16 novembro 2009 às 10:27
Besouro
Relutei um pouco em assistir este Besouro, ainda nos cinemas, depois que a Assessoria de Imprensa se “esqueceu” de me convidar para ver o filme antes.
Afinal ele foi dirigido pelo dono da produtora Mixer, João Daniel, que faz meu programa TNT mais Filme, naquele canal de tevê por assinatura (aliás, produz o programa com toda qualidade e excelente resultado).
Mas as referências eram boas e ele procurou se cercar do que melhor havia com resultados de bilheteria decentes.
A melhor coisa é que está quebrando um velho tabu (o de que filmes com elenco negro não iam bem de bilheteria, em tentativas como Cordão de Ouro, Ganga Zumba, Quilombo e mesmo Orfeu).
Assisti num Shopping de Classe A com uma plateia razoável e interessada.
Basicamente a proposta parece ser um filme de kung-fu brasileiro, em cima da capoeira, que toma perspectivas épicas/históricas porque um texto dito por Milton Gonçalves, mostra que ela foi por muitos anos proibida e serviu para perseguição dos ex-escravos libertos.

A melhor coisa é a fotografia, que é muito bonita, aproveitando paisagens naturais e recriando de maneira interessante as figuras dos orixás.
Dizem que a história é real. Nos anos vinte, um lutador de capoeira falha como guarda costas de um mestre professor e por isso ele é morto.
Envergonhado, ele se submete ao poder do orixá Exu (não a mesma coisa que na Umbanda) e parte para a vingança.
Ajudado por especialistas chineses, o herói apelidado de Besouro (por causa do inseto negro e voador) lidera a revolta contra os capangas de um coronel baiano, botando fogo no canavial e sabotando o engenho.
Depois de começar bem, o filme derrapa num roteiro mal estruturado, que anda em círculos.
Tem poucos personagens, poucas locações e tudo parece ocorrer na mesma feira, no mesmo bar, com as mesmas pessoas e falha justamente no final, quando pretende ter grandeza mítica.
O grande clímax não convence e se as poucas cenas de luta são razoáveis, não chegam ao espetacular do similar oriental.
E olha que assinam esse roteiro nomes consagrados como Patrícia Andrade e Bráulio Tavares.
O elenco se defende razoavelmente (optou-se pela sobriedade, mas há ocasionais arregalar de olhos) e tudo se perdoaria caso o filme, prazeroso para os olhos, tivesse mais ação e fosse menos tímido ao final.
Ainda assim, é, praticamente pioneiro num gênero em que o cinema brasileiro é carente.
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