23 setembro 2009 às 14:46
O filme brasileiro no Oscar
É sempre complicado indicar um filme brasileiro para a competição do Oscar de filme estrangeiro - ou em língua "não inglesa" para ser mais explícito. As regras da Academia estão sempre mudando e eles não conseguem encontrar um meio termo para unir a importância do cinema mundial com uma festa para promover o cinema de Hollywood. Estrangeiro é penetra, está ali de favor.Os erros têm sido sucessivos e escandalosos.
O caso mais clamoroso foi do brasileiro Cidade de Deus, que provocou escândalo quando não ficou entre os cinco finalistas. Depois foi resgatado no ano seguinte em quatro categorias gerais. Ainda assim, insistem em obrigar cada país a apresentar oficialmente um filme que tenha estreado antes de outubro de cada ano. Alguns deles acabam burlando a lei e estreando em salas pequenas, em cidades do interior para terem o registro. Caso de Salve Geral.
E para evitar absurdos, incluíram cláusulas recentes: a primeira que haja uma pré-seleção para depois chegar aos cinco. E a segunda, uma novidade: uma nova comissão pode incluir também filmes que foram ignorados. Um absurdo, já que tira toda a força e moral da comissão oficial.
Não se trata de escolher o melhor filme brasileiro do ano, mas aquele que melhor se encaixa no espírito da categoria, votada por uma maioria de aposentados (já que são cerca de 80 filmes). Já se sabe o gosto deles: filmes sobre holocausto, dramas sobre crianças e velhos, histórias edificantes e construtivas. Odeiam filmes de violência e policiais. Repararam que Tropa de Elite até hoje não estreou nos EUA?
O erro começa pela escolha da comissão que não é experiente no assunto. Onde estão Meirelles, Salles, Babenco, Bruno, brasileiros indicados anteriormente? Eles não podem faltar, pois conhecem a Academia e suas manias.
Mas brasileiro custa a aprender né. As pessoas continuam a me parar na rua e cobrar: quando vamos ganhar um Oscar? Acho que ainda não é dessa vez.
O filme mais indicado para ser nomeado pela comissão seria Tempos de Paz, pela sua temática e realização (sobre imigrantes, repressão, judeus). Mas Daniel Filho não o inscreveu. Provavelmente decepcionado com a crítica, muitas vezes negativa e injusta. Coisa que suponho, não perguntei.
A lista era difícil porque não se pode impor aos velhinhos da Academia filmes de qualidade. Mas sim, filmes pessoais e artísticos como Feliz Natal ou A Festa da Menina Morta.
Minha escolha teria sido O Contador de Histórias, que pode não ter muito fôlego, mas tem uma boa história. Bem contada, edificante, positiva e multirracial. Politicamente correta - como eles apreciam. O vencedor foi Salve Geral, um filme pelo qual eu tenho um carinho especial. Ele foi feito em Paulínia, polo de cinema onde sou consultor e ajudei a levar o filme. O diretor Sérgio Rezende e seus parceiros foram merecedores de todos os elogios. O problema não é esse.
O filme é violento, tem problemas de expectativa e o dia em que a cidade parou só vai acontecer na segunda parte. É uma história de mãe e filha, valendo principalmente pelo trabalho de duas grandes atrizes, André Beltrão e Denise Weinberg.
Nesta época de Facebook e Twitter onde as pessoas já dão opinião imediatamente depois de sair das pré-estreias a expectativa fica furada. Quero dizer, agora você não vai ver um bom policial nacional, vai ver o nosso filme para o Oscar. Aumenta a expectativa e isso pode até prejudicar o filme. Tudo esta ficando cada vez mais complexo e complicado. O que parecia ser um prêmio, uma indicação, pode virar um Cavalo de Tróia.










