultado, a Copa no Brasil para mim já terminou e agora não adianta chorar o leite derramado.

Foram, na verdade, duas Copas do Mundo, bem distintas para nós.

Dentro de campo, assistimos a jogos fantásticos, uma chuva de gols, defesas espetaculares, emoção do começo ao fim das disputas, uma festa permanente nos estádios lotados, um bilhão de pessoas no mundo todo assistindo a esta maravilhosa ópera do futebol. A grande decepção ficou por conta da seleção brasileira, tão endeusada por nossa imprensa antes do evento começar. Deu vergonha.

Fora de campo, não só tudo funcionou perfeitamente, do acesso aos estádios aos aeroportos, da segurança aos serviços públicos, bem ao contrário das previsões catastrofistas desta mesma imprensa, como fomos capazes de promover uma grande confratermização universal, que o mundo todo curtiu e aplaudiu durante um mês. Deu orgulho.

Com estes sentimentos contrastantes, somos obrigados a reconhecer: foi uma grande vitória da presidente Dilma Rousseff, que soube segurar o peão a unha e entregou o que o governo brasileiro prometeu, superando todas as expectativas.

E representou, mais uma vez,  a derrota da turma do contra liderada pela grande mídia familiar, incapaz de aceitar até agora que errou feio, antes e durante a copa, passando do terrorismo ao oba-oba, e terminando no chororô de forma melancólica, sem ter em nenhum momento apontado as causas da decadência estrutural do futebol brasileiro, entregue aos que com o esporte apenas querem faturar, faturar, faturar.

Uma rara exceção na nossa imprensa do pensamento único, que é preciso registrar: "O Brasil do eu acredito _ Na grande tragédia da seleção brasileira nesta Copa do Mundo não há inocentes, nem mesmo a torcida", de Eliane Brum, texto definitivo publicado na "Folha de S. Paulo", sexta-feira, dia 11 de julho.

Desta forma, tanto faz Felipão ficar ou se aposentar, se os que mandam continuam os mesmos, sobrevivem os mesmos interesses legais ou escusos, os campos de várzea acabaram e não há projetos nem privados nem públicos para a formação de novos jogadores, como a Alemanha vem fazendo há muitos anos com dedicação e competência.

Por isso, vou torcer daqui a pouco para a Alemanha, que hoje está jogando o melhor futebol do mundo, e também porque veio de lá a minha família materna, que merece este título por tudo o que fez, dentro e fora do campo, na inesquecível Copa no Brasil.

Tinha planejado uma feijoada para este domingo da grande final, mas já que não chegamos lá, vou reunir a família em torno de um belo almoço alemão. Gostaria de convidar todos vocês a esquecer a tristeza pelas acachapantes derrotas que sofremos nos últimos dias e comemorar a grande conquista do povo brasileiro que, com sua hospitalidade e alegria, conquistou o mundo.

A festa acabou, vida que segue.

 

 

 

 

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eleições Eleição é eleição e Copa é Copa, nada têm a ver

Mal acabou o jogo na terça-feira, com o placar mostrando inacreditáveis 7 a 1 para a Alemanha, alguns coleguinhas da imprensa se apressaram em mostrar serviço no afã de analisar como o desastre da seleção brasileira no Mineirazo vai repercutir na campanha eleitoral e derrubar a recandidatura da presidente Dilma Rousseff.

Foram, como de costume, mais realistas do que o rei. No dia seguinte, terça-feira, líderes tucanos trataram de acalmar a tropa amiga, avisando que não é bem assim. O ex-governador José Serra, por exemplo, agora candidato do PSDB ao Senado, alertou os aliados mais afobados a ter calma nesta hora.

"Eu não sei qual é a tradução política disso. Vamos ver nos próximos dias e semanas. Não vou fazer hipóteses, porque, fatalmente, serão confundidas com desejos", alertou, com muita propriedade, o veterano político de tantas campanhas eleitorais, repetindo o que escrevi no post pós-jogo, sob o título "Só com o tempo poderemos entender esta humilhação".

Na mesma linha, o sempre ponderado governador tucano Geraldo Alckmin, candidato favorito à reeleição, lembrou que uma coisa não tem nada a ver com outra: "Aliás, se você verificar, a última Copa que o Brasil ganhou foi em 2002, era o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB perdeu a eleição. Então, não tem essa relação. Mas todos estamos tristes, porque esperávamos um resultado melhor".

Ainda na véspera da partida fatídica, o ex-presidente FHC, ao criticar "algumas pessoas" que estavam misturando futebol com política, previu que o Brasil poderia ganhar a Copa e Dilma perder a eleição. Tinha toda razão, mas a recíproca, deve-se admitir agora, também é verdadeira.

O Brasil não vai mais ser hexa, a Copa de 2014 termina domingo, no Maracanã, disputada entre Alemanha e Argentina, e na próxima semana começa para valer a campanha eleitoral.

Claro que o bom ou o mau humor dos torcedores e o alto ou baixo astral dos eleitores tem influência na hora de decidir o voto, mas o futebol não é responsável por isso. Em qualquer país e qualquer época, com ou sem Copa, determinante na hora do voto é o estado da economia nacional, ou seja, o bolso dos eleitores.

Que a economia brasileira anda capengante este ano, o que prejudica quem está no governo e ajuda a oposição, todos nós sabemos, não é preciso ser um grande analista político. Não basta, porém, mostrar as dificuldades enfrentadas pelo governo e os erros cometidos. É preciso apresentar propostas novas e concretas sobre o que e como fazer para segurar a inflação e fazer o PIB voltar a crescer, sem subir os juros, simples assim.

Se o governo ficar só mostrando as maravilhas que fez e a oposição esculhambar com tudo, vamos ficar num Fla-Flu estéril, que em nada ajuda o país. Eleição é sempre uma renovação de esperanças e o eleitor quer é saber o que os candidatos têm a dizer sobre os caminhos para o futuro.

Temos menos de três meses até as eleições não só para discutir soluções para a economia, mas também uma reforma política ampla, geral e irrestrita, como foi a anistia, sem o que, nada mudará, qualquer que seja o candidato eleito. Com o atual sistema político-partidário-eleitoral, que está falido faz tempo, o Brasil é simplesmente ingovernável, assim como é inútil trocar o técnico da seleção sem promover uma reforma estrutural profunda na organização do futebol brasileiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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