Para salvar Aécio, tucanos voltam ao colo do PMDB

Os caciques do PSDB reunidos em Brasília (Foto: Agif/Folhapress)

Quase trinta anos após a sua fundação, nas voltas que a vida dá, o PSDB voltou ao colo de onde saiu, em nome da modernidade e do combate à corrupção: o velho PMDB.

Diante do dilema hamletiano de ser ou não ser governo, os tucanos fizeram como Jarbas Passarinho e Gilmar Mendes: mandaram os escrúpulos às favas.

Para salvar seu menino de ouro Aécio Neves, como já se esperava, e garantir o apoio do PMDB em 2018, resolveram ficar na pinguela do governo Temer até que apareçam "fatos novos". Quais ainda faltariam?

O problema é que os destinos do PMDB de Temer e do PSDB de Aécio estão tão amarrados no Supremo Tribunal Federal e na Procuradoria Geral da República que uma separação litigiosa agora poderia ser fatal para ambos.

"Com certeza, é uma incoerência nossa, mas uma incoerência que a História nos colocou. Esse não é o governo dos meus sonhos, não votei em Dilma nem em Temer, mas estamos aí por causa das circunstâncias", reconheceu, ao final da pajelança tucana, um constrangido Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB desde que a PGR pediu a prisão de Aécio Neves por corrupção passiva e obstrução da justiça.

Em meados dos anos 80, Tasso foi um dos pais fundadores do PSDB, que surgiu em oposição a Orestes Quércia.

Senador e governador contra a vontade dos caciques, o polêmico outsider Quércia havia assumido o controle do PMDB paulista durante a presidência de José Sarney, deixando sem espaço lideranças como FHC, Covas, Serra e Montoro.

Anos depois, com a morte de Ulysses Guimarães, o patriarca da resistência, das Diretas Já e da Constituinte, o PMDB que restou tornou-se um partido de caciques regionais.

Nele brotaram novos nomes sem maior expressão como Michel Temer, que chegou a ser candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Luiza Erundina, do PT, na única eleição majoritária que disputou, e perdeu, antes de ser vice de Dilma.

Embora a coerência nunca tenha sido o forte do PSDB, o fato é que os tucanos de agora, mais rachados do que nunca, não teriam como justificar o desembarque do governo Temer por razões éticas com Aécio sendo acusado dos mesmos crimes.

"Eu te salvo que você me salva" foi o mantra que norteou a decisão do PSDB de ficar no governo do PMDB, para evitar que seu ex-presidenciável perca o foro privilegiado, o mesmo objetivo do atual presidente para ficar no cargo.

No discurso oficial, porém, o PSDB diz que não pode "abrir mão da responsabilidade de ajudar o governo a fazer as reformas".

Mesmo correndo o risco de ser desmentido pelos "fatos novos" antes de terminar este texto, estou com o pressentimento de que a situação pode dar uma acalmada esta semana após as vitórias de Temer no TSE e na manutenção do PSDB na base aliada.

Com o prazo de mais cinco dias dado à Polícia Federal para concluir o inquérito sobre o presidente Michel Temer, a denúncia da PGR deve ficar para a próxima semana.

O governo já não está tão preocupado com isso, mantida a folgada maioria de 346 deputados na Câmara. Bastam 172 votos tanto para rejeitar a denúncia como para impedir o impeachment.

Na segunda-feira, já deu para perceber que estão todos começando a baixar a bola em Brasília, depois da guerra aberta entre os poderes que havia chegado ao ponto de ebulição na semana passada, e vem refluindo.

Contribui para isso a chegada das festas juninas que costumam levar as excelências para dançar quadrilha em seus redutos eleitorais. Logo em seguida, teremos o sagrado recesso de julho, que ninguém é de ferro.

No Brasil, a História costuma dar muitas voltas para acabar sempre no mesmo lugar.

E segue o jogo.

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