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27 janeiro 2012

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Livros EUA: The Garner Files A Memoir

James Garner e John Winokur. Introdução de Julie Andrews. Edit. Simon & Schuster 2011. 276 páginas.

Garner Files Cover Art Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

Francamente nunca tinha antes parado para pensar muito sobre James Garner. Ele é o tipo do ator raro hoje em dia. Simpaticão, confiável, que parece ser um bom sujeito, mas que não provoca curiosidade sobre seu passado ou suas preferências. Seu maior mérito parecia ser o de ter sido um dos primeiríssimos (junto com Steve McQueen) a se transferir de uma série de TV (no caso, Maverick, um faroeste bem humorado) para o cinema. O que na época era muito raro e arriscado (muitos tentaram, pouquíssimos conseguiram). Mais que isso, Garner trabalhou nos dois veículos a vida inteira e sempre aceito pelo público.

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Garner é do tipo de intérprete que sempre dá a impressão de tudo ser fácil, não parece estar representando, é sempre ele mesmo. Não é bem assim, mas esse geralmente é a melhor técnica de ator de cinema,  ser absolutamente natural. Interpretar facetas de si próprio, ás vezes ate o lado negro (dark) de sua vida. Só agora com este livro franco e despretensioso é que fiquei sabendo, por exemplo, que ele foi herói da Guerra da Coréia, ferido duas vezes (as medalhas a que tinha direito foram esquecidas e foram necessários anos até que finalmente elas lhe fossem entregues).

Ele usa também outra técnica que eu gosto, ao final tem dois capítulos: um com depoimentos de amigos (James Woods, Lauren Bacall, Carol Burnett, o cantor Mac Davis, Tom Selleck, Stephen Cannel, Doris Day – que diz que adora ele, apesar dele ter lhe quebrado duas costelas!), Diahann Carroll, Joel Grey e outros menos conhecidos. Um deles, Bill Robinson, fala uma coisa muito importante em que geralmente as pessoas não pensam: atores não ganham tanto quando público pensa.

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Esta é a formula básica: todos tem um agente que leva dez por cento do bruto. Se o ator ganhou um milhão, o agente ganha cem mil. Só que na verdade, ele, ator, nem recebe o milhão porque vinte e cinco por cento já fica retido na fonte. Além disso, ele tem que pagar um business manager (que leva de cinco a sete por cento do bruto, com uma garantia mínima mensal).

Essa manager tem trabalho esteja o ator ou não trabalhando. Cuida de investimentos, paga impostos, contas... Tem o RP (o Relações Públicas), que leva salário mensal (entre 600  e dois mil e quinhentos dólares). Há ainda o manager (que podem também produzir filmes e cobrar comissão de seu cliente. De 5 a 15 por cento). Assim se for um milhão, o ator tem sorte se receber por volta de 300 mil dólares. O que, ao preço das coisas hoje em dia, não é fortuna!

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Depois ele passa por sua carreira filme a filme, incluindo telefilmes e séries de TV, comentando sobre os parceiros e dando até cotações. Melhores filmes para ele: Diário de uma Paixão e Não Podes Comprar o Meu Amor. São os únicos que levam cinco estrelas. Os piores seriam: Periscópio Á Vista e A Mulher Sem Rosto (vejam filmografia abaixo).

Não Podes Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

Outro capítulo que eu curti especialmente foi onde relembra os problemas que teve com as séries semanais, em particular, o sucesso Rockford Files (Arquivo Confidencial exibido aqui pela Globo). Ele se queixa de que tudo é feito muito às pressas, em geral numa semana e o ator tem que fazer as cenas de perigo, correr, pular e em geral se machuca. Só que não tem tempo para curar porque já vem um novo capítulo, novas cenas difíceis e mais machucados.

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São 22 capítulos de uma hora  por ano, trabalha 15 horas por dia e não há tempo para fazer nada mais. As dores são constantes por causa de problemas em todo o corpo (ele acha que David Janssen morreu aos 48 anos depois de ter feito O Fugitivo. Segunda Garner, o trabalhou o matou.  E um pouco também a bebida porque era alcoólatra). Diz que nos últimos anos do show Gunsmoke James Arness, gravava apenas um dia por semana e a história central ficava com os outros do elenco.

David Soul ficou doente no hospital por dois anos depois de Starsky & Hutch. Ele diz que mancou o show todo (tinha problemas nos joelhos e tomava regularmente Robasin, Percodan e Codeine para tirar a dor). Apanhava ao menos duas vezes por capítulo  (e os espectadores adoravam ver ele apanhar de chicote) e quebrou parte da espinha numa briga coreografada quando bateu num guindaste. Mas teve a sorte de nunca o acertarem por engano com um soco. Porém,  teve um ator que o acertou de propósito, Leo Gordon, que era presidiário de San Quentin por roubo armado.

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Garner revidou e ele passou a respeitá-lo deste então. A série durou cinco anos e só acabou por causa da exaustão e sangramento dele (mesmo assim eles retornariam mais tarde, com vários telefilmes). Teve ainda seus joelhos substituídos com prótese e em 2000 uma séria operação no coração (para colocar 5 marca passos).

Não espere, porém grandes fofocas ou romances. Garner, ou melhor, dizendo James Scott Bumganer, nasceu em 7 de abril de 1928 em Norman, no Oklahoma. Com 16 anos se alistou na Marinha Mercante e depois foi lutar na Coréia. Na volta, lhe conseguiram um papel de juiz (mudo) na montagem de The Court Martial of the Caine Mutiny, com Henry Fonda (e diz que aprendeu a representar prestando atenção em Fonda, como muitos atores insiste que o mais importante é ouvir e reagir e não falar).

Quem tiver a oportunidade de ler sua autobiografia, com certeza vai gostar. Dele e do livro.

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Teve a sorte de ser chamado pela Warner na época em que o estúdio ainda treinava jovens atores, lhe ensinando tudo (cantar, andar, cavalos, esgrima, etc). Foi assim que foi evoluindo de pontas para papéis principais e o estrelato com Maverick. Se casou com Lois Fleischerman Clarke em 56 e ainda estão juntos.

Maverick Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

Foi indicado ao Oscar uma única vez por O Romance de Murphy, teve 14 indicações ao Emmy (levou duas como produtor de Promise e ator em Rockford). Quatro Globos de Ouro: revelação (em 58, ator em Promise e Decoration Day e Selvagens em Wall Street, sempre de TV).

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Filmografia

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2010 - DC Showcase: Superman/Shazam!: The Return of Black Adam (CM.Voz)

2007 - First Night (CM), Batalha por T.E.R.R.A. (Battle for T.E.R.R.A. Voz)

2006 - The Ultimate Gift

2004 - Diário de uma Paixão (Tje Notebook com Ryan Gosling)

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2002 - Divinos Segredos (The Divine Secrets of the Ya Ya Ya Sisterhood com Sandra Bullock), Encontro com a Vida (Roughin it. TV)

2001 - Atlantis - O Reino Perdido (Atlantis The Lost Empire. Voz)

2000 - O Debate Final (The Last Debate.TV), Cowboys do Espaço (Space Cowboys de Clint Eastwood)

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1999 - One Special Night (TV). Shake, Rattle and Roll: An American Love Story (TV. Sem crédito). The Rockford Files: If It Bleeds... It Leads (TV)

1998 - Justiça Corrupta (Legalese.TV). Fugindo do Passado (Twilight com Paul Newman)

1997 - The Rockford Files: Shoot - Out at the Golden Pagoda (TV). Morte Silenciosa (Dead Silence.TV)

1996 - Meus Queridos Presidentes (My Fellow Americans, com Jack Lemmon).The Rockford Files: Punishment and Crime (TV). The Rockford Files: Friends and Foul Play (TV). The Rockford Files: Godfather Knows Best . The Rockford Files: If the Frame Fits... (TV)

meus queridos Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1995 - Laredo - O Último Desafio (Streets of Laredo. TV).1995 The Rockford Files: A Blessing in Disguise (TV)

1994 - The Rockford Files: I Still Love L.A. (TV), Maverick (Idem com Mel Gibson).Uma Vida em um Dia (Breathing Lessons. Com Joanne Woodward. TV)

1993 - Selvagens em Wall Street (Barbarians at the Gate. TV). Fogo no Céu (Fire in the Sky)

1992 - Um Distinto Cavalheiro (A Distinguished Gentleman.TV)

1990 - Medalha de Honra (Decoration Day. TV)

1989 - O Valor da Vida (My Name Is Bill W. TV)

1988 - Assassinato em Hollywood (Sunset de Blake Edwards)

1986 - Promise (TV)

1985 - O Romance de Murphy (Murphy´s Romance com Sally Field). Space (TV)

O Romance de Murphy Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1984 - Morte no Cinema (The Glitter Dome. TV). Heartsounds (TV). Uma Família em Pé de Guerra (Tank). Longo Verão (The Long Summer of George Adams. TV)

1982 - Victor ou Vitória? (Victor or Victoria com Julie Andrews)

1981 - O Fã - Obsessão Cega (The Fan com Lauren Bacall)

1980 - Saúde - Política do Corpo e Saúde (H.E.A.L.T.H.) de Robert Altman

1978 - The New Maverick (TV)

1974 - Um Aventureiro no Havaí ( The Castaway Cowboy com Vera Miles)

1973 - O Pequeno Fugitivo (One Little Indian com Vera Miles)

1972 - Eles só Matam a seus Senhores (They Only Kill Their Masters com Katherine Ross)

1971 - Dois Trapaceiros da Pesada (Skin Game com Louis Gossett Jr). Latigo, o Pistoleiro/ Support Your Local Gunfighter com Suzanne Pleshette)

1970 - Sledge o Homem Marcado (A Man Called Sledge com Dennis Weaver )

1969 - Detetive Marlowe em Ação (Idem com Rita Moreno).Uma Cidade Contra o Xerife (Support Your Local Sheriff! com Joan Hackett)

1968 - Febre de Cobiça (The Pink Jungle). Lua de Mel com Papai (How Sweet It Is! Com Debbie Reynolds)

1967 - A Hora da Pistola (Hour of the Gun de John Sturges)

1966 - Grand Prix (Idem com Eva Marie Saint). A Mulher sem  Rosto (Mister Buddwing com Jean Simmons). Duelo em Diablo Canyon ( Duel at Diablo com Sidney Poitier)

Grand Prix Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1966 - Passaporte para o Perigo (A Man Could Get Killed com Melina Mercouri)

1965 - Artistas do Amor (The Art of Love com Elke Sommer) e 36 Horas (36 Hours com Eva Marie Saint )

1964 - Não Podes Comprar o Meu Amor (The Americanization of Emily,  com Julie Andrews)

Não Podes 2 Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1963 - Eu, Ela e a Outra (Move Over Darling com Doris Day). Simpático, Rico e Feliz (The Wheeler Dealer, com Lee Remick).Tempero do Amor (The Thrill of it All). Fugindo do Inferno (The Great Escape com Steve McQueen).

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1962 - Uma Vez por Semana (Boys Night Out com Kim Novak)

1961 - Infâmia (The Children´s Hour com Audrey Hepburn)

Infâmia Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1960 - Amor de Milionário (Cash McCall com Natalie Wood).

1959
-Valentão é Apelido (Aliás Jesse James). Periscópio à Vista (Up Periscope)

1958 - Lutando Só pela Glória (Lafayette Escadrille) (sem crédito). Assim se Moldam os Heróis (Darby´Rangers).

1957 - Sayonara (Idem com Marlon Brando). Espera Angustiosa (Bombers B-52, apenas voz sem crédito). No Rastro dos Bandoleiros ( Shoot-Out at Medicine Bend com Randolph Scott).

sayonara Livros EUA: <i>The Garner Files A Memoir</i>

1956 - Impulsos da Mocidade (The Girl He Left Behind com Natalie Wood). Rumo ao Desconhecido (Toward the Unknown com William Holden).

Participou como regular nas séries de TV:

2003 - 2005: 8 Simple Rules... for Dating My Teenage Daughter.

2002 - First Monday.

2000 - Chicago Hope

1991-1992 - Man of the People

1982 - Bret Maverick

1974-80 - Arquivo Confidencial (The Rockford Files)

1971-1972 - Nichols

1957-1962 - Maverick (Idem)

1955-1957 - Cheyenne (TV séries)

1956-1957 - Conflict

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26 janeiro 2012

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Considerações sobre as indicações ao Oscar

Oscar2012 1 Considerações sobre as indicações ao Oscar

Passado o primeiro momento de susto e a corrida para entregar o texto, agora já é possível fazer uma análise mais completa das indicações ao Oscar e tentar entender algumas coisas totalmente ilógicas.

Com a ajuda de um artigo de Mark Harris de quem cito algumas sacadas bem-humoradas. Eles fazem uma comparação com a corrida presidencial americana dos Republicanos, mas para nós infelizmente não faz sentido. Distante demais. Mas vou citar.

Diz que O Artista é como Milt Romney (quer agradar de qualquer jeito, mas não quer dizer nada em especial, não é muito popular, mas na ausência de outros pode até ganhar), Hugo seria Rick Santorum (um pouco lento e saudosista) e Os Descendentes como New Gingrich (emocionalmente, instável, contra as esposas, esta indo mais longe do que se podia esperar).

1 – De uns anos para cá temos visto uma tendência da Academia fazer jus a seu nome de Academia de Artes! Isso explica as indicações para Melhor Filme, Diretor e Fotografia para A Árvore da Vida. Além disso, sempre gostaram e apoiaram o diretor Terrence Malick. Eu gosto do filme e acho que estão certos em apoiar um trabalho de vanguarda, não narrativo e de prestígio. Antes pecar por mais do que menos (que seria o caso de terem colocado entre os finalistas de melhor Missão Madrinha de Casamento). Sabem que eu sou a favor de comédia e gosto do filme, mas francamente seria uma vergonha. Ainda que não faça muito sentido ter nove finalistas, por que não dez? Não seria muito mais lógico?!

2 – Ainda assim a comédia não saiu desprestigiada, já que foram relembrados Kristen Wiig como roteirista de Madrinha, Melissa McCarthy, Jonah Hill (alívio cômico de O homem que Mudou o Jogo), uma surpresa de certa maneira com seis indicações. Mas a experiência ensina que número de indicações não significa vitória (Hugo ficou com 11, O Artista com 10, mas nenhum dos dois está indo bem de bilheteria, pela mesma razão, são sofisticados demais para uma plateia grande).

3 – Não há como não ficar satisfeito com a indicação para Gary Oldman, a primeira depois de uma carreira notável de 25 anos, mas não há a menor chance dele ser premiado. A categoria de Melhor Ator resultou num duelo justamente entre os dois amigos Brad Pitt e George Clooney, ambos ajudados por outros trabalhos, Brad por A Árvore da Vida, George por Tudo pelo Poder. Sendo que George já ganhou fazendo supor que teria chegado a hora de Brad levar o prêmio para casa.

4- As duas novatas do ano são Rooney Mara (Millenium) e Jessica Chastain que parece estar em todos os filmes do ano. Essa foi indicada mais por quantidade do que qualidade, já que em nenhum deles esta mal, nem especialmente bem (em Coriolanus, um dos injustiçados do ano, ela é superada por Vanessa Redgrave, excelente, mas vai ver a Academia achou que já tinha feito sua obrigação lhe fazendo homenagem no ano passado na ocasião do Oscar especial para James Earl Jones). Rooney não merece a indicação já se sabe, mas deve ter sido a admiração pela ousadia dela aparecer toda cheia de piercings e mesmo nua no cartaz americano (para eles tudo isso é já o máximo para uma atriz jovem e rica. Daqui em diante vão apostar nela como futura estrela).

5 – Fizeram a pesquisa e viram que a idade média dos indicados a diretores Michel Hazanavicius, Alexander Payne, Woody Allen, Martin Scorsese e Terrence Malick é de 61 anos, um recorde. Não se teve vestígio de mulheres (comprovando que o Oscar para Kathryn Bigelow foi prematuro), mas felizmente também não incluíram o superestimado David Fincher.

6 – Tudo na vida é uma questão de momento, de timing. Se o Oscar tivesse acontecido ha meses atrás com certeza Histórias Cruzadas teria tido mais indicações e seria mais premiado (a não ser apenas pelo elenco).

7 – Fiquei espantado como o decepcionante J. Edgar conseguiu enganar algumas pessoas, mas a Academia demonstrou que estava atenta. Gostam de Eastwood, menos um pouco de Caprio, mas os dois têm direito de errar. Este último filme deles é uma tristeza e não vai dar nenhum publico.

8 – Já falamos das omissões principais, mas tem aparecido muitas piadas pela ausência da revelação do ano que foi Michael Fassbender por Shame. Onde aparece pelado (mas bem menos do que vocês imaginam, duas ou três vezes andando pela casa e pouco mais, nada explícito). Mas dizem que foi um freudiano “penis envy” (inveja) e que os conservadores gostam que mulher se dispa mas não os homens. Repasso como ouvi.

9 – Não cheguei a comentar com vocês sobre Tão Forte e Tão Perto, que confirmou que Stephen Daldry realmente consegue colocar seus filmes dentre os finalistas como sucedeu antes com tudo o que fez. Mesmo quando é um filme menor. É uma historia sobre 11 de setembro e um garoto nova-iorquino (engraçado que ele é obviamente judeu, mas o filme faz tudo para minimizar isso, inclusive na escolha dos pais Hans e Bullock e sem mostrar detalhes da religião). A melhor coisa do filme é sem dúvida Max Von Sydow, ator ilustre e maravilhoso que merece todos os elogios. Sua indicação é mais que merecida. Mas sabem qual o problema do filme: escolheram como protagonista o menino mais chato, mais desagradável, pedante e irritante do cinema moderno. Nem vou citar o nome para não dar azar. Só esse erro básico já devia desclassificar o filme.

10 – A ausência de As Aventuras de Tintim parece demonstrar que a Academia não considera o capture performance como animação, o que me parece errado e reacionário (essa categoria e esse branch/ramo da Academia é considerado dos mais conservadores e chatos). Se foi por isso melhor mudarem logo de ideia. Eu na verdade fui ver o filme de novo agora em 3D e continuei admirando o prazer que Spielberg tem em fazer movimentos de câmeras, tomadas e cortes que o filme convencional com atores e sets não lhe permitem. O filme é uma delicia visual, também bastante fiel ao quadrinhos e mesmo sua tradução aqui (o Snowy virou novamente Milu, O Unicornio retornou como La Licorne). Mas a verdade é que falta ao filme uma proposta, não é bem para criança, inclusive por que ressuscita um personagem muito discutível e politicamente incorreto, faz piada o tempo todo com um bêbado inveterado (e que pretende ser engraçado), chegando ao mau exemplo de beber álcool! (Um perigo!). Também não é bem para adulto, ficando restrito ao cult e o nostálgico. A verdade é que faltam mais gags, por exemplo a dupla de detetives deveria ser mais engraçada, nada com eles funciona. O batedor de carteiras também não tem graça nenhuma. Mesmo o Milu que começa bem vai perdendo fôlego, enquanto o filme se fixa em aventuras e correrias (que não impressionam em terceira dimensão), mas que fazem pensar em Indiana Jones. O que explicaria porque Spielberg quis fazer o filme sabendo que seria rejeitado pelos americanos (no cinema, alguém gritou ao final, “É muito maluco”! Isso quer dizer que o favorito voltou a ser Rango, o que só comprova que foi um ano fraco para a animação). E que o Oscar vai ajudar dois estrangeiros, A Cat in Paris e o hispano-cubano Chico e Rita que é melhor como trilha que filme.

Alguns recordes e curiosidades

Meryl Streep teve sua 17ª indicação, expandindo o recorde para atores, que já era dela. Mas John Williams foi mais longe conseguindo mais duas indicações (ainda que discutíveis, com As Aventuras de Tintim – que podia ser ainda mais alegre e empolgante – e Cavalo de Guerra, que é exagerada e retumbante). Ou seja, para ele os números 46 e 47 como o mais indicado em todos os tempos!

Outro que se saiu bem foi George Clooney, que depois de ser indicado como ator (Os Descendentes) e roteirista (Tudo pelo Poder) foi indicado para 7 Oscars em 7 anos. Outro favorito foi Woody Allen que teve suas 22ª e 23ª indicações (Direção e Filme, a primeira por Melhor Filme em 25 anos!). Assim ele supera Billy Wilder com quem estava empatado. Notem também que outros tiveram duas indicações, Michel Hazanavicius, Roteiro e Direção, Scorsese por dirigir e produzir e Brad Pitt, como Ator e Produtor. Alexander Payne teve três: Roteiro, Direção e Produção. Kenneth Branagh chegou a sua quinta indicação em cinco diferentes categorias! Kristen Wiig e Annie Mumulo são as primeiras mulheres autoras de Roteiro Original desde Nora Ephron e Alice Arlen, por Silkwood há 28 anos atrás. E pela primeira vez temos três atores que não falam indicados os dois de O Artista e também Von Sydow.

Falta ainda a reclamação maior contra o chamado Music´s Branch que escolheu apenas duas canções ainda que uma de dois brasileiros (bom, se não ganharmos agora é perseguição mesmo, já que a dos Muppets é muito fraquinha! Mas eles tem um super lobby da Disney que ainda tenta salvar o fracasso. Se bem que ontem já foi anunciado que teremos o Rio II e que vai se passar na época da Copa do Mundo!).

A questão é que não é possível que de uma lista de 39 finalistas não tivesse algo para escolher. Como vimos no Globo de Ouro, a música da Madonna era legal, a da Glenn Close uma gracinha, outras de Lady Gaga, Mary J. Blige e assim por diante. E já tivemos anos bem piores e nunca um número tão pequeno de indicados, o que chega a ser constrangedor! O Branch é formado por 236 músicos que vêem os clipes e depois votam de 6 a 10. Para ser classificada é preciso ter uma média de 8.25 ou mais! Se ninguém chegar lá não temos indicados. Se apenas uma consegue a média, a imediatamente anterior também ascende (em 2008 tivemos 3). Ainda acho que é outro sintoma de como a Academia anda perdida e desmiolada.

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26 janeiro 2012

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Em cartaz: O Pai dos meus Filhos

paidosmeus e1327580082260 Em cartaz: <i>O Pai dos meus Filhos</i>

Diretor: Mia Hansen Love. 110 min. França, 2009

Elenco: Chiara Caselli, Sandrine Dumas,Dominique Frot, Louis-Do de Lencquesaing, Alice de Lencquesaing, Alice Gautier, Manelle Driss, Eric Elmosino.

Já em fim de carreira e em tempo de Oscar, não há porque se preocupar com este inexpressivo drama francês, da mesma diretora de Adeus, Primeiro Amor (posterior e que eu não vi). Talvez para quem seja do ambiente de cinema possa ter maior interesse porque conta a história de um produtor de cinema que se suicida quando fica por demais endividado, em parte por sua irresponsabilidade, em parte por culpa de um diretor sueco metido a gênio que dificultava filmagens.

Já houve casos como este, mas tudo é tratado de uma forma casual resultando apenas em mais um filme na moda atual de como tragédias abalam a vida cotidiana das pessoas e como elas lidam com o assunto. Como o roteiro é muito mal definido, os personagens mal desenvolvidos e a história não tem uma conclusão marcante, não consegue se salvar por umas poucas cenas de duas meninas charmosas (que fazem as filhas). Companheira na vida real do diretor  Olivier Assayas, ex-atriz, e critica de cinema do Cahiers du Cinema. Todas essas referencias a credenciavam a fazer um filme melhor e menos banal.

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26 janeiro 2012

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Estreia – As Mulheres do Sexto Andar

As Mulheres do Sexto Andar (Les Femmes du 6ème Étage). França, 011. Direção de Philippe Le Guay.

Com Fabrice Luchini, Carmen Maura, Sandrine Kiberlain, Lola Duenas, Natalia Verbeke, Berta  Ojea, Nuria Solé, Concha Galán. 104 min.

02 Estreia   <i>As Mulheres do Sexto Andar</i>

Gostei muito desta comédia francesa despretensiosa, mas humana e divertida. Foi feita por um professor de cinema da famosa Fémis, já veterano roteirista e diretor, que conta uma história sobre algo bem francês. Não sei se vocês em visita a Paris já ficaram intrigados com as construções antigas, que têm em seu último andar, justamente esse sexto, uma velha tradição local, le chambre des Bonnes (os quartos das empregadas). Era no alto que ficavam as acomodações (modestas em geral) para os empregados (naturalmente hoje dia eles foram reformados e transformados em residências ate de luxo!).

13 Estreia   <i>As Mulheres do Sexto Andar</i>

Esta historia passada nos anos 60, retrata um momento no auge da repressão na Espanha, dominada pela ditadura católica de Franco quando as mulheres eram obrigadas a emigrar para Paris onde vão trabalhar como domésticas para enviarem dinheiro para suas famílias e muitas vezes maridos, impedidos de trabalhar. E elas formavam comunidades alegres, barulhentas, que por vezes assustavam os patrões burgueses conservadores e antiquados.

22 Estreia   <i>As Mulheres do Sexto Andar</i>
É o caso de uma família bem careta liderada por um investidor na Bolsa de Valores (o sempre bom ator Luchini, de Potiche) que vive com a esposa fútil (que se preocupa com roupas e jogar cartas) e os dois filhos que estudam fora. Ele, porém, se encanta com as espanholitas de várias idades (inclusive La Maura, de Almodóvar, em papel modesto) e passa a ajudá-las (em coisas básicas como consertar seu banheiro) e frequentá-las, sentindo-se atraída por uma delas com quem inicia um caso.

42 Estreia   <i>As Mulheres do Sexto Andar</i>

Dá para sentir que é um projeto pessoal, o que depois foi confirmado quando soube que o diretor conta a história de sua juventude (ele realmente teve empregada espanhola e era filho de um agente da bolsa de valores).

32 Estreia   <i>As Mulheres do Sexto Andar</i>

O filme basicamente é construído neste contraste de culturas e hábitos, sem grandes ousadias, mas resultando numa comédia adulta, ate romântica e muito simpática. Naturalmente vai se perder entre tantos filmes do Oscar, mas vale um bom passatempo.

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26 janeiro 2012

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Estreia – Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Millenium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl with the Dragon Tatoo). 158 min. EUA, 11. Direção de David Fincher. Roteiro de Steven Zaillan. Baseado em livro de Stieg Larsson.

Com Daniel Craig, Christopher Plummer, Rooney Mara, Robin Wright, Stellan Skasgaard, Joely Richardson, Steven Berkoff, Geraldine James, Goran Visjnic.

01 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

Mas será que eu já não vi este filme antes? Dá realmente essa impressão e preciso de algumas linhas para explicar: o livro original do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004) acabou se tornando um bestseller mundial pouco depois da morte prematura de seu autor (aos 50 anos, todos os livros dele são póstumos, não viveu para curtir seu êxito mundial). Essa trilogia de livros é unida pelo nome Millenium (que é o da revista para onde o herói trabalha e está sendo usado na edição brasileira e também serve para identificar as versões norte-americanas e diferenciá-la das suecas, feitas em 2009-10. Ou seja, foi tão grande sucesso dos livros, que eles primeiro tiveram uma versão sueca que teve distribuição internacional. Apenas o primeiro deles foi lançado em nossos cinemas e não teve grande repercussão. Chamou-se também Os Homens que não amavam as mulheres (Mann som Hatar Kvinnor). Eis a ficha dele: Suécia, 09. Direção de Niels arden Opley.

41 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Harbe, Sven Bertil Taube, Peter Andersson. Distribuidora: Imagem. Não gosto deste título literal e prefiro o título que lhe deram os americanos, traduzindo A Garota da Tatuagem de Dragão (que é muito mais sugestivo e não julga ninguém). Um detalhe: a atriz que fez a heroína Lisbeth é muito mais interessante e competente do que a versão americana, tanto que Noomi Rapace está fazendo carreira internacional (no recente Sherlock Holmes: Jogo de Sombras, também em Prometheus, de Ridley Scott, que estreará em breve). Por que o filme não foi bem de bilheteria, não chegaram a estrear comercialmente por aqui suas continuações que eu já assisti e que achei muito hardcore, ou seja, ainda mais violentos e sensuais, acompanhando sempre Lisbeth e explicando melhor como ela se tornou punk e revoltada (seriam A Garota que Brincava com o Fogo e A Garota que Chutou o Ninho de Vespas).

12 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

Nunca entendi porque os americanos insistiram em refazer a história quando é tão evidente que a temática é pesada e mais europeia que deles. Menos ainda porque David Fincher insistiu em realizá-la, logo depois de ter dado certo com A Rede Social. Um erro porque ele não tinha muito a acrescentar, tornando o filme longo (quase três horas!), muito explícito (mostra duas cenas de violência sexual de maneira discutível, um sexo oral e uma sodomia, como se tivesse prazer em se fixar naquilo).

É justo eu deixar claro que acho Fincher um diretor superestimado. Pessoalmente é um sujeito pretensioso e arrogante, que se acha gênio desde que ele era famoso como diretor premiado de comerciais e fez Clube da Luta (que foi aquele filme que no Brasil provocou matança, onde morreu uma amiga minha, o que tornou o caso pessoal). Mas para ser justo ele fez um bom trabalho com Seven, A Rede Social e Benjamin Button. Mas aqui não tem nenhuma personalidade e o filme é muito parecido, mas inferior ao original. Inclusive no desperdício de Daniel Craig como o herói jornalista, num personagem que nada faz além de apanhar com frequência e ficar pesquisando na casa gelada do inverno sueco!

21 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

Os dois contam basicamente a mesma história: a de um investigador/ jornalista dessa revista chamada Millenium, Mikael que depois de perder um caso muito badalado de difamação, para uma grande corporação, é convocado por um industrial octognerário (feito por Christopher Plummer possível vencedor do Oscar de coadjuvante por outro filme, Toda Forma de Amar) que deseja saber por que sua sobrinha favorita desapareceu décadas antes. Os suspeitos são alguns parentes que eram nazistas ativos naquela época (apesar da Suécia ter sido neutra). A família toda é muito rica, mas não se dão entre si e não ajudam muito na investigação que se torna mais interessante porque ele contrata como ajudante/pesquisadora uma garota que é toda tatuada e cheia de piercing, que é justamente essa Lisbeth Salander, uma mulher de poucas palavras e muita briga que mantém ligações lésbicas, hacker e mestre em invadir casas e descobrir segredos. Mas também excelente para desenterrar esqueletos dos armários.

6 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

Mikael aos poucos se envolve com ela, chegando a ter também uma relação sexual. É quando a versão americana derrapa forçando ao final uma situação que procura tornar a heroína mais normal, mais convencional. Lisbeth teria se apaixonado por Mikael e sonhado em ser normal (entre aspas). É uma das razões porque prefiro o filme original, a outra é a atriz Rooney Mara. Ela tinha tido uma participação eficiente como a garota do começo em A Rede Social, o que a levou a ser escolhida para Lisbeth. Mas lhe falta a atitude, a experiência, o peso do personagem que ela deixa mais superficial e menos rancorosa.

31 Estreia   <i>Millennium   Os Homens Que Não Amavam As Mulheres</i>

É preciso dizer também que a resolução não é muito surpresa e me pareceu muito prolongada. E novamente erra em colocar um ator mais conhecido do que os outros como vilão maior. Também não vi maior trabalho de criação na direção (o resultado de bilheteria é decepcionante, custou por volta de US$ 90 milhões - pra onde foi tanto dinheiro? - e não rendeu nem isso, é mais um que não se pagou no mercado americano).

É verdade que a esta altura os livros também já são sucesso aqui no Brasil e o interesse vai aumentar. Mas continuo preferindo as versões originais suecas.

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26 janeiro 2012

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Estreia – A Tentação

A Tentação (The Ledge). EUA, 11. Direção e roteiro de Matthew Chapman. Com Charlie Hunnan, Terence Howard, Patrick Wilson, Liv Tyler, Jacqueline Fleming, Chris Gorham. 101 min.

14 Estreia   <i>A Tentação</i>
Vai estrear na semana que vem um filme chamado À Beira do Abismo (Man on the Ledge), que é confessadamente inspirado neste aqui, sem dúvida mais modesto. Não gosto do título nacional do que poderia ser um thriller sobre um tema clássico do cinema, um sujeito que vai para o alto de um edifício e ameaça pular de lá (enquanto a polícia vem tentar dissuadí0lo).

Lembro de quando eu era criança teve uma história dessas que me impressionou num filme chamado Horas Intermináveis (14 Hours, 51) de Henry Hathaway, que não pude ver porque não tinha idade suficiente. Anos depois saiu em DVD, a história desse sujeito Richard Basehart e as causas para seu desespero (era também a estreia de Grace Kelly no cinema).

23 Estreia   <i>A Tentação</i>

Essa situação tem sido desde então a base para o subgênero, que tem uma variante neste filme B que teria influenciado o escritor de À Beira do Abismo, que não gostou, porém, de sua resolução, preferindo optar por um assalto em vez de um tema religioso. Embora seja justamente isso que torne este The Ledge um pouco diferente.

33 Estreia   <i>A Tentação</i>

O filme também tem um especial charme porque foi dirigido e escrito por Matthew Chapman, que é casado faz muitos anos com a atriz brasileira Denise Dumont e que deu uma mão também em A Grande Arte, de Waltinho Salles. Ele tem grande experiência como roteirista (A Cor da Noite, o Júri, Jogos de Adultos) e ocasionalmente diretor.

Ele conseguiu aqui um bom elenco que inclui Liv Tyler e o astro da Broadway Patrick Wilson (série de TV A Gifted Man, Prometheus, Jovens Adultos, Sobrenatural), mas o que mais me impressionou foi o inglês Charlie Hunham, que revela uma especial simpatia e carisma (ele foi o mais novinho da série inglesa Queer as Folk).

43 Estreia   <i>A Tentação</i>

O enredo é aquela de sempre: um policial (Terrence Howard indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho) é chamado para ajudar um rapaz que está no alto de um prédio ameaçando pular (ele tem um prazo pequeno para resolver se pula ou não motivado por uma  razão religiosa. Não posso dizer o que se trata, mas é estranho que um filme aborde um assunto assim, que irá afetar também o policial que tem também seus problemas de consciência).

51 Estreia   <i>A Tentação</i>

É raro se ver um filme do gênero - ou qualquer outro tipo - mexer com questões religiosas. Com um herói ateu, outro cristão fanático. Polêmico como todos os que enveredam pelo caminho.

Exibido em Sundance, é portanto um suspense diferente, com uma mensagem a passar.

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26 janeiro 2012

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Estreia – Os Descendentes

Os Descendentes (The Descendents) EUA, 11.115 min. Direção de Alexander Payne. Roteiro de Payne e Nat Faxon e  Jim Rash, baseado em livro de Kaui Hart Hemmings.

Com George Clooney, Beau Bridges, Amara Miller, Shailene Woodley, Robert Foster, Matthew Lilard, Judy Greer, Nick Krause, Michael Ontkean. Fox.

desce0 Estreia   <i>Os Descendentes</i>

Este não foi mesmo um grande ano para o cinema nem internacional, nem de Hollywood. Prova disso é a falta de filmes fortes e favoritos para o Oscar, polêmicos ou originais (onde o mais curioso acaba sendo justamente uma produção francesa muda, e em preto e branco, O Artista, o que por si só já é um comentário sobre a modernidade!). Na falta de alternativas, ganhou mais peso este filme decente e bem feito, nada excepcional, que ganhou Globos de Ouro de melhor drama e melhor ator (George Clooney, que realmente está em seus melhores dias).

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O que eu acho mais importante dele é que marca o retorno de um cineasta talentoso, mas que tem trabalhado pouco, Alexander Payne (sabiam que era grego? Alexander Constantine Papadopoulos!) que não fez nada desde o sucesso de Sideways - Entre Umas e Outras (04), a não ser o piloto e produção da série Hung e episódio de Paris eu Te Amo. Mas entre seus outros bons trabalhos tem A Confissão, de Schmidt, com Jack Nicholson, Eleição, com Rise Witherspoon, e Ruth em Questão, com Laura Dern.

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Não se pode dizer que tenha feito um trabalho pessoal, mas conta muito bem uma história extraída de um livro de uma escritora havaiana (a autora Kaui aparece numa ponta como a secretária de Matt e já tem outra adaptação pronta, Breaking Waves, 12). Todo rodado em locações, conta a trajetória de Matt King (Clooney), que administra as terras de sua grande e antiga família que descende de príncipes locais (mas que terá que vender as terras num prazo de quatro anos, o que deverá render muito dinheiro para ele e os primos).

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Mas sua vida entra em crise porque tem que cuidar das duas filhas (uma adolescente e outra pequena e rebelde), com quem tinha pouco contato. O problema é que sua esposa sofreu um acidente quando estava praticando esqui aquático e está em coma num hospital. A situação ainda se agrava quando a filha mais velha lhe conta que a mãe tinha um amante e que estava apaixonada por ele, um agente imobiliário. E como se não bastasse, o médico lhe previne que a mulher não dá sinais de melhora e que seria o caso de desligar os aparelhos!

desce Estreia   <i>Os Descendentes</i>

Tudo isso é contado no tom certo, com emoção e certo humor, mas sem sentimentalismo ou dramalhão. Com todo mundo de bermudas como parece ser a vida no Havaí. Muito ajudado por um elenco muito eficiente, onde surgem um sogro antipático e prepotente (Forster), um primo bom vivant (Beau Bridges) e a principalmente a esposa do amante (uma curta - mas eficiente - participação de Judy Greer, que lhe deu indicação ao SAG, graças a uma ótima cena em que ela diz todas as verdades para sua rival em coma!).

desce4 Estreia   <i>Os Descendentes</i>

Ou seja, Os Descendentes é aquilo raro de se encontrar: um bom filme, não excepcional. Mas é para ver.

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26 janeiro 2012

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Estreia – J. Edgar

J. Edgar (Idem) EUA, 11. Direção e trilha musical de Clint Eastwood. Warner. 137 min. Roteiro de Dustin Lance Black (Milk).

Com Leonardo Di Caprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Josh Hamilton, Ken Howard, Jessica Hecht, Josh Lucas, Detmot Mulroney, Zach Grenier, Denis O´Hare, Lea Thompson.

jon1 Estreia   <i>J. Edgar</i>

Aos 81 anos, Clint Eastwood continua a trabalhar como diretor, co-produtor (aqui ao lado de Brian Grazer e Ron Howard da Imagine) e autor da trilha musical original (por sinal, discreta). No momento roda um novo filme como ator (Trouble with the Curve, com Amy Adams). Mas para mim este é seu pior trabalho em muitos anos, um projeto nada comercial a partir de sua proposta inicial: quem sabe hoje em dia, mesmo nos Estados Unidos, quem foi J. Edgar Hoover? Ninguém.

Isso explica o fracasso comercial. Mas ele tomou outra opção muito discutível que foi a de contar um lado polêmico da vida do biografado, que até agora era mais sugerido do que confirmado, mostrando que ele gostava de se travestir e manteve durante anos uma ligação homossexual com seu homem de confiança.

jon2 Estreia   <i>J. Edgar</i>

Poderia ter sido um caso platônico, mas o filme desbanca numa constrangedora cena em que esse parceiro tem crise de ciúmes – por Hoover - lhe disse que iria sair com a estrela Dorothy Lamour - os dois brigam e terminam no chão com um beijo na força conquistado a força! Uma cena que não funciona principalmente porque o ator que faz o parceiro não tem experiência para segurar um momento tão intenso. É o loirinho (filho de milionários) Armie Hammer que fez os gêmeos em A Rede Social, mas que é derrubado também por uma das piores maquiagens que eu já no cinema recente.

Enquanto é excepcional o trabalho do make up em Albert Nobs e principalmente em A Dama de Ferro, falha aqui ao ter que envelhecer os protagonistas, bem jovens (Armie nasceu em 1986). Não conseguem convencer, embora Di Caprio faça um tremendo esforço, procurando franzir o cenho, bancar o antipático, mas a verdade é que não mereceu a indicação ao Globo de Ouro e se entrar no Oscar é só por prestígio pessoal.

jon3 Estreia   <i>J. Edgar</i>

Talvez o problema tenha sido em chamar como roteirista um especialista em temas gays (o mesmo de Milk), o que também provocou rejeição de parte da plateia (o filme teria custado US$ 35 milhões e rendeu por volta de 36, ou seja, nem se pagou, já que teria que para isso render o triplo – o resto fica com o distribuidor e exibidor). Se bem que no fundo mesmo poucos vão se interessar por Mr. Hoover (não confundir com o ex-presidente americano Herbert do mesmo sobrenome).

Este aqui é John Edgar Hoover (1895- 1972), que foi durante anos o todo poderoso presidente/chefe do FBI (para onde entrou em 1924). Um homem feio e antipático que passou incólume por vários presidentes (Roosevelt, Truman, Eisenhower, Kennedy, Lyndon Johnson, Nixon) se mantendo no cargo porque tinha um dossiê secreto sobre os segredos dos poderosos que usava para fazer chantagem! Sem qualquer escrúpulo.

O filme conta praticamente toda a história recente dos Estados Unidos através do trabalho de Hoover, que é um filhinho da mamãe (Judi Dench, em seus dias menos felizes), mal resolvido (tenta paquerar a secretaria feita por Naomi Watts, outra vítima da maquiagem, que acaba se tornando sua pessoa de confiança).

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Na verdade, isso já foi feito antes em inúmeros filmes e séries de TV, porque ele adorava parecer e chegava a forjar flagrantes para se promover.

Aqui seria então a “inside story”, os bastidores dos fatos famosos que incluem as prisões dos gângsters mais famosos (assim que ele se consagra), como Dillinger e Machine Gun Kelly, mas também algumas coisas positivas como a modernização da organização, a instauração do método de identificação por digitais, ou seja, foi ele que instaurou e incentivou o uso de métodos científicos para  combater a criminalidade.

jon5 Estreia   <i>J. Edgar</i>

O filme até que tenta ser justo com seus feitos, mas não adianta muito porque ele é um sujeito carrancudo e por vezes desprezível, e por alguma razão não provoca qualquer simpatia. Isso se esboça quando persegue os subversivos durante a Segunda Guerra, mas vai cair no exagero e o absurdo quando irá perseguir os liberais durante os anos 60! Até com acusações falsas a gente como Martin Luther King e a atriz Jean Seberg.

Enfim, era um tremendo mau caráter que Clint tenta descrever com alguma imparcialidade e que resultou num filme informativo, mas a meu ver o mais fraco trabalho desde Rookie em 1990.

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26 janeiro 2012

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Estreia – Precisamos Falar Sobre o Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk about Kevin). Inglaterra, 11. Direção de Lynn Ramsey. Paris Filmes. 112 min.

Com Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell, Rock Duer, Ashley Gerasimonvich.

40 Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>

A inglesa Tilda tem sido recompensada por seu extraordinário trabalho aqui em várias indicações a prêmios (o Globo de Ouro e o SAG, Bafta, European Film Awards (ganhou), National Board (ganhou), Críticos de Londres, Críticos de San Francisco e On Line (ganhou ambos) e o próprio filme também concorreu a Cannes, foi escolhido o melhor no Festival de Londres e melhor diretora no British Film Independent.

20 Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>

É verdade que é discutível a escolha da diretor Lynne Ramsey, que tem um estilo seco e austero, como demonstrou em seus trabalhos anteriores, Ratcatcher e Morvern Callar (visto em festivais).

O livro original de Lionel Shriver já foi editado faz algum tempo no Brasil e ficou marcado por uma capa sugestiva (um menino usando na cabeça um saco de papel com desenho no lugar do rosto). Apesar do nome o autor é uma mulher e o livro foi lançado originalmente em 2005. Foi ela mesmo quem fez o roteiro para o cinema.

precisamos falar sobre o kevin Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>
Embora o livro seja uma série de textos em que a mulher heroína Eva Khatchadourian (Tilda) tenta explicar para o marido o que está sucedendo com o filho deles e o filme adota uma outra postura. Aliás, é bom avisar: não deixe ninguém lhe contar a temática do filme (os críticos e os sites adoram fazer isso: revelar o segredo do filme). Somente bem ao final é que ficamos sabendo o que realmente sucedeu e qual é o problema com Kevin.

Embora tudo seja contado em flashback, fica claro que houve alguma tragédia e que Eva seja vítima não apenas dela, mas também da reação da comunidade que a persegue, joga coisas e pinta frases na sua agora modesta casa. E que para sobreviver aceita um emprego qualquer e procura ficar o máximo sozinha.

30 Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>

Aos poucos vamos nos inteirando no drama dessa mãe de família, que tem um marido tolerante e bonachão (o especialista em papéis assim John C. Reilly), bem de vida com um casal de filhos. A menina menor é adorável, mas há algum problema com o garoto maior, Kevin (especialmente bem interpretado por Jasper Newell dos 6 aos 8 anos e depois por Ezra Miller).

10 Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>

Qualquer um que teve um filho problemático vai se identificar com a dificuldade de criar Kevin, que deixa Eva sem ação. A princípio, ele se recusa a falar e depois vai revelando um comportamento estranho e bizarro (lembra um pouco o de um filme antigo que comentei aqui, Tara Maldita, sobre um menina assassina).

Tilda, que tem por si só uma figura fora do comum, passa o filme atônita e quase em transe, o que é compreensível dada a brutalidade do desenlace.

5 Estreia   <i>Precisamos Falar Sobre o Kevin</i>

Acredito que não é um filme fácil nem especialmente comercial. Mas eu fui atingido por seu impacto e sou grande admirador da atriz escocesa (que já levou um Oscar de coadjuvante por Michael Clayton/Conduta de Risco, 07).

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25 janeiro 2012

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Morre Nicol Williamson

Continua aquela velha lenda do showbusiness de que “não há dois sem três”, quando morre alguém da classe em breve temos dois para acompanhá-los. “Se non è vero è ben trovato”, diria o velho ditado. Mas temos outra confirmação para a superstição.

Depois de Angelopoulos e James Farentino chega a notícia do terceiro falecimento de um ator conhecido, no caso o inglês Nicol Williamsson. Sabe-se que morreu aos 73 anos, na Holanda.

Nicol é um daqueles bons atores ingleses que não cumpriram sua promessa simplesmente porque se tornou alcoólatra e completamente irresponsável. Depois que se apresentou assim em cena na Broadway, descontrolado ficou difícil encontrar trabalho. Mas já foi considerado do primeiro tempo por uns tempos e estrelou filmes entre eles uma versão famosa de Hamlet, de Tony Richardson, com Marianne Faithfull (69).

excalibur 1981 14 g Morre Nicol Williamson

Nascido em 14 de setembro, de 1936, em Hamilton, na Escócia, muito alto (1,91), ruivo, teve como rival Albert Finney e Richard Burton.

Foi chamado pelo dramaturgo John Osborne como o maior ator desde Brando, mas começou cedo com seu comportamento excêntrico, com frequência discutindo e brigando com a plateia.

sadsada Morre Nicol Williamson

Estreou no cinema em ponta em 56 com A Saia de Ferro, com Bob Hope e Katharine Hepburn. A partir de 68 passou a ter papéis principais em Os Canhões de Bofors, de Jack Gold,  Evidência Inaceitável, de Anthony Page, Obsessão de Vingança/The Reckoning, também de Gold, A Noite Infiel, de Richardson, baseado em Nabokov, O Arquivo Secreto de John Flynn, Le Moine na França, Conspiração Violenta, com Sidney Poitier, Robin e Marian, de Richard Lester, Visões de Sherlock Holmes, como Holmes, A Garota do Adeus, O Detetive Desastrado, de Neil Simon, O Mistério da Palavra (TV), O Fator Humano, de Dmytryk, Excalibur, de John Boorman, Macbeth (TV), I´m Dancing as Fast as I Can, Sahkravov (TV), Cristóvão Colombo (TV), O Mundo Fantástico de Oz, O Mistério da Viúva Negra, O Exorcista III, Entre a Luz e as Trevas (93), Amigos para Sempre (96) e o último Spawn - O Soldado do Inferno (97).

Nunca foi indicado ao Oscar, mas por duas vezes ao Bafta. Sua performance caótica nas peças I Hate Hamlet (um nome sintomático) e Jack (a vida de John Barrymore) se tornaram lendárias, ainda que pelas razões erradas. Uma perda de um grande talento destruído bem antes de sua morte.

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