bento 16 Carnaval ofusca a renúncia de Bento 16

Com o maior País católico do mundo só querendo saber de Carnaval, o papa Bento 16 não escolheu o melhor dia para anunciar a sua renúncia nesta segunda-feira, em meio aos folguedos de momo. Poderia pelo menos ter esperado a Quarta-Feira de Cinzas.

Quando comentei a notícia com os amigos, lembrando que uma renúncia papal não acontecia há 600 anos, ninguém me deu muita bola. Em outros tempos, um fato desses causaria comoção mundial e não se falaria de outro assunto, mas o próprio Bento 16, nos seus oito anos de papado, tratou de esvaziar o papel da Igreja Católica, levando-a de volta à sacristia, sem se importar com a diminuição de seu rebanho, inclusive no Brasil.

O cardeal alemão Joseph Ratzinger não era propriamente uma figura carismática, como seu antecessor, João Paulo 2º, o polonês Karol Wojtyla, que deu início à guinada conservadora da Igreja Católica, retrocedendo ao período anterior ao Concílio Vaticano 2º promovido por João 23.

Ao anunciar sua renúncia, Bento 16 atribuiu sua decisão a problemas de saúde e à idade avançada, alegando que não tem mais forças para continuar no cargo. Nos próximos dias e semanas, porém, os vaticanólogos se dedicarão a descobrir outras razões para esse gesto extremo. Desapego ao poder certamente não foi, já que Ratzinger lutou muito dentro do Vaticano para ser eleito em 2005.

Na época em que a Igreja Católica ainda preservava seu poder de influência nos destinos do mundo, no final dos anos 70 do século passado, quando era correspondente do Jornal do Brasil na Europa, fiz a cobertura das mortes dos papas Paulo 6º e João Paulo 1º e a eleição dos seus respectivos sucessores, João Paulo 1º, que morreu um mês depois, e João Paulo 2º.

"Il Papa è morto". Tomei um susto quando vi esta manchete nas bancas de Turim e a cidade vazia e silenciosa em pleno dia de semana. Ao seguir viagem, parecia que a Itália inteira estava de luto.

Junto com meu colega Araújo Neto, competentíssimo correspondente do jornal em Roma e um especialista em assuntos do Vaticano, e concorrendo com centenas de jornalistas vindos do mundo inteiro, passei semanas tentando entender como funciona a engrenagem de poder que elege um Papa.

Havia uma lista de favoritos, mas acabou sendo eleito o singelo cardeal de Veneza, dom Albino Luciani, de quem ninguém falava. Agora, até o momento em que escrevo, apareceu apenas um nome, o do italiano Angelo Scola, 72, arcebispo de Milão. Seja quem for o escolhido, certamente Bento 16 terá forte influência sobre a eleição do próximo Papa, já que ele montou o colégio de cardeais à sua imagem e semelhança.

+ Leia mais sobre a vida de repórter de Ricardo Kotscho no R7 Livros 

 

 

 

 

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rede eletrica Elektro é um exemplo de serviço público

Domingo de Carnaval, tomo um susto logo cedo. Ouço duas pequenas explosões e vejo fumaça saindo da caixa de luz do meu sítio em Porangaba, a 160 quilômetros de São Paulo, pequena e pacata cidade do nosso interior, onde tenho um sítio e costumo passar o Carnaval faz mais de trinta anos.

Que fazer? A casa está cheia de gente, que veio para o aniversário de sete anos da minha neta Bebel. Todos ainda dormem. Na falta de outro, dou uma olhada no jornalzinho local, a "Folha da Cidade", enquanto penso no que fazer.

Por um destes acasos felizes, encontro no jornal uma lista de telefones úteis e, entre eles, está o da "Elektro", a distribuidora de energia elétrica que serve a região.

Sem muita esperança de sequer ser atendido, em pleno domingo de Carnaval, arrisco ligar para o 0800 da empresa. Na primeira tentativa, a primeira surpresa: sem nenhuma gravação me pedindo para esperar, sou imediatamente ouvido por um atendente de nome Peterson. Dou o número do meu CPF, explico o problema e a localização do sítio.

O funcionário pede um tempinho e, em seguida, me informa que o prazo para enviar uma equipe da "Elektro" será de duas a duas horas e meia. A esta altura, já saem labaredas da caixa de luz, alguém joga água _ o que não se deve fazer em correntes elétricas _ o pessoal vai acordando e todos são céticos quando conto o que aconteceu e que o problema logo vai ser resolvido.

Como sabemos, os brasileiros somos descrentes quanto à eficiencia e presteza dos serviços públicos em geral. Pois, acreditem, antes de vencer o prazo, chegou o carro da "Elektro" com dois funcionários. Em poucos minutos, eles localizaram o problema e eles própios fizeram o conserto. Antes do almoço, voltou a luz, a festa da Bebel estava salva. O serviço e as peças trocadas serão cobrados na próxima conta de luz.

Por um momento, me senti novamente na Alemanha, onde morei por dois anos na década de 70, e tudo funciona assim. Por que esta não pode ser a regra por aqui também?

Minha mulher me disse que não se surpreendeu porque sempre foi muito bem atendida por esta empresa. Se nós costumamos criticar o que está errado e cobramos melhores serviços, é preciso registrar publicamente quando as coisas funcionam bem, e dar nomes aos bois: Eliel Pereira Martins e José Romagnollo são os nomes dos dois funcionários da "Electro".

O que não funciona nada bem é a conexão de internet da operadora "Vivo", que já caiu várias vezes enquanto escrevia este texto.

Bom final de Carnaval a todos.

 

 

 

 

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agencia estado Estão rindo de quê? Só pode ser da nossa cara

Na primeira reunião com os líderes dos partidos, em que foi adiada a votação do Orçamento para depois do Carnaval, na terça-feira, os novos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, aparecem à cabeceira da grande mesa felizes da vida, dando risada, mas não se sabe os motivos da alegria.

Estão rindo de quê? Só pode ser da nossa cara, os eleitores, que mandaram para o Senado e para a Câmara os parlamentares que deram a vitória a Renan e Alves. Parece que, mais cedo do que se pensava, os novos manda-chuvas estão costeando o perigoso terreno da galhofa.

Quase com as mesmas palavras, os dois saíram da reunião responsabilizando a oposição pelo adiamento, achando a coisa mais normal do mundo deixar para depois do Carnaval a decisão sobre tema de tamanha importância para o País, que já deveria ter sido votado no ano passado

"A saída é nós votarmos o Orçamento depois do Carnaval. O acordo era necessário agora, precisamos de consenso", justificou o presidente do Senado.

"A oposição ficou contra. Uma matéria dessa dimensão tem que ser votada por consenso", repetiu o presidente da Câmara.

Esqueceram-se ambos de duas coisas: ainda havia três dias úteis na semana antes do Carnaval para votar a matéria e que a fragilizada oposição não tem votos para derrubar a proposta orçamentária do governo.

Essa história de consenso é balela. A oposição alegou que quer votar antes os 3.000 vetos presidenciais, como se isso fosse possível, e o País possa ficar por tempo indeterminado sem votar o Orçamento da União.

Quem resolveu deixar tudo para depois do Carnaval foi a própria base aliada que está insatisfeita com a presidente Dilma, por não liberar recursos para as emendas parlamentares.

Renan e Alves estrearam no cargo querendo dar uma demonstração de autonomia do Legislativo, como prometeram em suas campanhas.

O Palácio do Planalto não passou recibo pela derrota, confiando na promessa de Renan Calheiros de votar o Orçamento logo após o Carnaval. Esse primeiro sinal dado pela dupla apenas confirma o que escrevi no Balaio ontem: com os novos presidentes da Câmara e do Senado, o governo Dilma vai ter bem mais trabalho no Congresso.

Só me resta desejar a todos um bom Carnaval, posto que para os nobres parlamentares a folia já começou.

+ Leia mais sobre a vida de repórter de Ricardo Kotscho no R7 Livros 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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asdasdsada Poder do PMDB vai dar mais trabalho a Dilma

Uma coisa é certa e o governo pode se preparar: com seu poder inflado, ao assumir o controle do Congresso Nacional, o PMDB vai dar mais trabalho à presidente Dilma Rousseff.

O problema não são nem os novos presidentes eleitos para o Senado e a Câmara, mas os eleitores deles, quer dizer, a maioria dos parlamentares que garantiu as vitórias de Renan Calheiros e Henrique Alves, como todo mundo já esperava desde o ano passado.

Com certeza eles vão cobrar a independência do Legislativo e outras benfeitorias para os parlamentares que os dois prometeram durante a campanha para se eleger. Se os novos presidentes cumprirem suas promessas, não vai ser fácil a vida dos articuladores políticos do governo Dilma. Dona Ideli que se prepare.

Henrique Alves, o novo presidente da Câmara, mais conhecido por "Henriquinho", já deu o primeiro sinal de encrenca à vista: prometeu criar, ainda antes do Carnaval, uma comissão para discutir e votar a proposta de orçamento impositivo para as emendas parlamentares.

É tudo o que eles querem. No atual orçamento da União, as emendas dos parlamentares são apenas autorizativas, ou seja, o governo pode ou não liberar as verbas no momento em que bem entender.

Se a proposta de Alves for aprovada, acaba a eterna negociação de todos os anos dos parlamentafres com o governo para a liberação das verbas das emendas toda vez que há uma votação importante na Câmara. A grana federal teria que ser automaticamente liberada para onde o parlamentar quiser mandar.

De outro lado, o governo federal perderia uma importante moeda de troca com os deputados para conseguir a aprovação dos seus projetos e medidas provisórias.

É exatamente aí que reside o poder dos parlamentares junto a suas bases locais, que se elegem e reelegem seguidamente graças a estas emendas, como é o caso do decano Henrique Alves, que já acumula uns dez mandatos.

Como ninguém é de ferro, duvido que o novo presidente da Câmara consiga instalar esta comissão do orçamento impositivo ainda antes do Carnaval. Mas, depois da Quarta-Feira de Cinzas, certamente viveremos fortes emoções nas relações entre Executivo e Legislativo, ainda mais com o notório Eduardo Cunha na liderança do PMDB.

Podem falar o que quiserem do PMDB, mas trata-se de um partido de profissionais. Enquanto a oposição mais uma vez se apequena votando nos candidatos oficiais, para garantir um carguinho na Mesa, e o governo cede para garantir a chamada governabilidade, o velho PMDB cresce e mostra suas garras para o embate decisivo de 2014.

Há vinte anos o PMDB não lança candidato próprio a presidente da República, nem precisa. Eles não querem o Palácio do Planalto. Só querem o poder.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Uma cidadã indignada com o pouco caso que assola o país me enviou na manhã desta segunda-feira um comovente e justo desabafo que escreveu em defesa da vida, nas mais diferentes instâncias.

A autora do texto é a velha amiga Clara Ant, uma batalhadora incansável com quem trabalhei nas campanhas presidenciais do PT e no governo Lula, e é até hoje assessora do ex-presidente.

Só discordo dela quando diz que desistiu de chamar a atenção dos outros "para evitar atritos com os amigos". Penso que o verdadeiro amigo deve, sim, chamar a atenção dos amigos quando vê alguma coisa errada. Abaixo, transcrevo o texto.

*

Meus caros amigos e amigas, meus caros colegas de trabalho, meus caros colegas arquitetos, meus caros companheiros de militância partidária e sindical, vizinhos, médicos, conhecidos próximos, todos que puderem dispor de alguns minutos para ler esta minha mensagem.

Clara Ant
A camisinha, o extintor, o celular, a rota de fuga e outras mil e uma semelhanças ...
 

537891 10151241587856638 1917409930 n O desabafo de uma cidadã em defesa da vida

Ultimamente tenho deixado de lado a prática de exteriorizar uma grande preocupação que sempre tive e que se aguçou tanto quando exerci o cargo de Administradora Regional da Sé, o centro de Sampa, como quando fui presidenta da Comissão de Relações de Trabalho na Assembléia Legislativa e me dediquei ao tema de acidentes e doenças do trabalho.
Estou falando da preocupação com a responsabilidade individual, coletiva e institucional, na prevenção em suas mais variadas faces, ou dito de outra forma, na negligência das pessoas (técnicos, autoridades, etc) quanto a responsabilidade sobre sua própria segurança física, sua vida e a dos outros.
Estou falando da irritante sensação de impunidade que envolve muitas pessoas, grande parte delas muito bem informadas e supostamente bem formadas.
Vocês podem perguntar: por que deixei isso de lado? Por que abandonei uma verdadeira militância que eu acreditava ser essencial além de altamente altruísta? Vou contar da maneira mais simples possível.
Abdiquei de chamar a atenção e tentar atuar nesse âmbito porque sistematicamente ou as pessoas se ofendiam, pois entendiam que estou duvidando de sua capacidade de não serem atingidas, ou simplesmente muitas pessoas não davam atenção e saíam da conversa me taxando de chata em inúmeras situações em que busquei alertar.
Cansei e mudei meu procedimento: tenho assistido silenciosamente às mais incríveis imprudências para evitar atritos, inclusive com amigos queridos cuja amizade quero preservar, sempre.
Mas, quando vi a notícia de Santa Maria senti uma necessidade enorme de retomar o assunto. Chorei tanto, tanto, tanto... e ainda choro. Choro pelo ocorrido. Choro por aqueles meninos e meninas tão jovens. Choro pelo que não foi feito. Choro por essa horrível sensação de impotência de quem não pode mais fazer nada.
Provavelmente, depois de desabafar, voltarei para a situação anterior de mera observadora/constatadora, porque é muito duro você falar com as pessoas sobre suas próprias vidas e receber uma porrada de troco.
Entendo isso porque sempre rejeitei os alertas de quem procurou me ajudar quando eu fumava. Entendo mas não concordo. E aproveito o momento para confessar que se há algo na minha vida de que me arrependi, é exatamente de ter fumado. E de nada mais!
Quero registrar junto a vocês, pessoas com quem convivo, trabalho, rio e choro, que fico mais e mais indignada por se tratar de coisas simples: leis, informações, procedimentos. Está tudo aí. ao alcance da mão, da internet.
Não se trata de fenômenos extraordinários sobre os quais o ser humano não tem controle ou (o que é quase o mesmo) não tem conhecimento. Lamentavelmente a maioria das pessoas só se dá conta do que poderia ser feito depois da catástrofe.
Quem nunca ouviu as frases "só uma vez não faz mal", "não se preocupe, eu dirijo bem falando ao celular", "só faz pouco tempo que está vencido", "prá que tanto exagero" , etc... Eu poderia ficar horas a fio citando frases como essas que cansei de ouvir.
Quem transa sem camisinha, quem deixa extintor vencido, quem atende celular dirigindo, quem emite alvará fora da lei e quem corrompe essas autoridades, todos fazem parte de um conluio silencioso, não declarado, às vezes até inconsciente. Tudo que eu quero, tudo que eu sonho, é que ninguém mais faça parte desse conluio.
Tudo que eu quero é que sejam incorporadas ao cotidiano das escolas, dos locais de trabalho e lazer, dos condomínios e demais ambientes, em cada família, nos meios de comunicação, as informações, os procedimentos, tudo que é necessário para fazer da prevenção uma rotina, uma normalidade.
Uma coisa é viver os perigos da vida, como ensina Guimarães Rosa. Uma coisa é fazer parte de uma geração, de um povo, que por motivos diversos se expõe a alguns perigos.
Outra coisa é deixar de fazer algo que está ao alcance da mão sem nenhum objetivo que justifique, sem nenhuma razão, sem nenhum sentido.
Apenas movido - consciente ou inconscientemente - pela certeza traiçoeira da impunidade.
Obrigada por ter lido,
Clara Ant
03/02/2013

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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joel silveira Garrafas ao mar: um filme imperdível, uma obra prima

Poder falar de notícias boas dois dias seguidos é muito raro, mas acontece. Acabei de assistir agora ao filme Garrafas ao mar: a víbora manda lembranças, de Geneton Moraes Neto, na Globo News, uma obra-prima de documentário, aula imperdível de jornalismo e de Brasil.

Em 90 minutos, Geneton resume a vida e a obra de Joel Silveira, "a víbora", o maior repórter brasileiro de todos os tempos. É o resultado de um trabalho que durou 20 anos de entrevistas _ o repórter mais novo arrancando do repórter mais velho, passo a passo, com paciência e método, as mais incríveis lembranças sobre os personagens que fizeram a história recente do nosso país.

Da primeira à última cena, músicas, imagens, textos (interpretados por Othon Bastos, Carlos Vereza e Fagner) e depoimentos, tudo na medida certa, no ponto certo, vão nos contando o que aconteceu nos últimos 60 anos no Brasil e no mundo, na visão sempre crítica, irônica, implacável e, ao mesmo tempo, bem humorada, de Joel Silveira.

Geneton acompanhou os últimos anos de vida de Joel até a morte, em 2007, resgatando a memória deste fantástico repórter sergipano, desde a sua vinda do Recife para o Rio de Janeiro.

O volume de informações é tamanho, emendando uma história na outra, que você não consegue despregar os olhos da tela nem para buscar um copo d´água.

Ditadura Vargas, Segunda Guerra Mundial, a vida deslumbrada dos ricos paulistas, o golpe de 1964, histórias de papas e de presidentes, de grandes escritores e vítimas anônimas, tudo vai-se sucedendo com a maior naturalidade, como se fosse um papo de boteco sem hora para acabar.

Os grandes filmes costumam passar primeiro nos cinemas e levam tempo para serem exibidos na televisão. Neste caso, acho que o documentário do Geneton sobre o Joel Silveira deveria fazer a trajetória inversa: ser logo programado para exibição nos cinemas, vendido em DVDs, adotado nas escolas de jornalismo como matéria obrigatória.

Como vocês podem perceber, escrevo este texto encantado com o que acabei de ver nesta manhã de domingo, e ainda mais apaixonado pela profissão de repórter, que nunca vai acabar, enquanto existirem jornalistas com a paixão de Joel e Geneton. Embora cada vez mais raros, eles continuam produzindo matéria-prima para os historiadores do futuro.

 

 

 

 

 

 

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Na busca incansável por notícias boas, hoje tenho uma ótima para contar aos leitores. Quatro meses antes da data prevista para o seu nascimento, conheci na manhã deste sábado a minha nova neta, a Olga.

O mundo ficou moderno demais. Agora, além de saber o sexo do bebê, dá para a gente acompanhar seu crescimento na barriga da mãe num monitor de vídeo.

Fiquei sabendo que Olga está com 22 centímetros, e já dá para ver a carinha dela e todos os seus orgãos, graças ao exame de ultrasonografia feito pelo dr.Lin numa unidade do Fleury.

Nunca tinha visto antes um exame desses e por isso me emocionei muito ao conhecer Olga de perto, se mexendo na barriga da mãe, a minha caçula Carolina.

Bráulio, o pai, estava tranquilo, já está acostumado a ver a filha na tela, mas para mim foi a primeira vez. Parte da família foi junto para acompanhar o exame. Saí de lá feliz, com a certeza de que a nova neta vai ser muito bonita, como os pais, dois roteiristas de primeira.

No meu tempo, a gente só ficava sabendo se era menino ou menina quando o bebê nascia. É muito bom ver que está tudo bem com o bebê e saber qual a cor das roupinhas que a gente vai comprar.

Olguinha vai desempatar o jogo. Agora teremos três netas e dois netos para a gente se divertir bastante.

Vida que segue.

 

 

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Agencia Brasil310811ANT 004944 Só traição evita vitória anunciada de Renan

Como uma boiada que segue placidamente para o matadouro, o Senado Federal se prepara para eleger seu novo presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), a partir das 10 horas da manhã desta sexta-feira.

Denunciado semana passada pelo Ministério Público Federal, Renan nem fez campanha, mas sua vitória está anunciada há meses e só um festival de traições poderá impedir que ele volte a sentar na cadeira de presidente.

Nas contas do PMDB, apesar de todas as acusações feitas contra o senador alagoano desde que se viu obrigado a renunciar à presidência do Senado em outra legislatura, ele deverá ser eleito novamente com algo entre 55 e 60 votos.

Como precisa de apenas metade mais um dos votos dos senadores presentes (maioria simples) e até a véspera só o PSDB e o PSB, com um total de 13 entre os 81 senadores anunciaram que votarão no dissidente Pedro Taques (PDT-MT), a situação de Renan parece cômoda.

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), já comemorava: "Renan consegue se eleger tranquilamente, com uma grande folga de votos".

Um sinal de que a vitória não está tão garantida assim, porque sempre há o risco de traições, foi a decisão do atual presidente, José Sarney, de só conceder a palavra aos candidatos durante o processo de votação, e não também aos lideres dos partidos e outros senadores, como aconteceu em eleições anteriores para a Mesa Diretora do Senado.

Com a desistência de Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que estava há mais tempo em campanha, os dissidentes de outros partidos, além de PSDB e PSB, apoiarão Pedro Taques.

Pelo menos três senadores petistas são apontados como possíveis dissidentes que não seguirão o acordo firmado entre PT e PMDB para apoiar Renan: Angela Portela, José Pimentel e Eduardo Suplicy.

Como o voto é secreto, o perigo de traição é maior, já que nunca se vai saber quem votou em quem. É melhor esperar sair o resultado no painel eletrônico para ver se a boiada obedeceu mesmo os acordos firmados entre os partidos.

Só uma coisa é certa: a provável eleição de Renan Calheiros no Senado e do deputado Henrique Alves (PMDB) na Câmara Federal, ambos sob graves suspeitas, nos mostra que acabou esta história de "baixo clero" e "alto clero" no Congresso Nacional. Ficou tudo um clero só, nivelado por baixo.

 

 

 

 

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image 1 1024x577 Dilminha bondade vai pagar promessas de 2010

A redução das tarifas de energia e o anúncio de que vai liberar R$ 66,8 bilhões para os novos prefeitos eleitos investirem em saneamento, pavimentação e mobilidade urbana constituem apenas o início da ofensiva programada pela presidente Dilma Rousseff para distribuir seus "pacotes de bondades".

"Dilminha bondade", como já é chamada no Palácio do Planalto, vai priorizar o nordeste, região que lhe deu a maior vantagem sobre José Serra em 2010 e principal reduto de um possível concorrente em 2014, o governador pernambucano Eduardo Campos.

Depois de ir ao Piauí na semana passada para entregar obras, nesta terça-feira Dilma esteve no Sergipe, onde inaugurou uma ponte e um parque eólico (energia produzida pelos ventos).

As próximas viagens ao nordeste para cumprir promessas que fez em 2010 serão a Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

No encontro de segunda-feira, em Brasília, com milhares de novos prefeitos eleitos em 72% dos municípios em outubro,  que terão papel importante nos dois últimos anos do governo Dilma, a presidente prometeu a ampliação do programa "Minha Casa Minha Vida", mais recursos para o Bolsa Família e a construção de creches.

Aliar-se aos prefeitos será fundamental para Dilma na sua campanha pela reeleição, pois eles são responsáveis pelos cadastros dos beneficiários dos programas sociais e importantes parceiros na construção de creches.

Entre outros benefícios, a presidente também prometeu entregar retroescavadeiras e motoniveladoras compradas pelo governo federal aos prefeitos de municípíos com menos de 50 mil habitantes _ ou seja, a grande maioria das 5.500 cidades brasileiras.

Dilma sabe que só distribuir verbas não basta. Por isso, chamou os prefeitos a Brasília para que aprendessem o caminho das pedras da burocracia da Esplanada dos Ministérios, ou seja, onde e como conseguir recursos da União para os seus projetos, além de oferecer assistência técnica para a sua implantação.

Antes arredia, parece que agora "Dilminha bondade" pegou gosto em fazer política.

 

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caixao Tristeza, revolta, dor: a tragédia de cada um

"As palavras perderam o sentido", diz o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar no último verso do comovente poema que escreveu logo após a tragédia de Santa Maria e que resume o sentimento de todos nós.

Pois foi isso exatamente o que senti quando abri o computador no domingo e, por isso, só estou escrevendo agora, no final da manhã desta segunda-feira.

Tristeza, revolta, dor: cada um de nós reage de forma diferente ou temos todos esses sentimentos juntos no momento em que acontece algo tão traumático que foge à nossa compreensão.

"Por que acontece isso?", é a primeira pergunta que muitos se fazem ao ver as imagens dramáticas dos mortos, feridos e seus parentes na televisão.

"Descaso mata 231 jovens no Sul", responde a manchete de hoje do jornal O Globo. Ficamos sabendo ainda no domingo que a boate Kiss, palco da tragédia, estava com o alvará de funcionamento e o laudo dos bombeiros vencidos desde agosto, e a única saída foi fechada por seguranças para que ninguém saísse sem pagar a conta, depois que um músico da banda Gurizada Fandangueira soltou um sinalizador conhecido por "sputinik", que botou fogo no teto da casa noturna.

Como acontece nos acidentes aéreos, nunca há uma única causa, mas um conjunto de fatores que se unem para provocar a tragédia. Aconteceu em Santa Maria, como poderia ter acontecido em qualquer outra das milhares de casas noturnas do País, que funcionam geralmente numa terra de ninguém, sem nenhuma fiscalização.

Depois da tragédia, providências são anunciadas por autoridades de diversas latitudes, mas daqui a pouco chega o Carnaval, vem a Semana Santa, e o assunto é esquecido. No caso de Santa Maria, pelo menos, a polícia já prendeu três suspeitos de serem responsáveis pelo que aconteceu — um dos donos da boate e dois músicos da banda, como informa a matéria que está na manchete do R7.

Punir exemplarmente os responsáveis é a melhor maneira de alertar os donos das outras boates do País para que não coloquem em risco as vidas dos jovens que frequentam suas baladas.

De tanto ver pais chorando a morte de seus filhos quase todos os dias na televisão, ando meio traumatizado e  confesso que não consegui acompanhar por muito tempo a oceânica cobertura feita pelas TVs, nem tive vontade de ler os jornais.

Preferi ficar no computador escrevendo uma reportagem, sem abrir o noticiário da internet, gravei depoimento para um documentário do amigo Ricardo Carvalho, e à noite fui ver uma comédia bem chinfrim no teatro para distrair a cabeça.

Deve ser a idade, mas fiquei mais sensível ultimamente, com vontade de chorar por qualquer besteira, até ao falar com os netos por telefone, e é bom poder dar risada de vez em quando, no momento em que nos sentimos impotentes diante da dor e do desespero dos parentes das vítimas em Santa Maria, uma tragédia que poderia ter sido evitada.

De tanto ver a repetição desses acontecimentos nos últimos 50 anos, sem que se tenha notícia de que algo seja realmente feito para evitar novas catástrofes, virei um cara cético e também acho, como o poeta Carpinejar, que as palavras perderam o sentido.

Dizer o quê? Em outros tempos, certamente, quando trabalhava como repórter em jornal ou revista, seria o primeiro a correr para a redação pedindo para me mandarem a Santa Maria fazer a cobertura. Hoje, tento fugir do assunto, mas não tem jeito, não posso brigar com os fatos.

Vida que segue para nós, os sobreviventes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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