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21 novembro 2009 às 06:00

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Lançamentos em DVD

Harry Potter e o Enigma do Príncipe *** Harry Potter and the Half Blooded Prince

Áud: Ing , Esp, Port. Leg: Port, Esp, Ing. Aventura. Widescreen. 140  min. Cor. 2009. EUA Warner. 12 anos. Venda. Já disponível.

Diretor: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Elarica Gallacher, Jim Broadbent, Robbie Coltrane, Michael Gambon, Maggie Smith, Alan Rickman, Helena Bonham Carter,  Bonnie Wright.

Sinopse:  Lord Voldemorte conspira para a batalha final.

Comentários: No final das contas este é apenas um capítulo do meio, quase sem suspense e com pouca emoção. Termina mesmo sem resolução e se ressente da ausência de um vilão mais forte.

Este deve passar para a história como o capítulo onde Harry mais apanha e é menos heróico.

É, de todos, o episódio que menos gostei. Mas como faltam ainda dois outros (que seria o livro final dividido em dois filmes)!.

É novamente dirigido por David Yates do filme anterior e dos próximos. O que já me parece uma economia boba. Certamente porque ele é um medíocre diretor de telefilmes, ou seja, deve rodar rápido e sem invenção.

O que deve deixar a autora Rowling feliz, quando menos mexer no seu conteúdo melhor deve achar.

Só há um momento mais memorável em todo o filme. Que é o do cartaz, quando numa lagoa surge um monte de esqueletos, ou fantasmas que atacam o herói no que parece uma cena da ilustração de Gustavo Doré da Divina Comédia de Dante. E que poderia ser um pouco mais longa e assustadora.

Harry Potter Lançamentos em DVD

Há outra sequência que parece ter sido feita em Terceira Dimensão, já que alguém está com os óculos, mas é curta e sem impacto, apenas um truque para faturar mais em cima dos fãs.

Fora disso, toda a primeira parte é arrastada, cheia de informações e situações, custando demais para criar o clima de tensão.

Mas no final das contas o vilão é por demais evidente e muito fraco, o colega loiro deles que nunca guardo o nome. E mesmo a revelação de quem é o Príncipe das Trevas no final do filme não guarda nenhuma surpresa especial.

Quase todo o filme agora é construído em cima da certeza de que há espíritos malignos, liderados por Helena Bonham Carter, que saem voando e matando gente.

O plano deles obviamente é se infiltrarem na escola e por isso o diretor Dumbledore (Michael Gambon, sempre bom ator mas sem brilhar como seria de esperar) convoca Harry, na certeza de que ele é o Escolhido, para ajudá-lo.

E nosso herói se sai particularmente mal. É verdade que há novamente jogos com a vassoura, mas tudo tem um jeitão de situation comedy, comédia de situações. Hermione com ciúme de Weasley, que está menos inteligente ainda do que costume e um ou outro momento mais divertido, com o uso da poção do amor.

Os professores têm menos importância e o único que tem chance é um novato, que é o Slughorn (Jim Broadbent), o mestre das poções e onde Harry irá encontrar o livro desse Half- Prince (Príncipe das Trevas).

Se a produção é muito bem cuidada, se a censura é mais branda do que o filme anterior, senti um excesso de efeitos visuais.

Quase uma overdose, e poucos acertos (é muito boa a escolha do jovem ator que faz Tom Riddle, já que ele é Hero-Fiennes –Tiffin, na vida real sobrinho de Ralph Fiennes, e que tem o jeito malévolo do tio).

E um caso trágico fora das câmeras, o rapaz Marcus Belby, o jovem Robert Knox, foi assassinado numa briga a facadas em 2008, quando tentou a ajudar o irmão mais novo (seu assassino já foi condenado).

É também impressionante a quantidade de merchandising que cerca o filme, o que não é tão comum na série e ainda mais curioso porque Potter corre o risco de ter sido superado por outros modismos dedicados às meninas, como Crepúsculo.

Que não demore a conclusão a chegar, a história já está pedindo por um fechamento melhor que este capítulo.

DVD Duplo com Extras: Um Olhar Íntimo sobre o Elenco de Harry Potter, J.K. Rowling: um Ano Dentro da História, Conte Tudo em Um Minuto, Responda Rápido, O Mundo de Magia de Harry Potter: em Primeira Mão.

À Deriva *** Adrift

Áud: Port., Esp Leg: Port, Esp. Drama. Widescreen.  97 min. Cor. 2009. França/Brasil/Ingl. Universal. 12 anos. Aluguel. 25 de novembro.

Diretor: Heitor Dahlia. Elenco: Vincent Cassel, Débora Bloch, Cauã Reymond, Camilla Belle, Laura Neiva, Taís Araujo.

Sinopse: Em Búzios, nos anos 80, uma adolescente tem sua sensualidade despertada enquanto os pais pensam em se separar.

Comentários: O diretor de Nina e O Cheiro do Ralo, partiu agora para um novo desafio.

Produzido por Fernando Meirelles para a Focus inglesa (parte da Universal), o filme que participou do Último Festival de Cannes e abriu o Festival de Paulínia, é um drama autobiográfico.

Dahlia realmente viveu numa casa de praia uns tempos com a família que me fez lembrar um pouco Bom Dia Tristeza de Françoise Sagan e outros acharam parecido com o neo zelandês Chuva de Verão.

Em comum com Sagan, se fixam numa heroína adolescente que vive a beira mar (aqui Búzios, lá Cote D´Azur, ambas região rochosas) e tem um relacionamento próximo do pai, perto do incesto.

Naquele livro (filmado por Otto Preminger e disponível em DVD) ela chega mesmo a provocar acidente que mata a mulher com que o pai se casaria, preferindo tê-lo  para si mesmo, ainda que convivam com a tristeza.

Tem gente que não aprecia este filme, que o acha lento, que se aborrece. Eu não.

Entrei totalmente na história, gostando da menina Laura Neiva de 15 anos, que ele descobriu na internet e que tem um tipo interessante e parece bastante promissora (inclusive como possível modelo).

aderiva 09 Lançamentos em DVD

É ela quem faz a protagonista Filipa, uma garota dos anos 80 (você tem que descobrir que se trata de filme de época através de poucas referências musicais ou em objetos), que está morando numa casa de praia com o pai escritor (o ator francês Vincent Cassel, que fala português bastante bem), sua mãe dona de casa (Débora Bloch, num raro papel  dramático no cinema) e os irmãos menores.

Aos poucos vai se desvendando porque se mudaram para aquela casa, onde o casal vai se desgastando em discussões que terminam invariavelmente em bebedeiras.

Filipa percebe que o pai é infiel e passa a segui-lo quando tem um casinho com uma americana que mora na região (feita pela americana, mas filha de brasileira Camille Belle num papel que quase não fala, mas tem participação importante).

Ao mesmo tempo, com sua turma de amigos de praia se atormenta para decidir se gosta ou não de um rapazinho. Ou se chegou a hora de ter sua primeira relação sexual. 

Dahlia adotou um olhar muito particular para este filme. Câmera na mão, closes, narrativa picotada, visão inquieta, fugindo do convencional.

De vez em quando inventa algum ângulo ou movimento de câmera original, enquanto se fixa numa iluminação solar, radiante. Gostei especialmente do trabalho de Débora num personagem difícil, porque poderia cair no pior clichê e excessos.

Ela faz tudo com muita dignidade, no ponto certo. Não é fácil interpretar em outra língua e embora Cassel esteja familiarizado com o Brasil (onde constrói casa) faz um convincente franco-brasileiro, sem negar emoção.

Talvez a presença dele tenha influenciado a direção que fez um filme mais europeu (francês) que brasileiro ao menos em espírito. Só que não vejo o menor problema nisso.

É uma opção como outra qualquer,desde que coerente e sob controle. Ou seja, mais cerebral, deixando o espectador em constante expectativa, se adiantando a trama, prevendo situações que nem se realizam.

O que é bem legal, mantendo sempre o interesse, ainda que a cena do atropelamento do bicho resulte confusa.

Não é filme para grandes bilheterias, mas é uma realização talentosa e sensível e que teve boa repercussão na Europa, dando chance para o realizador iniciar carreira internacional.

 O Elo Perdido ** Land of the Lost

Áud: Ing, Esp, Port (todos 5.1.). Leg: Port, Esp, Ing. Aventura.Widescreen. 1.85 101 min. Cor. 2009. EUA. Universal. Livre. Aluguel. 25 de novembro.

Diretor: Brad Silberling. Elenco: Will Ferrell, Matt Lauer, Anna Friel, Danny McBride, Jorma Taccone, John Boylan. 

Sinopse: O cientista Rick Marshall e sua expedição são sugados por redemoinho que os leva para um lugar estranho, habitado por dinossauros e figuras misteriosas (um deles pode ser o elo perdido na cadeia da evolução, mas isso não tem maior importância na história).  

Comentários: Versão para o cinema de uma série de tevê cult chamada Land of the Lost  1974-77, famosa por seus efeitos nada especiais, de má qualidade. E já refeita em 1991-92 com Timothy Bottoms.

Originalmente planejado para censura R (ou seja adultos), foi reduzido para crianças, o que pode ter contribuído para seu enorme fracasso americano.

Ficou até inédito em nossos cinemas esta pseudo-comédia, pouco engraçada, onde Ferrell é um cientista sem crédito (ele começa e termina brigando com um famoso apresentador de programa matinal da tevê americana Matt Lauer).

Especializado em humor infame, ele não consegue segurar um roteiro fraco e uma aventura cheia de figuras meio ridículas.

O heroi é um quantum paleontólogo que tem teorias exóticas mas é apoiado por uma jovem inglesa e um aventureiro, que vão para um lugar que parece um futuro incerto (aparece a Estátua da Liberdade como em Planeta dos Macacos) mas o filme é  apenas uma sucessão de gags com insetos, monstros e homens lagartos.

Nada muito engraçado, no máximo apenas suportável. Trailers.

O Pão Nosso **** Our Daily Bread 

Áud: Ing. Leg: Port. Drama. Standard. 79 min.PB. 1934. EUA. Platina. 12 anos. Venda. Já disponível.

Diretor: King Vidor. Elenco: Karen Morley, Tom Keene, Barbara Pepper, John Qualen, Addison Richards.

Sinopse: Em plena depressão econômica, o casal John e Mary conseguem de um tio, uma fazenda abandonada, onde recebem a ajuda de outros desempregados para tentar cultivá-la em cooperativa.   

Comentários: Corajoso e raríssimo filme do grande King Vidor (que saiu no Brasil junto com outro filme dele, No Turbilhão da Metrópole) que foi uma produção independente do próprio diretor, que gravou um prólogo em 1983, explicando o projeto e  suas dificuldades.

Embora nunca assuma sua mensagem socialista, conta de  forma épica, a luta de um grupo de pessoas que tenta se organizar para administrar uma pequena fazenda.

O Pão Nosso Lançamentos em DVD

Não deixam de falar dos traidores, da mulher ambiciosa, mas sua proposta é apontar um caminho e uma saída, optando por uma conclusão otimista, muito bem realizada e digna dos filmes soviéticos do gênero.

Ou seja, pode ser ingênuo, com personagens pouco críveis, mas também é subversivo e ousado.

É um caso especial de um filme que lidava com a realidade daquele momento e a edição ajuda muito porque se faz acompanhar de alguns documentários contemporâneos.

Dois deles mostrando as eleições e como a opinião pública era manipulada (é preciso ler nas entrelinhas), três outros do governo, falando das Grandes Planícies (O Arado que Destruiu as Planícies), o Rio (Mississipi, de Pare Lorentz, que também o anterior), O Poder da Terra do famoso Joris Ivens (sobre a eletricidade chegando aos fazendeiros).

Tem ainda Uma Nova Fronteira (era assim chamada a política do novo presidente Roosevelt para salvar a economia americana).

Todos pouco vistos por aqui e que dão uma visão mais completa da situação e da época. Não deixe de ver.

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