Caros leitores,

continua a invasão da central de robôs e trollagens no Balaio, com uma agressividade crescente. O conteúdo é sempre o mesmo, com pequenas variações e diferentes nomes ou codinomes. Só mudam os erros crassos de ortografia para disfarçar a origem.

Tenho deletado a maioria destes "comentários", mas deixo alguns para que os demais leitores tenham uma ideia do nível a que chegou o debate político em nosso país.

Parte destas mensagens industrializadas e, certamente, não gratuitas tem a numeração comum do IP 190.98.131 (...), com variações nos algarismos finais.

Poderiam, ao menos, disfarçar melhor para justificar seus salários.

É pena, é triste, mas fazer o quê?

Ricardo Kotscho

***

ds No vazio político, ressurge Joaquim, pedindo passagem

Com a presidente Dilma Rousseff descansando numa praia da Bahia e o Congresso Nacional em recesso carnavalesco de 12 dias, o vazio político destes dias de sassaricos tinha que ser ocupado por alguém, como costuma acontecer.

Do nada, ressurgiu Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que deixou o conforto da sua aposentadoria precoce e do belo apartamento de Miami para aparecer como convidado especial, entre outras celebridades, no camarote montado pelo jornal O Globo no sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Depois de viver seus dias de glória e rapapés na mídia nativa durante o julgamento do mensalão, Joaquim andava sumido do noticiário. Para voltar aos holofotes, aproveitou o Carnaval, e começou a disparar mensagens no Twitter, tendo como alvo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, aquele que só pensa em ocupar a vaga ainda aberta no STF.

"Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma Rousseff demita imediatamente o ministro da Justiça", disparou, em meio à folia, referindo-se aos encontros que Cardoso manteve com advogados dos envolvidos na Operação Lava Jato.

Nós quem, cara-pálida? Quem o nomeou para falar em nome dos "brasileiros honestos" e se dirigir desta forma à presidente da República?

Empolgado com a repercussão, Joaquim voltou a atacar na madrugada de terça: "Se você é advogado num processo criminal e entende que a polícia cometeu excessos/deslizes, você recorre ao juiz. Nunca a políticos! Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompe-la. É tão simples assim".

Nem tanto. Como era de se esperar, alguns dos mais renomados advogados e juristas brasileiros reagiram indignados à lição de moral dada pelo ex-presidente do STF, sem ninguém lhe pedir, e a OAB divulgou uma nota de repúdio, assinada pelo seu presidente, Marcus Vinícius Furtado Coelho:

"O advogado possui o direito de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos à defesa do interesse dos seus clientes. Essa prerrogativa do advogado é essencial para o exercício do amplo direito de defesa. Não é possível criminalizar o exercício da profissão".

Nesta quarta-feira, o ministro Cardoso também resolveu reagir aos ataques de Barbosa. Em entrevista à Folha, chamou o ministro aposentado de autoritário:

"O ministro Joaquim Barbosa tem o direito de falar o que bem entende. Não vou polemizar. O que vou dizer é que as pessoas que têm mentalidade autoritária de criminalizar o exercício da advocacia não percebem que vivem num Estado de direito (...) Talvez para alguns nem devessem existir contraditório, ampla defesa e advogados no mundo. Talvez preferissem o linchamento".

Também defendo, claro, todo o direito de Barbosa se manifestar sobre qualquer assunto, quando e como bem entender. Recomenda-se, porém, a um ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo simbolismo do cargo, que mantenha um mínimo de recato, respeito e responsabilidade ao se dirigir à presidente eleita, a um ministro de Estado ou ao conjunto de uma categoria profissional que exerce papel fundamental nas democracias.

O que quer, afinal, Joaquim Barbosa?

Se foi para derrubar o ministro da Justiça, perdeu. Com sua "exigência", apenas reforçou a permanência de Cardoso no cargo, pois sabemos que a presidente Dilma não é de ceder a pressões, ao contrário, ainda mais vindas de alguém que hoje não tem procuração para falar em nome de nenhum setor representativo da sociedade.

Para consegui-lo, Joaquim teria que entrar num partido político, candidatar-se a algum cargo público e submeter-se ao voto, como parece ser seu objetivo, ao não se conformar com o esquecimento pós-aposentadoria. Fora disso, só se estiver disposto a pedir passagem para vestir a fantasia do "salvador da pátria", acima dos partidos e da legislação vigente, que muitos andam procurando como atalho para voltar ao poder.

E viva a Vai-Vai!

 

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essa1 Tríduo momesco dos senadores dura 12 dias

"Tríduo momesco" era como os escribas mais antigos se referiam aos três dias de Carnaval. Para os senadores da nossa República, no entanto, não é bem assim.

Ao ler a coluna do meu implacável amigo Carlinhos Brickmann, que tudo vê e conta, descubro que vossas excelências resolveram multiplicar o tríduo por quatro. Sim, o Senado Federal encerrou o expediente no final do dia 11, quarta-feira passada, e só vai reabrir suas portas na próxima segunda-feira, dia 23. Ou seja, eles se autoconcederam 12 dias para curtir os folguedos carnavalescos. Que maravilha!

Como neste período não há problemas mais sérios para se enfrentar neste país, nada mais justo, pois eles voltaram ao trabalho, depois de um prolongado recesso, no longínquo dia 1º de fevereiro, e precisavam mesmo desta folga. Afinal, ninguém é de ferro.

Em tempo (atualizado às 10h05 de 18.2)

Este Carnaval prolongado atinge não só o Senado, mas da mesma forma a Câmara Federal, que também só volta a funcionar no próximo dia 23. Segundo cálculos do site Contas Abertas, como os parlamentares federais custam ao país R$ 9,3 bilhões por ano, ou seja, R$ 25,4 milhões por dia, estes 12 dias do "tríduo momesmo" representam um desperdício de R$ 300 milhões num país que não está nadando em dinheiro e se prepara para fazer um arrocho fiscal.

 

 

 

 

 

 

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Para refletirmos durante o Carnaval: o que move o PSDB, qual é o seu projeto de país, além da obsessão em derrubar Dilma e tirar Lula do jogo?

A julgar pelas manifestações dos seus representantes no Congresso Nacional e a guerra de extermínio desfechada nos últimos dias por seus robôs na internet, nada mais interessa.

Para alcançar estes objetivos, vale tudo, até se aliar a bolsonaros e caiados, e entregar o comando das oposições a um "aliado" do governo, o todo-poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha.  

Ou alguém acredita que os tucanos estão realmente preocupados com os destinos da Petrobras, a vida da população e os rumos do país?

Outro dia perguntei no JRN ao deputado Carlos Sampaio, lider do PSDB na Câmara, quais eram os projetos do partido para 2015, além de pedir a criação de CPIs para investigar o governo. Sampaio deu uma resposta genérica e não consigo me lembrar de nenhum tema relevante.

Todas as iniciativas políticas, desde a reabertura dos trabalhos do Congresso há duas semanas, não partiram nem do governo nem da oposição, mas do suprapartidário Eduardo Cunha.

Por onde andam os caciques tucanos? Que fim levou Aécio Neves, o presidente do partido e candidato derrotado por pouco nas últimas eleições? Parece um vagalume, que vez ou outra acende em Brasília, solta uma nota ou faz um discurso, e some novamente. Alckmin, outro nome apontado como possível candidato em 2018, dedica-se atualmente apenas a achar água em São Paulo para evitar o racionamento. Serra só se movimenta nos bastidores. E FHC continua FHC.

O fato é que 2018 ainda está muito longe e o PSDB simplesmente não se conforma com a quarta derrota seguida para o PT. Desde o primeiro minuto após a reeleição de Dilma, o partido só pensa em encontrar atalhos para voltar ao poder, só pensa nisso.

Por isso, mesmo que não assumam esta bandeira abertamente agora, o impeachment tornou-se o caminho mais curto para a retomada do Palácio do Planalto, como fica claro nas convocações feitas pelas redes sociais para o protesto do "Fora Dilma" marcado para o dia 15 de março.     

O dilema tucano é que não bastará tirar Dilma. É preciso, antes, tirar Lula do jogo. É o que leva o PSDB a jogar todas as suas fichas no Judiciário e na mídia, a bordo da Operação Lava-Jato, como se tivessem descoberto um novo Plano Real.

A quem pensam que enganam? E o país que se dane.

 

 

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PORANGABA _ Que o governador Geraldo Alckmin não me leia... Abandonei São Paulo e consegui chegar a um lugar onde nunca falta água, até sobra. Valeu a viagem.

Sentado à varanda, com o vento batendo no rosto e olhando para meu pequeno açude, que eu mesmo construí,  transbordando pelo vertedouro,  estou com um plano fantástico para fazer inveja a todos os paulistas: vou passar estes três dias de Carnaval debaixo do chuveiro, tomando banho sem parar _ e sem sentir nenhuma culpa.

Nada de samba, suor e cerveja, que me perdoem o Caetano e os demais baianos. Quero mais é tirar esta inhaca do corpo, sem medo de ser feliz. Eu mereço.

Este foi o maior projeto material que consegui realizar na minha vida: abrir um tanque para criar peixes na várzea onde um dia já correu pequeno riacho, segundo os mais antigos, nos tempos em que Antonio Cândido estava fazendo suas pesquisas para escrever a obra-prima Os Parceiros do Rio Bonito. 

Rio Bonito é o nome do bairro de Porangaba, no interior paulista, onde vim parar, 35 anos atrás. Não havia água nem luz, a terra estava abandonada e um cafezal jazia onde fiz minha casa.

Abri um poço, anos depois chegou a luz, plantei hortas, pomares e muitas, milhares de árvores, e hoje estou aqui cercado de bosques e passarinhos, até bandos de tucanos me sobrevoam.

Faltava apenas o lago, minha obsessão, que ficou por último. Muitos planos, orçamentos e estudos depois, finalmente resolvi arriscar, na cara e na coragem, sem nenhum projeto de engenharia nem saber quanto custaria. Um cara mais doido e sonhador do que eu, o João Galego, topou a parada e logo começou a abrir o buraco. Equipamentos: um tratorzinho bem velho, seu caminhão mais velho ainda e muita coragem.

Até que chegou o grande momento do fechamento da barragem. Já quase no final do serviço, caiu um toró amazônico, e por pouco não rodou tudo. Com a ajuda do filho, João carregou pedras no braço para evitar o desastre, noite adentro.

O dia seguinte amanheceu com o lagão cheio, que alguns agora chamam de açude, para meu orgulho, com água para dar e vender. Nunca vendi água, mas durante muitos anos a cedi aos vizinhos, que ali colocaram suas bombas. Faz menos de dois anos, depois de uma batalha do bairro que durou mais de três décadas, comemoramos ,com um belo churrasco na casa do Zé Maria, na presença do prefeito e do padre, muita cachaça e rojões, a chegada da água da Sabesp.

Aqui os canos da empresa ainda não secaram. Ninguem fala em rodízio ou racionamento, mas é muito bom poder ser dono da própria água, sem depender das obras agora anunciadas pelo governador. 

Vida que segue.          

 

 

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okok Cunha toma poder de Dilma, que a tudo só assiste

Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB.

Podem conferir no link: este foi o título da coluna publicada aqui no Balaio no dia 2 de setembro de 2014, às 14h01, pouco mais de um mês, portanto, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, quando Dilma e Marina disputavam a liderança.

Escrevi naquele dia:

"Pois ganhe quem ganhar, não fará muita diferença: quem vai continuar mandando no Brasil, segundo as últimas pesquisas, é o PMDB, que não tem candidato próprio e, por isso mesmo, há tempos é o maior partido do país porque está sempre no poder".

Apenas 42 dias após a posse de Dilma Rousseff no segundo mandato, quem assumiu o poder de fato no Brasil foi o novo presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB carioca, de quem a maioria dos eleitores nunca havia ouvido falar.

Só não podia imaginar que a tomada do poder se desse de forma tão rápida e avassaladora, sem que Dilma, o seu governo e o PT esboçassem até agora qualquer forma de resistência. Desde a sua posse como presidente da Câmara, há menos de duas semanas, Cunha impôs ao governo uma derrota atrás da outra, jogou-o nas cordas, com humilhação, e assumiu na prática a agenda e o comando político do país.

Se algum forasteiro cair de paraquedas hoje no Brasil, vai achar que o presidente da República é ele, o líder suprapartidário da oposição, que ocupou todos os espaços na mídia, e não a reeleita Dilma Rousseff, que sumiu e a tudo assiste impavidamente.

Nestas breves 72 horas que passei fora do ar, para me submeter a uma cirurgia no braço (bem sucedida, aliás, pois já estou aqui escrevendo), tudo se acelerou de tal forma que não dá para enxergar nem o fundo do poço, quanto mais uma luz no fim do túnel.

Minhas piores previsões feitas aqui no blog, infelizmente, estão se confirmando: o governo Dilma 2, completamente isolado e sem rumo, está acabando antes mesmo de começar. Não é só a Petrobras, mas o país inteiro que vive um processo incontrolável de erosão em todos os setores da vida nacional, juntando uma inédita crise política, econômica e social, tudo ao mesmo tempo, caminhando para um impasse institucional.

Já se fala em impeachment de Dilma no Congresso e nas redes sociais como se fosse a coisa mais natural do mundo e não vejo nenhuma reação dos que a apoiaram para defender o seu mandato conquistado faz tão pouco tempo nas urnas.

"Já viram a convocação explícita para o pedido de impeachment da Dilma numa manifestação de rua no dia 15/3? Fiquei chocada! A situação está mesmo gravíssima e nós estamos fazendo nada, ou quase. Cadê as lideranças? Cadê a sociedade civil? Os movimentos populares? As chamadas "esquerdas"? E nós? Que vamos fazer?"

Estas perguntas me foram enviadas no final da noite de quarta-feira pelos colegas dos Grupos de Oração do Rio, sintetizando o sentimento de perplexidade que domina parte da população, enquanto a outra se mobiliza freneticamente contra o governo.

Não tenho as respostas. Só sei que Ronaldo Caiado e outras lideranças democráticas do mesmo porte já confirmaram presença na manifestação. Por aí podemos ter uma ideia do que nos espera.

Encerro com uma outra pergunta: se conseguirem derrubar Dilma, quem vai ficar no lugar dela? O vice Michel Temer, que já não manda nem no PMDB? Ou o próprio Eduardo Cunha, o segundo na linha sucessória?

 

 

 

 

 

 

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Atualizado às 9h30 de 8.2

dddddddddd Hora de baixar a bola e pensar mais no Brasil

A velocidade dos acontecimentos e o noticiário das últimas horas, com a divulgação do novo Datafolha, que mostra o rápido derretimento da popularidade da presidente Dilma Rousseff, tornaram obsoleto o texto abaixo sobre um grande debate nacional para discutir a reforma política.

Seria como discutir medidas de prevenção de incêndio numa casa que está pegando fogo. Não há o menor clima para isso, nem interesse de parte a parte. Agora é guerra, ninguém quer saber de diálogo nem de debate.

Pelo furor mostrado nos comentários, aqui e em outros sítios que reproduziram o post do Balaio, a maioria dos leitores só quer uma coisa: o impeachment de Dilma.

Se depender do Congresso, do Judiciário e da maior parte da mídia, a presidente e o PT já perderam esta batalha, e não tem retorno. Segundo o Datafolha, só um em cada quatro brasileiros ainda a apoiam.  Tudo agora é só uma questão de tempo. O resto é passado.

***

Ao final desta medonha primeira semana de fevereiro, em que tanta coisa negativa aconteceu, elevando a temperatura política a um grau próximo da ebulição, está na hora de todo mundo baixar a bola e começar a pensar mais no Brasil. Quais são os planos, projetos, saídas que temos a oferecer? Estamos todos, afinal, no mesmo barco.

Está na hora de parar de falar em impeachment, como se esse fosse um evento previsto no calendário, a exemplo do Carnaval e do Natal. Vivemos ainda numa democracia e a presidente Dilma Rousseff acabou de ser reeleita para governar o país por mais quatro anos. As próximas eleições estão marcadas para 2018.

Está na hora de acabar com o clima de beligerância insana da campanha eleitoral, que acabou em outubro, colocou em lados opostos amigos, parentes e até casais, mas permanece vivo no Congresso Nacional, nos botecos e nas fábricas, nas ruas e nos saraus, nos almoços de domingo e nos estádios, em todo canto.

Está na hora de acabar com os donos da verdade e do futuro, que não ouvem ninguém e querem impor suas razões a todo mundo, sem admitir nenhuma discussão sobre os diferentes caminhos que temos pela frente e as causas que nos levaram ao atoleiro no deserto da desesperança, ameaçados de ficar sem água e sem luz, sem emprego e sem amanhã.

Está na hora de começarmos um grande diálogo nacional, em torno de uma causa comum, como a reforma política, que não pode ficar só na mão dos políticos. Onde está a grande sociedade civil que se mobilizou em torno da campanha das Diretas Já em 1984?

Está na hora de procurarmos interlocutores confiáveis dos dois lados da arena, pois é preciso admitir neste momento que é difícil saber o que é pior, se o governo ou o Congresso, a situação ou a oposição, acabar com esta história de nós contra eles.

Está na hora de reconhecermos que estamos sem alternativas, sem lideranças, sem ideias novas, sem referências, mas é preciso começar este diálogo por algum lugar, com o que temos aqui dentro, já que que não dá para buscarmos soluções prontas lá fora.

Está na hora de deixar as vaidades e as certezas de lado, olhar para a frente e não pelo retrovisor. Se Obama e Raul Castro conversaram e conseguiram chegar a um acordo entre Estados Unidos e Cuba, por que diabos Lula e FHC, ainda as nossas duas maiores lideranças políticas, não podem pelo menos tentar um diálogo em torno da reforma política, para dar o exemplo? Será necessário chamar o papa Francisco para servir de intermediário, como fizeram Castro e Obama?

Está na hora de pararmos de tratar adversários como inimigos, da política ao futebol, sermos mais generosos com os que pensam diferente, não dividirmos o mundo entre aliados incondicionais e traidores safados, termos a grandeza de admitir nossos próprios erros, em lugar de só busca-los nos outros.

Está na hora de voltarmos a acreditar nas nossas instituições, por mais que elas estejam em frangalhos, reconstruindo-as, pois todos temos responsabilidade pelo país que deixaremos para nossos filhos e netos.

Está na hora de todos fazermos alguma coisa nos limites da nossa capacidade e não nos deixarmos vencer pelo desânimo, em vez de ficarmos nos lamentando pelos cantos, buscando culpados, porque isso não vai nos trazer água de beber nem luz para iluminar nossas esperanças.

Vida que segue.

Em tempo: vou ter que me afastar do Balaio por alguns dias para fazer uma nova cirurgia no braço direito que quebrei no ano passado. Logo estarei de volta.

 

 

 

 

 

 

 

 

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 FHC contesta ligação com parecer pró impeachment

Fernando Henrique Cardoso/ Foto: Renato Araujo/ABr

Em nota publicada na véspera em seu Facebook, da qual só tomei conhecimento na manhã desta sexta-feira e na qual sou nominalmente citado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contesta análises feitas por vários articulistas sobre qualquer ligação da sua parte com o parecer do advogado Ives Gandra Martins publicado pela Folha esta semana, em que o tributarista apresenta as razões jurídicas para um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Sou e sempre fui intrinsecamente um democrata. Não será aos 83 anos que mudarei esta convicção", afirma o ex-presidente.

Transcrevo abaixo a íntegra da nota divulgada por FHC para que os leitores possam tirar suas próprias conclusões:

"Na terça-feira, li opinião de um jurista, publicada na Folha de S. Paulo, sobre um possível processo de impeachment contra a presidente Dilma.

No corpo do artigo, há a informação de que José de Oliveira Costa o havia inquirido sobre o tema.

Oliveira Costa é membro do IFHC e como advogado tem atendido, circunstancialmente, casos meus. Não é homem de vida política e muito menos partidária. Não me consultou antes de solicitar um parecer sobre o impedimento, até por descabido, pois está em pleno exercício de suas funções advocatícias.

Posteriormente articulistas, notadamente o blog de Ricardo Kotscho, buscaram atribuir-me ter dado um toque de clarim para por em marcha um chamado "golpe paraguaio", deposição do governante pela Justiça, que estaria sendo urdido pelas forças antidemocráticas do nosso país.

Diante desse disparate, sou obrigado a reiterar o óbvio: sou e sempre fui intrinsecamente um democrata. Não será aos 83 anos que mudarei esta convicção.

No caso do mensalão (com razões suficientes para responsabilizar Lula), opus-me a qualquer impeachment por julgar que derrubar um presidente eleito (coisa que o PT tentou comigo; lembram-se do Fora FHC?) pode fazer mal para a formação da cultura democrática. Tal iniciativa só se justifica quando há razões políticas e criminais comprovadas. Por que mudaria agora o modo de pensar?

A suposição atribuída a mim tem mais a ver com a situação delicada em que se encontra o governo da Presidente Dilma diante das vinculações entre governo, empreiteiras e o mundo político, arrastando de roldão a Petrobras. O descalabro é enorme e a perda de apoio político evidente.

Não foi, esclareço mais uma vez, no sentido de "golpe" ou de impeachment que argumentei no último artigo que escrevi. Pedi que a Justiça chegasse  a quem devesse chegar, ressaltando sempre que punições deveriam haver, se culpados houvesse, nunca prejulgando. E repudiei qualquer hipótese de pressão militar, que de resto inexiste.

Mais ainda, acredito que, dada a gravidade da situação, mesmo que a Justiça exerça seu papel, como deve, a solução para sairmos da crise é política. Se eu estivesse na Presidência nestas circunstâncias apelaria a todas as forças políticas e sociais para uma união contra as ameaças sérias que pesam sobre o futuro do país.

Não há ameaças golpistas.

Lamento, como muitos brasileiros, inclusive os que votaram na Presidente Dilma, ter ela organizado um ministério com mero propósito de obter "maioria" no Congresso, ou para calar a gritaria do mercado financeiro. O objetivo político aparentemente não funcionou, dada a fragorosa derrota na eleição da mesa da Câmara dos Deputados. E lamento também que até agora a presidente não tenha feito qualquer gesto efetivo de repúdio à podridão que invadiu os costumes políticos nacionais, onda que, eventualmente, pode engolfá-la, mesmo que sem sua culpa direta.

Não há ameaças golpistas, a não ser na imaginação de partidários do governo que sentindo o descalabro procuram justificativas jogando a responsabilidade em ombros alheios".

Minha resposta:

Caro Fernando Henrique,

é tranquilizadora sua manifestação diante da delicada situação institucional vivida pelo nosso país. Espero que muitos dos seus partidários mais radicalizados a leiam.

Também estou muito preocupado com o rumo dos acontecimentos e partilho da sua análise correta do cenário político.

Após quase 40 anos de convívio, construído numa relação cordial e de respeito, desde os seus tempos de professor da USP, quando eu era aluno, não poderia esperar outra atitude da sua parte.

E após mais de 50 anos de prática diária do jornalismo, tendo passado por tantas crises e conquistas da nossa geração, também não tenho razões para mudar minhas convicções e meu modo de pensar.

Cordialmente,

Ricardo Kotscho

Os 35 anos do PT

Por sugestão do Heródoto Barbeiro, fiz nesta quinta-feira no Jornal da Record News um balanço, desde a fundação até a crise atual vivida pelo partido, sobre o aniversário de 35 anos do PT, que está sendo comemorado hoje em Belo Horizonte.

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 Governo Dilma 2 caminha para a autodestruição

O que já está ruim sempre pode piorar. A Petrobras e o país amanheceram de pernas para o ar nesta quinta-feira.

Ao mesmo tempo em que a Petrobras ficava sem diretoria, após a renúncia coletiva da véspera, e sem ninguém saber o que será feito dela amanhã, a Polícia Federal está fazendo neste momento, nove da manhã, uma nova operação em quatro Estados, com mandados contra mais de 60 investigados na Lava-Jato, entre eles o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus palácios, sem mostrar qualquer reação.

O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição.

A presidente teve todo o tempo do mundo para pensar em soluções para a Petrobras, desde que esta grande crise estourou no ano passado, mas só se dedicou à campanha pela reeleição e à montagem do seu novo ministério. Agora, tem apenas 24 horas para encontrar uma saída, antes da reunião do Conselho de Administração, que precisa nomear a nova diretoria amanhã para não deixar a empresa acéfala.

Pois não é que, em meio aos enormes desafios que seu governo enfrenta em todas as áreas da vida nacional, apenas 36 dias após o início no segundo mandato, Dilma encontrou tempo para promover a primeira mudança em seu ministério trazendo de volta o inacreditável Mangabeira Unger, folclórico ideólogo que queria construir aquedutos para transportar água da Amazônia para o sertão do nordeste, como lembrou Bernardo Mello Franco?

Isolada, atônita, encurralada, sem rumo e sem base parlamentar sólida nem apoio social, contestada até dentro do seu próprio partido, como estará se sentindo neste momento a cidadã Dilma Rousseff, que faz apenas três meses foi reeleita presidente por mais quatro anos?

Ou, o que seria ainda mais grave, será que ela ainda não se deu conta do tamanho da encrenca em que se meteu?

É duro e triste ter que escrever isso sobre um governo que ajudei a eleger com meu voto, mas é a realidade. É preciso que Dilma caia nesta realidade e mude radicalmente sua forma de governar, buscando e não arrostando apoios, ouvindo pessoas fora do seu núcleo palaciano, como prometeu no discurso da vitória, antes que seja tarde demais.

Por um desses achaques do destino, foi marcada para amanhã, em Belo Horizonte, a abertura das comemorações dos 35 anos da fundação do PT, um partido que vi nascer e que vive hoje a pior crise da sua história, 12 anos depois de ter chegado ao poder central.

Está previsto um encontro reservado do ex-presidente Lula com a presidente Dilma. Cada vez mais distantes nos últimos meses, o que um terá para falar ao outro? Pode ser que a conversa comece com esta pergunta, que todos os petistas estão se fazendo: "Pois é, chegamos até aqui. E agora, camarada?"

Vida que segue.

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dilma fhc ae 190311 FHC dá bandeira: golpe paraguaio está em marcha

Foi dada a largada. Em caudaloso artigo publicado domingo no Estadão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu a senha: como não há clima para um golpe militar, a derrubada do governo de Dilma Rousseff deve ficar por conta do Judiciário e da mídia, criando as condições para votar o impeachment da presidente no Congresso Nacional o mais rápido possível.

"Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados", conclamou FHC. O ex-presidente já vinha conversando sobre isso com outros tucanos inconformados, ainda discretamente, desde a noite da vitória de Dilma, no segundo turno, em outubro do ano passado. Sem paciência para esperar as próximas eleições presidenciais, em 2018, após quatro derrotas seguidas, FHC, aos 83 anos, resolveu colocar o bloco na rua e convocou a tropa, sem medo de dar bandeira.

O primeiro a responder prontamente ao chamado foi o sempre solícito advogado Ives Gandra Martins, 79 anos, que já na terça-feira apresentou a receita do golpe no artigo "A hipótese de culpa para o impeachment", publicado pela Folha, em que o parecerista aponta os capítulos, parágrafos, artigos e incisos para tirar Dilma da presidência da República pelas "vias legais".

Candidamente, Martins explicou na abertura do seu texto: "Pediu-me o eminente colega José de Oliveira Costa um parecer sobre a possibilidade de abertura de processo de impeachment presidencial por improbidade administrativa, não decorrente de dolo, mas apenas de culpa. Por culpa, em direito, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência".

E quem é o amigo José de Oliveira Costa, de quem nunca tinha ouvido falar? Graças ao repórter Mario Cesar Carvalho, da Folha, ficamos sabendo nesta quarta-feira a serviço de quem ele está nesta parceria com o notório Gandra Martins, membro atuante da Opus Dei e um dos expoentes da ala mais reacionária da velha direita paulistana .

"Sou advogado dele", explicou Costa ao repórter, referindo-se, também candidamente, ao seu cliente Fernando Henrique Cardoso, um detalhe que Martins se esqueceu de apresentar na justificativa do seu parecer a favor do impeachment de Dilma.

Conselheiro do Instituto FHC, o até então desconhecido advogado negou, porém, que a iniciativa da dupla tenha qualquer caráter político. FHC, claro, disse que só ficou sabendo da operação pelo jornal. São todos cândidos, esses pândegos finórios, que estão brincando com fogo, em meio à mais grave crise política e econômica vivida pelo país desde a redemocratização.

Para saber com quem estamos lidando, o currículo acadêmico de Ives Gandra Martins, um advogado tributarista, apresenta assim o autor, no rodapé do artigo: "professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra". Universidade Mackenzie, só para lembrar, foi o berço do CCC, o Comando de Caça aos Comunistas, que teve papel de destaque nos embates pré e pós-golpe de 1964.

Juntando as pontas, temos a montagem da versão nativa-chique do "golpe paraguaio". Sem a participação de militares, em junho de 2012, um processo jurídico-midiático-parlamentar relâmpago derrubou o presidente Fernando Lugo, democraticamente eleito, como Dilma. A favor do impeachment, a goleada foi acachapante: 39 a 4, no Senado, e 73 a 1, na Câmara.

Vejam a escalada da marcha aqui:

* Domingo, 1º _ O artigo de FHC dando as coordenadas à tropa: "Neste momento", o impeachment, "não é uma matéria de interesse político". Qual será o momento certo? É só uma questão de tempo para algo já dado como inexorável, como se fosse a coisa mais natural do mundo derrubar uma presidente eleita?

No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff sofreria a maior derrota política no Congresso Nacional, desde a primeira posse, com a eleição para a presidência da Câmara do deputado dissidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um desafeto do seu governo, que se transformou em líder suprapartidário da oposição. Rachou e derreteu a ampla maioria que a base aliada tinha na Câmara, a nova articulação política do governo revelou-se um desastre e o PT ficou isolado, assim como Dilma já estava.

*Terça, 3 _ O artigo-parecer de Ives Gandra Martins, atendendo à convocação de FHC. "Meu parecer é absolutamente técnico. Para mim, é indiferente se o cliente é o Fernando Henrique Cardoso ou uma empreiteira", explicou o advogado. Claro, claro, tanto faz. Mas quem é, afinal o cliente? Quem pagou a conta? Candidatos a assumir esse papel certamente não faltam.

À tarde, Dilma acertou, finalmente, para os próximos dias, a saída de Graça Foster e de toda a diretoria da Petrobras, após ver durante meses a maior empresa do país sangrando em praça pública. Falta encontrar quem aceite assumir a herança. A produção industrial sofre queda de mais de 3% em 2014, os grandes bancos anunciam lucros recordes e o governo estuda parcelar em 12 vezes o abono de um salário para quem ganha até dois mínimos.

A verdade  é que Dilma também não ajuda nada na defesa do seu governo. Ao contrário, só leva água ao moinho dos conspiradores que estão saindo da toca.

Para completar, à noite, como já era esperado desde domingo e admitido por Eduardo Cunha, a oposição, com o apoio de 186 deputados, protocolou na Câmara o pedido para a instalação de uma nova CPI da Petrobras.

Está pronto o roteiro para os historiadores do futuro montarem a gênese deste dramático início do governo Dilma 2. O "golpe paraguaio" está em marcha, à espera das "condições objetivas", como diriam os cientistas políticos nos tempos em que FHC era só professor.

A seguir nesta batida, se nada mudar na condução do governo, o desfecho certamente não será bom nem bonito para a democracia brasileira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Após 17 anos, a Justiça age contra Trensalão

Robson Marinho / Foto: Câmara Municipal de S. José dos Campos

Nenhum dos nossos jornalões deu esta notícia em manchete, mas merecia. O caso é de 1998, quando o governador era Mário Covas, do PSDB. Só agora, a Justiça resolveu agir para recuperar os prejuízos milionários causados aos cofres públicos de São Paulo pelo cartel formado por empresas multinacionais e agentes públicos, popularmente conhecido como "Trensalão".

Nesta segunda-feira, finalmente, a juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital, decretou o bloqueio de bens, no valor de R$ 282 milhões, de Robson Marinho, ex-chefe de gabinete de Covas e atual conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, e da multinacional francesa Alstom, entre outros (leia mais aqui).

Apesar de ser em tudo semelhante ao "modus operandi" do esquema do "Petrolão" petista, que começou a ser investigado no ano passado, e já levou muita gente para a cadeia, o "Trensalão" tucano não mereceu a mesma atenção e presteza da Justiça e da mídia, mostrando o caráter seletivo dado aos casos de corrupção que assolam nosso país, faz muito tempo.

Na Folha, o decreto da juíza não mereceu nem chamada de capa e apareceu escondidinha num canto da página A10, quase pedindo desculpas, sob o título "Justiça bloqueia bens de Robson Marinho, do TCE". Quem não conhece o passado de Marinho nem o que quer dizer TCE, nem nunca ouviu falar em "Trensalão", passa batido.

No concorrente Estadão, a notícia mereceu chamada e mais destaque numa página interna, dando maiores detalhes da história, mas sem em nenhum momento falar em escândalo, nem citar a palavra pela qual o caso ficou conhecido.

Só relembrando: fundador do PSDB e homem de confiança de Mário Covas, Marinho foi seu chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997, sendo indicado para o Tribunal de Contas em 1998,  quando esta história começou, 17 anos atrás. Segundo o Estadão, "o conselheiro está sob suspeita de ter recebido na Suíça US$ 2,7 milhões em propinas da Alstom, entre os anos 1998 e 2005 (US$ 3,059 milhões em valores atualizados)".

Os promotores de Justiça Silvio Antonio Marques, José Carlos Blat e Marcelo Daneluzzi acusam Robson Marinho de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e de ter participado de um "esquema de ladroagem do dinheiro público". Na ação de improbidade, eles pediram o bloqueio total de R$ 1,129 bilhão, valor referente aos danos causados pelos acusados ao erário e à multa processual. Todos os réus juntos devem, por responsabilidade solidária, pagar este valor.

"Há provas robustas sobre o esquema de corrupção que envolveu o conselheiro do Tribunal de Contas e grandes empresas", justificou o promotor Blat. Em sua defesa, Marinho negou tudo: "Nunca recebi um tostão da Alstom, nem na Suíça, nem no Brasil".

Como cabe recurso contra a liminar, não se sabe quando esta história vai chegar ao fim. Ninguém ainda foi preso, mas agora, pelo menos, e já não era sem tempo,  o "Trensalão" tucano está saindo da clandestinidade, antes que tudo prescreva e seja esquecido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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