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27 novembro 2009 às 12:30

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Estreia: Cidadão Boilensen

Cidadão Boilensen. EUA, 09. Direção de Chaim Litewski.

92 min. Imovision. Doc.

Foi como vencedor do Festival É tudo verdade que este documentário ganhou uma reputação de ser um retrato inédito e polemico de um fato real, pouco lembrado e discutido. Feito com muita pesquisa, muito cuidado, ele procura estabelecer a verdade (ouve as partes envolvidas, um deles, que era o General responsável na época prefere ler um relatório preparado previamente e o filho do biografado nega alguns dos fatos que outros parecem confirmar). Ou seja, o bom documentário, a boa biografia é justamente assim, sem verdades absolutas, com versões opostas. Como na vida.

Basicamente o filme revela um fato que não é especialmente novo. Que as elites industriais estão sempre prontas a colaborar com o governo que estiver no poder, como foi o caso da industria alemã durante o Nazismo, como foi o caso agora do filme do Lula que foi financiado com ajudas de amigos. Ou seja, o establishment sempre tem medo e quer manter o status quo. Ninguém quer contrariar o mandante do momento ainda mais quando eles usam o velho recurso do terror (como fez Bush com o terrorismo, como sucedeu no Brasil da Ditadura, com a ameaça das possíveis guerrilhas cubanas). No caso falamos de um imigrante dinamarquês Henning Albert Boilensen (chegam a mostrar suas notas de escola, procurando por sinais do que no futuro ele iria se tornar) que fez fortuna no Brasil se tornando o presidente da Ultragás, ligado portanto a Petrobrás. Que era anti-comunista e deu grande ajuda aos órgãos de repressão, inclusive Operação Bandeirantes, mas também era pretensioso o suficiente para dispensar proteção policial. De tal maneira que acabaria sendo assassinado em plena rua, brutalmente e sem piedade (o que me assustou um pouco foi a frieza do sujeito que decretou sua morte, como se tivesse dois pesos e duas medidas para matar alguém. De toda forma e quem quer que se seja, é sempre um ato indesculpável).

Embora certos detalhes sejam revelados (como o fato de Boilensen ter uma amante e filho com ela), não consegui um retrato muito claro e preciso dele, a não ser que era amigo dos militares e delegados e sentia certa atração pela violência e perigo.

Mas afinal qual a surpresa em tudo? É preciso ter vivido numa redoma ou ser muito jovem e mal informado para não ser da repressão indiscriminada e supor que figuras como a desse cidadão tenham existido e mesmo proliferado. Mas não se pode esquecer que tudo era mostrado deformado e num não tão relativo segredo (mesmo pessoas que como eu já estavam na imprensa, os fatos eram censurados e restritos). O que é preciso se precaver para que coisas assim não vejam a suceder de novo, da Direita ou da Esquerda, o que não me parece tão difícil de suceder.

Enfim, o documentário é didático, claro, informativo e pretende ser mesmo equilibrado. Destaco especialmente o depoimento do amigo Percival de Souza, que sempre foi uma figura da maior dignidade e respeito, sempre claro e sereno, mesmo lidando com o setor Polícia que é tão digamos complicado.

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