Guido Mantega é alvo da espiral da intolerância

Caros leitores,

informo aos trolleiros profissionais do IP 190.98.131, que utilizam diferentes codinomes e dezenas finais: seus comentários são automaticamente deletados.  

Não adianta insistir. Recomendo que aproveitem melhor seu tempo fazendo um curso intensivo de Língua Portuguesa e criação de texto.

Ricardo Kotscho

***

_O senhor é o ex-ministro da Dilma?

_ Sim, sou eu.

Foi o que bastou para tivesse início, na lanchonete do Hospital Israelita Albert Einstein, junto à recepção, o ataque ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, um dos mais sórdidos episódios de intolerância política da nossa história recente.

Meu velho amigo Guido, de família judaica, estava acompanhando sua mulher, Eliane Berger Mantega, que vem fazendo naquele hospital de excelência longo e sofrido tratamento contra um câncer. Assim que foi identificado, como se fosse um judeu na Alemanha de Adolf Hitler ou um comunista no Brasil dos generais, começaram as agressões, com gritos histéricos.

_ Vai pro SUS!

_ Safado!

_ Vai pra Cuba!

_ Filho da puta!

O fato aconteceu na tarde do último dia 19, mas só se tornou público nesta terça-feira, com a divulgação de um vídeo no Facebook mostrando o constrangimento do ex-ministro, que foi obrigado a se retirar do Einstein. O responsável pela postagem, segundo o site "Redação Pragmatismo", ainda conclamou os internautas a perseguirem petistas e simpatizantes do partido nas ruas.

Assista ao vídeo citado:

Não foi certamente a primeira vez que um ministro do PT se tornou alvo da espiral de intolerância que assola o País desde o segundo turno da campanha presidencial. O próprio Guido já havia sido hostilizado por frequentadores do bar "Astor", na Vila Madalena, no dia 20 de dezembro, quando ainda estava no governo.  Poucas semanas atrás, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, foi obrigado a se retirar de um restaurante no bairro dos Jardins para evitar um confronto maior, após ser ofendido por finórios representantes da elite paulistana.

Está se tornando algo normal, sem despertar nenhum interesse da chamada grande mídia familiar, como se fizesse parte da paisagem, atacar adversários políticos para impedir sua presença no mesmo ambiente frequentado pelos tucanos derrotados em outubro.

Nesses redutos, é perigoso até alguém declarar publicamente que votou no PT. No dia da votação do segundo turno, poucas semanas antes da sua morte, o ex-ministro Márcio Thomas Bastos foi interpelado por um ex-cliente no Clube Pinheiros:

_ Que bonito, hein, doutor Márcio? O senhor apoiando o PT, votando na Dilma! Não tem vergonha?

Com sua habitual fleugma, o ex-ministro deu um chega pra lá no cidadão:

_ Não, eu não tive vergonha de ser teu advogado e te defender naquele processo...

Até o momento em que comecei a escrever, a única reação que encontrei contra essa barbaridade inimaginável num país democrático e civilizado partiu da jornalista Barbara Gancia, que enviou uma dura carta ao presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, nos seguintes termos:

"Caro senhor doutor presidente:

1) Já foram identificados os indivíduos que hostilizaram o ex-ministro Mantega e sua mulher, que foi ao hospital na terça-feira para ser submetida a um tratamento contra o câncer?

2) Que providências os senhores estão tomando, foi registrado Boletim de Ocorrência?

3) A direção do hospital está ciente de que, caso este comportamento brutal for tolerado e nenhuma medida tiver sido tomada contra quem a praticou, isto irá significar que a Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein compactua com a irresponsabilidade, a escalada da violência e o desrespeito à ordem pública?

4) O senhor entende, Dr. Cláudio, que o Einstein não pode consentir, porque isso significa que ele se colocará ao lado dos inconsequentes que querem ver o circo pegar fogo sem medir as consequências para as instituições?"

Quando a estúpida agressão a Guido e à sua mulher se tornou pública, a direção do hospital se limitou a divulgar uma burocrática nota oficial em que declara que "recebe igualmente a todos, pacientes ou não, rechaça qualquer atitude de intolerância e lamenta o ocorrido em seu ambiente". A nota não indica nenhuma providência que o hospital pretenda adotar, mas seus assessores informaram não ter identificado nenhum médico ou enfermeiro do hospital envolvido no episódio.

É intolerável conviver por mais tempo com esses atos de intolerância. Está na hora de darmos um basta.

A vida não pode seguir assim.

 

 

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okok2 Por que pacote não tira de bancos e grandes fortunas?

Que é necessário e urgente fazer um ajuste fiscal para colocar as contas do governo em ordem, estamos todos de acordo. Não tem mesmo outro jeito. Ninguém pode eternamente gastar mais do que arrecada, nem a padaria da esquina, muito menos um país.

Por isso, reuniões e mais reuniões se sucedem freneticamente em Brasília para garantir a aprovação no Congresso Nacional do pacote fiscal embrulhado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, encomendado pelo governo Dilma-2. O objetivo é economizar R$ 18 bilhões no orçamento. E quem vai pagar esta conta?

Tem três maneiras de se fazer isso: cortar despesas, aumentar a arrecadação ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O governo brasileiro optou pela primeira alternativa. Vai tirar dinheiro dos benefícios sociais: abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso para pescadores artesanais.

Nos Estados Unidos, o governo Obama, que não pode ser chamado de bolivariano, fez exatamente o contrário: aumentou a taxação dos lucros dos bancos e das grandes fortunas para aliviar encargos da classe média que vive do seu trabalho.

Aqui nem se chegou a pensar nisso. É um assunto tabu tanto nos partidos do governo como nos da oposição, que não apresentaram até agora nenhuma alternativa para a proposta de Levy, que assume o papel de Robin Hood ao avesso para combater a inflação e fazer o país voltar a crescer.

Só para se ter uma ideia dos valores envolvidos neste pacote: o valor total que o país vai economizar é R$ 2 bilhões menor do que o lucro de um único banco, o Itaú, que no ano passado embolsou R$ 20 bilhões, boa parte graças aos juros que o próprio governo lhe paga.

Nos últimos cinco anos, o Brasil gastou mais de R$ 1 trilhão (sim, escrevi certo, é trilhão mesmo) em pagamento de juros da dívida interna. O Itaú, como sabemos, é o principal concorrente do Bradesco, o banco onde foi recrutado o ministro Levy.

Por que o governo, por exemplo, ainda não foi atrás dos R$ 19,4 bilhões que 6,6 mil brasileiros depositaram em contas secretas no HSBC da Suíça, outro assunto blindado na mídia?

Vários outros países mais abonados do que o nosso já fizeram isso e recuperaram boa parte do dinheiro de origem suspeita que não costuma pagar impostos. Não sabemos ainda nem quem são os donos destas contas.

E, por falar em sonegação fiscal, outro tema proibido, será que o ministro Levy já conversou com os procuradores da Fazenda Nacional sobre o dinheiro que o país deixa de arrecadar por falta de fiscalização e da punição dos crimes nesta área?

Estudo produzido pelo sindicato da categoria, conforme denúncia feita na noite desta segunda-feira no Jornal da Record News (ver link), prevê que, em 2015, o cartel dos sonegadores deixará de pagar à União mais de R$ 500 bilhões, ou seja, mais de 25 vezes o valor que o governo pretende economizar cortando benefícios sociais.

Diante destes números, enquanto o governo negocia com o PMDB apoio ao pacote fiscal em troca de cargos no segundo escalão, fica fácil responder à pergunta feita no título desta coluna.

Por que o pacote não tira de bancos e das grandes fortunas?

Muito simples: são exatamente estes os doadores que, em grande parte, financiam as campanhas eleitorais de todos os partidos, desde sempre.

Isso explica também porque o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, defende com tanto ardor o financiamento privado de campanhas, e o ministro Gilmar Mendes não devolve o processo em que ampla maioria do Supremo Tribunal Federal (6 a 1) já decidiu contra este poderoso criatório de corrupção em todas as latitudes da vida nacional.

O resto é pura hipocrisia.

Vida que segue.

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okokoko Protestos, greves, estradas paradas: perigos à vista

Começou. Em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis e dos impostos sobre o transporte, caminhoneiros do Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul bloquearam 38 trechos de estradas neste fim de semana.

Como era de se esperar, o descontentamento com o governo Dilma 2, que se meteu em crises políticas, econômicas e sociais de toda ordem, desde a posse, há apenas 53 dias, transbordou dos gabinetes para as ruas, fábricas e estradas.

O movimento dos caminhoneiros começou nos principais redutos do agronegócio, em Estados onde a oposição derrotou Dilma na recente eleição presidencial, mas seus líderes prometem levá-lo para todo o País ao longo desta semana, elevando ainda mais a temperatura dos embates previstos no Congresso Nacional (ver post anterior).

"O setor de transporte de carga está passando por uma crise histórica, sem que os caminhoneiros consigam ter retorno", disse à Folha um dos organizadores do protesto, o gaúcho Tobias Brambilla, diretor da Associação dos Caminhoneiros de Rodeio Bonito.

A nova jornada de trabalho implantada pelo governo, em setembro do ano passado, estabelecendo um limite diário de oito horas, com no máximo duas horas extras, é outra razão da revolta da categoria. Nas contas de Odi Antonio Zani, líder do movimento em Palmeira das Missões (RS), a nova lei provocou uma queda de 30% no faturamento mensal.  "Eu tinha três caminhões rodando as estradas e faturava R$ 120 mil mensais no total. Tive de vender um caminhão e meu faturamento caiu para R$ 68 mil", queixou-se o caminheiro.

Ao que tudo indica, mais uma vez o governo foi surpreendido pelos fatos e até agora não se tem notícia de qualquer tipo de interlocução com os caminhoneiros rebelados, que prometeram manter os bloqueios nesta segunda-feira.

O movimento que fecha estradas nos principais corredores de escoamento da produção agrícola soma-se a outros protestos e greves que vêm pipocando pelo País desde janeiro _ e as medidas de arrocho anunciadas pelo pacote fiscal ainda nem foram implantadas. Na semana passada, trabalhadores das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que estão paralisadas, fecharam a ponte Rio-Niterói, em protesto contra a falta de pagamento de salários.

Enquanto a classe política se alvoroça à espera da divulgação da "Lista de Janot", anunciada para esta semana, com os nomes dos parlamentares envolvidos na operação Lava-Jato, os trabalhadores estão preocupados com seus empregos, ameaçados pela paralisação de obras da Petrobras, por falta de pagamento às empreiteiras e, dessas, aos seus fornecedores.

Até onde a vista alcança, não há nenhum sinal de reação do governo, com medidas concretas, para enfrentar a enxurrada de problemas nos mais diferentes campos da vida nacional. Aos leitores que me acusam de ser muito pessimista e crítico da presidente Dilma, quero informar que não escrevo porque gosto sobre este cenário altamente preocupante, mas porque assim é, infelizmente, e eu não posso brigar com os fatos.

Quem mudou de lado foi o governo, não eu, que continuo exatamente no mesmo lugar. Estou só alertando para os perigos à vista. É explosiva esta combinação de crescimento negativo, empregos ameaçados, queda nos investimentos, falência da base de apoio no Congresso e na sociedade organizada, ministério medíocre, falta de articulação política, multiplicação de protestos, tudo sem perspectivas de mudança. Já vi este filme muitas vezes, em outros tempos e países, e o final não é feliz, lamento lembrar.

Vida que segue.

 

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 Acabou a fantasia; agora, preparem se para a guerra

(foto: Alice Vergueiro/Futura Press/Estadão Conteúdo)

 

Não vai ter refresco nem para curar a ressaca do Carnaval. Em plena Sexta-feira de Cinzas, Dilma e Aécio reapareceram em público, ao mesmo tempo, em Brasília, para dar uma amostra do clima de guerra que nos aguarda neste ano de 2015.

Dilma, mais magra e falante, atacou primeiro:

"Se, em 1996 ou 1997 (primeiro governo FHC), tivessem investigado e tivessem, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante 20 anos atuando em esquema de corrupção".

FHC reagiu, logo em seguida, divulgando uma nota em que acusa a presidente de agir com a tática do batedor de carteira "que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando `pega ladrão´".

Aécio, já sem barba, veio atrás, fazendo coro:

"Depois de um silêncio que durou dois meses, certamente para se distanciar das medidas econômicas tomadas por seu governo, a presidente reaparece parecendo zombar da inteligência dos brasileiros."

Ninguém saiu em defesa de Dilma, cada vez mais isolada e perdida nas suas decisões. Lula se mantém em obsequioso silêncio. No mesmo dia, lideres da oposição já falaram em convocar Dilma e Lula para depor na CPI da Petrobras, que está para ser instalada.

Enquanto isto, o Congresso Nacional respira fundo e se mantem em suspense, aguardando a divulgação da "Lista do Janot", quando, finalmente, o procurador-geral da República deverá apresentar os nomes dos políticos envolvidos na Operação Lava-Jato.

No front econômico, o "aliado" PMDB, agora sob o comando de Eduardo Cunha, deve se juntar à oposição e até a setores do PT para derrubar o pacote do ajuste fiscal encomendado por Dilma ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é combatido por todas as centrais sindicais.

No front jurídico, o Ministério Público Federal abriu ações cobrando R$ 4,5 bilhões de seis empreiteiras denunciadas na Operação Lava-Jato, colocando em risco os mais de 500 mil empregos do setor de construção pesada, que já entrou em crise profunda, com os atrasos nos pagamentos e os cortes nos investimentos da Petrobras anunciados para este ano.

Nas redes sociais, o clima está conflagrado, mais ainda do que na campanha eleitoral, com a convocação do protesto nacional do "Fora Dilma", marcado para o próximo dia 15 de março.

A principal sequela deixada pela disputa presidencial foi o ressurgimento de uma direita organizada e radical, gerada no bojo do antipetismo militante, que se alastrou pelo país durante a campanha numa grande aliança partidária, midiática, judicial e financeira.

Sinal destes novos tempos: em pleno começo de Quaresma, Ronaldo Caiado, um dos principais líderes desta aliança, fundador da UDR e senador pelo DEM de Goiás, já lançou seu nome para disputar as eleições presidenciais de 2018. Aécio que se cuide, pois a concorrência na oposição pode aumentar.

Mesmo aqueles que não se animaram a pedir votos para os candidatos de oposição em 2014, limitando-se a atacar o PT, agora não se contentam em pedir as cabeças de Dilma e Lula, mas procuram também criminalizar seus eleitores, responsabilizando-os pela crise ampla, geral e irrestrita, que está só começando.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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865ED1F6 467A 4F01 BCA8 2537737E4391 megafone1 Governo e o PT perdem batalha da comunicação

Quando as coisas vão mal no governo, em qualquer governo, a culpa é da comunicação. Por uma razão muito simples: é muito mais fácil atribuir as dificuldades a uma atividade meio, importante, mas acessória, do que reconhecer a falta de rumo, de propostas e de soluções viáveis no comando do governo.

Por mais brilhante que seja o publicitário, nem o Washington nem o Nizan são capazes de vender um mau produto. Podem até bater recordes de vendas no lançamento, enganando a freguesia com belas campanhas, mas depois elas não se sustentam pelo simples e bom motivo de que o consumidor não é trouxa.

Assim também acontece nas campanhas políticas: um marqueteiro genial pode até te levar à vitória, mas depois não é capaz de garantir o sucesso do governo, se o eleito não tiver café no bule nem for capaz de melhorar a vida do eleitor e faz tudo ao contrário do que prometeu.

Na primeira metade do primeiro governo Lula, quando eu cuidava da área de imprensa, Miro Teixeira, jornalista e Ministro das Comunicações, criou um bordão sempre que o presidente reclamava de alguma notícia negativa: "A culpa é do Kotscho".

Naquele tempo, como agora, não era segredo para ninguém que a grande mídia familiar, com ou sem motivos, buscava pelo em ovo para atacar o governo petista. Só que havia uma grande diferença: a internet ainda era uma novidade, as redes sociais engatinhavam. Não havia contraponto nem espaço para o contraditório, o governo simplesmente não tinha como se defender e dar a sua versão dos fatos.

De lá para cá, a cada eleição presidencial, as redes sociais tiveram um papel cada vez maior nas campanhas para contrabalançar os canhões da oposição midiática dos grandes conglomerados. Pode ser uma das razões para explicar as três vitórias seguintes que seriam conquistadas pelo PT contra a vontade da turma do Instituto Millenium e seus "formadores de opinião", cada vez menos relevantes.

Foi assim em 2014, quando a reeleição de Dilma esteve várias vezes ameaçada, e só os programas de televisão do horário eleitoral já não bastavam para enfrentar as ofensivas dos adversários. Nas redes sociais, havia um equilíbrio entre militantes tucanos e petistas, uma guerra internética muitas vezes suja, mas que permitiu a Dilma chegar ao final da campanha em condições de ganhar no segundo turno, como acabou acontecendo.

A partir do momento em que o TSE anunciou o resultado oficial, porém, a brigada dilmista/petista foi recuando, sumindo de cena, como a própria presidente, deixando o campo livre para a oposição, que se mobilizou mais ainda para atacá-la por todos os meios, sintonizando pela primeira vez o discurso das redes sociais com o dos blogueiros e colunistas mais ferozes da velha mídia.

O principal sintoma desta mudança é a grande campanha que vem sendo feita pelo impeachment da presidente, enquanto os que ainda a apoiam mostram-se tímidos na reação. O objetivo imediato é convocar a população para os protestos do "Fora Dilma" que estão sendo programados em todo o País para o próximo dia 15 de março.

Nem é preciso ir muito longe: é só dar uma olhada nos comentários dos leitores aqui mesmo no Balaio publicados nas últimas semanas. Cada vez mais agressivos e muitas vezes ofensivos, parecem seguir um comando centralizado, enquanto os que defendem Dilma, Lula, o PT e o governo se tornam claramente minoritários. Até alguns dos mais fiéis petistas estão tirando o time de campo. Por alto, em cada 10 comentários dá para calcular uma goleada de 8 a 2 a favor da oposição.

Nas áreas de comentários dos portais ligados a grandes empresas a proporção por vezes chega a ser até maior, quase uma unanimidade contra o governo Dilma, que está perdendo a batalha da comunicação em todos os campos, apesar da recente convocação feita pela presidente aos seus ministros.

O maior problema do governo é que o silêncio de Dilma e dos seus auxiliares deixa sem argumentos os que se dispõem a defendê-lo. Entre os 39 ministros, ainda não encontrei nenhum capaz de ocupar o vazio deixado pela presidente, que continua recolhida aos seus pensamentos, só vendo a banda passar. Seria bom que todos fizessem um mídia training intensivo antes que seja tarde. Do jeito que vai, nem João Santana fará milagres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ok Timão de Tite põe na roda timinho de Muricy

Foi um baile, com direito a olé e tudo, na nova Arena. No papel do toureiro, o Timão de Tite; restou ao apequenado São Paulo de Muricy correr atrás da bola feito um boi manso numa roda de bobo. Eis um resumo do que foi o primeiro jogo da fase de grupos da Libertadores, com a vitória do Corinthians por 2 a 0 contra o São Paulo, na noite desta quarta-feira, no Itaquerão lotado.

Desde o momento em que deu a saída, o Corinthians foi o dono do espetáculo, e assim seguiu o baile até o final. Impôs o seu melhor futebol, com um time valente, rápido, vibrante como seu técnico, que parecia jogar junto na beira do gramado. Do outro lado, um Muricy amuado a tudo só assistia plantado no banco, sem reação, com seu time perdido em campo, lento e burocrático, trocando passes laterais e recuando para o goleiro, sem conseguir chegar ao ataque para criar uma única chance de gol.

"O São Paulo, claro!", proclamou, com a sua habitual prepotência e falta de noção, o presidente são-paulino Carlos Miguel Aidar, quando os repórteres lhe perguntaram, minutos antes do vexame, qual era o favorito para o grande clássico deste começo de temporada.

Ao contrário do aloprado Aidar, Tite só errou numa coisa: ao supervalorizar o adversário e falar das dificuldades que o Corinthians teria para derrotá-lo. Em nenhum momento do jogo, o time de Muricy chegou sequer a ameaçar a vitória corintiana.

Basta citar apenas um detalhe para demonstrar a enorme diferença no comando dos dois clubes neste momento: o melhor jogador em campo foi Jadson, vendido pelo São Paulo ao Corinthians, em troca do empréstimo de Pato, um eterno reserva do time do Morumbi. Autor do segundo gol e do belo passe para o primeiro, do elétrico Elias, o pequeno Jadson engoliu o meio de campo do São Paulo e deixou Ganso como figurante.

É com jogadores meias-bocas como Bruno, Dória, Reinaldo, Maicon, Alan Kardec e um Luís Fabiano em fim de linha que o São Paulo de Aidar e Muricy planeja ganhar todos os títulos neste ano? Até agora, não conseguiu sequer um patrocinador master, e está longe de definir um time competitivo, em que Rogério Ceni, aos 42 anos, continua sendo o principal destaque.

Na linha oposta, com um elenco mais modesto e sem grandes estrelas, com Emerson Sheik, aos 36 anos, ditando o ritmo, Tite colocou a equipe para jogar do jeito que ele queria, forte na defesa, criativo no meio de campo e mortal nos contra-ataques.

Foi claramente o confronto entre o velho bolerão e o novo futebol de força e velocidade praticado hoje no mundo. Tão ruim quanto o São Paulo, foi o juiz mineiro Ricardo Marques Ribeiro, que deixou de marcar uma clamorosa falta de Sheik no molenga lateral Bruno, no lance que deu origem ao segundo gol corintiano. Apesar disso, com o São Paulo colocado na roda, 2 a 0 acabou até sendo pouco para a enorme superioridade corintiana. Não deu nem para torcer pelo São Paulo...

Acorda, Muricy, a coisa está feia!

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Caros leitores,

continua a invasão da central de robôs e trollagens no Balaio, com uma agressividade crescente. O conteúdo é sempre o mesmo, com pequenas variações e diferentes nomes ou codinomes. Só mudam os erros crassos de ortografia para disfarçar a origem.

Tenho deletado a maioria destes "comentários", mas deixo alguns para que os demais leitores tenham uma ideia do nível a que chegou o debate político em nosso país.

Parte destas mensagens industrializadas e, certamente, não gratuitas tem a numeração comum do IP 190.98.131 (...), com variações nos algarismos finais.

Poderiam, ao menos, disfarçar melhor para justificar seus salários.

É pena, é triste, mas fazer o quê?

Ricardo Kotscho

***

ds No vazio político, ressurge Joaquim, pedindo passagem

Com a presidente Dilma Rousseff descansando numa praia da Bahia e o Congresso Nacional em recesso carnavalesco de 12 dias, o vazio político destes dias de sassaricos tinha que ser ocupado por alguém, como costuma acontecer.

Do nada, ressurgiu Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que deixou o conforto da sua aposentadoria precoce e do belo apartamento de Miami para aparecer como convidado especial, entre outras celebridades, no camarote montado pelo jornal O Globo no sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Depois de viver seus dias de glória e rapapés na mídia nativa durante o julgamento do mensalão, Joaquim andava sumido do noticiário. Para voltar aos holofotes, aproveitou o Carnaval, e começou a disparar mensagens no Twitter, tendo como alvo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, aquele que só pensa em ocupar a vaga ainda aberta no STF.

"Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma Rousseff demita imediatamente o ministro da Justiça", disparou, em meio à folia, referindo-se aos encontros que Cardoso manteve com advogados dos envolvidos na Operação Lava Jato.

Nós quem, cara-pálida? Quem o nomeou para falar em nome dos "brasileiros honestos" e se dirigir desta forma à presidente da República?

Empolgado com a repercussão, Joaquim voltou a atacar na madrugada de terça: "Se você é advogado num processo criminal e entende que a polícia cometeu excessos/deslizes, você recorre ao juiz. Nunca a políticos! Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompe-la. É tão simples assim".

Nem tanto. Como era de se esperar, alguns dos mais renomados advogados e juristas brasileiros reagiram indignados à lição de moral dada pelo ex-presidente do STF, sem ninguém lhe pedir, e a OAB divulgou uma nota de repúdio, assinada pelo seu presidente, Marcus Vinícius Furtado Coelho:

"O advogado possui o direito de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos à defesa do interesse dos seus clientes. Essa prerrogativa do advogado é essencial para o exercício do amplo direito de defesa. Não é possível criminalizar o exercício da profissão".

Nesta quarta-feira, o ministro Cardoso também resolveu reagir aos ataques de Barbosa. Em entrevista à Folha, chamou o ministro aposentado de autoritário:

"O ministro Joaquim Barbosa tem o direito de falar o que bem entende. Não vou polemizar. O que vou dizer é que as pessoas que têm mentalidade autoritária de criminalizar o exercício da advocacia não percebem que vivem num Estado de direito (...) Talvez para alguns nem devessem existir contraditório, ampla defesa e advogados no mundo. Talvez preferissem o linchamento".

Também defendo, claro, todo o direito de Barbosa se manifestar sobre qualquer assunto, quando e como bem entender. Recomenda-se, porém, a um ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo simbolismo do cargo, que mantenha um mínimo de recato, respeito e responsabilidade ao se dirigir à presidente eleita, a um ministro de Estado ou ao conjunto de uma categoria profissional que exerce papel fundamental nas democracias.

O que quer, afinal, Joaquim Barbosa?

Se foi para derrubar o ministro da Justiça, perdeu. Com sua "exigência", apenas reforçou a permanência de Cardoso no cargo, pois sabemos que a presidente Dilma não é de ceder a pressões, ao contrário, ainda mais vindas de alguém que hoje não tem procuração para falar em nome de nenhum setor representativo da sociedade.

Para consegui-lo, Joaquim teria que entrar num partido político, candidatar-se a algum cargo público e submeter-se ao voto, como parece ser seu objetivo, ao não se conformar com o esquecimento pós-aposentadoria. Fora disso, só se estiver disposto a pedir passagem para vestir a fantasia do "salvador da pátria", acima dos partidos e da legislação vigente, que muitos andam procurando como atalho para voltar ao poder.

E viva a Vai-Vai!

 

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essa1 Tríduo momesco dos senadores dura 12 dias

"Tríduo momesco" era como os escribas mais antigos se referiam aos três dias de Carnaval. Para os senadores da nossa República, no entanto, não é bem assim.

Ao ler a coluna do meu implacável amigo Carlinhos Brickmann, que tudo vê e conta, descubro que vossas excelências resolveram multiplicar o tríduo por quatro. Sim, o Senado Federal encerrou o expediente no final do dia 11, quarta-feira passada, e só vai reabrir suas portas na próxima segunda-feira, dia 23. Ou seja, eles se autoconcederam 12 dias para curtir os folguedos carnavalescos. Que maravilha!

Como neste período não há problemas mais sérios para se enfrentar neste país, nada mais justo, pois eles voltaram ao trabalho, depois de um prolongado recesso, no longínquo dia 1º de fevereiro, e precisavam mesmo desta folga. Afinal, ninguém é de ferro.

Em tempo (atualizado às 10h05 de 18.2)

Este Carnaval prolongado atinge não só o Senado, mas da mesma forma a Câmara Federal, que também só volta a funcionar no próximo dia 23. Segundo cálculos do site Contas Abertas, como os parlamentares federais custam ao país R$ 9,3 bilhões por ano, ou seja, R$ 25,4 milhões por dia, estes 12 dias do "tríduo momesmo" representam um desperdício de R$ 300 milhões num país que não está nadando em dinheiro e se prepara para fazer um arrocho fiscal.

 

 

 

 

 

 

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Para refletirmos durante o Carnaval: o que move o PSDB, qual é o seu projeto de país, além da obsessão em derrubar Dilma e tirar Lula do jogo?

A julgar pelas manifestações dos seus representantes no Congresso Nacional e a guerra de extermínio desfechada nos últimos dias por seus robôs na internet, nada mais interessa.

Para alcançar estes objetivos, vale tudo, até se aliar a bolsonaros e caiados, e entregar o comando das oposições a um "aliado" do governo, o todo-poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  

Ou alguém acredita que os tucanos estão realmente preocupados com os destinos da Petrobras, a vida da população e os rumos do país?

Outro dia perguntei no JRN ao deputado Carlos Sampaio, lider do PSDB na Câmara, quais eram os projetos do partido para 2015, além de pedir a criação de CPIs para investigar o governo. Sampaio deu uma resposta genérica e não consigo me lembrar de nenhum tema relevante.

Todas as iniciativas políticas, desde a reabertura dos trabalhos do Congresso há duas semanas, não partiram nem do governo nem da oposição, mas do suprapartidário Eduardo Cunha.

Por onde andam os caciques tucanos? Que fim levou Aécio Neves, o presidente do partido e candidato derrotado por pouco nas últimas eleições? Parece um vagalume, que vez ou outra acende em Brasília, solta uma nota ou faz um discurso, e some novamente. Alckmin, outro nome apontado como possível candidato em 2018, dedica-se atualmente apenas a achar água em São Paulo para evitar o racionamento. Serra só se movimenta nos bastidores. E FHC continua FHC.

O fato é que 2018 ainda está muito longe e o PSDB simplesmente não se conforma com a quarta derrota seguida para o PT. Desde o primeiro minuto após a reeleição de Dilma, o partido só pensa em encontrar atalhos para voltar ao poder, só pensa nisso.

Por isso, mesmo que não assumam esta bandeira abertamente agora, o impeachment tornou-se o caminho mais curto para a retomada do Palácio do Planalto, como fica claro nas convocações feitas pelas redes sociais para o protesto do "Fora Dilma" marcado para o dia 15 de março.     

O dilema tucano é que não bastará tirar Dilma. É preciso, antes, tirar Lula do jogo. É o que leva o PSDB a jogar todas as suas fichas no Judiciário e na mídia, a bordo da Operação Lava-Jato, como se tivessem descoberto um novo Plano Real.

A quem pensam que enganam? E o país que se dane.

 

 

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PORANGABA _ Que o governador Geraldo Alckmin não me leia... Abandonei São Paulo e consegui chegar a um lugar onde nunca falta água, até sobra. Valeu a viagem.

Sentado à varanda, com o vento batendo no rosto e olhando para meu pequeno açude, que eu mesmo construí,  transbordando pelo vertedouro,  estou com um plano fantástico para fazer inveja a todos os paulistas: vou passar estes três dias de Carnaval debaixo do chuveiro, tomando banho sem parar _ e sem sentir nenhuma culpa.

Nada de samba, suor e cerveja, que me perdoem o Caetano e os demais baianos. Quero mais é tirar esta inhaca do corpo, sem medo de ser feliz. Eu mereço.

Este foi o maior projeto material que consegui realizar na minha vida: abrir um tanque para criar peixes na várzea onde um dia já correu pequeno riacho, segundo os mais antigos, nos tempos em que Antonio Cândido estava fazendo suas pesquisas para escrever a obra-prima Os Parceiros do Rio Bonito. 

Rio Bonito é o nome do bairro de Porangaba, no interior paulista, onde vim parar, 35 anos atrás. Não havia água nem luz, a terra estava abandonada e um cafezal jazia onde fiz minha casa.

Abri um poço, anos depois chegou a luz, plantei hortas, pomares e muitas, milhares de árvores, e hoje estou aqui cercado de bosques e passarinhos, até bandos de tucanos me sobrevoam.

Faltava apenas o lago, minha obsessão, que ficou por último. Muitos planos, orçamentos e estudos depois, finalmente resolvi arriscar, na cara e na coragem, sem nenhum projeto de engenharia nem saber quanto custaria. Um cara mais doido e sonhador do que eu, o João Galego, topou a parada e logo começou a abrir o buraco. Equipamentos: um tratorzinho bem velho, seu caminhão mais velho ainda e muita coragem.

Até que chegou o grande momento do fechamento da barragem. Já quase no final do serviço, caiu um toró amazônico, e por pouco não rodou tudo. Com a ajuda do filho, João carregou pedras no braço para evitar o desastre, noite adentro.

O dia seguinte amanheceu com o lagão cheio, que alguns agora chamam de açude, para meu orgulho, com água para dar e vender. Nunca vendi água, mas durante muitos anos a cedi aos vizinhos, que ali colocaram suas bombas. Faz menos de dois anos, depois de uma batalha do bairro que durou mais de três décadas, comemoramos ,com um belo churrasco na casa do Zé Maria, na presença do prefeito e do padre, muita cachaça e rojões, a chegada da água da Sabesp.

Aqui os canos da empresa ainda não secaram. Ninguem fala em rodízio ou racionamento, mas é muito bom poder ser dono da própria água, sem depender das obras agora anunciadas pelo governador. 

Vida que segue.          

 

 

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