Uma disputa paralela desta campanha presidencial já começou faz algum tempo em São Paulo e chegou ao Rio nesta segunda-feira: é a guerra dos adesivos para colocar nos carros, um adereço tradicional que, neste ano, andava meio ausente na paisagem.

"Fora Dillma. E leve o PT com você" (com dois "ll" mesmo, remetendo a Collor) é um adesivo que enfeita os carrões pretos off-road dos tucanos paulistanos, que já nos acostumamos a ver na região dos Jardins e adjacências. Com Aécio alijado da disputa, servem agora a Marina Silva, em seu embate com o PT de Dilma e Lula.

fora dilma PT de Lula x Itaú de Neca: guerra de adesivos

A resposta dos petistas demorou a aparecer e só foi lançada no ato em defesa da Petrobras promovido no Rio, com a participação do ex-presidente Lula e líderes sindicais.

"Fora Marina. E leve o Itaú junto" dizia o adesivo fartamente distribuído durante a manifestação, que centrou críticas na candidata do PSB, como se ela fosse contra o programa do pré-sal, a principal bandeira do PT.

fora marina PT de Lula x Itaú de Neca: guerra de adesivos

Para um forasteiro que está chegando agora ao Brasil, fica parecendo que a eleição para presidente da República, daqui a 19 dias, está sendo disputada entre o PT de Lula e Dilma versus o PSB de Marina e Neca Setúbal, uma das herdeiras e acionista do maior banco privado do país, coordenadora do programa de governo da candidata.

A cada dia sobe o tom dos dois lados, prenunciando temperatura máxima na reta final da campanha. No final da manhã de ontem, sem muita sutileza, o ex-presidente Lula foi direto ao ataque no palanque armado em frente ao prédio da Petrobras, no centro do Rio, após breve caminhada que saiu da Cinelândia, lembrando cenas típicas de campanhas passadas do PT:

"Se tem uma coisa que você não pode terceirizar é o cargo de presidente. Ou você assume ou não assume. Esse negócio de pedir para cada um falar um pedacinho das coisas que estão acontecendo no país não dá certo. Pode acontecer que o programa de governo possa ser feito por 500 mãos, menos as dela".

Afiada nos contra-ataques, Marina não demorou a responder no mesmo diapasão beligerante, durante encontro à tarde, em São Paulo, em reunião com artistas, organizada pelo cineasta Fernando Meirelles:

"Uma estrutura muito poderosa está sendo utilizada para me combater. Porque chegar no interior da Bahia e ouvir `vai acabar com o Mais Médicos, vai acabar com Minha Casa Minha Vida, vai acabar com Bolsa Família´ (...). Isso é um ser humano? Só se fosse o Exterminador do Futuro".

Incomodada com o protagonismo que ganhou nesta campanha presidencial, a banqueira e educadora Neca Setúbal queixa-se há dias, em  bateria de entrevistas exclusivas programadas na grande imprensa familiar, dos ataques que vem sofrendo do PT, por sua onipresente atuação na campanha de Marina Silva.

Na verdade, Neca contribuiu para esta emergência do anonimato: como um verdadeiro papagaio de pirata, ela não saiu do lado da candidata e passou a dar entrevistas sobre as propostas econômicas do PSB, desde que Marina foi a Recife para participar das cerimonias fúnebres de Eduardo Campos e, em seguida, assumir o lugar dele na campanha.

Nada acontece de graça numa campanha eleitoral. A defesa que Neca fez da independência do Banco Central, em entrevista à "Folha", deu o mote para a campanha do PT disparar as baterias contra Marina na propaganda eleitoral, e agora as duas se queixam que estão sendo injustamente agredidas. O adesivo distribuído no Rio é apenas um detalhe.

Percebendo o estrago causado à candidatura pelo programa de governo coordenado por Neca e Maurício Rands, já registrado pelas pesquisas, que obrigou a candidata a fazer erratas e recuos, o coordenador-geral da campanha, Walter Feldman, um tucano histórico dissidente, figura menor da política paulistana e que ganhou ares nacionais de grande formulador político após a morte de Eduardo Campos, já encomendou aos dois uma nova versão para o segundo turno.

"Agora, a orientação da Neca e do Maurício é para nós começarmos a aprofundar com os segmentos, já preparando um plus no programa de governo 2.0, após esta primeira etapa", anunciou Feldmann, em mais um dos seus encontros com empresários.

Que segmentos são esses, ele não explicou, nem antecipou o que muda neste programa 2.0, mas é certo que os coordenadores querem explicar melhor o que queriam dizer no 1.0, em especial no capítulo sobre o petróleo, tratado só de passagem na versão original.

O vale-tudo desencadeado entre as duas candidatas, que foram colegas de ministério nos dois mandatos de Lula, já atingiu, como não poderia deixar de ser, o humor da velha mídia, cada vez mais engajada no "plano B", deixando Aécio à beira da estrada depois que sua candidatura se mostrou inviável.

Até colunistas autoproclamados "independentes, apartidários e isentos" já estão rasgando a fantasia, ao entrar de sola na campanha pró-Marina, depois de passar os últimos meses tentando desconstruir a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, que lidera todas as últimas pesquisas sobre o primeiro turno.

Estes cavalos de pau me fizeram lembrar de um episódio hilário no intervalo do primeiro para o segundo turno, na disputa entre Collor e Lula, em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar.

Ao pegar um táxi em Congonhas, voltando de uma viagem a Brasília, perguntei ao motorista em quem ele iria votar. "Olha, moço (na época, eu era mais jovem...), no primeiro turno, votei no Lula, mas agora acho que vou votar no Collor". Como assim?, perguntei-lhe, sem entender.

"É que eu já votei no Lula, mas até agora não mudou nada na minha vida. Então, vou votar no outro pra ver se melhora".

Deu no que deu.

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma ok Faltam só 20 dias: O que ainda pode mudar na reta final?

Foto Marina Silva: Candidata do PSB participou de debate Visões do Futuro no centro do Rio de Janeiro (RJ) na sexta-feira (12) / Crédito: Marcello Dias/Futura Press/ Estadão Conteúdo

Foto Dilma Rousseff: Candidata do PT participou de caminhada em Alcântara, São Gonçalo (RJ) na sexta-feira (12) / Crédito: Ichiro Guerra/Divulgação

Marina Silva cobra, com razão, que os adversários apresentem seus programas de governo. A  contar desta segunda-feira, faltam apenas 20 dias para as eleições e, até agora, Dilma Rousseff e Aécio Neves apresentaram apenas uma penca de propostas, anunciando quase diariamente novos projetos para melhorar a educação, a saúde, a segurança e a vida em geral na face da terra, nada que se assemelhe a um programa de governo com começo, meio e fim.

 

Logo após assumir a candidatura do PSB em lugar de Eduardo Campos, um mês atrás, Marina anunciou solenemente seu programa de governo, e se deu mal, recolhendo mais prejuízos do que dividendos eleitorais.

Na pressa, montou uma colcha de retalhos na base do "copie e cole", arrumando confusão em várias áreas, dos gays aos ambientalistas seus seguidores, obrigando-a a fazer uma série de recuos e erratas nos dias seguintes, e ainda ofereceu uma arma poderosa à presidente da República que disputa a reeleição, ao tratar com menoscabo o pré-sal, principal bandeira da candidata do PT. A proposta de independência do Banco Central, defendida pela sua fiel escudeira Neca Setúbal, completou o estrago.

Eu mesmo cobrei bastante, aqui e no Jornal da Record News, que os candidatos apresentassem seus programas de governo, em lugar de ficarem só nos ataques mútuos para mostrar quem tem mais defeitos, o que serviria para tornar o debate eleitoral minimamente civilizado.

Durante a semana passada, tanto Aécio como Marina prometeram apresentar seus programas de governo, mas agora, convenhamos, resta muito pouco tempo para que eles possam ser debatidos a ponto de influir no ânimo dos eleitores.

Se o candidato tucano, que está em campanha há mais de um ano, e até aqui não conseguiu explicar a que veio, sem lograr convencer nem o eleitorado tucano, mais perdido que cachorro em dia de mudança, também de pouco valeria para Dilma Rousseff definir agora porque quer e o que pretende fazer em mais quatro anos de mandato. "Se ela sabe o que precisa ser feito, por que não fez até agora?", poderão perguntar os eleitores insatisfeitos com os 12 anos de PT no poder. Dilma, afinal, está em campanha e mostrando o que pensa desde o dia da posse.

As pesquisas da semana passada confirmaram uma disputa acirrada entre Marina e Dilma, tanto no primeiro como no segundo turnos, com pequenas variações dentro das margens de erro dos institutos, e só um fato novo muito grave, ou uma denúncia envolvendo diretamente os candidatos, no que não acredito, poderá provocar outra reviravolta no cenário eleitoral. Só acredita ainda numa virada, que ele chama de "onda da razão", o tucano Aécio Neves, já abandonado por seus aliados, que procuram pular logo no barco de Marina Silva, o "plano B" também da velha mídia.

Até o boleiro aposentado Ronaldo Fenômeno foi convocado para ajudar Aécio nesta reta final, jogando capoeira com o candidato que não sai mais do Rio, mas parece tarde demais. Marina encarnou o voto anti-PT, e Dilma reconquistou a confiança dos petistas, reeditando a velha estratégia do "nós contra eles", ou seja, a eterna luta dos pobres contra os ricos.. Daqui para a frente, é jogo jogado. "Eles", agora, não são mais os tucanos, mas Marina e seus novos aliados antipetistas.

As duas candidatas desempenham no momento papéis opostos. Enquanto Marina assume o papel de vítima fragilizada diante dos duros ataques desfechados pelo PT, em especial sobre as contradições do seu programa de governo, Dilma cada vez mais mostra a mão pesada, tanto na campanha como no enfrentamento da crise econômica.

Quem vai ganhar?, perguntam-se todos. Já disse outras vezes, e repito: se eu soubesse, estaria rico especulando na Bolsa de Valores. Na mais imprevisível e engalfinhada eleição presidencial desde a redemocratização do país, quem tem um pouco de responsabilidade vai ter que esperar a resposta até o dia 26 de outubro, data do segundo turno. Até lá, vai ser um salve-se quem puder e tiver juízo.

 

 

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foto 11 Ibope confirma a irrelevância da velha mídia

Deu tudo ao contrário do que imaginava o "pool" formado por Veja & Associados, na perfeita definição de Alberto Dines para a velha mídia que, no último fim de semana, disparou o que seria uma "bala de prata" contra a candidatura de Dilma Rousseff, com a divulgação da "denúncia premiada", feita por um réu preso, envolvendo políticos e partidos da base aliada do governo num "propinoduto", que teria sido montado na administração da Petrobras. Até agora, no entanto, não apareceu nenhuma prova.

O objetivo claro era dar uma sobrevida à candidatura presidencial do tucano Aécio Neves, empacado em terceiro lugar nas pesquisas, a quilômetros de distância das favoritas Dilma e Marina Silva, que devem disputar o segundo turno.

A pesquisa CNI/Ibope divulgada agora há pouco, na manhã desta sexta-feira, confirma as tendências anteriormente registradas por outros três institutos que divulgaram seus levantamentos nesta semana: CNT/MDA, Datafolha e Vox Populi.

Em relação à pesquisa anterior do Ibope, Dilma Rousseff subiu dois pontos e foi para 39%, abrindo oito pontos de vantagem sobre Marina Silva, que caiu dois e ficou com 31%. Aécio Neves ficou exatamente no mesmo lugar em que estava na semana passada, com 15%. Na projeção para o segundo turno, o Ibope apontou empate técnico: Marina com 43% e Dilma com 42%. Os especuladores da Bolsa devem estar esfregando as mãos.

Em meio a uma enxurrada de más notícias na economia e a duros ataques do PT contra a candidatura de Marina Silva, as denúncias genéricas contra a "corrupção na Petrobras" nos governos do PT foram, talvez, a última tentativa da imprensa familiar de interferir abertamente no resultado das eleições. O assunto até já sumiu do noticiário, à espera de "novas revelações" para alimentar o discurso de Aécio Neves, que corre o risco de perder as eleições até em Minas Gerais.

As novas pesquisas, agora divulgadas praticamente todos os dias, serviram apenas para mostrar, mais uma vez, a irrelevância dos associados do Instituto Millenium, que, não faz muito tempo, elegiam e derrubavam presidentes. Seus porta-vozes não se conformam, e se tornam cada vez mais raivosos, à beira de um ataque de nervos. Pelo andar da carruagem, a eleição de 2014 será decidida entre duas ex-ministras do governo Lula, deixando fora do jogo o PSDB, pela primeira vez nos últimos 20 anos.

Agora vou-me embora para Porangaba, e vida que segue.

Bom final de semana a todos.

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Foi num dia 11 de setembro, como hoje, que o golpe militar deflagrado pelo general Pinochet derrubou o presidente eleito Salvador Allende, dando início à mais sanguinária e assassina ditadura na história da América Latina, que deixou milhares de mortos. Quarenta e um anos depois, o Chile é uma democracia exemplar.

Foi também num dia 11 de setembro que um ataque terrorista contra os Estados Unidos derrubou as Torres Gêmeas, em Nova York, matando mais de 3 mil pessoas e causando prejuízos de 10 bilhões de dólares. O atentado levou o  então presidente George W. Bush a lançar uma guerra "contra o terrorismo". Pois nesta quinta-feira do inverno quente de setembro de 2014 no Brasil, treze anos depois, os jornais nos informam que o atual presidente americano, Barack Obama, anunciou que vai bombardear a Síria, com o objetivo de "destruir de forma definitiva" o Estado Islâmico.

É um dia para nunca se esquecer _ e eu não esqueço. Sem dar nenhum tiro nem jogar bombas em ninguém, foi também num dia 11 de setembro, há seis anos, que entrou no ar pela primeira vez o nosso blog Balaio do Kotscho, então hospedado no portal iG.

Estava passando férias para comemorar meus 60 anos, em julho de 2008, na bela ilha de Fernando de Noronha, a única unidade da federação que ainda não conhecia, quando o celular tocou. E funcionou! Era meu ex-chefe e amigo Caio Túlio Costa, na época presidente do portal e hoje um dos coordenadores da campanha de Marina Silva. Tinha urgência de falar comigo.

kotscho 11 de setembro é um dia para nunca se esquecer

Foto 1: Golpe militar no Chile / Foto 2: Atentado às Torres Gêmeas nos EUA

O convite era para começar imediatamente a fazer um blog, o que me deixou um pouco assustado, já que minha experiência anterior na internet se limitava a uma colaboração quinzenal ,depois semanal, por fim, diária, no site "No Mínimo", generosa iniciativa de jornalistas cariocas que não durou muito tempo.

Escrever novamente todos os dias, de domingo a domingo, não estava nos meus planos naquela época, ainda mais que os blogs já tinham virado uma febre, e eu até brincava:

"Mais um? Daqui a pouco todo mundo vai fazer um blog. E quem vai ler?" Cada grande portal tinha centenas, e eles não paravam de se multiplicar. Ainda levaria um bom tempo negociando salário e acertando o formato, até que uma hora não teve mais jeito, e um dos editores me avisou: você começa no dia 11.

Três anos depois, recebi um convite da Record para trazer meu blog para o R7, hoje o segundo maior portal jornalístico do país, e fazer comentários políticos no Jornal da Record News, comandado pelo Heródoto Barbeiro, líder de audiência no segmento dos canais de notícias. E estou aqui até hoje.

Acho que sou pé quente. Chegar aos 50 anos de profissão, que completei este ano, ainda escrevendo praticamente todos os dias e ter virado jornalista multimídia depois de velho, não foi fácil.

Para completar, sou mais uma vez finalista do Prêmio Comunique-se, que elege os melhores jornalistas do ano em votação direta. Ainda por cima, fui indicado em duas categorias: mídia impressa (revista Brasileiros) e blogs, com este Balaio velho de guerra. É uma prova de que a telinha e o papel podem conviver ainda por um bom tempo. Pra mim, tanto faz qual é a plataforma: tendo uma boa história para contar, qualquer meio serve.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Enquanto Aécio Neves, já fora do jogo, com seu embotado discurso udenista contra a corrupção, tenta surfar na onda nas denúncias da "delação premiada", Dilma e Marina, as duas candidatas que vão disputar o segundo turno, resolveram virar suas baterias contra os banqueiros.

"Dilma criou a bolsa banqueiro", disparou Marina Silva em Betim, Minas, na manhã desta terça-feira (9), tentando aplicar uma vacina no bombardeio que já se desenhava no horizonte. "Nunca os banqueiros ganharam tanto como em seu governo".

"Não adianta querer falar que eu fiz bolsa-banqueiro”, reagiu Dilma Rousseff, logo depois, em São Paulo. "Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro, você entende, me sustentando".

Assista ao vídeo do comentário de Kotscho sobre esta questão:

Os bancos foram colocados na roda do bangue-bangue eleitoral depois que Roberto Setúbal, presidente do Itaú, criticou a política econômica do governo e deixou claro seu apoio à "nova política" da candidata do PSB, que já considera eleita. Neca Setúbal, a onipresente companhia de Marina na campanha, herdeira do Itaú e coordenadora do seu programa de governo, já havia antes defendido a autonomia do Banco Central, o novo alvo da propaganda eleitoral do PT.

Para se ver como tudo muda a todo momento nesta campanha presidencial, quando parecia que as denúncias envolvendo a Petrobras se tornariam o centro do debate nesta reta final da campanha de 2014, eis que os bancos assumem o protagonismo do tiroteio entre as duas mulheres, ambas ex-ministras do governo Lula,  que disputam de fato a Presidência da República.

No mesmo dia em que as pesquisas mostravam consolidada a polarização entre Dilma e Marina, com empate técnico no primeiro e segundo turnos, as duas presidenciáveis se acusaram mutuamente de ceder aos interesses dos banqueiros.

O novo comercial de 30 segundos da campanha de Dilma foi direto ao ponto, ao mostrar que a autonomia do Banco Central defendida pela dupla Neca/Marina vai prejudicar os trabalhadores, ao mostrar uma família reunida em torno da mesa vazia.

"Ou seja, os bancos assumem um poder que é da presidente e do Congresso, eleitos pelo povo. Você quer dar a eles este poder?", diz o locutor, enquanto vorazes banqueiros entram em cena.

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rir Ministério da Saúde adverte: muita calma nesta hora

Com a entrada em cena da "delação premiada", a campanha presidencial atingiu a temperatura máxima, faltando 26 dias para as eleições. Na contagem regressiva, aumentaram de intensidade os ataques mútuos entre os principais candidatos, e isso acaba se refletindo também no comportamento dos eleitores manifestado nas redes sociais, nos jornalistas e até nos comentaristas aqui do Balaio, de hábito mais comedidos. Por este motivo, nos últimos dias, me vi obrigado a deletar mais da metade das mensagens enviadas.

O Ministério da Saúde adverte: muita calma nesta hora, pois esta não é, positivamente, uma campanha recomendada para cardíacos nem boa para o futuro do país. Na gangorra das pesquisas e das denúncias que balizam a disputa entre os três candidatos ainda em disputa por uma vaga no segundo turno, a Tensão Pré-Eleitoral (TPE) produz mais faíscas do que luz.

Em sabatinas, debates e entrevistas que agora pipocam no noticiário todos os dias, Dilma, Marina e Aécio preocupam-se antes em apontar os defeitos e malfeitos dos adversários do que em apresentar suas propostas de governo para os próximos quatro anos. Da mesma forma, nas conversas de boteco e nas ruas, cada eleitor está mais interessado em xingar o candidato do outro do que em defender o seu próprio. Em vez de uma disputa em torno de quem é melhor para governar o país, discute-se quem é o pior.

Às vésperas da divulgação de mais uma pesquisa Datafolha, os três candidatos colocaram a Petrobras no centro do ringue durante toda a segunda-feira, como já era previsível, após o vazamento seletivo das informações sobre a "delação premiada" do ex-diretor Paulo Roberto Costa sobre um suposto "propinoduto" na empresa:

Dilma: "Acho muito estranho alguém falar em desmonte da Petrobras. Eles não podem esquecer os seus telhados. O meu telhado tem a firme determinação na investigação. Ele é um telhado cobertinho pela polícia investigando, o Ministério Público com autonomia".

Marina: "Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras é o atual governo, que, conivente, deixou que todo este desmanche acontecesse em uma das empresas mais importantes do país".

Aécio: "Não acredito que a presidente da República tenha recebido recursos deste esquema. Mas, do ponto de vista político, ela foi beneficiária, sim. E tinha a obrigação de saber aquilo que acontece no seu entorno".

Novos ataques de TPE estão previstos para esta terça-feira nos programas do horário político. Tanto Aécio como Marina prometem colar o novo escândalo ao governo Dilma, que, por sua vez, acusa os dois de serem adversários do tesouro do pré-sal. Parece até que está em disputa o cargo de presidente da Petrobras, e não o de presidente da República do Brasil.

Desta forma, a campanha fica no limite entre a batalha campal dos presidenciáveis e o deboche e a indigência política da maioria dos candidatos a uma vaga nos parlamentos federal e estaduais, em que se destaca a grotesca figura do palhaço e deputado federal Tiririca, que agora foi ampliada em contrafações e clones espalhados por todo o país.

Mantidas as atuais regras da propaganda eleitoral, corremos o sério risco de, muito em breve, nos tornarmos um país de Tiriricas, com a multiplicação de partidos nanicos, radicais ou laranjas, que afastam os eleitores do debate político, fundamental em qualquer boa democracia. É triste.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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111 Cardoso ou a PF: quem explicará o vazamento?

Passaram-se já mais de 48 horas desde que veio a público o "vazamento" da delação premiada feita à Polícia Federal pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em nova tentativa de alterar os rumos da campanha presidencial, com base em denúncias sobre um esquema de corrupção montado na empresa por políticos e partidos da base aliada do governo Dilma Rousseff, atingindo também o PSB da candidata Marina Silva.

É bastante estranho o silêncio mantido até o momento, manhã de segunda-feira, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e a Polícia Federal a ele subordinada, como se fosse a coisa mais normal do mundo um "vazamento" destas proporções, sem qualquer prova, baseado em fontes anônimas, a quatro semanas da abertura das urnas, sabendo-se que este processo está submetido a segredo de Justiça e os áudios e vídeos da delação devem ser criptografados e mantidos num cofre forte.

Ao terminar de escrever a coluna de domingo, sobre as consequências nas campanhas presidenciais destas graves denúncias lançadas no ar, ficou martelando na minha cabeça uma dúvida: ninguém vai explicar ou pelo menos procurar saber em que condições e a serviço de quem se deu mais este explosivo "vazamento", mais conhecido por "bala de prata", que já se tornou comum em vésperas de eleição em nosso país? Ninguém se dignou a questionar este ponto entre as dezenas de análises que li sobre o assunto e seus desdobramentos ou a indagar quem pode ter vazado estas "informações".

Dá-se de barato que estas denúncias realmente existem, que o delator só falou a verdade e tem provas do que disse, mas o que temos por enquanto é apenas mais um factoide midiático explorado à exaustão pelo esquema Veja-Globo-Folha-Estadão, e seus respectivos portais, com os concorrentes retroalimentando o noticiário entre si.

Nem é preciso ser muito esperto para descobrir a quem interessa tumultuar o processo eleitoral nesta reta final da campanha. Quando parecia que este esquema já tinha abandonado o  tucano Aécio Neves à sua própria sorte, e aderido ao Furacão Marina, mesmo com algumas restrições, eis que o candidato atolado em terceiro lugar ressurge das cinzas no noticiário, com tanto ímpeto para atacar as duas adversárias que lideram com folga todas as pesquisas, como se já soubesse de alguma coisa antes da anunciada "bomba" explodir no último final de semana.

Como sabemos, as investigações sigilosas estão sob a responsabilidade da Polícia Federal, quer dizer, de um órgão do Ministério da Justiça, que vêm mantendo um obsequioso silêncio sobre o assunto. De que forma nós, simples cidadãos eleitores, poderemos saber o que existe de verdade no que vem sendo noticiado a respeito do "mar de lama da Petrobras"? Ou o objetivo é mesmo só fazer a divulgação oficial depois de 5 de outubro, mantendo as suspeitas no ar para a devida exploração eleitoral?

Cabe registrar aqui a previsão feita por Aécio dias atrás, quando sua campanha definhava, baseado na experiência do seu avô Tancredo Neves, de que as definições eleitorais só começam para valer depois do feriado de 7 de setembro.

Tem alguma coisa estranha no ar e não são os aviões de carreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

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feliz Delação premiada dá sobrevida e Aécio vai à luta

Conseguiram. A quatro semanas da eleição, quando tudo parecia caminhar para uma disputa acirrada entre Dilma e Marina no segundo turno, com Aécio fora do jogo, sendo abandonado até pelos aliados, um fato novo provocou outra reviravolta no cenário. Com isso, a candidatura tucana sai da UTI e vai à luta novamente.

Desde sexta-feira, quando saíram as primeiras revelações nos portais, não se fala de outra coisa no país: quais serão as consequências na campanha presidencial da delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que está preso em Curitiba, no Paraná?

Os três candidatos reagiram de formas bem diferentes à nova configuração do quadro, que desde já coloca as denúncias de corrupção na Petrobras no centro do debate nesta reta final de campanha.

Embora até aqui não tenham sido apresentadas provas de nada contra o ministro Edison Lobão, os ex-governadores Sergio Cabral e Eduardo Campos,  a atual governadora Roseana Sarney, e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, além de uma penca de parlamentares da base aliada do governo Dilma, só a volta do tema da Petrobras às manchetes já causa mudanças nas campanhas dos presidenciáveis.

Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, sabendo que vai ser o principal alvo dos ataques, fechou seu time na defesa e só disse que está esperando "dados oficiais" para tomar "todas as providências cabíveis, mas não posso fazer isso com base apenas em especulações". Surpreendida mais uma vez, a presidente pediu informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e convocou uma reunião de emergência ainda na noite de sexta-feira.

Marina Silva preferiu ficar no meio de campo trocando passes: com o nome de Eduardo Campos também na lista dos beneficiários, a candidata do PSB espera o melhor momento de atacar sua principal adversária, sem saber ainda quais novas revelações serão feitas nos próximos dias. "Não queremos ver o Eduardo morrer duas vezes", limitou-se a dizer. Aliados de Marina alegam que o envolvimento de Eduardo no caso não tem fundamento.

Já Aécio Neves, que não tinha mais nada a perder, quase 20 pontos atrás de suas duas adversárias, parecia outra pessoa no sábado. Revigorado pela delação premiada, aguardada  ansiosamente, junto com os colunistas amigos, que há dias soltavam notinhas ameaçadoras, o ex-governador mineiro foi logo ao ataque sem pensar duas vezes. "O Brasil acordou perplexo com as mais graves denúncias de corrupção da nossa história recente. Está aí o mensalão 2", foi logo comemorando. Sem bandeiras e sem rumo, sem mais ter o que falar ou propor, Aécio agora ganhou de bandeja pelo menos um discurso.

O curioso é que, até agora, como costuma acontecer nestes casos, só foram publicados nomes de possíveis corrompidos denunciados pelo ex-diretor, mas nenhum de empresas, as prováveis corruptoras e seus dirigentes, já que não há quem se venda se não houver alguém que compre. Como o processo corre em segredo de Justiça e as gravações de áudio e vídeo dos interrogatórios feitos com Paulo Roberto Costa estão guardadas num cofre forte, para saber o que realmente existe e quem tem culpa no cartório, vamos ter que esperar pela análise do ministro Teori Zavascki, do STF, que poderá ou não aceitar a delação premiada.

Aconteça o que acontecer, é disso que vamos ficar falando até o dia 5 de outubro, deixando em segundo plano os projetos de governo e as discussões sobre o futuro do país. Pobre país.

Vida que segue.

 

 

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Eram jovens em sua maioria os lideres das grandes manifestações de protesto de junho do ano passado, que começaram em São Paulo e ganharam as ruas de todo o país. O estopim foi o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, logo depois cancelado pelo governo. A violência policial contra os manifestantes, no entanto, só fez aumentar o cardápio de reivindicações e de gritos de guerra contra "tudo isso que está aí", principalmente os serviços públicos, os gastos com a Copa no Brasil, os políticos e seus partidos, de uma forma geral.

se ok Primeiro voto atrai cada vez menos jovens

O movimento acabou em atos de puro vandalismo promovidos pelos chamados "black blocs". Os índices de aprovação do governo federal despencaram na esteira da oceânica cobertura dos protestos feita pelos principais veículos da mídia, que jogaram no colo da presidente Dilma Rousseff a culpa pela crescente insatisfação da população demonstrada nos protestos.

Agora, que os jovens eleitores poderiam utilizar seu principal instrumento _ o voto _ para mostrar o que pensam e mudar os destinos do país, caiu de 2,4 milhões, em 2010, para 1,6 milhão o número de eleitores entre 16 e 17 anos, quer dizer, 30% a menos este ano. Há quatro anos, eram 900 mil os jovens de 16 anos que tiraram seus primeiros títulos de eleitor; agora, são 480 mil, uma queda de 47%.

ok Primeiro voto atrai cada vez menos jovens

Desde 2006, vem caindo a participação destes jovens no eleitorado, um direito por eles conquistado em 1987, enquanto cresce o dos eleitores com mais de 60 anos, justamente a geração que tanto lutou pela volta das eleições diretas para a presidência da República (somos hoje 24,2 milhões, 20% a mais do que em 2010). .

Como será que anda o interesse dos jovens pela política? Qual o papel dos pais neste processo e qual a importância de despertar na juventude uma consciência política?

Para discutir estas questões, o programa "Papo de Mãe", da TV Brasil, que vai ao ar neste domingo, às 15h30, reuniu pais e seus filhos que votam pela primeira vez, a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora da USP, Carla Themis Lagrotta Germano, juíza assessora da Presidência do TRE/SP e este jornalista que vos escreve, veterano de coberturas políticas desde os tempos em que não havia eleições para presidente.

Nas reportagens, o programa exibe, entre outros, o emocionante depoimento de uma eleitora de 87 anos, que não abre mão do seu direito de votar, embora pela lei pudesse se abster ( o voto só é obrigatório até os 70 anos). Apresentação e roteiro de Mariana Kotscho e Roberta Manreza, com reportagens de Fernanda De Luca.

Não percam. Um bom final de semana a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fui mal. Pouco antes de entrar no ar ao vivo no Jornal da Record News de terça-feira, fiquei impressionado com os novos números do Ibope sobre as eleições presidenciais no Rio e em São Paulo, que indicavam uma disparada de Marina Silva, e repeti a mesma avaliação no dia seguinte no blog: "Ninguém segura Furacão Marina rumo à vitória".

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Não segui meu próprio conselho dado logo na abertura do texto _ "Sei que é sempre arriscado fazer análises ou previsões numa campanha eleitoral tão cheia de reviravoltas como esta de 2014" _ e quebrei a cara. No final da tarde de quarta-feira, quando o Ibope e também o Datafolha divulgaram suas pesquisas nacionais sobre a corrida presidencial, vimos que o quadro está estabilizado, indicando uma dura disputa entre Dilma e Marina no segundo turno, como se pode ver na atualização que fiz em seguida.

data2 Blogueiro foi mal ao entrar na dança das pesquisas

Até agora não entendi os motivos que levaram o Ibope a fatiar sua pesquisa e antecipar para a véspera os números que mostravam um forte crescimento de Marina nestes dois grandes Estados, que me levaram a conclusões precipitadas, e até o momento ninguém do instituto explicou esta jaboticaba eleitoral.

Confesso que entrei na dança das pesquisas, que agora saem quase todo dia, e dou razão aos leitores que me criticaram pela afoiteza. Escrever todos os dias, assim como viver, é correr riscos. Às vezes, a gente acerta; noutras, erra. Só os donos da verdade acertam sempre e nunca reconhecem seus erros.

Para tirar conclusões, sei que melhor é esperar a abertura das urnas no dia 5 de outubro, mas não posso ficar sem escrever até lá _ afinal, vivo disso. Tem razão minha amiga Eliane Cantanhêde ao escrever em sua coluna desta quinta-feira, sob o título "É cedo para cantar vitória":

"O fato, gente, é que era cedo para cantar vitória para Dilma e é cedo para cantar vitória para Marina. Ainda tem muita guerra pela frente e o momento não é só de sobreviver, mas de matar. Aliás, a eleição já fez três vítimas: Eduardo Campos, Aécio Neves e Guido Mantega". E o blogueiro que vos escreve também, poderia acrescentar...

Vida que segue. Mesmo errando, só não podemos perder o bom humor. Por isso, recomendo a leitura da coluna do grande José Simão na Folha, impagável como sempre, em que ele fala dos três candidatos:

"A Marina é uma típica ambientalista, em cada ambiente tem uma opinião diferente".

"E a Dilma Grande Chefe Toura Sentada entrou pra turma da Maisena, só engrossa. A pittbúlgara partiu pro ataque! Todos para o Forte Apache!"

"E o Aécio? Deve ser horrível pro Aécio, todo playboyzão, apanhar de duas mulheres. Na frente de todo o mundo. Rarará!".

Pois é, amigos, acontece. "Foi mal, vovô", costuma dizer meu neto André, de apenas sete anos, mas que já entende das coisas mais do que eu.

***

Em tempo:

Fui alertado pelo meu amigo Ricardo Noblat que quem batizou primeiro o "Furacão Marina" foi ele, e não eu, em nota publicada no dia 25 de agosto. Usei esta expressão no dia seguinte. Ontem, foi dia de errar...

Peço desculpas a ele e aos leitores.

 

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