Aécio se contenta com o papel de ombudsman

O tucano Aécio Neves sairá desta campanha presidencial levando para casa uma importante lição: se denúncia elegesse alguém, a mídia estaria no poder, nem precisaria de intermediários.

Sem um discurso claro, sem bandeiras nem propostas, o ex-governador mineiro se contentou em ser, ao longo de toda a campanha eleitoral, apenas um ombudsman, um crítico ácido do governo de Dilma Rousseff.

A apenas 10 dias da eleição, Aécio está saindo dela do jeito que entrou, sem empolgar ninguém, limitado à ponte aérea Rio-Minas, com raras incursões em outras regiões do país. Em 1982, na primeira eleição direta para governadores após o golpe cívico-militar, meus colegas se queixavam da cobertura aborrecida da campanha de Franco Montoro, que acabou eleito: "Ele fala todo dia a mesma coisa. Não dá lead..."

"Lead" é a forma como os jornalistas chamam a abertura da matéria, que vai despertar nos eleitores, ou não, o interesse em ler o resto. Nesta campanha, Aécio repete Montoro e raramente consegue ocupar as manchetes, apesar do caudaloso conjunto de releases eletrônicos que seus assessores mandam todos os dias para os jornalistas, sob a curiosa rubrica "Aécio Minas 2014".

Em nenhum momento, o tucano se colocou como candidato realmente competitivo, nem antes nem depois da tragédia com Eduardo Campos, com quem disputava uma vaga no segundo turno, e que acabou sendo um divisor de águas na campanha, alçando à disputa direta com Dilma a ex-senadora Marina Silva, do PSB.

A impressão que se tem é que Aécio acorda cedo para ter mais tempo de ler todos os jornais e ali buscar inspiração para seus discursos e entrevistas do dia. Em lugar de agenda própria, parece seguir uma pauta pré-determinada pelo noticiário da mídia aliada.

Para atacar a presidente, vale qualquer assunto, da subida ou da queda do dólar e das bolsas, das últimas denúncias contra o governo federal ao pronunciamento da presidente na ONU. Se não houver novidade, é só voltar ao tema Petrobras, um inesgotável paiol de munição para os candidatos oposicionistas de qualquer calibre.

O jogo está jogado e agora falta pouco tempo para a abertura das urnas. diretora-executiva do Ibope Inteligência, a analista Márcia Cavallari já deu o quadro por consolidado no primeiro turno, com Dilma e Marina indo para o segundo, em disputa que promete ser acirrada. Para ela, teremos um segundo turno bastante apertado. "O cenário está totalmente aberto para a vitória de qualquer uma das duas".

O nome de Aécio nem entrou em consideração, mas ela deixou uma porta aberta, ao admitir que "qualquer novo episódio na campanha presidencial pode ter um efeito rápido nas intenções de voto". É nisso que Aécio joga suas últimas fichas., enquanto não saem as revistas de final de semana.

De fato, as únicas esperanças do tucano para virar o jogo concentram-se agora em possíveis novos vazamentos de delações premiadas do doleiro e do ex-diretor da Petrobras presos no Paraná _ e só lhe resta rezar para que aconteçam logo.

É muito pouco, convenhamos, para quem se dispôs a disputar o mais alto cargo da República pelo maior partido da oposição.

Para piorar a situação, o tucano vai mal das pernas também em Minas, embora tenha terminado seu segundo mandato de governador com altos índices de aprovação, e de onde esperava sair com uma grande vantagem para compensar sua votação nanica em outras regiões, especialmente no Nordeste.

Tanto na eleição presidencial como na estadual, Aécio corre agora o risco de sofrer uma surra histórica em sua própria terra. Sem projeto político federal, embora seja o presidente do PSDB, é para Minas que precisará voltar para juntar os cacos, embora prefira morar no Rio. Resta-lhe reocupar sua cadeira no Senado e voltar para a coluna da página 2 da Folha, onde escrevia antes de sair candidato. É muito pouco para quem sonhou tão alto por tanto tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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congresso 700 Reforma política já é apoiada por 7,7 milhões

 

Em tempo, às 14h55:

chegando da fisioterapia, fiquei sabendo que meu nome consta da lista dos 100 mais admirados jornalistas do país, entre os 55 mil profissionais em atividade,  segundo pesquisa inédita produzida por Maxpress e Jornalistas&Cia., ouvindo executivos de Comunicação Corporativa de todo o Brasil.

Fiquei num honroso 11º lugar, colocado entre dois mestres do jornalismo: José Hamilton Ribeiro e Jânio de Freitas.

Para quem está fora do mainstream das grandes redações desde 2002, quando saí da Folha para trabalhar na campanha do Lula, chega até a ser uma agradável surpresa. Não esperava tanto.

Heródoto Barbeiro e Fátima Turci, meus colegas da Record News, também estão na lista.

Meus parabéns a Ricardo Boechat e Miriam Leitão, que chegaram em primeiro lugar num empate técnico.

Para ver a lista completa:

http://emkt.jornalistasecia.com.br

É a segunda premiação que recebo esta semana. Desse jeito, vou acabar ficando mascarado...

Só tenho que, mais uma vez, agradecer a todos vocês.

Ricardo Kotscho

***

Recebi na manhã desta quinta-feira do meu amigo Thomas Ferreira Jensen, valoroso combatente dos movimentos sociais, uma excelente notícia, que você não vai encontrar nos jornalões: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político já conseguiu o apoio de exatos 7.754.436 de eleitores.

Apesar de ignorada pelos grandes meios de comunicação, a iniciativa organizada por 477 entidades dos movimentos sociais e sindicais, ultrapassou as expectativas  de participação popular nas urnas fixas espalhadas por todo o país e por meio da internet. O documento final com as assinaturas será entregue para a Presidência da República, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal nos próximos dias 14 e 15 de outubro, após um ato unificado em Brasília promovido pelas organizações que compuseram o plebiscito.

Ao fazer um balanço da campanha na sede do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, na tarde de quarta-feira, o presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas, mostrou a importância destes números num cenário em que a parcela conservadora da sociedade brasileira vende como negativa a ideia da participação de movimentos sociais e partidos na definição das regras do sistema político vigente no país.

"O plebiscito popular teve o caráter educativo de mostrar que há pessoas querendo modificações na política. Esse é o momento para as organizações que ainda não participam se engajem nesta luta", explicou o dirigente.

O presidente da CUT lembrou que, ao contrário do que acontece em outros países democráticos, uma consulta popular oficial tem que ser submetida ao Congresso. "Por isso, a única forma de fazer a proposta andar é pressionar por dentro e fora do Congresso e, principalmente, nas ruas, como forma de ganhar a consciência popular".

A iniciativa é encabeçada pelos deputados federais Renato Simões (PT-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP), e foi apoiada pelas candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva. Os temas do plebiscito incluem questões relacionadas ao sistema político, como o financiamento público de campanhas, a sub-representação de mulheres, indígenas e negros no parlamento e a importância do fortalecimento das consultas populares que permitam à população participar das decisões políticas de forma efetiva.

Eu acrescentaria o fim da reeleição para todos os mandatos executivos ou legislativos, em todos os níveis, a inclusão da cláusula de barreira (número mínimo de votos nos Estados e no conjunto do país) para evitar a proliferação dos partidos de aluguel, o fim das coligações nas eleições legislativas para permitir que os governantes tenham maioria nos parlamentos e não sejam obrigados a barganhar apoios por cargos e verbas.

E o caro leitor do Balaio? Que temas propõe para serem incluídos no plebiscito da reforma política? Já procurou se informar se os candidatos que você apoia para o parlamento se comprometem a lutar por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

O maior problema, meus caros, é que a reforma política depende dos políticos _ e, se eles não forem pressionados e cobrados, jamais o farão, pela simples e boa razão de que, para eles, do jeito que está, se melhorar, estraga.

 

 

 

 

 

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Post Kotscho 24 09 Pesquisas mostram Dilma abrindo a boca do jacaré

As curvas de todas as últimas pesquisas, desde a semana passada, incluindo o Ibope e o Vox Populi divulgados nesta terça-feira, mostram uma tendência clara: a "boca do jacaré" está se abrindo cada vez mais a favor da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, que vai aumentando a sua vantagem sobre Marina Silva

"Boca do jacaré" é uma figura de imagem utilizada pelos analistas e profissionais de pesquisa para definir o momento em que uma candidatura se descola da outra, uma curva apontando para cima e outra para baixo, saindo do empate técnico.

Na pesquisa Vox Populi, que foi para o ar no Jornal da Record, a diferença de Dilma para Marina é a maior: chegou a 18 pontos (40 a 22%), o que abre a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, pois Aécio Neves está com 17%. Por esta pesquisa, a presidente já teria um ponto a mais do que a soma dos outros dois.

A grande surpresa do levantamento ficou por conta das simulações para o segundo turno, em que Dilma, pela primeira vez, também aparece com uma larga vantagem: 46% das intenções de voto contra 39% da candidata do PSB.

Os índices do Ibope, levados ao ar pela TV Globo,  confirmam essa tendência, mas com diferenças menores. Em relação à pesquisa da semana anterior, Dilma subiu de 36 para 38%, abrindo 9 pontos, enquanto Marina caia de 30 para 29%, e Aécio se mantinha firme no lugar com os mesmos 19%. No segundo turno, em que Marina já chegou a abrir 10 pontos de vantagem nas diversas simulações, as duas aparecem agora numericamente empatadas, pela primeira vez: 41 a 41.

À medida que vai arrefecendo a onda provocada por Marina Silva na campanha eleitoral, que cheguei a chamar de furacão, após a tragédia aérea de Eduardo Campos, o fenômeno me faz lembrar da trajetória do candidato Celso Russomanno, do pequeno PRB, na campanha municipal de São Paulo, em 2012.

Assim como Marina, ele surgiu como uma "terceira via" contra a polarização entre PT e PSDB, também sem ter uma aliança forte, nem ser apoiado por lideranças políticas importantes. Comunicador e defensor do consumidor, aparecia como uma espécie de "nova política" municipal.  Em certo momento, antes do horário eleitoral, Russomanno disparou nas pesquisas, à frente do tucano José Serra e do petista Fernando Haddad, e alguns analistas chegaram a prever a possibilidade de uma vitória dele já no primeiro turno.

Assim como o foguete subiu, porém, em pouco tempo voltou a terra, ficando fora do segundo turno, vencido por Haddad. O que derrubou a zebra eleitoral foi a divulgação das suas propostas de governo, assim como está acontecendo com Marina agora, entre elas, a de implantar tarifas de ônibus cujo valor variava conforme a distância percorrida. Ou seja, o povo pobre da periferia distante pagaria mais do que os moradores da região central _ uma ideia de jerico sugerida por algum assessor lunático (não confundir com "sonhático"), como ele próprio reconheceu numa conversa que tivemos depois da eleição.

Claro que cada eleição é uma história diferente, e nada tem a ver uma com a outra, mas são muitas as coincidências entre as duas campanhas. O que há de bem diferente é que, na eleição presidencial, o PSDB, pela primeira vez nos últimos 20 anos, pode ficar de fora do segundo turno, se é que vai haver. Parece que Aécio não tem jeito mesmo, apesar de todo o empenho do empresariado paulista, da mídia amiga e de Fernando Henrique Cardoso, como apontei no post anterior.

Vamos agora ver o que nos reserva a nova pesquisa Datafolha, que deve ser divulgada nesta quinta-feira e poderá confirmar, ou não, esta fome do jacaré na reta final da campanha.

Valeu, Brasileiros

Por um imperdoável lapso deste que vos escreve, provocado pela emoção e o desejo de falar pouco, já que não gosto de discurso, me esqueci de agradecer ao amigo e editor Hélio Campos Mello, e a toda sua equipe da brava revista Brasileiros, a generosa ajuda que me permitiu ganhar, mais uma vez, o Prêmio Comunique-se, na categoria mídia impressa, que recebi na noite desta terça-feira.

Se fosse agradecer a todo mundo _ família, colegas, leitores, telespectadores e internautas _ que me permitiram chegar àquele palco do HSBC rodeado pelos melhores jornalistas do país, no ano em que completei 50 anos de profissão, passaria o resto da noite falando e, certamente, me esqueceria de alguém. Tinha que dedicar esse prêmio à equipe da Brasileiros, que neste ano comemorou oito anos nas bancas. Faço-o aqui, com a alma lavada e a felicidade do dever cumprido. 

Valeu, obrigado a todos.

Vida que segue.

 

 

 

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fhc Empresariado, mídia e FHC: tudo a ver

Para quem gosta, foi uma festa. A trinca formada pelo empresariado paulista, a mídia e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está mais afinada do que nunca. Só falta combinar com os eleitores, que pensam exatamente o contrário.

Nesta segunda-feira, em mais um convescote tucano patrocinado pelo promoter empresarial João Dória Júnior, 602 empresários e executivos "de grande porte", segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", antigo porta-voz do grupo, reuniram-se num almoço em torno de FHC na tentativa de criar uma "onda de razão" capaz de desencalhar a candidatura de Aécio Neves e leva-lo para o segundo turno.

O ex-presidente gastou seu latim e, depois de desancar o PT, como de costume, na sua autonomeada função de ombudsman da corrupção, deu conselhos ao seu candidato sobre como combater o inimigo: "Não sou marqueteiro, mas a dramatização é um modo de comunicação importante. A Marina respondeu à Dilma de forma dramática quando disseram que ela acabaria com o Bolsa Família. Por que o Aécio não pode fazer isso?".

Aplaudido de pé três vezes durante o discurso e por mais de cinco minutos em cada uma delas, de acordo com a reportagem de Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes, FHC citou até Roberto Jefferson, para concluir: "Não haveria o mensalão se não fosse o Roberto Jefferson. Em certos momentos, é preciso dramatizar para que a população sinta o que está acontecendo. O que está acontecendo na Petrobras é passível de uma indignação direta, porque exemplifica o que está acontecendo em muitos outros lugares".

Sempre em busca de um delator e novas denúncias para mudar o cenário eleitoral desfavorável, o guru e eterno formulador dos tucanos não foi capaz de apresentar nenhuma proposta para melhorar o país _ pelo menos, não li nada a respeito no registro feito pela caudalosa e imperdível matéria publicada na página A6 do Estadão, sob o título "Ao lado de tucanos, empresariado faz aposta em Marina".

Pois é, apesar do esforço de FHC, o empresariado amigo já mudou de lado, segundo a pesquisa em tempo real feita entre os comensais pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Lide, a sigla do "Grupo de Líderes Empresariais" comandado pelo promoter.

Como diria o Galvão Bueno, o jogo já esteve melhor para Aécio. Neste quinto almoço (olha o regime!) promovido por Dória Júnior só este ano, ao contrário do que aconteceu nos anteriores, antes da morte de Eduardo Campos e da disparada da ex-senadora, os empresários desta vez jogaram suas fichas na vitória de Marina Silva, em clara demonstração de que votaram mais baseados no desejo do que em fatos ao responder à pergunta sobre quem vai ganhar as eleições de 5 de outubro.

Marina Silva, que está derretendo nas últimas pesquisas, ganhou disparado de Aécio: para 53% dos donos da grana, ela vai derrotar o tucano, indicado vencedor por 35%. Apenas 12% apostaram na vitória de Dilma, que vem ampliando sua vantagem em todos os levantamentos.

Em março, Aécio era apontado vencedor por 56%; foi a 60%, em maio, disparou para 80%, em julho, e registrou 64 %, em agosto. Eduardo Campos tinha só 8% em julho e Marina foi a 19% em agosto, após a tragédia aérea. No palanque armado pelo Lide para FHC e Armínio Fraga, "o futuro ministro da Fazenda" de Aécio, ninguém parecia muito preocupado com o destino do ex-governador mineiro e presidente do PSDB.

Se não der para ser com Aécio, a trinca mostrou que não tem nenhum problema em adotar Marina. O importante, para eles, é só derrotar o PT. O resto que se dane.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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FOTO 4 Votem em mim e depois a gente vê o que faz

O título acima poderia servir bem não só aos três presidenciáveis, mas a qualquer candidato a qualquer cargo ou mandato, em qualquer região do país. É o popular "a solução sou eu".

Para fazer o que nossos candidatos já prometeram, se somar tudo, o orçamento nacional teria que ser maior do que o dos Estados Unidos e a população brasileira menor do que a do Uruguai.

Até pensei em dar uma folga aos leitores neste primeiro domingo de primavera, a exatamente duas semanas das eleições gerais, mas mudei de ideia depois de ler a coluna do Cony, na Folha, sob o  apropriado título "Saco de gatos", que exprime o que também sinto nesta reta final da campanha.

Dono de fina autoironia, capaz de rir dele mesmo e não se levar tão a sério como os seus concorrentes, o imortal Carlos Heitor Cony foi direto ao ponto.

"Para falar a verdade: estou ficando cheio das declarações dos principais candidatos à presidência da República. São mais ou menos óbvias, e todos constituem um Frankenstein de promessas, pedaços otimistas mas na maior parte inviáveis, eleitoreiras e até mesmo contraditórias".

Em comum, Dilma, Marina e Aécio assumem "compromissos" variados, que aumentam as despesas e diminuem as receitas, num país que já administra uma dívida enorme e as contas nunca fecham.

Repórteres que acompanham os candidatos até já deixaram de perguntar a eles "de onde virá o dinheiro?", cada vez que enfieiram uma lista de benesses por onde passam, como se fossem animadores de auditório, no melhor estilo Silvio Santos ou Chacrinha.

"Vocês querem mais saúde, mais escolas, mais bolsas, mais salários, mais carros e mais mobilidade urbana (a expressão da moda nesta campanha), mais segurança, menos serviço e mais refresco, aposentadorias alemãs, casa, comida e roupa lavada, tudo sem aumentar os impostos?  É fácil: votem em mim no dia 5 de outubro".

As promessas variam de acordo com a plateia, mas são sempre as mesmas nos horários da propaganda eleitoral "gratuita" no rádio e na televisão. Fica até difícil saber de que partido são e que diferença faz votar num ou noutro candidato. Se marqueteiro decidisse eleição, terminariam todas empatadas.

Fiquem tranquilos: qualquer que seja o candidato vencedor, vamos ter mais de tudo e do melhor, a partir de 1º de janeiro de 2015. A vida dos brasileiros será uma beleza, um passeio no bosque.

A presidente Dilma Rousseff, prestes a completar 12 anos de poder como ministra e depois presidente nos governos petistas, agora até já admite que nem tudo está uma maravilha e ainda há muito a fazer para melhorar a vida e diminuir as desigualdades no país, mas isso só vai acontecer se ela for reeleita.

Única a apresentar um programa de governo até agora, Marina Silva se vê obrigada a ir modificando seus planos de acordo com a freguesia por onde passa. Como já constatou o filósofo político José Simão, a candidata é ambientalista porque fala de acordo com o ambiente em que está no momento, e defende as mudanças da "nova política" porque está sempre mudando de ideia.

Em busca de uma boia de salvação, Aécio Neves virou um verdadeiro candidato atleta, sempre tentando pegar uma boa onda para surfar e sair chutando para qualquer lado as bolas levantadas pela imprensa e por plateias ensaiadas, nem que seja para prometer aos aposentados o fim do fator previdenciário criado por seu mestre e mentor Fernando Henrique Cardoso.

Seria tudo até muito engraçado, se não estivessem em jogo os destinos do país nos próximos quatro anos.

 

 

 

 

 

 

 

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No final de agosto, Marina Silva pulou de 21 para 34% e empatou com Dilma Rousseff. Parecia mesmo um furacão virando de pernas para o ar a campanha presidencial. De lá para cá, porém, como confirma a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, criou-se uma tendência e não apenas mais uma oscilação dentro da margem de erro: é Marina não parando de cair e Dilma subindo a cada semana, tanto no primeiro como no segundo turno.

A presidente candidata à reeleição abriu uma vantagem de sete pontos no primeiro (37 a 30%) e diminuiu para apenas dois a vantagem de Marina no segundo turno (46 a 44%), que chegou a dez pontos (50 a 40% em agosto), mostrando agora uma situação de empate técnico.

Dilma passou a liderar em todas as regiões do país, crescendo em todos os segmentos, a duas semanas do encerramento oficial da campanha. Ao mesmo tempo, a rejeição a Dilma, que chegou a 35, agora se estabilizou em 33%, enquanto a de Marina dobrou de 11 para 22%.

Nenhuma notícia foi boa para Marina desta vez: a vantagem dela sobre o tucano Aécio Neves, que chegou a ser de 19 pontos (34 a 15%), agora caiu para 13 (30 a 17%). A candidata do PSB caiu 4 pontos no sudeste, 4 entre as mulheres, 4 entre os católicos, 5 nas cidades médias e 6 na faixa de eleitores entre 25 e 34 anos, segundo o Datafolha.

O que aconteceu para justificar esta queda? Além do bombardeio de Dilma e Aécio contra a sua candidatura, percebe-se agora que Marina foi mais um fenômeno midiático do que político, que já não se sustenta. E a velha mídia com seus poderosos porta-vozes, que têm mais colunas do que a Grécia Antiga, voltou a acreditar que Aécio é ainda seu melhor candidato para tirar o PT do Palácio do Planalto, embora pelos números atuais só um milagre ou uma nova onda possa leva-lo ao segundo turno.

Escrevo tudo isso por dever de ofício, mas confesso aos leitores que ler tanta pesquisa é demais para a minha cabeça. Chego a me perguntar: para que serve esta banalização das pesquisas, uma atrás da outra, sem parar? Será que os institutos não acreditam nos seus próprios números e sempre resolvem fazer mais uma para ver se os resultados mudam? Será que o eleitor está mesmo interessado nestes levantamentos frenéticos ou eles só servem para orientar os financiadores de campanhas e os especuladores da Bolsa de Valores?

A esta altura, como podem notar, tenho mais perguntas a fazer do que respostas a dar. Conto com a ajuda dos comentaristas do Balaio para tirar estas minhas dúvidas.

Bom final de semana a todos e até a próxima pesquisa.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2012 12 05 familia assistindo tv Quem aguenta ainda ver o horário eleitoral?

Como fiz nos primeiros dias, voltei nesta quinta-feira à sessão de verdadeira tortura mental que é assistir aos programas dos candidatos na televisão. Amanhã, dia 19, completa um mês que está no ar a versão 2014 desta jabuticaba da democracia brasileira, que nos persegue faz anos, sem que ninguém pense em tomar uma providência para mudar este formato.

São dois blocos diários de 50 minutos, às 13 e às 20h30, de segunda a sábado, num total de 200 minutos por dia e mais de 20 horas por semana, somando a enxurrada de comerciais avulsos dos partidos distribuídos pelos intervalos, em que milhares de candidatos de todo o país pedem o nosso voto.

Provei no post anterior, com números, que foi uma enorme perda de tempo e de dinheiro, já que os três presidenciáveis competitivos continuam exatamente no mesmo lugar e mantendo praticamente os mesmos índices no Ibope daqueles que tinham antes de ir ao ar a propaganda política chamada de gratuita, mas que nos custa uma fortuna. Já na semana de estreia, as emissoras abertas somadas tinham perdido 20% do público e 10 pontos (cada ponto corresponde a 60 mil domicílios em São Paulo).

Otimista inveterado, pensei que algo pudesse ter mudado, de preferência para melhor, nas últimas quatro semanas, mas continua tudo igual, como se nada tivesse acontecido neste meio tempo. É aquele negócio: não vale a pena ver porque você já sabe o que vai ver. E é tudo muito chato.

A única surpresa, para mim, veio logo no começo do bloco da hora do almoço, com o discurso de Marina Silva, do PSB, no melhor estilo de Lula, lembrando, do alto de um palanque, dos tempos em que sua família passava fome num seringal do Acre, para prometer que jamais acabará com o programa Bolsa Família.

Voz embargada, Marina parou a fala, fez força para não chorar, e terminou sob aplausos, dizendo: "Não é um discurso, é uma vida". Nada de "nova política" ou propostas da "terceira via": como acontece desde a redemocratização do país e da primeira eleição para presidente da República, em 1989, apelar para a emoção é uma das receitas mais antigas da propaganda política. Com cinco vezes menos tempo de TV do que Dilma e a metade de Aécio, a candidata do PSB só pode mesmo fazer breves aparições.

Dilma e Aécio, cada um a seu modo, repetiram o mesmo formato dos programas anteriores, inspirado na fórmula consagrada por Duda Mendonça, e imitada por seus seguidores, na base do "fez, faz e fará", misturando números e siglas em computação eletrônica com testemunhais de eleitores beneficiados por seus governos.

O candidato tucano voltou a propor o "vamos conversar" aos pacientes telespectadores que ainda tinham seus aparelhos ligados, desta vez se dirigindo a mães e filhos. Prometeu levar para todo o Brasil seu programa "Mães de Minas", que, segundo Aécio, reduziu em 32% a mortalidade infantil no Estado que governou por dois mandatos. Números, números, números, gráficos, depoimentos, o de sempre.

Só no final, o ex-governador dirigiu farpas à sua concorrente Marina Silva, sem lhe citar o nome, para lembrar que a política às vezes é dura e cruel, e um presidente precisa saber comandar e não ser comandado. Não poderiam faltar, é claro, referências ao último Ibope, que mostrou um crescimento de quatro pontos do candidato, e apoios ao seu nome dados por artistas e celebridades em geral, mostrando que ele é o único capaz de tirar o PT do governo.

Previsível e imutável, o programa de Dilma alternou falas da candidata num jardim com imagens das maravilhas brasileiras, onde tudo funciona que é uma beleza, e siglas de programas do governo que, segundo ela, melhoraram a vida dos micro e pequenos empresários, "os empreendedores que fazem a força do Brasil".

Os 12 minutos deste latifúndio de tempo do programa do PT arrastam-se sem nenhuma emoção, sem em nenhum momento surpreender o telespectador, ou contar alguma novidade. O povo só aparece para contar histórias de sucesso graças a iniciativas do governo como o "Simples", um programa destinado a reduzir e desburocratizar o pagamento de impostos.

Fora isso, é o mesmo insuportável desfile de candidatos nanicos, cacarecos, revolucionários e alguns pistoleiros de aluguel anunciando o apocalipse. Na prática, desde o início, só três dos 11 candidatos a presidente disputam a eleição para valer. O resto é figuração.

Confesso que desliguei a televisão e fui almoçar em paz quando começou o circo de horrores que vem em seguida, com os candidatos a vagas nos legislativos. Quem ainda aguenta ver isso? Até quando vão abusar da nossa paciência?

 

 

 

 

 

 

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Convencionou-se dizer que a campanha eleitoral só começa mesmo depois da estreia dos programas dos candidatos no rádio e na televisão. Por isso mesmo, os partidos investem a maior parte dos seus recursos no pagamento dos marqueteiros de grife responsáveis pela produção destes caríssimos instrumentos de campanha, como se eles fossem decisivos para definir os vencedores nas urnas.

E o que aconteceu nessas primeiras quatro semanas de overdose de marketing político para inflar as candidaturas de Aécio, Dilma e Marina, os três presidenciáveis que ainda disputam uma vaga no primeiro turno?

A julgar pelas últimas pesquisas, tivemos a confirmação, em mais um Ibope divulgado na noite desta terça-feira: não mudou absolutamente nada na posição dos candidatos, e os índices se mantêm os mesmos, dentro das margens de erro, desde o primeiro levantamento feito após a morte de Eduardo Campos e a estreia da propaganda na TV, no dia 19 de agosto.

É só conferir os números: no final de agosto, no levantamento feito entre os dias 23 e 25, Dilma liderava com 34%, seguida por Marina, que tinha 29%, e Aécio, com 19%.

Dilma  Propaganda na TV nada mudou nas pesquisas

Marina  Propaganda na TV nada mudou nas pesquisas

aecio  Propaganda na TV nada mudou nas pesquisas

Agora, na mais recente pesquisa Ibope, que foi a campo entre os dias 13 e 15 de setembro, Dilma registra 36%, Marina 30% e Aécio 19%.

Na gangorra dos números de uma semana para outra, Dilma oscilou três pontos para baixo (tinha 39%) e Marina perdeu um (antes registrava 31%). Os quatro pontos que as duas candidatas perderam foram parar na conta de Aécio, que subiu de 15% para 19%, exatamente o mesmo índice que mostrava em agosto.

Ou seja, até aqui, jogou-se muito dinheiro fora, com propaganda e pesquisas, engordando os bolsos dos marqueteiros e torrando a nossa paciência. Ou alguém ainda consegue acompanhar na tela a disputa entre os eternos Levy Aerotrem e Eymael, um democrata-cristão, para ver quem é pior e tem menos votos?

Para tirar conclusões, é sempre melhor esperar as próximas pesquisas, agora quase diárias, que serão divulgadas até o dia 5 de outubro. Façam suas apostas, que a roleta continua girando, principalmente na Bolsa de Valores.

Vida que segue.

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Uma disputa paralela desta campanha presidencial já começou faz algum tempo em São Paulo e chegou ao Rio nesta segunda-feira: é a guerra dos adesivos para colocar nos carros, um adereço tradicional que, neste ano, andava meio ausente na paisagem.

"Fora Dillma. E leve o PT com você" (com dois "ll" mesmo, remetendo a Collor) é um adesivo que enfeita os carrões pretos off-road dos tucanos paulistanos, que já nos acostumamos a ver na região dos Jardins e adjacências. Com Aécio alijado da disputa, servem agora a Marina Silva, em seu embate com o PT de Dilma e Lula.

fora dilma PT de Lula x Itaú de Neca: guerra de adesivos

A resposta dos petistas demorou a aparecer e só foi lançada no ato em defesa da Petrobras promovido no Rio, com a participação do ex-presidente Lula e líderes sindicais.

"Fora Marina. E leve o Itaú junto" dizia o adesivo fartamente distribuído durante a manifestação, que centrou críticas na candidata do PSB, como se ela fosse contra o programa do pré-sal, a principal bandeira do PT.

fora marina PT de Lula x Itaú de Neca: guerra de adesivos

Para um forasteiro que está chegando agora ao Brasil, fica parecendo que a eleição para presidente da República, daqui a 19 dias, está sendo disputada entre o PT de Lula e Dilma versus o PSB de Marina e Neca Setúbal, uma das herdeiras e acionista do maior banco privado do país, coordenadora do programa de governo da candidata.

A cada dia sobe o tom dos dois lados, prenunciando temperatura máxima na reta final da campanha. No final da manhã de ontem, sem muita sutileza, o ex-presidente Lula foi direto ao ataque no palanque armado em frente ao prédio da Petrobras, no centro do Rio, após breve caminhada que saiu da Cinelândia, lembrando cenas típicas de campanhas passadas do PT:

"Se tem uma coisa que você não pode terceirizar é o cargo de presidente. Ou você assume ou não assume. Esse negócio de pedir para cada um falar um pedacinho das coisas que estão acontecendo no país não dá certo. Pode acontecer que o programa de governo possa ser feito por 500 mãos, menos as dela".

Afiada nos contra-ataques, Marina não demorou a responder no mesmo diapasão beligerante, durante encontro à tarde, em São Paulo, em reunião com artistas, organizada pelo cineasta Fernando Meirelles:

"Uma estrutura muito poderosa está sendo utilizada para me combater. Porque chegar no interior da Bahia e ouvir `vai acabar com o Mais Médicos, vai acabar com Minha Casa Minha Vida, vai acabar com Bolsa Família´ (...). Isso é um ser humano? Só se fosse o Exterminador do Futuro".

Incomodada com o protagonismo que ganhou nesta campanha presidencial, a banqueira e educadora Neca Setúbal queixa-se há dias, em  bateria de entrevistas exclusivas programadas na grande imprensa familiar, dos ataques que vem sofrendo do PT, por sua onipresente atuação na campanha de Marina Silva.

Na verdade, Neca contribuiu para esta emergência do anonimato: como um verdadeiro papagaio de pirata, ela não saiu do lado da candidata e passou a dar entrevistas sobre as propostas econômicas do PSB, desde que Marina foi a Recife para participar das cerimonias fúnebres de Eduardo Campos e, em seguida, assumir o lugar dele na campanha.

Nada acontece de graça numa campanha eleitoral. A defesa que Neca fez da independência do Banco Central, em entrevista à "Folha", deu o mote para a campanha do PT disparar as baterias contra Marina na propaganda eleitoral, e agora as duas se queixam que estão sendo injustamente agredidas. O adesivo distribuído no Rio é apenas um detalhe.

Percebendo o estrago causado à candidatura pelo programa de governo coordenado por Neca e Maurício Rands, já registrado pelas pesquisas, que obrigou a candidata a fazer erratas e recuos, o coordenador-geral da campanha, Walter Feldman, um tucano histórico dissidente, figura menor da política paulistana e que ganhou ares nacionais de grande formulador político após a morte de Eduardo Campos, já encomendou aos dois uma nova versão para o segundo turno.

"Agora, a orientação da Neca e do Maurício é para nós começarmos a aprofundar com os segmentos, já preparando um plus no programa de governo 2.0, após esta primeira etapa", anunciou Feldmann, em mais um dos seus encontros com empresários.

Que segmentos são esses, ele não explicou, nem antecipou o que muda neste programa 2.0, mas é certo que os coordenadores querem explicar melhor o que queriam dizer no 1.0, em especial no capítulo sobre o petróleo, tratado só de passagem na versão original.

O vale-tudo desencadeado entre as duas candidatas, que foram colegas de ministério nos dois mandatos de Lula, já atingiu, como não poderia deixar de ser, o humor da velha mídia, cada vez mais engajada no "plano B", deixando Aécio à beira da estrada depois que sua candidatura se mostrou inviável.

Até colunistas autoproclamados "independentes, apartidários e isentos" já estão rasgando a fantasia, ao entrar de sola na campanha pró-Marina, depois de passar os últimos meses tentando desconstruir a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, que lidera todas as últimas pesquisas sobre o primeiro turno.

Estes cavalos de pau me fizeram lembrar de um episódio hilário no intervalo do primeiro para o segundo turno, na disputa entre Collor e Lula, em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar.

Ao pegar um táxi em Congonhas, voltando de uma viagem a Brasília, perguntei ao motorista em quem ele iria votar. "Olha, moço (na época, eu era mais jovem...), no primeiro turno, votei no Lula, mas agora acho que vou votar no Collor". Como assim?, perguntei-lhe, sem entender.

"É que eu já votei no Lula, mas até agora não mudou nada na minha vida. Então, vou votar no outro pra ver se melhora".

Deu no que deu.

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma ok Faltam só 20 dias: O que ainda pode mudar na reta final?

Foto Marina Silva: Candidata do PSB participou de debate Visões do Futuro no centro do Rio de Janeiro (RJ) na sexta-feira (12) / Crédito: Marcello Dias/Futura Press/ Estadão Conteúdo

Foto Dilma Rousseff: Candidata do PT participou de caminhada em Alcântara, São Gonçalo (RJ) na sexta-feira (12) / Crédito: Ichiro Guerra/Divulgação

Marina Silva cobra, com razão, que os adversários apresentem seus programas de governo. A  contar desta segunda-feira, faltam apenas 20 dias para as eleições e, até agora, Dilma Rousseff e Aécio Neves apresentaram apenas uma penca de propostas, anunciando quase diariamente novos projetos para melhorar a educação, a saúde, a segurança e a vida em geral na face da terra, nada que se assemelhe a um programa de governo com começo, meio e fim.

 

Logo após assumir a candidatura do PSB em lugar de Eduardo Campos, um mês atrás, Marina anunciou solenemente seu programa de governo, e se deu mal, recolhendo mais prejuízos do que dividendos eleitorais.

Na pressa, montou uma colcha de retalhos na base do "copie e cole", arrumando confusão em várias áreas, dos gays aos ambientalistas seus seguidores, obrigando-a a fazer uma série de recuos e erratas nos dias seguintes, e ainda ofereceu uma arma poderosa à presidente da República que disputa a reeleição, ao tratar com menoscabo o pré-sal, principal bandeira da candidata do PT. A proposta de independência do Banco Central, defendida pela sua fiel escudeira Neca Setúbal, completou o estrago.

Eu mesmo cobrei bastante, aqui e no Jornal da Record News, que os candidatos apresentassem seus programas de governo, em lugar de ficarem só nos ataques mútuos para mostrar quem tem mais defeitos, o que serviria para tornar o debate eleitoral minimamente civilizado.

Durante a semana passada, tanto Aécio como Marina prometeram apresentar seus programas de governo, mas agora, convenhamos, resta muito pouco tempo para que eles possam ser debatidos a ponto de influir no ânimo dos eleitores.

Se o candidato tucano, que está em campanha há mais de um ano, e até aqui não conseguiu explicar a que veio, sem lograr convencer nem o eleitorado tucano, mais perdido que cachorro em dia de mudança, também de pouco valeria para Dilma Rousseff definir agora porque quer e o que pretende fazer em mais quatro anos de mandato. "Se ela sabe o que precisa ser feito, por que não fez até agora?", poderão perguntar os eleitores insatisfeitos com os 12 anos de PT no poder. Dilma, afinal, está em campanha e mostrando o que pensa desde o dia da posse.

As pesquisas da semana passada confirmaram uma disputa acirrada entre Marina e Dilma, tanto no primeiro como no segundo turnos, com pequenas variações dentro das margens de erro dos institutos, e só um fato novo muito grave, ou uma denúncia envolvendo diretamente os candidatos, no que não acredito, poderá provocar outra reviravolta no cenário eleitoral. Só acredita ainda numa virada, que ele chama de "onda da razão", o tucano Aécio Neves, já abandonado por seus aliados, que procuram pular logo no barco de Marina Silva, o "plano B" também da velha mídia.

Até o boleiro aposentado Ronaldo Fenômeno foi convocado para ajudar Aécio nesta reta final, jogando capoeira com o candidato que não sai mais do Rio, mas parece tarde demais. Marina encarnou o voto anti-PT, e Dilma reconquistou a confiança dos petistas, reeditando a velha estratégia do "nós contra eles", ou seja, a eterna luta dos pobres contra os ricos.. Daqui para a frente, é jogo jogado. "Eles", agora, não são mais os tucanos, mas Marina e seus novos aliados antipetistas.

As duas candidatas desempenham no momento papéis opostos. Enquanto Marina assume o papel de vítima fragilizada diante dos duros ataques desfechados pelo PT, em especial sobre as contradições do seu programa de governo, Dilma cada vez mais mostra a mão pesada, tanto na campanha como no enfrentamento da crise econômica.

Quem vai ganhar?, perguntam-se todos. Já disse outras vezes, e repito: se eu soubesse, estaria rico especulando na Bolsa de Valores. Na mais imprevisível e engalfinhada eleição presidencial desde a redemocratização do país, quem tem um pouco de responsabilidade vai ter que esperar a resposta até o dia 26 de outubro, data do segundo turno. Até lá, vai ser um salve-se quem puder e tiver juízo.

 

 

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