FOLHA Jornal tenta criar fato novo para o impeachment

Ao contrário do que parece, não é que o PSDB, dividido internamente, para não variar, tenha desistido de pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o único projeto do partido desde que perdeu a quarta eleição seguida para o PT nas eleições de outubro.

O que separa as alas do partido formadas por velhos caciques e jovens deputados não é uma questão de princípios, mas apenas de timing. A turma dos cabelos pretos, mais açodada, quer derrubar o governo o mais rápido possível, enquanto os cabelos brancos preferem esperar por uma oportunidade melhor, o chamado "fato novo" nas investigações da Operação Lava-Jato.

Uns e outros podem ter encontrado este fato novo na manchete da Folha de S. Paulo" de sábado: "Empreiteiro afirma ter doado a Dilma por temer retaliação _ Dono da UTC pagou R$ 7,5 mi para campanha eleitoral em 2014; repasses foram legais, diz PT".

É bom, porém, os tucanos não se afobarem outra vez, correndo para dar entrevistas sobre "a gravidade das acusações" contra o PT que o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, teria feito a procuradores da Lava Jato, porque não é a primeira vez que vaza esta nova jabuticaba jurídica de "pré-delação". Em janeiro, a revista Veja já havia publicado uma denúncia na mesma linha baseada em documento que Pessoa teria feito na cadeia, envolvendo o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social.

Preso em novembro do ano passado e há alguns dias em prisão domiciliar, Pessoa estaria negociando desde janeiro um acordo de delação premiada que ainda não foi feito, apesar das pressões explícitas de setores da mídia e dos partidos de oposição. O problema todo é que até agora o possível delator não apresentou fatos concretos e provas do que diz, segundo admite o próprio jornal que deu a manchete:

"Pessoa descreveu de forma vaga sua conversa com Edinho, mas afirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobras".

Em nota, o PT voltou a afirmar que todas as doações à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014 foram feitas de acordo com a legislação e lembrou que suas contas foram aprovadas por unanimidade na Justiça Eleitoral.

O objetivo destes vazamentos seletivos sobre o que se passa no front da Justiça Federal em Curitiba, além de vincular diretamente a campanha da presidente Dilma Rousseff à corrupção na Petrobras para sustentar o pedido de impeachment, agora é atingir também o ex-presidente Lula para evitar que ele possa voltar a ser candidato, outra obsessão dos tucanos. Sem provas e sem citar fontes, o jornal publica esta acusação que teria sido feita pelo empresário:

"O empreiteiro disse que deu R$ 2,4 milhões à campanha de Lula, via caixa dois (na disputa pela reeleição em 2006). O dinheiro teria sido trazido do exterior por um fornecedor de um consórcio formado pela UTC com as empresas Queiroz Galvão e Iesa e entregue em espécie no comitê petista".

Disse como, a quem, aonde, quando, em que circunstâncias? Como já se tornou rotina na cobertura da Operação Lava-Jato, tudo é vago e colocado no condicional, não há resposta para estas perguntas, não se apresentam provas e as fontes são sempre anônimas, mas o conjunto da obra cumpre sua tarefa de municiar os porta-vozes da oposição, sempre em busca de um fato novo para pedir o impeachment da presidente, criminalizar o PT, colocar o governo na defensiva e tirar Lula da disputa sucessória.

Como disse esta semana o Jô Soares sobre os movimentos dos caciques tucanos, eles pensam que é só tirar a Dilma e colocar o Aécio no lugar dela. Não é bem assim, pelo menos para quem acredita nas regras do jogo da democracia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Se cobrir, vira circo; se cercar, vira hospício. A velha expressão popular nunca foi tão adequada para explicar o que aconteceu na noite de quarta-feira na Câmara, com o picadeiro do toma-lá-dá-cá armado durante a votação do pacote fiscal do governo, um festival de traições generalizadas, fisiologia explícita, agressões físicas e palhaçadas a cargo da "trupe de choque" uniformizada do deputado Paulinho da Força Sindical.

Só que ali ninguém rasga dinheiro. A moeda de troca _ a oficial, pelo menos _ são os cargos federais que estão sendo rateados pelo coordenador político do governo, o vice Michel Temer, na longa batalha pela aprovação da medida provisória 665, primeira parte do ajuste fiscal que muda a concessão de direitos trabalhistas e previdenciários.

Ao final, o governo venceu. Foi uma vitória sofrida, por um placar bastante apertado (252 a 227), mas pelo menos afastou-se o perigo iminente da ingovernabilidade, caso o pacote do ministro da Fazenda,  Joaquim Levy, fosse rejeitado.

O placar demonstrou não só a divisão do plenário da Câmara, mas também o clima de barata voa reinante nos partidos. Aliados votaram contra o governo ou se ausentaram, enquanto oposicionistas ferozes votaram a favor do pacote fiscal.

Para se ter uma ideia da zorra reinante na votação, vamos aos números.

Embora a bancada tenha fechado questão, nove deputados do PT, o partido da presidente,  não compareceram à sessão e um votou contra. No PMDB, o principal partido aliado, 13 deputados do total de 64 votaram contra o governo. Quer dizer, os dois principais partidos do governo, que passaram a semana se estranhando, quase empataram no número de traições.

O campeão foi o PDT do ministro do Trabalho, Manoel Dias, em que toda a bancada de 19 deputados votou contra a medida provisória. No PP, foram 18 traições, quase metade da bancada de 39 e, no PTB, exatamente a metade (12 dos 24).

Em compensação, 8 dos 22 deputados do DEM de Ronaldo Caiado, o mais radical partido oposicionista, votaram a favor do governo. O curioso é que o PSDB, que sempre defendeu as medidas neoliberais adotadas pelo ministro Levy, foi o único da oposição que votou em bloco contra o pacote fiscal, "em defesa dos direitos dos trabalhadores", a grande bandeira histórica do PT.

Teve de tudo, até chuva de dinheiro lançada pela Força Sindical sobre o plenário, com cédulas de "petrodólares", que traziam fotos de Dilma e Lula. As excelências se divertiram e, no final do espetáculo, até promoveram um panelaço, em mais um capítulo deprimente rumo à desmoralização do Congresso Nacional.

No meio da baixaria, reapareceu a figura do deputado suplente Roberto Freire, dono do PPS, ex-candidato a presidente da República, que partiu para cima da deputada Jandira Feghalli, do PC do B, durante uma discussão com Alberto Fraga (DEM-DF), um expoente da "bancada da bala". Inconformada, a deputada reagiu em seu Facebook e prometeu recorrer à Justiça. Trecho do seu relato:

"Parece que as noites da Câmara não têm como piorar nesta Legislatura. Sim, fui agredida fisicamente pelo deputado Roberto Freire durante discussão da medida provisória 665 agora há pouco. Pegou meu braço com força e o jogou para trás. O deputado Aberto Fraga, não satisfeito com a violência flagrada, disse que "quem bate como homem deve apanhar como homem", vindo na minha direção. Fazia menção a mim. É assustador o que esta acontecendo nesta Casa (...) Vou acionar judicialmente o senhor Fraga pela apologia inaceitável".

E assim vamos que vamos. Para onde?

 

 

 

 

 

 

 

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luz Depressão cívica: qual é a utopia, o que faremos?

"O que nós, eu e você, sem utopias, podemos fazer para realmente começar a mudar este cenário?"

Quem me mandou esta pergunta foi o jovem leitor Thiago André, de 20 anos, em comentário publicado às 14h01 de terça-feira, a respeito do post anterior "Aonde isso vai parar?", pergunta mestre de Dilma".

Como muita gente está se fazendo as mesmas perguntas neste momento difícil e nebuloso que estamos vivendo, repasso-as aos demais leitores para que, pensando juntos, possamos encontrar as respostas, em vez de ficarmos aqui só fazendo sempre os mesmos diagnósticos assustadores sobre a crise, sem sair do lugar, sem apontar caminhos, sem buscar novas utopias.

Alguns amigos já estão fazendo isso. Em artigo divulgado no mesmo dia, sob o título "Depressão cívica", Frei Betto levantou algumas questões:

"Perante o desgaste dos partidos, surgem propostas de formar frentes suprapartidárias, congregando militantes de diferentes partidos e movimentos sociais. Rumo a quê? Qual a proposta capaz de aglutinar distintos segmentos da nação? Apenas evitar a retomada do poder central pela direita?"

E arriscou apontar possíveis caminhos:

"Ora, isso já se fez na reeleição de Dilma. Sem um projeto histórico capaz de encarnar princípios éticos inquestionáveis, reorganizar a esperança das bases populares e sinalizar efetivas mudanças estruturais, não creio que haveremos de enxergar luz no fim do túnel".

Já fizemos isso juntos no passado, ao nos mobilizarmos nos movimentos pela Anistia, pelas eleições diretas e pela Constituinte, quando estes projetos históricos também não passavam de utopias, em que no início poucos acreditavam.

A grande diferença é que, naquele tempo, nos estertores da ditadura militar, tínhamos no país grandes lideranças, mais à esquerda ou à direita do espectro político, no Congresso Nacional e na sociedade civil, todas empenhadas na luta comum pela redemocratização do país.

No debate que o artigo provocou, concordei com os caminhos levantados por Frei Betto para enxergarmos uma luz no final do túnel, mas em resposta a ele levantei outras questões:

"Só uma pergunta: quem vai liderar este processo? Por onde recomeçar, se não temos mais líderes nem liderados, e os partidos faliram? Quem tem as respostas, os caminhos?"

Outro amigo, o jovem Thomas Ferreira Jensen, ativista dos movimentos sociais e colega dos nossos Grupos de Oração, me respondeu:

"A luz no fim do túnel será a soma dos milhares de vaga-lumes que piscam país afora. Em associações de bairro, grupos de jovens, cooperativas, inclusive em coletivos dentro de partidos políticos de esquerda. É uma turma que já não busca um líder, mas que vive formas autogestionárias de organização e assim constrói formas novas de trabalho de base, de formação, de resistência, algo na linha do Podemos da Espanha".

Tinha ouvido pela primeira vez a expressão "depressão cívica", empregada pela escritora Adélia Bezerra de Menezes,  no domingo, ao resumir o que estava sentindo, durante um jantar do nosso grupo no qual só se falou de crise.

É a mesma coisa que senti ao ler o dramático depoimento que me foi enviado no final da tarde de ontem pelo pequeno empresário Robson Oliveira, um antigo participante do Balaio, que desistiu de escrever comentários para o blog diante do clima de beligerância criado na disputa eleitoral. Escreveu ele:

"Boa noite Ricardo, desculpe te incomodar novamente, mas tenho visto como a situação está ficando a cada dia mais preocupante. Visto e sentido isso. Recentemente, minha filha mais velha perdeu o emprego e eu, depois de 15 anos, finalmente tive que fechar minha pequena fábrica.

A situação está terrível, meu amigo, só não aparece por causa dos acordos sindicais que ainda seguram mesmo as taxas de emprego. O que importa agora, Ricardo, não é essa guerra estúpida nas redes. O que importa é: o que faremos?

Quem tem algum plano que ao menos sinalize alguma melhora ou um retrato mais confortante dessa piora? Ninguém assume os erros, ninguém se prontifica a reconhecer que cometeu falhas, ninguém quer saber de, antes de apontar os paralelepípedos nos olhos alheios, verifique os pneus velhos nos seus.

Quando a situação era, de certa forma, confortável, o que vimos foi uma prepotência sem tamanho que agora se volta contra seus próprios criadores.

A continuar dessa forma, sem qualquer plano, sem qualquer esperança de sair do atoleiro que se aproxima, vai começar a "faltar pão nessa casa"... e o ditado, mais uma vez, se fará verdadeiro".

Como ninguém é dono da verdade nem da última palavra, o único caminho que vejo é exatamente esse aberto pela fantástica oportunidade que a internet nos dá: procurarmos juntos as formas de sairmos dessa depressão cívica e realimentarmos nossas vidas de fé e de esperança. Uma hora, as crises sempre acabam passando. Já atravessamos muitas outras e sobrevivemos.

Por isso, peço à turma boa do Balaio que participe dessa busca, mas não envie mensagens para meu e-mail pessoal. É importante que todos saibam o que os outros estão pensando, utilizando a área de comentários. Com a palavra, vocês.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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prof3 Aonde isso vai parar?, pergunta mestre de Dilma
"Aonde isso vai parar?", pergunta o mestre João Manuel Cardoso de Mello, que foi professor da presidente Dilma Rousseff e de toda uma geração de economistas brasileiros na Unicamp.

E ele mesmo responde, em entrevista a Eleonora de Lucena, da Folha:

"Não haverá recuperação. As apostas para o PIB vão de _ 1,5% a _ 3%. No ano que vem, não recupera. Alguém investe um centavo? Os bancos estão cortando crédito, os juros, subindo, uma loucura".

Aos que estão me achando muito pessimista, recomendo a leitura das projeções feitas por Cardoso de Mello para a economia brasileira, neste momento em que o governo joga tudo na aprovação do ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, que está para ser votado no Congresso. "Isso entra na cabeça de alguém? Ele dá um choque de câmbio, um choque de custos, faz corte de gastos. Vai produzir uma recessão brutal. Está produzindo. Está tudo parado".

Nas contas do professor, o desemprego ameaça chegar a 12% este ano e, em consequência, a aprovação da presidente Dilma pode cair para 7%. O cenário que ele aponta é assustador: "As demissões ainda não começaram porque existem os acordos coletivos. Em maio e junho, vai começar a demissão em massa (...) A alta dos juros está paralisando a construção civil residencial. Não tem investimento em construção pesada, está se desmontando a cadeia de óleo e gás, a indústria continua encolhendo".

E quem está ganhando com tudo isso? Só quem pode ser otimista hoje em dia e não reclamar da vida são os bancos. Nesta mesma terça-feira, foi divulgado o lucro do Itaú Unibanco, que subiu quase 30% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2014, chegando a R$5,7 bilhões. Na semana passada, saiu o balanço do Bradesco, onde trabalhava o ministro Levy, também mostrando um belo crescimento do lucro (23%) de um ano para outro (mais de R$ 4 bilhões).

Ao mesmo tempo, a Volkswagen anunciou ontem que deu férias coletivas a 8 mil funcionários e parou a produção na sua fábrica do ABC, um símbolo da industrialização brasileira. Para completar o quadro, já foi aprovado na Câmara o projeto de terceirização que, para Cardoso de Mello, vai acabar com o mercado de trabalho.

"O estrago da terceirização é enorme em cima de uma crise deste tamanho. É uma devastação do mercado de trabalho. Vai desestruturar tudo e jogar os salários para baixo. É o que Levy quer: ajustar a relação salário/câmbio".

Para onde você olha, a situação vai se agravando a cada dia.

A epidemia de dengue já  matou 229 pessoas em todo o país (169 só em São Paulo). O próprio ministro da Saúde, Arthur Chioro, admitiu que o governo está enfrentando dificuldades para controlar o avanço da doença e reconheceu que a epidemia "é uma vergonha".  De fato, já foram notificados este ano 746 mil casos, um aumento de 234,2% em relação ao ano passado.

A Sabesp anunciou que a conta de água em São Paulo vai ficar 15% mais cara, bem acima da inflação, que foi de 4,6% desde o último aumento, em dezembro (o governo Geraldo Alckmin queria 22, 7%).

No mesmo trimestre em que os bancos comemoram o generoso aumento dos lucros, o número de brasileiros que entrou na lista de inadimplentes cresceu 1,5 milhão, chegando agora a  55,6 milhões de consumidores com o nome sujo na praça, ou seja, quatro em cada 10 adultos.

Como não sou banqueiro e vivo do meu salário, e não posso brigar com os fatos e os números, independentemente dos meus desejos, sinto-me mais preocupado depois ler as previsões sobre recessão e desemprego feitas pelo professor João Manuel Cardoso de Mello, de 73 anos, fundador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, sem achar razões para resgatar meu eterno otimismo de brasileiro que não desiste nunca.

Algum leitor do Balaio poderia me dar motivos?

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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lulanovo1 Lula está na mira, isolado no palanque e sem discurso

Lula discursa no dia 1 de maio (Foto: Ricardo Stuckert / 01.05.2015/ Instituto Lula)

Fiquei triste ao ver e ouvir o discurso de Lula neste 1º de Maio da CUT, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

Basta rever as imagens na internet. Em toda a sua longa trajetória, do sindicato ao Palácio do Planalto, Lula nunca ficou tão isolado num palanque, sem estar cercado por importantes lideranças políticas, populares e sindicais.

A presidente Dilma já tinha avisado que não viria, mas desta vez nem o prefeito Fernando Haddad apareceu. Só havia gente desconhecida a seu lado e, ainda por cima, um deles segurava o cartaz em que se lia "Abaixo Plano Levy - Ação Petista", mostrando o descompasso entre a CUT, o partido e o governo.

Também não me lembro de ter visto Lula falando para tão pouca gente, e tão desanimada, num Dia do Trabalhador. Não havia ali sinais de alegria e esperança em quem o ouvia, como me acostumei a acompanhar desde o final dos anos 70 do século passado, nas lutas dos metalúrgicos no ABC.

Lamento muito dizer, mas o discurso de Lula também não tem mais novidades, não aponta para o futuro. Tem sido muito repetitivo, raivoso, retroativo, sempre com os mesmos ataques à mídia e às elites, sem dar argumentos para seus amigos e eleitores poderem defendê-lo dos ataques.

Não que Lula deixe de ter caminhões de razões para se queixar da imprensa, desde que o chamado quarto poder resolveu assumir oficialmente a liderança da oposição e fechar o cerco contra os governos petistas. Só não podemos esquecer, porém, que foi com esta mesma mídia, com os mesmos donos, com as mesmas elites conservadoras, que nunca se conformaram com a mudança de mãos do poder, que o PT ganhou sucessivamente as últimas quatro eleições presidenciais.

Ao vê-lo e ouvi-lo agora, tive a sensação de estar assistindo ao ocaso de um ciclo mágico, que levou o líder operário ao poder e promoveu profundas transformações sociais em nosso país. Fica difícil até acreditar que, há apenas pouco mais de quatro anos, Lula deixava seu segundo governo com 80% de aprovação popular, aplaudido e reconhecido em todo o mundo como um líder vencedor.

Àquela altura, Lula não precisava fazer nem provar mais nada. Já tinha passado para a história, em lugar nobre, e precisava apenas cuidar da saúde e da própria biografia. Prova do seu prestígio, elegeu e ajudou a reeleger sua sucessora.

Nos últimos tempos, porém, com o profundo desgaste sofrido pelo PT após os casos do mensalão e do petrolão, que abalaram o partido da estrela, Lula parece ter perdido os dons do mito que construiu ao longo das últimas três décadas. Política também é feita de símbolos e tornou-se simplesmente impossível descolar um do outro: para o bem ou para o mal, Lula é o PT e o PT é Lula.

Apesar do crônico conflito do PT com a mídia, que se transformou em confronto aberto e agora caminha para uma guerra de extermínio, até seis meses atrás, Lula ainda era apontado em todas as pesquisas, com larga vantagem sobre os demais, como o mais popular presidente da nossa história, em todos os tempos.

Até seus adversários admitiam que o "Volta, Lula" seria só uma questão de tempo. Por isso mesmo, ele entrou agora na mira da aliança midiática-política-jurídica formada para impedir que isso aconteça. Logo descobriram que de nada adiantava jogar todas as fichas das oposições para derrubar Dilma se, em caso de novas eleições, o ex-presidente puder ser candidato.

Nas mais recentes, Lula já não lidera as pesquisas para 2018, em várias regiões do país. Claro que a situação pode mudar até lá, mas a volta de Lula tornou-se bem mais difícil. Pode até chegar à vitória, nunca se sabe, mas um passeio, como se previa, não será mais.
O que aconteceu?
Como seu velho amigo e parceiro de tantas campanhas políticas, percorrendo várias vezes este nosso imenso país de ponta a ponta, também estou em busca de uma resposta. Talvez ele próprio não a tenha. A última vez que nos falamos, por telefone, foi às vésperas da eleição do ano passado. Parecia confiante na vitória do PT, como sempre.

De lá para cá, tanta água passou por debaixo da ponte, em tão pouco tempo, que, em algum lugar da estrada, perderam-se a velha confiança e a capacidade de dar a volta por cima, sem que Lula consiga encontrar um novo discurso capaz de mobilizar os jovens eleitores e os velhos companheiros que ficaram pelo caminho.

Vida que segue.

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 Beto Richa é o modelo tucano em estado bruto

Manifestante ferido no Paraná

Aos que não se conformam até hoje com a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, o modelo adotado pelo governador tucano Beto Richa para enfrentar uma greve de professores no Paraná, na última quarta-feira, dá uma boa ideia do que poderia estar acontecendo no Brasil se Aécio Neves tivesse saído vencedor.

Os mais de 200 feridos ao final do ataque desfechado pela Polícia Militar de Richa são o retrato em estado bruto de uma forma de governar tornada padrão pelo PSDB, que já vimos também aqui em São Paulo, durante os protestos de junho de 2013, contra o aumento das passagens de ônibus.

As imagens de balas de borracha, sprays de pimenta e jatos d´água usados contra cerca de 15 mil manifestantes durante mais de duas horas, enquanto o governador permanecia em seu gabinete e alguns colaboradores comemoravam os ataques dos policiais, poderiam refrescar a memória dos que querem voltar ao tempo em que protestar contra o governo era correr risco de vida.

Até agora, os caciques tucanos e seus porta vozes acadêmicos e midiáticos, sempre tão falantes e inquisidores quando se trata de criticar o governo da presidente Dilma Rousseff, não se manifestaram para condenar a selvageria de Curitiba, que a grande imprensa chamou de confronto, mas na verdade terminou num massacre da PM contra os professores em greve. Cadê Aécio? Cadê FHC? Cadê Serra? Cadê os seus juristas de plantão? Cadê a indignação cívica?

Candidamente, no melhor estilo tucano, o governador Beto Richa alegou que a PM apenas reagiu aos ataques de black-blocs que tentavam invadir a Assembléia Legislativa. Para prender sete baderneiros _ bem menos do que os 17 policiais presos por se recusarem a atacar os professores _ colocaram em risco a segurança de milhares de pessoas e assim, democraticamente, conseguiram aprovar um projeto do governador que tira direitos dos trabalhadores, às vésperas deste triste 1º de Maio, o mais melancólico destes últimos anos.

Está ruim, mas poderia estar muito pior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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redesvale Civilidade é o novo desafio das redes sociais

Metade da população brasileira, segundo o IBGE, já tem acesso às redes sociais em suas diferentes plataformas _ e esta é uma notícia muito boa. Estamos cada vez mais conectados ao mundo digital que provocou a maior revolução nas comunicações humanas deste a criação da imprensa, mais de 500 anos atrás.

O grande desafio que se coloca agora é discutir de que forma utilizamos este fantástico instrumento de interação e democratização, em que todos nos tornamos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações e opiniões.

Qualquer meio de comunicação pode ser usado para o bem ou para o mal _ e, não, ser considerado um bem ou um mal em si mesmo.

Como se trata de fenômeno relativamente recente em nosso país, muita gente ainda não sabe exatamente para que serve a internet e de que forma pode ajudar ou não a nos tornarmos um país mais civilizado.

Civilidade: acho que esta é a palavra certa para definir o que devemos buscar agora nas redes sociais que se multiplicam sem parar, fora de qualquer regra ou controle. Há tempos não ouvia falar nesta palavra, que revi num texto do repórter Vinícius Mendes, publicado na revista "Brasileiros" de abril, sobre o engenheiro Michel Friedhofer, criador da página Um Convite à Civilidade no Facebook.

Friedhofer trata da civilidade não especificamente na internet, mas de uma forma geral das relações com os outros no nosso comportamento cotidiano. "Indignado com atitudes incorretas incorporadas ao dia a dia, o engenheiro Michel Fiedhofer convida as pessoas a praticarem civilidade. Para ele, pequenos desvios de comportamento são elementos vitais para a corrupção em larga escala", escreveu Mendes na abertura da matéria, que vale a pena ler.

Achei ótima a ideia. Está na hora de resgatarmos antigos valores no relacionamento humano que nada têm a ver com novas tecnologias. O lado negativo da rápida expansão das redes sociais é que elas servem também para mostrar o baixo nível cultural e educacional dos seus usuários. E neste ponto o quadro revelado pela internet é bastante preocupante.

Basta dar uma navegada nos comentários publicados por internautas em toda parte, dos grandes portais jornalísticos aos blogs pessoais. Sem qualquer moderação ou cuidado por parte de seus responsáveis, boa parte dessas mensagens lembra mais as portas de banheiros em locais públicos, onde se despejam ofensas e baixarias oferecendo o que o ser humano pode produzir de pior, da intolerância ao racismo, da ignorância à total falta de civilidade.

Nestes dez anos de trabalho na internet, não tenho do que me queixar pessoalmente, pois melhorou muito o nível dos comentários enviados ao Balaio, que leio um por um antes de publica-los. Cada vez menos sou obrigado a utilizar a tecla "delete", única forma de evitar que o ambiente fique contaminado, afastando leitores mais interessados em refletir sobre os temas propostos pelo blog e menos em agredir os que pensam de forma diferente. Sou muito grato por isso aos que me acompanham diariamente.

Aqui e em outros espaços, às vezes tenho a impressão de que muitos nem se dão ao trabalho de ler os textos antes de enviarem suas opiniões definitivas sobre qualquer assunto. Dão uma rápida olhada nos títulos e já começam a digitar qualquer coisa, mais rápido do que conseguem pensar, escrevendo sempre as mesmas coisas, a favor ou contra os mesmos alvos, sem muita preocupação com a gramática, a lógica e o bom senso.

São os prazeres e as dores desse crescimento da internet que, se de um lado, oferecem um formidável e rápido acesso a tudo o que a humanidade já produziu de melhor em todas as áreas, de outro, liberam os piores instintos dos que ainda têm dificuldades para conviver com o pensamento alheio e a democracia, ainda mais num clima de alta beligerância como o que vivemos atualmente no Brasil.

Como dotar as redes sociais de mais civilidade é um bom tema para refletirmos neste feriadão. Vai fazer bem para todos nós, cidadãos internautas.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 O drama de ficar sem trabalho por trás dos números

São poucas as coisas que efetivamente sabemos sobre os efeitos que produz um ajuste fiscal. A primeira é que eles sempre afetam o nível do PIB e distribuem os custos de forma desigual entre os trabalhadores, os empresários do setor real e os intermediários financeiros (Antonio Delfim Netto, na Folha).

 

Ainda bem que nunca passei por isso, graças a Deus. Nos meus 51 anos de carreira como jornalista, nunca fui demitido nem fiquei um dia sem trabalho. Sou um caso cada vez mais raro, eu sei.

Os números negativos divulgados pelo IBGE nesta terça-feira sobre aumento de desemprego e queda na renda dos trabalhadores no primeiro trimestre escondem dramas pessoais e familiares dolorosos que vão muito além das dificuldades financeiras momentâneas. Este é o lado mais desumano e injusto dos efeitos causados pela crise econômica.

Ficar sem trabalho mexe com a autoestima, altera a rotina das famílias, leva-as a refazer ou cancelar planos, a adaptar-se rapidamente a uma nova e cruel realidade que não tem prazo para acabar.

É uma bola de neve que começa nas casas e vai atingindo o comércio da vizinhança, os prestadores de serviços, os fornecedores das indústrias, as lotéricas, o vendedor de milho cozido, até chegar à próxima projeção do PIB.

Não tem outro jeito: quem fica sem salário no fim do mês precisa rapidamente decidir quais despesas podem ser cortadas e buscar outras fontes alternativas de renda, pois este é o único caminho possível nesta hora.

Enfrentar os custos desiguais de um ajuste fiscal, como ensina o professor Delfim, torna-se um desafio para 1,5 milhão de brasileiros sem trabalho, que poderiam lotar 20 Maracanãs, um número que vem crescendo de um mês para outro este ano.

Cabe ao governo federal, claro, utilizar todos os instrumentos para cortar as próprias despesas, melhorar as receitas e redirecionar os investimentos, contemplando setores capazes de gerar empregos a curto prazo e em larga escala.

Por exemplo: destinar mais financiamentos do BNDES a pequenas e médias empresas, e não só para grandes grupos econômicos. No macro e no micro, é preciso mudar prioridades _ nos governos, nas empresas e nas famílias, ter a coragem de abrir mão de alguns confortos e certezas, mudar os hábitos dos tempos de fartura.

Embora ainda não tenha acontecido comigo, a experiência de muitos amigos e parentes que já passaram por isso nos mostra que ficar sem trabalho e renda de um dia para outro passa por dois momentos distintos.

O primeiro, após o choque, mobiliza a solidariedade da família e dos amigos para ajudar quem ficou nesta situação, mas isso sempre tem um limite para quem vive só do seu trabalho e não tem outras rendas, como é o caso da maioria dos brasileiros assalariados.

Caso esta situação se prolongue _ e nada indica no atual cenário da economia brasileira melhora a curto prazo _ a questão deixa de ser só financeira e abala a autoconfiança do cidadão desempregado, que pode se achar culpado pelas dificuldades que enfrenta e fica com vergonha de pedir ajuda.

Este é o momento mais difícil. O desempregado precisa estar aberto a mudar de cargo ou função, aceitar ganhar menos e trabalhar mais, o que nunca é fácil para ninguém. A melhor forma de entender o que está acontecendo por trás dos números da economia é se colocar no lugar do outro, mas só a compaixão não resolve.

***

A fome tem nome

Em maio de 1984, no final do governo de José Sarney, quando vivíamos dificuldades análogas às atuais, os editores da Folha me pediram para fazer uma reportagem sobre desemprego que não se limitasse a teses e estatísticas mas mostrasse o dia-a-dia de uma família em que o marido e a mulher estavam desempregados. Reproduzo abaixo um trecho da matéria publicada no meu livro A Prática da Reportagem (Editora Ática, 1985):

 

A família Lima mora na favela Cinco de Julho, em São Mateus, a meia hora de carro do centro de São Paulo. É aqui, nesta casa de dois cômodos, escura mesmo de dia, sem água há meses por falta de pagamento, sem gás para o fogão por falta de dinheiro, que terminam todas as histórias de recessão, desindexação, carta de intenções com o FMI, reaquecimento da economia, balanço de pagamentos, recorde de exportações, inflação, nível de emprego, e tudo o mais que a família Lima pode não entender direito, mas sofre na carne.

Há quatro meses, a família Lima passa fome, literalmente. A mulher, Ana Maria Rocha de Lima, 34 anos, está desempregada desde outubro do ano passado. Em dezembro, chegaria a vez do seu marido, José Luis Souza Lima, 38 anos, paulista de Cravinhos, laminador de fibras de vidro.

"Se trabalhando já estava difícil, imagina agora", diz Ana Maria.

Como é ter fome, o que você sente quando quer comer e não tem nada em casa?, pergunto à filha deles. Envergonhada como o pai, Claudilene, de 8 anos, fala baixinho:

"Eu fico quieta. Quando dá fome, eu sinto tontura...".

A mãe ouve e começa a chorar, o pai vira o rosto e fica olhando para o vazio. "Pior é a Claudinéia... Quando chega uma certa hora e ela vê que ninguém vai para o fogão, não vê panela, senta ali naquela cadeira e chora, e chora. Tem vez que vou pedir ajuda pros vizinhos. Sempre tem aquele que tem um pouco mais e reparte. Um dia ou outro já dá pra fazer isso, mas todo dia não dá, porque eu sei que todo mundo tá com a vida dura também".

Qual seria o grande sonho dessa família, o que eles fariam com o dinheiro, se amanhã, por uma bondade do destino e dos tutores da Nação, José Luis e Ana Maria arrumassem um emprego? A pequena Claudilene responde antes dos pais:

"A gente comprava bastante comida, né mãe?..."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Dilma nada tem de bom para anunciar neste 1º de Maio

Dilma em seu discurso após a vitória no segundo turno, em 2014...

Passaram-se apenas seis meses, lembram-se?, desde que Dilma Rousseff foi reeleita presidente da República, em 26 de outubro de 2015.

De lá para cá, mudou tudo, e o país virou de cabeça para baixo. Maioria virou minoria, base aliada agora é oposição, o PMDB de Michel Temer assumiu o comando político e, Joaquim Levy, o da economia, fazendo tudo ao contrário do que a presidente prometeu na campanha. A popularidade da presidente caiu em parafuso.

dilma22 Dilma nada tem de bom para anunciar neste 1º de Maio

...e Dilma em 2015

Dilma, que já foi chamada de rainha por seu marqueteiro João Santana, chega ao final de abril completamente perdida em seu labirinto, sem mais ter para onde correr, depois de abdicar dos poderes imperiais do primeiro mandato e implantar a contragosto uma monarquia parlamentarista com figuras como Eduardo Cunha e Renan Calheiros se digladiando para ver quem manda mais.

A tal ponto chegamos que a presidente Dilma não está em condições nem de ir para a TV fazer o tradicional pronunciamento de 1º de Maio. Resolveu se manifestar apenas pela internet, mas com isso pode estar só transferindo os panelaços das varandas e das ruas para as redes sociais, que já estão se mobilizando.

Além de motivos para temer novos protestos se botar a cara na televisão, o fato concreto é que Dilma não teria neste momento nada de novo e de bom para dizer aos trabalhadores. O que é bom não é novo e o que é novo neste governo Dilma-2 não é bom.

Muito ao contrário, como revelam novos números divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. O desemprego subiu para 6,2% da população economicamente ativa, a quarta alta seguida, maior índice dos últimos quatro anos anos. De março de 2014 a março deste ano, 280 mil pessoas perderam o emprego. No mesmo  período, a renda dos trabalhadores sofreu uma queda de 3%, a maior em 12 anos.

Na direção oposta, sinalizando para onde sopram os ventos, o banco Santander anunciou que seu lucro cresceu 32% no primeiro trimestre, chegando a R$ 684 milhões. E o tal do ajuste fiscal do Levy, o único projeto do novo governo até agora, ainda nem foi aprovado.

Até a própria crise entrou em crise, deixando o governo de lado, com vários conflitos paralelos deflagrados ao mesmo tempo no Congresso Nacional, entre Renan e Cunha, Senado e Câmara, PSDB da Câmara e PSDB do Senado.

As oposições, que jogaram tudo no impeachment, a reboque das manifestações de rua do "Fora Dilma", agora também não sabem para onde vão e não têm o que dizer no palanque de 1º de Maio montado pelo aliado Paulinho da Força, que será julgado hoje no STF.

A confusão é tão grande que agora é o PMDB quem quer diminuir o número de ministérios, depois de ficar se escalpelando internamente para ver quem ficava com o Turismo, e Renan virou defensor dos trabalhadores contra a terceirização de Cunha a serviço dos empresários. O PT e Lula sumiram.

Não tem perigo de melhorar. E Dilma a tudo assiste, impassível, como se o mundo estivesse sob controle, sem dar o menor sinal de para onde pretende levar seu governo, além do ajuste fiscal, que continua emperrado, enquanto todos os partidos perdem força para as bancadas suprapartidárias lideradas pelo presidente da Câmara, formadas apenas em torno de grandes interesses econômicos conhecidos e outros menos republicanos.

De reunião em reunião, a presidente vai ocupando sua agenda, esperando o tempo passar para ver se esquecem dela, mas é difícil. Depois de dez horas de reunião com seus ministros, no sábado, para discutir concessões e investimentos em infraestrutura, e mais duas, na segunda-feira, com o ex-presidente Lula, nenhuma notícia boa vazou para tornar menos sombrio o cenário deste governo que está completando apenas quatro meses de vida e tem mais quase quatro anos pela frente.

Pobre Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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marin CBF devia proibir TVs de mostrar futebol europeu

Foi uma semana de muito futebol na televisão, esta que passou. Como meu time, o São Paulo, já foi eliminado do Paulistinha, pude acompanhar neste domingo vários jogos sem ficar nervoso nem me irritar, só pelo prazer de ver o esporte mais popular do mundo.

Depois de assistir a algumas partidas da Liga dos Campeões da Europa durante a semana e os melhores momentos das finais dos campeonatos estaduais brasileiros, confesso que me deu vontade de chorar. É covardia. Parece até que o futebol daqui e o de lá são esportes diferentes. Lá, se joga sempre para a frente, em busca do gol; aqui, para os lados ou para trás.

Como já dizia o velho Parreira, gol no futebol brasileiro é detalhe _ um detalhe cada vez mais raro. Pelos resultados, dá para se ter uma ideia da pobreza das finais nos principais Estados. Em São Paulo, o Palmeiras ganhou do Santos por 1 a 0, mesmo placar da vitória do Vasco contra o Botafogo, no Rio. Em Minas, com Atlético e Caldense, e no Rio Grande do Sul, com o Gre-Nal de sempre, os jogos terminaram 0 a 0.

Mais do que resultados, estes números poderiam ser as notas do futebol mostrado pelas oito equipes. Nenhum jogador, nenhum técnico, nenhum time conseguiu se destacar. A mediocridade foi socializada.

E o que mais poderíamos esperar de um futebol que continua sendo comandado pelos Marins e Marco Polos da vida, legítimos herdeiros de Ricardo Teixeira, cartolas bons de negócios, particulares principalmente, mas que ficaram na poeira do campo esportivo?

O que nós vimos nos gramados nativos neste domingo é o retrato da decadência dos seus dirigentes, não muito diferentes dos personagens da cena política de Brasília. Mesmo assim, e apesar da lambança da seleção de Felipão na Copa do ano passado, temos cada vez mais crianças apaixonadas por seus times, que vibram nas vitórias e choram nas derrotas.

Será que ao tratarem do futebol apenas como um comércio _ muito mal administrado, por sinal _ nossos cartolas em nenhum momento são capazes de pensar no sofrimento que provocam nos nossos pequenos torcedores?

Já que não tem outro jeito, e para evitar comparações que só nos humilham e não deixam esperanças, bem que a CBF poderia pensar em proibir as emissoras de televisão de transmitirem jogos dos times europeus.

Aquele trágico 7 a 1 do jogo contra a Alemanha no Mineirão foi apenas o início do fim dos bons tempos em que Pelé e Garrincha, que nunca jogaram na Europa, faziam a alegria do nosso povo. Agora, temos que nos contentar em admirar o futebol dos outros.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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