Prefeitos Manifestacao Camara 41311 Em vez de cortar custos, prefeitos só querem mais grana

Punhos erguidos, cara de bravos, dispostos à luta, avançando celeremente sobre o Salão Verde, o grupo de 300 prefeitos e vice-prefeitos que invadiu a Câmara nesta terça-feira só não foi confundido com uma torcida uniformizada partindo para cima da outra nas arquibancadas da Arena Joinville porque estavam todos de paletó e gravata, mas a cena era igualmente assustadora.

Mais uma vez, a tal "Marcha dos Prefeitos" foi a Brasília para pedir mais dinheiro do governo federal. Todo ano a cena se repete. À frente do grupo, como de costume, estava Paulo Ziulkoski, o eterno presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), com o discurso de sempre:

"Essa manifestação é o retrato de uma crise profunda que se abate sobre as prefeituras de todo o país. Os municípios ficaram totalmente ingovernáveis em função de uma política do governo federal, do Congresso e dos governadores, que é a questão federativa".

Os prefeitos querem aumentar de 23,5% para 25,5% a parcela de recursos da União destinada ao Fundo de Participação dos Municípios, historicamente a principal e muitas vezes única fonte de renda da maioria deles, que não se preocupam em aumentar a arrecadação própria e muito menos em cortar despesas, como bem lembrou meu colega Heródoto Barbeiro, no Jornal da Record News.

Poderiam aumentar para 50% esta parcela do FPM que, no ano que vem, eles estarão de novo em Brasília, reivindicando mais grana, sob o argumento de que os pobres municípios vivem falidos e não podem pagar o aumento do piso salarial dos professores nem têm dinheiro para o 13º salário do funcionalismo. Para os desfiles de Carnaval, no entanto, nunca faltam recursos, muitas vezes utilizados até para financiar o time de futebol da cidade.

Alguém já viu em algum lugar, em qualquer época, a iniciativa de um prefeito de diminuir os custos da administração, demitindo funcionários fantasmas, cortando verbas para a Câmara Municipal e despesas com viagens e outras mordomias, cancelando shows e rodeios, que fazem a festa dos donos do poder nos pequenos municípios brasileiros?

Mesmo barradas pela segurança na entrada do salão, as excelências municipais continuaram avançando em direção ao gabinete do presidente da Câmara, Henrique Alves.

Queriam porque queriam ser recebidos porque se achavam no seu direito de autoridades dispostas a tudo para arrancar mais recursos, sem lhes passar pela cabeça que, em 2014, em vez de pedir mais, poderiam começar a gastar menos. Que tal?

No fim, para evitar mais confusão, Ziulkoski conseguiu ser recebido por Henrique Alves que, é claro, se comprometeu a dar prioridade às reivindicações dos prefeitos na tramitação das propostas de seu interesse. No ano que vem, podem ter certeza, as mesmas cenas vão se repetir, ainda mais que estaremos em plena campanha eleitoral.

 

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dilma e ex presidentes O simbólico voo de Dilma com os ex presidentes

No momento em que começo a escrever, pouco depois do meio dia desta terça-feira, eles já estão voltando para o Brasil, com uma escala em Luanda, capital de Angola. Não se pode dizer que foi um agradável passeio o inédito voo da presidente Dilma Rousseff com seus quatro antecessores vivos (Sarney, Collor, FHC e Lula, por ordem de entrada em cena) para o funeral de Nelson Mandela.

Os cinco saíram do Rio de Janeiro ao meio dia de segunda-feira, chegaram a Johannesburgo, na África do Sul, às duas horas da madrugada e já estavam de pé às oito da manhã de hoje para participar das cerimônias fúnebres.

Neste fulminante bate e volta, em que pela primeira vez Dilma conseguiu reunir os quatro ex-presidentes na mesma cerimônia, pouco importa o que eles tenham conversado, até porque, eu não sei _ e acho que nunca vamos saber exatamente o que foi falado.

O voo valeu mais pelo que tem de simbólico, já que na nossa política eventuais adversários muitas vezes são tratados como inimigos e não há uma tradição de cortesia entre os que já ocuparam o principal cargo do país, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos.

Se por acaso faltou assunto, e o cansaço superou a vontade de conversar, certamente não faltaram lembranças para ocupar o tempo de voo. Assim de cabeça, lembro-me de algumas que devem ter passado pelas cabeças presidenciais ao olharem para o ilustre passageiro a seu lado.

Hoje, só Fernando Henrique Cardoso não faz parte da ampla aliança governamental em torno de Dilma, mas em outros momentos já foi bem diferente a relação entre os quatro ex-presidentes.

Por ordem cronológica, em 1989, Lula e Collor disputaram para ver quem batia mais no então presidente José Sarney, que assumiu o cargo por acaso com a morte do presidente eleito, Tancredo Neves, antes de tomar posse. Ambos chamavam Sarney de corrupto, no mínimo.

Venceu Collor e, dois anos depois, Lula e FHC estavam subindo nos mesmos palanques, que já haviam frequentado juntos na campanha das Diretas Já, para pedir o impeachment do presidente eleito, que foi cassado em seu terceiro ano de mandato. Corrupção do presidente também foi o tema que dominou os discursos dos dois.

Em lugar de Collor, assumiu o vice Itamar Franco, que chamou FHC para ser ministro _, primeiro, de Relações Exteriores e, depois, da Fazenda _ e o ajudou a se eleger presidente na sua sucessão, em que derrotou Lula no primeiro turno. Em 1998, FHC repetiu a dose e foi reeleito no primeiro turno contra Lula.

Até aí, no entanto, os dois tinham uma boa relação pessoal, que começou nas lutas contra a ditadura e se estreitou na campanha legislativa de 1978, em que Lula apoiou FHC nas eleições para o Senado.

Na campanha presidencial de 2002, em que Lula derrotou o tucano José Serra, mais ou menos candidato de FHC, não houve nenhum embate mais duro entre os dois. E levei mesmo a impressão de que FHC não ficou triste com a vitória de Lula.

Em 2003, depois de FHC lhe passar a faixa presidencial, Lula foi-se despedir dele na porta do elevador, deu-lhe um abraço, e disse: "Quero que você fique sabendo que deixa um amigo aqui no Palácio do Planalto".

Aos poucos, no entanto, no eterno embate entre PT e PSDB, os dois foram-se afastando e as críticas mútuas tornaram-se cada vez mais ácidas.

Nas voltas que a vida dá, em seu segundo mandato Lula acabou se aliando aos senadores José Sarney, do PMDB, e Fernando Collor, do PTB, e FHC assumiu o papel de principal líder da oposição, que exerce até hoje.

Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde ex-presidentes não disputam mais eleições e deixam o dia a dia da vida partidária para se dedicar a outras causas, no Brasil quem já ocupou o Palácio do Planalto recusa-se a desencarnar do poder, como Lula anunciava que pretendia fazer ao final de seu governo.

Durante a conversa no avião, quem sabe, acertaram-se alguns ponteiros, tiraram-se a limpo diferenças e mágoas do passado e se evitaram cobranças tardias, que já não fazem mais sentido. Acho muito difícil, porém, que possam ter provocado qualquer mudança nas atuais relações partidárias e pessoais.

Por seu gesto generoso, ao convidar os quatro para acompanhá-la no funeral de quem sempre pregou a paz, a presidente Dilma colaborou para pelo menos desanuviar um pouco o clima de Fla-Flu que já tomou conta do país, a pouco menos de dez meses das eleições presidenciais. Para ela, apesar da correria e do cansaço, certamente valeu a viagem.

Ponto para Dilma.

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"Nós não éramos assim", constata o amigo Washington Olivetto. Além de grande mestre da publicidade brasileira, ele é um livre pensador corintiano sempre atento ao que acontece à sua volta e preocupado com os rumos do país.

Tanto que, em plena manhã de sábado de dezembro, quando todo mundo vai às compras e às festinhas de fim de ano, Washington estava lá firme no auditório da Fnac de Pinheiros, em São Paulo, de bermudas e alpargatas, participando de uma entrevista aberta no encontro anual do "Jornalirismo", uma iniciativa do jovem Guilherme Azevedo, que procura aproximar os grandes nomes da comunicação dos profissionais e estudantes da área.

Com algum desalento e dor no seu coração de eterno otimista, tanto que nunca deixou de ser corintiano, Washington fez a constatação acima sobre as mudanças no comportamento do brasileiro ao comentar que ultimamente estamos ficando mais grosseiros _ agressivos e intolerantes, eu acrescentaria _ quando lhe perguntei o que dava e o que não lhe dava esperanças no futuro do Brasil.

Pai de dois filhos pequenos, claro que como todos nós ele espera entregar um país melhor a eles, mas o grande entrave que vê para isso é a falta de uma Educação de qualidade, que acaba sendo a causa principal das nossas deficiências e mazelas atuais e, ao mesmo tempo, caso melhore um dia, a maior das esperanças no futuro.

Já estava pensando em escrever sobre esta onda de grosseria que se espalha como uma onda pelo País em todas as áreas da sociedade, quando estourou neste final de semana a selvageria das duas torcidas nas arquibancadas da Arena Joinville, onde jogavam neste domingo Atlético Paranaense e Vasco pela última rodada do Brasileirão.

Vocês já devem ter visto as inacreditáveis imagens de torcedores literalmente se trucidando uns aos outros, correndo para todos os lados e atropelando quem encontravam pela frente, como se os "black blocs" tivessem chegado ao futebol sem máscaras. Não bastava derrubar o inimigo. Era preciso chutar-lhe a cabeça, esmagar-lhe os testítulos a pontapés, humilhá-lo e exterminá-lo, se possível.

 Os black blocs do futebol e a onda de grosseria

Nunca tinha visto nada parecido, a não ser nos comentários do Fla-Flu político na internet, embora seja crescente a violência nos nossos estádios, tanto que muitos deles estão interditados, o que levou o jogo do Atlético Paranaense contra o carioca Vasco para Joinville, em Santa Catarina.

Ali se chegou ao limite da estupidez humana e de um quadro de total descontrole dos que deveriam zelar pela nossa segurança, mas as pequenas agressões, grosserias e baixarias cotidianas estão por toda parte, da internet ao shopping, do trânsito congestionado das ruas aos aeroportos em colapso, das praias às padarias, todo mundo querendo passar na frente do outro e levar alguma vantagem, nem que seja a golpes de buzinadas ou cotoveladas.

Senhoras finas em seus carrões off-road que circulam soberanas pelas alamedas dos Jardins empunham o dedo médio a três por quatro e soltam palavrões dignos das arquibancadas cada vez que algo as incomoda no trânsito, já que as ruas não são mais só delas e ainda por cima estão sendo tomadas por faixas exclusivas de ônibus, dividindo o espaço com carros lentos e velhos, dirigidos por motoristas de primeira viagem.

briga no transito Os black blocs do futebol e a onda de grosseria

O que aconteceu no estádio de Joinville neste domingo, onde quatro torcedores ficaram feridos _ um deles em estado grave, com fratura no crâneo _ e seis acabaram presos é apenas o reflexo da deterioração das relações humanas numa sociedade que já foi cordata e gentil, pedia com licença, por favor, dizia obrigado, dava bom dia, boa tarde e boa noite, e se desculpava quando esbarrava sem querer em alguém.

Um exemplo disso foi o que aconteceu comigo outro dia quando estava chegando ao dentista. Ao tentar descer no terceiro andar, uma senhora robusta colocou-se diante da porta e ameaçou avançar em cima de mim. Disse-lhe com toda educação: "Se a senhora não sair da frente, eu não consigo descer e a senhora não vai conseguir entrar". Fez cara feia, mas, mesmo contrariada, acabou dando um passo atrás. Evitou-se assim um conflito de maiores proporções e o elevador continuou circulando normalmente. Quantas cenas semelhantes a essa não estarão acontecendo neste momento em sua cidade, meu caro leitor?

Se você tiver outros casos destas cenas de incivilidade que campeiam por aí nos dias que antecedem o jingle-bells, e que deveriam nos tornar mais fraternos e tolerantes, pode mandar aqui para o Balaio. Bons exemplos, se os há, também serão bem recebidos. Não podemos nunca perder as esperanças.

Espero que todos cheguem sãos e salvos pelo menos até o Natal. O Brasileirão já acabou, mas nunca se sabe o que pode nos acontecer na próxima esquina.

 

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19 02 58 765 file Vêm por aí novos protestos. Para que e contra quem?

Dia sim, noutro também, aqui e acolá, em diferentes espaços da nossa imprensa, assim como quem não quer nada, estão aparecendo notinhas nas últimas semanas anunciando novas manifestações de protesto em todo o país.

Na nota de abertura da sua sempre bem informada coluna, o velho amigo Ilimar Franco, de "O Globo", relatou neste sábado:

"Os movimentos sociais que foram para as ruas em junho, organizam-se para voltar a protestar na Copa. Comitês de mobilização estão sendo criados nas 12 capitais-sede dos jogos. A ideia é colocar gente na rua nos dias das partidas, na frente dos estádios e nas "fan fest" produzidas pela Fifa. Neste momento, seus líderes percorrem o Congresso em busca de apoio político e logístico".

Ilimar não dá maiores detalhes nem nomes, mas ao ler o texto fiquei curioso em entender certas coisas e me fiz algumas perguntas:

Quais movimentos sociais estão se organizando?

Vão protestar contra o quê, exatamente?

Os comitês de mobilização estão sendo criados por quem?

Quem são seus líderes que estão percorrendo o Congresso em busca de apoio?

14 47 26 148 file Vêm por aí novos protestos. Para que e contra quem?

Até agora, os chamados "protestos de junho" foram apresentados pela mídia como iniciativas autônomas, espontâneas, sem líderes, que brotam assim do nada. A nota de Ilimar Franco aponta exatamente para o quadro oposto: um movimento organizado desde já para se apresentar durante a Copa.

Em junho, por conta da violência dos protestos, como ficamos sabendo esta semana, corremos o risco de ficar sem a Copa do Mundo no Brasil, como escreve Juca Kfouri em sua coluna da "Folha" deste domingo:

"Eis que, na última terça-feira, o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, em entrevista por feliz coincidência ao repórter André Kfouri, da ESPN Brasil, falou com todas as letras que a entidade esteve na iminência de paralisar o torneio, o que, acrescentou, caso se materializasse, punha em risco a Copa".

Juntando os pedaços, encontro outra nota na "Veja" desta semana que trata do mesmo assunto:

"O mercado publicitário tem constatado que os patrocinadores da Copa estão tímidos em suas ações e planejamento de marketing para o Mundial. Pairam em suas cabeças as manifestações diante dos estádios na Copa das Confederações".

É bom nos lembrarmos que, em 2014, além da Copa do Mundo, teremos eleições presidenciais e a campanha estará entrando em sua fase decisiva justamente ao final da festa do futebol. Pode não ser mera coincidência. O que antes era "espontâneo", agora está sendo organizado com meses de antecedência e já causando prejuízos para o mercado publicitário.

Até que ponto um evento tem a ver com o outro e aonde querem chegar os líderes dos novos protestos? Está tudo muito bom, muito bonito, Fernanda Lima está cada vez mais Fernanda Linda, mas acho tudo isso bem estranho.

Ajudem-me a entender o que está acontecendo. Quem tiver respostas para as minhas muitas perguntas, por favor escreva aqui para o Balaio.

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10000 Primeiro balanço de 2013: foi um ano cinzento

Pedem-me para fazer um primeiro balanço do ano com os cinco fatos que, na minha opinião, foram os mais importantes de 2013. Em resumo, se o país fosse uma escola, diria que passamos o ano raspando, com média cinco, e olhe lá. Não há muito o que comemorar. Para mim, não foi bom nem ruim, nem preto nem branco, mas cinzento, com todos aqueles 50 tons do livro de sucesso.

Vou deixar as questões econômicas, esportivas e culturais para quem é do ramo e me ater aos temas tratados neste Balaio, que completou em setembro cinco anos no ar, juntando novos leitores aos fiéis comentaristas que me acompanham desde o começo. Aos fatos:

Protestos de junho: tudo começou com as tradicionais manifestações do Movimento Passe Livre na avenida Paulista sempre que a prefeitura aumenta as tarifas das passagens de ônibus. O movimento cresceu e se espalhou pelo resto do país quando, depois de alguns dias, a PM paulista resolveu soltar bombas e descer o cacete em todo mundo. Logo seria cancelado o reajuste das tarifas, que voltaram a R$ 3,00, mas surgiram dezenas de outras reivindicações, a partir do slogan "Não é só pelos 20 centavos", o valor no aumento das passagens. Por que era, então?

Até hoje não sei direito quem estava por trás ou na frente desta explosão de descontentamento, apresentado como espontâneo e que logo degenerou em vandalismo, com o surgimento dos tais black blocs mascarados. Notícia publicada pela Folha nesta quinta-feira dá pelo menos algumas indicações sobre os personagens daquele que foi chamado pela imprensa como o maior movimento de massas no país desde o impeachment de Fernando Collor. Chegaram a escrever até que o país nunca mais seria o mesmo.

Seis meses depois, ficamos sabendo que a polícia indiciou 116 pessoas acusadas de crimes como furto, associação criminosa e dano ao patrimônio. O jornal informa que a maioria dos detidos é homem, jovens entre 18 e 24 anos e tem escolaridade acima da média brasileira: 59% deles tinham segundo grau completo e um terço das pessoas levadas a delegacias chegaram a cursar faculdade.

Assim como surgiu, o movimento desapareceu de repente com o começo das férias de julho, restando alguns protestos isolados, com pouca gente, que perduram até hoje, interditando ruas e avenidas, e infernizando a vida de quem precisa circular pelas nossas metrópoles.

Julgamento do mensalão:  este é um assunto que vem de agosto do ano passado, atravessou 2013 de ponta a ponta e parece ainda longe de sair de cartaz. Pela primeira vez na história política do nosso país, importantes dirigentes políticos, principalmente do PT, entre eles José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, foram julgados, condenados e mandados para a prisão. Segundo as pesquisas, a maioria dos brasileiros, inclusive os que se declaram petistas, apoiou as decisões do Supremo Tribunal Federal. Depois de intensa campanha pela condenação, a grande mídia soltou fogos.

Com quase todos os condenados já presos, o que ainda se discutirá no ano que vem é o regime de prisão, se fechado ou semiaberto, a depender do julgamento dos embargos infringentes. Tanto a presidente Dilma como seu antecessor Lula procuraram se manter à distância do julgamento, mas a cúpula do PT está preparando um ato de desagravo aos condenados pelo STF durante o 5º Congresso Nacional, na próxima semana, em Brasília.

Leilão do pré-sal: depois de muita polêmica, o governo federal conseguiu realizar em 2013 o primeiro grande leilão do pré-sal, vencido por um consórcio formado por cinco empresas nacionais e estrangeiras, o único que participou da disputa. Foi, certamente, o fato mais importante do ano para o futuro da economia brasileira, mas os primeiros resultados ainda vão demorar a aparecer, da mesma forma como as recentes concessões em áreas de infraestrutura, como portos, aeroportos e estradas.

O tesouro submarino comemorado pelo governo Dilma acabou sendo também a principal razão da ciclópica falência do ex-bilionário Eike Batista, que viu sua fortuna derreter em 2013 ao passar anos vendendo vento e não entregar petróleo.

Eduardo & Marina: na cena partidária, o mais importante e surpreendente lance com vistas às eleições presidenciais do próximo ano certamente foi dado pelo casamento do presidenciável pernambucano Eduardo Campos, do PSB, com a ex-verde e ex-petista Marina Silva, que não conseguiu emplacar a sua Rede Sustentatiblidade.

A princípio, porém, a inesperada aliança acabou provocando mais barulho, com os dois ocupando generosos espaços na mídia, que continua em busca de uma candidatura viável, do que calor nas pesquisas. Logo surgiram as primeiras divergências entre socialistas e marinistas em torno do programa e das alianças, e os dois acharam melhor deixar para março de 2014 o anúncio de quem será o candidato a presidente. Embora atrás de Marina nas pesquisas, ninguém acredita que Eduardo Campos abrirá mão da vaga.

Mais Médicos: o principal fato novo na administração federal, que vinha apenas dando continuidade aos programas sociais implantados por Lula, foi a criação do Mais Médicos, única resposta concreta às demandas surgidas durante os protestos de junho.

Como a maioria dos médicos brasileiros não se interessou em tratar de pacientes carentes nos fundões e nas periferias do Brasil, o governo viu-se na necessidade de importar mão de obra estrangeira, o que provocou uma enorme polêmica ideológica, já que o principal contingente era formado por profissionais cubanos.

O fato é que muitas cidades brasileiras, especialmente do norte e nordeste, antes totalmente desassistidas, contam agora com pelo menos um médico para atender às suas populações. Foi uma vitória do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que já está em campanha para governador de São Paulo, e uma das razões para a recuperação dos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas.

Feliz 2014!

 

 

 

 

 

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familia do genuino Carta aberta ao meu amigo José Genoino

Caro Genoino,

Fiquei sabendo que você não está querendo receber visitas. Nem deve. Quanto mais tranquilo você puder ficar com a família e se cuidar nestes dias difíceis, melhor. O mais importante é se alimentar bem para revigorar as forças e tomar os remédios na hora certa.

Por isso, e porque está proibido de dar entrevistas, resolvi escrever esta breve carta só para te dizer que, embora fosse dolorido, você fez muito bem em renunciar ao mandato e acabar de uma vez com este deprimente espetáculo de humilhação que vinha sofrendo por parte de setores da oposição e da mídia amiga (deles).

Sei que você já vinha pensando nisso há algum tempo, não foi uma decisão tomada no calor do embate, e só estava esperando o melhor momento, mas tem uma hora em que é preciso haver um desfecho e qualquer solução é melhor do que nenhuma.

Com certeza, você deve agora estar se sentindo mais aliviado, embora tua agonia esteja longe de acabar, sempre dependendo dos outros para saber o que vai ser da tua vida amanhã.

Nessa situação, cada dia é um dia ganho que pode ser decisivo, como agora nesta sexta-feira, em que termina o prazo para a defesa apresentar seus argumentos sobre a prisão domiciliar ao STF. Depois, é esperar por uma decisão de Joaquim Barbosa, o presidente do tribunal.

O grande trunfo com que você conta, e ninguém vai lhe tirar, é esta tua maravilhosa família, que encontrei muito unida quando fui lhe visitar no hospital depois da cirurgia. Depois da prisão, Rioco e Miruna revelaram-se duas leoas na defesa da sua integridade física e moral.

Quarenta anos atrás, vocês se abraçaram numa cela e Rioco teve que esperar o namorado sair da cadeia para poder se casar. Agora, repetiram a cena, quando ela foi te ver na Papuda, e vai ter que precisar de muita paciência outra vez. Nunca vocês, nem ninguém, poderiam imaginar que isso pudesse acontecer de novo.

Qualquer dia desses a gente se vê para colocar as conversas em dia. Te cuida, meu amigo.

Vida que segue.

 

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image2 Dois dedos de prosa com Lula de olho no futuro

Arroz, feijão, filé de frango grelhado, carne ensopada, salada, gelatina e sorvete. Para beber, só agua mineral e refrigerante zero. O cardápio light do almoço no escritório combinava com o atual momento do ex-presidente Lula, totalmente recuperado do câncer da laringe, mais magro e de alto astral. "Só não vá me falar mal de ninguém...", recomendou, quando lhe disse que iria escrever sobre nosso encontro aqui no Balaio.

Nem haveria motivo. Falamos mais de planos para o futuro e das nossas famílias do que dos assuntos políticos do dia. Por falar nisso, pela primeira vez em muito tempo, ao longo da nossa conversa Lula não fez críticas à mídia, o que me chamou a atenção. Melhor assim. De bem com a vida, esperando o nascimento de mais um neto, o sétimo, o ex-presidente parece ter tirado um enorme fardo dos ombros depois de oito anos de Palácio do Planalto. E estava feliz também porque amanhã à noite vai receber mais um título de Doutor Honoris Causa, desta vez da Universidade do ABC, que ele mesmo criou em seu governo, e já conta com mais de 12 mil alunos.

À mesa da sala de almoço, só nós dois e seu fiel escudeiro Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. Fazia tempo que a gente não tinha um papo assim tranquilo, desses em que se pode falar bobagem e não tem hora para acabar. Mesmo depois de ter deixado a presidência, Lula vive sempre cercado de gente, enfrentando uma agenda carregada, entre uma viagem e outra.

Na manhã desta terça-feira, ele tinha participado de uma longa reunião no pequeno auditório do Instituto Lula, com cerca de 20 representantes da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), que foram convidá-lo para participar do V Encontro Nacional de Quilombos, e aproveitaram para lhe entregar uma lista de reivindicações. Lula ficou de encaminhar o documento à presidente Dilma.

Como já acontecia antes de ser eleito presidente, Lula faz questão de manter um diálogo permanente com os movimentos sociais, uma forma de se manter informado e, ao mesmo tempo, participar de algum jeito da busca de soluções para o país. É exatamente isso que o move no momento: despertar o interesse da sociedade, em especial dos jovens, para participarem das discussões sobre os rumos do país, em vez de ficar só reclamando pelos cantos.

Já há alguns meses ele vem se reunindo com um grupo de cerca de dez ex-integrantes do seu governo para pensar o Brasil do futuro, com metas, prazos e custos, sem o imediatismo dos programas das campanhas eleitorais. Para marcar um prazo de valor simbólico, lembrei-lhe que nem falta tanto tempo para comemorarmos o bicentenário da nossa Independência, no dia 7 de setembro de 2022.

O desafio deste projeto é não se transformar numa discussão acadêmica, criando mecanismos capazes de levar o debate aos diferentes setores da sociedade, que também estão pensando em propostas para o futuro. Isto já está sendo feito.

Em termos mais imediatos, ele terá nesta quarta-feira um novo encontro com a presidente Dilma Rousseff, que virá a São Paulo para participar da homenagem a Lula no ABC. Desta vez, certamente entrará no cardápio a reforma ministerial prevista para o início do próximo ano. É a vida que segue, sempre batalhando por um futuro melhor, que só depende de nós. Eleições à parte, é bom pensar nisso desde já.

Valeu, Lula. Foi muito bom o almoço. Até o próximo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Só Haddad não se recupera dos protestos de junho

Governantes de todos os níveis no país inteiro sofreram tombos variáveis em seus índices de popularidade após os protestos de junho. Aos poucos, eles foram se recuperando nos últimos meses, com raríssimas exceções, a exemplo de São Paulo, justamente a cidade que foi o estopim das manifestações.

Em seu primeiro ano de mandato, o prefeito Fernando Haddad, do PT, não se levantou mais. Caiu dos 34% de ótimo e bom no começo de junho, para 18%, e lá ficou encalhado, como mostra a mais recente pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira.

É um índice desastroso, próximo aos que tiveram os ex-prefeitos Celso Pitta e Gilberto Kassab, de má memória, ao final do primeiro ano de seus mandatos.

Para 39% dos eleitores, a administração de Haddad é ruim ou péssima. No sentido inverso, o governador tucano Geraldo Alckmin, que havia caído de 52% para 38 , em junho, subiu três pontos na nova pesquisa, chegando a 41%, enquanto seus índices de ruim e péssimo caiam de 20% para 17%.

No mesmo período, a aprovação da presidente petista Dilma Rousseff subiu  11 pontos, de 30% para 41% (clique aqui para ler). Tanto Alckmin como Dilma também viram crescer seus índices de intenção de votos e seriam reeleitos já no primeiro turno.

Pressionado pela presidente Dilma e por Lula, Haddad foi obrigado a recuar do aumento das tarifas de ônibus de R$3,00 para R$ 3,20, mas já era tarde demais. Os movimentos de protesto, que depois se transformaram em puro vandalismo, se espalharam por todo o país, enquanto o prefeito e o governador Alckmin participavam de um evento em Paris, onde cantaram juntos o samba "Trem das Onze", de Adoniram Barbosa.

A divulgação do vídeo da cantoria, no entanto, só fez piorar a situação do prefeito, que mantem melhores relações com o governador tucano do que com o PT de São Paulo.

Enfrentando um cerrado fogo amigo e derrotado na batalha da comunicação, quando exagerou na dose do aumento do IPTU, sem explicar direito quem pagaria mais e quem teria o imposto reduzido ou isento, a principal marca de Haddad neste primeiro ano de governo acabou sendo a criação de faixas exclusivas para ônibus. O combate à corrupção dos fiscais do ISS, que também teve apoio da opinião pública, acabou derrubando seu secretário de Governo, Antônio Donato.

Bem aceita no começo, por reduzir o tempo de viagem dos que dependem de transporte coletivo, as faixas exclusivas foram sendo espalhadas aleatoriamente por toda parte, sem estudos prévios, o que apenas fez piorar o já caótico trânsito pré-natalino, que foi parando, à medida em que se intensificam as chuvas.

Os sábios da prefeitura que assessoram Haddad se esqueceram que hoje não apenas os ricos e a classe média alta entopem as ruas com seus carrões, mas também a emergente classe média baixa, que comprou seu primeiro carrinho nos últimos tempos e, agora, simplesmente não consegue circular pela cidade.

Tudo junto, estas ações só fizeram aumentar o mau humor do paulistano com o prefeito, que era a grande esperança do PT para alavancar as candidaturas de Alexandre Padilha, para o governo do Estado, e de Dilma Rousseff, para a reeleição em São Paulo. Deu-se, até agora, exatamente o contrário.

Muitos petistas já se perguntam se não teria sido melhor perder as eleições municipais para José Serra no ano passado. Todo o ônus de uma cidade falida e inviável como São Paulo ficaria para o PSDB, e o PT poderia fazer uma forte campanha de oposição, tanto no plano municipal, como no estadual, onde os tucanos reinam absolutos há duas décadas.

Agora, com Alckmin se recuperando (subiu de 40% para 43% a sua intenção de votos de uma pesquisa para outra) e os outros candidatos bem longe dele (Paulo Skaf, do PMDB, tem 19%; Gilberto Kassab, do PSD, conta com 8% e, na lanterna, vem Padilha, com 4%), ficou bem maior o desafio dos petistas para, pela primeira vez em sua história, conquistar o Palácio dos Bandeirantes.

A grande esperança estava justamente em fazer uma bela administração na capital para melhorar a imagem antipática que o partido tem na classe média tradicional, já que o interior paulista é historicamente conservador e costuma garantir a vitória dos tucanos no Estado.

Como faltam apenas 10 meses para as eleições gerais do ano que vem, Fernando Haddad e o PT têm pouco tempo para mudar o quadro amplamente desfavorável do momento. Para isso, teriam que melhorar urgentemente a articulação política e a comunicação da prefeitura porque a gente sabe que colocar a culpa nos adversários não costuma resolver os nossos problemas.

Grande Marcelo Déda

Déda foi grande em tudo: na bondade e no tamanho, grande amigo, grande político, um dos maiores líderes da nova geração do PT.

Além de tudo, tinha muito bom humor, o que ajuda a tocar o barco mesmo nas horas de tempo ruim.

A última vez que o vi foi semanas atrás, no Hospital Sírio-Libanês, quando ele já estava bem fraco, e ainda sorria.

Mas a imagem que vou guardar dele é a da gente comendo caranguejos até de madrugada, na praia do Atalaia, em Sergipe.

Foi-se embora cedo demais.

Este vai deixar saudades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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dilma fhc beto barata ae Dilma cresce, os outros caem, e FHC perde o bonde

No mesmo sábado em que era divulgada a nova pesquisa Datafolha mostrando que a presidente Dilma Rousseff cresceu e aumentou sua vantagem sobre todos os adversários, que caíram, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda o principal líder da oposição, foi a Ribeirão Preto fazer uma palestra e, como de costume, malhou o governo, sem apresentar nenhuma alternativa para o país.

A vantagem de Dilma sobre o tucano Aécio Neves aumentou de 21 para 28 pontos ( 47 a 19); sobre Eduardo Campos, do PSB, cresceu de 27 para 36 pontos ( 47 a 11). Dilma tem 17 pontos a mais do que seus mais prováveis adversários somados, o que indica uma tranquila vitória no primeiro turno, confirmando as pesquisas anteriores (isso só não aconteceria se Marina Silva for a candidata socialista, o que é pouco provável).

Certamente sem saber destes números, FHC perdeu o bonde ao abrilhantar o aniversário de uma cooperativa de crédito, sempre olhando pelo retrovisor e tocando o mesmo disco já arranhado: "Pararam dez anos os investimentos em infraestrutura no Brasil por preconceito ideológico", disse ele, segundo relato de Isabela Palhares, da Folha, como se nos seus dois mandatos o país tivesse sido transformado num imenso canteiro de obras.

O ex-presidente criticou tudo: dos mecanismos de controle da inflação à taxa de juros, do afrouxamento da Lei de Responsabilidade Fiscal ao endividamento dos municípios e Estados, dando a entender que o país está vivendo uma profunda crise, à beira do precipício.

Ao final da palestra de 40 minutos, pregou que "o Brasil precisa de gente nova, gente moderna, que acredita no Brasil", sem citar os nomes dos dois pré-candidatos do seu partido, Aécio Neves e José Serra", e deu a receita: "O Brasil precisa se reinventar. Não só economicamente, mas socialmente. Acabar com a ilusão do marquetismo".

Será que este tipo de discurso acrescenta algum voto aos candidatos tucanos?

Conviria que FHC lesse atentamente as análises sobre os números da pesquisa publicadas neste domingo pela Folha, a começar pelo editorial "Retomada presidencial", em que o jornal afirma: "A taxa de desemprego é historicamente baixa e a renda continua a crescer; os protestos de junho criaram insegurança, que se dissipou com a percepção de que o país não entraria em crise aguda".

"Presidente termina 2013 em alta graças à oposição ineficiente" é o título do artigo de dois diretores do Datafolha. "Ambiente até esteve propício, mas ninguém conseguiu formular discurso adequado às demandas brasileiras."

O abismo entre o discurso sempre negativista de FHC, que passa muito tempo no exterior, e os números da pesquisa, que revelam maior otimismo sobre o poder de compra, embora a inflação ainda preocupe, mostram que, enquanto a oposição não se dispuser a dialogar com o país real, a presidente Dilma Rousseff continuará nadando de braçada, embora dois terços da população queiram mudanças no governo ( o marqueteiro presidencial João Santana gosta de ressaltar que são mudanças no governo e não de governo).

Os números de Dilma nesta pesquisa só não são melhores do que os do ex-presidente Lula, que venceria em qualquer cenário no primeiro turno, com intenções de voto variando entre 52% e 56%. Ao mesmo tempo em que a oposição e a mídia aliada não conseguem definir um candidato para bancar, o PT tem dois favoritos. Este é o quadro, a dez meses da sucessão presidencial. O resto é o resto e não adianta espernear.

 

 

 

 

 

 

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foto essa Toda a tristeza do mundo na foto da avó na prisão

Simone Vasconcelos é a primeira à direita na foto.

De tudo que li, vi e ouvi nas duas ultimas semanas sobre os prisioneiros do mensalão no Presídio da Papuda, nada me tocou mais do que a foto de Dida Sampaio, do Estadão, publicada na quarta-feira, mostrando toda a tristeza do mundo estampada no rosto de uma senhora de óculos escuros, que caminhava com uma garrafa de água na mão, no pátio da cadeia.

O nome dela é Simone Vasconcelos e dela pouco se sabe, além do fato de ser casada, ter dois filhos e um neto, ex-funcionária da SMPB de Marcos Valério, encarregada de entregar envelopes com dinheiro a políticos em Brasília, e por isso condenada a 12 anos, 7 meses e 20 dias de prisão, pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Trata-se de uma pena maior do que a dos políticos condenados no processo.

Ao fazer a sustentação oral no STF, no dia 7 de agosto do ano passado, o defensor de Simone Vasconcelos, Leonardo Yarochewsky, afirmou que  a ré era "simples empregada, e o dinheiro não lhe pertencia".  Para o advogado, "isso remonta à idade medieval, em que o indivíduo era punido pelo Código de Hamurabi. O que mais se faz nesse processo é culpar pessoas pelo cargo que ocupavam, ou porque ocupavam cargo em determinado banco, ou em determinado partido, ou em determinada agência de publicidade".

Yarochewsky argumentou que Simone não conhecia nem sabia quem eram os parlamentares que recebiam dinheiro. "O que o patrão faz com o dinheiro não cabe ao funcionário questionar".

Até ontem, Simone estava presa, junto com Katia Rabello, ex-presidente do Banco Rural, condenada a 14 anos e 5 meses de prisão, numa cela do 19º Batalhão da Polícia Militar, instalado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde Dida Sampaio fez a fotografia que me chamou a atenção, no período de duas horas a que elas tinham direito a tomar sol. A cela tem beliches, um cano de água fria que serve de chuveiro e uma privada sem assento.

Por ordem da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, anunciada nesta quinta-feira, as duas agora serão levadas para a Penitenciária Feminina da Colmeia, embora seus advogados tenham pedido transferência para Belo Horizonte, onde moram suas famílias. Simone quer trabalhar para reduzir sua pena e poder sair do regime fechado antes de completar 60 anos.

No meu tempo, nem faz tanto tempo, dizia-se que uma fotografia vale por mil palavras e, como já escrevi mais de 400, vou parando por aqui, deixando apenas uma pergunta no ar: que perigo estas duas mulheres podem representar para a sociedade, a ponto de serem condenadas a penas de prisão tão longas, em regime fechado, enquanto homicidas e estupradores andam à solta por aí e mais de 800 políticos aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal?

Com a palavra, os nobres ministros do STF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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