5 janeiro 2010 às 12:40
Os candidatos ao Oscar: Amor sem Escalas
Primeira Crítica dos filmes do Oscar:
Amor sem Escalas (Up in the Air) EUA, 09. Direção e roteiro de Jason Reitman. Roteiro também de Sheldon Turner baseado em livro de Walter Kim. Com George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, J.K. Simmons, Sam Elliott, Danny McBride. 109 min. Comédia.
Não é para adolescentes, muito menos para meninas. Esta é uma comédia cínica e “cool” endereçada à força trabalhadora norte-americana, aqueles justamente que neste momento estão sofrendo as consequências da recessão econômica (que é mais forte para eles do que nós) e do fenômeno do “downsizing”, ou seja, de cortarem despesas, empregos, benefícios.
O momento em que a cabeça de qualquer um está a prêmio e não há mais garantia de emprego ou lealdade de empresa. Tempos perfeitos para o super executivo Ryan Bingham, que é especialista justamente em despedir pessoas.
Quem o faz é George Clooney, em pleno domínio de seu estilo de humor, um dos poucos atores do momento que criou uma persona, ou seja, um tom que faz pensar em astros do passado, tipo Cary Grant ou Tyrone Power, que não precisam ser versáteis, interpretam variantes de si mesmos, mas sempre com precisão e um certo tom autocrítico.
Por causa dessa sua habilidade, ele viaja pelos Estados Unidos todo, passando mais tempo em hotéis e voos de tal maneira que será candidato a ter o maior cartão de milhagem de todos, o de dez milhões da AA (na verdade é uma fantasia do roteiro para dar maior charme, esse cartão não existe).
Mas esse é sua maior meta, já que não tem casa, família, mulher ou filhos. Ou seja , é um homem feliz, que vive com uma maleta portátil, que fura filas e é sempre bem tratado. E ainda se dá ao luxo de encontrar uma mulher que parece ser exatamente o seu equivalente feminino, Alex Goran (Vera Farmiga) com que ele inicia um relacionamento. Se encontram e quando é possível, transam, como sucede num hiato em que se cruzam em Miami.
Mas os tempos são bicudos e apareceu na empresa uma jovem ambiciosa, Natalie Keener (Anne Kendrick, vencedora do Tony e do elenco de Crepúsculo) que inventou outro jeito de mandar pessoas embora, despedi-las por vídeo conferência! Ainda mais cruel e mais rápido!

Clooney é contra e sabiamente vai junto com a moça, explicando o preço que ela terá que pagar pela nova atividade, mas sem nunca perder a ternura. Anne não é bonita, é baixinha, bicuda. Não nasceu para ser estrela, vai ser sempre a melhor amiga como em Lua Nova, mas tem um estilo especial para humor que deve levá-la longe, ou ao menos para alguma série de tevê.
Amor sem Escalas é um título horrível (nacional) que nada tem a ver com o conteúdo do filme, que tem um lado romântico sim (ele vai com Farmiga visitar a única sobrinha que está se casando e acaba ajudando a resolver um impasse).
É mais sobre o estúpido mundo moderno, onde se é capaz de contratar uma empresa e um cara famoso só para vir te despedir! Arruinar sua vida. Parece que no livro original, já no terceiro ato, ou seja no fim, Ryan descobre que está com câncer terminal e conclui tudo indo para o hospital.
O diretor já confirmou que não filmou isso e que só deixou uma outra referência de passagem, que nunca quis um final desses tão trágico. O bom então, é que se faz comédia com um assunto seríssimo e com a mesma habilidade que o diretor Jason (filho do veterano e aqui co-produtor Ivan Reitman) demonstrou no filme anterior (Obrigado por Fumar).
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