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29 dezembro 2009 às 10:46

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Os Piores do Ano

Nunca sei bem qual é o pior, porque a cada novo desastre, sempre acho que superou o anterior (é uma boa ideia vocês escreverem e lembrarem dos esquecidos). Como lidar, por exemplo, com um filme como 2012, que não é exatamente ruim, mas que trata a gente como débil mental (afinal, não tem a menor lógica ou sentido e os heróis escapam por três vezes de cidades ou aeroportos que estão sendo destruídos na frente deles!).

2012 Os Piores do Ano

Será que pensam que a gente é bobo? Não é bem isso, o cinema faz e sempre fez isso: é parte da brincadeira, da lógica do cinema que é completamente outra. Graças ao corte, o cinema elimina as partes chatas da vida, pula da porta de casa para o quarto diretamente, e assim por diante. Faz tempo que desisti de cobrar a lógica do dia a dia do cinema. A gente vai ver filmes para isso, para esquecer ou curtir o que o cinema nos oferece de mágico.

Sendo assim, vejo que tivemos mais decepções do que exatamente filmes ruins. Muitos são super estimados como As Horas de Verão, que todo mundo caiu babando em cima, quando é um dos filmes mais pedantes, chatos e enfastiados  já feitos, com os piores defeitos dos franceses.

Outra coisa: não, o pior filme do ano não é Lua Nova, isso seria apelar e ele nem se classifica dentre os ruins: talvez como decepção, já que eu esperava do diretor ao menos um filme superior.

Lua Nova Os Piores do Ano

Mas por outro lado, Robert Pattinson acaba encabeçando a lista com o inacreditável Uma Vida sem Regras (How to Be), uma fitinha amadora, desencontrada, aborrecida. E onde ele naufraga.

Outros Piores:

W de Oliver Stone- Com medo de ser processado, o diretor que já foi tão ousado faz uma tola biografia do presidente George W. Bush, o pior de todos os tempos. Tão fraca que ninguém se deu conta dela.

G.I. Joe –A Origem  de Cobra – Não tem sentido adaptar Comandos em Ação e nem usar o nome, ou identificá-los. Mas de todos os blockbusters, este foi o pior interpretado, com o pior coadjuvante (Dennis Quaid) e o pior galã (Channing Tatum). E também são os mais incompetentes dos heróis.

O Dia em que a Terra Parou – Por que insistem em refilmar os clássicos? O original ainda é uma obra-prima, mas esta versão com o sempre inominável Keanu Reeves - que era bonitinho, mas ordinário e hoje em dia nem isso. Ficou só canastrão.

The Spirit – Eu avisei quando vi o Sin City, que quadrinhos não têm a mesma linguagem de cinema: só dão essa impressão. Agora, finalmente Frank Miller provou que não é do ramo, neste fracasso horrível que detonou  suas ambições e estragou um projeto promissor.

Che I e II -  Estragaram a vida de Che Guevara em um filme longo dividido em duas partes, onde a segunda conseguia ser ainda pior. Benicio del Toro  passa o filme todo em coma (alcoolica?) e o coitado do Rodrigo Santoro nada tem a fazer. E pulam as partes polêmicas. Que vergonha, Steven Soderbergh, que para mim caiu do pedestal.  Por falar nele ,alguém se lembrou de O Desinformante? Era mais ou menos e confirma que caímos no logro consagrando o realizador cedo demais.

Fama (Fame)- O pior musical (não que houvessem muitos e o melhor foi, sem dúvida, a série de tevê Glee, da Fox). Mas nada tão inútil, com elenco tão inexpressivo e outra refilmagem desnecessária.

O Seqüestro do Metrô - Mais outro que não precisa ser refeito. Mais um filme estragado pelo diretor Tony Scott com sua mania de fazer tudo picado, como uma reportagem mal feita. Que tal aprender a contar uma história, Tony?

Pantera Cor de Rosa 2 - Quando vi, não achei tão ruim mas pensando bem, é um desperdício de Steve Martin, que periga ter matado a franquia.

Decepções do ano

Sempre digo que evito esperar para não me decepcionar. Mas Pedro Almodóvar podia ter feito muito melhor do que o desencontrado Abraços Partidos. Julie e Julia, apesar da magnífica Meryl Streep (que no fundo é coadjuvante) é irregular e mal desenvolvido. 500 Dias com Ela é simpático e criativo, mas também não tudo isso que inventaram . O Solista é outro que devia ter tido maior impacto (mas Jamie Foxx está ótimo e foi esquecido nas premiações).

Tinha que ser você foi um desperdício da dupla Emma  Thompson e Dustin Hoffman, num filme sem graça e fraco de romance. Watchmen pode ter sido o maior deles, diante da fama e pretensões do projeto. Austrália foi prejudicado pelo excesso de efeitos digitais, no que deveria ser uma aventura romântica (ou será simplesmente que a dupla Nicole Kidman e Hugh Jackman não funcionava, não tinha química?). E por falar nele, outro que não rolou foi o Wolverine (na época também achei melhor do que ficou na lembrança). Noivas em Guerra foi outra besteira no gênero comédia romântica, que este ano ficou a desejar (a melhor deve ter sido Ela não está tão a fim de você, imaginem só o resto). O Lutador criou bochicho  antes de estrear, mas ninguém quis ver o patético Mickey Rourke. Sinédoque Nova York era tão cabeça que ninguém entendeu nada.

Desejo e Perigo, de Ang Lee tinha jeitão de pornochanchada brasileira, com as cenas de sexo menos eróticas do cinema. Operação Valquiria tinha um Tom Cruise inconvincente e foi outra refilmagem dispensável. Foi apenas um Sonho não merecia sua dupla Di Caprio/Winslet, mas tinha seu charme. Intrigas de estado era um thriller confuso que ajudou a afundar a carreira de Russell Crowe, o astro destronado do momento. Simplesmente Feliz era um Mike Leigh menor. Pagando Bem que Mal Tem era fraquinho e acabou com outro mito, o do diretor Kevin Smith. Velozes e Furiosos 4, ao menos, resgatou e salvou a franquia.

Concluindo: um ano tão fraco que chegou mesmo a faltar um filme tão abominável que passasse para a história. Muitos da lista são como chutar cachorro morto: mereciam ficar no limbo onde se puseram.

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