Enfim, uma boa notícia, acreditem! Nada a ver com a "nova" seleção do "novo" Dunga e da embalsamada CBF, apenas mais do mesmo, sem novidades e sem brilho, desfilando burocraticamente pelos campos do mundo em amistosos caça-níqueis dos patrocinadores.

Apenas seis meses após a Copa no Brasil, e daqueles até hoje inacreditáveis 7 a 1 que levamos da Alemanha no Mineirão, está nascendo o novo futebol brasileiro, ou melhor, renascendo o verdadeiro futebol brasileiro, já mostrando sua cara nesta Copa São Paulo, disputada por juniores sub-20, que estará chegando ao seu final neste domingo. Deu gosto de ver alguns jogos muito disputados, como Atlético e Flamengo, que os mineiros venceram por 10 a 9 numa eletrizante disputa de pênaltis.

Apareceram bons jogadores em praticamente todos os mais de 100 times que entraram em campo, alguns deles com muito talento, prontos para brilhar no próximo Brasileirão. De um deles, em particular, vocês ouvirão falar muito em breve.

Trata-se do grandão João Paulo, com o penteado sempre bem cuidado à moda Cristiano Ronaldo, um centroavante como há muito não se via. Camisa 9 do meu São Paulo, é um artilheiro que trata bem a bola, um craque completo: dribla, chuta de qualquer distância, faz assistências, recua para buscar a bola no meio do campo e, em seguida, já está na área. Faz muitos gols, de todo jeito: de cabeça, de pé direito e esquerdo, de falta, e até gol olímpico.

167486 ext arquivo Viva! Após Copa, nasce o novo futebol brasileiro

No jogo contra o Atlético Mineiro, a vítima da noite inspirada do São Paulo nesta terça-feira, em São José dos Campos, João Paulo marcou três nos impiedosos 4 a 0 que levaram o time do Morumbi à semifinal contra o Corinthians. O gol olímpico foi apenas a chave de ouro de uma atuação impecável, que deve ter chamado a atenção de Muricy, espero.

Como ele não aprendeu a jogar este ano, espero também que o comando do São Paulo esteja acompanhando de perto não só este artilheiro fora de série, mas abra espaço igualmente no time principal para seus companheiros Luis Araújo e Inácio, que formam um ataque pronto e completo, só à espera de uma oportunidade. Luis Fabiano e Alan Kardec que se cuidem.

Tem tudo para pegar fogo, com estádio lotado (a FPF até agora não informou onde será), esta semifinal entre o São Paulo e o Corinthians, que se classificou com uma bela virada, ganhando de 4 a 2 do São Bernardo. Os atacantes corintianos Mateus Cassini e o artilheiro Gabriel Vasconcelos são outros craques que se destacaram na competição e logo deverão ter uma oportunidade com Tite no time principal.

Na outra partida das semifinais, que só tem paulistas, enfrentam-se o Palmeiras e o Botafogo de Ribeirão Preto, time que ainda não vi jogar. Gabriel Jesus, outro craque artilheiro, no mesmo nível de João Paulo e Gabriel Vasconcelos, é a grande esperança dos palmeirenses. Só não entendo esta mania de nomes duplos que proliferaram na Copa São Paulo...

A grande final está marcada para domingo, aniversário da cidade, às 10 da manhã, no Pacaembu, uma festa imperdível, quaisquer que sejam os adversários. Não percam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto2 Mundo pegando fogo e o Brasil secando no escuro

"Parece que o mundo virou um grande hospício e os pacientes assumiram o comando do hospital", resumiu o médico do Sírio-Libanês, enquanto passava o aparelho de ultrassom na minha barriga, durante um exame que fiz na semana passada.

Até agora, foi a melhor definição que ouvi sobre o que está acontecendo desde o atentado contra o Charlie Hebdo, em Paris, que desencadeou uma onda de protestos e mortes pelo mundo afora.

Foram apenas 20 dias de 2015 até agora, mas que dias... Não está fácil para ninguém. Fica até difícil escolher um assunto entre tantos que assolam o Brasil e o mundo. Por onde começar?

Para mim, a cena mais impressionante de um dia para outro, na segunda-feira em que 10 Estados e o Distrito Federal sofreram um apagão de energia, foi a de crianças que protestavam contra o fechamento de um parque infantil no Quênia, e acabaram reprimidas pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo.

foto Mundo pegando fogo e o Brasil secando no escuro

Dá para acreditar? As crianças de uma escola primária em Nairóbi, a capital do país, estavam derrubando um muro construído em volta do parquinho num terreno adquirido por um político local, quando a polícia chegou e não quis saber: mandou fogo.

Em Grozny, capital da Tchetchênia, num dos muitos protestos registrados durante o dia, mais de um milhão de pessoas foram às ruas numa marcha convocada pelas autoridades locais contra as caricaturas de Maomé publicadas no Charlie Hebdo.

Enquanto o mundo está pegando fogo, por aqui o Brasil vai secando no escuro e discute o que é pior: ficar sem água ou sem luz? (ver enquete no R7). Na dúvida, estamos ficando, em meio ao verão mais quente da história, sem estas duas fontes vitais para a sobrevivência humana, o que já não deve surpreender ninguém.

Afinal, vimos as represas secando durante todo o ano de 2014, ficamos olhando para a televisão e o céu, e ninguém fez nada. Agora, chegou a conta da incúria de todos nós, governantes e governados. Este problema, na verdade, nem foi levado a sério por uns e outros, nos embates beligerantes do Fla-Flu em que se transformou a campanha eleitoral.

Pouco importa agora discutir o que é responsabilidade estadual ou federal, se a culpa é da falta de planejamento e investimento ou do senhor das chuvas, o fato é que continuamos na farra, gastando à vontade, como se a luz e a água nunca fossem acabar, e a conta chegou. Estava na cara.

Agora, não adianta chorar a chuva que não veio. As represas do sudeste secaram, deixando um cenário esturricado de sertão nordestino. A água evaporou, a luz acabou.

Mais preocupados em garantir a reeleição do que com o destino dos eleitores, tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governador paulista Geraldo Alckmin esconderam a verdade da população _ para não dizer que mentiram, ao afirmar que o abastecimento de água e de energia estavam garantidos _ e foram adiando providências, como o racionamento programado para a diminuição do consumo e assim evitar o colapso dos sistemas que já se anuncia.

Nós fingimos que acreditamos neles e fomos levando, lavando carros e calçadas, tomando belos banhos, deixando todas as luzes e os aparelhos da casa ligados sem precisar, como é do nosso feitio inzoneiro, e agora não adianta ameaçar com multas e sobretaxas. "Eu gasto mesmo porque posso pagar", ainda somos capazes de ouvir da turma do andar de cima celebrizada pelo Elio Gaspari.

Se a concentração de renda aumenta cada vez mais no mundo inteiro, como mostram todas as pesquisas divulgadas às vésperas de mais um Fórum Econômico Mundial, o convescote anual dos ricos em Davos, na Suíça, a socialização dos prejuízos também pode não ser igual para todos, mas só até o dia em que a mãe natureza der um basta e, sem pedir licença nem documentos, promover um apagão geral neste nosso pedacinho de mundo sem juízo.

Sem ter a resposta, pergunto aos caros leitores do Balaio: isso ainda tem jeito? O que vocês nos sugerem?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Bom mesmo é ser rico no Brasil e gastar nos EUA

Se já tinham alguma desconfiança, os ricos brasileiros e seus blogueiros de estimação agora é que vão ter certeza mesmo de que Barack Obama é comunista.

Na contramão das medidas econômicas recessivas que vêm sendo estudadas pelo governo Dilma 2, o presidente dos EUA vai anunciar nesta terça-feira, em seu discurso anual sobre o Estado da União, que enviará projeto ao Congresso com proposta que prevê aumentar os impostos dos mais ricos e dos bancos e, ao mesmo tempo, desonerar a carga tributária da classe média.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, novo "czar" da economia brasileira, poderia aproveitar sua viagem esta semana a Davos, na Suíça, onde representará nosso país no Fórum Econômico Mundial, para perguntar aos seus colegas americanos como é possível fazer um "ajuste fiscal", tirando de quem tem mais e vive da especulação financeira, para beneficiar quem vive apenas do seu trabalho, ao contrário do que o ministro vem planejando por aqui.

O "Plano Robin Hood" de Obama prevê um aumento da arrecadação de US$ 320 bilhões nos próximos dez anos, com a maior taxação de grandes bancos, casais que ganham mais de US$ 500 mil por ano e cobrança de impostos sobre heranças _ algo simplesmente fora de cogitação dos ajustes de Dilma-Levy.

De outro lado, a proposta do governo americano prevê uma desoneração de US$ 175 bilhões dos impostos pagos pela classe média no mesmo período, segundo notícia publicada nesta segunda-feira no New York Times, venerável publicação que, perto dos jornalões brasileiros, deve parecer um perigoso porta voz do socialismo, a ameaçar a liberdade de expressão em todo o mundo.

O principal jornal americano já prevê que Obama "vai enfrentar forte resistência num Congresso agora controlado pelo Partido Republicano", o equivalente, mal comparando, ao nosso PSDB.

O mais curioso e triste para nós é que Obama, que perdeu as últimas eleições parlamentares nos Estados Unidos, mostra coragem para enfrentar a oposição republicana, mesmo estando em minoria, enquanto Dilma Rousseff, que acabou de vencer as eleições gerais no Brasil, com ampla maioria no Congresso Nacional, faz exatamente o contrário, para agradar ao mercado.

Até agora, mesmo com a presidente se mantendo em ensurdecedor silêncio desde que tomou posse no segundo mandato, há 19 dias, seus ministros e assessores só vêm anunciando medidas que oneram a classe média, como o aumento dos impostos de profissionais liberais e prestadores de serviço que formaram pequenas empresas na forma de pessoas jurídicas, mais conhecidos por "PJ", além de restringir o acesso a benefícios sociais e liberar o aumento de tarifas.

Chega agora a cheirar a ironia a ameaça feita por tucanos emplumados, às vésperas da eleição de outubro, de que deixariam o Brasil se Dilma se reelegesse. Para quê?

Bom mesmo é ficar rico no Brasil, ir às compras e investir em imóveis nos Estados Unidos, sem nenhuma ameaça de taxação das suas fortunas. Tem lugar melhor no mundo para ser banqueiro ou herdeiro que vive de rendas? Quando começa a faltar água e luz, é só pegar um avião, de preferência um jatinho particular, e ir para suas casas em Punta ou Miami. Seu rico dinheirinho estará garantido pelo nosso fisco camarada, e não tem nenhum Obama que o ameace.

E vamos que vamos.

Em tempo (atualizado às 11h30) _ Acabo de ler na manchete do UOL: "Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99% no mundo até 2016, diz ONG".

Estudo da organização britânica Oxfam informa que a "explosão da desigualdade" está dificultando a luta contra a pobreza global. "Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado", advertiu a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyma.

A presidente Dilma e o ministro Levy bem que poderiam ler este estudo antes de apresentar as propostas brasileiras em Davos.

Barack Obama já está fazendo sua parte para evitar que este abismo entre ricos e pobres cresça ainda mais.

E nós?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para onde ir?

Já tem muita gente pensando nisso, depois de mais uma semana de cão em São Paulo, sem água e sem luz por boa parte do tempo, enchentes diárias e reservatórios secos, trânsito caótico, árvores e postes caídos, obras e consertos intermináveis, mau humor generalizado, as pessoas se tratando mal. E a cidade ainda está meio vazia, com muita gente de férias.

Quem vive aqui sabe bem do que estou falando. Como será quando todo mundo voltar e o inverno chegar? Nem quero pensar nisso, mas ao subir mais uma vez a escadaria do prédio no escuro (a bateria da luz de emergência só dura duas horas), voltei a pensar num sonho antigo e recorrente.

Quando me perguntam qual é o sonho, quais são meus planos nestes anos que me restam de vida, sempre respondo na lata: é ir morar em João Pessoa, a pacata e bela capital da Paraíba. Nem sei explicar quais são os motivos, já que não tenho lá amigos nem parentes, nada em especial que me faça escolher este canto do mundo para viver.

lll Todo mundo tem um sonho. O meu é João Pessoa

Foto: Prefeitura Municipal de João Pessoa

Nas minhas andanças pelo país como repórter, que já me levaram a todos os Estados brasileiros, capitais e interiores, sem exceção _ até a Fernando de Noronha já fui, ficava pensando  onde gostaria de ficar de vez quando me aposentasse.

Minhas escolhas mudaram várias vezes ao longo deste último meio século, porque esta nossa terra tem muitas cidades bonitas e acolhedoras. Já conheci também lugares incríveis em boa parte do mundo, mas viver fora do Brasil, nem pensar.

De uns tempos para cá, fixei-me em João Pessoa, onde já tinha ido muitas vezes, sempre a trabalho. Em 2013, finalmente, consegui passar lá dez dias de férias _ e me encantei, definitivamente.

Não descobri lá nenhuma praia do outro mundo, um restaurante espetacular, alguma atração turística imperdível. Acho que o que mais me atraiu foi exatamente isso: a simplicidade do lugar e das pessoas.

É difícil explicar. Parece que é todo mundo igual, não tem gente que quer se mostrar mais importante do que o outro, ninguém quer te enganar e os nativos parecem sempre disponíveis para uma conversa, sorriem de graça. A vida flui mansamente, sem atropelos, cada coisa no seu lugar e no seu tempo certo.

Outro dia, no final de um almoço com amigos da minha idade, o papo era sobre sonhos, planos, projetos de vida. Claro que falei de João Pessoa. Falei até que, ao final do meu contrato, iria pedir à Record minha transferência para a emissora da Paraíba.

Pois não é que um diretor da empresa levou minha conversa a sério? Quando o reencontrei, semanas depois, no mesmo lugar, ele me chamou de lado, e confidenciou: "Já estou encaminhando aquele teu pedido". Nem me lembrava qual era, mas ele não esqueceu.

Tenho agora um pequeno problema: convencer minha mulher, as filhas, os genros e os netos a irem junto comigo... Já estou aposentado faz mais de dez anos, continuo com dois empregos, o tempo voa cada vez mais rápido, sei que tenho menos tempo pela frente do que para trás. Será que um dia vou conseguir?

Acho que minha única chance é chegar o dia em que todos seremos, simplesmente, obrigados a ir embora daqui. Eu, pelo menos, já sei para onde ir.

E você, caro leitor do Balaio?

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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geraldo O racionamento já existe, descobre Alckmin agora

Não nos diga, caro governador Geraldo Alckmin... Quer dizer que tudo o que o senhor falou antes sobre a gravíssima crise da água em São Paulo, que não é de hoje, era só para enganar os eleitores? Que o digam os flagelados da Vila Madalena, o bairro mais boêmio de São Paulo, com seus bares e restaurantes sempre lotados, que nos últimos dias chegaram a ficar até 16 horas por dia sem água e agora são obrigados a fechar mais cedo.

Já reeleito, surfando na desinformação, vejam o que Alckmin disse, com todas as letras, no dia 24 de outubro, dois dias antes do segundo turno, quando fazia campanha para o tucano Aécio Neves, que ainda estava no páreo das eleições presidenciais de 2014:

"O abastecimento de água está garantido na região metropolitana de São Paulo. Não tem racionamento e não tem desabastecimento".

Pois ficamos sabendo agora, nas palavras do próprio governador, que o abastecimento não só não estava garantido, como já vivíamos o racionamento de água desde março, só que a culpa não era dele.

"O racionamento já existe. Quando a ANA determina, quando ela diz que você tem que reduzir de 33 para 17 metros cúbicos por segundo a retirada de água do Cantareira, é óbvio que você já está em restrição".

ANA é a sigla da Agência Nacional de Águas, órgão regulador do governo federal. Por ironia das ironias, foi lá que Alckmin recrutou o novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, que preparou a população para o pior: além do racionamento em determinados horários, como já existe, poderemos também ter em breve o rodízio no fornecimento de água aos bairros.

Quer dizer, depois da comporta arrombada, Alckmin foi pedir ajuda financeira ao governo federal e de lá trouxe o homem que agora é responsável por evitar o colapso, pois o Sistema Cantareira, segundo ele, pode secar de vez até março, com o atual nível das chuvas, abaixo da média dos anos anteriores.

"Sim, podemos chegar a ter um rodízio. Torcemos para que não, mas pode chegar", alertou Kelman, em longa entrevista à imprensa na quarta-feira. Foi a primeira vez em que uma autoridade do governo estadual procurou falar a verdade à população. E até Alckmin foi obrigado a admitir o que até ontem procurava esconder.

Além de torcer pela chuva, finalmente a Sabesp parece realmente mais preocupada em tomar providências concretas para minimizar as agruras da população de São Paulo do que com os dividendos dos seus acionistas. Chegamos a este ponto, depois de anos de descaso e falta de planejamento dos sucessivos governos tucanos.

De nada adianta agora querer atribuir à ANA a "restrição da pressão hídrica", o outro nome do racionamento em tucanês, medida determinada no começo do ano passado, quando a crise já se agravava e a água começava a faltar nas torneiras dos paulistanos.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma galeria livros tl Por onde andará Dilma? Tomou posse e sumiu

Nesta quarta-feira, 14 de janeiro, faz duas semanas que a presidente Dilma Rousseff tomou posse solene no seu segundo mandato e, em seguida, sumiu do mapa. Posso estar enganado, mas até hoje não se viu sua presença em nenhuma solenidade oficial ou evento público. Não há registro de imagens nem de qualquer manifestação da presidente, além de notas oficiais.

Por onde andará Dilma, o que estará pensando do que vem acontecendo no Brasil e no mundo? Por que não foi à grande manifestação contra os atentados que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, domingo, em Paris, com a presença de mais de 40 chefes de Estado e de governo? É no mínimo estranho este silêncio, difícil entender esta ausência. Se tudo estivesse em paz neste começo de ano, tudo bem. O problema é que não está, nem aqui, nem lá fora.

Uma consulta à agenda presidencial divulgada nas redes oficiais do governo dá conta apenas de umas poucas audiências a ministros, nos palácios da Alvorada e do Planalto. Ao voltar da Bahia, na quarta-feira passada, o primeiro ministro que Dilma recebeu foi Jaques Wagner, da Defesa, às 9h30 e às 17h30. No mesmo dia, a presidente recebeu também o secretário-geral, Miguel Rossetto, e o presidente do PT, Rui Falcão.

Nesta segunda-feira, foi a vez de Gilberto Kassab, das Cidades, e Joaquim Levy, da Fazenda. Levy seria recebido novamente no dia seguinte, além de Nelson Barbosa, do Planejamento, e Valdir Simão, da CGU. Para hoje, a agenda previa encontros apenas com Arthur Chioro, da Saúde, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Como se pode ver, até agora, com a exceção de Kassab, só o PT esteve com Dilma, ninguém do PMDB.

Davos ou La Paz? A polêmica sobre para aonde iria a presidente na próxima semana, em sua primeira viagem internacional, só acabou ontem, com o anúncio oficial de que ela irá à posse de Evo Morales, que assume o terceiro mandato presidencial na Bolívia, e enviará para o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é quem vem anunciando as primeiras medidas do novo governo.

Nunca tinha visto um governo começar assim. A presidente sumiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Em política, não existe vazio, já ensinavam os sábios mais antigos. Assim, nestas duas primeiras semanas de 2015, junto com as chuvas de verão, um calor dos infernos e as excelências maiores descansando em berço esplêndido, quem tomou conta da cena foi uma figura do segundo time, a ex-prefeita, ex-ministra e quase ex-petista Marta Suplicy. É a nova estrela da estação.

Só se fala dela nas rodas do poder que não saíram de férias, o que dá bem uma ideia da pobreza de ideias e da orfandade de lideranças no cenário político-midiático-partidário nacional. O que quer Marta, afinal, ao atirar para todo lado, depois de ser defenestrada do Ministério da Cultura?

Muito simples: sem espaço no PT, a ex-prefeita de São Paulo quer ser expulsa do partido para se abrigar em outra legenda e poder disputar novamente o cargo. O seu objetivo inicial era o PMDB, mas o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição, foi mais rápido e fechou uma aliança com a ala de Michel Temer, entregando o cargo de secretário da Educação para Gabriel Chalita, que deve ser seu companheiro de chapa.

safe image Marta aproveita vazio da política e dá seu showzinho

Sem aliados de peso na sua empreitada de francoatiradora, além do marido Márcio Botelho, que pode entender de negócios, mas não de política, Marta resolveu ir à guerra montando seu showzinho particular, em que se limita a detonar o PT e seus principais líderes, de Dilma a Lula, passando por Mercadante e Rui Falcão, ao jogar um contra o outro, sem apresentar qualquer nova proposta política para a cidade ou para o país. Magoada e irada, Marta apenas quer porque quer voltar a ser prefeita e se vingar do seu antigo partido.

Restam-lhe opções menores, como o Solidariedade, do sempre oferecido Paulinho da Força, mas, no momento, ela está sozinha na estrada, aproveitando-se da entressafra do noticiário político para ocupar espaço, enquanto fevereiro não vem.

A direção do PT está numa sinuca de bico. Com Dilma e Lula guardando obsequioso silêncio desde o início do novo governo, o partido não pode responder aos ataques na mesma moeda, pois faria o jogo de Marta. Ao mesmo tempo, também não pode fingir que não está acontecendo nada.

Com o coração na mão, o mundo político só está à espera das bombas-relógio da Operação Lava Jato, que devem começar a explodir junto com a reabertura do Congresso Nacional. Aí ninguém mais vai falar de Marta, mas ela já terá feito seu estrago na desgastada imagem do partido que enfrenta hoje sua maior crise, após 12 anos de hegemonia no poder central.

 

 

 

 

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Manhã de domingo. A notícia mais chocante deste final da semana do terror que abalou o mundo não vem de Paris.

Vem de Maidiguri, cidade do nordeste da Nigéria, e está escondida no pé da página A14 da Folha, sob o título "Menina-bomba mata 20 em ataque na Nigéria _ Suspeita recai sobre grupo islâmico Boko Haram, que já causou mais de 13 mil mortes" e, recentemente, sequestrou mais de 200 meninas numa escola.

A matéria tem a assinatura anônima "Das agências de notícias" e não vem acompanhada de análises de especialistas sobre o atentado suicida provocado por uma menina de 10 anos num mercado lotado, que deixou 20 mortos, incluindo a criança, e 18 feridos.

Por uma trágica coincidência, é o mesmo número de mortes causadas em Paris nos ataques de três terroristas franco-argelinos contra o semanário "Charlie Hebdo" e um mercado judaico na região leste da cidade.

6d9p56q8x9 1nd7mjzitx file1 Os 20 mortos de Paris e os 20 de Maiduguri

Pelas ruas da “Cidade Luz”, estima-se que cerca de 1,5 milhão de populares acompanharam a homenagem / Foto: Reuters

Sobre este assunto já foram publicadas no mundo inteiro milhares de análises indignadas e definitivas feitas por jornalistas, professores e estudiosos das relações internacionais, tentando explicar as causas e consequências destes atos terroristas, o que me dispensa de fazê-lo.

Nesta segunda década do século 21 no mundo globalizado, o que aconteceu esta semana em Paris é algo que foge à minha compreensão e ultrapassa de longe os limites dos meus parcos conhecimentos sobre a relação entre o fanatismo religioso, a política internacional, a liberdade de expressão, a xenofobia, a indústria de armas e os rumos da humanidade.

"O mundo tá dodói", resumiu um amigo, tão perplexo quanto eu diante das imagens e comentários que se repetiam sem parar na televisão ao longo dos últimos cinco dias. Já não deveria, a esta altura da vida, me assustar com mais nada, pois vivo num país em que seis pessoas, em sua maioria negros, são assassinadas por hora (foram mais de 53 mil mortes violentas em 2013).

Hoje, em Paris, mais de um milhão de pessoas deverão participar da "Marcha Republicana" no protesto contra os atentados atribuídos a radicais islâmicos, em ato oficial do governo francês, que contará com a presença de chefes de governo e de estado da Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e do Reino Unido, entre outras nações.

O que me deixa intrigado como cidadão do mundo é esta reação seletiva entre o que aconteceu em Paris e os fatos de Maiduguri, que se repetem todos os dias na Nigéria, em vastas regiões da África e do Oriente Médio, sem que ninguém saia às ruas para condenar as guerras e pedir paz, com a honrosa exceção do papa Francisco.

Para mim, uma vida é uma vida é uma vida, todas têm o mesmo valor. Podem existir vivos de primeira ou segunda classe, mais ou menos importantes e simbólicos, mas os mortos são todos iguais. E é por todos eles que devemos chorar.

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ok Sem água e sem luz, um dia de periferia nos Jardins

Chuva forte derruba árvores em São Paulo / Foto: Montagem/R7

A água acabou às quatro da tarde, como tem acontecido com frequência. Às seis, acabou a luz. Ruas alagadas, carros boiando, prédios sem elevador, restaurantes fechando, semáforos piscando, árvores e postes caídos no asfalto, um caos.

Em muitas regiões mais pobres da cidade estas cenas são habituais quando chegam as chuvas de verão e, na maioria das vezes, a gente nem fica sabendo, não dá manchete. Só que, desta vez, aconteceu no coração dos Jardins, a área mais nobre da maior cidade do país.

Antes que me chamem de preconceituoso, já vou logo confessando: faz mais de dez anos moro aqui, no Jardim Paulista, que viveu nesta quinta-feira seu dia de periferia. Enfim, poderão dizer os mais otimistas, vivemos na sociedade igualitária com que muitos sonhamos. Aos poucos, por toda parte, São Paulo vai virando um imenso subúrbio abandonado, acabando com os privilégios das minorias.

O que também tem seu lado bom. Sem energia, que até a meia noite não havia voltado, toda a parafernália eletrônica saiu do ar, tornou-se inútil. Até as luzes de emergência da escadaria pifaram e nem o filtro d´água funcionava, o que me obrigou a experimentar pela primeira vez a água de torneira oferecida pelo segundo volume morto do Cantareira. Por falta de opções, esticamos o jantar à luz de velas na cozinha e conversamos bastante sobre a vida, como há muito tempo não acontecia.

Às vésperas de completar 461 anos, a altaneira cidade de São Paulo dos bandeirantes, a "suíça brasileira", a "locomotiva do Brasil", onde tudo é maior e melhor, caiu na real. Vai ficando tudo nivelado por baixo, como o nível das águas lamacentas do Cantareira.

O governador tucano não cuidou dos reservatórios e preferiu investir a grana da Sabesp na Bolsa de Nova York. O prefeito petista, mais preocupado com as bicicletas, não cuidou dos bueiros entupidos, das ruas esburacadas, da manutenção das velhas árvores, das calçadas quebradas.

Certa vez, quando estava começando a carreira no Estadão dos anos 60 do século passado, pediram-me para escrever um artigo sobre o aniversário da cidade. O título era mais ou menos na linha "amo esta cidade com todo ódio", mostrando o que ela tem de bom e de ruim. De lá para cá, não sei dizer se aumentaram os motivos para sentir mais amor ou mais ódio. O fato é que continuo vivendo aqui, ou melhor, sobrevivendo, na cidade onde nasci.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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okok Tudo é culpa do governo. Mas de qual governo?

Com a água, ou melhor, a falta d´água batendo no seu pescoço, e como não temos eleições neste ano, finalmente o eterno governador paulista Geraldo Alckmin resolveu agir: a partir desta quinta-feira (8), quem gastar mais do que a média do consumo nos últimos 12 meses vai ter que pagar multa pesada, que pode chegar a 100% sobre o valor da conta.

Quando ainda estava em campanha pela reeleição, e conseguiu esconder até onde pôde o perigo de colapso no abastecimento de água, com a ajuda da imprensa amiga, o tucano tinha feito exatamente o contrário: prometeu descontos para quem gastasse menos.  Só que, agora, não tem mais jeito de fugir do problema. Mesmo com a utilização do segundo volume morto do reservatório, o Sistema Cantareira está com apenas 6,8% da sua capacidade, o índice mais baixo registrado desde o início da estiagem.

Nem as fortes chuvas deste verão foram capazes de melhorar a situação. Ao contrário, as águas continuaram baixando nas represas e Alckmin começa mais um governo do mesmo jeito que terminou o anterior, correndo atrás do prejuízo. Ainda não ouvi ninguém falar em estelionato eleitoral.

A crise da água, as estradas do litoral norte torturando os turistas, o desmatamento fora de controle, a violência crescente, nada é capaz de atingir a invulnerabilidade do governador teflon. Nada é com ele.

Além de sua figura raramente aparecer no noticiário sobre as variadas crises que assolam São Paulo, há uma outra explicação para este fenômeno. Para a maioria dos eleitores, tudo é culpa do governo, sim, mas quando se pergunta de qual deles está falando, a maioria responde errado.

Em outubro passado, no mês da eleição, quando o instituto Datafolha perguntou de quem era a responsabilidade pela crise no abastecimento de água em São Paulo, 53% dos entrevistados responderam que era do governo federal e da prefeitura. Ou seja, a culpa era do PT, de Dilma e Haddad.

Tive um bom exemplo desta ignorância generalizada sobre as atribuições das três instâncias de governo, quando abriram um enorme buraco no asfalto aqui ao lado de casa. Até escrevi um post sobre o assunto quando a obra começou. Foi no início da Copa do Mundo, lembro-me bem. Seis meses depois, a obra ainda não tinha terminado, pois era um buraco que andava, subindo a alameda Ministro Rocha Azevedo, em direção à avenida Paulista, e deixando o trânsito congestionado o dia todo.

"Olha aí a porcaria do PT... Todo dia é isso e o prefeito não faz nada...", blasfemou o motorista de táxi com a veemência dos que têm certeza do que falam. Ainda pedi que ele olhasse na placa da Sabesp colocada no caminhão junto à obra, mas ele não queria nem saber. "E daí? Essa porcaria da Sabesp não é da prefeitura?".

De nada adiantou lhe explicar que Sabesp é a sigla da empresa de saneamento básico de São Paulo, controlada pelo governo estadual. O homem estava enfurecido, e assim continuou a viagem, xingando o prefeito e o PT. O taxista só sintoniza a rádio Jovem Pan. Alckmin, como se sabe, foi reeleito com um pé nas costas.

O governo federal tem culpa, sim, mas por não tornar obrigatório em todos os currículos escolares o ensino de noções básicas de cidadania. Por exemplo, ensinar quais são as responsabilidades dos governos federal, estaduais e municipais, e quais as atribuições dos três Poderes da República (para quem não se lembra, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário).

Fica a sugestão para o Datafolha fazer uma outra pesquisa sobre este tema. Desconfio que a absoluta maioria da população não saberá as respostas corretas. E é assim que as pessoas votam, eleição após eleição. Depois, reclamam dos governos e dos políticos que acabaram de eleger.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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