Acabou o verão, entramos no outono, faltam pouco mais de seis meses para as eleições presidenciais, e nada mudou no primeiro Ibope do ano divulgado na noite desta quinta-feira. Dilma continua com os mesmos 43% de novembro do ano passado, Aécio passou de 14 para 15% e Eduardo Campos continua empacado com 7% das intenções de voto. Em qualquer cenário, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Algumas anotações sobre os números da pesquisa:

* Somando os que declararam votar nulo ou em branco (22%) com os que não sabem quem escolher ou não quiseram responder (10%) constatamos que um em cada três eleitores ainda não tem candidato, um número bastante alto a esta altura do campeonato em que apenas três nomes disputam para valer a sucessão presidencial.

* A liderança folgada de Dilma deve num primeiro momento acalmar os ânimos dos rebelados da base aliada e arrefecer os movimentos da turma do "volta Lula".

dilma coletiva ny 20110921 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* A aliança de Eduardo Campos com Marina Silva, saudada como o grande fato político de 2014, que ainda não resultou em casamento, não foi um bom negócio para nenhum dos dois até agora. Marina caiu mais 4 pontos de novembro para cá (foi de 16 para 12%) e Eduardo não consegue agregar os votos perdidos por sua parceira, ficando no mesmo lugar.

 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* Aécio Neves continua ainda bem abaixo do patamar alcançado por José Serra nesta mesma época da eleição presidencial de 2010. Com Marina no lugar de Eduardo, Dilma e Aécio caem apenas um ponto.

 Um em cada três eleitores ainda não tem candidato

* Pela primeira vez, o Ibope incluiu cinco nanicos no levantamento, mas eles não alteram quase nada o cenário: com eles, Dilma teve 40% das intenções de voto, Aécio ficou com 14% e Eduardo com 6%. Dificilmente a entrada de qualquer outro candidato vai mudar este quadro, a não ser que Joaquim Barbosa, o presidente do STF, mude de ideia e se lance agora, o que é cada vez menos provável.

* Caso haja um segundo turno, qualquer que seja o adversário, pelos números atuais a reeleição de Dilma será um passeio: 47 a 20 contra Aécio, 45 a 21 contra Marina, 47 a 16 contra Eduardo.

* Só bater em Dilma e no governo, com a sempre prestimosa ajuda da mídia grande, em lugar de os candidatos de oposição apresentarem um programa de governo ou pelo menos algumas propostas para o país, até agora não comoveu o eleitorado a ponto de mudar seu voto.

* Parece que a campanha eleitoral deste ano será bastante curta, já que até agora o assunto só tem motivado políticos e jornalistas, limitando-se a disputa a uma troca de ofensas entre comentaristas nas redes sociais.

* Ao que tudo indica, só um fato novo grave e absolutamente imprevisível pode levar a mudanças radicais nas próximas pesquisas, que devem ficar no piloto automático enquanto se mantiverem os atuais índices positivos de emprego e renda como os divulgados esta semana.

 

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Até aqui, a figura da presidente Dilma Rousseff conseguiu se manter preservada do bombardeio de denúncias disparadas praticamente desde o primeiro dia do seu governo contra ministros, ministérios e empresas estatais. Nada atingia diretamente a presidente, mas apenas seus auxiliares, que foram sendo afastados um a um, enquanto a presidente se portava como uma rainha cercada de malfeitores por todos os lados.

Agora, com as novas revelações sobre a estranhíssima compra superfaturada feita pela Petrobras de uma usina em Pasadena, nos Estados Unidos, Dilma viu seu nome diretamente envolvido no caso, já que era na época do negócio, em 2006, presidente do Conselho de Administração da empresa e aprovou a compra.

Em resumo, a Petrobras pagou à Astra Oil US$ 360 milhões por metade da refinaria de Pasadena, que havia sido comprada pela empresa belga no ano anterior por apenas US$ 42,5 milhões. Para completar, a Petrobras perdeu uma ação na Justiça e teve que pagar mais US$ 820,5 milhões pela outra metade, totalizando U$ 1,19 bilhão. Ou seja, a Petrobras pagou por uma refinaria desativada 20 vezes mais do que valia no mercado pouco tempo antes. Dilma votou a favor da compra.

Era tudo o que a oposição e a mídia amiga esperavam para bombardear a presidente, que caminhava até o final do ano passado para uma tranquila reeleição. A reação de Dilma, divulgando uma nota escrita de próprio punho para responder à revelação feita pelo Estadão, também não ajudou em nada a diminuir os prejuízos.

Em vez de discutir antes com a Petrobras o teor da nota, a presidente se reuniu apenas com alguns ministros próximos para criticar o parecer "técnica e juridicamente falho, com informações incompletas" em que baseou sua decisão e argumentou que, se todas as cláusulas fossem conhecidas, não seriam aprovadas pelo conselho. Pior: na mesma nota, afirmou que a Petrobras já tinha aberto, em 2008, um procedimento de apuração de prejuízos e responsabilidades, fato negado pela estatal, que informou ao Congresso Nacional, em setembro do ano passado, que o negócio não foi objeto de apreciação por órgão de controle interno.

Em política, como se sabe, ainda mais em ano eleitoral, toda vez que um candidato é obrigado a dar explicações sobre algum fato controverso já entra mal no jogo. O caso colocou o governo na defensiva e daqui para frente vai ter que ficar toda hora tentando justificar o injustificável. Mesmo atribuindo a responsabilidade a terceiros, a presidente não tem como negar que tenha sido relapsa ao analisar um negócio de tamanho vulto, que acabou dando um prejuízo bilionário à Petrobras.

E acabou dando munição à oposição, que não perdeu tempo. "Agora é uma questão com a sociedade brasileira. E acho, digo isso como presidente do maior partido de oposição no Brasil, que a presidente da República deve uma explicação direta à sociedade brasileira. O que a fez tomar esta decisão? O desconhecimento do tema ou foi induzida por um relatório que tinha outras intenções?", cobrou o presidenciável Aécio Neves da tribuna do Senado.

Quem poderia dar estas respostas é o autor do relatório, o então diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, atual diretor financeiro da BR Distribuidora, que viajou rapidinho para a Europa na mesma quarta-feira em que a bomba estourava em Brasília. Caberia ainda outra pergunta: como é que, depois da lambança do parecer "técnica e juridicamente falho", segundo Dilma, Cerveró não só não foi demitido como ganhou um cargo de diretor em outra estatal?

Só agora, oito anos após a compra da refinaria de Pasadena, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal e o Ministério Público poderão esclarecer o que aconteceu e quem são os responsáveis por esta inacreditável transação. Dilma e a Petrobras não quiseram fazer ontem comentários oficiais sobre o caso, que certamente permanecerá no noticiário por um bom tempo, alimentando os discursos da oposição e rendendo manchetes contra a Petrobras e o governo.

Para quem estava em busca de um fato novo na campanha presidencial, não poderia surgir nada melhor, ainda mais na semana em que o Ibope está em campo para divulgar uma nova pesquisa eleitoral.

 

 

 

 

 

 

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foto 1 Eduardo já busca apoio de Richa no segundo turno

Em meio à longe entrevista que o governador do Paraná, o tucano Beto Richa, concedeu nesta terça-feira a o Heródoto Barbeiro e a mim no Jornal da Record News, ele acabou fazendo uma revelação a mostrar como estão adiantadas as articulações dos diferentes partidos para os palanques das próximas eleições.

O PSB de Eduardo Campos já faz parte da base do governo de Richa e vai apoiá-lo na campanha à reeleição. Para evitar constrangimentos ao amigo, comprometido com Aécio Neves, o candidato do seu partido, o governador de Pernambuco não pediu em troca que Richa suba no seu palanque para apoiá-lo no Paraná, mas mostrou como já está pensando lá na frente, num possível segundo turno.

"Como você deve ganhar no primeiro turno, não vai ter problema nenhum subir no meu palanque no segundo. Eu tenho certeza que estarei lá". Mais do que um previsível acordo entre políticos do PSDB e do PSB, o que a conversa revela é o otimismo de Eduardo Campos em disputar o segundo turno com Dilma, apesar do seu terceiro lugar nas pesquisas neste momento. E, principalmente, seu rompimento definitivo com o PT de Lula, fechando aliança com os tucanos desde já. A candidata do PT no Paraná é a senadora Gleisi Hoffmann, até outro dia chefe da Casa Civil de Dilma.

Richa ficou impressionado com a confiança de Eduardo em sua candidatura presidencial e passou mais tempo criticando o atual governo do que apresentando possíveis propostas do PSDB para alavancar a campanha de Aécio Neves, ainda o segundo colocado nas pesquisas. E reconheceu que as duas candidaturas são muito parecidas, até pelas origens e trajetórias de Aécio e Eduardo.

Fora isso, a entrevista não trouxe grandes novidades porque repetiu o mantra de todos os discursos de candidatos de oposição que entrevistamos até agora: Richa defende um "choque de gestão" e atacou a área de energia do governo Dilma, segundo ele "um verdadeiro desastre".

 

 

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12 10 2011 11 40 12 linha de montagem da yamaha Novos empregos dobram em fevereiro: é a crise da Dilma

"Brasil dobra criação de empregos formais em fevereiro".

Não sou eu quem está dizendo, mas a Folha. Só que se engana quem imagina que esta é a manchete do jornal. Nem saiu na primeira página. A notícia mais importante para os trabalhadores brasileiros saiu num pé de página do caderno Mercado.

É assim que costuma agir a nossa isenta imprensa, ao contrário da máxima de Rubens Ricupero: o que é bom a gente esconde; a notícia ruim é superdimensionada e ganha todos os destaques, como se pode ler na manchete de capa do caderno: "Rombo do setor elétrico pode subir R$10 bi". Na mesma página, outra previsão catastrófica: "Luz levará inflação ao topo da meta, fiz FGV". Poder, tudo pode. O problema é que raramente estas previsões se confirmam, e depois ninguém fala mais nisso.

No mesmo dia, no mesmo país, na direção oposta, o site de política Brasil 247 mostra os primeiros números da economia em 2014, todos eles positivos: "Com prévia de crescimento de 2,26% em janeiro, aumento de 3,1% na atividade industrial, criação 111% maior de empregos no primeiro mês do ano sobre mesmo período de 2013 e manutenção de investimentos, economia real deixa pregadores da catástrofe falando sozinhos".

O aumento de 3,1% na indústria foi medido pelos economistas do Banco Itau, lideres implacáveis da bancada financeira de oposição ao governo, que também verificou um aumento de 2,1% no comércio varejista.

O que vão dizer agora os analistas, colunistas, comentaristas e blogueiros que vinham anunciando a "crise" final do governo Dilma? Depois, eles ficam surpresos com as pesquisas que apontam folgada liderança de Dilma na corrida presidencial, não entendendo como os fatos e os eleitores se recusam a obedecer às suas apocalípticas previsões sobre a chegada do fim do mundo.

No próximo final de semana, deve ser divulgada nova pesquisa Ibope e aí veremos de novo aquele chorrilho de explicações dos "especialistas" tentando entender o "fenômeno" da presidente, que é diariamente massacrada na mídia e continua com altos índices de aprovação para o seu governo. Os sábios só se esquecem de uma coisa: o que importa para a maioria dos trabalhadores/eleitores é justamente o nível de emprego e de renda, que continuam mostrando números positivos.

Arranca-rabos no Congresso Nacional entre o governo, o PMDB e o PT, palanques estaduais, fofocas sobre as "regalias" de ex-dirigentes do PT presos na Papuda, problemas nos estádios da Copa do Mundo, críticas sobre a modesta minirreforma ministerial _ tudo isso passa longe da cabeça do eleitor na hora de decidir o seu voto. Vai ver no ponto de ônibus se alguém sabe quem é Eduardo Cunha.

Se está satisfeito com a vida que leva, com o emprego e a renda que conquistou, vota pela continuidade; caso contrário, vota na oposição, desde que alguém lhe apresente um bom motivo para isso e lhe garanta uma vida melhor com propostas concretas e não só discursos. Até agora, não apareceu este personagem, e já andam falando até em colocar FHC como vice de Aécio Neves para salvar a candidatura tucana, enquanto Eduardo Campos e Marina Silva ainda discutem a relação antes de oficializar o casamento várias vezes adiado.

Entre a vida real e a vida retratada pela mídia há um abismo cada vez maior.

 

 

 

 

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kotscho Time de Muricy é fraco mesmo, não teve marmelada

O mesmo São Paulo que derrotou o Corinthians por 3 a 2, no domingo anterior, com alguns poucos desfalques perdeu por 1 a 0 para o Ituano, no Morumbi, desclassificando seu velho rival do Paulistinha.

Por conta disso, muita gente logo começou a falar que o time de Muricy entregou o jogo, que foi marmelada, que o São Paulo ficou com medo de enfrentar o Corinthians na fase final. Tudo bobagem.

Foi apenas uma derrota a mais. Das 14 partidas disputadas até aqui, o São Paulo ganhou apenas a metade, e poucas vezes convenceu seus torcedores de que tem time para disputar o título.

Só vi o segundo tempo do jogo deste domingo e bastaram apenas alguns minutos para perceber que aquele ataque do São Paulo não iria marcar um gol nunca para empatar o jogo que estava 1 a 0 para o Ituano. Não porque não quisesse, para prejudicar o Corinthians, mas simplesmente porque faltou um mínimo de organização em campo, a começar pelo meio de campo, totalmente dominado pelo time de Itu, que ganhou porque jogou melhor, só isso.

Luís Fabiano voltou a ficar nervoso a cada marcação do juiz, Ganso agora também deu para ficar reclamando o tempo todo, em vez de correr atrás da bola, e acabou expulso, enquanto Osvaldo ainda tentava alguma jogada de linha de fundo, mas acabava saindo com bola e tudo.

Muricy insiste em colocar Rodrigo Caio no meio de campo, que não é a dele, e está demorando demais para dar uma chance à molecada dos times de base. Aí não adianta ficar à beira do campo fazendo cara de galo velho (como diz o Zé Simão) a cada jogada que não dá certo porque até agora não conseguiu montar um time competitivo.

Mas nada disso dá direito a Mano Menezes e outros manés do Corinthians de colocar em dúvida a dignidade dos profissionais do São Paulo, como fizeram, depois de conseguir não marcar nenhum gol no Penapolense (que clássico!). Mano foi fundo na sua filosofia de boteco sofisticado: "Os deuses do futebol estão lá em cima e sabem bem conduzir o comportamento de cada um quando a bola rolar lá na frente. Vamos esperar o que os deuses vão fazer".

Se Mano ficar esperando pelos deuses do futebol, e dependendo de outros times para se classificar, vai acabar antes perdendo o emprego. Seu time não está jogando nada e Luxemburgo já avisou que, se precisarem dele,  está à disposição. Entre os grandes neste Paulistinha, pior do que o meu São Paulo, só o antigo time de Tite que, em pouco tempo, Mano conseguiu desmontar.

Técnico não ganha jogo, é verdade, mas pode perder.

 

 

 

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TOQUE TOQUE PEQUENO _ Manhã de domingo de sol nesta pequena praia de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Só se ouve o barulho do mar, dos passarinhos e de cachorros latindo. Parece que o mundo parou, todos ainda estão dormindo. O jornal ainda não chegou. Abro o computador e encontro as mesmas notícias de ontem, de anteontem, da semana que passou.

Sem nada para fazer, nem ninguém para conversar, sento na varanda e fico só olhando o jardim, os passarinhos indóceis voando de uma árvore para outra, cantando, como se estivessem dizendo bom dia.

Só não é um dia como outro qualquer porque hoje é meu aniversário, mas ninguem precisa mandar presentes nem mensagens. Nesta idade, pensando bem, melhor é nem lembrar da data. Tenho cada vez menos tempo pela frente do que para trás. Nunca fiquei e me senti tão velho.

Neste mesmo dia, um velho amigo, ainda mais velho do que eu, também faz aniversário. Só que hoje não vai dar pra gente comemorar juntos, como fazemos todos os anos, porque ele está preso em regime fechado, bem longe daqui, na Papuda.

Conheci o Zé Dirceu tão falado em 1968. Os dois estávamos começando na carreira: o Zé na política e eu no jornalismo. Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, ele foi preso junto com outros mil naquele fatídico congresso clandestino da UNE de 1968, em Ibiúna.

dirceu 450 O tempo correu e o Zé Dirceu continua mais velho

Cada um no seu quadrado, participamos juntos de todas as lutas pela redemocratização do país e depois das campanhas e do início do primeiro governo de Lula. Nem sempre concordando, muitas vezes brigando por pontos de vista diferentes, mas sempre respeitando um o papel do outro, choramos e rimos juntos numa relação fraterna feita de lealdade e sonhos mútuos que atravessou quase cinco décadas.

O tempo correu e o Zé virou um senhor de 68 anos, dois a mais do que eu, embora pareça muitos mais, ou seja, é quase de uma outra geração... Nunca vou alcançá-lo... No silêncio desta manhã de domingo, separados por mais de mil quilômetros e os muros da Papuda, mando daqui um forte abraço, embora o braço quebrado ainda doa quando escrevo. Espero que logo a justiça se faça e o meu braço e a liberdade dele estejam recuperados.

Nada como o tempo pra curar as feridas e ter certeza de que a força de uma amizade é maior do que tudo, maior do que a dor que a gente às vezes sente. A vida é dura, como ele sempre dizia quando a gente estava no governo, mas vale a pena. Até breve, companheiro.

 

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fhc Gols contra do governo reanimam oposição tucana

Como era de se esperar, ao perceber que esticou demais a corda, o governo Dilma resolveu ceder às chantagens do PMDB e abriu seu balaio de bondades: entregou ao partido dois ministérios (Agricultura e Turismo), mandou seus ministros reabrirem o diálogo com os rebelados e prometeu liberar finalmente as verbas das emendas parlamentares, mas pode ter sido tarde demais para recuperar o controle da situação, depois de marcar muitos gols contra nas últimas semanas, que acabaram reanimando a oposição. Isso só vamos saber quando forem divulgadas as próximas pesquisas.

Ao comprar uma briga que não precisava, levando a reforma ministerial em banho-maria até secar a água, os articuladores do governo pareciam até o zagueiro artilheiro Antônio Carlos, que marcou dois gols contra o São Paulo no jogo de domingo contra o Corinthians. Para completar, Dilma ainda foi fazer a graça de dizer que o PMDB só lhe dá alegrias, no momento mais tenso das relações com seu principal aliado, que se juntou a outros partidos para encurralar o governo.

Resultado: depois de Eduardo Campos chutar o balde na semana passada ao dizer que o país não aguentava mais quatro anos de Dilma, até os tucanos, que andavam quietinhos em seu ninho, resolveram mostrar os bicos, na esperança de faturar o descontentamento do PMDB e de outros partidos aliados, que impuseram duras derrotas ao governo nos últimos dias, com a criação de uma comissão para investigar a Petrobras e a convocação de dez ministros para prestar contas ao Congresso Nacional.

Na quarta-feira, em meio ao tiroteio do fogo amigo, o candidato Aécio Neves deu a sua mais contundente entrevista contra o governo Dilma, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma palestra no mesmo tom e até José Serra ressuscitou com um artigo ácido como se estivesse ainda em campanha: "Poucas vezes a condução governamental atrapalhou tanto os rumos da economia brasileira como nos dias atuais".

"Um governo autoritário, que não quer aliados, quer vassalos. Um governo que não quer partidos para compartilhar um projeto de Brasil, quer aliados para vencer as eleições", mandou ver o presidenciável Aécio Neves, jogando uma isca para os dissidentes do PMDB.

Aécio não deixa de ter razão quando afirma que "isso tudo é consequência da arrogância com que o PT vem conduzindo o governo até aqui, e agora colhe estes frutos". Como se tivessem combinado, FHC, que se tornou o principal cabo eleitoral de Aécio, disse num debate sobre os 20 anos do Plano Real que o governo "impõe uma agenda da ditadura(...) à revelia da sociedade e do Congresso".

O ex-presidente pregou uma "radicalização da democracia" e atacou duramente o presidencialismo de coalizão: "Não temos coalizão. O que temos é cooptação. Não estão brigando por um projeto, mas por espaço. O resultado é o esvaziamento da agenda pública". E qual seria o projeto ou a agenda do PSDB? Isto nem Aécio, nem FHC nem Serra conseguiram definir até agora em suas arengas contra o governo.

O mais estranho é que até o momento em que escrevo, na manhã desta quinta-feira, não apareceu ainda nenhum líder do governo ou do PT para rebater as críticas tucanas e defender a presidente Dilma, que parece cada vez mais isolada no enfrentamento de uma situação que lhe é bastante desfavorável no momento, recebendo críticas de todos os lados, até de tradicionais apoiadores dos governos petistas.

É recomendável que a presidente Dilma viaje menos e se dedique mais a arrumar a casa governista, que anda meio de pernas para o ar. E é natural que a combalida oposição se aproveite disso, até para cada um demarcar o seu espaço na luta por uma vaga no segundo turno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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agencia Foto desnuda a classe política que nós elegemos

Nada resume melhor o atual momento político no país do que a foto acima, registrando para a posteridade um momento sublime do Congresso Nacional, na noite de terça-feira. Seria algo absolutamente normal numa democracia, se os parlamentares flagrados num momento de euforia juvenil, após derrotar o governo numa votação, fossem da oposição. Só que a maioria deles pertence à base aliada do governo Dilma.

Na dança do bumba meu boi em que se transformou o plenário da Câmara, ninguém é mais de ninguém, e entramos naquele clima de salve-se quem puder, em que os derrotados, no final do espetáculo, acabam sendo sempre os mesmos, ou seja, nós eleitores, que escolhemos esta gente alegre para nos representar.

A coitada da bancada da oposição, com seus 90 deputados, não consegue aprovar sozinha nem voto de condolências. A acachapante derrota sofrida pelo governo por 267 votos ( 158 deles de deputados governistas) a 28, ao ver aprovada a proposta de criação de uma comissão externa para investigar irregularidades na Petrobras, foi comandada pelo PMDB, o maior partido aliado, que garantiu 58 votos dos seus 75 deputados que estavam no plenário, sob o comando de Eduardo Cunha, o líder da rebelião armada contra a presidente Dilma, que estava no Chile. Outros "aliados" que fizeram a festa da oposição foram PTB, PSC, PR e PSD.

Reparem bem na foto: mesmo que seus partidos, a começar pelo PMDB, apoiem oficialmente a reeleição da candidata do PT, alguém pode imaginar só uma destas excelências de braços erguidos e punhos cerrados, comemorando aos gritos a derrota do governo, vá mesmo fazer campanha para Dilma em seus Estados?

Por mais que não se acredite num rompimento formal do PMDB de Michel Temer, outro derrotado da noite, com o PT de Dilma, sempre é bom lembrar o que aconteceu nas eleições presidenciais de 2002.

Na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, o PMDB decidiu oficialmente apoiar o tucano José Serra, candidato do governo, e até indicou a vice, deputada Rita Camata, do Espírito Santo. Ao longo da campanha, no entanto, vários diretórios estaduais do PMDB resolveram apoiar Lula, que acabou conquistando sua primeira vitória após três tentativas frustradas.

Pode ser que agora a presidente Dilma e seus principais auxiliares caiam na real e percebam que o problema não está só em Eduardo Cunha, um parlamentar de muitos negócios e interesses, que catalisou o descontentamento de amplos setores da antiga base aliada por não suportarem mais a onipotência do Palácio do Planalto baseada nas pesquisas favoráveis. Reunida durante três horas antes da votação, a bancada do PMDB na Câmara deu total apoio ao seu líder e fez novos ataques ao PT e ao governo.

Ficou mais uma vez evidente a falta de articulação politica do governo, cujas principais lideranças mantêm um obsequioso silêncio, deixando a presidente Dilma solta no espaço e desinformada a ponto de afirmar em Santiago que "o PMDB só me dá alegrias".

A goleada sofrida na terça-feira pode ter sido apenas a primeira derrota imposta ao governo, um aviso de que o jogo será pesado daqui para a frente. Cunha e sua turma podem ter gostado da brincadeira e já preparam novas cascas de bananas, como a convocação de ministros e da presidente da Petrobras. O pior de tudo é que não há o menor clima para votar o marco civil da internet, principal projeto do governo em discussão no Congresso, que os rebelados querem derrubar a qualquer preço, atendendo aos interesses de grandes empresas do setor.

Nestas horas, nunca é demais lembrar a célebre frase de Ulysses Guimarães, um líder político como não há mais, que ao ouvir de um colega que aquele era o pior Congresso que o país já tivera, advertiu: "Espere para o ver o próximo...".

Não nos esqueçamos que dia 5 de outubro temos eleições gerais, e não só para presidente da República. É a hora em que os eleitores podem dar a volta por cima e mandar muitos nobres parlamentares de volta para casa.

 

 

 

 

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dilma ok ok Governo X PMDB X PT: quem é que ainda aguenta isso?

Vamos falar bem a verdade: ninguém aguenta mais este interminável arranca-rabo entre o governo Dilma e os dois maiores partidos da base aliada em torno da troca de ministros e da formação dos palanques estaduais. Desde o final do ano passado, não há outro assunto em Brasília a não ser este varejão da política que consome todo o tempo do governo e dos partidos em reuniões que não decidem nada e só servem para marcar novas reuniões.

E tudo isso apenas por causa dos seis minutos que o PMDB tem na propaganda eleitoral ou alguém imagina que as divergências se devem à discussão de um projeto para o país visando os próximos quatro anos, caso a atual aliança seja reeleita? Ou alguém vai votar em Dilma porque ela tem o apoio do PMDB e Michel Temer como vice?

É tudo um grande teatro da política do absurdo que até agora só serviu para trazer ao palco principal uma figura menor do pior fisiologismo, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB carioca, que faz ameaças e fala como se fosse líder da oposição, mas não larga os ossos que tem no governo _ ao contrário, quer mais.

Como o PMDB não é um só partido, mas vários _ o do Sarney, o do Renan, o da bancada do Senado, o da bancada da Câmara e o dos "independentes" que só jogam contra _ a presidente da República é obrigada a falar com um por um separadamente, consumindo com a administração de picuinhas partidárias a agenda que deveria ser dedicada aos graves problemas que o país enfrenta em diferentes áreas.

Ainda não consegui descobrir onde Dilma quer chegar com a embromação desta reforma ministerial que se arrasta há meses, só dando munição para os candidatos da oposição e aos setores do empresariado cada vez mais contrariados com a presidente.

O melhor sintoma de que as coisas não vão bem, e falta um norte para o governo neste momento, é que de uns tempos para cá ninguém mais quer falar nem em off, ninguém atende às ligações no Palácio do Planalto, nem dá retorno. Cada um que escreva o que quiser porque o governo, tão cheio de certezas, não tem explicações a dar sobre o que está acontecendo.

Não dá para entender este comportamento defensivo do governo, enquanto as pesquisas lhe são amplamente favoráveis e a oposição continua se arrastando, mais preocupada em atacar Dilma do que em se apresentar ao eleitorado com propostas para o país.

Já estamos no terceiro mês de 2014, e até agora o Congresso não discutiu nem aprovou nenhum projeto importante para o país, não há sinal de qualquer mudança na condução da política econômica, que não vai bem das pernas, o norte do país se afoga nas águas e o sul corre risco sério de ter racionamento de água e de luz por causa da seca, a violência corre solta e novas greves ameaçam serviços públicos básicos.

Está na hora de virar o disco e cuidar do que realmente importa, pois ninguém suporta mais esta distância entre as reuniões sem fim de Brasília para administrar o presidencialismo de coalizão, que está com o prazo de validade vencido, e os grandes desafios do país real.

Afinal, faz alguma diferença para o caro leitor/eleitor saber quantos ministérios tem o PMDB ou o PT, e em quantos Estados os dois partidos estarão aliados nas eleições estaduais?

 

 

 

 

 

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92ccduyvda 5jqte8jfp6 file Eduardo Campos chuta o balde ao atacar Dilma

"O Brasil não quer mais Dilma".

"Dilma já está de aviso prévio".

O autor dos disparos acima é o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que nos últimos dias resolveu mudar de tática e resolveu chutar o balde ao atacar diretamente a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Há meses empacado nas pesquisas, o candidato da chamada "terceira via", que vinha fazendo uma dobradinha de oposição light com Aécio Neves, do PSDB, resolveu deixar de lado seu jeitão de nordestino cordato, sempre disposto a aparar arestas políticas com uma boa conversa. No último fim de semana, viajando pelo interior de Pernambuco, Eduardo mostrou a nova face da sua campanha.

Em Nazaré da Mata, o governador pernambucano foi direto ao assunto: "Não dá mais para ter quatro anos de Dilma que o Brasil não aguenta. O Brasil não aguenta e o povo brasileiro sabe disso. É no Brasil inteiro". Para ele, a adversária que lidera as pesquisas "acha que sabe de tudo, mas não sabe é de nada".

Eduardo Campos subiu ainda mais o tom ao falar  na manhã desta segunda-feira para um auditório lotado na Associação Comercial de São Paulo, tradicional reduto conservador. "O arranjo políitco de Brasília já deu o que tinha que dar (...). Eu poderia esperar até 2018, mas acho que nosso país não aguenta esperar".

Bastante aplaudido, o candidato repetiu críticas que os empresários vêm fazendo ao governo: "Para os agentes econômicos fica a impressão de que falta um olhar de longo prazo. Para onde estamos indo, o que vamos fazer?, perguntou, sem dar nem esperar respostas.

Até aqui vendido pelos marqueteiros como candidato da "nova política", uma opção à velha disputa entre PT e PSDB, Eduardo Campos foi apresentado aos empresários paulistas por ninguém menos do que Jorge Bornhausen, o mais vistoso símbolo do que há de mais reacionário na política brasileira, ex-expoente da Arena, do PDS e do PFL, um cacique que foi ministro de Fernando Collor e tinha muita força no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Hoje sem mandato, Bornhausen é agora o mais forte aliado de Eduardo Campos, depois de Marina Silva, que deve ser a sua vice da chapa do PSB. Se Marina já rodou o xale ao saber que Ronaldo Caiado estava na aliança, dá para imaginar como deve ter gostado da chegada do companheiro Bornhausen e da adesão de Roberto Freire, Heráclito Fortes, Inocêncio de Oliveira, etc. Nova política? Assim, o que vai sobrar para Aécio Neves?

O novo estilo belicoso do presidenciável socialista, que rompeu recentemente com o governo do PT, certamente tem muito a ver com a forma Jorge Bornhausen de fazer política. Pelo jeito, a guerra eleitoral já começou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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