29 novembro 2009 às 09:15
Especial Audrey Hepburn
A única estrela do passado que ainda tem público, que ainda é popular e vende sempre DVDs não é Marilyn Monroe como alguns podem pensar, mas sua antiga rival, Audrey Hepburn.
Nestes dias saíram dois lançamentos com ela, uma biografia em imagens (Audrey Hepburn, The Hollywood Collection, por 29 reais) e um outro muito especial: o boxe Audrey Couture Muse Collection (por 99 reais) da Paramount, que reúne num único boxe, seus sete filmes mais importantes. Incluindo Bastidores e trailer.
Vamos homenagear a estrela com sua biografia e a indicação de todos esses filmes que fazem parte do boxe.
Audrey Hepburn

Nunca ouve uma estrela como Audrey. Nem antes, nem depois. Nos anos 50 quando predominavam as loiras pneumáticas à la Marilyn Monroe, Audrey conseguiu se tornar não apenas um mito, mas também atriz respeitada.
Ganhou logo um Oscar por seu primeiro papel de estrela com A Princesa e o Plebeu/Roman Holiday, 1953, foi campeã de bilheteria, modelo de mãe e mulher.
Embora tenha se casado duas vezes, nunca se envolveu em escândalo, concluindo a vida como a Embaixadora de Unicef, viajando pelos países pobres tentando ajudar as crianças desamparadas. Tanto que em 1993, ganhou postumamente da Academia o prêmio Jean Hesholt por seu trabalho de caridade.
Audrey conseguiu o que parecia impossível, é tão popular hoje quanto no auge do estrelato em particular no Japão e Europa onde é um ícone da moda, ainda requisitada para campanhas publicitárias.
Audrey teve várias indicações ao Oscar, por Sabrina , 54; Uma Cruz à Beira do Abismo/The Nun´s Story, 59; Bonequinha de Luxo, 61 e Um Clarão nas Trevas, 67).
Eu a conheci pessoalmente já nos últimos anos de vida e conclui emocionado, que ela “realmente parecia uma princesa”.
Era toda classe, elegância, charme, discrição. E por uma boa razão. Audrey era realmente descendente de nobres, nasceu em 4 de maio de 1929, em Bruxelas, Bélgica, filha de um banqueiro inglês e a mãe uma Duquesa holandesa.
E sua extraordinária magreza que até hoje as top-models tentam imitar, foi causada pelos sofrimentos da Segunda Guerra Mundial quando passou fome porque os nazistas ocuparam a cidade de Arnheim na Holanda, onde sua mãe tinha se refugiado.
Audrey foi a primeira e até hoje única estrela de cinema a ter corpo de modelo com postura de bailarina.
Audrey era mesmo especial. Tinha um pescoço longo demais (o que nunca foi problema mas sempre tentou disfarçar), os olhos de gazela , jeito de elfo. Mas o conjunto era mágico.
Não é a toa que depois de alguns papéis pequenos no cinema, foi descoberta num saguão de hotel em Monte Carlo pela escritora Colette que a vendo disse: “Aqui está a minha Gigi!”.
Foi assim que estreou no personagem que lhe deu um Tony de atriz no mesmo ano do Oscar, um fato único). O mundo inteiro se apaixonou por Audrey.
Eu a encontrei apenas uma vez, na inauguração do Parque Disney em Orlando, os estúdios MGM quando ela falou para nós, imprensa, sobre seu trabalho na UNICEF. Já estava de braços dados com seu último companheiro Robert Walden, sempre muito magra, muito elegante, discreta.
Curiosamente cheguei muito cedo e ela também, ficamos lado a lado, esperando a hora, eu sem coragem de interferir, mas registrando tudo na memória. Depois na entrevista, se comportou como se esperava: era realmente uma dama, uma perfeita lady, como nunca mais teremos outra.
E foi um amor com o público que nunca mais acabou, nem mesmo com sua morte em 20 de janeiro de 1993, vítima de câncer no cólon.
Atenção: Todos os extras estão num único boxe que faz parte da coleção, que são os que se referem a Moda: O Mundo de Sabrina, os Coadjuvantes de Sabrina, Audrey Ícone da Moda, Kay Thompson Think Pink, Fotógrafos de Moda, Henry Mancini: Mais do que Música, A Festa de Holly Golightly.
Filmes: Atenção: Todos são da Paramount, censura livre.
Bonequinha de Luxo **** Breakfast at Tiffany´s.

Áudio: Ingl 5.1, Esp. Port (ambos 2.0). Leg: Port, Ingl, Esp. Romance. Widescreen 1.78.EUA. 114 min. 1961. Cor.
Diretor: Blake Edwards. Elenco: Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal, Mickey Rooney, Jose Luis de Villalonga, Buddy Ebsen, John McGiver Martin Balsam.
Sinopse: Um aspirante a escritor muda para um prédio em Nova York pago por sua amante casada e rica e fica amigo da vizinha Holly Golightly, uma garota excêntrica, call girl, que sonha em conseguir um marido rico.
Comentários: Indicado para Oscars de atriz, direção de arte e roteiro, ganhou o de canção (para Moon River, cantada pela própria Audrey).
O autor Truman Capote nunca aceitou Audrey no papel de Holly (ele preferia Marilyn Monroe, mas a professora dramática dela, Paula Strasberg era contra ela fazer outro papel de prostituta) que considerava completamente errado para o personagem.
A fita faz um nada discreto merchandising da joalheria Tiffany´s que fica na Quinta Avenida. Era um conto publicado em 58 numa coleção chamada justamente Breakfast at Tiffany´s (e na revista Esquire).
Várias amigas dele afirmaram depois terem sido inspiração para o personagem (Carol Matthau, a pintora Bee Dabney, Anky Larrabee, a colunista Doris Lilly).
Os direitos para o cinema foram vendidos por 650 mil dólares para os produtores Martin Jurow e Richard Shepherd e Axelrod (O Pecado Mora ao Lado) foi quem escreveu o roteiro, que suavizou muito o trabalho do personagem (mal dá para perceber que ela é prostituta de luxo).
Os problemas de filmagem foram com o jovem Peppard cujo sucesso rápido tinha subido à cabeça. Houve problemas também com a canção Moon River que o chefe do estúdio queria cortar (a reação de Audrey foi furiosa, dizendo “só por cima do meu cadáver”).
Desde então a canção já foi gravada mais de 500 vezes. A fita fez sucesso na estreia, mas foi ainda melhor na Europa. Em 1966, houve uma tentativa frustrada de transformá-la em musical da Broadway com Mary Tyler Moore e Richard Chamberlain.
Reclama Capote: “o livro original era meio amargo, o filme acabou virando uma declaração de amor à nova York, tornando tudo superficial e bonitinho onde era para ser rico e feio”.
A conclusão é a gente gosta de certos filmes apesar deles terem defeitos tão óbvios. Por isso mesmo que viram cults e não clássicos. Tem coisas em Bonequinha de Luxo que francamente são difíceis de engolir.
Uma delas é ver o veterano Mickey Rooney fazendo o papel – ainda mais como caricatura - do vizinho japonês. É profundamente irritante também se assistir o ator espanhol Villalonga (na verdade, era um grã- fino que fingia de vez em quando ser ator), passando por um milionário brasileiro chamado José de (sic) Silva Pereira!
Quando ela está aprendendo a língua, Holly/Audrey ouve discos em português – uma língua que segundo ela diz teria “4 mil verbos irregulares”, só que de Portugal e chega a falar (mal) uma frase inteira em português (Eu acho que você está gostando do açougueiro!).
Sem esquecer um poster da Bahia na parede e uma cabeça de boi!
Enfim, apesar disso tudo, é impossível não se enamorar de Audrey neste personagem que ela tornou todo seu, com tal doçura, que não dá para sacar que ela é call girl, ao contrário é apenas uma garota meio hippie (precursora disso claro), de bom coração (veja como ela trata o ex-marido feito por Buddy Ebsen) que faz algum dinheiro por fora dando recados, melhor dizendo “previsões do tempo” para um traficante que está na cadeia.
Também o fato do herói ser gigolô é tratado com tal discrição que é visível a intenção do diretor Edwards (antes da fase Pantera Cor de Rosa) em fazer uma comédia romântica, sobre Nova York.
Começa já nos letreiros com Audrey saltando de táxi diante da Tiffany´s de madrugada, comendo um sanduíche , como em todo o resto do filme vestida esplendidamente por Givenchy, que neste filme realmente se superou criando figurinos e acessórios bizarros e charmosérrimos, que até hoje ainda não ficaram superados.
Aliás, deve-se muito a ele o encanto do filme e a facilidade com que Audrey faz o personagem (até com algumas frescuras que ela não se permitia em outras fitas).
Embora não convença muito a única cena com o vendedor na joalheria porque ninguém é assim tão atencioso em Nova York, o filme tem dezenas de detalhes memoráveis, desde o gato que não tem nome (depois importantíssimo ao final), a ideia do “mean reds” (algo tão depressivo que seria pior do que os “blues”), os closes de Audrey (que parecem terem sido todos feitos com uma gaze suavizando seus traços) , a eficiente e bem datada trilha musical.
Tudo isso mais do que suficiente para torná-lo uma fita inesquecível, que algumas bobagens não conseguem estragar. Trailer.
Guerra e Paz **** War and Peace

Áudio Ing ;20.Leg: Ingl, Port, Esp. Drama/ Romance. Widescreen 1.78. 208 min.1956. Itália Cor.
Diretor: King Vidor. Elenco: Audrey Hepburn, Henry Fonda, Mel Ferrer, Vittorio Gassman, Anita Ekberg, Anna Maria Ferrero, Herbert Lom, Oscar Homolka, Helmut Dantine, Mai Britt, Milly Vitale, John Mills, Jeremy Brett, Barry Jones, Marisa Allasio.
Sinopse: Na Rússia Imperial do começo do Século 19, na época em que Napoleão invade o país, a jovem Natasha Rostov tem três grandes amores.
Comentários: Mais que decente adaptação do enorme romance de Leon Tolstoi.
Produzido por Dino de Laurentiis e Carlo Ponti, com elenco internacional, diretor veterano (que foi ajudado por italianos como Mario Soldati, Mario Camerini e Antonioni como assistentes).
Foi o primeiro filme de Audrey com seu marido Mel Ferrer (e o terceiro dela como estrela).
Uma esplêndida produção com fotografia do excelente Jack Cardiff, cenografia do ótimo Piero Gherardi (das fitas de Fellini).
Foi uma boa ideia centrar a ação num personagem e seus problemas, usando tudo o mais como pano de fundo, inclusive a invasão da Rússia por Napoleão.
Tem alguns defeitos (Fonda é velho demais para o papel do amigo fiel, Ferrer é um canastrão, Anita Ekberg não tem qualquer expressão) mas em termos gerais é muito bem sucedido (a versão russa de 1968 é mais fiel, porém inacessível).
Foi indicado aos Oscars de Direção, Figurino e Fotografia. Rodado em Vistavision, basicamente nos arredores de Roma. Bastidores e trailer.
Quando Paris Alucina ** Paris When It Sizzles
Áudio: Ingl (2.0). Leg: Port, esp, ingl. Comédia romântica. Widescreen 1.78:1. 110 min. 1964. EUA. Cor. Diretor: Richard Quine.
Elenco: William Holden, Audrey Hepburn, Grégoire Aslan, Noel Coward, Tony Curtis, Marlene Dietrich, Mel Ferrer, e as vozes de Fred Astaire, Frank Sinatra.

Sinopse: Um produtor de Hollywood Alexander Meyerheimer contratou um roteirista bêbado para escrever um script.
Esse roteirista e sua secretária Gabrielle vivem incríveis aventuras enquanto estão tentando desenvolver um roteiro para o novo filme fechados durante dois dias num apartamento em Paris.
Comentários: O mais fraco do pacote. Refilmagem americana de As Festas do Coração (La Fête à Henriette, 1953, de Julien Duvivier).
A fita ficou dois anos na prateleira da Paramount esperando lançamento. Ela e Holden tiveram romance durante as filmagens de Sabrina (não se casaram porque ele não podia ter filhos como ela queria, havia feito operação).
Apesar do roteiro ser de George Axelrod (O Pecado Mora ao Lado) e Audrey estar sempre charmosa, apesar de Paris, uma cidade muito ligada a carreira da estrela (muita coisa foi feita em estúdio) e da aparição rápida de astros convidados (incluindo o então marido Mel Ferrer).
É preciso se fixar no charme de Audrey, como sempre vestida com total elegância por seu amigo e mestre Givenchy (um relacionamento que começou com Sabrina e prosseguiu para sempre, sem laços amorosos). Trailer.
My Fair Lady **** Idem (nem se menciona seu título nacional Minha Bela Dama).

Áudio:Ing (2.0.). Leg: Port, Ingl. Musical. Widescreen. 172 min. 1964. EUA. Cor. Diretor: George Cukor. Elenco: Audrey Hepburn, Rex Harrison, Stanley Holloway, Wilfrid Hyde-White, Gladys Cooper, Theodore Bikel, Jeremy Brett.
Sinopse: Em Londres, um professor de línguas defende a teoria de que as pessoas são julgadas pelo modo em que falam. Para provar sua tese, aposta que é capaz de pegar uma florista de rua, que trabalha no Convent Garden, o mercado central, e transformá-la numa verdadeira dama.
Comentários: Inspirado na lenda grega de Pigmalião e baseado na peça homônima de Bernard Shaw, que é seguida praticamente à risca na versão de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, que fez sucesso durante anos na Broadway com Rex Harrison e a novata Julie Andrews.
Originalmente da Warner, reverteu agora para a CBS que é da Viacom (ou seja, da Paramount).
Num único disco, traz o filme restaurado que foi produzido pelo próprio então dono do estúdio, Jack Warner, que relutou em chamar o criador do papel na Broadway, Harrison (mas acabou sendo forçado por pressões sociais já que era impossível imaginar o personagem do Professor Higgins sem ele) e não quis Julie Andrews (ironicamente, no mesmo ano Disney a lançou no cinema em Mary Poppins e ela ganharia o Oscar de atriz, quase como uma desculpa por ter perdido o papel).
Audrey nem sequer foi indicada, mas foi à festa e se comportou como uma lady (afinal, mesmo como florista, ela continua sendo uma dama).
O filme poderia ter mais números de dança, mas a produção é suntuosa utilizando a mesma equipe da montagem teatral com figurinos de Cecil Beaton (Gigi).
Ganhou oito Oscars, Melhor Filme, Direção, Ator, Fotografia, Figurinos, Trilha Musical Adaptada, Direção de Arte e Som.
Extras: traz um Making Of chamado My Fair Lady Ontem e Hoje, legendado em português, com George Cukor; featurette da época chamado Dirigindo a Baronesa Bina Rothschild, pôster e cartões de lobby, entrevistas de rádio com Rex, outro Making Of The Fairest Fair Lady, Imagens da Estreia em Los Angeles, discurso de agradecimento de Rex no Globo de Ouro e no Oscar, comentário de Martin Scorsese e Andrew Lloyd Webber (legendados), Jantar comemorativo do início da produção.
Mas talvez a maior atração seja a inclusão de dois números, Show Me e Wouldn’t it Be Lovely?, com a própria voz de Audrey (dublá-la foi motivo de muita polêmica na época, e até hoje sente-se que mesmo com a voz pequena ficaria melhor com ela do que com Marni).
A Princesa e o Plebeu****Roman Holiday

Áudio: Ingl, Esp 2.0.Leg: Inglês, Português, Espanhol. Romance. Standard. 118 min. PB. 1953. EUA
Diretor: William Wyler. Elenco: Audrey Hepburn, Gregory Peck, Eddie Albert, Hartley Power, Tullio Carminati, Paola Borboni, Harcourt Williams.
Sinopse: Uma princesa de um país fictício chega a Roma para uma visita oficial. Ao sair disfarçada pela cidade, conhece um repórter americano com quem acaba se envolvendo.
Comentários: Estreia como estrela de Audrey, no filme que lhe deu o Oscar de Atriz (antes ela havia feito pequenos papéis em filmes europeus, mas havia sido descoberta pela escritora Colette para viver Gigi no palco).
Eram Jean Simmons ou Elizabeth Taylor quem iriam fazer o personagem, que acabou sendo um momento marcante para a diferente e encantadora Audrey. Todo rodado em locações, foi sintoma de uma época mais ingênua (a trama foi vagamente inspirada na Princesa Margaret da Inglaterra, que na época não poderia se casar com plebeu).
Foi Dalton Trumbo quem concebeu a história (não creditado na época porque era a época da lista negra do McCarthismo e Ian Hunter assinou no lugar dele, passando o dinheiro para o autor poder se sustentar).
Versão restaurada de um filme encantador e muito imitado, que louva as belezas de Roma e que revelou ao mundo o encanto da nova estrela. Ganhou ainda os Oscars de roteiro (Trumbo só o receberia anos depois) e figurino em preto e branco (para a lendária Edith Head).
Foi indicado ainda como coadjuvante (Eddie Albert), direção de arte, fotografia, direção, montagem e também filme.
Audrey também ganhou BAFTA, Críticos de Nova York e Globo de Ouro. Lembrando a Princesa, Restaurando a Princesa, Edith Head e os figurinos, trailer e fotos.
Cinderela em Paris ***** Funny Face

Áudio: Ingl (5.1, 2.0), Port, Esp, Francês (todos 2.0).Leg. Ingl, Port, Esp, Franc. Musical. Widescreen 1.78:1. 103 min.Cor.1957.EUA. Diretor: Stanley Donen
Elenco: Audrey Hepburn, Fred Astaire, Kay Thompson, Michel Auclair, Robert Flemyng, Dovima, Virginia Gibson, Ruta Lee, Suzy Parker.
Sinopse: O fotógrafo de modas Dick Avery descobre uma nova modelo Jo Stockton. Os dois vão para Paris fotografar a nova coleção, sempre acompanhados pela editora Maggie Prescott.
Mas a garota está mais interessada em livros e na filosofia existencialista.
Comentários: Uma obra-prima musical. Aproveitando apenas o título e as canções de um sucesso teatral antigo de Astaire, construíram uma história nova, em cima de músicas variadas e excelentes de Gerswhin (com alguns acréscimos especiais de Roger Edens e Leonard Gershe).
O filme é um cartão postal de Paris, com Richard Avedon inspirando o personagem de Astaire. Audrey está no auge do seu charme e beleza, cantando com sua voz pequena mas encantadora. Os números são memoráveis, mesmo utilizando experiências como a mudança de cores para uma única tonalidade ou a divisão em várias telas (o que não ficava bem em vídeo).
Especialmente notável é a sequência onde Audrey posa diante de monumentos ou lugares famosos de Paris. Mas Astaire é mágico e o filme está entre os melhores de sua fase final. Foi uma das raras aparições no cinema de Kay Thompson (1902-98). Geralmente coach vocal de estrelas como Judy Garland na Metro.
Indicado para Oscars de direção de arte, fotografia, roteiro e figurino (incluindo Givenchy). Extras: A Maravilhosa Musa da Moda, Sonhos Parisienses, A Paramount dos anos 50, trailer e fotos.
Sabrina ***** Idem

Áudio Ingl (2.0.) Leg: Port, Esp, Ing. Romance. Standard. 113 min.PB. 1954. EUA. Diretor: Billy Wilder
Elenco: Humphrey Bogart, Audrey Hepburn, William Holden, Walter Hampden, John Williams, Martha Hyer, Marcel Dalio, Joan Vohs, Francis X. Bushman, Ellen Corby.
Sinopse: David, um rapaz rico e esnobe se interessa por Sabrina, a filha do chofer de sua família. Mas seu irmão mais velho Linus, dá em cima dela para não estragar um casamento de conveniência do irmão.
Comentários: Se alguém fosse escolher a comédia romântica perfeita, com certeza esta fita estaria na lista das melhores. Foi uma das poucas vezes em que o diretor Billy Wilder controlou seu humor sardônico e realizou um filme dentro do espírito romântico e leve de seu mestre Ernest Lubitsch.
Ele mesmo definiu a fórmula: “o segredo é criar um clima adequado a partir de meia dúzia de achados”. O mais importante foi contar com Audrey Hepburn.
Este foi seu segundo filme como estrela, ainda antes de receber o Oscar por A Princesa e o Plebeu.
Outro achado: foi a primeira vez em que apareceu na tela usando as roupas do figurinista francês Givenchy embora quem tivesse assinado o figurino e recebido até um Oscar pelo trabalho tenha sido Edith Head. Que nunca mencionou o rival.
Mais outro achado: o tema musical bem francês (La vie en Rose).
“Sabrina” é baseado numa peça teatral que só iria estrear na Broadway depois do filme e assim mesmo com sucesso relativo.
No cinema, ela ficou mágica, graças à presença deliciosa de Audrey entre dois grandes astros, Humphrey Bogart e William Holden.
Na época Audrey e William tiveram um romance, apesar dele ser ainda casado com a atriz Brenda Marshall e contam que só não se casaram por ele tinha feito vasectomia e não poderia ter filhos.
Audrey fazia questão de ser mãe. Bogart ficou com ciúmes deles e também da atenção do diretor, afinal Holden era o ator preferido dele e tinha aceitado fazer um papel até ingrato e secundário.
Mesmo assim Bogart passou toda a filmagem hostilizando e falando mal de Audrey. Billy Wilder e Bogart só fariam as pazes depois já no leito de morte do ator que enfrentava o câncer.
Uma curiosidade: a mansão onde Audrey mora com o pai chofer foi copiada da casa em Long Island de Barney Balaban, presidente da Paramount entre 1936-64.
A princípio ele permitiu que o filme fosse rodado lá mesmo porque isso iria diminuir os custos da produção. Mas vendo os problemas que eles iam causar voltou atrás e tudo foi reconstruído no próprio estúdio.
Sabrina seria refilmado em 1995 por Sidney Pollack, mas não encontraram uma nova Audrey. Na imaginação do público, com seus olhos de gazela, nariz arrebitado, elegância impecável, Audrey seria para sempre Sabrina.
Esqueça dessa infeliz e medíocre refilmagem homônima com Julia Ormond (que não chega aos pés de Audrey) e Harrison Ford. Extras Making Of retrospectivo) e galeria de fotos.
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