ok2 A reestreia do velho faroeste entre o PT e o PSDB

A dez meses das eleições presidenciais, tivemos nesta terça-feira a reestreia de um velho filme que já vimos tantas vezes: o faroeste de acusações entre o PT e o PSDB. Desta vez, o enredo é uma confusa história baseada em documento apócrifo com denúncias contra altos dirigentes de governos tucanos em São Paulo enrolados com carteis no setor de transportes sobre trilhos, uma história antiga que se arrasta em investigações sem fim aqui no Brasil e na Suíça.

O tiroteio começou na quinta-feira passada, com uma reportagem do Estadão, que revelava pela primeira vez nomes do alto tucanato citados num relatório com denúncias sobre propinas, que teria sido entregue ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em abril, por um ex-diretor da Siemens, Everton Rheinheimer, e encaminhado à Polícia Federal.

Antes da semana acabar, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, veio a público para informar que o relatório foi entregue por ele mesmo e não pelo Cade à Policia Federal, depois de recebe-lo das mãos de Simão Pedro, deputado estadual licenciado do PT, atualmente secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo. Vinicius Carvalho, atual presidente do Cade, havia sido chefe de gabinete de Simão Pedro e, por isso, o PSDB pediu seu afastamento do cargo. Rheinheimer, por sua vez, negou ser o responsável pela denúncia.

Em meio a este imbróglio, o PSDB resolveu reagir e reuniu sua cúpula em torno do presidenciável Aécio Neves, em Brasília, para acusar o PT de ter forjado o documento para abafar a prisão dos condenados do mensalão.

"A tentativa de fazer com que outros pareçam iguais não terá êxito, porque nós não somos iguais. Prezamos e praticamos a ética na vida pública", disparou Aécio, depois de acusar o governo petista de manipular as instituições do Estado para prejudicar os adversários. Para os tucanos, o documento sobre o "trensalão" tucano é uma reedição do caso dos "aloprados" do PT que tentaram comprar um dossiê contra José Serra, em 2006.

Entre os tucanos mais revoltados estava o secretário estadual de Energia, José Aníbal, um dos nomes citados no suposto relatório. "Se a presidente não sabia desse episódio, agora sabe. Ou demite o ministro ou é cúmplice deste dossiê aloprado".

Horas depois de os tucanos terem pedido a sua cabeça, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo retrucou em entrevista coletiva: "Acho muito ruim que investigações sejam transformadas em disputa política. Somos todos iguais perante a lei. Só em mentalidades aristocráticas, elitistas e ditatoriais prevalece a ideia de que `conosco, não´. Se há denúncias, o ministro tem que pedir investigação. Se não, é prevaricação."

Em resposta ao PSDB, Cardozo afirmou que "a época do"engavetador geral já acabou" para justificar o envio do documento à Polícia Federal, talvez uma referência ao fato de que, durante quase três anos, o procurador Rodrigo de Grandis tenha engavetado o pedido de colaboração feito pela Justiça suíça às autoridades brasileiras.

Este filme não tem data para sair de cartaz. Provavelmente, continuará em exibição até 5 de outubro do ano que vem, dia das eleições.

 

 

 

 

 

 

 

 

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joaquim D. Joaquim I, o imperador do STF, é criticado por juízes

 

Em tempo (atualizado às 16h45):

Foi divulgado agora à tarde o laudo dos exames feitos por uma junta médica da UNB, a pedido do presidente do STF, Joaquim Barbosa, com a conclusão de que a doença cardíaca do deputado José Genoino não é grave e que não é "imprescindível a permanência domiciliar fixa". O destino do deputado, se ele volta para a Papuda ou não, agora depende de uma decisão de Barbosa. Ainda não foram divulgados resultados de outros exames para avaliar o estado de saúde de José Genonio, que foram feitos na noite de sexta-feira, a pedido do presidente da Câmara, Henrique Alves.

***

Não gostou do juiz encarregado da tarefa? Troque-o por outro mais de seu agrado. Quer uma data simbólica para determinar a prisão de réus condenados? Escolha o 15 de Novembro, Dia da Proclamação da República, mesmo que a decisão seja tomada açodadamente. Quer uma boa cobertura midiática? Junte todos os presos e os mande num avião para Brasília, sem esquecer de informar o roteiro à imprensa.

As últimas decisões polemicas adotadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal,  Joaquim Barbosa, que já vem sendo chamado em Brasília de D. Joaquim I, o imperador do STF, provocaram uma reação em cadeia de entidades representativas de magistrados e da Ordem dos Advogados do Brasil, que divulgaram nesta segunda-feira notas com duras críticas à troca do juiz titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos.

Barbosa não estava satisfeito com a atuação de Vasconcelos, responsável pela execução das penas dos condenados do mensalão, e conseguiu que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal nomeasse para o seu lugar o juiz substituto Bruno André Ribeiro, filho de um deputado distrital do PSDB. Para o TJ-DF, "o caso está em perfeita observância ao ordenamento jurídico".

Não é isso que pensam as entidades que representam os juízes. "Isso fere o preceito constitucional do juízo natural. Pelo menos na Constituição que eu tenho aqui em casa, não diz que o presidente do Supremo pode trocar juiz , em qualquer momento, num canetaço", afirmou o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa. "Não pode um despacho afastar um juiz de um processo sem justificativa, pois isso transmite a posição de que juiz que não decidir de acordo com o interesse deste ou daquele pode ser afastado."

Na mesma linha, a presidente da Associação de Juízes para a Democracia, Kenarik Boujukian, criticou o que chamou de "coronelismo no Judiciário" e solicitou esclarecimentos de Joaquim Barbosa. "Inaceitável a subtração de jurisdição depositada em um magistrado ou a realização de qualquer manobra para que um processo seja julgado por este ou aquele juiz", diz a nota da entidade, que cobrou esclarecimentos de Barbosa. "Se o presidente do STF não der explicações sobre o que ocorreu, ficaria sujeito à sanção equivalente ao abuso que tal ação representa".

Ainda na segunda-feira, o conselho pleno da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou por aclamação o envio de ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que seja verificada a regularidade ou não da substituição do juiz Ademar Vasconcelos. "Possuímos o compromisso constitucional de verificar o cumprimento do devido processo legal e do princípio do juiz natural", afirma a nota da OAB. O presidente do CNJ também é Joaquim Barbosa.

As divergências de Barbosa com Vasconcelos começaram logo após a decretação da prisão sobre o do tratamento a ser dado a José Genoíno, que foi preso em regime fechado com graves problemas de saúde após uma cirurgia no coração. Mesmo sem autorização de Joaquim Barbosa, que não respondeu a pedido feito pela Vara de Execuções Penais, o presidente da Câmara, Henrique Alves, determinou que ontem à noite uma junta médica examinasse Genoino, que agora está em prisão domiciliar, para decidir sobre o seu pedido de aposentadoria.

Alves negou que a ida da junta médica à casa onde está Genoino seja uma afronta ao STF. "O Supremo mandou fazer a sua perícia médica e essa casa quer fazer a sua, como Poder Legislativo. São coisas diferentes", justificou o presidente da Câmara, mas é certeza que teremos nova confusão pela frente.

Enquanto se discutem as questões político-jurídicas ou vice-versa, ficamos sabendo que José Genoino correu risco de vida antes de ser levado a um hospital, na quinta-feira, como está relatado na entrevista que minha colega Kamilla Dourado, do R7 de  Brasília, fez com a chefe dos médicos do Presídio da Papuda, Larissa Feitosa de Albuquerque Lima Ramos:

"Falamos para o juiz da Vara de Execuções Penais, fomos bem claros que estávamos preocupados com a saúde dele. Aqui na Papuda não temos condições de atender um caso como o dele. Como o quadro estava instável, nós falamos que ele não tinha condições de ficar no presídio porque não temos atendimento 24 horas. Quando acontece alguma emergência, temos que chamar o Samu ou usar a ambulância da Papuda. No caso dele, poderia não dar tempo e ser fatal" (ver matéria na íntegra aqui).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Novela do Trensalão fica cada vez mais enrolada

Aécio Neves

A semana chega ao fim sem se saber o que há de concreto nas denúncias publicadas esta semana por toda a imprensa, a partir de uma reportagem do Estadão, que pela primeira vez envolve nomes do alto tucanato no caso do Trensalão, o esquema de carteis e propinas que há anos ronda os governos do PSDB em São Paulo.

Ao contrário, a cada dia o caso fica mais enrolado, com acusações mútuas entre PT e PSDB, a partir das idas e vindas do principal denunciante, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que agora alega não ter assinado o documento entregue à Polícia Federal pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e não pelo Cade, como a princípio se noticiou.

jose Novela do Trensalão fica cada vez mais enrolada

No relatório que encaminhou ao PT no dia 17 de abril, Rheinheimer afirma ter em seu poder uma série de documentos originais, "que provam um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos Covas, Alckmin e Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do Caixa 2 do PSDB e do DEM".

Sete meses depois, não apareceu até agora nenhuma prova ou documento para sustentar as acusações do ex-diretor. Agora, quem quer esclarecer tudo é o PSDB. Neste sábado, no Rio, o presidenciável tucano Aécio Neves cobrou do ministro Cardozo esclarecimentos sobre seu envolvimento no caso que apura as denúncias do Trensalão.

"Meu partido defende que qualquer denúncia seja apurada com rigor, mas não pode haver precipitações, pré-julgamentos e muito menos a utilização da estrutura do Estado para um projeto político". Para o presidente do PSDB, "trata-se de um "atentado à democracia. O que temos percebido no Brasil é a utilização das instituições de Estado para um projeto político. Isso é extremamente grave, jamais aconteceu antes".

Em resposta, o ministro da Justiça afirmou que não há uso político do caso. "O Cade vive hoje uma situação semelhante à da PF. Quando você investiga aliados, se afirma que é um órgão que o ministro e a presidente não controlam. Quando você investiga adversários, fala-se que é instrumentalização (...) Qual é o papel do ministro da Justiça? É mandar apurar, com sigilo. Se não faço isso, prevarico". Segundo Cardozo, a PF vai apurar o vazamento das investigações, que deveriam correr em caráter de sigilo.

Enquanto isso, os principais veículos que se dedicam ao jornalismo investigativo poderiam mandar seus jornalistas para a Suíça, que parece mais interessada nas investigações, sem receber apoio das autoridades brasileiras, e às sedes europeias da Siemens e da Alstom, as principais empresas envolvidas no caso, e que já admitiram a participação no esquema de carteis. Custa mais barato, por exemplo, do que mandar um enviado especial para a região de Gaza ou para acompanhar os jogos do time de Felipão no exterior.

 

 

 

 

 

 

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É batata: choveu, a cidade simplesmente apaga. Mesmo que seja num sábado, como hoje, em poucos minutos os faróis de trânsito morrem, as ruas ficam alagadas, ninguém mais consegue andar para lado nenhum, nem de carro nem a pé. Melhor é ficar em casa e se recolher à sua insignificância, mas também isso se torna impossível.

Logo começa a sinfonia de buzinas de quem acha que o barulho das suas armas sonoras vai fazer o carro da frente andar e, desta forma, em sequência, todos os demais que estão à sua frente, deixando o caminho livre para chegar ao seu destino. Não sei se são pessoas otimistas demais ou simples idiotas. A bordo de seus carrões transatlânticos cada vez mais potentes, que nos anúncios vencem quaisquer obstáculos, eles acreditam mesmo na propaganda e no poder das buzinas.

O fato é que os idiotas estão perdendo a modéstia e se tornando cada vez mais espaçosos, como costuma reparar o ex-ministro Nelson Jobim, meu companheiro de bar nas manhãs de sábado, que, aliás, desta vez, não apareceu, certamente por causa da chuva.

Sem conseguir sequer ficar em casa para tirar um cochilo, já que não há outra coisa para fazer, você tem a brilhante ideia de comprar ingressos para assistir a uma bela peça de teatro que há tempos está nos seus planos. O problema é que o sistema está fora do ar, não tem hora para voltar, e o transito lá embaixo continua parado, indiferente à sinfonia de buzinas. E a gente não vai morar na roça porque lá não tem cinemas nem teatros...

Tanto faz quem seja o prefeito ou o partido no poder. Tem muitos anos que São Paulo desmancha a cada chuva mais forte. A cidade, simplesmente, apodreceu. Fica intransitável, os serviços em geral saem do ar (não sei por quanto tempo ainda resiste esta minha internet), a luz apaga, o elevador para, e o cidadão que conseguiu chegar em casa fica apenas pensando se são otimistas ou idiotas os que buzinam enquanto os faróis ficam piscando para ninguém, feito mariposas no meio da noite. Que diferença faz?

 

 

 

 

 

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familia do genuino A Lei sou eu: Justiça e vingança, a saga dos Genoino

Vou dar uma folga hoje ao jornalista que atende pelo mesmo nome e pedir licença a vocês para escrever este texto como velho amigo da família de José Genoíno, que é o que mais me importa neste momento. Para mim, embora ganhe a vida atualmente como comentarista político, o destino dos seres humanos sempre esteve acima de qualquer outra questão, ao longo deste quase meio século de carreira de repórter, em que procurei contar as histórias da minha terra e da minha gente, em sua grande maioria brasileiros anônimos.

De tanto ler ao longo da semana colunas, blogs e comentários nas redes sociais eivados de torpezas, vilezas, canalhices, sordidez, perversões, infâmias, sabujice, injúrias e safadezas, estava relutando em voltar ao assunto porque chega uma hora em que a indignação é tanta que as palavras chegam a perder o sentido, a gente já nem sabe o que dizer.

Mudei de ideia na manhã desta sexta-feira cinzenta em São Paulo, ao ler, na página A3 da Folha, o artigo do competente jornalista Carlos Brickmann, que pode ser acusado de tudo, menos de ser petista.

Escreve Brickmann: "Uma sociedade que, mesmo tendo razão ao reivindicar a aplicação rígida da lei, tenta extrapolar seus limites para atormentar ainda mais quem já foi punido pela privação da liberdade precisa se reavaliar. Com a prisão, os infratores foram punidos e a vingança da sociedade se realizou. Ir além é retroceder a épocas que já deveriam ter sido superadas".

O que boa parte dos jornalistas-pistoleiros acoitados na grande imprensa quer, na verdade, não é Justiça, mas vingança contra um partido político e seus dirigentes _ e José Genoíno, deputado federal e ex-presidente do PT, tornou-se seu principal alvo. "O que a lei prevê é a privação da liberdade, em diversos graus. A lei não prevê maus-tratos, não prevê castigos físicos, não prevê condições inadequadas de prisão", lembra Brickmann, com toda propriedade.

Como pode o mesmo Supremo Tribunal Federal que adotou a teoria do "domínio do fato", para punir mesmo sem provas ou atos de ofício, permitir que um homem gravemente doente do coração, como é do conhecimento geral da Nação, seja jogado num presídio em regime fechado quando foi condenado ao semiaberto?

Esta barbaridade já durava uma semana, quando foi momentaneamente suspensa para que Genoíno fosse levado a um hospital na tarde de quinta-feira, depois de declarar, em pé, na sala do diretor do presídio, aos colegas que foram visita-lo: "Entre a submissão e a humilhação, eu vou para a luta nem que leve a minha vida".

Filho de lavradores, nascido na comunidade de Várzea Redonda, em Quixeramobim, no Ceará, acolhido na casa paroquial de Senador Pompeu para que pudesse estudar, líder estudantil e ex-guerrilheiro, fundador do PT, parlamentar quase a vida toda, Genoíno é a prova viva da famosa frase de Euclides da Cunha, segundo a qual "o sertanejo é antes de tudo um forte". Por isso, não me surpreende a sua disposição de enfrentar as dificuldades de cabeça erguida.

Mas não é só ele: o que mais me comove em toda esta história é o comportamento de solidariedade permanente e absoluta de sua família, a pequena grande Rioco, que conheceu na prisão, e seus três filhos, Miruna, Ronan e Mariana, que estão sempre por perto na Papuda para zelar por sua integridade física e denunciar o tratamento desumano que lhe é dispensado desde que se apresentou à Polícia Federal.

Parafraseando Luís XIV, o rei absolutista da França, a quem é atribuída a frase "O Estado sou eu", José Genoíno e os demais políticos presos estão submetidos ao livre-arbítrio de Joaquim Barbosa e outros ministros, que adotaram o lema "A Lei sou eu", para atender à sanha de jornalistas e seus leitores ensandecidos, que não se conformam apenas com a condenação dos réus, mas querem humilha-los e, se possível, extermina-los.

"Por que obrigar pessoas próximas dos 70 anos a acocorar-se para fazer suas necessidades?", indaga em seu artigo o colega Carlinhos Brickmann, a quem agradeço por me dar as palavras que não encontrava para expressar meu sentimento de vergonha, dor e revolta. Sim, eu sei, são estas as condições degradantes em que vive a grande maioria dos presos no nosso país, mas nem por isso vou me conformar com a saga de sofrimento enfrentada pela família de Genoíno, em defesa da vida, enquanto se multiplicam as cenas de tripúdio explícito dos arautos da morte diante da dor alheia.

Aguenta firme, Genoíno, e manda um abraço para toda a família, e aos amigos Zé Dirceu e Delúbio, que espero reencontrar em breve, quando a lei for cumprida e eles passarem para o regime semiaberto ao qual foram condenados. Um dia, que espero não demore muito, a História fará Justiça com vocês.

Perdoem-me o desabafo, mas tem hora que o cidadão engole o jornalista. Jornalistas temos muitos; amigos, nem tanto.

Em tempo: o texto acima foi publicado às 10h44 desta sexta-feira.

veja A Lei sou eu: Justiça e vingança, a saga dos Genoino

Por alguma ironia na vida, a edição da revista "Veja" que vi na banca nesta manhã de sábado dá uma foto do presidente do STF, Joaquim Barbosa, de costas, sob o título "A lei".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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trem Aparecem primeiros nomes de tucanões do trensalão

"Tenho em meu poder uma série de documentos (originais) que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo durante os governos Covas, Alckmin e Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do "Caixa 2" do PSDB e do DEM" (trecho do relatório entregue no dia 17 de abril ao conselho Administrativo de Defesa do Consumidor (Cade) pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que foi encaminhado à Polícia Federal).

Sete meses depois, a revelação foi feita nesta quinta-feira pelo Estadão, o jornal que melhor vem acompanhando este caso sobre as denúncias de corrupção envolvendo membros dos três últimos governos tucanos no chamado trensalão paulista, um esquema de cartéis e propinas, que causou enormes prejuízos ao Estado.

Pela primeira vez, aparecem na denúncia feita ao Cade os nomes de integrantes do alto tucanato. São eles: Edson Aparecido, secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin; senador Aloysio Nunes Ferreira, político historicamente ligado a José Serra, além de três secretários do atual governo do PSDB, José Aníbal (Energia), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos e Rodrigo Garcia (desenvolvimento Econômico), antigo aliado de Gilberto Kassab, atualmente rompido com o ex-prefeito. Também foi citado o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), velho aliado dos tucanos paulistas.

Até agora, só tinham aparecido nas investigações figuras menores do esquema, como alguns ex-diretores do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), lobistas e consultores. Por enquanto, só foram indiciados criminalmente pela Polícia Federal João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, e Arthur Teixeira, controlador da Procint Projetos e Consultoria Internacional.

Também é a primeira vez que se fala abertamente em formação de "Caixa Dois" dos governos PSDB-DEM, já que antes só se fazia menções à formação de um cartel pelas multinacionais Alstom e Siemens, entre outras. Manchete do Estadão na página A4: "Ex-diretor da Siemens aponta caixa 2 de PSDB e DEM e cita propina a deputados".

Os citados na reportagem de Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Fausto Macedo negaram as acusações de recebimento de propinas ou não foram encontrados pelo jornal. O PSDB de São Paulo, em nota oficial, repudiou as acusações feitas pelo ex-diretor da Siemens.

Rheinheimer, que foi diretor da Divisão de Transportes da Siemens por 22 anos, tendo deixado a empresa em março de 2007, é o autor da carta anônima que deflagrou a investigação do cartel de trens, em 2008, e fez um acordo de delação premiada em troca de uma eventual redução de pena. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor Everton Rheinhaimer se disse disposto a contar tudo o que sabe, mas pediu em troca um cargo na mineradora Vale, que negou ter alguém com este nome no seu quadro de funcionários.

De uns dias para cá, parece estar se rompendo a cortina de proteção em torno das denúncias contra políticos e governos tucanos. Também nesta quinta-feira, a Folha, principal concorrente do Estadão, publicou um editorial sob o título "O outro mensalão", em que afirma: "STF não pode mais atrasar julgamento da ação sobre esquema de corrupção do PSDB em Minas, praticado na campanha eleitoral de 1998." E conclui: "Após o desfecho do processo do mensalão petista, a Suprema Corte brasileira não pode dar espaço à interpretação de que funciona em regimes distintos de acordo com a coloração partidária dos acusados".

Foi mais ou menos o que escrevi aqui na semana passada, num texto em tom de ironia, sob o título "Imprensa vai fazer força-tarefa para investigar tucanos".

 

 

 

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 Atacada por todos os lados, qual o segredo de Dilma?

Atacada diariamente pelo pensamento único da grande mídia, por grupos de financistas e empresários, analistas econômicos e especialistas em geral, largos setores do PMDB e até do PT, os seus principais partidos aliados, com problemas sérios na economia e no Congresso, o noticiário negativo do mensalão e tudo mais jogando contra, como explicar a cada vez mais folgada liderança da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas para 2014 (no último Ibope, tinha mais intenções de voto do que o dobro dos seus prováveis adversários somados)?

A cada nova pesquisa, esta é a pergunta que mais me fazem. Acho que a causa desta aparente contradição é demográfica e geográfica: o lugar onde moro e o meio social em que convivo é o mais crítico em relação ao governo do PT desde a primeira eleição de Lula e o mais refratário à revolução social que se deu no país nos últimos anos. Este Brasil velho e o novo Brasil são dois países que não se cruzam.

O maior eleitorado, tanto de Dilma como de Lula, vive nas regiões mais pobres e distantes do país, não costuma ler jornais nem acompanha blogueiros limpinhos, e ainda tem, sim, maiores dificuldades de acesso à educação e à saúde, mas sente que a sua vida melhorou na última década. Por isso, quer a continuidade deste governo, como mostram todas as pesquisas.

Enquanto a parte mais rica da população discute os aspectos ideológicos da importação de cubanos para o Mais Médicos e critica os programas sociais do governo, que chamam de assistencialistas, para quem nunca teve assistência médica, nem acesso à casa própria, vivia sem água e sem luz, sem renda e sem emprego, os governos petistas representaram uma radical mudança em suas vidas.

Claro que todo mundo quer muito mais e melhor depois que as necessidades básicas foram atendidas, tanto que, na mesma pesquisa Ibope, 38% dos entrevistados responderam esperar que o presidente "mudasse muita coisa". Creio que está correta a avaliação feita pelo marqueteiro João Santana, o grande guru de Dilma: "A pesquisa é clara: os brasileiros querem mudanças no governo, e não mudança de governo. A magia está na preposição".

A maioria da população, que vive no Brasil real, não está muito interessada em discutir o PIB, a balança comercial, o câmbio, os mensalões, os cartéis e as máfias, mas quer saber se tem emprego e renda para pagar suas contas no fim do mês, se tem escola para mandar seus filhos e posto de saúde com médicos e remédios para os casos de necessidade. Acho que isto ajuda a responder à pergunta do título, já que em nenhum momento Dilma se afastou da sua prioridade de governar para os mais necessitados e combater a miséria.

Para este largo contingente de eleitores, fica difícil trocar o certo pelo duvidoso, até porque a mídia ainda não encontrou um candidato de oposição para bancar e os que aí estão não conseguem dar qualquer esperança, uma ideia ou proposta nova que seja, de que, com a vitória deles, a vida dos brasileiros vai melhorar.

Muitos podem até não gostar do jeitão da presidente e do governo dela, mas quando olham em volta, encontram o que? Serra infernizando a vida de Aécio, e Marina e Eduardo, que disputam a mesma vaga, encantando o pessoal da grana pesada de São Paulo, que não tem muitos votos, como se sabe. Enquanto os quatro se limitarem a criticar Dilma, os números das pesquisas não mudam.

Em 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, tucanos acharam que era só deixar Lula sangrar que logo o velho poder estaria de volta ao Palácio do Planalto. Faltou combinar com o povo, que continua com Lula e Dilma, como mostraram todas as últimas eleições.

Por falar nisso, os dois continuam sendo duas entidades numa só e todos os esforços feitos ao longo de quase três anos para intriga-los ou separá-los foram em vão. Talvez os nossos bravos analistas políticos não saibam de um trato que Dilma e Lula fizeram logo no início do governo dela.

A cada 15 dias, chova ou faça sol, os dois têm um encontro particular, em Brasília ou São Paulo, para juntos fazerem uma análise da situação e discutir os caminhos a seguir. Isto evita o fogo amigo das corriolas de um e de outro e mata no nascedouro qualquer tentativa de afastar criador e criatura. Até agora tem dado certo e pode nos ajudar a entender melhor o segredo da renitente popularidade de Dilma Rousseff.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Título do Balaio de segunda-feira, 18/11/2013:

"Imprensa vai fazer força-tarefa para investigar tucanos".

Título da Folha (página A10) desta terça-feira, 19/11/2013:

"Mensalão tucano fica para início de 2014".

Para quem já tinha perdido as esperanças de que um dia este caso chegasse ao plenário do STF, trata-se de uma boa notícia, mas não tem nada a ver com o que escrevi na segunda-feira, um texto irônico sobre o diferente tratamento dado pela grande mídia nacional ao PT e ao PSDB. Tive mais sorte que o Antônio Prata: ninguém levou meu artigo a sério.

Nem teria dado tempo para a imprensa mobilizar seus esquadrões investigativos para desenterrar os processos que envolvem tucanos. Segundo o jornal, julgar o mensalão tucano ainda no primeiro semestre de 2014 "é a expectativa no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, atual relator do processo no STF". Barroso, o ministro mais novo do tribunal, herdou o processo que estava com Joaquim Barbosa, hoje presidente do STF, e que nunca deu maior importância ao assunto, embora o mensalão tucano, chamado na imprensa de "mensalão mineiro" ou de "valerioduto", fosse sete anos mais velho do que o petista.

Pode ser que agora o país fique sabendo o que aconteceu realmente com o uso de dinheiro público para a compra de apoio político na eleição para governador de Eduardo Azeredo, quando Fernando Henrique Cardoso era candidato à reeleição em 1998 _ ou seja, o caso já se arrasta há 15 anos.

esse Até que enfim: em 2014, STF verá mensalão tucano

Azeredo perdeu a eleição, hoje é deputado federal pelo PSDB de Minas  e tem prazo até o próximo dia 22 para pedir providências do relator. O revisor é o ministro Celso de Mello. Ao final da tramitação, o revisor encaminha o processo ao presidente do STF, que definirá a data para levá-lo ao plenário.

***

Título do Balaio de quinta-feira passada, 14/11/2013, no dia seguinte à decisão do STF de mandar os condenados do mensalão imediatamente para a cadeia:

"Prisões do mensalão não deverão influir nas eleições de 2014".

Título da Folha desta terça-feira (página A10) sobre a nova pesquisa Ibope divulgada ontem:

"Dilma seria eleita ainda no 1º turno, diz Ibope".

De vez em quando a gente acerta.

Registre-se que a pesquisa do Ibope foi a campo entre os dias 7 e 11 de novembro, antes, portanto, da decisão do STF, mas nada indica que os números seriam muito diferentes caso o levantamento tivesse sido feito depois.

No caso da previsão de que o mensalão não deve ter maior influência nas eleições do ano que vem, baseei-me, sem nenhuma ironia, no que aconteceu nas eleições presidenciais de 2006, no auge dos ataques contra o governo, quando Lula foi reeleito por larga margem, e em 2010, em que o ex-presidente mais bem avaliado da história fez de Dilma Rousseff a sua sucessora.

Ao contrário do que poderiam esperar a oposição e a mídia aliada, todo o noticiário sobre o mensalão com críticas ao PT em nada abalou o favoritismo de Dilma em 2014: até aumentou a diferença da presidente em relação aos seus mais prováveis concorrentes, Aécio Neves e Eduardo Campos.

Dilma tinha 41% e foi para 43%, enquanto Aécio permanecia empacado em 14% e Eduardo Campos istrava uma queda de 10% para 7%, voltando a um dígito.

dilma ok Até que enfim: em 2014, STF verá mensalão tucano

Só Dilma sobe e aumenta a diferença / Foto: Montagem/R7

O que mais me chamou a atenção nesta pesquisa _ e por isso me referia Aécio e Eduardo como de adversários mais prováveis _ é que ambos ficam com índices bem abaixo das suas sombras, José Serra e Marina Silva, respectivamente. A grande disputa, pelo menos até março, abril, não vai se dar entre governo e oposição, mas dentro do PSDB e do PSB para ver quem será o cabeça de chapa.

Ontem, por exemplo, em nova pajelança tucana, desta vez em Poços de Caldas, Minas, com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador paulista Geraldo Alckmin, José Serra simplesmente fez questão de não aparecer, fato da maior relevância que a imprensa procurou esconder. E a palavra que mais se ouviu nos discursos foi "unidade". Enquanto isso, Eduardo Campos continuava sua romaria para criticar o governo em encontros com empresários e financistas de São Paulo, que têm muitos recursos, mas escassos votos.

Apesar de todo o barulho, os ventos continuam soprando a favor da presidente Dilma Rousseff, que procura manter seu governo o mais distante possível das discussões sobre o mensalão. Os números do Ibope apenas confirmam o acerto da estratégia. Resta saber como reagirão setores do PT, que vêm cobrando uma posição mais afirmativa de Dilma na defesa dos companheiros presos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Imprensa vai fazer força tarefa para investigar tucanos

Peço licença ao colega Antônio Prata, legítimo herdeiro do Mário Prata, para usar de sua fina ironia neste artigo sobre a "isenção" e a "independência" da mídia brasileira no caso do julgamento e da condenação dos dirigentes do PT, mas já vou logo avisando, para evitar mal entendidos, que se trata de um texto de ficção.

Assim que foram proclamadas as sentenças do STF na quarta-feira, os altos dirigentes do instituto Os Milenares, que reúne a nata da imprensa brasileira, fizeram uma reunião de emergência destinada a formar uma força-tarefa com representantes de todos os veículos para investigar os malfeitos tucanos, do mensalão mineiro ao trensalão paulista, passando pela compra de votos e as privatizações no governo FHC, assuntos que nem foram lembrados nestes dias pelos colunistas e editorialistas da confraria.

Pega mal, lembrou alguém, não utilizar os mesmos perdigueiros do "jornalismo investigativo" para descobrir o que acontece, afinal, com os processos envolvendo o PSDB _ eles sempre surgem e desaparecem da mídia como num passe de mágica, sem que nunca se tenha notícia sobre a que conclusões chegaram e quem foram os agentes públicos punidos por ações não republicanas.

Basta dizer que o mensalão tucano, criado em 1998, é sete anos mais velho do que o do PT, denunciado em 2005. Alguém sabe que fim levou? Até onde sei o processo encontrava-se sob os cuidados do mesmo ministro Joaquim Barbosa que comandou com mãos de ferro o julgamento dos petistas. Uma vez perguntaram a ele, coisa rara, porque ele nunca falava sobre o mensalão tucano. A resposta não poderia ser mais singela: "Porque vocês nunca me perguntam...".

Ou seja, a parceria da imprensa com o Judiciário sempre depende...  _ depende de quem são os réus. Cabe agora à força-tarefa, que deverá entrar em ação imediatamente, procurar equilibrar novamente a balança, fuçando nos papéis do Judiciário, da Procuradoria Geral, das Promotorias Públicas e onde mais for necessário tudo o que já foi ou deixou de ser investigado.

Vale a pena até fazer um esforço extra e mandar enviados especiais à França e à Suíça, que já estão muito mais adiantados em alguns casos, como os da Siemens (ré confessa) e da Alstom, empresas envolvidas da formação de cartéis que fizeram a festa no trensalão paulista ao longo de três governos tucanos.  Mais difícil, ao que parece, é chegar aos nativos que participaram do esquema em variados escalões. Aí é que a porca torce o rabo e entra em cena o procurador Rodrigo de Grandis, que há quase três anos não consegue colocar os processos na pasta certa para atender às demandas dos investigadores suíços.

Para quem diz que o Brasil agora é outro e nunca mais será o mesmo, trata-se de um bom começo: fazer com que as leis valham para todos da mesma forma, com a inestimável e prestimosa ajuda da nossa grande imprensa. Manchetes, primeiras páginas, fotos rasgadas, colunas, blogs, telejornais, programas de rádio, portais, quantas páginas e espaços forem necessários, tudo será disponibilizado imediatamente para que a força-tarefa possa apresentar seus primeiros resultados já nos próximos dias.

Só assim os possíveis crimes cometidos não prescreverão e os responsáveis serão devidamente punidos com o rigor da lei. Quem sabe estas reportagens inéditas sobre o PSDB poderão até render grandes prêmios jornalísticos aos veículos e aos seus profissionais, agora liberados para investigar tudo que encontrarem pela frente, não importa a cor do rato, como diziam os chineses. O último de que me lembro nesta área foi o de Fernando Rodrigues, que ganhou o Esso com a reportagem sobre a compra de votos, nos anos 1990 do século passado.

Mãos à obra, rapazes. Os poderosos chefes do Instituto Os Milenares darão toda a retaguarda e todos os meios para que vocês façam um belo trabalho e acabem de vez com estes mistérios tucanos, que nunca chegam ao plenário do Supremo Tribunal Federal e geram tantas desconfianças.

Vamos mostrar o valor da nossa imprensa que não tem rabo preso, muito menos candidatos ou partidos de sua predileção. Se nenhum deles vingar, pode-se fazer uma pesquisa nos nossos tribunais superiores para ver se há entre os togados algum salvador da pátria bom de votos.

 

Assunto não falta. É só recuperar os próprios arquivos e dar sequência aos trabalhos, indo fundo na apuração até chegar ao ouro. Quem vos fala não tem nome nem cargo, é apenas a voz da consciência que deve estar pesando ao ver que José Genoíno está preso e dar uma olhada em volta para ver quem está solto.

 

 

 

 

 

 

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TOQUE-TOQUE PEQUENO (SP) A notícia correu depressa pela praia logo cedo. "Deu muito carapau hoje, a rede veio cheia..." Quando cheguei na barraca dos pescadores, já tinha acabado tudo, mas nesta hora é bom ter amigos. O velho Dico, meu vizinho, vendo meu desconsolo, me arrumou logo dois belos exemplares para o almoço republicano desta sexta-feira (15).

Nada como limpar um peixe que acabou de sair do mar. Logo pensei nos restaurantes finos de São Paulo que sempre oferecem um prato chamado "peixe do dia". Os garçons geralmente nao sabem qual é o peixe, mas também não faz muita diferença. Todos têm o mesmo gosto. Não são pescados, mas descongelados no dia.

Depois de deixar tudo preparado para o almoço, fui dar uma volta pela praia para tomar um aperitivo, pois ninguém é de ferro. Fiquei reparando nas barracas e nas sombras dos guarda-sóis apinhadas de gente, aproveitando o belo dia de sol, depois de 10, 12 ou mais horas de viagem parados nos congestionamentos.

Reparei que até onde minha vista alcançava ninguém estava lendo jornais ou revistas e nos assuntos não entravam tufões, mensalões, trensalões ou máfias de fiscais, os temas predominantes antes de se descer a serra. Parece que as montanhas separam um mundo do outro e logo que se vê o mar a vida ganha outra beleza.

praia ok Um lugar onde o peixe do dia é do dia mesmo

No meu caso, o problema não foi o trânsito na estrada porque procurei sair mais cedo, mas o velho notebook que simplesmente não deu sinal de vida. Passei estes dois dias tentando arrumar algum aparelho que funcionasse e tivesse  conexão com alguma rede. Nada. Até que na manhã desta sexta-feira (15), Renato Coto, dono do bar Barracuda me arrumou uma máquina em perfeito estado de funcionamento e conectada ao seu wi-fi, que está funcionando.

transito Um lugar onde o peixe do dia é do dia mesmo

O problema é que o teclado é espanhol, não acho os acentos, tem letras fora do lugar, mas não queria ficar outro dia sem escrever, embora não tenha nada de muito importante a contar, a não ser mandar toda minha força e solidariedade aos amigos José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, que cumpriram a ordem de se entregar com toda a dignidade.

Antes que me esqueça, e como nada mais posso fazer, só quero dizer que a história ainda vai fazer Justiça com vocês. Espero estar vivo  para encontrar com vocês neste dia e podermos fazer um brinde à luta e à vida, tomando uma cervejinha e assando um carapau na brasa como o que comi ontem.  O tempo corre mais depressa do que a gente pensa.

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