13 outubro 2009 às 09:46
O Imaginário do Dr. Parnassus de Terry Gilliam
Pré-estreia da 33 Mostra Internacional de São Paulo

Todos os anos, Leon Cakoff escolhe um filme para exibir para a imprensa, logo depois da Coletiva anunciando a programação do ano.
Desta vez o escolhido foi O Imaginário do Dr. Parnassus e é bom vocês saberem o que resultou deste novo trabalho de Terry Gilliam (que fazia parte do antológico grupo Monty Python).
Ele, que ficou famoso porque o ator Heath Ledger (1979-2008) morreu no meio das filmagens, deixando o trabalho incompleto e o filme ameaçado de não ser concluído, até o diretor conseguir a ajuda de três atores para o substituí-lo, Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law.
E acreditem: ficou melhor a emenda que o soneto. A passagem de Heath para os outros personagens é feita de forma natural, até porque a história possibilitava isso.
Basicamente o filme é sobre uma espécie de circo ambulante, um velho mágico Dr. Parnassus (Christopher Plummer, de A Noviça Rebelde) que se apresenta em lugares ermos da Londres Atual. Tem três ajudantes, um anão (Verne Troyer, o famoso Mini Me), um aprendiz (Andrew Garfield de A Outra e Leões e Cordeiros,que parece um jovem Tom Hanks) e sua jovem e bela filha (a charmosa Lily Cole).
Uma noite eles salvam da forca um homem misterioso, Tony (Heath), que depois se descobre é um enviado do diabo, ou Mr. Nick (feito pelo cantor e compositor Tom Waits) para ajudá-lo a vencer uma aposta.

Ele arma uma série de intrigas e ajuda a tirar o show da falência , atraindo clientes que mudam de vida e descobrem caminhos novos e surpreendentes quando entram por uma porta misteriosa.
E quando Tony passa pela porta então, se transforma nos outros atores: Depp com aquela sua estranheza habitual, Jude Law tentando escapar e subir escada e Colin (grisalho) com o papel mais substancial, o vigarista descoberto que desejam enforcar.
Como tudo é muito estilizado, cabe perfeitamente a substituição. Que é convincente. Embora prive Heath de uma interpretação mais redonda, mais completa.
Parnassus tem na parte do circo um visual que lembra outro filme de Gilliam, o Barão Munchausen e sua temática faz recordar o Pescador de Ilusões (The Fisher King), já que poderia ser interpretado como uma ilusão paranóica que acontece apenas na cabeça do protagonista.
A outra maneira de entender seria literal. Parnassus é mesmo um velho centenário que vive apostando almas com o diabo, mais viciado no jogo (e agora lamentando a vida eterna) e a mulher amada que perdeu (e que lhe deixou uma filha que pode ser reclamada ao completar 16 anos) do que preocupado com questões metafísicas.
A narrativa não chega a ser fluída, não esconde tropeços, mas o elenco é interessante e o visual requintado e curioso. Pode não ser uma obra-prima, mas está longe do fracasso que se temia.











