Estes últimos dias não têm sido fáceis para ninguém. Somos sufocados pelos fatos que nos carregam muitas vezes para onde não queremos e nos obrigam a tratar de assuntos sobre os quais não gostaríamos de falar nem de escrever, em defesa do que nos resta de bom humor e sanidade mental, atropelados muitas vezes pelas diferentes versões dos conflitos cotidianos.

Faço este trabalho no Balaio já há quase sete anos (entrou no ar no dia 11 de setembro de 2008) e não me lembro de ter enfrentado tantas dificuldades na relação com os leitores/comentaristas/internautas como agora.

Com a radicalização partidária, nunca me vira obrigado a excluir tantos comentários para manter um mínimo de civilidade neste democrático espaço de debates, desde o primeiro dia aberto a todas as correntes políticas para discutir os rumos do nosso país. E ainda tem alguns que escapam, mas quando outros leitores me alertam são deletados. Só de ter um comentarista da qualidade e do caráter do Enio Barroso Filho, parceiro da primeira hora, já vale a pena continuar fazendo este blog.

No meio do agito para não deixar a peteca cair, a gente acaba se esquecendo até de falar de coisas boas, que também acontecem. Na semana passada, saiu o resultado da primeira fase da 13ª edição do Prêmio Comunique-se, conhecido como o Oscar do Jornalismo Brasileiro, pois os vencedores são eleitos em votação direta pelos próprios jornalistas.

Já não sou um garoto, vocês sabem, para me bacanear com estas coisas, mas é sempre gratificante ver o nosso trabalho reconhecido pelos colegas de profissão, ainda mais depois de completar 51 anos neste ofício de repórter.

Mais uma vez, meu nome foi indicado em duas categorias _ "Blogs e Tecnologia" e "Opinião/Articulista" _ pelo meu trabalho aqui no R7 e no Jornal da Record News. Dez profissionais concorrem agora em cada categoria, na segunda fase de votação, que termina dia 8 de agosto. Três serão escolhidos para ir à final que anunciará os vencedores numa grande festa.

Para votar, é preciso ser cadastrado no site, que tem a relação completa dos 260 profissionais classificados:

www.comunique-se.com.br

Ganhei várias vezes este prêmio nos últimos anos, em diferentes categorias das várias mídias, participei de quase todas as festas como finalista, mas não vim aqui para pedir votos. Quero apenas agradecer a todos os leitores, telespectadores e internautas que acompanham meu trabalho, aos companheiros do portal e da TV e, em especial, aos colegas jornalistas que me honraram com seus votos na primeira fase. Não levo o menor jeito de cabo eleitoral de mim mesmo. Só de ter sido lembrado novamente, já está bom demais.

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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lula1 Será possível um encontro de Lula com FHC?

Pode não dar em nada, pode nem acontecer, mas não custa tentar. Alguma coisa precisa ser feita com urgência pelas principais lideranças políticas do país na busca de caminhos comuns capazes de contribuir para o enfrentamento desta guerra sem fim que já ninguém aguenta mais.

É o que penso da notícia publicada pela Folha desta quinta-feira repleta de novas más notícias na economia sobre um possível encontro entre os ex-presidentes Lula e FHC para discutir a crise.

Diz o jornal: "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff".

A assessoria do Instituto Lula apressou-se em desmentir a informação e afirmou que o ex-presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique Cardoso. É pena. Como Lula não dá entrevistas, seus assessores criticam "relatos anônimos que servem apenas para alimentar especulação".

Por sua vez, FHC, que está passando férias na Europa, enviou e-mail à Folha mostrando-se disposto ao diálogo:

"O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas comuns, como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público".

É o primeiro sinal de civilidade e de esperança que encontro nos últimos meses nesta insana luta entre petistas e tucanos que se arrasta e acirra desde a última campanha eleitoral, uma batalha em que todos saímos perdendo.

Se não houver um mínimo entendimento entre governo e oposição, afinal, a reforma política continuará nas mãos dos Eduardo Cunha da vida e sua tropa de choque do baixo clero, enquanto os juros e a inflação disparam, e o PIB e o emprego despencam.

Repito o que escrevi aqui na semana passada quando Cunha ameaçou explodir tudo: "É hora de baixar a bola e pensar no país".

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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mesa Toalha e marmitex, o andar de cima e o de baixo

No andar de cima, toalhas de linho e finas iguarias. Para o andar de baixo, marmitex.

Na perfeita imagem criada pelo jornalista Elio Gaspari, temos um resumo das divisões da sociedade brasileira, bem estampado num e-mail no qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht comunica à mulher, Isabela, que uma sindicalista participaria de um jantar na casa deles. Em resposta, escreve Isabela, segundo o Painel da Folha desta quarta-feira, que reproduziu mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular do empresário:

"Se sujar minha toalha de linho ou pedir marmitex... vou pirar. Saudações sindicais? Não mereço".

Muito antes da Operação Lava-Jato, em maio de 2012, Marcelo organizou este jantar, reunindo sindicalistas e grandes empresários em torno do ex-presidente Lula, para discutir a conjuntura econômica. A sindicalista a que os Odebrecht se referem é Juvandia Moreira Leite, presidente dos bancários de São Paulo.

Entre os 15 convidados, segundo documento vazado nas investigações da Lava Jato e reproduzido no blog do jornalista Renato Rovai, também estavam presentes João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, Eike Batista, do então Grupo EBX, Jorge Gerdau, Emilio Odebrecht, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e Sergio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em seus oito anos de mandato, como sabemos, Lula procurou aproximar os andares da sociedade brasileira, governando para todos, mas uma parte da elite brasileira jamais aceitou o ex-metalúrgico na Presidência da República e seus companheiros reunidos na mesma mesa.

Esta resistência persiste até hoje, como se pode mais uma vez constatar neste e-mail tratando do jantar de 2012 e todos os dias nas crescentes manifestações de intolerância e preconceito contra pretos, pobres, petistas e nordestinos. Boa parcela do andar de cima ainda divide o mundo entre quem manda e quem obedece, cada um no seu lugar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tem certas coisas na vida que só o tempo nos ensina. "O que a vida me ensinou" é justamente o título de uma coleção da Editora Saraiva, em que vários livro Um pouco de humildade só pode fazer bem autores contam suas experiências a partir de personagens que foram importantes em suas trajetórias.

Um deles é meu colega Heródoto Barbeiro, que colocou esta epígrafe na capa: "Não acredite em nada que digo, experimente". Professor de História e jornalista, âncora do Jornal da Record News e monge budista, entre mil outras atividades, de tudo que ele escreveu neste pequeno grande livro o que mais me marcou foi o valor da humildade.

O próprio Heródoto é um bom exemplo de como é possível levar a teoria à prática do cotidiano nas relações humanas.

Pensei muito nisso nestes poucos dias que passei na praia com a família, enquanto Brasília pegava fogo, com a Operação Lava Jato a pleno vapor, colocando a nu as tenebrosas transações de políticos e empresários.

Humildade vem da palavra húmus, que significa solo sob nós, pés no chão, mas a melhor forma de defini-la é mostrar o seu contrário: ganância, arrogância, ostentação, prepotência, megalomania, que é o que mais vemos por aí.

Para que querem tantos bens materiais e tanto poder, se a nossa vida é curta? No fim, teremos todos o mesmo destino, embora alguns ainda tenham dúvidas por se imaginarem imortais.

Em tempos de crise generalizada como a que vivemos neste momento, certas características humanas se exacerbam, e por isso mesmo é preciso, reconhecer nossas fraquezas e limites, para não entrar na pilha dos que veem no próximo não um parceiro de travessia, mas um inimigo a ser abatido, como podemos constatar, por exemplo, na guerra sem quartel das redes sociais.

Mesmo em situações de dificuldades extremas, vemos alguns personagens outrora poderosos despidos de qualquer autocrítica para aceitar a situação adversa e admitir seus erros. Continuam agindo como se o mundo se dividisse apenas entre quem manda e quem obedece.

Donos da verdade absoluta, sabem tudo o que os outros devem pensar e fazer, e são incapazes de pedir ajuda ou mudar a rota porque acham que isto seria uma humilhação. Deveriam todos ler o livro do Heródoto.

Um pouco de humildade, sem perder o bom humor, só pode fazer bem. "Meu único orgulho é esta minha humildade", costuma brincar o teólogo Frei Betto, que por acaso está produzindo mais um novo livro em parceria com o Heródoto Barbeiro.

Meus dois bons amigos parecem disputar com o prolífico autor Gabriel Chalita o campeonato mundial de lançamento de livros. Vai acabar empatado...

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A um ano do início da campanha municipal de 2016, o quadro sucessório na maior cidade do país está completamente indefinido. Ainda não se sabe sequer se o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, muito mal avaliado em todas as pesquisas, será candidato à reeleição.

A única novidade no cenário até agora, em relação à campanha anterior, é a volta da ex-prefeita Marta Suplicy, que deixou o PT no final do ano passado, mas ainda não sabe para onde vai.

Depois de dar como certa sua ida para o PSB, e até preparar festa de filiação, a ex-prefeita, ex-ministra e atual senadora entabulou negociações com o PMDB de Michel Temer, que não se mostrou muito interessado, e agora ela faz mistério sobre o seu destino.

Por enquanto, a única certeza é que o comunicador Celso Russomanno, atual deputado federal pelo PRB, será novamente candidato. Em 2012, ele foi a grande surpresa da campanha eleitoral, chegando a liderar a corrida por várias semanas, à frente de José Serra e deixando bem para trás o candidato do PT. No fim, Serra e Haddad foram para o segundo turno.

Como de costume, os tucanos ainda não encontraram um candidato. Ou melhor, o PSDB tem vários, que já estão se lançando à disputa interna, mas na verdade não conta com nenhum nome competitivo até agora. Serra, também como de costume, já garantiu que desta vez não vai entrar na disputa.

Fiel da balança, o PMDB pode compor chapa com o PT, indicando para vice Gabriel Chalita, atual secretário municipal de Cultura. Ou lançar candidatura própria, mais uma vez com Paulo Skaf, eterno presidente da Fiesp, que gostaria mesmo é de ser candidato a governador.

As fichas ainda não estão na mesa, mas a roleta já começou a girar nos bastidores. Após todos os escandalos com doações empresariais de campanha, este é outro fator de indefinição das candidaturas. Quem vai bancar esta corrida eleitoral?

Façam suas apostas.

 

 

 

 

 

 

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cunha eduardo 800 É hora de baixar a bola e pensar mais no país

Após anunciar o rompimento e ameaçar "explodir o governo", Eduardo Cunha foi para o tudo ou nada. Ocupou o centro do palco da mídia o dia inteiro. E terminou esta sexta-feira isolado no PMDB, sem receber o apoio nem da bancada suprapartidária do baixo clero que ele montou para se eleger e comandar a Câmara como bem quis _ pelo menos, até agora.

Quem vai querer ficar daqui para a frente ao lado do "homem-bomba", como bem definiu minha colega Chris Lemos, aqui mesmo no R7?

O tal pronunciamento em rede nacional de ontem à noite foi um completo fiasco. O objetivo claro era assustar o governo e o país, mas foi uma peça tão tosca e burocrática, na forma e no conteúdo, para mostrar seus próprios feitos, que fez lembrar os piores momentos de Amaral Neto, também conhecido como Amoral Nato, jornalista e marqueteiro da ditadura militar, a quem o atual presidente da Câmara lembra muito.

Tudo que Cunha conseguiu foi provocar um "barulhaço" de protesto contra ele próprio em várias capitais e receber críticas generalizadas de seus pares do PMDB e até das oposições partidárias e midiáticas, aquelas que aceitam qualquer coisa para desgastar o governo.

Agora, ele, que queria usar o "pronunciamento" para se lançar como candidato a presidente da República em caso de afastamento de Dilma Rousseff, corre o risco até de ser obrigado a deixar cautelarmente a presidência da Câmara, em medida que pode ser adotada pelo procurador-geral Rodrigo Janot, por ameaça a testemunhas. Cunha sabe disso.

Dos males, o menor: o Congresso entrou em recesso neste sábado. Por duas semanas, é hora de baixar a bola e pensar mais no país, embora seja difícil pedir isso a Eduardo Cunha e aos demais políticos, tanto do governo como da oposição, que agora só pensam em salvar a própria pele. A luta do poder pelo poder pode levar o país à ruína, apenas três décadas após a reconquista da democracia.

Quando agosto chegar, todas as crises continuarão do mesmo tamanho, mas urge que lideranças da sociedade civil se unam em torno de um projeto para a retomada do debate político em outros termos, mais civilizados, que permita a construção de um projeto nacional voltado para a retomada do crescimento econômico num clima menos belicoso.

Cuidado com o andor. Somos todos responsáveis pelo destino do nosso país. Como as nuvens negras e os meteoritos, os Cunhas passam.

E vida que segue.

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cunha Para onde você vai, a nuvem preta vai atrás

Foto: Antônio Cruz / ABr / CP

"Cunha anuncia hoje rompimento com governo de Dilma", informa a manchete do R7 na manhã desta sexta-feira de inverno na praia.

Pretendia dar um semana de folga também aos leitores, na esperança de que algo pudesse mudar, mas não tem jeito. De nada adianta ficar sem comprar jornais, deixar o computador desligado, passar longe da TV.

A imensa nuvem negra, que cobre o cenário político, mesmo em dias de sol, vai atrás, onde quer que você vá.  Basta olhar para a cara das pessoas, ouvir as conversas, ver comércios fechados em plena temporada de férias.

Até os netos aqui em casa vieram me perguntar: "Vô, o que vai acontecer com a Dilma?

Todo mundo quer saber: e agora, o que pode acontecer com a gente, com o país?

Após ser acusado por um delator da Lava Jato de ter pedido propina de US$ 5 milhões, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, comunicou a Michel Temer, vice-presidente da República, que anunciará esta noite o rompimento dele com o governo, em cadeia nacional de rádio e televisão, que já estava marcada.

Era o que faltava para dar contornos ainda mais dramáticos à crise política e econômica que se alastra pelo Brasil desde o início do ano, deixando a presidente Dilma Rousseff cada vez mais isolada.

Nem com o seu mentor Lula ela poderá contar muito, já que o ex-presidente agora terá que cuidar também da sua própria defesa. Na mesma tarde de quinta-feira em que Cunha era acusado por dois delatores, o Ministério Público Federal anunciou que Lula está sendo formalmente investigado por suposto tráfico de influência para beneficiar a empreiteira Odebrecht no exterior.

E o que pretende Eduardo Cunha com o rompimento, que já vinha ameaçando há dias, ao responsabilizar o governo pela inclusão do seu nome nas investigações e denúncias da Operação Lava Jato, que se aprofundam a cada dia, e já ameaçam provocar uma crise institucional sem precedentes no nosso país?

Ele não deverá dar essa resposta em seu pronunciamento no rádio e na TV, claro, pois a dissimulação é uma das suas características, mas só posso imaginar uma explicação: ele quer ver o circo pegar fogo para ver se escapa da Justiça no meio da confusão.

Até a Grécia já encontrou uma saída emergencial para a crise esta semana, mas nós nos afundamos nela cada vez mais, sem que ninguém seja capaz neste momento de ver uma luz no final do túnel. Faltam-nos lideranças, no governo e na oposição, faltam-nos partidos de verdade, faltam-nos propostas para uma saída pacífica, falta-nos tudo.

Restam apenas incertezas, e tenho apenas uma certeza: aconteça o que acontecer, não será bom para ninguém.

 

 

 

 

 

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Previsão do tempo político: temperatura em queda e sol entre nuvens. Depois de chegar ao ponto de ebulição máxima na semana passada, a temperatura da crise caiu alguns graus nas últimas horas.

Colaboraram para isso a queda da Bolsa na China, que ganhou as manchetes mundiais, a viagem da presidente Dilma para participar da reunião dos Brics na Rússia e o feriado de 9 de Julho em São Paulo (aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932).

Para o governo Dilma, que tenta sair das cordas, a trégua é bem vinda e pode durar mais algumas semanas. Com parlamentares e magistrados se preparando para o obsequioso recesso de meio de ano, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, sobre as contas da campanha eleitoral da presidente, e do Tribunal de Contas da União, que analisa as "pedaladas fiscais", deverão ficar mesmo para agosto, ao que tudo indica. As oposições também poderiam aproveitar para baixar a bola e planejar com mais juízo os próximos passos.

Melhor assim. Ninguém aguenta mais viver em crise permanente. Outro dia propus aqui que deveríamos todos pensar um pouco mais no que estamos fazendo com o nosso país, no governo, no Congresso, no Judiciário e nas redes sociais, em meio a esta insana guerra política que não tem hora para acabar, como os velhos carnavais.

Afinal, com a derrocada do mercado chinês, que perdeu um terço do seu valor em poucos dias, a crise agora pode se tornar global, com graves consequências para a nossa já fragilizada economia. Principal parceiro comercial do Brasil, a China também era a maior esperança para o país receber investimentos em infraestrutura, e agora ninguém sabe o que pode acontecer.

O que está ruim sempre pode piorar, como estamos aprendendo a cada dia, mas não custa nada guardar nosso pessimismo para dias melhores, como costuma brincar o amigo Frei Betto. Até porque, cara feia e mau humor não resolvem nenhum dos nossos problemas e só servem para contaminar ainda mais nossos já rasos mananciais de esperança.

Em tempo: deixo esta breve reflexão antes de também dar uma trava no batente. Vou tirar dez dias de folga para ficar longe do computador e das notícias, com a família na praia, só olhando para o mar, atento aos sinais do tempo e das marés. Volto no dia 20.

E vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Leio na coluna da colega Keila Jimenez, aqui no R7, que o ex-jogador, comentarista de TV e empresário Ronaldo Nazário, conhecido por Fenômeno, acaba de ganhar como cliente o ator Alexandre Nero, da Globo. Vai administrar a carreira do ator, o que quer dizer: cuidar de participação em eventos, comerciais, filmes, premiações.

A agência de Ronaldo, chamada "9ine",  que já tem sob contrato a atriz Paola Oliveira, o jogador Neymar e o lutador Júnior Cigano, entre outros famosos, negocia com mais quatro grandes atores.

O que mais me chamou a atenção foi o alto preço cobrado por estes serviços: até 20% dos valores recebidos em cada um deles. Pode-se imaginar o que isto representa para o faturamento da empresa do Fenômeno, pois todos são muito bem remunerados e cobram caro por trabalhos extras.

Já faz tempo que o Brasil está se tornando o paraíso destes intermediários. Eles estão em toda parte. Por trás, por exemplo, da guerra entre os taxistas e o aplicativo Uber, que oferece carros de luxo sem taxímetro, estão dois destes tipos, bastante poderosos.

De um lado, os donos do serviço Uber, que ficam com 20% das tarifas cobradas por motoristas autônomos pelas corridas; de outro, os proprietários das frotas de táxi _ entre eles, grandes empresários e políticos famosos. Em regime de semiescravidão, os frotistas chegam a pagar diárias de R$ 190 para usar os táxis, ou seja, já começam o dia devendo uma nota e, para levar algum para casa, cumprem jornadas de 14 a 16 horas no volante rodando pela cidade.

Se formos mais longe, vamos encontrar  intermediários que pontificam nos grandes escândalos da política e do futebol. Pois o que são figuras como o hoje célebre Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, e o bem-sucedido empresário J. Ávila, dono da Trafficc e de emissoras de televisão, ambos réus confessos, se não intermediários entre corruptos e corruptores?

Muito tempo atrás, fiz uma reportagem sobre os muitos intermediários entre os produtores de hortifrutigranjeiros e os consumidores finais, passando por transportadores, Ceasas e atacadistas. No trajeto entre a horta e o supermercado ou a feira, o valor de um repolho chegava a ser multiplicado por dez. A parte do leão ficava com os intermediários.

Pensando bem, são muitos os intermediários de alguma coisa _ corretores de imóveis, comerciantes, vendedores de lojas, feirantes, concessionárias de veículos, agentes de artistas e atletas _ entre os que produzem e os que compram. Nós mesmos, jornalistas, somos intermediários entre os fatos e os leitores, ouvintes, telespectadores. A diferença está entre atuar dentro ou fora da lei.

O problema maior deste paraíso nativo dos que gostam de levar vantagem em tudo é a ganância _ o valor cobrado e os meios utilizados na intermediação, lícita ou ilícita, que pode levar à fortuna e ao poder, mas também arruinar carreiras e levar à cadeia. Que o diga José Maria Marin.

Já pensaram nisso?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Presidente Dilma reage e avisa: governo não acabou

Ponham-se no meu lugar: por onde começar este texto, depois dos acontecimentos dos últimos dias e horas que, numa velocidade cada vez maior, levaram a guerra política à beira de uma crise institucional sem precedentes, trinta anos após a redemocratização do país?

Tinha ido dormir com a sensação de que o governo estava no chão e as oposições só contavam as horas para saber quando e como assumiriam o poder.

Acordei nesta terça-feira com a manchete da Folha em que a presidente Dilma Rousseff, na mais franca e contundente entrevista desde a primeira posse, reage ao cerco desfechado contra ela na última semana para avisar que o seu governo não acabou:

"O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar", desafiou, indignada com os que se movimentam para encurtar seu segundo mandato e promover um terceiro turno.

Já que ninguém se dispunha a isso, no governo, no PT e na base aliada, a presidente resolveu sair em sua própria defesa. Parece que finalmente ela se deu conta da gravidade da crise que já dura seis meses e atinge todos os setores da vida nacional. Abriu o coração, falou tudo o que estava entalado na garganta e desabafou, referindo-se a "certa oposição um tanto quanto golpista":

"Eu não vou terminar meu mandato por quê? Para tirar um presidente da República, tem que explicar por que vai tirar. Confundiram seus desejos com a realidade ou tem uma base real?".

Na festiva convenção promovida pelo PSDB no domingo, em que foi reeleito para a presidência do partido, o senador mineiro Aécio Neves, derrotado por Dilma nas urnas há apenas oito meses, já se apresentou como candidato a tomar seu lugar o mais rápido possível, com direito a jingle de campanha, claque, camisetas, e tudo.

A euforia dos tucanos era tanta que, ao perguntar a Fernando Henrique Cardoso quando seria a estreia do seu programa de televisão no Canal Brasil, Aécio ouviu a seguinte resposta do ex-presidente, em tom de brincadeira, é claro:

"Pelo ritmo que vai, quando estrear você já será presidente".

Esqueceram de combinar com o governador paulista Geraldo Alckmin, outro pré-candidato, que saiu da convenção enciumado com a babação de ovo sobre Aécio, e com o senador José Serra, que nas últimas semanas já está oferecendo seu passe ao PMDB, caso eles precisem de um nome para disputar as próximas eleições presidenciais.

Dividido como sempre e animado como nunca, o PSDB deu muita bandeira, mostrando que não está disposto a esperar até 2018. Sem apresentar qualquer proposta alternativa ao país para o enfrentamento da crise e jogando tudo apenas no desgaste da presidente, o partido oficial da oposição acabou dando munição aos que denunciam suas manobras golpistas, agora voltadas para os tribunais, com o descarado apoio da mídia hegemônica.

Com esta oposição, Dilma reuniu forças para sair da toca e ir ao ataque, no momento de maior isolamento e mais delicado do seu governo, em que apenas a lealdade do vice Michel Temer parece estar do seu lado.

Na surpreendente e corajosa entrevista concedida por Dilma a Maria Cristina Frias, Valdo Cruz e Natuza Nery, nenhum assunto ficou de fora, nem mesmo o boato espalhado na internet de que teria tentado o suicídio:

"Eu não quis me suicidar na hora que eles estavam querendo me matar lá (quando foi presa durante o regime militar), a troco de quê eu quero me suicidar agora?".

Para deixar clara sua disposição de resistir às tentativas golpistas e retomar a iniciativa da agenda, hoje nas mãos do líder de fato da oposição, Eduardo Cunha, presidente da Câmara, durante toda a segunda feira a presidente manteve reuniões com a coordenação política do governo e líderes e presidentes dos partidos da base aliada.

Dois são os próximos desafios de Dilma: o julgamento das contas do governo, com as chamadas pedaladas fiscais, no TCU, e o das suas contas da campanha eleitoral, no TSE. É das decisões a serem tomadas nestes tribunais, possivelmente ainda este mês, que dependerão os próximos capítulos desta guerra política sem quartel, e sem fim à vista. Preparem seus corações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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