foto 1 Nanicos apoiam Aécio. Qual é a surpresa? Que diferença faz?

Em tempo, atualizado às 20h20 de 8.9:

A Executiva Nacional do PSB anunciou agora à noite que irá apoiar Aécio Neves, do PSDB, no segundo turno. Marina Silva, que concorreu pelo partido à presidência, só deverá anunciar sua posição amanhã. Ao participar do anúncio da decisão do PSB, em Brasília, Aécio falou do legado de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no dia 13 de agosto:

"Recebo este apoio honrado e emocionado porque passo a ter, no limite das minhas forças, a responsabilidade de levar o legado de Eduardo pelo Brasil. Seus sonhos, Eduardo, passam a ser os meus sonhos".

***

Até o final da tarde desta quarta-feira, Marina Silva ainda não proclamou oficialmente ao país quem irá apoiar no segundo turno, embora não haja muitas dúvidas sobre a sua preferência.

Mas três nanicos já se anteciparam, ao anunciar que estão com Aécio Neves, e não abrem: primeiro, foi Roberto Freire, eterno presidente e proprietário do PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro), que não conseguiu sequer se reeleger deputado federal em São Paulo, apesar do apoio de José Serra e da mídia aliada; em seguida, chegou a vez de Eduardo Jorge, do PV, um partido que há tempos é uma folclórica linha auxiliar dos governos do PSDB e, por fim, o venerável pastor Everaldo, do PSC, que já vinha fazendo dobradinha com o tucano nos debates.

E daí? Qual é a novidade? Se nos programas políticos e nos debates de televisão do primeiro turno já eram todos contra o PT de Lula e Dilma, não havia motivos para que mudassem de posição agora. Com perdão pelo trocadilho, até aí morreu o Neves.

Somando o voto de todos os nanicos com os de Marina, como mostrei e provei no post anterior, nem se chega perto do total de eleitores que optaram por não escolher nenhum deles no primeiro turno.

Pois são exatamente eles, os 38,7 milhões dos eleitores reunidos no contingente dos "não votos" (brancos, nulos e abstenções) que irão definir este segundo turno em 2014, e não estes caciques nanicos de partidos idem. O resto é só farofa para alimentar os portais e as especulações em dia de noticiário fraco, antes do reinício da propaganda eleitoral previsto para amanhã, quando serão divulgadas também as primeiras pesquisas do Ibope e do Datafolha no segundo turno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Marina e os não votos nas margens de erro

Quem será que Marina vai tirar para dançar no segundo turno? Alguém tinha ou ainda tem alguma dúvida?

Faz três dias, desde a abertura das urnas no domingo, só se fala disso. A protagonista do segundo turno até agora é Marina Silva, a terceira colocada, que ficou fora dele. Apesar de ser intimada a todo momento pela velha mídia familiar e partidária a declarar logo seu apoio ao tucano Aécio Neves, ela está se fazendo de difícil e alimentando o suspense para valorizar o passe.

A ex-senadora, ex-ministra e agora ex-candidata, ainda está discutindo com suas equipes da Rede e do PSB os termos do acordo com o PSDB, e só deve proclamar o resultado das negociações nesta quinta-feira, mesmo dia em que devem sair as primeiras pesquisas do Ibope e do Datafolha no segundo turno _ dentro das margens de erro, é claro. Pode ser tarde demais. Dependendo da margem de erro, que alguns pândegos já estão querendo aumentar para 40%, para cima ou para baixo, você pode estar chegando ao Guarujá ou indo para a PQP (distrito de Ponte Que Partiu).

Trancada num apartamento da agora mística Vila Nova Conceição, bem longe da floresta, onde recebe seus seguidores para ajudá-la a refletir sobre os rumos do novo Caminho de Santiago, enquanto os tucanos e a mídia amiga fazem contas para descobrir quantos votos, afinal, Marina poderá transferir a Aécio, todos se esquecem de um outro eleitorado, bem maior do que o dela: é o dos 38,7 milhões de "não votos", a soma dos brancos, nulos e das abstenções no último domingo.

São 4 milhões de votos a mais do que os recebidos por Aécio Neves (34,8 milhões). Num universo de 143 milhões de eleitores, Dilma ficou com 43,2 milhões de votos e Marina teve perto da metade (22,1 milhões), pouco mais do que conseguiu quando foi a grande zebra da eleição de 2010.

É este enorme contingente de não votantes, eleitores que resolveram ficar fora do jogo e não escolheram nenhum presidenciável no primeiro turno, que poderá ser decisivo no segundo, e ninguém parece dar muita importância a isso.

Se eu fosse marqueteiro ou cientista político, estaria mais preocupado com o destino desses "não votos" do que com os de Marina, a líder da "nova política", que não tem propriamente currais eleitorais nem eleitores de cabresto, ao menos que eu saiba, para estar se comportando como Getúlio Vargas ao fazer suspense na hora anunciar se o Brasil entraria na Segunda Guerra Mundial ao lado dos alemães ou dos americanos, dentro das margens de erro de uns 5 mil quilômetros, para mais ou para menos, nas frentes de combate.

Nesta troca de balas perdidas, Aécio também deveria se preocupar com o que anda falando seu mentor Fernando Henrique Cardoso, cada vez mais sociólogo e menos ex-presidente. O fogo amigo é sempre perigoso. Ao jogar esta semana os ricos letrados do Sul Maravilha contra os desinformados pobres do Nordeste Atrasado, FHC dá a impressão de não estar lendo nem os veículos da mídia amiga e com problemas de localização geográfica. Afinal, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde Dilma ganhou com folga, não ficam propriamente nos grotões nordestinos.

É preciso alguém levar dados atualizados ao ex-presidente. As coisas mudaram: noticiário da Folha desta terça-feira, escondido num canto de página, mostra que o PIB do Nordeste continua crescendo mais do que o do resto do Brasil, como vem acontecendo nos últimos 12 anos.

De acordo com os números mais recentes do Banco Central, a economia nordestina cresceu 2,55% no segundo trimestre do ano, na comparação com o primeiro, que já havia registrado 2,12% de expansão. "Nenhuma das demais regiões obteve dois trimestres consecutivos de alta, e as taxas, mesmo quando positivas, foram bem mais modestas", informa o jornal, que não pode ser acusado de petista.

Mais: segundo o IBGE, a economia do Brasil encolheu 0,2% de janeiro a março e 0,6% de abril a junho. Assim, mais do que qualquer outro fator ou argumento calcado em velhos preconceitos, são estes números que podem ajudar o sociólogo a entender as razões das vitórias de Dilma no Norte-Nordeste, em Minas e no Rio, que lhe deram uma vantagem de quase 9 milhões de votos sobre Aécio, apesar da acachapante derrota do PT em São Paulo.

Ah, antes que eu me esqueça. Enquanto o mundo político ficava ocupado com acordos, delações premiadas e pajelanças em geral, no mundo real o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, aquele do topetão jeitoso, aproveitou a trégua eleitoral para dar a módica ajuda moradia no valor de R$ 4.377 mensais para todos os juízes e procuradores, o que vai nos custar mais de R$ 1 bilhão por ano.

Na hora de votar, também é bom pensar nestas pequenas coisas do nosso cotidiano. Afinal, de um jeito ou de outro, aconteça o que acontecer dia 26, a vida continua.

 

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camara Câmara Federal vai ter 28 partidos: chega de nanicos!

Se todos os partidos que, nas eleições de domingo, conseguiram representação de pelo menos um deputado na Câmara Federal, apresentarem candidatos a presidente da República, em 2018, as emissoras de televisão vão ter que montar palcos gigantescos: serão nada menos do que 28 atores em cena.

Sim, é isso mesmo: aumentou de 22 para 28 o número de siglas com representação na Câmara. Isto torna simplesmente inadministrável organizar qualquer debate, por mais que a lei eleitoral determine a participação de todos os que apresentarem candidaturas.

Inadministrável, na verdade, fica o próprio país. Seja quem for eleito presidente, como vai governar? Alguém já pensou como o presidente da República vai fazer para administrar as demandas de 28 presidentes partidários e seus respectivos líderes na hora de montar sua base aliada para ter maioria no parlamento, sem o que, é impossível governar o país?

Diante deste quadro assustador produzido pelas urnas de 2014, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, já voltou a defender a cláusula de barreira para restringir a verba do fundo partidário e o tempo de televisão para as siglas nanicas. "Este grande número de partidos com um ou dois deputados, que passam a ter acesso a tempo de TV e fundo partidário, mostra que é hora de instituir a cláusula de barreira".

Já passou da hora, caro ministro, permita-me acrescentar. Jamais poderíamos chegar a esta balbúrdia partidária, uma anomalia que me parece única no mundo civilizado. A cláusula de barreira, que prevê um mínimo de 5% dos votos nacionais para que um partido possa ter representação no Congresso Nacional é, a meu ver, o principal ponto de uma reforma política pela qual o país clama, mas que jamais irá acontecer, se depender só dos políticos, sem que haja uma forte pressão popular.

Isto já aconteceu em 2006, mas o Supremo Tribunal Federal fez o favor de derrubar a cláusula de barreira. Nada sugere que agora será diferente. Mesmo que a medida seja aprovada no Congresso Nacional, bastará que o ministro Gilmar Mendes peça vistas do processo, e não se falará mais nisso.

A propósito, lembro que Mendes ainda não liberou o processo sobre a proibição de financiamento privado de campanhas, que já foi aprovada pela maioria do STF, mas não pode entrar em vigor até que o cuidadoso ministro faça o favor de devolvê-lo.

Dos 28 partidos a que chegamos na Câmara, três deles elegeram apenas um deputado (o PTdoB, o PRTB de Levy Fidelix e o PSL) e outros três contam com dois (o PEN, o PSDC e o PTC). Além do insistente Levy Fidelix, poderemos agora ter de volta aos debates o incrível Eymael, o democrata cristão, do PSDC, que antes não tinha nenhum deputado federal. Qual é o eleitor que sabe me dizer o significado dessas siglas?

Para se ter uma ideia da urgência da reforma partidária, se a cláusula de barreira já estivesse em vigor, apenas 7 partidos teriam representação na Câmara. E ficaria de fora o DEM, que já chegou a eleger a maior bancada, em 1998, quando ainda era chamado de PFL, e agora teve apenas 4,2% dos votos válidos.

Esse certamente é um dos motivos do desencanto demonstrado por boa parte dos eleitores nas eleições de domingo, quando quase um terço do eleitorado se recusou a participar da escolha dos novos governantes e dos parlamentares que serão responsáveis pelos nossos destinos nos próximos quatro anos.

Entre votos brancos, nulos e as abstenções, o índice chegou a 29%, um número muito elevado, que deveria preocupar os políticos deste país, se eles não estivessem ocupados apenas com o que é melhor para eles.

 

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 O papel do rádio na fábrica da desconstrução

Desconstrução virou a palavra da moda. Foi muito utilizada para criticar a propaganda negativa do PT contra a candidatura Marina Silva. Como ando muito de táxi, acompanho diariamente as atividades de uma outra fábrica de desconstrução, bem mais antiga e poderosa, que não está no radar dos nossos analistas e da qual quase ninguém fala.

Refiro-me ao papel desempenhado pelas rádios nesta campanha eleitoral. Temos no país três rádios sediadas em São Paulo e que operam em rede nacional, dedicadas dia e noite a baixar a ripa nos governos e políticos progressistas de qualquer latitude.

Recrutados em sua maioria na mídia impressa, proliferam no dial os "comunicadores populares" e  "comentaristas políticos e/ou econômicos", com um discurso que repete o pensamento único das suas empresas e não dá espaço para controvérsias: é pau no governo, desde que o governo não seja tucano.

Não importam o fato nem o assunto, você já sabe o que vai ouvir naquelas vozes indignadas de quem veio ao mundo para salvar a humanidade da danação eterna. Lembram aqueles pregadores do apocalipse que gritam na praça da Sé, mesmo que ninguém pare para ouvi-los. Só que estes têm uma audiência seleta e cativa.

Quando se fala de "conversa de motorista de táxi", sempre que alguém conta uma história cabeluda, detonando alguma figura pública sem necessidade de comprovação, pode ter certeza que a matéria prima vem do que ele ouviu no rádio do carro, e nada mais é do que a reprodução do que divulgam estes comunicadores e comentaristas clonados em série.

Depois, seus passageiros vão repetir estas mesmas histórias nos botecos de esquina ou nas salas de espera, nos salões chiques ou nos pagodes, garantindo que são verdadeiras. Se você lhes perguntar de onde tiraram isso, vão dizer que ouviram no rádio (ou então que viram na internet, na retroalimentação das notícias multimídia). É o círculo vicioso da fábrica de desconstrução, que gerou a famosa lenda da "mansão do Lula no Morumbi", repetida até hoje à exaustão pelos taxistas mais antigos.

Claro que não se pode generalizar, que há honrosas exceções à regra, e faço questão de citar como exemplos José Paulo de Andrade e Salomão Esper, ambos veteranos profissionais da Rede Bandeirantes, de quem muitas vezes posso discordar, mas sempre respeito. Não se trata de afinidade política ou ideológica, mas apenas de ter caráter e honestidade profissional.

Em épocas de beligerância eleitoral como estamos vivendo neste momento, muita gente subestima o poder do rádio e sua capacidade de multiplicação de boatos e infâmias, instrumento de propaganda permanente, geralmente a serviço do que há de mais conservador, reacionário e intolerante na sociedade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto Aécio lava a égua em SP, surfando na onda anti PT

Cada dia é um dia, com uma noite no meio. Ainda bem. Que o digam os institutos de pesquisa, que nunca erraram tanto como nesta eleição. O Ibope errou feio até na boca de urna no final da tarde de domingo, em que anunciou a vitória de Dilma Rousseff por 44 a 30 contra Aécio Neves, uma diferença, portanto, de 14 pontos.

Só que quando as as urnas foram apuradas e o resultado final anunciado, no começo da noite, o placar registrava 42 a 34 a favor de Dilma, apenas 8 pontos à frente de Aécio, que perdeu na sua Minas Gerais, mas lavou a égua em São Paulo, como dizem os nossos caipiras, que mais uma vez reelegeram Geraldo Alckmin.

"Desenha-se um segundo turno entre Dilma e Aécio", foi o título do post que publiquei no já longínquo dia 18 de julho, antes da morte de Eduardo Campos e da assunção de Marina Silva. Muitos leitores não gostaram e me criticaram porque, naquele momento, ainda acreditavam na possibilidade da reeleição da presidente já no primeiro turno. Pela primeira vez, Dilma (44%) e Aécio (40%) apareciam numa situação de empate técnico na simulação de segundo turno feita pelo Datafolha.

No dia 28 de agosto, duas semanas após a tragédia aérea com Eduardo Campos, tudo tinha mudado: a campanha eleitoral foi varrida pelo furacão Marina Silva, que disparou nas pesquisas, chegou a abrir 10 pontos de vantagem sobre Dilma na simulação de segundo turno do Datafolha, e ameaçou liquidar a fatura já na primeira rodada. Neste dia, não escrevi sobre pesquisas, mas fiz um relato sobre o que senti andando pelas ruas de São Paulo.

"Ódio contra o PT em São Paulo é assustador", foi o título  da matéria publicada a cinco semanas das eleições, que começava com o desabafo de um taxista:

"Eu tenho tanto ódio contra o PT que,  se tiver uma eleição entre o PT e o PCC, eu voto no PCC".

A frase dava bem uma ideia do sentimento de boa parte dos eleitores paulistas nos poucos dias que faltavam de campanha na região em que o PT registra os mais altos índices de rejeição do país. A pouco mais de um mês da eleição, 47% dos entrevistados responderam ao Datafolha que não votariam em Dilma de jeito nenhum. Parece que ninguém no Palácio do Planalto deu atenção a estes alertas.

É exatamente isto que explica a disparada de Aécio Neves na reta final, atropelando Marina Silva, ao jogar no voto útil para derrotar o PT, e abrir uma enorme vantagem sobre Dilma no maior colégio eleitoral do país: foram 10,1 milhões de votos contra 5,8 milhões para Dilma Rousseff.

Nem Fernando Henrique Cardoso, nas duas vezes em que derrotou Lula no primeiro turno, abriu tamanha vantagem em São Paulo. E foi o que derrubou as previsões dos institutos de pesquisa, o ponto fora da curva em relação às eleições presidenciais anteriores.

Porque Dilma ganhou de novo onde o PT costuma ganhar (Norte-Nordeste, Minas e Rio) e perdeu onde costuma perder (no Sul e Sudeste). Só que, desta vez, a sua vitória foi bem menor do que no primeiro turno de 2010 (8 milhões de votos a menos).

Faz tempo que o eleitorado brasileiro está dividido em dois _ os que votam a favor e os que votam contra o PT _ só que, desta vez, a disputa está muito mais acirrada e o segundo turno promete uma "batalha sangrenta", como previu um bandeiroso porta-voz do Instituto Millenium, que só faltou sapatear de alegria, ao vivo, na TV.

Para se ter uma ideia do clima, no dia em que o velho amigo Ancelmo Gois reproduziu, em seu twitter do Globo.com, o post do Balaio com a frase do taxista, dizendo que votaria até no PCC para derrotar o PT, o leitor Junior Guerra respondeu:

"Vamos pegá-los para tirar o fígado e jogar pros cachorros".

Preparem-se para o que virá. Estamos voltando aos tempos da peleja de Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas. Só espero que ninguém se mate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atualizado às 12h45

Daqui a pouco, às 16h30, estarei participando junto com Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão da cobertura das apurações, no programa especial do Jornal da Record News, que pode ser sintonizado nos canais 78 da NET e 179 do SKY. Nos vemos lá.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Acabaram de sair as novas pesquisas do Ibope e do Datafolha, pouco antes de começar o futebol neste sábado à tarde.

Desta vez, os dois institutos anunciaram, logo de cara, os índices dos votos válidos, que mostram, pela primeira vez, Aécio na frente de Marina, e a presidente Dilma a um passo da reeleição no primeiro turno.

No Ibope, Dilma chega a 46%, Aécio tem 27% e, Marina, 24%.

No  Datafolha, Dilma tem 44%, Aécio, 26%, e Marina, 24%.

Para liquidar a fatura no primeiro turno, o que parece possível nesta véspera da eleição, mas é difícil de acontecer, Dilma precisa de 50% dos votos válidos mais um. Pode bater na trave.

De qualquer forma, estas pesquisas servem para mostrar, nos últimos momentos de campanha, que Marina Silva era fogo de palha, Aécio não estava morto e Dilma era bem mais forte do que os números dos institutos apontavam até a semana passada.

É sempre assim: à medida em que se aproxima a abertura das urnas, as pesquisas procuram chegar mais próximas da verdade dos eleitores.

Uma coisa é certa: mesmo que não liquide a fatura já no primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff entrará no segundo com larga vantagem sobre Aécio ou Marina.

Neste quadro, não há antecedentes, desde a redemocratização, de uma inversão de resultados.

Em resumo: Dilma é mais favorita do que nunca, em qualquer circunstância, tanto no primeiro como no segundo turno. Caminha para a reeleição.

Em tempo:

Veja pirou

Estava esperando para ver a capa desta semana da Veja, revista da qual sou antigo assinante. Qual seria a nova bala de prata?

Que nada, nenhuma denúncia contra o PT, mas uma capa simplesmente inacreditável, totalmente sem noção, sem nexo, sem pudor, de um nonsense total.

Não se tata de opção ideológica ou partidária, mas de absoluta falta de bom senso editorial.

É o que dá entregar o comando da revista a quem não é do ramo.

Com a chamada "A cartada final", Veja conseguiu dar uma capa na véspera da eleição presidencial, sem a foto da presidente Dilma Rousseff, franca favorita à reeleição.

A capa destaca as fotos dos combativos adversários Marina Silva e Aécio Neves no debate da Globo, "o último duelo para decidir quem enfrenta Dilma Rousseff no segundo turno", sem sabermos nem se haverá segundo turno, como mostram as pesquisas acima.

Dilma é sujeito oculto, ausente da capa.

Dá para acreditar nisso?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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essa Não sei quem vai ganhar, mas a imprensa já perdeu

Por onde passei nestas últimas semanas e meses, lá vinha a pergunta inevitável: quem você acha que vai ganhar as eleições? Invariavelmente, respondia que não poderia responder com qualquer certeza, até porque, se soubesse, ficaria rico. O pessoal da jogatina na bolsa e no dólar pagaria qualquer preço para saber a resposta correta.

Nesta véspera da mais disputada eleição presidencial dos últimos muitos anos, estava nesta manhã cinzenta de sábado navegando pelos portais em busca das últimas informações, quando encontrei um texto de Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa, do grande Alberto Dines, que resume bem o que penso neste momento e me dispensa de ter que escrever muito, pois, confesso, estou cansado desta campanha, uma disputa de baixo nível, que em nenhum momento conseguiu mobilizar corações e mentes.

Sob o título "A verdade na boca da urna", meu amigo e vizinho Luciano foi direto ao ponto:

"Seja qual for o resultado da votação de domingo, pode-se dizer que a imprensa sai como a grande perdedora, porque não conseguiu colocar seu candidato predileto em condições de vencer a eleição. Até este momento, mesmo o mais otimista entre os adeptos da candidatura de Aécio Neves considera altamente improvável que ele consiga coletar os votos para superar o primeiro turno com potencial para levar consigo uma porcentagem significativa de apoios ente os adeptos de Marina Silva.

Na coluna "Panorama Político" do Globo (entregue ao competente e correto Ilimar Franco), lê-se que, se a ex-ministra não for para o segundo turno, seus correligionários vão se dividir, com uma parte aderindo ao PSDB e outra voltando ao ninho petista, onde as carreiras de Eduardo Campos e de Marina Silva foram geradas. Em  outra coluna do mesmo jornal, também se pode apreciar como a derrota iminente pode afetar o senso crítico, em um texto que dá voz a teorias conspiratórias e prevê uma grave crise institucional no próximo governo.

Embora possa parecer ocioso repetir as evidências de que as grandes empresas de comunicação agem como uma organização partidária, convém discutir o uso que fazem dos institutos de pesquisa, como referência de uma objetividade que de fato não existe. Uma coisa é a coleta de dados e a complexidade das análises que são produzidas por profissionais a serviço dessas organizações. Outra coisa é o conjunto de informações que os editores selecionam para levar ao público.

Observe-se, por exemplo, como, segundo o Ibope, a taxa de rejeição da presidente Dilma Rousseff caiu de 36% no dia 25 de agosto para 29% na quinta-feira. Se isso é real, trata-se de um fenômeno de comunicação. Na verdade, esse número sempre coincidiu com os 23% a 29% dos que consideram seu governo "ruim ou péssimo", que, no contexto brasileiro, é o critério mais confiável para definir o núcleo duro da oposição.

A mídia tradicional passou toda a campanha tentando ampliar esse campo, em sua cruzada contra o partido que governa o país desde 2003, mas falhou mais uma vez".

Volto eu. Agora, já no desespero, à beira de um ataque de nervos, leio que alguns porta-vozes do Instituto Millenium deram para desconfiar até da segurança das urnas eletrônicas, um sistema de votação e apuração respeitado em todo o mundo. Ridículo.

Só nos resta votar. Neste domingo, a partir das 16h30, estarei ao lado de Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão acompanhando a marcha das apurações na Record News (canal 78 na NET).

Até lá.

 

 

 

 

 

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1604803 10152525256786638 7418396291520710597 n Campanha termina como começou com Dilma favorita

Do mesmo jeito que começou, e depois de muitas reviravoltas, a campanha presidencial terminou nesta quinta-feira (2) com as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha mostrando ampla vantagem de Dilma Rousseff, tanto no primeiro como no segundo turno, se houver.

Após 87 horas de propaganda eleitoral na televisão, a disputa se limita neste momento ao segundo lugar, brigado pau a pau entre Marina e Aécio, para ver quem será o desafiante da presidente candidata à reeleição.

A análise completa das pesquisas dos dois institutos para a eleição presidencial e a situação nos principais Estados estão aqui, no Jornal da Record News.

Vamos então direto  ao debate da Globo, que ao final de duas horas de bate-boca não apresentou nada que possa alterar os números mais recentes das pesquisas em que Aécio aparece subindo e Marina caindo, semana a semana, desde o início de setembro, quando ela chegou a abrir 20 pontos de vantagem sobre o tucano (agora são apenas três no Datafolha).

Como se ninguém fosse perceber, o bem produzido espetáculo comandado por William Bonner para impedir a reeleição de Dilma, no último debate do último dia de campanha, manteve o roteiro das campanhas anteriores: candidatos levantando a bola entre eles e todos batendo no PT.

Desta vez, os nanicos laranjas, que só serviriam para fazer figuração, dominaram a cena e nem disfarçavam seu papel neste "reality show" político. Os coadjuvantes perderam a modéstia e viraram protagonistas, com destaque para o pastor Everaldo, que roubou o posto ocupado por Levy Fidelix no debate da Record.

Apesar de seu discurso homofóbico, Everaldo, todo sorriso, chamou Aécio de "meu querido", ao convocá-lo para responder no púlpito, antes mesmo que o moderador sorteasse o tema da pergunta que deveria fazer, como se já estivesse tudo combinado.

A exemplo do que  aconteceu nas intervenções de outros nanicos, o pastor não se preocupou em perguntar nada, mas apenas em atacar Dilma e ajeitar a bola para o candidato do PSDB bater no gol. Com ares de grande estadista de inícios do século passado, o candidato do PSC, que se apresenta como porta-voz da família brasileira, comportava-se como se estivesse mesmo disputando a eleição para valer.

Este último debate serviu apenas para explicar os motivos do favoritismo de Dilma, menos por seus próprios méritos e mais pela mediocridade dos adversários, apesar de todos os problemas enfrentados pelo seu governo, que não é nenhuma Brastemp.

Muito à vontade no ambiente global, como se estivesse num programa de auditório, Aécio se sentiu até no direito de pedir aplausos à plateia quando fez um elogio ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Cada um ali procurava desempenhar seu papel determinado pelos roteiristas.

O verde Eduardo Jorge, fazia o de clown simpático, sem maiores compromissos com o resultado das eleições, mais preocupado em marcar posições comportamentais para arrancar risos da plateia e promover memes nas redes sociais.

A radical Luciana Genro, do PSOL, jogava seus cabelos revoltos para todos os lados tentando chocar a burguesia com seu sorriso de Barbie da maturidade.

O inacreditável Levy Fidelix, com seus cabelos e bigodes exageradamente pintados, anunciava o apocalipse se não fosse ele o eleito para o lugar de Dilma.

O prestativo pastor Everaldo, a serviço da direita mais primitiva, procurava apenas ajudar Aécio a levar Aécio ao segundo turno, se possível tirando dele a presidente Dilma.

A indignada ambientalista Marina Silva, com um demagógico discurso populista no melhor estilo do "Tea Party" americano, fazia-se de vítima dos poderosos, no papel de "mulher, negra e pobre", como se queixou em entrevista à CNN.

Deixando um pouco de lado o gênero folgazão de garoto de praia, Aécio jogou seus últimos trunfos tentando incorporar um Carlos Lacerda básico, mas não convenceu muito no novo papel de defensor da moral e dos bons costumes públicos.

A Dilma, atacada por todos os lados, só restou ser cada vez mais Dilma, a gerentona brava e implacável, que não leva desaforo para casa, cheia de números e rasa de ideias novas para despertar as esperanças do eleitorado.

Não aguento mais ouvir a voz esganiçada de nenhuma delas nem ver a canastrice de nenhum deles. Ainda bem que acabou.

O que está em disputa, na verdade, não é o varejo dos tiros trocados nos debates sobre a governança e as lambanças na Petrobras, mas a quem caberá tomar conta, pelos próximos quatro anos, do tesouro do pré-sal, que tanta cobiça desperta tanto aqui dentro como lá fora.

Diante deste quadro, que projeta uma guerra feroz no segundo turno, se eu tivesse que pedir para algum deles tomar conta dos meus netos, não teria nenhuma dúvida. Chamaria a Dilma. Só não pode perder a paciência e bater nas crianças.

Para não variar, a mais brilhante análise desta reta final de campanha foi feita pelo José Simão:

"E a Dilma pode ser reeleita, mas pela margem de erro pode ser presidente da Argentina ou da Venezuela".

Vamos agora, com muita calma, aguardar a abertura das urnas no domingo e saber qual foi a decisão de sua excelência, o eleitor.

Bom final de semana e bons votos para todos.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

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lula1 Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

"O teeeeempo passa....", como dizia o lendário narrador esportivo Fiori Gigliotti, que era daquele tempo.

Pois é, amigos, está fazendo exatamente 25 anos que fomos às urnas eleger pelo voto direto nosso presidente da República, pela primeira vez desde a ditadura, que durou mais de duas décadas. Foi também a primeira vez que a minha geração pode exercer este direito. Antes disso, a última vez em que isso tinha acontecido foi em 1960, o ano em que meu pai morreu, e elegemos Jânio Quadros, que renunciou oito meses após a posse. O vice João Goulart assumiu o lugar dele e foi derrubado por um golpe cívico-midiático militar, em 1964.

Faz tanto tempo que já tinha até me esquecido desta efeméride. Quem me lembrou foi o colega Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, ao me entrevistar sobre o que aconteceu no inesquecível ano de 1989. Dá para passar vários dias contando histórias vividas naquela campanha, que colocaria frente a frente meu amigo Lula e Fernando Collor, o "caçador de marajás", no segundo turno, disputado palmo a palmo até o final. Collor teve 35 milhões dos votos e Lula ficou com 31 milhões.

Como os leitores não terão tempo nem saco para ler um texto muito longo sobre episódio tão antigo, desisti de fazer uma pesquisa nos meus próprios livros para relembrar aqui apenas fragmentos da minha memória afetiva.

Subi neste trem no final de 1988, ao voltar de uma viagem a trabalho, quando era repórter do finado "Jornal do Brasil", e resolvi fazer uma visita ao Lula, então deputado constituinte, que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice, no Hospital Sírio-Libanês.

Sem maiores delongas, como é do seu estilo sertanejo, depois de falar rapidamente da cirurgia, foi direto ao assunto:

"Te prepara, Ricardinho (chamavam-me assim quando era jovem). Te prepara porque no ano que vem eu vou ser candidato a presidente da República e você vai ser meu assessor de imprensa".

Tomei um susto e, a princípio, desdenhei do convite, ou melhor, da intimada.

"Não vai dar, Lula. Eu nunca fui assessor de imprensa, não gosto disso, sou repórter especial do JB, ganho bem, estou satisfeito no jornal, não sou nem filiado ao PT...", ainda tentei resistir.

"Não enche o saco, pô. Eu também nunca fui candidato a presidente da República".

De fato, não só ele não tinha sido candidato, como sequer havia votado para presidente, já que temos mais ou menos a mesma idade.

Incentivado por colegas, advertido por outros sobre os riscos para a minha carreira, e com todo o apoio da família, antes do final do ano já estava trabalhando com Lula na campanha, ganhando umas dez vezes menos do que no jornal, mas estava feliz. A direção do JB, graças ao Ricardo Setti, tinha me concedido uma licença não remunerada.

E lá fomos nós rodar o Brasil de ponta a ponta, de cabo a rabo, várias vezes. Quase seis anos após o movimento das Diretas Já, o Brasil parecia palco de uma grande festa democrática, agora com final feliz. Em sua matéria no site da RBA, Nuzzi registra que eram 22 candidatos (hoje temos 11) para 70 milhões de brasileiros aptos a votar, metade do atual eleitorado. Não existia celular, nem internet, nada disso, não tínhamos jatinho nem grana, e até alugar uma casa para instalar o comitê foi uma novela.  Era tudo feito no gogó, na unha e no papel.

Montagem politicos Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

Para vocês terem uma ideia do clima na época, no mesmo ano de 1989 em que cairia o Muro de Berlim, por aqui vivíamos ainda os tempos da Guerra Fria. "Conservadores assombravam a população com fantasmas como o comunismo (...) A eleição de 1989, para o conservadorismo, ainda acenava com a ameaça esquerdista "Brizula", junção dos nomes de (Leonel) Brizola e Lula", escreveu Vitor Nuzzi.

Fui falar com um empresário amigo meu, dono de vários imóveis, para ver se ele emprestava ou alugava alguma casa para instalarmos o comitê, mas ele negou na hora, alegando que, se o Lula ganhasse a eleição, tomariam a propriedade dele. "Era tudo muito difícil. O que nos animava era a militância. Era tudo muito improvisado. Muitos comícios... Estou cansado até hoje... E também era uma grande festa, que, para mim, pareceu uma continuação da Campanha das Diretas. A gente sabia que estava participando de um momento histórico", lembrei ao repórter.

Por absoluta falta de aptidão para o novo ofício, brigava muito com o Lula quase todo dia. Logo em minha estreia na função de assessor, interrompi uma gravação de TV porque não tinha gostado de uma palavra usada pelo candidato e pedi para começar tudo de novo. Em Rio Branco, no Acre, durante um Encontro dos Povos da Floresta, onde conheci Marina Silva, interrompi um discurso de Lula para informa-lo do assassinato de um seringueiro. "Nunca mais me faça isso na vida. Você estragou meu discurso, esqueci o que estava falando...".

A grande diferença que sinto em relação à campanha presidencial de agora, é que, em 1989, para onde a gente fosse, o povo estava nas ruas, fazendo comício no meio do mato ou nas beiras dos rios na Amazônia. Caminhadas, carreatas, comícios-relâmpago ou monumentais showmícios (mais tarde proibidos), muitas bandeiras, buzinas, faixas, adesivos por toda parte, pessoas cantando os jingles de campanha, camisetas dos candidatos, ninguém ficava indiferente, e a gente não parava nem para dormir nem para comer.

Esse último item era o principal motivo das minhas divergências com o candidato. Alegava para Lula que ficar muito tempo sem comer deixa a gente com mau hálito e o Tancredo Neves, de tanto querer ser presidente, descuidou da saúde, e morreu na véspera da posse.

Tinha dia que acordava num lugar que não lembrava qual era e nem o que tinha ido fazer lá. Passei praticamente o ano todo fora de casa. A equipe de imprensa na primeira fase era formada por mim mesmo, depois dobrou, quando chegou o incansável Sergio Canova para me ajudar. O esquema funcionava assim: eu acompanhava o candidato em todas as viagens e ditava pelo orelhão, de onde estivesse, um relato das atividades do dia para o Canova, em São Paulo, que distribuía o material por telex para as principais redações.

Apoiado pela grande mídia, na falta de opção melhor, Collor espalhava o terror pelo país, ameaçando com um "derramamento de sangue", caso Lula ganhasse a eleição. Cada vez que eu conseguia passar um fim de semana no meu sítio, em Porangaba, voltava mais assustado: os vizinhos estavam com medo de perder suas terras, que seriam divididas com os mais pobres, assim como suas galinhas, cavalos e bicicletas, e o que mais tivessem. A boataria era terrível. Nos centros urbanos, a conversa era que Lula tomaria e dividiria casas e apartamentos "com a baianada", e até quem tinha "carro próprio" corria riscos.

Foi uma tremenda baixaria até o final. "O Lula nunca deixou responder no mesmo nível. Ele nunca aceitou o vale-tudo", recordei na conversa com Nuzzi. Para enfrentar a superestrutura de marketing e a frota de jatinhos do adversário, contávamos com um pequeno exército brancaleone, indo todo fim de noite a jantares para "angariar fundos". "Era um grande mutirão. Tinha muitos voluntários da grande imprensa que nos ajudavam na produção dos programas. E todo mundo dava palpite. Era mais amador, mais coletivo".

Esta, com certeza, deve ter sido a última campanha romântica da política brasileira, sem cabos eleitorais remunerados, marqueteiros de grife, caminhões de dinheiro, frotas de jatinhos e helicópteros. Foi praticamente uma continuidade da Campanha das Diretas, com os mesmos líderes políticos nos nossos palanques. No segundo turno, só faltou o velho doutor Ulysses, um erro político, que mais tarde Lula admitiria.

Hoje, Collor, impichado em 1992, é um fiel parceiro do PT na base aliada do governo e está praticamente reeleito senador por Alagoas. Lula, duas vezes presidente, é o principal cabo reeleitoral de Dilma Rousseff, com chances de ganhar já no primeiro turno

Por falar nisso, nem comentei as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas na noite desta terça-feira, que mostram Dilma abrindo a vantagem, tanto no primeiro como no segundo turnos, mas não tem cabimento, nestes meus tempos de multimídia, repetir aqui por escrito o que comentei ontem com o Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News, até porque, não mudou nada de lá para cá.

O vídeo está aqui:

Perdão, leitores, acabei escrevendo demais e, olhem, não passei nem do aperitivo. Para quem se interessar, mais histórias sobre esta campanha presidencial pioneira após a redemocratização podem ser encontradas no meu livro de memórias: Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter (Companhia das Letras, 2006). 

Apesar de tudo, como vocês podem constatar neste livro, o Brasil de hoje é outro país _ muito melhor, em todas as áreas, quaisquer que sejam os índices sociais e econômicos consultados. Só permanecem os mesmos o apodrecido sistema político-partidário-eleitoral e os métodos dos donos da mídia familiar e seus porta-vozes.

Dos presidentes civis que tivemos de lá para cá, cada um escreveu seu capítulo nesta história da jovem democracia brasileira, que é de todos nós: Sarney consolidou o regime democrático, Collor abriu os mercados, Itamar e FHC garantiram a estabilidade econômica com o controle da inflação, Lula e Dilma promoveram a inclusão social e deram início a um processo de distribuição de renda. No domingo, já iremos para a nossa sétima eleição direta no pós-64.

Falta muito ainda para vivermos num país civilizado, justo e decente, como nos mostra a atual campanha eleitoral, mas valeu a pena ter vivido estes últimos 25 anos de plena democracia, esta que todos nós estamos ajudando a construir.

Vida que segue.

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Vou dar um tempo na cobertura da campanha eleitoral porque as novas pesquisas (Ibope e Datafolha) só deverão ser divulgadas na noite desta terça-feira. Seria como fazer comentário sobre um jogo de futebol antes da gente saber o resultado. Melhor é esperar um pouco e aproveitar para falar de coisa boa, que também tem no nosso País.

E pode até ser visto na nossa televisão, entre tantas desgraças e violências, denúncias e baixarias. Zapeando tarde da noite, fui surpreendido pelas belas imagens do "Zapping", programa apresentado por Vera Viel, que é exibido às segundas, depois do Jornal da Record News, onde eu trabalho.

Já tinha começado a passar a reportagem de Renata Alves sobre o Brasil bonito que ela descobriu em Capela, interior de Alagoas, a 60 quilômetros de Maceió, mas estava tão saborosa que, apesar do sono, resolvi ver até o fim. Valeu a pena.

caldo Um Brasil bonito também pode ser visto na TV

Conta a história do famoso caldinho de feijão e galinha preparado e servido há 40 anos por seu Newton e sua mulher, dona Dalva. Caldinhos a gente encontra por toda parte no meu querido nordeste brasileiro, mas este é especial, a começar pelo incomum horário de funcionamento do boteco: abre pontualmente às 9 da manhã e, ao meio dia, chova ou faça sol, os donos colocam todo mundo para fora. O expediente acaba exatamente na hora em que a concorrência começa a servir o almoço.

O lugar vive lotado de gente que vem de cidades vizinhas e até da capital alagoana, uma agradável viagem de apenas 50 minutos. A equipe de reportagem da Record caminha pelas ruas desta cidade de 17 mil habitantes, limpinha e arrumada, até chegar ao personagem principal, que se diverte com o trabalho, e não conta de jeito nenhum o segredo dos seus caldinhos de galinha e de feijão, que eles servem misturados ou separados. Para acompanhar, farinha, pimenta e uma cervejinha _ e está feita a festa da freguesia.

caldo3 Um Brasil bonito também pode ser visto na TV
O que mais me chamou a atenção nesta reportagem, além do inusitado do tema, foi o ar de felicidade de todas as pessoas que aparecem na tela. Com suas roupas simples porém decentes, calçando tênis, sandálias ou chinelos de dedo, parecem saídos de algum vilarejo dinamarquês com o PIB umas 50 vezes maior.

Claro que isso não se deve só aos poderes do caldinho do seu Newton, mas acho que este clima retrata melhor do que qualquer análise de sociólogos e cientistas políticos o cenário encontrado no nosso país, a cinco dias das eleições presidenciais, com todas as pesquisas apontando o favoritismo da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Para ninguém dizer que não falei de política, recomendo ver a reportagem completa no link abaixo, exibida originalmente no quadro "Achamos no Brasil" do "Domingo Espetacular", na TV Record, que explica bem o que quero dizer:

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