mino carta 1024x769 Mino Carta resume a ópera: O suicídio do Brasil

Li agora o melhor resumo da ópera sobre o que está acontecendo no país. É o editorial desta semana do emblemático jornalista Mino Carta publicado na Carta Capital que está nas bancas. Em apenas uma pagineta de revista, ele dá uma bela resposta aos porta-vozes dos barões do poder midiático que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Aqui estão os responsáveis pela crise, após séculos de predação e escravidão", escreve Mino na introdução do imperdível texto, sob o título "O suicídio do Brasil", que eu gostaria de ter assinado, do qual reproduzo abaixo alguns trechos:

"Com a maior urgência o Brasil haveria de implorar por um New Deal para enfrentar a gigantesca crise em que o meteram. Caso se desse conta da necessidade, ainda assim faltariam um Roosevelt e um Keynes brasileiros para executá-lo".

(...)"No primeiro parágrafo deste editorial aludia ao Brasil como vítima. De quem? De Dilma? Da corrupção? Do Partido dos Trabalhadores? Vejamos. Dilma foi reeleita com vantagem de 5% dos votos sobre Aécio Neves. Vitória clara. A corrupção é doença crônica no País. O PT não cumpriu o que prometia e no poder portou-se com os demais. Ou seja, aqueles que mantêm a tradição partidária brasileira, vetusta ao contrário do tempo de vida do PT, nascido depois da reforma criada pela ditadura em 1979, e capaz, por mais de duas décadas, de se parecer com um partido de verdade, na melhor acepção democrática e republicana".

(...) "Não são poucos os brasileiros competentes e honestos. São, porém, minoria absoluta, e não podem fazer a diferença. Campo livre para a chamada elite, cujo empenho total foi e é manter de pé a casa-grande e a senzala. Ou, por outra, uma Idade Média dotada de computadores e celulares de infinitas serventias".

(...) "A nossa elite, a turma do privilégio, os correntistas do HSBC da Suíça e de quem sabe quantos mais paradeiros de dinheiro lavado e sonegado, é a única, inescapável vilã do entrecho. Sem empresas adequadas à tarefa, Roosevelt e Keynes não teriam condições de levar a cabo o New Deal salvador. Aqui, com o processo às nossas empreiteiras, assistimos ao suicídio imposto ao Brasil por cinco séculos de predação e três séculos e meio de escravidão".

(...) "Dois episódios desta semana são o perfeito retrato da sociedade que condena o Brasil ao suicídio. Trata-se dos moradores da casa-grande e de quantos sonham chegar lá e já agem como se fossem inquilinos. O juiz que se apossa do carro do réu. Os apupos dos frequentadores do Hospital Albert Einstein em São Paulo dirigidos contra o ex-ministro da Fazenda em visita a um amigo enfartado".

"Exemplos eficazes e aterradores, reveladores de uma sociedade que ostenta, a par de suas grifes, ignorância, parvoíce, vocação de trapaça, incapacidade crônica para a ironia e o senso de humor, prepotência e arrogância sem limites, hipocrisia e desfaçatez, velhacaria e vulgaridade. São estes os brasileiros que impõem o suicídio a um país favorecido pela natureza como nenhum outro".

Volto eu. Para quem imaginava que, após o fim da batalha eleitoral, o clima em São Paulo pudesse se tornar mais civilizado e o ar mais respirável, lamento informar que aconteceu exatamente o oposto. No principal reduto dos tucanos inconformados com a derrota, a cada dia apenas cresce o sentimento de ódio e vingança.

Ao contrário do que acontece nos países democráticos, onde um ganha, outro perde e a vida segue adiante, aqui na terra que se divide entre quem manda e quem abaixa a cabeça, onde confundem "cidadão de bem" com "cidadão de bens", querem simplesmente pegar a bola e anular o jogo.

Não é para menos numa sociedade de castas em que os donos de verdades absolutas, acima do bem e do mal, das leis e da boa educação, cercados de sabujos que só os chamam de "doutor", acham que podem tudo. Por isso, tenho certeza que nenhuma cidade do mundo tem mais "doutores" do que São Paulo. Deve ser também o único lugar onde jornaleiros são mais reacionários do que jornalistas "liberais", que, por sua vez, costumam ser mais realistas do que os reis seus patrões.

Tem razão o leitor Dias que enviou este comentário às 12h07 desta segunda-feira:

"Lamentável é persistir no Brasil a ladainha sobre os senhores de engenho em pleno século XXI. Ou o Brasil acaba com a anacrônica Casa Grande ou a anacrônica Casa Grande acaba com o Brasil, condenando-o ao passado".

Os senhores de engenho, caros Mino e Dias, apenas mudaram do campo para a cidade.

Em tempo: sobre o mesmo tema, e na mesma linha, não deixem de ler também o artigo semanal de Eliane Brum publicado no jornal espanhol "El Pais", sob o pedagógico título "A boçalidade do mal":

http:// brasil/elpais.com/brasil/2015/03/02/opinion/1425304702 871783.html

Alguém poderia me perguntar: por que estes dois grandes jornalistas brasileiros estão fora da grande imprensa brasileira?

 

 

 

 

 

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ok1 A marcha dos derrotados tucanos e seus sabujos

Marcha da Família em São Paulo, no dia 19 de março de 1964 / Foto: Reprodução/Capa Correio da Manhã

okok A marcha dos derrotados tucanos e seus sabujos

As "marchadeiras" estão de volta. Foi também num mês de março, 51 anos atrás, que as senhoras da UCF (União Cívica Feminina) e do MAF (Movimento de Arregimentação Feminina) saíram às ruas de São Paulo na "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", a senha para o golpe de 1964 desencadeado apenas 12 dias depois, que jogaria o país numa ditadura militar por longos 21 anos.

Estava no centro da cidade neste dia 19 de março. Vi a elegante multidão, calculada em 500 mil pessoas, que saíra da praça da República, atravessando o Viaduto do Chá e marchando em direção à catedral na praça da Sé, gritando palavras de ordem e empunhando faixas contra a subversão e a corrupção: "Um, dois, três, Brizola no xadrez. Se tiver lugar, vai o Jango também". Jango era João Goulart, o presidente da República, e Leonel Brizola, seu cunhado e governador do Rio Grande do Sul, ambos gaúchos.

O objetivo era um só: derrubar o governo e vingar a derrota imposta aos paulistas em 1932, como registrou no dia seguinte a Folha de S. Paulo: "A disposição de São Paulo e de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos, dentro do mesmo espírito que ditou a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento cívico já observado em nosso Estado".

As mulheres foram na frente, acompanhadas pela criadagem das suas residências e funcionários das empresas dos maridos, dispensados do cartão de ponto naquele dia. Na retaguarda, sem dar as caras na rua, ficaram os mentores da conspiração armada pelo complexo empresarial-midiático-militar, com o apoio dos Estados Unidos, reunidos no Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). O resto é história que hoje pode ser pesquisada no Google.

***

A função de um jornalista é contar o que está acontecendo nos dias atuais, sem brigar com os fatos, gostando ou não deles, mas para entende-los é preciso recuar no tempo e buscar as raízes das crises cíclicas vividas pela nossa jovem República, como esta de agora. É uma das poucas vantagens de se ficar velho nesta profissão.

Naqueles dias de 1964, quando tinha acabado de completar 16 anos, vivíamos o auge da Guerra Fria, com o mundo dividido ao meio entre o capitalismo dos Estados Unidos e o comunismo da União Soviética.

A Guerra Fria acabou junto com a União Soviética, as siglas Ipes, Ibad, UCF e MAF sumiram na poeira, a ditadura morreu de velhice e os militares estão nos quartéis, fora da cena política, cumprindo suas missões constitucionais, não há navios da esquadra americana rondando as costas brasileiras, acabamos de sair da sétima eleição presidencial consecutiva após a redemocratização do país, mas tem gente poderosa, principalmente na burguesia paulista, que ainda vive com o espírito de 1932 e 1964.

Só o que não mudou foram os barões da mídia, que continuam exatamente os mesmos, utilizando os mesmos métodos. Essa gente não esquece, não aprende e não perdoa. Se ontem o inimigo a ser abatido era Getúlio Vargas e, mais tarde, foram os seus herdeiros políticos Jango e Brizola, hoje são Lula e Dilma. Em lugar dos gaúchos, os inimigos são os nordestinos que votam no PT. Para combate-los, os udenistas que levaram Vargas ao suicídio, criaram vários partidos e acabou sobrando só o PSDB.

***

No ano passado, sentiram que poderiam ganhar as eleições com Aécio Neves e varrer o PT do mapa. Ficaram muito animados, jogaram no tudo ou nada, e acabaram sendo derrotados pela quarta vez seguida. Perderam por pouco mais de três milhões de votos, mas não se conformaram, e logo começaram a falar em impeachment (até pediram um parecer a renomado jurista) e a promover pequenos protestos do "Fora Dilma", que fracassaram em público e renda.

Com o agravamento da crise política, econômica e ética enfrentada pelo governo petista, tendo como epicentro a Petrobras, que eles já combatiam desde a criação da empresa no último governo Vargas, sem que a presidente e o partido mostrem poder de reação, os derrotados de 2014 e seus sabujos resolveram organizar e jogar todas as suas fichas numa nova marcha programada para o próximo dia 15 de março.

Agora, a CUT e vários movimentos sociais resolveram também promover um ato em defesa da Petrobras, diante da sede da empresa em São Paulo, marcada para o dia 13. Só para lembrar: 13 de março de 1964 foi o dia do célebre Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que marcou a guinada à esquerda de Jango e o início do fim do seu governo.

E adivinhem quem estava lá, ao lado do presidente, defendendo as reformas de base e a indústria nacional? José Serra. Sim, o próprio, que agora está do outro lado, muito animado com o ato do "Fora Dilma" do dia 15.

Como presidente da União Brasileira de Estudantes, o jovem Serra, aos 22 anos, fez um dos discursos mais radicais daquela noite. "A questão básica do meu discurso era a mobilização antigolpe, que tínhamos de nos mobilizar", lembraria ele, 50 anos depois, em entrevista à Folha.

***

Reunidos em São Paulo na sexta-feira, os caciques do PSDB, liderados por Fernando Henrique Cardoso, com a participação do mesmo José Serra, anunciaram que defendem as manifestações pelo impeachment de Dilma, mas sem envolver o partido, e avisaram que não irão ao ato marcado para a avenida Paulista. "Quanto mais populares, mais fortes serão os protestos", justificou Aécio Neves, o presidenciável tucano derrotado.

Assim como os mentores da grande "Marcha da Família", os tucanos preferem ficar na moita e ver tudo da janela, sem suar a camisa. O que vier é lucro. A mobilização deve ficar por conta das lideranças anônimas nas redes sociais e da mídia aliada.

O clima radicalizado e cada vez mais agressivo dos dois lados, na cidade e no país, às vezes me faz lembrar os dias tumultuados que antecederam o golpe de 1964, mas é evidente que tudo mudou no Brasil e no mundo, tornando imprevisíveis o tamanho e as repercussões da marcha dos derrotados inconformados.

Está claro também que o ato mobilizará setores além do tucanato udenista e seus sabujos, dos mais variados partidos e tendências políticas, à esquerda e à direita, inclusive eleitores petistas que votaram em Dilma há apenas quatro meses, e se mostram descontentes com os rumos do governo no segundo mandato.

Basta dizer que hoje apenas um entre cada quatro brasileiros apoia o governo Dilma-2 (23% de ótimo e bom no último Datafolha), que também só tem o apoio garantido de um em cada quatro parlamentares na Câmara comandada pelo seu desafeto Eduardo Cunha.

Aconteça o que acontecer, não se deve esperar coisa boa nos dias seguintes, pois o que realmente move os organizadores deste ato, por tudo que já foi divulgado nas redes sociais, é o ódio ao PT e aos nordestinos, e a vingança contra as vitórias de Lula e Dilma nas últimas eleições presidenciais.

Só espero que a história não se repita, nem como farsa.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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100 Para onde vamos, Dilma: fundo do poço ou poço sem fundo?

Sábado, 28 de fevereiro de 2015.

Um clima de fim de feira varre o país de ponta a ponta apenas dois meses após a posse da presidente Dilma Rousseff para o seu segundo mandato. Feirantes e fregueses estão igualmente insatisfeitos e cabisbaixos, alternando sentimentos de revolta e desesperança.

Esta é a realidade. Não adianta desligar a televisão e deixar de ler jornais nem ficar blasfemando pelas redes sociais. Estamos todos no mesmo barco e temos que continuar remando para pagar nossas contas e botar comida na mesa.

Nunca antes na história da humanidade um governo se desmanchou tão rápido antes mesmo de ter começado. Para onde vamos, Dilma? Cada vez mais gente acha que já chegamos ao fundo do poço, mas tenho minhas dúvidas se este poço tem fundo.

"O que já está ruim sempre pode piorar", escrevi aqui mesmo no dia 5 de fevereiro, uma quinta-feira, às 10 horas da manhã, na abertura do texto "Governo Dilma-2 caminha para a autodestruição".

"Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus palácios, sem mostrar qualquer reação. O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição".

Pelas bobagens que tem falado nas suas raras aparições públicas, completamente sem noção do que se passa no país, melhor faria a presidente se continuasse em silêncio, já que não tem mais nada para dizer.

Três semanas somente se passaram e os fatos, infelizmente, confirmaram minhas piores previsões. Profetas de boteco ou sabichões acadêmicos, qualquer um poderia prever que a tendência era tudo só piorar ainda mais.

Basta ver algumas manchetes deste último dia de fevereiro para constatar o descalabro econômico em que nos metemos. Cada uma delas já seria preocupante, mas o conjunto da obra chega a ser assustador:

"Dilma sobe tributo em 150% e empresas preveem demissões".

"País elimina 82 mil empregos em janeiro, pior resultado desde 2009".

"Conta da Eletropaulo sobe 40% em março".

"Bloqueio de caminheiros deixa animais sem ração _ Na região sul, aves são sacrificadas em granjas, porcos ficam sem alimento e preço do leite deve subir".

"Indicadores do ano apontam todos para a recessão".

"Estudo da indústria calcula impacto de racionamento no PIB _ Queda de 10% no abastecimento de gás, energia e água levaria a perda de R$ 28,8 bi".

As imagens mostram estradas que continuam bloqueadas por caminheiros, depois de mais de uma semana de protestos, agentes da Força Nacional armados até os dentes avançando sobre os manifestantes, produtores despejando nas ruas toneladas de latões de leite que ficaram sem transporte. O que ainda falta?

Enquanto isso, parece que as principais lideranças políticas do país ainda não se deram conta da gravidade do momento que vivemos, com a ameaça de uma ruptura institucional.

De um lado, o ex-presidente Lula, convoca o "exército do Stédile" e é atacado pelo Clube Militar por "incitar o confronto"; de outro, os principais caciques tucanos, FHC à frente, fazem gracinhas e se divertem no Facebook. Estão todos brincando com fogo sentados sobre um barril de pólvora. É difícil saber o que é pior: o governo ou a oposição. Não temos para onde correr.

A esta altura, só os mais celerados oposicionistas defendem o impeachment de Dilma e pregam abertamente o golpe paraguaio, ainda defendido por alguns dos seus aliados na mídia, que teria um final imprevisível.

O governo Dilma-2 está cavando a sua própria cova desde que resolveu esnobar o PMDB, e não adianta Lula ficar pensando em 2018 porque, do jeito que vamos, o país não aguenta até 2018.

Nem Dilma, em seus piores pesadelos, poderia imaginar este cenário de terra arrasada _ ou não teria se candidatado à reeleição, da qual já deve estar profundamente arrependida.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Governo Dilma vai agora mirar no andar de cima

Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?

Esta foi a questão levantada por este Balaio no título do post publicado na última terça-feira, dia 24. Demorou um pouco, mas a resposta do governo chegou.

"O pacote fiscal preparado pelo governo para tampar o rombo das contas públicas conterá medidas que atingirão os contribuintes mais ricos, provavelmente com aumento de impostos", respondeu o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, aos senadores do PT, que lhe fizeram a mesma pergunta, em reunião com a bancada do partido, nesta quinta-feira, em Brasília.

O encontro de Barbosa com os senadores petistas foi marcado exatamente para pedir a eles apoio à aprovação do pacote fiscal do governo, que prevê o corte de R$ 18 bilhões em benefícios trabalhistas e sociais.

Segundo relato da senadora Gleisi Hoffmann à Folha, o ministro anunciou que a criação de tributos sobre grandes fortunas está em estudo:

"Nós colocamos que essas medidas eram importantes, que achávamos que deviam ser feitas algumas adequações nos ajustes já anunciados, mas que seria muito importante que tivéssemos também medidas que atingissem quem tem renda maior na sociedade, seja na área de impostos ou outras medidas. E ele nos disse o seguinte: estamos estudando e vai haver medidas que vão atingir o andar de cima".

Abaixo, o vídeo do meu comentário sobre o assunto _ "andar de cima" é uma expressão criada pelo jornalista Elio Gaspari para se referir ao topo da pirâmide social _ no Jornal da Record News, apresentado por Heródoto Barbeiro, três dias atrás:

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dsds E quem vai pedir o impeachment de Carlos Aidar?

Arquibancadas do Morumbi semi-desertas, com apenas 16 mil torcedores onde cabem 64 mil, e a gloriosa camisa do clube sem patrocínio. Quem poderia imaginar estas cenas em pleno jogo do São Paulo na Libertadores?

Faz menos de um ano, em abril de 2014, que o nobre cartola Carlos Miguel Aidar tomou posse solene como presidente daquele que já foi considerado por muitos anos o clube mais bem administrado do país.

É verdade que choveu muito na quarta-feira e o transito estava ruim por toda parte, mas isto nunca impediu a brava torcida são-paulina de lotar o estádio nos grandes jogos.

O problema foi outro: entre várias trapalhadas muito mal explicadas, Aidar resolveu trocar a empresa responsável pela venda de ingressos na internet por uma outra de sua confiança, assim como cismou de rifar patrocinadores e não arrumou nenhum outro até agora.

O novo sistema simplesmente não funcionou direito desde a sua estreia no jogo contra o Audax, no último sábado, e entrou em colapso na partida contra o Danúbio, do Uruguai, que o São Paulo venceu por 4 a 0, apesar de Aidar. Foi por isso que os torcedores só compraram um de cada quatro ingressos colocados à venda.

1spfc1 E quem vai pedir o impeachment de Carlos Aidar?

Formou-se uma longa fila no guichê onde os torcedores que conseguiram comprar ingresso pela internet deveriam retirar as entradas, enquanto não tinha ninguém nas bilheterias que vendiam ingressos no estádio antes do jogo. Detalhe: o ingresso mais barato custava R$ 120, e depois não querem que o time seja chamado de "pó-de-arroz".

Tomar um baile do Corinthians na semana passada, deixar os são-paulinos sem ingresso, criar um clima pesado entre a diretoria e o técnico Muricy Ramalho, que é adorado pela torcida, gastar uma fortuna em contratações que não dão certo, tudo isso é só consequência dos "modernos métodos de gestão" que Aidar prometeu em sua campanha. A primeira coisa que fez foi romper com seu antecessor, Juvenal Juvêncio, que lançou e bancou a candidatura dele, e colocar a namorada para cuidar de patrocínios.

Já que a palavra está na moda, também tenho o direito de perguntar: por que os grã-finos que promovem os protestos do "Fora Dilma" na avenida Paulista não aproveitam seu tempo livre para pedir o impeachment de Carlos Miguel Aidar, o presidente que está detonando o São Paulo de tantas glórias e tradições?

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okok3 País derretendo e a farra dos deputados continua

De volta aos trabalhos na terça-feira, depois de quase duas semanas curtindo o "Carnaval das Excelências", mais longo que o da Bahia, a farra dos deputados federais continua, sob o comando de Eduardo Cunha, o todo-poderoso presidente da Câmara.

Com o país derretendo, sem conseguir fechar suas contas e tapar os novos buracos que a cada dia se abrem no casco do navio, Cunha começou a cumprir suas "promessas de campanha" e anunciou solenemente o aumento das mordomias dos seus colegas, como se fossem poucas as que já tinham.

Em lugar de discutir o pacote fiscal do governo para reduzir os gastos públicos, a Câmara vai gastar mais R$ 150, 3 milhões para reajustar os benefícios dos 513 deputados federais, que já nos custam quase R$ 2 milhões cada um por ano (para ser mais exato, R$ 1.919.579,48, segundo o portal "Congresso em Foco").

Agora, entre outras benesses, os cofres públicos também voltarão a pagar passagens aéreas para os cônjuges dos deputados e deputadas, uma prática que tinha sido abolida em 2009. Verbas de gabinete para 25 assessores, auxílio moradia e o "cotão parlamentar" para o pagamento de outras despesas, tudo vai ser reajustado a partir do dia 1º de abril _ e esta não é uma piada pronta.

"Eduardo entrega o que promete" foi um dos lemas da campanha do deputado do PMDB à presidência da Câmara, que ele ganhou de lavada. O problema é que Cunha vai cumprindo suas promessas com o meu, o seu, o nosso dinheiro, embora garanta que isso não vai aumentar o total das despesas porque pretende cortar "outras verbas de custeio". Só não explicou quais, nem quando, nem como. Sejam quais forem, se não eram necessárias, por que não as cortou antes?

Como se vivessem em outro país, no fantástico mundo das mordomias sem fim, os nobres parlamentares não poderiam ter escolhido momento melhor? Tinha que ser justamente agora em que está tudo virando de pernas para o ar, a população cada vez mais revoltada com os partidos e os políticos em geral? O que será que devem ter sentido as multidões de paulistanos que ficaram presas nas estações sem trem, depois do temporal de quarta-feira, ao chegar em casa e assistir aos jornais da noite na TV?

Há quanto tempo vocês não ouviam falar a palavra "cônjuge"? Só elas ou eles, os cônjuges dos parlamentares, é que devem ter ficado felizes com as notícias do dia.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

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Para sair deste baixo astral em que o país e o Balaio entraram nestes últimos dias, que nem eu aguento mais, quero partilhar com vocês uma bela história de vida, com final feliz, que acabei de ler. Pena que aconteceu nos Estados Unidos, e não aqui.

Reproduzo abaixo, na integra, a matéria "Após quase fracassar, festa de garoto autista nos EUA tem até bombeiros", publicada nesta terça-feira, na página A12 da Folha, um belo texto com o crédito "Das agências de notícias". Ao final, tenho certeza que o caro leitor também ficará comovido e com mais esperanças no ser humano, como eu fiquei.

***

glenn buratti 2 Bombeiros fazem a festa do menino autista

A festa de aniversário de seis anos do pequeno Glenn Buratti se encaminhava para um total fracasso em sua casa na cidade de Saint Cloud, no condado de Osceola, na Flórida (EUA).

Nenhum dos colegas de classse do garoto autista que foram convidados apareceu para comemorar com ele.

Sua mãe, Ashlee, havia chamado 16 amigos para a confraternização.

Ao ver que ninguém aparecia para a festa, Glenn ficou arrasado, disse sua mãe.

"Desde a hora em que ele acordou naquele dia, queria saber quantos minutos faltavam até que seus amigos viessem", afirmou Ashlee ao jornal local "Osceola News-Gazette".

Ela diz que os olhos do filho se encheram de lágrimas quando ele percebeu que não haveria ninguém na festa.

No site do jornal, Ashlee expressou a frustração do garoto na página "Osceola Rants, Raves and Reviews List", voltada aos moradores da região e que tem mais de 10 mil membros.

"Sei que isso pode ser algo bobo para reclamar, mas meu coração está partido por causa do meu filho", escreveu.

Quando outros membros do grupo viram a publicação, começaram a enviar mensagens perguntando se podiam levar seus próprios filhos para a festa de Glenn.

O texto chegou ao departamento de polícia de Osceola, que pediu o endereço da família e disse que um helicóptero iria sobrevoar a casa.

Em cerca de uma hora, o helicóptero passou voando baixo sobre a casa de Glenn, para que ele pudesse acenar para o piloto.

O menino, que ama policiais e bombeiros, ficou impressionado quando esses profissionais começaram a chegar para a sua festa, em seus carros e caminhões.

Embora seja um garoto tímido, sua mãe disse que Glenn brincou com os novos amigos como se os conhecesse há muito tempo.

No total, 15 crianças e 25 adultos apareceram na casa do garoto para dar presentes, comemorar e comer o bolo.

John Buratti, pai de Glenn, se comoveu com o gesto da sua comunidade. "Ele se divertiu muito".

***

Os 16 amigos de Glenn convidados pela mãe dele e que não apareceram no aniversário não sabem o festão que perderam, por puro preconceito.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

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 Guido Mantega é alvo da espiral da intolerância

Caros leitores,

informo aos trolleiros profissionais do IP 190.98.131, que utilizam diferentes codinomes e dezenas finais: seus comentários são automaticamente deletados.  

Não adianta insistir. Recomendo que aproveitem melhor seu tempo fazendo um curso intensivo de Língua Portuguesa e criação de texto.

Ricardo Kotscho

***

_O senhor é o ex-ministro da Dilma?

_ Sim, sou eu.

Foi o que bastou para tivesse início, na lanchonete do Hospital Israelita Albert Einstein, junto à recepção, o ataque ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, um dos mais sórdidos episódios de intolerância política da nossa história recente.

Meu velho amigo Guido, de família judaica, estava acompanhando sua mulher, Eliane Berger Mantega, que vem fazendo naquele hospital de excelência longo e sofrido tratamento contra um câncer. Assim que foi identificado, como se fosse um judeu na Alemanha de Adolf Hitler ou um comunista no Brasil dos generais, começaram as agressões, com gritos histéricos.

_ Vai pro SUS!

_ Safado!

_ Vai pra Cuba!

_ Filho da puta!

O fato aconteceu na tarde do último dia 19, mas só se tornou público nesta terça-feira, com a divulgação de um vídeo no Facebook mostrando o constrangimento do ex-ministro, que foi obrigado a se retirar do Einstein. O responsável pela postagem, segundo o site "Redação Pragmatismo", ainda conclamou os internautas a perseguirem petistas e simpatizantes do partido nas ruas.

Assista ao vídeo citado:

Não foi certamente a primeira vez que um ministro do PT se tornou alvo da espiral de intolerância que assola o País desde o segundo turno da campanha presidencial. O próprio Guido já havia sido hostilizado por frequentadores do bar "Astor", na Vila Madalena, no dia 20 de dezembro, quando ainda estava no governo.  Poucas semanas atrás, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, foi obrigado a se retirar de um restaurante no bairro dos Jardins para evitar um confronto maior, após ser ofendido por finórios representantes da elite paulistana.

Está se tornando algo normal, sem despertar nenhum interesse da chamada grande mídia familiar, como se fizesse parte da paisagem, atacar adversários políticos para impedir sua presença no mesmo ambiente frequentado pelos tucanos derrotados em outubro.

Nesses redutos, é perigoso até alguém declarar publicamente que votou no PT. No dia da votação do segundo turno, poucas semanas antes da sua morte, o ex-ministro Márcio Thomas Bastos foi interpelado por um ex-cliente no Clube Pinheiros:

_ Que bonito, hein, doutor Márcio? O senhor apoiando o PT, votando na Dilma! Não tem vergonha?

Com sua habitual fleugma, o ex-ministro deu um chega pra lá no cidadão:

_ Não, eu não tive vergonha de ser teu advogado e te defender naquele processo...

Até o momento em que comecei a escrever, a única reação que encontrei contra essa barbaridade inimaginável num país democrático e civilizado partiu da jornalista Barbara Gancia, que enviou uma dura carta ao presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, nos seguintes termos:

"Caro senhor doutor presidente:

1) Já foram identificados os indivíduos que hostilizaram o ex-ministro Mantega e sua mulher, que foi ao hospital na terça-feira para ser submetida a um tratamento contra o câncer?

2) Que providências os senhores estão tomando, foi registrado Boletim de Ocorrência?

3) A direção do hospital está ciente de que, caso este comportamento brutal for tolerado e nenhuma medida tiver sido tomada contra quem a praticou, isto irá significar que a Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein compactua com a irresponsabilidade, a escalada da violência e o desrespeito à ordem pública?

4) O senhor entende, Dr. Cláudio, que o Einstein não pode consentir, porque isso significa que ele se colocará ao lado dos inconsequentes que querem ver o circo pegar fogo sem medir as consequências para as instituições?"

Quando a estúpida agressão a Guido e à sua mulher se tornou pública, a direção do hospital se limitou a divulgar uma burocrática nota oficial em que declara que "recebe igualmente a todos, pacientes ou não, rechaça qualquer atitude de intolerância e lamenta o ocorrido em seu ambiente". A nota não indica nenhuma providência que o hospital pretenda adotar, mas seus assessores informaram não ter identificado nenhum médico ou enfermeiro do hospital envolvido no episódio.

É intolerável conviver por mais tempo com esses atos de intolerância. Está na hora de darmos um basta.

A vida não pode seguir assim.

 

 

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okok2 Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?

Que é necessário e urgente fazer um ajuste fiscal para colocar as contas do governo em ordem, estamos todos de acordo. Não tem mesmo outro jeito. Ninguém pode eternamente gastar mais do que arrecada, nem a padaria da esquina, muito menos um país.

Por isso, reuniões e mais reuniões se sucedem freneticamente em Brasília para garantir a aprovação no Congresso Nacional do pacote fiscal embrulhado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, encomendado pelo governo Dilma-2. O objetivo é economizar R$ 18 bilhões no orçamento. E quem vai pagar esta conta?

Tem três maneiras de se fazer isso: cortar despesas, aumentar a arrecadação ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O governo brasileiro optou pela primeira alternativa. Vai tirar dinheiro dos benefícios sociais: abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais.

Nos Estados Unidos, o governo Obama, que não pode ser chamado de bolivariano, fez exatamente o contrário: aumentou a taxação dos lucros dos bancos e das grandes fortunas para aliviar encargos da classe média que vive do seu trabalho.

Aqui nem se chegou a pensar nisso. É um assunto tabu tanto nos partidos do governo como nos da oposição, que não apresentaram até agora nenhuma alternativa para a proposta de Levy, que assume o papel de Robin Hood ao avesso para combater a inflação e fazer o país voltar a crescer.

Só para se ter uma ideia dos valores envolvidos neste pacote: o valor total que o país vai economizar é R$ 2 bilhões menor do que o lucro de um único banco, o Itaú, que no ano passado embolsou R$ 20 bilhões, boa parte graças aos juros que o próprio governo lhe paga.

Nos últimos cinco anos, o Brasil gastou mais de R$ 1 trilhão (sim, escrevi certo, é trilhão mesmo) em pagamento de juros da dívida interna. O Itaú, como sabemos, é o principal concorrente do Bradesco, o banco onde foi recrutado o ministro Levy.

Por que o governo, por exemplo, ainda não foi atrás dos R$ 19,4 bilhões que 6,6 mil brasileiros depositaram em contas secretas no HSBC da Suíça, outro assunto blindado na mídia?

Vários outros países mais abonados do que o nosso já fizeram isso e recuperaram boa parte do dinheiro de origem suspeita que não costuma pagar impostos. Não sabemos ainda nem quem são os donos destas contas.

E, por falar em sonegação fiscal, outro tema proibido, será que o ministro Levy já conversou com os procuradores da Fazenda Nacional sobre o dinheiro que o país deixa de arrecadar por falta de fiscalização e da punição dos crimes nesta área?

Estudo produzido pelo sindicato da categoria, conforme denúncia feita na noite desta segunda-feira no Jornal da Record News (ver link), prevê que, em 2015, o cartel dos sonegadores deixará de pagar à União mais de R$ 500 bilhões, ou seja, mais de 25 vezes o valor que o governo pretende economizar cortando benefícios sociais.

Diante destes números, enquanto o governo negocia com o PMDB apoio ao pacote fiscal em troca de cargos no segundo escalão, fica fácil responder à pergunta feita no título desta coluna.

Por que o pacote não tira de bancos e das grandes fortunas?

Muito simples: são exatamente estes os doadores que, em grande parte, financiam as campanhas eleitorais de todos os partidos, desde sempre.

Isso explica também porque o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, defende com tanto ardor o financiamento privado de campanhas, e o ministro Gilmar Mendes não devolve o processo em que ampla maioria do Supremo Tribunal Federal (6 a 1) já decidiu contra este poderoso criatório de corrupção em todas as latitudes da vida nacional.

O resto é pura hipocrisia.

Vida que segue.

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okokoko Protestos, greves, estradas paradas: perigos à vista

Começou. Em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e dos impostos sobre o transporte, caminhoneiros do Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul bloquearam 38 trechos de estradas neste fim de semana.

Como era de se esperar, o descontentamento com o governo Dilma 2, que se meteu em crises políticas, econômicas e sociais de toda ordem, desde a posse, há apenas 53 dias, transbordou dos gabinetes para as ruas, fábricas e estradas.

O movimento dos caminhoneiros começou nos principais redutos do agronegócio, em Estados onde a oposição derrotou Dilma na recente eleição presidencial, mas seus líderes prometem levá-lo para todo o País ao longo desta semana, elevando ainda mais a temperatura dos embates previstos no Congresso Nacional (ver post anterior).

"O setor de transporte de carga está passando por uma crise histórica, sem que os caminhoneiros consigam ter retorno", disse à Folha um dos organizadores do protesto, o gaúcho Tobias Brambilla, diretor da Associação dos Caminhoneiros de Rodeio Bonito.

A nova jornada de trabalho implantada pelo governo, em setembro do ano passado, estabelecendo um limite diário de oito horas, com no máximo duas horas extras, é outra razão da revolta da categoria. Nas contas de Odi Antonio Zani, líder do movimento em Palmeira das Missões (RS), a nova lei provocou uma queda de 30% no faturamento mensal.  "Eu tinha três caminhões rodando as estradas e faturava R$ 120 mil mensais no total. Tive de vender um caminhão e meu faturamento caiu para R$ 68 mil", queixou-se o caminheiro.

Ao que tudo indica, mais uma vez o governo foi surpreendido pelos fatos e até agora não se tem notícia de qualquer tipo de interlocução com os caminhoneiros rebelados, que prometeram manter os bloqueios nesta segunda-feira.

O movimento que fecha estradas nos principais corredores de escoamento da produção agrícola soma-se a outros protestos e greves que vêm pipocando pelo País desde janeiro _ e as medidas de arrocho anunciadas pelo pacote fiscal ainda nem foram implantadas. Na semana passada, trabalhadores das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que estão paralisadas, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra a falta de pagamento de salários.

Enquanto a classe política se alvoroça à espera da divulgação da "Lista de Janot", anunciada para esta semana, com os nomes dos parlamentares envolvidos na operação Lava-Jato, os trabalhadores estão preocupados com seus empregos, ameaçados pela paralisação de obras da Petrobras, por falta de pagamento às empreiteiras e, dessas, aos seus fornecedores.

Até onde a vista alcança, não há nenhum sinal de reação do governo, com medidas concretas, para enfrentar a enxurrada de problemas nos mais diferentes campos da vida nacional. Aos leitores que me acusam de ser muito pessimista e crítico da presidente Dilma, quero informar que não escrevo porque gosto sobre este cenário altamente preocupante, mas porque assim é, infelizmente, e eu não posso brigar com os fatos.

Quem mudou de lado foi o governo, não eu, que continuo exatamente no mesmo lugar. Estou só alertando para os perigos à vista. É explosiva esta combinação de crescimento negativo, empregos ameaçados, queda nos investimentos, falência da base de apoio no Congresso e na sociedade organizada, ministério medíocre, falta de articulação política, multiplicação de protestos, tudo sem perspectivas de mudança. Já vi este filme muitas vezes, em outros tempos e países, e o final não é feliz, lamento lembrar.

Vida que segue.

 

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