1 outubro 2009 às 18:00
Estreia da semana – Deixa Ela Entrar
Deixa Ela Entrar (Lat Den Ratte Komma In),08.
Direção de Tomas Alfredson. Com Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist.
Filmes da Mostra. R. 115 min.
Já que os vampiros voltaram a moda, com a versão açucarada de Crepúsculo e o interessante True Blood, vocês não podem perder este filme sueco que é provavelmente o melhor filme do gênero em muitos anos.
Fazia tempo que não via um terror tão perturbador, tão diferente, sem nunca apelar para a pornografia da tortura, sem cair em clichês ou banalidades.
O título original/traduzido já é curioso, porque além de se referir a tradição dos vampiros de que eles precisam ser convidados para entrar na casa de alguém também se refere a canção de Morissey (Let the Right One Slip In).
Também foi vencedor de inúmeros prêmios em Festivais especializados ou menores (como Woodstock, Washington, Tribeca, Toronto, Sitges , San Francisco, San Diego, Puchon, Phoenix, Neutchatel, Kansas, Goteborg, Gérardmer, Florida, Fantasia , Fangoria etc).
Embora a história se passe num subúrbio de Estocolmo, Blackberg, foi rodado em Luela, norte da Suécia, para garantir a presença de muita neve e frio (qual foi o último filme de vampiro que vocês viram que acontecia na neve?).
Fique claro que não é igual a nada,o vampiro aqui é uma menina pré adolescente, ou seja, um twin. O protagonista seria um menino de 12 anos chamado Oskar, desprezado pelos pais, que o deixam sozinho.
Uma noite ele encontra uma garota chamada Eli (Lina Leandersson), que é outra solitária mais ou menos da mesma idade. Os dois ficam amigos, dormem na mesma cama mas sem pensar em sexo (ainda assim Oskar pede para ela ser sua namorada).
Eventualmente ela vai ajudá-lo a enfrentar os bullies que o estão perseguindo na escola (o que não deixa de ser prático), mas também tem um lado negro, já que a garota tem uma relação estranha e mal explicada com um homem mais velho, chamado Hakan que parece gostar de sangue.
Também há senso de humor (Oskar pergunta: você realmente é da minha idade? Sou dessa idade há muito tempo, ela responde).
Realizado por um diretor que também é montador (e filho de ator), tem um roteiro do próprio autor da história original, John A. Lindqvist.
A dupla faz uma parceria perfeita. Uma fotografia e narrativa plácida e adequada resulta num dos filmes mais perturbadores, que pode ser entendido com uma metáfora para a própria idade de transformação (coming of age, como dizem os americanos), a solidão, uma fantasia sobre a vingança, o poder.
Com momentos belos e outros sinistros. E um final igualmente memorável. Na verdade, já vi o filme há algum tempo em DVD e faço questão de revê-lo agora em tela grande para saborear os detalhes. Experimentem.












