kotscho ok Corinthians, rock e Diretas Já: bons tempos, aqueles

Para quem viveu aquela época, foi muito emocionante rever os grandes movimentos, toda a festa e os sonhos dos anos 80, misturando o ocaso da ditadura militar, a Democracia Corintiana, a Campanha das Diretas Já e as primeiras grandes bandas do rock nacional entrando em cena e quebrando a velharia nos palcos da vida.

Para quem veio depois, é uma grande oportunidade de conhecer os momentos mais importantes da redemocratização do país e aprender como se organizam manifestações pacíficas, com objetivos claros e lideranças fortes da política, das artes, do futebol e da sociedade civil.

A vida fervilha nos 82 minutos do documentário "Democracia em Preto e Branco", de Pedro Asbeg, que foi exibido pela primeira vez esta semana no festival "É Tudo Verdade", em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pena que o filme só vai entrar nos cinemas depois da Copa do Mundo. Tem tudo a ver com este momento conturbado que estamos vivendo, trinta anos depois da reconquista das eleições diretas para escolher nosso presidente.

Éramos jovens e sonhadores como meu amigo Sócrates, o grande símbolo da Democracia Corintiana, que botou para correr o caudilho Vicente Matheus, e devolveu a alegria ao futebol, graças a figuras como Adilson Monteiro Alves, Washington Olivetto e Mário Travaglini, entre muitos outros. Nos campos, nos palcos e nos palanques, eles se misturavam a líderes políticos como Lula e Fernando Henrique Cardoso, que chegariam à Presidência da República, ao lendário locutor Osmar Santos e aos grande símbolos da música popular brasileira, ao som do Hino Nacional e de um rock da pesada. Estão todos na fita.

Os sonhos foram transformados em realidade, uma geração vitoriosa chegou ao poder, vivemos hoje o mais duradouro período de liberdades democráticas da nossa história, mas sinto falta daquele clima de festa que se vivia por toda parte quando voltamos a respirar a liberdade.

Ao sair do cinema da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, cruzei com muitos jovens de cara amarrada, bem diferentes daqueles e irreverentes dos anos 80, nem me pareciam alimentar grandes sonhos ou ter disposição para se engajar numa luta coletiva, qualquer uma. Sem saudosismos baratos, mas também sem fugir da realidade, somos obrigados a constatar que hoje vivemos uma época do cada um por si e salve-se quem puder. Já não existe o inimigo comum que unia a todos e a cerveja já não tem o mesmo gosto de celebração permanente.

As cenas dos jogos e dos gols daquele tempo, que perpassam o filme todo, nos lembram que o Corinthians e o nosso futebol já foram bem melhores. Ao olharmos para o Congresso Nacional, então, vemos como a nossa política empobreceu e se amancebou.

Talvez o jovem diretor Pedro Asbeg nem tenha tido esta intenção, mas "Democracia em Preto e Branco" provoca no espectador uma sensação ambígua de alegria e tristeza, reflexão amarga de que já fomos melhores e tínhamos mais esperanças, em plena ditadura, ao compararmos aquela época com o cenário que vemos hoje na cultura, no jornalismo, na política e no futebol, em toda parte. Perdemos as antigas referências e não ganhamos novas. Figuras emblemáticas como Sócrates, que se foi antes da hora, faz três anos, não há mais. Temo que, em algum momento, tenhamos também perdido a alma que nos movia, acima de times, bandas e partidos, para mudar o rumo da história e das nossas vidas.

 

 

 

 

 

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ok1 Vai viajar de avião? Muita calma nesta hora

Já faz algum tempo que voar no Brasil virou uma aventura, mas a cada dia o desafio aumenta e é preciso ter muita calma nesta hora. Você só sabe onde embarca, se conseguir embarcar. A partir daí, você não sabe se vai pousar no destino marcado ou em qualquer outra cidade. Prepare-se para surpresas geralmente desagradáveis. O que antes era um prazer, virou uma epopeia.

Esta semana, minha filha Mariana Kotscho, que também é jornalista veterana como eu, viveu esta experiência numa viagem de trabalho ao Recife, um bate e volta de 30 horas em que aconteceu de tudo. Transcrevo abaixo o relato que ela fez em seu facebook. O texto é meio longo (até nisso ela é parecida comigo...), mas vale a pena ir até o final. No mínimo, o leitor vai se divertir bastante com as roubadas em que Mariana entrou, sem perder o bom humor.  Se sobrar paciência e tempo, vale a pena entrar no blog dela (endereço no final do texto) e ver os comentários dos leitores.

 

Texto de Mariana Kotscho

 

Meu vôo hoje de SP a Recife dava um conto. Então vou contar…

Congonhas, 5 da tarde. O movimento lembra o terminal rodoviário do Tietê, em véspera de feriado. O aeroporto não suporta mais o movimento. O funcionário da cia aérea me informa que só tem auto-atendimento…vou então pra fila dos computadores ( e logo penso…"se fosse meu pai acho que ia desistir do embarque").
Despacho a mala. Antes de chegar ao portão 7, previsto para o embarque, paro para uma coca e um pão de queijo mirrado - 10 reais! É, preço de aeroporto pré copa…..
Na hora do embarque, no portão 7 (oba, é túnel), o sistema de som avisa: "Srs passageiros, o voo 1612 mudou para o portão 19" (ah, não, é ônibus)…
Desce escada rolante, fila enorme. Os funcionários gritam em vão as ordens "primeiro a fileira da janela, agora, a do meio"…..com fones nos ouvidos, a maioria dos passageiros nem escuta nada.

Ao entrar no ônibus, rumo ao avião, me lembro de meu filho quando fomos embarcar pra Fortaleza: ao entrar no ônibus, ele ficou decepcionado - Puxa, mamãe, você disse que a gente ia de avião…. Rumo ao Rio, apenas água e amendoim, "mas pode pagar com cartão de crédito" avisa a aeromoça.

Escala no Rio, ar condicionado desligado, mas quem vai pro Recife deve ficar no avião. "Afinal é só uma hora de escala". Avião no ar novamente e começa o serviço de bordo. A moça da minha frente pede a sopa. "Senhora temos a sopa mas não temos o copo pra tomar a sopa". "Então quero um chocolate". "Chocolate tem no cardápio mas não tem no avião. Pagamento com cartão de crédito, débito não aceitamos. E se for pagar em dinheiro é bom que seja trocado porque não temos troco"….

Eu já estava com medo da aeromoça (que, aliás, não pode mais ser chamada de aeromoça, né? É comissária de bordo). Tratei logo de pegar 10 reais - deu pro amendoim!!! Quando tudo parecia mais tranquilo, veio um aviso: "Atenção senhores passageiros. Algum médico a bordo? Temos uma passageira passando mal".

Só me faltava essa. Como jornalista eu ajudaria, no máximo, fazendo uma matéria. Mas rezei pra que não fosse nada grave. Pouso apoteótico, com direito a ambulância e tudo.
Ufa, enfim estou no Recife (falar "em" Recife é errado, né?). A brisa e o cheirinho do mar compensam….amanhã tem trabalho por aqui!

*

Ainda sobre o post anterior, esqueci de um detalhe: durante escala no Rio, quando os novos passageiros embarcaram, uma senhora entrou no avião e veio me perguntar: "O moça, esse avião aqui vai pra onde? É Recife, mesmo?". Até eu fiquei na dúvida….

Agora sim: o conto da volta. Cenas emocionantes da vida como ela é…. Lá vai: (é longo, tá?).

Chegou a hora de voltar a SP, depois de menos de 24 horas no Recife (a trabalho). Vou para o aeroporto com bastante antecedência. Pilotando a Van, o motorista Carlos - que havia tido os óculos roubados pela manhã ( eu estava correndo um sério risco já que ele fez questão de dizer que, sem os óculos, não enxergava direito.)Na chegada ao aeroporto, vejo aquele bando de gente gritando, com camiseta de time vermelho e preto. Logo penso no Flamengo, mas me lembro que estou em Pernambuco e, muito entendida em futebol, pergunto ao Carlos:

-"Que time é este?"

-"É o Sport Club do Recife, ganhou ontem do Ceará em Fortaleza, é o campeão do campeonato nordestino, a senhora não viu?".

- Não, moço, eu estava no avião vindo pra cá…

Eram duas da tarde. Meu vôo sairia às 4. O time do Sport ia chegar às 7 da noite!!! E a torcida animada, com bandeiras e cantante, já lotava o aeroporto. Ao entrar, reparo no número grande de policiais. Seria por causa da torcida? Penso que é exagero. São muitos policiais, cada grupo com fardas diferentes, alguns parecem até do exército, estão armados. Meu Deus, deve ter acontecido algo grave. Como jornalista é jornalista mesmo quando não está trabalhando, fui lá perguntar, né?

- Policial, por que tudo isso? Aconteceu o que? É só por causa da torcida?

- Não, senhora, hoje estamos fazendo aqui uma comemoração. No subsolo tem uma exposição e nossa banda vai tocar….

Uma mistura e tanto.De um lado, torcedores cantando o hino do Sport e, de outro, a bandinha da polícia tocando de tudo, de Vila Lobos a Luiz Gonzaga. Ainda bem que cheguei cedo, afinal o aeroporto estava animado, né? Faço hora, vejo as lojinhas. Nenhuma tem saia de chita. E a minha filha queria tanto uma….

Quando reparo que a fila da Cia. aérea está quilométrica, decido encarar logo para fazer check in e despachar minha mala. Minha tendinite no braço não permite que carregue peso….
A fila. A fila dá um conto à parte. Se você chegou até aqui no meu texto, não pode perder o que vem a seguir.

A fila não anda. A toda hora funcionários passam gritando número de vôos chamando passageiros para sair da fila. A fila não anda. Tenho pouca bateria no celular. O jeito é bater papo na fila (com os poucos que não estão teclando no celular ou de fone no ouvido). Dona Ana me conta que vai pra Salvador. O cara de trás comenta que teve problema no aeroporto da Argentina e de Brasilia. Dona Ana, pernambucana, me conta que tem 2 filhas, um neto e vai pra Bahia visitá-los. Dona Ana está emocionada. Ela torce pro Sport, o time dela foi campeão. Ela começa a cantar o hino do time pra mim. Então me lembro que vou gravar um Programa Papo de Mãe com mães fanáticas por futebol.

- Dona Ana, a senhora vai ter que ir no meu programa!

- Não posso, filha (ufa, ela me chamou de filha…todo mundo deu pra me chamar de senhora de repente…tudo bem que ja passei dos 40…mas…), vou pra Bahia.

- Então vou gravar um vídeo com a senhora com meu celular.

- Vixe, então peraí que vou passar um batom.

O vídeo ficou uma graça. Dona Ana, toda maquiada, contou que tem um time em cada Estado, cantou hinos (olha eu trabalhando de novo) e mandou até recado pros torcedores na copa (vejam o vídeo, em breve, no Papo de Mãe). Assim que terminei de gravar o vídeo ( o povo em volta achando que eu era doida e a dona Ana mais ainda), escuto da funcionária:

-Tem na fila passageiro do vôo 1149 com destino a SP e escala em Brasília?

- Opa, é o meu. Eu, sou eu!

- Senhora (PQP, quando você começa a ser chamada só de senhora é um marco na sua vida, sabe? Agora já me acostumei….) o seu vôo vai atrasar 3 horas. Sendo assim a senhora vai perder a conexão em Brasilia, às 20h, para o aeroporto de Congonhas, então vamos arrumar lugar em outro vôo. Já no balcão, agora e um rapaz que me dá as opções:

- A senhora pode ficar neste vôo que vai atrasar 3 horas, chegar em Brasilia à uma da manhã e pegar a conexão às sete da manhã para Congonhas ou mudar para o vôo que sai daqui às 18h e vai direto pra SP, chegando às 21h30 em Cumbica.

Pensamento rápido: Passar a madrugada no aeroporto de Brasilia e chegar em Congonhas, onde está a P…. do meu carro ou chegar em Cumbica e ir de ônibus da Gol até Congonhas para pegar a P…. do meu carro??? Fiquei com a opção 2. Ou seja, voltar pra SP de avião + ônibus.

A torcida continua animada…os policiais continuam tocando….. Uma coisa boa que surgiu nos aeroportos são as torres (super concorridas) com tomadas para carregar o celular. Logo arrumo uma tomada. Fico lá em pé uns 20 minutos segurando o celular na mão até carregar um pouquinho. Pensou que ia ter lugar pra sentar, né???? ha ha há.

Vixe, já escrevi um monte e ainda nem entrei no avião. Mas tudo bem…O FB é meu mesmo…lê quem quer…(dizem que na internet tem que ser texto curto, mas não estou preocupada…nada como a liberdade de expressão). Bom, hora de ir pro embarque. Tudo mal sinalizado (redundância?). Sobre os lanchinhos: quem inventou que comida de aeroporto é pão de queijo com refrigerante??? Poxa, podia melhorar, né?

Já dentro do avião. Vou pro meu lugar, no corredor, faço tudo direitinho. Vôo lotado. Fecho os olhos, estou cansada. E então alguém diz…

-Senhora!
(ai, senhora, de novo, é comigo….)

- Oi? - Nosso vôo está atrasado porque um casal se recusa a viajar se não sentar junto, a senhora pode trocar de lugar e sentar no meio lá atrás?
((ter cara de boazinha é um pé no saco!!!))

Lá fui eu pro meu novo lugar…ia dormir mesmo…. É quando, num sono profundo, eu escuto:

-Atenção senhores passageiros…..tivemos um problema no equipamento….no equipamento…..

(PQP esse avião vai cair ou vai fazer pouso de emergência. Ele vai falar no equipamento de trem de pouso…)

- No equipamento de serviço de lanches pagos!!!

Não dava pra ele ter dito " tivemos um problema no carrinho do lanche" ???? Como diria o Zé Simão, ele tucanou o carrinho e quase provocou um infarte em metade dos passageiros!!!!.
Pois é. Agora nem lanche pago, nem amendoim. Sem direito a nada durante 3 horas e meia. Ah, mas eu tinha trazido um lanchinho na mochila!!!

Pousamos em Cumbica (ufa, pelo menos pousou, né?). Vou procurar o ônibus lá fora. 10 da noite. Fila gigante pra pegar o busão pra Congonhas. Consigo um dos últimos lugares. Mais 40 minutos de viagem. Cheguei. Por sorte tinha tirado uma foto do lugar onde havia deixado o carro…não ia lembrar nunca….

Em casa, à meia noite. Crianças acordadas para beijar a mamãe. Delícia. Enfim, esta foi minha saga de 30 horas SP-PE-SP

Agora, não vou resistir: "Imagina na Copa"!!!!!!!!

Obrigada aos que dedicaram seu tempo para me ler ate aqui.
beijos

Mariana Kotscho

www.papodemae.com.br

 

 

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ok Padilha mostra que está pronto para enfrentar Alckmin

Terminou nesta quinta-feira a primeira rodada das sabatinas que fizemos no Jornal da Record News, transmitidas também ao vivo pelo portal R7 todos os dias, desde a semana passada, sempre às quatro da tarde. Para hoje, estava prevista a participação de Geraldo Alckmin, que lidera as pesquisas, mas a assessoria do PSDB informou que o governador não tinha espaço na agenda. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, candidato do PMDB, segundo colocado nas pesquisas, alegou o mesmo motivo para não atender ao nosso convite.

Até se entende a ausência de Alckmin, já que o governador passou uma semana de sufoco com a ameaça de racionamento de água, mas Skaf está há tempos fora do noticiário e sem que se saiba onde faz campanha, desde que foi denunciado o uso de R$34 milhões do sistema Sesi em propaganda que o beneficiou pessoalmente, provocando uma ação do PSDB na Justiça.

Das sabatinas de que participei,  junto com Heródoto Barbeiro e Marco Antônio Araújo, quem me surpreendeu mais positivamente, já que nunca o havia entrevistado antes, foi o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato do PT, que vem percorrendo o interior de São Paulo em caravanas feitas de ônibus desde o início do ano.

Pareceu-me o mais animado e bem preparado para enfrentar a hegemonia de 20 anos de governos tucanos em São Paulo. Como bem observou Heródoto, qualquer que fosse a questão levantada por nós, Padilha tinha um objetivo definido, o de criticar os pontos negativos do governo Alckmin e mostrar o que pretende fazer caso seja eleito, falando em tom pausado e didático.

Com números e dados na ponta da língua, o candidato petista foi firme nas respostas, mesmo quando colocado diante de denúncias que surgiram contra o Ministério da Saúde nos últimos dias, e defendeu com firmeza o programa Mais Médicos por ele formulado e executado, deixando claro que esta será sua principal bandeira na campanha.

Claro que posso estar enganado, mas Padilha me deu a impressão de ser o candidato mais sólido e com mais condições de vencer que o PT já teve em São Paulo, um Estado que nunca governou. Com Lula de principal cabo eleitoral, o petista tem certeza de que irá para o segundo turno e está pronto para enfrentar o governador Alckmin. A cinco meses e meio das eleições, a campanha em São Paulo ainda não pegou no breu e assim as sabatinas da Record News foram a primeira oportunidade para os candidatos se apresentarem e mostrarem suas propostas. Agradeço a todos os que atenderam ao nosso convite.

Bom final de semana aos amigos do Balaio e também aos inimigos, se os houver.

 

 

 

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seca Vamos racionar água agora para evitar colapso

Estão brincando com água, que é pior do que brincar com fogo. Fogo tem jeito de se apagar, mas a água, quando acaba, vai fazer o quê? Importar dos países vizinhos, rezar para chover, comprar de caminhão-tanque de outra cidade?

A cada dia são mais assustadoras as imagens das represas secando _ o Sistema Cantareira bateu nesta quarta-feira novo recorde negativo, chegando a 12,5% da sua capacidade _ , mas todo mundo finge que não vê o que está acontecendo, a começar pelo governador Geraldo Alckmin, que agora admite o racionamento, mas não já: "Nós não descartamos o rodízio (o novo nome do racionamento em tucanês). Vamos avaliar diariamente. No momento, não há necessidade", garantiu, com a maior calma do mundo.

O fato é que, se medidas urgentes não forem tomadas, daqui a pouco não vai sobrar água nem para fazer racionamento ou rodízio, como queiram. Não vai mais ter para ninguém. É melhor enfrentar a realidade e cada consumidor se sacrificar um pouco agora, ficando sem água por algumas horas do dia ou mesmo certos dias da semana, do que chegarmos ao ponto de ter que usar as reservas do "volume morto" do Cantareira, que já está preocupando os técnicos em biologia e toxicidade ouvidos pelo "Estadão".

"Quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes, recomendando maiores cuidados com seus múltiplos usos. Muitos dos poluentes que contaminam os rios apresentam potencialidade de alterar o material genético dos organismos expostos, até mesmo do homem e, consequentemente, desencadear problemas de saúde", alertam pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Metodista de Piracicaba em relatório entregue ao Ministério Públicio Estadual, que abriu inquérito para investigar a crise hídrica do sistema responsável pelo abastecimento de 14,3 milhões de habitantes em São Paulo.

Com a mesma fleugma do governador, a estatal Sabesp admitiu pela primeira vez que o problema é sério no seu Relatório Anual de Sustentabilidade de 2013, publicado no final do mês passado e do qual tomamos conhecimento só ontem. Diz o documento: Se as chuvas não retornarem índices adequados e, consequentemente nos níveis dos reservatórios não forem restabelecidos, poderemos ser obrigados a tomar medidas como o rodízio da água".

O problema é que estamos entrando no período de estiagem e as previsões do tempo são muito animadoras para as próximas semanas. Com o trauma ainda vivo do racionamento de energia promovido pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 2002, quando a sua avaliação caiu para nos níveis mais baixos, o governador tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, vai adiar ao máximo a adoção de medidas mais severas, que já tardam.

Por enquanto, com toda a fortuna que gasta em publicidade no país inteiro, a Sabesp limitou-se a oferecer um desconto na conta de água para quem consumir menos, mas já vimos que só isso não resolve.  Não temos a cultura de economizar nada e continuamos vendo cidadãos (?) lavando carros e calçadas como se a água nunca fosse acabar.

Nestas horas, me lembro da temporada em que morei na Alemanha, nos anos 70, onde todos respeitavam religiosamente os racionamentos de água, que eram frequentes nos períodos de estiagem. As multas são pesadíssimas, mas raramente eram aplicadas porque os próprios vizinhos se encarregavam de cobrar os infratores. Aqui achamos que tudo deve ficar por conta do governo, mas moradores da Grande São Paulo já sofrem na pele as consequências do descaso com que o problema da água vem sendo tratado. Do centro da cidade ao Cupecê, na zona sul, casas e escolas já estão ficando com as torneiras secas sem aviso prévio.

É o que dá quando se subordina providências técnicas urgentes a interesses eleitorais permanentes.

 

 

 

 

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lula É hora de uma nova Carta para acalmar a freguesia

Em meados de 2002, corria a campanha presidencial num cenário que lembra muito o que vivemos hoje. O país era bombardeado diariamente com más notícias sobre os índices econômicos. A Bolsa caia, a inflação subia e o dólar disparava. A culpa era atribuída pela imprensa e pelos "mercados" (leia-se especuladores) não ao governo FHC, já em seus estertores, mas ao candidato Lula, que liderava as pesquisas e corria o sério risco de ganhar a eleição. Criou-se até um "lulômetro" para medir os prejuízos na economia diante da provável vitória do petista.

Mais ou menos como acontece agora, vivia-se um clima de quase pânico, com os colunistas e analistas econômicos (ainda não havia os blogueiros) martelando todos os dias que a situação estava fugindo do controle e só tendia a piorar.

No comando da campanha de Lula, da qual eu fazia parte, cuidando da área de imprensa, a cada dia ficava mais evidente que era preciso fazer alguma coisa para evitar uma possível sangria de votos nos índices de pesquisas. E tinha que ser algo de grande repercussão, que tivesse efeito imediato nos mercados daqui e de fora.

Foi assim que surgiu, em maio daquele ano, a ideia da "Carta aos Brasileiros" lançada por Lula, escrita e reescrita a várias mãos, seguindo a orientação do depois ministro da Fazenda Antônio Palocci, principal interlocutor da campanha com o empresariado. Era um compromisso do candidato garantindo que, se eleito, manteria os contratos e as linhas centrais da política de estabilidade econômica. A urubuzada financeiro-midiática se acalmou, a imprensa foi procurar outros alvos para atingir o PT, e Lula manteve a dianteira até o final, quase ganhando já no primeiro turno a disputa contra o candidato do governo, José Serra.

A diferença é que agora o PT está no governo. Os adversários e suas armas são os mesmos de sempre. Por isso acho que está na hora da presidente Dilma Rousseff sair da defensiva e lançar uma nova "Carta", uma espécie de "Compromisso com o Futuro", anunciando agora quais são seus planos para a economia a partir de 2015, caso seja reeleita. Eleição, afinal, é sempre uma renovação de esperanças, não dá para viver eternamente só do que já foi feito.

Quem deu a pista foi o próprio Lula. Em entrevista coletiva concedida a oito blogueiros na terça-feira, para a qual não fui convidado, o ex-presidente disse com todas as letras o que pensa sobre as dificuldades enfrentadas pela economia brasileira: "Poderíamos estar melhor e a Dilma vai ter que dizer isso na campanha: como é que a gente vai melhorar a economia brasileira". Ao reafirmar pela enésima vez que não é candidato e vai fazer a campanha de Dilma, Lula aproveitou para criticar os meios de comunicação que tentam jogar um contra o Outro: "Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país".

Quanto antes a presidente sinalizar para todos o que pretende fazer em caso de reeleição, melhor para ela e para o país, que não pode continuar vivendo até outubro neste clima de instabilidade e indefinições, tendo uma Copa do Mundo no meio. Seria uma boa oportunidade também para que os dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos, apresentassem os compromissos deles. Não dá mais para falar só de CPI e ficar nesta troca de acusações entre os partidos. É preciso olhar para a frente.

 

 

 

 

 

 

 

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dinheiro Sensacional: veja a história de um cara honesto

Na minha incansável busca por boas notícias e histórias edificantes, encontrei uma ótima, a demonstrar que nem tudo está perdido. Em países nórdicos mais civilizados, certamente nem seria notícia, mas por aqui mereceria estar na primeira página de todos os jornais. O relato do repórter Ygor Salles está na página C8 da "Folha" desta terça-feira.

Aconteceu na última quarta-feira, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Ao sair do trabalho, o vigilante Marco Antônio da Silva, 32 anos, viu quando o envelope caiu de uma moto que passava na rua. Dentro do envelope, estavam R$ 600,oo e os boletos de contas a pagar. Marco Antônio nem teve dúvidas: pegou tudo e foi a um banco para pagar os boletos e guardou o troco para devolver à sua dona.

Pelo seu Facebook na internet, Marco pediu ajuda para encontrar quem tinha deixado cair o envelope. "Se alguém conhece esta moça, Karine Peyrot, quero entregar para a dona com troco", escreveu ele. "Fui lá entregar o troco e ela não acreditava no que tinha acontecido". De fato, não se trata de um gesto muito comum nestes nossos tempos. Por isso, ela respondeu, também pelo Facebook, em letras maiúsculas e com muitos pontos de exclamação, para agradecer a atitude do vigilante:

"GENTEEEEEE!! O RAPAZ ACHOU O BOLETO E PAGOU A FATURA!!!!!!!! ISSO É VERDADE! Existem pessoas assim, SIM! Obrigada Marco Antônio, é de pessoas assim que precisamos, não tenho palavras... OBRIGADA! O universo vai te abençoar sempre!".

O que falta no Brasil, caro leitor, para que casos como este deixem de ser uma sensacional notícia? Você se lembra de algum caso parecido?

 

 

 

 

 

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FUP201304244191 Todos criticamos serviços públicos: e os privados?

Cena de domingo: um carro quebrado, na pista da esquerda na altura do quilômetro 30 da Castelo Branco, chegando a São Paulo, e um caminhão guincho particular estacionado no acostamento do lado oposto. Por cima das pistas os dois motoristas gritam e não se entendem. Nenhum sinal da presença de algum agente público ou da concessionária responsável pela rodovia, uma das mais movimentadas do país. Cada um que se vire.

Resultado: um congestionamento que se estende por mais de 15 quilômetros, que a gente leva mais de uma hora para atravessar. Ninguém reclama. A estrada é uma campeã de pedágios por quilometro rodado e todos estão funcionando perfeitamente, o dinheiro só pingando no caixa. Tirar aquele carro da pista que é bom, nada: desde que instalaram os radares, outra boa fonte de arrecadação, a Polícia Rodoviária sumiu das estradas e, pelo jeito, seus postos não foram ocupados pela empresa privada que venceu  a concessão da rodovia para ajudar os motoristas nas emergências.

Todos nós criticamos muito o mau funcionamento dos serviços públicos em geral, e temos montanhas de motivos para isso, como demonstram todas as pesquisas, mas este é um caso emblemático de parceria público-privada que não funciona, nem de um lado, nem de outro. E, no entanto, nos habituamos a só falar mal só do que é público, esquecendo os péssimos serviços prestados por muitas empresas privadas ou privatizadas nas mais diferentes áreas.

A quem devemos nos queixar? Ao Procon ou ao governador? Um bom exemplo são os planos de saúde, que tardam uma eternidade para pagar os gastos com médicos e nem não dão satisfação sobre os valores ridículos. Fiquei quase dois meses esperando que a Medial (parece que agora foi incorporada por outra seguradora), da qual sou cliente e pagador fiel faz muitos anos, fizesse o favor de me reembolsar pelo menos uma parte, de acordo com suas modestas tabelas, daquilo que gastei na cirurgia no braço que durou mais de seis horas.

Do total de R$ 36.000,00 que desembolsei, conforme comprovantes enviados à seguradora, recebi o reembolso de R$ 1.575,00, ou seja, 4,3% da despesa médica.

Tenho certeza de que não sou uma exceção. Cada leitor do Balaio deve ter um monte de histórias como essas para contar. Fiquem à vontade, usem a área de comentários: já que não tem outro jeito, só nos resta o direito de espernear.

Seja o serviço público ou privado, somos maltratados do mesmo jeito. As próximas pesquisas poderiam incluir também perguntas sobre o desmazelo dos serviços das empresas privadas, que são boas para cobrar, mas nem tão eficientes para pagar que o nos é de direito.

 

 

 

 

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Deixando a modestia um pouco de lado, os novos números divulgados na tarde deste sabado pelo Datafolha sobre a corrida presidencial confirmam as previsões feitas esta semana aqui mesmo e no Jornal da Record News: Dilma caiu (de 44 para 38%), mas seus adversários não subiram e, se as eleições fossem hoje, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Os seis pontos perdidos por Dilma são atribuidos pelo instituto ao "pessimismo econômico", resultado de uma blitzkrieg, esta guerra de  extermínio desfechada pela oposição e a mídia aliada nas últimas semanas, colocando o país e a Petrobras à beira de um colapso econômico e administrativo, a tal da crise do fim do mundo anunciada pelos seus principais adversários.

Eles conseguiram atingir um dos seus objetivos, que era o de abalar o franco favoritismo de Dilma, até agora dando um passeio nas pesquisas, mas não foram capazes de transferir os votos perdidos por ela para os oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. Com ampla exposição dos dois na mídia nos últimos dias, o senador mineiro continua com os mesmos 16% da pesquisa anterior e o ex-governador de Pernambuco subiu apenas um  ponto, indo de 9 para 10%.

A própria pesquisa acabou induzindo este resultado, ao colocar no questionário várias questões relacionadas a fatos negativos na área econômica antes de perguntar em quem o eleitor pretende votar. Como escrevi aqui, voce pode fazer campanha detonando o adversário ou conquistando votos com suas propostas para fazer um país melhor _ desta segunda parte, os candidatos da oposição até agora não foram capazes.

Mais do que a perda destes seis pontos, que já era esperada, há outros motivos para os estrategistas do Palácio do Planalto acenderem o farol amarelo: para 65% dos eleitores, a inflação vai subir e 63% estão frustrados com a presidente, achando que ela fez menos do que esperavam (um ano atrás eram 34%).

O resultado mais curioso da pesquisa, mostrando que 72% dos entrevistados querem mudanças no governo, revela que o mais indicado para fazê-las é o principal cabo eleitoral de Dilma, o ex-presidente Lula, com 32% (se fosse candidato, ele teria 52% das intenções de voto). Em segundo lugar, com 17%, vem Marina Silva, que também não é candidata e deve ser vice de Eduardo Campos. A própria Dilma é a preferida de 16% para fazer estas mudanças e seus adversários não conseguem conquistar os descontentes: Aécio tem 13% e Eduardo vem com 7%.

Bem abaixo dos índices de José Serra, quando faltavam, como agora, seis meses para as eleições, em 2010, Aécio mantem a liderança tucana nos mesmos nichos do eleitorado: os mais ricos e os que têm nível de ensino superior.

Como o Ibope já  havia mostrado na semana passada, o Datafolha dá claros sinais de que a presidente Dilma saiu da sua zona de conforto e não pode só continuar jogando na defesa. Por mais fracos que sejam os adversários, Dilma está perdendo terreno para ela mesma, sem que o seu governo reaja, tanto no plano político como no econômico.

O cenário eleitoral agora é absolutamente imprevisível e não aposto um tostão do meu bolso em quem vai ganhar. Qual é a aposta do caro leitor do Balaio?

Em tempo/correção: ao contrário da informação publicada acima sobre a ordem das perguntas do questionário Datafolha, o instituto esclarece que em primeiro lugar pesquisou a intenção de voto do entrevistado e só depois apresentou uma lista de temas do noticiário.

 

 

 

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ok É sexta feira, e o fim do mundo ainda não chegou

Chegamos a sexta-feira, e até onde minha vista alcança o tão anunciado fim do mundo mais uma vez não chegou. Aqui em casa, pelo menos, ainda não temos racionamento de água nem de luz, a Petrobras vai deixando as manchetes e, pelo jeito, dificilmente teremos a CPI da Petrobras que a oposição tanto queria para poder dar início à campanha eleitoral. Vai ter que procurar outro discurso.

A turma do "apocalipse já" agora joga suas fichas na pesquisa Datafolha que deverá ser divulgada amanhã, após uma semana inteira de especulações anunciando a queda da presidente Dilma, que mexeram com a Bolsa, como já se tornou rotina. A presidente viajou menos e deixou o palco livre para seus dois principais concorrentes, enquanto o recém nomeado ministro Ricardo Berzoini assumia a articulação política do governo, fazendo o papel de bombeiro para acalmar os aliados. Parece que começou bem, ao admitir que o PT precisa "fazer concessões" para manter a mesma base de apoio de 2010.

Aécio deu entrevistas coletivas todos os dias sem anunciar nada de novo, lutou como um leão pela criação da CPI da Petrobras, até já ameaçou ir à ao Supremo Tribunal Federal, e foi bastante aplaudido pelos empresários reunidos por João Dória Júnior, o promoter predileto do grande capital. E ainda apresentou o banqueiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central de FHC, como o principal mentor econômico de um possível governo tucano vintage.

Eduardo aproveitou seus últimos dias como governador de Pernambuco para inaugurar obras, algumas inacabadas e, no próximo dia 14, oficializa sua união com a vice Marina Silva, cada vez mais anti-PT, na esperança de finalmente dar uma chacoalhada na sua campanha.

Candidatos e eleitores, principalmente jornalistas e marqueteiros, ficam agora na expectativa do que vai dizer o Datafolha. A pesquisa foi a campo na quarta-feira, com um balaio de perguntas sobre problemas enfrentados pelo governo, antes de entrar no assunto propriamente dito, para saber em quem o entrevistado pretende votar. Nas eleições passadas, o mesmo Datafolha criticou este método adotado por outros institutos, alegando que isto pode influenciar a cabeça do eleitor. Agora, já começamos a analisar pesquisas antes mesmo da divulgação dos resultados...

Seja como for, vamos todos ter assunto para os próximos dias, já que a campanha eleitoral no Brasil cada vez mais se resume a pesquisas e estratégias dos marqueteiros, e o tradicional Fla-Flu de acusações entre candidatos e partidos. Enquanto isso, o povo vai tocando sua vida e se preparando para tomar uma cervejinha ao final do expediente, que ninguém é de ferro. Afinal, hoje é sexta-feira. Divirtam-se.

Bom final de semana a todos os sobreviventes.

 

 

 

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gilmar mendes kotscho Ministro Gilmar Mendes: devolve logo este processo

 

O modelo legal vigente alimenta a promiscuidade entre agentes econômicos e a política, contribuindo para a captura dos representantes do povo por interesses econômicos dos financiadores, disseminando com isso a corrupção em detrimento dos valores republicanos (Ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Superior Tribunal Eleitoral).

 

A gente não pode nem comemorar uma notícia boa, que já vem outra ruim junto.

Em votação histórica, e por goleada (6 a 1), o Supremo Tribunal Federal aprovou nesta quarta-feira (2) uma das medidas mais importantes para o saneamento da política brasileira, ao proibir a doação de recursos de empresas para campanhas eleitorais, principal causa da corrupção endêmica que assola as nossas instituições.

Graças, porém, ao pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, sempre ele, o País vai ter que esperar o meritíssimo devolver o processo para que o resultado possa ser proclamado e entrar em vigor já para as eleições deste ano.

O grande problema é que, como não há prazo para Mendes fazer esta gentileza com a democracia brasileira, vamos ficar na dependência da boa vontade dele para cortar pela raiz a influência do poder econômico no processo eleitoral (em 2010, como lembra a Folha, 98% das receitas das campanhas de Dilma e Serra vieram de empresas).

Quando o placar já estava 4 a 1 pela proibição destas "doações desinteressadas" dos grandes grupos econômicos, o ministro alegou que como o tema era complexo precisava de mais tempo para estudar o processo e tomar sua decisão, que já é conhecida, a favor da participação das empresas nas campanhas. Mesmo assim, os  ministros Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (ver matéria de Carolina Martins, do R7 em Brasília) e Ricardo Lewandowski adiantaram seus votos e garantiram a maioria pela proibição de doações empresariais nas campanhas.

Pergunta-se: 1) se não há mais como reverter este resultado, qual é o sentido de pedido de vistas de Gilmar Mendes, já que seu voto só vale um voto? 2) Por que os demais ministros tiveram tempo suficiente para estudar o processo e dar seus votos sobre este "tema complexo" e só um deles precisa de mais prazo para tomar sua decisão? Em situações semelhantes, ministros do STF chamam de "chicanas jurídicas" recursos de advogados que só servem para atrasar os processos e a promulgação dos seus resultados.

Por isso, solicita-se encarecidamente ao ministro Mendes devolver este processo o mais rápido possível, já que o presidente do TSE assegurou ontem que, caso isto aconteça, as novas regras de financiamento estarão valendo nas eleições marcadas para daqui a seis meses.

Qual a opinião do caro leitor do Balaio sobre o financiamento de campanhas eleitorais, a decisão do STF e a atitude do ministro Gilmar Mendes?

 

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