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21 setembro 2009 às 17:48

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Os Emmys – o melhor da tevê?

Tradicionalmente, a entrega dos prêmios Emmy para o melhor da televisão é o mais chato e insuportável de todos os shows do gênero (e não é porque este eu não faço os comentários, como no SAG, Globo de Ouro e Oscar).

Ano passado a apresentação com vários hosts de programas de reality foi um fiasco enorme. Tanto que este ano resolveram imitar os prêmios Tony (do teatro) e chamaram Neil Patrick Harris. Não podiam ter feito melhor. Neil é bom cantor (abriu com uma ótima canção pedindo pelo amor de Deus para não mudarem de canal e jogarem fora o controle remoto, porque concorriam com um jogo de futebol entre os Giants e Cowboys) e excelente comediante. É verdade que os roteiristas  nem sempre lhe deram as melhores piadas (como, por exemplo, dando os créditos menos famosos e embaraçosos de cada um que entrava para entregar um prêmio. A primeira vez pode ser divertido para os muito fãs, mas na terceira vez fica aborrecido).

Mas ao menos tentaram (como numa sequência em que insistem que a televisão não morreu, mostrando os inconvenientes da Internet), interrompendo o que seria uma explicação muito chata. E Sarah Silverman de bigode foi bem sacado. Assim como a piada sobre as músicas temas de séries, que estão cada vez mais curtas e menos memoráveis! 

Os sets eram modernos e estilosos e a pior coisa da transmissão foi por parte da Sony latina, que, de vez em quando, colocava um efeito dando os parabéns aos vitoriosos (só que, como não sabem falar português, escreveram “parabáns”!!! Viu no que dá a globalização e as televisões estarem dominadas por latinos e não brasileiros?).

E que mau gosto fazer a chamada do programa que estão divulgando falando que o Emmy é “a maior salada (ou festival) de egos”! Se o estão depreciando, o que fazemos nós, idiotas, o assistindo até de madrugada? Que vexame! Mas, enfim, os que seguem a TV por assinatura estão acostumados a coisas semelhantes, como trocas de legendas e comerciais em espanhol, e nada se faz a respeito.

Continuando: Os Emmys têm sido criticados por se repetirem dando prêmios para os mesmos shows e nunca apoiarem os novos. Bem que tentaram este ano, talvez com exagero. Ganhou gente boa que não é muito famosa, como a australiana Toni Colette, que por sinal eu adoro, por uma série pouco popular, United States of Tara. A estrela da Broadway Kristin Chenoweth foi melhor coadjuvante pelo cult e falecido Pushing Daysies. Eu preferi a deliciosa Drew Barrymore, uma atriz humana e que se entrega de coração em vez de Jessica Lange, composta e estudada pelo mesmo filme, o bom Grey Gardens.

Mas acho que foi por volta da segunda hora de show que começou a cansar. Os apresentadores não eram especialmente famosos e as piadas só ocasionalmente engraçadas (foi bem esforçada a leitura dos escritores dos programas de variedades, com aparição até de Billy Crystal). E o agradecimento foi sincero: para os piadistas foi um golpe terrível não ter mais George Bush no poder. Ele era uma fonte diária de embaraço.

Um detalhe chocante: o que foi aquela plástica que fizeram na Vanessa Williams? Ficou com cara de pastel. E uma mulher tão bonita! Aliás, que antipatia ela se negando a fazer a brincadeira com os óculos dentre as indicadas. De qualquer forma, houve uma saudável tentativa de mudar: Jimmy Fallon satirizou a queda de um cantor que confia demais em seu microfone, ganhou o número de abertura de Hugh Jackman no Oscar, Ricky Gervais demonstrou que seu humor é para poucos, muito poucos...

Um parênteses: vendo as chamadas daquela série latina Os Simuladores me deu uma vontade enorme de assistir .Mas vou guardar para o dia em que não tiver de quem falar mal!

Finalmente começam os prêmios principais. Lost leva de coadjuvante (Michael Emerson). Mulher coadjuvante, todas são ótimas , em particular Sandra Oh. Mas quem leva é a estrela da Broadway, Cherry Jones (24). Lésbica assumida, desta vez não dá bandeira, como já fez nos Tonys.

Homenagem aos mortos, este ano muitos e queridos.  Inclusive os mais recentes, até Patrick Swayze. Farrah Fawcett foi para mim o mais comovente.

Ellen Burstyn entra para o rol dos poucos que têm todos os prêmios mais importantes, Oscar, Tony, Globo de Ouro e, agora, Emmy (de atriz convidada). Os roteiristas fazem piadas novamente e o diretor premiado Rob Holcomb faz a melhor (quando mandar alguém para o inferno, certifique-se de que ele vá mesmo).

Mad Men finalmente é lembrado como roteiro. As mulheres indicadas são de primeira classe. Glenn Close ganha de novo, mas para mim merece sempre. Mas tenho um fraco por Sally Field. Melhor ator, outra disputa difícil, e ganha um “underdog”, quase uma zebra, Bryan Cranston (Breaking Bad). Quem diria que é o que fazia o pai de Malcom in the Middle (também gostei mais do cara agora que descobri que ele faz aniversário no mesmo dia que eu).

Nos EUA, Bob Newhart é uma lenda viva, aqui ninguém sabe quem é. Mas, enfim, ele tem um timing incrível e uma cara de pau, o que demonstrou em sua rápida entrega para a melhor comédia. Como se esperava, 30 Rock. Como estamos na era da interatividade, o público votou como a revelação do ano True Blood (que estava esquecido, considerando que está em total moda atualmente nos EUA).

Sigourney Weaver está magnífica para os 60 anos (agora em 8 de outubro). Anuncia o melhor drama: Mad Men ganha novamente (levou ano passado), conforme o esperado. A festa termina com só alguns minutos de atraso. “Parabáns” para todos.

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