foto 11 Isolado, Joaquim joga a toalha; Eduardo surfa

Cada vez mais isolado pelos colegas e repudiado pelas principais lideranças da comunidade jurídica, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, resolveu anunciar nesta quarta-feira sua aposentadoria precoce, quando ainda faltavam 11 anos para chegar à idade da compulsória.

Para pegar uma boa onda, antecipando-se à formalização do pedido de aposentadoria do ministro, prevista para o final de junho, assim que a notícia correu o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que se apresenta na campanha eleitoral como pregador da "nova política", correu para surfar na decisão de Barbosa e mostrar de que lado está (ou sempre esteve):

"Qual partido não gostaria de ter Joaquim Barbosa em seus quadros?", pontificou o candidato, até outro dia aliado do governo do PT. "Se o ministro pensar em se filiar a algum partido, amigos próximos poderão fazer uma aproximação com o PSB. Todos os partidos políticos do Brasil que prezam a Justiça, que prezam a democracia, gostariam de ter em suas fileiras um brasileiro com a honestidade, a vida e a biografia dele".

Barbosa já disse mil vezes que não quer saber de política e pretende se dedicar à vida acadêmica, mas Eduardo avisou que está de portas abertas se ele mudar de ideia. Quem seriam os amigos próximos?

Quer dizer, segundo Campos, quem não pensa e age como ele e Barbosa não preza a Justiça e não é democrata. Era desconhecida até agora esta admiração do ex-governador de Pernambuco pelo quase ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.

Não pensam assim os presidentes de classe da magistratura e de juízes ouvidos pelo portal Brasil24/7.

"Ele não é uma pessoa que vai ser lembrada", afirmou Nilo Toldo, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). João Ricardo dos Santos, dirigente da Associação dos Magistrados Brasileiros, espera que a entidade possa  "superar esta falta de diálogo" com o STF após a saída de Barbosa.

Em nota assinada pelo seu presidente, Paulo Luiz Schmidt, a Associação Nacional dos Magistrados das Justiça do Trabalho (Anamatra), fez duras críticas ao futuro aposentado:

"A história dirá mais tarde, distanciada dos debates ideológicos, sobre seus erros e acertos (...) Para a Anamatra, no entanto, a passagem de Sua Excelência pelo Supremo Tribunal Federal e pelo CNJ, não contribuiu para o aprimoramento do necessário diálogo com as instituições republicanas e as entidades de classe, legítimas representantes da magistratura, marcando, assim, um período de déficit democrático".

Glorificado pela mídia por sua atuação implacável no julgamento da Ação Penal 470, ao mesmo tempo juiz e promotor do processo, Barbosa viu as críticas aumentarem à sua postura como autonomeado executor das penas dos condenados do mensalão do PT, atropelando toda a jurisprudência do próprio STF e do Superior Tribunal de Justiça, que, desde 1999, autoriza o trabalho externo dos apenados em regime semiaberto.

No clima de beligerância que domina o país, às vésperas do início da Copa no Brasil, a atitude de Joaquim Barbosa, que já era esperada e não causou surpresa no meio jurídico, foi recebida com uma sensação de alívio por aqueles brasileiros que, ao contrário de Eduardo Campos, pensam mais na Justiça justa e no país pacificado do que nos seus interesses eleitorais e partidários.

Surfistas não costumam se dar bem em política, mas há exceções, é claro, que, geralmente, não têm um final muito feliz. Collor que o diga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado em 29/05/14 às 14h13

Muito obrigado!

17 Comentários

Aos leitores do Balaio e amigos em geral,

pois é, aos trancos e barrancos, contrariando médicos e a medicina, consegui chegar até aqui, ainda trabalhando em três lugares, ao completar este primeiro meio século de carreira (ver matérias no R7).

Como os colegas já escreveram por mim, hoje só uso este espaço para agradecer à família, a todos os amigos, leitores e telespectadores que me permitiram fazer esta longa travessia numa profissão que, embora seja a melhor do mundo, como disse Gabriel Garcia Marques muitos anos atrás, não faz bem para a saúde.

Para quem foi operado pela primeira vez aos oito meses de idade, para tirar um tumor da cabeça, e depois já passou mais de dez vezes por salas de cirurgia, só o fato de continuar vivo já é uma vitória. E sobreviver fazendo o que gosto, no país que amo, com a mulher, as filhas e os netos que tenho, todas as contas pagas em dia e amigos por toda parte, é melhor ainda.

Escrevo nesta quinta-feira do final de maio de 2014, de alma leve e lavada, 50 anos depois de publicar a primeira matéria na Folha Santamarense, os últimos três aqui na Record (R7 e Record News), apenas para agradecer a todo mundo que acreditou em mim e me ajudou este tempo todo, tornando possível nosso encontro marcado para amanhã, sexta-feira, às 15 horas, na Faculdade Cásper Líbero (ver convite abaixo).

Muito obrigado!

Ricardo Kotscho

Kotscho convite1 Muito obrigado!

 

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ap Por que índígenas são contra Copa? Fracasso gera conflito

Por acaso alguma aldeia indígena foi derrubada para a construção dos novos estádios da Copa? Então o que aqueles índios armados e vestidos a caráter fantasiados para a guerra estavam fazendo lá? Nas imagens do confronto entre manifestantes e a PM nesta terça-feira em Brasília, destacam-se indígenas nativos apontando seus arcos contra os policiais, em frente ao Estádio Nacional, deixando um deles ferido. O autor do disparo foi preso e solto, logo em seguida, porque índios são inimputáveis.

A covardia dos organizadores do "Comitê Copa Pra Quem", mais um protesto fracassado a duas semanas do início do Mundial, só pode ser comparada à da bandidagem organizada que utiliza menores para praticar crimes que ficam impunes. Como são ignorados pela população, e já não conseguem organizar grandes atos, os líderes anônimos destes vândalos agora convocam outras "categorias" para engrossar suas manifestações.

Em Brasília, de acordo com a PM, não havia mais do que mil pessoas no auge do protesto, sendo que 300 eram índios. A eles se juntou um punhado de sem-teto e, pronto, estava montada a baderna que paralisou a capital do país bem hora em que os trabalhadores tentavam voltar para casa no final da tarde.

Com o confronto armado na tentativa de invadir a área do estádio, voaram bombas de gás lacrimogêneo, de um lado, com a cavalaria da PM à frente, e paus, pedras e flechadas, do outro. Para quem quer se aproveitar da Copa no Brasil com o único objetivo de criar um clima de medo e insegurança na população, e detonar a imagem do país lá fora, foi mais um prato cheio.

Se o objetivo dos caciques era protestar contra mudanças na demarcação das terras indígenas, por que não fizeram seu protesto diante da Funai ou do Ministério da Justiça? Quem os levou a pegar uma carona no protesto contra a Copa? Ou aconteceu tudo por acaso? A este cenário de guerra juntam-se as greves selvagens que pipocam nos transportes e no ensino públicos, deixando a população a pé e os estudantes sem aulas, na antevéspera do início da Copa.

Quem ganha com isso?

 

 

 

 

 

 

 

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marcha vadias g 20120525 Vamos ter Copa, sim, e protestos agora ficaram patéticos

 

 

Em tempo: Seminário dos 50 anos vai ser na Cásper Líbero

Caros amigos,

ficou pronto agora o novo convite (ver no final deste post) para o Seminário "50 anos de histórias do Brasil", que foi transferido para a Faculdade Cásper Líbero, na avenida Paulista, no mesmo dia 30, às 15 horas, por conta da anunciada greve na USP, local anteriormente marcado.

Participarão do debate os jornalistas Clóvis Rossi, Audálio Dantas, Jorge Araújo, Eliane Brum, Hélio Campos Mello e eu, com mediação de Mariana Kotscho. Vamos lembrar histórias do meu primeiro meio século de jornalismo, que completo esta semana. A iniciativa é da ECA-USP, onde estudei na primeira turma, e da Faculdade Cásper Líbero. A organização é de Eugenio Bucci e Camilo Vannuchi.

A entrada é franca, mas é preciso se inscrever:eventos@fcl.com.br

Apareçam e avisem os amigos.

***

Com apenas um protesto contra a Copa marcado para esta terça-feira, em Brasília, a onda de manifestações vai-se esvaziando, a cada dia de forma mais melancólica, mostrando que a maioria da população brasileira, que ama o futebol e não mistura seleção com política, não quer mais saber de baderna.

Vamos ter Copa do Mundo no Brasil, sim, apesar da urubuzada que sobrevoou o país nestes últimos meses e infernizou a vida de quem mora nas grandes cidades. Felipão e seus 23 convocados já estão concentrados na Granja Comary, em Teresópolis, só esperando o início jogo de estreia do Brasil contra a Croácia, no Itaquerão, daqui a 16 dias.

Foram patéticos os últimos protestos organizados pela turma do quanto pior, melhor, cada vez menores e mais radicais, a ponto de tentarem impedir a saída do ônibus da seleção que seguiu ontem do Rio para Teresópolis e, depois, a sua entrada na Granja Comari.

Empunhando bandeiras do Sindicato dos Profissionais de Educação e de partidos radicais da esquerda sem votos, um grupo de 200 professores xingou os jogadores que saiam do hotel próximo ao Galeão e chutaram o ônibus aos gritos de "pode acreditar, educador vale mais do que o Neymar". O que tem uma coisa a ver com a outra? Que direito estes vândalos travestidos de educadores têm de impedir a passagem de quem quer que seja? Outros 30 gatos pingados e irados se postaram diante dos portões da concentração em Teresópolis.

No último final de semana, em São Paulo, tivemos duas marchas que, mais uma vez, fecharam a avenida Paulista. Não são mais necessárias multidões nem grandes causas populares para interditar a principal via da maior cidade do país. De manhã, no sábado, foi a vez da autodenominada "marcha das vadias", em que mulheres desfilaram com os seios nus apesar do frio e da garoa; à tarde, apareceu um bando contra a Copa e contra tudo, que fez o mesmo trajeto, interditando ruas em direção ao centro. Em cada uma, não havia mais do que 300 "protestantes" nesta cidade de mais de 10 milhões de habitantes. Quem essa gente representa?

Diante do fracasso das manifestações anunciadas em larga escala pela mídia grande, ficamos sabendo que, há duas semanas, veio até um reforço do exterior. "Um grupo de cerca de cem ativistas, entre eles barbudos, mocinhas universitárias, skatistas e até rapazes com cara de advogado assistiam sem piscar à palestra do moço magrinho que tentava ensinar como mudar o mundo", relata Silas Martí, da "Folha".

O moço magrinho era um tal de Sean Dagohoy, do coletivo americano Yes Man, que deu uma "oficina de ativismo" no  Centro Cultural de São Paulo, para ensinar os nativos, durante três horas, a "pensar em ações de protesto contra o Mundial de futebol". Dagohoy ainda advertiu seus alunos que não poderia se responsabilizar pela "eventual brutalidade daqueles que estão no poder".

Era preciso informar ao ativista gringo que as maiores brutalidades a que assistimos nos últimos meses não partiram dos que estão no poder, mas de grupos de black blocs e outros celerados que se aproveitavam das "manifestações pacíficas" para afrontar a polícia, depredar patrimônio público e privado, saquear lojas, tacar fogo em ônibus.

Derrotados, eles podem voltar a qualquer momento, e todo cuidado é pouco. Que a bola comece logo a rolar para a gente poder mudar de assunto. Os nobres parlamentares brasileiros, por exemplo, já estão dando sua contribuição, ao anunciar que só vão trabalhar durante seis dias durante toda a Copa. Menos mal.

Agora é com você, Felipão!

 

Kotscho convite Vamos ter Copa, sim, e protestos agora ficaram patéticos

 

 

 

 

 

 

 

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aecio1 Ronaldo usa Copa só para faturar e apoiar candidato

Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro de todas as Copas e empresário bem sucedido, pode ser acusado de tudo, menos de ser um idiota, como o chamou o escritor Paulo Coelho, que estava a seu lado, entre outras autoridades e celebridades, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014.

Ao contrário,  o ex-jogador do Corinthians e da seleção sempre foi muito esperto nos negócios e não rasga dinheiro, um exímio surfista em busca de uma boa onda, sem dar muita bola para compromissos e princípios éticos, um verdadeiro fenômeno empresarial.

Quando aceitou ser membro do Comitê Organizador Local, em 2007, uma das tarefas de Ronaldo era exatamente a de defender a Copa no Brasil e responder críticas à organização do evento. Só que, logo em seguida, ele sumiu do noticiário, mudou-se para Londres, onde foi cuidar dos seus negócios, e esqueceu a tarefa que havia assumido. Até aí, seria apenas mais um cartola omisso e leniente, preocupado mais em faturar como garoto propaganda do que em servir ao futebol brasileiro que lhe deu fama e fortuna.

Depois de embolsar uma bela grana com comerciais alusivos à Copa do Mundo, eis que ele ressurge em grande estilo no Brasil, ganhando novamente as manchetes ao papaguear as críticas da grande mídia à organização, na qual o COL tem um papel importante. Ronaldo foi além e desceu o pau no atraso das obras dos estádios e da mobilidade urbana. Como se não tivesse nada com isso, apenas um turista inglês de passagem pelo Brasil, falou mal dos aeroportos e de todo o resto, dizendo que sentia vergonha de tudo.

Vergonha de Ronaldo sentimos nós ao constatar que não fez nada de graça, nem isso: na verdade, estava fazendo política rasteira para desgastar o governo e iniciar uma campanha a favor do candidato que apoia, o tucano Aécio Neves, seu amigo, como fez questão de registrar em seu Facebook, chamando-o de futuro presidente.

Com a maior cara de pau, logo deu início à sua nova tarefa de cabo eleitoral: "Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo. É meu amigo, confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar o nosso país". Foi mais longe: afirmou que, como empresário, diz que desistiu de investir no Brasil no próximo ano por estar inseguro. "Essa insegurança que estamos vivendo, essa instabilidade, a revolta do povo... O governo deveria tranquilizar o povo, o setor empresarial".

Até outro dia, ele aparecia em alegres fotos ao lado de Lula e Dilma. De repente, ao voltar de uma longa vilegiatura no exterior, entre um comercial e outro, virou uma espécie de Álvaro Dias do futebol, só vendo defeitos em tudo e dizendo o que deveria ser feito.

Ora, o cidadão Ronaldo tem o direito de escolher os amigos e apoiar os candidatos que bem entender, mas poderia pelo menos ser um pouco mais sutil na sua radical guinada de lado, certamente porque ouviu dizer lá fora que Dilma estava mal nas pesquisas e Aécio era a bola da vez.

Sem esperar pela pronta resposta, acabaria tomando um tranco da presidente Dilma, ainda no final de semana. "Tenho orgulho das nossas realizações, não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos eternos pessimistas de sempre".

Dilma e Nelson só erraram na raça do cachorro: vira-latas costumam ser fiéis, não traem o caráter nem mudam de time em troca de um osso.

A campanha presidencial este ano está tão imprevisível que tudo pode acontecer. Como Aécio Neves não consegue encontrar um vice para chamar de seu, por que não aproveitar o repentino embalo político de Ronaldo e dar a camisa logo para ele?

Se com sua ficha extracampo Ronaldo vai agregar ou tirar votos do tucano, é outro problema. E se o nome dele for aprovado nas pesquisas internas do PSDB? Fica a sugestão. A campanha eleitoral ficaria pelo menos mais divertida e festiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Aécio Campos ou Eduardo Neves: qual é a diferença?

Vira e mexe, eu me confundo com os nomes dos candidatos de oposição, e não é para menos. Ambos jovens e com pinta de galãs, netos de políticos célebres, Aécio Neves e Eduardo Campos _ agora acertei! _ fazem campanhas semelhantes, com o mesmo discurso de ataques ao governo Dilma e as peregrinações pelo alto empresariado industrial e financeiro de São Paulo para vender seu peixe e tornar mais competitivas suas candidaturas.

Até nas poucas propostas apresentadas até aqui, Aécio e Eduardo falam a mesma língua, como destaca o colega Fernando Rodrigues, em sua coluna da "Folha" neste sábado: defendem o fim da reeleição, mandatos de cinco anos e coincidências de disputas eletivas, de vereador a presidente da República.

Sem entrar no mérito da proposta, não se trata propriamente de uma novidade e não é o tipo de mensagem capaz de comover o eleitor a ponto de mudar seu voto. Fora isso, a dupla propõe um ajuste na economia para baixar os juros e a inflação, cortar gastos públicos e ministérios, sem afetar os programas sociais implantados pelos governos petistas, com a manutenção dos níveis de emprego e renda, mas ainda não explicaram como pretendem fazer isso.

Desta forma, como constatou Marcos Coimbra em artigo publicado na última edição da "Carta Capital", "apesar da piora na avaliação da presidenta, a oposição permanece imóvel nas pesquisas eleitorais".

Por isso mesmo, tendo apenas a metade das intenções de voto de Aécio (20 a 11, segundo o último Ibope, frente a 40 de Dilma), a terceira via de Eduardo Campos resolveu esta semana romper o "acordo de cavalheiros" que mantinha com o tucano desde o ano passado. O pretexto foi a disputa estadual em Minas, em que cada um deve lançar o seu próprio candidato, mas o fato é que o ex-governador pernambucano nada tinha a ganhar fazendo parcerias com seu principal concorrente a uma vaga no segundo turno.

Agora, é cada um por si e ambos contra Dilma, diferenciando-se apenas para ver quem bate mais na presidente. É esta a disputa que travarão daqui para a frente, já que o debate político propriamente dito tem se resumido mais a mostrar os erros dos outros do que as próprias virtudes.

Na próxima semana, começam a chegar as seleções que vão disputar a Copa no Brasil. A Câmara já avisou que não haverá sessões em dias de partidas em Brasília e quando a seleção brasileira jogar. Na semana de 16 a 20 de junho, vai ser difícil encontrar algum parlamentar em Brasília. Além disso, é o mês das festas juninas que levam os nobres parlamentares a seus redutos eleitorais, principalmente no nordeste. A CPI da Petrobras já começou esvaziada, com apenas três senadores marcando presença.

Diante deste cenário, a campanha presidencial e os índices nas pesquisas devem ficar congelados até o final da Copa, no dia 13 de julho. Só depois disso, Aécio e Eduardo terão a atenção da plateia para mostrar quais são, afinal, as diferenças nos seus projetos para ocupar a cadeira de Dilma no Palácio do Planalto. O palco daqui para a frente será ocupado por Felipão e seus 23 comandados em busca do hexa.

Bom fim de semana a todos.

 

 

 

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dilma coletiva ny 20110921 Novo Ibope dá vitória de Dilma no primeiro turno

Em tempo (atualizado às 12h10): o Ibope acabou de confirmar os números antecipados abaixo que dão vitória a Dilma no primeiro turno.

Os números do novo Ibope que será divulgado nesta quinta-feira (22) vazaram às 7h13 da manhã, em nota publicada por Lauro Jardim, na coluna Radar, do portal da revista Veja: Dilma Rousseff subiu de 37% para 40%; Aécio Neves, de 14% para 20% e, Eduardo Campos, de 6% para 11%. Pastor Everaldo tem 3% e os outros nanicos juntos outro tanto. Ou seja, Dilma tem três pontos a mais do que seus adversários somados (37%).

O que isso quer dizer?

* Em meio a um tornado de greves selvagens e protestos violentos, a presidente candidata à reeleição não só parou de cair como subiu três pontos, fora da margem de erro, garantindo a vitória em primeiro turno, se as eleições fossem hoje, ao contrário do que apontaram as últimas pesquisas do Datafolha e do Sensus.

* Seus dois principais adversários também cresceram, reduzindo os índices de brancos, nulos e indecisos apontados pelas pesquisas anteriores. Aécio chegou ao patamar dos 20 pontos, ainda bem abaixo dos últimos candidatos tucanos nesta altura da campanha, e Eduardo, pela primeira vez, aparece com dois dígitos no Ibope.

* A se confirmarem estes números, a recuperação de Dilma surge num momento crucial da campanha, em que são definidas as alianças e, portanto, a divisão do tempo de TV, quando dissidentes da base aliada já ameaçavam abandonar o barco da presidente candidata à reeleição e setores do PT ainda insistem no "volta, Lula".

* Analistas, colunistas e cientistas políticos agora vão quebrar a cabeça para explicar como a presidente conseguiu inverter a curva que apontava para baixo nas pesquisas mais recentes, com o seu governo acuado pelo bombardeio de notícias negativas na mídia e pelas manifestações anti-Copa, que geraram um clima de mau humor e mal-estar generalizados na população, principalmente nas grandes cidades, onde os especuladores do mercado financeiro já estavam salivando, esfregando as mãos à espera de novas quedas da presidente nas pesquisas.

* A maior exposição de Dilma, que agora viaja, inaugura obras e faz discursos quase todos os dias, aliada à repercussão do programa do PT na televisão, em que o partido mostrou as realizações do governo, foram logo as causas apontadas para esta guinada, mas só elas não explicam os números do novo Ibope.

* Mais importante do que tudo, foi outro número divulgado hoje: a taxa de desemprego em abril caiu para 4,9%, o menor índice da série histórica para esta época do ano. Emprego e renda são, como sabemos, os paus da barraca do governo petista que resistem a todos os achaques na área econômica.

Em resumo: as esperanças da oposição midiática-financeira-partidária concentram-se agora cada vez mais em tentar desgastar o governo com a CPI da Petrobras e os protestos contra a Copa do Mundo, que começa daqui a três semanas. Ao mesmo tempo, há um movimento claramente organizado para deflagrar campanhas salariais todas ao mesmo tempo, como no transporte público, na educação e nas polícias, para levar o caos às grandes cidades.

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FOTO 1 Greve selvagem e banditismo sindical: quem paga por isso?

Estamos sendo vítimas há dois dias de uma greve selvagem promovida pelo banditismo sindical de uma dissidência dos motoristas de ônibus e todos se perguntam quando isso vai parar. Ninguém sabe. Até agora, ninguém foi preso. São Paulo, a maior cidade do país, virou uma terra de ninguém, onde impera o vale-tudo. Ônibus são abandonados, muitos atravessados no meio da pista, nos principais corredores de trânsito, com o pisca-ligado e pneus furados, sem as chaves no contato. Isso é crime, mas ninguém faz nada, a polícia só assiste placidamente ao vandalismo organizado.

Dois milhões de paulistanos foram diretamente atingidos pela falta de transporte, mas outro tanto ficou preso no caos dos congestionamentos, que desde terça-feira nos impedem de chegar ao trabalho e voltar para casa, ir à escola ou ao médico. Quem vai pagar por isso?

Esta greve, deflagrada à revelia do sindicato da categoria, que já havia fechado um acordo com as empresas, aceitando 10% de aumento salarial, não tem líderes nem interlocutores, assim como os black blocs mascarados, mas seria muito fácil identificar os responsáveis, se esta fosse a vontade dos responsáveis pela segurança pública.

O controle das garagens de 14 viações que paralisaram 10 dos 33 terminais de ônibus da capital nesta quarta-feira, deve ter registrado quais motoristas saíram com quais veículos nas últimas 48 horas. Basta a polícia comparar com os ônibus que foram abandonados nas ruas e levar todos presos para a delegacia mais próxima.  Estranhamente, nenhuma empresa se manifestou sobre isso até o começo da tarde.

Os prejuízos causados à indústria e ao comércio, obrigados a fechar suas portas ou dispensar os funcionários mais cedo, são incalculáveis, assim como os transtornos causados aos cidadãos contribuintes, impedidos de exercer seu sagrado direito de ir e vir.

Sem aviso prévio, a bandidagem sindical resolveu parar a cidade e deixou atônitas as autoridades do município e do Estado. O governador Geraldo Alckmin, como de hábito, manteve um obsequioso silêncio. Já o prefeito Fernando Haddad acusou os grevistas de utilizar "tática de guerrilha" e ameaçou recorrer ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Polícia Civil de São Paulo, que hoje também estava em greve. Providências concretas, nenhuma, a não ser suspender o rodízio de veículos.

Os passageiros dos ônibus que conseguiram sair das garagens e estavam circulando foram cercados por piqueteiros agindo livremente em vários pontos da cidade, ameaçando depredar os veículos, como informou o R7, às 15h28.   A 20 dias da Copa, é este o clima de guerra campal na cidade-sede do jogo de abertura entre Brasil e Croácia, no Itaquerão, estádio que ainda está em obras.

A quem está me achando muito pessimista, peço o favor de me dar pelo menos um motivo de otimismo. Agradeço desde já.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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esse Pesquisas silenciam sobre eleições para governadores

Quase toda semana sai uma, ou mais de uma pesquisa sobre a eleição presidencial. Nesta quinta-feira, o Ibope já deve divulgar um novo levantamento. Enquanto isso, embora no mesmo dia 5 de outubro tenhamos também eleições para governadores, nem me lembro quando foi publicada a última pesquisa dos grandes institutos sobre a situação dos candidatos nos Estados.

Este estranho silêncio de Datafolha e Ibope já chamou a atenção de muitos leitores deste Balaio, que não conseguem entender os critérios dos donos dos números, cada vez mais responsáveis pela divisão de recursos privados para financiamento de campanhas, alianças e, principalmente, o milionário tempo de televisão.

Procurei no Google para ver se tinha perdido alguma coisa importante de pesquisas sobre eleições estaduais. O último Datafolha que encontrei sobre a eleição para governador em São Paulo, por exemplo, é de começo de dezembro do ano passado. Os quatro principais candidatos estavam assim: Alckmin, 43%; Skaf, 19%; Kassab, 8%, e Padilha, 4%.

Na mesma época, a presidente Dilma Rousseff, segundo todas as pesquisas, estava reeleita já no primeiro turno. De lá para cá, Dilma caiu na intenção de votos e na avaliação do seu governo, enquanto os dois candidatos de oposição mostravam uma curva ascendente, como vimos nas manchetes das últimas semanas.

Será que a situação em São Paulo, ao contrário da eleição presidencial, continua a mesma, com a liderança folgada do governador Geraldo Alckmin, depois de todos os problemas com o abastecimento de água, o aumento da criminalidade e, portanto, da insegurança nos últimos meses? Nem se sabe se o ex-prefeito Gilberto Kassab será mesmo candidato, já que está negociando aliança tanto com os tucanos como com o PMDB e ignoramos qual foi o possível efeito no eleitor da propaganda dos partidos na televisão.

O quadro não é muito diferente no Rio de Janeiro, onde Ibope e Datafolha ainda não divulgaram pesquisas feitas este ano. A única que achei é do Instituto Gerp, publicada no final de abril, em que o quadro ainda estava bem indefinido, com o senador Marcelo Crivella, do PRB, liderando a pesquisa (18%), seguido de Anthony Garotinho (13%), Lindbergh Farias, do PT, (8%), o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, (7%) e o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, com 6%. Quase metade do eleitorado (45%) ainda não tinha candidato; 23% responderam que não votariam em nenhum deles e 22% estavam indecisos.

Em Minas, os últimos números que encontrei são ainda mais antigos e datam de agosto do ano passado. Segundo o desconhecido Instituto MDA, Fernando Pimentel, do PT, liderava a corrida mineira, com 38,1%; Clésio Andrade, do PMDB, que nem vai ser candidato, tinha 10,4% e, Pimenta da Veiga, do PSDB, 3,6%. Os eleitores que não indicaram nenhum dos candidatos chegavam a 53,7%.

Desta forma, até agora, tateando na escuridão das pesquisas, é impossível fazer uma previsão sobre o desempenho dos principais partidos nos três maiores colégios eleitorais do país, que serão fundamentais também na disputa para a presidência da República.

Qual o motivo deste longo silêncio dos grandes institutos, tão ativos na campanha presidencial, quando se trata das disputas estaduais? Antigamente, terminava-se dizendo: cartas para a redação. Agora, é mais fácil: se alguém souber a resposta, pode escrever na área de comentários do Balaio.

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 Por que tantos saem de casa só para barbarizar?

Pode ser jogo de futebol, parada gay ou um show de rock. A maioria das pessoas vai só para se divertir, mas tem cada vez mais gente que sai de casa só para barbarizar. Fico assustado ao ver que neste último final de semana, em São Paulo, tivemos pelo menos 18 arrastões na Virada Cultural, deixando dois baleados, dois esfaqueados e mais de 100 presos. É por isso que cada vez menos gente tem coragem de sair de casa para ir a estes eventos.

Sempre tivemos brigas em lugares tomados por multidões e onde corre muita bebida, mas eram casos isolados, nada programado ou planejado. Quem não gosta de muvuca, como eu, simplesmente não vai. Só que o que estamos vendo agora são vândalos organizados que se aproveitam da situação para infernizar a vida dos outros, mesmo os que estão apenas de passagem, tentando chegar a algum destino.

Quase todo final de semana, ruas e avenidas são interditadas por algum motivo, as vias em torno de estádios e casas de espetáculos ficam intransitáveis, somando-se àquelas improvisadas em ciclovias. Claro que todo mundo tem o direito de se divertir, mas desse jeito o espaço público vai ficando menor, tornando uma verdadeira gincana o simples ato de tentar circular pela cidade.

Já era assim durante a semana, mas de uns tempos para cá também aos sábados e domingos é difícil chegar no horário aos nossos compromissos. Como o transporte público é indigente, em breve teremos um carro por habitante e assim ninguém mais vai conseguir trafegar pela cidade, facilitando a ação dos bandos que fazem arrastões nos congestionamentos, armam barricadas e, por qualquer motivo, ateiam fogo aos ônibus.

A tudo assistimos bestificados, sem saber direito o que está acontecendo. Não me arrisco a responder à pergunta do título, até porque, não tenho a menor ideia. Só gostaria de entender. Sei que ruas e calçadas tornaram-se verdadeiras armadilhas, em que bandidos, carros e buracos disputam para ver quem faz mais vítimas. Vamos pedir socorro a quem? De vez em quando, tenho a impressão de que estamos numa guerra permanente de todos contra todos e esqueceram de me avisar para ficar em casa.

Só me resta dizer: pobre São Paulo, que fizeram de ti.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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