STF entra em recesso e o Brasil que espere

O ministro Teori Zavascki

 

Atualizado às 18h55 de 19.12:

Após a última sessão do ano no STF, o ministro Teori Zavascki anunciou que vai trabalhar durante o recesso para analisar os depoimentos da delação premiada dos executivos da Odebrecht:

"Vamos trabalhar. Em face dessa excepcionalidade, nós vamos trabalhar". 

Os demais ministros do STF e suas respectivas equipes poderiam seguir o seu exemplo.

Se todos trabalhassem para ajudar Teori, em poucos dias poderiam dar conta da tarefa. 

Com o país do jeito que está, seria pedir demais? 

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Como todos os anos, chova ou faça sol, com ou sem crise, magistrados e parlamentares saem de férias nesta época de Papai Noel e só voltam em fevereiro.

Ou melhor dizendo: as excelências "entram em recesso". Férias são coisa de gente comum como nós.

Pouco importa o que esteja acontecendo no Brasil. Recesso é recesso, está na lei, é sagrado.

Na manhã desta segunda-feira, último dia de funcionamento do Judiciário antes do recesso, a Procuradoria Geral da República entregou ao Supremo Tribunal Federal todos os documentos com as delações de 77 executivos da Odebrecht.

Os arquivos eletrônicos e toda a papelada com cerca de 800 depoimentos foram colocados numa sala especialmente reservada no STF.

E lá ficarão até fevereiro à espera da volta do relator Teori Zavascki e dos demais ministros do STF.

Será que os supremos magistrados não se deram conta de que este ano vivemos uma situação de emergência?

Com o país parado em profunda recessão, estamos todos à espera de uma definição jurídico-política sobre a Operação Lava Jato.

Custava adiar um pouco as férias, como estão fazendo muitos brasileiros neste momento de crise?

O pouco que vazou até agora já atingiu praticamente toda a cúpula do Executivo e do Legislativo e as lideranças de todos os grandes partidos.

Como ninguém sabe onde e quando isso vai parar, os brasileiros deixaram de investir e de consumir, deixando no rastro da paradeira uma legião de 12 milhões de desempregados.

A ministra Carmen Lúcia não suspendeu o recesso, mas determinou a criação de uma força-tarefa para ajudar o relator Teori Zavascki a dar maior celeridade aos trabalhos.

Só depois que ele homologar todos os acordos de delação premiada a PGR poderá seguir com as investigações.

Enquanto isso, o Brasil que espere.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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