abr Com a palavra, Leonardo Boff: E Cristo chorou

Nestes momentos de fumaça negra no Vaticano, em que ninguém sabe o que está acontecendo lá dentro da Capela Sistina, mas todo mundo dá palpite e especula cá fora sobre quem vai ser o novo papa, e que rumos a Igreja Católica tomará, é melhor passar a palavra a quem entende do assunto.

Caiu-me do céu esta manhã, quando já não sabia mais o que escrever, um belíssimo texto do escritor e teólogo Leonardo Boff, com o título "E Cristo chorou sobre os palácios do Vaticano", que transcrevo abaixo.

O sábio amigo frei Leonardo, um dos fundadores e líderes da Teologia da Libertação, que foi aluno do cardeal Joseph Ratzinger na Alemanha no final dos anos 1960 e, em 1984, seria por ele punido num processo movido pela Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, resume neste artigo o sentimento de perplexidade dos católicos diante dos escândalos revelados em Roma após a renúncia de Bento 16.

Ainda bem que 11 meses após a punição, que o condenou, quase duas décadas atrás, a um "silêncio obsequioso", tirou-lhe a cátedra de teologia e o proibiu de escrever, Leonardo foi liberado pelo Vaticano, e assim pudemos continuar lendo os seus livros e artigos, como o que escreveu nesta quarta-feira, recomendando aos cardeais reunidos no conclave que leiam os sinais dos tempos para fazer as reformas capazes de resgatar a credibilidade da Igreja.

Com a palavra, Leonardo Boff:

E Cristo chorou sobre os palácios do Vaticano

13/03/2013

 

Andando pelas comunidades eclesiais de base constituídas  de ribeirinhos da Amazônia, nos limites com o Acre, lá onde viceja uma Igreja pobre e libertadora, ouvi de um líder comunitário, bom conhecedor da leitura popular da Bíblia, a seguinte visão que ele pretende ter sido verdadeira.

         Estava um dia a caminho do centro comunitário, quando se viu transportado, não sabe se em sonho ou em espírito, aos jardins do Vaticano. Viu de repente um Papa, encurvado pela idade, todo de branco, cercado pelos seus principais cardeais conselheiros. Faziam o costumeiro passeio após o almoço, andando pelos jardins floridos do Vaticano.         

         De repente, o Papa vislumbrou, a uns poucos metros de distância, a figura do Mestre. Este sempre aparece disfarçado seja como jardineiro para Maria Madalena seja como andarilho para os jovens de Emaús. Mas o sucessor de Pedro, afastando-se do grupo de cardeais, com fino tato,  identificou logo o Ressuscitado. Ajoelhou-se e quis proferir a profissão de fé que fez Pedro ser pedra, pois sobre esta fé  se constrói sempre a Igreja :”Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”.

         Nisso foi atalhado por Jesus. Olhando o palácio do Vaticano ao longe e o perfil dos prédios da Santa Sé, disse Jesus com voz entristecida: ”Não te bendigo, sucessor de Pedro,  o pescador, porque tudo isso não foi inspirado por meu Pai que está nos céus mas pela carne e pelo sangue. Digo-te  que não foi sobre estas pedras que edifiquei minha Igreja, porque temia que então as portas do inferno poderiam prevalecer contra ela”.

         O Papa ficou perplexo e olhou o rosto do Senhor. Viu que caiam-lhe furtivamente duas lágrimas dos olhos. Lembrou-se de Pedro que o havia traído duas vezes e que, arrependido, chorara amargamente. Quis proferir algumas palavras, mas estas lhe morreram na garganta. Começou também ele,  o Papa, a chorar. Nisso o Senhor desapareceu.

         Os Cardeais ouviram as palavras do Mestre e se apressaram para amparar o Papa. Este logo lhes disse com grande severidade: ”Irmãos, o Senhor me abriu os olhos. Por isso, as coisas não podem ficar como estão. Temos que mudar e mudar em muitas coisas. Ajudem-me a realizar a vontade do Senhor”.

         O Cardeal camerlengo, o mais ancião de todos, afirmou: ”Santidade, iremos, sim, fazer alguma coisa conforme a vontade do Mestre  e segundo a tradição dos Apóstolos. Amanhã reuniremos todo o colégio cardinalício presente em Roma e, invocando o Espírito Santo, decidiremos como vamos proceder, consoante as palavras do Senhor”.

         Todos se afastaram pesarosos, vindo-lhes à memória aquelas cenas do Novo Testamento que se referem a Jesus chorando sobre a cidade santa, que matava seus profetas e apedrejava os enviados de Deus e que se negava a reunir seus filhos e filhas como a galinha que recolhe os pintainhos debaixo de suas asas.

         Um e outro entretanto, comentavam: ”irmãos, sejamos realistas e prudentes, pois nos toca viver neste mundo. Precisamos de edifícios para a Cúria e o Banco do Vaticano para recolher os óbulos dos fiéis e cobrir os nossos gastos. Podemos negar essas necessidades? Mas vejamos o que o Espírito nos inspirar”.

         No dia seguinte, quando os cardeais se dirigiam à sala do consistório, graves e cabisbaixos, o secretário do Papa veio correndo e lhes comunicou quase aos gritos: ”O Papa morreu, o Papa morreu”.

         Nove dias após, celebraram-se os funerais com toda a pompa e circunstância como manda a tradição.  Vindos de todas as partes do mundo, os cardeais desfilavam com suas vestes vermelhas e luzidias, quais príncipes de tempos antigos. Depois sepultaram o Papa.

 E ninguém mais se lembrou das palavras que o Mestre havia dito e que eles escutaram. E tudo continuou como antes nos palácios do Vaticano.

         Post Scriptum: o Espírito Santo fala pelos sinais dos tempos. Um desses sinais são os escândalos ocorridos  que exigem reformas para resgatar a credibilidade da Igreja. Será que os cardeais no Conclave saberão ler esse sinal e dizer como no primeiro Concílio em Jerusalém:”Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo tomar tais e tais decisões”? Caso contrário, o Mestre continuará chorando sobre as pedras do Vaticano.

 Leonardo Boff, teólogo e escritor

 

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papas kotscho  Quem será o novo papa? Que diferença vai fazer?

João paulo 1º, Bento 16 e João Paulo 2º

Enquanto os 115 cardeais que vão eleger o novo papa se trancam na Capela Sistina, a imprensa do mundo inteiro continua especulando sobre os favoritos para assumir o lugar de Bento 16. Quem será o novo papa?

Desde o último dia 11 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, quando o mundo foi surpreendido pela renúncia do papa alemão, algo que não acontecia na igreja há 600 anos, parece que o destino da humanidade está sendo jogado em Roma, tal a avalanche do noticiário religioso nestes últimos dias.

À pergunta que todos se fazem, acrescento outra: Que diferença vai fazer nas nossas vidas a escolha do novo papa, seja ele quem for? Afinal, os cardeais votantes foram todos nomeados por Bento 16 ou pelo seu antecessor, João Paulo 2º, ambos da mesma escola que deu a guinada conservadora na igreja.

Faz muito tempo que as ordens emanadas do Vaticano já não comandam a vida nem do estimado 1,2 bilhão de católicos existentes no mundo, entre eles, este velho escriba, que era correspondente do Jornal do Brasil na Europa em 1978, ano em que tivemos três papas (Paulo 6º, João Paulo 1º e João Paulo 2º).

Junto com o correspondente do jornal em Roma, Araújo Neto, querido amigo já falecido, fiz a cobertura do enterro dos dois primeiros e a eleição dos dois João Paulo.

Naquela época, a Igreja Católica ainda desempenhava um papel importante na geopolítica mundial e nos usos e costumes da maioria dos seus seguidores, o que explicava toda a comoção provocada pela sucessão de um papa.

Em 1978, como agora, também havia especulações de vaticanistas e outros "istas" sobre os favoritos no conclave, mas nenhum dos dois eleitos estava entre eles.

***

Sob o título "Em Canale D´Agordo, já se sabia de tudo. E se rezou contra", o JB deu uma página inteira sobre a história dos Luciani e da magnífica região do Veneto, de onde viera João Paulo 1º, o breve, como previu seu irmão Edoardo. A abertura da matéria:

 

Só os vaticanistas, a Igreja e o resto do mundo foram surpreendidos com a eleição de Albino Luciani para suceder Paulo VI. É esta, ao menos, a conclusão a que se chega após uma rápida viagem pela Veneza dos papas (Luciani é o terceiro papa vêneto, só neste século) e uma tarde de conversas com os moradores de Canale D´Agordo, pequena aldeia onde Albino nasceu. Entre eles, seu irmão mais novo, Edoardo Luciani, pai de nove sobrinhos do novo papa.

"Prepara teu vestido preto, porque teu cunhado vai ser o novo papa e nós teremos que ir a Roma", sentenciou Edoardo à mulher, Marinelli Antonieta, assim que soube da morte de Paulo 6º.

Desde o último inverno, quando o novo papa esteve com o irmão na aldeia, a família Luciani não só desconfiava do destino de Albino, como temia por ele. 

"Sabendo que o papa estava muito doente e dificilmente conseguiria atravessar o inverno, meu irmão pediu para que rezássemos bastante para que ele não fosse eleito seu sucessor", conta-me o mestre-escola aposentado Edoardo, 62 anos, na sala de visitas do sobradão.

"Liguei a televisão cinco minutos antes do cardeal Felici falar o nome do novo papa. Eu tinha certeza, estava seguro de que era meu irmão. Ele tinha medo de ser papa. Vivia aterrorizado com essa ideia".

_ Mas por que essa ideia? E por que esse medo?

_É muito simples. Veja, eu sou mais novo do que ele quatro anos e já estou aposentado. Me doem as costas, sinto-me cansado. Agora, você imagine o Albino, numa idade em que precisava descansar, agora com essa vida de papa. Tem que acordar às quatro horas da manhã, trabalhar até as onze da noite, com tantos problemas que tem na Igreja, no mundo... Não, não é nenhuma maravilha de trabalho, não.

***

Se naquela época já havia problemas...

A premonição de Edoardo seria confirmada apenas 33 dias depois. O telefone tocou tarde da noite na minha casa em Bonn, capital da Alemanha na época. Era Dorrit Harazim, chefe dos correspondentes internacionais: "Kotscho, te prepara para voltar a Roma. O papa morreu!".

Pensei que fosse trote, ainda brinquei: "Como assim? Morreu de novo?".

Também ninguém apostava que dias depois seria eleito para o lugar de João Paulo 1º o cardeal polonês Karol Wojtyla, o primeiro papa não italiano em mais de 450 anos.

Aprendi a não dar palpite nestas horas. É melhor esperar a fumaça branca.

 

 

 

 

 

 

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Dilma Rousseff Dilma anuncia na 6ª novas ações pró consumidor

Numa reunião convocada em pleno domingo, no Palácio da Alvorada, com a participação de vários ministros, a presidente Dilma Rousseff fechou o pacote que anunciará nesta sexta-feira (15) com novas ações para a defesa do consumidor.

Depois de baixar taxas de juros, determinar cortes nas tarifas de energia elétrica e cortar impostos para desonerar os preços da cesta básica, o "pacote de bondades" do governo mira agora nas agências reguladoras e nos Procons estaduais.

As áreas mais visadas são as de telefonia, energia, saúde e aviação, exatamente as que provocam maior número de queixas dos consumidores.

Participaram da reunião para discutir questões jurídicas do pacote os ministros Alexandre Padilha, da Saúde, José Eduardo Cardoso, da Justiça, Luis Inácio Adams, da AGU, e Gleise Hoffmann, da Casa Civil, entre outros.

O objetivo do governo é que as agências reguladoras realmente cumpram com presteza sua função de fiscalizar as concessionárias de serviços públicos, aplicando multas mais severas a quem descumprir os contratos, da mesma forma como pretende reforçar os Procons.

Fora isso, o cenário político de Brasília continua com as velhas "notícias enguiçadas" de sempre, aquelas que vão passando de uma semana para outra, sem solução.

Royalties, Cabral e O Globo _ "O Rio está fazendo tudo errado, não conseguiu nem o apoio do governo de São Paulo. Esta tática do governador Sergio Cabral de fazer política via jornal "O Globo" não tem chances de dar certo. Se não funcionou nem no Congresso, imagina no Supremo...", desabafou um importante interlocutor da presidente Dilma quando lhe perguntei se o governo estuda alguma compensação para os Estados produtores.

Quem conhece a presidente Dilma sabe que ela não gosta de decidir nada sob pressão e, mesmo que quisesse indenizar os Estados produtores por perdas com a nova lei, certamente não o fará enquanto Sergio Cabral continuar alimentando as manchetes de O Globo.

Dilma deve assinar até amanhã o projeto de lei sobre a nova redistribuição dos royalties do petróleo aprovado pelo Congresso, sem os vetos presidenciais que foram derrubados na semana passada e causaram a bronca de Cabral, com ameaças de calote e criação de novas taxas.

A gota d´água na irritação de Dilma com o governador carioca foi a ideia de taxar a Petrobras pela queima de gás, cobrança que fatalmente seria repassada aos consumidores e pressionaria a inflação num momento em que o governo faz de tudo para controlar os índices.

Para o governo, o problema dos royalties agora é do Supremo Tribunal Federal.

O Senado e o Orçamento _ Caso o presidente do Senado, Renan Calheiros, cumpra sua promessa de votar nesta terça-feira o Orçamento da União, já aprovado pela Câmara, na prática nada mudará para o governo.

No final do ano passado, quando começou esta novela da votação do Orçamento, enviado ao Congresso em agosto, o governo Dilma já tinha baixado uma medida provisória em que liberou R$ 45 bilhões para evitar a paralisia da máquina federal nestes primeiros meses de 2013.

Reforma ministerial _ Continua do mesmo tamanho, com apenas quatro ou cinco mexidas previstas na Esplanada dos Ministérios para contemplar PMDB, PSD e, talvez, o PR, mas ninguém arrisca uma data para a presidente anunciar as mudanças.

É grande a torcida no Palácio do Planalto para que Dilma Rousseff anuncie logo esta minirreforma. Ninguém aguenta mais falar neste assunto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Capela Sistina Reuters Balanço de uma semana para ser esquecida

Fumaça sai da chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, em abril de 2005, na eleição do Papa Bento XVI. Foto: Reuters

Ao fazermos um balanço do cardápio que tínhamos para o "Jornal da Record News" na edição da última quinta-feira, perguntei ao amigo Heródoto Barbeiro:

_ E qual é a notícia boa? Não temos nenhuma?

_ Essa semana tá difícil...

Heródoto Barbeiro, o monge da notícia, gosta de desafios e mergulhou de cabeça no noticiário da internet. Já no começo da noite comemorou no meio da redação:

_ Achei! Tenho uma notícia boa aqui para colocar nas manchetes!

E era mesmo: a indústria brasileira registrou, em janeiro, um crescimento de 2,5%, o maior ritmo de expansão dos últimos três anos.

No mais, foi só notícia negativa ao longo de uma semana para ser esquecida.

O fim da agonia do presidente venezuelano Hugo Chávez, que provocou comoção nas ruas de Caracas, deixando um povo inconsolável, disputou espaço com a trágica morte do roqueiro Chorão, derrotado pelas drogas, e o interminável julgamento do goleiro Bruno, com todos os detalhes escabrosos que cercaram a morte de Elisa Samúdio.

Um calor infernal e temporais diários, com cortes de luz e semáforos apagados, transtornaram a vida dos paulistanos, que já não conseguem exercer o sagrado direito de ir e vir em sua cidade.

O Congresso Nacional, claro, também deu sua contribuição, ao transformar num grande picadeiro a votação dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de redistribuição dos royalties do petróleo e, mais uma vez, a decisão final foi jogada para o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores das comissões da Câmara e do Senado, as excelências aproveitaram a confusão para colocar um bando de raposas para tomar conta do galheiro. A chave de ouro foi a indicação do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), conhecido por manifestações racistas e homofóbicas, para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Até o que era um fato positivo, agora está ameaçado pela judicialização não só da política, mas da vida dos brasileiros: o procurador-geral Roberto Gurgel decidiu que ninguém é obrigado a fazer o teste do bafômetro, o que, na prática, inviabiliza a aplicação da Lei Seca.

Do Vaticano, de onde poderia vir alguma esperança de que algo mudaria na Igreja Católica com a eleição do sucessor de Bento 16, também só chegaram mais denúncias sobre pedofilia, corrupção e disputa de poder entre os cardeais.

Este cenário desolador levou a um impasse para definir o início do conclave, finalmente marcado para o próximo dia 12, terça-feira, mesmo dia em que o Senado brasileiro promete, finalmente, votar o Orçamento da União, já aprovado na Câmara.

Nas reuniões preparatórias, com a participação dos 115 cardeais aptos a votar, não vazou nenhum sinal para nós, católicos dos tempos de D. Paulo e D. Hélder, de que algo de novo possa sair das chaminés da Capela Sistina.

Pelas anódinas declarações dos "papáveis" até agora, a escolha do novo pontífice promete ter a mesma emoção das recentes eleições para as presidências da Câmara e do Senado em Brasília. Cada vez mais, é preciso ter muita fé para acreditar que a próxima semana será melhor do que aquela que passou.

Bom domingo a todos.

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votação royalties  Congresso vira um picadeiro: cadê os partidos?

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Atualizado às 14h de 7.2.

Daqui a pouco o presidente do Senado, Renan Calheiros, deverá informar o resultado da votação dos royalties. Foi uma lavada: 54 dos 63 senadores presentes e 349 dos 405 deputados derrubaram os vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei aprovado pelo Congresso sobre a nova distribuição dos royalties do petróleo.

Foi a primeira votação e a primeira derrota do governo este ano no Congresso, onde a base aliada de Dilma tem, teoricamente, ampla maioria, tanto na Câmara como no Senado.

Os três Estados produtores _ Rio, Espírito Santo e São Paulo _, que terão prejuízos bilionários com a nova lei, já anunciaram que recorrerão ao Supremo Tribunal Federal.

***

Deboche, bate-boca interminável, parlamentares aboletados na mesa diretora, cercando e xingando o presidente Renan Calheiros, bancadas se retirando do plenário, vaias, gritos _ um grande picadeiro foi montado no Congesso Nacional, na noite de quarta-feira, durante a votação dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de redistribuição dos royaltines do petróleo.

Ao final de quatro horas de discussões, a esculhambação era geral, e o cenário, desolador. Nem o resultado da votação conseguiram anunciar, mas uma coisa é certa: a derrubada dos vetos levará, mais uma vez, um embate entre o Executivo e o Legislativo para o Supremo Tribunal Federal.

A judicialização da política é apenas sintoma de um problema maior: a falência dos partidos políticos, tanto do governo como da oposição. Qual a posição do PT de Dilma sobre os royalties do petróleo? Do PMDB de Temer, do PSDB de Aécio, do PSB de Eduardo Campos? Estão todos mais preocupados com 2014, ninguém quer entrar em bola dividida.

royalties Congresso vira um picadeiro: cadê os partidos?

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Cadê os partidos nestas horas em que ninguém é de ninguém, só interessa o aqui e agora, o meu pirão primeiro? O fato é que nessa geléia geral partidária, ninguém mais pensa nos problemas do país do presente, muito menos nos desafios do futuro. Acima de tudo, estão os interesses pessoais, locais, regionais, pela ordem.

"Isso é uma vergonha! Não vamos participar desta sessão", gritou o deputado Hugo Leal (PSC-RJ), enquanto deixava o plenário junto com o restante da bancada carioca.

"Vai lá pra baixo, se não vou suspender a sessão", ordenou Renan Calheiros a Anthony Garotinho (PR-RJ), que chegou a tomar o microfone das mãos do presidente do Senado.

Poucas horas antes, em cerimonia no Palácio do Planalto, a presidente Dilma tinha feito um derradeiro apelo aos parlamentares para defender a destinação dos royalties do petróleo para a educação.

"Vocês me perdoem, mas destinar os royalties do petróleo, as participações especiais e tudo o que o petróleo arrecadar para a educação é condição para o país mudar de patamar".

A presidente falou em vão. Quem está preocupado com isso? No meio da confusão, o mais comportado parecia ser o deputado Tiririca (PR-SP), palhaço por profissão e um deputado exemplar, que se limitava a segurar uma plaquinha em que se lia: "Não ao veto. Royalties para todos!"

+ Leia mais sobre a vida de repórter de Ricardo Kotscho no R7 Livros

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Hugo Chavéz Os dois Hugo Chávez: herói de um povo e inimigo da direita

Hugo Chavéz cercado pela população, em 1998. Foto: Ricardo Mazalan/AP

Morreram no final da tarde desta terça-feira os dois Hugo Chávez que entraram para a história da América Latina: o herói do povo venezuelano e o inimigo número um da direita do continente, o líder bolivariano que peitou o império americano para tornar seu país "livre e independente", na perfeita definição do seu sucessor, Nicolás Maduro.

Em 14 anos no poder, quatro vezes eleito presidente, Chávez mudou a cara do país, governou para os mais pobres e resgatou sua dignidade, colocou a Venezuela no mapa do mundo e dividiu a riqueza do petróleo, que antes dele fazia a festa de meia dúzia de famílias em Miami.

As reações à morte de Chávez repetiram as manifestações que ele provocou em vida: multidões foram para as ruas de Caracas cantar o hino nacional e gritar a palavra de ordem "Chavez fica, não vai embora", enquanto adversários buzinavam seus carros em regozijo nos redutos mais ricos da capital venezuelana.

No Brasil, alguns bolsões mais radicais da mídia não conseguiram esconder o extase de alegria provocado pela morte do líder bolivariano, e já começaram a dar conselhos ao principal líder da oposição, Henrique  Capriles, como costumam fazer aqui, sobre como derrotar o candidato de Chávez, Nicolás Maduro, favorito absoluto para ganhar as eleições a serem marcadas no prazo de trinta dias.

O sentimento do povo venezuelano pode ser resumido nesta declaração dada por Jamila Rivas, de 48 anos, em frente ao Hospital Militar onde Chávez morreu, à repórter Patrícia Velez, da Reuters:

"Agora é o momento do povo. Agora tem que continuar a sua luta. Tem que demonstrar que o que ele fez não foi em vão".

Estive algumas vezes com Hugo Chávez nos dois primeiros anos do governo Lula, em que ele costumava fazer visitas-surpresa ao presidente brasileiro. Às vezes, não dava nem tempo de organizar o cerimonial para receber o ilustre visitante, que mais parecia um velho amigo de Lula dos tempos de sindicato.

Com histórias de vida bem diferentes, os dois se encontraram num determinado momento da história da América Latina com os mesmos objetivos: dar início a um processo de distribuição de renda e inclusão social que permitisse resgatar da pobreza e da miséria a maior parte das populações de Brasil e Venezuela, e promover a integração da América Latina. E conseguiram.

No caso de Chávez, a principal herança foi praticamente triplicar o PIB per capita (de US$ 3,8 mil para US$ 11,1 mil) e reduzir a um terço a pobreza extrema do país (de 20,3% para 7% da população).

Chamado pelos adversários de autoritário e populista, embora tenha conquistado seus mandatos sempre nas urnas, guardo dele a lembrança de um tipo meio fanfarrão, por vezes engraçado, que não mede muito as consequências do que fala e faz, apaixonado pelo papel, que criou para si próprio, de pai dos pobres e inimigo dos imperialistas.

Para obter mais informações sobre a Venezuela de Chávez, sua história e seu futuro, indico os blogs dos meus colegas Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão, aqui mesmo no R7, e a nossa conversa com o repórter Luiz Carlos Azenha, no Jornal da Record News de terça-feira.

[r7video http://videos.r7.com/-chavismo-pode-sobreviver-sem-chavez-diz-jornalista/idmedia/513691fc6b7100f51b88fb11.html]

[r7video http://videos.r7.com/luiz-carlos-azenha-e-ricardo-kotscho-comentam-o-futuro-da-venezuela/idmedia/51369b01b61c97df1a3b681b.html]

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Gosto muito de ler a coluna do Carlos Heitor Cony na "Folha", um verdadeiro oásis em meio ao deserto de homens e ideias em
que vivemos, pois o grande cronista não se limita a comentar os fatos do dia a dia, mas sempre vai além, faz a gente pensar um pouco sobre o rumo das coisas.

Nesta terça-feira, por exemplo, Cony escreve sobre as chamadas "notícias enguiçadas", a feliz expressão criada por outro escriba que admiro, o Tutty Vasquez, do "Estadão":

"Com a renúncia do papa, o incêndio numa boate em Santa Maria (no Rio Grande do Sul), o desfile cafona no tapete vermelho, a rotineira e discutível premiação da Academia de Hollywwod, mais uma vez a mídia revelou seu culto à redundância".

Poderia acrescentar também a cobertura dos julgamentos sem fim, sai um entra

cony Cony critica a mídia por culto à redundância

outro, a doença de Hugo Chavez, a onipresença de Neymar, o eterno Fla-Flu da disputa política, os royalties do petróleo...

Parece que o noticiário fica dando voltas em torno do próprio rabo, girando em moto contínuo nas velhas e nas novas mídias.

A cada dia sinto mais dificuldades para encontrar um assunto novo que seja realmente capaz de surpreender a mim e ao leitor, que tenha algo a ver com a vida real, uma história que valha a pena ser contada.

Este desafio não se limita à mídia, como mostra Cony, ao lembrar do que aconteceu com o grande ator Walmor Chagas:

"Numa entrevista feita dias antes de se suicidar, Walmor Chagas também criticou a redundância de temas e recursos do teatro e do cinema, principalmente aqui, no Brasil.

Revelou que continuava a receber convites para atuar no palco, nas telas e na televisão, afinal, era um dos maiores atores em atividade. Mas os projetos que recebia eram tão repetitivos e alienados que ele recusava. Preferiu ir embora a aceitar papéis e temas que nada diziam à sua formação e ao seu gosto".

Com o título "Desprezo ao homem comum", Cony também faz referência na coluna a outra característica da mídia atual:

"O homem comum pouco aparece nas diversas mídias tradicionais, com exceção, talvez, dos desabafos e ressentimentos despejados na internet".

Em quaquer atividade, a gente precisa não só gostar do que faz, mas também ver um sentido no nosso trabalho _ não pode ser só para ganhar um salário no final do mes e pagar as nossas contas em dia.

Ao ler a reflexão feita hoje pelo nosso incansável cronista-romancista-pensador, que, entre outras virtudes, tem a capacidade de rir e debochar dele mesmo, e de não confundir cara feia com seriedade, eu me senti menos sozinho nesta dura tarefa de escrever quase todos os dias da vida sem cair na redundância e sem desanimar.

Qual é o segredo, caro Cony?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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graos Economia dá os primeiros sinais de recuperação

Mal deu tempo para a oposição tripudiar sobre o "pibinho" de 0,9% anunciado na semana passada, e a economia brasileira já começa a dar os primeiros sinais de recuperação neste início de ano.

Os últimos números são animadores. Por exemplo: depois de quatro trimestres seguidos de queda, os investimentos registraram um crescimento de 0,5% nos últimos três meses de 2012, o que o governo atribui aos cortes nas taxas de juros.

Outros indicadores importantes: com os cortes nas tarifas, o consumo de energia cresceu 4% em janeiro e, o de papel ondulado, 10%. A venda de caminhões e máquinas disparou no momento em que o País começa a colher a maior safra de grãos da sua história.

No mercado de trabalho, a renda aumentou e a taxa de desemprego, em 2012, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), ficou em 5,5%, a menor média anual dos últimos dez anos.

A inflação anual continua girando em torno de 6% ao ano, é verdade, bem acima da meta de 4,5%, mas vai registrar uma desaceleração de janeiro, quando chegou a 0,86%, para 0,4%,em fevereiro.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou animado com a receptividade que encontrou na viagem aos Estados Unidos, na semana passada, em que deu início ao "road-show" programado pelo governo para atrair investidores estrangeiros, em especial para a área de infraestrutura. E já pensa em agendar encontros também na Ásia.

Na contramão do noticiário negativo sobre as perspectivas da economia brasileira, que alimentam os discursos da oposição de olho nas eleições presidenciais, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet) divulgou nesta segunda-feira um estudo mostrando o acelerado aumento de investimentos estrangeiros diretos (IED) no país entre 2003 e 2012.

Nestes dez anos, o Brasil pulou do 15º pra o 4º lugar entre os países que mais atraíram investimentos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e de Hong-Kong. Segundo a Agência Estado, a participação brasileira nos fluxos de investimento foi a que mais cresceu no mundo neste período, passando de 1,7%, em 2003, para 5%, em 2012.

Sempre que o caro leitor sentir o desânimo bater, depois de ler a opinião dos analistas econômicos e especialistas em geral na grande imprensa, vale a pena dar uma ligada para o Ministério da Fazenda e checar como andam as coisas.

Serve, pelo menos, para não perder as esperanças e começar a semana mais animado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 O melancólico fim do pontificado de Bento 16

Deixando para o próximo papa uma igreja dividida e um balaio de problemas, que vão dos escândalos de pedofilia abafados por cardeais, a negócios escusos flagrados no Banco do Vaticano e o roubo de documentos pessoais que se tornaram públicos, Bento 16 encerrou nesta quinta-feira (28) os oito anos de seu melancólico pontificado.

No ritual do "beija-mão" do qual participaram cerca de cem cardeais, o ainda papa Bento 16 resumiu assim seu trabalho como chefe da Igreja Católica: "Nesses oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiosa no caminho da igreja, junto a momentos em que algumas nuvens se adensaram no céu".

Como tem feito em todas as suas aparições públicas desde que anunciou a sua renúncia em meio ao Carnaval, Bento 16 não explicou quais foram os momentos de luz nem a que nuvens ele se refere, "em que o Senhor parecia estar adormecido", como disse no dia anterior em sua derradeira aparição pública na praça de São Pedro, diante de 150 mil fiéis.

O fato é que ele passou suas últimas semanas no trono de São Pedro se queixando das dificuldades que enfrentou na vida de papa, não vendo a hora de se retirar para o palácio de Castel Gandolfo, onde passará os próximos dois meses, enquanto não são concluídas as reformas do convento que escolheu para morar dentro do Vaticano.

Ficam para trás três encíclicas, quatro exortações apostólicas, a nomeação de 83 cardeais e 53 viagens, mais da metade dentro da Itália _ nada que tenha mudado os rumos da igreja, mas apenas reafirmado velhos dogmas.

"Prometo minha incondicional obediência e reverência ao futuro papa", disse Bento 16, ao final do encontro com os cardeais reunidos para lhe dar adeus na Sala Clementina, em seu último dia de um papado que não deixará saudades. Melhor assim.

Afinal, pela primeira vez em mais de dois mil anos de história, teremos um papa e um ex-papa convivendo na minúscula Cidade do Vaticano.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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essa Clubes têm que cortar a grana das uniformizadas

Toda vez que acontece uma tragédia nos estádios, é a mesma coisa: promessas de providências severas são anunciadas para coibir a violência patrocinada pelas torcidas uniformizadas.

E quem financia estas torcidas? São os próprios clubes, como sabemos, que bancam ingressos e passagens, reservam espaços nos estádios e mimam, em troca de apoio político nas eleições, os chamados "bandos de loucos", que proliferam por toda parte no país.

Aconteceu com o Corinthians e a sua "Gaviões da Fiel" em Oruro, na Bolívia, mas poderia ter acontecido em qualquer outro lugar com a torcida uniformizada de qualquer outro grande clube brasileiro.

Ao matar o menino Kevin Beltrán com um sinalizador, levando esta arma para o estádio, a maior torcida uniformizada corintiana provocou, além da tragédia humana, enormes prejuízos financeiros ao clube, e tirou do time o seu maior trunfo: a própria torcida.

O regulamento da Comenbol prevê, acertadamente, que os clubes são responsáveis pelos atos de seus torcedores.

Será que os cartolas que financiam estas torcidas de vândalos profissionais ainda não perceberam que cortar a grana das uniformizadas é o caminho mais curto para evitar a violência dentro e fora dos estádios, e os prejuízos humanos e financeiros dela decorrentes?

Quem pagou a viagem dos 12 torcedores da "Gaviões" presos após a morte do menino? Do que vivem estes abnegados para acompanhar seu time pelo interior da Bolívia em dias de semana?

Acabar com a promiscuidade existente entre os dirigentes dos clubes e os dirigentes dos "bandos de loucos" é o grande desafio do nosso futebol para que a gente volte a sentir o gosto de ir ao estádio com os amigos torcer pelo nosso time, sem medo de não voltar para casa.

No tempo em que ainda não existiam as torcidas uniformizadas e não havia espaços separados para cada clube nas arquibancadas, eu ia muito aos estádios com meu pai, nos anos 1950.

Lembro-me sempre da final do campeonato paulista de 1957, no Pacaembu, em que meu glorioso tricolor ganhou do Corinthians por 3 a 1, jogando com Poy, De Sordi e Mauro; Dino, Vitor e Riberto; Maurinho, Amaury, Gino, Zizinho e Canhoteiro.

Torcedores dos dois times se misturavam nas numeradas e nas arquibancadas, até que começou a voar garrafa de cerveja para todo lado e se abriu um clarão à minha frente.

Meu pai se meteu na briga e sumiu no meio do rolo daquela que ficou conhecida como "a tarde das garrafadas"

A partir deste dia, foi proibida a venda de cerveja em vasilhames de vidro dentro dos nossos estádios. E este problema, pelo menos, foi resolvido.

Agora, é até mais simples: basta fechar a torneira de dinheiro que abastece os torcedores profissionais para trazer de volta aos estádios os não-remunerados. Os clubes gastariam menos e ganhariam mais, tenho certeza.

Estudo da Stochos Sports & Entertainament, publicado aqui no R7 nesta quarta-feira, que entrevistou quase 50 mil torcedores, mostra que 83,9% deles atribuíram às organizadas a culpa pela violência nos estádios.

O dado mais importante: 60% deles responderam que voltariam a acompanhar seus times caso as uniformizadas sejam banidas do nosso futebol.

Diante destes números, o que falta para cair a ficha dos cartolas? Precisa morrer mais gente?

 

 

 

 

 

 

 

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