Fui mal. Pouco antes de entrar no ar ao vivo no Jornal da Record News de terça-feira, fiquei impressionado com os novos números do Ibope sobre as eleições presidenciais no Rio e em São Paulo, que indicavam uma disparada de Marina Silva, e repeti a mesma avaliação no dia seguinte no blog: "Ninguém segura Furacão Marina rumo à vitória".

20 Blogueiro foi mal ao entrar na dança das pesquisas

Não segui meu próprio conselho dado logo na abertura do texto _ "Sei que é sempre arriscado fazer análises ou previsões numa campanha eleitoral tão cheia de reviravoltas como esta de 2014" _ e quebrei a cara. No final da tarde de quarta-feira, quando o Ibope e também o Datafolha divulgaram suas pesquisas nacionais sobre a corrida presidencial, vimos que o quadro está estabilizado, indicando uma dura disputa entre Dilma e Marina no segundo turno, como se pode ver na atualização que fiz em seguida.

data2 Blogueiro foi mal ao entrar na dança das pesquisas

Até agora não entendi os motivos que levaram o Ibope a fatiar sua pesquisa e antecipar para a véspera os números que mostravam um forte crescimento de Marina nestes dois grandes Estados, que me levaram a conclusões precipitadas, e até o momento ninguém do instituto explicou esta jaboticaba eleitoral.

Confesso que entrei na dança das pesquisas, que agora saem quase todo dia, e dou razão aos leitores que me criticaram pela afoiteza. Escrever todos os dias, assim como viver, é correr riscos. Às vezes, a gente acerta; noutras, erra. Só os donos da verdade acertam sempre e nunca reconhecem seus erros.

Para tirar conclusões, sei que melhor é esperar a abertura das urnas no dia 5 de outubro, mas não posso ficar sem escrever até lá _ afinal, vivo disso. Tem razão minha amiga Eliane Cantanhêde ao escrever em sua coluna desta quinta-feira, sob o título "É cedo para cantar vitória":

"O fato, gente, é que era cedo para cantar vitória para Dilma e é cedo para cantar vitória para Marina. Ainda tem muita guerra pela frente e o momento não é só de sobreviver, mas de matar. Aliás, a eleição já fez três vítimas: Eduardo Campos, Aécio Neves e Guido Mantega". E o blogueiro que vos escreve também, poderia acrescentar...

Vida que segue. Mesmo errando, só não podemos perder o bom humor. Por isso, recomendo a leitura da coluna do grande José Simão na Folha, impagável como sempre, em que ele fala dos três candidatos:

"A Marina é uma típica ambientalista, em cada ambiente tem uma opinião diferente".

"E a Dilma Grande Chefe Toura Sentada entrou pra turma da Maisena, só engrossa. A pittbúlgara partiu pro ataque! Todos para o Forte Apache!"

"E o Aécio? Deve ser horrível pro Aécio, todo playboyzão, apanhar de duas mulheres. Na frente de todo o mundo. Rarará!".

Pois é, amigos, acontece. "Foi mal, vovô", costuma dizer meu neto André, de apenas sete anos, mas que já entende das coisas mais do que eu.

***

Em tempo:

Fui alertado pelo meu amigo Ricardo Noblat que quem batizou primeiro o "Furacão Marina" foi ele, e não eu, em nota publicada no dia 25 de agosto. Usei esta expressão no dia seguinte. Ontem, foi dia de errar...

Peço desculpas a ele e aos leitores.

 

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eleições Ninguém segura Furacão Marina rumo à vitória

 

Em tempo: atualizado às 19h51

Agora que saem pesquisas de baciada a toda hora, vamos aos últimos números divulgados agora há pouco, quase ao mesmo tempo, pelo Ibope e Datafolha, que mostram situação semelhante ao dos levantamentos anteriores e apontam para um segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva.  

Datafolha/Primeiro turno

Dilma: 35% 

Marina: 34%

Aécio: 14%

Outros: 4%

Segundo turno

Marina: 48%

Dilma: 41%

Ibope/Primeiro turno

Dilma: 37%

Marina: 33%

Aécio: 15%

Outros: 3%

Segundo turno

Marina: 46%

Dilma: 39%

***

Sei que é sempre arriscado fazer análises ou previsões numa campanha eleitoral tão cheia de reviravoltas como esta de 2014, mas os novos números do Ibope de São Paulo e Rio divulgados na noite desta terça-feira me permitem dizer neste momento, manhã de quarta, o que escrevi no título: se não houver nenhum outro acidente de percurso, o Furacão Marina segue célere rumo à vitória.

Quem batizou este fenômeno, modéstia à parte, fui eu mesmo aqui no Balaio, no texto que escrevi dia 26 de agosto, terça-feira da semana passada: "Furacão Marina atropela Aécio e já ameaça Dilma". Depois, esta expressão foi adotada por outras publicações da grande imprensa, e a cada rodada de pesquisas confirma-se que não se tratava apenas de uma onda nem vento passageiro, mas de algo que só os historiadores do futuro poderão explicar melhor daqui a muitos anos.

Sem entrar no mérito se isto será bom ou ruim para o país, o fato é os últimos números revelados pelo Ibope mostram que o furacão continua ativo, levando de cambulhada os principais concorrentes.

Os números do Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país, são emblemáticos, como diria o Mino Carta: Marina simplesmente inverteu as curvas da pesquisa, antes liderada por Dilma Rousseff. Apenas cinco dias após a publicação do  levantamento anterior, na semana passada, a candidata do PSB disparou de 30% para 38%, passando à frente da presidente, que caiu 6 pontos, ficando com 32%.

Em São Paulo, o maior colégio, Marina também deu um salto: foi de 35% para 39%, só um ponto abaixo da soma (40%) de Dilma (23%) e Aécio (17%). Este é mais um sinal de que o voto útil pró-Marina está fazendo uma varredura nos votos anti-PT.

Aqui há de se registrar que se trata do principal reduto tucano no país, de onde o candidato do PSDB planejava tirar a vantagem, com milhões de votos a mais do que Dilma, então sua principal adversária, tinha em outras regiões de país. De repente, Marina pulou na frente e deixou ambos a ver navios.

Por isso mesmo, ainda na terça-feira, as campanhas de Aécio e Dilma saíram num feroz ataque orquestrado contra Marina Silva, mas tenho minhas dúvidas se isso ainda pode funcionar, a um mês das eleições, ou se terá um efeito reverso, já que, querendo ou não, a candidata, que sucedeu Eduardo Campos há apenas três semanas, transformou-se em mítica salvadora da pátria enviada à terra por alguma entidade divina.

 

 

 

 

 

 

 

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logo pmdb 3d alta Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB

Ficamos aqui a discutir, como diria um velho amigo jornalista português, que me ligou agora há pouco, se quem vai ganhar as eleições no Brasil é Dilma ou se é Marina. Disse-lhe que, se soubesse a resposta, já estaria rico, pois é o que todos querem saber, principalmente os especuladores da Bolsa.

Pois ganhe quem ganhar, não fará muita diferença: quem vai continuar mandando no Brasil, segundo as últimas pesquisas, é o PMDB, que não tem candidato próprio e, por isso mesmo, há tempos é o maior partido do país, porque está sempre no poder. Vou tentar explicar melhor o que penso a respeito.

Ao que tudo indica, a se confirmarem as previsões, PT e PSDB, os dois partidos que se revezam no poder central há 20 anos, vão sair destas eleições menores do que entraram: com bancadas reduzidas e menos governadores. Com qualquer resultado na eleição presidencial, o PSB, onde Marina Silva está provisoriamente hospedada, deverá continuar sendo um partido médio, sem grande expressão.

É o PMDB quem provavelmente terá maioria, tanto na Câmara como no Senado, ou seja, como diria meu amigo, no Congresso Nacional. Quer dizer, é o PMDB quem continuará dando as cartas no Congresso com qualquer presidente que seja eleito.

E quem manda no Brasil, apesar de vivermos no regime presidencialista? É o Congresso Nacional. Perguntem a Fernando Henrique Cardoso ou a Lula como é governar sem ter maioria no Congresso para colocar em prática os belos planos que tinham antes de tomar posse. Por isso mesmo, ambos tiveram praticamente a mesma base aliada _ e os mesmos problemas para aprovar seus projetos e manter a estabilidade política nos dois mandatos de cada um.

Já disse várias vezes aqui e no Jornal da Record News, e não me canso de repetir: é muito difícil fazer aliança e governar com o PMDB, mas é praticamente impossível governar sem o PMDB, por maiores que sejam as restrições éticas ao chamado partido-ônibus, em que sempre cabe mais um.

O único objetivo da vida do PMDB, desde a morte do grande Ulysses Guimarães, é o poder _ chegar a ele e nele se manter. Com o atual sistema político-eleitoral-partidário vigente no país, não tem jeito: quem manda é o PMDB. Sem uma ampla reforma política, nada vai mudar no nosso país. E o PMDB não tem interesse em apoiar reforma nenhuma. Por que teria, se assim está muito bom?

Vida que segue.

 

 

 

 

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7mzuuf367n 2jqdaiyd07 file Aécio Neves é rifado e agora temos só Dilma X Marina

Ainda antes de outro debate entre os presidenciáveis, no final da tarde desta segunda-feira (1°), transmitido pelo SBT, o tucano Aécio Neves foi solenemente rifado pelo coordenador-geral da sua campanha, senador José Agripino Maia, presidente do DEM, ex-Arena e ex-PFL, um dos mais longevos remanescentes do velho coronelismo nordestino. Com a sutileza de um rinoceronte, Agripino defendeu em entrevista coletiva que Aécio apoie Marina em um eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff.

"O PSB tem antigas afinidades conosco, desde o tempo de Eduardo Campos. O inimigo maior a ser batido é o PT. Tanto pode dar o Aécio apoiando a Marina quanto o contrário", pontificou o coordenador-geral, que diante da ira dos seus correligionários e do próprio candidato correu para soltar uma nota tentando explicar que não foi bem isso que ele quis dizer. Como se o eleitor dependesse dos conselhos de Agripino para decidir em quem votar no segundo turno...

Mas o estrago já estava feito. Com 19 pontos atrás de Dilma e Marina, empatadas com 34% no último Datafolha, a apenas 33 dias da eleição, um Aécio amuado e sem nenhuma convicção no que falava já chegou derrotado aos estúdios da emissora, e ficou escanteado no debate. Só lhe faltava essa: com aliados deste porte, o ex-governador mineiro, que faz a pior campanha de um tucano nas eleições presidenciais das últimas duas décadas, nem precisava de adversários.

Sorteada para fazer a primeira pergunta, a presidente Dilma Rousseff, agora ameaçada pela sua ex-colega no ministério de Lula, favorita nas pesquisas de um provável segundo turno entre as duas, foi direto para cima de Marina Silva.

"De onde virão os recursos para custear os R$ 140 bilhões em promessas feitas no seu plano de governo?", disparou a candidata à reeleição, deflagrando o duelo entre as duas, que dominou todo o debate de duas horas.

Marina respondeu que é "preciso ter eficiência para fazer bom uso na aplicação dos recursos" e criticou o "pensamento de uma ideia cartesiana de governo". Dilma retrucou que, "quando se é presidente, não basta dizer que vai fazer uma lista de coisa sem dizer de onde virá o dinheiro".

Na sua vez de atacar, Marina lembrou Dilma que, na campanha de 2010, "havia um compromisso seu de que o Brasil iria continuar crescendo, de que os juros ficariam baixos e de que a inflação seria controlada, e aconteceu tudo ao contrário. O que deu errado?".

E por aí foi: Marina cobrando os erros da presidente e Dilma batendo na tecla de que "sem o apoio do Congresso é impossível governar". Impassível, sem piscar um olho, Marina mostrava firmeza ao defender "uma nova postura, a de estar aberta ao diálogo, de debater as ideias e não ficar fazendo apenas o embate político". Incisiva nas perguntas, mas confusa nas respostas, consultando papéis sobre a bancada, Dilma reconheceu que estava nervosa ao questionar as regras do debate com o moderador Carlos Nascimento, e mirou nas críticas ao plano de governo da adversária, principalmente no que se refere ao pré-sal.

Como se não tivesse acontecido uma reviravolta nas pesquisas, Aécio continuava com seu discurso contra o PT e o governo Dilma, sem encontrar uma brecha para entrar na briga entre as favoritas. Segundo levantamento feito pela Folha, enquanto o embate entre Dilma e Marina consumiu quase 18 minutos do programa, Aécio não conseguiu confrontar a nenhuma vez a candidata do PSB, que disparou nas pesquisas, e consumiu quase 8 minutos nos ataques à presidente, que vem caindo.

Resultado: quando o debate acabou, os repórteres saíram correndo para cercar Marina e Dilma. Aécio ficou caminhando sozinho pelo palco e ainda foi obrigado a ouvir um gracejo da candidata à reeleição, ao passar por onde ela estava: "Ô Aécio, vai querer sentar na minha cadeira? Não vai, não..."

Acho que nem ele pensa mais nisso. A cada dia, o quadro eleitoral vai ficando pior para o candidato do PSDB, a ponto de já surgirem rumores, divulgados pelo jornal Valor, de que pode desistir da candidatura para aumentar as chances de Marina vencer no primeiro turno, e voltar a Minas para salvar seu candidato ao governo estadual, que lá corre sério risco de perder para o PT.

Vamos esperar as próximas pesquisas para ver o que acontece. Dos 11 candidatos, agora restam apenas duas mulheres, uma petista e outra ex-petista, disputando para valer a Presidência da República. Façam suas apostas.

 

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kotscho Bendita chuva que cai na roça anima a vida

PORANGABA (SP) _ Enfim, uma notícia boa para alegrar a segunda-feira. A família já estava se preparando para pegar a estrada, como faz sempre nos finais de tarde de domingo, quando o céu pretejou de repente, uma ventania danada formou um tapete de folhas no chão, começou a trovejar, e eu resolvi ficar. Queria ver de perto, com os próprios olhos, a bendita chuva que se anunciava, depois de seis meses de estiagem, que secaram lagos, tanques, açudes, corregos e rios.

Os mais velhos me contaram no final de semana que há 70 anos não se via nada parecido. Já estavam até perdendo as esperanças de ver a água cair dos céus novamente. Muitas famílias de lavradores por aqui, a 160 quilômetros de São Paulo, ainda vivem das suas pequenas plantações e criações de gado. Teve vizinho que comprou água de caminhão tanque para dar de beber aos animais.

A chuva chegou bem na hora. Hoje começa setembro e este é o mes do plantio na roça. Com o chão esturricado como só se via no nordeste, os pastos secos e o gado magro, a paisagem era desoladora.

Chove sem parar desde a noite de domingo, uma chuva grande que, se ainda não nos devolveu a água e o verde, longe disso, pelo menos dá um novo ânimo para quem vive do que a terra dá.

Precisa chover ainda muito mais para refazer os reservatórios rurais e levar o povo a comprar sementes, pegar de novo nas enxadas ou botar os tratores em funcionamento, mas já é um bom começo.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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13 39 55 954 file E agora? O que Dilma e Aécio ainda podem fazer?

Caminhava tudo inexoravelmente para mais uma disputa entre PT e PSDB no segundo turno, como tem acontecido nos últimos 20 anos. Só se discutia se haveria ou não segundo turno. Aí caiu o avião de Eduardo Campos, do PSB, candidato da chamada terceira via, que nem chegou a entrar no jogo, não conseguindo atingir os dois dígitos nas pesquisas.

Faz apenas 17 dias. O furacão Marina Silva, que até outro dia nem partido tinha, entrou no lugar de Eduardo, varreu tudo que encontrou pela frente e, agora, é a favorita para ganhar as eleições presidenciais.

Para se ter uma ideia deste fenômeno eleitoral, na primeira pesquisa pós-tragédia, logo após os funerais de Eduardo, Marina já aparecia com 21% no Datafolha, deixando Aécio Neves para trás, e colocando quatro pontos à frente de Dilma Rousseff no segundo turno (47 a 43).

De uma pesquisa para outra, em apenas duas semanas, como mostra o novo Datafolha divulgado na noite de sexta-feira, Marina deu outra disparada, agora empatando com Dilma (34 a 34) no primeiro turno e abrindo dez pontos de vantagem no segundo (50 a 40). Aécio ficou na poeira da estrada, registrando apenas 15%, cinco abaixo da pesquisa anterior, praticamente fora da disputa no segundo turno.

E agora? O que Dilma e Aécio ainda podem fazer para furar a onda Marina Silva que se alastrou pelo país, cada vez mais forte? Não sei a resposta. Constato apenas que a nova candidata do PSB está fazendo um strike nos adversários, que vão caindo, tirando votos não só de Dilma e Aécio, mas até do Pastor Everaldo, que já não tinha muitos, e fazendo um verdadeiro rapa nos nanicos, indecisos, nulos e brancos.

Posso imaginar como está o clima nos comitês eleitorais de Dilma e Aécio. Já passei por isso, em 1994, quando trabalhava na campanha presidencial de Lula, que liderava com folga as pesquisas até a metade do ano. Em poucas semanas, com o lançamento do Plano Real, as curvas nas pesquisas foram-se invertendo até que o tucano Fernando Henrique Cardoso virou de vez e acabou ganhando a eleição no primeiro turno. Ninguém no PT sabia o que fazer para segurar a onda do Real, que virou uma febre com frenético apoio popular.

Agora, a reviravolta não se dá por conta de nenhum plano econômico para acabar com a inflação ou promover a volta do crescimento, mas em consequência de uma tragédia aérea, que provocou grande comoção no país e beatificou a herdeira política de Eduardo, que surfa em direção à vitória.

Claro que não se deve atribuir tudo apenas ao fator emocional causado pela morte do candidato, mas foi este o divisor de águas da campanha presidencial de 2014. Marina soube encarnar como nenhum outro todos os descontentamentos levados às ruas em junho do ano passado, juntando desesperançados com o PT a descrentes do PSDB, revoltados, mal amados, eleitores cansados da polarização entre os dois partidos e cidadãos de saco cheio, em geral.

Um comentário enviado ao Balaio às 7h37 da manhã deste sábado mostra bem qual é o clima que vivemos no país nestes momentos decisivos, a apenas cinco semanas das eleições gerais:

"Bom, essa Marina também não me parece uma solução ideal... mas tudo... tudo mesmo, menos o PT. Portanto, em um segundo turno, entre Marina e Dilma, vou com certeza absoluta votar em Marina. PT nunca mais..."

Como se vê, trata-se de um voto muito mais contra do que a favor de alguém, algo que tenho ouvido por toda parte: acima de tudo, Marina conseguiu catalisar o voto anti-PT, que hoje parece majoritário no país, algo que Aécio e Eduardo não lograram ao longo de suas campanhas.

Vida que segue. Bom final de semana a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto 2 Marina não é Lula de saias, mas Jânio e Collor

Advertência necessária: quero deixar bem claro, antes de começar a escrever este texto, no qual venho pensando desde que Marina Silva explodiu como candidata favorita a presidente da República, após a tragédia aérea que matou Eduardo Campos, para que ninguém entenda errado o título: não se trata de uma comparação entre pessoas e suas trajetórias de vida, mas entre fenômenos políticos.

Nos últimos dias, apareceram muitos comentários na mídia comparando Marina a Lula, ambos com origens bem humildes e histórias de vida comoventes, que acabaram construindo seus próprios caminhos, os dois fundadores do PT e vitoriosos em suas caminhadas. Por diferentes caminhos, eles agora se encontram frente a frente em mais uma disputa pela Presidência da República do Brasil, e há quem chame Marina de "Lula de saias", a mulher que desafia Dilma Rousseff, candidata de Lula.

A única vantagem de ficar velho, trabalhando no mesmo ofício, é ser testemunha de tantas histórias acontecidas ao longo deste enredo político dos últimos 50 anos. Conheci e convivi com os quatro personagens citados no título deste artigo e tenho condições de escrever sobre as coincidências e as diferenças entre eles.

Chamar Marina de "Lula de saias" é um grande equívoco. O professor mato-grossense Jânio Quadros, o playboy alagoano Fernando Collor, o metalúrgico pernambucano Lula, criado no ABC paulista, e a ambientalista acreana Marina da Silva chegaram onde chegaram por caminhos muito diferentes.

Embora os quatro sejam um retrato da diversidade social brasileira, com algumas semelhanças no surgimento do fenômeno político, há enormes abismos entre as motivações e os apoiadores das suas candidaturas. Jânio, Collor e Marina têm um ponto em comum: lançaram-se candidatos com discursos contra a "velha política", à margem dos grandes partidos, prometendo nas campanhas criar um "novo Brasil" e uma "nova política", baseados unicamente em suas vontades e carismas, como se isso fosse possível. Pelos exemplos do passado, sabemos que isso não dá muito certo.

Os três lançaram candidaturas mais simbólicas do que reais: Jânio era o "homem da vassoura" e Collor o "caçador de marajás", ambos tendo como bandeira o combate à corrupção, a bordo do velho mantra udenista, moralista e hipócrita.  Na mesma linha, Marina também aparece como a candidata "contra tudo isto que está aí", a bordo das manifestações de protesto de junho de 2013, candidata provisoriamente abrigada no PSB, partido do falecido Eduardo Campos que, até meados do ano passado, estava na base aliada do governo petista.

Ao contrário destes três fenômenos eleitorais anteriores, bancados todos pela grana gorda do empresariado paulista, sempre  em busca de um candidato viável que atenda aos seus interesses,  Lula só foi eleito presidente da República em 2002, depois de três campanhas presidenciais fracassadas, e da longa construção de um amplo apoio na sociedade civil, que começou pelos sindicatos, passou pelos meios acadêmicos e culturais, e conquistou a juventude, combatendo justamente estes grandes barões paulistas aboletados na Fiesp e na Febraban, que financiaram Jânio, Collor e, agora, Marina, para evitar que seus inimigos de classe chegassem ao poder central.

Não tenhamos ilusões neste momento: é exatamente isto que está em jogo, não as personalidades de Marina e Dilma, os seus defeitos e virtudes pessoais, que são subjetivos. O mais importante é saber quem está de que lado, quais os interesses de classe que estão em disputa, quem apoia quem e por qual motivo.

Eu nunca escondi de que lado estou: diante deste quadro, apoio Dilma Rousseff, com certeza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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protesto taxistas centro G Ódio contra o PT em São Paulo é assustador

"Eu tenho tanto ódio contra o PT que, se tiver uma eleição entre o PT e o PCC, em São Paulo, eu voto no PCC".

A frase acima é transcrição literal do que ouvi de um motorista de táxi, na tarde de quarta-feira, ao final de um trajeto em que ele passou o tempo todo falando mal do prefeito petista Fernando Haddad, e dá bem uma ideia do sentimento de boa parte dos eleitores paulistanos nestes poucos dias que faltam de campanha na região em que o partido registra os mais altos índices de rejeição.

O desabafo do taxista nos ajuda também a entender melhor o que está acontecendo nas pesquisas com Alexandre Padilha, o ex-ministro da Saúde que é o candidato do PT lançado por Lula para disputar o governo do Estado de São Paulo.

Fato inédito na história do PT paulista, berço do partido, desde o início da campanha eleitoral Padilha não consegue passar dos 5% em todas as pesquisas, em empate técnico com candidatos nanicos.

Mesmo após o início da propaganda eleitoral na televisão, das sabatinas e dos debates, o candidato petista continua empacado, sem sair do lugar. Como nos acidentes aéreos, o motivo nunca é um só para explicar o desastre eleitoral do candidato.

Padilha é a maior vítima deste verdadeiro ódio contra o PT, Lula e Dilma que grassa e se espalha por São Paulo, onde ficam as sedes de dois dos três maiores jornais do país (Folha e Estadão), que há anos se comportam como os principais adversários políticos do partido, ao mesmo tempo em que se empenham para preservar e manter os tucanos no Palácio dos Bandeirantes, por eles dominado há duas décadas. E é também onde a seita daquela revista semanal tem seus seguidores mais fieis.

Este sentimento, de cada vez maior intolerância, é diuturnamente alimentado por jornalistas da velha e da nova mídia, no impresso ou nos meios eletrônicos, que se dedicam sem tréguas a uma feroz campanha contra tudo que envolva o PT, seus líderes, governos e aos movimentos sociais ligados ao partido.

O leitor poderá me perguntar que, se é assim, como é que o PT já elegeu três vezes prefeitos da capital, com Erundina, Marta e, agora, Haddad. Uma explicação possível é que o eleitorado do interior do Estado, que garante as seguidas vitórias dos tucanos, é muito mais conservador do que o da capital.

Por isso, o PT jamais conseguiu eleger o governador de São Paulo, embora tenha mantido nas últimas eleições um índice histórico em torno dos 30% de votos, seis vezes mais do que agora. A enorme rejeição ao prefeito Fernando Haddad explica o resto.

A situação do PT é tão difícil nesta eleição em São Paulo que, se houver segundo turno, o adversário do favorito governador Geraldo Alckmin desta vez será o empresário Paulo Skaf, do PMDB, que se recusa a subir no palanque de Dilma, embora o seu partido tenha o cargo de vice no governo e na chapa, com Michel Temer. Da mesma forma, o governador Alckmin também não faz a menor questão de aparecer em eventos de campanha ao lado do candidato tucano Aécio Neves, ainda mais agora que Marina Silva disparou nas pesquisas.

Não por acaso, o vice da chapa de Geraldo Alckmin é Márcio França, do mesmo PSB de Marina, numa aliança que ainda foi feita por Eduardo Campos. Por sua vez, Marina continua se recusando a subir no palanque de Alckmin.

Dá para entender por que esta miscelânea de siglas e palanques estaduais têm um peso muito menor do que os nomes e os símbolos nesta campanha eleitoral?

 

 

 

 

 

 

 

 

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65erhcwd0j 639hnh26fa file Um triste debate sem vencedores; só perdemos nós

"Quem ganhou?, costumam me perguntar sempre no dia seguinte ao destes debates entre candidatos transmitidos ao vivo por redes de televisão, como se fosse fácil dar a resposta. Depois de perder mais de duas horas da minha vida, preencher 16 páginas de anotações e de lutar bravamente contra o sono, acordei nesta quarta-feira sem nenhuma vontade de escrever sobre o assunto. Me deu um sentimento misto de tristeza, fastio e vergonha alheia diante do que vi e ouvi.

Espero que nenhum estrangeiro tenha assistido a este primeiro debate entre os presidenciáveis promovido, como de hábito, pela Rede Bandeirantes, que só serviu para mostrar como o nosso país está pobre de lideranças políticas, falido de novas ideias e vazio de propostas para nos dar alguma esperança de que algo possa mudar para melhor nas eleições de 5 de outubro, qualquer que seja o resultado.

Para responder com honestidade à pergunta que abre este texto, sou obrigado a dizer que, infelizmente, não houve vencedores, apenas derrotados: nós, os eleitores. Um debate com sete candidatos e quatro jornalistas, empregando as mesmas regras rígidas e burocráticas do século passado, é um verdadeiro massacre para quem dele participa e para quem o assiste.

Trata-se de uma tragicomédia mambembe, que se arrasta sempre no mesmo diapasão, com ataques mútuos entre os candidatos, velhos jargões de outras campanhas, números para cá e para lá, textos de marqueteiros repetidos dos programas eleitorais, nada de novo que possa mudar o rumo da campanha eleitoral.

Vou deixar de lado meu calhamaço de anotações sobre os muitos embates entre os que querem presidir o nosso país, que nada acrescentaram ao que todos já pensávamos deles antes do programa começar. Ninguém surpreendeu ninguém, ganhou ou perdeu votos. A cobertura completa pode ser encontrada aqui mesmo no R7, não preciso repetir. Para não aborrecer o leitor, limito-me a transcrever algumas conclusões a que cheguei nos intervalos do debate.

Dos sete personagens perfilados ao lado de Ricardo Boechat no palco, na verdade apenas três estão de fato disputando a eleição, desde o início da campanha: Dilma, Marina e Aécio (este cada vez com menos chances de ir ao segundo turno, como se pode ver no post anterior). Os outros só fazem figuração. Todos os nanicos juntos registraram apenas 3% no último Ibope, quer dizer, estão fora do jogo, mas fazem de conta que a candidatura deles é para valer. "Eu eleito presidente da República...", repetiu um deles à exaustão ao iniciar suas intervenções. E a gente finge que acredita.

Parece um disco quebrado. Qualquer que seja a questão, os três que buscam uma vaga no segundo turno dão um jeito de puxar o assunto para seus bordões: Dilma declama todas as realizações dos governos petistas e atribui todos os problemas da economia à crise internacional; Marina prega a reinvenção da política com um governo de união nacional, sem explicar como pretende fazer isso, e Aécio não consegue sair do discurso sobre todas as desgraças nacionais causadas pelo atual governo, sem deixar de falar das belezas promovidas por ele nas suas administrações em Minas Gerais. Ficamos nisso.

O resultado dessa chatice também foi medido pelo Ibope, que acabara de divulgar a nova pesquisa presidencial e registrou a audiência do debate: com 5% de média, a Bandeirantes ficou em quarto lugar. A cada ano, o interesse pelo programa _ e pela política _ diminui.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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okoko FHC confirma que falou com Gilmar sobre Arruda

Com Ibope novo e debate entre presidenciáveis na terça-feira gorda da política, um fato gravíssimo foi escondido pela grande mídia e só ganhou destaque na manchete do site político Brasil 247: em nota oficial do Instituto Fernando Henrique Cardoso, enviada à Folha, o ex-presidente confirma que ligou para seu amigo ministro Gilmar Mendes, nomeado por ele para o Supremo Tribunal Federal, para falar sobre o julgamento do recurso apresentado ao TSE pelo "ficha suja" José Roberto Arruda, candidato a governador de Brasília, que havia sido impugnado pela Justiça.

Leiam primeiro o que diz a nota, que está na edição impressa da Folha desta quarta-feira, no meio da matéria "TSE barra candidatura de Arruda para o governo do Distrito Federal", publicada na página A10:

"O ex-governador Arruda falou comigo a respeito do seu recurso no TSE. Queria que o julgamento ocorresse a tempo de, se favorável, concorrer ao governo de Brasília. Como sempre, sou muito cuidadoso nessas matérias. Apenas indaguei o (sic) ministro Gilmar se havia chance disso ocorrer. Fui informado de que haveria um julgamento anterior que pré-julgaria o caso. Nada mais pedi a ninguém nem nada mais me foi dito".

Nem precisava. Gilmar Mendes é o mesmo ministro que, em 2012, se disse "escandalizado" ao ser procurado pelo ex-presidente Lula para uma conversa sobre os prazos do julgamento do processo do mensalão, e denunciou o "assédio" à imprensa.

Desta vez, porém, Gilmar achou tudo normal. Primeiro, disse à Folha que não se lembrava do telefonema já confirmado por FHC. Depois, procurou minimizar o teor da conversa: "Posso ter falado sobre o tema, todos perguntam. Eu tenho dito a mesma coisa. A jurisprudência do TSE dizia que o que valia era o dia do registro da candidatura. Hoje, com a nova composição, não sei qual será o resultado".

No final da noite, saiu o resultado, e o placar do TSE foi implacável: 6 a 1 contra o recurso de José Roberto Arruda, que assim continua inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa.

Adivinhem de quem foi o único voto a favor de Arruda? Acertaram: Gilmar Mendes, sempre ele.

Num longo voto contra o do relator Henrique Neves, que recomendou a rejeição do recurso e foi acompanhado pelos demais ministros, Mendes atacou a classe política "rastaquera" de Brasília e chegou a pedir a intervenção no Distrito Federal: "O Distrito Federal não tem sequer dignidade para ter autonomia política (...) Já deveria ter passado por processo de intervenção", por conta dos sucessivos escândalos de corrupção, segundo o ministro.

Apesar de ter sido filmado recebendo propina no chamado "mensalão do DEM", que até hoje não foi julgado, Arruda continua em campanha e, segundo o último Ibope, lidera as pesquisas com 37%. Seu caso é um retrato perfeito e acabado da falência do sistema político-partidário-eleitoral do país, com a generosa contribuição do Judiciário.

Como sabemos, Fernando Henrique Cardoso não é advogado nem parte interessada no processo. Cabe perguntar, então: por qual motivo o ex-presidente intercedeu por esta figura emblemática da política brasileira junto a um ministro do Supremo Tribunal Federal?

Num país civilizado, com independência de poderes, isto seria inimaginável. No Brasil, não sai nem na capa do jornal. É coisa nossa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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