19 outubro 2009 às 09:51
Pré-estreia: Aconteceu em Woodstock
Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock)
Depois de uma recepção fria em Cannes e o fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, estava com pouca expectativa pelo novo filme de Ang Lee (até porque não gostei muito do anterior, Desejo e Perigo).
Mas fiquei emocionado e envolvido com este Aconteceu em Woodstock, uma delicada, sensível e nostálgica reconstrução dos bastidores do primeiro e maior de todos os festivais de rock da história.
Talvez seja preciso descontar o fato de que eu já era copy do Jornal da Tarde quando ele aconteceu.
Era muito jovem e fiquei embasbacado com os famosos três dias de paz de amor que depois renderam o premiado documentário, ainda um dos melhores do gênero.
Não sou roqueiro, mas foi um fenômeno que falava à minha geração.
Sem mais nem menos, em agosto de 1969, surgiram do nada mais de um milhão de jovens que foram para o interior do estado de Nova York, na região chamada Catskills, onde há vários resorts de judeus.
Inspirado na história real de Elliot Tiber, o novato e desajeitado, mas convincente Demetri Martin.
Ele é um decorador de interiores do Village que volta para ajudar seus pais, donos de um motel decadente, o El Monaco, e que acaba tendo uma participação fundamental para que o Festival ocorra na região.

O filme leva um pouco de tempo para engatar, porque faz questão de mostrar Elliot e sua família.
É uma história também sobre amor entre pais e filhos, apesar da mãe, a maravilhosa Imelda Staunton de Vera Drake seja dominadora e obsessiva.
Quando a cidade vizinha dispensa o Festival, Elliot o traz para o lugar, que se chama White Lake, mas adota o nome mais charmoso de Woodstock.
Em parte porque o promotor é um ex-colega de escola dele, feito por Jonathan Groff de Spring Awakening na Broadway, sem imaginar que estaria dando início a um evento que mudaria o mundo.
Uma das coragens de Ang Lee é apresentar esse herói Elliot como homossexual, que vai se assumir durante o filme.
Talvez assim, alienando parte do público mais conservador. Se bem que já em princípio gente careta não tem nada a ver com Woodstock!
Mas isso é contado da maneira direta, mas sensível, que se esperaria do cara que fez Brokeback Mountain.
Outro detalhe curioso: não há cenas de arquivo, tudo foi construído e gravado especialmente para o filme!
Tão bem feito que pensávamos que houvesse cenas do documentário. Mas Lee afirma que não.
Outra coisa legal: não se mostra o show, que é mais ou menos ouvido a fundo, apenas sua incrível repercussão, a multidão, os problemas em volta.
Tem gente famosa no elenco, Liev Schreiber está marcante como um gay machão, que apesar de vestido de mulher serve de guarda-costas.
Paul Dano, de Ouro Negro, faz o rapaz do casal com quem o herói toma ácido (uma bonita cena de animação que não cai no psicodelismo).
Emile Hirsch é o veterano traumatizado do Vietnã, Eugene Levy é o dono das terras onde sucede o evento.
Jeffrey Dean Morgan é um dos moradores locais que são contra o show.
O filme também sabe acabar anunciando já o próximo show com os Rolling Stones em Altamond quando haveria mortes.
O show de paz que nasceu ali, logo depois morreria então em San Francisco, como mostrado no documentário Gimme Shelter.
De qualquer forma, um belo, íntimo e encantador filme em que Lee acerta de novo.











