Com Mercadante, Casa Civil terá papel mais político

Em matéria sobre a reforma ministerial, o Balaio antecipou na terça-feira da semana passada, uma informação que foi confirmada em Brasília nesta segunda-feira: "A principal mudança é a ida de Aloizio Mercadante para a Casa Civil, no lugar de Gleisi Hoffmann, candidata ao governo do Paraná. O atual ministro da Educação vai ter um papel mais político do que administrativo, com a missão de fazer a ponte entre o governo, o PT e os partidos da base aliada, de olho na campanha eleitoral", escrevi no dia 14.

Dilma bateu o martelo no final de semana. A decisão foi  anunciada hoje pela presidente, no Palácio da Alvorada, em reunião com o ex-presidente Lula, da qual participaram, além de Mercadante, o chefe de gabinete da Presidência, Gilles Azevedo, e o ex-ministro de Comunicação Social, Franklin Martins.

A exemplo da função que Dilma desempenhava no governo Lula, Gleisi era uma espécie de coordenadora dos ministros, que cuidava do andamento dos projetos, em especial os ligados ao PAC. Na reforma ministerial que Dilma só deverá anunciar oficialmente no começo de fevereiro, depois de voltar de uma viagem a Davos, na Suiça, e a Cuba, que começa na quarta-feira, a Casa Civil volta a centralizar as articulações políticas, como acontecia no início do atual governo com o então ministro Antônio Palocci.

Senador eleito pelo PT de São Paulo em 2002, quando Lula venceu sua primeira eleição presidencial, Mercadante estava sem mandato ao ser nomeado por Dilma no começo do governo para o Ministério da Ciência e Tecnologia, sendo transferido para a Educação, quando Fernando Haddad deixou o posto para se candidatar a prefeito de São Paulo. Caso Dilma seja reeleita, é certo que Mercadante deverá permanecer no posto para o qual está indo agora.

Mercadante é bastante ligado a Lula, de quem foi assessor econômico nas campanhas presidenciais, e candidato a vice em 1994, desde os tempos em que o ex-presidente comandava o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Professor da PUC e da Unicamp, no ano passado, tornou-se o principal interlocutor da presidente Dilma, que agora o leva para a Casa Civil.

 

 

 

 

 

 

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ER7 RN JR INTEGRA 570kbps 2014 01 15b7551823 dc7e 4767 883d 96aefe6964ed thumb Aécio não será candidato do tudo ou nada

Em abril de 2005, depois de ter deixado a Secretaria de Imprensa do governo Lula, fui a Ouro Preto para receber a Medalha da Inconfidência junto com mais um monte de gente. Após a bela festa, que se repete todo ano, o então governador mineiro Aécio Neves, já então um possível presidenciável do PSDB, confidenciou a alguns amigos no final de um almoço: "A presidência é destino, não basta querer. Para mim, um dia ser presidente da República não é uma obsessão, não é uma questão de vida ou morte, não vou mudar a minha vida por causa disso".

O candidato do PSDB, em 2006, acabou sendo o paulista Geraldo Alckmin e, quatro anos depois, José Serra voltou a disputar a presidência, desta vez contra Dilma Rousseff. No ano passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda o principal líder dos tucanos, decidiu que tinha chegado a vez de Aécio, e o convocou a ser candidato. O senador mineiro não recusou a missão, mas também não foi com muita sede ao pote, até porque Serra continuava articulando para ser novamente o candidato tucano.

Eleito presidente do partido, aos poucos Aécio foi conquistando o apoio da maioria das lideranças nacionais do PSDB e começou a viajar pelo país com mais desembaraço, sempre deixando claro que era apenas pré-candidato, empurrando para março a definição do nome. Mas, antes que 2013 acabasse, Serra acabou jogando a toalha e deixou o campo livre para ele.

A entrevista exclusiva que Aécio concedeu na noite de quarta-feira ao Heródoto Barbeiro e a mim, no Jornal da Record News e no R7 , confirmou a minha impressão de que o ex-governador mineiro não será um candidato do tudo ou nada, uma posição que reforçou ao dizer que não é daqueles políticos que só veem defeitos nos adversários e virtudes nos aliados. Sem deixar de fazer duras críticas pontuais ao atual governo - afinal, é um dos candidatos da oposição - Aécio reconheceu méritos nos que governaram o país nos últimos anos, desde seu conterrâneo Itamar Franco.

Quando Heródoto lhe perguntou se manteria programas do atual governo, como o "Mais Médicos", Aécio fez a crítica mais contundente: "Este programa é 80% propaganda e só tem 20% de efetividade para resolver os graves problemas de saúde do país.   Porque o mesmo governo que faz essa propaganda enorme do Mais Médicos é o governo que permitiu que nos últimos anos fossem fechados 13 mil leitos hospitalares no Brasil e deixou as Santas Casas em situação de miséria. Apresentar o Mais Médicos como solução para o problema da saúde pública é deslealdade para com os brasileiros".

Apesar disso, o pré-candidato afirmou que, caso eleito, manterá o programa, mas fará mudanças. O desafio de Aécio será explicar ao eleitorado quais as vantagens das mudanças que pretende fazer, já que o programa é apoiado por 84,3% da população, segundo a última pesquisa CNT (Confederação Nacional dos Transportes) divulgada em outubro.

Tranquilo e afiado nas respostas, citando muitos dados e números para dizer que o país vai mal e quer mudanças, Aécio evitou fazer críticas diretas a Dilma e Lula, mostrando um estilo mais "low profile" do que seus antecessores nas campanhas tucanas, o que pode indicar que este ano teremos uma disputa mais civilizada. Como o estilo de Eduardo Campos é semelhante ao de Aécio, e a última pessoa interessada num confronto mais radical seria a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, poderemos nesta campanha ter mais discussões sobre o futuro do país do que ataques entre os adversários. Melhor assim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Não deu outra. Assim como aconteceu com os protestos de junho contra o aumento das passagens de ônibus, a repressão policial do último fim de semana provocou a multiplicação dos "rolezinhos" por vários shoppings em bairros de São Paulo e outros Estados. Até agora, havia o registro de apenas seis em São Paulo, desde o dia 7 de dezembro, mas agora já foram marcados outros 10 "rolezinhos" para as próximas semanas. E já estão sendo programados pelas redes sociais manifestações do gênero em Brasília, no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, em Pernambuco e Santa Catarina.

Resultado: o governo federal, o governo de São Paulo e a Abrasce, a entidade que reúne os 264 shoppings do país, fizeram reuniões de emergência nesta terça-feira para discutir o que fazer diante do movimento que começou com a zoeira de jovens da periferia de São Paulo e agora ameaça se alastrar por todo o país.

A presidente Dilma Rousseff reuniu ministros, entre eles José Eduardo Cardozo (Justiça) e Marta Suplicy (Cultura),  para entender o que está acontecendo e discutir possíveis providências, pois está preocupada com a invasão dos "rolezinhos" por grupos radicais, como os "black blocs", que infernizaram a vida das principais capitais brasileiras com atos de vandalismo que duraram várias semanas no meio do ano.

Em São Paulo, fiel ao estilo do governo Alckmin, que diante de uma liminar da Justiça mandou logo suas tropas para os shoppings, o secretário da Segurança Pública , Fernando Grella Vieira, já avisou que "a PM vai usar a força, se for necessário", como já aconteceu no último sábado quando policiais munidos de cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, tentaram impedir o "rolezinho" que reuniu 3 mil jovens no shopping Metrô Itaquera.

Organizados pelas redes sociais, estes encontros reunindo centenas de jovens que promovem correrias nos shoppings começaram na zona leste de São Paulo para aproximar os campeões de audiência do Facebook, que chegam a ter mais de 50 mil seguidores, das suas fãs,  que querem conhecê-los pessoalmente e muitas vezes levam presentes para seus ídolos anônimos, como mostra alentada reportagem de Ana Krepp, na Folha desta terça-feira, em que ela mostra como surgiu o fenômeno que agora preocupa as nossas autoridades.

Estes jovens são facilmente identificáveis pela polícia pois usam todos as mesmas roupas e adereços e o mesmo corte de cabelo, e são em sua maioria negros e pobres, apesar das grifes de marca que utilizam. Assim como o governo federal, eu também não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas concordo com a avaliação da presidente Dilma de que "esses jovens estão nitidamente tentando ocupar espaços e há um certo grau de contestação na ação nos shoppings".

Também como aconteceu em junho, parece tudo algo espontâneo, que brota do nada, sem lideranças, mas é certo que o clima de insegurança gerado pelos "rolezinhos" e a revolta dos jovens da periferia, que se sentem discriminados e perseguidos pela polícia, certamente interessam a quem pretende conturbar o ambiente político nestes meses que antecedem a eleição presidencial.

Como informei outro dia aqui no Balaio, protestos de rua já estão marcadas para o dia 25 de janeiro em várias capitais que terão jogos da Copa do Mundo, sem uma bandeira específica e também sem que se conheçam seus líderes.  Sob o lema "Não vai ter Copa", estas manifestações tentarão repetir os protestos de junho, que causaram grandes desgastes aos governantes em todos os níveis. Com a repressão animada de um lado e os "black blocs" à espreita de outro, este verão promete ser mais quente do que já estão marcando os termômetros.

 

 

 

 

 

 

 

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14012011 14.01.2011JFC3100 Dilma pode mudar até um terço do ministério em fevereiro

Pode chegar a 13 o número de ministérios do governo Dilma que terão novos titulares a partir do começo de fevereiro, o prazo que a própria presidente se deu para fazer a reforma anunciada desde o ano passado em função do ano eleitoral. Dilma viaja dia 22 para Davos, na Suíça, onde participa pela primeira vez do Fórum Econômico Mundial, depois vai a Cuba e, na volta, anuncia as mudanças que vão atingir um terço dos seus 39 ministérios.

São eles: Casa Civil, Direitos Humanos, Reforma Agrária, Saúde, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Turismo, Agricultura, Cidades, Portos, Integração Nacional, Pesca, Educação e, provavelmente, Relações Institucionais. A principal mudança é a ida de Aloizio Mercadante para a Casa Civil, no lugar de Gleisi Hoffmann, candidata ao governo do Paraná, onde o atual ministro da Educação vai ter um papel mais político do que administrativo, com a missão de fazer a ponte entre o PT e os partidos da base aliada, de olho na campanha eleitoral.

Ainda há vários nós a desatar até fechar os nomes e partidos que ocuparão estes ministérios porque, ao contrário do que ocorreu no começo do governo, a lógica desta vez é outra: em lugar de um ministério congressual para garantir maioria na Câmara e no Senado, agora teremos um ministério eleitoral, em que o mais importante será garantir tempo de televisão e palanques regionais fortes para a reeleição de Dilma.

Logo na primeira reunião do ano para tratar da reforma, no entanto, com o vice-presidente Michel Temer, na segunda-feira, surgiu o primeiro impasse: maior partido da base aliada, o PMDB quer porque quer mais um ministério, além dos cinco que já tem, de preferência o da Integração Nacional, mas Dilma resiste a atender este pedido. O principal obstáculo para um acordo, como de costume, é o líder da bancada na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que dá mais trabalho ao governo do que todos os líderes da oposição juntos, e já marcou uma reunião para discutir o assunto na quarta-feira.

Dilma também terá que resolver ainda o que fazer com o ministério de Relações Institucionais, que ganhará um papel mais importante no ano eleitoral. A atual ocupante, Ideli Salvatti, que pretendia se candidatar ao Senado por Santa Catarina, perdeu a convenção regional do partido, e agora não quer deixar o governo. Mas seu lugar é reivindicado pelo PT, que até já indicou o nome do deputado Ricardo Berzoini, de São Paulo. Muito próxima a Dilma, Ideli poderá ser remanejada para outro ministério.

O mais importante para a presidente, no momento, é definir os ministérios dos partidos que estão fora do governo, mas já anunciaram que vão apoiar a sua reeleição: o PTB, o Pros (dos irmãos Cid e Ciro Gomes) e o PSD, que já tem o Ministério das Micro e Pequenas Empresas, com Guilherme Afif, mas ele é considerado da cota pessoal de Dilma.

A maior novidade da equipe reformada, que não deve trazer grandes surpresas, é o empresário Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas e vice-presidente da Fiesp, filho do ex-vice-presidente José Alencar, que Dilma gostaria muito de levar para o seu governo na vaga que será deixada no Ministério do Desenvolvimento por Fernando Pimentel, candidato ao governo de Minas. Afinal, melhorar a relação do governo com o empresariado, especialmente o paulista, é o grande desafio da presidente Dilma neste último ano de mandato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Com o enfraquecimento do Legislativo, dos partidos e das lideranças políticas, sindicais e empresariais, o Poder Judiciário foi aos poucos ocupando o espaço vazio para ordenar a vida nacional num processo que chegou ao auge no ano passado durante o julgamento do mensalão, em que as leis vigentes passaram a ser apenas um detalhe.

Aliada à grande imprensa familiar, que antes era chamada de "Quarto Poder", e depois tentou ser o primeiro e único, a Justiça sofre um ataque de hipertrofia que é hoje a maior ameaça à jovem democracia brasileira e se faz cada vez mais presente em todos os setores da vida nacional.

Depois da "politização do Judiciário", chegou a vez da "judicialização da vida cotidiana", como pudemos notar em vários fatos recentes nos quais, por qualquer motivo, as pendências na sociedade são encaminhadas para os homens de toga decidirem sobre o que pode e o que não pode, o que é certo e o que é errado.

o79a272zg u38yys1yr file Os perigos da judicialização da vida cotidiana

Aqui em São Paulo, o exemplo mais recente é o que está acontecendo com o tal do "rolezinho", manifestação de jovens da periferia que promovem correrias em shoppings com o único objetivo de assustar e zoar os frequentadores dos grandes templos do consumo de produtos de luxo que estão longe do alcance dos seus bolsos.

E o que fizeram os proprietários destes centros comerciais? Em lugar de reforçar a segurança particular do seu patrimônio, recorreram logo à Justiça, que não teve dúvidas: concedeu uma liminar para impedir que estes jovens tivessem livre acesso aos shoppings, a partir do último fim de semana.

Em sua maioria negros e menores de idade, estes deserdados das periferias agora precisam mostrar documentos, suas mochilas são revistadas e seus dados pessoais anotados por policiais militares e oficiais de justiça, convocados em grande número para garantir a paz de comerciantes e consumidores.  A todos é mostrada uma cópia da liminar informando que se fizerem bagunça serão multados em R$ 10 mil.

Afora o absurdo do valor da multa, certamente maior do que a renda anual da maioria destes jovens, a Justiça simplesmente decretou um apartheid social, afrontando o sagrado direito de ir e vir para uma parte da população. "O tenente encarregado da operação não encontrou nada de ilícito nos pertences dos jovens", informa Vanessa Barbara, colunista da Folha, que estava sábado no shopping Metrô Itaquera.

Mesmo assim, dez jovens foram intimados a comparecer à Justiça para explicar sua participação no "rolezinho" e correm agora o risco de ter que pagar os R$ 10 mil da multa que os doutores estabeleceram.

Relato da repórter: "Não vi ninguém com armas, ninguém roubando, depredando ou fazendo arrastão", o que não impede que sejam tratados como vagabundos que vão tumultuar, cometer delitos e assustar gente de bem. "São tratados como tais pelas autoridades: passando pelo corredor, um policial repetia no ouvido de todos: `Vou arrebentar vocês, vou arrebentar´, e plaf, deu um chute em um menino".

A liminar concedida pela Justiça em Itaquera beneficia também os shoppings JK Iguatemi, o maior santuário do luxo em São Paulo, e Campo Limpo, mas certamente outros também vão pedir as mesmas providências às autoridades para acabar de vez com estes "rolezinhos", usando o convincente argumento dos cassetetes, bombas de gás e balas de borracha que a PM ostentou no último sábado para dispersar a moçada. E se algum deles estava apenas querendo ir ao cinema, como alegou Rodney Batista, de 20 anos?

A judicialização do "rolezinho" soma-se a outras recentes iniciativas pouco ortodoxas do nosso Judiciário, como a anulação do aumento do IPTU em São Paulo, e a discussão sobre a proibição de táxis nos corredores de ônibus na cidade, que virou assunto do Ministério Público. Só falta agora a Justiça também decidir sobre quem sobe e quem desce no Brasileirão, como alguns clubes já estão tentando.

A continuar assim, é melhor fechar de vez os legislativos, dispensar os nobres parlamentares eleitos como nossos representantes, dar uma folga para os partidos e deixar tudo por conta dos meritíssimos juízes, desembargadores e ministros.

O único perigo vai ser se, em breve, os até aqui inofensivos "rolezinhos" se transformarem em violentos "rolezões", trazendo para a arena os pais destes jovens que se sentiram hostilizados pelas autoridades no final de semana. Apesar do meu otimismo, mais uma vez demonstrado na coluna de domingo, não há nada que não possa piorar, quando os direitos se tornam relativos, nem todos são iguais perante a lei e a independência entre os poderes não é respeitada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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pas As supermaritacas, o sol, a chuva e o nosso otimismo

Fazia tempo que não vinha ao meu refúgio aqui na pacata Porangaba, no final de uma estradinha de terra sem saída, um pouco pra lá do fim do mundo, onde os únicos barulhos audíveis vêm dos passarinhos e do vento.

Passarinhos é modo de falar porque, de uns tempos para cá, as danadas das maritacas que tomam conta do lugar se multiplicaram e engordaram, viraram supermaritaconas, disputando espaço nas árvores com os tucanos de verdade, também de bom tamanho.

O resto continua tudo igual, e a única novidade deste janeiro é que tem chovido muito pouco, castigando os pastos e as gentes que labutam sob um sol de rachar miolo. Bares e mercados vivem apinhados de gente e não ouvi da boca de ninguém a palavra crise. As pessoas me pareciam animadas e felizes, sem se queixar da vida.

Por isso, me surpreendi ao ler no portal do Estadão a matéria do sempre confiável José Roberto de Toledo, um especialista em análise de pesquisas. Sob o título "Taxa de otimismo cai pela 1ª vez desde 2009" em que dá os números do Ibope sobre o humor do brasileiro neste início de 2014.

Segundo a pesquisa do Ibope, que faz parte de um levantamento global de opinião pública promovido pela rede WIN em 65 países, "apenas" 57% dos brasileiros esperam um 2014 melhor do que o ano passado, quando este índice foi de 72%.

Que terá acontecido de um ano para outro para explicar esta diferença de 15 pontos?

Mesmo assim, ainda estamos bem acima da média mundial (48% de otimistas), em sétimo lugar, bem acima dos americanos, que ficaram em 35%. Os pessimistas brasileiros passaram de 8% em 2013 para 14% este ano, e para 24% tudo cintinuará igual neste ano de Copa do Mundo no Brasil e eleições presidenciais.

Depois de ler o noticiário do domingo na internet, como sempre repleto de previsões sombrias, só consegui chegar a uma conclusão: é muito difícil mesmo continuar otimista com este bombardeio diário de coisas ruins nas telas e na imprensa de papel.

Mesmo que a vida do consumidor de informações continue do mesmo jeito _ e por que haveria de mudar drasticamente só porque viramos o ano? _ o sujeito fica desconfiado. Pode achar que ele até está bem, mas o resto vai mal e pode piorar.

Todo começo de ano a imprensa passa dias falando de alguma grande tragédia, natural ou provocada pelos homens. Desta vez, o espaço é ocupado pela carnificina no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, mas pelo que vi nos lugares por onde passei os brasileiros continuam lotando estradas e aviões, a caminho ou de volta das férias, fazendo planos para o ano que começa.

Sem querer dar uma de Poliana, mas com a inflação e o cambio sob controle, o desemprego caindo e a renda crescendo, até onde minha vista alcança não consigo enxergar nenhuma grande crise a justificar a queda do otimismo e o crescimento do pessimismo.

Tem dia que chove, tem dia que faz sol, a vida é assim. E esta noite até caiu um belo pé d´água para dar uma refrescada, e as garças até saíram das sombras para dar um pesseio pela beira do açude, que continua cheio até a boca.

Daqui a pouco é hora de pegar novamente a estrada e, como um dos brasileiros dos 57% de otimistas (continuamos sendo maioria), boto fé que vai dar para fazer coisas boas em 2014, o ano em que completo meio século de jornalismo. Filho de imigrantes, minha profissão me levou a conhecer um pouco o Brasil e os brasileiros. Comparando com os outros lugares para onde a profissão me levou, continuo achando que não tem país melhor no mundo.

E os caros leitores do Balaio, o que pensam, o que esperam deste novo ano?

Bom final de domingo a todos.

 

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 A pisada na bola do PT só ajuda Eduardo Campos

O presidenciável Eduardo Campos, terceiro colocado nas pesquisas, estava quieto no seu cantinho tentando conciliar os pragmáticos socialistas com os sonháticos de Marina Silva, quando recebeu uma inesperada ajuda vinda, quem diria?, do seu principal adversário, o ex-aliado PT.

Do nada, sem que algo de muito grave tivesse acontecido na campanha presidencial neste início do ano, o partido da presidente Dilma fez-lhe o favor de disparar um grosseiro petardo anônimo em seu Facebook, em que chama Eduardo de vendido, playboy, tolo e traidor, entre outras mimosas qualificações.

Pior do que o texto de panfleto estudantil publicado sob o título "A balada de Eduardo Campos", na página oficial do PT no Facebook, foi o fato de ninguém assumir sua autoria e a motivação apresentada para o ataque que deu início à guerra virtual dos dois partidos.

O vice-presidente nacional do partido, Alberto Cantalice, que é o responsável pelo setor de mídias sociais, limitou-se a dizer que foi uma iniciativa do pessoal que cuida do Facebook, "fruto de uma insatisfação" pelas  críticas que o presidenciável do PSB tem feito ao governo da presidente Dilma.

Queriam o quê? Que um candidato de oposição usasse suas redes sociais para falar das maravilhas de um governo que tem uma candidata à reeleição? Com toda razão, Eduardo foi à forra e classificou o texto do PT como um "ataque covarde". Feliz no papel de vítima, agora de volta às manchetes, o candidato deixou a resposta do partido para o vice-presidente nacional e líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque:

"Não vamos entrar no jogo da baixaria. Vamos debater saúde, educação, segurança e mobilidade. Querem fugir do debate que o povo reclamou nas ruas. A nota revela que a parcela que hoje domina o PT perdeu completamente seu espírito republicano, abandonou seu norte político e transformou-se numa seita fundamentalista que ataca qualquer um".

Quando trabalhava na assessoria de Lula e algum companheiro mais voluntarioso aparecia com uma ideia de jerico deste porte, o ex-presidente limitava-se a perguntar: "E o que ganhamos com isso?". No caso deste episódio, o PT só perdeu, e mostrou a necessidade urgente de colocar logo em campo um comando unificado de campanha para evitar a autonomia do "pessoal do Facebook" e de outros setores mais radicais, que já causaram grandes prejuízos em outras eleições.

Afinal, num possível segundo turno contra o tucano Aécio Neves, Dilma Rousseff e o PT poderão precisar muito do apoio de Eduardo Campos, que já anda se acertando com o candidato do PSDB na formação de palanques duplos em vários Estados. Jogar Eduardo de vez no colo de Aécio, em lugar de manter boas relações com o ex-aliado, não parece ser, a esta altura do campeonato, uma estratégia das mais inteligentes. Dilma e Lula certamente não devem ter gostado nada desta pisada na bola.

 

 

 

 

 

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69q0hcietm 35sl958zw5 file Os dois lados do absurdo na terra de Roseana

 

Tem notícia que a gente lê no jornal e simplesmente não acredita. Pois não é possível que, em meio à maior crise na segurança pública do Estado, com 60 mortos nos presídios rebelados, cujos líderes espalharam a violência pelas ruas de São Luís, a governadora Roseana Sarney lance, na mesma semana em que foram divulgadas imagens de presos decapitados, um edital para abastecer os seus palácios das mais finas iguarias, prevendo o gasto de R$ 1 milhão até o final do ano.

banquete Os dois lados do absurdo na terra de Roseana

Nem o mais acelerado autor de ficção do absurdo seria capaz de tamanho acinte como o que foi revelado nesta quarta-feira pela coluna "Painel", da Folha", ao relacionar as quantidades e os valores da principesca mordomia da governadora. Alguns exemplos:

* 80 quilos de lagosta fresca

* 1,5 tonelada de camarão

* 750 quilos de patinhas de caranguejo (R$ 39 mil)

* Duas toneladas de peixe.

* Cinco toneladas de carne bovina e suína.

* 50 caixas de bombons e 30 pacotes de biscoito champanhe

* R$ 108 mil em ração para peixes

* 2.500 garrafas de um litro do guaraná "Jesus"

Para comprar tanta coisa, serão feitas duas licitações. A primeira, no valor de R$ 617 mil, está marcada para amanhã, e o restante ficou para esta sexta-feira.

Nem na série de reportagens sobre as "mordomias" dos superfuncionários dos governos militares, que escrevi para o Estadão uns 40 anos atrás, lembro-me de ter visto tamanha fartura nas compras para as dispensas oficiais.

Ao mesmo tempo em que providenciava a inacreditável compra para alimentar a família Sarney e seus convidados, o governo do Maranhão divulgava uma nota oficial sobre os vídeos que mostraram as barbaridades cometidas no presídio de Pedrinhas, em que critica não a tragédia em si, mas a sua divulgação, defendendo os "preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família dos detentos mortos".

Dá para acreditar?

Em tempo: após as repercussões negativas que a compra das lagostas e outras iguarias tiveram na mídia, o governo de Roseana Sarney resolveu adiar as licitações para as compras descritas acima. Melhor assim. 

 

 

 

 

 

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1558464 10151854774776638 557570672 n Só depois da Copa eleições começam a despertar interesse

O ano começa exatamente como 2013 acabou: políticos e partidos disputando alianças e palanques, tempo de televisão e manchetes de jornais, mas o eleitorado não está nem aí para as eleições. Não é preciso ser nenhum Carlos Augusto Montenegro, o guru do Ibope, para prever que os eleitores só vão começar a se interessar pelo assunto após a Copa do Mundo, que acaba em julho. Basta prestar atenção nas conversas em que todo mundo já faz planos para o Carnaval ou discute onde vai passar o próximo fim de semana deste verão calorento.

"Antes disso, ninguém vai falar em política", disse Montenegro em longa entrevista concedida ao jornal Brasil Econômico, em que destaca que o nível de satisfação do brasileiro hoje é de 80%. Por isso, diz ele, "o brasileiro quer saber é se a prestação vai caber no seu orçamento".

Nos seus cálculos, até agora, um em cada três eleitores ainda não tem candidato. "A verdade é que o brasileiro não gosta muito de política. Se o voto no país não fosse obrigatório, teríamos eleições similares às que tivemos no Chile agora, com algo em torno de apenas 40% votando".

Quem gosta de política, como sabemos, é político e jornalista, um realimentando o outro para ocupar o noticiário nesta época de férias. Confesso que, no meu caso, também gostaria de falar de outras coisas mais agradáveis, como o convívio com os netos e o pão matutino tostado na chapa na padaria, mas desconfio que os leitores não iriam se interessar muito.

Falar do quê? O óbvio seria tratar da carnificina nos presídios do Maranhão em chamas, mas o que mais posso escrever além de tudo que já foi dito e mostrado sobre uma das maiores tragédias humanas dos últimos tempos? Sinto-me mal só de ver as imagens, não consigo escrever nada sobre isso.

Apesar de tudo, prefiro falar de eleição porque este é sempre um tempo de renovação de esperanças, de propostas de mudanças, de busca de novos caminhos, até para evitar que velhas tragédias se repitam e novas aconteçam, como estamos vendo agora no Maranhão. Se o eleitor, porém, prefere esperar o Carnaval e a Copa passar, para só depois pensar nas escolhas que definirão nosso futuro, fica difícil ser otimista a esta altura do campeonato.

A campanha eleitoral deste ano será curta, constata Montenegro, o que é uma pena. Este deveria ser um momento importante para aumentar o grau de consciência política da população e assim  fortalecer a democracia, com a participação de todos nós nos debates. Não poderia ser uma tarefa restrita a candidatos e seus marqueteiros de ouro, como infelizmente vem acontecendo nas últimas eleições, mesmo sem Copa do Mundo no Brasil.

Quem não gosta de política acaba sendo governado pelos que gostam _ e é aí exatamente que muitas vezes reside o perigo de tudo continuar como está para ver como é que fica. O nosso Brasil, convenhamos, não pode correr o risco de virar um imenso Maranhão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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São Paulo, 6 de janeiro, manhã de segunda-feira.

No primeiro dia útil do ano político, com a presidente Dilma de volta a Brasília e os demais poderes ainda em obsequioso recesso, está na hora de começarmos os trabalhos em 2014, um ano que promete fortes emoções, além da Copa do Mundo no Brasil.

O calendário marca duas efemérides históricas _ os 50 anos do golpe militar e os 30 anos da Campanha das Diretas  _ e deixa uma pergunta no ar: o que esses dois acontecimentos da segunda metade do século passado nos ensinam e podem significar neste ano eleitoral?

 1964 1984: o que essas datas significam em 2014?

Foto: Campanha das Diretas/ Estadão Conteúdo

Posso dizer que eu e a ditadura militar (hoje sabemos que foi tão militar quanto civil) começamos juntos, em 1964. Ficar velho tem dessas coisas: como o "Repórter Esso" (principal telejornal da época), sou uma espécie de testemunha ocular da história deste último meio século da vida brasileira, o que me permite escrever este texto de cabeça, sem ter que consultar nenhum livro.

Aliás, em maio, também completo 50 anos de jornalismo. Somos, portanto, contemporâneos.

Comecei poucos dias após o golpe, trabalhando em jornais de bairro, quando ainda cursava o colegial no Liceu Pasteur. Lembro-me que fomos dispensados da aula  e fiquei com muito medo sobre o que poderia acontecer ao ler nas bancas as manchetes das edições extras dos jornais e revistas que comemoravam a queda de João Goulart.

Em 1964, ao contrário do que aconteceria 20 anos depois na Campanha das Diretas, toda a grande mídia deu vigoroso apoio ao golpe para derrubar o presidente eleito, que procurava fazer as chamadas reformas de base, pelas quais o país espera até hoje. Pesquisas de opinião recentemente reveladas mostram que Goulart contava com ampla aprovação dos eleitores, mas era demonizado pelas elites e as classes médias tradicionais, que desfraldaram três bandeiras para derrubá-lo: o comunismo, a carestia e a corrupção.

Uma grande multidão convocada pela imprensa para a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" ocupou as ruas do centro de São Paulo, engordada pelos funcionários das firmas e a criadagem doméstica dos organizadores abrigados nas famílias dos quatrocentões paulistas. Jango cairia poucos dias depois, sem reagir.

marcha da famc3adlia com deus pela liberdade 1964 1984: o que essas datas significam em 2014?

Foto: Marcha da Família / Reprodução

No final de 1968, naquele que ficou conhecido como o golpe dentro do golpe perpetrado pelo Ato Institucional Nº 5, entre outras atrocidades, como o fechamento do Congresso Nacional, a cassação em massa de parlamentares, e a prisão, tortura e morte de milhares de brasileiros, a mesma imprensa que levou o povo às ruas contra Jango foi colocada sob censura. Começava a ditadura fardada, sem disfarces.

Quando o regime militar já dava seus primeiros sinais de exaustão, sindicatos, entidades estudantis, movimentos sociais, partidos de esquerda colocados na clandestinidade e a ala progressista da Igreja Católica começaram a reorganizar a chamada sociedade civil para dar um basta à ditadura.

Do final de 1983 até abril de 1984, o povo organizado tomaria conta das ruas de todo o Brasil naquele que foi o maior movimento cívico já visto no país. Agora, a grande imprensa, com a honrosa exceção da "Folha de S. Paulo", no início ignorou solenemente a dimensão e o significado daquelas imensas manifestações populares, que acompanhei do primeiro ao último dia.

No dia 21 de abril de 1984, faltaram apenas 22 votos para a aprovação da emenda que previa a volta das eleições diretas para presidente da República, principal bandeira do movimento que defendia a volta do Estado de Direito e o retorno dos militares aos quartéis.

Cinco anos depois, porém, os brasileiros reconquistariam seu direito de eleger o presidente da República e o país dava início ao mais longo período de respeito às  liberdades públicas desde a Proclamação da República.

Vamos agora para a oitava eleição presidencial direta e é bom nos lembrarmos do que aconteceu naquelas duas décadas que separam o golpe militar da luta pela volta da democracia para não buscarmos novamente alternativas exóticas fora das urnas para a disputa do poder central, como aqui e ali já se começa a notar.

Coisas estranhas andam acontecendo neste início de 2014, em que as mesmas forças empresariais e midiáticas reunidas em 1964 buscam uma alternativa para o governo do PT, há 11 anos no poder, e que disputa a reeleição com a presidente Dilma Rousseff.

A pauta do pensamento único criada com esta finalidade busca ao mesmo tempo mostrar que a economia está em frangalhos e incentivar novos protestos de rua, como os de junho do ano passado, que terminaram em atos do mais puro vandalismo. Sob o título "Não vai ter Copa", um colunista da Folha, Vinicius Torres Freire,  anunciou neste domingo que "Manifestações marcadas para começar no dia 25 podem embaralhar previsões para este 2014".

Protestos marcados por quem, com que objetivo, levantando quais bandeiras? E qual a razão da escolha de 25 de janeiro, que eu me lembre ser apenas a data da fundação da cidade de São Paulo e do aniversário do meu amigo Clóvis Rossi, um dos poucos colunistas não engajados na pauta única definida pelo Instituto Millenium, que não existia em 1964, mas nesta época já havia outras entidades semelhantes, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), financiados por grandes grupos econômicos e bancados pela mídia conservadora com o objetivo de divulgar ideias que levaram ao golpe de 1964.

No ano passado, a pauta do fim do mundo previa o apagão energético e a explosão da inflação, desgraças que acabaram não acontcendo. Este ano, a falta de uma agenda específica para os protestos não preocupa o articulista da Folha: "A Copa é, óbvio, um prato cheio de desperdício, politicagem autoritária, incompetência e outros acintes. A depender do gosto do freguês manifestante, não vai ser difícil contrastar esta despesa perdulária e arbitrária com algum motivo de revolta contra a selvageria social e a inércia política brasileiras". Ou seja, qualquer coisa serve para jogar o povo na rua.

O que querem, afinal? Derrubar os estádios agora que eles estão quase prontos e cancelar a Copa ou impedir as eleições presidenciais? Ou ambas as coisas estão neste momento intimamente ligadas?

Estão brincando com fogo, mas uma coisa me parece certa: não contem desta vez com os militares, que estão tranquilos em seus quartéis, exercendo os nobres ofícios previstos na Constituição Cidadã duramente conquistada na redemocratização do país em 1988.

 

 

 

 

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