27 outubro 2009 às 19:31
Ursula quem? Robert do quê?
Já confessei que sou um insaciável consumidor de biografias e que me esforço para acompanhar mesmo as menos famosas quando se referem a show business. Basta sair e lá estou eu encomendando na Amazon.
Mas algumas vezes eu deixo passar, até por distração. Foi o caso desta biografia chamada But I Have Promises to Keep (“Mas eu tenho promessas para cumprir”), da Editora Xlibris, de 2007. Foi escrita por Ursula Thiess, uma estrelinha muito linda, morena e de olhos claros, alemã que foi para Hollywood em 1950, fez alguns filmes menores (Bandido com Robert Mitchum, Moonsoon com George Nader, O Reino da Traição com Stack) mas que teve a sorte de se casar com o astro Robert Taylor, que saía de um divórcio feio com Barbara Stanwyck. E viveram juntos até o fim da vida dele (conta com detalhes seu suplício enfrentando o câncer) e tiveram um casal de filhos.
Depois ela se casou com um distribuidor até a morte deste também. E pronto. Não há grandes promessas e pouquíssimas fofocas, mesmo sobre o melhor casal amigo de Taylor e dela, que eram o presidente Ronald Reagan e sua mulher Nancy.
Na verdade, a gente lê esses livros para saber os bastidores, detalhes de filmagem ou alguma revelação sobre a vida pessoal deles. Mas Ursula é excessivamente discreta. Fala pouco da Alemanha natal e do nazismo, chega mesmo a repetir aquela história de que as pessoas comuns não sabiam nada dos campos de concentração e extermínio. Parece que todas as estrelas têm sempre no passado um primeiro casamento mal contado e mal explicado, no caso com um produtor de cinema que chega a lhe passar gonorreia grávida! Depois não sabe porque seus dois filhos desse casamento saíram perturbados, não apenas por serem fihos da guerra, mas também porque foram criados pela avó enquanto a mãe lutava para fazer carreira nos EUA.
Tudo me pareceu fácil demais para ser verdade: ela virou modelo, foi descoberta pela RKO e logo por Howard Hughes, que se revela um cavalheiro total. Pouco fala dos filmes que fez, só se estendendo um pouco mais quando foram feitos em lugares exóticos como o México ou a Índia (onde quase morre duas vezes, primeiro escapando por pouco de ser picada por uma víbora, e depois ficando cara a cara com um tigre de bengala que, por alguma razão, não a devorou!). Segundo o livro, não teve outro namorado em Hollywood e falta pouco para virar santa!
Fala um pouco mal de Barbara, que faz duas aparições na história reclamando a pensão que Taylor lhe pagava e sempre bêbada! Mas, fora isso, acompanhamos todas as gracinhas dos filhos e bichos (já que eles viviam num rancho de cavalos) e os diversos desastres naturais. Tem incêndio, enxurrada, várias doenças e mortes e, para encerrar, um grande furacão no Havaí). Certamente escrito por algum ghost writter não-creditado, o livro poupa especialmente Mr. Taylor (sempre houve boatos sobre seu homossexualismo, que aqui nem é de longe suspeito, ao contrário, ele é machão que dá tiros, conduz cavalos e menospreza qualquer um que não faça parte da turma formada por Reagan, Rory Calhoun, Lex Barker e Dennis O’Keefe, ou seja, machões empedernidos).
Apesar de tudo, não consegui acreditar no amor do casal (o filho mais velho dela, o alemão, morreu de overdose de drogas). E como ela confessa não ser religiosa, o título também não faz maior sentido. De qualquer forma, não é leitura obrigatória. Ela só deve ter conseguido publicar por sua amizade com Nancy Reagan.












