Que vexame! Veja o fracasso dos marchadeiros

Eles programaram uma entrada triunfal em Brasília, esperando reunir pelo menos 40 mil pessoas nesta quarta-feira, ao final da "Marcha pela Liberdade", organizada pelo Movimento Brasil Livre, que saiu de São Paulo e levou 33 dias para percorrer 1.175 quilômetros a pé, com o objetivo de protocolar um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A Polícia Militar do Distrito Federal preparou uma operação especial para receber a multidão em frente ao Congresso Nacional. Coordenador da operação, o tenente coronel Frederico Santiago levou uma tropa de 150 homens e deixou de prontidão outros 2 mil militares. Quando a grande manifestação chegou, havia um PM para cada dois marchadeiros, segundo relato do repórter Leandro Prazeres.

"Nossa estimativa foi feita com base no que as organizações passaram para a Secretaria de Segurança Pública. Não entendo nada de política, mas não sei como eles chegaram a esse número. De qualquer forma, estamos a postos", anunciou o tenente coronel Santiago.

Liderada por um pivete, a marcha que pretendia mobilizar simpatizantes, atrair a adesão popular ao longo da caminhada e ser recepcionada por caravanas vindas de outras cidades, não chegou a reunir 300 pessoas na rampa do Congresso, onde foi recebida apenas por alguns  líderes da oposição do porte de Carlos Sampaio, Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

Foi um monumental fracasso, que só não acabou ignorado pela mídia porque alguns coordenadores do grupo conseguiram ser recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que este ano já havia recusado sumariamente outros três pedidos de impeachment, mas prometeu encaminhar o pedido do MBL "para análise técnica" da sua assessoria jurídica.

Quando saíram de São Paulo, os marchadeiros de Kim Kataguiri, estudante de 19 anos, sonhavam alto, como ele anunciou pelo "Facebook: "No dia 27 de maio ocupemos a frente da Câmara para que os congressistas se sintam pressionados a atender a nossa pauta".

O MBL logo ganharia a adesão do deputado suplente Roberto Freire, presidente do PPS, que escreveu em seu Twitter: "Vamos mobilizar todos os partidos de oposição e oposicionistas de todos os partidos para a Marcha e o ato em BSB".

Nada disso aconteceu. Nenhum grande cacique tucano foi visto dando apoio à tragicômica aventura dos marchadeiros. Só apareceu uma faixa empunhada por anônimos atrás da mesa onde Cunha se reuniu com os lideres do MBL, em que se lia: "O PSDB saúda a Marcha pela Liberdade - Vocês são exemplos da cidadania e esperança para um Brasil livre da corrupção".

Pois não é que poucas horas depois, por ironia do destino, dando um cavalo de pau na votação do dia anterior, Eduardo Cunha conseguiu aprovar a emenda que coloca na Constituição o financiamento privado de campanhas eleitorais? Parece ficção, mas é real, caros leitores.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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marin Do futebol de várzea à prisão, o Marin que conheci

Conheci José Maria Marin mais de 50 anos atrás, como repórter da "Gazeta de Santo Amaro", jornal de bairro da zona sul de São Paulo, onde iniciei minha carreira. Uma das minhas primeiras tarefas era reescrever a coluna semanal do Dr. Marin, como o chamavam, em que ele fazia a cobertura dos times de várzea da região. Naquela época, era apenas um advogado de província, muito amigo do dono do jornal. Chegou a jogar por pouco tempo como ponta direita do meu time, o São Paulo, depois de ralar em campos de terra da periferia.

Modesto de posses e com dificuldades no domínio da língua portuguesa, era um sujeito simples, afável, nada havia nele capaz de chamar a atenção. Quem conviveu com Marin no tempo da "Gazetinha", que circula até hoje, jamais poderia imaginar que aquele colunista varzeano chegaria a ser governador de São Paulo, assumiria a presidência da CBF, e acabaria sendo preso, aos 83 anos, no Baur ao Lac Hotel, em Zurique, na Suíça, junto com outros cartolas da Fifa, durante uma operação contra corrupção nos altos escalões do futebol mundial.

Quando já trabalhava no Estadão, reencontrei Marin como vereador, depois deputado estadual, sempre ligado ao malufismo e ao que havia de mais retrógrado e reacionário na política brasileira, então sob o alto comando dos generais. Comendo pelas beiradas, muito discretamente, acabou sendo eleito vice-governador de Paulo Maluf e, no final do mandato, assumiu o cargo por alguns meses quando o titular se afastou para se candidatar a deputado federal. Em pouco tempo, virou um homem rico.

Com a redemocratização do país, andou por um tempo sumido da política, dedicando-se aos negócios, e só voltou ao noticiário como presidente da Federação Paulista de Futebol, de onde pulou para a CBF e a Fifa. O céu era o limite, antes que a polícia chegasse, o que não me surpreendeu nenhum pouco. Pela sua trajetória e prontuário, até que este final de novela demorou muito a chegar.

 

 

 

 

 

 

 

 

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aecio PSDB dividido: Nós não temos um projeto de país

Quem colocou o dedo na ferida, expondo a divisão interna do partido, não foi nenhum bolivariano inimigo, mas o próprio vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, que enviou nesta terça-feira uma carta à direção da legenda na qual escreve com todas as letras o que está no título desta coluna:

"Nós não temos um projeto de país".

Já constatei isso várias vezes aqui no blog, mas parece que agora caiu a ficha dos tucanos, revelando uma divisão interna do maior partido da oposição, que a mídia amiga já não pode esconder. Para Goldman, ex-governador de São Paulo muito ligado a José Serra, o partido até agora não conseguiu explicar ao eleitorado o que teria feito se tivesse vencido as eleições presidenciais. Não fez isso durante toda a campanha eleitoral do ano passado e não apresentou nenhuma proposta nas recentes propagandas na televisão, limitando-se a detonar o governo petista.

O primeiro vice-presidente do partido reclamou também que "a falta de debate interno se agravou no período recente de Aécio Neves", que assumiu o comando do partido antes de se candidatar à presidência da República, depois de um longo domínio do alto tucanato paulista . Goldman lembrou que o PSDB não discutiu internamente até agora qual posição tomar nos debates sobre a reforma política e o ajuste fiscal proposto pelo governo.

Isso ficou claro na noite de terça-feira durante a votação do projeto de reforma política apresentado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Até o último momento, eternamente em cima do muro, os tucanos não sabiam o que fazer. Diante de mais um racha no partido, Aécio impediu que o PDSDB fechasse questão a favor do distritão defendido por Cunha. Resultado: 21 tucanos foram  a favor, mas 28 votaram contra.

D. Eduardo I derrotado

A defecção do PSDB, um aliado de ocasião do presidente da Câmara para desgastar o governo Dilma, contribuiu para a primeira grande derrota de D. Eduardo I e Único nos seus próprios domínios. O estilo imperial de Eduardo Cunha, tratorando até seus mais fieis aliados, levou-o a uma derrota humilhante e lhe mostrou que não pode tudo. Todo poder tem seus limites.

A sua proposta prioritária de adoção do voto distrital nas eleições parlamentares foi derrotada por 267 a 210, quando precisava de no mínimo 308 votos para mudar o sistema eleitoral. Até no PMDB lhe faltaram votos: 13 deputados do seu partido votaram contra a proposta de Cunha.

No Senado, seu parceiro Renan Calheiros, outro aliado-desafeto do governo, também saiu derrotado na primeira votação do pacote do ajuste fiscal em que foram aprovadas restrições ao seguro desemprego e ao abono salarial. O resultado foi bem apertado (39 a favor e 32 contra), mas representou mais uma vitória de Dilma-Temer contra Renan-Cunha na queda de braço travada entre o governo e o Congresso.

A cada dia sua agonia, no ganha e perde da guerra política, que parece não ter fim.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Reforma Cunha: poder da grana e partidos ameaçados

"Pior do que está não fica" era o slogan da primeira campanha do palhaço Tiririca a deputado federal, em 2010. Não só fica pior, como estamos vendo a cada dia, mas agora também corremos o risco de ter um parlamento cheio de Tiriricas, se for aprovada a "Reforma Cunha", que entra em discussão e votação nesta terça-feira na Câmara.

Insatisfeito com os resultados da Comissão Especial, que ele mesmo montou há três meses, para apresentar um projeto de reforma política, o presidente Eduardo Cunha, também conhecido como D. Eduardo I e Único, o imperador autoproclamado, nem esperou pelo relatório. Mandou jogar tudo fora, cancelou a sessão e resolveu levar a discussão diretamente para o plenário.

Com bancadas temáticas suprapartidárias sob o seu comando, que na prática já estão acabando com os partidos, Cunha controla perto de 300 votos, e precisa de apenas mais oito (60% do total de 513) para aprovar o que quiser.

Muitas propostas vão entrar em discussão, mas para o imperador do PMDB duas são prioritárias:

* Criar o "Distritão", sistema eleitoral pelo qual se elege apenas o deputado mais votado nas regiões em que serão retalhados os Estados e acaba com os votos na legenda. Partidos à parte, basta escolher um Tiririca bom de voto em cada distrito e despejar nele todos os recursos financeiros disponíveis. Programas partidários, compromissos ideológicos e os votos nos outros candidatos são simplesmente jogados no lixo.

* Manter o financiamento empresarial de campanhas, que permitiu a Cunha não só se eleger com folga, como também ajudar outros candidatos que hoje formam sua bancada particular suprapartidária. É a questão central da reforma política, pois mantém o mesmo sistema atual, que permite ao poder econômico formar suas bancadas temáticas, e está na raiz de todos os esquemas de corrupção vigentes no país. Já proibido por ampla maioria no STF, o financiamento privado só continua em vigor porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e não devolveu o processo, à espera da reforma de Cunha, que pode aprovar a inclusão das doações privadas na Constituição.

A "Reforma Cunha" faz parte das suas "promessas de campanha" para se eleger presidente da Câmara, que incluem a construção de um novo anexo orçado em R$ 1 bilhão, com direito a shopping e tudo para o melhor conforto das excelências. O único objetivo desta turma é preservar seus interesses e, se possível, facilitar suas reeleições futuras, em parceria com o poder da grana. É o baixo clero no poder que, na hora de votar, só se faz uma pergunta: o que é melhor para mim?

Fora do baixo clero (ainda existe o alto clero?), agora liderado por Cunha, sobraram muito poucos.  Uma das raras exceções é o deputado fluminense Chico Alencar, do pequeno PSOL, que fez parte da Comissão Especial, e assim resumiu a ópera bufa:

"O que se pretende, na verdade, é fazer uma contrarreforma que assegure a constitucionalização do financiamento empresarial dos partidos".

Ou seja, na melhor das hipóteses, vai continuar tudo como está, à espera do próximo escândalo de corrupção. O país clama, há décadas, por uma profunda reforma política-partidária-eleitoral, mas desse congresso nada se pode esperar de bom. O que for aprovado lá é para melhorar a vida dos próprios parlamentares, não do povo que os elegeu. O abismo entre representados e representantes só aumenta.

Por isso mesmo, a direção da Câmara dos Deputados ignorou solenemente as milhões de assinaturas das propostas populares em defesa de uma reforma política democrática que foram apresentadas, desde o ano passado, pelas principais entidades da sociedade civil organizada.

E assim vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

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 Com Levy e Temer, crise chega ao núcleo do poder

Michel Temer

Esta semana que está começando promete ser decisiva para sabermos o que podemos esperar no segundo semestre. O cenário é preocupante. Nas últimas horas, a crise chegou ao núcleo do poder e envolve os dois principais pilares do governo Dilma Rousseff: o vice Michel Temer, coordenador político, e o ministro Joaquim Levy, responsável pela política econômica no segundo mandato.

Temer solicitou uma reunião com Dilma ainda nesta segunda-feira, antes da viagem da presidente ao México, para pedir uma definição sobre o apoio do PT e do governo às medidas do ajuste fiscal que serão votadas nos próximos dias no Senado.

"Preciso saber para onde o governo deseja ir, para o lado do PT ou do ajuste fiscal", justificou o vice, segundo interlocutores ouvidos pelo repórter Valdo Cruz, da Folha. "Quando vejo o PT trabalhando contra o ajuste, eu me pergunto se isso é coisa só do PT ou conta com o apoio de setores do governo".

É a mesma preocupação do ministro Levy, que demonstrou seu descontentamento ao não comparecer à cerimonia, na sexta-feira, em que foi anunciado o corte de R$ 69,9 bilhões no orçamento, e não anda satisfeito com os rumos que as votações do pacote do ajuste fiscal estão tomando no Congresso. Nos cálculos do Ministério da Fazenda, dos R$ 18 bilhões inicialmente previstos, só deverão restar R$ 5 bilhões para socorrer os cofres do governo após as mudanças que estão sendo feitas nas medidas provisórias.

As votações no plenário do Senado foram adiadas depois que petistas criticaram as propostas em Brasília, com o senador Lindbergh Farias chegando a pedir a demissão de Levy. As críticas ao ministro da Fazenda foram repetidas nos encontros estaduais do PT no último final de semana. O maior problema de Levy é que o governo corre contra o relógio porque, se não forem votadas até sexta-feira, as MPs do pacote fiscal vão caducar.  Por isso, o ministro da Fazenda voltou hoje a Brasília disposto a retomar pessoalmente as negociações com o Congresso Nacional.

Além das dificuldades enfrentadas com as votações no Congresso, Temer também ficou contrariado por não ter sido chamado para participar da longa reunião de sexta-feira, na Granja do Torto, em que a presidente Dilma discutiu a conjuntura com o ex-presidente Lula e ministros petistas.

O que se discute no momento em Brasília é até onde Levy e Temer suportarão as pressões do "fogo amigo" que partem da própria base aliada do governo. O menor problema deles são as oposições, que se preparam para recepcionar os alucinados pró-impeachment do Movimento Brasil Livre, um pequeno punhado de marchadeiros que saíram de São Paulo no dia 24 de abril e estão chegando agora à Capital Federal.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

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"Perdemos a batalha política", resumiu sem meias palavras o professor Marco Aurélio Garcia, um dos fundadores do partido, 35 anos atrás, e assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais desde a chegada do PT ao poder, em 2003.

Encarregado de fazer um balanço da situação, ele nem precisava falar nada. Bastava apontar para a plateia. Das mil cadeiras enfileiradas na quadra do Sindicato dos Bancários para receber os participantes do 5º Congresso Estadual do PT, em São Paulo, nem a metade estava ocupada. A militância sumiu, nem Lula apareceu.

"Como fundador e alguém que militou 35 anos no partido, nunca vi uma reunião do PT tão vazia como essa, quando no passado se disputava um crachá. Isso é um sintoma grave de uma crise que nos atinge de forma objetiva e subjetiva", disse Garcia na abertura dos trabalhos no sábado.

Para ele, o partido não conseguiu entender o fenômeno das classes que foram favorecidas pelas medidas de inclusão social adotadas nos governos do PT e a reeleição de Dilma encerrou este ciclo de 12 anos, que está esgotado. "Os militantes não se sentem mais representados pelo PT. Isso significa que perdemos a batalha política. Isso é sim responsabilidade do governo, mas é muito mais uma responsabilidade do nosso partido".

Além das cadeiras vazias, outro sintoma da agonia do PT é a ameaça da fuga de vereadores e prefeitos preocupados com a alta rejeição ao partido em São Paulo e que já estão em negociações com o PSB, o novo partido de Marta Suplicy, para disputar as eleições municipais do próximo ano. Na avaliação do próprio partido, o PT pode perder até 30% das 68 prefeituras que tem atualmente. Em 2014, antes da atual crise, a bancada na Assembleia Legislativa já tinha caído de 24 para 14 deputados.

Tudo isso acontece a apenas três semanas da abertura do Congresso Nacional do PT marcado para Salvador, de 11 a 13 de junho. No encontro estadual, Marco Aurélio Garcia falou na necessidade do partido apresentar um novo modelo político e econômico, mas resta saber se isso será possível em tão pouco tempo para motivar a militância e reconquistar o eleitorado perdido.  A grande dúvida é se a presidente Dilma Rousseff, que já foi oficialmente convidada, estará presente ao encontro neste momento em que partido e governo encontram-se cada vez mais afastados nas discussões sobre o ajuste fiscal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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acaro1 Serviço nota 10 para combater ácaros e fungos

Não, o título acima não esconde nenhuma linguagem em código. É sobre isto mesmo que vou escrever nesta sexta-feira, um problema que muita gente tem em casa e não sabe, ou não tem ideia de como combater. Às vezes, acho que faz bem, para mim e para os leitores, tratar de coisas da vida real que podemos resolver. É melhor do que ficar sempre falando dos mesmos problemas para os quais não vemos solução, nem dependem só de nós.

O alerta veio da médica que tratou recentemente da pneumonia que levou minha mulher ao hospital. Entre as muitas possíveis causas da doença, que ataca mais nesta época do ano, tem uma bem comum, que eu não conhecia.

"Isto pode ter sido provocado também por fungos e ácaros na casa de vocês... O prédio é antigo? Tem cheiro de mofo nos armários? Então é bom dar uma olhada", aconselhou-me a doutora, e resolvi fazer isso assim que minha mulher teve alta.

Quem poderia ver isto para mim? Em outros tempos, consultaria amigos ou parentes que tiveram este problema para saber se conheciam alguma empresa especializada. Agora, com a internet, ficou tudo mais fácil. Fui direto ao Google, digitei algumas palavras-chave, e num instante tive um monte de respostas.

Abri várias páginas e me fixei numa que, por intuição, me pareceu a mais adequada. Mas os contatos eram de uma empresa do Rio de Janeiro. Arrisquei assim mesmo. Lá é a matriz da "Astral Saúde Ambiental", que me deu os telefones da sua franqueada em São Paulo. Fui bem atendido, expliquei o que precisava e, no dia seguinte de manhã, já recebia o orçamento, com todo o detalhamento do serviço. Como o preço era módico, menos do que gastamos com remédios, fechamos negócio e marcamos a data.

Esta semana, a equipe chegou no horário marcado, munida dos seus equipamentos, sob o comando da própria diretora da empresa, Sandrinni Camillo, filha do dono, que nos deu todas as explicações sobre o serviço de anti-mofo: técnica de aplicação, grupo químico utilizado (piretróide), classificação toxicológica e possível ação tóxica do ingrediente ativo (lambdacialotrina).

Em resumo: duas horas depois, meu apartamento estava imunizado contra estas pragas urbanas. Poucas vezes na vida fui tão bem atendido e com tanta presteza por uma empresa de serviços. Por isso, recomendo a Astral aos caros leitores que tenham este problema em suas casas. Contatos:

E-mail _ spsul@astral.ind.br

Home Page _ www.astral.ind.br

Fone _ (011) 2591 1112

Se os caros comentaristas do Balaio tiverem conhecimento de outras empresas de serviços deste tipo, que possam ser úteis aos demais leitores, por favor escrevam para o Balaio. Esta é a grande riqueza da internet, que, além de democratizar as informações e opiniões, pode também nos ajudar mutuamente a resolver nossos problemas.

É o que antigamente se chamava de serviço de utilidade pública. Jornalismo também pode servir para falar de coisas úteis e boas.

Viva João Pessoa

Recebi agora de manhã mensagem da leitora Rhideme Souza, publicada na área de comentários que me deu muita satisfação e comprova o que escrevi acima. Trata da matéria "Todo mundo tem um sonho. O meu é João Pessoa", que publiquei no dia 16 de janeiro deste ano. Escreveu a Rhideme:

"Jampa (o apelido carinhoso de João Pessoa) deve mesmo ter algo especial, porque eu também me encantei pela cidade, sem sequer conhece-la pessoalmente. Também não tenho parentes ou amigos lá, sou de Minas Gerais, e estou com muita vontade de me mudar para João Pessoa. Espero realizar em breve este sonho. Ótimo texto o seu, obrigada, me serviu de motivação".

De vez em quando a gente acerta.

JRN 4 anos no ar

jrnews Serviço nota 10 para combater ácaros e fungos

Não percam nosso Jornal da Record News, a partir das 9 da noite desta sexta-feira, 22 de maio, em que completamos quatro anos no ar.

Sob o comando de Heródoto Barbeiro, com sua jovem e valente equipe chefiada por Maria das Neves e a direção de Ailton Nasser, o popular Mineiro, o JRN pode não ser o melhor telejornal do mundo, até porque nossos recursos são modestos, mas é diferente de tudo que conheço no ramo. Quem ainda não viu não sabe o que está perdendo. Tem cara, tem alma e abre espaço para todo mundo dar sua opinião.

Bom final de semana a todos.

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 Índices mostram que economia está encolhendo

Desemprego: chegou a 6,4%, o maior índice dos últimos quatro anos. Cerca de 1 milhão e 600 mil trabalhadores brasileiros estão sem emprego, segundo o IBGE.

Renda: o salário médio dos trabalhadores caiu 0,5% no mês passado, em relação a março, e 2,9% na comparação com abril de 2014.

PIB: a economia brasileira encolheu 0,81% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com cálculos do Banco Central. Nos últimos 12 meses, o PIB caiu 1,18%, o mesmo índice da retração esperada para este ano.

Os novos índices negativos da economia divulgados nesta quinta-feira apontam para uma piora do cenário, ainda antes dos cortes no orçamento, previstos entre R$ 60 e 80 bilhões, que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deverá anunciar até amanhã.

Uma coisa vai puxando a outra: com menos investimentos e as altas dos juros e da inflação, caem o emprego e a renda, os grandes esteios da estabilidade econômica mantida até o ano passado, fazendo com que as famílias consumam menos e provoquem uma queda no PIB. A produção industrial caiu 5,9%, segundo o IBC-Br.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Aumentos para o Judiciário são um esculacho

Caros leitores,

poucas vezes na história deste blog fui tão criticado por escrever um texto como o publicado abaixo. E com toda razão, como pude concluir, depois de ler todos os comentários enviados por servidores do Judiciário. Eles argumentam, basicamente, que não se pode colocar no mesmo Balaio a situação deles, que estão há dez anos sem ter reajuste de salário e vivem com dificuldades, e os privilégios dos magistrados relatados no post.

São duas realidades bem diferentes. Errei ao não me informar melhor sobre a situação do funcionalismo de carreira, que não usa toga e até hoje não tem uma data-base para a reposição dos seus salários, de acordo com a inflação do período, como a maioria dos outros trabalhadores.

Peço desculpas a eles e aos demais leitores e recomendo que leiam os depoimentos destes servidores publicados na área de comentários, mostrando o outro lado da medalha. Internet é bom por causa disso: aqui, neste espaço democrático, quando erramos, podemos fazer as correções necessárias. Ninguém é dono da verdade.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Em tempo (atualizado às 14h50 de 23.5):

se nunca tinha sido tão criticado, como escrevi acima, também nunca recebi tantos elogios por ter reconhecido meu erro.

Agradeço a todos os leitores, tanto os que me criticaram severamente, como os que depois me elogiaram, apenas por ter cumprido minha missão de jornalista, que não é dono da verdade, e deve sempre ouvir todos os lados para ser justo.

Vivendo e aprendendo. Vida que segue.

***

Já começam a me faltar palavras para definir o que está acontecendo nas nossas instituições. Só mesmo procurando no dicionário para encontrar a expressão certa capaz de explicar a farra dos aumentos no Judiciário, em plena temporada de ajuste fiscal para cortar gastos públicos e salvar o país da quebradeira: esculacho.

Um dos significados para a palavra, segundo o Dicionário do Aurélio, é "grande confusão". Ou não é isso que estamos vendo? Na verdade, trata-se de um tapa na cara da população, uma ofensa para todos nós que estamos com nossos salários e empregos ameaçados. Vale para tudo o que andam produzindo nos últimos tempos, em todas as esferas e instâncias dos três poderes.

Por exemplo: a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira regime de urgência para que o aumento salarial de 59,49%, em média, a ser pago em seis parcelas até 2017, seja concedido logo aos servidores do Judiciário, mandando a decisão diretamente para o plenário. Eles têm pressa. Isto vai nos custar mais R$ 25,7 bilhões nos próximos quatro anos. O problema é que o país não tem esse dinheiro.

Veja agora a justificativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski:

"Nós precisamos sempre de reajuste. Quem é que não precisa pagar o supermercado, já que houve um aumento do preço dos produtos?".

Que maravilha de pergunta! Cheguei a ficar comovido. Alguém já encontrou o supremo magistrado numa fila de supermercado? Faz pouco tempo, também preocupado com a sobrevivência dos seus colegas de toga, outro ministro do STF, Luiz Fux, como lembrou o colunista Bernardo Mello Franco na Folha, concedeu um auxílio-moradia de módicos R$ 4.300 a todos os juízes do país.

Eles estão conseguindo se superar. Feliz com a prebenda, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Roberto Nalini, explicou, falando sério:

"O auxílio foi um disfarce para aumentar um pouquinho. E até para fazer com que o juiz fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC".

Folgo em saber. E nós, como fazemos? Como se diz no popular, tudo bem, vocês venceram, mas não precisa esculachar.

No mesmo dia, a Câmara presidida por Eduardo Cunha, para não ficar fora da farra geral, aprovou a "emenda do jabuti", que autorizou a construção de mais um anexo para os senhores deputados, com direito a um belo shopping e tudo, orçado em R$ 1 bilhão. Segundo Cunha, será uma parceria público-privada a responsável pela obra. Se for igual ao que fizeram nas PPPs da Copa no Brasil, o público vai entrar com o dinheiro, o privado fica com o lucro da construção e nós pagamos a conta dos elefantes brancos.

Vou ficando por aqui porque, para onde você olha, é tudo a mesma sopa, não cansa de repetir o Mino Carta. Não quero estragar o dia de ninguém. A Justiça pode ser cega, mas quando se trata de olhar os próprios interesses, eles enxergam muito bem, com a ajuda das excelências parlamentares do outro lado da Praça dos Três Poderes. Pobre Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Dia de vitórias de Dilma e derrotas de Renan e Cunha

Dilma fecha acordo com a China

Nada como um dia depois do outro, com uma noite no meio. A cada dia, sua agonia. E assim vamos vivendo, seguindo a vida. A presidente Dilma Rousseff pode ter pensado nestes velhos ensinamentos ao final desta terça-feira de vitórias para o governo e derrotas para seus maiores adversários no momento, tema do meu comentário no Jornal da Record News.

Na queda de braço entre o governo e o Congresso, após uma temporada de más notícias, ontem foi um dia para Dilma comemorar, tanto na política como na economia.

Para mim, o mais importante de tudo, ao contrário da chamada grande imprensa, não foi a derrota que Dilma impôs ao presidente do Senado, Renan Calheiros, com a aprovação do nome de Luiz Fachin para o STF, que ele não queria, mas o grande acordo comercial selado com a China, um pacote de US$ 53 bilhões em 35 projetos de infraestrutura, tratado como mero ato de rotina administrativa.

Num momento em que a nossa economia rateia e clama por novos investimentos, nada poderia acontecer de melhor para o governo brasileiro do que esta parceria com a China, às vésperas da visita oficial que Dilma fará aos Estados Unidos, e não apenas pelos valores envolvidos. Está havendo um reposicionamento histórico na geopolítica mundial entre as duas maiores potências do planeta, em que o comércio torna-se mais decisivo na luta pela liderança do que as guerras territoriais e ideológicas sem fim.

Os efeitos do acordo Brasil-China serão profundos e duradouros, enquanto a batalha pela indicação do novo ministro para o STF foi apenas um fato episódico, do qual daqui a pouco ninguém mais vai falar, e que serviu apenas para demonstrar a miudeza do debate político na imprensa e no parlamento, com o único objetivo de desgastar o governo federal.

No mesmo dia da derrota de Renan Calheiros no Senado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi obrigado a adiar a votação da reforma política, por falta de acordo na comissão especial que ele mesmo montou, mostrando que os dois não são tão poderosos como imaginavam e eram apresentados no noticiário.

A balança do poder oscilou a favor do Executivo e são absolutamente imprevisíveis os próximos lances, com os principais partidos em frangalhos, relegados a segundo plano por bancadas suprapartidárias formadas em torno de interesses específicos, nada republicanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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