Posta com a tag "Palocci"

Começou a ser exibido nesta segunda-feira (4), em Brasília, um novo velho filme de crise política, desta vez no Ministério dos Transportes, com um enredo em que a gente já sabe quem morre no final.

Lembra muito o que vimos poucas semanas atrás protagonizado pelo ex-ministro Antonio Palocci. Após denúncias publicadas pela imprensa, o acusado jura inocência, o governo lhe dá apoio e a oposição ameaça abrir uma CPI.

Não dá para entender a atitude da presidente Dilma Rousseff, que acertadamente mandou afastar toda a cúpula dos Transportes envolvida num balaio de irregularidades, segundo a revista Veja, mas manteve no cargo o ministro Alfredo Nascimento, presidente do PR, que está no posto desde o primeiro governo de Lula.

Das duas uma: ou Alfredo Nascimento era conivente ou era omisso com a situação, já que todo o seu primeiro escalão foi afastado por ordem da presidente Dilma. De qualquer forma, não tem mais condições de ficar. É só uma questão de tempo.

Até o desfecho previsível, vem aí mais um grande desgaste para a presidente da República. Para quê? Para nada. Ou alguém pode imaginar que, se o ministro Alfredo Nascimento for trocado por qualquer outro, como tudo indica, o PR vai passar para a oposição?

Só depois de morto Itamar vira "Pai do Real"

Itamar Franco morreu com a mágoa de nunca ter tido reconhecido seu importante papel no auge de uma grave crise política, no início dos anos 1990, que o levou a substituir Fernando Collor, o primeiro presidente da República cassado do país, e a promover a estabilidade econômica com a implementação do Plano Real.

Morto, virou uma unanimidade, tanto entre os políticos de todos os partidos como entre os escribas da imprensa tucana, que nos últimos dias não se cansaram de louvar seus méritos.Virou, finalmente, o "Pai do Real", um plano que teve muitas mães.

Bem que na semana passada, depois de receber mais uma homenagem pelos seus 80 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sucedeu Itamar, brincou com o fato de todo mundo estar falando bem dele. "No Brasil, só se costuma falar bem de político que já morreu...".

Pois, na longa entrevista que concedeu ao Jornal da Record News, duas semanas atrás, ao falar do grande feito do seu governo, o Plano Real, FHC esqueceu-se de Itamar Franco. Não o citou nenhuma vez. E até hoje tem gente que acha que o Plano Real foi implementado no governo de FHC.

Escrevi aqui mesmo no sábado (2), logo após a sua morte, que Itamar Franco, primeiro e único, foi um político diferente, fora dos padrões habituais de como se exerce o poder no país.

Até o velório, ou melhor, os dois velórios de Itamar foram originais. O ex-presidente acidental começou a ser pranteado no domingo, em Juiz de Fora, onde iniciou sua carreira política, reunindo à sua volta os ex-presidentes Lula, Sarney e Collor, hoje todos unidos na base aliada do governo Dilma. Foi um velório governista para o senador que era mais crítico do governo.

Ontem, em Belo Horizonte, foi a vez da oposição se postar ao lado do caixão, tendo FHC à frente de uma grande comitiva tucana, incluindo os rivais Aécio Neves, ainda com o braço direito na tipoia, e José Serra, que disputam o espólio do partido três vezes derrotado nas últimas eleições presidenciais. No meio deles, ficou a presidente Dilma Roussseff.

Todos esperaram por uma hora e meia pela chegada da presidente Dilma, o que provocou um empurra-empurra entre os papagaios de pirata para ver quem se postava melhor diante das câmeras de televisão.

Quem poderia imaginar esta cena - políticos de todos os partidos, muitos inimigos entre si, se empurrando para chegar mais perto de Itamar, o outsider mineiro que sempre correu em raia própria e pagou caro o preço pela sua independência e honestidade?

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26052011WDO 4736 O silêncio de Dilma e a volta de Lula

Antes do que queria e imaginava, Lula volta ao centro do palco político em Brasília

Em tempo:

Só depois de publicar o post abaixo, vi que a presidente Dilma Rousseff saiu pela primeira vez em defesa do ministro Antonio Palocci, garantindo que ele dará todas as explicações, durante cerimônia hoje no Palácio do Planalto. Melhor assim.

***

O silêncio ensurdecedor da presidente Dilma e o desaparecimento do ministro Palocci após as revelações sobre o incomum crescimento da sua renda e do patrimônio em 2010 levaram esta semana o ex-presidente Lula de volta a Brasília para apagar incêndios e fazer articulações políticas muito antes do que ele mesmo queria e imaginava.

Lula estava até evitando dar entrevistas e aparecer em lugares públicos para não ofuscar o protagonismo da nova presidente. Mas, menos de seis meses após deixar o poder, foi obrigado a ocupar o espaço que estava vazio há semanas, com os problemas de saúde de Dilma e o imobilismo político do governo como um todo, que sofreu sua primeira derrota na Câmara na votação do novo Código Florestal e foi obrigado a fazer um balaio de concessões a partidos da base aliada.

Pelo jeito, ninguém o convidou. Foi a sua conhecida intuição que o levou a assumir as rédeas da crise que se alastra, reunindo-se dois dias seguidos com Dilma, Palocci, ministros e parlamentares da base aliada, tentando consertar o estrago. Mais do que ninguém, Lula sabe qual é a dimensão da primeira grande crise enfrentada por Dilma e suas consequências.

Em qualquer hipótese, o governo sai desgastado. Ainda esta semana ousei bancar aqui no Balaio que o ministro Palocci fica no cargo, mas agora já tenho minhas dúvidas porque a cada dia a sua situação se complica. Também não sei se é melhor ficar ou sair, independentemente do que a Procuradoria Geral da União vai decidir sobre as explicações do ministro, que estão demorando muito a ser dadas.

Desta vez, não dá para ficar culpando a imprensa, pois nenhum dos fatos até agora divulgados sobre a repentina fortuna de Palocci foi desmentido. De mais a mais, mesmo após as denúncias contra Palocci, o tratamento dado a Dilma é muito mais respeitoso e condescendente do que o dispensado a seu antecessor.

Em meio à onda de silêncio que assola o Planalto, o único a ainda aparecer em público e falar com a imprensa para defender o governo é o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral. Os dois números de telefone que tenho do gabinete do ministro Palocci só dão sinal de ocupado desde sexta-feira, como se tivessem sido tirados do gancho.

Fora Gilberto Carvalho, ninguém retorna ligações, nem mesmo na área de comunicação do governo. Se isso acontece comigo, que sou amigo e já trabalhei com todos eles, posso imaginar como estarão sendo tratados os outros jornalistas. Não são só os parlamentares que têm razões para se queixar a Lula sobre a falta de diálogo com o governo.

"A presidente sumiu", constata hoje o colega Clóvis Rossi, em sua coluna na Folha, sob o título: "Dilma, cadê você?. Todo mundo gostaria de saber".

A esta altura do campeonato, o desgaste do recém-empossado governo já é tamanho que, mesmo o Ministério Público aceitando as justificativas de Palocci, ele poderá se tornar um estorvo se permanecer no cargo.

De ministro mais forte do governo a desaparecido político, para que serve um chefe da Casa Civil enfraquecido dentro e fora do Planalto? Até quando dura essa agonia? Chega uma hora em que qualquer decisão é melhor do que decisão nenhuma. Se demorar muito, nem Lula resolve.

***

Vamos também falar das coisas boas da vida. Recebi da amiga jornalista Suely Valente, minha colega na primeira turma da ECA-USP, um convite para a Maifest, tradicional festa de rua do Brooklin, na zona sul de São Paulo.

Como não estarei aqui, já que viajo amanhã cedo para fazer uma reportagem em Campina Grande, na Paraíba, e só volto na segunda-feira, repasso o convite para vocês. Será sábado e domingo, das 10 às 22 horas. Local: ruas Joaquim Nabuco, Princesa Isabel, Barão do Triunfo e
Bernardino de Campos.

Entre as dezenas de barracas de todo tipo, tem duas da Gotas de Flor, entidade que atende crianças e jovens moradores carentes. Além de artesanato, as barracas, na rua Bernardino de Campos,  oferecem boa comida: spätzle, uma massa alemã muito gostosa servida com dois molhos (gulash ou cebola).

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