A tendência do jornalismo é o nicho de mercado

O jornalista Glenn Greenwald

"Não há jornalistas sem opinião. A questão é se você as expõe ou finge que não as tem e engana seus leitores".

Também acho. O autor da frase é o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que se tornou uma celebridade no nosso meio, ao revelar os documentos secretos vazados pelo ex-agente da NSA Edward Snowden.

Em debate sobre os rumos do jornalismo no penúltimo dia da Flip, em Paraty, o autor de "Sem lugar para se esconder" tocou num ponto em que há tempos venho pensando: a tendência cada vez maior da criação de nichos de mercado de opinião na imprensa, de que é exemplo o Fla-Flu a que assistimos nesta campanha eleitoral. Melhor até seria falar em reserva de mercado.

O problema, para mim, é quando o jornalista deixa de lado a informação e ocupa seus espaços no papel ou na tela com panfletos político-partidários, sem nenhum compromisso com os fatos e a verdade, para defender um ou outro candidato, um ou outro governo, um ou outro país em guerra, um ou outro time de futebol. São os que torturam os números de pesquisas, distorcem declarações entre aspas, recusam-se a admitir erros.

Você já sabe o que vai ler quando vê o nome do autor, não importam o assunto, a época, o lugar. Num jornalismo como o brasileiro, em que os veículos da nova ou velha mídia são cada vez mais indiferenciados, seguidores de um pensamento único no noticiário e nos editoriais, a concorrência feroz agora se dá entre colunistas e/ou blogueiros que disputam estes nichos de mercado.

Quanto mais radicais e agressivos, trocando argumentos por ofensas, numa campanha permanente a favor das suas "causas", mais eles ganham audiência e leitores, e criam verdadeiras seitas de seguidores fiéis. Com isso, os grandes jornais têm hoje, em suas versões impressas ou on-line, mais colunas do que a Grécia Antiga e sobra pouco espaço para as reportagens, que em outros tempos faziam a diferença entre um veículo e outro.

Sempre defendi, e pratiquei isso, que jornalista deve ter lado, ou seja, deixar claro o que pensa, mas não precisa ser, necessariamente, o lado do preconceito, da mentira, da arrogância, da grosseria, da manipulação, como temos visto por toda parte.

O resultado disso é que os leitores ficam sem saber o que, afinal, está acontecendo no Brasil e no mundo. Vira e mexe a imprensa é surpreendida pelos fatos porque vive brigando com eles, até mesmo em manchetes de jornal. Se os fatos contrariam minhas teses, danem-se os fatos, devem pensar estes escribas panfletários que podem estar fazendo qualquer coisa, menos jornalismo.

Fechados em seus aquários com ar condicionado e sem contato com a realidade, conversando sempre com as mesmas fontes, que pensam como eles, têm horror a sujar os sapatos e a conversar com anônimos. São "jornalistas" que não tomam sol nem chuva, escravos de suas verdades absolutas, não admitem contestação. Quem não pensa como eles é idiota, vendido, terrorista, canalha, biltre.

Rara exceção neste cenário de quem já tem uma velha opinião formada sobre tudo e sobre todos, o veterano Clóvis Rossi, que já fez reportagens quase pelo mundo todo e participou da mesa da Flip em que estava Glenn Greenwald, lembrou uma singela lição: ir para a rua ainda é a melhor forma de se exercer o jornalismo: "É a graça da profissão. O que me atrai mais nela é a possibilidade de ser testemunha ocular da história".

Pois os jornalistas dos nichos ou da reserva de mercado já não se conformam em ser testemunhas, querem eles ser os protagonistas da história. E quem são eles? É preciso nominá-los? São tantos que não lhes darei esta colher de chá _ até porque, não precisam, posto que têm o apoio irrestrito de seus patrões, de quem se tornaram alegres porta-vozes. Multimídias, já ocupam quase todos os espaços e horários nos veículos da comunicação hegemônica, e não param de se multiplicar. Haja nichos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atualizado às 9h10 de 9.7

Caros leitores,

Participo, no próximo sábado, dia 9, do projeto "Entrevista Aberta", junto com o publicitário Eco Moliterno, eleito profissional de criação do ano, no Caboré 2013.

O debate começa às 11 horas e vai até as 13h30. O projeto é uma iniciativa do site "Jornalirismo" (www.jornalirismo.com.br), de Guilherme Azevedo, e tem o patrocínio da WMcCANN. A entrada é franca.

Endereço: Rua Groenlândia, 808, Jardim América, quase esquina com a avenida Nove de Julho.

***

buenos Que fizeram de ti, minha Argentina querida?

A primeira vez que saí do Brasil foi no final dos anos 60 do século passado, quando já trabalhava no "Estadão" e desembarquei na Argentina, para fazer a cobertura de um torneio de futebol do qual participavam o Santos de Pelé e o Boca Juniors.

Minha estreia na noite em Buenos Aires nunca mais esqueci na vida _ aquela sensação boa de estar sozinho em outro país, que fala outra língua e tem hábitos diferentes dos nossos, sem conhecer ninguém. Fui caminhando a esmo em busca de um restaurante, descobrindo um mundo novo a cada esquina, cruzando com um desfile de gente elegante e altiva nas calçadas largas e avenidas imponentes, bares, restaurantes, cinemas, teatros, bancas de jornal, floriculturas, tudo lotado, limpo e muito iluminado, fervendo madrugada adentro.

Pensei que tinha desembarcado em alguma capital da Europa dos meus antepassados, que só conhecia de fotos e filmes. Nada que fizesse lembrar o Terceiro Mundo de mendigos jogados nas calçadas, menores abandonados nas ruas pedindo esmolas, velhos mal agasalhados nos dias frios, pessoas andando com medo nas ruas inseguras e escuras. Me senti como criança entrando pela primeira vez na Disneylândia querendo descobrir tudo ao mesmo tempo. Era um outro mundo para mim.

Nunca tinha sido um bom aluno e pouco sabia da história da Argentina _ só que era um dos países mais ricos do mundo ao final da Segunda Guerra. Voltaria lá muitas outras vezes a trabalho, cada vez que estourava mais uma crise política ou econômica, ou a passeio. Por muito tempo, Buenos Aires foi meu destino predileto.

Gostava de tudo lá: das churrascarias e das cantinas, dos vinhos, dos cafés antigos, das casas de tango, dos luminosos coloridos piscando nos imensos teatros e cinemas, gostava até dos argentinos... Era uma festa permanente, vez ou outra interrompida por quedas de presidentes, greves, quebra-quebras, falências, concordatas, ditaduras militares, tanques nas ruas, assassinatos de presos políticos e até uma guerra contra a Inglaterra, por conta das ilhas Malvinas, das quais nunca havia ouvido falar.

Tantas fizeram, que o antigo encanto foi-se perdendo. Cada vez que ia de novo a Buenos Aires, dava para ver a decadência a olho nu, nem era preciso ler as manchetes dos jornais. Cabisbaixos e já não tão bem vestidos, os argentinos pareciam cansados de tantas crises, vendo a pobreza crescer por toda parte, onde antes havia fartura, casas e prédios agora mal cuidados, parques com ar de abandono, nada que lembrasse a Argentina que conheci quando Pelé deslumbrava o mundo e calava o estádio de La Bombonera, no coração do bairro boêmio da Boca.

Que fizeram de ti, minha Argentina querida?, perguntei-me algumas vezes esta semana ao acompanhar com tristeza o noticiário sobre mais uma crise econômica, o país falido não podendo pagar suas dívidas com os tais "fundos abutres", que poderiam inspirar mais um tango choroso.

Deixo para meus colegas mais estudados e informados, como meu velho amigo Clóvis Rossi, parceiro de tantas reportagens que fizemos juntos quando ele era correspondente em Buenos Aires, encontrar as respostas para explicar este destino trágico dos argentinos. Às vezes, penso que países são como pessoas, que se conformam em seguir um destino e, com tudo para dar certo na vida, acabam dando errado.

 

 

 

 

 

 

 

 

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esse ese Um em cada três eleitores está sem candidato

Em Minas Gerais, o índice dos eleitores que pretendem votar em branco ou nulo é de 13% e o dos que ainda não escolheram candidato chega a 31%, um total de 44%. Este número é próximo da soma das intenções de voto nos dois principais candidatos, que estão tecnicamente empatados, segundo o Ibope: Fernando Pimentel, do PT, com 25%, e Pimenta da Veiga, do PSDB, que tem 21%.

O desinteresse e o desencanto dos brasileiros nesta campanha de 2014, que ainda não deu sinais de vida nas ruas do país, a apenas dois meses e cinco dias da abertura das urnas, ficam evidentes também em São Paulo e no Rio de Janeiro, mostrando um quadro preocupante nos três maiores colégios eleitorais do país, onde vive 42% da população apta a votar em outubro.

A nova pesquisa do Ibope sobre eleições estaduais, divulgada na noite de quarta-feira, mostra que, em São Paulo, o total de entrevistados que declararam votar em branco, nulo ou não sabem é de 29% e, no Rio de Janeiro, este índice atinge 33%. Ou seja, um eleitor em cada três ainda está sem candidato.

A situação parece definida em São Paulo, onde o candidato tucano Geraldo Alckmin está praticamente reeleito no primeiro turno. Alckmin aparece com 50% das intenções de voto, enquanto os demais candidatos somados alcançam apenas 21%. A surpresa negativa desta campanha é o petista Alexandre Padilha, que continua empacado em 5%, tecnicamente empatado com cinco nanicos (a margem de erro é de três pontos percentuais).

Já no Rio, como em Minas, a disputa está embolada. Anthony Garotinho, do PR, continua na frente no eleitorado fluminense, com 21%,  tecnicamente empatado com  Marcelo Crivellla, do PRB (16%), e o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB (15%). Com a máquina do governo nas mãos, o apoio de mais de 20 partidos e um latifúndio de tempo na propaganda da televisão, dificilmente Pezão deixará de ir para o segundo turno contra um dos seus dois principais adversários. Lindberg Farias, do PT, aparece atrás, com 11%.

Os números do Ibope para os candidatos a governador nestes três Estados, antes do início do horário eleitoral, dia 19 de agosto, não são nada bons para a campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Pimentel, Lindberg e Padilha estão bem abaixo do patamar de 30% que os candidatos do PT costumam registrar historicamente nesta altura da campanha.

Também são preocupantes os índices desta pesquisa para o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que perde feio em Pernambuco, seu principal reduto eleitoral. O principal candidato da oposição Armando Monteiro Filho, do PTB, apoiado pelo PT, está com 43%, contra apenas 11% de Paulo Câmara, o nome lançado por Campos para governador.

Mais do que os números do Ibope, porém, o que mais me chamou a atenção esta semana foi o levantamento divulgado pelo TSE sobre os novos eleitores. Em relação à eleição de 2010, caiu 31% o número de jovens entre 16 e 18 anos que vão votar pela primeira vez para presidente. Depois de tanta luta para que tivéssemos de volta as eleições diretas para a presidência da República, é triste descobrir que a juventude está se interessando cada vez menos pela política e não se anima nem mesmo a tirar o título eleitoral, que não custa nada.

 

 

 

 

 

 

 

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tecnicos Felipão e este milionário futebol dos professores

No capengante futebol brasileiro, dentro e fora de campo, com clubes sempre endividados, alguns quase falidos, pedindo socorro ao governo, e estádios semidesertos, a CBF e os "professores" da bola nadam em dinheiro. Ninguém deveria se surpreender com os R$ 4,1 milhões pagos pelo generoso José Maria Marin a Felipão por ter sido mandado embora da seleção, depois do vexame na Copa do Mundo (ver mais no blog do colega Cosme Rímoli).

Felipão e o coordenador Carlos Alberto Parreira ganhavam, cada um pouco, mais de R$ 900 mil por mês. Pode parecer muito para quem vive de salário, mas estes valores estratosféricos não constituem exceção nos nossos clubes, onde os "professores" não ganham muito menos do que isso, e nenhum dos "treinadores de ponta", sempre os mesmos, há muitos anos, ganha abaixo de R$ 500 mil.

Na maioria dos casos, eles ganham mais do que as estrelas do time. Pato, o jogador mais bem pago do país, que marcou apenas três gols em 16 jogos pelo São Paulo, ganha R$ 800 mil por mês (metade do salário ainda pago pelo Corinthians, que o emprestou ao time do Morumbi).

Eles se revezam no comando dos maiores clubes do país e são os principais responsáveis pelo futebolzinho mostrado no Brasileirão, com a honrosa exceção do Cruzeiro, de Marcelo Oliveira, que não faz parte da dança dos famosos e nunca foi cogitado para treinar a seleção.

Em seu comentário de terça-feira na CBN, antes da revelação de que Felipão ganhou esta fortuna na loteria esportiva da CBF, e depois do velho "professor" gaúcho acertar a volta ao Grêmio, o amigo Juca Kfouri chamou a atenção para um fato, ao mesmo tempo pitoresco e triste: há 19 anos, Felipão já era técnico do Grêmio; Luxemburgo, que acaba de retornar à Gávea, treinava o Flamengo; Abel Braga dirigia o Internacional, onde está de novo, e Muricy Ramalho era a novidade no São Paulo.

Precisa dizer mais alguma coisa sobre as razões da mesmice modorrenta mostrada em campo neste Brasileirão, que dá sono quando o Cruzeiro não joga? Parece que o discreto Marcelo Oliveira foi o único técnico brasileiro que assistiu à Copa no Brasil e entendeu alguma coisa. É por isso, que os maiores clubes do mundo levam nossos melhores jogadores embora e ninguém se interessa em contratar os milionários "professores", que vivem num mundinho à parte.

Nem técnicos são, na verdade, quanto mais professores, mas apenas folclóricos treineiros, que ficam se esgoelando à beira do gramado, xingando o juiz e os erros dos jogadores que não seguem seus "ensinamentos". Fazem apenas cena para a torcida, como se seus gritos  fossem ouvidos e fizessem alguma diferença em campo.

Ninguém, por exemplo, é mais são-paulino, do que o Muricy. Por isso, a torcida tricolor, inclusive eu, sempre pedem a sua volta quando o time vai mal, o que não tem sido raro. E neste seu novo retorno ao Morumbi o time continua mal, apesar do elenco de grandes craques, o maior do futebol brasileiro, que tem à disposição. Pergunto: tanto ele como os demais "professores" aqui citados fizeram quantos cursos de especialização e estágios nos grandes centros de treinamento do exterior nos últimos anos? Que novas táticas e técnicas desenvolveram?

É sempre mais do mesmo, e assim a gente entende melhor porque a Alemanha na Copa meteu 7 a 1 na nossa seleção e só não fez mais porque ficou com pena dos rapazes assustados e perdidos em campo com aquela camisa amarela, que antigamente metia medo nos adversários.

 

 

 

 

 

 

 

 

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DST 1406587230 460 251 A campanha dos dois pesos e umas 19 medidas

A certa altura da sabatina, que mais parecia um interrogatório feito por quatro jornalistas de diferentes veículos, como se fossem um só, a presidente Dilma Rousseff deu uma pista de como pretende atuar nos debates eleitorais. Em 90 minutos de perguntas duras e respostas por vezes confusas, Dilma passou a primeira parte na defensiva, falando ao mesmo tempo das dificuldades econômicas do momento e das conquistas sociais do seu governo. Quase nada disse sobre as propostas e projetos para um novo mandato, que é o que o eleitor quer saber dos candidatos para definir seu voto.

A conversa seguiu em banho-maria até que foi levantado o inevitável assunto do mensalão petista. Dilma procurou ser didática e não subir o tom nas respostas, mas foi ao ataque: "Tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão foi investigado. Agora, o mensalão mineiro do PSDB, não foi. Quando foi o nosso caso, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos o processo"

Um jornalista logo a corrigiu para lembrar que o mensalão tucano foi, sim, investigado, mas não julgado até agora (embora fosse um caso mais antigo). "E quando vai ser?...", perguntou Dilma, deixando implícita a resposta de que nunca será julgado, exatamente porque o Judiciário trabalha com dois pesos e umas 19 medidas.

O mesmo pode-se dizer também do comportamento da mídia na cobertura da campanha presidencial, em que as denúncias contra o PT e o governo nunca saem das manchetes, e os rolos mal explicados da oposição, que raríssimamente são investigados e publicados, como o do trensalão paulista, logo desaparecem do noticiário, como está acontecendo agora com o enrolado Aécioporto em Minas.

A economia dominou a maior parte da sabatina, com os jornalistas desfiando uma série de índices negativos nas últimas semanas, o que, segundo a presidente, está gerando um "pessimismo inadmissível". Dilma sabe que este será o grande desafio da sua campanha pela reeleição.

"Eu acho que o mesmo pessimismo que ocorreu com a Copa está acontecendo com a economia. E você sabe que na economia é mais grave, porque economia é feita de expectativa. Se alguém bota na cabeça que a situação está descontrolada..."

Dilma lembrou de forma indireta a manchete da "Folha", uma das organizadoras do evento, no dia da abertura da Copa: "Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque". Vai ficar na história. Deu tudo ao contrário, como sabemos: a seleção foi humilhada dentro de campo e deu tudo certo na organização.

De fato, assim que acabou a Copa, revertendo as previsões catastróficas da mídia, começou mais uma campanha organizada pelo inefável Instituto Millenium para mostrar todos os dias que o país está indo à breca, com desindustrialização, inflação alta, crescimento baixo e ameaças de aumentar o desemprego, sem novos investimentos.

É o clima de baixo astral sonhado pela oposição para prejudicar a candidata do governo. Dilma estava inconformada com o episódio do bancão espanhol Santander que, na véspera, tinha distribuído uma carta a seus correntistas mais abonados, alertando-os que podem perder dinheiro se Dilma for reeleita diante da gravidade da situação econômica. Nesta hora, a Dilma velha de guerra perdeu a paciência e soltou os cachorros:

"É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política".

Conteúdo à parte, Dilma continua errando na forma, dando respostas muito longas, e assim acaba se atrapalhando, sem responder objetivamente às perguntas, como aconteceu no final, quando lhe perguntaram o motivo para guardar R$ 150 mil em espécie debaixo do colchão. É o hábito de responder ao repórter e não a quem está em casa, um defeito de comunicação que os marqueteiros presidenciais já poderiam ter corrigido.

Não tem que encarar o repórter, tem que olhar para a câmera, sabendo que por trás dela está um eleitorado ávido querendo saber o que cada candidato propõe de concreto para melhorar a vida no nosso país. Se os entrevistadores não perguntam, há que se encontrar uma forma para indtroduzir o assunto sempre que possível.

Nas três sabatinas até aqui promovidas, com Aécio, Eduardo e Dilma, falou-se muito de problemas do presente, denúncias do passado e muito pouco sobre o futuro, que deveria ser o eixo de qualquer campanha eleitoral, já que se trata sempre de uma renovação de esperanças, por maior que seja o desencanto.

Por falar nisso, alguém já viu algum sinal de campanha eleitoral nas ruas, nas casas, nos carros do nosso país? Fora as propagandas em carros de candidatos a deputado, nem dá para imaginar que vamos ter eleições daqui a apenas 65 dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

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ok1 Como funciona a PPP aérea de Aécio em Minas

Para entender o título: PPP é a sigla que designa em todo o país as Parcerias Público Privadas, investimentos conjuntos de governos e empresas em obras e serviços de interesse de toda a sociedade.

Em Minas, o ex-governador Aécio Neves inovou durante seus oito anos de mandato, criando uma PPP muito particular. No caso dos agora famosos aeródromos reformados no interior do Estado, funciona assim: o poder público entra com a grana, e os donos de jatinhos, sem gastar um tostão, recebem o conforto de uma pista próxima à porteira das suas fazendas. É um programa que pode receber a sigla JAF (Meu Jatinho, Meu Aeroporto, Minha Fazenda).

Antes que completasse uma semana a denúncia feita pela "Folha" sobre a pista de R$ 14 milhões construída pelo governo mineiro na pequena cidade de Cláudio, onde a família do presidenciável tucano possui fazendas bem próximas, surgiu a informação de que um segundo aeródromo foi asfaltado em Montezuma, município ainda menor em que Aécio tem uma empresa agropecuária.

Claro que pode ser tudo mera coincidência, atendendo a todos os requisitos legais, mas o candidato não reagiu bem à primeira pancada que tomou da imprensa na campanha presidencial, e até agora está procurando o eixo para se livrar do incômodo.

"A obra foi feita dentro dos requisitos técnicos do programa de asfaltamento e melhorias dos aeroportos", disse o senador e ex-governador de própria voz, bastante gaguejante, quando saiu a primeira denúncia. Em seguida, procurou sair de cena e deixar as explicações para seus assessores, em notas oficiais e relatórios técnicos divulgados nas redes sociais.

Mais do que a coincidência dos locais escolhidos, chamam a atenção o fato de que até hoje as duas pistas utilizadas por Aécio, parentes e amigos, são consideradas clandestinas, pois não receberam autorização da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), e o alto custo das obras.

A pista asfaltada de Cláudio, construída quando ele era governador, na fazenda do seu tio-avô, Múcio Guimarães Tolentino, ex-prefeito da cidade, tem apenas um quilômetro de extensão, modestas instalações de apoio e atendimento, e é muito pouco utilizada. Segundo Tolentino, que contesta na Justiça a indenização que o governo quer pagar pela área desapropriada, apenas dois empresários costumam usar o aeródromo, duas vezes por semana.

Não se sabe quanto eles pagam pela utilização da pista, já que ela é ilegal e não tem quem possa cobrar. Para evitar a entrada de estranhos, as chaves ficam com a família do presidenciável.

Convenhamos que se trata de uma história no mínimo estranha, para quem começou a campanha fazendo pronunciamentos em defesa da ética na vida pública e ataques aos adversários dos governos petistas. O assunto já está sumindo do noticiário da mídia familiar, mas deve voltar a partir da segunda quinzena de agosto, quando começarem os debates na televisão e os programas eleitorais dos presidenciáveis.

Até lá, quem sabe Aécio Neves encontre alguma explicação mais razoável do que a "relevância econômica" de Cláudio, que possa convencer pelo menos os colunistas e blogueiros amigos para que o defendam com mais argumentos.

Se depender da imprensa, do Poder Judiciário e do Ministério Público de Minas Gerais, no entanto, esqueçam. Não se falará mais em aeródromos do projeto JAF. Mas ficará mais fácil entender o apoio entusiasmado e nada discreto que o candidato do PSDB recebe da grande mídia e do sistema financeiro, para evitar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Que o diga o Santander, o bancão espanhol que na semana passada abriu o jogo em ataques à política econômica do governo federal numa carta enviada aos seus clientes mais abonados, mostrando os perigos que eles correm com um possível novo mandato da presidente. E agora é o bancão que corre o risco de perder clientes pela inconfidência de um "analista" sabujo, que já teria sido demitido.

Este é o jogo pesado que está sendo jogado no momento, a pouco mais de dois meses da eleição presidencial. Só não vê quem não quer.

 

 

 

 

 

 

 

 

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comuni Dilma, Eduardo ou Aécio? Na dúvida, votem em mim...

Termina no próximo dia 2 de agosto o prazo para a votação na segunda fase do 12º Prêmio Comunique-se, também chamado de "Oscar do Jornalismo Brasileiro", que apontará em eleição direta os melhores profissionais de comunicação em 2014.

Na primeira fase, foram indicados 10 comunicadores em cada categoria de mídia impressa e eletrônica. Agora, os três mais votados participarão da festa de gala, no dia 23 de setembro, no HSBC Brasil, em São Paulo, quando serão anunciados os vencedores.

Este ano, em que completo 50 anos de profissão, meu nome foi indicado em duas categorias: Repórter de Mídia Impressa (Revista Brasileiros) e blogs (Balaio do Kotscho, portal R7). Ganhar é sempre melhor do que perder, claro, mas no meu caso o importante é estar no jogo e ainda ser votado pelos meus colegas, depois de tanto tempo de estrada.

Nem sou um caso único de persistência: meu velho amigo Audálio Dantas concorre na categoria Propaganda e Marketing (Revista Negócios da Comunicação) e o colega de bancada Heródoto Barbeiro (Âncora de TV _ Record News), ambos com maior quilometragem, também estão na briga e merecem nosso apoio.

É por isso que aproveito este sabadão cinzento em São Paulo, sem grandes novidades no front, para pedir votos. Para participar, é preciso ser cadastrado no site:

www.comunique-se.com.br

A festa de entrega dos prêmios já tem como apresentadores confirmados o humorista Marcos Veras e o casal Otaviano Costa e Flávia Alessandra. Espero estar lá, com a ajuda de vocês. Como, desta vez, minha filha-mentora Mariana Kotscho está viajando fora do país, sou obrigado a dar uma de cabo eleitoral de mim mesmo. Enquanto vocês decidem entre Dilma, Aécio e Eduardo, na dúvida sobre em quem votar no dia 5 de outubro, votem em mim. O velho agradece desde já.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

 

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bar01 Botequim de 1927 mantem clima de antigamente

Fazia tempo não ia ao Botequim do Hugo, relíquia da São Paulo de antigamente, que resiste no mesmo lugar do Itaim-Bibi desde 1927, nas mãos da mesma família Cabral _  uma raridade nesta cidade sempre mutante.

Como ninguém aguenta mais falar e escrever sobre a "nova seleção" de Dunga e desta safra de pesquisas eleitorais, nem eu, quero convidar os caros leitores a embarcarem comigo numa viagem pelo túnel do tempo e assim partilhar o belo final de tarde que tive nesta quarta-feira.

Hugo é destes taberneiros por vocação, sem nenhuma vontade de aumentar a clientela e o faturamento. Para começar, o horário de funcionamento é bem limitado: abre às quatro da tarde e fecha às dez da noite, nem antes, nem depois, sem choro nem vela. Ninguém é de ferro.

Às cinco da tarde, o dono estava sentado à entrada, conversando com dois fregueses habituais. O papo sobre pescarias estava tão bom que ele nem repara quando chega mais alguém. Quem atende às mesas é sua inseparável irmã Emiliana, ambos netos de Marcelino Cabral, um português do ramo de secos e molhados.

Na cozinha, famosa pelos pasteis, só de carne, queijo e palmito, e do fantástico sanduíche "'buraco-quente", com carne-moída e gorgonzola, ficam a mãe, Zizi, e uma tia, Débora. É o que se chama literalmente de negócio familiar. Os Cabral nunca tiveram empregados.

Apresentados os personagens principais, vamos começar esta viagem do começo, como diria o velho Marcelino. Nos tempos em que no Itaim-Bibi só tinha conjuntos de casas geminadas, cinemas de rua e o pequeno comércio de bairro, ele abriu o Empório Cabral, onde vendia um pouco de tudo, como até hoje vemos nas cidadezinhas do interior.

As casas foram caindo e os prédios subindo naquele que se tornou um dos mais chiques, valorizados e modernos bairros de São Paulo, com suas torres de alumínio e vidro. E o portuga lá firme, tocando a vida, sem dar bola para a torcida, enquanto os filhos iam crescendo e os netos chegando. Em 1986, dois deles resolveram mudar o nome para Botequim do Hugo, mas mantiveram tudo como era, as mesmas prateleiras e balcões, só acrescentando algumas mesas e cadeiras.

O contraste entre a antiga venda e o entorno nova-iorquino foi cada vez se tornando mais chocante. Não é fácil achar o lugar, que não tem nem placa na porta e se esconde atrás de modesta fachada. O que chama a atenção para quem passa pela calçada da rua Pedroso Alvarenga é o cenário de filme mudo que se descortina por trás das duas portinhas.

Está tudo lá no mesmo lugar: gramofones, radiolas, máquinas de escrever, fotos e faixas do São Paulo Futebol Clube campeão, o time do dono e meu, uma roca, santos de todo tipo, velharias variadas, petiscos no balcão e cerveja de garrafa na geladeira, enfeitada, claro, pelo indefectível pinguim.

Nem me lembro a primeira vez em que entrei lá. Até hoje, garanto, nada mudou, a não ser a paisagem humana. À freguesia antiga, formada por vizinhos e trabalhadores mais humildes da região, jornalistas, publicitários, boêmios e vagabundos em geral, juntaram-se nos tempos mais recentes executivos engravatados, moças finas que estudam ou trabalham por perto, casais de namorados.

Como nunca morei nem trabalhei por ali, só ia ao boteco de vez em quando. Passei a ir com maior frequência quando comecei a fazer um tratamento dentário na clínica do amável casal Paula e Edgar Bastos, que fica do outro lado da calçada. O tratamento é interminável e não tenho pressa que acabe: é sempre uma boa desculpa para voltar à cidade da minha infância sem sair de São Paulo. Se você não bebe nem está com fome, vale a pena ir lá só para ouvir as histórias do Hugo e admirar o cenário.

Ficha técnica:

Botequim do Hugo. Rua Pedroso Alvarenga, 1014, Itaim-Bibi. Fone - 3079 6090. De segunda a sexta das 16 às 22 horas. Mais informações no www.botequimdohugo.com.br

BRASIL paulo coelho 20091020 ap HG Botequim de 1927 mantem clima de antigamente

Não pare na pista

Por falar em coisa boa, não percam o filme Não Pare na Pista _ A melhor história de Paulo Coelho, a cinebiografia do escritor brasileiro com mais livros vendidos em todos os tempos (165 milhões de exemplares), mais do que o Frei Betto, o Heródoto e o Chalita juntos. O filme estreia dia 14 de agosto em todo o país e prova que Paulo Coelho é, de fato, o melhor personagem de Paulo Coelho.

Tive a oportunidade de assistir à pré-estreia na abertura do Festival de Paulínia, na noite de terça-feira, e saí de lá impressionado com a qualidade do filme, um dos melhores a que assisti nos últimos muitos anos. A cachorrada  vira-lata vai dizer que é tão bem feito que nem parece filme nacional...

Mais não digo porque se trata de uma produção da minha filha Carolina Kotscho, que trabalhou mais de três anos neste projeto, e também é a autora do roteiro. Vão achar que é nepotismo _ e não é, como vocês poderão ver em breve com os próprios olhos. Carolina, como a sua irmã, a jornalista Mariana, são uma prova da evolução da espécie.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilmaaecio1 Ibope e Datafolha: alguém está errando feio no 2º turno

Ainda nem sabemos se vamos ter segundo turno nas eleições. Até aqui, Dilma vem mantendo um empate técnico com a soma de todos os demais candidatos no primeiro turno, qualquer que seja a pesquisa. Quando se trata das projeções para o segundo turno, porém, as diferenças são estranhas, fora das margens de erro, tanto do Datafolha como do Ibope.

No novo levantamento publicado pelo Ibope, na noite de terça-feira (22), o primeiro após a Copa, mostrando mais uma vez que não houve interferência do futebol da seleção na campanha eleitoral, o instituto aponta vitória folgada de Dilma contra Aécio, caso tenhamos um segundo turno: 41% a 33%, uma vantagem de oito pontos. Para o primeiro turno, os números estão bem próximos, como mostra a matéria do R7.

Já no Datafolha, divulgado no fim da semana passada, a diferença ficou em 4 pontos (44% a 40%), o que permitiu ao jornal do mesmo grupo publicar manchete sobre um empate técnico no segundo turno, no limite da margem de erro.

Como as duas pesquisas foram divulgadas com o intervalo de apenas quatro dias, e nada de importante aconteceu neste período, alguém está errando feio nas projeções para o segundo turno. É muita diferença para o mesmo momento da mesma eleição.

Seria interessante para a lisura da campanha e a saúde da democracia brasileira que os responsáveis pelas pesquisas dos dois institutos viessem a público para explicar as possíveis razões de números tão divergentes.

Os leitores sabem que não faço parte da turma do Fla-Flu que sempre levanta suspeitas quando os números não são favoráveis ao seu candidato. A princípio, confio em todas as pesquisas dos dois institutos, até porque, não disponho de outras para confrontar, mas estas últimas deixaram dúvidas que só os próprios especialistas podem esclarecer. Com a palavra, Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, e Mauro Paulino, da Folha.

Os valentes comentaristas do Balaio também podem me ajudar a entender este estranhamento provocado pelos últimos números divulgados.

 

 

 

 

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okokok Marin, Del Nero, Gilmar e Dunga: pode dar certo?

O impagável José Maria Marin, provecto herdeiro da dinastia Havelange-Teixeira na CBF, resolveu que era hora de passar o bastão e chamou, antes da Copa, seu inseparável parceiro Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e advogado criminalista, para ser eleito em seu lugar.

Como Del Nero só assume o posto no próximo ano _ nunca vi uma transição tão longa, por que será? _ , os dois agora governam juntos o nosso futebol, feito aquelas velhas duplas sertanejas dos tempos da brilhantina. Consumado o desastre da seleção brasileira na Copa de 2014, antes que alguém os chamasse à responsabilidade, demitiram toda a comissão técnica e deram início a uma nova era de "completa reformulação" desta entidade privada, tratada como se fosse propriedade particular deles.

Primeiro surpreenderam todo mundo ao chamar para ser o coordenador técnico das novas seleções brasileiras um empresário de jogadores de futebol que operou como "agente Fifa" nos últimos 14 anos. O sorridente ex-goleiro Gilmar Rinaldi não viu nenhuma incompatibilidade nas funções e deu mãos à obra. De comum acordo, Marin, Del Nero e Gilmar chamaram de volta o velho amigo Dunga, que ficou três anos desempregado, depois de ser demitido da seleção brasileira em 2010, e fracassar no Internacional em 2013, único clube que treinou na vida.

No começo, achei que era só brincadeira para disfarçar, mas com esta turma do barulho tudo é possível, e o grande estrategista Dunga está de volta ao comando da seleção já nesta terça-feira. Não há nenhum perigo de dar certo. É a mesma coisa que sair Marin e entrar Del Nero. O que pode mudar?

Se era para chamar um bedel de cara feia capaz de acabar com a farra na Granja Comary, transformada por Felipão em cidade cenográfica de uma emissora de televisão, com direito a fotos na revista "Caras", os dois presidentes poderiam reforçar a segurança e pensar em algum profissional nacional ou estrangeiro mais qualificado para montar uma equipe de futebol competitiva com o nome de seleção brasileira.

No dia da final entre Alemanha e Argentina, quando ainda se discutia se Felipão deveria ficar ou não, ao fazer um balanço da Copa escrevi aqui mesmo que tanto fazia, já que o buraco estava mais em cima.

Como é que estes cartolas faceiros se eternizam no poder? Tudo começa na estrutura dos clubes brasileiros, a maioria deles falidos, onde as eleições são indiretas e ninguém presta contas a ninguém. São eles que elegem os presidentes das federações. Estes, por sua vez, escolhem um deles para presidente da CBF. Os sócios e os torcedores dos clubes, que bancam a festa, não são ouvidos em nenhuma destas instâncias.

Surge agora nova esperança com uma bela iniciativa do grande Santos de Pelé: a ideia é eleger a próxima diretoria do clube pela internet, com o voto direto de todos os sócios, como acontece em qualquer entidade ou associação privada. Este pode ser um belo começo para uma verdadeira revolução no nosso futebol. Fora disso, é mais do mesmo, eternamente.

E que pensam os caros leitores do Balaio? Pode dar certo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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