Temer liga rolo compressor e dá uma virada no jogo

O presidente Michel Temer conseguiu uma grande vitória (Foto: FramePhoto/Folhapress)

Na gangorra do poder em Brasília, o governo Temer subiu e seus adversários desceram nesta terça-feira.

Em vez de jogar a toalha, como queria Fernando Henrique Cardoso, que já estava dando o jogo por jogado, o presidente ameaçado ligou o rolo compressor e partiu para o tudo ou nada, disposto a se manter no cargo a qualquer custo.

Foi um dia de vitórias para Temer, depois de um fim de semana em que viu crescer a sombra de Rodrigo Maia:

* Ganhou por goleada no Senado (50 a 26) ao aprovar a reforma trabalhista na íntegra, sem admitir qualquer emenda da oposição.

* Após o frenético troca-troca de deputados movido a emendas parlamentares, agora autorizado pelo STF, que devolveu a bola para a Câmara, virou o jogo na Comissão de Constituição e Justiça, e já tem maioria para rejeitar a denúncia da PGR endossada na véspera pelo relator Sergio Zveiter.

* Deu uma enquadrada no PMDB e nos partidos aliados para fecharem questão e votarem em bloco a seu favor no plenário, ameaçando os dissidentes com punições.

* Pressionou Maia a acelerar o processo de discussão e votação da denúncia, e fez o presidente da Câmara baixar a bola nas suas pretensões sucessórias.

Com o PSDB rachado, em profunda crise existencial, sem saber o que fazer da vida, e o PT dando vexame ao tentar impedir na marra a votação no Senado, em que levou uma surra, Temer ganhou inesperada sobrevida.

Pelo menos, adiou um desfecho para a crise que não tem data para acabar.

Claro que isso não vai depender só dele, diante da permanente ameaça de fatos novos trazidos por delações e denúncias a caminho, mas neste momento ele fechou a defesa com a tropa de choque do Centrão e montou um forte contra-ataque, atropelando quem encontrou pela frente.

Estava certa a avaliação da minha colega Chris Lemos, da Record em Brasília, ao mostrar como Temer já se preparava para governar sem os tucanos e seus agregados do PPS, com uma base aliada menor, mas mais fiel.

Afinal, basta-lhe garantir os votos (ou ausências) de apenas 172 deputados no plenário para enterrar de vez a denúncia por corrupção passiva, enquanto a oposição precisa de 342 para autorizar o STF a abrir a ação penal.

Para Temer, a aprovação do pacote trabalhista no Senado, pela forma como se deu, do jeito que ele queria, foi uma vitória pessoal sobre Rodrigo Maia, que já estava se apresentando como a opção preferencial do "mercado" e de setores da mídia para tocar as reformas.

Nada como um dia após o outro, cada qual com sua agonia, com uma noite no meio, para não dar nada como definitivo neste cenário cada vez mais imprevisível.

Se o governo é fraco, a oposição também não mostra capacidade de reação, além de espernear com marmitas sobre a Mesa Diretora do Senado com as luzes apagadas.

E a falta de alternativas viáveis, como a antecipação de eleições gerais, vai prolongando a permanência do atual ocupante do Planalto, rejeitado por 9 entre cada 10 brasileiros, contra todas as previsões.

Vida que segue.

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