helio kotscho O desafio de escrever sem ir aonde o povo está

Hélio Campos Mello (à esquerda, claro) e Ricardo Kotscho fazendo reportagem

Todo artista tem de ir aonde o povo está (verso da música "Nos Bailes da Vida", de Milton Nascimento).

"Você tem de viajar mais pelo Brasil", aconselhou-me o velho amigo fotógrafo e editor Hélio Campos Mello, antes de começar a reunião de pauta da revista "Brasileiros", onde também trabalho, na última terça-feira.

Parceiros de incontáveis reportagens pelos fundões do país publicadas em diversos veículos, desde o final dos anos 70 do século passado, Hélio e eu sempre procuramos mostrar a vida real e os personagens que não estão na mídia. Por isso, ele estava preocupado com meu pessimismo de uns tempos para cá. Sempre brigamos muito, mas num ponto nunca discordamos: nossa imprensa, em seu partidarismo, acaba não mostrando a realidade em que vivem os brasileiros.

Neste caso, Hélio tem toda razão.  Mesmo sendo o criador e editor responsável pela revista de reportagens que este mês completa seis anos nas bancas, nunca deixou de viajar para ver de perto o que está acontecendo e contar em imagens e textos sua própria visão dos fatos. Por isso, continua sendo um otimista inveterado, sempre descobrindo coisas boas mesmo em momentos e situações de dificuldades como os que estamos vivendo nesta antevéspera de Copa do Mundo no Brasil.

Comigo acontece exatamente o contrário: imobilizado ao sofrer uma queda na rua no final de janeiro, que moeu meu cotovelo direito, ainda em tratamento, sem poder viajar para lugar nenhum, de repórter de rua, que sempre fui, virei comentarista sedentário, comendo pelas mãos dos outros, ou seja, no que leio e vejo na grande mídia, como quase todo mundo, aliás, e ouço nas conversas pelos quarteirões próximos ao meu prédio.

Na solidão do meu escritório em casa, fazendo exatamente o que sempre critiquei nos meus colegas jornalistas, sem poder ir aonde o povo está, acabo ficando desesperançado diante do avanço do noticiário negativo, me perguntando todo dia se vale mesmo a pena escrever sobre tantas desgraças sem ver uma luz no horizonte. Não é só artista, como diz o Milton em sua bela canção, que foi uma espécie de hino na Campanha das Diretas, mas nós jornalistas também deveríamos seguir seu conselho e tirar a bunda da cadeira.

Por morar atualmente no Jardim Paulista, o reduto mais conservador e tucano da cidade, encontro muita gente de mau humor, reclamando de tudo, só metendo o pau no governo, nos vizinhos, no trânsito, dos motoristas de táxi a grandes empresários, e é claro que o que escrevo acaba sendo influenciado por tudo isso porque, como sabemos, nenhum homem é uma ilha.

Leitores mais antigos do Balaio, que costumavam elogiar meu trabalho no blog, agora cada vez mais me criticam por entrar na pilha do catastrofismo da imprensa grande _ e os leitores geralmente costumam ter razão, como escrevi logo na apresentação deste espaço, seis anos atrás. Não mudei uma vírgula no que penso, continuo achando que não podemos brigar com os fatos, por mais que eles nos desagradem, mas reconheço que não é possível nada estar acontecendo de bom neste nosso país de 200 milhões de habitantes, 8,5 milhões de quilômetros quadrados, sétima economia do mundo.

De outro lado, por mais que eu seja são-paulino, não posso negar que o time está jogando muito mal, o elenco não convence, a diretoria pisa na bola e o técnico já viveu dias melhores, até porque isso não vai influenciar no resultado do jogo. Não adianta nada, como estamos cansados de saber, culpar os adversários e reclamar da imprensa corintiana.

Contribui para isso também, como acontece com outros jornalistas do cotidiano, que não fazem parte do exército do Instituto Millenium, a falta de informações e argumentos do governo para fazer o contraponto a este verdadeiro massacre de más notícias, já que secaram as minhas fontes no Palácio do Planalto, e ninguém quer mais falar, nem mesmo em off, para defender o governo e mostrar o chamado outro lado da realidade.

Limitam-se a me mandar a agenda e os discursos da presidente Dilma Rousseff.  Assim fica difícil mudar o disco das CPIs, pesquisas, bate-bocas eleitorais, protestos, obras inacabadas e superfaturadas, greves, denúncias, inflação, violência incontrolada e nuvens negras em geral que nos tiram o sol.

Em sua carta do editor na edição de abril, o valente e indestrutível Hélio Campos Mello, apenas um dia mais novo do que eu, mas muito mais disposto para enfrentar esta guerra de extermínio movida contra quem pensa diferente, foi buscar até uma palavra em alemão para qualificar a turma do quanto pior, melhor:

"Na Alemanha, há uma palavra que sintetiza esse tipo de maldade doentia. É schadenfreude, que significa alegria com a tragédia alheia. O prazer no insucesso dos outros". Na mesma linha, lembra o editor, os argentinos têm um ditado que diz: "No basta ser feliz, es necessário también que los demás sean desgraciados".

Como já brincava Tom Jobim, o sucesso dos outros no Brasil parece uma ofensa pessoal. É preciso tudo dar errado, que o fracasso seja total, para não faltarem manchetes nos jornais de amanhã.

"A cabeça pensa e o coração sente de acordo com o chão onde a gente pisa", repetia sempre, em seus discursos pelo país afora, outro amigo dos tempos antigos, o ex-presidente Lula, para explicar porque viajava tanto.

Assim que puder voltar a viajar, prometo trazer para vocês notícias sobre um outro país, também chamado Brasil, onde não faltam boas histórias. Também preciso delas.

 

 

 

 

 

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greve ok1 Greves, protestos, caos no Rio: é a Copa chegando

Garagem da empresa Nossa Senhora de Lourdes, no bairro da Penha, região oeste do Rio de Janeiro

Com apenas 10% da frota de ônibus em circulação, linhas de trens e metrô superlotados, e mais 75 ônibus depredados, a população do Rio enfrentou outra manhã de caos nesta quarta-feira, a exatos 30 dias da abertura oficial da Copa do Mundo no Brasil.

Para quinta-feira, já estão programadas manifestações de protesto em todo o país e até no exterior, organizados pelos "Comitês Populares da Copa", que anunciam um "Dia Internacional de Lutas" com convites em inglês, espanhol, italiano e francês.

As greves se alastram não só pelo Rio mas em diferentes pontos do país, atingindo até os funcionários dos museus mantidos pelo Ministério da Cultura, que fazem parte da programação turística dos visitantes estrangeiros. Em São Paulo, além do protesto marcado para este dia na avenida Paulista, haverá passeatas dos sem-teto e estão previstas greves no transporte público.

Como vem sendo fartamente divulgado pela grande mídia e por redes sociais nos últimos meses, trata-se de um movimento muito bem organizado para criar um clima de guerra no país às vésperas e durante a Copa. Já tem muita gente com medo até de sair de casa nestes dias. O objetivo foi alcançado. O planejamento que faltou na Copa foi eficiente nos protestos.

O clima é o oposto daquele vivido nas ruas do país em festa quando foi anunciado, em 2007, que o Brasil sediaria a competição. Esqueceram-se que a Copa do Mundo sempre coincide com eleições presidenciais no Brasil. O atraso nas obras faraônicas prometidas à Fifa, torrando um caminhão de dinheiro público, e as denúncias de superfaturamento, acabaram servindo como combustível para as manifestações de protesto, que começaram em junho do ano passado, chegam esta semana ao ápice e não devem parar antes do dia das eleições.

Pouco importa a esta altura se o Brasil vai ganhar ou perder dentro de campo. Do lado de fora dos estádios, os governos, em diferentes níveis, e o país como um todo, já foram derrotados, com a ampla divulgação mundo afora das nossas mazelas, amplificadas pelas imagens de uma explosão de violência sem limites e sem prazo para acabar.

Os prejuízos causados por esta guerra sem quartel e sem líderes visíveis já estão sendo calculados. Os donos de shopping centers, por exemplo, estão calculando uma queda de 62% nas vendas durante a Copa, segundo pesquisa feita pelo Ibope Inteligência, mas o pior ainda está por acontecer.

Das 167 obras anunciadas, apenas 68 estão prontas, de acordo com levantamento feito pela "Folha". Outras 88 não serão entregues a tempo e 11 foram abandonadas, o que vai dificultar principalmente o acesso aos estádios, ou seja, a decantada mobilidade urbana, reivindicação que está na raiz da maioria dos protestos. Em muitas cidades, a situação não só não melhorou, como as obras inacabadas tornaram ainda mais caótico o trânsito, a exemplo de Cuiabá e Rio de Janeiro. O próprio governo federal admite que haverá problemas também nos aeroportos e nos serviços de telecomunicação dos estádios.

Diante deste quadro assustador apresentado diariamente pela imprensa, fica difícil ser otimista e se preparar para a grande festa que costuma acontecer nos períodos de Copa do Mundo. Uma rara exceção neste deserto é o meu amigo Nizan Guanaes, que não perde as esperanças. Na mesma edição da "Folha" de hoje, que prevê o pior, sob o título "Enchendo a bola do Brasil", o publicitário chega a fazer um apelo, depois de reconhecer todas as dificuldades que enfrentamos neste momento:

"Mas não faz sentido achar que festa de aniversário é hora adequada para mamãe e papai discutirem a relação, brigarem diante dos convidados". Também acho, mas vai convencer disso os black blocs e todos os celerados que já se preparam para atacar, só esperando uma voz de comando. Para eles, o Brasil que se dane. Quanto pior, melhor.

 

 

 

 

 

 

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esse ok Para atingir Dirceu, Barbosa pode atingir outros 100 mil presos

Em sua cruzada para deixar o ex-ministro José Dirceu encarcerado em regime fechado há quase seis meses, sem direito a trabalhar fora do presídio, embora pela pena aplicada ele tenha esse direito, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, pode atingir outros 100 mil presos em todo o país beneficiados pelo regime semiaberto.

A advertência foi feita pela Comissão de Acompanhamento Carcerário da OAB, que teme um efeito cascata na decisão de Barbosa. A entidade entende que a decisão do presidente do STF pode criar um efeito cascata, provocando uma crise no sistema carcerário, que já apresenta graves problemas de superlotação e não há vagas em colônias industriais ou agrícolas. . Outros nove condenados no processo do mensalão já receberam este benefício e poderão voltar para a cadeia.

Para o presidente da comissão, Adilson Rocha,"não se pode, em detrimento de um, sacrificar o sistema carcerário como um todo". Por isso, a OAB deverá ingressar com ação no STF para permitir que presos no regime semiaberto tenham direito ao trabalho externo. Rocha lembra que, mesmo para os que ainda não tenham cumprido 1/6 da pena, como quer Joaquim Barbosa, este é um direito já assegurado em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

O advogado de José Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, que na semana passada já havia apresentado recurso ao plenário do STF, afirma que no caso do ex-ministro a decisão de Barbosa  "põe em xeque o respeito aos direitos humanos. Não há como negar que estamos diante de uma série de medidas protelatórias que o mantém preso à margem da legalidade".

Rui Falcão, presidente nacional do PT, em nota oficial divulgada no final de semana, também saiu em defesa de José Dirceu: "Ao obstruir novamente de forma irregular e monocrática, o direito de José Dirceu cumprir a pena em regime semiaberto, o ministro Joaquim Barbosa comete uma arbitrariedade, tal como já o fizera ao negar a José Genoíno, portador de doença grave, o direito à prisão domiciliar. O PT protesta publicamente contra este retrocesso e espera que o plenário do STF ponha fim a este comportamento persecutório e faça valer a Justiça".

Ao negar os reiterados recursos apresentados pela defesa de José Dirceu, Barbosa também contraria parecer favorável do procurador-geral Rodrigo Janot, baseando-se em boatos sobre privilégios concedidos ao ex-ministro, como o uso de telefone celular, o que nunca ficou comprovado.

Estes são os estranhos fatos de uma novela que parece não ter fim com o claro objetivo de manter o tema do mensalão petista no noticiário e o presidente do STF em evidência.

 

 

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mylton E lá se foi o nosso Myltainho, guerreiro do texto

Miúdo e franzino, meu amigo Myltainho era um valente e inconformado guerreiro na luta contra as injustiças sociais, a hipocrisia, as maracutaias, o autoritarismo, a intolerância, a violência, o mau-caratismo, todas estas desgraças das quais ainda não conseguimos nos livrar. Para combater tudo o que achava errado, usava como arma apenas as palavras, dono que era do melhor texto da imprensa brasileira, um incansável artesão forjado nas redações para transformar pedra bruta em finos diamantes.

Repórter, redator, editor, escritor, criador de publicações, Mylton Severiano da Silva se foi na noite de sexta-feira, aos 73 anos, em Florianópolis. À tarde, tinha ido ao médico, sentindo fortes dores no estômago. Receitaram-lhe um remédio e o mandaram de volta para casa. Pouco tempo depois, morreu de infarto. Acabou sendo vítima de uma das muitas mazelas que não se cansava de denunciar: a negligência e a incúria nos serviços de saúde.

Devo a este brasileiro de fé e compromisso com seu povo, meu primeiro emprego na grande imprensa, nos anos 60 do século passado. Se sou jornalista até hoje, ele é o culpado. Myltainho já era uma das estrelas da lendária revista "Realidade". Naquela manhã de segunda-feira, como só ele estava na redação, entreguei-lhe o bilhete do meu primo Klaus,  recomendando-me para um emprego na melhor publicação brasileira de todos os tempos. Era muita pretensão minha...

Por cima dos óculos de aro fino, olhou-me bem e abriu um sorriso, incrédulo, dizendo mais ou menos assim:.

"Meu filho, você é muito novo, está começando agora. Aqui só tem craque, é a seleção brasileira do jornalismo... Tem que ralar primeiro em jornal, depois você volta...".

Vendo minha cara de decepção, logo encontrou um jeito de ajudar e me encaminhou para o Estadão, ali perto, onde um amigo dele, Aloísio Toledo Cesar, era o chefe da reportagem da manhã. Comecei no mesmo dia, trabalhei mais de dez anos no jornal e estou ralando até hoje, mas a "Realidade" acabou bem antes que eu pudesse criar coragem de pedir novamente uma vaga naquele time.

Myltainho era assim: sempre solidário, disposto a ajudar os outros, mesmo que fosse um jovem desconhecido. Mais tarde, nos cruzamos em outras redações da vida, ficamos amigos, cúmplices e confidentes, rimos muito juntos nas vitórias e choramos as derrotas da nossa geração, na gangorra do último meio século. Humilde, sem nunca perder a altivez, só faltava ele pedir desculpas quando mexia num texto, invariavelmente para torna-lo melhor.

Foi tão rica sua trajetória como jornalista, iniciada aos nove anos, no "Terra Livre", publicação de Marília, no interior paulista, onde nasceu, com reportagem sobre as condições de trabalho numa fazenda da região, que não cabe contar esta história no espaço de um blog. Estou muito triste para continuar escrevendo sobre uma das figuras mais admiráveis que tive a ventura de conhecer neste ofício de contar histórias dos outros.

Para quem quiser saber mais sobre a vida e a obra de Mylton Severiano da Silva, recomendo a belíssima homenagem prestada a ele no comovente texto de Luana Shabib publicado pelo site da revista "Brasileiros", onde também trabalho:

http:/www.revistabrasileiros.com.br

O enterro está marcado para as 13 horas deste domingo no Cemitério Getshemani, no Morumbi, em São Paulo.

Vai com Deus e descansa em paz, meu velho e bom amigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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5p3ke68rcj 5hhsrmgt59 file Datafolha não desiste de ter Lula como candidato

Lula já repetiu mil vezes que não será candidato e fará campanha pela reeleição de Dilma. Lula e o PT já fizeram dois encontros nacionais para formalizar apoio à reeleição da presidente. Não tem jeito. A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, coloca novamente o nome do ex-presidente na lista e praticamente sugere a troca de candidatos do PT. O instituto de pesquisas do jornal Folha de S. Paulo perguntou aos eleitores quem deveria ser o candidato do PT e 58% apontaram o nome de Lula. Entre os petistas, este índice chega a 78%.

Quando a candidata é Dilma, ela tem 37% das intenções de voto contra 38% dos demais candidatos, apontando para uma eleição em segundo turno. Se no lugar dela o candidato do PT fosse Lula, ele teria 52% dos votos e venceria tranquilamente no primeiro turno, contra 19% de Aécio Neves e 11% de Eduardo Campos. Na mesma pesquisa, Lula aparece como "o mais preparado para mudar o Brasil", um desejo manifestado pela maioria absoluta dos eleitores nas últimas pesquisas.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que parou a sangria de intenções de voto na presidente Dilma, que caiu apenas um ponto de uma pesquisa para outra, enquanto Aécio subia quatro, chegando a 20% e Eduardo Campos oscilava de 10% para 11%. O índice de aprovação do governo Dilma também oscilou apenas um ponto, de 36% para 35%. Tudo dentro da margem de erro. E a expectativa de alta da inflação caiu sete pontos, de 65% para 58%.

Num possível segundo turno, Dilma ganharia de Aécio com 11 pontos de vantagem (47% a 36%) e 17 pontos, se o adversário for Eduardo Campos (49% a 32%). Ou seja, com Dilma ou com Lula, apesar de todo o cenário negativo alimentado pela mídia nas últimas semanas, o PT venceria mais uma vez, se as eleições fossem hoje.

Se olharmos para os índices de rejeição dos três principais candidatos já lançados, há um empate técnico: Dilma tem 35%, Eduardo Campos, 33%, e Aécio Neves, 31%. O menos rejeitado seria Lula, com 17%.

A pesquisa Datafolha serviu também para confirmar um evidente exagero a favor de Aécio Neves nos seus números de intenção de votos apontados pelos institutos mineiros Sensus e MDA, divulgados na semana passada, ambos ligados a Clésio Andrade, dissidente do PMDB, um dos denunciados no mensalão tucano, cujo julgamento o STF já mandou para as calendas.

Como a Folha e o restante da grande mídia nunca morreram de amores por Lula, dá para concluir que a insistência na inclusão do nome do ex-presidente, mostrando que ele teria mais chances do que Dilma de levar a eleição no primeiro turno, nos permite concluir que o objetivo principal da oposição midiático-partidária-empresarial continua sendo jogar um contra o outro para ver se dá um cavalo de pau nas pesquisas, o que até agora não aconteceu.

É de se perguntar por que, então, o Datafolha não incluiu também os nomes de Fernando Henrique Cardoso e José Serra em lugar de Aécio Neves como candidato tucano?

Apesar do interminável tiroteio do noticiário negativo, a maioria da população, segundo o Datafolha, ainda não entrou na onda de pessimismo e mau humor: 43% acreditam que sua situação econômica vai melhorar, contra apenas 12% que esperam uma piora.

E o caro leitor do Balaio o que pensa sobre tudo disso? Acredita que pesquisas como esta do Datafolha ainda podem fazer o PT trocar a candidatura de Dilma pela de Lula? Para promover as mudanças que o país espera, prefere a continuidade do governo do PT ou um candidato da oposição? A vida de vocês está melhorando ou piorando nos últimos anos?

Afinal, se o Datafolha pode fazer tantas perguntas, eu também posso. Mandem respostas: só não vale xingar minha falecida mãe.

 

 

 

 

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ok ok É o que temos. Que grande craque Felipão não chamou?

De tudo que li e ouvi de ontem para hoje sobre a previsível convocação da seleção de Felipão, o que melhor definiu este evento da quarta-feira, no Rio, foi o conciso e perfeito comentário de um motorista de táxi, ao terminar de saber pelo rádio do carro a relação de nomes para a Copa no Brasil. Conformado, disse apenas: "É o que temos".

Para dar razão ao taxista, basta fazer uma pergunta: que grande craque, na opinião do caro leitor do Balaio, o nosso técnico deixou de chamar? Desta vez, não houve antes campanha pela convocação de ninguém, nem protestos depois. A oferta de jogadores brasileiros fora de série vem diminuindo a cada nova fornada, acabando com polêmicas, como a de levar ou não Romário, que acabou ficando de fora da Copa em 2002, a última conquistada pelo Brasil, com Felipão no comando.

Outro fator que facilitou a vida de Felipão é que o bairrismo de outros tempos não existe mais. Basta registrar que não foi convocado nenhum jogador em atividade no futebol paulista (apenas dois de clubes do Rio e dois de Minas estão na lista). Dos 23 convocados, 19 jogam pelo mundo afora e o técnico tem muito mais condições de escolher os melhores do que qualquer um de nós, até porque ganha para isso e vive viajando por aí para acompanhar os "estrangeiros" chamados desde a sua primeira convocação, quando tomou o lugar de Mano Menezes.

Oposto do seu antecessor, o técnico que trocou a imagem de bronco pela de tiozão paz e amor, escalou logo seu time titular, como fez o lendário João Saldanha, em 1970, e testou apenas alguns reservas sobre os quais tinha dúvidas. Esse é seu grande mérito: definiu logo uma escalação, deu um padrão de jogo à seleção, que parecia um time qualquer, devolvendo autoconfiança à torcida.

Falaram muito em Robinho do Pandeiro, para divertir Neymar, e Kaká Bons Dentes, para enfeitar o álbum de figurinhas de Carlos Miguel Aidar, o presidente do São Paulo que prefere jogadores bonitos, mas isso foi apenas para encher linguiça nos dias que antecederam a convocação. Todo mundo já sabia quem Felipão iria chamar, não houve surpresas.

Se o critério fosse esse, como lembrou meu amigo Nirlando Beirão, melhor seria que convocassem a gata Bruna Marquezine, para a felicidade do nosso principal jogador, e o Zeca Pagodinho, para animar o ambiente na concentração. Agora é pau na máquina e bola na rede, que a Copa já está chegando. Chega de conversa.

 

 

 

 

 

 

 

 

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17905 ext arquivo Boatos na internet, intolerância e medo que levam à morte

"Você já viu o que está circulando na internet? Tem foto e tudo. Estou com medo de deixar filho meu sair de casa"

"Vi agora no Facebook que vai faltar água e luz, a inflação vai explodir, a coisa está feia".

Quem ainda não ouviu ou recebeu um e-mail com este tipo de comentário? É assim que surgem os boatos e se alastram como pólvora na grande rede, nos táxis, nos ônibus, nos botecos, no boca a boca por toda parte, criando um clima de medo e intolerância, revolta e ódio, mau humor generalizado, pessimismo, o caldo de cultura que acaba levando à morte, como aconteceu quando mais de 100 pessoas lincharam a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no último domingo, no Guarujá, em São Paulo.

Quando li a notícia sobre mais este crime hediondo fiquei tão chocado que não sabia nem o que escrever. E começo a me perguntar: adianta escrever alguma coisa depois de ver o vídeo desta barbaridade promovida no balneário mais chique dos paulistas? São tantos os casos de violência extrema acontecidos ultimamente que já deveria estar anestesiado a esta altura do campeonato da vida de jornalista, mas ainda reajo com o inconformismo do início da carreira e procuro entender primeiro o que está se passando na alma dos brasileiros, aquele povo outrora chamado de cordial por Sérgio Buarque de Holanda.

Linchamentos e chacinas sempre aconteceram, não são novidade no Brasil nem no mundo civilizado, mas não me lembro de alguém arrancar e jogar um vaso sanitário do alto da arquibancada nas pessoas que estão passando na rua, como vimos no último final de semana, no Recife. De uns tempos para cá, porém, noto que a violência e a intolerância se disseminaram na nossa sociedade, em todas as relações humanas, nas diferentes classes sociais, no trânsito, nas filas, no transporte coletivo, no trabalho, nos comentários na internet, na política, nos jogos de futebol, nas baladas e até na família. Concorrentes e adversários viraram inimigos, e a vida vale cada vez menos. São tempos de vale tudo, de salve-se quem puder.

Quem pensa diferente de nós é um idiota ou um vendido, quem prega fraternidade, paz, tolerância é um poeta inocente a serviço dos bandidos, quem defende o desarmamento de espíritos é um sujeito que está fora do mundo, quem procura se colocar no lugar do outro e ouvir diferentes opiniões antes de emitir a sua está perdendo seu tempo.

É um tempo de certezas absolutas, de donos da verdade, de tudo ou nada, preto ou branco, escreveu não leu, o pau comeu. No jornalismo, por exemplo,para se dar bem hoje em dia, tem que ser mais radical do que os outros, pregar a justiça com as próprias mãos, mandar prender todo mundo porque ninguém presta. Isso dá aumento de salário, prestígio e rende novas propostas de trabalho.

"Eu também tenho filhos e o papo que rolava é que estavam matando crianças. Não sabia se ela era inocente ou não", disse candidamente à policia o primeiro assassino preso no Guarujá, o eletricista Valmir Dias Barbosa, de 47 anos.

Quer dizer que, se Fabiane de Jesus, de 33 anos, mãe de dois filhos, não fosse inocente, ele e o restante da malta enfurecida teriam todo o direito de mata-la a pauladas porque "o papo que rolava" é que a dona de casa que carregava uma Bíblia na mão sequestrava crianças para fazer magia negra.

Sabe-se agora que a boataria se espalhou a partir de um retrato falado feito pela polícia do Rio há mais de dois anos e reproduzido, sem nenhuma checagem ou apuração, no dia 25 de abril, pela página do Facebook do "Guarujá Alerta", que tem mais de 55 mil seguidores. A imagem teria sido retirada, segundo o advogado do "responsável" pelo Facebook, depois de ele perceber que era um boato, mas o estrago já estava feito, alarmando a população de Morrinhos, um bairro pobre de 40 mil habitantes.

"A gente não pode culpar ninguém, tem que culpar a internet", disse aoR7o ajudante Jonas Thiago Andrade, que aparece no vídeo do linchamento e também foi ouvido pela polícia.

Como assim, culpar a internet? Vão prender todos os provedores e computadores da grande rede? Internet é apenas um instrumento, um equipamento eletrônico como o rádio e a televisão. Culpados, além da centena de linchadores, são os responsáveis pelos conteúdos irados e apopléticos que estão instigando a violência, disseminando boatos, assassinando reputações, atirando primeiro para depois pedir documentos, jogando a população contra governantes e políticos em geral, como se a democracia e a justiça pudessem ser feitas com as próprias mãos, conforme o que der na telha de cada um.

Às vésperas da grande festa que poderia ser a Copa do Mundo no Brasil, programam-se novas manifestações de protesto e uma onda de greves, tendo como pano de fundo a campanha eleitoral, em crescente clima de beligerância nas redes sociais, como se o mundo fosse acabar amanhã. E a CPI da Petrobras ainda nem começou. Tudo parece seguir um roteiro macabro, que acaba desaguando em cenas dramáticas como a do linchamento no Guarujá, com o virando inimigo do próprio povo. É disso que Fabiane Maria de Jesus foi vítima. E vida que segue.

 

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familia Os 90 anos de dona Maria Lúcia, minha sogra querida

Vou pedir licença aos leitores para escrever hoje sobre uma pessoa que vocês não conhecem, não tem cargo nem mandato, nunca foi celebridade e não está na mídia. Depois de ler o noticiário desta terça-feira, quase igual ao dos outros dias, nada para mim tinha mais importância do que o aniversário da minha sogra querida comemorado na véspera numa pizzaria, em Pinheiros, a família reunida em torno de um bolo com as velas marcando os 90 anos de Maria Lúcia Caiuby da Gama Nogueira, ultimamente mais conhecida por "vó Lucinha" e "bisa Lúcia".

Alguém pode até estranhar que esteja aqui falando bem da sogra, esta figura familiar quase sempre tratada como megera, coisa ruim a atazanar a vida dos pobres genros ou noras. Pois não é o meu caso. Desde que a conheci, 45 anos atrás, sempre foi minha amiga e ficou do meu lado nas querelas familiares, me tratando como "meu genro querido", o que também não é muita vantagem, já que sou o único.

Dona Maria Lúcia sempre acompanhou meu trabalho nos diferentes veículos por onde passei nos 50 anos de carreira, que completo neste mês de maio. Até hoje, gosta de comentar comigo o que ouve ou lê, sem óculos, querendo saber mais detalhes de tudo, uma curiosidade que não minou com o tempo. Caso raro, nenhuma notícia é capaz de lhe tirar o bom humor e o sorriso. E até outro dia a vi tocando piano para os nossos pequenos, suas grandes paixões.

Minha sogra é uma destas mulheres de antigamente que dedicaram a vida toda a, anonimamente, cuidar da família. Não vai virar nome de rua, mas deveria. Ao ver o mundo como está, não vejo tarefa mais nobre do que educar bem os filhos, dar atenção e carinho às netas e aos bisnetos, dedicar-se com alegria a zelar pelos seus mais próximos, sempre pronta a ajudar quem precisa dela, sem reclamar da vida.

Se for o caso de chegar à idade dela, o que acho meio difícil, só valeria a pena se pudesse manter o mesmo espírito, a saúde firme e o brilho nos olhos desta senhorinha que faz da felicidade dos outros sua razão de viver.

 

 

 

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aecio Empresariado e mídia fazem opção por Aécio Neves

Ainda outro dia, no Jornal da Record News, comentei com Heródoto Barbeiro que a mídia nativa mostrava-se indecisa entre qual candidato da oposição apoiar contra Dilma. Os fatos e o noticiário dos últimos dias não deixam mais dúvidas: a maioria dos principais veículos de comunicação do país, tanto quanto o alto empresariado, que não por acaso caminham sempre juntos, decidiu abertamente apoiar o candidato tucano Aécio Neves, deixando Eduardo Campos comendo poeira na estrada.

Faltando exatos cinco meses para o dia da eleição, o tempo político começa a correr mais depressa e as pesquisas passam a ter um papel decisivo nesta hora. Vários episódios da semana passada contribuíram para favorecer a definição a favor de Aécio e isto ficou claro no encontro dos maiores empresários do país em Comandatuba, na Bahia, em que o tucano foi aclamado pela plateia e o candidato do PSB passou em branco. A presença da candidata a vice Marina Silva a seu lado, que pode agregar votos de sonháticos e evangélicos, certamente não ajudou Eduardo neste ambiente.

A imprensa recorreu ao "palmômetro", como os programas de auditório, para destacar a vitória do senador e ex-governador mineiro na pajelança anti-Dilma dos possíveis financiadores de campanhas. Ao mesmo tempo, as últimas pesquisas divulgadas, mostrando a queda da presidente Dilma e o crescimento mais forte de Aécio fora das margens de erro, enquanto Eduardo subia pouco, para finalmente chegar aos dois dígitos, não deixaram dúvidas sobre qual candidato o establishment vai apoiar, ou melhor, já está apoiando, na quarta tentativa de não deixar o PT ficar com o governo central.

Afastado o fantasma do "volta Lula", que tanto atemorizava estes setores, e definido pelo PT que Dilma será candidata à reeleição até o fim, alguns veículos passaram a trabalhar ostensivamente em favor de Aécio no noticiário de todas as mídias, até dando sugestões para a sua campanha, como já fazem colunistas e blogueiros do Instituto Millenium. Da mesma forma, a imprensa estrangeira, tendo à frente o "Financial Times", faz campanha aberta para desconstruir a imagem do governo Dilma, mostrando claramente de que lado está o grande capital.

Fora o apoio do pessoal do dinheiro e da mídia grande, há outras condições objetivas que favorecem Aécio Neves neste momento: tem mais estrutura partidária, mais tempo de televisão, mais palanques estaduais, o PSDB está no governo em Minas e São Paulo, os maiores colégios eleitorais do país e, em consequência, tem mais condições do que Eduardo Campos para formar um arco de alianças, algo que, até agora, os dois não conseguiram.

Definido seu candidato, a grande imprensa foi desencavar até um manifesto do PSB de Eduardo Campos, lançado em 1947, em que o partido defende a socialização dos meios de produção e limites à empresa privada. Se ainda faltava algum motivo pela opção por Aécio, não há mais. O candidato da "nova política" pode até desconhecer este documento e dizer que o mundo mudou, mas o estrago está feito na manchete da "Folha".

No fim de semana, o ex-governador de Pernambuco tentou se diferenciar do tucano, ao afirmar que "temos projetos, base política e social que são distintos", depois de ouvir Aécio, em Comandatuba, dizer que não consegue "ver o Eduardo como adversário, pois somos companheiros do mesmo sonho", já de olho no segundo turno.

É aí que reside o desafio dos apoiadores e do próprio candidato tucano: como inflar sua candidatura sem desidratar demais a de Eduardo, que é fundamental para levar a eleição ao segundo turno, cada vez mais provável de acontecer, segundo as pesquisas.

Em tempo 1: Eduardo Campos declarou nesta segunda-feira, em Belo Horizonte, que até a convenção do PSB, em junho, será alterado o texto do manifesto do partido citado no texto acima.

Em tempo 2:  Sobre as últimas pesquisas, antes de mais um encontro com empresários e de receber o título de cidadão honorário de Belo Horizonte, o candidato do PSB comentou: "Estou completamente tranquilo, porque as pesquisas a esta altura em 2010 davam José Serra presidente". Apesar do noticiário negativo sobre a sua candidatura, Eduardo botou fé no seu taco: "Não tenho a menor dúvida de que iremos para o segundo turno e vamos ganhar as eleições".

Em tempo 3: por falar em empresas privadas que financiam campanhas eleitorais, tão cortejadas pelos candidatos, o ministro Gilmar Mendes ainda não devolveu o processo que proíbe esta prática. Há mais de um mês, quando o placar já estava 6 a 1 a favor da proposta de proibição de financiamentos privados de campanha, Mendes pediu vista do processo, alegando que precisava "avaliar melhor o caso". Espera-se que o julgamento termine a tempo desta nova regra, criada para combater a influência do poder econômico, entrar em vigor já na eleição de outubro. Só depende dele, pois a decisão já foi tomada pela maioria dos ministros do STF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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essa ok Em queda, Dilma une PT contra dupla Aécio Eduardo

essa Em queda, Dilma une PT contra dupla Aécio Eduardo

No mesmo momento em que o PT mostrava unidade no seu Encontro Nacional, nesta sexta-feira, em São Paulo, confirmando, por aclamação, a candidatura de Dilma Rousseff e afastando de vez o fantasma do "volta Lula", Aécio Neves e Eduardo Campos pareciam cada vez mais afinados num grande encontro de empresários promovido em Comandatuba, no litoral baiano.

"Não consigo ver o Eduardo como meu adversário, somos companheiros do mesmo sonho", abriu o jogo o candidato tucano, no segundo evento seguido em que apareceu junto com o ex-ministro de Lula e ex-governador de Pernambuco.

Nova pesquisa, desta vez do Sensus, publicada pela revista IstoÉ, mostrou mais uma queda de Dilma e o forte crescimento dos principais candidatos de oposição, indicando pela primeira vez a forte possibilidade de termos segundo turno. A presidente Dilma ficou com 35% contra 34,7% dos seus dois principais adversários (23,7% de Aécio e 11% de Eduardo).

Sabemos que o mais importante nas pesquisas não é o retrato do momento, mas a curva desenhada pelos índices das pesquisas _ é aí que reside o maior desafio de Dilma para conseguir a reeleição, que até o início do ano parecia fato consumado.

A cinco meses das eleições, a curva de Dilma aponta para baixo, em todas as pesquisas divulgadas nas últimas semanas, quase na mesma proporção em que a da dupla Aécio Eduardo sobe, ao contrário do que aconteceu em 2010, quando o tucano José Serra aparecia folgado na liderança e a petista vinha bem distante, mas não parando de crescer até as curvas se cruzarem, não mudando mais até o dia da eleição.

Desta vez, dois outros indicadores colocam obstáculos no caminho da presidente: seu índice de rejeição (42%) é o mais alto entre os candidatos competitivos, superando em sete pontos o de intenção de votos. E a avaliação negativa do seu governo(31,9%) supera pela primeira vez o de aprovação (29,6%), abaixo do piso de 34% apontado como mínimo necessário para os candidatos à reeleição.

A unidade mostrada pelo PT em seu Encontro Nacional pode ter chegado tarde demais, depois das rachaduras na base aliada e das críticas feitas à política econômica, que não mostra sinais de reação diante dos sérios problemas enfrentados pelo país neste campo.

Aécio Neves e Eduardo Campos se aproveitam disso para afinar seus discursos de oposição ao governo, que tanto agradam aos empresários cortejados por ambos nesta pré-campanha eleitoral, a ponto de já não se saber o que os diferencia.

A candidatura de Eduardo Campos, do PSB, que até o final do ano passado apoiava o governo do PT, tendo como vice Marina Silva, ex-petista e também ex-ministra de Lula, é o fato novo desta eleição em mais um embate que se desenha entre PT e PSDB.

Aécio até já falou numa aliança em 2015, cada vez animado com seu crescimento nas pesquisas, mas resta saber até que ponto Eduardo Campos aceitará o papel de linha auxiliar dos tucanos e em que momento ele terá que bater, não só no governo Dilma, mas também no seu atual parceiro, para conseguir uma vaga no segundo turno.

A semana que está terminando mostra que o cenário da eleição presidencial está cada vez mais imprevisível, com três candidatos se movimentando em direções opostas nas pesquisas. No discurso em que reiterou seu apoio à presidente e se colocou à disposição para trabalhar na sua campanha, Lula voltou a criticar a elite e a imprensa, mas quem definiu o tom da campanha daqui para a frente foi Dilma:

"Há forças políticas que detestam os programas que tiram pessoas da miséria, até porque nunca se preocuparam com elas. "Que acham que o caminho está no passado. Mas o povo não vai deixar. Dilma foi além e acusou os tucanos de serem movidos por "rancor e ódio" e significam "retrocesso, mesmo que travestidos de novidades".

O jogo está jogado: é Dilma com Lula, novamente em busca do apoio dos trabalhadores, como a presidente demonstrou no seu pronunciamento de 1º de Maio, contra Aécio em dobradinha com Eduardo, que ontem receberam, mais uma vez, o apoio do alto empresariado.

Façam suas apostas.

 

 

 

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