75674589 A tortura do telemarketing, cada dia pior

Toca o telefone na cozinha, corro para atender.

Toca o telefone no meu escritório, volto correndo.

Vou tomar banho, toca algum telefone.

Começo a escrever, toca o celular que não sei aonde deixei.

É o dia todo assim, correndo de um lado para outro, desde que minha família viajou e me deixou sozinho em casa.

Do outro lado da linha, quase invariavelmente, tem algum "consultor" de operadora de telefonia, emissora de televisão a cabo ou vendedor de assinaturas de jornais e revistas, querendo me fazer ofertas de produtos e serviços que não pedi e não quero.

Pedem sempre para falar com minha mulher, em nome de quem, coitada, estão os telefones e as assinaturas.

No começo do mês, ainda explicava educadamente que minha mulher estava viajando, mas aquilo foi chegando a um ponto de tortura que acabei perdendo a paciência e implorando: "Não me liguem mais, pelo amor de Deus!"

Tenho até pena destes jovens "consultores-torturadores", obrigados a fazer o serviço insano dos telemarketing da vida, que devem ser xingados o tempo todo e ouvir barbaridades as mais atrozes.

Que diabo estará acontecendo neste enlouquecido janeiro de 2015?

Será que os poderosos departamentos de marketing destas empresas não conseguem encontrar algum meio mais criativo e menos invasivo, ter uma única ideia original, para promover suas vendas sem encher o nosso saco?

Que tal, por exemplo, patrocinar este blog? Garanto que sairia bem mais barato e aborreceria menos os eventuais futuros clientes. Poderiam aproveitar que a internet ainda é um meio barato para anunciar, com a vantagem de só ser acessada por quem quer, não incomoda ninguém.

Pois esta tortura de telemarketing se trata disso mesmo: uma invasão de privacidade, um desrespeito ao consumidor, uma ameaça ao sossego a que todos têm direito no recesso do seu lar.

É como se os vendedores das lojas aqui do bairro viessem o dia inteiro tocar a campainha do meu apartamento para me oferecer algum produto novo.

Com tanta gente hoje em dia trabalhando a maior parte do tempo em casa, é um desaforo ser interrompido a todo momento por desconhecidos sem noção, que te ligam na maior intimidade, com seu papo de camelôs eletrônicos, para te oferecer o que você não precisa.

Será que ninguém ainda pensou como isso pode prejudicar a imagem de uma empresa, ao invés de aumentar seu faturamento?

Quem, afinal, ganha com isso? Quem compra ou quem vende estes malditos serviços de telemarketing, muitas vezes operando até a partir de outros países?

O cidadão-consumidor-contribuinte, com certeza, só perde tempo e paciência.

Cadê os institutos de defesa do consumidor, os procons da vida, os nossos caros legisladores? Será que não tem ninguém para coibir estes abusos idiotas, que a cada dia ficam mais ousados?

Telefone não foi feito para torturar ninguém.

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5nzo8ddizy 6f6k6nz7w7 file Camisa leva Corinthians à final da Copinha

No papel, antes de começar o jogo da noite desta quinta-feira, em Limeira,  São Paulo e Corinthians estavam invictos, tinham números muito parecidos e rigorosamente as mesmas chances de chegar à final da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Com explicar, então, este chocolate de 3 a 0 que o Corinthians meteu no São Paulo, sem dó nem piedade, sem dar chance ao adversário?

A melhor explicação foi dada pelo meia corintiano Mateus Cassini, um dos astros do time, que agarrou com força o escudo do clube na camisa e o mostrou às câmeras da TV ao final do jogo: "É isso aqui, o´! Isso é Corinthians! Tem que respeitar!".

Em campo, o time corintiano foi o retrato da sua torcida, como se ambos fossem um só corpo, enquanto os são-paulinos pareciam o time da sua diretoria soberba e vacilante. Só podia mesmo dar Corinthians.

Depois de tomar o primeiro gol, um belo gol de Matheus Vargas, aos 21 minutos do primeiro tempo, o São Paulo ficou nervoso, perdeu-se em campo e foi aos poucos entregando os pontos à determinada equipe corintiana do técnico Osmar Loss, um jovem muito sério, que soube passar confiança aos seus jogadores.

Foi isso, meus amigos, e neste domingo vamos, mais uma vez, ver o Corinthians na final de uma Copinha, que já ganhou oito vezes. O adversário será o surpreendente Botafogo de Ribeirão Preto, time que revelou o grande Sócrates, e tem as mesmas cores do São Paulo. Pelo menos assim, vou poder torcer para um outro tricolor...

Valeu, Corinthians, com seu time e sua torcida, vocês mereceram.

Sim, camisa ainda ganha jogo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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8s25xj9vat 5r4htco4al file Não se deve brigar com os fatos, diz Sabesp

Demorou, mas a ficha caiu. Está acabando o jogo do "me engana que eu gosto" promovido pelo governador Geraldo Alckmin, ao longo desta grave crise no abastecimento d´água que vivemos em São Paulo, desde o começo do ano passado.

"É evidente que, na crise atual, a Sabesp não tem como prestar o serviço como se a situação fosse de normalidade. Não é sensato brigar com os fatos. Se for necessário chamar isso de racionamento, que assim seja".

A constatação acima é do novo presidente da Sabesp, engenheiro Jerson Kelman, que prometeu jogar limpo com a população, ao contrário do que vinha acontecendo. Espero que o governador Alckmin leia o artigo de Kelman publicado na Folha desta quinta-feira. Se o governo não pode garantir o nível mínimo dos reservatórios, mesmo que caia chuva de pedra nos próximos dias, restabeleça-se ao menos a verdade.

Poderiam começar por informar a população sobre os horários e os dias em que a água será cortada para que cada um possa planejar a sua vida e tomar as providências necessárias (ou, em último caso, procurar um outro lugar para morar).

É o mínimo que se espera, em vez de o governador ficar anunciando mirabolantes projetos de transferência d´água de um reservatório para outro, algo que demora e é altamente discutível por conta da poluição que toma conta de vários deles.

"Em breve, a Sabesp disponibilizará em seu site e nas agências de atendimento ao consumidor um meio mais rápido de conhecer o horário de redução da pressão para cada local específico", prometeu Jerson Kelman. Já não era sem tempo, mas esperamos que este "em breve" seja o mais rápido possível.

Aqui, no bar da esquina ao lado de casa, não precisa nem avisar: faz semanas que todos os dias, religiosamente às quatro da tarde, a água é cortada. Deve acontecer o mesmo em muitos outros locais da cidade que não contam com caixas d´água de bom tamanho ou ficam em regiões mais altas. Basta oficializar o que já existe na prática.

Brigar com os fatos, como sabemos, é pratica comum na internet, tanto nos textos dos blogueiros como nos comentários de leitores, mas é inadmissível quando se trata de autoridades responsáveis por um serviço público vital para a população.

Está na hora de a imprensa dar nomes aos bois antes que a vaca vá definitivamente para o brejo que, aliás, também já está secando.

E vamos que vamos.

Em tempo (atualizado às 11h15)

Para oito em cada dez paulistanos, é grande o perigo de acabar a água na cidade, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira pela ONG Rede Nossa São Paulo e pela Federação do Comércio.

A pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município mostra também que 42% dos moradores responsabilizam a falta de planejamento do governo estadual pela crise no abastecimento de água.

Como eu já havia comentado aqui na semana passada, a maioria da população gostaria de ir embora de São Paulo: 57% dos entrevistados deixariam a cidade, se pudessem, informa a pesquisa.

E você, caro leitor do Balaio? Para onde gostaria de ir?

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Enfim, uma boa notícia, acreditem! Nada a ver com a "nova" seleção do "novo" Dunga e da embalsamada CBF, apenas mais do mesmo, sem novidades e sem brilho, desfilando burocraticamente pelos campos do mundo em amistosos caça-níqueis dos patrocinadores.

Apenas seis meses após a Copa no Brasil, e daqueles até hoje inacreditáveis 7 a 1 que levamos da Alemanha no Mineirão, está nascendo o novo futebol brasileiro, ou melhor, renascendo o verdadeiro futebol brasileiro, já mostrando sua cara nesta Copa São Paulo, disputada por juniores sub-20, que estará chegando ao seu final neste domingo. Deu gosto de ver alguns jogos muito disputados, como Atlético e Flamengo, que os mineiros venceram por 10 a 9 numa eletrizante disputa de pênaltis.

Apareceram bons jogadores em praticamente todos os mais de 100 times que entraram em campo, alguns deles com muito talento, prontos para brilhar no próximo Brasileirão. De um deles, em particular, vocês ouvirão falar muito em breve.

Trata-se do grandão João Paulo, com o penteado sempre bem cuidado à moda Cristiano Ronaldo, um centroavante como há muito não se via. Camisa 9 do meu São Paulo, é um artilheiro que trata bem a bola, um craque completo: dribla, chuta de qualquer distância, faz assistências, recua para buscar a bola no meio do campo e, em seguida, já está na área. Faz muitos gols, de todo jeito: de cabeça, de pé direito e esquerdo, de falta, e até gol olímpico.

167486 ext arquivo Viva! Após Copa, nasce o novo futebol brasileiro

No jogo contra o Atlético Mineiro, a vítima da noite inspirada do São Paulo nesta terça-feira, em São José dos Campos, João Paulo marcou três nos impiedosos 4 a 0 que levaram o time do Morumbi à semifinal contra o Corinthians. O gol olímpico foi apenas a chave de ouro de uma atuação impecável, que deve ter chamado a atenção de Muricy, espero.

Como ele não aprendeu a jogar este ano, espero também que o comando do São Paulo esteja acompanhando de perto não só este artilheiro fora de série, mas abra espaço igualmente no time principal para seus companheiros Luis Araújo e Inácio, que formam um ataque pronto e completo, só à espera de uma oportunidade. Luis Fabiano e Alan Kardec que se cuidem.

Tem tudo para pegar fogo, com estádio lotado (a FPF até agora não informou onde será), esta semifinal entre o São Paulo e o Corinthians, que se classificou com uma bela virada, ganhando de 4 a 2 do São Bernardo. Os atacantes corintianos Mateus Cassini e o artilheiro Gabriel Vasconcelos são outros craques que se destacaram na competição e logo deverão ter uma oportunidade com Tite no time principal.

Na outra partida das semifinais, que só tem paulistas, enfrentam-se o Palmeiras e o Botafogo de Ribeirão Preto, time que ainda não vi jogar. Gabriel Jesus, outro craque artilheiro, no mesmo nível de João Paulo e Gabriel Vasconcelos, é a grande esperança dos palmeirenses. Só não entendo esta mania de nomes duplos que proliferaram na Copa São Paulo...

A grande final está marcada para domingo, aniversário da cidade, às 10 da manhã, no Pacaembu, uma festa imperdível, quaisquer que sejam os adversários. Não percam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto2 Mundo pegando fogo e o Brasil secando no escuro

"Parece que o mundo virou um grande hospício e os pacientes assumiram o comando do hospital", resumiu o médico do Sírio-Libanês, enquanto passava o aparelho de ultrassom na minha barriga, durante um exame que fiz na semana passada.

Até agora, foi a melhor definição que ouvi sobre o que está acontecendo desde o atentado contra o Charlie Hebdo, em Paris, que desencadeou uma onda de protestos e mortes pelo mundo afora.

Foram apenas 20 dias de 2015 até agora, mas que dias... Não está fácil para ninguém. Fica até difícil escolher um assunto entre tantos que assolam o Brasil e o mundo. Por onde começar?

Para mim, a cena mais impressionante de um dia para outro, na segunda-feira em que 10 Estados e o Distrito Federal sofreram um apagão de energia, foi a de crianças que protestavam contra o fechamento de um parque infantil no Quênia, e acabaram reprimidas pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo.

foto Mundo pegando fogo e o Brasil secando no escuro

Dá para acreditar? As crianças de uma escola primária em Nairóbi, a capital do país, estavam derrubando um muro construído em volta do parquinho num terreno adquirido por um político local, quando a polícia chegou e não quis saber: mandou fogo.

Em Grozny, capital da Tchetchênia, num dos muitos protestos registrados durante o dia, mais de um milhão de pessoas foram às ruas numa marcha convocada pelas autoridades locais contra as caricaturas de Maomé publicadas no Charlie Hebdo.

Enquanto o mundo está pegando fogo, por aqui o Brasil vai secando no escuro e discute o que é pior: ficar sem água ou sem luz? (ver enquete no R7). Na dúvida, estamos ficando, em meio ao verão mais quente da história, sem estas duas fontes vitais para a sobrevivência humana, o que já não deve surpreender ninguém.

Afinal, vimos as represas secando durante todo o ano de 2014, ficamos olhando para a televisão e o céu, e ninguém fez nada. Agora, chegou a conta da incúria de todos nós, governantes e governados. Este problema, na verdade, nem foi levado a sério por uns e outros, nos embates beligerantes do Fla-Flu em que se transformou a campanha eleitoral.

Pouco importa agora discutir o que é responsabilidade estadual ou federal, se a culpa é da falta de planejamento e investimento ou do senhor das chuvas, o fato é que continuamos na farra, gastando à vontade, como se a luz e a água nunca fossem acabar, e a conta chegou. Estava na cara.

Agora, não adianta chorar a chuva que não veio. As represas do sudeste secaram, deixando um cenário esturricado de sertão nordestino. A água evaporou, a luz acabou.

Mais preocupados em garantir a reeleição do que com o destino dos eleitores, tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governador paulista Geraldo Alckmin esconderam a verdade da população _ para não dizer que mentiram, ao afirmar que o abastecimento de água e de energia estavam garantidos _ e foram adiando providências, como o racionamento programado para a diminuição do consumo e assim evitar o colapso dos sistemas que já se anuncia.

Nós fingimos que acreditamos neles e fomos levando, lavando carros e calçadas, tomando belos banhos, deixando todas as luzes e os aparelhos da casa ligados sem precisar, como é do nosso feitio inzoneiro, e agora não adianta ameaçar com multas e sobretaxas. "Eu gasto mesmo porque posso pagar", ainda somos capazes de ouvir da turma do andar de cima celebrizada pelo Elio Gaspari.

Se a concentração de renda aumenta cada vez mais no mundo inteiro, como mostram todas as pesquisas divulgadas às vésperas de mais um Fórum Econômico Mundial, o convescote anual dos ricos em Davos, na Suíça, a socialização dos prejuízos também pode não ser igual para todos, mas só até o dia em que a mãe natureza der um basta e, sem pedir licença nem documentos, promover um apagão geral neste nosso pedacinho de mundo sem juízo.

Sem ter a resposta, pergunto aos caros leitores do Balaio: isso ainda tem jeito? O que vocês nos sugerem?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Bom mesmo é ser rico no Brasil e gastar nos EUA

Se já tinham alguma desconfiança, os ricos brasileiros e seus blogueiros de estimação agora é que vão ter certeza mesmo de que Barack Obama é comunista.

Na contramão das medidas econômicas recessivas que vêm sendo estudadas pelo governo Dilma 2, o presidente dos EUA vai anunciar nesta terça-feira, em seu discurso anual sobre o Estado da União, que enviará projeto ao Congresso com proposta que prevê aumentar os impostos dos mais ricos e dos bancos e, ao mesmo tempo, desonerar a carga tributária da classe média.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, novo "czar" da economia brasileira, poderia aproveitar sua viagem esta semana a Davos, na Suíça, onde representará nosso país no Fórum Econômico Mundial, para perguntar aos seus colegas americanos como é possível fazer um "ajuste fiscal", tirando de quem tem mais e vive da especulação financeira, para beneficiar quem vive apenas do seu trabalho, ao contrário do que o ministro vem planejando por aqui.

O "Plano Robin Hood" de Obama prevê um aumento da arrecadação de US$ 320 bilhões nos próximos dez anos, com a maior taxação de grandes bancos, casais que ganham mais de US$ 500 mil por ano e cobrança de impostos sobre heranças _ algo simplesmente fora de cogitação dos ajustes de Dilma-Levy.

De outro lado, a proposta do governo americano prevê uma desoneração de US$ 175 bilhões dos impostos pagos pela classe média no mesmo período, segundo notícia publicada nesta segunda-feira no New York Times, venerável publicação que, perto dos jornalões brasileiros, deve parecer um perigoso porta voz do socialismo, a ameaçar a liberdade de expressão em todo o mundo.

O principal jornal americano já prevê que Obama "vai enfrentar forte resistência num Congresso agora controlado pelo Partido Republicano", o equivalente, mal comparando, ao nosso PSDB.

O mais curioso e triste para nós é que Obama, que perdeu as últimas eleições parlamentares nos Estados Unidos, mostra coragem para enfrentar a oposição republicana, mesmo estando em minoria, enquanto Dilma Rousseff, que acabou de vencer as eleições gerais no Brasil, com ampla maioria no Congresso Nacional, faz exatamente o contrário, para agradar ao mercado.

Até agora, mesmo com a presidente se mantendo em ensurdecedor silêncio desde que tomou posse no segundo mandato, há 19 dias, seus ministros e assessores só vêm anunciando medidas que oneram a classe média, como o aumento dos impostos de profissionais liberais e prestadores de serviço que formaram pequenas empresas na forma de pessoas jurídicas, mais conhecidos por "PJ", além de restringir o acesso a benefícios sociais e liberar o aumento de tarifas.

Chega agora a cheirar a ironia a ameaça feita por tucanos emplumados, às vésperas da eleição de outubro, de que deixariam o Brasil se Dilma se reelegesse. Para quê?

Bom mesmo é ficar rico no Brasil, ir às compras e investir em imóveis nos Estados Unidos, sem nenhuma ameaça de taxação das suas fortunas. Tem lugar melhor no mundo para ser banqueiro ou herdeiro que vive de rendas? Quando começa a faltar água e luz, é só pegar um avião, de preferência um jatinho particular, e ir para suas casas em Punta ou Miami. Seu rico dinheirinho estará garantido pelo nosso fisco camarada, e não tem nenhum Obama que o ameace.

E vamos que vamos.

Em tempo (atualizado às 11h30) _ Acabo de ler na manchete do UOL: "Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% no mundo até 2016, diz ONG".

Estudo da organização britânica Oxfam informa que a "explosão da desigualdade" está dificultando a luta contra a pobreza global. "Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado", advertiu a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyma.

A presidente Dilma e o ministro Levy bem que poderiam ler este estudo antes de apresentar as propostas brasileiras em Davos.

Barack Obama já está fazendo sua parte para evitar que este abismo entre ricos e pobres cresça ainda mais.

E nós?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para onde ir?

Já tem muita gente pensando nisso, depois de mais uma semana de cão em São Paulo, sem água e sem luz por boa parte do tempo, enchentes diárias e reservatórios secos, trânsito caótico, árvores e postes caídos, obras e consertos intermináveis, mau humor generalizado, as pessoas se tratando mal. E a cidade ainda está meio vazia, com muita gente de férias.

Quem vive aqui sabe bem do que estou falando. Como será quando todo mundo voltar e o inverno chegar? Nem quero pensar nisso, mas ao subir mais uma vez a escadaria do prédio no escuro (a bateria da luz de emergência só dura duas horas), voltei a pensar num sonho antigo e recorrente.

Quando me perguntam qual é o sonho, quais são meus planos nestes anos que me restam de vida, sempre respondo na lata: é ir morar em João Pessoa, a pacata e bela capital da Paraíba. Nem sei explicar quais são os motivos, já que não tenho lá amigos nem parentes, nada em especial que me faça escolher este canto do mundo para viver.

lll Todo mundo tem um sonho. O meu é João Pessoa

Foto: Prefeitura Municipal de João Pessoa

Nas minhas andanças pelo país como repórter, que já me levaram a todos os Estados brasileiros, capitais e interiores, sem exceção _ até a Fernando de Noronha já fui, ficava pensando  onde gostaria de ficar de vez quando me aposentasse.

Minhas escolhas mudaram várias vezes ao longo deste último meio século, porque esta nossa terra tem muitas cidades bonitas e acolhedoras. Já conheci também lugares incríveis em boa parte do mundo, mas viver fora do Brasil, nem pensar.

De uns tempos para cá, fixei-me em João Pessoa, onde já tinha ido muitas vezes, sempre a trabalho. Em 2013, finalmente, consegui passar lá dez dias de férias _ e me encantei, definitivamente.

Não descobri lá nenhuma praia do outro mundo, um restaurante espetacular, alguma atração turística imperdível. Acho que o que mais me atraiu foi exatamente isso: a simplicidade do lugar e das pessoas.

É difícil explicar. Parece que é todo mundo igual, não tem gente que quer se mostrar mais importante do que o outro, ninguém quer te enganar e os nativos parecem sempre disponíveis para uma conversa, sorriem de graça. A vida flui mansamente, sem atropelos, cada coisa no seu lugar e no seu tempo certo.

Outro dia, no final de um almoço com amigos da minha idade, o papo era sobre sonhos, planos, projetos de vida. Claro que falei de João Pessoa. Falei até que, ao final do meu contrato, iria pedir à Record minha transferência para a emissora da Paraíba.

Pois não é que um diretor da empresa levou minha conversa a sério? Quando o reencontrei, semanas depois, no mesmo lugar, ele me chamou de lado, e confidenciou: "Já estou encaminhando aquele teu pedido". Nem me lembrava qual era, mas ele não esqueceu.

Tenho agora um pequeno problema: convencer minha mulher, as filhas, os genros e os netos a irem junto comigo... Já estou aposentado faz mais de dez anos, continuo com dois empregos, o tempo voa cada vez mais rápido, sei que tenho menos tempo pela frente do que para trás. Será que um dia vou conseguir?

Acho que minha única chance é chegar o dia em que todos seremos, simplesmente, obrigados a ir embora daqui. Eu, pelo menos, já sei para onde ir.

E você, caro leitor do Balaio?

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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geraldo O racionamento já existe, descobre Alckmin agora

Não nos diga, caro governador Geraldo Alckmin... Quer dizer que tudo o que o senhor falou antes sobre a gravíssima crise da água em São Paulo, que não é de hoje, era só para enganar os eleitores? Que o digam os flagelados da Vila Madalena, o bairro mais boêmio de São Paulo, com seus bares e restaurantes sempre lotados, que nos últimos dias chegaram a ficar até 16 horas por dia sem água e agora são obrigados a fechar mais cedo.

Já reeleito, surfando na desinformação, vejam o que Alckmin disse, com todas as letras, no dia 24 de outubro, dois dias antes do segundo turno, quando fazia campanha para o tucano Aécio Neves, que ainda estava no páreo das eleições presidenciais de 2014:

"O abastecimento de água está garantido na região metropolitana de São Paulo. Não tem racionamento e não tem desabastecimento".

Pois ficamos sabendo agora, nas palavras do próprio governador, que o abastecimento não só não estava garantido, como já vivíamos o racionamento de água desde março, só que a culpa não era dele.

"O racionamento já existe. Quando a ANA determina, quando ela diz que você tem que reduzir de 33 para 17 metros cúbicos por segundo a retirada de água do Cantareira, é óbvio que você já está em restrição".

ANA é a sigla da Agência Nacional de Águas, órgão regulador do governo federal. Por ironia das ironias, foi lá que Alckmin recrutou o novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, que preparou a população para o pior: além do racionamento em determinados horários, como já existe, poderemos também ter em breve o rodízio no fornecimento de água aos bairros.

Quer dizer, depois da comporta arrombada, Alckmin foi pedir ajuda financeira ao governo federal e de lá trouxe o homem que agora é responsável por evitar o colapso, pois o Sistema Cantareira, segundo ele, pode secar de vez até março, com o atual nível das chuvas, abaixo da média dos anos anteriores.

"Sim, podemos chegar a ter um rodízio. Torcemos para que não, mas pode chegar", alertou Kelman, em longa entrevista à imprensa na quarta-feira. Foi a primeira vez em que uma autoridade do governo estadual procurou falar a verdade à população. E até Alckmin foi obrigado a admitir o que até ontem procurava esconder.

Além de torcer pela chuva, finalmente a Sabesp parece realmente mais preocupada em tomar providências concretas para minimizar as agruras da população de São Paulo do que com os dividendos dos seus acionistas. Chegamos a este ponto, depois de anos de descaso e falta de planejamento dos sucessivos governos tucanos.

De nada adianta agora querer atribuir à ANA a "restrição da pressão hídrica", o outro nome do racionamento em tucanês, medida determinada no começo do ano passado, quando a crise já se agravava e a água começava a faltar nas torneiras dos paulistanos.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma galeria livros tl Por onde andará Dilma? Tomou posse e sumiu

Nesta quarta-feira, 14 de janeiro, faz duas semanas que a presidente Dilma Rousseff tomou posse solene no seu segundo mandato e, em seguida, sumiu do mapa. Posso estar enganado, mas até hoje não se viu sua presença em nenhuma solenidade oficial ou evento público. Não há registro de imagens nem de qualquer manifestação da presidente, além de notas oficiais.

Por onde andará Dilma, o que estará pensando do que vem acontecendo no Brasil e no mundo? Por que não foi à grande manifestação contra os atentados que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, domingo, em Paris, com a presença de mais de 40 chefes de Estado e de governo? É no mínimo estranho este silêncio, difícil entender esta ausência. Se tudo estivesse em paz neste começo de ano, tudo bem. O problema é que não está, nem aqui, nem lá fora.

Uma consulta à agenda presidencial divulgada nas redes oficiais do governo dá conta apenas de umas poucas audiências a ministros, nos palácios da Alvorada e do Planalto. Ao voltar da Bahia, na quarta-feira passada, o primeiro ministro que Dilma recebeu foi Jaques Wagner, da Defesa, às 9h30 e às 17h30. No mesmo dia, a presidente recebeu também o secretário-geral, Miguel Rossetto, e o presidente do PT, Rui Falcão.

Nesta segunda-feira, foi a vez de Gilberto Kassab, das Cidades, e Joaquim Levy, da Fazenda. Levy seria recebido novamente no dia seguinte, além de Nelson Barbosa, do Planejamento, e Valdir Simão, da CGU. Para hoje, a agenda previa encontros apenas com Arthur Chioro, da Saúde, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Como se pode ver, até agora, com a exceção de Kassab, só o PT esteve com Dilma, ninguém do PMDB.

Davos ou La Paz? A polêmica sobre para aonde iria a presidente na próxima semana, em sua primeira viagem internacional, só acabou ontem, com o anúncio oficial de que ela irá à posse de Evo Morales, que assume o terceiro mandato presidencial na Bolívia, e enviará para o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é quem vem anunciando as primeiras medidas do novo governo.

Nunca tinha visto um governo começar assim. A presidente sumiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em política, não existe vazio, já ensinavam os sábios mais antigos. Assim, nestas duas primeiras semanas de 2015, junto com as chuvas de verão, um calor dos infernos e as excelências maiores descansando em berço esplêndido, quem tomou conta da cena foi uma figura do segundo time, a ex-prefeita, ex-ministra e quase ex-petista Marta Suplicy. É a nova estrela da estação.

Só se fala dela nas rodas do poder que não saíram de férias, o que dá bem uma ideia da pobreza de ideias e da orfandade de lideranças no cenário político-midiático-partidário nacional. O que quer Marta, afinal, ao atirar para todo lado, depois de ser defenestrada do Ministério da Cultura?

Muito simples: sem espaço no PT, a ex-prefeita de São Paulo quer ser expulsa do partido para se abrigar em outra legenda e poder disputar novamente o cargo. O seu objetivo inicial era o PMDB, mas o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição, foi mais rápido e fechou uma aliança com a ala de Michel Temer, entregando o cargo de secretário da Educação para Gabriel Chalita, que deve ser seu companheiro de chapa.

safe image Marta aproveita vazio da política e dá seu showzinho

Sem aliados de peso na sua empreitada de francoatiradora, além do marido Márcio Botelho, que pode entender de negócios, mas não de política, Marta resolveu ir à guerra montando seu showzinho particular, em que se limita a detonar o PT e seus principais líderes, de Dilma a Lula, passando por Mercadante e Rui Falcão, ao jogar um contra o outro, sem apresentar qualquer nova proposta política para a cidade ou para o país. Magoada e irada, Marta apenas quer porque quer voltar a ser prefeita e se vingar do seu antigo partido.

Restam-lhe opções menores, como o Solidariedade, do sempre oferecido Paulinho da Força, mas, no momento, ela está sozinha na estrada, aproveitando-se da entressafra do noticiário político para ocupar espaço, enquanto fevereiro não vem.

A direção do PT está numa sinuca de bico. Com Dilma e Lula guardando obsequioso silêncio desde o início do novo governo, o partido não pode responder aos ataques na mesma moeda, pois faria o jogo de Marta. Ao mesmo tempo, também não pode fingir que não está acontecendo nada.

Com o coração na mão, o mundo político só está à espera das bombas-relógio da Operação Lava Jato, que devem começar a explodir junto com a reabertura do Congresso Nacional. Aí ninguém mais vai falar de Marta, mas ela já terá feito seu estrago na desgastada imagem do partido que enfrenta hoje sua maior crise, após 12 anos de hegemonia no poder central.

 

 

 

 

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