23 outubro 2009 às 16:00
Bons Costumes
Bons Costumes (Easy Virtue) Inglaterra, 08. Direção de Stephan Elliott. baseado em peça de Noel Coward. Com Jéssica Biel, Ben Barnes, Colin Firth, Kristin Scott Thomas, Kimberley Nixon, Katherine Parkinson. 97 min. PG_13. Em cartaz apenas no Rio.
Por alguma razão os críticos brasileiros parecem ter se encantado por esta comédia inglesa, que não teve maior repercussão no resto do mundo e não passa de mais uma adaptação de uma peça antiquada e datada de Sir Noel Coward (1899-1973).

Muita gente diz que ele inventou o conceito do que é o britânico no século 20, a cool Brittania, formada por pessoas elegantes e bem vestidas (sempre até no meio do Sahara), que bebem muito, dizem frases inteligentes e nunca perdem a fleugma.
São o máximo da sofisticação e frescura, esnobismo e hipocrisia para ser mais claro. São também os ingleses que viram seu império desabar e deixarem de ser os donos do mundo. Portanto, há também uma dose de nostalgia em recordar aqueles tempos loucos que já não voltam mais.
No caso, a versão anterior da peça havia sido feita em 1928 por ninguém menos do que Alfred Hitchcock (com a estrela do palco Isabel Jeans). Aqui quem dirige é o australiano Stephan Elliott, que havia começado uma carreira promissora com Priscilla, a Rainha do Deserto, mas depois teve graves problemas de saúde depois de um acidente de esqui que o deixou hospitalizado por meses e abalou sua carreira. Este filme marca seu retorno.
Quem se saiu melhor na fita foi a sempre charmosa Kristin Scott Thomas que faz a mãe do herói e chegou a ser indicada ao BAFTA e Independent Bristih, embora seu papel seja a tradicional senhora moralista.
A atração de bilheteria do filme é a estrela (da internet mais do que de cinema), Jessica Biel, de corpo perfeito e aparente talento, que na verdade nunca teve ainda uma chance para dizer a que veio (o que fez de melhor foi O Ilusionista).
Mas sem duvida é uma figura agradável no personagem de uma americana rica e exuberante, Larita Whitaker, envolvida em corridas de automóveis - e vencedora do grande prêmio de Mônaco, no período entre as duas guerras , que se casa com um jovem britânico (Barnes, que havia sido revelado como o Príncipe Caspian).
Os problemas aparecem quando ele traz a mulher para conhecer sua família tradicional na mansão no campo. E procura fazer tudo para agradar.
Novamente temos o velho tema do peixe fora d´agua, com resultados razoáveis e por vezes apelativos (o show onde a irmã aparece sem calcinha!).
E mais uma vez o americano é mostrado como sangue novo que vem renovar a velharia cheia de preconceitos e arrependimentos (Firth faz o pai que tem traumas da Guerra). Ou seja, uma tentativa de se ressuscitar uma comédia sofisticada para uma plateia que não sei se ainda existe.
Jovem não vê nem gosta de filme de época nem mesmo quando tem La Biel. Quem sabe repercute melhor com as queridas senhorinhas do Reserva Cultural.











