rir Ministério da Saúde adverte: muita calma nesta hora

Com a entrada em cena da "delação premiada", a campanha presidencial atingiu a temperatura máxima, faltando 26 dias para as eleições. Na contagem regressiva, aumentaram de intensidade os ataques mútuos entre os principais candidatos, e isso acaba se refletindo também no comportamento dos eleitores manifestado nas redes sociais, nos jornalistas e até nos comentaristas aqui do Balaio, de hábito mais comedidos. Por este motivo, nos últimos dias, me vi obrigado a deletar mais da metade das mensagens enviadas.

O Ministério da Saúde adverte: muita calma nesta hora, pois esta não é, positivamente, uma campanha recomendada para cardíacos nem boa para o futuro do país. Na gangorra das pesquisas e das denúncias que balizam a disputa entre os três candidatos ainda em disputa por uma vaga no segundo turno, a Tensão Pré-Eleitoral (TPE) produz mais faíscas do que luz.

Em sabatinas, debates e entrevistas que agora pipocam no noticiário todos os dias, Dilma, Marina e Aécio preocupam-se antes em apontar os defeitos e malfeitos dos adversários do que em apresentar suas propostas de governo para os próximos quatro anos. Da mesma forma, nas conversas de boteco e nas ruas, cada eleitor está mais interessado em xingar o candidato do outro do que em defender o seu próprio. Em vez de uma disputa em torno de quem é melhor para governar o país, discute-se quem é o pior.

Às vésperas da divulgação de mais uma pesquisa Datafolha, os três candidatos colocaram a Petrobras no centro do ringue durante toda a segunda-feira, como já era previsível, após o vazamento seletivo das informações sobre a "delação premiada" do ex-diretor Paulo Roberto Costa sobre um suposto "propinoduto" na empresa:

Dilma: "Acho muito estranho alguém falar em desmonte da Petrobras. Eles não podem esquecer os seus telhados. O meu telhado tem a firme determinação na investigação. Ele é um telhado cobertinho pela polícia investigando, o Ministério Público com autonomia".

Marina: "Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras é o atual governo, que, conivente, deixou que todo este desmanche acontecesse em uma das empresas mais importantes do país".

Aécio: "Não acredito que a presidente da República tenha recebido recursos deste esquema. Mas, do ponto de vista político, ela foi beneficiária, sim. E tinha a obrigação de saber aquilo que acontece no seu entorno".

Novos ataques de TPE estão previstos para esta terça-feira nos programas do horário político. Tanto Aécio como Marina prometem colar o novo escândalo ao governo Dilma, que, por sua vez, acusa os dois de serem adversários do tesouro do pré-sal. Parece até que está em disputa o cargo de presidente da Petrobras, e não o de presidente da República do Brasil.

Desta forma, a campanha fica no limite entre a batalha campal dos presidenciáveis e o deboche e a indigência política da maioria dos candidatos a uma vaga nos parlamentos federal e estaduais, em que se destaca a grotesca figura do palhaço e deputado federal Tiririca, que agora foi ampliada em contrafações e clones espalhados por todo o país.

Mantidas as atuais regras da propaganda eleitoral, corremos o sério risco de, muito em breve, nos tornarmos um país de Tiriricas, com a multiplicação de partidos nanicos, radicais ou laranjas, que afastam os eleitores do debate político, fundamental em qualquer boa democracia. É triste.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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111 Cardoso ou a PF: quem explicará o vazamento?

Passaram-se já mais de 48 horas desde que veio a público o "vazamento" da delação premiada feita à Polícia Federal pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em nova tentativa de alterar os rumos da campanha presidencial, com base em denúncias sobre um esquema de corrupção montado na empresa por políticos e partidos da base aliada do governo Dilma Rousseff, atingindo também o PSB da candidata Marina Silva.

É bastante estranho o silêncio mantido até o momento, manhã de segunda-feira, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e a Polícia Federal a ele subordinada, como se fosse a coisa mais normal do mundo um "vazamento" destas proporções, sem qualquer prova, baseado em fontes anônimas, a quatro semanas da abertura das urnas, sabendo-se que este processo está submetido a segredo de Justiça e os áudios e vídeos da delação devem ser criptografados e mantidos num cofre forte.

Ao terminar de escrever a coluna de domingo, sobre as consequências nas campanhas presidenciais destas graves denúncias lançadas no ar, ficou martelando na minha cabeça uma dúvida: ninguém vai explicar ou pelo menos procurar saber em que condições e a serviço de quem se deu mais este explosivo "vazamento", mais conhecido por "bala de prata", que já se tornou comum em vésperas de eleição em nosso país? Ninguém se dignou a questionar este ponto entre as dezenas de análises que li sobre o assunto e seus desdobramentos ou a indagar quem pode ter vazado estas "informações".

Dá-se de barato que estas denúncias realmente existem, que o delator só falou a verdade e tem provas do que disse, mas o que temos por enquanto é apenas mais um factoide midiático explorado à exaustão pelo esquema Veja-Globo-Folha-Estadão, e seus respectivos portais, com os concorrentes retroalimentando o noticiário entre si.

Nem é preciso ser muito esperto para descobrir a quem interessa tumultuar o processo eleitoral nesta reta final da campanha. Quando parecia que este esquema já tinha abandonado o  tucano Aécio Neves à sua própria sorte, e aderido ao Furacão Marina, mesmo com algumas restrições, eis que o candidato atolado em terceiro lugar ressurge das cinzas no noticiário, com tanto ímpeto para atacar as duas adversárias que lideram com folga todas as pesquisas, como se já soubesse de alguma coisa antes da anunciada "bomba" explodir no último final de semana.

Como sabemos, as investigações sigilosas estão sob a responsabilidade da Polícia Federal, quer dizer, de um órgão do Ministério da Justiça, que vêm mantendo um obsequioso silêncio sobre o assunto. De que forma nós, simples cidadãos eleitores, poderemos saber o que existe de verdade no que vem sendo noticiado a respeito do "mar de lama da Petrobras"? Ou o objetivo é mesmo só fazer a divulgação oficial depois de 5 de outubro, mantendo as suspeitas no ar para a devida exploração eleitoral?

Cabe registrar aqui a previsão feita por Aécio dias atrás, quando sua campanha definhava, baseado na experiência do seu avô Tancredo Neves, de que as definições eleitorais só começam para valer depois do feriado de 7 de setembro.

Tem alguma coisa estranha no ar e não são os aviões de carreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

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feliz Delação premiada dá sobrevida e Aécio vai à luta

Conseguiram. A quatro semanas da eleição, quando tudo parecia caminhar para uma disputa acirrada entre Dilma e Marina no segundo turno, com Aécio fora do jogo, sendo abandonado até pelos aliados, um fato novo provocou outra reviravolta no cenário. Com isso, a candidatura tucana sai da UTI e vai à luta novamente.

Desde sexta-feira, quando saíram as primeiras revelações nos portais, não se fala de outra coisa no país: quais serão as consequências na campanha presidencial da delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que está preso em Curitiba, no Paraná?

Os três candidatos reagiram de formas bem diferentes à nova configuração do quadro, que desde já coloca as denúncias de corrupção na Petrobras no centro do debate nesta reta final de campanha.

Embora até aqui não tenham sido apresentadas provas de nada contra o ministro Edison Lobão, os ex-governadores Sergio Cabral e Eduardo Campos,  a atual governadora Roseana Sarney, e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, além de uma penca de parlamentares da base aliada do governo Dilma, só a volta do tema da Petrobras às manchetes já causa mudanças nas campanhas dos presidenciáveis.

Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, sabendo que vai ser o principal alvo dos ataques, fechou seu time na defesa e só disse que está esperando "dados oficiais" para tomar "todas as providências cabíveis, mas não posso fazer isso com base apenas em especulações". Surpreendida mais uma vez, a presidente pediu informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e convocou uma reunião de emergência ainda na noite de sexta-feira.

Marina Silva preferiu ficar no meio de campo trocando passes: com o nome de Eduardo Campos também na lista dos beneficiários, a candidata do PSB espera o melhor momento de atacar sua principal adversária, sem saber ainda quais novas revelações serão feitas nos próximos dias. "Não queremos ver o Eduardo morrer duas vezes", limitou-se a dizer. Aliados de Marina alegam que o envolvimento de Eduardo no caso não tem fundamento.

Já Aécio Neves, que não tinha mais nada a perder, quase 20 pontos atrás de suas duas adversárias, parecia outra pessoa no sábado. Revigorado pela delação premiada, aguardada  ansiosamente, junto com os colunistas amigos, que há dias soltavam notinhas ameaçadoras, o ex-governador mineiro foi logo ao ataque sem pensar duas vezes. "O Brasil acordou perplexo com as mais graves denúncias de corrupção da nossa história recente. Está aí o mensalão 2", foi logo comemorando. Sem bandeiras e sem rumo, sem mais ter o que falar ou propor, Aécio agora ganhou de bandeja pelo menos um discurso.

O curioso é que, até agora, como costuma acontecer nestes casos, só foram publicados nomes de possíveis corrompidos denunciados pelo ex-diretor, mas nenhum de empresas, as prováveis corruptoras e seus dirigentes, já que não há quem se venda se não houver alguém que compre. Como o processo corre em segredo de Justiça e as gravações de áudio e vídeo dos interrogatórios feitos com Paulo Roberto Costa estão guardadas num cofre forte, para saber o que realmente existe e quem tem culpa no cartório, vamos ter que esperar pela análise do ministro Teori Zavascki, do STF, que poderá ou não aceitar a delação premiada.

Aconteça o que acontecer, é disso que vamos ficar falando até o dia 5 de outubro, deixando em segundo plano os projetos de governo e as discussões sobre o futuro do país. Pobre país.

Vida que segue.

 

 

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Eram jovens em sua maioria os lideres das grandes manifestações de protesto de junho do ano passado, que começaram em São Paulo e ganharam as ruas de todo o país. O estopim foi o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, logo depois cancelado pelo governo. A violência policial contra os manifestantes, no entanto, só fez aumentar o cardápio de reivindicações e de gritos de guerra contra "tudo isso que está aí", principalmente os serviços públicos, os gastos com a Copa no Brasil, os políticos e seus partidos, de uma forma geral.

se ok Primeiro voto atrai cada vez menos jovens

O movimento acabou em atos de puro vandalismo promovidos pelos chamados "black blocs". Os índices de aprovação do governo federal despencaram na esteira da oceânica cobertura dos protestos feita pelos principais veículos da mídia, que jogaram no colo da presidente Dilma Rousseff a culpa pela crescente insatisfação da população demonstrada nos protestos.

Agora, que os jovens eleitores poderiam utilizar seu principal instrumento _ o voto _ para mostrar o que pensam e mudar os destinos do país, caiu de 2,4 milhões, em 2010, para 1,6 milhão o número de eleitores entre 16 e 17 anos, quer dizer, 30% a menos este ano. Há quatro anos, eram 900 mil os jovens de 16 anos que tiraram seus primeiros títulos de eleitor; agora, são 480 mil, uma queda de 47%.

ok Primeiro voto atrai cada vez menos jovens

Desde 2006, vem caindo a participação destes jovens no eleitorado, um direito por eles conquistado em 1987, enquanto cresce o dos eleitores com mais de 60 anos, justamente a geração que tanto lutou pela volta das eleições diretas para a presidência da República (somos hoje 24,2 milhões, 20% a mais do que em 2010). .

Como será que anda o interesse dos jovens pela política? Qual o papel dos pais neste processo e qual a importância de despertar na juventude uma consciência política?

Para discutir estas questões, o programa "Papo de Mãe", da TV Brasil, que vai ao ar neste domingo, às 15h30, reuniu pais e seus filhos que votam pela primeira vez, a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora da USP, Carla Themis Lagrotta Germano, juíza assessora da Presidência do TRE/SP e este jornalista que vos escreve, veterano de coberturas políticas desde os tempos em que não havia eleições para presidente.

Nas reportagens, o programa exibe, entre outros, o emocionante depoimento de uma eleitora de 87 anos, que não abre mão do seu direito de votar, embora pela lei pudesse se abster ( o voto só é obrigatório até os 70 anos). Apresentação e roteiro de Mariana Kotscho e Roberta Manreza, com reportagens de Fernanda De Luca.

Não percam. Um bom final de semana a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fui mal. Pouco antes de entrar no ar ao vivo no Jornal da Record News de terça-feira, fiquei impressionado com os novos números do Ibope sobre as eleições presidenciais no Rio e em São Paulo, que indicavam uma disparada de Marina Silva, e repeti a mesma avaliação no dia seguinte no blog: "Ninguém segura Furacão Marina rumo à vitória".

20 Blogueiro foi mal ao entrar na dança das pesquisas

Não segui meu próprio conselho dado logo na abertura do texto _ "Sei que é sempre arriscado fazer análises ou previsões numa campanha eleitoral tão cheia de reviravoltas como esta de 2014" _ e quebrei a cara. No final da tarde de quarta-feira, quando o Ibope e também o Datafolha divulgaram suas pesquisas nacionais sobre a corrida presidencial, vimos que o quadro está estabilizado, indicando uma dura disputa entre Dilma e Marina no segundo turno, como se pode ver na atualização que fiz em seguida.

data2 Blogueiro foi mal ao entrar na dança das pesquisas

Até agora não entendi os motivos que levaram o Ibope a fatiar sua pesquisa e antecipar para a véspera os números que mostravam um forte crescimento de Marina nestes dois grandes Estados, que me levaram a conclusões precipitadas, e até o momento ninguém do instituto explicou esta jaboticaba eleitoral.

Confesso que entrei na dança das pesquisas, que agora saem quase todo dia, e dou razão aos leitores que me criticaram pela afoiteza. Escrever todos os dias, assim como viver, é correr riscos. Às vezes, a gente acerta; noutras, erra. Só os donos da verdade acertam sempre e nunca reconhecem seus erros.

Para tirar conclusões, sei que melhor é esperar a abertura das urnas no dia 5 de outubro, mas não posso ficar sem escrever até lá _ afinal, vivo disso. Tem razão minha amiga Eliane Cantanhêde ao escrever em sua coluna desta quinta-feira, sob o título "É cedo para cantar vitória":

"O fato, gente, é que era cedo para cantar vitória para Dilma e é cedo para cantar vitória para Marina. Ainda tem muita guerra pela frente e o momento não é só de sobreviver, mas de matar. Aliás, a eleição já fez três vítimas: Eduardo Campos, Aécio Neves e Guido Mantega". E o blogueiro que vos escreve também, poderia acrescentar...

Vida que segue. Mesmo errando, só não podemos perder o bom humor. Por isso, recomendo a leitura da coluna do grande José Simão na Folha, impagável como sempre, em que ele fala dos três candidatos:

"A Marina é uma típica ambientalista, em cada ambiente tem uma opinião diferente".

"E a Dilma Grande Chefe Toura Sentada entrou pra turma da Maisena, só engrossa. A pittbúlgara partiu pro ataque! Todos para o Forte Apache!"

"E o Aécio? Deve ser horrível pro Aécio, todo playboyzão, apanhar de duas mulheres. Na frente de todo o mundo. Rarará!".

Pois é, amigos, acontece. "Foi mal, vovô", costuma dizer meu neto André, de apenas sete anos, mas que já entende das coisas mais do que eu.

***

Em tempo:

Fui alertado pelo meu amigo Ricardo Noblat que quem batizou primeiro o "Furacão Marina" foi ele, e não eu, em nota publicada no dia 25 de agosto. Usei esta expressão no dia seguinte. Ontem, foi dia de errar...

Peço desculpas a ele e aos leitores.

 

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eleições Ninguém segura Furacão Marina rumo à vitória

 

Em tempo: atualizado às 19h51

Agora que saem pesquisas de baciada a toda hora, vamos aos últimos números divulgados agora há pouco, quase ao mesmo tempo, pelo Ibope e Datafolha, que mostram situação semelhante ao dos levantamentos anteriores e apontam para um segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva.  

Datafolha/Primeiro turno

Dilma: 35% 

Marina: 34%

Aécio: 14%

Outros: 4%

Segundo turno

Marina: 48%

Dilma: 41%

Ibope/Primeiro turno

Dilma: 37%

Marina: 33%

Aécio: 15%

Outros: 3%

Segundo turno

Marina: 46%

Dilma: 39%

***

Sei que é sempre arriscado fazer análises ou previsões numa campanha eleitoral tão cheia de reviravoltas como esta de 2014, mas os novos números do Ibope de São Paulo e Rio divulgados na noite desta terça-feira me permitem dizer neste momento, manhã de quarta, o que escrevi no título: se não houver nenhum outro acidente de percurso, o Furacão Marina segue célere rumo à vitória.

Quem batizou este fenômeno, modéstia à parte, fui eu mesmo aqui no Balaio, no texto que escrevi dia 26 de agosto, terça-feira da semana passada: "Furacão Marina atropela Aécio e já ameaça Dilma". Depois, esta expressão foi adotada por outras publicações da grande imprensa, e a cada rodada de pesquisas confirma-se que não se tratava apenas de uma onda nem vento passageiro, mas de algo que só os historiadores do futuro poderão explicar melhor daqui a muitos anos.

Sem entrar no mérito se isto será bom ou ruim para o país, o fato é os últimos números revelados pelo Ibope mostram que o furacão continua ativo, levando de cambulhada os principais concorrentes.

Os números do Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país, são emblemáticos, como diria o Mino Carta: Marina simplesmente inverteu as curvas da pesquisa, antes liderada por Dilma Rousseff. Apenas cinco dias após a publicação do  levantamento anterior, na semana passada, a candidata do PSB disparou de 30% para 38%, passando à frente da presidente, que caiu 6 pontos, ficando com 32%.

Em São Paulo, o maior colégio, Marina também deu um salto: foi de 35% para 39%, só um ponto abaixo da soma (40%) de Dilma (23%) e Aécio (17%). Este é mais um sinal de que o voto útil pró-Marina está fazendo uma varredura nos votos anti-PT.

Aqui há de se registrar que se trata do principal reduto tucano no país, de onde o candidato do PSDB planejava tirar a vantagem, com milhões de votos a mais do que Dilma, então sua principal adversária, tinha em outras regiões de país. De repente, Marina pulou na frente e deixou ambos a ver navios.

Por isso mesmo, ainda na terça-feira, as campanhas de Aécio e Dilma saíram num feroz ataque orquestrado contra Marina Silva, mas tenho minhas dúvidas se isso ainda pode funcionar, a um mês das eleições, ou se terá um efeito reverso, já que, querendo ou não, a candidata, que sucedeu Eduardo Campos há apenas três semanas, transformou-se em mítica salvadora da pátria enviada à terra por alguma entidade divina.

 

 

 

 

 

 

 

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logo pmdb 3d alta Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB

Ficamos aqui a discutir, como diria um velho amigo jornalista português, que me ligou agora há pouco, se quem vai ganhar as eleições no Brasil é Dilma ou se é Marina. Disse-lhe que, se soubesse a resposta, já estaria rico, pois é o que todos querem saber, principalmente os especuladores da Bolsa.

Pois ganhe quem ganhar, não fará muita diferença: quem vai continuar mandando no Brasil, segundo as últimas pesquisas, é o PMDB, que não tem candidato próprio e, por isso mesmo, há tempos é o maior partido do país, porque está sempre no poder. Vou tentar explicar melhor o que penso a respeito.

Ao que tudo indica, a se confirmarem as previsões, PT e PSDB, os dois partidos que se revezam no poder central há 20 anos, vão sair destas eleições menores do que entraram: com bancadas reduzidas e menos governadores. Com qualquer resultado na eleição presidencial, o PSB, onde Marina Silva está provisoriamente hospedada, deverá continuar sendo um partido médio, sem grande expressão.

É o PMDB quem provavelmente terá maioria, tanto na Câmara como no Senado, ou seja, como diria meu amigo, no Congresso Nacional. Quer dizer, é o PMDB quem continuará dando as cartas no Congresso com qualquer presidente que seja eleito.

E quem manda no Brasil, apesar de vivermos no regime presidencialista? É o Congresso Nacional. Perguntem a Fernando Henrique Cardoso ou a Lula como é governar sem ter maioria no Congresso para colocar em prática os belos planos que tinham antes de tomar posse. Por isso mesmo, ambos tiveram praticamente a mesma base aliada _ e os mesmos problemas para aprovar seus projetos e manter a estabilidade política nos dois mandatos de cada um.

Já disse várias vezes aqui e no Jornal da Record News, e não me canso de repetir: é muito difícil fazer aliança e governar com o PMDB, mas é praticamente impossível governar sem o PMDB, por maiores que sejam as restrições éticas ao chamado partido-ônibus, em que sempre cabe mais um.

O único objetivo da vida do PMDB, desde a morte do grande Ulysses Guimarães, é o poder _ chegar a ele e nele se manter. Com o atual sistema político-eleitoral-partidário vigente no país, não tem jeito: quem manda é o PMDB. Sem uma ampla reforma política, nada vai mudar no nosso país. E o PMDB não tem interesse em apoiar reforma nenhuma. Por que teria, se assim está muito bom?

Vida que segue.

 

 

 

 

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7mzuuf367n 2jqdaiyd07 file Aécio Neves é rifado e agora temos só Dilma X Marina

Ainda antes de outro debate entre os presidenciáveis, no final da tarde desta segunda-feira (1°), transmitido pelo SBT, o tucano Aécio Neves foi solenemente rifado pelo coordenador-geral da sua campanha, senador José Agripino Maia, presidente do DEM, ex-Arena e ex-PFL, um dos mais longevos remanescentes do velho coronelismo nordestino. Com a sutileza de um rinoceronte, Agripino defendeu em entrevista coletiva que Aécio apoie Marina em um eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff.

"O PSB tem antigas afinidades conosco, desde o tempo de Eduardo Campos. O inimigo maior a ser batido é o PT. Tanto pode dar o Aécio apoiando a Marina quanto o contrário", pontificou o coordenador-geral, que diante da ira dos seus correligionários e do próprio candidato correu para soltar uma nota tentando explicar que não foi bem isso que ele quis dizer. Como se o eleitor dependesse dos conselhos de Agripino para decidir em quem votar no segundo turno...

Mas o estrago já estava feito. Com 19 pontos atrás de Dilma e Marina, empatadas com 34% no último Datafolha, a apenas 33 dias da eleição, um Aécio amuado e sem nenhuma convicção no que falava já chegou derrotado aos estúdios da emissora, e ficou escanteado no debate. Só lhe faltava essa: com aliados deste porte, o ex-governador mineiro, que faz a pior campanha de um tucano nas eleições presidenciais das últimas duas décadas, nem precisava de adversários.

Sorteada para fazer a primeira pergunta, a presidente Dilma Rousseff, agora ameaçada pela sua ex-colega no ministério de Lula, favorita nas pesquisas de um provável segundo turno entre as duas, foi direto para cima de Marina Silva.

"De onde virão os recursos para custear os R$ 140 bilhões em promessas feitas no seu plano de governo?", disparou a candidata à reeleição, deflagrando o duelo entre as duas, que dominou todo o debate de duas horas.

Marina respondeu que é "preciso ter eficiência para fazer bom uso na aplicação dos recursos" e criticou o "pensamento de uma ideia cartesiana de governo". Dilma retrucou que, "quando se é presidente, não basta dizer que vai fazer uma lista de coisa sem dizer de onde virá o dinheiro".

Na sua vez de atacar, Marina lembrou Dilma que, na campanha de 2010, "havia um compromisso seu de que o Brasil iria continuar crescendo, de que os juros ficariam baixos e de que a inflação seria controlada, e aconteceu tudo ao contrário. O que deu errado?".

E por aí foi: Marina cobrando os erros da presidente e Dilma batendo na tecla de que "sem o apoio do Congresso é impossível governar". Impassível, sem piscar um olho, Marina mostrava firmeza ao defender "uma nova postura, a de estar aberta ao diálogo, de debater as ideias e não ficar fazendo apenas o embate político". Incisiva nas perguntas, mas confusa nas respostas, consultando papéis sobre a bancada, Dilma reconheceu que estava nervosa ao questionar as regras do debate com o moderador Carlos Nascimento, e mirou nas críticas ao plano de governo da adversária, principalmente no que se refere ao pré-sal.

Como se não tivesse acontecido uma reviravolta nas pesquisas, Aécio continuava com seu discurso contra o PT e o governo Dilma, sem encontrar uma brecha para entrar na briga entre as favoritas. Segundo levantamento feito pela Folha, enquanto o embate entre Dilma e Marina consumiu quase 18 minutos do programa, Aécio não conseguiu confrontar a nenhuma vez a candidata do PSB, que disparou nas pesquisas, e consumiu quase 8 minutos nos ataques à presidente, que vem caindo.

Resultado: quando o debate acabou, os repórteres saíram correndo para cercar Marina e Dilma. Aécio ficou caminhando sozinho pelo palco e ainda foi obrigado a ouvir um gracejo da candidata à reeleição, ao passar por onde ela estava: "Ô Aécio, vai querer sentar na minha cadeira? Não vai, não..."

Acho que nem ele pensa mais nisso. A cada dia, o quadro eleitoral vai ficando pior para o candidato do PSDB, a ponto de já surgirem rumores, divulgados pelo jornal Valor, de que pode desistir da candidatura para aumentar as chances de Marina vencer no primeiro turno, e voltar a Minas para salvar seu candidato ao governo estadual, que lá corre sério risco de perder para o PT.

Vamos esperar as próximas pesquisas para ver o que acontece. Dos 11 candidatos, agora restam apenas duas mulheres, uma petista e outra ex-petista, disputando para valer a Presidência da República. Façam suas apostas.

 

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kotscho Bendita chuva que cai na roça anima a vida

PORANGABA (SP) _ Enfim, uma notícia boa para alegrar a segunda-feira. A família já estava se preparando para pegar a estrada, como faz sempre nos finais de tarde de domingo, quando o céu pretejou de repente, uma ventania danada formou um tapete de folhas no chão, começou a trovejar, e eu resolvi ficar. Queria ver de perto, com os próprios olhos, a bendita chuva que se anunciava, depois de seis meses de estiagem, que secaram lagos, tanques, açudes, corregos e rios.

Os mais velhos me contaram no final de semana que há 70 anos não se via nada parecido. Já estavam até perdendo as esperanças de ver a água cair dos céus novamente. Muitas famílias de lavradores por aqui, a 160 quilômetros de São Paulo, ainda vivem das suas pequenas plantações e criações de gado. Teve vizinho que comprou água de caminhão tanque para dar de beber aos animais.

A chuva chegou bem na hora. Hoje começa setembro e este é o mes do plantio na roça. Com o chão esturricado como só se via no nordeste, os pastos secos e o gado magro, a paisagem era desoladora.

Chove sem parar desde a noite de domingo, uma chuva grande que, se ainda não nos devolveu a água e o verde, longe disso, pelo menos dá um novo ânimo para quem vive do que a terra dá.

Precisa chover ainda muito mais para refazer os reservatórios rurais e levar o povo a comprar sementes, pegar de novo nas enxadas ou botar os tratores em funcionamento, mas já é um bom começo.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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13 39 55 954 file E agora? O que Dilma e Aécio ainda podem fazer?

Caminhava tudo inexoravelmente para mais uma disputa entre PT e PSDB no segundo turno, como tem acontecido nos últimos 20 anos. Só se discutia se haveria ou não segundo turno. Aí caiu o avião de Eduardo Campos, do PSB, candidato da chamada terceira via, que nem chegou a entrar no jogo, não conseguindo atingir os dois dígitos nas pesquisas.

Faz apenas 17 dias. O furacão Marina Silva, que até outro dia nem partido tinha, entrou no lugar de Eduardo, varreu tudo que encontrou pela frente e, agora, é a favorita para ganhar as eleições presidenciais.

Para se ter uma ideia deste fenômeno eleitoral, na primeira pesquisa pós-tragédia, logo após os funerais de Eduardo, Marina já aparecia com 21% no Datafolha, deixando Aécio Neves para trás, e colocando quatro pontos à frente de Dilma Rousseff no segundo turno (47 a 43).

De uma pesquisa para outra, em apenas duas semanas, como mostra o novo Datafolha divulgado na noite de sexta-feira, Marina deu outra disparada, agora empatando com Dilma (34 a 34) no primeiro turno e abrindo dez pontos de vantagem no segundo (50 a 40). Aécio ficou na poeira da estrada, registrando apenas 15%, cinco abaixo da pesquisa anterior, praticamente fora da disputa no segundo turno.

E agora? O que Dilma e Aécio ainda podem fazer para furar a onda Marina Silva que se alastrou pelo país, cada vez mais forte? Não sei a resposta. Constato apenas que a nova candidata do PSB está fazendo um strike nos adversários, que vão caindo, tirando votos não só de Dilma e Aécio, mas até do Pastor Everaldo, que já não tinha muitos, e fazendo um verdadeiro rapa nos nanicos, indecisos, nulos e brancos.

Posso imaginar como está o clima nos comitês eleitorais de Dilma e Aécio. Já passei por isso, em 1994, quando trabalhava na campanha presidencial de Lula, que liderava com folga as pesquisas até a metade do ano. Em poucas semanas, com o lançamento do Plano Real, as curvas nas pesquisas foram-se invertendo até que o tucano Fernando Henrique Cardoso virou de vez e acabou ganhando a eleição no primeiro turno. Ninguém no PT sabia o que fazer para segurar a onda do Real, que virou uma febre com frenético apoio popular.

Agora, a reviravolta não se dá por conta de nenhum plano econômico para acabar com a inflação ou promover a volta do crescimento, mas em consequência de uma tragédia aérea, que provocou grande comoção no país e beatificou a herdeira política de Eduardo, que surfa em direção à vitória.

Claro que não se deve atribuir tudo apenas ao fator emocional causado pela morte do candidato, mas foi este o divisor de águas da campanha presidencial de 2014. Marina soube encarnar como nenhum outro todos os descontentamentos levados às ruas em junho do ano passado, juntando desesperançados com o PT a descrentes do PSDB, revoltados, mal amados, eleitores cansados da polarização entre os dois partidos e cidadãos de saco cheio, em geral.

Um comentário enviado ao Balaio às 7h37 da manhã deste sábado mostra bem qual é o clima que vivemos no país nestes momentos decisivos, a apenas cinco semanas das eleições gerais:

"Bom, essa Marina também não me parece uma solução ideal... mas tudo... tudo mesmo, menos o PT. Portanto, em um segundo turno, entre Marina e Dilma, vou com certeza absoluta votar em Marina. PT nunca mais..."

Como se vê, trata-se de um voto muito mais contra do que a favor de alguém, algo que tenho ouvido por toda parte: acima de tudo, Marina conseguiu catalisar o voto anti-PT, que hoje parece majoritário no país, algo que Aécio e Eduardo não lograram ao longo de suas campanhas.

Vida que segue. Bom final de semana a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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