7 janeiro 2010 às 06:00
Os candidatos ao Oscar: The Messenger
EUA, 09. Direção de Oren Moverman. Roteiro de Oren e Alessandro Camon. Com Ben Foster, Jena Malone, Eammon Walker, Woody Harrelson, Samatha Morton, Steve Buscemi, Yaya da Costa.
Ganhador de um Urso de Prata em Berlim (mais prêmio pela Paz) e melhor filme em Deauville, o longa gerou indicações como coadjuvante para Woody Harrelson no Globo de Ouro, SAG e National Board, sendo o primeiro reconhecimento a esse já veterano, revelado há mais de vinte e tantos anos na série de TV "Cheers".
Não sei se vocês se deram conta, mas para não acontecer novo Vietnã, as emissoras de TV têm tido muitas restrições para contar histórias sobre a Guerra do Afeganistão ou Iraque para que a opinião pública não se vire contra o governo. É por isso que o cinema é que tem abordado o assunto. O primeiro filme a falar sobre isso foi Taking Chance - O Retorno de um Herói, que acabou passando na HBO, mas era de cinema.
Com Kevin Bacon, o filme disponível em DVD tem uma história semelhante. Era sobre um oficial já veterano, que tinha a missão de acompanhar o corpo de um soldado morto em ação, passando por todos os ditames burocráticos. Aqui, são dois oficiais: o veterano capitão Woody e outro mais novo, um sargento feito por Ben Foster, que está ficando conhecido por criar tipos característicos como fez em Os Indomáveis, Alpha dog e X Men. Mesmo sem ter tido treino especial para isso, ele tem a missão de anunciar a morte dos entes queridos para a família.
Quantas reações diferentes podem existir? Esse é um dos problemas do roteiro, que se torna repetitivo e, depois de meia hora, não tem mais para onde ir. A gente já sofreu bastante vendo o trabalho ingrato da dupla, que enfrenta xingamentos e ofensas, mas não pode nem abraçar nem se expressar: eles precisam ficar austeros e distantes, seguindo as regras. Então, já que Woody fica meio de lado, cabe a Foster iniciar um relacionamento com a viúva de um deles, uma moça estranha, vivida por Samantha Morton, que sempre fez personagens esquisitos e agora está mais bizarra. Na vida real, a atriz quase morreu quando parte do telhado de sua casa caiu sobre ela. Então, seguimos o romance que não esfria nem esquenta.
Talvez para o americano, que está sofrendo na carne o problema, o filme tenha mais ressonância e sua sobriedade fique a seu favor (para nós, isso acaba sendo defeito). Não é um assunto para o qual estão preparados para discutir a fundo, já que é um beco sem saída. Não há como ganhar essa guerra; é um buraco onde Bush os meteu. Mas ainda não há coragem para jogar pedra no ex-presidente ou sair pela rua protestando, como fizeram há 40 anos. O diretor estreante Moverman é veterano de guerra de Israel e escreveu antes os roteiros de Eu Não Estou Lá, Vida de Casado e O filho de Jesus. Para meu gosto, é um filme frio e distanciado demais. E nem Woody, que usa sua simpatia natural, tem papel para ganhar.
Veja mais:
+ Oscar 2010 já elegeu seus favoritos
+ Academia anuncia filmes que concorrerão ao grande prêmio do cinema











