paulista Governo não tem mais o que dizer; fim de um ciclo

Manifestantes reunidos na Avenida Paulista neste domingo

Acabei de participar há pouco de um Jornal da Record News especial, ao lado de Heródoto Barbeiro, Nirlando Beirão e Aldo Fornazieri, em que apresentamos um resumo e comentamos os principais fatos e desdobramentos deste dia 15 de março de 2015, quando 1,5 milhão de brasileiros foram às ruas para protestar contra o governo de Dilma Rousseff, marcando um divisor de águas na nossa vida política.

Ao sair de casa, na confusão da região próxima à avenida Paulista, fui abalroado por um carro que vinha de marcha-ré na contramão e ficou em cima do meu pé. Eu sei que vocês não têm nada com isso, mas preciso explicar o motivo deste texto atrasado, ligeiro e breve que publico abaixo.

Na abertura do programa, ouvimos o pronunciamento e a entrevista coletiva concedidos no final da tarde pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso, e da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, em nome da presidente, que passou a tarde reunida com seu gabinete de crise no Palácio da Alvorada.

Não queria estar na pele deles. Ficou claro que o governo não tem mais nada de novo para dizer diante do tamanho da crise e das manifestações que duraram o dia todo, em todas as regiões do país. E quem é contra o governo não tem mais paciência para ouvir. Tanto que, bem na hora em que eles começaram a falar, começou outro panelaço em  várias cidades do país.

Ficou claro no dia de hoje que está terminando mais um ciclo político no Brasil, o da Nova República, a do chamado presidencialismo de coalização. A corda está arrebentando por todo lado e parece que o governo federal e o Congresso Nacional ainda não se deram conta da gravidade do momento que estamos vivendo.

Foi também num dia 15 de março, exatamente 30 anos atrás, que comemoramos o fim da ditadura, com a posse que deveria ser de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil pós-64, e que acabou sendo de José Sarney, que deu início ao ciclo.

O divisor de águas entre a ditadura e a democracia tinha sido a campanha das Diretas Já, em 1984. O último governo militar ainda se arrastou até o ano seguinte, mas o seu ciclo havia terminado.

A grande diferença entre estes dois 15 de março que ficarão na história é que, desta vez, não sabemos o que virá depois. Ao contrário de 1984, hoje não temos partidos nem lideranças políticas capazes de comandar o processo, nem a menor ideia do que acontecerá amanhã, nem depois de amanhã.

Pelas falas de Cardozo e Rossetto, ficamos com a impressão de que o governo Dilma esgotou sua munição e já não sabe mais o que fazer para acalmar as massas. Os dois falaram novamente em diálogo, que a presidente anunciou no dia da sua reeleição e até agora não colocou em prática nem dentro da própria base aliada, no pacote anticorrupção, prometido ainda durante a campanha eleitoral, na reforma política e no fim do financiamento privado.

Acontece que tudo isso já foi falado antes, e não se mostrou capaz de apontar horizontes nem devolver esperanças. Quem ainda quer diálogo com um governo sem rumo nem norte? Quem acredita em pacotes, sejam fiscais ou de combate à corrupção?

Reforma política depende dos políticos, muitos deles investigados na Lista do Janot. Os poderosos Gilmar Mendes, ministro do STF, que não devolve o processo, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já anunciaram que, por eles, o financiamento privado de campanhas, que está na raiz de todas as corrupções, nunca vai acabar.

É este o resumo da opera.

Vida que segue.

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Está explicada a demora na divulgação da lista dos nomes de 8.667 brasileiros encontrados nas contas secretas do HSBC da Suíça, que foi entregue ao jornalista Fernando Rodrigues. Graças ao trabalho dos repórteres Chico Otavio, Cristina Tardaguila e Ruben Berta, de O Globo, em parceria com o UOL, ficamos sabendo que entre eles aparecem as famílias de alguns barões da mídia, seus herdeiros e jornalistas famosos.

Ao todo, há pelo menos 22 empresários e sete jornalistas brasileiros entre os donos destas contas. Todos os que foram localizados pelo jornal negaram a existência das contas ou qualquer irregularidade.

Surgiram nos documentos, os nomes de proprietários do Grupo Folha/UOL, da família Frias; da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, e de Lily de Carvalho, viúva de Roberto Marinho, do Grupo Globo, ambos já falecidos.

Os maiores valores encontrados estão nas contas da família Queiroz, dona da TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará (em 2006/2007, eram US$ 83,9 milhões) e de Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa/Rede Transamérica (US$ 120,6 milhões).

Entre outros, aparecem também os nomes de Luiz Fernando Ferreira Levy, da família proprietária da "Gazeta Mercantil", que foi à falência e está sendo processada pelos antigos empregados; Dorival Masci de Abreu, da Rede CBS de rádios; Fernando João Pereira dos Santos, do grupo João Santos; João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, do Paraná, e o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, do SBT, que tinha aplicados US$ 12,5 milhões em 2007..

Na lista dos sete jornalistas clientes do HSBC estão Arnaldo Bloch (O Globo); José Roberto Guzzo (Editora Abril); Mona Dorf (rádio Jovem Pan);  Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines, filhos de Alberto Dines. Fernando Luiz Vieira de Mello (ex-Jovem Pan), falecido em 2001, teve uma conta encerrada em 1999. As contas de Bloch e Guzzo também estavam encerradas.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

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Atualizado às 17h50

Aos leitores:

neste domingo, a partir das 19 horas, estarei no Jornal da Record News (canal 78 na NET), ao lado de Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão, para comentar as manifestações de protesto organizadas em todo o país contra o governo da presidente Dilma Rousseff. A emissora fará a cobertura completa durante todo o dia.

Na segunda-feira, a partir das nove da manhã, participarei de aula magna na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. O evento é destinado a todos os alunos de Jornalismo da instituição, mas estará aberto à comunidade. Inscrições podem ser feitas pelo e-mail:

rodolfo.martino@metodista.com.br

***

O Balaio errou. Sejam quais forem os números verdadeiros, se os da CUT, da Polícia Militar ou do Datafolha, foi grande a participação dos movimentos sociais organizados nos atos contra o impeachment e em defesa da presidente Dilma Rousseff, pelo menos em São Paulo, na tarde desta sexta-feira.

"Quem vai para as ruas defender Dilma-2?", perguntei no título do post anterior, fazendo uma previsão pessimista com base em declarações dadas na véspera pelos próprios organizadores da manifestação, como se pode ver na abertura da matéria.

A resposta foi dada por milhares de pessoas que foram às ruas, apesar da chuva forte. O tom predominante da manifestação foi a defesa da democracia contra o terceiro turno que vem sendo tentado de diferentes formas pelos derrotados nas eleições de outubro.

Como nas pesquisas eleitorais e suas famosas margens de erro de dois pontos para mais ou para menos, nem importam tanto os números discrepantes _ 12 mil, segundo a PM de Alckmin, 41 mil nos cálculos científicos do Datafolha ou os 100 mil anunciados pela CUT. Tirando a média, foi mais gente para as ruas do que o próprio governo esperava.

O clima nas ruas pode ser resumido em dois cartazes empunhados pelos manifestantes:

"Avante, Dilma, estamos na luta".

"Derrotados nas urnas, atacam a Democracia. Não ao golpe!".

Outros cartazes e faixas traziam críticas às medidas provisórias 664 e 665 do pacote fiscal, pediam plebiscito para fazer a reforma política e a reforma do judiciário, pena de morte para os corruptos, redução da taxa de juros, mas nenhuma era contra a presidente Dilma. Do outro lado, depois que a passeata pró-Dilma seguiu da avenida Paulista para a praça da República, apareceram apenas 60 gatos pingados com camisetas pretas do grupo "Revoltados Online", em defesa do impeachment.

Em outras 22 capitais, as manifestações foram fracas, mesmo segundo os números dos organizadores da CUT, do MST e da UNE, bem maiores do que os calculados pelas Polícias Militares dos Estados: no Rio, apenas 5 mil (1.500 para a PM); em Belo Horizonte, 10 mil (1.500 para a PM); Recife, 3 mil (700 para a PM); Salvador, 4,5 mil (1.800 para a PM) e 1.000 em Brasília, igual para os dois lados. Somando tudo, deu 169.800 em todo o país, segundo a CUT, e 26.050, para as PMs.

Para quem gosta de comparar números, a média do público pagante dos quatro clubes grandes no campeonato paulista deste ano é de 15 mil pessoas por partida, quase igual ao do Flamengo, no Rio (16 mil).

Será inevitável agora a comparação com as manifestações contra Dilma programadas para este domingo, em cerca de 70 cidades, organizadas por mais de 20 grupos organizados nas redes sociais, com objetivos políticos distintos e bandeiras variadas, que vão do combate à corrupção, passando pelo impeachment e até à pregação de um golpe militar.

Curioso é que todos se declaram apartidários. O PSDB informou que só apoia estes grupos à distância, sem participar da organização. Artistas globais e o tucano Aécio Neves divulgaram vídeos com textos semelhantes convocando a população para os protestos. "Vá para a rua defender o Brasil", pediu Aécio, mas ele mesmo ainda não sabe se vai.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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phpThumb Quem ainda vai para as ruas defender Dilma 2?

"Não é um ato nem contra, nem a favor do governo, mas, sim, pela normalidade democrática (...) O fato é que a eleição acabou, não há terceiro turno" (Wagner Freitas, presidente nacional da CUT).

"Não vai ter refresco. A política que a Dilma está aplicando é a de Aécio Neves. Temos que defender os nossos direitos" (Joaquim Pinheiro, membro da coordenação nacional do MST).

Diante das declarações acima, está cada vez mais difícil saber quem, afinal, ainda está disposto a ir às ruas para defender o governo Dilma-2.

Pelas prévias dos atos que vimos na quinta -feira, na véspera das manifestações que começam nesta sexta, dia 13, e terminam domingo, 15, a presidente Dilma Rousseff está cada vez mais isolada em seu labirinto no segundo mandato que começou há apenas dois meses e meio. Fico triste com isso, mas não há como negar os fatos.

Pela programação inicial, o objetivo da CUT era fazer um contraponto antes das manifestações organizadas pela oposição, há tempos marcadas para o dia 15, mas os fatos dos últimos dias tornaram ainda mais difícil a tarefa de quem busca argumentos para defender o governo petista.

Vamos pegar o exemplo da UNE, uma das entidades pró-governo envolvidas na mobilização dos atos em defesa da Petrobras, organizados em 26 Estados. Os estudantes sempre tiveram um papel importante nas manifestações organizadas pelo PT, mas agora boa parte deles está em pé de guerra com o governo, em razão da lambança promovida pelo Ministério da Educação no Fies, programa de bolsas para estudantes pobres em faculdades particulares. Com os cortes nas verbas e problemas burocráticos, milhares deles estão madrugando em filas para renovar suas matrículas e ameaçados de ficar fora das escolas.

A questão central de todas as entidades envolvidas nos atos em defesa dos direitos trabalhistas, da Petrobras, da democracia e da reforma política é que todas são contra a política econômica do governo Dilma-2 e do seu pacote de ajuste fiscal, que corta benefícios sociais de estudantes e trabalhadores, e não mexe nas grandes fortunas e nos lucros do andar de cima. Como é possível, ao mesmo tempo, defender e atacar um governo que os movimentos sociais ajudaram a reeleger?

Some-se a isso o fato de que os organizadores dos atos contra Dilma e seu governo contam com a simpatia e o apoio ostensivo da grande mídia familiar, e promovem um verdadeiro massacre nas redes sociais, já há várias semanas, convocando seus seguidores para saírem às ruas de 62 cidades. A batalha da comunicação é absolutamente desigual e já foi vencida pela oposição liderada por grupos como Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados Online.

Para entendermos do que se trata, o líder deste último grupo, Marcello Reis, sem ocupação definida, já anunciou que pretende levar sua tropa para a avenida Paulista hoje mesmo, no mesmo local e horário, às 16 horas, da manifestação da CUT e do MST. E ele não esconde que quer mesmo o confronto: "Tomara que haja, porque vamos com todas as ações possíveis contra o sapo barbudo", como esses grupos se referem ao ex-presidente Lula.

Lula já avisou que não vai. Aécio ainda não sabe se vai ou não vai aparecer nas ruas no domingo.

E vamos que vamos.

 

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tarifa 1024x716 E o que podemos esperar depois do dia 15?

Junho de 2013: será que estas cenas vão se repetir?

Só se fala disso: em todas as rodas de conversa, nas rádios e nos jornais, nos botecos e nas igrejas, nas famílias e nas feiras, no governo e na oposição, o assunto agora se resume ao que pode acontecer durante as manifestações marcadas para domingo, dia 15. A maioria nem sabe direito do que se trata exatamente, mas não tem dúvidas de que é alguma coisa de protesto grande contra Dilma, o PT e "tudo isso que está aí".

O próprio governo federal parece não ter a menor ideia do tamanho que esses atos poderão ganhar, mas agora até a presidente Dilma Rousseff mostra estar bastante preocupada. Depois do panelaço de domingo passado e dos palavrões e das vaias que ela ouviu nesta semana ao chegar a um evento em São Paulo, a ficha finalmente caiu.

A presidente resolveu montar um plantão de emergência e já convocou seus principais ministros para acompanhar as manifestações perto dela em Brasília. Ficarão sem folga no fim de semana Aloizio Mercadante, da Casa Civil, José Eduardo Cardozo, da Justiça, Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral, Thomas Traumann, da Comunicação, e até o ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Enquanto isso, a oposição partidária liderada pelo PSDB faz que vai, mas não vai, no seu tradicional estilo plantado em cima do muro. Deixou a mobilização por conta de duas dezenas de grupos montados nas redes sociais, como Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line, e vai ficar na janela para ver o que acontece. Durante toda a semana, o ex-candidato presidencial e senador tucano Aécio Neves repetiu que apoia as manifestações, mas não irá às ruas para evitar a vinculação dos "protestos espontâneos da população" com partidos políticos.

Antes que a quarta-feira terminasse, porém, Aécio deu uma entrevista à rádio Jovem Pan, espécie de porta-voz oficial dos movimentos contra a presidente Dilma, em que admitiu mudar de ideia. "Sou um cara de rompantes. Quem sabe na hora eu não resisto?". O único partido que assumiu abertamente o apoio ao "Fora Dilma", até agora, foi o Solidariedade, do bélico e impagável deputado Paulinho da Força, sempre ele.

Agora que a crise está transbordando dos plenários e gabinetes para as ruas, passam para segundo plano a CPI da Petrobras, a Lista do Janot, as intermináveis delações premiadas de doleiros e outros corruptos assumidos na operação Lava Jato, e até as lambanças na coordenação política do governo.

Personagens carimbados como Renan, Cunha, Mercadante, Levy, Zé Agripino e outros frequentadores dos telejornais vão ter que abrir espaço para novas celebridades ainda anônimas, mas que certamente vão aparecer surfando nas manifestações.

O massacre é tamanho na mídia e nas redes sociais que não ouço ninguém falar no outro ato marcado para esta sexta-feira pela CUT e movimentos sociais ligados ao PT, em defesa da Petrobras, da reforma política e do governo eleito em outubro. Inverteram-se os papéis entre vidraça e estilingue.

É melhor esperar para ver o que acontece. Estou mais preocupado é com o dia 16 para saber como o país reage às manifestações, a depender das dimensões que elas ganharem ou não. Os protestos vão se multiplicar, como aconteceu em 2013? Até onde irão? Com o mau humor generalizado da população, a falência do sistema político-partidário e a ausência de lideranças respeitadas na sociedade civil, tudo pode acontecer _ e neste cenário de barata voa não costuma ser coisa boa. Até rimou...

E o caro leitor arrisca algum palpite?

 

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"Não adianta nada tirar a Dilma. Vai fazer o que depois? Impeachment é uma bomba atômica. É pra dissuadir, não pra jogar" (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

"Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer" (senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Em mais um colóquio promovido nesta segunda-feira (9) no Instituto Fernando Henrique Cardoso para decidir o destino da Presidente Dilma Rousseff, com a nonchalance de quem está programando um fim de semana em Paris, os caciques tucanos desembarcaram das marchas do "Impeachment Já" programadas para o próximo domingo, deixando órfãos na estrada os marchadeiros e marchadeiras do golpe anunciado.

Ato contínuo, em evento no Palácio do Planalto, Dilma tocou pela primeira vez no assunto e foi ao ataque, no mais incisivo discurso que fez desde a posse no segundo mandato.

"Eu acho que há que caracterizar razões para o impeachment e não o terceiro turno das eleições. O que não é possível no Brasil é a gente não aceitar a regra do jogo democrático. A eleição acabou, houve primeiro e segundo turno. Terceiro turno das eleições para qualquer cidadão brasileiro não pode ocorrer a não ser que se queira uma ruptura democrática".

Nem é nova a ideia do sangramento proposta pelo senador paulista, candidato derrotado à vice-presidência da República na chapa de Aécio Neves. Em 2005, no auge do mensalão, quando setores mais radicais da oposição queriam o impeachment de Lula, o próprio FHC tinha defendido essa tese, afinal adotada pelo PSDB. E Lula acabou sendo reeleito no ano seguinte.

Agora, no momento em que Dilma enfrenta uma conjugação de crises em seu governo, que mal a deixa respirar, mais uma vez Dilma recorre ao seu criador e padrinho. Os dois marcaram um almoço para daqui a pouco em São Paulo. No cardápio, o trivial variado desses momentos: possíveis mudanças no ministério para aumentar a participação do PMDB (sempre ele...), intensificar as viagens da presidente pelo país e discutir a dificuldade do PT em lidar com protestos como o panelaço de domingo passado e os atos marcados para o próximo.

Duas décadas depois, de disputarem a presidência da República pela primeira vez, Lula e FHC voltam à ribalta da cena política, a demonstrar a falência de lideranças tanto no PT como no PSDB, na busca de soluções para este impasse político que pode empurrar o país para uma grave crise institucional. Mais do que ninguém, os dois principais políticos em atividade no país sabem que, quando o povo vai para a rua, os desdobramentos se tornam imprevisíveis.

dilma lula planalto 500 FHC desiste de tirar Dilma, que chama Lula

fhc ok FHC desiste de tirar Dilma, que chama Lula

A ausência de novos líderes representativos da sociedade fica clara na organização dos protestos contra Dilma no dia 15, apoiada pelos tucanos, mas em que eles não pretendem mostrar as caras, com a exceção do senador Aloysio Nunes, que já confirmou presença. Na nossa história recente, das Diretas Já ao impeachment de Collor, quando ainda não existiam as redes sociais, sempre foi o PT quem esteve à frente das manifestações, que agora mobilizam a população contra o partido, após 12 anos de governos petistas.

Logo após a vitória de Dilma no segundo turno, em outubro, três grupos saíram às ruas com carros de som para protestar contra a presidente eleita: "Vem pra Rua", "Revoltados On Line" e um grupo que defendia o golpe e a volta dos militares ao poder, com o apoio da família Bolsonaro. O nome mais conhecido à frente dos manifestantes "pacíficos" era o do cantor Lobão, que já tirou o time.

De lá para cá, já são 20 grupos diferentes se organizando contra o governo, entre eles uma certa "Onda Azul", o único abertamente ligado ao PSDB. Apresentando-se como empresário, Rogério Chequer, líder do "Vem pra Rua", movimento que recebeu o apoio de José Serra, explica que não há uma agenda comum. "Podemos fazer muitas coisas juntos, mas não há nada definido. Conversamos com todos os grupos, como conversamos com todos os partidos. Quer dizer, quase todos." Além do antipetismo, o que une estes grupos? Para Chequer, é o desejo de mudança. "Só não pode ser golpe ou intervenção militar", esclarece.

São tantas bandeiras e reivindicações diferentes, como aconteceu nas manifestações de junho de 2013, que a Polícia Militar resolveu dividir em blocos a manifestação marcada para a avenida Paulista. Como uma escola de samba que desfila em alas, vai ter de tudo, dos que defendem o impeachment de Dilma aos que querem uma intervenção militar, como o "SOS Forças Armadas".

Nos últimos dias, alguns líderes mais ajuizados começaram a se perguntar o que aconteceria com um eventual impedimento da presidente. Assumiria o PMDB de Temer, Renan e Cunha? E se tivermos novas eleições? Quais outros partidos, além do PT e PSDB, que se revezam há 20 anos no poder, lançariam candidatos? O que sobra? O PP de Maluf e Bolsonaro? O PSD de Kassab? O PPS do Roberto Freire? O DEM de Caiado e Zé Agripino?

Quem tiver outras sugestões de nomes pode mandar para o Balaio.

Em tempo: houve uma  alteração na agenda da presidente Dilma Rousseff. O encontro com Lula, que estava marcado para a hora do almoço, em São Paulo, foi transferido para a noite, em Brasília.

 

 

 

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Ao mesmo tempo em que a presidente Dilma Rousseff ocupava rede nacional de TV, na noite de domingo, para pedir paciência e apoio da população ao seu governo, em boa parte das principais cidades brasileiras a resposta foi dada com panelaços, buzinaços, palavrões, gritos histéricos de "Fora Dilma e "Fora PT", rojões, luzes piscando nos apartamentos, deixando a impressão de uma revolta generalizada.

Como nosso País é muito grande e eu moro em São Paulo, na região dos Jardins, o principal reduto tucano, é preciso tomar muito cuidado para não generalizar o que aconteceu durante os 15 minutos do pronunciamento da presidente.

Por isso, logo cedo, perguntei à dona Edite, uma senhora baiana que trabalha com minha família faz mais de vinte anos, se houve algum protesto semelhante no bairro dela, o Jardim João 23, na periferia da zona oeste paulistana. Pelo seu relato, e eu não tenho nenhum motivo para duvidar, lá foi tudo igual.

Já no começo da madrugada desta segunda-feira, a direção do PT reagiu às manifestações de protesto, divulgando nota em que denuncia "uma orquestração com viés golpista que parte principalmente da burguesia e da classe média alta". Segundo o partido da presidente, o "panelaço fracassou em seu objetivo" e o protesto foi financiado pelos partidos de oposição.

De uma coisa podemos ter certeza: depois que inventaram as redes sociais, nada mais acontece por acaso, de forma espontânea. Durante todo o fim de semana, os diferentes movimentos que organizam as marchas do "Impeachment Já!", programadas em 200 cidades brasileiras para o próximo domingo, foram os mesmos que convocaram seus seguidores a participar do panelaço durante o discurso de Dilma na TV. O resto fica por conta do espírito de manada estimulado pelos pit bulls da imprensa.

panelaço Dilma pede paciência, ouve panelaço e PT acusa golpe

Bairros de São Paulo se manifestam fazendo "panelaço" enquanto Dilma se pronuncia na TV. Alguns edifícios também apagavam e acendiam as luzes em protesto / Reprodução/YouTube

Enganam-se, porém, os estrategistas do governo se acreditarem nesta versão conspiratória do PT de que tudo não passa de rugidos da elite branca, os tais "coxinhas tucanos", inconformados com a derrota nas eleições de outubro, e que o povão está satisfeito da vida. Não está.

A própria presidente Dilma reconheceu em sua fala que os brasileiros têm "o direito de se preocupar e se irritar". É o que sinto por toda parte, em todas as classes sociais: uma crescente e difusa irritação com o governo, a presidente e o PT. O tal do povão está perdendo a paciência já faz tempo, como registrei aqui mesmo em post publicado no dia 28 de agosto do ano passado _ bem antes das eleições presidenciais, portanto. Sob o título "Ódio contra o PT em São Paulo é assustador", conto o que ouvi de um motorista de táxi:

"Eu tenho tanto ódio contra o PT que, se tiver uma eleição entre o PT e o PCC, em São Paulo, eu voto no PCC".

De lá para cá, este sentimento só fez crescer, agora com a adesão de eleitores da própria presidente, que temem perder direitos e empregos por conta do pacote de ajuste fiscal lançado no começo do segundo mandato, como é fácil verificar pela desaprovação do governo nas pesquisas.

"Agora a coisa virou pessoal", constatou o leitor Fernando Peres, em mensagem enviada às 6h10 de hoje, ao comentar os protestos da noite de domingo. Posso estar enganado, claro, mas tenho a impressão de que uma grande parte da população, e não só de São Paulo, pelo que tenho lido nas redes sociais, já não quer mais nem ouvir o que a presidente tem a dizer pelo simples e bom motivo de ter perdido a confiança nela e em sua equipe de governo.

Conto com a ajuda dos demais leitores deste Balaio para termos uma ideia melhor da dimensão do que de fato aconteceu nos protestos contra a presença de Dilma na televisão, algo para mim inédito na história política brasileira.

Como foi no seu bairro, na sua cidade? O que você espera dos atos marcados para o próximo domingo? O que pode acontecer?

Tem hora em que é melhor o jornalista perguntar do que tentar explicar tudo e adivinhar o futuro.

É a vez de vocês buscarem as respostas. Escrevam, participem, me ajudem!

E vamos que vamos.

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Untitled 2 O país está mais uma vez nas mãos do PMDB

Trinta anos após a morte de Tancredo Neves, que antes da posse deixou o cargo para o vice José Sarney (ex-Arena e ex-PDS), primeiro e último presidente da República do PMDB, o principal partido da transição da ditadura para a democracia está novamente dando as cartas no poder central.

Quanto mais fraco o governo, mais forte fica o PMDB, o fiel da balança nestas últimas duas décadas em que PSDB e PT se revezaram no Palácio do Planalto.

Com brevíssimos intervalos, o antigo partido de Ulysses Guimarães, hoje comandado pelo vice Michel Temer e os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Eduardo Cunha, da Câmara, integrou todos os governos após a redemocratização. Só meu amigo Nelson Jobim, por exemplo, foi ministro de três deles: de FHC, de Lula e Dilma.

Por maior que seja seu poder, até hoje ninguém descobriu qual é o projeto do PMDB para o país, aonde seus líderes querem chegar. Este talvez seja o segredo do seu longevo sucesso: o PMDB só tem projeto de poder, quanto mais, melhor.

É por isso que agora, antes mesmo da inclusão dos nomes de Renan e Cunha na lista dos políticos investigados na Operação Lava-Jato, os peemedebistas abriram guerra contra governo Dilma-2, que tentou reduzir os espaços do partido no segundo mandato. Sabe-se lá por quais misteriosos desígnios, a presidente resolveu montar um governo à sua imagem e semelhança, reforçando o papel de partidos menores, como o PSD de Gilberto Kassab, distanciando-se do PMDB e do PT, e do seu criador e mentor Lula. E deu no que deu.

Em apenas dois meses, Dilma conseguiu transformar sua folgada maioria no Congresso em minoria. Quem comanda a oposição agora é o PMDB velho de guerra, o primeiro a pular do barco que começou a fazer água, como é de sua tradição e costume. Mais do que adversários descontentes com a divisão de cargos e verbas, os dois peemedebistas comandantes do Congresso são agora inimigos declarados e furiosos.

"O governo quer sócio na lama", disparou Eduardo Cunha neste sábado, indignado como todos os políticos limpinhos que apareceram na lista do Janot. "Sabemos exatamente o jogo político que aconteceu. O procurador agiu como aparelho visando à imputação política de indícios como se todos fossem partícipes da mesma lama. É lamentável ver o procurador, talvez para merecer sua recondução, se prestar a esse papel."

Na mesma linha de tiro, Renan deu uma ideia do nível do debate daqui para frente: "Dilma só soube que o Aécio estava fora da lista na noite de terça, quando o Janot entregou os nomes para o Supremo. Ficou p... da vida. Aí a lógica foi clara: vazar que estavam na lista Renan e Eduardo Cunha. Por quê? Porque querem sempre jogar o problema para o outro lado da rua".

Para quem acompanha a política brasileira, por dever de ofício, há mais de 50 anos, dá um certo cansaço e um profundo desânimo ver a repetição dos mesmos enredos, pois nada mais parece capaz de nos espantar.  Se já é difícil governar o país tendo o PMDB como aliado, é fácil imaginar como será com o PMDB na oposição.

A gravidade do quadro político chegou a tal nível de combustão que já se voltou a falar até num diálogo entre PT e PSDB na tentativa de salvação da lavoura. Esquece-se quem ainda acredita nisso que o PSDB é apenas uma costela do PMDB, consequência de um racha do partido em São Paulo, quando era comandado por Orestes Quércia, o que provocou a saída de FHC, Mario Covas, José Serra e Franco Montoro, entre outros, para a criação da nova sigla da socialdemocracia.

A esta altura, o que os líderes dos dois partidos teriam a dizer uns aos outros, em que termos seria costurado um pacto pela governabilidade? Não há a menor chance, como deixou bem claro o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos mais entusiasmados com as marchas pelo impeachment marcadas para o próximo domingo: "A condição para tirar o Brasil da crise é tirar o PT do poder". Qualquer semelhança com o que acontece no Oriente Médio não é mera coincidência.

Este é o clima. Pobre país.

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 Renan e Cunha vão escolher quem vai julgá los

Calma, pessoal, muita calma nesta hora. Quem estava querendo ver sangue na Operação Lava-Jato, e ficou frustrado com a lista anunciada pelo ministro Teori Zavascki, que já tinha vazado por todo lado, ainda vai ter que esperar um bocado de tempo até que acabem as investigações solicitadas pelo procurador-geral Rodrigo Janot, sejam feitas as denúncias e saiam as primeiras sentenças no STF, se é que um dia isso acontecerá (o mensalão tucano até hoje não foi a julgamento).

Pelos cálculos do experiente ministro Marco Aurélio Mello, que conhece todos os escaninhos do STF, levará pelo menos três anos para que o processo seja concluído, ou seja, isto deve coincidir com a campanha presidencial de 2018.

Por mais revoltados que estejam com o governo federal e o procurador-geral Rodrigo Janot, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Eduardo Cunha, da Câmara, não têm motivos para se preocupar tanto com seus destinos nos inquéritos abertos na noite de sexta-feira contra 34 parlamentares suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras.

Com o controle absoluto do Congresso Nacional nas suas mãos, os peemedebistas Renan e Cunha podem se dar ao luxo de escolher quem vai julgá-los politicamente nos conselhos de ética (na Justiça, é outra história, que ainda vai demorar bastante).

Na Câmara, o bloco suprapartidário formado por Eduardo Cunha ocupará praticamente a metade das cadeiras (9 no total de 21 titulares) do Conselho de Ética, que toma posse na próxima quarta-feira. Se não ficar satisfeito com alguma decisão, o investigado Cunha ainda poderá recorrer à poderosa Comissão de Constituição e Justiça, que é presidida pelo fiel aliado Arthur Lira (PP-AL), um dos 22 parlamentares do partido de Maluf incluídos no pacote de Janot/Teori.

Também Renan Calheiros tem tudo para dar um tranquilo passeio pela Comissão de Ética do Senado, onde conta com folgada maioria, ainda mais agora que virou herói também da oposição, depois de afrontar a presidente Dilma Rousseff, ao devolver a medida provisória da desoneração das folhas de pagamento.

Cunha e Renan estão possessos com o governo Dilma, acreditando piamente de que foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quem convenceu Janot a colocar seus nomes na lista. Para se vingar do procurador-geral, os dois pretendem apresentar propostas na Câmara e no Senado com o objetivo de impedir a recondução de Janot ao cargo, lembrando que o mandato dele termina em setembro. É o Senado, afinal, quem aprova ou não o nome indicado pela presidente da República a partir de uma lista tríplice apresentada pelo Ministério Público Federal.

A guerra entre o Planalto e a cúpula do Congresso está só começando. Eduardo Cunha até já mudou de ideia sobre um pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Depois de dar várias declarações em defesa do cargo da presidente, garantindo que é contrário à proposta defendida por setores da oposição, agora o presidente da Câmara já admitiu a aliados próximos que poderá acolher o pedido, a depender do tamanho das manifestações pelo "Impeachment Já" marcadas para o próximo dia 15.

Além disso, Cunha corre para aprovar em segundo turno a chamada "PEC da Bengala", que aumenta para 75 anos a idade-limite para a aposentadoria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de impedir Dilma de indicar cinco novos nomes no segundo mandato.

Com a atual composição, Renan e Cunha nunca tiveram maiores problemas no STF. E Renan já mandou avisar à presidente Dilma que não aceitará qualquer nome apoiado por José Eduardo Cardozo para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou há seis meses. Para fazer sua defesa no STF, Renan não vai nem gastar dinheiro do seu bolso: já indicou para esta tarefa o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, que é pago com os impostos que nós pagamos.

Por mais barulho que a aliança midiática do Instituto Millenium tenha feito desde que começaram os vazamentos das delações premiadas, pelo menos até o momento em que escrevo o mundo ainda não acabou com a divulgação dos nomes dos políticos investigados na Operação Lava-Jato.

Por falar nisso, tem alguém investigando quem é o responsável por estes vazamentos seletivos de partes dos processos que corriam sob segredo de Justiça?

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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torneira E do escândalo da água do Alckmin ninguém fala mais?

As águas de março fechando o verão já estão quase indo embora e as torneiras de São Paulo continuam com a corda no pescoço. Final de março foi o prazo dado pelo governador Geraldo Alckmin para implantar o rodízio que prevê quatro dias sem água por dois com no abastecimento da Sabesp na região metropolitana, e agora ninguém mais fala no assunto.

De repente, como que por encanto, o escândalo da falta d água na maior cidade do país foi desaparecendo do noticiário, substituído por planos, projetos, obras de emergência e providências variadas adotadas pelo governo estadual, como se os reservatórios estivessem cheios e o problema definitivamente resolvido. Enquanto isso, continuamos tomando água do volume morto do Sistema Cantareira, cujo nível permanece estacionado em torno de 11%, mesmo após as últimas chuvas.

A maior obra implantada por Alckmin neste período foi um tal de "comitê de gestão de crise", que passou a pautar a imprensa amiga e sumir com as questões incômodas para o eterno governador paulista, que esta semana se deu ao desfrute de comentar um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. E o dele? Por acaso não é crime de responsabilidade deixar a população da maior cidade do país ameaçada de ficar sem água por falta de planejamento e investimentos na área de abastecimento comandada pela Sabesp?

"Alckmin planeja parceria privada para reduzir desperdício de água", dá em manchete de página a Folha desta sexta-feira, em mais uma reportagem sobre as maravilhosas ideias lançadas pelo governador, depois que não tinha mais jeito de esconder a gravidade do problema. A cada dia, o governo solta mais um factoide do "comitê de gestão de crise" para o deleite de quem gosta de ser enganado.

Nem se pode mais falar em racionamento, rodízio e nas dezenas de bairros onde falta água desde outubro do ano passado. Agora, tudo é só "crise hídrica", como se este fosse apenas um acidente de percurso do destino provocado pela má vontade de São Pedro.

Só no dia 13 de fevereiro, já com todos os bairros da capital paulista sofrendo as consequências da redução de pressão de água, o governador Alckmin saiu dos seus confortos para promover a primeira reunião do "Comitê da Crise Hídrica" com prefeitos e entidades civis das cidades atingidas, um ano depois que os reservatórios começaram a esvaziar.

Na vida real, fora dos gabinetes que abrigam as infindáveis reuniões para discutir medidas de prevenção de incêndio numa casa que está pegando fogo, os paulistanos que moram em regiões mais altas e distantes dos reservatórios já convivem com o drama das torneiras secas faz muito tempo.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

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