26 outubro 2009 às 07:25
Um sábado na Mostra
Domingo de manhã tive uma triste surpresa. Explodiu o meu PC. Deve ter sido apenas a fonte, espero. Mas parecia que a casa vinha abaixo...
E complicou toda a minha vida, ainda mais com a correria da Mostra. Escrevo agora da casa de um amigo.
No sábado, eu comecei a fazer alguns debates/entrevistas com os diretores ou convidados, no final de algumas sessões.
Como é impossível estar em toda parte, o Leon limitou minha ação entre o Bom Bril sala 1 e o Artplex, sendo que eram cinco filmes, o que significou duas viagens de táxi e uma de carro (alguém já tentou estacionar no Artplex num fim de semana , é o caos total, só comparável a aventura de tentar pegar o elevador no horário de pico).
Foi trabalhoso mas divertido, porque as sessões são basicamente para fãs de cinema e por isso mais receptivos e atentos. Ainda que apressados, sempre correndo para uma próxima sessão.
Comecei vendo o filme e depois fazendo o debate de O Inferno de Clouzot , um documentário sobre o filme inacabado de 64 do diretor Henri-Georges Clouzot com Romy Schneider e Serge Regianni, com a presença da co-diretora Rouxandra Medrea.

O filme exibido em Cannes e que só agora em novembro vai estrear em Paris, conta tudo sobre o projeto (um Making of retrospectivo do filme que não foi terminado) aproveitando todo o material que foi preservado e não usado até agora.
É interessante que tudo nasceu de um encontro num elevador parado em que estavam o diretor e a viúva de Clouzot, conversa vai, conversando bem.. veio a ideia do documentário. Que mostra imagens e testes infindáveis de efeitos especiais curiosos para a época e de Romy, no auge da beleza e encantado.
Não se sabe bem porque Clouzot interrompeu as filmagens, quando o ator Reggiani largou o filme, reclamando dos maus tratos e ataques de nervos.
Podia ser auto sabotagem, auto destruição, sabe-se lá o que passou na cabeça dele (o filme não faz menção de que ele era viúvo de uma brasileira que foi sua estrela nos filmes, Vera Amado nem do fato que a mesma história foi depois refeita por Claude Chabrol, com Emmanuelle Béart como Ciúme, O Inferno do Amor Possessivo em 1993 usando o mesmo roteiro e só mudando uma coisa, deixou de ser flash-back).
O documentário não provocou mais polêmicas ou dúvidas. Eu achei o máximo ao menos rever Romy. Dali corri para ver uns vinte minutos de um filme alemão, Como Ser Mister Kotcher, do diretor Norbert Baumbargaten.
Deu a impressão de ser legal, sobre um homem em crise que larga tudo e muda de vida, adotando um cachorro, procurando uma mulher que namorou e dando um chute na vida burguesa.
Nada muito radical, mas o problema mesmo foi quando o diretor se revelou o pior dos pesadelos de um entrevistador, quando o sujeito fala pouco, respondendo em monossílabos e parece nada confortável de estar ali.
Talvez até por falar em inglês, já que meu alemão não é nada bom. Por isso foi curta mas a plateia demonstrou ter gostado.
De novo no Bom Bril tive uma surpresa, vi quase inteiro, Sequestro, do diretor Wolney Atalla, um documentário fantástico, de enorme impacto. Ele conseguiu licença e apoio da Delegacia especializada em sequestro, acompanhando vários casos durante alguns anos.
E o resultado é incrível, absolutamente real, sem sensacionalismo, mas demonstrando o poder do documentário, do registro real dos fatos, com pessoas de verdade, sem momentos de armação ou mentira.
Bota qualquer Tropa de Elite no chinelo. Correndo perigo real, mas tendo o maior prazer quando algum caso é realmente resolvido é o exemplo de melhor de humanização de policiais que já vi no cinema (que não surgem como heróis, mas como seres humanos orgânicos e verdadeiros, tem certas coisas que não há como falsear).
Estavam nas sessões algumas das vítimas (um deles veio falar comigo, era caixa do banco que eu recebia no antigo jornal onde trabalha, mas cometi a mancada de não pegar antes o depoimento dele) e muitos dos policiais. Gostei muito e fiquei até emocionado.
Nova corrida para o Artplex, desta vez só para o debate, não vi o filme documentário de Continuação, do carioca Rodrigo Pinto, sobre o compositor músico Lenine. Mas a reação da plateia foi muito positiva, assim como do biografado (já o conhecia porque tínhamos produzido um documentário musical com ele na época da HBO e é uma simpatia). Até ele gostou do filme.
Finalmente um longa nacional de ficção, O Natimorto de Paulo Machline (outro com quem já havia trabalhado na época da Showtime, quando ele já sonhava em ser diretor de cinema).

Depois foi candidato ao Oscar de curta pelo filme sobre a infância de Pelé. Agora adaptou um livro (ficção e não quadrinhos) do Lourenço Mutarelli, ao que parece muito fielmente, e com o próprio autor no papel principal.
Muito bem realizado, tem uma fotografia muito elaborada, uma cenografia super interessante (quase tudo se passa num único ambiente, um quarto de hotel), uma dupla de atores ótima (Simone Spoladore e Lourenço sempre convincente). Mas não é um filme fácil ou comercial, ou seja, filme mesmo para Festival.
Finalizando, fui para o Sesc ver, às 20h e pouco, uma comédia recomendada pelo Leon, Cortejando Conde, com a presença de Carol Connors (que teria sido candidata ao Oscar pela canção de Rocky).











