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3 fevereiro 2012

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A Música Segundo Tom Jobim. Documentário de Ana Jobim e Nelson Pereira dos Santos

Antonio Carlos Jobim   cred Instituto Antonio Carlos Jobim e1328265436881 A Música Segundo Tom Jobim. Documentário de Ana Jobim e Nelson Pereira dos Santos

Foi uma curiosa opção feita pela neta do compositor e o veterano e ilustre cineasta Nelson Pereira: Eles fizeram um documentário que não nos fornece qualquer informação biográfica, não tem narrador, nem sequer identifica os que estão cantando ou interpretando a música de Jobim (o que torna o filme um quebra-cabeça com as pessoas se interrogando quem diabos é esse ai?!).

Foi uma opção narrativa (dizendo que palavras não fazem justiça a obra de Jobim), mas que rouba do filme qualquer valor cultural ou informativo. Vira apenas uma colagem de muitos momentos musicais, de origens diferentes, quase sempre de tapes estrangeiros. Prazerosos na medida em que você conhecer a obra e os interpretes do grande Jobim (1927-94).

Confesso que sou e sempre fui grande admirador dele, embora nunca tivesse a coragem de abordá-lo. Por isso o filme me tocou especialmente quando resgata uma raridade como uma sequência com Sylvia (Sylvinha) Telles que sempre foi minha musa e cantora preferida – e continua sendo – apesar de sua morte prematura em acidente de carro em 1962. O filme apresenta um número gravado pela Alemanha que eu desconhecia e apreciei muito. Assim como foi ótimo se emocionar novamente com Elis Regina (duas vezes em clipes do seu disco com Jobim), Maysa (da TV Cultura), Agostinho dos Santos (parece que também da Cultura). Enfim, o espectador tem que esperar pelo final para ver creditados os nomes das canções e dos interpretes (e como não é ainda copia em DVD, não fica fácil voltar atrás para revê-los, ou relembrar).

A pesquisa ao menos foi longe. Temos dois números de Sinatra com Jobim, interpretações de musicas suas por Gal Costa, Alaide Costa, Sammy Davis Jr, Diana Krall,  Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Sabiá quando concorreu e ganhou Festival da Canção, Adriana Calcanhoto, cantores franceses (Pierre Barouh, Henri Salvador, Lio), italianos, orquestras sinfônicas, músicos de jazz e outros mais.

Começa bem com trecho antigo mostrando o velho Rio (será que é do filme Pista de Grama? Onde aparece também Elizeth Cardoso com João Gilberto ao violão?), mas não mostra nenhuma das belíssimas trilhas que Jobim fez para o cinema! São 42 músicas e a gente não sente como overdose. Mas como documentário resulta insatisfatório. O fã queria mais e melhor contado.

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3 fevereiro 2012

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Direto em Home Video: Filmes importantes

Não entendo muito o critério de lançar filmes indicados a prêmios diretamente em Home Video, ou seja basicamente DVD (que hoje estão em crise, por causa da pirataria como qualquer criança sabe). Já sucedeu isso com o vencedor do Oscar recente Guerra ao Terror, agora novamente com Toda Forma de Amar (que é o favorito para Oscar de coadjuvante com Christopher Plummer) e mais dois filmes badalados e que foram indicados a prêmios e considerados de qualidade. É o caso de 50 por cento (50/50) da Swen e também Guerreiro (Warrior), da Imagem.

50 Direto em Home Video: Filmes importantes

50 por cento (50/50) EUA, 11.100 min. Áudio: português, inglês. Leg: português, inglês.14 anos. Widescreen. Cor.

Elenco: Joseph Gordon Levitt, Anna Kendrick, Seth Rogen,Anjelica Huston, Bryce Dallas Howard, Serge Houde, Matt Frewer, Phillip Baker Hall, Will Reiser (como Greg).

Diretor: Jonathan Levine (Warm Bodies, 12, The Wackness, 08, All the girls love Mandy Lane, 06). Roteiro de Will Reiser.

Sinopse: Adam de 27 anos descobre que esta com câncer e seu amigo Kyle o ajuda a atravessar a crise e os problemas com as mulheres e a família.

Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Comédia e Ator de Comédia (Levitt), ao Sindicato dos Roteiristas como Melhor Roteiro Original, ganhou como Roteiro do National Board, foi Melhor Filme no Festival de Aspen, indicado ao Independent Spirit (ainda não entregaram) como Filme, Roteiro de Estreante e Coadjuvante (Anjelica). No Festival de Hollywood, Levitt foi votado Ator do Ano. Foi ainda indicado como Roteiro pelos críticos de Dallas, San Diego, Washington (ganhou) e Broadcast. Nada mal para um filme relativamente modesto (custou oito milhões de dólares, mas rendeu nas salas americanas mais de 34!), que foi o mais sensível na atual moda de se fazer histórias sobre o recrudescimento das pessoas atingidas por câncer.

Uma história autobiográfica da próprio roteirista que foi incentivado pelo ator Seth Rogen para passar para o cinema (que assina como co-produtor), suas desventuras, mas sempre em tom de comédia (a HBO tem uma série parecida com herói feminino, Laura Linney em The Big C). É um tom difícil de conseguir, porque raramente se conta a história de um rapaz jovem que é atingido pela doença. É curioso que James MacAvoy ia fazer o papel, mas teve que deixar o projeto e com menos de uma semana para se preparar foi substituído por Joseph Gordon Levitt, que mudou muito desde os tempos em que fez a serie Third Rock from the Sun. Hoje é um dos mais talentosos e ocupados atores de sua geração (ele é de 1981). Ele raspa sua cabeça inclusive numa cena que não estava no script e o diálogo entre os dois foi totalmente improvisado. Seth Rogen era amigo pessoal de Reiser e ajudou durante a doença, depois convencendo-o a escrever o filme.

A produtora foi a mesma Summit (Lion´s Gate) de Crepúsculo e queria um beijo ao final com a terapeuta (feita por Anna Kendrick também de Crepúsculo),  mas eles se recusaram a filmá-la. Embora passado em Seattle, foi rodado no Canadá por questões econômicas. Quem faz a namorada do herói que não agüenta a pressão e começa a traí-lo foi Bryce Howard, filha de Ron Howard e também em The Help. Curiosamente foi ela que sugeriu o título atual que emplacou (já que o herói tem cinqüenta por cento de chances de escapar com vida do tratamento). Embora preocupado com a vida sexual e amorosa do herói, o filme consegue ser humano (como no relacionamento com sua família) sem nunca cair na sitcom ou apelação. Chega mesmo a funcionar até na conclusão. Nunca chega a ser depressivo como outros do gênero. Vale a pena conhecer.

2 Direto em Home Video: Filmes importantes

Guerreiro (Warrior) EUA, 2011. Áudio: inglês, português. Leg: inglês, português. Imagem. 139 min. Cor. Widescreen. 12 anos.

Diretor e história original de Gavin O´Connor. Roteiro de O´Connor, Anthony Tambakis, Cliff Dorman.

Elenco: Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte, Kevin Dunn, Frank Grillo, Jennifer Morrison.

Sinopse: Dois irmãos que não se dão e seguiram caminhos diferentes na vida irão se encontrar como rivais e oponentes no mundo da MMA (Mixed Martial Arts). Tommy é ex-fuzileiro naval, que serviu no Iraque e retorna a sua cidade e faz as pazes com o pai. Brendan é um bem-comportado professor de física de escola publica que passa por problemas financeiros e para cuidar da família (esta prestes a perder a casa) volta a lutar num ringue.

Embora ache o título sugestivo, muita gente o culpa pelo filme não ter feito melhor carreira nos cinemas americanos ao ser confundido com um mero filme de ação (custou 30 milhões de dólares e não rendeu mais do que 17). O diretor O´Connor ainda não é consagrado, mas tem uma boa carreira em filmes como Livre para Amar (aquele que deu indicação ao Oscar para Janet McTeer), o esportivo Desafio no Gelo (Miracle com Kurt Russell) e Força Policial (Pride and Glory, com Edward Norton e Colin Farrell). Mas preparem-se para um bom drama sobre artes marciais.

Quem teve melhor resultado público com o filme foi Nick Nolte, que tem uma boa interpretação como o pai dos dois irmãos que se enfrentam. Ele foi indicado como coadjuvante pelos criticos de Broadcast, On Line, Chicago, Satelitte (com Tom Hardy também como protagonista), pelo SAG, tendo ganho no de San Diego. Foi também indicado ao Oscar de Coadjuvante . É curioso que o personagem foi escrito especialmente para Nolte pela dupla de roteiristas (que são seus vizinhos em Malibu. Os produtores a princípio porém relutaram em escalá-lo por causa de sua reputação de bêbado).  O filme é dedicado ao fundador do Tapout chamado Charles Mask Lewis que morreu dias antes da filmagem, vítima de motorista bêbado.

Ele iria fazer o papel do promotor de lutas e o diretor O´Connor assumiu o personagem. Muito bem realizado, quase um épico, é o tipo do filme que irá agradar os que gostam deste tipo de luta que entrou recentemente em moda (até pela presença de brasileiros). Mas pode atingir um público maior ao mostrar o conflito entre os dois irmãos e o pai, sem cair em exageros ou melodramas. Aprecio em especial o ator inglês Tom Hardy, que para mim foi revelado em Rock n´rolla, de Guy Ritchie (como o capanga gay), esta atualmente em O Espião que Sabia Demais, mas se consagrou mesmo com A Origem/Inception (por sinal está em papel marcante Bane no último Cavaleiro das Trevas). Ele é quem faz o caladão e problemático veterano de guerra enquanto o irmão bom (é meio Caim e Abel) fica nas mãos de um australiano que você conhece mais de cara do que de nome, Joel Edgerton, veterano de Star Wars (A Vingança do Sith), Reino Animal, o novo Enigma de Outro Mundo e no novíssimo Great Gatsby.

Como vários filmes recentes assume a crise financeira nos EUA a que já chamam de recessão. Embora a trama possa ser um pouco clichê e lembre vagamente o recente O Vencedor com Mark Wahlberg, alterna momentos de tragédia grega com violência física (as lutas, embora brutais, são bem encenadas). Tanto que os dois atores se machucaram feio, Joel com os ligamentos na cena da gaiola (pararam a produção por seis semanas por isso) e Tom quebrou dedo do pé, costelas e um dedo da mão.

Originalmente o filme iria se passar em Long Beach mas mudaram para Pittsburgh por causa dos incentivos fiscais locais. O final agora em Atlantic City ia ser feito em Las Vegas. O campeão Olimpico Kurt Angles faz o lutador russo Koba. A primeira cena que Nick Nolte rodou foi aplaudido ao final pela equipe (mas não consta do filme, esta nos extras da edição em DVD americana). Também nessa edição tem um começo alternativo na Prisão de Moundsville em West Virginia em que o personagem de Tom Hardy aparecia lutando numa “Cage”. Mas também foi cortada. Outros lutadores da UFC como Anthony Johnson e Nate Marquardt aparecem no filme. Pelo comentário dá para sentir que é um filme de luta e ação, mas de qualidade acima da média. Também vale conferir.

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2 fevereiro 2012

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Revendo A Bela e a Fera, agora em 3D

a bela e a fera 3 Revendo A Bela e a Fera, agora em 3D

Na última segunda-feira, tinha que fazer hora em Atlanta para o vôo de volta, e achei que a melhor maneira era me enfiar num cinema, que tem (felizmente) em frente ao hotel. Acabei vendo em Imax 3D o Anjos da Noite, o Despertar (depois comento) e na falta de alternativas, entrei na Bela e a Fera agora em versão 3D (o que se explica por duas coisas: a Disney está tentando fazer renascer sua tradição de reprisar seus clássicos a cada sete anos, como fazia antigamente – o que certamente foi a razão para todas as gerações conhecerem os primeiros desenhos animados – e também porque os estúdios estão investindo em 3D, pois é preciso ter produto para as televisões que foram lançados no formato!).

Eis a ficha: A Bela e a Fera (The Beauty and the Beast, 1991). 84 min. Cor. Diretor: Gary Trousdale e Kirk Wise

Elenco: vozes originais de Paige O’Hara, Robby Benson, Richard White, Jerry Orbach, David Ogden Stiers, Angela Lansbury, Bradley Pierce, Rex Everhart, Jesse Corti.

Sinopse: Príncipe egoísta e preconceituoso recebe a visita de uma feiticeira disfarçada e a trata mal. Para lhe dar uma lição, ela o transforma em uma fera horrenda e todos os seus funcionários viram objetos animados. Para quebrar o feitiço, ele precisará fazer com que alguma jovem se apaixone de verdade por ele, antes que caia a última pétala de uma rosa encantada.

Comentários: Há outra razão para este filme ser o primeiro para seguir o sucesso de O Rei Leão em 3D. É que foi o pioneiro dos filmes da Disney que conseguiu fazer sucesso como show da Broadway (O Leão veio depois), inclusive com duas montagens aqui no Brasil (aliás, bem-sucedidas e competentes). Eu assisti na Broadway, depois aqui e elas davam certo por que os efeitos especiais eram bons, o elenco eficiente, mas também o roteiro do filme já tinha o formato de musical, não precisava de muita mudança.

Saiu em DVD também aqui aproveitando o show numa versão já restaurada e ampliada do famoso desenho animado que foi o primeiro foi indicado ao Oscar de Melhor Filme (antes de criarem a categoria especial para o gênero! Perdeu para o Silêncio dos Inocentes). Foi também o único filme de animação a ganhar o Globo de Ouro de Comédia/Musical, e o primeiro da Disney indicado para Oscar de Melhor Filme desde Mary Poppins. Sem dúvida, uma obra-prima, inspirada na famosa lenda, com canções de Alan Menken e Howard Ashman (1950-91) (ganhou Oscars de Trilha Musical e Canção, no caso, a música título cantada por Angela Lansbury). Foi indicado ainda pelas canções “Belle” e “Be Our Guest”, além de Melhor Som. O DVD da Edição Especial Limitada trazia uma curiosidade que não tem aqui nesta em 3D, 6 minutos a mais (no caso a canção “Humano Outra Vez/ Human Again” que tem no show musical, mas que não havia sido completada para a versão inicial).

Mas será que funciona em terceira dimensão? A verdade é que não dá muito certo qualquer filme que não tenha sido produzido especialmente para o sistema, ainda mais um já bastante antigo, realizado numa época em que apenas engatinhava a chamada animação 3D (e ao que me lembro apenas a sequência título, a da valsa é que foi feita dessa forma, e ainda experimentalmente). Isso se nota no movimento de câmera que desce do candelabro para chegar ao casal. Mas fora isso, não acrescenta nada.

a bela e a fera 2 Revendo A Bela e a Fera, agora em 3D

Ainda temos o antigo problema de que os artistas da Disney eram maravilhosos para criar bichinhos fofos e humanizados, mas não sabiam muito bem criar personagens humanos. Assim fica muito melhor A Fera (Besta) do que a Bela (Belle), que não é muito realista, não convence como ser humano. Nada grave, mas do filme em diante a tecnologia evoluiu muito e isso se percebe, mesmo subliminarmente. (Mesmo assim é tão clássico que em 2002 chegou a sair por lá nos EUA em IMAX). Não custa lembrar que a fase de ouro da animação Disney dessa época se iniciara com o anterior A Pequena Sereia em 1989! O filme esta indo razoavelmente bem de bilheteria chegando agora aos 42 milhões de dólares! O perigo é essa moda de passar tudo para 3D mesmo quando a obra não se presta a isso. De qualquer forma, estão apostando alto na versão 3D do Titanic que deve chegar em setembro!

Enfim, se for ver A Bela e a Fera é mais porque é um clássico e crianças e adultos vão gostar e não pelo sistema. A história é muito bem contada, os personagens interessantes (inclusive o vilão Gaston) principalmente os móveis do palácio que são todos vítimas da Magia. E tem certamente um momento de obra-prima, que é a canção Be my guest que foi encenada como um grande número musical.

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2 fevereiro 2012

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Estreia – Histórias Cruzadas

(The Help) EUA, 11. 147 min. Touchstone. Direção de Tate Taylor. Com Viola Davis, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Emma Stone, Cicely Tyson, Bryce Dallas Howard, Allison Janney, Sissy Spacek, Mike Vogel, Mary Steenburgen e Chris Lowell.

historias 41 Estreia   <i>Histórias Cruzadas</i>
Este é um caso semelhante ao de O Homem que Mudou o Jogo, um filme que ficou na prateleira na expectativa do Oscar, que todo mundo achava que iria concorrer e até ganhar. É verdade que o atraso teve as consequências óbvias tais como a chegada das cópias piratas e a perda de impacto (o filme já saiu de moda como acontece com tanta rapidez hoje em dia).

Foi um grande sucesso nos Estados Unidos, custou por volta de 25 milhões de dólares e rendeu mais de 170 milhões). Nada mal para um filme pequeno, de interesse mais para o público feminino (e o público negro), mas que tinha a vantagem de ser baseado num livro que foi best-seller.
historias 1 Estreia   <i>Histórias Cruzadas</i>
Eu fiquei muito assustado quando vi nos EUA alguns dizerem que o filme é corajoso e ousado, ao mostrar o relacionamento entre patroas brancas e empregadas negras num Estado sulista, em meados dos anos 60, quando finalmente começa a integração racial. Gente, eu estou falando há relativamente pouco tempo. Que coragem é essa que só nos anos 60 foram terminar com a divisão entre raças e tratar os negros como cidadãos? Devia ser visto como uma vergonha nacional isso sim.

Bom, antes tarde do que nunca. Mas tira um pouco da força do filme que, não é especialmente bem dirigido, já que a autora do livro autobiográfico Kathryn Stockett (vivida no filme por Emma Stone) exigiu que fosse um velho amigo dela de infância no Mississipi, um ator chamado Tate Taylor (esteve em Inverno Dalma, Queer as Folk e Quebrando as Regras, mas em papéis pequenos).

historias 3 Estreia   <i>Histórias Cruzadas</i>

Dirigiu antes um curta e Pretty Ugly People, 08, com Octavia Spencer que chamou para o filme.  Isso explica porque ele não tem sido reconhecido muito pelos colegas e não está entre as indicações do Oscar: que foram para Octavia, Viola Davis, filme e outra coadjuvante Jessica Chastain, ou seja, relativamente poucas.

Reza a lenda que o livro original foi rejeitado mais de 60 vezes por diversos editores, o que não precisa nem ser comentado. Mas até que Tate fez um trabalho importante na escalação do elenco e na familiaridade criada entre elas.
Basicamente é um drama de costumes, que mostra como se comportam as madames de classe média alta em relação à chamada “ajuda”, ou seja, as empregadas domésticas. Embora nunca em guerra aberta, elas são vítimas de todo tipo de preconceito e humilhação e mesmo quando demonstram amizade, a barreira fica muito clara.

historias 2 Estreia   <i>Histórias Cruzadas</i>

Emma faz Skeeter, uma estudante recém-formada que tem a ideia de gravar o que pensam essas empregadas, coisa inédita e ainda escandalosa (o personagem seria a mãe da autora). As que aceitam dar o depoimento estão,  inclusive, se arriscando.

Bryce Howard tem o papel ingrato de ser a jovem esposa ambiciosa e insegura que desconta na serviçal. Enquanto Jessica (A Árvore da Vida) faz uma recém-esposa de homem muito rico que precisa de ajuda para ser uma boa esposa.

historias 5 Estreia   <i>Histórias Cruzadas</i>

As verdadeiras protagonistas são Viola e Octavia, ambas excelentes atrizes que nos tocam o coração. Viola tem mesmo chance de levar como atriz, caso Meryl – que, aliás, é sua amiga - não estivesse tão arrasadora com Dama de Ferro -e Octavia parece certa como coadjuvante.

Acho que o filme comporta mais comentários e analises e estou consciente que este comentário está superficial. É um filme que eu quero ver de novo e com mais cuidado.

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2 fevereiro 2012

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Estreia – À Beira do Abismo

(Man on a Ledge). EUA, 02. Direção de Asger Leth. 102 min. Com Sam Worthington, Elizabeth Banks, Jamie Bell, Anthony Mackie, Ed Harris, William Sadler e Ed Burns. Paris Filmes.

mond 5 Estreia   <i>À Beira do Abismo</i>

O primeiro choque, vejam como ás vezes eu sou ingênuo, foi descobrir finalmente que o Avatar, quero dizer, o Sam Worthington é  um canastrão, sem carisma, incapaz de segurar um papel já pronto, sem maior dificuldade. Depois foi reconhecer que a trama lembrava outro filme recente, A Tentação (The Ledge), 11.Direção e roteiro de Matthew Chapman.  Com Charlie Hunnan, Terence Howard, Patrick Wilson e Liv Tyler.

O roteirista, li isso em algum lugar lá fora, gostou muito da história deste filme, mas não de sua temática religiosa, resolveu substituí-la por um assalto (agora que penso, será que foi piada?). De qualquer forma, estão reciclando um velho clichê do cinema: um sujeito que vai para o alto de um edifício e ameaça pular de lá (enquanto a polícia vem tentar dissuadi-lo).

mond 1 Estreia   <i>À Beira do Abismo</i>

Aqui o roteirista é Pablo F. Fenjves, um venezuelano que fez fitinhas de TV como Questão de Pele, Filho do  Demônio e Twilight Man. A ideia é começar com um rapaz na prisão que se diz inocente num caso complicado que só aos poucos irá se explicando.

Esse sujeito, Nick Cassidy, consegue escapar (aquelas coisas de cinema) em parte porque descobrimos que ele é um policial e que parece realmente vítima de uma trama extremamente complicada. Mas basicamente ele é ajudado por um irmão mais novo (Jamie Bell, que serviu de modelo para Tintim) e a namorada dele (uma latina chamada Genesis Rodriguez, que seria filha do Puma, um ator venezuelano, o que me fez desconfiar de ligações com o roteirista).

mond 2 Estreia   <i>À Beira do Abismo</i>

Enfim, o plano seria enrolar a polícia que vai tentar impedir que ele pule, chamando, principalmente, uma detetive que está em desgraça (Elizabeth Banks) que errou num caso parecido. Embora conte com várias improbabilidades, o filme vai estendendo a falta de verossimilhança ao ponto de nos fazer acreditar que o casal conseguirá entrar no super escritório de um milionário corrupto que esconde um diamante muito valioso. Quem faz o papel é Ed Harris (que assusta com uma aparência muito magra).

mond 3 Estreia   <i>À Beira do Abismo</i>

Só que o filme é tão cheio de situações improváveis (igualmente uma fuga final que depende da ação de um anônimo que o ajuda) que não dá pra ser levado a sério. Quem dirige é outro estrangeiro trazido a Hollywood, um certo Asger Leth, que é dinamarquês e filho de um veterano diretor local (Jorgen Leth). Mas antes era assistente e fez apenas um documentário Ghosts of  City Soleil, 06. Ou seja, é apenas uma fitinha descartável.

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2 fevereiro 2012

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Estreia – O Homem que Mudou o Jogo

(Moneyball) EUA, 11. Direção de Bennett Miller. Roteiro de Steve Zaillan. Com Brad Pitt, Jonah Hill, Robin Wright, Phillip Seymour Hoffman, Tammy Blanchard, Steven Bishop e Christ Pratt. Sony. 133 min.

o homem 1 Estreia   <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>

Se não fossem as 6 indicações ao Oscar (inclusive para Brad e Jonah, além do prêmio de melhor ator que ele ganhou dos críticos de Nova York), este filme com certeza nunca passaria em nossos cinemas, indo direto para Home Vídeo. Na verdade, eu o assisti em setembro passado em Nova York e a distribuidora o guardou até agora na incerteza (mesmo que já tenha pirata). O pior é que eles têm razão.

Com ou sem prêmio, ele me parece completamente incompreensível para o nosso público, que não conhece, não gosta e não entende o beisebol. Pior que isso, é que não se trata exatamente de um filme que mostra o esporte, os jogos, mas sim os bastidores do que eles chamam de "o grande passatempo americano" (e adotado também por cubanos e japoneses).

o homem 2 Estreia   <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>

O título como vocês podem perceber é um trocadilho, ou seja, o esporte virou sobre dinheiro, como gastar, como fazer grana. Dirigido por Bennett Miller (que fez Capote), é inspirado em fatos reais e é bom ir confirmando que se trata da melhor interpretação de toda a carreira de Brad Pitt, que mesmo maduro, nunca esteve tão seguro, carismático e mesmo cativante (ajuda também o fato de que neste mesmo ano ele teve também A Árvore da Vida onde estava sólido e sincero para não exagerarmos).

Aqui é um papel difícil, porque os conflitos vão se delineando bem aos poucos, mas por causa da própria estrutura do esporte custa a se deflagrar. O  leigo custa muito  a entender (por exemplo, embora o time seja montado por uma pessoa, aquele que contrata os jogadores, designa suas funções na hora do jogo propriamente dito será outro técnico que irá conduzir o time. Ou seja, se eles não concordarem, não se derem bem, o resultado não poderá dar certo).

o homem 3 Estreia   <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>

Quem faz o papel desse técnico rival é Phillip Seymour Hoffman. O importante da história é que Pitt faz o general manager de um time pequeno de Oakland, que não tem fortunas para conseguir montar uma equipe de estrelas.

Quando perdem os 3 esportistas mais caros e famosos do time, são obrigados a fazer uma nova equipe com desconhecidos ou iniciantes (o filme fica um pouco confuso também porque em paralelo teremos “flashbacks” também de quando Billy era adolescente e jogador iniciante).

Então o desafio de Billy é vencer com esses jovens, mas principalmente usando outro método, que parece ser mais cientifico, mas inédito, baseado em estatísticas computadas por computadores e não como até então sucedia, baseado em palpites, instintos ou simpatia.

o homem 4 Estreia   <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>

Por isso, Billy foi muito perseguido, mal falado, e sofreu muito no começo, mas se não tivesse dado certo, não teriam feito um filme sobre ele. E como revolucionou a maneira de escalar times no beisebol (isso foi feito, segundo o filme, chamando um nerd especialista nesse tipo de pesquisas que servira como consultor e assistente, papel onde se sai muito bem Jonah Hill devidamente mais magro).

Claro que os termos são técnicos para complicar e ficamos tentando entender a organização do esporte, quando mencionam jogadas e posições no campo que, francamente, desconheço. Acho que o filme pode interessar aos cartolas de times de futebol (será que eles vão ao cinema? Dúvido muito) e os fãs de Brad Pitt (que o consenso em Hollywood confirma: é bom sujeito e bom caráter). Poucos mais.

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1 fevereiro 2012

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Revisitando My Fair Lady em Blu-ray

Revisitando My Fair Lady/Minha Bela Dama – Edição Blu-ray. Áudio: Inglês, francês, italiano, espanhol, alemão. Legendas: Port, francês, italiano, espanhol e outros. Romance/Musical. Widescreen 2.35. 172 min. Cor. 1964. EUA. Originalmente Warner, agora CBS Paramount. Livre.

Diretor: George Cukor. Elenco: Audrey Hepburn, Rex Harrison, Stanley Holloway, Wilfrid Hyde-White, Gladys Cooper, Theodore Bikel, Jeremy Brett, Mona Washbourne, Henry Daniel, Isobel Elsom.

m6 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

Sinopse: Em Londres, um professor de línguas defende a teoria de que as pessoas são julgadas pelo modo em que falam. Para provar sua tese, aposta que é capaz de pegar uma florista de rua, que trabalha diante do Teatro  Convent Garden, no mercado central, e transformá-la numa verdadeira Dama.

Comentários: O grande escritor britânico, vencedor do Prêmio Nobel, George Bernard  Shaw (1856-1950) escreveu uma peça teatral de sucesso chamada Pigmalion inspirada na lenda grega de Pigmalião e Galatéia. Sua peça teve várias versões (Shaw adorava reescrever seu texto e o final atual é de uma dessas versões novas). Ele conheceu o produtor Gabriel Pascal, que o convenceu a liberar seus textos para o cinema, desde que se mexesse o mínimo possível, ou praticamente nada.

Assim, em 1938, foi rodado o filme Pigmalião, com Leslie Howard e Wendy Hiller, que chegou a lhe dar um Oscar de melhor roteiro! (que a príncipio ele tomou com um insulto!). O que ninguém podia imaginar era que esse texto serviria para um dos maiores sucessos da história do teatro musical, na Broadway, no West End e até no Brasil, onde foi encenado originalmente por Bibi Ferreira, Paulo Autran e Jaime Costa. Os primeiros a tentar a adaptação foram os célebres Richard Rodgers e Oscar Hammerstein (Oklahoma, Rei e Eu) que logo desistiram achando que era impossível.

m5 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

Os próximos a tentar foram Alan Jay Lerner (1918-86) também famoso roteirista de filmes musicais como Sinfonia de Paris e Núpcias Reais) e que junto com o compositor Frederick Loewe (1901-88) fizeram sucesso com musicais como Paint Your Wagon e Brigadoon. No making of desta edição a viúva de Lerner, a atriz Nancy Olson (Crepúsculo dos Deuses) conta como ele resolveu o problema: conservou praticamente o texto integral de Shaw, mas com uma mudança: as canções teriam que ser interpretadas por um ator e não por um cantor, mas por um ator que soubesse interpretá-las no tom certo.

m10 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

Foi a produtora de discos e rede de TV CBS quem financiou a produção (e os direitos devem ter revertido para ela, já que o filme que foi produzido para o cinema pela Warner Bros, na verdade foi das ultimas produções pessoais de Jack Warner, hoje sai pela CBS Paramount, que pagou uma fortuna pelos direitos ainda mais na época:  US$5 milhões e meio). Eles também encontraram o ator ideal para fazer o protagonista, o professor de Línguas e Fonética Dr. Henry Higgins, na figura de Rex Harrison (1908-90), no que seria o maior papel de toda sua carreira (ele fez sucesso também no cinema nos anos 40, foi casado com as  estrelas Lilli Palmer, Kay Kendall e Rachel Roberts, num total de seis casamentos). O segredo era falar o texto  no tom certo, usar as notas com as palavras, mas sem nunca transformá-las em melodiosa canção (um método depois muito utilizado por outros atores de voz bonita, mas que não conseguiam o alcance de cantores profissionais).

m4 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

A trilha foi escrita especialmente para Rex, que tinha a “persona” ideal para o personagem egocêntrico e não respeitava ou apreciava as mulheres. Um detalhe muito curioso: Rex dizia que nunca interpretava a canção da mesma forma em cena. Por isso não quis gravar antes para o filme os números musicais (normalmente é isso que faz , grava-se e na hora o ator finge estar cantando até para evitar deformações no pescoço ou caretas. No caso dele, porém, foi usado - coisa muito rara - um microfone escondido na roupa e tudo foi registrado ao vivo (live)!

My Fair Lady estreou em 15 de março de 1956 e viria a se tornar um tremendo sucesso de crítica e público, famoso por vender ingressos com meses e até ano de antecedência. Teve o mérito de lançar ainda uma muito jovem estrela que se chamava Julie Andrews. Apesar de ser adorada pela crítica e ter se tornado relativamente famosa pelo show, quando chegou a hora de transpor o espetáculo para o cinema, a Warner achou que precisavam de uma atriz  mais conhecida e preferiram chamar Audrey Hepburn (1919-93), que era de família nobre e já naquela época considerada o símbolo de classe e elegância.

m7 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

Caso ela recusasse as escolhas seriam Elizabeth Taylor e Shirley Jones, mas não Julie. Só que sucedeu um imprevisto: Walt Disney viu Julie no palco (logo depois da carreira do show ela teve outro êxito, Camelot, com Richard Burton) e a convidou para testar para um projeto dele, que seria Mary Poppins. Assim nesse personagem ela estreou no cinema e num gesto famoso, a Academia lhe deu o Oscar de melhor atriz enquanto Audrey no mesmo ano nem chegou a  ser indicada (dando a entender que se opunham a mudança de atriz, embora essa fosse a prática tradicional, raramente uma criadora de papel na Broadway fazia o mesmo personagem no cinema). Audrey, que era realmente uma lady na vida real, não deu o braço a torcer e foi a cerimônia entregar prêmios e ficou amiga de Julie.

Todo mundo concorda que parte do problema foi que havia sido vazada a notícia de que Audrey não cantava no filme como sua própria voz (essa também era outra prática ainda mais do que comum, atores eram dublados por anônimos, que não tinham sua identidade revelada). Reza a lenda que a culpada por isso foi justamente a dubladora do personagem de Eliza, Marni Nixon (embora esta negue isso até hoje). Marni havia se saído muito bem dublando Deborah Kerr em O Rei e Eu e depois Natalie Wood em West Side Story (e como recompensa até faria uma das freiras de A Noviça Rebelde).

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Tudo isso revela alguns problemas do filme.

1) O fato é que Audrey é uma dama em qualquer circunstância e por mais que se esforce nunca chega a convencer como pobre florista que fala com horrível sotaque cokney (londrino popular) horrível.
2) O filme foi todo rodado com Audrey na impressão de que seria utilizada sua própria voz, pequena e afinada (que mostrou cantando Moon River em Bonequinha de Luxo e também em Cinderela em Paris/Funny Face). Só depois de ter gravado todos os números é que Marni a substituiu se adequando aos movimentos labiais de Audrey. A meu ver isso foi um erro (Marni poderia ter ajudado apenas nas vozes mais altas) o que se comprova com dois números que nesta edição são apresentados com a conhecida voz de Audrey, Show Me e Wouldn’t it Be Lovely?. E sua interpretação faz a diferença e foi justamente o que prejudicou a no filme. Aquela velha coisa de cantor atingir as notas certas, mas nem sempre saber passar as emoções ou sentimentos da cena!

Aliás, quem apresenta o making of aqui é o inglês Jeremy Brett (1933-95), que faz o rapaz rico apaixonado por Elisa (e interpreta On the Street Where You Live) e que também foi dublado na canção só que isso não foi revelado na época (foi pelo americano Bill Shirley). Brett era fraco como galã e ator, mas melhorou muito mais velho quando fez o papel de Sherlock Holmes em série de TV britânica.

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Outro problema do filme é que a direção foi confiada a George Cukor (1899-1993), de quem falamos há pouco por causa de Nasce uma Estrela (na verdade Vincente Minnelli foi considerado antes, mas pediu alto demais). Seu estilo era excessivamente teatral e, embora tivesse gosto esmerado, errou em não dar ao filme mais cenas de dança (tem uma pequena no casamento do pai de Eliza e a valsa no palácio. O resto são pequenos movimentos como florista e quando ganham a aposta). Tem certa mão pesada que não chega a atrapalhar porque continuaram a utilizar os incríveis figurinos e direção de arte de Cecil Beaton (1903-80). Entre suas criações mais marcantes, além dos vestido de Audrey, está toda a sequência da corrida de cavalo (como tudo recriado em estúdio) onde todos estão vestidos de preto e branco (só Audrey usa um leve toque de vermelho).

O filme foi rodado em 70 milímetros, SuperPanavision, o que garante a qualidade da imagem deste Super Ray (que surge a partir da restauração feita desde os negativos originais). Entre depoimentos interessantes tem o do filho de Sterling Holloway, de Marni, Gene Allen (homem de confiança de Cukor), trecho do raro primeiro filme de Audrey (Monte Carlo Baby) e onde se comenta sobre o convite que fizeram a James Cagney para viver o pai de Elisa e depois para Cary Grant ser o professor (este respondeu que não apenas não aceitava como se tirassem Harrison ele nem iria assistir o filme!).

m3 Revisitando <i>My Fair Lady</i> em Blu ray

Os extras são ainda comentários em áudio auxiliar, explicativo e claro do diretor de arte Gene Allen, da cantora Marni e dos que fizeram o trabalho de restauração da fita. Infelizmente sem legendas. Mais um  featurette da época chamado “Dirigindo a Baronesa Bina Rothschild”, imagens da estreia em Los Angeles, discurso de agradecimento de Rex no Globo de Ouro e no Oscar, comentário de Martin Scorsese e Andrew Lloyd Webber, as versões alternativas com a voz de Audrey.

Foi grande sucesso de bilheteria e ganhou oito Oscars: Melhor Filme, Direção, Ator, Fotografia, Figurinos, Trilha Musical Adaptada, Direção de Arte e Som. Foi ainda indicado como coadjuvante (Holloway), montagem, roteiro e atriz coadjuvante (Gladys Cooper). Melhor ator e diretor dos críticos de Nova York, três Globos de Ouro e Bafta de melhor filme.

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O veterano ator característico que faz o Embaixador morreu apenas alguns horas depois de ter rodado sua cena no baile. O fotógrafo deste filme, Harry Stradling, foi também quem fez a versão antiga de Pigmalião.

A overture do show aqui é mostrada em cima de imagens de flores que depois servem também para os créditos. Não se faz referência ao título em todo o filme, mas parece que ele é derivado da expressão “Mayfair Lady” dito em acento cokney (Mayfair é bairro chique londrino).

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Conclusão: como obra musical e dramático, é das melhores. O texto de Shaw é inteligente, satírico,  excepcional. Assim como as músicas (com especial destaque para a final I´Ve Grown Accostumed to Your Face, que Lerner dizia ter sido a mais difícil de compor).

O filme, apesar de um bonito registro do show, não chega, porém, a adquirir vida própria nem com a divina Audrey nem o perfeito Rex (aliás, tive a sorte de assistí-lo ainda fazendo o papel no palco, naturalmente inesquecível).

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31 janeiro 2012

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Blu-ray EUA: Revisitando Nasce uma Estrela (54)

nasce 12 Blu ray EUA: Revisitando <i>Nasce uma Estrela</i> (54)

A Star is Born. Áudio e Legendas: Inglês, francês e espanhol. Musical. Widescreen 2.55:1. 176 min. Cor. 1954. Estados Unidos. Warner Bros.

Diretor: George Cukor. Elenco: Judy Garland, James Mason, Jack Carson, Charles Bickford, Lucy Marlowe, Tom Noonan, Irving Bacon, James Brown, o violonista brasileiro Laurindo Almeida, Humphrey Bogart (voz de bêbado que pede para ela cantar Melancholy Baby), pontas de John Saxon e Strother Martin.

Sinopse: Um astro de cinema decadente e alcoólatra descobre e se casa com uma cantora que ele ajuda a transformar em estrela.

Comentários: Esta nova edição em formato de livro conserva a versão restaurada deste musical clássico que é o ponto mais alto da carreira da lendária Judy Garland (1922-69), hoje mais lembrada como mãe de Liza Minnelli (que se parece bastante com ela).

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Sua vida foi montada recentemente no Rio de Janeiro por Claudio Botelho e Charles Moeller, no musical Judy Garland, O Fim do Arco-Íris, e continua em cartaz. Tenho especial carinho pelo filme porque eu estava em Nova York justamente no dia em que foi apresentada esta versão restaurada com uma grande festa no Rádio City Music Hall, isto em 1983. Estava viajando.

Na época trabalhava para a Rede Globo que não cobriu o evento, fui por conta própria e tive a sorte de conseguir um lugar ótimo, quase ao lado de James Mason, o astro do filme, atrás da lendária estrela do cinema mudo Lillian Gish.  Todos os sobreviventes estavam lá, ou seja, a família Minnelli, o produtor Sid Luft, que produziu o filme, os irmãos dela, inclusive Lorna Luft. Mas não o diretor George Cukor (1899-83), que tinha morrido meses antes e de quem voltaremos a falar em breve por causa de My Fair Lady.

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Acontece que o estúdio, depois da estreia no sistema chamado de Road Show (ou seja, apenas em um cinema em cada cidade grande, a preços especiais), resolveu cortar 47 minutos do filme para sua distribuição nacional (curiosamente ele havia sido sucesso antes e fracassou com os cortes). Liderado pelo já falecido historiador Ronald Haver,  começaram uma pesquisa pelos arquivos da Warner e miraculosamente conseguiram encontrar praticamente tudo na parte de som e várias tomadas de imagem, inclusive, números musicais que haviam sido podados.

Esta edição que já havia sido lançada em DVD, apresenta a versão completa como na estreia, mas quando não foi possível encontrar a imagem, mantiveram os diálogos ilustrados por fotos daquela cena. Ou seja, é uma coisa meio fora do normal e especial para os fãs de cinema e do filme. Esta edição, também restaurada digitalmente, consta de dois discos, um blu-ray com o filme em DTS HD e áudio 5.1. e outra só com extras.

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O fato é que Hollywood adora falar de si mesmo, está sempre fazendo filmes que mostram as alegrias e dores do estrelato, os bastidores da arte de fazer filmes numa constante auto flagelação, ou auto-louvação dependendo do ponto de vista. Um dos filmes mais famosos é justamente este Nasce uma Estrela, uma situação utilizada em pelo menos quatro longas. E, atualmente, Clint Eastwood estava planejando uma nova versão no mundo da música negra com a Beyoncé!

O primeiro de todos e não oficial foi também de Cukor: com Hollywood/What Price Hollywood? em 1932. Fala de carreira no cinema de uma garçonete (Constance Bennett, irmã de Joan Bennett e por uns tempos estrela famosa por ser chique) que é descoberta por um produtor alcoólatra (Lowell Sherman). Chegou a ser indicado ao Oscar de argumento, mas acabou esquecido. Até quando o produtor David O. Selznick resolveu fazer uma história parecida, desta vez, no antigo sistema Techcnicolor de duas cores básicas como veículo para sua nova contratada: Janet Gaynor (não por acaso aquela que ganhou o primeiro Oscar e morou anos no Brasil).

O filme, de 1937, foi dirigido e escrito pelo grande William Wellman (aliás, que serviu de base para esta refilmagem, creditando também a co-roteirista muito famosa Dorothy Patrick). Os nomes também foram mantidos. Esther Blodgett (Gaynor) vem do interior para tentar a sorte em Hollywood. Trabalhando como garçonete, conhece o astro Norman Maine (Fredric March).

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Os dois se casam, mas enquanto a carreira dela cresce a dele declina. Ganhou Oscar Especial pela Fotografia a Cores e novamente outro de argumento original. Foi indicado como Atriz (Janet), Ator (March), Diretor Assistente (categoria que não existe mais), Direção, Filme, Roteiro. Certamente este de todos o mais humano e mais resolvido (talvez por ser o único não musical, no máximo tem uma retumbante trilha musical de Max Steiner).

O grande achado é a aparição da avó (a venerável May Robson, personagem que não existe nas outras versões), que dá a mensagem do filme: “é melhor ser infeliz por conta própria, fazendo o que gosta. Na vida sempre se paga um preço e em geral muito alto, também para o sucesso”). É um impecável retrato de uma época lendária de Hollywood. A versão americana dele em blu-ray está saindo agora dia 7 fevereiro.

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É quando Judy enfrenta uma crise pessoal muito grave. Com problemas com drogas prescritas por médicos para emagrecer e engordar, ela tentou o suicídio e começou a faltar em filmagens, sendo finalmente despedida pela Metro. Aos 28 anos, em 1950, do estúdio onde trabalhava desde criança (ao mesmo tempo acabava o casamento com o diretor Vincente Minnelli).

Foi o novo empresário e marido Sid Luft, que começou a reconstruir sua carreira com shows em teatros, primeiro em Londres no Palladium, e quem teve a ideia de refazer Nasce uma Estrela como veículo para Judy. Era a tentativa maior de provar que sua mulher era além de uma grande estrela, uma ótima atriz.

Foi para marcar esse renascer das cinzas, que seria uma constante em sua carreira, que reinventaram este musical. O papel de Norman Maine (que, aliás, era inspirado em ator pouco conhecido que se matou afogando-se) foi rejeitado por vários astros como Humphrey Bogart, Gary Cooper, Marlon Brando, Montgomery Clift e Cary Grant antes de ser aceito finalmente pelo grande ator britânico então radicado em Hollywood, James Mason (1909-84).

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Sempre fui grande admirador dele, de sua beleza, voz, classe e compostura. Chegou a ser indicado ao Oscar três vezes por O Veredito, Georgy - A Feiticeira, e por este filme. Mas nunca se fez justiça a outros grandes trabalhos em 20 mil léguas submarinas,  Intriga Internacional, O Céu Pode Esperar, Lolita de Kubrick, Delírio de Loucura, Viagem ao Centro da Terra... Aqui, ele está notável, fazendo um bêbado sem cair no exagero, sem sair do personagem (ele também era muito bom para personagens cínicos e vilões). Mas também convence como um homem sedutor que é irresistível para as mulheres e Judy.

Este foi o trigésimo sétimo filme de Cukor, seu primeiro musical e sua primeira produção em cor. Homossexual assumido, coisa rara na época e em Hollywood, tinha também a fama de ser um diretor de mulheres, que tinha paciência de cuidar delas, que sempre ficavam bem em seus trabalhos. Por outro lado, tinha a tendência de evitar a ação, trabalhar sempre em sets teatrais.

Ele fez testes usando o sistema WarnerScope e a WarnerColor. Mas ambos foram considerados insatisfatórios e o filme foi rodado em CinemaScope (licenciado da Fox) e o velho e bom Technicolor. Um detalhe importante: os produtores achavam que faltava um grande momento para encerrar a primeira parte (e entrar o Intermission/ intervalo como sucede aqui).

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Inventaram então um número de 15 minutos chamado Born in a Trunk, que é praticamente uma autobiografia de Judy, que como relata, praticamente nasceu num palco, como filha de artistas de Vaudeville. Isso serve para um grande “Production Number” entremeado de canções famosas (Swanee), que foi todo montado por Roger Edens (que era o homem que cuidava musicalmente de Judy na Metro, mas que por causa de contrato não pode assinar o trabalho, Cukor nada teve a ver com ele).

O filme foi realmente feito para promover o comeback de Judy e nesse ponto foi bem sucedido. Ela chegou a ser indicada ao Oscar e era considerada favorita, mas quem acabou ganhando foi Grace Kelly por Amar é Sofrer. No que é considerado até hoje um dos grandes erros e escândalos do Oscar (nem Grace estava especialmente bem como a mulher de outro bêbado!).

Judy não chegou ir a entrega de prêmios porque acabara de ter seu filho e estava no hospital. Groucho Marx chegou a comentar que "o maior roubo desde o da Brink's". A famosa colunista Hedda Hopper chegou a publicar  que a diferença entre elas foi mínima, 6 votos, quase deu empate (mas pode ter inventado isso). De qualquer forma, foi um golpe de que ela nunca se recuperou.

Chegaram a lhe colocar microfone já que esperavam que ganhasse. Depois saíram de fininho! De qualquer forma, Judy tem um Oscar em miniatura por O Mágico de Oz como consolação. Mas seu trabalho é excepcional e muito mais completo do que da rival (que ainda não era princesa).

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Preciso ser honesto em relação a Judy e aos que não a conhecem bem. Ela não é especialmente bonita. Tem a tendência de engordar demais (isso fica claro no filme, onde o peso flutua) e o rosto ficha inchado. Não é sempre que fotografa bem. Mas como cantora, nenhuma outra antes e talvez depois tinha igual dramaticidade, era tão versátil e no auge tinha uma voz tão pura e límpida.

Dramaticamente suas possibilidades eram inexploradas e seu domínio em cena no palco é legendário (que alguém ouça seus discos ao vivo). Este filme captura alguns desses instantes, em particular, sua performance da música mais famosa que é The Man that Got Away.

Há um bônus que apresenta três versões diferentes dela, com figurino e encenação, marcações distintas. Um efeito até compara e mostra como cada vez ela fez de forma original e sempre brilhante (alguns interpretam, congelam performances, fazem sempre da mesma forma, não era o caso dela, porque tudo era muito real, vinha do coração, do sentimento. Isso pode explicar porque ficava tão exausta e porque sofreu tanto na vida).

Essa mesma história depois seria transposta para o mundo da música pop na versão de Nasce uma Estrela com Barbra Streisand e Kris Kristofferson de 1976 e que foi um grande sucesso de público, especialmente no Brasil (não sei por que não existe disponível em DVD aqui, a Amazon tem a versão em DVD bem baratinha e também para baixar).

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O filme também teve muitos problemas, além dos atrasos e doenças habituais de Judy ficando em produção durante 10 meses e depois ainda voltando para fazer o número Born in a  Trunk. Mas sua fascinação é justamente essa, acaba revelando muito mais do que supunha não só sobre a vida em Hollywood (por exemplo, foi rodado em lugares reais do estúdio da Warner, em  Burbank, e também no famoso night club, hoje demolido, o Cocoanut Grove, que ficava no Ambassador Hotel, no Wilshire Boulevard, pré-estreia no Chinese Theatre que, aliás, abre o filme, o Shrine Auditorium, o jóquei clube de Santa Anita). Mas principalmente sobre a personalidade desta estrela fascinante e inesquecível que foi Judy Garland.

Nos bônus, como de costume, o disco 2 que traz os extras é em DVD: outakes (gravações alternativas não utilizadas) em áudio, como uma raridade, aos 20 anos,  Judy Garland faz fazia o papel de Vicki Lester (Esther Blodgett) no "Lux Radio Theatre" em 28 de Dezcembro de 1942, sem canções e a Walter Pidgeon como Norman Maine.

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Traz os  outakes (tomadas alternativas) de Judy Garland cantando The Man That Got Away e When My Sugar Walks Down The Streets, uma longa reportagem de 30 minutos – a primeira estreia mostrada ao vivo pela TV em preto e branco na estreia do filme em Los Angeles com muitas celebridades e depois cenas da festa da estreia no Cocoanut Grove, material promocional da época, trailers de cinema das três versões do filme, filmografias.

Ainda o promo em que Jack Warner anuncia o filme, featurette mostrando efeitos especiais usados no longa, o desenho animado com Pernalonga (A Star is bored/Uma Estrela Está Entediada, de Fritz Feleng), montagem com cinejornais, e uma introdução genérica que usa vários pedaços de tomadas inéditas. Uma curiosidade: é neste filme que usa uma frase muito famosa: "O  Mundo não deve acabar com um bang (estrondo), mas com um Whimper (um ganido, lamúria)".

Nasce uma Estrela (54) foi indicado para 6 Oscars: de Ator e Atriz (pela primeira vez na história, por dois personagens que já haviam sido indicados antes, Janet Gaynor e Fredric March na versão anterior). E mais direção de arte, figurino, trilha musical e canção (The Man That Got Away). Não ganhou nenhum. Mas agora, revendo o filme, fica-se espantado também com a qualidade da narrativa, o uso das cores, a sobriedade do resultado, deixando a impressão de que Cukor era melhor do que imaginava. Confiram.

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30 janeiro 2012

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As surpresas do Prêmio SAG

SAG As surpresas do Prêmio SAG

Não sei se posso falar em surpresas, mas a verdade é que agora que tudo embolou mesmo na corrida do Oscar. Enquanto no sábado saiu a notícia de que o Sindicato dos Diretores tinha escolhido O Artista como melhor Direção do ano, corroborando o que havia votado outro sindicato importante, o dos produtores, veio a festa de entrega do Sindicato dos Atores que acabou dividindo prêmios e dessa forma, voltou a dar interesse a corrida do Oscar.

Agora, pela primeira vez neste ano fica difícil apostar em quem será o vencedor. Não dá para saber se a votação dos atores (ou seja, aqueles que têm maior número de votantes no Oscar) vai se refletir ou não quando chegar a hora da Academia. Será possível que eles teriam coragem de dar um premio de Melhor Filme para um filme francês, mudo, preto e branco, que é fracasso de bilheteria nos Estados Unidos (aqui as pessoas saem no meio reclamando porque odeiam ler letreiros e cresceram já com o colorido, desconhecem e desprezam o preto e branco!)?

Melhor Ator ainda pode ser, como já fizeram antes atá com Roberto Begnini, mas filme? Logo no Oscar que nasceu para promover o cinema americano em todo o mundo? Duvido que os capitalistas tenham se modificado tão de repente assim, antes e sempre está o interesse deles, dos americanos. A grana deles, os bônus. A Europa, a França traz apenas a perfumaria, o lucro sempre tem sido deles.

Mas quando digo que a corrida ficou mais interessante no Oscar tem também o caso de Meryl Streep versus Viola Davis. As duas são amigas, ambas estão extraordinárias a sua maneira. Eu achava Meryl invencível por que seu trabalho como Margaret Tatcher é absolutamente fantástico e de cair o queixo. Mas fiquei pensando. Fiquei admirador de Viola depois que a vi como coadjuvante, chorando com Meryl de vilã e ela teve gestos e comportamentos de gente, não de atriz em cena. Agora me penitencio de não ter prestado atenção nela antes, nem nos três filmes que fez com Steven Soderbergh. Por outro lado a vi na Broadway ao lado de Denzel Washington e estava novamente extraordinária. Viola é excelente mesmo. E fiquei pensando, será que num ano de eleição, num ano em que os famigerados republicanos que provocaram a crise e não deram condições de Obama governar ameaçam voltar e piorados! Será que não seria bom ganhar não uma (Octavia Spencer está praticamente certa como coadjuvante, mas duas, com Viola levando de protagonista?) Se eu fosse Meryl retirava minha candidatura, me considerava hors concours e abria caminho para essa grande figura (não me contive e deixei claro como achei além de tudo Viola muito bonita na televisão!).

Se The Help não chega a ser um grande filme, infelizmente, ele tem uma importância social para o americano que não é difícil de imaginar. E não me digam que não virão algumas brasileiras grã-finas ou novas ricas brasileiras se comportarem de maneira parecida!

Até agora meu filme favorito tem sido o Hugo Cabret, de Scorsese, que havia ficado fora do SAG, porque seu forte não chega a ser seu elenco. Mas até isso foi consertado, porque pelo jeito a turma da Kristem Wiig ou Tina Fey, resolveu usar o nome de Scorsese como palavra de guerra... Cada vez que se dizia o nome dele tinham que beber um trago! E isso resultou num momento divertido de farra alcoólica numa festa que tem a mania de ser bem comportada demais. Embora seja servida bebida, todos agem como se estivessem numa festa particular, ou numa reunião do Sindicato. Atá agora quando finalmente abalaram o decoro tradicional.

Se o SAG confirmou Christopher Plummer como favorito (merecido) como coadjuvante, francamente não sei direito que possa ganhar. Temos ainda algumas semanas para ver como as coisas vão crescer e modificar. Mesmo porque tudo pode mudar de uma hora para outra. Vejam o bom moço e rico Armie Hammer que foi preso por consumir biscoitos de maconha!!! (e foi na festa como se nada houvesse!) ou o cabo de aço do musical Xanadu que estupidamente e injustificavelmente se quebrou!!!! Ou seja, nada é certo...

É justamente por isso que a gente gosta de cinema. Cinema é sonho como dizem Scorsese e O Artista. Cinema é luta, é guerra, é direitos humanos nos afirma Histórias Cruzadas, A Separação, ate mesmo A Árvore da Vida. Vamos ver que tendência vai vencer.

PS- Não mencionei muito, quero dizer nada, os prêmios da televisão porque não curto muito o Broadwalk Empire, ainda mais já sem Scorsese. Sem querer entreguei a morte do mocinho Michael Pitt (na verdade Buscemi já o tinha feito antes) também porque o acho péssimo e o SAG me pareceu meio avesso a novidades e ousadias. Ao menos na tevê.

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29 janeiro 2012

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Revisitando Quo Vadis em Blu-ray

Quo Vadis (Quo Vadis). EUA, 1951. Warner. Áudio: Inglês, francês, espanhol, alemão, italiano. Legendas: Inglês, francês, espanhol, chinês, dinamarquês, holandês, flamenco, alemão, italiano, coreano, norueguês, português, sueco. Épico religioso. Standard. 174 minutos. 1951. Cor. Estados Unidos.

Diretor: Mervyn LeRoy. Elenco: Robert Taylor, Deborah Kerr, Peter Ustinov, Leo Genn, Finlay Currie, Marina Berti, Patricia Laffan, Abraham Sofaer, Buddy Baer, Felix Aylmer e Walter Pidgeon (como o narrador off).

quo Revisitando <i>Quo Vadis</i> em Blu ray

Sinopse: Durante o império de Nero em Roma, 64, depois de Cristo (Anno Domini), o tribuno romano Marcus Vinicius se apaixona por uma princesa cristã, Ligia. Quando o imperador incendeia Roma e culpa os cristãos, o tribuno tenta salvá-la da morte na arena comidos pelos leões.

Comentário: Nunca tinha revisto desde a infância este que foi o primeiro épico religioso do cinema moderno. Foi um grande esforço de produção da MGM realizar ainda pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra, rodando inteiramente em locações na Itália, no famoso estúdio de Cinecittá, esta aventura que se tornou padrão para todo o gênero (já que foi desde então muito imitado). Poucos se lembram que na época ele foi lançado com um novo sistema apelidado aqui de tela panorâmica, que na verdade era apenas uma forma de projetar que dava a impressão de aumentar o tamanho da tela, eliminando as margens (isso servia também para aumentar os preços dos ingressos). Foi um imenso sucesso de público no Brasil (nos EUA foi muito bem, mas principalmente de crítica que o louvou sem pudor).

jijo Revisitando <i>Quo Vadis</i> em Blu ray

É baseado num famoso romance do polonês Henryk Sienkiewicz (1845-1916), de quem a Metro detinha os direitos desde os anos 30 e  que por sinal ganhou um dos primeiros Prêmios Nobel, em 1905. Uma história já filmada antes em 1901, 1913, 1925 e mais tarde como minissérie de TV por Franco Rossi, em 1985, com Klaus Maria Brandauer como Nero, Francisco Quinn como Vinicius e novamente em 2001, pelo polonês Jerry Kawalerowicz.

O filme teve indicações ao Oscar de atores coadjuvantes: os ingleses Leon Genn (1904-78), que faz o escritor Petrônio, autor de Satyricon ,e Peter Ustinov (1921-2004), que interpreta a figura mais marcante do filme, o Imperador Nero. É importante falar um pouco mais dele, porque de origem russa, mas nascido na Inglaterra, ele era o que chama de um "homem da Renascença” de múltiplos talentos. Poeta, romancista, ator, diretor, ele talvez seja mais lembrado como o Inspetor Poirot de uma série de longas, mas ganhou dois Oscars de coadjuvante (por Spartacus e depois Topkapi, mas principalmente o primeiro parece que foi prêmio de consolação por ter perdido para Karl Malden por Uma Rua Chamada Pecado).

kkkkkkkkkkk Revisitando <i>Quo Vadis</i> em Blu ray

Foi o que  transformou Ustinov em astro num personagem difícil, um imperador louco e tarado (que matou sua mulher e esposa, o que o filme não mostra, e se casou com uma ex-prostituta, Pompéia, interpretada pela inglesa Patrica Laffan (que é um dos poucos erros de escalação, já que ela cai na caricatura e gozação). O que em momento nenhum faz Ustinov, passando um personagem meio patético, digno de pena,  mesmo quando manda queimar Roma ou resolve cantar (pessimamente) para a Corte ou desafiar o povo e mandar matar (polegar para baixo, como na sua relativamente recente encarnação em Gladiador). É incrível como depois ele seria imitado por Jay Silverheels como outro imperador romano louco, o Calígula, nos filmes feitos logo a seguir no mesmo estilo, O Manto Sagrado, o primeiro filme em Cinemascope (53) e sua continuação Demétrio e os Gladiadores (54).

Voltando ao Oscar, Quo Vadis não ganharia nenhum, mas foi ainda indicado a melhor filme, trilha musical (Miklos Rosza, que se especializaria no gênero, em particular com Ben Hur), montagem, figurino, fotografia, direção de arte.

Um detalhe muito importante: para esta transferência em HD Blu-ray foi utilizada uma cópia restaurada há pouco tempo de excelente qualidade. Então fica deslumbrante o resultado que conserva também o formato original, ou seja, deixa margens escuras ao lado.

jjjjjjjjjj Revisitando <i>Quo Vadis</i> em Blu ray

É curioso que o público tenha mesmo absorvido seu título original em latim, que significa Para Onde Vai?, palavras de Deus para São Pedro de partida de Roma, mas que não explicadas no filme.

O roteiro é de John Le Mahin (Marujo Intrépido, Scarface), S.N. Behrman (Ponte de Waterloo, Rainha Cristina) e Sonya Levien (Oklahoma, State Fair). E se fixa mais na figura do centurião Marcus Vinicius (Robert Taylor, 1911-69) que retorna a Roma depois de grande vitória (é legal que as cenas foram rodadas de fato na via Appia antiga, usada pelas legiões romanas) e tem problemas ao encontrar Nero já enlouquecido e ao se interessar por uma refém do Império, Ligia (Deborah Kerr 1921-2007).

Robert Taylor, durante toda sua carreira, lutou contra a pecha de ser bonito (pretty) demais para ser aceito como galã machão. Mesmo assim nesta altura o público já o aceitou e ele se deu bem no gênero (em filmes como Ivanhoé, Cavaleiros da Tavola Redonda) apesar de parecer para os padrões de hoje pouco musculoso e  bombado (na verdade, o filme ia ser feito pelo diretor John Huston, que pretendia utilizar Gregory Peck, Elizabeth Taylor e seu próprio pai Walter Huston como São Pedro).

Mas a ideia não deu certo e o projeto passou para Mervyn LeRoy, de quem já comentamos aqui por Tara Maldita (1900-87), que apesar de ser genro do chefe da Metro, Louis B. Mayer era um realizador talentoso de mais de 78 filmes, entre eles o ótimo a Ponte de Waterloo, Alma no Lodo, Trinta Segundos sobre Tóquio, a Estrada Proibida, O Mágico de Oz (foi o produtor). Algumas curiosidades importantes:

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1) Quando o filme foi feito Mayer estava à beira de perder o cargo de chefe de produção, sendo substituído por Dore Schary que optaria por filmes mais baratos e  mais políticos.  Este foi gerado por Mayer, mas estreado por Schary, que inclusive o apresenta num dos bônus, fazendo seus louvores).

2) Mervyn chegou a pensar em Audrey Hepburn para o papel principal do filme, isso bem antes dela ser descoberta para Gigi.

3) LeRoy fez um excelente filme de gangster chamado Little Caesar/Alma no Lodo, no começo dos anos 30 que tinha uma cena final clássica com Edward G. Robinson se perguntando: Este é o final de Rocco? Pois resolveram aproveitar a mesma frase aqui, com o dialogo: Este será o fim de Nero?

Este tipo de épico era marca registrada de Cecil B. De Mille que sempre dizia que o tornava sucesso era mistura de religião (ou seja espiritualidade) com sexo  e violência.No caso, eles sempre preferem utilizar atores britânicos por causa do sotaque shakespeariano (e realmente Taylor com seu americanês destoa um pouco). E filmar na Itália porque havia excelentes artesões e técnicos mas também incentivos fiscais que tornava tudo mais barato. E com a economia destroçada pela recém-guerra era mais fácil contratar figurantes (o filme tem 30 mil extras, o que significa 30 filmes vestimentas!). Aliás, é visível que o filme prenuncia Ben Hur (tem até uma minicorrida de bigas – aliás, a única cena que fica ruim na copia, com uma projeção de fundo inconvincente).

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É importante notar que Quo Vadis é muito um produto de seu tempo. Tem um forte lado religioso e anti comunista, já que começava a Guerra Fria. Isso fica muito claro na conclusão, quando conversam os centuriões se perguntando: É preciso que tenhamos um mundo estável e com fé, porque é impossível uma coisa sem a outra! (já alertando contra o perigo vermelho). De qualquer forma são poucos os filmes que mostram os apóstolos São Pedro (com milagre e tudo ao final) e Paulo (de Tarso), embora não pareça muito convincente o romance entre o centurião e a escrava (Deborah Kerr, já estrela depois de As Minas do Rei Salomão, muito ruiva e sempre uma dama tem um papel ingrato). E os primeiros cristãos (e o símbolo do peixe!).

É sem dúvida, a primeira superprodução da Metro depois das restrições do tempo da Guerra e cujo ponto alto é a sequência do incêndio de Roma (que foi parcialmente dirigida pelo especialista em ação Anthony Mann). Eu tentei, mas atá hoje ainda não consegui identificar os futuros famosos ou amigos que fazem pontas no filme: Sophia Loren (seria uma escrava de Ligia), sua mãe, Bud Spencer (na guarda imperial), Elizabeth Taylor (em visita a filmagem e que faria uma prisioneira cristã na arena). Quem deixa impressão é uma jovem e bela italiana chamada Marina Berti (1924-2002) como Eunice, apaixonada por Petronio, que estaria em filmes como Cleopatra, Favorita dos Borgias, La Califfa, Ben Hur, foi casada com o ator Claudio Gora e tem uma descendência de atores atuais. Outro que marca é o que faz o escravo cristão Ursus feito por Buddy Baer, irmão do campeão mundial de boxe Max Baer.

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Achei esquisito algumas frases de duplo sentido (um rapaz fala da “espada grande” do herói (?) e brincadeira com o slogan do estúdio - a arte pela arte - e saber que com o filme foi usado merchandising para vender cuecas Quo Vadis, penteados, papel de parede, seguros de vida!

Importante: esta versão traz Overture e Exit (saída) Music, com cerca de três minutos cada, usadas no lançamento original nos cinemas, trailers de cinema, um novo making of chamado In the Beginning: A Genesis do gênero Épico bíblico. Comentários em áudio do crítico e historiador F. X.Feeney.

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Mas no geral o filme é muito digno e sério, dos melhores do gênero, com um fascinante retrato da corte de Nero e do ódio das massas contra os cristãos. Foi enorme sucesso de bilheteria e continuou popular. Robert Taylor e em especial Deborah Kerr dão credibilidade ao casal central e Peter Ustinov está perfeito como o enlouquecido Nero (foi indicado para o Oscar pelo papel).

A excelente música de Miklós Rósza é outro ponto a destacar. Teve indicações também aos Oscars de fotografia, direção de arte, ator coadjuvante (para Leo Genn, que faz Petrônio, o falso bajulador de Nero, na verdade crítico e sarcástico), figurino, montagem e filme. Junto com Ben Hur (com quem tem várias semelhanças), se tornou um dos filmes religiosos favoritos, de apelo imortal Sophia Loren, Bud Spencer e Elizabeth Taylor aparecem  em figuração. Edição paupérrima, sem extras. 15 capítulos.

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