aecio Empresariado e mídia fazem opção por Aécio Neves

Ainda outro dia, no Jornal da Record News, comentei com Heródoto Barbeiro que a mídia nativa mostrava-se indecisa entre qual candidato da oposição apoiar contra Dilma. Os fatos e o noticiário dos últimos dias não deixam mais dúvidas: a maioria dos principais veículos de comunicação do país, tanto quanto o alto empresariado, que não por acaso caminham sempre juntos, decidiu abertamente apoiar o candidato tucano Aécio Neves, deixando Eduardo Campos comendo poeira na estrada.

Faltando exatos cinco meses para o dia da eleição, o tempo político começa a correr mais depressa e as pesquisas passam a ter um papel decisivo nesta hora. Vários episódios da semana passada contribuíram para favorecer a definição a favor de Aécio e isto ficou claro no encontro dos maiores empresários do país em Comandatuba, na Bahia, em que o tucano foi aclamado pela plateia e o candidato do PSB passou em branco. A presença da candidata a vice Marina Silva a seu lado, que pode agregar votos de sonháticos e evangélicos, certamente não ajudou Eduardo neste ambiente.

A imprensa recorreu ao "palmômetro", como os programas de auditório, para destacar a vitória do senador e ex-governador mineiro na pajelança anti-Dilma dos possíveis financiadores de campanhas. Ao mesmo tempo, as últimas pesquisas divulgadas, mostrando a queda da presidente Dilma e o crescimento mais forte de Aécio fora das margens de erro, enquanto Eduardo subia pouco, para finalmente chegar aos dois dígitos, não deixaram dúvidas sobre qual candidato o establishment vai apoiar, ou melhor, já está apoiando, na quarta tentativa de não deixar o PT ficar com o governo central.

Afastado o fantasma do "volta Lula", que tanto atemorizava estes setores, e definido pelo PT que Dilma será candidata à reeleição até o fim, alguns veículos passaram a trabalhar ostensivamente em favor de Aécio no noticiário de todas as mídias, até dando sugestões para a sua campanha, como já fazem colunistas e blogueiros do Instituto Millenium. Da mesma forma, a imprensa estrangeira, tendo à frente o "Financial Times", faz campanha aberta para desconstruir a imagem do governo Dilma, mostrando claramente de que lado está o grande capital.

Fora o apoio do pessoal do dinheiro e da mídia grande, há outras condições objetivas que favorecem Aécio Neves neste momento: tem mais estrutura partidária, mais tempo de televisão, mais palanques estaduais, o PSDB está no governo em Minas e São Paulo, os maiores colégios eleitorais do país e, em consequência, tem mais condições do que Eduardo Campos para formar um arco de alianças, algo que, até agora, os dois não conseguiram.

Definido seu candidato, a grande imprensa foi desencavar até um manifesto do PSB de Eduardo Campos, lançado em 1947, em que o partido defende a socialização dos meios de produção e limites à empresa privada. Se ainda faltava algum motivo pela opção por Aécio, não há mais. O candidato da "nova política" pode até desconhecer este documento e dizer que o mundo mudou, mas o estrago está feito na manchete da "Folha".

No fim de semana, o ex-governador de Pernambuco tentou se diferenciar do tucano, ao afirmar que "temos projetos, base política e social que são distintos", depois de ouvir Aécio, em Comandatuba, dizer que não consegue "ver o Eduardo como adversário, pois somos companheiros do mesmo sonho", já de olho no segundo turno.

É aí que reside o desafio dos apoiadores e do próprio candidato tucano: como inflar sua candidatura sem desidratar demais a de Eduardo, que é fundamental para levar a eleição ao segundo turno, cada vez mais provável de acontecer, segundo as pesquisas.

Em tempo 1: Eduardo Campos declarou nesta segunda-feira, em Belo Horizonte, que até a convenção do PSB, em junho, será alterado o texto do manifesto do partido citado no texto acima.

Em tempo 2:  Sobre as últimas pesquisas, antes de mais um encontro com empresários e de receber o título de cidadão honorário de Belo Horizonte, o candidato do PSB comentou: "Estou completamente tranquilo, porque as pesquisas a esta altura em 2010 davam José Serra presidente". Apesar do noticiário negativo sobre a sua candidatura, Eduardo botou fé no seu taco: "Não tenho a menor dúvida de que iremos para o segundo turno e vamos ganhar as eleições".

Em tempo 3: por falar em empresas privadas que financiam campanhas eleitorais, tão cortejadas pelos candidatos, o ministro Gilmar Mendes ainda não devolveu o processo que proíbe esta prática. Há mais de um mês, quando o placar já estava 6 a 1 a favor da proposta de proibição de financiamentos privados de campanha, Mendes pediu vista do processo, alegando que precisava "avaliar melhor o caso". Espera-se que o julgamento termine a tempo desta nova regra, criada para combater a influência do poder econômico, entrar em vigor já na eleição de outubro. Só depende dele, pois a decisão já foi tomada pela maioria dos ministros do STF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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essa ok Em queda, Dilma une PT contra dupla Aécio Eduardo

essa Em queda, Dilma une PT contra dupla Aécio Eduardo

No mesmo momento em que o PT mostrava unidade no seu Encontro Nacional, nesta sexta-feira, em São Paulo, confirmando, por aclamação, a candidatura de Dilma Rousseff e afastando de vez o fantasma do "volta Lula", Aécio Neves e Eduardo Campos pareciam cada vez mais afinados num grande encontro de empresários promovido em Comandatuba, no litoral baiano.

"Não consigo ver o Eduardo como meu adversário, somos companheiros do mesmo sonho", abriu o jogo o candidato tucano, no segundo evento seguido em que apareceu junto com o ex-ministro de Lula e ex-governador de Pernambuco.

Nova pesquisa, desta vez do Sensus, publicada pela revista IstoÉ, mostrou mais uma queda de Dilma e o forte crescimento dos principais candidatos de oposição, indicando pela primeira vez a forte possibilidade de termos segundo turno. A presidente Dilma ficou com 35% contra 34,7% dos seus dois principais adversários (23,7% de Aécio e 11% de Eduardo).

Sabemos que o mais importante nas pesquisas não é o retrato do momento, mas a curva desenhada pelos índices das pesquisas _ é aí que reside o maior desafio de Dilma para conseguir a reeleição, que até o início do ano parecia fato consumado.

A cinco meses das eleições, a curva de Dilma aponta para baixo, em todas as pesquisas divulgadas nas últimas semanas, quase na mesma proporção em que a da dupla Aécio Eduardo sobe, ao contrário do que aconteceu em 2010, quando o tucano José Serra aparecia folgado na liderança e a petista vinha bem distante, mas não parando de crescer até as curvas se cruzarem, não mudando mais até o dia da eleição.

Desta vez, dois outros indicadores colocam obstáculos no caminho da presidente: seu índice de rejeição (42%) é o mais alto entre os candidatos competitivos, superando em sete pontos o de intenção de votos. E a avaliação negativa do seu governo(31,9%) supera pela primeira vez o de aprovação (29,6%), abaixo do piso de 34% apontado como mínimo necessário para os candidatos à reeleição.

A unidade mostrada pelo PT em seu Encontro Nacional pode ter chegado tarde demais, depois das rachaduras na base aliada e das críticas feitas à política econômica, que não mostra sinais de reação diante dos sérios problemas enfrentados pelo país neste campo.

Aécio Neves e Eduardo Campos se aproveitam disso para afinar seus discursos de oposição ao governo, que tanto agradam aos empresários cortejados por ambos nesta pré-campanha eleitoral, a ponto de já não se saber o que os diferencia.

A candidatura de Eduardo Campos, do PSB, que até o final do ano passado apoiava o governo do PT, tendo como vice Marina Silva, ex-petista e também ex-ministra de Lula, é o fato novo desta eleição em mais um embate que se desenha entre PT e PSDB.

Aécio até já falou numa aliança em 2015, cada vez animado com seu crescimento nas pesquisas, mas resta saber até que ponto Eduardo Campos aceitará o papel de linha auxiliar dos tucanos e em que momento ele terá que bater, não só no governo Dilma, mas também no seu atual parceiro, para conseguir uma vaga no segundo turno.

A semana que está terminando mostra que o cenário da eleição presidencial está cada vez mais imprevisível, com três candidatos se movimentando em direções opostas nas pesquisas. No discurso em que reiterou seu apoio à presidente e se colocou à disposição para trabalhar na sua campanha, Lula voltou a criticar a elite e a imprensa, mas quem definiu o tom da campanha daqui para a frente foi Dilma:

"Há forças políticas que detestam os programas que tiram pessoas da miséria, até porque nunca se preocuparam com elas. "Que acham que o caminho está no passado. Mas o povo não vai deixar. Dilma foi além e acusou os tucanos de serem movidos por "rancor e ódio" e significam "retrocesso, mesmo que travestidos de novidades".

O jogo está jogado: é Dilma com Lula, novamente em busca do apoio dos trabalhadores, como a presidente demonstrou no seu pronunciamento de 1º de Maio, contra Aécio em dobradinha com Eduardo, que ontem receberam, mais uma vez, o apoio do alto empresariado.

Façam suas apostas.

 

 

 

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FestaForcaSindical 01052014 DO 23 Começou a baixaria: ao lado de Aécio, Paulinho ofende Dilma

O que já se podia imaginar aconteceu, na tarde desta quinta-feira, durante as comemorações de 1º de Maio promovidas pela Força Sindical, em São Paulo: ao lado do presidenciável tucano Aécio Neves, Paulo Pereira da Silva, deputado federal e presidente do partido SDD, mais conhecido por Paulinho da Força, mandou ver: "Temos uma corrupção desenfreada. O governo que deveria dar exemplo está atolado na corrupção. É o governo que, se investigar a fundo o caso da Petrobras, quem vai parar na Papuda é ela".  Em seguida, pediu ao público que mandasse uma banana para a presidente.

Na véspera, em seu pronunciamento numa cadeia nacional de rádio e televisão, a presidente Dilma Rousseff havia anunciado três medidas para beneficiar os trabalhadores: aumento de 10% no Bolsa Família, correção de 4,5% na tabela de Imposto de Renda na Fonte e a manutenção da valorização real do salário mínimo.

Sem se referir à ofensa de Paulinho, Aécio criticou as medidas anunciadas pela presidente e o uso da rede de rádio e televisão "para fazer proselitismo político para atacar  o adversário". Para o tucano, "a presidente da República agrediu o Estado de Direito. Dilma acha que a crise da Petrobras é culpa da oposição, mas é daqueles que fizeram dela balcão de empregos".

Bastante vaiado, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, também presente no palanque, não quis comentar as declarações de Paulinho da Força: "Não temos medo de vaia. O trabalhador brasileiro sabe que os 12 anos do PT foram os melhores para os trabalhadores. Eu não vou comentar o Paulinho da Força. Eu prefiro me relacionar com os trabalhadores, prefiro me relacionar com eles.

Tanto o pronunciamento da presidente Dilma, que se dirigiu diretamente aos trabalhadores e atacou a turma do "quanto pior, melhor", como os ataques que sofreu hoje no palanque da oposição, em que também estava Eduardo Campos, presidenciável do PSB, mostram o clima em que a campanha eleitoral começou para valer no feriadão de 1º de Maio.

"O que nós vimos foi mais uma fala eleitoral do que fala de presidente da República. O fato da presidente anunciar o aumento do Bolsa Família é uma maneira de reparar as perdas da inflação que ela mesma deixou acelerar", disse Campos, que pediu para o debate "se dar no campo das ideias".

Dilma, por sua vez, sem citar nomes, rebateu as propostas feitas até aqui pelos dois candidatos de oposição. "Nosso governo nunca será o governo do arrocho salarial, nem o governo da mão dura contra o trabalhador. Para eles, a valorização do salário mínimo é um erro do governo e, por isso, defendem  a adoção de medidas duras, sempre contra os trabalhadores".

Às vésperas da abertura do Encontro Nacional do PT, ao lado de Lula, nesta sexta-feira, em São Paulo, Dilma fez seu mais contundente discurso de caráter político desde a posse, mostrando sua estratégia daqui para a frente: a melhor defesa é o ataque. Ao dizer que sabe qual é o seu lado, ao final da fala a presidente afirmou que "quem está ao lado do povo pode até perder algumas batalhas, mas sabe que, no final, colherá a vitória".

Se vai dar certo ou não, eu não sei, mas Dilma saiu da retranca e mandou um aviso claro: está disposta a brigar até o fim pelo segundo mandato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Dilma não se abala com pesquisas e vai à luta

Engana-se quem pensa que a presidente Dilma Rousseff tenha ficado abalado com a sua queda nas últimas pesquisas, que animaram o movimento do "volta Lula", às vésperas da abertura do Encontro Nacional do PT, nesta sexta-feira em São Paulo.

No dia seguinte à divulgação da pesquisa CNT/MDA, em que pela primeira vez Dilma cai quase sete pontos, fora da margem de erro, e Aécio Neves sobe quatro, Dilma foi à luta. Em Camaçari, na Bahia, perguntada sobre as ameaças de debandada de parlamentares aliados, ela cortou de primeira: "Se não tiver apoio da base, toco em frente". A disposição da presidente para concorrer à reeleição já tinha ficado clara na véspera, durante encontro com jornalistas esportivos , quando desdenhou os defensores do "Volta Lula".

"Nada me separa dele e nada o separa de mim. "Sei da lealdade dele a mim, e ele da minha lealdade a ele". Na Bahia, nesta quarta-feira, Dilma voltou a ser indagada sobre o mesmo assunto e respondeu que todas as especulações são possíveis. "Em ano eleitoral ocorrem fatos concebíveis e3 até os inconcebíveis".

Alvejada por uma guerra sem tréguas de notícias negativas da mídia, cada vez mais isolada politicamente, Dilma tem uma boa oportunidade para sair da defensiva e contra-atacar dias, em dois momentos. Já na noite de hoje, véspera do Dia do Trabalho, ela deve fazer um pronunciamento, às 20h20, na mesma linha do seu discurso de ontem em Feira de Santana, na Bahia, onde afirmou: "Tenho certeza de que o povo brasileiro não vai retroagir, voltar atrás, desistir disso que conquistamos: a redução da desigualdade social, da maior criação de empregos que o Brasil teve".

No Encontro Nacional do PT, sexta e sábado, tanto Dilma como Lula devem ir ao ataque, mostrando as conquistas dos governos do PT em comparação com os tucanos, depois dos ataques que, tanto o governo como partido, sofreram dos adversários nas últimas semanas.

É a grande oportunidade de ambos responderem aos que tentam jogar um contra o outro, a cinco meses e cinco dias das eleições. Na mesma pesquisa CNT/MDA, apesar de ter diminuído sua vantagem em relação a Aécio Neves e Eduardo Campos, Dilma Rousseff ainda vence no primeiro turno, mas o grande problema é a avaliação do governo, que caiu para 32,9% de ótimo e bom, abaixo do piso mínimo de 34%, apontado pelos especialistas como o mínimo para as chances de um candidato à reeleição.

Agora, é preciso ver se a oscilação negativa dos índices de Dilma e positiva de seus adversários é uma tendência ou apenas retrato do momento difícil que a presidente e o PT enfrentam.

 

 

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lula1 Quem ganha com esse bate boca Lula e o STF?

"E o que a gente vai ganhar com isso?", costumava perguntar o ex-presidente Lula aos seus assessores que vinham com alguma ideia de jerico durante as campanhas do PT. É o caso de se repetir esta pergunta depois da infeliz entrevista que ele deu a uma televisão portuguesa, em Lisboa, na qual fez críticas ao Supremo Tribunal Federal pelo julgamento do mensalão petista.

Disse Lula: "O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve 80% de decisão política e 20% jurídica. Não vou ficar discutindo decisão da Suprema Corte. Só acho que essa história vai ser recontada. Foi um massacre que visava destruir o PT, e não conseguiram".

Respondeu Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do processo: "Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos ministros da mais alta Corte da Justiça do País. O juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela sua dificuldade em compreender o papel reservado a um Judiciário independente".

Neste caso, não é difícil encontrar as respostas. Pela repercussão que o caso ganhou, com o pronto contra-ataque dos ministros do Supremo, só ganharam justamente os responsáveis pelo que Lula chamou de "massacre".

Ou seja, ganharam os ministros do STF, que voltaram ao noticiário no papel de vítimas, atacando o ex-presidente e municiando a mídia com um tema negativo para o PT, e os candidatos da oposição que ganharam um discurso em defesa do Judiciário.

Perderam com isso o próprio Lula, o PT, o governo e os seus companheiros condenados no processo, que continuam nas mãos de Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, e que está deixando José Dirceu preso em regime fechado há cinco meses e meio, quando o ex-ministro já teria direito ao semiaberto e a trabalhar fora do presídio.

É verdade que o Supremo julgou de forma bem mais generosa o mensalão tucano e o ex-presidente Fernando Collor. Só que agora não tem mais volta, a Ação Penal 470 transitou em julgado, e é melhor olhar para a frente, pensar o futuro em vez de se apegar ao passado, no que ele teve de bom ou de ruim, pois já estamos em plena campanha eleitoral para a sucessão da presidente Dilma Rousseff e os eleitores querem saber o que o PT tem a propor ao país para um eventual quarto mandato do partido.

Como cabo eleitoral de Dilma, certamente esta entrevista de Lula não ajuda a campanha da reeleição num momento em que o governo enfrenta sérios problemas com a sua base aliada e a economia. Tanto isso é verdade que ninguém do partido ou do governo saiu em defesa do ex-presidente após os duros ataques a ele desfechados por ministros do STF e as críticas feitas pelos principais adversários do PT, Aécio Neves e Eduardo Campos.

"É um troço de doido", disparou o ministro Marco Aurélio Mello, sempre à disposição da imprensa quando se trata de bater nos governos do PT e seus lideres. Aécio afirmou que as declarações do presidente "não fazem bem à democracia, nem honram a história de um homem que foi presidente da República". Fiel à sua estratégia de bater no governo Dilma, mas não em Lula, Eduardo limitou-se a lembrar que "em qualquer lugar do mundo decisões judiciais devem ser cumpridas e, não, discutidas".

Nunca dá certo falar de questões internas quando se dá entrevistas no exterior, ainda mais em se tratando de uma liderança política do porte de Lula. E ele sabe disso.

 

 

 

 

 

 

 

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 PT enfrenta seu momento mais difícil no Encontro Nacional

No meio do feriadão de 1º de Maio, sexta e sábado, o PT promove seu 14º Encontro Nacional em São Paulo, no momento mais difícil dos seus 34 anos de vida. Não bastasse a enxurrada de problemas enfrentados pelo governo Dilma, tanto no campo político, com rachaduras na aliança, como no econômico, em que os índices negativos se multiplicam, agora surgem sinais evidentes de uma divisão interna, que pode prejudicar não só a reeleição da presidente, mas as chances do partido nas eleições estaduais e seu próprio projeto de poder.

O ex-presidente Lula repetiu, pela milésima vez, no final de semana, em entrevista à televisão portuguesa RTP, que não vai concorrer a nenhum cargo nas eleições deste ano e apoiará a sua sucessora: "Não vou ser candidato. Vou para a rua fazer campanha para Dilma". Mas não adianta: a turma do "volta Lula", que junta setores do partido mais ligados ao ex-presidente a empresários descontentes com o governo Dilma, não desiste de criticar os rumos da administração federal e alimentar o noticiário que insiste em jogar um contra o outro, na tentativa de enfraquecer ambos e, portanto, o PT.

Dilma e Lula estarão juntos no encontro, com a participação de 800 delegados, que devem aprovar as diretrizes do programa de governo da presidente para um possível segundo mandato. É a oportunidade que os dois terão para mostrar uma unidade partidária que no momento está, de fato, mais ameaçada por divergências internas, manifestadas publicamente no caso da Petrobras, do que pelos adversários na disputa eleitoral.

A esta altura, faltando pouco mais de cinco meses para as eleições, não basta reclamar do partidarismo da mídia a serviço da oposição. Sempre foi assim, mas os problemas enfrentados pelo governo e pelo partido são reais e é preciso dizer claramente o que o PT pretende fazer com a capengante economia, caso conquiste mais um mandato, que o deixaria 20 anos no poder central.

O próprio Lula, numa entrevista concedida a um grupo de blogueiros, no início do mês, cobrou da presidente o anúncio de medidas concretas para melhorar a economia, mas o governo parece travado, jogando na retranca, como se já tivesse feito tudo o que era possível para controlar a inflação e retomar o crescimento com mais força, os grandes desafios do momento, que podem ser decisivos na eleição de outubro.

Ainda nesta segunda-feira, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, projetou um crescimento do PIB de apenas 2,3% este ano, abaixo da própria previsão feita anteriormente pelo governo, que já era decepcionante (2,5%). A segunda má notícia do dia, que vem se somar a todas as outras das últimas semanas, é o crescimento de 7,4% na inadimplência das empresas, em relação ao mesmo período do ano passado. E uma ala do PR já está anunciando que vai retirar o apoio a Dilma na reeleição.

Diante deste quadro desfavorável, sendo bombardeada por todos os lados, inclusive por membros do seu partido e da base aliada, o governo Dilma mantém um obsequioso silêncio, que só deverá ser quebrado pelo discurso da presidente no 1º de Maio, em rede nacional de rádio e televisão. Ministros e assessores próximos da presidente no Palácio do Planalto agora não falam mais nem em "off" quando perguntados sobre a reação do governo aos cada vez mais duros ataques da oposição.

O cenário em que os petistas se reunirão no final de semana, guardadas as devidas proporções, me lembra um pouco a crise vivida pela então prefeita de São Paulo Luiza Erundina, no final dos anos 80, que atribuía as dificuldades da sua administração ao partido e vice-versa. Depois de 11 anos e quatro meses no Palácio do Planalto, o PT se vê agora diante do dilema de defender a continuidade num país que quer mudanças, o oposto do que aconteceu na campanha de 2002, no final do governo FHC, quando Lula se elegeria presidente pela primeira vez, vencendo o tucano José Serra. A diferença é que agora o PT está no governo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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FOTO 1 Perdemos, mas nossa República começou em 1984

Agora, que todo mundo já chama golpe de golpe e não fala mais em "Revolução Democrática de 1964"; agora, que se conta em prosa, verso e imagens como a Campanha das Diretas Já mobilizou o país inteiro na luta pela volta da democracia, nas maiores manifestações cívicas da nossa História, não consigo esquecer daquela madrugada de 26 de abril de 1984, no Congresso Nacional, quando faltaram apenas 22 votos para a aprovação da Emenda Dante de Oliveira.

Eu estava lá e fiquei até o final, torcendo pela vitória e chorei junto com todo mundo, depois de atravessar o Brasil ao lado dos comandantes da campanha, tendo à frente o grande Dr. Ulysses, dos artistas e dos representantes da sociedade civil, que se uniram para dar um basta aos militares. Perdemos, mas ganhamos: no ano seguinte, acabou a ditadura com a eleição ainda indireta do civil Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse.

Foram 21 anos de um grito preso na garganta pedindo liberdade, que explodiu nas ruas e, como bem definiu o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor de "1989",  tivemos ali a verdadeira Proclamação da República, quase um século após uma ação militar, com participação de civis, derrubar o último imperador.

Agora, em 1984, era o contrário: eram os civis que acabavam com o regime militar, sem nenhum apoio fardado, apesar da omissão, durante boa parte da campanha, da maioria da  chamada grande imprensa, que está tentando reescrever a sua própria história, trinta anos depois.

Pela primeira vez, o povo brasileiro, que tinha assistido de longe e bestificado ao Grito da Independência, em 1822, e à Proclamação da República, 67 anos depois, assumia o papel de protagonista. Pois foi a partir da derrota de 26 de abril que o Brasil se tornou uma Nação dona do seu próprio destino, conquistando a democracia sem precisar dar um único tiro, com uma grande festa que se espalhou pelas ruas e praças para terminar naquilo que chamei de "a mais sombria madrugada", no último capítulo do meu livro "Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas", sob o título "Galerias explodem e não deixam a luta terminar", que foii lançado poucos dias depois pela Editora Brasiliense.

O texto, publicado originalmente na "Folha", começava assim:

Alguns deputados choravam, outros se prostravam em silêncio. Ao ser anunciado o resultado da votação da Emenda Dante de Oliveira, pouco depois das duas horas da manhã, a grande festa que todo o povo brasileiro esperava corria o risco de se transformar num grande velório.

Mais uma vez, porém, este povo reagiu. Em vez de ficarem lamentando os 22 votos que faltaram para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, os homens e as mulheres que lotavam as galerias bradaram seu grito de guerra: "um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil".

E terminava assim, com maiúsculas e tudo:

"Ontem, foi fogo segurar aquela barra. Mas, hoje, já está tudo bem de novo, nós não perdemos, nós ganhamos, você vai ver", disse-me a deputada federal e atriz Beth Mendes (PT-SP). De fato, nem as nuvens escuras e a chuva do fim de tarde em Brasília, depois destes dias de sol, foram capazes de apagar a chama. Num apartamento da W-3, ainda resistia, apesar de tudo, uma faixa em que se podia ler, simplesmente: BRASIL.

É muito bom poder reproduzir estas palavras trinta anos depois, sem ter que mudar nenhuma vírgula. Beth Mendes tinha razão.

 

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jose dirceu blog Promotora alega que se baseou em denúncia secreta

Nunca tinha visto nada parecido no cada vez mais surpreendente mundo jurídico brasileiro. Alegando que seus informantes "recusaram-se, peremptoriamente, a prestar depoimento formal e a divulgar sua identificação", a promotora Márcia Milhomens Corrêa, de Brasília, decidiu aceitar assim mesmo uma denúncia secreta na investigação sobre o uso de um celular pelo ex-ministro José Dirceu, no Presídio da Papuda, o que nunca ficou provado.

A promotora usou este inacreditável argumento para se defender junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, que investiga o pedido dela para que fossem quebrados os sigilos de uma área que inclui não só o presídio da Papuda, mas o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o próprio Supremo Tribunal Federal.

"A medida objetiva apurar denúncias trazidas ao Ministério Público em caráter informal, de que o sentenciado José Dirceu teria estabelecido contato telefônico", justificou Márcia Milhomens Corrêa, dois meses após a questão chegar às mãos do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa.

Seria o caso de perguntar: quem seriam os denunciantes secretos a serviço da promotora? Agentes aposentados da Abin, do FBI ou do SNI, repórteres investigativos fazendo hora extra? Em nota divulgada pela defesa de José Dirceu, o advogado Rodrigo Dall´Acqua também pergunta: "Esta denúncia fantasma existia ou foi criada para que a promotora se defenda perante o CNPM?"

Afirma a nota: "Assustadora denúncia fantasma consegue a proeza  de agregar os vícios do anonimato com a inconsistência da informalidade. Alguém denunciou não se sabe o que, não se sabe quando, nem como, nem onde".

O que seria uma denúncia em "caráter informal", como alegou a promotora? Uma conversa de bar, um telefone sem fio numa quermesse? Desta forma, qualquer um de nós pode denunciar um outro alguém só pelo prazer de vê-lo preso em regime fechado, há mais de cinco meses, quando o sentenciado teria, por lei, direito ao semiaberto e a trabalhar fora do presídio.

As novas investigações solicitadas pela promotora servem apenas ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo e autonomeado executor das penas, para protelar indefinidamente uma resposta ao pedido feito pela defesa de José Dirceu para que a lei seja cumprida. No caso do mensalão (só do petista, não do tucano) está-se criando uma original jurisprudência, do julgamento à execução dos penas, que dificilmente voltará a ser aplicada contra outros réus.

A lei deveria ser igual para todos, mas há controvérsias, já que o procurador geral da República, Rodrigo Junot, há duas semanas, manifestou-se a favor da concessão do semiaberto para que Dirceu possa trabalhar fora do presídio.

 

 

 

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4f24svmu8w 53ks35g82t file Tem algo no ar além dos velhos aviões de carreira

A frase do título é antiga e a situação que vivemos não é nova. Paira no ar uma estranha sensação de insegurança em que algo pode acontecer a qualquer momento. Multiplicam-se os episódios de violência por toda parte, greve na PM da Bahia, protestos, manifestações, ocupações, acidentes em penca nas estradas durante o feriadão, ônibus queimados como lenha no Rio e em São Paulo, vazamento de gás na Marginal do Tietê às duas da madrugada, provocando um infernal congestionamento durante toda a manhã na maior cidade do país, obras da Copa que não andam, gerando só notícias negativas em todos os noticiários da grande imprensa, com destaque para os casos de corrupção a granel e ameaças de aumento da inflação.

Não há americanos nem militares à vista, mas o clima geral me faz lembrar os acontecimentos que antecederam o golpe cívico-militar de 1964, descritos em detalhes no livro que estou lendo sobre aquele período. Em "1964 _ O Golpe", o jornalista e testemunha ocular Flávio Tavares mostra como se criou o chamado "caldo de cultura" para que "marchas da família" pedissem a derrubada do presidente João Goulart, pedido prontamente atendido pelos militares, que preparavam a conspiração desde a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, com a participação do governo dos Estados Unidos em plena Guerra Fria.

Acabou a ditadura, acabou a Guerra Fria, os militares voltaram para os quartéis, não há mais a "ameaça comunista" e os americanos agora têm outras preocupações, mas setores poderosos da nossa sociedade, entre eles a velha elite paulistana, os donos do dinheiro grande que vivem da especulação e o alto baronato da mídia, não se conformam até hoje com a chegada do PT ao poder central e simplesmente não admitem a reeleição de Dilma Rousseff, que daria o quarto mandato consecutivo ao partido.

Erros do PT e da presidente à parte, que não foram poucos, o fato é que há uma evidente orquestração para desconstruir a imagem de Dilma e do partido, na medida em que os dois principais candidatos de oposição não conseguem desempacar nas pesquisas.

Antes que algum leitor mais afoito tire conclusões apressadas, nem de longe imagino possível que alguém esteja preparando um golpe contra o governo, até por que as condições do Brasil e do mundo são completamente diferentes de 50 anos atrás, como disse o próprio Flávio Tavares no dia do lançamento do livro, na semana passada. Apenas constato as coincidências do tom do noticiário daquela época e o de agora, para criar um clima de medo e instabilidade. O objetivo é apenas desgastar a presidente até as eleições, para impedir uma nova vitória do PT, como até aqui apontam todas as pesquisas.

Por isso, jogam tudo no descontrole da inflação e no fracasso da Copa no Brasil, anunciando greves e manifestações, para depois colocar a culpa na falta de capacidade administrativa do governo, abrindo caminho para os salvadores da pátria que prometem mudar "tudo o que está aí", mais ou menos como aconteceu em 1964. Os mesmos grupos de comunicação (com a honrosa exceção da falecida Última Hora, do meu amigo Samuel Wainer), que conspiraram contra Jango, estão aí até hoje, mais unidos do que nunca, disparando manchetes dos seus canhões de  papel. Eles não esquecem, não desistem e não aprendem.

 

 

 

 

 

 

 

 

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STF Fachada HG Supremo decide destino de Dirceu e tamanho da CPI

Duas importantes decisões do Supremo Tribunal Federal são esperadas para esta semana: o destino de José Dirceu, que está nas mãos de Joaquim Barbosa, e o tamanho da CPI da Petrobras, se será exclusiva ou ampliada para governos do PSDB e do PSB, decisão que deve ser anunciada, talvez ainda hoje, pela ministra Rosa Weber.

Dirceu está há cinco meses e uma semana em regime fechado no Presídio da Papuda, aguardando que Barbosa julgue seu pedido de regime semiaberto, que lhe foi assegurado ao ser absolvido da acusação de formação de quadrilha. A pretexto de investigar possíveis "regalias" que Dirceu teria na prisão, entre elas a de ter usado um celular, segundo denúncias da imprensa, o que nunca foi provado, Barbosa vem protelando esta decisão, impedindo-o de trabalhar fora do presídio, ou seja, aplicando nova pena a um réu já condenado.

A resolução 514, assinada pelo presidente do STF no dia 19 de novembro do ano passado, dá a ele mesmo, que foi relator da Ação Penal 470, a prerrogativa de decidir sozinho sobre o cumprimento das penas dos réus do mensalão, embora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já tenha enviado ao Supremo, no último dia 11, um parecer em que dá por encerradas as investigações, dando a José Dirceu o direito de executar trabalho externo.

Não existe na jurisprudência do próprio tribunal nada parecido com as atitudes de Barbosa vem tomando contra José Dirceu para mantê-lo em regime fechado durante tanto tempo, o que nos permite concluir que se trata de uma vingança puramente pessoal, em que o verdugo assume a posição do magistrado, sem que os demais ministros se manifestem.

Agora, se Barbosa finalmente permitir, o ex-ministro deverá trabalhar como auxiliar no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, em Brasília, ganhando pouco mais de R$ 2 mil por mês, e será transferido para o Centro de Progresso Penitenciária, onde já se encontram os demais presos que foram autorizados a trabalhar fora.

Em mais um caso de submissão explícita, alimentando a judicialização da política, tanto a oposição como os aliados do governo apelaram ao STF para decidir a pendenga sobre o tamanho da CPI da Petrobras. O presidente do Senado, Renan Calheiros, declarou que não vai recorrer, qualquer que seja a decisão da ministra Rosa Weber, mas os aliados já decidiram levar o caso para o plenário do tribunal, e o presidenciável tucano, Aécio Neves, anunciou que vai ao Supremo para acompanhar a sessão da tarde desta terça-feira.

Sem propostas, bandeiras ou discursos para a campanha presidencial, os líderes da oposição tentam sair da inanição em que se encontram jogando tudo na criação da CPI exclusiva da Petrobras para fustigar a presidente Dilma Rousseff, que era presidente do Conselho Administrativo das empresa na época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados, Unidos, em 2006, alvo de um interminável bombardeio de denúncias nas últimas semanas. Outra CPI semelhante já tinha sido instalada em 2009 e não deu um nada.

Enquanto isso, os governistas tentam adiar ao máximo a criação de qualquer CPI, para não dar um palanque permanente à oposição partidária e midiática, em plena etapa decisiva da campanha eleitoral. Quem decidirá o jogo, mais uma vez, será a Justiça, a pedido dos dois times. Depois, não adianta reclamar da progressiva degradação da imagem do Congresso Nacional, dos partidos e dos políticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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