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24 maio 2012

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Estreia – Flores do Oriente

The Flowers of War

flores 1 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>

China, 11. Direção de Zhang Yimou. Com Christian Bale, Ni Ni, Zhang Xinyi, Paul Schneider, Tong Dawei, Atsuro Watabe, Shawn Dou e Yuan Nie. 146 min.

Pouca gente lembra ou sabe que houve uma guerra entre Japão e China na época em que os militaristas belicosos do Japão estavam querendo se expandir (e que eventualmente resultaria em Pearl Harbor). E que por causa disso, os chineses até hoje ressentem e não gostam dos japoneses (que também ainda não reconheceram direito seus erros e exageros).

Não foi só a guerra, mas por causa do comportamento sanguinários dos invasores, que mataram e estupraram sem dó ou piedade. Quem pesquisar irá encontrar tragédias horríveis e injustificadas, ainda pouco conhecidas no resto do mundo.

flores 2 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>
Acho que não existe no Oriente no momento um diretor do porte de Zhang Yimou, que é amigo de Spielberg (ajudou na realização dos shows de abertura e encerramento das Olimpíadas e foi quem indicou Christian Bale para o papel de americano envolvido na história).

O longa, que é uma coprodução com os EUA, foi o indicado oficialmente pela China para o Oscar de filme estrangeiro e durante anos fez filmes belíssimos de arte (como Lanternas Vermelhas) que eram perseguidos pela censura.

flores 3 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>
Até que um dia se cansou e passou a realizar aventuras (O Herói é uma obra-prima e um dos meus filmes preferidos) e montagens de ópera, usando seu domínio técnico (ele foi antes fotógrafo) e bom gosto. Aqui Yimou retorna ao tema do que foi justamente seu primeiro longa como realizador, Sorgo Vermelho (87), que passou aqui faz tempo e está esquecido.

Mas já era uma denúncia muito chocante dos fatos até então pouco divulgados. Um detalhe curioso é que Yimou selecionou uma cineasta da Palestina para fazer estágio na produção, na rodagem e pós-produção, Annemarie Jacir. Esteve em produção por 164 dias, em que se trabalhava 18 horas por dia.

flores 4 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>

Ele retorna ao assunto agora se fixando no chamado Estupro de Nanking (a cidade que inventou a tinta famosa), que aconteceu em 1937,  na chamada Segunda Guerra Sino Japonesa, um agente funerário John (Bale) que chega a uma igreja católica na cidade para fazer o enterro de um padre. Mas acaba sendo o único ocidental num convento onde está um grupo de estudantes e também de prostitutas fugitivas de um bordel. Sem querer, é obrigado a se vestir de padre e de servir de involuntário protetor dessas jovens, diante das investidas dos invasores japoneses.

Feito com a habilidade habitual do realizador (enquadramentos precisos, belos movimentos de câmera, figurino muito elaborado, utilização estética das cores,) o roteiro acaba sendo um pouco previsível. Já é velho clichê do cinema a figura do homem sem fé ou bandeira, que se entusiasma por uma causa que o leva ao heroísmo e sacrifício como é o caso de John, ou a redenção (como as prostitutas).

flores 5 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>

 Talvez seja esse o problema que impediu o filme de ter maior repercussão pelo mundo (seu prêmio mais notável é uma indicação ao Globo de Ouro). Vocês devem se lembrar de que o próprio Bale teve problemas com o governo da China que acabou declarando ele pessoa não desejável quando assumiu a defesa de um contestador (se esquecendo que lá é uma ditadura comunista).

O New York Times chegou a dizer que o filme parece “um musical backstage- passado nos bastidores - que de vez em quando é interrompido por um desagradável estupro ou assassinato”. E o classifica como um blockbuster de atrocidades na linha de Galipoli e E o vento Levou. Inclusive por causa de sua longa metragem.

 flores 6 Estreia   <i>Flores do Oriente</i>

Concluindo que há uma desproporção entre os eventos e o tratamento distanciado que o diretor dá ao assunto e sua recusa de assumir um ponto de vista. Eu diria mais, sua indignação, o próprio terror da violência. Prendendo-se mais ao melodrama e o fotogênico.

Ainda assim, os que desconhecem os fatos podem e devem conhecer o filme. Nem que seja como lição de historia. Ah, Bale como sempre está tenso e revoltado, naquele tom que já conhecemos.

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24 maio 2012

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Estreia – Hasta La Vista!

hastalavista Estreia   <i>Hasta La Vista!</i>

Hasta La Vista! Venha como você é (Hasta la Vista!). Bélgica, 2011. Direção de Geoffrey Enthoven.Com Tom Audenaert, Isabelle de Hertogh, Gilles de Schrivjer, Kimke Desart, Johan Heldenbergh, Karlijn Sileghem.

Este foi o filme indicado oficialmente pela Bélgica para o Oscar de produção estrangeira e como sempre eles não sabem escolher ou votar. Deixaram passar esta comédia divertida e diferente, que pega um tema difícil e consegue atingir o público. A primeira vista pode assustar, mas começou a funcionar no Festival de Montreal quando ganhou tanto o Prêmio do Júri quanto do público e o da crítica.

Esta é a história de três jovens que têm formas diferentes de deficientes, são aquilo que politicamente correto se chama, pessoas com necessidades especiais. Eles suportam suas dores e pesares, mas tem uma mágoa que não conseguem esconder: o fato de nunca terem transado antes e provavelmente nunca conseguirão fazer isso. Então planejam uma road trip, uma viagem para perderem a virgindade justamente na região de vinhos da Espanha.

A história é vagamente inspirada numa pessoa real Asta Philpot, um americano que vive na Inglaterra e luta pelos direitos sexuais do que tem alguma desvantagem. Os três heróis são amigos num subúrbio e ficam isolados por suas diferenças. Josef (Tom Audenaert) é quase completamente cego. Philip (Robrecht Vanden Thoren) é um paraplégico infantilizado que gosta de brincadeira. Também na cadeira de rodas está Lars (Gilles De Chryver), que tem uma doença degenerativa e mortal que está lhe causando paralisia e crises.

hastalavista2 Estreia   <i>Hasta La Vista!</i>

Todos ainda vivem com os pais e necessitam de assistência permanente, embora sonhem com a independência.  Quando ouvem falar de um bordel espanhol decidem fazer a viagem sozinhos. A família naturalmente não gosta da ideia, mas concordam quando uma enfermeira/motorista é contratada (embora ela seja masculinizada e de pouca conversa, Claude Isabelle de Hertogh). A situação se torna urgente quando Lars descobre que tem pouco tempo de vida.

E lá vão eles, entre confusões e conflitos, trapalhadas meio pastelão mascarando a gravidade da situação no que é certamente a única e maior viagem de  suas vidas. E chega de contar a história. Basta dizer que o filme consegue convencer com sua difícil tarefa, sem condescendência, com humor digno e responsável. Ainda que polêmico. O elenco é bom e tudo funciona. O filme tem muita chance de conquistar um espaço com o público mais aberto e disponível.

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24 maio 2012

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Estreia – MiB 3- Homens de Preto 3

Men in Black III EUA, 2012. Direção de Barry Sonnenfeld. Com Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Emma Thompson, Jemaine Clement, Alice Eve, David Rasche, Bill Hader, figurações de Tim Hunter, Justin Bieber, Michael Stuhlbarger. Sony.

mib1 Estreia   <i>MiB 3  Homens de Preto 3</i>

Dez anos depois do Homens de Preto 2 (2002) e quinze após o primeiro (1997), chega finalmente o terceiro capítulo e a verdade é que ninguém estava especialmente ansioso por sua chegada.

A boa notícia é que ele é bem menos ruim do que o anterior, já que a lembrança que ficou dele é a de um filme completamente equivocado. Mas também não é nenhuma maravilha.

É relativamente curto, razoavelmente engraçado e totalmente descartável. Não ofende, mas não traz nenhuma razão particular para ser visto. Mesmo com alguns monstros vomitando na tela do 3D.

mib2 Estreia   <i>MiB 3  Homens de Preto 3</i>

Will Smith (Agente J) ao menos parece esforçado em conseguir alguma graça de um roteiro medíocre que descarta o Agente J, Tommy Lee Jones para um segundo plano, já que é todo em cima de uma viagem no tempo.

Ele tem que viajar até 1969 para corrigir um erro e modificar o passado e assim impedir que a Terra seja destruída por uma invasão de ETs de um planeta belicoso (que não é das histórias mais novas já vistas).

A novidade é o K é interpretado por outro ator, que o faz mais jovem, Josh Brolin, uma discreta e convincente imitação de Jones (Brolin é um bom ator mas de carisma zero). Enquanto isso está solto um supervilão Boris, o Animal (Clement) que inicia o filme fugindo da prisão na Lua.

mib3 Estreia   <i>MiB 3  Homens de Preto 3</i>

De qualquer forma, tem as velhas citações de Ets que fazem se passar por humanos (entre eles, Lady Gaga, Tim Burton, Justin Bieber) e a novidade seria brincar com algumas citações de época (na verdade lembrando um pouco Sombras da Noite de Burton que estreia em breve que acontece no começo dos anos 70).

Como uma visita à The Factory de Andy Warhol (feito por Bill Hader). Mas em geral é um desperdício de elenco, porque eles tem muito pouco a fazer, e isso, infelizmente, inclui a ótima Emma Thompson que está perdida como a chefe da organização.

Smith não fazia um filme há tempos, há três anos e meio desde o mal-sucedido Sete Vidas (08) e Spielberg continua assinando a coprodução pela produtora Amblin (e a gente sente sua mão, ou sua digital, na resolução da história que cai no sentimentalóide tão caro a ele).

Embora seja fácil de ver e as pessoas estejam nostálgicas e com certa boa vontade, não me convenceu ou e entusiasmou.

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23 maio 2012

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Primavera em Nova York – Filmes que eu assisti: Think like a Man

14 Primavera em Nova York – Filmes que eu assisti: <i>Think like a Man</i>

Já foi ate o primeiro lugar de bilheteria e continua a fazer sucesso.

É uma comédia romântica para o público black americano e vocês não imaginam como eles riem. Um delírio. Acho que encontraram a fórmula de se dirigir aos negros (que tradicionalmente são os que vão mais ao cinema, quero dizer, veem filmes com mais frequência que os brancos e muito mais que latinos que pelo jeito não tem grana para isso).

O filme tem um elenco de mulheres e rapazes negros, todos simpáticos e atraentes, bem vestidos, bem situados na vida. E no mix tem dois brancos (mas homens, mulher não). Acho que o mérito é do competente diretor Tim Story, que além de fazer filmes de ação como Quarteto Fantástico I e II, realizou os pioneiros Salão de Barbeiro e Táxi.

23 Primavera em Nova York – Filmes que eu assisti: <i>Think like a Man</i>
Além disso o roteiro é muito bem armado numa adaptação de um livro real de conselhos para mulheres, ou seja, auto-ajuda, onde o autor ensina literalmente a pensar mais como homem e ainda evitar as ciladas como que homem detesta.

Naturalmente o filme é episódico, com historinhas paralelas, e embora destinado ao público feminino os homens participam e se divertem.

33 Primavera em Nova York – Filmes que eu assisti: <i>Think like a Man</i>

Como vocês sabem no Brasil há um tradicional preconceito com filmes desse gênero que não passam em salas e vão direto para home vídeo. Não dos exibidores mas do próprio público. Só funcionavam quando é comédia com Eddie Murphy ou Whoopi Goldberg. Seria bom que isso mudasse.

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22 maio 2012

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Festival comemora 105 anos de Laurence Olivier

De todos os grandes atores da Inglaterra, e eles foram muitos, o maior de todos foi sem dúvida é Laurence Olivier. A opinião não é minha, mas um consenso geral, até pelo fato de que foi o único deles que ganhou não apenas o titulo honorário de Sir mas também o muito mais raro de Lord Laurence Olivier. Não há duvida, porém, que ele era maior no palco, no teatro, do que no cinema. Mesmo sendo superpremiado e respeitado. Seu estilo de representar era por vezes exagerado, anti-natural. Gostava de usar maquiagens e sotaques extravagantes, ficar diferente. Talvez fosse até um pouco canastrão, principalmente no fim de carreira, quando trabalhava para ganhar dinheiro para sustentar os filhos. Mas como se pode ver no filme Sete Dias com Marilyn, onde ele é vivido por Kenneth Branagh (aliás, uma perfeição) ele era vaidoso e complicado, mas também uma lenda viva. Não é a toa que o Oscar do teatro inglês leva o seu nome, The Olivier.

O Festival do TCM dura apenas um dia.

ESPECIAL LAURENCE OLIVIER – Terça-feira, dia 22 de maio

14h30* - Hamlet (Idem, 1948, classificação indicativa livre)

17h* - O Príncipe Encantado (Prince & The Showgirl, 1957, classificação indicativa livre)

22h* - Maratona da Morte (Marathon Man, 1976, classificação indicativa 14 anos)

Hamlet Festival comemora 105 anos de Laurence Olivier

Hamlet/Idem, Ano: 1948. PB. 153 min. Diretor: Laurence Olivier Elenco: Laurence Olivier, Basil Sydney, Jean Simmons, Eileen Herlie, Norman Wooland, Peter Cushing, Anthony Quayle, Felix Aylmer, John Gielgud, Christopher Lee, Desmond Llewelyn.

Sinopse: Hamlet, filho do Rei da Dinamarca, recebe a visita do fantasma de seu pai que lhe conta que foi assassinado. Finge-se de louco num plano complicado de vingança.

Comentários: A mais famosa versão da obra de Shakespeare (o site IMDb registra cerca de cinqüenta versões!), vencedora dos Oscars de Melhor Filme, Ator, Direção de Arte e Figurinos (também concorreu como Direção, Coadjuvante – a jovem Jean Simmons, adorável como Ofélia, e Trilha Musical). Olivier que já era na época o maior ator shakespeariano do teatro, rodou propositalmente em preto e branco, cortando grandes trechos do texto (que teria por volta de cinco horas se fosse completo). Assim, Horacio vira ponta, Rosencrantz, Guilderstein e Fortimbrás são totalmente eliminados. Os cenários são planejados como uma abstração, há um mínimo de objetos em cena e móveis. Os figurinos não marcam bem uma determinada época. Olivier utiliza muito a profundidade de campo, movimenta sua câmera através de corredores misteriosos. Na hora dos monólogos, alterna soluções, e, às vezes, utiliza a chamada “voz interior”. Em outros, ele mesmo fala. A parte mais discutível é o próprio Olivier: ele é velho para o papel, composto e pedante demais. Mas como síntese de um clássico, o filme impressiona, envolve e até emociona. Ainda é melhor do que as versões com Mel Gibson e Kenneth Branagh.

O Príncipe Encantado Festival comemora 105 anos de Laurence Olivier

O Príncipe Encantado/The  Prince and the Showgirl. 1957. Diretor: Laurence Olivier. Elenco: Richard Wattis, Marilyn Monroe, David Horne, Jeremy Spenser, Sybil Thorndike, Laurence Olivier.

Sinopse: Elsie é uma corista que, em 1911, durante as festas do coração na Grã-Bretanha, se envolve com um príncipe de país fictício. O flerte acaba se transformando em algo mais sério.

Comentários: Na sua ânsia de provar que era boa atriz, Marilyn produziu esta comédia que é uma adaptação da peça de sucesso de Terence Rattigan, que Olivier havia feito na Inglaterra com sua mulher Vivien Leigh. Chamou o super prestigiado Olivier para dirigir e estrelar a seu lado, e surpreendentemente resultou bem, apesar dos conflitos de filmagem (que pode conferir no filme em cartaz ). Marilyn é uma boa comediante que funciona no papel da corista. Na fita, Marilyn perdeu alguns de seus piores maneirismos, por exemplo falar sempre sussurrando. ou deixar sempre a boca aberta, porque lhe disseram que assim fotografava melhor. Bem produzido, sempre teatral e agradável, não chega a ser um clássico mas é uma boa diversão.

Maratona da Morte Festival comemora 105 anos de Laurence Olivier

A  Maratona da Morte/ Marathon Man. 1976. Diretor: John Schlesinger. Elenco: Dustin Hoffman, Laurence Olivier, Marthe Keller, Roy Scheider, William Devane

Sinopse: Um estudante que tem paixão por maratonas, descobre que o irmão está envolvido em espionagem. Quando ele é assassinado, tem que fugir.

Comentários: Um daqueles filme complicados e cheios de reviravoltas, onde a gente nunca sabe para onde está sendo conduzido. Aos poucos as peças vão se ajustando até formar uma trama de crime e traição na melhor tradição do gênero thriller. É um roteiro do grande William Goldman (“Butch Cassidy”), inspirado em livro de sua autoria. Há momentos fortes: o ataque do chinês no quarto do hotel, o assalto ao heróis quando ele está nu e indefeso na banheira, a bela jogada na Ópera de Paris e naturalmente várias maratonas para justificar o título. Mas certamente a sacada inesquecível é a tortura na cadeira do dentista. Realização impecável, num filme de suspense e ação de primeira classe.

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21 maio 2012

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Primavera em Nova York: Rock of Ages

Rock of Ages Primavera em Nova York: <i>Rock of Ages</i>

Há algumas razões porque fui assistir o musical de rock Rock of Ages.

1) Kristin Hanggi chegou a ser indicada ao Tony de melhor diretora de musical em 2009 e desde então continua a ser sucesso na Broadway.

2) Estreia ainda neste verão americano e já vi até o trailer da versão para o cinema do show, que é estrelado surpreendentemente por Tom Cruise. Na sessão que eu estava chegaram até a sortear um ingresso para a estreia de gala, que naturalmente não ganhei!

3) agora dia 23 deste mês será o lançamento em São Paulo de um Almanaque de Rock, do qual eu escrevi o longo prefácio. Ou seja, de agora em diante sinto-me na obrigação de acompanhar também e com mais cuidado os filmes do gênero.

O fato é que o show também é o único exibido nos domingos às sete e meia da noite, ou seja, não concorre com nada e está em cartaz no pequeno e simpático Teatro Helen Hayes (que depois disso vai ter que passar por uma reforma).  

E no final das contas, acabei gostando, é divertido, lembra mesmo The Book of Mórmons porque tem o mesmo estilo de humor, a completa farsa, primeiro debochando de tudo, mas no fundo com poucas ousadias (palavrões em fartura mas não tem nudez, para eles um tabu, drogas de passagem mas qualquer filme americano tem isso). Ou seja, a técnica é no começo pegar pesado e dar a impressão de que vai ser um show pesado e revelador. Nada disso, é apenas uma brincadeira, extremamente bem interpretada por um elenco desconhecido. É incrível a qualidade dos atores, todos perfeitos humoristas e excelentes cantores (que não deixam de fazer o belting tão querido da Broadway).

Rock of Ages  Primavera em Nova York: <i>Rock of Ages</i>

O show parte do principio de usar canções do Whitesnake e de outros grupos dos anos 80, a era Reagan (e já avisam que Deff Lepard não liberou seus trabalhos). Tem um narrador que também é o cara do som (parece que este seria o papel de Cruise, mas não sei muito sobre o filme, confesso) e que provoca as melhores piadas e basicamente cria a situação romântica.

Um aspirante a compositor (Justin Martin Sargent) se apaixona pela moça que chega do interior (Ashley Spencer), mas não sabe conquistá-la e esta cai nas garras de um roqueiro famoso (que depois a despreza e ela vai ser stripper!).

Há também um capitalista alemão que deseja destruir a casa de rock (que fica na Sunset Strip) mas no fundo todo mundo é bonzinho, no fundo quer amar e ser amado. A cara feia do começo era pura fachada para o passatempo (a sala estava cheia de velhos e nenhum se horrorizou ou saiu no meio, ao contrário, tudo foi recebido com alegria e ovação. Ou seja, até os roqueiros ficam velhos).

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20 maio 2012

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Primavera em Nova York – The Columnist

john lithgow the columnist Primavera em Nova York   <i>The Columnist</i>

Já falamos aqui do ator John Lithgow quando comentei sobre seu livro autobiográfico Drama: an Actor’s Education. Mas eu nunca tinha visto este ator tão premiado (2 Tonys, 2 Globos de Ouro, 2 indicações ao Oscar, 5 Emmys ,4 indicações ao Grammy) numa performance ao vivo. Essa é a razão porquê eu fui assistí-lo na peça The Columnist (O Colunista), escrita por David Auburn e pela qual ele foi novamente indicado ao Tony.

O Mr. Auburn ganhou prêmios porque foi consagrado com a peça anterior, Proof (Prova), filmado com Gwyneth Paltrow que o habilitou mesmo até a dirigir filmes The Girl in the Park e roteiros como The Lake House, com Sandra Bullock. O problema é que esta é sua primeira peça na Broadway desde então mais de 10 anos atrás.. E ainda por cima não é lá essas coisas...

Ela está sendo apresentada no teatro non-profit (não lucrativo) Manhtattn Theatre Club (antigo Biltmore) e para mim teve um bônus inesperado. Só na hora descobri que quem estava no elenco é Grace Gummer, que é justamente a filha de Meryl Streep, que esta tentando fazer carreira como atriz (tem filmes novos agora Meskada e outro ainda sem título de Noah Baumbach). Não deve ser nada fácil ser filha da atriz mais elogiada e premiada de sua geração, e, além de tudo, uma mulher que sempre foi considerada bonita e atraente.

Não se pode dizer a mesma coisa de Grace, que tem o rosto largo como uma coruja. Não se sai mal em cena, mas não tem a luz da mãe e se for esperta vai procurar outro caminho.

Os críticos americanos gostaram de comparar os problemas do autor com o do personagem, que é uma figura real, um colunista político de Washington que se chamava Joseph Alsop e foi extremamente importante. E de quem hoje ninguém mais se lembra, nem de suas opiniões extremadas, principalmente porque foi a vida inteira a favor da guerra do Vietnã.

John Lithgow procura interpretá-lo com óculos redondos que o deixa com cara de Harry Potter, mas lhe dá a maior humanidade possível, considerando que ele não era nenhuma simpatia. Egocêntrico, arrogante, era íntimo apenas de um irmão mais novo (que morreu mais cedo e fugiu de seu controle).

O filme começa e concluiu com um encontro que ele tem primeiro na Rússia, com um rapaz com quem tem um encontro sexual (Alsop era homossexual, mas fez questão de se casar com uma mulher que tinha uma filha que ajudou a criar). É evidente que ele é espião da KGB. Mas também um bom caráter como irá se revelar anos depois na cena final.

Para Lithgow, ao menos serviu para criar uma boa interpretação. Mas o verdadeiro problema é outro: por que contar esta história sobre um sujeito desprezível que ficaria melhor esquecido (a peça ao contrario de muitos filmes não dá explicação sobre que fim ele levou, quando e de que morreu). Como diziam os gaúchos, porque tanta vela por um mau defunto?

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19 maio 2012

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O melhor filme de lutas do ano

The Raid1 O melhor filme de lutas do ano

Não sou eu só quem diz, está em toda parte e corri para assistir porque estava curioso. A verdade é que eu gosto, assumo, de filmes de lutas marciais, desde que originais e bem feitos e este aqui é o mais bem lutado dos últimos anos. Admiro muito a engenhosidade dos coreógrafos dessas lutas, que parecem para valer, mas demonstram a incrível pericia, coragem desses atletas.

O diferencial aqui é que são todos grandes lutadores e vieram do lugar menos esperado, justamente da Indonésia. O filme a que estou me referindo se chama The Raid - Serbian Maut (o titulo original quer dizer Invasão Mortal!) e não é uma continuação, ao contrário, agora que está sendo feita esta sequência e vai ser chamar Berandal (ao mesmo tempo que os americanos estão preparando a versão local).

É curioso que quando entrei na sala a bilheteria me preveniu é versão original com legendas, não tem problemas? Aliás, como já esta sucedendo no Brasil onde cada vez é mais comum filme dublado em português.

Bom, isso é outra historia, aqui quero elogiar esse filme inacreditável a partir da aparência dos atores (sai com a certeza que foram os indonésios que em priscas eras colonizaram o norte do Brasil!).

Acostumado com chineses e japoneses, onde todos são mais ou menos parecidos, aqui há uma variante incrível de tipos. Embora a história de policiais corruptos seja também parecida com a nossa.

 Um esquadrão tipo SWAT, se prepara para invadir um velho prédio com inquilinos onde no alto habita o maior dos traficantes de droga. A polícia vai entrando, mas é denunciada e logo se descobre que aquela missão já estava destinada a fracassar. E para complicar, o herói do filme - Iko Uwais- tem dentro da organização, como segunda pessoa justamente seu irmão!

E o chefão de tudo claro que é traidor. Nada disso, porém, tira o poder das cenas de brigas e lutas, que mesmo sendo pobres de recurso são brilhantes de execução e imaginação. Nada daquelas coisas voadoras de Hong Kong, aqui é na porrada mesmo, em que eles entram entusiasmados gritando e pulando, às vezes bem violento.

O filme é da Sony Classics que no Brasil tem a mania de esconder seus títulos em Home Vídeo, espero que tenham o bom senso de fazer um bom lançamento deste já nascido cult. Aliás, guardem o nome do diretor que esse ainda vai dar o que falar: o gales Gareth Evans!

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18 maio 2012

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Primavera em Nova York – Mais teatro com Newsies

Um dos problemas da Broadway é que os teatros são antigos e as cadeiras muito estreitas, especialmente para um cara grande como eu.

Sofro muito com as pernas espremidas e geralmente luto por uma poltrona no corredor (aisle). Nem sempre consigo como foi o caso do musical Newsies, que é outro dos filmes que viraram show de teatro.

NewsiesOnBroadway Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Mesmo tendo sido fracasso no cinema e sendo praticamente desconhecido no Brasil (até onde lembro não saiu em DVD no Brasil já que eu tive que importá-lo). Enfim, fiz tudo para segurar a dor nas pernas e tentar gostar do espetáculo que estava sendo consagrado por um público de teens (lotado) que gritavam como se fosse show de rock (o porque não entendi muito bem!).

Foi quando me caiu a ficha: não é irônico se aplaudir um show sobre uma greve de jornaleiros menores de idade, que defendem os direitos das crianças que trabalham, que defende além do direito de greve também a importância e força do sindicalismo (como se sabe nos EUA ambos ainda são fantasmas rejeitados pelos donos do poder, tanto que o máximo que se ouve sobre greve por aqui são as de roteiristas de Hollywood ou atores).

iYM1mPIG7xuw Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Eles gritam "greve" e a plateia que mal sabe do que isso se trata, canta que a justiça está chegando já às ruas. E assim por diante. E sabe aquele Pulitzer que leva o nome do famoso prêmio  de jornalismo e literatura? Pois é, o cara era um mau caráter, reacionário e péssimo dono de jornal, nos mostra o show.

É interessante ver que o show, que tem seu coração e proposta de esquerda, é produzido por uma corporação altamente capitalista como é a  Disney! Ele  estava sendo preparado devagar e sem muita esperança quando logo na primeira performance teve criticas tão boas que resolveram arriscar e levá-lo para uma temporada pequena na Broadway (os anúncios ainda falam que vão parar em meados de agosto). Mas está sendo tão bem recebido que não duvido que fique mais tempo em cartaz.

A verdade é que não chega a ser inspirado, as canções são de Alan Menken (aquele mesmo de Leap of Faith, que já foi tirado de cartaz e também de todos aqueles desenhos famosos, um dos quais Aladdim também já está a caminho dos palcos). O cara é bom e ganhou aquela montanha de Oscars, mas este seu escore não é especialmente memorável. Funciona melhor em cena do que disco porque foi montado muito profissionalmente por Jeff Calhoun (que já fez muita bobagem antes como Bonnie e Clyde, Grey Gardens).

Os cenários são aquelas batidas estruturas metálicas que servem para qualquer coisa, são a casa dos meninos órfãos, depois a prisão ou qualquer outra coisa que precisarem. Ou seja, não há aqueles cenários majestosos de antigamente, os figurinos são banais e o elenco que deveria ser de menores de idade é formado como de costume por dançarinos de vinte e tantos anos, de estatura baixa (alguns praticamente anões) e capacidade atlética.

O ator mais conhecido seria Jeremy Jordan que esteve em Bonnie e Clyde e no filme Joyful Noise com Dolly Parton.

Nada carismático é uma espécie de versão feia do nosso Fábio Assunção (penso sempre que foi Chris Bale que fez o papel no cinema). Seu personagem também é inseguro, vive cantando sobre a vontade de largar Nova York e se mudar para Santa Fé, no Novo México, ou seja, um chato que não assume sua liderança nem seu talento para o desenho.

a 560x375 Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Mas eu gostei da mocinha Kara Lindsay, que tem um jeito de Sally Field, e do vilão John Dossett (que é Pulitzer), veterano de Mama Mia e Gypsy. E também da coreografia de Christopher Gatelli (de South Pacific) cheia de energia e invenção (como dançar em cima de folhas de jornal).

Bom, pelo tom do comentário dá para sentir que acabei gostando do espetáculo. Ele é direto, forte, atinge o público de maneira positiva.

ps* Newsies para quem não entendeu seriam os jovens jornaleiros, aqueles que vendem os jornais com as noticias no começo do século passado em Nova York.

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17 maio 2012

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Primavera em Nova York- a estreia americana de O Ditador

O Ditador Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i>

Tinha certa expectativa de assistir o novo filme de Sacha Baron Cohen depois da decepção do descontrolado e quase ofensivo Bruno (2009), bem inferior a seu famoso Borat (2006), que inaugurou seu estilo de semi-documentário fake.

Sacha que é judeu e britânico, pisa em terreno mais polêmico com O Ditador já que apresenta um ditador de um pais rico em petróleo e deserto mas que ele faz questão de dizer que não é árabe e em momento nenhum se toca em religião. Para provocar a ira dos mamoetanos. Se isso for possível.

O truque é que tudo o que assistimos no trailer na verdade resuma unicamente os primeiros minutos do filme, que dali em diante muda completamente e se torna por sinal muito menos engraçado. Inclusive, notei um corte do trailer, já que não tem aquela frase em que ele diz: "Salve os Estados Unidos, o país onde inventaram a AIDS!"

 O Ditador 2 Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i>

Alguém resolveu cortar a piada. Sacha tem a mania ou precaução, de fazer versões diferentes para cada país. Esta americana tem apenas 83 minutos, incluindo os letreiros que continuam a ter piadinhas até mais ou menos a metade. O Ditador, naturalmente feito por Sacha, chama-se Aladeen (piada evidente) e seu castelo num Oasis é uma famosa construção na Espanha, em Sevilha, assim como as externas nas Ilhas Canárias e Marrocos.

Ele é sanguinário e por qualquer coisa manda seus associados (só que em vez de serem executados, estes fogem para os Estados Unidos) enquanto prossegue com seu plano de construir ogivas e bombas atômicas para fins bélicos. Seu maior inimigo é o irmão (papel indigno para Bem Kingsley) que lhe prepara uma cilada quando Aladeen vai até Nova York para falar na ONU (é importante lembrar que ele tem também vários sósias que morrem em atentados contra ele). Por uma série de circunstâncias, Aladeen fica fora da Assembléia e obrigado a sobreviver em Nova York, com a ajuda de uma militante (Anna Faris) com quem eventualmente se envolve. Até sexualmente.

Uma pena que por causa dessa trama a maior parte do filme é apenas mais uma repetição do tema do Peixe Fora D’Agua, ou seja, um ex-ditador sem poder, descobrindo os prazeres do capitalismo.  Como sempre o problema é a falta de gosto, ou melhor dizendo, o mau gosto de muitas piadas, grosseiras ou vulgares. Uma delas, por exemplo, é elenco esquecendo um celular dentro do útero de uma mulher que está ajudando a nascer o bebê (mas tem uma piada boa sobre o tema em outro momento, quando fala para a mulher: - Você esta grávida? Pode escolher entre menino ou aborto!).

O Ditador 3 Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i> 

Tem outras coisas que ofendem, numa delas, um emissário chinês quer que George Clooney faça sexo oral para ele. Aí dizem mas ele não é gay, são apenas boatos! Parece que você que é gay. O chinês responde, não é sexo! É poder (ainda assim Clooney não topou fazer a ponta, mas quem faz a cena ainda que sugerida é o corajoso Edward Norton). Aliás, nos diálogos também há um exagero de palavrões e sugestões de sexo oral, incluindo Aladeen aprendendo a se masturbar pela primeira vez.

Quem foi burra o suficiente para aceitar a ponta foi Megan Fox, que segundo mostra o filme ganha presentes e dinheiro para fazer sexo com xeiques ricos como o Ditador. Ou seja, se prostitui, se não é verdade, é uma brincadeira que só a compromete, não a promove em nada.

E vai assim por diante, depois de uma comecinho razoável, o filme fica muito irregular (ainda assim a plateia americana parecia achar alguma graça), mas felizmente no fim dá uma reviravolta muito interessante. E Sacha faz um discurso altamente crítico e violento, defendendo a Ditadura que é boa porque assim se pode torturar prisioneiros sem julgamento, prender negros sem justificativa e vai assim por diante apontando todos os atuais defeitos da chamada democracia americana. A plateia riu meio amarelo, me parecendo que custaram a entender a piada.

Felizmente tem muitas gags, muito chutes nas partes, e outras baixarias, perdido entre um outro momento de doçura e alguns vazios.

Aposto que o melhor do filme ficou na sala de edição cortados ou por um algum advogado com medo de processo ou da fúria vingativa dos sucessores de Bin Laden.

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