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30 setembro 2009 às 12:00

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A Grande Cleyde

Sou muito preguiçoso para sair de casa à noite, ainda mais porque moro longe, tenho que pegar a estrada. Mas fiquei muito feliz de ter aceitado o convite do amigo Fernando Cardoso e do Guilherme, neto de Cacilda, para participar do batismo do novo teatro Cleyde Yáconis, antigo Cosipa, no bairro do Jabaquara.

Um bom teatro que ainda não pegou porque o bairro é meio distante e fora de mão. Aliás, em São Paulo hoje, ir de um bairro para outro é uma fatigante jornada de uma hora.

Será que alguém ainda não sabe que Cleyde Yáconis é uma das maiores atrizes brasileiras, se não a maior. É horrível e desnecessário comparar, mas Cleyde sempre teve que viver com isso , já que é a irmã mais nova do maior ícone do teatro nacional: Cacilda Becker.

Um parênteses. Cacilda sempre foi um fantasma na minha família, porque meu pai foi namorado dela, quando os dois viviam em Santos, sei que ela foi madrinha dele na formatura de Economia (eu vi a foto que depois sumiu, ainda não consegui reencontrar).

Mas o assunto era tabu em casa, imagino que ela tenha lhe dado um fora, mas em parte por causa de Cacilda, que ele nunca me deixou ver peças de teatro, muitas vezes pensar numa carreira artística. Minha mãe até que tratava o assunto com destreza mas não conseguia esconder o ciúme. Embora tenha visto Cacilda no palco algumas vezes e na vida real. 

Infelizmente ela faleceu cedo demais sem me dar tempo de perguntar a verdade. Falei com Cleyde , mas ela era jovem demais para lembrar de algo naquela época (sabidamente, elas tinham ressentimento do pessoal de Santos porque tratavam mal as irmãs por serem pobres e por Cacilda querer ser atriz, profissão sempre mal vista).

Mas Cleyde eu consegui acompanhar melhor no palco e sempre achei uma atriz esplêndida, versátil, carismática. O que continua a demonstrar até hoje, aos 85 anos (este fim de semana estará em cartaz no teatro com seu nome, com a peça O Caminho para Meca).

Tive a sorte de trabalhar com Cleyde quando a escalei para fazer a última novela da TV Tupi, que foi Drácula (depois foi ressuscitada na Bandeirantes como Um Homem Muito Especial). Ela fazia de forma impecável um personagem de matriarca que foi inspirado na minha avó verdadeira.

A festa ontem teve a marca da simplicidade e um elenco perfeito. Todas as figuras marcantes do teatro em São Paulo estavam lá: Silvio de Abreu (que está escrevendo um papel especialmente para Cleyde na próxima novela dele), Irene Ravache e Débora Fallabela (que foram as eficientes apresentadoras), Etty Fraser (que Cleyde veio abraçar na platéia, representando toda a classe), Nydia Licia, Eva Wilma, Lygia Cortez, meu amigo Leão Lobo (também entrevistando).

A homenagem foi na medida certa: os produtores fizeram uma apresentação oficial, seguida pela homenagem  com frases de Cleyde (nada lapidar, sempre muito bem humorada), um prêmio que o diretor André Sturm finalmente lhe entregou (melhor atriz acho que em Recife, pelo filme que fizeram juntos, Bodas de Papel).

Cleyde agradeceu com simplicidade e humor (estou me segurando! quando Irene lembrou que ela não gosta de se segurar em ninguém para subir escadas). Depois o champanhe com o descerramento da placa. O importante era que se sentia na sala o amor, a admiração, o carinho e principalmente o respeito que todos tinham pela homenageada, um exemplo de dignidade e rigor em toda sua vida.

Salve Grande Cleyde!

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