corinthians O ano cinza que virou festa em preto e branco

Se me pedissem para escolher uma cor capaz de pintar como foi o ano de 2012, eu votaria no cinza. E assim o ano já ia acabando, sem muita graça ou desgraça, quando o Corinthians fez explodir no Japão e aqui a grande festa em branco e preto, que se espalhou na manhã desta terça-feira nas ruas de São Paulo ao longo do desfile dos bicampeões mundiais.

Mesmo para quem não é corintiano, como é o meu caso, foi bonito de ver esta festa em que jogadores, torcedores, dirigentes, membros da comissão técnica e quem estivesse pela rua, todos juntos gritando "o campeão chegou, o campeão chegou".

Ali todos se sentiam heróis numa comemoração comovente como faz muito tempo a cidade não via. Do alto do trio elétrico, os jogadores balançavam bandeiras do clube que se enroscavam nas dos torcedores e ficava difícil saber quem era quem nesta bela manifestação do mais puro corinthianismo.

Ninguém reclamou do transito, policiais também aproveitavam para tirar fotos e pedir autógrafos aos campeões, nada foi quebrado no caminho.

Bem que os brasileiros de São Paulo, em sua maioria corintianos, mereciam esta alegria, uma festa sem donos, ao final de um ano que não foi fácil e não deixa muita saudade, mas várias pendências não resolvidas.

Foi o ano de uma eleição municipal que não empolgou, abafada pelo protagonismo do Judiciário com o julgamento do mensalão, que deixou o Executivo e o Legislativo em segundo plano, sem avançar nas reformas e nos projetos de infraestrutura que o país tanto reclama, com a economia crescendo bem menos do que se esperava, num clima de crises e denúncias sem fim.

Nada se avançou, por exemplo, na reforma política em que os partidos não conseguem encontrar pontos mínimos de consenso, e já é certo que não se votará este ano sequer parte dela, como informa Ilimar Franco, na coluna Panorama Político, do "Globo".

No mesmo dia em que o STF encerrava o julgamento do mensalão com a cassação de três deputados, provocando reações na Câmara, o ministro Luiz Fux determinou por liminar a suspensão da análise dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto de lei sobre a distribuição dos royalties do petróleo.

Da mesma forma, está emperrada na Câmara a votação da MP do Setor Elétrico enviada pela presidente Dilma Rousseff para baratear as tarifas de energia, uma das suas principais promessas de 2012, que vai ficar para 2013.

Os novos projetos para aliviar os gargalos de portos e aeroportos também chegam ao final do ano como começaram: não passam ainda de projetos. Obras antigas do PAC, como a Transnordestina e a Transposição das Águas do São Francisco, seguem a passos lentos, furando todos os prazos para conclusão.

Para onde se olha, há atrasos, impasses, embates, mas ao mesmo tempo o Brasil conseguiu chegar ao final do ano com juros menores, inflação sob controle, e emprego e renda em alta, o que explica os elevados índices de aprovação popular da presidente Dilma Rousseff em todas as pesquisas.

Nestas horas, olhando para o copo meio cheio ou meio vazio, dá até vontade de ser corintiano para ver 2013 com mais otimismo e apagando o cinza da paisagem.

 

 

 

 

 

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kotscho STF cassa deputados: está criado o impasse

Atualizado às 20h02:

Em entrevista coletiva concedida agora há pouco, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), jogou mais lenha na fogueira do impasse criado com a decisão do STF. "A decisão tomada pelo tribunal não encerra o assunto. É uma ingerência indevida que não dialoga com o bom entendimento entre os poderes".

Maia informou que procurou a Advocacia-Geral da União para encontrar um enbasamento jurídico que garanta o não cumprimento da decisão do tribunal sobre a cassação dos mandatos dos parlamentares condenados no processo do mensalão.

Aguardam-se os próximos capítulos.

***

Ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o comportamento de quem, não demonstrando o devido senso de responsabilidade, proclama que não vai cumprir a decisão do Supremo (...). A insubordinação legislativa a uma decisão judicial revela-se comportamento intolerável, inaceitável e incompreensível".

Deputado Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados: "Não estamos numa ditadura onde a Constituição não é respeitada. Se o STF cassar os parlamentares, isso será inconstitucional. Quem cassa mandato de deputado é o parlamento. (...) Pode não se cumprir a medida tomada pelo STF. E fazendo com que o processo de cassação tramite na Câmara dos Deputados, normalmente, como prevê a Constituição. Isso não é desobedecer o STF. É obedecer à Constituição".

Ao final do mais longo julgamento da história, o Supremo Tribunal Federal cassou, por 5 votos a 4, na tarde desta segunda-feira (17), os mandatos dos deputados federais João Paulo Cunha, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto, 3 dos 25 condenados no processo do mensalão.

Está criado o impasse entre o Supremo Tribunal Federal e a Câmara dos Deputados. Celso de Mello, ao proferir seu voto, ameaçou processar os responsáveis por prevaricação, caso a decisão do STF não seja cumprida, crime que consiste em "retardar ou deixar de praticar indevidamente atos de ofício ou praticá-los contra disposição expressa de lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal", com pena que vai de três meses a um ano de prisão.

Em várias declarações que antecederam a sessão de hoje, Marco Maia defendeu que a última palavra é do Legislativo e que uma interpretação contrária representaria uma afronta à autonomia do Congresso e poderia gerar "um impasse institucional sem precedentes na história recente da política nacional".

A maioria dos ministros decidiu que uma condenação criminal transitada em julgado leva à cassação de direitos políticos e, consequentemente, à perda de mandato. Caberia à Câmara apenas formalizar a decisão.

O revisor Ricardo Lewandowski discordou da maioria e teve o apoio de três ministros (Dias Toffoli, Rosa Weber e Cármen Lúcia). "Não estamos acima de outros poderes. Em nenhuma hipótese, o Congresso Nacional poderá rever o que nós decidimos aqui quanto à condenação. Mas nós, em contrapartida, também não podemos nos intrometer no juízo político de cassação de mandato".

Para Rosa Weber, "um parlamentar não pode perder o mandato por decisão de outro poder, já que foi eleito pela soberania popular".

Sem citar nomes, Celso de Mello fez duras críticas ao corporativismo da Câmara: "Equivocado espírito de solidariedade não pode justificar afirmações politicamente irresponsáveis, juridicamente inaceitáveis, de que não se cumprirá uma decisão do STF revestida da autoridade da coisa julgada".

E agora, como fica? O que pode acontecer? Se os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal ficaram divididos sobre a questão, como demonstra o apertado placar final, como é que eu vou saber?

Só uma coisa é certa: a saída para esse impasse ainda deverá tomar algum tempo, pois a medida hoje aprovada só poderá ser aplicada depois que as sentenças tiverem transitado em julgado e não houver mais possibilidade de recursos contra as condenações.

Depois de 53 sessões em 138 dias de julgamento, com penas que somam 282 anos de prisão para 25 condenados, ainda vamos ter que esperar algum tempo para saber como e quando tudo vai acabar.

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lula dilma mat 201011011 Datafolha: De onde vem a força de Dilma Lula?

"Se a eleição fosse hoje, Dilma ou Lula venceriam", anuncia a manchete da "Folha" deste domingo para surpresa dos muitos analistas da grande imprensa que nos últimos meses chegaram a prever o fim da hegemonia do PT e das suas principais lideranças, que em janeiro completam dez anos no comando do país.

Após sofrer o mais violento bombardeio midiático desde a sua fundação, em 1980, o PT chega ao final de 2012, em meio do seu terceiro mandato consecutivo no Palácio do Planalto, como franco favorito para a sucessão presidencial, sem adversários à vista, segundo o Datafolha.

Os dois petistas estão praticamente empatados: Dilma teria 57% dos votos e Lula, 56%, ambos com mais votos do que todos os adversários juntos.

Na pesquisa espontânea, Lula, Dilma e o PT chegariam a 39%, enquanto os candidatos de oposição somariam apenas 7%.

A grande surpresa da pesquisa é a força demonstrada por Marina Silva (ex-PT e ex-PV), que ficaria em segundo lugar nos quatro cenários pesquisados.

O curioso é que Marina, que teve 19,3% dos votos na eleição de 2010, está há dois anos sem partido, desaparecida do noticiário político, e chega a 18% das intenções de voto na pesquisa estimulada, bem acima do principal candidato da oposição, o tucano Aécio Neves, que oscila entre 9% e 14%.

Por mais que a mídia se empenhe em jogar criador contra criatura, a verdade é que a atual presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecem formar uma entidade só, a "Dilmalula" _ e é exatamente daí que emana a força da dupla, cada um fazendo a sua parte no intricado jogo do poder.

Dilma, que até aqui vem sendo preservada pela imprensa, mais preocupada em destruir a imagem de Lula e do seu governo, saiu esta semana em defesa do ex-presidente quando se tornaram mais violentos os ataques _ e foi bastante criticada por isso.

Mas é exatamente na leladade entre os dois, tanto pessoal como no projeto político, que se baseia esta parceria aprovada por 62% da população brasileira, de acordo com a pesquisa CNI-Ibope divulgada esta semana.

Desde a posse em janeiro do ano passado, Dilma e Lula combinaram de se encontrar a cada 15 dias para conversar pessoalmente sobre os rumos do governo, afastando assim as intrigas que costumam frequentar os salões palacianos.

O resultado está aí: com julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e novas denúncias contra o PT e Lula quase todos os dias, as pesquisas msotram que a grande maioria da população continua satisfeita com o governo e quer que ele continue.

No auge do bombardeio dos últimos dias, e certamente ainda sem saber os resultados das pesquisas, Gilberto Carvalho, ministro da secretaria-geral da Presidência da República, amigo tanto de Dilma como de Lula, desabafou:

"Os ataques sem limites que estão fazendo ao nosso querido presidente Lula têm um único objetivo: destruir nosso projeto, destruir o PT, destruir o nosso governo".

Pelo jeito, até agora não conseguiram. Ao contrário, apenas revelaram o tamanho do abismo que existe hoje entre o mundo real dos brasileiros, que vivem melhor do que antes, e o noticiário dos principais meios de imprensa, que coloca o país permanentemente à beira do abismo, envolvido em crises sem fim.

Isso talvez explique também porque aumentou, no mesmo Datafolha, o índice dos que não confiam na imprensa, que passou de 18% em agosto para 28% em dezembro.

Por tudo isso, penso que é hora do PT sair da defensiva e contar ao país e aos seus militantes o que está em jogo neste momento, dizendo de onde partem e com que interesses os ataques denunciados por Gilberto Carvalho.

 

 

 

 

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DilmaRousseff1 CNI/Ibope: Dilma fica acima das crises

Foto: Roberto Stuckert Filho

A nova pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira mostra que a maneira de governar da presidente Dilma Rousseff bateu novo recorde, chegando a 78% de aprovação, o maior desde o início do seu mandato, em meio ao bombardeio da mídia contra o PT e seus principais dirigentes.

Além e acima das crises que se multiplicam no noticiário, a avaliação positiva do governo Dilma se manteve estável com 62% de "ótimo" ou "bom". Para apenas 7% dos brasileiros, o governo é considerado "ruim" ou "péssimo".

Embora a pesquisa tenha registrado um aumento de 14% para 18% das notícias mais desfavoráveis entre setembro e outubro, e uma queda de 29% para 24% das favoráveis, nada disso atingiu a popularidade da presidente.

Entre os assuntos mais lembrados pelos entrevistados nestes três meses estão o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, a redução do custo da tarifa de energia, a operação Porto Seguro e a CPI do Cachoeira.

Nada disso foi capaz de abalar a popularidade da presidente, que é superior mesmo à do ex-presidente Lula que no mesmo período do seu primeiro governo tinha 41% de "ótimo" e "bom".

Para 59% dos pesquisados, o governo Dilma é avaliado como sendo igual ao de seu antecessor após os primeiros dois anos.

Diante desses números, pode-se esperar mais pancadaria contra o governo Dilma, o ex-presidente Lula e o PT. Como mostram os números, a opinião pública já não está obedecendo aos antigos formadores da opinião pública.

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fernando haddad Briga por cargos já ameaça lua de mel de Haddad

A 18 dias da posse como novo prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad já sofre as primeiras dores do "governo de coalizão".

Sem enfrentar maiores dramas para montar seu secretariado, compondo uma boa equipe de governo mesclada de técnicos e políticos, e construir maioria na Câmara Municipal, o primeiro choque de Haddad com a base aliada surgiu na hora de preencher os cargos do segundo escalão.

Com a decisão de trocar os 31 coronéis da PM nomeados por Gilberto Kassab para tomar conta das subprefeituras por engenheiros de carreira, Haddad conseguiu descontentar meio mundo.

O PSD de Kassab queria manter pelo menos alguns deles e nomear outros ligados a vereadores do partido, enquanto o PT já tinha listas prontas de quadros do partido para ocupar as subprefeituras.

O novo subsecretário de Coordenação das Subprefeituras, Chico Macena, ainda tentou argumentar numa reunião com vereadores petistas que a decisão era provisória porque o prefeito não teria tempo de fazer as composições políticas antes da posse, mas não conseguiu acalmar seus colegas. A decisão contrariou até o vereador petista José Américo, indicado peloa coalização do prefeito para assumir a presidência da Camara.

"Não muda nada trocar um coronel por um engenheiro de carreira. O subprefeito vai continuar sem conhecer as verdadeiras demandas da população", disse um membro da bancada petista ao repórter Diego Zanchetta, do "Estadão".

A nomeação de subprefeitos não é o único problema enfrentado com o PSD, cujos oito vereadores ainda não assinaram apoio à candidatura de José Américo.

"A relação com o PT deixou de ser boa. Regredimos muito", constata o vereador Marco Aurélio Cunha, líder do PSD na Câmara, que estuda até lançar uma candidatura própria para disputar com Américo.

Outro motivo de descontentamento dos kassabistas é a entrega da 1ª secretaria, que eles reivindicavam, para o PSDB, pela regra de proporcionalidade das bancadas.

Indicado para o cargo de Secretário do Verde e do Meio Ambiente no início do mês, o vereador Ricardo Tripoli, do PV, o mais votado na capital, agora ameaça não assumir o corgo por divergir da não cobrança de taxa de inspeção veicular para veiculos novos, uma das promessas de campanha de Haddad.

A bancada do PV tem quatro vereadores e também ainda não fechou com a candidatura de José Américo. Outros partidos da base aliada, como o DEM e o PR, estão de olho nos cargos de segundo escalão e nas subprefeituras.

Quando parecia que tudo caminhava para uma transição pacifíca na Prefeitura de São Paulo, o clima de lua de mel da posse de Fernando Haddad já parece ameaçado pelos mesmos problemas de sempre: a divisão do bolo do poder entre partidos aliados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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lula e dilma Ofensiva contra Lula não tem mais limites

Lula e Dilma ontem em Paris. (Foto: Ricardo Stuckert)

Julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e agora o vazamento na imprensa de novo depoimento feito à Procuradoria-Geral da República por Marcos Valério, réu condenado a 40 anos de prisão: a ofensiva contra o ex-presidente Lula não tem mais limites, é uma guerra sem quartel, sem data para acabar.

Em texto publicado aqui mesmo no Balaio no último dia 2 de novembro, eu já previa: "O alvo agora é Lula na guerra sem fim".

Não bastava condenar os dirigentes do PT acusados no processo do mensalão. O objetivo maior era demolir a imagem do principal líder do partido que completa dez anos no governo central agora em janeiro.

Os antigos donos do poder simplesmente não se conformam de ter perdido o controle do país depois de 500 anos de dominío.

Como não conseguiram recuperá-lo em sucessivas eleições, buscam agora outros meios para impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, atingindo o seu principal eleitor, o ex-presidente Lula.

Para atingir este objetivo, tentam desde o início do governo Dilma jogar um contra o outro, buscando desqualificar o PT e as forças sociais que o levaram à vitória em 2002.

Até hoje não funcionou. Ainda ontem, durante visita oficial à França, a presidente Dilma foi a primeira autoridade brasileira a sair em defesa de Lula:

"É sabida a minha admiração,  meu respeito e a minha amizade pelo presidente Lula. Portanto, eu repudio todas as tentativas - e esta não será a primeira vez - de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem".

A iniciativa do debate político no país para a discussão dos grandes temas nacionais deixou de ser do Executivo e do Legislativo e hoje é determinado por uma ação coordenada entre a mídia e as instituições jurídico-policiais, que estabelecem a pauta do noticiário.

Na mesma terça-feira em que uma reportagem do "Estadão" vazou as declarações feitas por Marcos Valério em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em setembro, envolvendo Lula no mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao ser indagado sobre a necessidade da abertura de novas investigações, não pensou duas vezes: "Creio que sim".

Foi o que bastou para que a concorrente "Folha" saísse com a manchete garrafal: "Presidente do Supremo quer Lula investigado no mensalão".

Faltando ainda dois anos para as eleições presidenciais de 2014, só posso atribuir esta ofensiva contra Lula agora ao desespero de setores alijados do poder pelo PT que não conseguem encontrar um candidato viável e confiável. Na falta de um candidato, procuram destruir o outro lado.

Cada vez que sai uma nova pesquisa de opinião mostrando a força de Dilma e Lula no eleitorado e a fragilidade dos candidatos da oposição, parece aumentar o furor dos que não se conformam com as conquistas sociais e econômicas dos últimos anos que garantem a alta popularidade dos líderes petistas, apesar do bombardeio sofrido nos últimos meses.

Desta forma, antes mesmo do julgamento do mensalão terminar, vai começar tudo de novo, quem sabe esticando o caso até as próximas eleições presidenciais, enquanto repousam no Supremo Tribunal Federal toneladas de processos antigos envolvendo outros políticos de outros partidos.

 

 

 

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 Haddad começa bem na montagem de governo

Haddad ao lado dos primeiros secretários, em 12/11/2012. Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Passou meio batida, ao longo do tiroteio jurídico-policial que toma conta do noticiário político nas últimas semanas, uma boa notícia para a cidade de São Paulo.

Sem fazer alarde, montando passo a passo o seu quebra cabeças, o prefeito eleito Fernando Haddad, do PT, que toma posse daqui a três semanas, conseguiu formar uma equipe qualificada, com técnicos de capacidade reconhecida e os melhores quadros políticos dos partidos aliados.

A costura de Haddad permitiu também que o novo prefeito montasse sólida maioria na Câmara Municipal, que será presidida pelo veterano vereador petista José Américo, que foi um dos coordenadores da sua campanha.

O grande desafio é aprovar o novo Plano Diretor da cidade em que constarão as diretrizes dos projetos previstas no Arco do Futuro, o principal projeto anunciado por Haddad durante a eleição municipal.

Não deve ser fácil abrigar sob o mesmo teto interesses tão variados como os do PMDB, PSB, PTB, PCdoB, PV, as diversas correntes internas do PT e o PP de Paulo Maluf, que reivindicou a área de habitação no acordo firmado entre os dois partidos.

A indicação do nome do PP era o maior problema para Haddad cumprir o acordo e não desagradar os movimentos sociais do PT ligados à moradia, mas ele conseguiu encontrar uma solução técnica: o engenheiro José Floriano de Azevedo Marques Neto, formado pela Escola Politécnica da USP, que trabalha na área de habitação popular.

Floriano não é filiado a nenhum partido político e sua indicação foi feita pelo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, do PP, com quem deverá trabalhar em parceria.

Haddad pretende transferir a aprovação de empreendimentos de médio e grande porte, área que foi alvo de denúncias de corrupção na administração de Gilberto Kassab,  para a secretária de Controle Urbano, a arquiteta Paula Motta Lara, que foi diretora do Aprov na gestão de Marta Suplicy.

Com as nomeações de Floriano para Habitação e do ex-ministro Juca Ferreira para a Cultura, o prefeito eleito deverá anunciar a equipe completa de 27 secretários ainda esta semana, sem ter criado atritos com os partidos da sua base aliada, o que é prenúncio de um início tranquilo para a nova administração.

Enfim, uma notícia boa.

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dilma na record 450x338 julia Dois anos de governo: Dilma em seu labirinto

Perto de completar a primeira metade de seu governo, analistas começam a se perguntar: qual a marca destes primeiros dois anos do mandato de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente da República?

Levada ao Palácio do Planalto com o discurso da continuidade, na esteira da alta popularidade com que o ex-presidente Lula chegou ao final do seu governo, Dilma herdou boa parte da equipe ministerial e dos principais projetos lançados na administração anterior, da qual ela própria foi uma figura chave.

Mais do que os números da economia, que podem servir para qualquer balanço positivo ou negativo, Dilma marca sua presença no governo pela imagem de governante austera, implacável com os malfeitos e os desmazelos dos seus auxiliares, zelosa na tarefa de cuidar dos interesses do país.

Pelo que se lê nos jornais, não deve ser fácil trabalhar com Dilma, que a todo momento aparece irritada, cobrando providências urgentes, dando descomposturas em ministros, inconformada com apagões e outros buracos na infra-estrutura.

Se a promessa da continuidade foi decisiva para levá-la ao poder, agora coloca Dilma em seu labirinto: se os ministros e seus projetos de governo não estão funcionando como ela gostaria, por que não trocá-los e montar o governo do seu jeito, à sua imagem e semelhança daqui para a frente?

Fosse Dilma executiva de uma empresa privada, certamente já teria feito isso, mas no poder público o buraco é mais embaixo, com o inquilino do Palácio do Planalto, seja quem for, eternamente enredado pelos desafios da governabilidade.

Dona de ampla maioria tanto na Câmara como no Senado, teoricamente com o apoio da quase  totalidade dos 30 partidos nacionais, com a exceção de dois ou três, mesmo assim Dilma não consegue impor a sua marca porque precisa contemplar os interesses difusos do balaio de gatos que  forma sua base de sustentação parlamentar.

às voltas com disputas dentro de cada partido e entre os aliados por mais fatias de cargos e verbas, fica difícil para a presidente montar o seu time e dizer como deve jogar. Como sair deste labirinto?

É por isso que o ano deve começar com uma mini-reforma ministerial, nada muito dramático nem entusiasmante, apenas para acomodar esta base aliada sempre faminta que saiu das urnas nas eleições municipais.

Por enquanto, de certo mesmo só a entrada no ministério do PSD de Gilberto Kassab, o seu novo aliado. No mais, deve remanejar alguns postos menos importantes, o que no fim vai deixar mais do mesmo numa Esplanada dos Ministérios em que nenhum nome ou área se destaca até agora.

O governo Dilma até agora se limita a Dilma, com seu estilo centralizador em que praticamente só ela fala, e tem falado muito pouco.

Desde o primeiro dia, a prioridade absoluta de Dilma é o combate à miséria, com a criação do programa "Brasil Carinhoso", que se junta ao "Minha Casa, Minha Vida" e ao "Bolsa Família". .

Os programas sociais, no entanto, já eram a marca do governo Lula. O grande desafio de Dilma agora é acelerar as obras do PAC, exatamente o Plano de Aceleração do Crescimento, que a levou à vitória em 2010, mas que anda empacando em várias regiões do país, como acontece com a Transnordestina e a Transposição do São Francisco.

Enfrentando mais mais problemas na base do governo do que na oposição, que está desmilinguindo a cada eleição, e com o PT enfrentando uma situação difícil após o julgamento do mensalão e a Operação Porto Seguro, Dilma precisa aproveitar o próximo ano para fixar a marca do seu governo e não só o da presidente.

Por isso, a batalha pela redução das tarifas de serviços públicos e privados e a conclusão de grandes obras de infra-estrutura tornam-se tão importantes para o embate da sucessão presidencial, que já está nas ruas.

Já que 2013 é um ano sem eleições, a presidente Dilma poderia tomar a iniciativa de promover o debate sobre as tão esperadas reformas política e tributária para desonerar a produção e conter a sangria de recursos públicos que dão origem a tantas crises, criando um clima desfavorável aos investimentos tão necessários ao país.

 

Com um "pibinho" em torno de 1%, só o controle da inflação e dos juros não bastam a médio prazo para manter os níveis de emprego e renda, que garantem a popularidade da presidente. É preciso criar instrumentos mais permanentes para promover o crescimento sustentável da economia num momento em que as notícias que chegam de fora são preocupantes.

Se dois anos já se passaram sem grandes conquistas, temos outro tanto de tempo pela frente para viabilizá-las. Para isso, é preciso dar uma virada no jogo agora. Coragem, Dilma!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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paula fernandes Uma bela tarde com a bela Paula Fernandes

Podem ficar com inveja. Como ninguém é de ferro e repórter também é gente, aceitei correndo a convocação que me foi feita pela revista "Brasileiros", onde também trabalho, para participar de uma entrevista com Paula Fernandes, a bela mineirinha que mais vende discos no Brasil.

Ainda ontem tinha acabado de fazer um pedido aos leitores para que contassem alguma história boa aqui no blog, que anda meio baixo astral ultimamente, na esteira do noticiário catastrófico dominante na grande imprensa.

Passar algumas horas na companhia desta moça na tarde de quarta-feira, no estúdio do grande fotógrafo Márcio Scavone, na Vila Mariana, me fez um bem danado.

Ao encontrá-la se preparando para dar início à sessão de fotos que duraria três horas, lembrei da primeira vez que a vi num palco, no Ginásio do Ibirapuera, em 2010, durante o show beneficente "Emoções Sertanejas", apresentado por Roberto Carlos, em comemoração aos seus 50 anos de carreira.

Assim como eu, muita gente nunca a tinha visto antes, e ficou encantada quando viu aquela figura brejeira de cintura fina e longos cabelos cacheados, cruzando as belas pernas e ajeitando o violão no colo para cantar ao lado do sanfoneiro Dominguinhos.

"Quem é essa?", perguntaram-se as pessoas ao meu lado, mais impressionadas ainda quando Paula soltou sua voz firme e ao mesmo tempo meiga.

Criada na roça em Sete Lagoas, Minas Gerais, Paula já estava na estrada há tempos _ começou a cantar com 8 anos e gravou seu primeiro disco com 10 _ e tinha rodado o país se apresentando em rádios, rodeios e circos, havia gravado muitos discos, mas seu rosto bonito ainda era uma novidade para grande parte da plateia que lotou o ginásio.

Quem mais se empolgou com ela foi o próprio Roberto Carlos que naquela noite mesmo a convidou para participar do seu show de final de ano na Globo. A partir daí, a sua vida deu uma cambalhota e ela virou uma estrela.

Dois anos depois, Paula Fernandes apresenta em média 20 shows por mes no comando de uma trupe de 40 funcionários que rodam o país levando uma carreta com duas toneladas de equipamentos, um grande circo que é montado e desmontado todos os dias. Neste período. ela já vendeu mais de 3 milhões de discos.

A história completa da caminhada de Paula Fernandes de Souza, 28 anos, o maior fenômeno musical brasileiro dos últimos anos, será contada pela equipe de "Brasileiros" (Fernanda Cirenza, Alex Solnik, Nirlando Beirão e eu, com fotos de Márcio Scavone) na edição de janeiro.

Com corpo e pose de modelo, 1,65 de altura e 51 quilos, Paula é ligeira ao fazer as trocas de roupas. Profissional ao extremo, pede sugestões ao fotógrafo, ouve os assistentes, tem toda paciência do mundo para o resultado ficar bom. Sem toques de estrela, consegue ser mais bonita pessoalmente do que na televisão.

"Essa cinturinha fina não é fotoshop", brinca Scavone, quando Paula vai conferir as fotos no monitor. Tem umas dez pessoas trabalhando na operação, mas tudo flui naturalmente, como se tivesse sido longamente ensaiado.

Cinco da tarde, hora marcada para a entrevista, gravadores ligados, Paula começa a contar sua vida de altos e baixos até chegar ao topo, com uma simplicidade comovente. Parece estar falando de outra pessoa, sem criticar ninguém, sem se queixar de nada, nem da dificuldade para encontrar o namorado, o dentista Henrique do Valle, que mora em Brasília.

Paula ainda mora com a mãe, dona Dulce, e um irmão, Nilmar, que cuidam da sua empresa, numa chácara nos arredores de Belo Horizonte. Quando lhe pergunto no final o que quer ser na vida quando crescer, ela ri gostoso, e responde na lata. "Quero ser igual a minha mãe".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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120122 As crises do fim do mundo que não chegaram

Pois é, estamos chegando perto do fatídico 21 de dezembro de 2012, quando o solstício anual de inverno conclui mais um ciclo do antigo Calendário Maia, dia anunciado para o fim do mundo.

Tem até gente ganhando dinheiro com isso, vendendo proteção para os mais assustados, o que levou a Nasa a desmentir oficialmente a trágica efeméride em seu site oficial do USA.gov e garantir que vamos sobreviver a mais este anúncio fúnebre.

Mesmo assim, apesar do desmentido, por aqui no Brasil, continuamos emendando uma crise do fim do mundo na outra. Saímos direto do julgamento do mensalão para a Operação Porto Seguro, sem que tenha acabado ainda a CPI do Cachoeira.

Apesar disso, as marés como os aviões continuam descendo e subindo, as fábricas e as escolas em plena atividade, o campo batendo recordes de produção e as ruas de congestionamentos, mas para quem acompanha o noticiário nas multimídias novas e velhas parece que o nosso fim está chegando logo ali na próxima esquina.

Conheço cada vez mais gente que procura distância das más notícias, cancelando assinaturas ou esquecendo de abrir os exemplares deixados na soleira da porta, muitas vezes de graça.

Desgraça, bandalheira, violência, corrupção, safadeza, acidentes, enchentes, incendios, conflitos, traições, lambanças, já não se consegue distinguir ficção e não ficção no que nos é oferecido nas páginas e nas telas.

Para não perder o ânimo, muitas pessoas preferem se desligar do mundo e cuidar das suas vidas, já que não lhes é oferecido nada que as ajude a viver melhor.

Não é possível que, no Brasil e no mundo, não aconteça nada de bom de um dia para outro, além do anúncio da gravidez do jovem casal real ou da vitória do nosso time de futebol.

Bem que tenho procurado notícias boas para tratar aqui no Balaio, mas, diante da minha dificuldade, faço um apelo aos leitores.

Se alguém souber de algum lugar bacana, alguém produzindo coisas novas, vencendo dificuldades ou uma história capaz de quebrar este baixo astral das crises e desgraças cotidianas, por favor, escreva para nós.

Pretendo aproveitar no blog os melhores comentários enviados. Enquanto o mundo não acaba, vamos aproveitar para tentar fazê-lo um pouco melhor, mais divertido de se viver.

Só fazer cara feia e ficar xingando a paisagem vista da janela não resolve nada.

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