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24 dezembro 2009 às 12:07

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Discos Nine – (trilha musical do filme)

Este é o musical mais esperado do ano e provável vencedor de prêmios. Mas já levou o primeiro baque quando teve uma recepção fria da crítica e deixou de ser o tão decantado favorito aos Oscars.

Também não sei o que estavam pensando, porque Nine é a versão para o cinema do show da Broadway que adaptava o filme Fellini Oito e Meio (1962), ou seja, está longe de ser um produto leve e comercial, é uma história dramática - e até trágica - de um diretor de cinema que não é capaz de concluir seu filme e convoca mentalmente todas as mulheres de sua vida para fazer um balanço.

Mesmo as canções de Maury Yeston não são nada de especial. A mais famosa Be Italian, é interpretada pela prostituta Saraghina, feita no filme atual pela cantora Stacy Ferguson ou Fergie, do Black Eyed Peas, aliás com garra e energia, sendo que muitas das canções do show simplesmente foram cortadas (mais da metade) e outras acrescentadas, pensando como sempre em conseguir indicação ao Oscar.

A produção é dos Weinstein, os mesmos de Chicago, e tentam repetir o golpe, tanto que Yeston compôs uma coisa modernosa chamada Cinema Italiano gritada por Kate Hudson, que resultou num belo vídeoclip, que você encontra como trailer na Internet.

Sem dúvida é atraente, chamativo e dançante, mas isso só comprova o talento do diretor Rob Marshall (também de Chicago). Há outra música inédita, que é usada como strip tease chamada Take it All cantada por Marion Cotillard.

Eu vi o show da Broadway duas vezes, uma na versão original (quando Sergio Franchi assumiu no lugar de Raul Julia) e depois na remontagem de 2003, com Antonio Banderas, Chita Rivera e Jane Krakowski, onde Banderas cantava muito bem e surpreendia.

Mas nenhuma das duas chegava aos pés do filme, que continuo afirmando é uma obra-prima e um dos melhores de todos os tempos. Ele também deu origem às homenagens de Woody Allen em Memórias e Bob Fosse em All that Jazz.

Não vi esta refilmagem ainda (previsto para 15 de janeiro no Brasil) mas pelo disco dá para se sentir o bom gosto musical (apesar de algumas faixas bônus ao final, alguns remix para tentar aumentar a chance do disco se tornar popular entre jovens e rappers como Dime quando Quando com  Fergie, outra versão de Cinema Italiano e ainda Io Baci, Tu Baci com The Noisettes e Griffith Frank, em versão masculina de An Unusual Way.

O charme do filme é certamente a presença de estrelas cantando, começando com Sophia Loren que faz a mãe do herói (é Guarda la Luna, adaptação do tema original Nine, como canção de ninar para a voz envelhecida de Sophia – que cantava bem mas perdeu a força da emissão de voz).

Judi Dench surpreende fazendo o número do Folies Bergére que foi de Lilliane Montevechi. Marion Cotillard (muito elogiada e indicada ao Globo de Ouro) tem duas canções que ela faz com sensibilidade (lembram-se que ela não cantava com sua própria voz em Piaf).

Penélope Cruz está sensual e também tem sido indicada a prêmios como a amante do diretor (no filme original, Sandra Milo) e tem um número apenas, A Call from the Vatican. Quem faz o protagonista é o inglês Daniel-Day Lewis que convence como cantor de forte presença em Guido´s Song e o final I Can´t make This Movie.

Mas de todas, a que tem uma voz mais afinada, mais bonita é sem surpresa Nicole Kidman, que tem participação pequena, mas encanta com Unusual Way. Ou seja, o disco funciona e dá vontade de assistir o filme. O que no final das contas é grande parte de sua proposta.

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