Caros leitores,

como vocês já devem ter observado, desde a minha volta da folga de final de ano, a atualização e a moderação de comentários do Balaio está sem a regularidade de costume, em razão de um outro trabalho que estou fazendo sobre os 60 anos da TV Record.

Nos próximos dois meses deverei me dedicar prioritariamente a esta tarefa e, por isso, aparecerei aqui com menor frequência, sempre que surgir um bom assunto para comentar, como hoje.

Conto com a compreensão dos balaieiros. Assim que possível, voltarei a fazer a atualização e a moderação do Balaio de domingo a domingo, como aconteceu nestes cinco anos de blog.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

forum economico mundial 1g 20120125 Empresário brasileiro não acredita na imprensa

"Presidentes de empresas brasileiras ficam em 4º lugar em ranking de otimismo", revela o sempre bem informado e competente Clóvis Rossi, enviado especial da "Folha" ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suiça.  

Só posso chegar à conclusão de que os empresários que enfrentam a vida real da nossa economia não acreditam no que é publicado pela imprensa brasileira, que deixa o país sempre à beira do abismo esperando pelo pior, apostando em previsões pessimistas.

O próprio Rossi mostra esta contradição: "Fatia substancial do empresariado brasileiro não compartilha o catastrofismo que, nos últimos meses, acompanha as análises sobre as perspectivas da economia do país".

Talvez esteja na hora dos editores da grande mídia brasileira trocarem seus analistas ou recomendarem aos seus profetas de plantão que busquem outros oráculos além dos habituais.

Sem dar bola para a urubologia reinante, 44% dos empresários brasileiros estão muito confiantes no crescimento das receitas das suas companhias, segundo a 16ª pesquisa anual feita pela PricewaterhouseCoopers, que entrevistou 1.330 executivo - chefes em 68 países, no último trimestre do ano passado, justamente quando começaram a aparecer críticas sobre os rumos da economia brasileira.

O otimismo dos basileiros só perde para o dos russos (66%), indianos (63%) e mexicanos (62%).

Quando lhes foi perguntado sobre qual país parece o mais importante para o crescimento futuro de suas empresas, 15% indicaram o Brasil, à frente da Índia (10%), atrás apenas da China (31%) e dos Estados Unidos (23%).

A América Latina foi a região em que o empresariado mostrou maior otimismo: 53% esperam um crescimento das receitas, ao contrário do que acontece no resto do mundo, que está menos confiante a curto prazo do que no ano passado.

De Davos, pelo menos, chegam boas notícias para o Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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lula e dilma sp Por que Lula apoia Dilma e não será candidato

Na falta de um candidato competitivo da oposição até agora, setores da mídia resolveram lançar dois candidatos do PT, Dilma e Lula, em mais uma tentativa de jogar um contra o outro.

Estão perdendo seu tempo. Dilma é a candidata de Lula à reeleição desde a sua vitória em outubro de 2010, quando já começavam as especulações na imprensa sobre a sua possível volta em 2014.

Numa das últimas conversas que tivemos no Palácio da Alvorada, logo após a vitória de Dilma, o então presidente Lula apresentou dois bons argumentos para justificar sua decisão de não mais disputar eleições.

"Em primeiro lugar, quem me garante que seria eleito? Em segundo lugar, se eleito, quem me garante que teria condições de fazer um bom governo e sairia com a mesma aprovação popular de agora?".

Podem chamar Lula de tudo, menos de burro. Nenhum outro presidente da República deixou o cargo com mais de 80% de aprovação depois de eleger para sucedê-lo sua ministra Dilma Rousseff, que nunca havia disputado uma eleição. Para que arriscar, se já havia passado para a História?

A alta aprovação popular de Dilma e de seu governo até agora é também uma vitória de Lula e nada indica que ele tenha mudado de posição após a nossa conversa no Alvorada.

Mil vezes ele já desmentiu a intenção de se candidatar, mas não adianta. Qualquer movimentação de Lula é apontada como tentativa de voltar em 2014.

Ainda nesta segunda-feira, este foi o tema mais tratado pelos jornalistas com os principais assessores do ex-presidente no Instituto Lula. Todos negaram que Lula tenha intenção de se candidatar na próxima eleição presidencial.

"Na disputa federal, Lula vai gastar toda sua energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB", disse o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e diretor do Instituto Lula, Paulo Vanucchi. Segundo o ex-ministro, Lula também não pretende disputar a eleição de 2018 e não se opõe a apoiar uma candidatura de aliados do PT.

Na mesma linha, o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também negou que Lula tenha qualquer plano de se candidatar novamente.

"A nossa candidata em 2014 chama-se Dilma Rousseff. Vamos trabalhar pela sua eleição, para que a gente continue neste governo extraordinário que, apesar das dificuldades, pode fazer muita coisa pelo Brasil.

O fato de Lula descartar qualquer candidatura, não quer dizer que ele tenha se aposentado da política.

Ao contrário, como um dos principais líderes políticos do país, Lula continua em plena atividade, como mostrou ainda hoje ao abrir o seminário sobre os rumos da América Latina promovido pelo seu instituto com a participação de membros do governo e autoridades convidadas de outros países da região.

Da mesma forma como não deixou de participar de debates e reuniões políticas aqui e no exterior, empenhando-se para valer na última campanha municipal, apesar do duro tratamento contra um câncer na laringe, Lula voltará a percorrer o país a partir de fevereiro para discutir com segmentos e grupos sociais as mudanças que ocorreram nos dez anos de governos petistas.

O que Lula quer é defender em contato direto com a população o legado do seu governo, duramente atacado pela mídia desde o julgamento do mensalão e com as revelações da Operação Porto Seguro.

Assim ele se prepara para ser, em 2014, o maior cabo eleitoral da candidatura de Dilma à reeleição. O resto é poesia ou má-fé.

 

 

 

 

 

 

 

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garrincha O último jogo da vida torta de Mané Garrincha

Por culpa de Mino Carta, o grande criador de publicações da imprensa brasileira, que estava prestes a lançar o "Jornal da República", no começo de 1979, acabei sendo testemunha do último jogo de Mané Garrincha, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, que morreu aos 49 anos, em 1983. Trinta anos depois, a lenda sobrevive.

Numa reunião de pauta, Mino me encarregou de achar Garrincha, que vivia no ostracismo, dependendo da ajuda de amigos para sobreviver. Mino queria uma reportagem exclusiva para o número 1 do "Jornal da República" - e lá fui eu atrás do Mané.

Na matéria de capa, sob o título "A vida torta de Mané Garrincha", contei como o encontrei:

Sem muitas esperanças de falar com ele _ "O Mané não está dizendo coisa com coisa", me desanimaram no Rio _ fui encontrá-lo na colônia de férias do Ministério da Fazenda, em Paulo de Frontin, pequena cidade serrana.

Antes que lhe fizesse qualquer pergunta, a caminho do imenso salão de refeições da colônia, onde passamos sentados o restante da tarde, recolhendo fragmentos da sua vida, Garrincha foi logo dizendo: "Agora, não tenho mais nada, gente boa. Mas passei um susto danado. Foi aquela maldita pimenta... Eu estava pensando que era herói, comendo uma danada de uma pimenta... Não sou herói mais não..."

Para me provar que estava curado, contra todas as evidências, pois mal conseguia andar em linha reta, Garrincha garantiu que, já no domingo seguinte, iria voltar a campo com a equipe do Milionários FC, formada por antigos ídolos do futebol brasileiro, que ganhavam alguns trocados jogando contra times de várzea nos fins de semana.

Achei que ele estava delirando quando me desafiou a encontrá-lo no sábado, em frente ao hotel Danúbio, em São Paulo, onde os jogadores pegariam o ônibus para Presidente Prudente. Pois não é que na hora marcada ele apareceu mesmo, sacolinha de atleta na mão, cheio de alegria por reencontrar os amigos? "Não te falei que vinha, gente boa?".

Como Garrincha conseguiu sair da colônia, onde haviam montado um verdadeiro cordão sanitário para cuidar dele, até hoje não sei. Sei apenas que, mesmo tendo tomado alguns conhaques no caminho, no dia seguinte ele entrou em campo _ e também na capa do "Jornal da República", com uma foto de Solano José e um breve texto, ao lado da reportagem que eu havia deixado pronta antes de viajar.

PIRAPOZINHO, 26 - URGENTE _ Apareceu aqui hoje, nas barrancas do Paranapanema, um cidadão de nome Manuel Francisco dos Santos, dizendo-se Mané Garincha. A notícia de sua presença colocou em polvorosa esta pequena cidade de 30 mil habitantes. "Mas ele não está doente no Rio?", perguntavam as pessoas. Hospedou-se na pensão do Morais, junto com a equipe do Milionários FC. Ganhou buquês de flores, placa de prata e beijos de moças bonitas, no Estádio Municvipal.

O juiz apita, Garrincha com a bola. O lateral esquerdo Antonio Carlos, 25 anos, o "Bunda Baixa", vai em cima dele. Garrincha faz que vai, mas não vai, a torcida dá risada. Era ele mesmo, Mané Garrincha em pessoa, não havia mais dúvidas. Viajou 1100 quilômetros, oito horas e meia de ônibus, para jogar 45 minutos e ganhar 6 mil cruzeiros de cachê. Saiu de campo suado, sujo e feliz".

Não há registro de que Garrincha tenha voltado a entrar em campo alguma outra vez depois desta passagem por Pirapozinho.

(*) Informações tiradas do meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto - Uma vida de repórter", da Companhia das Letras.

 

 

 

 

 

 

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metro Uma  semana vendo o Rio virar outra cidade

As obras começam na entrada pela avenida Brasil e só terminam na saída da cidade nos acessos à Rio-Santos como se fossem uma só.

Aqui só se fala em Copa e Olimpíada, os dois grandes eventos programados para 2014 e 2016, para justificar a verdadeira revolução urbana pela qual está passando o Rio de Janeiro.

Um paulista como eu, que faz algum tempo não vinha aqui, fica perdido. Passei a última semana trabalhando no Rio e vendo a cada dia a antiga Cidade Maravilhosa virar outra cidade.

Nem meu colega Domingos Fraga, daqueles cariocas da gema, como se dizia, que está há 23 anos em São Paulo, conseguiu acreditar no que via quando saímos da zona sul em direção à Barra, o nome genérico dos muitos bairros que foram se espalhando ao longo da avenida das Américas e dali para a frente.

Mistura de Miami e Brasília, com suas avenidas largas, shoppings, palácios verticais suntuosos, varandas magníficas e condomínios pipocando a granel, convivendo com paisagens de subúrbio paraguaio, a Barra nada tem a ver com o velho Rio de Janeiro para onde fui pela primeira vez em 1967, também a trabalho, na cobertura da inauguração da segunda pista da Via Dutra para o "Estadão".

Fiquei tão encantado com a cidade, que não queria mais voltar para São Paulo. Cheguei a consultar o jornal sobre uma transferência para a sucursal carioca, mas até hoje não consegui realizar meu sonho de um dia morar no Rio.

Com as obras que se espalham por toda parte, qualquer que seja a alternativa escolhida para fazer a travessia, ficou ainda mais difícil ir de uma cidade a outra, apesar dos altos investimentos em transportes coletivos, túneis e viadutos.

Tornaram-se cidades completamente diferentes, até nos usos e costumes dos seus habitantes. No velho Rio, ainda dá para cuidar de boa parte das coisas da vida a pé, enquanto na Barra você precisa de carro até para ir à padaria ou comprar jornal.

No caminho, dá para ver os esqueletos dos Jogos Panamericanos, o Estádio de Natação Maria Lemke fechado pelo jeito para sempre e os prédios da vila dos atletas completamente abandonados e, logo adiante, enormes placas anunciando novas obras para as Olimpíadas de 2016.

Em ritmo alucinado, a paisagem vai mudando e, no meio de tudo, tropeça-se no enorme elefante branco de concreto da Cidade da Música de Cesar Maia. Rebatizada de Cidade das Artes, a obra foi provisoriamente inaugurada dias atrás ainda inacabada, perdida em meio a terminais de ônibus, viadutos e pistas de alta velocidade.

Segundo levantamento publicado neste domingo pelo jornal "O Globo", 18.090 unidades residenciais foram licenciadas pela Secretarisa Municipal de Urbanismo na Barra da Tijuca somente no ano passado _ mais do que o dobro das 8.862 licenças concedidas em 2011. Até o final de 2015, 14 novos hotéis deverão ser inaugurados, com 3720 novos aposentos.

O Instituto Pereira Passos mediu o tamanho deste crescimento em relação ao velho Rio. Enquanto a Barra deve ter um crescimento populacional de 21,4%, chegando a 990.288 habitantes, o Rio pelo qual me apaixonei quase meio século atrás crescerá apenas 3,73%. E o metrô ainda não chegou à Barra, que hoje já enfrenta sérios problemas ambientais pela falta de saneamento basico na maioria das áreas habitadas, provocando a poluição de praias e lagoas. É o preço do progresso....

Apesar de tudo, neste dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, viva o Rio! O único lugar do mundo onde até mulher feia acaba parecendo bonita e as praias ficam lotadas de gente feliz em plena sexta-feira.

 

 

 

 

 

 

 

 

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"Bem verdade que a mídia, a impressa e a eletrônica, aprecia a poeira, dando mais importância ao pó do que à ideia em si" (Quincas Borba, o grande personagem de Machado de Assis, citado na coluna dominical de Carlos Heitor Cony, na "Folha").

luz Choveu, a luz não apagou e a vida segue igual

De volta ao batente esta semana, depois de uma breve folga, alguns leitores do Balaio reclamaram, com razão, do meu pessimismo, só vendo problemas nas coisas e não falando das coisas boas da vida nas minhas primeiras colunas.

Passei alguns dias na praia pensando exatamente nisso: por que nós, jornalistas, não podemos encontrar outros assuntos na vida fora daqueles que vivem prevendo o fim do mundo, a crise de todas as crises, com ou sem calendário maia, anunciando sempre um apocalipse semanal?

Por isso, voltei à cidade disposto a mudar o disco do Balaio, dar uma virada neste jogo que está se tornando enfadonho para mim mesmo e, imagino, também para os leitores.

Acontece que eu também leio jornais e revistas, acompanho televisão e internet, e acabo como todo mundo impregnado pelas nuvens cinzentas do noticiário negativo sobre os rumos das nossas vidas aqui dentro e lá fora.

Não tenho uma linha direta com Deus para saber o que vai acontecer. Procuro apenas tentar entender o que está acontecendo e o que pode acontecer a partir dos fatos dados pela realidade que nos é retratada pelos meios de comunicação.

Para conseguir isso, busco sempre falar com pessoas de todas as áreas, do governo e da oposição, mas elas também têm suas opiniões próprias, também são infuenciadas pelo meio em que vivem e procuram puxar as sardinhas para as suas brasas.

Todo começo de ano é a mesma coisa. Não é porque a folhinha do calendário passou de um ano para outro que de uma hora para outra o que era feio vai ficar bonito e o que não tinha solução vai ficar resolvido.

Seca no nordeste, enchentes no sul, mortes e violência para todo lado, níveis dos reservatórios baixando, o que não falta é coisa ruim, problema, desgraça.

Como o Quincas Borba, continuamos dando mais importância ao pó do que à ideia em si. E qual é a ideia em si?

A vida continua seguindo igual, chove mais aqui e menos ali, a luz não apagou, os aviões continuam subindo e descendo, assim como as marés, a presidente Dilma marca novas reuniões para melhorar o desempenho da economia, os novos prefeitos começam a colocar ordem na casa, nas padarias tem pão quente na chapa e logo volta o futebol dos domingos.

Prometo pelo menos hoje não falar do embate político que segue feroz, está por trás de tudo isso e vai seguir assim até 2014, mas a vida não pode ser só isso. Lá fora as pessoas continuam passeando pelas calçadas e pensando nas suas próprias vidas, e é isso que vou fazer agora.

Bom domingo a todos.

 

 

 

 

 

 

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Em apenas duas Câmaras Municipais das 26 capitais brasileiras, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, sobrevive a instituição do "auxílio paletó", uma aberração criada ainda no regime militar, que concede mais dois salários por ano para que as excelências possam comprar roupas e andar bem vestidas.

Em levantamento feito pelo repórter Ezequiel Fagundes, de "O Globo", ficamos sabendo que com o 14º e o 15º salários pagos aos seus vereadores a título de  "ajuda de custo', cariocas e mineiros não vão gastar pouco: dá um total de R$ 2,5 milhões por ano.

Quando esta jaboticaba parlamentar foi criada, destinava-se a ornar os parlamentares com ternos e gravatas, mas como eles não são obrigados a prestar contas das suas despesas, cada um pode fazer com o seu (nosso) dinheiro o que bem quiser.

"Se eu quiser comprar tudo em cueca, eu compro em cueca", reclamou ao repórter o médico Alexandre Gomes, do PSB, que já está indo para o seu quinto mandato como vereador.

Após uma breve pesquisa no Google, descobri que com os  R$ 24 mil que ganhou de "auxílio paletó", Gomes poderá abastecer seu armário com nada menos do que 1.000 novas cuecas_ sim, 1.000 unidades da marca Zorba Boxer Bambu, vendida a R$ 24,90 cada na Casa das Cuecas.

Será que esta verba não teria um destino mais útil se fosse empregada na compra de uniformes escolares para as crianças de Belo Horizonte?

Em tempo: ficarei fora do Balaio e do Jornal da Record News de 14 a 21 deste mes para fazer uma reportagem sobre o RecNov, o grande centro de produção de dramaturgia da TV Record no Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

 

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Reuniao Dilma 14012011 hg Por que não uma reforma para valer no ministério?

A presidente Dilma Rousseff deixou Brasília no final do ano passado para tirar uns dias de descanso na Bahia disposta, na volta, a fazer uma reforma mínima em seu ministério.

Estava mais ou menos decidida a abrir apenas duas vagas para abrigar os aliados Gilberto Kassab, do PDS, e Gabriel Chalita, do PMDB.

Fora disso, a ideia era não fazer muita marola e tocar o barco com o que tem nos dois anos que lhe faltam de mandato.

Em apenas duas semanas, porém o cenário mudou. No seu retorno ao Palácio do Planalto esta semana, Dilma encontrou um balaio de más notícias em várias áreas, em especial no setor de energia, com a redução do volume dos reservatórios e frequentes interrupções no fornecimento.

Reuniões foram rapidamente marcadas, providências mais uma vez anunciadas, as mesmas de sempre, e o ministro metereologista Edison Lobão indo à televisão para garantir que vai chover logo e os problemas estarão resolvidos.

Vamos começar por aí. Por que Edison Lobão, um veterano jornalista maranhense que entrou para a política pelas mãos de José Sarney, precisa ser o ministro das Minas e Energia do Brasil, um cargo que a própria Dilma já ocupou no início do governo Lula?

O prolema é que ninguém mais dá confiança ao que Lobão fala, pois ele deve entender tanto do assunto quanto eu de nanotecnologia. Será que não há nenhum outro cidadão no Brasil, técnico ou político, capaz de devolver aos brasileiros a certeza de que este setor tão sensível da nossa economia está em boas e competentes mãos?

A política, como bem sabe a presidente Dilma, é feita não só de nomes mas também de símbolos, e esta é a época certa para promover mudanças que possam devolver a confiança tanto aos investidores como aos cidadãos contribuintes: Ano Novo é tempo de mudanças, caras novas, novas ideias, novos projetos, novas esperanças, enfim.

E, no entanto, estamos começando o ano do mesmo jeito que terminamos o anterior, dando ao governo uma imagem envelhecida, embora tenha completado apenas dois anos.

Em diferentes áreas do governo, as coisas não andam, ou vão muito devagar, decisões importantes estão sendo adiadas, como a dos royalties do petróleo, e outras nem são aventadas, como a fundamental discussão de uma profunda reforma política.

Os bons índices de renda e emprego continuam preservados, mas a inflação em 2012 chegou a 5,84%, bem acima da meta prevista de 4,5%, criando um clima de instabilidade para os agentes econômicos já que os preços deverão continuar subindo.

Que o Ministério Dilma, em boa parte herdado do governo Lula, não é nenhuma Brastemp, ela e todos nós sabemos desde o começo, mas por que não aproveitar o momento da virada do ano e fazer uma reforma para valer?

É verdade que o país vive uma crise de lideranças e competências, e não é de hoje, como tive a oportunidade de conversar tempos atrás com a presidente Dilma num almoço aqui em casa.

Se você aponta um nome que considera fraco, logo ela questiona: e quem você tem para colocar no lugar? Não se trata só de um problema de governabilidade, quer dizer, contemplar o maior número de partidos para garantir a base aliada, mas da falta mesmo de profissionais que possam entrar no time e sair jogando como titulares.

Quem são hoje as grandes lideranças do país no meio sindical, empresarial, acadêmico, cultural, científico, que estariam dispostos a largar seus afazeres e compromissos para dar sua contribuição ao governo brasileiro?

Ouso sugerir uma reforma mais ampla do que apenas abrigar Kassab e Chalita na Esplanada, mesmo sabendo das enormes dificuldades que a presidente Dilma encontraria para encontrar os nomes certos e convencer seus parceiros de governo de que é necessária uma mudança mais ampla na equipe ministerial.

Alguns ministros, como o da Fazenda, Guido Mantega, velho amigo com quem encontrei numa feijoada no final do ano passado, já estão no governo federal há mais de 10 anos. Por mais brilhantes que sejam, chega uma hora em que cansa enfrentar sempre os mesmos problemas com a velha caixa de mágicas que já não chega mais a surpreender a plateia. Foi a impressão que ele me deu.

Ainda que não seja para já, pois as emergências se avolumam no dia a dia do governo, a presidente Dilma poderia pensar num estoque de talentos para trocar algumas peças capazes de dar mais agilidade ao governo, no momento em que a oposição já começa a colocar seu bloco nas ruas, mesmo sem ter ainda encontrado um candidato ou qualquer ideia de campanha.

É bem possível que Dilma tenha tocado nestes assuntos nas conversas que teve al mare na Bahia com os governadores Eduardo Campos e Jaques Wagner, este cada vez mais ocupando o papel de conselheiro político da presidente.

De repente, vêm mais mudanças por aí e eu não sabia...

Em tempo:

lembrei-me, depois de terminaro texto, que fiz a mesma pergunta do título deste post ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ele já ia em meio ao seu segundo mandato, e vivia se queixando da sua base aliada.

"Por que não? Porque eles me derrubam no dia seguinte..."

Não ficou claro nem quem nem como derrubariam o presidente, mas a dúvida ficou pairando no ar e nunca mais me esqueci da resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Procura se um candidato para enfrentar Dilma

Dilma aproveitou suas férias no litoral da Bahia

Na entressafra entre o fim do mensalão e a ameaça do apagão elétrico anunciado todos os dias pela imprensa, que marca este início de 2013, o grande desafio dos jornalistas e dos partidos aliados é encontrar um candidato viável para enfrentar a presidente Dilma Rousseff na sucessão presidencial daqui a dois anos.

O primeiro a tomar a iniciativa foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou com pompa e circunstância Aécio Neves e se apresentou como o tutor da sua candidatura ainda no final do ano passado. Como o ex-governador mineiro refugou num primeiro momento, outros nomes começaram a entrar na dança das especulações e das pesquisas.

Em lugar de Aécio, passou a ganhar espaço o governador pernambucano Eduardo Campos, apontado como um dos vencedores das eleições municipais de 2012, a noiva mais cobiçada tanto pelo governo como pela oposição, embora ele jure fidelidade ao governo Dilma pelo menos até o final deste ano.

Enquanto Dilma e Campos se encontravam para conversar a bordo do litoral baiano em plenas férias, especuladores profissionais voltaram a falar no nome de Marina Silva, a candidata de 20 milhões de votos em 2010, que só tem um problema: não tem partido.Nem parece, pelo menos por enquanto, disposta a criar algum.

Na falta de opções no campo da oposição, na última pesquisa do Datafolha lançaram até o nome do ministro Joaquim Barbosa, o "herói nacional do STF", que alcançou surpreendentes 10% de intenções de votos, mas tem o mesmo problema de Marina: faltam-lhe um partido e disposição para entrar na disputa.

E já que ninguém quer se arriscar a ser a anti-Dilma, pelo menos nas atuais condições da vida real da economia, apesar de todos os problemas que não são poucos, que ainda asseguram à presidente altos índices de popularidade, eis que ressurge em cena o candidato permanente, ele mesmo, José Serra, que havia desaparecido desde a sua última derrota eleitoral em outubro.

No começo da semana, seu nome foi lançado para ser secretário de Saúde de Geraldo Alckmin, primeiro passo para se candidatar a senador, mas o governador logo desmentiu esta possibilidade. Seria pouca areia para o caminhão de Serra, sempre em busca de alçar vôos maiores.

A grande novidade veio no dia seguinte, em reportagem de Catia Seabra, na "Folha": "Segundo aliados, Serra ainda não desistiu do sonho de chegar ao Palácio do Planalto nem que para isso tenha de se filiar a outro partido".

Qual? O recém-criado PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, que chegou a ser apontado como uma opção para Serra, seu antigo aliado, está cada vez mais nos braços da presidente Dilma Rousseff, de quem deve ganhar um ministério.

Quem mais? Claro, sempre sobra o PPS de Roberto Freire, que hoje está entre as bancadas nanicas na Câmara e também não sabe para onde ir na busca por aliança com algum outro partido. "É a união da falta de fome com a vontade de não comer", como diz o ferino jornalista Carlinhos Brickmann.

Sempre em busca de uma boa onda, Roberto Freire revelou à repórter que desde o ano passado vem discutindo com Serra o projeto de criação de outro partido. "Serra ainda continua ativo", garantiu ele.

O presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, não gostou nada da ameaça de traição de Serra, que para alguns tucanos está apenas querendo valorizar seu passe na renovação da direção nacional do partido, em maio.

Para Guerra, a candidatura de Aécio está consolidada no partido e independe dos rumos que José Serra tomar.

O problema do PSDB e da oposição em geral não se restringe a encontrar alguém para enfrentar Dilma nas eleições, mas onde buscar candidatos competitivos para os palanques estaduais que possam sustentar a campanha presidencial.

A situação está tão difícil que no Rio de Janeiro, por exemplo, segundo maior Estado do país, começaram a pensar em soluções heterodoxas, já que na última campanha municipal seu candidato, Otavio Leite, ficou na rabeira dos nanicos.

Em reunião com Aécio, da qual participaram o ex-presidente FHC e economistas eméritos do partido (Armínio Fraga, Edmar Bacha e Gustavo Franco), chegaram a pensar até no nome de um dos três para empunhar a bandeira tucana no Rio.

Como eles não se animaram, houve um que sugeriu a "importação" de tucanos de outros Estados: Alvaro Dias, do Paraná, e quem diria, até José Serra, de São Paulo.

Por último, lembraram de um nome fora do partido, mas muito popular em certos segmentos da sociedade carioca: o do apresentador de televisão Luciano Hulk. Parece que a reunião terminou por aí. Dá para entender agora porque Aécio resiste tanto ao convite presidencial de FHC. Sem esquecer que Dilma e o PT têm Lula no banco de reservas...

Se o caro leitor tiver alguma sugestão de nome da oposição para desafiar Dilma em 2014, por favor escreva para o Balaio. Os tucanos, os especuladores e a midia aliada agradecem.

Em tempo:

um amigo me avisou agora que na última edição da "Veja", a que está nas bancas, já tem um ministério inteirinho e um programa de governo pronto para quem derrotar Dilma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado em 20/12/12 às 15h00

Por um 2013 com mais notícias boas

73 Comentários

foto 1 Por um 2013 com mais notícias boas

20 de dezembro de 2012.

Um dia antes do anunciado fim do mundo, aproveito para já me despedir dos leitores deste Balaio (nunca se sabe...), depois de mais um ano de encontros diários, muitos debates acalorados e algumas alegrias, como a volta de antigos leitores desgarrados que  retornaram ao nosso convívio.

Como os governos, o Congresso, o Supremo, as escolas de samba e os times de futebol estão entrando em recesso, as notícias começaram a rarear e este é um bom momento para todos juntos fazermos uma reflexão sobre o ano que passou e o que nos espera em 2013.

Prometo não fazer nenhuma retrospectiva nem tentar prever o que vai acontecer no ano que vem. Essas coisas costumam ser muito chatas e os balanços acabam mais tirando do que dando esperanças.

Melhor é esfriar a cabeça um pouco, dar uma boa limpada nos pensamentos negativos  e imaginar como cada um de nós pode colaborar para fazer um mundo melhor, menos conflituoso e destrutivo, menos intolerante e mais fraterno.

Se o mundo não acabar amanhã, poderíamos começar cumprimentando nossos vizinhos com um sorriso e não apenas por obrigação, perguntar como vai, pedir por favor e falar obrigado sempre que possível, esses coisas antigas quase esquecidas.

Há mil maneiras de tornarmos mais prazeroso nosso dia a dia e a relação com as outras pessoas, a começar pelas mais próximas. Neste último texto do ano, sem nada de importante para falar, conto com a colaboração dos leitores para ver de que forma poderemos ter mais notícias boas em 2013.

Desde que comecei a tocar este blog, faz uns cinco anos, meu desafio diário é procurar fugir das manchetes, dos lugares comuns, das desgraças de todos os dias, da eterna disputa política, das futilidades transformadas em grandes acontecimentos.

Não é fácil. Em primeiro lugar, porque todos nós somos produtos do nosso meio. É impossível você terminar de ler os jornais e os portais, ver e ouvir o noticiário de manhã à noite, e não ficar impregnado de coisa ruim, ainda capaz de encontrar fatos para despertar um sorriso, uma alegria em quem frequenta este espaço.

Tenho verdadeira obsessão, faz muito tempo, por encontrar notícias boas, histórias inspiradoras, lugares diferentes, novos personagens que mudam o rumo das coisas.

Ao final de cada ano, sinto-me como aquela maratonista da olimpíada que foi se arrastando para alcançar a chegada, disposta a não entregar os pontos.

Não é possível que num país como o nosso, com seus 200 milhões de habitantes em sua grande maioria de boa índole e 8,5 milhões de quilômetros de metros quadrados de riquezas sem fim, a gente não tenha para contar de um dia para outro algumas coisas boas que estão acontecendo em algum lugar escondido do país.

Por razões físicas e de trabalho, nos últimos tempos viajei menos para fazer reportagens, tornei-me mais comentarista do que repórter, e talvez isso também tenha colaborado para que o Brasil real já não apareça como antes aqui no Balaio.

Sempre defendi que lugar de repórter é na rua, mas nos últimos tempos tenho seguido cada vez menos meu próprio conselho, navegando horas pela internet ao invés de bater pernas pelas ruas e ir aonde os fatos estão acontecendo.

Por isso, peço o auxílio de vocês para trazerem aqui ao Balaio as histórias que já não encontro por aí, contando o que anda acontecendo de bom nos lugares onde vivem e que eu não vejo.

Esta á a grande conquista da internet, em que somos todos ao mesmo tempo produtores e receptores de informações, não apenas de opiniões, que acabam se repetindo e tornando chatos os debates.

Faço um apelo para que a gente dê uma arejada nos assuntos, na maneira de tratar os acontecimentos bons ou ruins que fazem parte do nosso dia a dia.

Vou tirar também um recesso com a família, coisa que não faço há muito tempo, e volto dia 10 de janeiro, mas o Balaio continuará aberto às contribuições de vocês, dando dicas, contando onde estão surgindo coisas boas, relatando experiências que podem servir de estímulo a outros leitores, seus planos para 2013, receitas de bem viver.

Que boas notícias vocês gostariam de ver publicadas em 2013?

Nesse meio tempo, se eu encontrar alguma pelo caminho, volto ao Balaio em edição extraordinária.

Deixo o blog em boas mãos: nas mãos dos leitores.

Até a volta!

 

***

Em tempo:

O ano para mim terminou com uma boa notícia que me deixou muito feliz: estou relacionado entre os 20 jornalistas brasileiros mais premiados de todos os tempos, ranking que foi divulgado esta semana pelo portal Jornalistas&Cia e Instituto Corda.

O grande campeão, com toda justiça, foi meu amigo José Hamilton Ribeiro, repórter do Globo Rural.

Meu nome também foi incluido entre os mais premiados jornalistas brasileiros de 2012.

Só tenho que agradecer do fundo do coração a todos os colegas com quem trabalhei durante todo este tempo e aos leitores que me acompanharam nesta longa travessia.

Valeu, pessoal.

Feliz Natal! Feliz 2013!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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corinthians O ano cinza que virou festa em preto e branco

Se me pedissem para escolher uma cor capaz de pintar como foi o ano de 2012, eu votaria no cinza. E assim o ano já ia acabando, sem muita graça ou desgraça, quando o Corinthians fez explodir no Japão e aqui a grande festa em branco e preto, que se espalhou na manhã desta terça-feira nas ruas de São Paulo ao longo do desfile dos bicampeões mundiais.

Mesmo para quem não é corintiano, como é o meu caso, foi bonito de ver esta festa em que jogadores, torcedores, dirigentes, membros da comissão técnica e quem estivesse pela rua, todos juntos gritando "o campeão chegou, o campeão chegou".

Ali todos se sentiam heróis numa comemoração comovente como faz muito tempo a cidade não via. Do alto do trio elétrico, os jogadores balançavam bandeiras do clube que se enroscavam nas dos torcedores e ficava difícil saber quem era quem nesta bela manifestação do mais puro corinthianismo.

Ninguém reclamou do transito, policiais também aproveitavam para tirar fotos e pedir autógrafos aos campeões, nada foi quebrado no caminho.

Bem que os brasileiros de São Paulo, em sua maioria corintianos, mereciam esta alegria, uma festa sem donos, ao final de um ano que não foi fácil e não deixa muita saudade, mas várias pendências não resolvidas.

Foi o ano de uma eleição municipal que não empolgou, abafada pelo protagonismo do Judiciário com o julgamento do mensalão, que deixou o Executivo e o Legislativo em segundo plano, sem avançar nas reformas e nos projetos de infraestrutura que o país tanto reclama, com a economia crescendo bem menos do que se esperava, num clima de crises e denúncias sem fim.

Nada se avançou, por exemplo, na reforma política em que os partidos não conseguem encontrar pontos mínimos de consenso, e já é certo que não se votará este ano sequer parte dela, como informa Ilimar Franco, na coluna Panorama Político, do "Globo".

No mesmo dia em que o STF encerrava o julgamento do mensalão com a cassação de três deputados, provocando reações na Câmara, o ministro Luiz Fux determinou por liminar a suspensão da análise dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei sobre a distribuição dos royalties do petróleo.

Da mesma forma, está emperrada na Câmara a votação da MP do Setor Elétrico enviada pela presidente Dilma Rousseff para baratear as tarifas de energia, uma das suas principais promessas de 2012, que vai ficar para 2013.

Os novos projetos para aliviar os gargalos de portos e aeroportos também chegam ao final do ano como começaram: não passam ainda de projetos. Obras antigas do PAC, como a Transnordestina e a Transposição das Águas do São Francisco, seguem a passos lentos, furando todos os prazos para conclusão.

Para onde se olha, há atrasos, impasses, embates, mas ao mesmo tempo o Brasil conseguiu chegar ao final do ano com juros menores, inflação sob controle, e emprego e renda em alta, o que explica os elevados índices de aprovação popular da presidente Dilma Rousseff em todas as pesquisas.

Nestas horas, olhando para o copo meio cheio ou meio vazio, dá até vontade de ser corintiano para ver 2013 com mais otimismo e apagando o cinza da paisagem.

 

 

 

 

 

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