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22 fevereiro 2012

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Filmes importantes para 2012

Todo mundo fica falando de blockbusters que deverão estrear neste ano e eu insisto em não ter qualquer expectativa deles, que já vêm superpromovidos e terão seu público certo. Mas achei interessante  esta matéria (infelizmente copiei sem registrar o nome do autor, peço desculpas) que  fala de filmes que têm sido badalados (alguns esperavamos ainda para 2011) e que merecem atenção e respeito. Dois deles são de diretores brasileiros. Vamos torcer para que deem certo!

Barrymore
Este seria o filme que Christopher Plummer iria ganhar finalmente seu Oscar, mas parece que tudo se adiantou e ele vai levar o prêmio este ano mesmo por Toda Forma de Amor. Neste trabalho ele reprisa o papel do lendário ator John Barrymore - pelo qual ganhou o Tony há 15 anos - nesta adaptação do monólogo escrita e dirigida por Erik Canuel. Já estreou em Toronto e quem viu gostou muito (eu vi a peça na Broadway e achei fantástico o trabalho do ator, que agora está preservado). Parece que o produtor original do filme está em processo de falência e, por isso, ainda não tem distribuidora.

Butter
Esta comédia foi adquirida pela firma dos Weinstein e estreou no pequeno e cult Festival de Telluride, depois Toronto, onde o produtor chamou a atenção para a semelhança da história com a deputada Michele Bachmann, cujo marido Pickler era escultor em manteiga.

jenifer garner Filmes importantes para 2012

Aqui é sobre Laura Pickler (Jennifer Garner), uma dona de casa de Iowa que disfarça sua raiva em público - enquanto é capaz de tudo até sabotar uma orfã adorável (Yara Shahidi) para preservar o status de sua família na comunidade. Acharam que o filme não teria chances de pegar o Globo de Ouro de comédia, então ficou previsto agora para 16 de março nos EUA.

The Deep Blue Sea
O retorno ao cinema do famoso diretor inglês cult Terence Davies numa adaptação da peça de 1952, de Terence Rattigan, que já havia sido filmada ainda nos anos 50 como O Profundo Mar Azul com Vivien Leigh. Aqui é substituída por Rachel Weisz como a esposa autodestrutiva de um juiz da corte suprema que deixa o marido (Simon Russell Beale) para ficar com um jovem ex-piloto da RAF  (Tom Hiddleston de Cavalo de Guerra).

thedeeper Filmes importantes para 2012

Estreou em Toronto e foi o filme de encerramento do London Film Festival em outubro. Foi comprado pela  Music Box  que o vai lançar dia 30 de março nos EUA.

The Eye of the Storm
O diretor australiano Fred Schepisi, mais conhecido por filmes americanos como Roxanne (1987) e australiano como Um Grito na Escuridão com Meryl Streep (1988), adaptou um popular livro local de 1973 sobre uma mulher de idade (Charlotte Rampling) já perto da morte cujos filhos  (entre eles,  Geoffrey Rush e Judy Davis) fazem uma viagem rara para vê-la e conseguirem serem incluídos no testamento.

Foi elogiado em Toronto, mas até onde eu sei, não conseguiu distribuição.

Friends With Kids
friends Filmes importantes para 2012

Estreia na direção de Jennifer Westfeldt,  que escreveu Beijando Jessica Stein (2001), é outra comédia dramática que estrela. Faz a garota que tem amigo (Adam Scott) com quem resolve ter um filho antes que seja tarde demais. Mas ficando apenas isso, amigos.

Tem ainda no elenco Maya Rudolph, Kristen Wiig, Megan Fox, Ed Burns, Chris O'Dowd e o marido na vida real de Westfeldt, o famoso Jon Hamm. O filme foi bem em Toronto e foi comprado pela Lionsgate que pretende lançá-lo nos cinemas.

On the Road

Este é famoso Pé na Estrada, que é a adaptação do famoso livro de Jack Kerouac; dirigido pelo brasileiro Walter Salles, que fez o famoso "road movie" Diários de Motocicleta, produzido por Francis Ford Coppola e Gus Van Sant; e estrelado pelo jovens astros Sam Riley e Garrett Hedlund, com um monte de gente famosa: Amy Adams, Viggo Mortensen e Terrence Howard, como também  Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Steve Buscemi, Tom Sturridge e Elisabeth Moss. Estava sem distribuidor e já foi filmado em 2010, e não havia sido também exibido publicamente (o que eles acham que não é uma boa coisa). Alguns dizem que está sendo guardado para Cannes em maio.

on the road Filmes importantes para 2012

Peace, Love, & Misunderstanding
O retorno de  Jane Fonda depois de ausência de 4 anos, dirigida pelo australiano Bruce Beresford numa comédia dramática sobre avó que continua agindo como se estivesse ainda nos anos 1960.

A filha dela está brigada (Catherine Keener), mas aparece na casa dela com duas crianças (a garota é  Elizabeth Olsen de Martha Marcy May Marlene) depois de se separar do marido. (Olsen namora Chace Crawford). Foi comprado pela IFC que pretende lançá-lo para a próxima temporada de prêmios.

misunderstood Filmes importantes para 2012

Salmon Fishing in the Yemen
Baseado em best-seller de  Paul Torday adaptado por Simon Beaufoy, o mesmo de Quem quer ser um Milionário (2008), foi dirigido pelo sueco Lasse Hallstrom, de As Regras do Jogo. É uma comédia centrada num expert em pesca (Ewan McGregor), que vai trabalhar para um xeique árabe que é obcecado por pescaria de salmão (que vive em águas frias) e que ele deseja que cresça nos vales do Yemen. Com Emily Blunt e Kristin Scott Thomas. Estreou em Toronto e abriu o Festival de Palm Springs em 5 de  Janeiro.

Take This Waltz
É muito talentosa a atriz e diretora canadense Sarah Polley, que fez sucesso com o filme anterior Longe Dela/Away From Her (2006) com Julie Christie. Retorna com outro drama de partir coração, estrelado por  Michelle Williams, que esta entre o marido (Seth Rogen) e o novo vizinho (Luke Kirby). Outro que passou em  Toronto e foi comprado pela Magnolia que só vai lançá-lo no começo do verão de 2012.

This Must Be the Place

Já deve estrear nos EUA agora em março (depois de passar em Cannes no ano passado) este novo filme do diretor Italiano Paolo Sorrentino,  Il Divo, o primeiro falado em inglês. Cheyenne (Sean Penn), é um aposentado glam-rock star, que fica sabendo da morte do pai (Judd Hirsch), com quem estava brigado.

themust Filmes importantes para 2012

Aborrecido com a esposa (Frances McDormand) ele procura redenção saindo em busca dos que torturaram seu pais em campo de concentração. Os Weinstein compraram os direitos.

360

Reencontro de Rachel Weisz com o  diretor brasileiro Fernando Meirelles, com quem em 2005, ela ganhou um Oscar. Foi numa adaptação de livro de John le Carré O Jardineiro Fiel.  Este foi inspirado pela famosa peça do austríaco Arthur Schnitzler Reigen, também conhecido como La Ronde, sobre um círculo que se fecha de vários casais românticos de classes sociais e origens diferentes.

Escrito por Peter Morgan (A Rainha), tem elenco de estrelas (entre elas Anthony Hopkins, Ben Foster, a brasileira Maria Flor e Jude Law).  Estreou em Toronto e abriu o London Film Festival em  Outubro. A Magnolia comprou os direitos para os EIA e planeja lançá-lo em VOD junto com algumas salas (no Brasil o filme da O2 é da Paris Filmes).

Twixt
O mais recente dos projetos pessoais do diretor Francis Ford Coppola que não tem dado certo.Val Kilmer e Elle Fanning  estrelam  com Bruce Dern,  Ben Chaplin, Joanna Whalley. Tudo inspirado num sonho que ele teve.

val kilmer Filmes importantes para 2012

Mostrou clips do filme na Comic-Con em julho, mas o público ficou confuso e intrigado. Mas que eu saiba ainda está esperando distribuição (no IMDB ainda não tem data de estreia e é anunciado como Terror e Thriller).

Wettest County
O novo filme de John Hillcoat, australiano que trabalha com frequência como aqui com  Nick Cave e que fez  A Proposta e A Estrada. Originalmente chamado The Wettest County in the World, conta a história de dupla de irmãos contrabandistas (Tom Hardy e Shia LaBeouf) na época da Leia Seca, no Sul.

Os Weinsteins compraram o filme em Cannes antes dele estar finalizado. O elenco tem grandes destaques: Mia Wasikowska, Jason Clarke, Gary Oldman, Guy Pearce, Dane DeHaan e  Jessica Chastain. Os distribuidores não quiseram queimá-la nesta corrida do Oscar e falam em lançá-lo em 31 de agosto.

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21 fevereiro 2012

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Reis e Ratos

Brasil, 12. Direção e roteiro de Mario Lima. Com Selton Mello, Rodrigo Santoro, Cauã Raymond, Octavio Muller, Seu Jorge, Marcelo Adnet, Raffaela Mandelli, Paula Burlamarqui, Élcio Romar.Warner. Produção de Paula Lavigne. Música de Caetano Veloso.

ReiseRatos ok <i>Reis e Ratos</i>

Na saída da sessão encontrei um amigo cineasta brasileiro que foi dizendo que achou o filme bem feito, mas que não entendeu direito a proposta. Respondi que achava a mesma coisa. Por que a gente sai meio perplexo do que parece ser uma sátira à moda inglesa, mas nesse caso faltam os atores adequados, fiquei pensando no que um Peter Sellers poderia ter feito no papel do locutor de rádio mediúnico! Seria impagável.

Mas ao escalar o esforçado Cauã, em vez de um humorista, perde-se o efeito ou possibilidades. Acho que a melhor descrição do filme é dada pelos próprios atores em entrevistas que afirmam que este é “um filme de amigos”, uma brincadeira da turma que fez antes Meu Nome é Johnny e que resolveu partir para uma produção modesta. Parece que usaram o que sobrou dos sets de O Bem Amado, sendo que o salão da Embaixada Americana não deixa dúvidas.

selton ok <i>Reis e Ratos</i>

Onde todo mundo trabalhou por pouco dinheiro (o que, alias, é a norma no cinema nacional) tentando entrar no espírito da brincadeira que tem bem a cara de Selton Mello (que ajudou Lima no projeto). O filme que me pareceu mais perto como referência é a melhor das chanchadas (aliás, é curioso como o diretor evitou cair na chanchada à moda da atual TV brasileira Zorra Total) que foi O Homem do Sputnik de Carlos Manga.

Também era uma farsa  envolvendo espiões estrangeiros se envolvendo em negócios nacionais e trazia também uma cantora, no caso, era uma vedete com a estreia de Norma Bengell imitando brilhantemente Brigitte Bardot. Aqui colocaram uma moça bonita, mas neutra, que  usa um sotaque gaúcho, mas vem sem o glamour da época.

Aliás, o uso de sotaques é um problema porque todo mundo fica engessado por ele e as piadas se perdem, em diálogos que parecem ter sido feitos para serem lidos e não ditos. Ainda assim tenho que admitir que haviam senhoras de boa vontade que riram bastante na sessão da tarde de carnaval que assisti. Mesmo Selton vira samba de uma nota só, em vez de saborear o texto, fica no mesmo tom.

rafaela caua ok <i>Reis e Ratos</i>

Não me parece uma boa ideia envolver o Golpe de 1964, até por que, essa revolução entre aspas sem tiros já poderia por si só se contada ao pé da letra ser muito engraçada, com pseudo-heróis e todo mundo dando um jeitinho.

Uma farsa bem brasileira que não precisava de piadas bobas com sapatarias, esposas infiéis e alguns fatos reais (um presidente como Goulart que gostava de transar com vedetinhas, um agente do exército que se fazia passar por marinheiro para provocar a greve na certeza que haveria uma reação a isso - uma situação que começa a ser desenvolvida, mas acaba esquecida, a interferência americana).

Mas as referências só são entendidas pelos poucos que se lembram de fatos. O forte do brasileiro atual não é a História!). Até o fato de misturar o preto e branco (no que seria um flash back) e colorido não acrescenta nada.
Certamente a aparição mais esdrúxula é a de Rodrigo Santoro, que faz um personagem desprezível que é um vendedor de livros e que vem naquela linha tradicional de Brad Pitt: homem bonito faz tudo para parecer feio na tela!

rodrigo ok <i>Reis e Ratos</i>

Só que Santoro já não tem que provar que é bom ator e se queriam alguém feio porque não chamaram logo um! Em vez de carregar o coitado de tanta maquiagem, que resultou exagerado e mesmo repulsivo. Será que não sabem que no cinema feio é convenção, não precisa ser literal? Tipo O Fantasma da Ópera, que usa máscara e quando tira é o Gerard Butler?

O resultado é bizarro e equivocado (há outro filme que me fez lembrar, e que era o mesmo tom de farsa alegórica,  esse totalmente esquecido O Homem que Não Comprou O Mundo (68), o único de ficção de  Eduardo Coutinho com Marília Pera (estreia) e Flávio Migliaccio). Espero que os atores ao menos tenham se divertido e que Selton não tenha repetido a dose com seu próximo Billi Pig, que aparenta ser igualmente errado.
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21 fevereiro 2012

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A edição Vanity Fair especial de Cinema

Todos os anos eu aguardo ansioso a chegada da edição especial (mês de março, nas bancas atualmente em São Paulo, a preço promocional de R$ 21.95) que a revista norte-americana Vanity Fair dedica a Hollywood justamente no mês do Oscar.

O conceito Hollywood é bem amplo e começa por uma já tradicional capa dobrável em três partes com as jovens estrelas do ano, aqui todas em vestido de gala. Já é interessante saber quem eles consideram as novas estrelas, dando o lugar principal para Rooney Mara, Mia Wasiskowa, Jennifer Lawrence pelo segundo ano consecutivo e Jessica Chastain.

vanity fair blog A edição Vanity Fair especial de Cinema

Na segunda capa estão as menos famosas, Elisabeth Olsen (Martha, May etc), Adepero Udyue (Pariah), Paula Patton (Missão Impossível Protocolo Fantasma), Shailene Woodley (Os Descendentes), Felicity Jones (Like Crazy, Cheerful Weather for the Weddding) , Lily Collins  (filha de Phil Collins, está em Mirror Mirror) e Brit Marling. A mais desconhecida de todas fez The Company you Keep de Robert Redford, Arbitrage, The East e é também roteirista. Deve ter ótimo agente para conseguir esse espaço!

Dentro também há um portfólio com os astros do momento fotografados por famosos, como Anne Leibowitz. Este ano são Jean Dujardin junto de Bérènice Bejo, Glenn Close sendo maquiada de homem, George Clooney, Kirsten Dunst, Michael Fassbender, Charlize Theron, as meninas de The Help (Viola Davis e Octavia Spencer) junto com o diretor Tate Taylor, Andy Serkis, Dante Ferretti (o diretor de arte de Hugo), Brad Pitt e o diretor Bennett Miller de O Homem que Mudou o Jogo, Steven Spielberg e o trio de Cinquenta por Cento, Seth Rogen, Joseph Gordon Levitt e o diretor Joseph Levine.

Fassbender também provoca uma matéria meia boca sobre nudez masculina frontal no cinema chamada The Hung and the Resteless , entrevista com Anjelica Huston (a partir de Smash), uma matéria sobre a rival de Bollywood, a Tollywood, A Ramoji Film City, uma foto de Ricky Martin se preparando para ser Che Guevara na nova montagem de Evita na Broadway e uma matéria que me interessou especialmente de Charlotte Chandler, que era amiga íntima de Fellini e Antonioni e escreveu My Dinners (meu jantares) with Federico e Michelangelo. Não juntos, claro.

Fiquei sabendo então que Hitchcock era grande admirador de ambos e que chegou a declarar que Blow up e Oito e Meio são duas “malditas obras-primas!. Esses italianos estão cem anos na frente” afirmou. Conta também que Fellini queria Mastroianni para La Dolce Vita e este relutava. Em vez de lhe mandar um roteiro, Fellini fez um desenho (era caricaturista e autor de historietas em quadrinhos) com Mastroianni sozinho num barco no meio do mar, com um pênis enorme que chegava ao fundo do oceano. E em torno dele havia um monte de mulheres nadando em volta.

Marcello riu e aceitou, “esse é um papel interessante”, concluiu. Eu também não sabia que, no começo do casamento, Giulietta Masina engravidou, mas caiu e perdeu o bebê. Logo depois tiveram outro filho a que chamaram de Federico, mas este morreu quando tinha dois anos. Disseram-lhe que não podia ter mais filhos e, segundo Fellini, a mulher nunca se recuperou dessa dor, perdeu a juventude para sempre.

Em 1993, Fellini teve um derrame  enquanto Giuletta já enfrentava um câncer. No aniversário de 50 anos de casamento, num domingo, ele encontrou um restaurante. Estava proibido de comer  muzzarela, que era sua preferida. Insistiu, comeu, engasgou e pouco depois teve um outro derrame cerebral. Entrou em coma e morreu em 31 de outubro de 1993 com 73 anos. Giulietta partiu quatro meses depois dizendo “vou passar a páscoa com Federico!”

Antonioni sobreviveu ainda mais 14 anos (poucos sabem que o primeiro filme de Fellini, Abismo de um Sonho, foi baseado em história de Antonioni). Também vítima de derrame, quase não falava e se expressava através da esposa. Quase sem visão, já sentindo a chegada da morte, pediu para dar com ele uma ultima volta de carro por Roma, com o rosto dele pregado no vidro do carro. No último dia de vida, 30 de julho de 2007 passou o dia de mãos dadas com ela. Tinha 94 anos.

As duas estrelas

Entre outras matérias (retrospectiva de outras capas, making of do filme Diner/Quando os jovens se tornaram adultos, o médico dermatologista de Michael Jackson,a nova droga de Hollywood para evitar a velhice, retrospecto de Rocky, o lutador, sobre agente de crianças que está sendo processado, as garotas pin ups do ano, a moda da Rodarte, Cindy Sherman, Steve Coogan, os dois artigos que mais interessam sobre duas entrevistas com velhas estrelas, Brigitte Bardot e Sophia Loren.

A de Brigitte se chama The Temptress of St Tropez e foi realizada na casa dela em St Tropez, La Mandrage e é ilustrada por fotos antigas (o que não é má ideia que B.B. envelheceu muito mal). Conta que ela mal sai de casa e  seu atual marido, que era político de Direita, o que fez também ela virar reacionária, hoje vive para cuidar dela.

Diz que tem outra coisa perto nas montanhas La Garrigue, que só ouve a Radio Classique (musica clássica), não vai à exposição de fotos dela que vai acontecer este mês ainda em Los Angeles (ira circular os hotéis Sofitel), e que, por acaso, viu na TV outro dia E Deus Criou a Mulher, o filme que a revelou e “que não achou aquela garota ruim. Mas que foi como se fosse outra pessoa. Tenho coisas melhor a fazer do que ficar me estudando na tela”.

Sophia vive hoje em Genebra, Suíça, num apartamento de luxo e se deixou fotografar, embora pareça deformada pelas plásticas. O título é uma brincadeira com o filme famoso Sophia´s Choice (a Escolha de Sophia, aliás não muito feliz). Mais que entrevista é um resumo da vida complicada da estrela.

Uma novidade para mim: sabia que ela e a irmã eram filhas ilegítimas, mas não que a irmã queria tanto ter o nome do pai no certificado que Sophia teve que pagar para ele uma grande quantia em dinheiro para assinar a papelada!

O filho dela, Edoardo, diz que é fácil demais ver o pai Carlo Ponti como o Pigmaleão da mãe, mas completa "se ele era o treinador, Sophia era a atleta”. A matéria insiste que os dois se amavam e que ele fazia o papel do pai que ela nunca teve. Encerra afirmando que Sophia é a última deusa do cinema ainda viva (uma bobagem, até porque tem Brigitte ao lado na revista).

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21 fevereiro 2012

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Oscar, um negócio de família

Estava vendo outro dia que cada vez mais a indústria do cinema é um negocio que envolve a família, até mais do que a política onde os deputados e afins, estão sempre nomeando familiares. A mesma coisa acontece no cinema, onde filho de peixe peixinho é. Ou então, irmão, cunhado, genro, vale tudo.

Este ano não custa lembrar que o ator Thomas Langmann, produtor do favorito O Artista é filho de outro ator e produtor famoso Claude Berri (1934-2009), que ganhou o Oscar de curta-metragem dramático (em 1966 por Le Poulet, a Galinha e foi indicado como produtor por Tess, em 1981). E Meia-Noite em Paris é produzido pela irmã de Woody Allen que se esconde atras do nome de Letty Aronson. Seu nome de solteira é Ellen Konigsberg, e tem estado por trás dos filmes do irmão há muitos anos e fazendo por sinal um bom trabalho. Casos de marido e mulher então são mais comuns e basta lembra que o diretor de O Artista Michel Hazavinicious é casado com a estrela do filme Berenice Bejo (ambos foram indicados ao Oscar) e ela por sua vez é filha de diretor argentino de cinema, ou seja, é do ramo.

No meu Livro o Oscar e Eu cheguei a tocar no assunto e reproduz aqui em forma de perguntas e respostas:

P- Hoje em dia é comum haver relação de parentesco entre premiados no mesmo ano. Qual foi o primeiro caso?

R- Em 1929-30, quando saíram premiados a estrela Norma Shearer como atriz e o irmão dela, Douglas como Som (ele era o chefe do departamento de Som da Metro). Só em 1947 isso iria acontecer de novo, com John Huston (Melhor Roteiro e Direção) e seu pai Walter Huston (Melhor Ator Coadjuvante, por O Tesouro de Sierra Madre) e em 1974, os Coppola, Francis (Diretor e Roteiro) e seu pai Carmine (Trilha Musical). O caso da família Huston é interessante, porque John Huston dirigiria tanto o pai Walter, quanto a filha Anjelica Huston em A Honra do Poderoso Prizzi (Prizzi’s Honor, 1985) em interpretações premiadas com o Oscar.

P- Há outros casos de parentescos entre indicados?

R- O Oscar acabou virando uma grande família. Principalmente se considerando indicados e vencedores. Entre as mais proeminentes estão os Fondas, Hustons, Dern (Bruce, Diane Ladd, Laura Dern), Minnelli (Vincente, Judy Garland, Liza), Coppola (Francis, Carmine, Talia Shire, ex- marido David Shire, Nicolas Cage, Spike Jonze – casado com Sofia Coppola), os Barrymore, Redgrave (Michael, Lynn e Vanessa), Powell (o inglês Michael Powell deixou viúva a montadora Thelma Schoonmaker), Newman (os irmãos Alfred e Lionel, sobrinhos Randy e Thomas), Anhalt (Edward e Edna), Brooks (Mel e sua esposa Anne Bancroft), Olivier (Laurence, Vivien, Joan Plowright), Gable (Clark, Carole Lombard, o ex-marido dela William Powell), Douglas (Kirk, Michael, Catherine Zeta-Jones), O’Neal (Tatum e Ryan), Voight (Jon Voight Melhor Ator por Amargo Regresso, 1979, Angelina Jolie Coadjuvante por Garota, Interrompida, 1999), e etc.

E mais: em 1975, Harold e Carl Kress foram pai e Filho premiados. Harold pela montagem de A Conquista do Oeste / How the West Was Won (1962) e Inferno na Torre/The Towering Inferno (1974).  Carl Kress ganhou pelo mesmo filme Inferno na Torre, que co-editou com o pai.

Em 1989, Darryl e Richard Zanuck passaram pela mesma situação. Darryl F. Zanuck ganhou 3 Oscars por filme :Como era Verde o meu Vale/How Green Was My Valley (1941); A Luz é para Todos/Gentleman's Agreement (1947)e A Malvada/ All About Eve (1950). O filho  Richard Zanuck, levou o oscar também de melhor filme por Conduzindo Miss Daisy/ Driving Miss Daisy (1989)

In 2007, Charles e Davis Guggenheim se tornaram outra dupla de pai e filho ganhadores do  Oscar. Charles Guggenheim ganhou de melhor curta dramatic por Robert Kennedy Remembered (1968). O filho Davis Guggenheim, o de Documentário de Longa metragem por Uma Verdade Inconveniente (2006).

Em 2008, Russell e Christopher Rouse foi outro caso. Russell Rouse ganhou por roteiro original Confidencias a Meia noite /Pillow Talk (1959). O filho Christopher Rouse, de montage por O Ultimato Bourne/The Bourne Ultimatum (2007).

Não se pode esquecer de detalhar o casa do clã Coppola: em 2004, Sofia Coppola ganhou o prêmio de roteiro original por Encontros e Desencontros/Lost in Translation. Foi a terceira geração de sua família, ja que tinham levado o Oscar seu pai Francis Ford Coppola, e seu avô Carmine Coppola (pela trilha do Chefão 2).

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20 fevereiro 2012

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Por dentro da Academia

oscar blog Por dentro da Academia

Até hoje continua a ser um segredo bem guardado quem são os sócios da Academia, como ela é composta. Eles fazem questão de manter segredo (nunca publicaram uma lista), mas agora saiu uma matéria do Los Angeles Times assinada por John Horn, Nicole Sperling e Doug Smith, que consegue explicar um pouco o comportamento deles, por sua própria formação.

Revela-se então que eles são bem menos heterogêneos do que o público que vai ao cinema. 94% deles são brancos e77% homens. Apenas 2% são negros e outro 2% são latinos!

Sua idade média é de 62, os que têm menos de 50 são apenas 14%. O critério de escolha também é esquisito, já que você não pode se inscrever para a Academia, tem que ser convidado para ingressar nela. Ter sido indicado a prêmio não garante isso. Assim há sócios estranhos como o Chips, Erik Estrada, Jacylyn Smith, das Panteras e Gavin MacLeod, do Love Boat.

Apesar de sócio, quase 50% deles apareceu na tela nos últimos dois anos, mas centenas deles não têm trabalhado no cinema há décadas, largaram a profissão, mas continuam a votar!  Entre eles a freira ex-atriz Dolores Hart, o dono de uma livraria e assim por diante.

Parece que o estudo foi feito com toda honestidade, para confirmar a identidade de 5.100 votantes. São ao todos 5.765, mas alguns, como agentes,  não têm direito a voto por estarem envolvidos diretamente no processo. A Academia já declarou que pretende diversificar, mas se justifica dizendo que é um processo difícil, porque tem que ser lento e a indústria reflete esses números.

Ou seja, na indústria do cinema, mulheres representam 19% do ramo de roteiristas (e, no Sindicato, o número delas é um pouco menor, 17%). A de produtores é 18% feminino e diretores  9% (nos Sindicatos também é mais ou menos isso).

Como se sabe até hoje, apenas uma mulher ganhou o prêmio de direção (a ainda por cima foi injusto, Kathryn Bigelow) e apenas 4% dos atores foram negros. Por outro lado, a Academia se defende que ela não tem que representar a população americana, mas só a indústria.

Só para lembrar, nos EUA, 12% da população é negra e 15% hispânica. O fato da maioria dos sócios serem de meia idade ou mais, teria influenciado o fato de A Rede Social ter perdido e este ano ter entrado na lista Tão Forte e Tão Perto. Eles também teriam impedido a indicação para Shame, com sua nudez frontal.

Premiação dos Sindicatos

Como sempre, os prêmios dos Sindicatos são indicações fortes de que os vencedores serão os também premiados pela Academia. O Sindicato dos Roteiristas escolheu como melhor roteiro original Meia Noite em Paris de Woody Allen e como roteiro adaptado, Os Descendentes (confirmando que os americanos gostam do filme mais do que nós).

Os outros prêmios já interessam menos: roteiro de documentário (Better this World,  não indicado aos Oscars), roteiro de série de TV (Breaking Bad e Modern Family), série nova (Homeland), variedades (Colbert Report), Drama em episódios (Breaking Bad e Homeland ), comédia em episódios (Modern Family), Formato Longo original (Cinema Verité), Longo formato adaptado (Grande Demais para Quebrar).

Prêmio Edie, do Sindicato dos Montadores

O Artista foi votado como melhor comédia e Os Descendentes (novamente!) como melhor drama. Ainda foram lembrados como documentário Freedom Riders e melhor animação Rango. Para a televisão, drama ganhou Homeland, comédia (Curb Your  Enthusiasm), reality (No Reservations). Prêmio pela Carreira para Joel Cox (velho parceiro de Clint Eastwood, que entregou o prêmio).

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20 fevereiro 2012

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Diretores estrangeiros no Oscar

Estava na dúvida se caso Michel Hazanavicious ganhar o Oscar de Melhor Diretor, como parece provável, se isso seria um fato normal, raro, ou inédito.

Perguntei ao Felipe Goulart, que foi meu assistente no livro O Oscar e Eu, e tem funcionado como pesquisador desde então no que se refere ao assunto, e ele me mandou um material formidável, que achei que devia compartilhar com vocês.

Deve ser uma pesquisa da própria Academia, que afirma que a maioria dos vencedores logicamente tem sido americanos. Mas há exceções de outros lugares:

Da Austrália: Mel Gibson e Tom Hopper. Mel é cidadão americano, mudou-se com a família para a Austrália com a idade de 12 anos. Hooper, nascido na Inglaterra, tem cidadania dupla, já que sua mãe nasceu na Austrália.

mel gibson Diretores estrangeiros no Oscar

Áustria: Billy Wilder e Fred Zinnemann. (ambos mudaram-se para a América quando tinham vinte e poucos anos e se naturalizaram americanos).

Canadá: James Cameron. Ele está no momento procurando se tornar cidadão americano.

República Tcheca: Milos Forman é naturalizado americano desde 1977.

Alemanha: William Wyler e Mike Nicholas. Wyler se mudou para os EUA em 1921, e se naturalizou. Ele nasceu na Alsácia, que então fazia parte da Alemanha, mas hoje está na França. A família de Nichols se mudou da Alemanha quando ele tinha 8 anos e ele se naturalizou cinco anos depois.

Itália: Bernardo Bertolucci.

Nova Zelândia: Peter Jackson

Polônia: Roman Polanski (na verdade, nasceu na França e é cidadão francês).

roman polanski Diretores estrangeiros no Oscar

Taiwan: Ang Lee (naturalizou-se americano e vive na América desde o começo dos anos 1980).

Reino Unido: Richard Attenborough, Danny Boyle, David Lean, Sam Mendes, Anthony Minghella, Carol Reed, Tony Richardson, John Schlesinger, e Hooper.

No entanto, nenhum diretor ganhou até hoje por um filme que foi feito inteiramente em língua não inglesa.

Mas houve 20 diretores indicados por filmes nessa situação.

A saber: Federico Fellini (indicado quatro vezes, todos italianos), Ingmar Bergman (por três suecos), Pietro Germi (italiano), Hiroshi Teshigahara (Japão), Claude Lelouch (França), Gillo Pontecorvo (italiano), Costa-Gavras (grego, por filmes francês), Jan Troell (sueco), François Truffaut (francês), Lina Wertmuller (italiano), Edouard Molinaro (francês), Wolgang Petersen (alemão), Akira Kurosawa (Japão), Lasse Hallstrom (sueco, mas também foi indicado outra vez por um filme americano The Cider House Rules/ Regras da Vida), Krzysztof Kiewslowski (polonês pelo filme francês A Fraternidade É Vermelha), Michael Radford (inglês indicado pelo filme italiano O Carteiro e o Poeta), Roberto Begnini (italiano, A Vida É Bela), Ang Lee (indicado por O Tigre e o Dragão, ganhou por O Segredo de Brokeback Mountain), Pedro Almodóvar (indicado por Fale com Ela, Espanha), Fernando Meirelles (Cidade de Deus, em português ), Clint Eastwood (americano que fez filme falado em japonês Cartas de Iwo Jima), Julian Schnabel (diretor americano indicado pelo francês O Escafandro e a Borboleta).

fernando meirelles Diretores estrangeiros no Oscar

Ironicamente, alguns diretores famosos, como o francês Jean Renoir (por O Amor a Terra/The Southener), o italiano Antonioni (Blow Up) e Louis Malle (Atlantic City), foram indicados por filmes falados em inglês e não em sua língua natal.

Indicações para filmes falados em inglês com algumas cenas em outra língua, incluem Jules Dassin por Nunca aos Domingos (grego), Bernardo Bertolucci (Último Tango em Paris, em francês). Francis Ford Coppola, por O Poderoso Chefão Parte II (Italiano), Kevin Costner por Dança com Lobos (Lakote e Pawnee), Steven Soderbergh, por Traffif (espanhol), Alejando Gonzales Iñarritu por Babel (espanhol, árabe, japonês, berber, linguagem de sinais), Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?, hindi), Quentin Tarantino por Bastardos Inglórios (francês, italiano, alemão).

Outros indicados internacionais incluem:

Da Austrália: Bruce Beresford, Scott Hicks, Chris Noonan, Peter Weir.

  • Áustria: Otto Preminger, Josef Von Sternberg.
  • Brasil: Hector Babenco, Fernando Meirelles.
  • Canadá: Atom Egoyan, Arthur Hiller, Norman Jewison, Jason Reitman.
  • Chipre: Michael Cacoyannis.
  • França: Michel Hazanavicius, Lelouch, Malle, Truffaut.
  • Alemanha: William Dieterle, Ernst Lubitsch, W. Petersen.
  • Grécia: Costa-Gavras.
  • Índia: M. Night Shyuamalan.
  • Irlanda: Jim Sheridan, Neil Jordan, Kenneth Branagh.
  • Italia: Benigni, Fellini, Germi, Pontecorvo, Wertmuller, Franco Zeffirelli, Antonioni.
  • Japão: Akira Kuroswa, Teshigahara.
  • México:Alejandro Gonzalez Iñarritu
  • Nova Zelândia : Jane Campion
  • Suécia: Ingmar Bergman, Lasse Hallstrom, Jan Troell.  Grã-Bretanha: Alfred Hitchcock, John Boorman, Peter Cattaneo, Charles Crichton, Stephen Daldry, Stephen Frears, Laurence Olivier, Paul Greengrass, Roland Joffé, Mike Leigh, Adrian Lyne, Hugh Hudson, Alan Parker e Ridley Scott.

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19 fevereiro 2012

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Revisitando Elvis Presley em Blu-ray

Revisitando Elvis Presley em Blu-ray (EUA). Áudio e legendas: Inglês, português e espanhol.

Embora não sendo grande fã de Elvis, nada tenho contra e procurei conseguir dois dos três filmes dele que já saíram em Blu-ray (o terceiro foi Elvis on Tour). Os dois que assisti são Viva Las Vegas (Amor a Toda Velocidade) e Jailhouse Rock (O Prisioneiro do Rock), ambos pela Warner e com resultado inesperadamente bom. Boa imagem, som restaurado HD 5.1. e também mono. Ambos trazendo comentário em áudio de Steve Pond, autor de Elvis in Hollywood (não diz nada de muito concreto ou interessante). Mas não vai decepcionar os fãs.

Elvis Revisitando Elvis Presley em Blu ray

O Prisioneiro do Rock (Jailhouse Rock). Originalmente MGM. Preto e branco. Drama Musical. Widescreen. 96 min. 1957. EUA. Warner.

Direção: Richard Thorpe. Elenco: Elvis Presley, Judy Tyler,  Mickey Shaughnessy, Vaughn Taylor, Dean Jones, Jennifer Holden, Anne Neyland.

Sinopse: Vince Everett é condenado à prisão por homicídio culposo depois de briga de bar. Lá ele aprende música e decide ser cantor. Apesar de ficar desiludido com a indústria do disco, abre seu próprio negócio e se torna um sucesso, que lhe subirá a cabeça.

Comentários: Terceiro filme de Elvis e o primeiro a usar seu tipo como um rebelde (à la James Dean) e com a primeira canção (a título) de Lieber e Stoller, que se tornou mega-sucesso. É graças a Jailhouse Rock que o filme resistiu e ficou famoso (até porque preserva Elvis dançando à sua moda, já que improvisou grande parte dos passos) superando a pobreza do orçamento (totalmente rodado no estúdio e no seu quintal, reaproveita sets, por exemplo, seu quarto é o mesmo usado por Lauren Bacall em outro filme da MGM, Teu Nome é Mulher).

Depois de ter feito dois filmes onde era bom rapaz (o segundo A Mulher que eu Amo, é raro e só o assisti na televisão), Elvis parece estar mais feliz fazendo um bad boy, já influenciado por Brando e Dean, e o Actor´s Studio (dizem que ele que era todo educado, na filmagem também teve seus momentos de continuar no personagem). O roteiro assinado por Guy Trosper (A Face Oculta, O Homem de Alcatraz, O Espião que veio do Frio) é esquemático e simplório, mostrando como Vince é esquentado e se mete em brigas à tôa, sendo que ao defender uma mulher que apanhava, o que parece ser seu gigolô, provoca acidente mortal que o leva para a cadeia.

Mas lá encontra um sujeito mais escolado com que assina contrato (parecido com o que ele tinha com o Coronel Parker, seu agente que leva cinquenta por cento de tudo que ganhava) e tenta a carreira de cantor. Consegue sair da cadeia e começar a carreira, mas tem muito o que aprender, se comportando de forma prepotente e agressiva. Mesmo quando aparece uma promoter de quem fica sócio.

Elvis2 Revisitando Elvis Presley em Blu ray

A fita teve um drama paralelo com a simpática que faz o papel central: Judy Tyler (1933-57). Judy era filha de um músico de Benny Goodman e corista de Ziegfeld, começou na tevê em programas infantis até ser descoberta para o show teatral Pipe Dreams, 56, um dos raros fracassos de Rodgers e Hammerstein.

Mas isso a levou a fazer cinema e um filme com Elvis (de quem ficou amiga). Na volta para Nova York, dias depois do fim da filmagem, ela e o marido Gregory LaFayatte,  viajavam de carro, por estrada do Wyoming, quando para fugir de um caminhão bateram noutro carro. Ela morreu na hora, o marido no dia seguinte. Era 3 de julho de 57 e o filme foi póstumo. Fez ainda outro filme inédito aqui, Bog Girl plays Calypso! Por sentir a morte, Elvis nunca quis ver o filme.

Quem dirigiu é um veterano da Metro, que fazia de tudo de  fitas de Tarzan a produções A, Richard Thorpe (1896- 91), com que voltaria a se encontrar em O Seresteiro de Acapulco (1963). O mérito é trazer Elvis jovem e natural. Esse era seu propósito e por isso recusava ter aulas de interpretação. O triste é que mesmo demonstrando talento com o tempo só iria piorar por causa das histórias tolas e roteiros imbecis lhe impostos pelo empresário que não permitia que ele arriscasse em projetos mais ousados ou interessantes.

Aqui ao menos chega perto do rock que ele havia criado e lançado (e que tinha sido vítima de tanta censura). Quando no número título ele não se achou capaz de fazer os passos da coreografia, deixaram improvisar no que resultou talvez seu número mais conhecido. Tanto que como extra vem o featurette A Cena que roubou o filme. Na verdade, as canções são melhores do que as posteriores por que pode trabalhar com canções dos hoje celebres Lieber e Stoller (em depoimento aqui, eles diziam que não gostavam de Elvis, que mudava tudo que pretendiam da canção, não cantava como estava escrito, impondo seu estilo particular. Só depois do sucesso de vendas é que eles o perdoaram). São deles I Want to Be Free, Treat me Nice, You´re so Square That Baby I Don´t Mind e naturalmente Jailhouse Rock (que esta em vigésimo primeiro lugar pelo American Film Institute entre as melhores canções do cinema americano!).

A parte mais difícil é que Elvis tem que interpretar um cantor ainda verde, ou seja, há momentos que tem que cantar mal (mas também não demais!). Até ir se aprimorando e encontrando seu estilo. Embora esteja longe de ser um grande filme, é aqui é onde que você pode ver a lenda Elvis antes de ser corrompida. Tem pontinha curta do futuro astro Dean Jones como disk-jóquei. A banda que acompanha Elvis no filme no estúdio de gravação é realmente aqueles que o acompanhavam Scottie Moore, na guitarra, Bill Black no Baixo (mas o piano foi tocado por Mike Stoller em off). Vejam que estranho, o filme não foi rodado em Cinemascope, mas na proporção clássica e normal. Só foi convertido em Widescreen depois na edição final!

elvis4 Revisitando Elvis Presley em Blu ray

Amor a toda Velocidade (Viva Las Vegas). Musical. Widescreen. 84 min. Cor. 1964.  EUA. MGM Warner.

Diretor: George Sidney. Elenco: Elvis Presley, Ann-Margret, William Demarest, Cesare Danova, Nicky Blair, Teri Garr.

Sinopse: Em Las Vegas, um corredor de automóveis que vai participar do Vegas Grand Prix se envolve com uma showgirl/professora de crianças.

Este é o meu favorito dos musicais de Elvis, simplesmente porque:

1) ele foi dirigido pelo melhor diretor de sua carreira, o grande George Sidney 1911- 2002, um dos poucos grandes sobreviventes da época de ouro da Metro. Ele fez alguns clássicos inesquecíveis. Entre eles Escola de Sereias (Bathing Beauty, 1945. Com Esther Williams, Red Skelton), Marujos do Amor (Anchors Aweigh, 1945 com Gene Kelly, Frank Sinatra), Os Três Mosqueteiros (The 3 Musketeers, 1948, com Gene Kelly, Lana Turner), Bonita e Valente (Annie Get Your Gun, 50 com Betty Hutton, Howard Keel), O Barco das Ilusões (Show Boat, 51, com Ava Gardner, Howard Keel), Scaramouche (Idem, 52. Com  Stewart Granger, Eleanor Parker), Dá-me Um Beijo (Kiss Me Kate, 53 com Kathryn Grayson, Ann Miller), Melodia Imortal (The Eddy Duchin Story., 56, com  Kim Novak Tyrone Power), Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1956 com  Frank Sinatra, Kim Novak), Adeus, Amor (Bye, Bye Birdie, 1963, que revelou justamente Dick Van Dyke e Ann Margret!).

elvis6 Revisitando Elvis Presley em Blu ray

2) é porque este é o único filme de Elvis onde ele teve a chance de trabalhar ao lado de uma estrela de primeira grandeza de idade compatível (que não fazia o papel de sua mãe!) e de quem gostava, com quem compartilhava vários números musicais de canto e dança! E com quem sabe-se hoje teve um romance durante a filmagem e uma amizade que durou toda a vida dele (Ann chegou mesmo a estar em seu enterro).

Ann-Margret é sueca de nascimento, mas veio para os Estados Unidos aos 5 anos e aos 17 já era descoberta por Frank Capra para co-estrelar Dama por um Dia, com Bette Davis. Aqui tinha apenas 23 anos e procurava demonstrar uma energia e vitalidade que seriam sua marca registrada (às vezes até exagerava na sua ânsia de parecer sensual, mas em cena é sempre forte e intensa). Mais tarde, Ann chegou a se tornar grande atriz dramáticam, sendo indicada duas vezes ao Oscar (por Ansia de Amar e Tommy!). Sua voz era pequena e sexy fugindo do padrão bonzinho da época. Aqui ela divide os números e canções com Elvis (e fica patente que os dois tinham química e simpatia entre si).

O fato é que ajuda muito ter um diretor experimentado no gênero, que torna o filme mais ágil e agradável, sabendo enquadrar em Widescreen, mesmo quando o roteiro é a bobagem de sempre. Mas de qualquer forma liga Elvis a cidade que marcaria sempre sua vida e dá um pouco de vida ao normalmente apático Elvis (este já foi o décimo quinto dele e segundo nesse mesmo ano, começando já então a decadência de sua carreira).

elvis5 Revisitando Elvis Presley em Blu ray

Alguns números musicais são muito legais como o simpático duelo na piscina The Lady Loves Me e até atrevidos (em termos, Ann dança com freqüência e sensualidade, tem mesmo um meio striptease). Chega também a mostrar cenas de alguns outros shows dos Cassinos (mas nada de cenas de nudez).

A trama é medíocre, mas chega a ter algum rock (What I’D Say, bem coreografado e quem prestar atenção, do lado direito de Ann de cabelo para cima está Teri Garr de corista). E lógico, sem esquecer a música-tema famosa (que volta no final em tela dupla). Nada demaism, mas é agradável de ver.

Esta edição tem apenas um featurette chamado Reinado: Elvis em Vegas, onde mostra a relação do cantor com a cidade de Vegas. Tem ainda comentários em off de Steve Pond e trailer de cinema.

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19 fevereiro 2012

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Crítica de Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança

motoqueiro fantasma 1 Crítica de <i>Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança</i>

Ghost Rider – Spirit of Vengeance. 95 min. Direção de Mark Neveldine e Brian Taylor. Imagem. Com Nicolas Cage, Ciaran Hinds, Idris Elba, Christopher Lambert, Violante Placido, Johnny Whitworth, Fergus Riordan.

Se você não gostou do primeiro filme, vai odiar ainda mais esta continuação que na verdade não tem muito a ver com o original. É o que os americanos chamam de reboot, um recomeço, o que sucede quando eles não ficaram muito satisfeitos com o original e tentam criar nova franquia, esquecendo mais ou menos do que houve antes. Conservam, porém, Nicolas Cage, que consegue aqui os píncaros da ruindade com sua pior interpretação de todos os tempos, simplesmente porque faz caretas horrendas a cada vez que o diabo quer entrar dele e virar o motoqueiro em chamas (desta vez, aperfeiçoaram um pouco e assumiram que é apenas uma caveira flamejante toda escura).

motoqueiro fantasma 5 Crítica de <i>Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança</i>

O problema maior é que a produtora Columbia, embora assine como co-produtora, vendeu os direitos de distribuição para os independentes Steven Paul (pela Hyde Park, Imagination e Marvel Knoights!). Infelizmente eu assisti o filme dublado (em 3D que francamente não faz diferença alguma) e a voz de Cage virou a de cafajeste carioca, carregado nos Rs, principalmente na abertura e ocasionais cenas de animação (para acenturar sua origem de quadrinhos).

O que deve ter sucedido é que o orçamento era baixo (falam em 75 milhões, mas deve ser lorota), já que as locações foram no lugar mais barato para filmar do mundo, a Romania (isso se nota nos interiores muito pobres, como no hospital, nos coadjuvantes horríveis e a única sequência que usa uma atração turística são as covas na Capadócia/Turquia e um anfiteatro romano).  Tudo é visivelmente do segundo time, já que a filosofia é desde que esteja em chamas está valendo! Inclusive chamaram para fazer o diabo (aliás, muito desqualificado) o ator irlandês Ciaran Hinds que para mim é o pior do cinema britânico e compete em ruindade e caretas com Cage. E acaba ganhando!

É porque a historia é altamente confusa e ambígua. Sabemos que Johnny Blaze vai parar na Europa Oriental (de verdade, porque é mais econômico filmar lá) mudando completamente de lugar e tempo do filme anterior. Seria porque ele quer se livrar do contrato que fez com o diabo (que o enganou e matou o pai de qualquer forma) e encontra com um tipo estranho que é Moreau, algum tipo de anjo bom (o melhor ator do filme é justamente Idris Elba, da série de tevê Luther, que da dignidade a tudo que faz).

motoqueiro fantasma 3 Crítica de <i>Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança</i>

Parece que o diabo está na terra corporificado em humano e fez um filho, um menino com uma mulher chamada Nadya (Violante). Johnny teria que levá-lo para ser protegido numa ordem religiosa (que descobrimos ser dirigida pelo coitado do Christopher Lambert(foto), que destruiu sua carreira e agora é constrangido a aparecer com a cabeça raspada e a cara toda maquiada de tatuagens!). Não faz muito sentido porque o motoqueiro em chamas quer praticar o bem e salvar o menino, que por sua vez também é filho do diabo (portanto, o Diabo-mór deveria ter mais poderes do que ele). Não é bem o que sucede mas só eu mesmo para perder tempo procurando lógica num filme desses.

Não chega a ter nem muitas cenas de ação apesar de várias perseguições (a única sequência mais ou menos marcante é uma com uma roda mecânica em chamas e acaba impressionando mais o vilão, que quando toca em alguém faz o sujeito se desfazer em cinzas, aquele velho truque digital de muitos filmes), nem nas ruínas chega a marcar.

motoqueiro fantasma 4 Crítica de <i>Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança</i>

Quem dirigiu foi uma dupla: Neveldine é roteirista de Jonah Hex e dirigiu Adrenalina I e II e Gamer (ele assina apenas o sobrenome) e o parceiro Brian Taylor fez todos os filmes juntos (também é ocasional diretor, produtor e foi operador de câmera). Violante que faz a mãe do menino é italiana, filha do diretor e ator Michele Placido e esteve antes com George Clooney em Um Homem Misterioso. Johnny Whitworth que faz o vilão Ray é americano e esteve em muitos filmes (Os Indomáveis, Sem Limites, Gamer). O menino Fergus Riordan  que parece promissor veio do filme Terror em Mercy Falls (mas há poucas referencias).

Incoerente e modesto, é apenas um filme B disfarçado de Super Aventura.

motoqueiro fantasma 2 Crítica de <i>Motoqueiro Fantasma 2 – Espírito de Vingança</i>

Motoqueiro Fantasma & Outros Heróis Sobrenaturais.  Pesquisa de Adilson de Carvalho Santos.

Na década de 1970, a figura de um motoqueiro audacioso executando proezas em ousados saltos era glamurizada pelos feitos reais  de Evel Knievel (1938 – 2007), ex-dublê que se tornou um astro internacional com suas incríveis e perigosas performances. Em 1971, houve até um filme com George Hamilton dramatizando as peripécias de Knievel e outro um telefilme em 2004. Fundindo a imagem audaz de um motoqueiro com Evel  com elementos sobrenaturais, surgiu em agosto de 1972 na revista Marvel Spotlight 5, o Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider) saído da imaginação do desenhista Mike Ploog e dos roteiristas Roy Thomas e Gary Friedrich.

É a história de Johnny Blaze, um motoqueiro amaldiçoado após um pacto com o demônio que o transforma em uma figura assustadora com caveira flamejante. Curiosamente, já tinha existido um outro personagem da própria Marvel Comics chamado “Ghost Rider”. Este era um cowboy que aterrorizava os foras-da-lei com sua fantasia fantasmagórica.

Com a criação de Johnny Blaze, o antigo cowboy passou a se chamar “ Phantom Rider “. O novo personagem fez um relativo sucesso apesar de pertencer ao segundo escalão de personagens da editora Marvel. Em 2007, Nicolas Cage, que é reconhecido fã de histórias em quadrinhos, interpretou Blaze em uma produção de sucesso que trouxe de volta o mítico ator e motoqueiro Peter Fonda (do clássico Sem Destino / Easy Rider) no papel do vilão.

Escreveu o Rubens em sua crítica:

O mesmo diretor Mark Steven Johnson de Daredevil – O Homem sem medo e que também escreveu Elektra, Dois Velhos Rabugentos e Jack Frost retorna agora com nova adaptação de uma história em quadrinhos, mais cult que popular que foi sucesso nos EUA (esta perto dos 100 milhões) apesar de críticas negativas. Estavam errados. O filme é melhor do que parece. Assiste-se com facilidade, tem algumas sacadas de elenco e não deixa Nicolas Cage incomodar (dizem que ele é velho demais para o personagem mas como é louco por quadrinhos insistiu em fazer o filme. Não atrapalha porque no começo é substituído por um jovenzinho e depois em todas as cenas de ação seu rosto é substituído por uma caveira flamejante!).

A historia é bastante complicada e pretende ser uma paráfrase aquela lenda em forma de canção que é Ghost Rider of the Sky, sobre os cavaleiros fantasmas que andariam pelo Velho-Oeste. Como não se brinca com o diabo, este provoca a morte do pai do herói e o faz mudar de cidade, esquecer a mulher que amava e mudar de vida, se apresentando em truques com motos cada vez mais incríveis (já que ele é imortal). Anos depois, a mocinha virou Eva Mendes que trabalha como repórter de tevê.

Johnny virou um sujeito estranho e solitário, mas que é forçado a atender o pedido do Diabo e enfrentar um filho rebelde dele, Coração Negro (o retorno de Wes Bentley, de Beleza Americana). É quando finalmente entra em ação o Motoqueiro Fantasma, com um moto (e corpo!) em chamas. Dali em diante a ação é continua, bem-humorada, altamente digital e sempre consumível.

A Sony Pictures (que tinha adquirido o personagem antes da editora Marvel ser comprada pela Disney) apenas co- produz – esta continuação é independente e feita com poucos recursos – um reboot algo como recomeço (assim como fará em breve com o novo Homem-Aranha), mas trazendo do elenco do filme anterior apenas Cage.

Como nos quadrinhos se costuma criar e recriar personagens, o Motoqueiro Fantasma foi relançado na década de 90 com uma nova identidade secreta: O jovem Danny Ketch, que ao entrar em um cemitério encontra uma misteriosa motocicleta. Ao tocá-la, Ketch passa a encarnar o espírito da vingança e a punir os pecadores que derramam sangue inocente.

Desta nova encarnação do personagem surge no uniforme do herói a longa corrente que cresce ao comando mental do motoqueiro, que se torna uma tremenda arma ofensiva. Recentemente, Gary Friederich, co-criador do personagem, perdeu o processo que moveu contra a editora Marvel para receber os direitos referentes à adaptação cinematográfica do herói.

A figura de um vampiro sempre estimulou a imaginação humana e nos quadrinhos não foi diferente. Um ano depois do motoqueiro, a mesma Marvel Comics criou Blade, um caçador de vampiros que era filho de uma mulher humana com um legítimo chupa-sangue. O personagem apareceu pela primeira como coadjuvante na revista A Tumba de Drácula em julho de 1973 criado por Marv Wolfman e Gene Colan.

O personagem nunca teve tanto destaque até que foi adaptado com sucesso para o cinema com Wesley Snipes em 1998, misturando lutas em artes marciais com um visual “cool”. Duas continuações  foram produzidas respectivamente em 2002 (que era melhor que a original)  e 2004 e a TV também adaptou o personagem para um seriado produzido em 2006, vivido por Kirk Jones, mas que teve pouca duração.

Saído das páginas da revista do Monstro do Pântano em 1985, criado pelo polêmico autor de quadrinhos Alan Moore (responsável por comics como Do Inferno, Watchmen e V de Vingança), surge o mago John Constantine que é adaptado para o cinema 20 anos depois, como Constantine, com direção de Francis Lawrence (diretor também do bem sucedido Eu Sou a Lenda) com Keanu Reeves numa caracterização nada fiel aos quadrinhos e repetindo seu tipo de Neo (seu personagem em Matrix).

Melhor sorte teve a adaptação de Hellboy , herói criado pelo autor Mike Mignola que bebeu da fonte dos textos de H.P. Lovecraft, autor clássico do gênero. O herói demônio de Mignola teve excelente caracterização visual do ator Ron Perlman nos dois filmes dirigidos por Guilherme del Toro, em 2004 e 2008. Os dois filmes foram muito felizes em agradar tanto aos leitores de Mignola como também àqueles que jamais leram as aventuras de Hellboy.

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18 fevereiro 2012

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Lançamento em DVD

A Versátil tem tido um trabalho notável lançando no Brasil filmes clássicos de ótima qualidade (tanto nas cópias, quanto na seleção), tanto americanos quanto europeus, de forma que hoje é certamente a melhor do gênero no Brasil. Essa excelência fica demonstrada neste mais recente pacote de lançamentos raros e importantes.

Os Ambiciosos  ***  La Fièvre Monte à el Pao

os ambiciosos ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Port. Drama. Standard. 97 min. Preto e Branco. 1958. França/México. Versátil. 14 anos.

Diretor: Luis Buñuel. Elenco: Gérard Phillipe, Maria Felix, Jean Servais, Victor Junco, Raul Dantes, Miguel Angel Ferriz, Domingo Soler, Pillar Pellicer, David Reynoso.

Sinopse: El Pao é a capital da ilha de Ojedam num pais fictício da América Latina, onde descendente de Francês, Ramon Vasquez, trabalha como secretário do governador militar e é apaixonado pela mulher dele Inês. Quando o governador é morto por assassino político, Ramon sobe na hierarquia e se torna ministro, mesmo tendo que enfrentar um policial corrupto  que faz chantagem para ficar com Inês.

Comentários: Este é um filme atípico de Buñuel (1900-83), que também coescreveu o roteiro no que deve ser o mais político e menos surrealista de seus filmes. É mais uma alegoria do que são as ditaduras latinas, situando a ação numa ilha prisão onde se misturam prisioneiros comuns e políticos. É, basicamente, a história da corrupção de um homem que começou idealista, cheio de ideias e propostas, mas quando vai subindo na carreira as concessões terminam por destruí-lo e a quem ama (o final é um pouco aberto demais e poderia ter mais impacto).

É curioso porque o filme já demonstra como Buñuel já havia se reabilitado e conseguido prestígio na França, sendo o começo de sua grande fase (ainda que este filme não esteja entre seus mais elogiados e nunca foi reprisado no Brasil).

Mas os franceses de esquerda adoravam este tipo de história denunciando esse tipo de governo e, por isso, ele contou com a presença do astro de maior prestígio na época na França, Gérard Phillipe 1922-59, (super engajado, também sucesso no palco, morreu aos 36 anos em Paris, de câncer no fígado, possivelmente apressado pelas más condições de trabalho neste filme feito no calor dos trópicos e locações sem conforto.

Ele foi diagnosticado ao voltar da filmagem e, sem esperança, apenas aguardou a morte. No filme já dá sinais de estar doente e sem muita vitalidade. Também é super importante no projeto além da presença do maior fotógrafo do cinema latino da época o grande Gabriel Figueroa, assim como a de Jean Servais (recém consagrado por Rififi) como o vilão sem escrúpulos. Mas a grande figura do filme é a maior Diva do cinema mexicano em seu apogeu, Maria Félix (o filme é falado em Frances na qual ela dominava).

Maria (1914-2002) foi celebrada em canto e verso (porque também foi casada pelo maior compositor de seu tempo Agustin Lara, além do astro Jorge Negrete, até a morte dele em 53. De Grande beleza e personalidade foi a maior estrela do México em todos os tempos em filmes clássicos como La Escondida, o francês French Can Can de Jean Renoir, A Bela Otero, Rio Escondido, Maclovia, Dona Diabla etc. Embora não seja dos grandes trabalhos do diretor e cai por vezes no excessivo dramalhão, mesmo assim é interessante e fora do comum. Trailers e texto sobre o diretor.

Quando Desceram as Trevas *** Ministry of Fear

quando desceram as trevas ok Lançamento em DVD

Áudio: Inglês. Leg: Port. Suspense. Standard. 83 min. Preto e Branco. 1943. EUA. Versátil. 14 anos.

Diretor: Fritz Lang. Elenco: Ray Milland, Marjorie Reynolds,  Dan Dureya, Carl Esmond, Hilary Brooke, Alan Napier, Percy Waram.

Sinopse: Durante a Segunda Guerra, Stephen Neale sai de um sanatório onde cumpriu pena,  acusado de ter matado sua esposa doente (eutanásia). Antes de pegar o trem para Londres, para numa festa onde ganha um bolo que está sendo disputado por espiões. Acaba se envolvendo assim numa série de mistérios e perseguições, que envolve o Ministério da Home Security criado na época para lutar contra espiões.

Comentários: Este é um  filme americano menor do alemão expressionista Fritz Lang (1890-1976), que mantém seu estilo de fotografia claro/escuro para contar uma adaptação de romance do ex-crítico Graham Greene (que ficaria mais célebre depois com sua ligação com o diretor Carol Reed, com quem faria a obra prima O Terceiro Homem).

Estrelada pelo hoje esquecido, mas vencedor do Oscar, o inglês Ray Milland,  é basicamente uma aventura de espionagem com uma história de amor pouco convincente (a mocinha e ele se apaixonam imediatamente e ela até trai o irmão por isso) passada numa Londres chuvosa de estúdio onde todo mundo parece ser nazista ou vendido para eles.

Bastante movimentado, com uma sucessão de adivinhações, sessões espíritas, esconderijo no metrô, fugas por apartamentos etc, mas resulta num thriller frio, como se Lang nunca se deixasse se envolver com a história ou não acreditasse nela. Na verdade, foi ele quem descobriu o romance e tentou comprar os direitos. Quando aceitou o projeto produzido pelo também roteirista Seton I Miller,ex-safonista.

Seu agente, porém, esqueceu de colocar no contrato que poderia fazer modificações e todas que sugeriu foram recusadas. Por isso ele não gostava do filme, dizendo que esta longe de suas intenções e só o fez obrigado. Também não estava bem de saúde e durante as filmagens ficou sabendo da doença que o faria perder um olho!

Também a história lembra demais o Hitchcock de 39 degraus e Correspondente Estrangeiro. Hoje é visto mais com um exercício de estilo, com elegância inegável, mas um trabalho menor. Edição traz Trailers de clássicos e texto sobre Vida e obra de Lang.

Os Visitantes da Noite ** Les visiteurs du Soir

os visitantes da noite ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Português. Romance. Standard 1.33. 1942. 122  min. PB. França. 14 anos.

Diretor: Marcel Carné. Elenco: Alain Cuny, Arletty, Fernand Ledoux, Marie Déa, Jules Berry, Henri Rust, Marcel Herrand, Roger Blin e como figurantes (Alain Resnais e Simone Signoret).

Sinopse: No final do século XV, casal de menestréis Gilles e Dominique são, na verdade, enviados do diabo para espalhar a discórdia no castelo do Barão Hughes. Gilles seduz a filha do barão que estava para se casar com outro enquanto Dominique conquista não apenas o Barão, mas também o noivo. O problema é que Gilles contrariando as ordens de seu chefe se apaixona de verdade pela moça.

Comentário: Numa excelente cópia restaurada, esta é a primeira vez que sai em Home Video no Brasil este clássico francês que foi durante muito tempo celebradíssimo pela crítica que louvava a obra do diretor Marcel Carné (1906-96), principalmente quando ele trabalhava com o poeta Jacques Prévert como roteirista, numa série de filmes que a crítica chamou de realismo poético (era uma espécie de precursor do filme noir, com clima melancólico e personagens trágicos que também previam a guerra próxima e a derrocada da França que foi ocupada durante anos pelos Nazistas).

Foi nessas condições difíceis que Carné trabalhou neste filme e no próximo que é considerado pela crítica francesa como o melhor filme francês de todos os tempos, O Boulevard do Crime (disponível em DVD). Esta alegoria durante muito tempo foi vista como uma espécie de resistência ao invasor alemão, mas é difícil atualmente se observar alguma mensagem política (embora tenha influenciado outros filmes do gênero como o de Bergman, O Sétimo Selo).

Rodado com dificuldades (primeiro no Val de Marne, depois num estúdio em Nice, na Cote D´Azur). Assim o Diabo seria Hitler e o amor seria a única forma de resistência! O que não convence muito hoje em dia. Há vários problemas, sendo o maior o fato de que a concepção de atores e beleza mudou muito. Todo o elenco aqui carece de beleza e cai em maneirismos, sendo que o diabo de Jules Berry é exagerado e ate cômico.

Arletty tem mais cara de drogada do que jovem sedutora e o galãzinho parece sofrer de tuberculose (Alain Cuny teria seu melhor momento como o intelectual que se mata em La Dolce Vita de Fellini). Mesmo a cenografia de Alexandre Trauner com seu castelo branco bem discutível esconde o orçamento modesto. Ainda assim, Carné insiste em alguns efeitos ingênuos mais curiosos, no começo quando o diabo faz um gesto bondoso (ressuscitando um urso, o que dá uma pista falsa), quando eles fazem os convidados dançarem  em câmera lenta e quando mostram a luta de espadas (muito mal feita) através de um reflexo numa água de piscina.

Nem mesmo os diálogos pseudo românticos e poéticos resistiram ao tempo e da para entender porque os críticos e realizadores da Nouvelle Vague detestavam o diretor (que ficou desacreditado nos anos 50 em diante) e o filme, que resulta pedante e falsamente comprometido. Sem crédito, Antonioni foi assistente de direção. Traz trailer de cinema e texto sobre Carné.

Desejos Proibidos  ***** Madame De...; The Earrings of Madame De...
max ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Português. Romance. Standard 1.33.1953.  97 min. PB. França  Italia. 14 anos.

Diretor: Max Ophuls. Elenco: Danielle Darrieux, Charles Boyer, Vittorio De Sica, Jean Galland, Jean Deboucourt, Lia de Leo.

Sinopse: Na França, no final do século 19, a Condessa Louisa, esposa de rico general francês vende os brincos que o marido lhe deu no dia do casamento para pagar dívida. Mas o marido recupera os brincos e lhes dá a amante que os perde em Constantinopla onde são comprados por um nobre italiano, que por sua vez lhes da de presente a sua amada, justamente a Condessa Louisa. Mas ela não sabe manter o jogo da discrição.

Comentário: Indicado para o Oscar de figurino, esta é a obra-prima de Ophuls (1902-57) que ainda faltava sair em Home Video no Brasil. É uma delicada e sutil história de amor, realizada com todo o bom gosto e requinte de que o cineasta era capaz, lembrando mais Cara de uma Desconhecida do que Lola Montes. Tem o tom de um valsa (seu tema constante) ao relatar o drama de uma mulher frívola que entra na ciranda de amores e mentiras, que por fim a destroém.

A direção de arte é esplêndida, assim como a cópia restaurada, mas não se pode esquecer a marca registrada do diretor que são os travellings - os grandes movimentos de câmera, que fazem a dupla central deslizar pelo salão. Até hoje ainda esta viva Danielle Darrieux (nasceu em 1917 e continua trabalhando no teatro) que faz o papel título (nunca se diz o sobrenome dela, de alguma forma ele sempre é encoberto ou truncado).

A história é baseada em livro de Louise de Vilmorin (que também escreveu Julieta de Allegret, o roteiro de História Imortal de Welles, o episódio Adolescência de A Francesa e o Amor, e os diálogos de Os Amantes de Louis Malle).

Ao final tinha uma conclusão mais longa mostrando (spoiler!) como os brincos iam parar com uma jovem freira e depois com uma jovem que se casava com um General, fechando o circulo (ou seja, essa moça seria a próxima Madame De... Mas Ophuls achou  que isso enfraquecia o filme e o cortou pessoalmente já nas copias finais).

Contam que o famoso diretor Jean-Pierre Melville ajudou dirigindo figurantes nas cenas de dança de salão. De Sica (o célebre diretor neo-realista e popular astro de comédias) aceitou o papel porque era grande admirador de Ophuls e já queria ter feito o papel de Gabin em O Prazer.

O papel do Barão foi escrito já pensando nele! A mesma coisa aconteceu com Danielle. Charles Boyer era desde os anos 30 o ator francês mais famoso de Hollywood, onde continuava radicado na época mas voltou a França especialmente para participar do projeto (embora tenha tido diversas discussões com o diretor).

Uma pequena joia, o filme é indicado porém a quem admira o gênero romântico à moda antiga. Traz vida e oba de Ophuls e trailers de clássicos.

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17 fevereiro 2012

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Em cartaz – As Praias de Agnès

As praias de Agnès (Les Plages de Agnès) França, 2008. Direção de Agnès Varda. Documentário. 110 min.

11 Em cartaz – <i>As Praias de Agnès</i>

Há muitos anos atrás Agnès Varda (1928) teve um sucesso enorme no Brasil com seu filme As Duas Faces da Felicidade (Le Bonheur, 65) premiado com o Urso de Prata, hoje injustamente esquecido, era de uma beleza estonteante e um verdadeiro poema polêmico sobre as incertezas do amor. Dali em diante, ela que foi precursora da Nouvelle Vague, se sustentou com a ajuda do marido Jacques Demy (1931-90), que fez sucesso e ganhou a Palma de Cannes com Os Guarda Chuvas do Amor (Agnès levou o Leão de Ouro por Sem Teto nem Lei (1985), que foi exibido aqui como os Renegados e saiu agora em DVD no Brasill com esta outra tradução, mais literal). Aliás, o filme é bem interessante, sem concessões sobre uma jovem rebelde Sandrine Bonnaire que vira andarilha e viaja pelo interior, sem infeliz.

Quando Demy morreu de Aids, nunca se falou como e porque isso sucedeu (aliás, neste filme aqui ela conta que nunca tocaram no assunto, ele se fechou e ninguém quis perguntar). Mas ela continuou apaixonado por ele, de tal forma que fez uma filmebiografia dele (Jacquot de Nantes, 1991) e passou a realizar diversos documentários, com pequena câmera digital que foram muito bem aceitos pela crítica e deram nova vida a sua carreira. Ao mesmo continuou a ser fotografa e fazer instalações e isso explica porque este seu filme, já meio antigo é tão bonito, tão tocante. Acontece simplesmente que ela é uma autora, tem um olhar próprio, gosto pela composição, saber encenar momentos, é criativa e original. E sensível. É incrível que aqui no filme ela pareça tão doce, tão querida. Na vida real nem tanto.

22 Em cartaz – <i>As Praias de Agnès</i>

Uma coisa curiosa é que no livro biográfico da juventude de Glauber Rocha escrito por Nelson Motta, pela primeira vez eu vi publicado e escrito (já que a imprensa francesa tem que respeitar a lei de privacidade e não pode falar da vida nem mesmo dos famosos) a história de que  o na verdade Demy seria gay e Agnès lésbica (parece que Glauber sempre dizia isso dela).  Seria um casamento de conveniência. Ouvi também várias vezes esta história em Paris e parece que não há dúvida sobre a vida dupla de Demy. Mas não é a imagem que Agnès vende neste filme, além de juras de amor eterno, do valor da família e louvor dos filhos e netos (Mathieu Demy é ator e agora também diretor e esta em Tomboy, em cartaz ainda) se apresenta, como já disse, encantadora e quando jovem até bonitinha (entre outras coisas que ela inventa para o filme está o fato de andar para trás... Como disse, é muito original).

Eu conheci o casal ainda num Festival do Rio bem no comecinho de carreira e conversei com eles que me pareceram agradáveis e confesso que não fiz nenhum julgamento. Há poucos anos atrás eu estive justamente em Paris no escritório de Agnès (fiquei emocionado de reconhecê-lo no filme não sabia que havia sido palco de tantos momentos marcantes de sua vida!). Conversamos longamente para as câmeras e ela sempre foi muito profissional, mas não especialmente simpática. Guardava seu melhor momento para seus documentários.

31 Em cartaz – <i>As Praias de Agnès</i>

De qualquer forma eu fiquei encantado com este filme que está em sessões alternativas no Cine Sesc (e foi visto por uma plateia bastante boa para o horário, perto de 30 pessoas). E o recomendo vivamente para quem gosta e trabalha com documentário e para os admiradores da diretora! A diretora sempre encontra uma forma nova e interessante (mexendo com fotos antigas, espelhos que fotografam praias – para ela a paisagem favorita – de rebuscar o passado que analisa sempre com carinho e saudade, se derramando geralmente em elogios).

E sem a gente perceber faz com ela uma viagem por sua obra, descobrindo-se raridades como um curta-metragem em que aparece um muito jovem e magro Gérard Depardieu como ladrão de livros, várias imagens da jovem e belíssima Catherine Deneuve em filmes diversos, um Harrison Ford muito jovem (quando ela e  Demy trabalharam nos Estados Unidos, ela queria fazer um filme para a Columbia estrelado por Ford, mas o estúdio disse que ele não tinha talento e que nunca daria certo!!! Para se ver como se enganam!) e o recém-falecido diretor Zalman King com sua mulher de muitos anos mostrado como um casal ideal na praia de Venice, California.

agnews Em cartaz – <i>As Praias de Agnès</i>

A viagem começa na Bélgica, sua terra natal (onde se revela que o pai de Agnès era grego!), a vida com as irmãs. Depois a ida para Paris ainda na Segunda Guerra Mundial e a Ocupação (trecho também de filme que ela fez condenando a ação dos policiais franceses prendendo judeus).  E bem longamente no lugar chamado La Pointe Courte (que seria o nome de seu primeiro longa-metragem, onde lançaria também o estreante Philippe Noiret,  se referindo a um pequeno porto de mar).

Filme esse que ainda hoje é considerado o começo da nouvelle vague (que ela resume com um amigo indicando outro para fazer filmes depois que Godard conseguiu sucesso de bilheteria com Acossado). Há também várias cenas com Jane Birkin (com quem ela fez dois semidocumentários), o segundo longa que deu certo Cleo de Cinco a Sete, um terceiro que fracasso As Criaturas, com Piccoli e Deneuve, trecho raro do filme americano com os parceiros de Hair e Viva, chamado Lions Love, seu envolvimento em luta feminista, a favor do aborto e o seu filme infeliz que com elenco all star comemorava os 100 anos do cinema (As Cento e uma Noites, que foi um desastre).

Enfim, é toda uma vida e uma obra revivida diante de nossos olhos comovidos e encantados.

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