Índices mostram que economia está encolhendo

Desemprego: chegou a 6,4%, o maior índice dos últimos quatro anos. Cerca de 1 milhão e 600 mil trabalhadores brasileiros estão sem emprego, segundo o IBGE.

Renda: o salário médio dos trabalhadores caiu 0,5% no mês passado, em relação a março, e 2,9% na comparação com abril de 2014.

PIB: a economia brasileira encolheu 0,81% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com cálculos do Banco Central. Nos últimos 12 meses, o PIB caiu 1,18%, o mesmo índice da retração esperada para este ano.

Os novos índices negativos da economia divulgados nesta quinta-feira apontam para uma piora do cenário, ainda antes dos cortes no orçamento, previstos entre R$ 60 e 80 bilhões, que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deverá anunciar até amanhã.

Uma coisa vai puxando a outra: com menos investimentos e as altas dos juros e da inflação, caem o emprego e a renda, os grandes esteios da estabilidade econômica mantida até o ano passado, fazendo com que as famílias consumam menos e provoquem uma queda no PIB. A produção industrial caiu 5,9%, segundo o IBC-Br.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Aumentos para o Judiciário são um esculacho

Caros leitores,

poucas vezes na história deste blog fui tão criticado por escrever um texto como o publicado abaixo. E com toda razão, como pude concluir, depois de ler todos os comentários enviados por servidores do Judiciário. Eles argumentam, basicamente, que não se pode colocar no mesmo Balaio a situação deles, que estão há dez anos sem ter reajuste de salário e vivem com dificuldades, e os privilégios dos magistrados relatados no post.

São duas realidades bem diferentes. Errei ao não me informar melhor sobre a situação do funcionalismo de carreira, que não usa toga e até hoje não tem uma data-base para a reposição dos seus salários, de acordo com a inflação do período, como a maioria dos outros trabalhadores.

Peço desculpas a eles e aos demais leitores e recomendo que leiam os depoimentos destes servidores publicados na área de comentários, mostrando o outro lado da medalha. Internet é bom por causa disso: aqui, neste espaço democrático, quando erramos, podemos fazer as correções necessárias. Ninguém é dono da verdade.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Em tempo (atualizado às 14h50 de 23.5):

se nunca tinha sido tão criticado, como escrevi acima, também nunca recebi tantos elogios por ter reconhecido meu erro.

Agradeço a todos os leitores, tanto os que me criticaram severamente, como os que depois me elogiaram, apenas por ter cumprido minha missão de jornalista, que não é dono da verdade, e deve sempre ouvir todos os lados para ser justo.

Vivendo e aprendendo. Vida que segue.

***

Já começam a me faltar palavras para definir o que está acontecendo nas nossas instituições. Só mesmo procurando no dicionário para encontrar a expressão certa capaz de explicar a farra dos aumentos no Judiciário, em plena temporada de ajuste fiscal para cortar gastos públicos e salvar o país da quebradeira: esculacho.

Um dos significados para a palavra, segundo o Dicionário do Aurélio, é "grande confusão". Ou não é isso que estamos vendo? Na verdade, trata-se de um tapa na cara da população, uma ofensa para todos nós que estamos com nossos salários e empregos ameaçados. Vale para tudo o que andam produzindo nos últimos tempos, em todas as esferas e instâncias dos três poderes.

Por exemplo: a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira regime de urgência para que o aumento salarial de 59,49%, em média, a ser pago em seis parcelas até 2017, seja concedido logo aos servidores do Judiciário, mandando a decisão diretamente para o plenário. Eles têm pressa. Isto vai nos custar mais R$ 25,7 bilhões nos próximos quatro anos. O problema é que o país não tem esse dinheiro.

Veja agora a justificativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski:

"Nós precisamos sempre de reajuste. Quem é que não precisa pagar o supermercado, já que houve um aumento do preço dos produtos?".

Que maravilha de pergunta! Cheguei a ficar comovido. Alguém já encontrou o supremo magistrado numa fila de supermercado? Faz pouco tempo, também preocupado com a sobrevivência dos seus colegas de toga, outro ministro do STF, Luiz Fux, como lembrou o colunista Bernardo Mello Franco na Folha, concedeu um auxílio-moradia de módicos R$ 4.300 a todos os juízes do país.

Eles estão conseguindo se superar. Feliz com a prebenda, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Roberto Nalini, explicou, falando sério:

"O auxílio foi um disfarce para aumentar um pouquinho. E até para fazer com que o juiz fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC".

Folgo em saber. E nós, como fazemos? Como se diz no popular, tudo bem, vocês venceram, mas não precisa esculachar.

No mesmo dia, a Câmara presidida por Eduardo Cunha, para não ficar fora da farra geral, aprovou a "emenda do jabuti", que autorizou a construção de mais um anexo para os senhores deputados, com direito a um belo shopping e tudo, orçado em R$ 1 bilhão. Segundo Cunha, será uma parceria público-privada a responsável pela obra. Se for igual ao que fizeram nas PPPs da Copa no Brasil, o público vai entrar com o dinheiro, o privado fica com o lucro da construção e nós pagamos a conta dos elefantes brancos.

Vou ficando por aqui porque, para onde você olha, é tudo a mesma sopa, não cansa de repetir o Mino Carta. Não quero estragar o dia de ninguém. A Justiça pode ser cega, mas quando se trata de olhar os próprios interesses, eles enxergam muito bem, com a ajuda das excelências parlamentares do outro lado da Praça dos Três Poderes. Pobre Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Dia de vitórias de Dilma e derrotas de Renan e Cunha

Dilma fecha acordo com a China

Nada como um dia depois do outro, com uma noite no meio. A cada dia, sua agonia. E assim vamos vivendo, seguindo a vida. A presidente Dilma Rousseff pode ter pensado nestes velhos ensinamentos ao final desta terça-feira de vitórias para o governo e derrotas para seus maiores adversários no momento, tema do meu comentário no Jornal da Record News.

Na queda de braço entre o governo e o Congresso, após uma temporada de más notícias, ontem foi um dia para Dilma comemorar, tanto na política como na economia.

Para mim, o mais importante de tudo, ao contrário da chamada grande imprensa, não foi a derrota que Dilma impôs ao presidente do Senado, Renan Calheiros, com a aprovação do nome de Luiz Fachin para o STF, que ele não queria, mas o grande acordo comercial selado com a China, um pacote de US$ 53 bilhões em 35 projetos de infraestrutura, tratado como mero ato de rotina administrativa.

Num momento em que a nossa economia rateia e clama por novos investimentos, nada poderia acontecer de melhor para o governo brasileiro do que esta parceria com a China, às vésperas da visita oficial que Dilma fará aos Estados Unidos, e não apenas pelos valores envolvidos. Está havendo um reposicionamento histórico na geopolítica mundial entre as duas maiores potências do planeta, em que o comércio torna-se mais decisivo na luta pela liderança do que as guerras territoriais e ideológicas sem fim.

Os efeitos do acordo Brasil-China serão profundos e duradouros, enquanto a batalha pela indicação do novo ministro para o STF foi apenas um fato episódico, do qual daqui a pouco ninguém mais vai falar, e que serviu apenas para demonstrar a miudeza do debate político na imprensa e no parlamento, com o único objetivo de desgastar o governo federal.

No mesmo dia da derrota de Renan Calheiros no Senado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi obrigado a adiar a votação da reforma política, por falta de acordo na comissão especial que ele mesmo montou, mostrando que os dois não são tão poderosos como imaginavam e eram apresentados no noticiário.

A balança do poder oscilou a favor do Executivo e são absolutamente imprevisíveis os próximos lances, com os principais partidos em frangalhos, relegados a segundo plano por bancadas suprapartidárias formadas em torno de interesses específicos, nada republicanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Enfim, PSDB assume ser o partido dos paneleiros

Meio envergonhado no começo, sem saber direito como agir diante dos protestos do "Fora Dilma", apresentados como "espontâneos e apartidários", com seus lideres relutando em sair às ruas para se misturar aos manifestantes, agora o PSDB resolveu assumir de vez o papel de partido dos paneleiros e das marchadeiras.

Na noite desta terça-feira, o programa dos tucanos que irá ao ar no rádio e na TV servirá como um divisor de águas na guerra política. Ameaçado de perder o protagonismo das oposições, a reboque da mídia e dos movimentos organizados pelas redes sociais, os tucanos deixaram de lado o pudor acadêmico, mandaram os escrúpulos democráticos às favas, e resolveram ir à luta.

Os grandes caciques tucanos voltaram bem diferentes da temporada em Nova York, onde participaram, na semana passada, de um festival de homenagens ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na gangorra do vai não vai que caracteriza a ciclotimia do partido, o PSDB preparou o mais duro ataque já desfechado contra seu adversário histórico, 12 anos após a perda do poder central.

É o próprio FHC, fugindo ao habitual estilo cordato, quem comanda a virada radical do partido, ao partir como um Carlos Lacerda para cima de Lula, após o programa abrir as baterias com as imagens dos panelaços das varandas promovidos contra o governo e o PT.

"Nunca se roubou tanto em nome de uma causa (...)  A raiz da crise foi plantada bem antes da eleição da atual presidente. Os enganos e desvios começaram já no governo Lula. O que já se sabe sobre o petrolão é grave o suficiente para que a sociedade condene todos os que promoveram tamanho escândalo, tamanha vergonha".

Na mesma linha, e para não perder o lugar na fila dos presidenciáveis tucanos, Aécio Neves também desceu do muro e bateu pesado:

"O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo, se calou e nada fez para impedir. Se a corrupção ganhar, ela vai voltar cada vez pior, cada vez mais forte. É hora de fazer o que é certo".

E o que é certo? Ao longo do programa, o PSDB nada diz a respeito. Repete apenas as palavras de ordem da mídia, das ruas e das varandas contra o PT, Lula e Dilma, mas em nenhum momento aproveita a propaganda partidária para apontar alternativas à política econômica adotada pelo governo. Fica difícil saber o que o partido ganha com isso pois quem concorda com este discurso já votou em Aécio nas últimas eleições. Os descontentes com o governo podem buscar outras alternativas, não necessariamente as tucanas.

Por coincidência, o programa do PSDB, em clima de panelaços de fim de feira, vai ao ar na mesma semana em que o Brasil recebe o maior volume de investimentos externos já aportado no país. São US$ 53 bilhões em projetos de infraestrutura que a comitiva do primeiro ministro da China, Li Keqiang, vai apresentar hoje em encontro com a presidente Dilma Rousseff.

Como os chineses não são de rasgar dinheiro, eles parecem estar mais confiantes no futuro do Brasil do que os brasileiros da oposição. Tem algo aí que não bate, para além das panelas.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

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 Já deu, Aidar. Está na hora de um PDV no Morumbi

Foto do jogo em que a Ponte Preta derrotou o São Paulo no campeonato brasileiro

Em entrevista exclusiva ao programa Esporte Fantástico, da TV Record, neste final de semana, Muricy Ramalho foi direto ao ponto, revelando como encontrou o elenco em 2013, quando foi contratado para salvar o São Paulo do rebaixamento.

"Tinha jogador que não queria jogar um jogo, outro não queria viajar. Tinha gente que simulava lesão, forçava cartão".

Dois anos depois, a situação parece não ter mudado. Entrou nova diretoria, Muricy foi embora, mas a maioria dos jogadores, que continuam os mesmos, não demonstra muita vontade de jogar bola, como vimos ainda neste domingo no jogo contra a Ponte Preta, em Campinas.

Dá a impressão de que estes atletas profissionais, muito bem pagos, aliás, para vestir a camisa do glorioso tricolor, já entram em campo cansados, não vendo a hora do jogo acabar, não se importando muito com o resultado. Tomam um gol e não reagem. Ficam trocando passes laterais no meio de campo, recuam para o goleiro. Perderam só por 1 a 0, mas poderia ter sido de muito mais, como até o presidente Carlos Miguel Aidar reconheceu depois do jogo.

Mais uma vez, o melhor jogador em campo foi Rogério Ceni, já com aposentadoria confirmada para agosto, que evitou uma goleada. O grande ídolo do Morumbi poderia aproveitar e levar alguns colegas para montar um time de ex-jogadores em atividade.

Já que eles não querem jogar e o São Paulo está no vermelho, com dívidas crescentes, o clube poderia propor ao seu milionário elenco um PDV, o Plano de Demissão Voluntária que as empresas costumam propor aos seus funcionários em momentos de crise e corte de despesas. Isso poderia valer também para a própria diretoria. Mesmo não sendo remunerados, os cartolas do Morumbi causam um enorme prejuízo ao clube, e poderiam fazer outra coisa na vida.

Tem jogadores ali, que de tão medíocres, como os zagueiros Reinaldo e Paulo Miranda, jamais deveriam ter sido contratados, mas entra ano, sai ano, eles continuam em campo, para a alegria dos adversários.

Se Alexandre Pato não servia para o Corinthians, que continua lhe pagando R$ 400 mil por mês para não aparecer no clube, também não poderia jogar no São Paulo, que lhe paga outros R$ 400 mil, para entrar em campo cheio de pose como se estivesse fazendo um grande favor à torcida.

O estrategista interino Milton Cruz, que anda errando muito, tanto na escalação como nas substituições, quando vê que a coisa está feia, e o time não consegue dar um único chute a gol, sempre recorre ao seu grande trunfo no banco, o outrora "fabuloso" Luis Fabiano, com o prazo de validade vencido há muito tempo. Vive machucado ou suspenso e, quando entra em campo, só fica reclamando do juiz até levar um cartão.

Ainda bem que o jogo foi com portões fechados para ninguém ver de perto mais este vexame. Resultado: o jogo teve uma arrecadação negativa de menos R$ 36 mil, mais um recorde do futebol brasileiro comandado por Marco Polo Del Nero & Cia. Por falar nisso, um PDV iria bem também na CBF, agora sob a direção artística do camaleão Walter Feldman.

Em tempo: minha solidariedade ao amigo Juca Kfouri, que se encontra numa UTI, recuperando-se de complicações pós-operatórias. Vi agora que, no final de semana, este bravo jornalista foi agredido de forma grosseira em artigo assinado por Walter Feldman. Este é o retrato emblemático da "nova CBF". Como costumo dizer, sempre dá para piorar.

Força, Juca!

 

 

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Sérgio Moro Quem ganha e quem perde com a Lava Jato

Enquanto o juiz Sergio Moro vive seus dias de celebridade, ganhando prêmios, homenagens e sendo aclamado como herói por onde passa, como na noite de quinta-feira, em São Paulo, está na hora de fazermos um breve balanço sobre o que mudou na vida nacional após 15 meses de Lava Jato, a maior operação de combate à corrupção já mobilizada por instituições do Estado brasileiro.

Sem entrar no mérito das motivações e das decisões já tomadas nas ações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, não é difícil definir quem ganhou e quem perdeu até agora nesta operação que virou o país de pernas para o ar e monopolizou todos os noticiários e conversas neste período.

Quem ganhou

* O juiz Sergio Moro, que já está até tendo seu nome lançado como candidato a presidente da República, como antes aconteceu com o ministro Joaquim Barbosa.

*Procuradores do Ministério Público Federal e delegados da Polícia Federal que controlam os vazamentos seletivos.

*Os mais caros advogados criminalistas do país que foram contratados pelas empreiteiras envolvidas no Petrolão, políticos e delatores.

* A oposição midiático-partidária que estava em busca de um discurso.

* O instituto da delação premiada como método de "investigação".

* A sociedade brasileira, pois agora os crimes de corrupção do andar de cima, pela primeira vez, estão sendo investigados e punidos.

Quem perdeu

* A Petrobras e a economia brasileira que caminha para a recessão.

* As maiores empresas de construção civil do país, seus fornecedores e prestadores de serviço.

* Os milhares e milhares de trabalhadores destas empresas que foram demitidos.

* As regiões que eram polos de investimentos da Petrobras e, de uma hora para outra, com a paralisação das obras, passaram a abrigar cidades fantasmas.

* Todos os partidos e políticos denunciados nas delações premiadas, em especial o PT.

* O povo brasileiro porque, como sempre, está pagando a conta.

Estes são os fatos, o estado da arte, o resumo da ópera.

A Operação Lava Jato não tem prazo para terminar. Para muita gente envolvida, o trabalho está só começando. Os processos na Justiça devem demorar muitos anos até que as sentenças transitem em julgado. Que todos os responsáveis pelos prejuízos causados à Petrobras e ao país sejam devidamente julgados, devolvam o dinheiro roubado e, se condenados, cumpram suas penas. Só uma coisa é certa: tão cedo não mudaremos de assunto.

Convido os leitores a completarem as listas acima com quem acham que está faltando na relação de vencedores e derrotados.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 A grandeza de Rogério Ceni no dia da tristeza

Já dizia o grande Tom Jobim que fazer sucesso no Brasil é uma ofensa pessoal aos que não deram certo na vida.  Rogério Ceni, o goleiro do São Paulo que fez nesta quarta-feira sua última partida pela Libertadores, é um bom exemplo da veracidade da máxima jobiniana.

Não pretendia tratar de futebol hoje, mas vou acatar a sugestão do leitor Nicanor Amaro da Silva Neto, em mensagem enviada às 13h45, para falar desta figura rara do nosso futebol,  jogador que vestiu a camisa de um único clube durante toda a sua longeva carreira.

Com aposentadoria marcada para agosto, Ceni já poderia ter parado há muito tempo, não precisava mais do futebol para viver. Quem disse? Para quem gosta do que faz e tem paixão em competir sempre, não é só o patrimônio acumulado e a conta bancária que contam. Em muitos casos, como no dele, o trabalho representa a própria razão de viver.

Por isso, a tristeza profunda do goleiro ao deixar o gramado do Mineirão, após a eliminação do São Paulo, que perdeu por 4 a 3 a disputa por pênaltis com o Cruzeiro. Rogério tinha defendido dois pênaltis e convertido um, mas seus colegas conseguiram perder três cobranças.

Ali ele começava a se despedir do futebol, aos 42 anos, pois ser mais uma vez campeão da Libertadores foi o motivo que o levou a renovar contrato até agosto. A mesma grandeza que mostrou dentro de campo Rogério mostrou também na saída, ao se calar e não culpar ninguém pela derrota. Ao contrário, a única coisa que fez foi agradecer aos seus companheiros de time que o ajudaram nas muitas vitórias conquistadas.

Dono de uma personalidade forte e com nível cultural superior ao da média dos jogadores, muitas vezes foi considerado arrogante, mas ele só queria uma coisa na vida: jogar e ganhar sempre. Rogério certamente vai sentir muita saudade dos gramados e, nós, das suas atuações brilhantes, principal responsável por tantos títulos conquistados pelo São Paulo nestas últimas duas décadas.

Nesta reta final da carreira do maior ídolo do São Paulo em todos os tempos, quero registrar aqui meu reconhecimento a quem honrou a camisa tricolor e nos deu tantas alegrias.

Valeu, Rogério.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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"A situação está ficando psico escalafobética", constata o filósofo José Simão, mais sério analista político do país. Está ficando, não, já ficou, meu caro Simão, como você pode constatar ao ver as imagens desta quarta-feira na Câmara, com as cenas dos bate-paus do deputado Paulinho da Força, um dos generais da banda do presidente Eduardo Cunha, baixando as calças diante das excelências que votavam mais um pedaço do ajuste fiscal.

Peço até desculpas aos nobres profissionais do picadeiro, por chamar de circo este espetáculo deprimente montado em Brasília, que está atingindo um nível inédito de degradação dos nossos costumes políticos.

As votações de ontem mostraram que não temos mais partidos políticos, situação e oposição, esquerda e direita, virou tudo uma mixórdia só. De um lado, importantes líderes do PT, como o deputado Vicentinho, votaram contra o governo; de outro, o PSDB votou em bloco a favor de mudanças no fator previdenciário das aposentadorias, criado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Pairando acima de tudo, pontifica a bancada suprapartidária do baixo clero comandado por Eduardo Cunha.

Nada tem de engraçado este circo, apesar das cenas de pastelão protagonizadas por parlamentares e a tropa de choque da Força Sindical, cada vez mais ousada e inimputável na sua tarefa de desmoralizar de vez o Congresso Nacional, diante da atitude passiva de quem deveria zelar pelo respeito às instituições.

O pacote do ajuste fiscal amarrado pelo ministro Joaquim Levy está sendo retalhado a cada nova sessão de votação, diante da total ausência de articulação política do governo, agora entregue ao vice Michel Temer. A esta altura do campeonato, já nem sei o que está valendo ou não, mas é certo que o que sobrar do pacote não será suficiente para tirar o país do buraco das contas públicas.

O pior, no entanto, ainda está por vir. Sempre dá para piorar, como demonstram as últimas iniciativas de Eduardo Cunha, a começar pelo monstrengo de projeto de reforma política  cevada por uma comissão especial montada à sua imagem e semelhança, que obedece unicamente ao seu comando.

Trata-se de uma reforma de fancaria para deixar tudo como está, mantendo o que o sistema político brasileiro tem de pior, como o financiamento privado de campanhas, e introduzindo algumas jabuticabas novas apenas para eternizar o poder dos grupos de interesse que já mandam na Câmara. Vai tudo ser aprovado, claro, sem emendas.

Só isso não basta. Aliado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, também ele investigado pela Operação Lava Jato, Cunha quer aprovar emendas que permitam a reeleição da dupla na presidência das duas Casas do Congresso, na mesma legislatura, o que atualmente é vedado e, ao mesmo tempo, impedir a recondução ao cargo do procurador geral da República, Rodrigo Janot, já decidida pela presidente Dilma Rousseff.

Pensando bem, meu caro colega José Simão, isto está ficando mais para casa dos horrores do que circo de cavalinhos, com engolidores de fogo ameaçando queimar a lona da democracia.

E vamos que vamos. Para onde?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Na guerra política, PSDB e mídia ficam com o mastro na mão

Luiz Fachin

O placar não deixa dúvidas, como diziam os locutores esportivos: 20 a 7 pela aprovação de Luiz Fachin. Este foi o resultado da guerra política instalada há meses em torno da nomeação do novo ministro do STF indicado pela presidente Dilma Rousseff.

Já noite alta de terça-feira, depois de mais de 11 longas horas de sabatina, que mais parecia um interrogatório policial promovido pela bancada da oposição liderada por Ronaldo Caiado (DEM-GO), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal anunciou a vitória parcial _ ainda falta a votação em plenário, na próxima terça-feira _ do governo Dilma.

Se o nome de Fachin tivesse sido rejeitado, as manchetes dos jornais atribuiriam a derrota a Dilma Rousseff. Como foi aprovado, significou mais uma derrota para a oposição tucana e a grande mídia familiar, que propugnam o impeachment da presidente desde o final da eleição do ano passado.

No vale tudo para desgastar o governo, o preenchimento da vaga de Joaquim Barbosa no STF foi apenas mais um capítulo desta guerra sem fim que, neste momento, revela um claro esvaziamento da campanha do "Fora Dilma". No que realmente interessa, Dilma ganhou todas as batalhas até aqui: a aprovação do orçamento e da primeira etapa do ajuste fiscal na Câmara e agora a vitória na CCJ do Senado.

Sem a bandeira do impeachment, a oposição e a mídia ficaram literalmente com o mastro na mão. Vão fazer e falar o que daqui para a frente? Promover mais panelaços, marchas a Brasília, abrir mais CPIs, ou simplesmente espernear nos microfones do Congresso Nacional?

As derrotas impostas ao governo até agora o foram pela dupla de "aliados" Eduardo Cunha e Renan Calheiros, os peemedebistas que presidem Câmara e Senado _ e não pelos tucanos e seus aliados midiáticos. Não tem preço ver a cara desenxabida dos coleguinhas na televisão, ao comentar os motivos de mais um fracasso em sua cruzada anti-Dilma.

Enquanto isso, o governo chinês anuncia na próxima semana um pacote de US$ 53 bilhões em investimentos nos projetos de infraestrutura no Brasil. E, em algum lugar perdido do centro-oeste, a caminho de Brasília, a "Marcha pela Liberdade" comandada por um napoleão mirim recebia a adesão entusiasmada do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, o único tucano que ainda não desistiu de derrubar o governo. Sampaio prometeu se incorporar ao grupo de vinte marchadeiros na reta final da caminhada.

Os grandes caciques do PSDB, que realmente contam, estavam ontem em Nova York, enquanto Fachin era sabatinado, participando de mais uma homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Os senadores José Serra, Aécio Neves e Tasso Jereissati, além dos governadores Marconi Perillo, de Goiás, e Pedro Taques (PDT-MT), preferiram ouvir de perto o discurso em que FHC criticou a política econômica do atual governo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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bicicleta São tantas notícias... E a bike fica ali só me olhando...

Todo dia de manhã é a mesma cena. Ela olha pra mim, eu olho pra ela, e nada acontece. Ligo o computador, depois de já ter lido os jornais. Daqui a pouco vou cuidar dela, penso sempre, mas raramente cumpro a promessa que fiz a mim mesmo quando descobri que estava ficando muito sedentário e, portanto, gordo. Fiquei com medo de andar nas calçadas depois da queda que sofri na rua onde moro no começo do ano passado e já me fez passar por duas cirurgias no braço.

Ganhei o aparelho de presente de aniversário em março e o instalei num lugar de honra do escritório, bem na entrada, para não me esquecer de pedalar todos dias. De lá para cá, porém, a bike ergométrica tem sido mais um enfeite, embora ainda não a tenha transformado em cabideiro de roupas, como fez meu irmão, que já ganhou três e não as pedala nunca.

Ela é bem simples, pequena e bonita, do jeito da mulher que eu gosto. Não me pede nem cobra nada, fica na dela, só esperando um pouco da minha atenção, na eterna concorrência com as notícias que não param de acontecer.

Habituei-me a atualizar este blog logo depois que acordo e tomo café, mas ainda não consegui mudar a rotina. O certo seria fazer primeiro os exercícios e depois cuidar do serviço de cada dia: escolher um assunto, entre tantos, e escrever um comentário.

Hoje, por exemplo, fiquei dividido entre os acontecidos da vida real, geralmente relegados a segundo plano, e as intermináveis novelas da disputa política _ dois mundos cada vez mais distantes um do outro. Qual escolher?

Olho para a bicicleta de vez em quando, mas ela não pode me ajudar. Por deformação de ofício, na maioria das vezes me decido por temas políticos, que acabam se impondo nas manchetes, como se tudo nas nossas vidas dependesse apenas das excelências de Brasília. Não conheço outro país no mundo que dedique tanto tempo e espaço ao noticiário político, tornando o cidadão personagem secundário da grande aventura humana.

Vai ver que é por isso que só agora ficamos sabendo do drama da saúde pública no Ceará, onde 429 pacientes estão neste momento sendo atendidos no chão dos corredores dos hospitais de Fortaleza. "Estamos trabalhando numa guerra. Profissionais levam, às vezes, medicamentos de casa", contou à repórter Patrícia Britto a presidente do sindicato dos médicos cearenses, Mayra Pinheiro.

Enquanto isso, nós, jornalistas e políticos, estamos há semanas discutindo a indicação do advogado Luiz Fachin para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, que está sendo submetido a uma beligerante sabatina no Senado na manhã desta terça-feira, com final ainda imprevisível. São duas guerras bem diferentes, a do STF e a dos hospitais de Fortaleza, como se estivessem sendo travadas em países distantes sem relações diplomáticas. Um não sabe o que está acontecendo no outro.

E ela lá parada, só olhando, à espera de que eu largue deste computador e cuide do corpo, já que a cabeça e a alma não estão se entendendo. Faço um sinal de já vou, e aqui coloco um ponto final.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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