Dilma não se abala com pesquisas e vai à luta

Engana-se quem pensa que a presidente Dilma Rousseff tenha ficado abalado com a sua queda nas últimas pesquisas, que animaram o movimento do "volta Lula", às vésperas da abertura do Encontro Nacional do PT, nesta sexta-feira em São Paulo.

No dia seguinte à divulgação da pesquisa CNT/MDA, em que pela primeira vez Dilma cai quase sete pontos, fora da margem de erro, e Aécio Neves sobe quatro, Dilma foi à luta. Em Camaçari, na Bahia, perguntada sobre as ameaças de debandada de parlamentares aliados, ela cortou de primeira: "Se não tiver apoio da base, toco em frente". A disposição da presidente para concorrer à reeleição já tinha ficado clara na véspera, durante encontro com jornalistas esportivos , quando desdenhou os defensores do "Volta Lula".

"Nada me separa dele e nada o separa de mim. "Sei da lealdade dele a mim, e ele da minha lealdade a ele". Na Bahia, nesta quarta-feira, Dilma voltou a ser indagada sobre o mesmo assunto e respondeu que todas as especulações são possíveis. "Em ano eleitoral ocorrem fatos concebíveis e3 até os inconcebíveis".

Alvejada por uma guerra sem tréguas de notícias negativas da mídia, cada vez mais isolada politicamente, Dilma tem uma boa oportunidade para sair da defensiva e contra-atacar dias, em dois momentos. Já na noite de hoje, véspera do Dia do Trabalho, ela deve fazer um pronunciamento, às 20h20, na mesma linha do seu discurso de ontem em Feira de Santana, na Bahia, onde afirmou: "Tenho certeza de que o povo brasileiro não vai retroagir, voltar atrás, desistir disso que conquistamos: a redução da desigualdade social, da maior criação de empregos que o Brasil teve".

No Encontro Nacional do PT, sexta e sábado, tanto Dilma como Lula devem ir ao ataque, mostrando as conquistas dos governos do PT em comparação com os tucanos, depois dos ataques que, tanto o governo como partido, sofreram dos adversários nas últimas semanas.

É a grande oportunidade de ambos responderem aos que tentam jogar um contra o outro, a cinco meses e cinco dias das eleições. Na mesma pesquisa CNT/MDA, apesar de ter diminuído sua vantagem em relação a Aécio Neves e Eduardo Campos, Dilma Rousseff ainda vence no primeiro turno, mas o grande problema é a avaliação do governo, que caiu para 32,9% de ótimo e bom, abaixo do piso mínimo de 34%, apontado pelos especialistas como o mínimo para as chances de um candidato à reeleição.

Agora, é preciso ver se a oscilação negativa dos índices de Dilma e positiva de seus adversários é uma tendência ou apenas retrato do momento difícil que a presidente e o PT enfrentam.

 

 

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lula1 Quem ganha com esse bate boca Lula e o STF?

"E o que a gente vai ganhar com isso?", costumava perguntar o ex-presidente Lula aos seus assessores que vinham com alguma ideia de jerico durante as campanhas do PT. É o caso de se repetir esta pergunta depois da infeliz entrevista que ele deu a uma televisão portuguesa, em Lisboa, na qual fez críticas ao Supremo Tribunal Federal pelo julgamento do mensalão petista.

Disse Lula: "O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve 80% de decisão política e 20% jurídica. Não vou ficar discutindo decisão da Suprema Corte. Só acho que essa história vai ser recontada. Foi um massacre que visava destruir o PT, e não conseguiram".

Respondeu Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do processo: "Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos ministros da mais alta Corte da Justiça do País. O juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela sua dificuldade em compreender o papel reservado a um Judiciário independente".

Neste caso, não é difícil encontrar as respostas. Pela repercussão que o caso ganhou, com o pronto contra-ataque dos ministros do Supremo, só ganharam justamente os responsáveis pelo que Lula chamou de "massacre".

Ou seja, ganharam os ministros do STF, que voltaram ao noticiário no papel de vítimas, atacando o ex-presidente e municiando a mídia com um tema negativo para o PT, e os candidatos da oposição que ganharam um discurso em defesa do Judiciário.

Perderam com isso o próprio Lula, o PT, o governo e os seus companheiros condenados no processo, que continuam nas mãos de Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, e que está deixando José Dirceu preso em regime fechado há cinco meses e meio, quando o ex-ministro já teria direito ao semiaberto e a trabalhar fora do presídio.

É verdade que o Supremo julgou de forma bem mais generosa o mensalão tucano e o ex-presidente Fernando Collor. Só que agora não tem mais volta, a Ação Penal 470 transitou em julgado, e é melhor olhar para a frente, pensar o futuro em vez de se apegar ao passado, no que ele teve de bom ou de ruim, pois já estamos em plena campanha eleitoral para a sucessão da presidente Dilma Rousseff e os eleitores querem saber o que o PT tem a propor ao país para um eventual quarto mandato do partido.

Como cabo eleitoral de Dilma, certamente esta entrevista de Lula não ajuda a campanha da reeleição num momento em que o governo enfrenta sérios problemas com a sua base aliada e a economia. Tanto isso é verdade que ninguém do partido ou do governo saiu em defesa do ex-presidente após os duros ataques a ele desfechados por ministros do STF e as críticas feitas pelos principais adversários do PT, Aécio Neves e Eduardo Campos.

"É um troço de doido", disparou o ministro Marco Aurélio Mello, sempre à disposição da imprensa quando se trata de bater nos governos do PT e seus lideres. Aécio afirmou que as declarações do presidente "não fazem bem à democracia, nem honram a história de um homem que foi presidente da República". Fiel à sua estratégia de bater no governo Dilma, mas não em Lula, Eduardo limitou-se a lembrar que "em qualquer lugar do mundo decisões judiciais devem ser cumpridas e, não, discutidas".

Nunca dá certo falar de questões internas quando se dá entrevistas no exterior, ainda mais em se tratando de uma liderança política do porte de Lula. E ele sabe disso.

 

 

 

 

 

 

 

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 PT enfrenta seu momento mais difícil no Encontro Nacional

No meio do feriadão de 1º de Maio, sexta e sábado, o PT promove seu 14º Encontro Nacional em São Paulo, no momento mais difícil dos seus 34 anos de vida. Não bastasse a enxurrada de problemas enfrentados pelo governo Dilma, tanto no campo político, com rachaduras na aliança, como no econômico, em que os índices negativos se multiplicam, agora surgem sinais evidentes de uma divisão interna, que pode prejudicar não só a reeleição da presidente, mas as chances do partido nas eleições estaduais e seu próprio projeto de poder.

O ex-presidente Lula repetiu, pela milésima vez, no final de semana, em entrevista à televisão portuguesa RTP, que não vai concorrer a nenhum cargo nas eleições deste ano e apoiará a sua sucessora: "Não vou ser candidato. Vou para a rua fazer campanha para Dilma". Mas não adianta: a turma do "volta Lula", que junta setores do partido mais ligados ao ex-presidente a empresários descontentes com o governo Dilma, não desiste de criticar os rumos da administração federal e alimentar o noticiário que insiste em jogar um contra o outro, na tentativa de enfraquecer ambos e, portanto, o PT.

Dilma e Lula estarão juntos no encontro, com a participação de 800 delegados, que devem aprovar as diretrizes do programa de governo da presidente para um possível segundo mandato. É a oportunidade que os dois terão para mostrar uma unidade partidária que no momento está, de fato, mais ameaçada por divergências internas, manifestadas publicamente no caso da Petrobras, do que pelos adversários na disputa eleitoral.

A esta altura, faltando pouco mais de cinco meses para as eleições, não basta reclamar do partidarismo da mídia a serviço da oposição. Sempre foi assim, mas os problemas enfrentados pelo governo e pelo partido são reais e é preciso dizer claramente o que o PT pretende fazer com a capengante economia, caso conquiste mais um mandato, que o deixaria 20 anos no poder central.

O próprio Lula, numa entrevista concedida a um grupo de blogueiros, no início do mês, cobrou da presidente o anúncio de medidas concretas para melhorar a economia, mas o governo parece travado, jogando na retranca, como se já tivesse feito tudo o que era possível para controlar a inflação e retomar o crescimento com mais força, os grandes desafios do momento, que podem ser decisivos na eleição de outubro.

Ainda nesta segunda-feira, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, projetou um crescimento do PIB de apenas 2,3% este ano, abaixo da própria previsão feita anteriormente pelo governo, que já era decepcionante (2,5%). A segunda má notícia do dia, que vem se somar a todas as outras das últimas semanas, é o crescimento de 7,4% na inadimplência das empresas, em relação ao mesmo período do ano passado. E uma ala do PR já está anunciando que vai retirar o apoio a Dilma na reeleição.

Diante deste quadro desfavorável, sendo bombardeada por todos os lados, inclusive por membros do seu partido e da base aliada, o governo Dilma mantém um obsequioso silêncio, que só deverá ser quebrado pelo discurso da presidente no 1º de Maio, em rede nacional de rádio e televisão. Ministros e assessores próximos da presidente no Palácio do Planalto agora não falam mais nem em "off" quando perguntados sobre a reação do governo aos cada vez mais duros ataques da oposição.

O cenário em que os petistas se reunirão no final de semana, guardadas as devidas proporções, me lembra um pouco a crise vivida pela então prefeita de São Paulo Luiza Erundina, no final dos anos 80, que atribuía as dificuldades da sua administração ao partido e vice-versa. Depois de 11 anos e quatro meses no Palácio do Planalto, o PT se vê agora diante do dilema de defender a continuidade num país que quer mudanças, o oposto do que aconteceu na campanha de 2002, no final do governo FHC, quando Lula se elegeria presidente pela primeira vez, vencendo o tucano José Serra. A diferença é que agora o PT está no governo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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FOTO 1 Perdemos, mas nossa República começou em 1984

Agora, que todo mundo já chama golpe de golpe e não fala mais em "Revolução Democrática de 1964"; agora, que se conta em prosa, verso e imagens como a Campanha das Diretas Já mobilizou o país inteiro na luta pela volta da democracia, nas maiores manifestações cívicas da nossa História, não consigo esquecer daquela madrugada de 26 de abril de 1984, no Congresso Nacional, quando faltaram apenas 22 votos para a aprovação da Emenda Dante de Oliveira.

Eu estava lá e fiquei até o final, torcendo pela vitória e chorei junto com todo mundo, depois de atravessar o Brasil ao lado dos comandantes da campanha, tendo à frente o grande Dr. Ulysses, dos artistas e dos representantes da sociedade civil, que se uniram para dar um basta aos militares. Perdemos, mas ganhamos: no ano seguinte, acabou a ditadura com a eleição ainda indireta do civil Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse.

Foram 21 anos de um grito preso na garganta pedindo liberdade, que explodiu nas ruas e, como bem definiu o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor de "1989",  tivemos ali a verdadeira Proclamação da República, quase um século após uma ação militar, com participação de civis, derrubar o último imperador.

Agora, em 1984, era o contrário: eram os civis que acabavam com o regime militar, sem nenhum apoio fardado, apesar da omissão, durante boa parte da campanha, da maioria da  chamada grande imprensa, que está tentando reescrever a sua própria história, trinta anos depois.

Pela primeira vez, o povo brasileiro, que tinha assistido de longe e bestificado ao Grito da Independência, em 1822, e à Proclamação da República, 67 anos depois, assumia o papel de protagonista. Pois foi a partir da derrota de 26 de abril que o Brasil se tornou uma Nação dona do seu próprio destino, conquistando a democracia sem precisar dar um único tiro, com uma grande festa que se espalhou pelas ruas e praças para terminar naquilo que chamei de "a mais sombria madrugada", no último capítulo do meu livro "Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas", sob o título "Galerias explodem e não deixam a luta terminar", que foii lançado poucos dias depois pela Editora Brasiliense.

O texto, publicado originalmente na "Folha", começava assim:

Alguns deputados choravam, outros se prostravam em silêncio. Ao ser anunciado o resultado da votação da Emenda Dante de Oliveira, pouco depois das duas horas da manhã, a grande festa que todo o povo brasileiro esperava corria o risco de se transformar num grande velório.

Mais uma vez, porém, este povo reagiu. Em vez de ficarem lamentando os 22 votos que faltaram para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, os homens e as mulheres que lotavam as galerias bradaram seu grito de guerra: "um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil".

E terminava assim, com maiúsculas e tudo:

"Ontem, foi fogo segurar aquela barra. Mas, hoje, já está tudo bem de novo, nós não perdemos, nós ganhamos, você vai ver", disse-me a deputada federal e atriz Beth Mendes (PT-SP). De fato, nem as nuvens escuras e a chuva do fim de tarde em Brasília, depois destes dias de sol, foram capazes de apagar a chama. Num apartamento da W-3, ainda resistia, apesar de tudo, uma faixa em que se podia ler, simplesmente: BRASIL.

É muito bom poder reproduzir estas palavras trinta anos depois, sem ter que mudar nenhuma vírgula. Beth Mendes tinha razão.

 

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jose dirceu blog Promotora alega que se baseou em denúncia secreta

Nunca tinha visto nada parecido no cada vez mais surpreendente mundo jurídico brasileiro. Alegando que seus informantes "recusaram-se, peremptoriamente, a prestar depoimento formal e a divulgar sua identificação", a promotora Márcia Milhomens Corrêa, de Brasília, decidiu aceitar assim mesmo uma denúncia secreta na investigação sobre o uso de um celular pelo ex-ministro José Dirceu, no Presídio da Papuda, o que nunca ficou provado.

A promotora usou este inacreditável argumento para se defender junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, que investiga o pedido dela para que fossem quebrados os sigilos de uma área que inclui não só o presídio da Papuda, mas o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o próprio Supremo Tribunal Federal.

"A medida objetiva apurar denúncias trazidas ao Ministério Público em caráter informal, de que o sentenciado José Dirceu teria estabelecido contato telefônico", justificou Márcia Milhomens Corrêa, dois meses após a questão chegar às mãos do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa.

Seria o caso de perguntar: quem seriam os denunciantes secretos a serviço da promotora? Agentes aposentados da Abin, do FBI ou do SNI, repórteres investigativos fazendo hora extra? Em nota divulgada pela defesa de José Dirceu, o advogado Rodrigo Dall´Acqua também pergunta: "Esta denúncia fantasma existia ou foi criada para que a promotora se defenda perante o CNPM?"

Afirma a nota: "Assustadora denúncia fantasma consegue a proeza  de agregar os vícios do anonimato com a inconsistência da informalidade. Alguém denunciou não se sabe o que, não se sabe quando, nem como, nem onde".

O que seria uma denúncia em "caráter informal", como alegou a promotora? Uma conversa de bar, um telefone sem fio numa quermesse? Desta forma, qualquer um de nós pode denunciar um outro alguém só pelo prazer de vê-lo preso em regime fechado, há mais de cinco meses, quando o sentenciado teria, por lei, direito ao semiaberto e a trabalhar fora do presídio.

As novas investigações solicitadas pela promotora servem apenas ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo e autonomeado executor das penas, para protelar indefinidamente uma resposta ao pedido feito pela defesa de José Dirceu para que a lei seja cumprida. No caso do mensalão (só do petista, não do tucano) está-se criando uma original jurisprudência, do julgamento à execução dos penas, que dificilmente voltará a ser aplicada contra outros réus.

A lei deveria ser igual para todos, mas há controvérsias, já que o procurador geral da República, Rodrigo Junot, há duas semanas, manifestou-se a favor da concessão do semiaberto para que Dirceu possa trabalhar fora do presídio.

 

 

 

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4f24svmu8w 53ks35g82t file Tem algo no ar além dos velhos aviões de carreira

A frase do título é antiga e a situação que vivemos não é nova. Paira no ar uma estranha sensação de insegurança em que algo pode acontecer a qualquer momento. Multiplicam-se os episódios de violência por toda parte, greve na PM da Bahia, protestos, manifestações, ocupações, acidentes em penca nas estradas durante o feriadão, ônibus queimados como lenha no Rio e em São Paulo, vazamento de gás na Marginal do Tietê às duas da madrugada, provocando um infernal congestionamento durante toda a manhã na maior cidade do país, obras da Copa que não andam, gerando só notícias negativas em todos os noticiários da grande imprensa, com destaque para os casos de corrupção a granel e ameaças de aumento da inflação.

Não há americanos nem militares à vista, mas o clima geral me faz lembrar os acontecimentos que antecederam o golpe cívico-militar de 1964, descritos em detalhes no livro que estou lendo sobre aquele período. Em "1964 _ O Golpe", o jornalista e testemunha ocular Flávio Tavares mostra como se criou o chamado "caldo de cultura" para que "marchas da família" pedissem a derrubada do presidente João Goulart, pedido prontamente atendido pelos militares, que preparavam a conspiração desde a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, com a participação do governo dos Estados Unidos em plena Guerra Fria.

Acabou a ditadura, acabou a Guerra Fria, os militares voltaram para os quartéis, não há mais a "ameaça comunista" e os americanos agora têm outras preocupações, mas setores poderosos da nossa sociedade, entre eles a velha elite paulistana, os donos do dinheiro grande que vivem da especulação e o alto baronato da mídia, não se conformam até hoje com a chegada do PT ao poder central e simplesmente não admitem a reeleição de Dilma Rousseff, que daria o quarto mandato consecutivo ao partido.

Erros do PT e da presidente à parte, que não foram poucos, o fato é que há uma evidente orquestração para desconstruir a imagem de Dilma e do partido, na medida em que os dois principais candidatos de oposição não conseguem desempacar nas pesquisas.

Antes que algum leitor mais afoito tire conclusões apressadas, nem de longe imagino possível que alguém esteja preparando um golpe contra o governo, até por que as condições do Brasil e do mundo são completamente diferentes de 50 anos atrás, como disse o próprio Flávio Tavares no dia do lançamento do livro, na semana passada. Apenas constato as coincidências do tom do noticiário daquela época e o de agora, para criar um clima de medo e instabilidade. O objetivo é apenas desgastar a presidente até as eleições, para impedir uma nova vitória do PT, como até aqui apontam todas as pesquisas.

Por isso, jogam tudo no descontrole da inflação e no fracasso da Copa no Brasil, anunciando greves e manifestações, para depois colocar a culpa na falta de capacidade administrativa do governo, abrindo caminho para os salvadores da pátria que prometem mudar "tudo o que está aí", mais ou menos como aconteceu em 1964. Os mesmos grupos de comunicação (com a honrosa exceção da falecida Última Hora, do meu amigo Samuel Wainer), que conspiraram contra Jango, estão aí até hoje, mais unidos do que nunca, disparando manchetes dos seus canhões de  papel. Eles não esquecem, não desistem e não aprendem.

 

 

 

 

 

 

 

 

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STF Fachada HG Supremo decide destino de Dirceu e tamanho da CPI

Duas importantes decisões do Supremo Tribunal Federal são esperadas para esta semana: o destino de José Dirceu, que está nas mãos de Joaquim Barbosa, e o tamanho da CPI da Petrobras, se será exclusiva ou ampliada para governos do PSDB e do PSB, decisão que deve ser anunciada, talvez ainda hoje, pela ministra Rosa Weber.

Dirceu está há cinco meses e uma semana em regime fechado no Presídio da Papuda, aguardando que Barbosa julgue seu pedido de regime semiaberto, que lhe foi assegurado ao ser absolvido da acusação de formação de quadrilha. A pretexto de investigar possíveis "regalias" que Dirceu teria na prisão, entre elas a de ter usado um celular, segundo denúncias da imprensa, o que nunca foi provado, Barbosa vem protelando esta decisão, impedindo-o de trabalhar fora do presídio, ou seja, aplicando nova pena a um réu já condenado.

A resolução 514, assinada pelo presidente do STF no dia 19 de novembro do ano passado, dá a ele mesmo, que foi relator da Ação Penal 470, a prerrogativa de decidir sozinho sobre o cumprimento das penas dos réus do mensalão, embora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já tenha enviado ao Supremo, no último dia 11, um parecer em que dá por encerradas as investigações, dando a José Dirceu o direito de executar trabalho externo.

Não existe na jurisprudência do próprio tribunal nada parecido com as atitudes de Barbosa vem tomando contra José Dirceu para mantê-lo em regime fechado durante tanto tempo, o que nos permite concluir que se trata de uma vingança puramente pessoal, em que o verdugo assume a posição do magistrado, sem que os demais ministros se manifestem.

Agora, se Barbosa finalmente permitir, o ex-ministro deverá trabalhar como auxiliar no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, em Brasília, ganhando pouco mais de R$ 2 mil por mês, e será transferido para o Centro de Progresso Penitenciária, onde já se encontram os demais presos que foram autorizados a trabalhar fora.

Em mais um caso de submissão explícita, alimentando a judicialização da política, tanto a oposição como os aliados do governo apelaram ao STF para decidir a pendenga sobre o tamanho da CPI da Petrobras. O presidente do Senado, Renan Calheiros, declarou que não vai recorrer, qualquer que seja a decisão da ministra Rosa Weber, mas os aliados já decidiram levar o caso para o plenário do tribunal, e o presidenciável tucano, Aécio Neves, anunciou que vai ao Supremo para acompanhar a sessão da tarde desta terça-feira.

Sem propostas, bandeiras ou discursos para a campanha presidencial, os líderes da oposição tentam sair da inanição em que se encontram jogando tudo na criação da CPI exclusiva da Petrobras para fustigar a presidente Dilma Rousseff, que era presidente do Conselho Administrativo das empresa na época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados, Unidos, em 2006, alvo de um interminável bombardeio de denúncias nas últimas semanas. Outra CPI semelhante já tinha sido instalada em 2009 e não deu um nada.

Enquanto isso, os governistas tentam adiar ao máximo a criação de qualquer CPI, para não dar um palanque permanente à oposição partidária e midiática, em plena etapa decisiva da campanha eleitoral. Quem decidirá o jogo, mais uma vez, será a Justiça, a pedido dos dois times. Depois, não adianta reclamar da progressiva degradação da imagem do Congresso Nacional, dos partidos e dos políticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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movimentação metro g 201203151 A intolerância, a incivilidade e a ignorância

"Eu não sou obrigado a te ver!", respondeu-me na fila do caixa o senhor bem vestido, mais ou menos da minha idade, quando ostensivamente  passou à minha frente na fila e eu lhe perguntei se ele não tinha me visto. Já já esticando o braço para entregar seu cartão ao caixa da lanchonete no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, no coração de São Paulo, ele fez que não me viu e repetiu a frase. Fiquei perplexo e só pude lhe dizer: "Pobre Brasil..." O sujeito quis saber por que, e tive que lhe explicar: "Por ter gente como você". Com o braço na tipoia, ainda me recuperando de uma cirurgia complicada no cotovelo, não tinha como lhe dar o que merecia, um murro na cara.

Esta cena, cada vez mais comum nos dias em que vivemos, aconteceu na noite de quarta-feira, após o lançamento do livro "1964 _ O Golpe", do meu amigo Flávio Tavares, que pretendo ler neste feriadão. Ainda não tinha me recuperado da agressão anterior, na mesma noite. Ao descer do carro na alameda Santos, esperei o farol fechar, a rua estava vazia e, de repente, do nada, apareceu um carrão preto, com farol alto, buzinando bem em cima de mim, e o feliz proprietário ainda me xingou. Não acreditei naquilo. Xingar este cara de animal, como eu fiz, é ofender os animais.

No debate que antecedeu a noite de autógrafos na Livraria Cultura, Walcyr Carrasco, o festejado autor de novelas, contou que, ao incluir em sua última novela um merchandising cultural sobre o livro "Meus 13 dias com Che Guevara", também de Flávio Tavares, foi fuzilado pela internet por ter tido a ousadia de citar o nome do lendário guerrilheiro no horário nobre.

Que se passa? No caminho de volta para casa, fiquei pensando nos três "i" _ os tantos episódios de intolerância, incivilidade e ignorância explícitas que tenho presenciado sempre que saio de casa na maior cidade do país. Sem falar na guerra do trânsito, em que cada motorista se acha o dono da rua e também finge que não vê os outros, dando fechadas, avançando sinais, fechando cruzamentos e buzinando, por toda parte e em todos os círculos sociais, esta praga está se espalhando.

Vão dizer que este é um problema que só pode ser resolvido quando a educação de qualidade em nosso país for universalizada. A meu ver, porém, não se trata só da educação formal porque, na maioria destes casos, os personagens são pessoas que cursaram até boas faculdades, mas não aprenderam o básico: a viver em sociedade, respeitando os outros, não tratando como inimigo quem pensa diferente, não querendo levar vantagem em tudo. A meu ver, trata-se mais de uma questão cultural e de falta de caráter. Não basta ter diploma.

Do trânsito cada vez mais brutalizado, aos protestos de toda ordem que se multiplicam, impedindo nosso direito de ir e vir, às greves em setores essenciais, às conversas nos bares em que se quer ganhar discussões no grito, na falta de solidariedade com os mais necessitados, à baixaria na internet, aos desmandos e malfeitos em todas as latitudes dos três poderes, o panorama humano está ficando cada vez mais assustador.

Por isso, nada como um feriadão pela frente para dar uma respirada e refletir sobre o que estamos fazendo com as nossas vidas e o nosso país. Apesar de tudo, boa Páscoa a todos. Até terça, ou a qualquer momento em edição extraordinária do Balaio.

Enquanto eu descanso um pouco, vocês poderiam atualizar este nosso espaço contando outras histórias de intolerância, incivilidade e ignorância, que não devem faltar nas cidades em que vivem. Ou contar alguma história boa de alguém que está conseguindo escapar deste vale tudo em que, ao final, todo mundo vai sair perdendo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma ok Nova pesquisa vai atiçar a guerra contra Dilma

Dilma posa para foto com trabalhadores durante cerimônia de inauguração do Pier Sul do Aeroporto Internacional de Brasília Presidente Juscelino Kubitschek. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Uma notícia boa e uma ruim para Dilma Rousseff.

Primeiro a boa: nova pesquisa Vox Populi/Carta Capital divulgada nesta quarta-feira mostra a presidente ainda na liderança folgada da corrida presidencial, com 40% dos eleitores, enquanto seus adversários juntos somam 26% das intenções de voto, o que lhe daria a vitória no primeiro turno.

A ruim: este cenário eleitoral estável, em que Dilma caiu um ponto, assim como Aécio Neves (de 17% em fevereiro para 16%) e Eduardo Campos subiu dois (de 6% para 8%) vai ativar ainda mais a guerra midiática desencadeada pela oposição partidária e empresarial para impedir a qualquer custo a reeleição da presidente petista, que permitiria ao PT ficar 16 anos no poder.

Posso imaginar a cara dos barões e seus editores, comentaristas, colunistas e blogueiros na próxima reunião do Instituto Millenium, um olhando para o outro, e se perguntando: onde foi que nós erramos?

Após o bombardeio das últimas semanas, em torno da Petrobras e do noticiário negativo na economia, era grande a torcida deles para que na primeira pesquisa publicada a presidente Dilma desabasse e seus adversários disparassem na tabela das intenções de votos. Esta pesquisa Vox Populi, que praticamente manteve inalteradas as tendências do levantamento de fevereiro, foi um balde de água fria naqueles que buscam diversas formas alternativas, fora das urnas, para retomar o poder perdido em 2002.

O Plano A era formado pelas denúncias contra a Petrobras, por conta da compra da usina de Pasadena, nos Estados Unidos, um mau negócio feito oito anos atrás. Com a criação de uma CPI, queriam responsabilizar diretamente a presidente Dilma pelos prejuízos, mas até agora esta operação não surtiu o efeito desejado.

O Plano B já está em marcha, com a promoção dos "protestos pacíficos" que se repetem pelo país afora, seguindo um calendário pré-estabelecido, para criar um clima de descontrole nas ruas tomadas por vândalos do movimento "Não Vamos Ter Copa". Sim, vamos ter Copa, mas eles não se conformam, e já programam novas manifestações que acabam em atos de violência e prisões (por falar nisso, ao contrário do que aconteceu das outras vezes, quatro dos 54 "protestantes" presos pela polícia na terça-feira continuavam detidos até ontem).

O Plano C foi para as ruas esta semana com a nova greve dos policiais de Salvador, uma das cidades-sede da Copa, que levaram a saques e à convocação de tropas do Exército. A greve é comandada pelo ex-soldado da PM Marco Prisco, o mesmo da greve de 2002 (também ano eleitoral), que depois se elegeu vereador pelo PSDB de Aécio Neves. Outra liderança dos policiais é o deputado estadual Capitão Tadeu, do PSB de Eduardo Campos, agora candidato a federal. É preciso acrescentar mais alguma coisa?

greve Nova pesquisa vai atiçar a guerra contra Dilma

Criminosos aproveitam greve de PMs para saquear lojas e caminhões em Salvador (BA). Foto: Reprodução/Rede Record

A "Folha", que já criou o "protestômetro", informa que outras 16 categorias profissionais querem aproveitar o calendário da Copa para tentar conseguir aumentos acima da inflação e ampliar direitos trabalhistas". Ou seja, estão preparando novas greves.

Bem, se nada disso der certo, e as pesquisas teimaram em mostrar Dilma bem à frente dos outros, restará apenas uma última alternativa para as oposições partidárias-midiático-financeiras: marchar novamente para o Supremo Tribunal Federal e pedir o adiamento das eleições por "falta de clima" _ exatamente o clima de instabilidade que se está querendo criar com os planos relatados acima.

Como não sou dono da verdade, gostaria de saber o que os eleitores/leitores do Balaio pensam de tudo isso. Não se acanhem, mandem seus comentários. Só não vale baixaria.

Em tempo: agora, é quase todo dia. Nesta quinta-feira, um dia após o Vox Populi, saiu nova pesquisa Ibope, sem grandes novidades. Como já tinha mostrado o Datafolha na semana passada, a presidente Dilma oscilou para baixo, mas os seus principais concorrentes ficaram no mesmo lugar. Com a inclusão dos nanicos, que somaram 3%, Dilma caiu de 40 para 37%; Aécio oscilou de 13 para 14% e Eduardo Campos ficou com os mesmos 6% da pesquisa anterior. Detalhe: a soma de votos nulos, em branco e não sabe é de 37%, ou seja, o mesmo índice de intenção de votos da líder na pesquisa, que continuaria ganhando no primeiro turno (os adversários somam 25%).

 

 

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ManifestacaoMasp 15042014 DO 61 2 Quem mobiliza estes vândalos contra a Copa?

A menos de dois meses do início da Copa, com todos os estádios prontos, à exceção do Itaquerão do Corinthians, continuam as "manifestações pacíficas" contra o evento promovidas nas grandes cidades, seguindo religiosamente um calendário, preparado por alguém que ninguém sabe quem é. Nesta terça-feira, tivemos mais um em São Paulo e o próximo já está marcado para o próximo dia 29.

Inventaram até um "protestômetro" para divulgar os atos marcados em todo o país para antes e durante a Copa do Mundo do Brasil. O que eles querem, afinal? Derrubar os estádios? Derrubar o governo? Provocar um clima de caos antes das eleições presidenciais?

O que me parecia um negócio de malucos desocupados, como estes "black blocs", que aparecem sempre no final dos "protestos" afrontando a polícia e quebrando tudo que encontram pela frente, está virando um movimento muito bem organizado, que não mostra suas lideranças nem os objetivos que os levam a fechar ruas e avenidas, provocando enormes congestionamentos nas capitais que sediarão a Copa.  Atribui-se tudo a uma anônima mobilização feita pelas redes sociais.

Desde as grandes manifestações de junho do ano passado, que começaram pacíficas e terminaram em confrontos com a polícia e enormes prejuízos para os comerciantes, não teve semana em que não promovessem algum protesto por qualquer motivo, muitas vezes em parceria com os "black blocs".

Assim como os "manifestantes", batalhões de policiais comparecem pontualmente aos locais marcados e, vez ou outra, prendem alguns mais exaltados.  Centenas já foram presos _ só ontem, a polícia levou mais de 50 deles_ , mas acho que nenhum permanece atrás das grades. Antes de soltá-los, no ritual que já se tornou uma rotina, será que os órgãos de segurança não poderiam pelo menos fazer uma pequena investigação para saber quem são, de onde vêm e a serviço de quem estão estas figuras estranhas que fizeram dos protestos uma profissão?

O de ontem foi o quinto ato do "Não vamos ter Copa" este ano. Lá estavam 750 PMs para tomar conta de 1.500 manifestantes. Nos dois protestos anteriores, havia mais policias do que participantes das marchas de protesto. Quanto custa isto ao Estado em recursos humanos e equipamentos? Quem paga esta conta? Parando o transito por onde passavam, da avenida Paulista ao Largo da Batata, em Pinheiros, cruzando toda a avenida Rebouças, eles conseguiram infernizar a vida de milhares de paulistanos que estavam voltando do trabalho ou da escola para suas casas.

Para marcar sua presença, antes do "protesto" acabar os "black blocs" destruíram três agências bancárias e correram corajosamente para dentro da estação Butantã da linha 4 do Metrô, onde foram cercados por 150 policias. Depois de revistados, foram levados para os ônibus da PM, que já estavam aguardando por eles. A polícia encontrou até coquetéis molotov nas mochilas dos "pacíficos manifestantes".

Até quando nós vamos continuar assistindo a esta baderna pré-programada sem fazer nada?

 

 

 

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