tecnicos Copa dos gols deve ensinar nossos professores

É gritante a diferença entre o futebol ofensivo e cheio de gols a que estamos assistindo neste Mundial e o futebolzinho chato, previsível e burocrático apresentado pelos nossos principais clubes na primeira fase do Brasileirão. Parece até que é um outro esporte.

Agora que gostamos tanto de ver a bola correr com rapidez da defesa para o ataque, com chutes de qualquer distância e lugar, sem aquela irritante troca de passes na defesa e no meio de campo a que já estávamos acostumados, vai ser difícil voltar a ver nossos times jogando para fazer um golzinho e ficar o resto da partida na retranca para garantir o resultado.

Este primeiro dia sem jogo desde o início da Copa no Brasil é um bom momento para que os nossos treinadores façam uma reflexão sobre o abismo entre o futebol praticado aqui, que já foi modelo para o mundo, e o que seleções sem a mesma tradição e talento vieram nos mostrar. Deveriam passar a sexta-feira inteira revendo os grandes jogos, que foram muitos, para descobrir como se busca com rapidez e eficiência o principal objetivo de um jogo de futebol, que é fazer gols, a grande alegria de qualquer torcida em qualquer lugar.

Com 136 gols marcados em 48 jogos, a primeira fase do Mundial mostra a média de 2,83 por partida, a maior já registrada desde a Copa do tri, em 1970, no México. Enquanto isso, a primeira fase do Brasileirão teve a média de gols mais baixa desde que passou a ser disputado por pontos corridos, em 2003:  apenas 2,14.

Talvez seja por isso que Felipão, que passou muito mais tempo trabalhando no exterior do que aqui, depois da conquista do tetra, em 2002, e está antenado nas mudanças táticas e técnicas operadas no futebol mundial, tenha chamado apenas quatro jogadores em atividade no país dos 23 convocados para a disputa do hexa.

Não sei de onde surgiu esta mania dos jogadores nativos de chamarem seus técnicos de "professores". Professores de quê? Técnico é técnico, professor é professor e bola é bola. Não é preciso reinventar a roda nem fazer mídia training e ficar falando difícil para montar um time competitivo que jogue para ganhar e não para não perder, e garantir assim o emprego do treinador. Mano Menezes, por exemplo, esteve dois anos à frente da seleção brasileira, convocou mais de 100 jogadores e nunca conseguiu montar um time.

Ao assumir seu lugar, em poucas semanas Felipão escalou sua seleção, que conquistou a Copa das Confederações e, com mudanças pontuais, está aí até hoje, com grandes chances de conquistar mais uma Copa. Já na reta final do primeiro turno do Brasileirão, os "professores" dos grandes times continuam escalando um time diferente a cada jogo, em busca da "formação ideal". O problema não está apenas em quem escalar, mas na mentalidade reinante na direção de todos os clubes que pagam fortunas para seus técnicos e se curvam diante de suas velhas idiossincrasias _ "o importante é não tomar gol" _ que cada vez mais afastam o público dos estádios e levam nossos melhores craques para fora do país.

Nem se trata de jogar feio ou bonito, dar ou não espetáculo, mas de ter fome de bola, jogar com garra, prazer e vergonha na cara, como têm demonstrado os jogadores desta Copa, incluindo os da seleção de Felipão. Está na hora dos milionários "professores" devolverem a alegria e a ousadia ao futebol brasileiro, soltando suas feras com um esquema tático bem definido antes de entrar em campo, em lugar de ficar gritando e xingando feito celerados à beira do gramado, durante todo o jogo.

Com a seleção erguendo ou não a taça, esta Copa pode ser um divisor de águas no futebol brasileiro. Um bom recomeço seria mandar nossos técnicos mais jovens fazerem um estágio lá fora, dispostos a aprender, deixando de lado as velhas certezas dos "professores", que estão levando os clubes à ruína. Faz muitos anos que são sempre os mesmos, revezando-se nos grandes clubes, incapazes de apresentar qualquer novidade a cada temporada.

Se os dirigentes do futebol brasileiro também são sempre os mesmos, fica difícil sair deste círculo de ferro, mas nunca é tarde.

Até a vitória, rapaziada!

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Quebrou a cara quem apostou no desgaste da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, a ponto de provocar uma debandada de aliados na véspera do início oficial da campanha eleitoral, na próxima semana. Em lugar da violência dos protestos e do caos da infraestrutura nas cidades-sede, previstos pela oposição e pela mídia familiar para dar um cavalo de pau nas pesquisas, a Copa no Brasil está sendo festejada aqui e no mundo todo como o melhor e mais bem organizado evento da Fifa, tanto dentro como fora do campo.

Ainda não se tem notícias de novo Ibope ou Datafolha, pesquisas que antes eram praticamente semanais, mas os levantamentos publicados nesta quinta-feira sobre o tempo de televisão destinado a cada candidato, que é o que mais importa na campanha presidencial, dão uma ampla vantagem à presidente, com as alianças praticamente já definidas.

Com 9 minutos e 41 segundos já garantidos, podendo chegar a 11min25s em cada bloco de 25 minutos, Dilma tem o triplo do tempo do seu principal adversário, o tucano Aécio Neves (3min10s), e cinco vezes o de Eduardo Campos, do PSB, que ficou com um número (1min46s) bem próximo dos nanicos.

Ou seja, a candidata à reeleição poderá ter quase a metade de todo o tempo reservado aos candidatos para presidente da República, que ela pretende ocupar mostrando o que foi feito no seu governo e nos dois mandatos de Lula para melhorar a vida dos brasileiros _ o seu grande trunfo eleitoral _, fazendo uma comparação com as administrações anteriores.

dilma ok Dilma domina naquilo que de fato importa: o tempo de TV

aecio ok Dilma domina naquilo que de fato importa: o tempo de TV

eduardo campos Dilma domina naquilo que de fato importa: o tempo de TV

No início da semana, quando o PTB de Roberto Jefferson pulou do barco governista para apoiar Aécio, festejou-se nos arraiais da oposição midiático-partidária-empresarial como se esta fosse uma tendência inexorável na base aliada. Não foi o que aconteceu: pelas últimas contas, Dilma tem o apoio de nove partidos, um a menos do que na aliança vitoriosa de 2010, mas com mais tempo na TV porque as bancadas aliadas têm agora maior número de deputados.

Como o prazo para a formação de alianças termina no sábado e a propaganda eleitoral no rádio e na televisão só começa em agosto, pode-se dizer que Dilma Rousseff, que mantem a liderança folgada em todas as pesquisas até aqui divulgadas, larga com grande vantagem na corrida presidencial.

Pode-se também discutir os métodos empregados nos acordos feitos para conquistar esta maioria, com a troca de ministros e a entrega de cargos para assegurar apoios partidários, mas o fato é que a candidata do PT conseguiu sobreviver, sem perder o favoritismo, a um primeiro semestre bastante difícil, tanto na economia como na articulação política, enfrentando críticas de setores do próprio partido, que só agora desistiram do "volta Lula".

Sobre os métodos utilizados para conquistar aliados, tanto no plano federal como nas campanhas estaduais, porém, ninguém poderá falar nada de ninguém, já que princípios programáticos, ética e fidelidade partidárias não são propriamente características dos políticos brasileiros (ver no post anterior: "Orgia partidária é a falência do sistema político"). A não ser que aconteça alguma tragédia, este cenário deverá permanecer congelado até a bola parar de rolar em campo, mas na campanha eleitoral, assim como na Copa, não dá ainda para dizer quem vai ganhar.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

siglas Orgia partidária é a falência do sistema político

Alianças partidárias são feitas em democracias modernas no mundo todo para ganhar eleições e, mais do que isso, para poder governar com maioria parlamentar. No Brasil, também sempre foi assim, mas a forma escrachada como está acontecendo este ano é outra coisa: uma completa esculhambação, um verdadeiro deboche com os eleitores, a demonstrar à exaustão a falência do nosso sistema político.

Para Eduardo Paes, prefeito do Rio que já andou por vários partidos e está no PMDB, contrariado pelas alianças feitas por seu partido na eleição estadual, trata-se de um "bacanal". Outro carioca, o líder verde Alfredo Sirkis, aliado de Marina Silva na Rede Sustentabilidade, desistiu de se candidatar nas eleições deste ano diante do que chamou de "suruba" nas alianças.

Não se trata de um fenômeno apenas carioca: a orgia partidária a que estamos assistindo nestes dias de Copa do Mundo, em que se definem as alianças para outubro, começa nas campanhas presidenciais e espalha-se por todos os Estados numa disputa insana em que as moedas de troca são o tempo de televisão e um cantinho no palanque.

Com um sistema partidário em que já desfilam mais de 30 siglas só poderia mesmo dar nisso. Depois que o antes renegado Paulo Maluf virou aliado preferencial do PT, chegamos a pensar que nada mais seria capaz de espantar os eleitores. Pois agora, estes partidos todos, que se nivelaram pelo rodapé, a cada dia se superam.

Só um exemplo tragicômico: o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que se apresentou na campanha como o arauto da "nova política", fechou negócio com o PT no Rio e com o PSDB em São Paulo, justamente os dois principais partidos adversários na disputa pela Presidência da República.

Mesmo quem, como eu, vive de acompanhar e comentar a cena política fica completamente perdido com o que está acontecendo. Ao voltar das duas semanas em que fiquei fora do ar e longe do noticiário, após dar uma rápida olhada nos jornais, entendi porque um terço do eleitorado ainda não tem candidato ou já decidiu votar nulo ou em branco. O voto em ninguém, a três meses da eleição, está crescendo em vez de diminuir ao contrário do que aconteceu nas campanhas anteriores.

Da forma sem vergonha como as coisas estão acontecendo nas últimas negociações para a formação das alianças federais e estaduais, se o presidente eleito, seja quem for, não liderar o projeto de uma completa reforma política-eleitoral-partidária, logo nos seus primeiros meses de governo, nós vamos acabar desmoralizando a própria democracia.

A reforma política deveria ser o tema central em todos os debates, no pouco tempo que nos resta de campanha após a Copa no Brasil, mas quem se habilita a empunhar esta bandeira, se do jeito que está eles se elegem e reelegem, dando uma banana para os eleitores, como os vereadores de São Paulo, que vetaram o feriado na cidade na última segunda-feira e depois não foram trabalhar? Virou zona.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ok torcida Maior legado da Copa no Brasil é a força do povo

Faz duas semanas, deixei um país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões, e desembarquei agora noutro, na volta, bem diferente, sem ter saído do Brasil. Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo.

Fomos retratados como um povo de vagabundos, incompetentes, imprestáveis, corruptos, incapazes de organizar um evento deste porte. Sim, eu sei, não devemos confundir governo com Nação. Eles também sabem, mas, no afã de desgastar o governo da presidente Dilma Rousseff, acabaram esculhambando a nossa imagem no mundo todo, confundindo Jesus com Genésio, jogando sempre no popular quanto pior, melhor.

Estádios e aeroportos não ficariam prontos ou desabariam, o acesso aos jogos seria inviável, ninguém se sentiria seguro nas cidades-sede ocupadas por vândalos e marginais. Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera. Certamente, muitos torcedores-turistas que para cá viriam ficaram com medo e desistiram. Quem vai pagar por este prejuízo provocado pelo terrorismo midiático?

Agora, que tudo é festa, e o mundo celebra a mais bela Copa do Mundo das últimos décadas, com tudo funcionando e nenhuma desgraça até o momento em que escrevo, só querem faturar com o sucesso alheio e nos ameaçam com o tal do "legado". Depois de jogar contra o tempo todo, querem dizer que, após a última partida, nada restará de bom para os brasileiros aproveitarem o investimento feito. Como assim? Vai ser tudo implodido?

A canalhice não tem limites, como se fossemos todos idiotas sem memória e já tenhamos esquecido tudo o que eles falaram e escreveram desde que o Brasil foi escolhido, em 2007, para sediar o Mundial da Fifa. Pois aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas.

Como vivem em outro mundo, distantes da vida real do dia a dia do brasileiro, jornalistas donos da verdade e do saber não contaram com a incrível capacidade deste povo de superar dificuldades, dar a volta por cima, na raça e no improviso, para cumprir a palavra empenhada.

Para alcançar seus mal disfarçados objetivos políticos e eleitorais, após três derrotas seguidas, os antigos "formadores de opinião" abrigados no Instituto Millenium resolveram partir para o vale tudo, e quebraram a cara.

Qualquer que seja o resultado final dentro do campo, esta gente sombria e triste já perdeu, e a força do povo brasileiro ganhou mais uma vez. Este é maior legado da Copa, a grande confraternização mundial que tomou conta das ruas, resgatando a nossa autoestima, a alegria e a cordialidade, em lugar das "manifestações pacíficas" esperadas pelos black blocs da mídia para alimentar o baixo astral e melar a festa. Pois tem muito gringo por aí que já não quer mais nem voltar para seu país. Poderiam trocar com os nativos que não gostam daqui.

Que tal?

Em tempo: a 18 dias do início da Copa, escrevi um texto de ficção para a revista Brasileiros que está nas bancas, com o título "Deu zebra: ganhamos e o Brasil fez bonito". Repito: trata-se de um exercício de ficção sobre um possível epílogo do Mundial.

Para acessar:

htpp://www.revistabrasileiros.com.br/2014/06/24/deu-zebra-ganhamos-e-o-brasil-fez-bonito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

2k8msgow46 9gbf119t42 file Copa é pretexto, tudo é política e objetivo é eleição

 

 

Aos leitores: favor ver o "Em tempo" no final deste texto.

Engana-se quem pensar que as greves selvagens, os protestos violentos e a baderna em geral vão parar depois da Copa. Toda a questão é política e o principal objetivo é impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. De um ano para cá, desde as tais "jornadas de junho", interesses variados se uniram para mostrar que a situação fugiu do controle nas ruas e nos fundamentos econômicos, provocando o caos nas grandes cidades, criando um clima de medo e revolta na população.

Se você repete todo dia que tudo vai mal e, depois, vai fazer uma pesquisa perguntando como estão as coisas, claro que a maioria vai dizer que as coisas vão mal. Se você só mostra problemas no governo federal e omite ou minimiza os desmandos na administração estadual, a maioria vai dizer que a presidente vai mal e o governador está muito bem.

Desta vez, o Partido da Mídia está muito mais organizado do que nas eleições anteriores, preparou-se para o tudo ou nada, unido como nunca no Instituto Millenium, e já começa a colher os frutos, como mostram as últimas pesquisas que ela própria promove.

São as tais profecias que se auto realizam e não deveriam surpreender ninguém os últimos números divulgados pelo Datafolha, mostrando a queda de Dilma em direção ao piso de popularidade de junho do ano passado, no auge das manifestações, enquanto os índices do governador Geraldo Alckmin se mantém impávidos rumo à reeleição. A culpa de tudo, como se lê no noticiário e ouve nas ruas, é do governo federal.

Claro que nada disso teria o mesmo resultado negativo para a situação e positivo para a oposição se a economia estivesse indo bem. Aí juntou a fome com a vontade de comer: deixando todos os flancos abertos na economia, sem mostrar nenhuma capacidade de reação, o governo Dilma é como aqueles times que recuam para garantir o resultado e pedem para tomar um gol. Acabam tomando.

Não é que a mídia tenha recuperado seu velho poder, mas parece óbvio que agora as condições concretas lhe são muito mais favoráveis para acabar com a hegemonia petista. Os gastos desnecessários ou superfaturados com a organização da Copa serviram apenas de pretexto para as turmas do passe livre, dos sem-teto revolucionários ou dos chantagistas sindicais, que agora resolveram reivindicar tudo de uma vez, colocando o governo contra a parede.

Depende, é claro, de qual governo estamos falando. Se a greve é dos motoristas que abandonam os ônibus atravessados no meio das ruas, um problema municipal, a Polícia Militar fica só assistindo, sem importunar ninguém. Mas se a greve é dos metroviários, um problema estadual, a mesma polícia tem ordens para baixar o cacete e acabar com os piquetes nas estações.

Este é o jogo e só não vê quem não quer ou tem algum interesse no resultado.

 

Em tempo: como a Copa está para começar e a política já entrou em obsequioso recesso, vou aproveitar para dar uma folga aos leitores nas próximas duas semanas, deixando o campo livre para meus colegas do esporte. Até a volta.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

 O filósofo dos Sem Teto faz ameaças contra Copa

"Se o governo quiser pagar para ver, ele vai ver. Se até sexta não tiver uma resposta para nossas reivindicações, não sei se a torcida vai conseguir chegar a esse jogo", ameaçou o coordenador-nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, ao final de novo protesto diante do Itaquerão, na noite de quarta-feira. O jogo a que ele se refere é o último amistoso da seleção brasileira, contra a Servia, marcado para amanhã, no Morumbi.

A uma semana do início da Copa do Mundo, Boulos, um filósofo barbudo de 30 anos, com especialização em psicanálise, assumiu o comando das manifestações de protesto nas últimas semanas e fala como se fosse o novo dono do direito de ir e vir na maior cidade do país, palco do jogo de estreia. Arrogante e prepotente, lançou outro repto às chamadas autoridades constituídas, que permanecem em obsequioso silêncio:

"Não adianta falar na televisão que vai colocar a polícia e Exército na rua. Eles não são nada perto do povo organizado. Hoje, a gente mostrou para o governo que a gente sabe o caminho do Itaquerão. No dia do jogo, vai ter mais gente de vermelho aqui fora do que de verde e amarelo dentro do estádio".

Ninguém deve se surpreender com suas basófias. Desconhecido até outro dia, quando se tornou protagonista no noticiário e desandou a fazer ameaças até em programas nobres da televisão, o filósofo dos sem-teto já havia anunciado um "junho sangrento ", depois de um sorridente encontro com a presidente Dilma Rousseff, numa das inaugurações do Itaquerão, em meados de maio. Dilma prometeu estudar as reivindicações de Boulos, que quer a imediata regularização de todas as invasões de sem-teto na cidade.

Na noite do último dia 22, ele avisou: "Se os nossos direitos não forem garantidos, no dia 12 de junho não vai ter abertura da Copa. Teremos uma onda vermelha em todo o país. O que nós queremos é a nossa fatia no bolo".

Boulos quer muito mais: fim da especulação imobiliária, reforma agrária, melhorias na educação, construção de creches, soberania nacional durante a Copa, transporte público gratuito e de qualidade, o fim da violência policial e, se possível, também acabar com o sistema capitalista _ e tudo isso antes da Copa começar. Ou, então, ele ameaça não brincar mais e promete botar fogo em tudo. O incrível é que continua solto, lépido e fagueiro, do alto de um discurso cheio de chavões dos tempos anteriores à queda do Muro de Berlim.

Sem ser incomodado por ninguém, o rapaz organizou uma invasão a quatro quilômetros do Itaquerão, onde já foram montados mais de 3 mil barracos pelos seus seguidores. Como um Antonio Conselheiro redivivo nesta Canudos urbana às margens do Tietê, ele promete a todos o paraíso logo ali adiante, assim que derrotar os inimigos do povo, em nome de quem se habituou a falar, sem que se saiba quem lhe deu este poder. Os outros 12 milhões de habitantes de São Paulo que se danem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Em 1970, na épica Copa do Mundo do tricampeonato conquistado no México, o ataque da melhor seleção brasileira de todos os tempos tinha Jairzinho, Gerson, Rivelino, Pelé e Tostão. Nenhum deles era camisa 9 de ofício, e nenhum deles poderia ficar de fora.

Por que não repetir agora a solução encontrada por Zagalo, simplesmente escalando quem está melhor no momento, sem se importar com a numeração? Zagalo colocou os cinco para jogar e entregou a camisa 9 para Tostão, que nunca foi o que se chama de centroavante, aquele cara que fica parado na área, só esperando a bola boa para marcar.

A goleada contra o Panamá no amistoso de terça-feira, em Goiânia, serviu para mostrar a Felipão que Neymar precisa de outro parceiro no ataque porque a seleção não pode depender só dele na Copa do Mundo Brasil que começa daqui a apenas oito dias. Neymar sozinho, é verdade, acabou com o jogo, em dia digno de Pelé nos melhores tempos. E se ele se machucar, como aconteceu com Pelé, no Chile, no bicampeonato de 1962?

1vipcomm 1 Felipão não pode deixar Neymar jogar sozinho

Não temos hoje nenhum Garrincha para assumir o papel do rei do futebol e levar o time nas costas no lugar dele. Também não temos um Amarildo dando sopa. Nossa safra de talentos não lembra nem de longe aqueles dos anos 60 e 70, com exceção de Neymar.

ney Felipão não pode deixar Neymar jogar sozinho

Não sou técnico, eu sei, nem tenho a solução mágica para dar ficando palpite, mas temos bons jogadores no elenco e Felipão vai ter que encontrar um jeito de melhorar o ataque para não deixar tudo por conta da inspiração de Neymar.

Algumas coisas ficaram claras no penúltimo amistoso da seleção. O intocável Fred, artilheiro da Copa das Confederações, andou mais tempo machucado do que jogando e está visivelmente fora de forma, paradão, sem participar do jogo, perdendo o tempo da bola. A mesma coisa acontece com seu reserva Jô, um jogador bastante limitado.

Como Oscar esqueceu seu bom futebol do ano passado e anda meio desanimado em campo, por mais que não queira, Felipão vai ter que mexer neste time. Com a entrada de William em seu lugar no segundo tempo, o time ganhou outro ritmo, criou inúmeras oportunidades de marcar e mostrou que temos boas alternativas para sair daquele rame-rame do primeiro tempo, que deixou Felipão possesso, antes da falta cobrada por Neymar, uma pintura, deixando a seleção mais tranquila quando a torcida já começava a vaiar..

Outro que pode ser testado no último amistoso, contra a Sérvia, na sexta-feira, em São Pulo, é o baixinho Bernard, que encantou Felipão porque joga com "alegria no pé". Não sei em que posição ele poderia ser escalado, talvez pela ponta direta, empurrando Hulck mais para o meio, não sei. O certo é que Fred, Jô e Oscar não são soluções no momento, e é preciso cavar um lugar para William e Bernard. Este para mim é o maior desafio para o técnico. Basta não ser teimoso e aceitar a realidade como ela é.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

ruas ok Que se passa? Temos um dia sem crise nem protestos?

A não ser que algo importante tenha me escapado, após a leitura do noticiário dos jornais e dos portais, constato que algo estranho está acontecendo nesta terça-feira. Ou melhor, que não está acontecendo. Até este momento em que comecei a escrever, às 11 da manhã, não vi em nenhum lugar previsões sobre protestos e crises políticas.

Talvez esta abstinência do noticiário sobre assuntos quentes, que não saem das manchetes, possa ser atribuída à queda da temperatura ambiente _ aqui  em São Paulo, os termômetros baixaram a 5,1 graus na madrugada mais fria do ano.

O protestometro e os anúncios sobre o fim do mundo simplesmente sumiram das páginas hoje. Persiste aquele rame-rame sobre as obras da Copa inacabadas e os preparativos sobre as forças de segurança se mobilizando para a guerra, mas quem assumiu o protagonismo de vez foi a seleção brasileira, que hoje à tarde faz um amistoso contra o Panamá, em Goiânia, com Felipão já avisando à moçada: agora é partir para o "tudo ou nada".

Lembrei-me de um lendário comediante português, o Raul Solnado, que contava a história de um soldado que não conseguia encontrar a guerra, por mais que procurasse. Já fardado e preparado para o combate, perguntou a um transeunte:  "O senhor poderia me informar a que horas vai começar esta guerra que eu não descubro onde é?".

Outras razões, claro, podem explicar esta repentina calmaria no front da Copa no Brasil. Tudo já está sendo adiado para depois do Mundial, que acaba no dia 13 de julho. Até lá, parece que as crises políticas ficarão congeladas, pois suas excelências, tanto do governo como da oposição, estão mais preocupadas com o Neymar do que com a Dilma, as festas juninas e as próprias campanhas eleitorais, que também entram em tela de espera.

Da minha janela vejo que, aos poucos, timidamente,  vão aparecendo bandeirinhas nos carros e bandeiras nas janelas numa troca de cenários nas ruas sem congestionamentos e a sinfonia das buzinas dos últimos dias.

Sei que até eu terminar de escrever esta coluna, tudo poderá ter mudado. Neste caso, prometo voltar a qualquer momento, em edição extraordinária.

Às terças e quintas, acordo já pensando no que vou comentar à noite na televisão, no Jornal da Record News. Até agora, porém, não me apareceu nenhuma pauta e ficarei agradecido se algum leitor puder me ajudar com sugestões.

Sem crise, sem nova pesquisa e sem quebra-quebras vou falar do que?

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

Logo na primeira semana de treinamentos da seleção brasileira, em Teresópolis, a Granja Comary já foi transformada numa grande cidade cenográfica. Um verdadeiro circo do futebol  está montado na concentração, com prioridade para a Globo, é claro, a emissora que tomou conta do pedaço e é quem dá as cartas, como se aquilo fosse uma filial do Projac.

Tudo bem, a Globo pagou uma nota para ter os direitos de transmissão da Copa no Brasil, mas não me consta que também tenha contratado, com exclusividade, o elenco da seleção. Já fiz a cobertura de dois Mundiais e sei como é difícil conseguir entrevistas com a comissão técnica e os jogadores. Durante os treinos e dentro da concentração, era impossível.

Com Zagalo no comando, em 1974, na Alemanha, e Telê, no México, em 1986, havia horários rígidos e limites para o trabalho da imprensa, que todo mundo respeitava. Ninguém tinha privilégios. Agora, com o sargentão Felipão de técnico, com sua cara de mau e intransigente zelador das regras, está virando uma festa do caqui.

bronca Circo do futebol já foi montado na Granja Comary

Durante a semana, Felipão chegou a interromper um treinamento _ por conta própria ou atendendo a ordens superiores _ para que um apresentador global, acompanhado dos filhos e de um cadeirante, pudesse gravar cenas do seu programa dentro do campo, quando os jogadores já tinham feito o aquecimento.

No domingo, só faltou cobrir a Granja Comary com uma lona. Apareceu _ e como apareceu! _ até a mocinha da novela das nove, namorada de Neymar, que se tornou a grande estrela do primeiro treino coletivo, ofuscando as estrelas de Felipão. Bruna Marquezine estava à vontade, como se estivesse gravando mais um capítulo da novela, não se vexando de ficar aos amassos com o jogador na beira do campo, ao vivo, para todo o Brasil.

bruna essa Circo do futebol já foi montado na Granja Comary

Para não perder o protagonismo na mídia, e mostrar que é ele quem manda, ao final do treino o técnico deu um esporro geral nos jogadores na frente dos jornalistas. "Não gostei do treino, não gostei de nada. Tudo errado. Muita coisa errada. Muita liberdade, muito contra-ataque, uma série de detalhes que não são normais na seleção", esbravejou. Deve ter algum lugar, imagino eu, mais reservado naquele latifúndio para o técnico acertar os ponteiros com seus jogadores e para que eles recebam suas namoradas.

De fato, Felipão tem toda razão, mas sua bronca não deveria se limitar ao time. Até o seu parceiro de comando na comissão técnica, Carlos Alberto Parreira, levou os netos para dentro do campo na granja da CBF. Começamos mal.

Ao contrário do que vi na Alemanha e no México, onde não fomos campeões, mas todos levaram o trabalho a sério, este clima de oba-oba lembra mais o da concentração da seleção brasileira em 1950, quando todo mundo comemorou o título antes da hora e até hoje tem gente chorando a derrota na final contra o Uruguai em pleno Maracanã. A diferença é que, em 2014, ainda não apareceram os políticos em campanha, como naquele ano fatídico, em que a televisão estava engatinhando no Brasil. Menos mal. Nem o cacique-mor José Maria Marin foi visto por lá no furdunço de domingo.

Ainda é tempo de botar ordem na casa. É bom lembrar que faltam apenas dez dias para o jogo de estreia contra a Croácia. Para começar, acho que o grande ídolo Neymar não pode continuar aparecendo mais na telinha, em comerciais, programas de televisão ou namorando, do que dentro dos campos de treinamento. Treino é treino, jogo é jogo e, na hora de trabalhar, é trabalhar duro. Convém deixar para fazer festa depois do último jogo.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes

foto 11 Isolado, Joaquim joga a toalha; Eduardo surfa

Cada vez mais isolado pelos colegas e repudiado pelas principais lideranças da comunidade jurídica, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, resolveu anunciar nesta quarta-feira sua aposentadoria precoce, quando ainda faltavam 11 anos para chegar à idade da compulsória.

Para pegar uma boa onda, antecipando-se à formalização do pedido de aposentadoria do ministro, prevista para o final de junho, assim que a notícia correu o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que se apresenta na campanha eleitoral como pregador da "nova política", correu para surfar na decisão de Barbosa e mostrar de que lado está (ou sempre esteve):

"Qual partido não gostaria de ter Joaquim Barbosa em seus quadros?", pontificou o candidato, até outro dia aliado do governo do PT. "Se o ministro pensar em se filiar a algum partido, amigos próximos poderão fazer uma aproximação com o PSB. Todos os partidos políticos do Brasil que prezam a Justiça, que prezam a democracia, gostariam de ter em suas fileiras um brasileiro com a honestidade, a vida e a biografia dele".

Barbosa já disse mil vezes que não quer saber de política e pretende se dedicar à vida acadêmica, mas Eduardo avisou que está de portas abertas se ele mudar de ideia. Quem seriam os amigos próximos?

Quer dizer, segundo Campos, quem não pensa e age como ele e Barbosa não preza a Justiça e não é democrata. Era desconhecida até agora esta admiração do ex-governador de Pernambuco pelo quase ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.

Não pensam assim os presidentes de classe da magistratura e de juízes ouvidos pelo portal Brasil24/7.

"Ele não é uma pessoa que vai ser lembrada", afirmou Nilo Toldo, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). João Ricardo dos Santos, dirigente da Associação dos Magistrados Brasileiros, espera que a entidade possa  "superar esta falta de diálogo" com o STF após a saída de Barbosa.

Em nota assinada pelo seu presidente, Paulo Luiz Schmidt, a Associação Nacional dos Magistrados das Justiça do Trabalho (Anamatra), fez duras críticas ao futuro aposentado:

"A história dirá mais tarde, distanciada dos debates ideológicos, sobre seus erros e acertos (...) Para a Anamatra, no entanto, a passagem de Sua Excelência pelo Supremo Tribunal Federal e pelo CNJ, não contribuiu para o aprimoramento do necessário diálogo com as instituições republicanas e as entidades de classe, legítimas representantes da magistratura, marcando, assim, um período de déficit democrático".

Glorificado pela mídia por sua atuação implacável no julgamento da Ação Penal 470, ao mesmo tempo juiz e promotor do processo, Barbosa viu as críticas aumentarem à sua postura como autonomeado executor das penas dos condenados do mensalão do PT, atropelando toda a jurisprudência do próprio STF e do Superior Tribunal de Justiça, que, desde 1999, autoriza o trabalho externo dos apenados em regime semiaberto.

No clima de beligerância que domina o país, às vésperas do início da Copa no Brasil, a atitude de Joaquim Barbosa, que já era esperada e não causou surpresa no meio jurídico, foi recebida com uma sensação de alívio por aqueles brasileiros que, ao contrário de Eduardo Campos, pensam mais na Justiça justa e no país pacificado do que nos seus interesses eleitorais e partidários.

Surfistas não costumam se dar bem em política, mas há exceções, é claro, que, geralmente, não têm um final muito feliz. Collor que o diga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com