26 novembro 2009 às 10:07
Glória Menezes de volta a São Paulo
Não sei se já confessei isso em público, mas Glória Menezes está entre as minhas pessoas preferidas. Quem já conversou com ela entende por que. Não falo apenas como admirador de suas grandes qualidades como atriz, digo como ser humano mesmo, ela tem uma vitalidade, uma garra, uma generosidade, que são raras e únicas. Se é verdade que toda grande estrela é carismática, Glória tem algo a mais que sempre me encantou nesses muitos anos que a conheço. Sou amigo do filho Tarcisinho (ele ganhou os prêmios por sua participação na novela Éramos Seis no SBT) e por acaso estava assistindo a telenovela Um Sonho Americano/Um Lugar Ao Sol pela Tupi, quando a Marly Bueno apareceu num final de capítulo. No dia seguinte havia sumido e brigado com a emissora e foi substituída pela Glória. Ou seja, fui testemunha de sua estreia na teve, depois de ter vindo do Rio Grande do Sul e já feito teatro. Não a vejo com a frequência que gostaria e por isso é tão oportuna esta apresentação durante esta semana toda do espetáculo Ensina-me a Viver que está fazendo já há dois anos e que agora se apresenta no Teatro Bradesco no Shopping Bourbon, certamente o melhor palco de São Paulo.
Há uma certa restrição para ver a peça, por parte dos fãs mais ferrenhos do filme, entre os quais me coloco eu. Isso é ainda mais grave porque em fevereiro deste ano estava em San Francisco quando houve uma apresentação do filme num cinema clássico de lá, o Castro, que foi seguido por uma entrevista do ator central, o Bud Cort (que não mudou muito, continua com o mesmo jeito e cara). Revendo o filme ele se conserva como uma obra-prima, com momentos realmente brilhantes e um humor muito especial. Não foi a toa que fez especial sucesso no Brasil, quando foi escolhido para inaugurar uma rede de cinemas de Arte chamada Cinema Um, isso nos anos 70, e que deu muito certo. Ou seja, é puro cult e estranha-se muito que não tenha saído em DVD por aqui.
O Brasil foi também o primeiro, não sei se aconteceu em outros lugares, a ter uma versão adaptada para o palco.Traduzida por Millor Fernandes, foi encenada antes como Madame Morineau, Maria Clara Machado e Cleyde Yaconis. Agora o projeto foi iniciativa do ator Arlindo Lopes que correu atrás e convenceu Gloria a embarcar nessa, um personagem mais velho do que ela costuma fazer. Acertou também na escolha da direção, do prestigioso João Falcão que fez uma encenação bonita, moderna (com cortinas e recursos simpáticos) e que funciona especialmente bem no palco grande.
Ensina-me a Viver é uma historia de amor entre um garoto de 19 anos, que costuma forjar cenas de suicídio para escandalizar a mãe e afastar as possíveis namoradas (aqui elas são feitas por Fernanda de Freitas, que demonstra ser mais do que mera sósia de Deborah Secco). Tudo muda quando ele conhece uma velha excêntrica, prestes a completar 80 anos, que burla a polícia e começa com um rapaz uma delicada relação (a piada famosa é quando um psiquiatra diz "Se apaixonar pela mãe é normal, mas pela avó?").
Isso agora é contado de forma elegante sem procurar o choque, numa bela encenação, onde brilha a dupla central. Num espetáculo bonito, encantador e também divertido. Rever Glória é um show a parte, uma velha senhora no palco, uma mulher linda e charmosa no coquetel de lançamento de um livro comemorativa da temporada (outra iniciativa de Arlindo). Assisti-los é o programa recomendado deste fim de semana em São Paulo.
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